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FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU
CURSO DE ENFERMAGEM E NUTRIÇÃO
PATOLOGIA GERAL
Pigmentações e Calcificações Patológicas
São Luís - MA
2017
Pigmentação. Calcificação
I - PIGMENTAÇÃO
Pigmentação: Vem do latim, “cor para pintar”. Por dedução se trata de uma tinta, uma
substância com cor própria. Geralmente as substâncias coloridas da natureza estão diretamente
relacionadas à sua coloração, como é o caso da clorofila (verde), da hemoglobina (vermelha), da
xantofila (amarela), a melanina (pigmentação da pele), os licopenos (vermelhos) e os carotenoides
em geral (de amarelo a vermelho) que são precursores da vitamina A.
O processo pigmentação em si consiste na formação ou acúmulo de pigmentos em
determinada região do corpo, esses processos podem ser endógenos geralmente por alterações
bioquímicas, as quais causam acúmulo ou redução de pigmentação em certas doenças, vale lembrar
que a pigmentação pode ser um processo fisiológico normal ou patológico, o conceito não é restrito.
Sendo assim, as pigmentações podem ser de origem endógena, quando o pigmento é
produzido pelo próprio corpo, ou de origem exógena, quando a substância entra no corpo e se
acumula em alguma estrutura, a porta de entrada dessas substâncias pode ser a via respiratória,
digestória e parenteral.
1- Pigmentações Endógenas
1.1- Hemoglobínicas (derivados da hemoglobina)
1.1.1- Pigmentos biliares: O principal pigmento biliar é a bilirrubina, que é o produto
final do catabolismo do grupo Heme da hemoglobina e em doses normais no corpo esta substância
tem as seguintes funções:
Ação antioxidante (combate aos radicais livres);
Modulação do sistema imunológico ao inibir a fitoemaglutinina (substância derivada de
plantas leguminosas com feijão) cuja função é estimular a mitose de linfócitos, também inibe a
produção de IL-2 (induz a maturação de linfócitos B e de células T).
Aplicações da Bilirrubina na Medicina: Os médicos estão sempre interessados neste
pigmento, pelos seguintes motivos:
1) A bilirrubina não conjugada em excesso no sangue pode levar a dano neurológico
severo, inclusive com risco de morte;
2) A bilirrubina está associada a diversos distúrbios hepáticos e o conhecimento de seu
metabolismo é fundamental para entender essas doenças;
3) No trato digestório, o aumento de bilirrubina na bile é consequência de distúrbios
hemolíticos, este excedente é grande fator de formação de cálculos pigmentares associados ao
cálcio, como o bilirrubinato de cálcio, a presença destes cálculos pode obstruir os dutos biliares
(cístico, colédoco) bem como obstruir a saída comum com duto pancreático, que quando obstruído
causa sério quadro de pancreatite aguda e esteatonecrose.
O aumento de bilirrubina sérica (hiperbilirrubinemia) se dá por dois mecanismos lógicos –
ou há aumento na produção da bilirrubina ou há problemas em sua degradação. Clinicamente a
hiperbilirrubinemia se manifesta pela icterícia.
Metabolismo da bilirrubina
Formação da bilirrubina:
80% Provém da destruição das hemácias por macrófagos (feita na medula óssea,
baço, fígado). São 8g de Hb desintegradas por dia. O restante da bilirrubina se origina de outras
substâncias que usam o anel de porfirina (citocromo P450, triptofano, catalase) e do que tem de Hb
livre no sangue.
O mecanismo de produção da bilirrubina segue as seguintes etapas:
Separação na hemoglobina do grupo heme (proteína com ferro) do grupo globina (proteína
isolada);
Abre-se então o anel de porfirina do grupo Heme por oxidação, por meio da enzima heme
oxidase, formando a biliverdina, ferro e CO. A biliverdina é rapidamente então reduzida pela
enzima bilirrubina redutase (uma fosfoproteína).
Transporte no Sangue: A bilirrubina (Bb) que cai na circulação e insolúvel e podo ou não
estar ionizada é chamada de bilirrubina não conjugada, esta proteína não pode ser eliminada
diretamente, ela precisa ser conjugada com o ácido glicurônico (hepatócitos) para ser solúvel e
eliminada. A Bb não conjugada no plasma é transportada 91% ligada à albumina, o restante a
apoliproteínas D.
Em crianças, se os níveis de bilirrubina não conjugada chegarem a níveis superiores a 300
micromols por litro de sangue, bilirrubina atravessa a barreira hematoencefálica e se liga à núcleos
cerebrais por receptores N-metil-aspartato, impregnando-os com uma cor amarelo-ovo. O nome
kernicterus vem do alemão kern=núcleo + icterícia.
Captação e transporte pelo Hepatócito: Ocorre no espaço de disse (entre os capilares
sinusoides e os hepatócitos) por sistemas transportadores de ânion independentes de sódio
(transporte ativo) que parecem ser modulados por hormônios sexuais, essa captação também pode
ser feita por difusão. Dentro do citoplasma do hepatócito a Bb é então ligada a duas proteínas que as
mantém fortemente hidrofóbicas (ligantina e proteína Z). Baixos níveis de ligantina estão
relacionados com a icterícia fisiológica do recém-nascido.
