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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO,
CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MATO GROSSO
CAMPUS CUIABÁ – OCTAYDE JORGE DA SILVA
DIRETORIA DE ENSINO
DEPARTAMENTO DE ÁREA DE CONSTRUÇÃO CIVIL
Apostila de QUÍMICA
Professor: Dario Perna
Cuiabá MT 2013
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TRANSFORMAÇÕES DA MATÉRIA
Qualquer transformação sofrida pela matéria
é considerada fenômeno, ou ainda qualquer
acontecimento na natureza que podem ser
classificados em:
Fenômenos físicos;
Fenômenos químicos.
FENÔMENOS FÍSICOS
São aqueles que não alteram a natureza
da matéria, isto é, a sua composição. Ou ainda:
Fenômeno físico é toda e qualquer
transformação sofrida por um material sem que
haja alteração de sua constituição íntima, sendo
possível a sua recuperação por métodos
elementares.
Ex: mudanças de estado físico da matéria
(estado de agregação); dissolução do açúcar em
água; cortar uma árvore; acender uma lâmpada;
uma fruta caindo da árvore, etc.
FENÔMENOS QUÍMICOS
Quando ocorre um fenômeno químico,
uma ou mais substâncias se transformam e dão
origem a novas substâncias. Então, dizemos que
ocorreu uma reação química.
Os fenômenos químicos ou
transformações químicas são também chamados
de reações químicas.
Numa reação química ou transformação
química uma ou mais substâncias (os reagentes)
são transformados em uma ou mais diferentes
substâncias (os produtos), com diferentes
propriedades físicas tais como cor, ponto de fusão
e solubilidade.
Numa reação química, no nível
molecular, ocorre a produção de um novo arranjo
de átomos (nova substância), sem ganho ou perda
no número de átomos de cada espécie envolvida
no fenômeno. As moléculas presentes depois da
reação (produtos) são diferentes daquelas
presentes antes da reação.
Exemplo:
Esta apresentação simbólica da
transformação química é denominada equação
química. Os símbolos usados numa equação
química são representados na tabela seguir.
Como não há nem criação nem
destruição de átomos, uma equação química deve
ter o mesmo número de átomos de cada elemento
nos dois membros. Quando esta igualdade existe,
a equação está equilibrada.
Símbolos de uma Reação Química
Símbolo Significado
→ Produz
+ Reage com
Δ Calor
s Sólido
g Gasoso
l Líquido
aq. Solução aquosa
Para escrevermos a equação química de
uma reação temos que determinar, pela
experiência, quais os reagentes e os produtos.
Com as fórmulas químicas dos reagentes e
produtos, podemos escrever a equação química
não equilibrada. Depois, equilibramos a equação
pela introdução de coeficientes que proporcionam
a igualdade dos números de cada átomo em cada
membro da equação.
Exemplos:
CH4(g) + O2(g) → CO2(g) + H2O(g) (não equilibrada)
CH4(g) + 2O2(g) → CO2(g) + 2H2O(g) (equilibrada)
Na(s) + H2O(l) → NaOH(aq) + H2(g) (não equilibrada)
2Na(s) + 2H2O(l) → 2NaOH(aq) + H2(g) (equilibrada)
Visualização de um Fenômeno Químico ou
Reação Química
Uma maneira bem simples de
reconhecermos a ocorrência de um fenômeno
químico é a observação visual de alterações que
ocorrem no sistema. A formação de uma nova
substância está associada a:
1. Mudança de cor. Exemplos: queima de
papel; cândida ou água sanitária em tecido
colorido; queima de fogos de artifício.
2. Liberação de um gás (efervescência).
Exemplos: antiácido estomacal em água;
bicarbonato de sódio (fermento de bolo) em
vinagre.
Às vezes, uma única substância, ao ser
aquecida, transforma-se em outras, antes de
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atingir uma temperatura que possibilite sua
mudança de estado. Assim, o aquecimento do
carbonato de cálcio, existentes nas rochas
calcárias, não leva à fusão, mas à sua
decomposição, na qual se obtém um gás:
CaCO3 → CaO + CO2
carbonato óxido de gás
de cálcio cálcio ou cal carbônico
(sólido) (sólido) (gás)
3. Formação de um sólido (formação de
precipitado). Ao misturar dois sistemas líquidos
ou um sistema líquido e um gás poderá ocorrer a
formação de uma nova substância sólida, que
chamamos de precipitado. Com o tempo o sólido
formado se deposita no fundo do recipiente, isto é,
sofre decantação. Exemplos: líquido de bateria de
automóvel + cal de pedreiro dissolvida em água;
água de cal + ar expirado pelo pulmão (gás
carbônico).
