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Coberturas em estruturas de madeira   exemplos de cálculo

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decorre do vão adotado para a terça a faixa de carregamento para as tesouras, portanto, 
terças de grandes vãos diminuem o número de tesouras e estas ficam sujeitas a carregamentos 
de maior intensidade. Ou ainda, terças de pequenos vãos aumentam o número de tesouras e 
diminuem o carregamento individual de cada uma delas. Certamente a segunda opção, quando 
possível de ser adotada, conduzira a soluções mais seguras e confiáveis. 
As emendas de terças devem ser feitas com talas pregadas, nas seções de momento 
fletor nulo, com chanfros a 45° acompanhando o diagrama de momentos fletores. As terças 
devem possuir apoios nas duas direções em que ocorrem suas solicitações principais. Caso haja 
inversão de esforços provocada pela ação do vento, deve-se garantir a ancoragem da terça, 
através de parafusos passantes ou cantoneiras parafusadas. Caso isto não aconteça, o apoio 
lateral da terça passa a ser o mais importante, porque ele garantirá sua estabilidade. Neste caso 
as ligações são pregadas e pode-se usar para apoio lateral o prolongamento dos montantes 
das tesouras. 
Outros sistemas estruturais são possíveis de ser adotados para as terças, quando é 
imperativo vencer vãos maiores do que os acima indicados. O uso de seções transversais maiores 
do que as comerciais não é indicado, porque significa um menor aproveitamento dos recursos 
florestais existentes. Dentre as alternativas existentes podem ser relacionadas as seguintes: 
vigas armadas, vigas escoradas, vigas compostas e vigas treliçadas com banzos paralelos. Todas 
elas aumentam o consumo de mão de obra na execução do terçamento, Além de transferirem 
os esforços da trama para as tesouras (ou arcos, pórticos, etc.), as terças travam as pernas das 
tesouras, usualmente comprimidas. Nos casos em que ocorre inversão de esforços provocada 
pela ação de vento, as terças deverão ser do tipo escorada para que as mãos-francesas usadas 
possam travar os banzos inferiores das tesouras, então solicitados à compressão. 
1,5,5. Estrutura de apoio 
A escolha do sistema estrutural treliçado em madeira para coberturas é provavelmente 
mais comum do que em qualquei outro material estrutural. Possivelmente, isso acontece devido 
à longa tradição no uso da madeira para estrutura, ou porque a estrutura treliçada permite que 
se explore melhor todo o potencial de um material, ou ainda possivelmente por causa da relativa 
facilidade com que formas usuais treliçadas podem ser fabricadas e montadas em madeira. 
Muitos dos perfis considerados como tradicionais são ainda especificados por razões 
arquitetônicas, e o engenheiro precisa estar familiarizado com as formas modernas e tradicionais 
do projeto de treliças. 
Segundo Calil Jr. e Dias (199?), a função estrutural da treliça de apoio é receber e 
transferir as cargas da trama para a edificação de modo eficiente e econômico. Essa eficiência 
depende da escolha de um perfil adequado coerente com as necessidades arquitetônicas e 
compatíveis com as condições de carregamento. Perfis típicos idealizados para três condições 
de carga são mostrados na Figura 1,14. 
Com um sistema simétrico de carregamento {particularmente importante no segun-
do caso da Figura 1,14, que é um pórtico de quatro pinos e, portanto, instável), em cada caso 
idealizado, a transferência do carregamento é realizada sem barras internas, devido ao perfil 
do banzo coincidir com o momento fletor na condição de simplesmente apoiado ou à curva 
de pressão das cargas aplicadas. 
0,5 Vi 
w 
J L . 
Vi w 
t - 1 t O.SW w w 
O.SVi VI 
Figure W-
Perfis idealizados para 
três condições de carga 
(Modificada de Calil Jr.; 
Dias, 1997). 
0,5 Vi 0,S Vi 
Infelizmente, não é possível usar este perfil omitindo as barras internas, devido às 
condições assimétricas de carga que aparecem das ações de vento ou das ações permanentes. 