Conjugação com o ácido glicurônico: A partir daí a Bb passa a ser chamada de
bilirrubina-conjugada. Sua conjugação ocorre nos lisossomos e é feita pela enzima Bb Uridina
Difosfato (UDP) Glicuronosiltransferase 1A1 (Bb UGT 1A1) é um grupo de 15 enzimas que fazem
transporte de porcarias ligadas ao ácido glicurônico no fígado. É uma dupla reação de esterificação
(ácido + álcool --> éster + água) em dois sítios da bilirrubina.
A Bb diesterificada é inócua, se liga fracamente à albumina e pode ser excretada pela urina
quando está em excesso no plasma, por ser bem solúvel em água. Na bile, cerca de 70 a 90% de seu
conteúdo é Bb diesterificada; o restando é monoesterificada.
Excreção nos canalículos biliares:
Do hepatócito para os canalículos biliares, trabalham ao proteínas MRP (Multidrug
Resistent Protein):
MRP-2 – Faz o transporte para os canalículos com uso de ATP;
MRP-3 – Quando há obstrução dos canalículos essas proteínas transportam a bile
conjugada para o plasma.
A partir daí a bile segue a anatomia do fígado até desembocar nos dutos hepáticos e
vesícula biliar.
No intestino:
Há reação da Bb com bactérias da microbiota e formação de urobilinogênio (pode ser
reabsorvido e excretado nos rins), além de compostos intermediários. O urobilinogênio então sofre
oxidação natural, sem ação de enzimas, no intestino e se converte em estercobilina, que dá a cor
característica das fezes.
Bilirrubina direta e indireta: A bilirrubina conjugada, por ter mais sítios de lição e ser
uma proteína mais aberta, sem mutias pontes de hidrogênio (devido a sua esterificação) reage
diretamente com os diazo reagentes sendo chamada então de bilirrubina direta. Já a bilirrubina não
conjugada, ela precisa ser posta para diluição e esterificação com algum álcool para somente depois
reagir com o diazo reativo, daí o seu nome: bilirrubina indireta.
Icterícia: Bb acima de 35micromols por litro de sangue. Sua deposição se dá
predominantemente na pele, mucosas, fígado e rins e a coloração vai de amarelo-negra à
tonalidades de verde. Microscopicamente a bilirrubina depositada é vista como grânulos os glóbulos
amorfos castanho-esverdeados a negros, muito visíveis no citoplasma dos hepatócitos e das células
de Kupfer, além de ser possível visualizar na luz dos canalículos biliares, com nome particular de
“cilindros biliares” para a deposição anormal.
Sendo assim, podemos classificar as alterações de bilirrubina como:
1) Aumento da produção de bilirrubina (como na destruição precoce de hemácias);
2) Redução nacaptação e transporte pelos hepatócitos (em situações de isquemia, em que
as bombas iônicas falham, por exemplo; na deficiência de ligantinas);
3) Diminuição da conjugação de Bb
4) Redução na excreção celular de Bb
5) Obstrução na eliminação canalicular intra e extra-hepática de Bb.
Vale lembrar que a icterícia após o nascimento é benigna e transitória, porque o transporte a
conjugação e a excreção do bebê ainda são baixos. A fototerapia é um tratamento simples e
adequado a essas fases, ela transforma a bilirrubina insolúvel em lumibilirrubina por um processo
de fotoisomerização que quebra algumas ligações de hidrogênio e polares na proteína e a deixam
mais aberta, sendo um composto solúvel.
1.1.2- Hematoidina: Trata-se de uma mistura de lipídeos e um pigmento semelhante à
bilirrubina (Bb) que se forma em focos hemorrágicos, a partir do sexto dia após o sangramento.
Tem origem conseqüente à degradação das hemácias extravasadas pelos macrófagos locais. E, até
então, não se conhece repercussões deste para o organismo.
Tem a cor vermelho-alaranjada intensa e pode apresentar-se sob a forma de pequenos
grânulos, de filamentos delicados ou de pequeninas placas romboidais ou cristais dispostos
radialmente, variando suas dimensões entre 2 e 200 µm. Sua coloração (vermelho-alaranjada)
parece ser resultante da adsorção do pigmento de Bb-símile hidrofóbico pelos lipídeos acumulados.
À microscopia eletrônica, os cristais de hematoidina são constituídos de uma parte central
formada por fendas vazias, provavelmente representando cristais de colesterol, circundadas por
agregados de membranas similares à bainha de mielina.
1.1.3- Hemossiderina: Trata-se também de um pigmento resultante da degradação da
hemoglobina e que contém ferro. Junto com a ferritina, constituem as principais formas de
armazenamento intracelular de ferro.
Metabolismo do Fe
O ferro participa de diversos processos metabólicos, como transporte de oxigênio e de
elétrons (hemoproteínas) e síntese de DNA (enzima ribonucleotídeo redutase). Configurando-se,
portanto, vital para todos os seres vivos e em razão de sua participação em diversas funções
celulares, se faz necessário um constante equilíbrio entre sua absorção, transporte, armazenamento e
utilização. Em concentrações elevadas, por se tratar de um metal altamente reativo, é capaz de
catalisar a formação de radicais livres de oxigênio, podendo peroxidar lipídeos, proteínas, DNA,
entre outros componentes celulares. É, então, armazenado e/ou seqüestrado por várias proteínas; a
exemplo da ferritina, da hemossiderina, da melanotransferrina, da lactotransferrina, da transferrina e
das heme e metaloenzimas; para evitar o efeito oxidativo, potencialmente lesivo, deste metal em
excesso.