4. Uma outra forma de reconhecermos se
ocorreu uma reação química é a alteração da
quantidade de energia na reação.
Quando colocamos magnésio metálico
em ácido clorídrico, além de observarmos a saída
de gases, notamos que o recipiente em que eles
foram misturados fica aquecido, isto é, há
liberação de calor para o ambiente. As
combustões são reações que liberam calor.
Efeitos térmicos acompanham as reações
químicas; quanto a eles as reações podem ser:
Exotérmicas: liberam calor para o ambiente.
Endotérmicas: absorvem calor do ambiente.
Pense um Pouco!
Fatos comuns envolvendo
materiais e transformações químicas são de
conhecimento recente ou antigo?
Quais as atividades do seu dia
em que a química está presente?
Exercícios de Aplicação
1. (U.E.CE) Assinale a alternativa correta:
a) Oxidação do ferro é um fenômeno físico
b) Fusão do chumbo é um fenômeno químico.
c) Combustão da madeira é um fenômeno
químico.
d) Queima do papel é um fenômeno físico.
2. (UFSC) Indique na relação abaixo os
fenômenos físicos (F) e os fenômenos
químicos (Q).
a) ( ) Queima da gasolina nos motores dos carros
b) ( ) Digestão dos alimentos ingeridos
c) ( ) Formação de ferrugem
d) ( ) Quebra de um objeto
e) ( ) Enfiar um prego na madeira
f) ( ) Derretimento de um iceberg
3. (UFPR) Aquecer uma barra de ferro até o ponto
de fusão, recolher o líquido em uma forma
esférica, transformando a barra em uma bola de
ferro, é exemplo de fenômeno:
a) Químico, pois altera a forma da barra de ferro.
b) Físico, pois a substância continua sendo ferro.
c) Físico-químico, pois há alteração na forma da
substância.
d) Não é exemplo de fenômeno.
Exercícios Complementares
4. (F.E.-SP) Sejam os seguintes fenômenos: I.
sublimação da naftalina, II. formação da
ferrugem, III. queima do álcool comum, IV. fusão
do gelo. São químicos:
a) todos
b) nenhum
c) somente II e III
d) somente I e III
e) somente II e IV
5. (MACKENZIE-SP) I. Fusão do gelo, II.
Sublimação do iodo, III. Digestão dos alimentos,
IV. Queima de madeira. São exemplos de
fenômenos:
a) I e II químicos
b) I e IV físicos
c) II e III físicos
d) II e IV químicos
e) III e IV químicos
6. (UDESC) Aquecendo uma fita de magnésio até
a combustão, notamos o desprendimento de
fumaça, restando um pó branco. Isso é exemplo de
fenômeno:
a) Físico, pois alterou a estrutura do magnésio.
b) Químico, pois houve a formação de novas
substâncias.
c) Físico, pois podemos juntar o pó branco e a
fumaça, recuperando o magnésio.
d) Não é exemplo de fenômeno.
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SUBSTANCIA PURA E MISTURA
A substancia é considerada pura quando,
no sistema onde está contida, encontramos apenas
partículas dessa substancia. Caso haja no sistema
mais de um tipo de substancia, teremos uma
mistura.
Diferença Pratica Entre Uma Substancia Pura
e Uma Mistura
A substância pura apresenta propriedades
físicas bem definidas, inclusive pontos de fusão e
ebulição (temperaturas que permanecem fixas
durante todo o processo).
Quando o material não possui todas as
propriedadesdefinidas e bem determinadas ou
quando as propriedades de um material variam
mesmo que as condições de temperatura e pressão
sejam mantidas, dizemos que esse material é uma
mistura.
Veja os gráficos das Figuras 1 e 2.
Não existem duas substâncias com todas as
propriedades iguais.
Assim, como exemplos de substâncias
puras podemos citar:
· Água destilada
· Álcool etílico
· Gás carbônico
· Ferro
· Mercúrio
· Oxigênio
Como exemplos de misturas podemos
citar, dentre outros:
Granito: mica, quartzo e feldspato em
proporções variadas;
Petróleo: inúmeras substâncias como
metano, etano, eteno, propano, butano, etc.