Condições assimétricas podem também ocorrer devido às condições de construção e monta-
gem; entretanto, o engenheiro pode tentar usar o perfil da treliça com geometria próxima da 
do perfil ideal (diagrama de momento}, adicionando um sistema de barras capaz de estabilizar 
as cargas assimétricas. Dessa maneira, os esforços nas barras internas e nas conexões são mi-
nimizados com um projeto simples e econômico. 
Certamente o engenheiro vai encontrar casos nos quais o perfil arquitetônico neces-
sário é conflitante com o perfil preferido estrutural e, portanto, altas tensões podem aparecer 
nas barras internas e nas conexões. A economia pode então ser alcançada pela adoção do 
mais adequado sistema estrutural das barras internas, nas quais é necessário criar um balanço 
econômico entre material e mão de obra. 
A configuração das barras internas deve fornecer comprimentos entre os nós das 
barras na treliça e banzos, de tal modo a reduzir o número de nós. Por outro lado, a relação do 
índice de esbeltez dos banzos comprimidos e das diagonais internas não pode ser excessiva, 
a flexão local nos banzos não pode ser muito grande e o ângulo entre diagonais e os banzos 
não pode ser muito pequeno. 
O engenheiro é usualmente influenciado por considerações arquitetônicas, tipo e 
comprimento das telhas, condições de apoio, vão e economia, e provavelmente escolhe um dos 
tipos básicos de treliça: banzo inclinado para uma ou duas águas (Figura 1.15), treliça bowstring 
(Figura 1.16), belfast (Figura 1,17) ou de banzos paralelos (Figura 1.18). 
Figura í.TJ, 
Treliça de bonzos 
rndiíiados (CclHJr.; 
Dios, 1997). 
O.Í5L 
para 
0.7U 
0.12SL 
para 
. 0.35L 
Figurei 116. 
Treliça bowstmg (Calil 
Jr.;Dios, 1997) 
L pjra L 
6 10 
Figuro 117. 
Tteliço belfast (Calil Jr.; 
Dios, 1997) 
JL para L^ 
£ tO 
figyjü 118, 
Treliça de bonzos 
paralelos (Calil A; 
Dias, 1997). 
L jwraL. 
6 19 
A forma mais comum para uso doméstico e industrial é a treliça de banzo inclinado 
(Figura 1.15). A forma acompanha o diagrama de momento razoavelmente bem e é compatível 
com materiais tradicionais de cobertura, como as telhas para uso doméstico e chapas corrugadas 
para aplicações industriais. Parte da carga aplicada é transferida diretamente através das barras 
dos banzos para os nós de apoio, enquanto as barras internas transferem cargas de valores 
relativamente pequenos para médio, e os nós podem usualmente ser projetados para resistir 
a essas cargas com pouca dificuldade. 
Treliças de uma água são geralmente adequadas para vãos de até aproximadamente 
9 m. Acima desse vão a altura vertical é muito grande por razões arquitetônicas, mesmo se a 
inclinação da trelíça é reduzida abaixo da inclinação necessária da telha, e, portanto, necessário 
o uso de manta betuminosa. Treliças domésticas de duas águas são para vãos de até 12 m, e 
tneliças industriais para vãos de até 15 m. Acima deste vão torna-se difícil o transporte. 
Para grandes vãos e uso industrial, as treliças bowstring (Figura 1.16) podem ser muito 
económicas, Isto pode ser considerado como uma alternativa para a tradicional treliça toda pre-
gada belfast (Figura 1.17). Com carga uniforme e nenhuma grande carga concentrada, o perfil 
do banzo superior resiste a toda carga aplicada, e vãos de até 30 m não são incomuns. 
Um perfil parabólico, teoricamente, é a escolha mais eficiente para suportar cargas 
uniformes, mas considerações práticas de montagens usualmente a tornam mais conveniente 
ou necessária pela adoção de um perfil circular para o banzo superior, O banzo superior é 
usualmente laminado (não necessariamente com quatro ou mais barras), usando ou grampos 
de pressão ou pregos de pressão para a montagem, A curvatura pode ser introduzida enquan-
to laminado ou, alternativamente, o banzo pode ser fabricado reto e então curvado para a 
requerida curvatura. O projetista precisa tomar cuidado com o método de fabricação, ou efe 
será incapaz de dar as corretas tensões de curvaturas. As menores tensões

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