Distribuição do Ferro no organismo
O ferro corporal encontra-se distribuído na hemoglobina (60-70%); nas mioglobinas,
citocromos e enzimas que contêm ferro (10%); e como ferritina e hemossiderina (20-30%) nos
hepatócitos e macrófagos do fígado, baço, medula óssea e linfonodos. Sendo a quantidade deste de
aproximadamente 35mg/Kg do peso corporal das mulheres e 45mg/Kg do peso corporal dos
homens.
Armazenamento e transporte de Fe
A apoferritina é uma proteína de 24 subunidades, capaz de armazenar até 4.500 moléculas
de ferro. Esta proteína promove a nucleação e mineralização do ferro, além de estabilizar a
armazenagem desse metal por longos períodos . A associação desta proteína (apoferritina) com o
ferro, da origem à ferritina. Esta última encontra-se amplamente distribuída pelo citoplasma sob a
forma de micelas (partículas eletrodensas, com cerca de 6mm de diâmetro), em geral, arranjadas em
tétrades. Podendo, também, ser encontrada nas hemácias como resíduo da ferritina do eritroblasto.
A quantidade de ferritina nas hemácias reflete o balanço entre a oferta de ferro para a
medula óssea e a necessidade de síntese de hemoglobina, mostrando-se diminuída na anemia por
deficiência de ferro. Quando há oferta excessiva de ferro, a ferritina forma a hemossiderina.
Seguindo 3 fases descritas a seguir: incorporação da ferritina do citosol a lisossomos secundários
(siderossomos); desnaturação seguida de degradação enzimática das proteínas da membrana
envoltória; persistência de agregados maciços e insolúvais de ferro (hemossiderina). Ao
microscópio de luz, a hemossiderina aparece como grânulos intracitoplasmáticos grosseiros,
castanho-escuros ou amarelo-dourados.
Conseqüências do excesso de Fe
A deposição excessiva de hemossiderina nos tecidos pode ser localizada ou sistêmica.
Sendo a primeira encontrada nas hemorragias, onde a hemossiderina é encontrada no interior de
macrófagos cerca de 24-48 horas após o início do sangramento (hemossiderose localizada). A
transformação progressiva das hemácias extravasadas em hemossiderina na área de hemorragia
pode ser evidenciada macroscopicamente nas contusões cutâneas, 1-3 dias depois de sua ocorrência.
Logo após um traumatismo, a hemorragia é vista como uma área vermelho-azulada ou negro-
azulada, devido à presença de hemoglobina desoxigenada. Com o início da degradação da
hemoglobina e a formação de biliverdina e BB, a pele adquire tonalidade verde-azulada a amarelada
e, finalmente, com a formação de hemossiderina, cor ferruginosa ou amarelo-dourada. A deposição
sistêmica de hemossiderina (hemossiderose sitêmica) ocorre em consequência do aumento da
absorção intestinal do fero, observado especialmente nas anemias hemolíticas e após transfusões de
sangue repetidas. O pigmento acumula-se nos macrófagos do fígado, baço, medula óssea,
linfonodos e, mais esparsamente, nos da derme pâncreas e rins. Em longo prazo, pode haver
deposição de hemossiderina no parênquima de alguns órgãos, como o fígado, pâncreas, coração e
glândulas endócrinas. Mesmo ocorrendo deposição intraparenquimatosa do pigmento, não há, na
maioria dos pacientes, lesão celular suficiente para provocar distúrbio funcional dos órgãos
afetados.
A hemossiderose sistêmica pode ocorrer segundo duas causas: hemocromatose primária
(idiopática, onde há aumento da absorção do ferro sem causa conhecida) e secundária (onde há
aumento da absorção de ferro associado com doenças genéticas). Como exemplos de
hemocromatose secundária tem-se a deficiência da proteína plasmática transportadora do ferro
(transferrina) e a eritropoese deficiente (a ex. da talassemia maior, anemia sideroblástica hereditária
ligada ao cromossomo Xe deficiência da enzima piruvato cinase). A deposição excessiva de
hemossiderina nos macrófagos, interstício e células parenquimatosas do fígado, pâncreas, pele,
hipófise e coração, além de outros órgãos, produz hipotrofia e fibrose do parênquima. Esse processo
resulta em cirrose hepática, hipotrofia do pâncreas exócrino e endócrino, provocando diabetes
(conhecido como diabetes bronzeado, devido à pigmentação bronzeada da pele nesses pacientes),
hipogonadismo e insuficiência cardíaca. A hemocromatose primária é uma doença rara, embora com
elevada prevalência na população de ascendência norte-européia, de herança autossômica recessiva,
caracterizada por aumento de três a quatro vezes dos níveis da absorção intestinal diária do ferro e
sua deposição progressiva nos tecidos, sob a forma de hemossiderina (a quantidade de ferro atinge
3-5 g/100g de tecido seco, contra 0,5-1,0 g em condições normais). Devido à limitada capacidade
do corpo humano de excretar ferro, o aumento da sua absorção resulta no acúmulo desse metal em
vários órgãos.
1.1.4- Hematina: Também conhecido como ferriprotoporfirina IX, resultando da ação
de um ácido forte sobre a hemoglobina, trata-se de outro derivado da fração heme contendoferro.
Pode ser encontrado ao redor de vasos ou em áreas hemorrágicas, sendo originado de hemólise ou
ainda pode se formar em cortes de tecidos fixados pelo formol com pH abaixo de 5. Aparece como
grânulos de cor negra ou negro-azulada, no interstício ou dentro de macrófagos, bem como na cor
castanha, quando obtido in vitro pelo tratamento da hemoglobina com soluções diluídas de ácidos
ou bases fortes. Nos casos de transfusões maciças ou após hemólise excessiva, este pigmento pode
ser encontrado no lúmen dos túbulos renais.
