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pois o tema é corriqueiro nas provas de concursos. Diante do atual cenário 
de instabilidade política, bem como do impeachment da Ex-Presidente Dilma, ele 
tende a cair ainda mais. Então, redobre os cuidados!
O Presidente da República, na condição de Chefe de Estado, possuirá algumas 
prerrogativas que serão apenas suas, não repercutindo para os outros Chefes de 
Governo (Governadores e Prefeitos).
Vou começar com um ponto bem relevante, que foi objeto de manifestação re-
cente no STF: a (des)necessidade de autorização do Legislativo para a abertura de 
processo contra os Chefes de Governo.
9.1. Autorização para Abertura de Processo contra o Presidente 
da República e contra Governadores
Nesse ponto, não há dúvidas de que o Presidente da República só pode 
ser processado, seja por crime comum, seja por crime de responsabilidade, após 
licença dada pela Câmara dos Deputados, em quorum de 2/3 de votos (ao 
menos 342 votos). Essa regra é extraída do artigo 51, I, da Constituição.
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A questão colocada é se a necessidade de autorização do Legislativo para o jul-
gamento também abrangeria os Governadores de Estado.
O entendimento tradicional do STF era no sentido de que as regras se esten-
diam aos Governadores, com base no princípio republicano. Foi então que chegou 
ao Tribunal discussão envolvendo a Constituição Estadual de Minas Gerais. Nela, 
diferentemente do que consta em outras Constituições Estaduais, não se previa a 
participação da Assembleia Legislativa mineira. 
O STJ, ao se debruçar sobre a questão, acabou entendendo pela necessidade de 
autorização, mesmo diante da omissão da Constituição Estadual. 
Já no STF, a orientação foi exatamente contrária. Ou seja, firmou-se a com-
preensão pela desnecessidade de autorização da Assembleia para a aber-
tura de processo contra o Governador (STF, ADI 5.540).
E mais, entendeu-se pela inconstitucionalidade das normas que prevejam 
expressamente a necessidade de autorização do Legislativo. Prevaleceu a 
ideia de que a prerrogativa seria unicamente do Presidente da República 
(STF, ADI 4.797).
Não há dúvidas de que pesaram na mudança de orientação do STF dois fatos: 
a) envolvimento de vários Governadores de Estado nas delações feitas no âmbito 
da Operação Lava Jato; e b) desde a instalação do STJ, em 52 oportunidades o 
Tribunal solicitou junto às Assembleias Legislativas autorização para processar Go-
vernadores. Desse total, houve 15 negativas e apenas 1 caso de deferimento. 
Em outras 36 ocasiões, a Casa Legislativa sequer respondeu ao STJ.
Em outras palavras, o ambiente de profundo escárnio e impunidade acabou 
ensejando a mudança na orientação. Repetindo: hoje, a necessidade de autori-
zação vale apenas para o Presidente da República.
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9.2. Foro para Julgamento de Presidente da República e 
Infrações a que ele Responde
A primeira coisa que você deve saber é que não é qualquer demanda contra 
o Presidente que será julgada em um foro especial.
Exemplificando, ações cíveis e trabalhistas não contam com regra diferenciada, 
sendo julgadas na 1ª instância. 
Em regra, não há foro especial para o julgamento de ação popular ou ação civil 
pública. Desse modo, mesmo que elas sejam propostas contra autoridades, a tra-
mitação ocorrerá perante um juiz de 1ª instância (STF, PET 3.087).
A prerrogativa de foro abrange especificamente os crimes, sejam 
comuns ou de responsabilidade.
Vejamos como fica o julgamento nessas hipóteses.
9.2.1. Crimes Comuns
Dentro da locução “crimes comuns” (ou infrações penais comuns) se inse-
rem os crimes comuns propriamente ditos e também as contravenções penais 
e os crimes eleitorais (STF, RCL 511).
Tratando-se de crimes comuns, a competência para julgamento será do STF. 
Aqui, cabem duas ponderações: a primeira, no sentido de que o Presidente só 
poderá ser processado por fatos ocorridos na vigência do mandato.
Ou seja, por conta da imunidade relativa (ou inviolabilidade presidencial), os 
processos relativos a fatos anteriores ao mandato ficarão suspensos. Nesse 
caso, não haverá contagem do prazo prescricional.
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A segunda ponderação é no sentido de que, mesmo os fatos ocorridos durante o 
mandato só tramitarão se guardarem relação com o cargo de Presidente da República.
Usando um exemplo esdrúxulo, caso o Presidente Michel Temer pratique ato de 
violência doméstica contra a sua mulher, Marcela Temer, sem que haja motivação 
relacionada ao cargo, esse crime relacionado à chamada Lei Maria da Penha ficará 
suspenso até que o mandato termine. A prescrição, igualmente, ficará suspensa.
Agora, partindo para outra situação hipotética (outro exemplo dantesco), na qual 
o Presidente agrida sua esposa, tentando contra sua vida. Diante de uma briga na 
qual a primeira dama demonstre interesse em denunciar ao Ministério Público crimes 
praticados pelo Presidente e por sua equipe, relacionados ao mandato, estaríamos 
diante de caso a ser julgado pelo STF mesmo na vigência do mandato.
Contudo, lembro que o julgamento pelo STF dependeria de autorização a ser 
dada por 2/3 dos membros da Câmara dos Deputados.
Havendo condenação, o Presidente estaria sujeito à prisão. Destaco que a 
Constituição fala que não pode haver prisão antes da prolação de sentença. 
Assim, o Presidente não estaria sujeito a prisão em flagrante ou temporária, 
nem mesmo a preventiva a ser decretada durante as investigações ou mesmo na 
instrução, sem sentença.
A expressão “crimes comuns” também abrange as contravenções penais e os cri-
mes eleitorais.
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9.2.2. Crimes de Responsabilidade (impeachment)
Além dos crimes comuns, os detentores de altos cargos públicos também po-
dem praticar infrações político-administrativas que são chamadas crimes de 
responsabilidade (de natureza política).
No artigo 85, a Constituição apresenta alguns exemplos de crimes de responsa-
bilidade. Ou seja, o rol é exemplificativo. 
São considerados crimes de responsabilidade os atos que atentem contra:
a) a existência da União;
b) o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos 
Poderes constitucionais das Unidades da Federação;
c) o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
d) a segurança interna do País;
e) a probidade (honestidade) da administração;
f) a lei orçamentária;