IMPORTÂNCIA DAS PLANTAS FORRAGEIRAS E SUA MORFOLOGIA
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IMPORTÂNCIA DAS PLANTAS FORRAGEIRAS E SUA MORFOLOGIA


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IMPORTÂNCIA DAS PLANTAS FORRAGEIRAS E SUA MORFOLOGIA
- INTRODUÇÃO
A estimativa do valor nutritivo das forrageiras é de grande importância prática, seja para permitir adequada suplementação de dietas à base de volumosos ou para fornecer subsídios para melhoramento qualitativo de forrageiras, por meio de seleção genética ou técnicas de manejo mais adequadas. Entre os atributos da forragem determinantes do seu valor nutritivo se destacam a sua composição em termos de constituintes digestíveis ou fermentáveis e seu consumo pelos ruminantes.
A organização estrutural, ou anatomia dos órgãos da planta, e seus tecidos constituintes, além de influenciar o consumo pelo efeito que produzem sobre a facilidade de fragmentação das partículas da forrageira, a natureza das partículas produzidas e sua taxa de passagem pelo rúmen, influenciam também na digestibilidade da parede celular, proporcionando maior ou menor acessibilidade de seus polissacarídeos aos microorganismos do rúmen.
A proporção de tecidos tem sido indicativo do valor qualitativo entre forrageiras. Correlações altamente significativas entre a proporção de tecidos individuais, ou em combinação, e as entidades nutricionais têm sido observadas. A proporção de tecidos pode explicar diferenças na digestibilidade da matéria seca entre plantas por meio da quantificação do volume relativo dos tecidos com elevado conteúdo solúvel e/ou delgada parede primária (não lignificada), os quais apresentam alta digestibilidade, versus aqueles tecidos com baixo conteúdo solúvel e espessa parede celular (freqüentemente lignificada), normalmente associados à baixa digestibilidade. Por outro lado, a proporção de tecidos não permite inferências quanto à arquitetura desses nas lâminas, além de possíveis diferenças na composição química e na espessura das paredes das células de um mesmo tecido entre as espécies. Assim, estudos do arranjo dos tecidos nas diferentes frações da planta e dos componentes químicos e físicos da parede celular, podem auxiliar no entendimento dos efeitos da anatomia sobre o valor nutricional das forrageiras.
Tendo em vista os diversos fatores que influenciam a anatomia das plantas forrageiras, foram abordados nesta revisão aspectos relacionados à composição, à digestão, à proporção e ao arranjo dos diferentes tecidos vegetais, e suas relações com o valor nutritivo das gramíneas forrageiras.
Do total do território brasileiro, 30% é ocupado pelo setor agropecuário. Nesse contexto, as pastagens naturais ou cultivadas aparecem com excepcional destaque, ocupando cerca de 185 milhões de hectares, ou seja, 73 % da área destinada ao setor. Essa fonte de alimentação adquire relevância ainda maior quando é levada em consideração sua competitividade econômica, comparada aos sistemas que adotam resíduos agro-industriais, cereais e silagens como base da alimentação (HODGSON, 1990). Assim, para que seja possível explorar o potencial de produção e crescimento de um determinada espécie forrageira é necessário conhecer a estrutura básica da planta e a maneira segundo a qual seus órgãos funcionais e seu metabolismo são afetados pelos estresses comuns a um ambiente de pastagem.
Um entendimento adequado dos efeitos de variação nas condições do pasto sobre o desempenho, tanto da planta, como do animal, e da resposta de ambos ao manejo que será adotado, somente poderá ser atingido quando se conduzir estudos baseados no controle de características do pasto. Assim, fica claro que estudos de anatomia, de fisiologia e de morfologia podem muitas vezes ser úteis para que se possa estabelecer uma estratégia ideal de manejo do pasto. Para forrageiras temperadas os estudos de morfogênese se encontram em favorável estado de desenvolvimento, ao passo para as gramíneas tropicais esses estudos são ainda restritos, havendo grande necessidade de investigação.