1.1.5- Pigmento Malárico: O hemozoína ou pigmento malárico é produzido a partir
da degradação da hemoglobina pelos parasitas da malária durante sua evolução no interior das
hemácias.
Com a formação de merozoítas, rompem-se as hemácias e os parasitas são liberados,
enquanto o pigmento, sob a forma de grânulos castanho-escuros, acumula-se nos macrófagos do
fígado, baço, medula óssea, linfonodos e de outros locais, aí permanecendo por muitos anos. A
quantidade de pigmento nos tecidos aumenta com a duração da infecção. O pigmento malárico é
inerte e não-tóxico, mas sua retenção maciça em grande número de monócitos circulantes e
macrófagos pode contribuir para a redução da resposta imunitária observada em muitos pacientes
portadores dessa parasitose. Diversos estudos mostram diminuição ou bloqueio de importantes
funções celulares, tais como geração da explosão respiratória, capacidade de realizar a fagocitose,
atividade da proteína cinase C, expressão do complexo maior de histocompatibilidade classe II,
expressão de CD54 e CD11c, e redução dos níveis de IL-12 pelos monócitos repletos de pigmento
malárico. Além disso, demonstrou-se que o pigmento malárico induz a síntese e liberação, pelos
monócitos do sangue periférico e macrófagos, de IL-1β e IL-10, e de pirógenos endógenos, como
TNFα, MIP-1β, substância que poderiam estar relacionadas aos episódios de febre característicos da
malária. O pigmento malárico também parece estar relacionado com a anemia malárica. Além da
destruição das hemácias, a anemia resulta da inibição da eritropoese por uma substância ainda não
identificada, possivelmente um fator inibidor da migração de macrófago liberado pelos macrófagos
após fagocitose do pigmento malárico ou de hemácias parasitas.
Algumas das drogas utilizadas no tratamento da malária, como a cloroquina, impedem a
continuação do processo e o seqüestro de novas moléculas de uma substância produzida durante
esse processo (heme), levando à morte do parasita por acúmulo desta substância (heme) não
seqüestrada.
1.1.6- Pigmento Esquistossomótico: O verme adulto do gênero Schistosoma, após
ingerir no sangue do hospedeiro, como fonte de nutrientes, inicia em seu tubo digestivo a produção
deste pigmento. A formação do pigmento esquistossomótico, tem continuidade pela ação de uma
cisteína proteinase (hemoglobinase), presente no intestino deste parasita, que degrada a globina
(proveniente do sangue ingerido), tendo como produto desta degradação enzimática, um polímero
do heme, que é regurgitado, intemitentemente, pelo verme adulto na circulação sanguínea do
hospedeiro. Depois de formado, este pigmento se acumula como grânulos castanho-escuros ou
negros nas células de Kupffer, nos macrófagos do baço e no conjuntivo dos espaços portobiliares.
A deposição deste pigmento, enretanto, não traz maiores repercussões para o organismo do
hospedeiro.
1.2- Melanina
A cor da pele é determinada por uma combinação dos pigmentos produzidos na pele e das
cores naturais das camadas superiores da pele. Sem pigmentação, a pele teria uma coloração
branco-pálida com tonalidades variáveis de rosa decorrentes do fluxo sangüíneo através da pele. O
principal pigmento da pele é a melanina, um pigmento endógeno, marrom-escuro ou preto, que não
é um derivado da hemoglobina, sintetizado por células (melanócitos) que estão dispersas entre as
outras células da camada superior da pele, a epiderme.
A melanina é amplamente encontrada em animais e plantas, contribuindo
significativamente com a diversidade da cor observada na pele, cabelos e olhos dos seres humanos,
bem como da plumagem das aves. Esse pigmento tem como funções a determinação, junto com
outros pigmentos, da impressão visual da cor da pele, a proteção contra a radiação ultravioleta B
(fotoproteção), absorção de calor, cosmética, camuflagem em várias espécies animais e reforço da
cutícula de insetos e parede de células vegetais.
Existem duas classes de melanina: a eumelanina, a qual é insolúvel, de cor castanha a
negra, com ação fotoprotetora e antioxidante, e a feomelanina, solúvel em solução alcalina, de cor
amarela a vermelha e com efeito antioxidante.
A síntese da melanina ocorre nos melanócitos, especialmente na pele, globo ocular e
leptomeninge (pia-máter e aracnóide). Além disso, neurônios em algumas regiões cerebrais, como a
substância negra, locus ceruleus e núcleo dorsal do vago, sintetizam neuromelanina, a qual é um
polímero complexo formado de melanina, dopa, dopamina e peptídeo.
Os melanócitos são células modificadas, dendríticas, que além de produtores, também
exercem a função de distribuir a melanina às células da epiderme diretamente relacionadas, os
queratinócitos. Os melanócitos se originam da crista neural de onde migram, durante a vida
embrionária, para o sistema nervoso central; estruturas oculares; mucosas e epitélio folicular e
interfolicular da pele. Nesta, à microscopia de luz e corados, os melanócitos se apresentam como
células claras localizadas entre os queratinócitos basais da epiderme e da matriz do pelo, no topo da
papila do pelo.
