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DISTÚRBIOS DO MOVIMENTO
Síndromes extrapiramidais
O grupo de doenças conhecidas como “distúrbios do movimento” ou “síndromes extrapiramidais” é caracterizado por movimentos involuntários anormais ou por uma redução dos chamados movimentos normais;
O sistema piramidal é a via corticoespinhal, que é na via motora voluntária cujos corpos neuronais estão localizados no giro pré-central do lobo frontal. Essa via projeta seus axônios em direção aos núcleos dos nervos motores cranianos do bulbo e a à substancia cinzenta da ponta anterior da medula espinhal. 
Sabe-se, entretanto, que todo movimento voluntário é modulado por um circuito neuronal sediado em estruturas profundamente localizadas nos hemisférios cerebrais, chamadas de núcleos da base. Os núcleos da base são constituídos por putâmen, núcleo caudado, globo pálido e núcleos subtalâmicos e, por sua vez, recebem e enviam projeções para o córtex cerebral, substancia negra do mesencéfalo, núcleos talâmicos e núcleos da ponte e do cerebelo. Esse circuito é conhecido como sistema extrapiramidal.
Disfunções no circuito acima levarão à anormalidade dos movimentos ou às síndromes extrapiramidais. 
Os distúrbios do movimento ou síndromes extrapiramidais podem ser divididos em dois grandes grupos: (1) síndromes hipocinéticas, que tem como única representante o parkinsonismo; e (2) as síndromes hipercinéticas, que são constituídas por coréia, distonia, mioclonia, tique, tremor e discinesia tardia.
SÍNDROMES HIPOCINÉTICAS 
PARKINSONISMO
 Caracterizada por uma tétrade de sinais e sintomas que são: tremor de repouso, acinesia, rigidez muscular e alteração do equilíbrio e da postura;
Síndrome parkinsoniana é diferente da doença/mal de Parkinson. O parkinsonismo é um conjunto de sinais e sintomas clínicos com uma determinada característica que pode manifestar-se em diversas doenças e ter inúmeras causas. A doença de Parkinson (DP) é uma doença que pode se manifestar com parkinsonismo. 
Fisiopatologia do Parkinsonismo
É decorrente de uma neurotransmissão deficiente de uma das vias que compõe o circuito extrapiramidal. 
Quando há a deficiência do neurotransmissor (dopamina), ocorrem os sintomas do parkinsonismo. 
Vários podem ser os motivos para que haja deficiência nessa transmissão, como por exemplo, degeneração das células da substância negra (doença de Parkinson), bloqueio dos receptores da dopamina nos neurônios do estriado (drogas), destruição dos neurônios do estriado (múltiplos infartos, doenças degenerativas), etc.
Quadro clínico do Parkinsonismo
É constituído por quatro sinais e sintomas: tremor de repouso, acinesia, rigidez muscular e alterações do equilíbrio e da postura.
O tremor predomina o período de repouso, melhorando quando o paciente adota uma postura, tendendo a reaparecer após algum tempo. Pode afetar mãos, pernas e segmento cefálico. Nas mãos, tem o aspecto de ‘’contar moedas’’.
A rigidez muscular é do tipo ‘’plástica’’, ou seja, ocorre durante toda a flexão e a extensão da articulação testada. É facilmente percebida pela diminuição do balanço passivo das extremidades e pode ser notada tanto na musculatura axial quanto nos membros.
A bradicinesia ou acinesia caracterizam-se pela dificuldade na execução dos movimentos, que pode ser notada pela demora para iniciar os movimentos, e também pela lentidão na execução e pela redução na amplitude dos movimentos. 
Os distúrbios do equilíbrio e da postura são percebidos pela dificuldade do paciente em se reequilibrar quando desestabilizados e pela posição curva do tronco para frente, com os braços fletidos na altura da cintura.
A disartrofonia é muito frequente e é um dos fatores mais limitantes para os pacientes. Disfagia também é comum, especialmente nas formas mais graves da síndrome.
DOENÇA DE PARKINSON
É uma doença que costuma se manifestar depois dos 50 anos e acometer ambos os sexos (pode-se manifestar em indivíduos mais jovens).