Madeira: celulose, lignina, água, ácido
acético e outras substâncias em porcentagens
variadas.
Aço: ferro(98,5%), carbono(1,5%¨), em
massa;
Ar atmosférico: gás nitrogênio(78%), gás
oxigênio(≡20%), gás argônio(≡1%), gás
carbônico, vapor d’água e outros gases(≡1%), em
volume.
Os materiais podem ser formados de uma
substância ou de uma mistura de substâncias. Para
classificá-los de uma forma ou de outra, basta
verificar se suas propriedades físicas, químicas,
organolépticas, e funcionais são constantes e bem
determinadas (substancia) ou se são variáveis
(misturas).
Outro critério para classificar um
material --- Substância e mistura --- é observar o
numero de fases que ele possui.
Cada fase de um material é identificada
pelas seguintes características:
Possui aspecto visual uniforme, mesmo
ao ser examinada num ultramicroscópio.
Possui propriedades específicas
constantes em toda a sua extensão.
Assim, por exemplo, se examinamos ao
ultramicroscópio o aspecto visual de um sistema
com álcool hidratado e de outro com sangue,
veremos que o primeiro é totalmente uniforme,
portanto constituído de uma única fase; já o
segundo apresenta um aspecto desigual que não
pode ser percebido a olho nu, mas é claramente
visível ao ultramicroscópio, portanto é constituído
de mais de uma fase.
Dizemos que um material ou sistema é
homogêneo quando ele possui uma única fase, ou
seja, é monofásico.
Material ou sistema homogêneo é
aquele que possui uma única fase.
Como exemplos, podemos citar:
Qualquer substância que se apresenta
numa única fase de agregação, como água liquida,
fero sólido, amônia gasosa.
Qualquer mistura na qual as substância
componentes estejam, totalmente dissolvidas
umas nas outras (uniformemente distribuídas e
espalhadas), como álcool hidratado( água e álcool
etílico) ou gás oxigênio e gás nitrogênio ou ouro
de 18 quilates( 75% de ouro, 12,5% de prata e
12,5% de cobre)
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Soluções: Misturas homogêneas
As misturas homogêneas são
denominadas soluções.
Do ponto de vista prático, consideramos
que as soluções são formadas de um solvente ( o
componente que se encontra em maior
quantidade) e um ou mais solutos( componentes
em menor quantidade).
Características:
Não podem ser observadas nem com
ajuda de um ultramicroscópio, embora exista
atualmente um aparelho denominado microscópio
de tunelamento eletrônico, capaz de simular por
computador a imagem das partículas que
compõem determinadas soluções sólidas (ouro 18
quilates, por exemplo).
Não podem ser separadas do solvente por
nenhum processo mecânico, como a
ultracentrifugação ou a ultrafiltração.
Podem ser encontradas em qualquer fase
de agregação: sólidas, liquidas ou gasosas.
Dizemos que um material ou sistema é
heterogêneo quando ele possui mais de uma fase;
nesse caso pode ser bifásico (duas fases),
trifásico(três fases), tetrafásico (quatro fases) ou
até polifásico( inúmeras fases).
Material ou sistema heterogêneo é aquele que
possui duas ou mais fases
Os materiais ou sistemas heterogêneos
podem ser divididos em dois grupos distintos; as
dispersões grosseiras e as dispersões coloidais; os
componentes de uma misturas heterogênea,
também do ponto de vista prático, são divididos
em dispergente (o componente que se encontra
em maior quantidade) e um ou mais
dispersos(componentes em menor quantidade).
ANÁLISE IMEDIATA
Na natureza, raramente encontramos
substâncias puras. Em função disso, é necessário
utilizarmos métodos de separação se quisermos
obter uma determinada substância.
Para a separação dos componentes de
uma mistura, ou seja, para a obtenção separada de
cada uma das suas substâncias puras que deram
origem à mistura, utilizamos um conjunto de
processos físicos denominados análise imediata.
Esses processos não alteram a composição das
substâncias que formam uma dada mistura.