A relação entre o número de queratinócitos basais e de melanócitos é ao redor de 1 para 10;
na face, na fronte e nos epitélios genital, nasal e oral, o número de melanócitos pode ser o dobro do
de outras áreas. A diferenciação dos melanócitos é propiciada por mediadores químicos produzidos
pelos queratinócitos vizinhos, além de células de Langerhans e fibroblastos.
Melanócito
A biossíntese da melanina (melanogênese) inicia-se a partir da tirosina, que foi originada
da fenilalanina através da fenilalanina hidroxilase. Posteriormente a enzima tirosinase hidroxila a
tirosina em dopa e oxida esta substância em dopaquinona, este é o precursor comum da
eumelanina e feomelanina.
A eumelanogênese é iniciada pela endociclização redutora da dopaquinona, resultando em
dopacromo, o precursor da eumelanina. Duas outras enzimas participam ainda da eumelanogênese:
a proteína relacionada com a tirosinase-2 (TRP-2), que tem atividade funcional como dopacromo
tautomerase, catalisando a isomerização de dopacromo para 5,6-diidroxiindol-2-ácido carboxílico
(DHICA) e a proteína relacionada com a tirosinase-1 (TRP-1), que tem atividade funcional como
DHICA oxidase, oxidando a DHICA.
Já na feomelanogênese, há adição redutora da cisteína à dopaquinona, produzindo
cisteinildopa e, posteriormente, benzotiazeno, o qual é característico da feomelanina.
A formação de eumelanina ou feomelanina parece depender da presença de cisteína durante
o processo de melanogênese e dos níveis de tirosinase. Se tiver altos níveis de tirosinase nos
melanócitos produz-se eumelanina, enquanto baixos níveis resultam na síntese de feomelanina.
Correr (2004) também fez um estudo sobre a síntese da melanina, destacando também uma
via de formação da melanina 5,6-diidroxiindol (DHI) a partir da dopaquinona. Dessa forma, o
primeiro, e limitante, passo na formação da melanina é mediado pela tirosinase. A tirosinase catalisa
a hidroxilação da tirosina em 3,4-diidroxifenilalanina (DOPA) e sua subseqüente oxidação em
dopaquinona.Por um processo de auto-oxidação e ciclização espontânea, a dopaquinona produz a
melanina 5,6-diidroxiindol (DHI). Por outra via enzimática, o intermediário dopacromo, na
presença da dopacromo tautomerase (também chamada TRP-2), é convertido a ácido 5,6-
diidroxiindol-2-carboxílico (DHICA), posteriormente oxidado a melanina DHICA pela TRP-1,
também conhecida como DHICA oxidase. Em uma outra via, ainda, a dopaquinona, na presença de
glutation ou cisteína, pode formar a cisteinildopa, convertida em feomelanina num processo de
oxidação, ciclização e polimerização. A cascata melanogênica encontra-se resumida na figura
abaixo.
O retículo endoplasmático rugoso dos melanócitos sintetiza tirosinase, esta é empacotada
no complexo de Golgi e, na eumelanogênese, incorporada em pequenas vesículas delimitadas por
membrana, onde inicialmente de formam monômeros de melanina. A fusão dessas vesículas com
proteínas estruturais derivadas separadamente do retículo endoplasmático rugoso resulta na
formação do melanossomo.
Na epiderme, cada melanócito distribui a melanina para cerca de 36 ceratinócitos
adjacentes. O deslocamento dos melanossomos se dá através dos dendritos dos melanócitos e
depende de microtúbulos, envolvendo a participação da cinesina e da miosina V associada à actina,
as quais utilizam a energia derivada da hidrólise do ATP. Os ceratinócitos estimulam a formação dos
dendritos dos melanócitos e fagocitam os terminais dendríticos carregados de melanossomos,
transferindo a melanina para seu interior. Os lisossomos vão digerindo os melanossomos, liberando
então a melanina. Essa transferência para o ceratinócito é de suma importância, visto que a
pigmentação da pele é determinada primeiramente pela quantidade de pigmento transferido.
Atuam na formação da melanina:
Genes que regulam o hormônio estimulante do melanócito (MSHR), a proteína P da
membrana do melanossomo e as proteínas relacionadas com a tirosinase;
Diversos hormônios, como o hormônio estimulante do melanócito-α (α-MSH),
ACTH, estrógenos, progesterona e o hormônio concentrante de melanina (MCH);
Luz solar, que, por meio dos raios ultravioleta B, é o principal fator estimulante da
produção de melanina na espécie humana;
Níveis dietéticos adequados de tirosina e fenilalanina;
O ACTH e o α-MSH se ligam ao MSHR na membrana plasmática dos melanócitos,
levando à estimulação da adenilato ciclase, aumento do AMP cíclico e ativação de cinases,
resultando em aumento da atividade da tirosinase, via indução das proteínas P, TRP-1 e TRP-2, e
formação de eumelanina.
Hiper e hipopigmentação melânicas
A produção excessiva de melanina caracteriza a hiperpigmentação(as mais comuns são
efélides ou sardas, nevos e melanomas), a qual pode ser produzida por:
Aumento do número de melanócitos normais e neoplásicos;
Incremento de melanogênese;
Defeito na eliminação da melanina através da epiderme.
Já a hipopigmentação pode ser produzida por:
Migração e diferenciação anormal dos melanoblastos;
Redução da atividade da tirosinase;
Estrutura anormal dos melanossomos;
Diminuição da melanização dos melanossomos;
Redução da transferência dos melanossomos para os ceratinócitos
Aumento da degradação dos melanossomos nos melanócitos.