Comumente tem início unilateral e tendem a evoluir de forma assimétrica até o final. Com a evolução, os sintomas passam a acometer o outro lado e a região axial, comprometendo o equilíbrio, e consequentemente, a marcha.
No acometimento axial é que ocorrem os sintomas de voz, fala e deglutição.
Caracteristicamente, na DP os sintomas axiais são bem mais tardios, acometendo os pacientes depois de mais de quatro ou cinco anos do início dos sintomas. A doença progride em ritmo variável.
Na DP não costuma haver sintomas cognitivos nas fases iniciais e intermediárias, e apenas nas fases mais avançadas é que podemos observar algum declínio cognitivo
O diagnóstico de DP é essencialmente clínico, não havendo qualquer exame ou teste biológico para confirmação. O diagnóstico é baseado nos sinais clínicos e na evolução do quadro. Também a boa resposta terapêutica é um fator que ajuda a diferenciar de outras formas de parkinsonismo. 
A DP é decorrente de uma degeneração das células produtoras de dopamina, e a pedra angular do tratamento baseia-se na reposição de dopamina cerebral. Esse tratamento é feito com uma substancia precursora da dopamina chamada levodopa, que é convertida em dopamina dentro do cérebro e produz melhora dos sintomas do paciente. A levodopa, entretanto, não é isenta de problemas. Com o uso continuo por um período que varia de um a dez anos aparece complicações, que podem ser do rendimento motor e as discinesias. Nas flutuações motoras, o paciente que antes tinha um efeito homogêneo da medicação, começa a perceber uma oscilação e encurtamento do efeito. Na discinesia, os pacientes apresentam movimentos involuntários.
OUTRAS FORMAS DE PARKINSONISMO
As outras formas de parkinsonismo costumam ter evolução e abordagem distintas da DP.
O parkinsonismo induzido por drogas costuma manifestar-se com sintomas bilaterais e simétricos e quase nenhuma resposta ao uso de levodopa. A melhor estratégia é a de suspender a medicação causadora do distúrbio e introduzir anticolinérgicos por um tempo limitado.
O parkinsonismo induzido por traumatismo craniano ou por múltiplos infartos cerebrais pode ser assimétrico, mas não costuma ter um curso progressivo nem responder à levodopa. Nos quadros de múltiplos infartos cerebrais, os sintomas tendem a se concentrar nos membros inferiores e a ocasionar um sério distúrbio de marcha. Quadros pseudobulbares são muito frequentes nessas condições.
Os quadros degenerativos do tipo Parkinson-plus costumam manifestar a síndrome parkinsoniana bilateralmente e também não responderem ao tratamento com levodopa.
A paralisia supranuclear progressiva é uma doença que ais frequentemente ocorre frequentemente após os 50 anos de idade e, além do parkinsonismo, há paralisia dos movimentos oculares verticais, distúrbios graves do equilíbrio e marcha, demência e síndrome pseudobulbar com disartrofonia usualmente grave. A evolução é progressiva com sobrevida de cerca de cinco a oito anos.
A atrofia de múltiplos sistemas (AMS) combina parkinsonismo com disfunção autonômica, especialmente hipotensão ortostática, ou seja, queda da pressão arterial quando o indivíduo muda da posição deitada ou sentada para a posição ereta, e ataxia cerebelar. É comum um grave comprometimento da fala e da voz precocemente. O aparecimento da disartria e disfagia no primeiro ano de manifestação do parkinsonismo é muito comum na AMS.
A demência por corpos de Lewy (DCL) combina sinais parkinsonianos com sinais de involução cognitiva. Distúrbios de memória, alucinações visuais e um quadro confusional flutuante ao longo do dia são característicos de DCL. O parkinsonismo pode até ser assimétrico ou unilateral, o que acaba confundindo com DP, mas as quedas frequentes por alteração grave do equilíbrio são muito precoces e ajudam a distinguir a DCL da DP.
SÍNDROMES HIPERCINÉTICAS
 CORÉIA
O indivíduo com coréia tem a aparência de estar dançando parado, tal a inquietude motora. A coréia caracteriza-se por movimentos involuntários rápidos, aleatórios, podendo acometer as extremidades, a face e o tronco.
Muito frequentemente,