A escolha dos melhores métodos para a
separação de misturas exige um conhecimento
anterior de algumas das propriedades das
substâncias presentes. Assim, se tivermos uma
mistura de açúcar e areia, devemos saber que o
açúcar se dissolve na água, enquanto a areia não
se dissolve.
Muitas vezes, dependendo da
complexidade da mistura, é necessário usar vários
processos diferentes, numa sequência que se
baseia nas propriedades das substâncias presentes
na mistura.
Alguns dos métodos de separação são tão
comuns que nem pensamos neles como processos
de separação, por exemplo, a "escolha" dos grãos
de feijão (catação) e a separação de amendoim
torrado das suas cascas (ventilação), ou ainda as
máquinas existentes em bancos, as quais separam
as moedas em função de seus tamanhos
(tamisação). Esse processo é também usado para
separar laranjas em diferentes tamanhos ou
quando usamos uma peneira.
Vamos estudar agora, alguns desses principais
processos de separação.
01. Separação Dos Componentes De
Misturas Heterogêneas
I - Sólido - Sólido
a) Catação: usando a mão ou uma pinça,
separam-se os componentes sólidos.
b) Ventilação: o sólido menos denso é
separado por uma corrente de ar.
c) Levigação: o sólido menos denso é
separado por uma corrente de água. A levigação é
usada, por exemplo, para separar areia e ouro: a
areia é menos densa e por isso, é arrastada pela
água corrente; o ouro, por ser mais denso,
permanece no fundo da bateia.
d) Separação magnética: um dos sólidos
é atraído por um ímã. Esse processo é utilizado
em larga escala para separar alguns minérios de
ferro de suas impurezas.
e) Cristalização fracionada: todos os
componentes da mistura são dissolvidos em um
líquido que, em seguida, sofre evaporação
provocando a cristalização separada de cada
componente. A cristalização fracionada é usada,
por exemplo, nas salinas para a obtenção de sais a
partir da água do mar. A evaporação da água
permite a cristalização de diferentes sais, sendo
que o último a ser obtido é o cloreto de sódio
(NaCl), usado na alimentação.
f) Dissolução fracionada: um dos
componentes sólidos da mistura é dissolvido em
um líquido. Por exemplo, a mistura sal + areia.
Colocando-se a mistura em um recipiente com
água, o sal irá se dissolver e a areia se depositar
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no fundo do recipiente, podendo agora ser
separados pelos seguintes processos: a filtração
separa a areia (fase sólida) da água salgada (fase
líquida) e com a evaporação da água obteremos o
sal.
g) Peneiração: usada para separar
sólidos constituintes de partículas de dimensões
diferentes. São usadas peneiras que tenham
malhas diferentes. Industrialmente, usam-se
conjuntos de peneiras superpostas que separam as
diferentes granulações.
h) Fusão fracionada: Serve para separar
sólidos, tomando por base seus diferentes pontos
de fusão. Baseia-se, portanto, num aquecimento
da mistura com controle da temperatura.
i) Sublimação: é usada quando um dos
sólidos, por aquecimento, se sublima (passa para
vapor), e o outro permanece sólido. Exemplo: sal
e iodo ou areia e iodo (o iodo se sublima por
aquecimento).
Obs.:As principais substâncias que podem ser
separadas por sublimação são: o iodo, o enxofre e
a naftalina (naftaleno).
II- Sólido - Líquido
a) Decantação: a fase sólida, por ser
mais densa, sedimenta-se, ou seja, deposita-se no
fundo do recipiente
Obs.: a separação das duas fases pode ser feita de
duas maneiras:
vira-se lentamente a mistura em um outro
frasco;
com o auxílio de um sifão, transfere-se a
fase líquida para um outro frasco
(sifonação)
b) Centrifugação: é uma maneira de
acelerar o processo de decantação, utilizando um
aparelho denominado centrifuga. Na centrífuga,
devido ao movimento de rotação, as partículas de
maior densidade, por inércia , são arremessadas
para o fundo do tubo.
c) Filtração simples: a fase sólida é
separada com o auxílio de papéis de filtro. A
preparação do café e o filtro de água são dois
exemplos do uso da filtração no dia-a-dia.
d) Filtração à vácuo: O processo de
filtração pode ser acelerado pela filtração à vácuo,
onde uma trompa de vácuo "suga" o ar existente
na parte interior do kitassato, o que permite um
mais rápido escoamento do líquido. Observe o
esquema ao lado.