O albinismo representa um grupo de doenças congênitas caracterizadas por
hipopigmentação melânica, além disso, durante o envelhecimento também há perda de pigmentação
melânica dos cabelos, resultando na formação de cabelos grisalhos e brancos. Outro exemplo desse
quadro é a hipopigmentação dos núcleos do tronco encefálico, sendo uma das alterações mais
evidentes na doença de Parkinson.
1.3- Ácido Homogentísico
É um pigmento em forma de grânulos de cor castanho-avermelhada variável até o negro,
que se forma em pacientes com ocronose (alcaptonúria).
A alcaptonúria é uma doença hereditária e rara do metabolismo dos aminoácidos
fenilalanina e tirosina, de caráter autossômico recessivo, causada pela mutação do gene HGD, que
codifica a enzima homogentisato-1,2-dioxigenase. A diminuição da atividade dessa enzima, que se
expressa principalmente no fígado e nos rins, é acompanhada pelo acúmulo do ácido homogentísico
em diversos tecidos e por sua eliminação urinária.
O ácido homogentísico, em contato com o ar ou com o oxigênio dissolvido nos tecidos, é
oxidado, formando um pigmento polimérico de coloração marrom-avermelhada conhecido como
piomelanina ou alcaptona. O termo ocronose, cunhado há quase 150 anos, derivou-se do depósito
de piomelaninanas nas cartilagens, emprestando-lhes uma coloração amarelada típica. Aliás, esse
pigmento é depositado nos tecidos conectivos de olhos, orelhas, pele, tendões, válvulas cardíacas,
cartilagens e ossos devido a sua alta afinidade com as fibrilas de colágeno, cercadas de
mucopolissacarídeos, tal como ocorre na cartilagem hialina das grandes articulações periféricas e
dos discos intervertebrais.
1.4- Lipofuscina
Esse pigmento é considerado um marcador biológico do envelhecimento celular, podendo
também ser denominado de lipocromo, pigmento de desgaste, pigmento do envelhecimento e
ceróide.
A lipofuscina aparece como grânulos intracitoplasmáticos delicados, pardo-amarelados,
autofluorescentes e PAS-positivos. Cora-se com alguns corantes dos lipídeos (Sudan e Azul-do-
Nilo) e reduz sais de prata. Na sua constituição há principalmente proteínas e lipídeos na proporção
de 30-70% e 20-50%, respectivamente, sob a forma de polímeros não-degradáveis derivados da
degradação oxidativa de várias macromoléculas celulares.
Há evidência de que a formação de lipofuscina seja causada pela peroxidação de material
previamente autofagocitado no interior de lisossomos, sendo que a lesão celular por ação de
radicais livres constitui a teoria do envelhecimento pelo estresse oxidativo. Dessa forma, tanto a
lesão celular quanto a formacoa de lipofuscina serriam decorrentes da ação de radicais livres (O2-
*,OH*, H2O2) produzidos no metabolismo normal da célula a partir do oxigênio molecular.
Também é conhecido o efeito protetor de vário antioxidantes, como a vitamina A, C e E, e
da ingestão de dieta com restrição calórica (na qual os processo oxidativos são reduzidos) na
formação de lipofuscina. A fagocitose de constituintes celulares, como ocorre normalmente durante
a autofagocitose, resulta no acúmulo dessas substâncias polimerizadas e peroxidadas em lisossomos
secundários, algumas das quais são transformadas em corpos residuais (pigmento de lipofuscina).
Portanto, a formação desses corpos decorre do desequilíbrio entre o processo de
autofagocitose contínua e a incapacidade da célula de eliminar os resíduos da autodigestão.
Os processos relacionados com o acúmulo de lipofuscina são:
Aumento de autofagocitose ou de captação celular de material não completamente
degradável;
Redução da síntese e/ou da eficiência das enzimas proteolíticas lisossômicas;
Diminuição da eliminação de resíduos não-degradáveis.
Com o envelhecimento, esse pigmento acumula-se especialmente em células pós-mitoticas
como neurônios, células musculares cardíacas e esqueléticas e epitélio pigmentar da retina. Observe
na figura abaixo o acúmulo de lipofuscina (grânulos amarelados) no citoplasma de neurônios na
idade avançada.
A deposição nas células musculares cardíacas parece não afetar a função do miocárdio,
entretanto, o acúmulo no epitélio pigmentar da retina está associado à degeneração macular
relacionada com a idade, que é a principal causa de cegueira ou distúrbio visual grave nos seres
humanos nos países desenvolvidos.
Por outro lado, a formação de quantidade insuficientede lipofuscina durante o
envelhecimento em células de grandes dimensões e com grande quantidade de proteína, como os
neurônios, poderia refletir a dificuldade para eliminar substancias tóxicas residuais, contribuindo
para a degeneração e/ou morte celular.
.
2- Pigmentações Exógenas
Pigmentações Exógenas são diversos pigmentos que penetram no organismo
juntamente com o ar inspirado, alimentos deglutidos, ou são introduzidos por via parenteral.
Observamos algumas consequencias, devido a deposição de tais pigmentos como: antracose;
argiria; crisíase; Tatuagem; Siderose; Saturnismo; Bismuto.
2.1- Antracose
É uma lesão pulmonar caracterizada por pigmentação por sais de carbono, observada
em mineradores, populações de grandes centros urbanos ou de áreas poluídas, além de fumantes.