Características químicas da planta forrageira, como elevadas concentrações de lignina na parede celular, comprometem a digestibilidade da matéria seca e a alta concentração de parede celular limita o consumo pelos bovinos. Apesar de representar a maior parte da matéria seca das forrageiras e constituir-se na maior fonte de energia para ruminantes sob regime de pastejo, freqüentemente menos de 50 % da parede é prontamente digestível e utilizada pelo animal. Alguns autores têm analisado a hipótese das limitações físicas à digestão. Neste caso, a anatomia da planta, especificamente o tipo de arranjo das células nos tecidos, a proporção de tecido e espessura da parede celular desempenham importante papel sobre a digestão de gramíneas forrageiras, tanto quanto, ou até mais que a composição da parede celular.
O objetivo dessa revisão é mostrar a importância dos estudos de anatomia e morfologia em plantas forrageiras de metabolismo C4, bem como elucidar sua relação com a qualidade das mesmas.
De modo geral, se devidamente manejadas e adubadas, as pastagens podem apresentar boa persistência e inclusive elevar o seu nível de produtividade, permanecendo sustentáveis por muitos anos. Isto porque as gramíneas forrageiras podem ajudar no processo de estabilização dos agregados do solo, além de conservar ou aumentar o teor de matéria orgânica do solo, fazendo uma adequada reciclagem dos recursos produtivos do ecossistema e reduzindo as suas perdas potenciais.
Entretanto, o que tem sido mais freqüentemente observado é que alguns anos após sua instalação, as pastagens sofrem um declínio em produtividade, consequentemente refletido na produção animal, seguido por uma invasão de plantas daninhas não palatáveis, surgimento de áreas descobertas e encrostamento do solo. Esse processo de progressivo declínio em produtividade, indicativo de não sustentabilidade do sistema, é conhecido como degradação das pastagens.
Estimativas indicam que 50 % dos pastos estabelecidos nas principais regiões pastoris do Brasil estão degradados ou em processo de degradação. A degradação é a causa direta das baixas taxas de lotação.
As principais causas de degradação estão relacionadas à má formação da pastagem, às altas taxas de lotação, tempo insuficiente para rebrota, deficiência natural de alguns nutrientes, intensificada com manejo inadequado, e a não adoção de práticas de adubação de manutenção e conservação do solo. Outra causa é o lançamento de novas forrageiras sem os devidos estudos de adaptação, manejo e práticas de adubação.
Uma produção estável permite ao produtor conhecer o comportamento do seu sistema de criação, posicionando-se no mercado com maior precisão, e com tomadas de decisão coerentes com suas condições produtivas (melhores épocas de compra e venda de animais).
Tendo em vista que as plantas forrageiras são submetidas constantemente ao estresse da colheita, seja pelo pastejo ou pelo corte, há a necessidade de discutir sobre a habilidade dessas plantas para se recuperarem, levando em conta as características fisiológicas da planta e do ambiente ao qual está submetida, para que o manejo possa ser eficiente e não prejudicial à produtividade da planta forrageira.
O manejo racional e efetivo de ecossistemas de pastagens torna-se uma conseqüência da manipulação das atividades fisiológicas dos componentes de cada espécie forrageira, bem como da otimização de seu desempenho ao longo das estações de crescimento, para tanto, torna-se necessário reconhecer a planta forrageira como componente chave do sistema de produção.
Dado o exposto, objetivou-se descrever e comentar a respeito dos principais processos fisiológicos das plantas forrageiras e suas conseqüências sobre a produtividade.
2. A PRODUÇÃO
A produção forrageira se baseia na transformação de energia solar em compostos orgânicos pela fotossíntese, onde o carbono, do dióxido de carbono (CO2), na atmosfera, é combinado com água e convertido em carboidratos com a utilização da energia solar. As condições do meio ambiente em que as plantas são submetidas podem influenciar os principais processos fisiológicos das plantas, como a fotossíntese e a respiração,
Mariana
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