III- Líquido - Líquido
Decantação: separam-se líquidos
imiscíveis com densidades diferentes; o líquido
mais denso acumula-se na parte inferior do
sistema. Em laboratório usa-se o funil de bromo,
também conhecido como funil de decantação, ou
ainda, funil de separação. Num sistema formado
por água e óleo, por exemplo, a água, por ser mais
densa, localiza-se na parte inferior do funil e é
escoada abrindo-se az torneira de modo
controlado. A decantação pode ser feita de uma
maneira mais rudimentar, utilizando-se um sifão
(sifonação).
IV- Gás - Sólido
a) Decantação: a mistura passa através
de obstáculos, em forma de zigue-zague, onde as
partículas sólidas perdem velocidade e se
depositam.
Industrialmente, esse processo é feito em
equipamento denominado câmara de poeira ou
chicana, conforme o esquema:
b) Filtração: A mistura passa através de
um filtro, onde o sólido fica retido. Esse processo
é muito utilizado nas indústrias, principalmente
para evitar o lançamento de partículas sólidas na
atmosfera. A filtração é também usada nos
aspiradores de pó, onde o sólido é retido (poeira) à
medida que o ar é aspirado.
02 . Separação dos Componentes de Mistura
Homogênea
I- Sólido - Líquido
Nas misturas homogêneas sólido-líquido
(soluções), o componente sólido encontra-se
totalmente dissolvido no líquido, o que impede as
sua separação por filtração. A maneira mais
comum de separar os componentes desse tipo de
mistura está relacionada com as diferenças nos
seus pontos de ebulição (PE). Isto pode ser feito
de duas maneiras:
a) Evaporação: a mistura é deixada em
repouso ou é aquecida até o líquido (componente
mais volátil) sofra evaporação. Esse processo
apresenta um inconveniente: a perda do
componente líquido.
b) Destilação simples: a mistura é
aquecida em uma aparelhagem apropriada, de tal
maneira que o componente líquido inicialmente
evapora e, a seguir, sofre condensação, sendo
recolhido em outro frasco. Veja como é feita a
destilação em laboratório:
Obs: A entrada de água corrente no
condensador deve ser feita pela parte inferior do
aparelho para permitir que seu tubo externo esteja
sempre completamente preenchido por água fria,
que irá sair pela parte superior.
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II - Liquido - Líquido
a)Destilação fracionada: consiste no
aquecimento da mistura de líquidos miscíveis
(solução), cujos pontos de ebulição (PE) não
sejam muito próximos. Os líquidos são separados
na medida em que cada um dos seus pontos de
ebulição é atingido. Inicialmente, é separado o
líquido com menor PE; depois, com PE
intermediário e assim sucessivamente até o
líquido de maior PE. A aparelhagem usada é a
mesma de uma destilação simples, com o
acréscimo de uma coluna de fracionamento ou
retificação. Um dos tipos mais comuns de coluna
de fracionamento apresenta no seu interior um
grande número de bolinhas de vidro, em cuja
superfície ocorre condensação dos vapores do
líquido menos volátil, ou seja, de maior ponto de
ebulição, que voltam para o balão. Enquanto isso,
os vapores do líquido mais volátil atravessam a
coluna e sofrem condensação fora dela, no próprio
condensador, sendo recolhidos no frasco. Só
depois de todo o líquido mais volátil ter sido
recolhido é que o líquido menos volátil passará
por evaporação e condensação.
Obs: Esse processo é muito utilizado,
principalmente em indústrias petroquímicas, na
separação dos diferentes derivados do petróleo.
Nesse caso, as colunas de fracionamento são
divididas em bandejas ou pratos. Esse processo
também é muito utilizado no processo de
obtenção de bebidas alcoólicas (alambique).
Existem casos de misturas homogêneas
de líquidos que não podem ser separadas por
processos físicos como, por exemplo, a destilação.
Isso porque tais misturas destilam em proporções
fixas e constantes, como se fosse uma substância
pura. Essas misturas são denominadas misturas
azeotrópicas. Assim, o álcool etílico forma com a
água uma mistura azeotrópica (95,5% de álcool e
4,5% de água) que destila à temperatura de 78,1°
C.