Têm caráter inócuo, porém sua evolução pode originar disfunções pulmonares graves,
principalmente em profissionais que constantemente entram em contato com a poeira de carvão. As
partículas de carvão permanecem no tecido pulmonar ou nos linfonodos por toda a vida, porém
quando de forma excessiva podem causar fibrose pulmonar.
Em uma análise macroscópica, nota-se um pulmão com aspecto enegrecido ou
piltagado, tendo as partes ventrais dos lobos mais afetadas que as dorsais, sendo afetados também
os linfonodos regionais.
Em análise microscópica, verifica-se as partículas como pigmento negro, livre ou
fagocitado, muito finas e não-refringentes.
2.2- Arigiria
É uma doença que causa descoloração acinzentada permanente da pele, conjuntiva e
órgãos internos resultante da utilização contínua de sais de prata. A causa mais comum de argiria
localizada é a impregnação mecânica da pele por minúsculas partículas de prata em indivíduos que
trabalham com esse metal, como os trabalhadores de minas de prata, manufatura de jóias,
processamento de material fotográfico,tratamento odontológi co, uso prolongado de medicamentos
tópicos que contêm nitrato de prata, ou implantação cutânea de agulhas de acupuntura e raramente,
uso de brincos. As partículas de prata são encontradas são encontradas ao longo da borda externa
das membranas basais das glândulas sudoríparas, em maior quantidade na porção glandular quando
comparada com a porção ductal, glândulas sebáceas e folículo piloso, junção dermoepidérmica e
vasos sanguíneos.
2.3- Crisíase
É a deposição de ouro nos tecidos, Pode ser causada pelo uso terapêutico parenteral
prolongado de sais de ouro, por exemplo, na artrite reumatóide; acupuntura. As partículas de ouro,
sob a forma de grânulos de negros densos e irregulares, são observadas nos fagolissomos dos
macrófagos da derme papilar e reticular
2.4- Tatuagem
Também referida como tattoo na sua forma em inglês, ou dermopigmentação
("dermo" = pele / "pigmentação" ato de pigmentar, ou colorir) é uma das formas de modificação do
corpo mais conhecidas e cultuadas do mundo. Trata-se de um desenho permanente feito na pele
humana que, tecnicamente, é uma aplicação subcutânea obtida através da introdução de pigmentos
por agulhas, um procedimento que durante muitos séculos foi completamente irreversivel (embora
dependendo do caso, mesmo as técnicas de remoção atuais possam deixar cicatrizes e variações de
cor sobre a pele). A motivação para os cultuadores dessa arte é ser uma obra de arte viva, e temporal
tanto quanto a vida. As tatuagens podem ser permanentes, quando o pigmento é introduzido na
derme, e transitório se o mesmo for depositado no estarto córneo da epiderme. A composição
química dos pigmentos utilizados na tatuagem varia bastante, sendo o alumínio, oxigênio, titânio e
carbono os elementos mais comumente encontrados. O pigmento inoculado na pele é fagocitado
pelos macrófagos da derme e, em menor escala, pelas células endoteliais e por fibroblastos, sendo
encontrado também no interstício. Quando inoculados na córnea, os pigmentos são fagocitados
pelos ceratócitos. Nos indivíduos com tatuagens extensas, pode haver linfadenomegalia. Caso não
sejam tomadas medidas cuidadosas de esterilização das agulhas, o procedimento de tatuagem pode
transmitir diversos agentes infecciosos virais e bacterianos.
2.5- Saturnismo
É a contaminação por sais de chumbo. Tendo coloração azulada ou negra,
dependendo da profundidade do tecido onde se encontra. Na gengiva, a contaminação por sais de
chumbo ou bismuto produz uma coloração negra denominada de Linha de Burton.
2.6- Siderose
Essa doença proporciona lesão pulmonar, que é uma pneumoconiose causada pela
inalação de poeiras e fumos contendo óxidos de ferro, inicialmente descrita por Doig e McLaughlin,
em 1936, em um soldador de arco elétrico. Pode acometer trabalhadores expostos a atividades
extrativas de minério de ferro (hematita, magnetita, limonita), produção de pigmentos naturais
contendo óxidos de ferro em tintas e pisos, metalurgia de aço, ferro e ligas, solda a arco elétrico e
oxietileno, polimento de metais com óxidos de ferro em cutelaria de aço e prata e outras atividades
afins.
Dependendo da atividade profissional, existe exposição a outros agentes
potencialmente lesivos, quando inalados juntamente com o ferro. Na mineração de ferro, os óxidos
de ferro podem estar associados a sílica em concentrações variáveis,
causando lesão pulmonar mista chamada siderossilicose.
2.7- Bismuto
É um metal frágil com uma tonalidade rosácea e com brilho iridescente. Entre os
metais pesados , é o único que praticamente não é tóxico. Não existe outro metal mais diamagnético
que o bismuto, exceto o mercúrio. Este metal, quando na forma elementar nativa, tem uma alta
resistência elétrica e, também tem o mais alto efeito Hall entre os metais, ou seja, ocorre um
aumento considerável da resistência elétrica quando colocado num campo magnético. Quando
aquecido em presença do ar queima com chama azul e seu óxido (óxido de bismuto) forma vapores
amarelos.
O oxicloreto de bismuto é usado extensivamente em cosméticos , e o subnitrato de
bismuto, o subcarbonato de bismuto são usados em medicina. O subsalicilato de bismuto é um
líquido cor-de-rosa usado como antidiarreico.
Alguns outros usos são:
Imãs permanentes fortes podem ser feitos com ligas Mn-Bi denominadas bismanol.
Muitas ligas de bismuto apresentam baixos pontos de fusão, por isso são usados para
a produção de dispositivos de segurança de detecção de incêndios.
O bismuto é usado para a produção de ferros maleáveis.
O bismuto está encontrando uso como catalisador para a produção de fibras acrílicas.
Usado também como um material em termopares.
Em reatores nucleares como suporte para combustível U-235 ou U-233.
O bismuto foi usado também em soldas. O bismuto e muitas de suas ligas ( de
estanho e chumbo ) apresentam baixos pontos de fusão e se expandem ligeiramente quando
solidificados, que as tornam ideais para este propósito.
O subnitrato de bismuto é um componente dos esmaltes produzindo um brilho
iridescente.
É importante ressaltar que a patologia das pigmentações centra-se no fato de que estão
presentes não somente cores diferentes no local, mas também, e principalmente, substâncias
estranhas aos tecidos, provocando as chamadas reações inflamatórias. Os agentes pigmentadores
exógenos, assim, constituem, antes de mais nada, fatores de agressão, ao contrário dos agentes
pigmentadores endógenos, naturais no organismo, cuja presença indica que o tecido está sofrendo
algum tipo de agressão não necessariamente provocado pelo pigmento.
II – CALCIFICAÇÃO
Calcificaçãoou mineralização patológica é a deposição de sais de cálcio, juntamente com
pequenas quantidades de íons ferro, magnésio e outros sais minerais, em tecidos frouxos não-
osteóides gerando endurecimento desses tecidos. Existem duas formas de calcificação patológica, a
calcificação distrófica, que não depende dos níveis plasmáticos de cálcio e a calcificação
metastática, que surge em situações de hipercalcemia.
A calcificação distrófica é a mais frequente, ocorre de maneira mais localizada, e ocorre
principalmente em tecidos conjuntivos frouxos hialinizados de lesões antigas de progressão
lenta. Esse tipo de calcificação pode ocorrer também em áreas de necrose antiga (IAM, tuberculose,
etc.) e em órgãos tubulares, onde os sais de cálcio envolvem detritos orgânicos podendo formar
cálculos.
A calcificação metastática é a mais disseminada e ocorre em tecidos normais. A
hipercalcemia que a origina pode ter como causas: absorção aumentada de cálcio; mobilização
excessiva de cálcio dos ossos; ou hiperparatireoidismo (primário ou secundário). Essa
hipercalcemia também pode estar relacionada com a insuficiência renal crônica, e com carcinomas
(somente em 5% dos casos), sendo que neste ultimo a doença evolui mais rápido do que processo
de calcificação, desta forma a maioria dos pacientes vai a óbito antes que ocorre o processo
patológico em questão.
Os cristais de fosfato básico de cálcio depositados nos dois tipos de calcificação são
semelhantes à hidroxiapatita. Essa deposição ocorre em duas fases: a nucleação; e a propagação. A
nucleação é a deposição de hexágonos de fosfatos básicos de cálcio nas moléculas de colágeno ou
de osteomicina, o que pode ocorrer no meio intra ou extracelular. Na fase intracelular as moléculas
são depositadas no interior de mitocôndrias de células mortas ou danificadas. Já na fase extracelular
a deposição ocorre nas vesículas da matriz.
Essas vesículas são organelas extracelulares que possuem fisiologia e morfologia diferentes
das membranas que as originaram (geralmente células degeneradas por necrose ou apoptose). Elas
possuem em seu interior fosfolipídeos ácidos e proteínas (que captam cálcio), fosfatases e
metaloproteinases (reprimem os mecanismos inibitórios da cristalização do cálcio com o fosfato,
estabilizando a precipitação desses íons), pirofosfatos e proteoglicanos (antagonistas das
metaloproteinases). Corpos apoptóticos e produtos da degradação da membrana celular também
podem servir como núcleos de calcificação, embora o mecanismo envolvido não seja ainda
esclarecido.
A propagação consiste na progressão autocatalítica da deposição de sais após o
rompimento das vesículas da matriz os quais se propagam extracelularmente ou invadindo
menbranas. Esse processo depende de vários fatores, dentre eles: a concentração de cálcio, fosfato e
fosfatase alcalina extracelulares; pH local; Vitamina D3 e suprimento sanguíneo.
À microscopia de luz observa-se acidofilia inicial com o surgimento posterior de grumos
basófilos que podem ser pequenos ou agrupados formando grânulos maiores. Pode ocorrer a
formação de lamelas concêntricas de deposição de minerais formando corpos psamomatosos.
Macroscopicamente apresenta-se como nódulos ou regiões de consistência firme resistentes ao corte
e com coloração acinzentada.
As únicas complicações das calcificações são o acometimento de valvas cardíacas, a
complicação de placas ateromatosas e a formação de cálculos. Elas podem ser benéficas quando
encarceram um agente agressor.
Referências
- Correr, J.C. Uso da calibração multivariada na determinação de ácido kójico em forma
farmacêutica de uso tópico. 2004. 123 F. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas).
Curitiba. Universidade Federal do Paraná. Disponível em:
http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/1246/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Cass
yano%20J%20Correr.pdf
- Robbins & Cotran. Patologia - Bases Patológicas das Doenças. 7º Ed. 5º tiragem. Unidade I;
cap. 1 .
- Brasileiro Filho, Geraldo - Bogliolo Patologia. Guanabara Koogan, 2006. 7ª Edição. Capítulo
5
- http://www.fo.usp.br/lido/patoartegeral/patoartepig.htm,