Então, para obtermos o álcool anidrido
ou álcool absoluto (álcool puro) utilizamos
processos químicos. Adicionamos à mistura
azeotrópica água e álcool, por exemplo, óxido de
cálcio (CaO), que reage com a água produzindo
hidróxido de cálcio Ca(OH)2. A seguir,
submetemos a mistura a uma destilação, pois
agora somente o álcool destila, sendo portanto,
recolhido puro no béquer.
Observe na tabela abaixo, alguns casos de
misturas azeotrópicas:
MISTURA AZEOTRÓPICA PE
álcool etílico (95,5%) + água (4,5%) 78,1° C
acetona (86,5%) + metanol (13,5%) 56° C
álcool etílico (7%) + clorofórmio (93%) 60° C
ácido fórmico (77,5%) + água (22,5%) 107,3° C
III - Gás - Gás
a) Liquefação fracionada: a mistura de
gases passa por um processo de liquefação e,
posteriormente, pela destilação fracionada.
Obs.: Uma aplicação desse processo
consiste na separação dos componentes do ar
atmosférico: N2 e O2. Após a liquefação do ar, a
mistura líquida é destilada e o primeiro
componente a ser obtido é o N2, pois apresenta
menor PE (-195,8 ° C); posteriormente, obtém-se
o O2, que possui maior PE (-183 ° C).
b) Adsorção: Consiste na retenção
superficial de gases.
Algumas substâncias, tais como o carvão ativo,
têm a propriedade de reter, na sua superfície,
substâncias no estado gasoso. Uma das principais
aplicações da adsorção são as máscaras contra
gases venenosos.
Testes de Revisao do Capítulo
1) Sao fenômenos que envolvem transformações
químicas, exceto:
a) Azedamento do leite
b) Cozimento do feijao
c) Digestao do amido
d) Congelamento da carne
Assinale entre as afirmativas abaixo, a que
apresenta apenas fenômenos químicos:
a) Acender uma lâmpada, ferver água, tocar uma
nota no violão
b) Explodir uma carga de dinamite, secar a roupa
no varal, queimar álcool
c) Congelar água, fundir ferro, misturar agua com
açúcar
d) Cozinhar um ovo, digerir os alimentos,
descorar a roupa com água sanitária
Qual dos fenômenos abaixo nao envolve uma
transformação química?
a) A fusão do gelo
b) A digestão dos alimentos
c) A combustão da gasolina
d) A queima de uma vela
Fenômeno químico e sinônimo de:
a) Elemento químico
b) Composto químico
c) Equação química
d) Reação químico
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(CEFET-2005) O vinho, bebida alcóolica
conhecida em todo o mundo, e uma mistura
homogênea. Para separar seus componentes pode-
se usar a:
a) filtração
b) destilação
c) decantação
d) centrifugação
LEIS DAS COMBINAÇÕES QUÍMICAS
A Química, até meadosdo século XVIII,
era apenas uma arte. As reações químicas eram
praticadas sem que o homem conseguisse
estabelecer uma relação entre massas de reagentes
e produtos. Com a utilização da balança por
Lavoisier, a Química passou do empirismo para o
rigor dos métodos científicos. A partir daí,
estabeleceram-se as Leis que regem as
Combinações Químicas. As Leis das
Combinações Químicas classificam-se em:
LEIS PONDERAIS
São aquelas que estabelecem relações
entre as massas das substâncias que participam de
uma reação química. As leis ponderais são:
Lei de Lavoisier ou Lei da Conservação da
Massa.
ENUNCIADO QUÍMICO: "Nas reações químicas
realizadas em recipientes fechados, a soma das
massas dos reagentes ou reatantes é igual à soma
das massas dos produtos".
ENUNCIADO FILOSÓFICO: "A matéria não
pode ser criada nem destruída, pode apenas ser
transformada". Ou ainda, "na natureza, nada se
cria, nada se perde, tudo se transforma".
Comprovação da Lei
Considerando a reação que ocorre numa
"lâmpada flash" (é um sistema fechado que
contém em seu interior o metal magnésio e o gás
oxigênio). Pela passagem de corrente elétrica
através do magnésio e oxigênio, ocorre uma
reação química e o magnésio se incendeia. O
magnésio e o oxigênio desaparecem e há
formação de um novo composto branco, o óxido
de magnésio. Comparando-se a massa inicial e a
final, constata-se que a mesma permanece
constante.
É interessante notar que durante séculos a
humanidade não despertou para a idéia da
conservação da massa numa reação química. Os
sistemas montados eram sempre abertos e, com
isso, os resultados obtidos apresentavam sempre
uma variação de massa, uma vez que os gases
podiam sair e entrar do sistema. Os antigos
acreditavam que, quando se queimava uma
substância, a matéria desaparecia. Mas na verdade
esqueciam de computar na massa final os gases
que se desprendiam da reação, ou seja, eram
computadas apenas as cinzas.
Lei de Proust ou Lei das Proporções
Constantes.
"A proporção com que um ou mais
elementos se combinam para formar uma
substância é constante".
"Numa reação química, seja qual for, as
massas das substâncias participantes guardam
entre si uma relação fixa e constante".
"Um determinado composto químico,
qualquer que seja a sua procedência, ou método
de preparação, é sempre formado pelos mesmos
elementos químicos combinados na mesma
proporção em massa".
Comprovação da Lei
Retornemos à reação entre magnésio e o
oxigênio, que se verifica na "lâmpada flash". Se a
quantidade de magnésio que reage é 2,4 g
verifica-se, experimentalmente, que a quantidade
de oxigênio que reagiu é 1,6 g, mesmo que a
reação seja repetida várias vezes.
Se utilizarmos 1,2 gramas de magnésio, a
quantidade necessária de oxigênio será 0,8 g, ou
seja, a proporção entre oxigênio e magnésio deve
ser a mesma: 3:2.
Consequências da Lei de Proust
A lei de Proust permitiu o cálculo da
composição centesimal e as fórmulas dos
compostos. Composição centesimal são as
porcentagens, em massa, dos elementos
formadores de um composto.
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Lei de Dalton ou Lei das Proporções Múltiplas
"As diferentes massas de um elemento,
que reagem com a massa fixa de outro elemento
para formar compostos distintos, em cada caso,
estão, numa relação de números inteiros e
geralmente simples, entre si ".
"Quando dois elementos se combinam
para formar compostos mantendo-se constante a
massa de um deles, as massas do outro variam
segundo números inteiros e pequenos".
Comprovação da Lei
O nitrogênio se combina com o oxigênio,
formando diferentes óxidos:
Óxidos Nitrogênio Oxigênio
N2O1 28 g 16 g
N2O2 28 g 32 g
N2O3 28 g 48 g
N2O4 28 g 64 g
N2O5 28 g 80 g
Verifica-se que, permanecendo constante
a massa do nitrogênio, as massas do oxigênio,
entre si, numa relação simples de números inteiros
e pequenos, ou seja, 1:2:3:4:5.
Lei de Richter-Wenzel ou Lei das Proporções
Recíprocas
"A massa de dois elementos que se
combinam separadamente com a mesma massa de
um elemento, são as mesmas, suas múltiplas ou
submúltiplas, com que eles se combinam entre si,
caso isso seja possível".
"Quando a massa fixa de um elemento se
combina com massas variáveis de outros
elementos para formar diferentes compostos, se
estes elementos se combinam entre si, combinar-
se-ão segundo estas mesmas massas, ou múltiplas,
ou submúltiplas".
Comprovação da Lei
Combinando-se agora, o cloro e o oxigênio na
mesma proporção com que foram combinados
com o hidrogênio, teremos:
LEIS VOLUMÉTRICAS
São aquelas que estabelecem relações
entre os volumes dsa substâncias que participam
de uma reação química. As leis volumétricas
podem ser englobadas em uma única lei, que é a
Lei de Gay-Lussac.
Lei de Gay-Lussac
"Os volumes dos gases que reagem e os
volumes dos gases formados numa reação química
guardam, entre si, uma relação simples, expressas
por números inteiros e pequenos, quando medidos
nas mesmas condições de temperaturas e pressão".
Comprovação da Lei
Hipótese de Avogadro.
“Volumes iguais de gases
quaisquer à mesma pressão e
temperatura contêm o mesmo número
de moléculas”.
A hipótese de Avogadro introduziu o
conceito de molécula em química.
Consequências da hipótese de Avogadro
- A proporção volumétrica numa reação é dada
pelos coeficientes das substâncias na equação da
reação, quando essas substâncias estiverem no
estado gasoso, à mesma pressão e temperatura:
aA(g) + bB(g) ® cC(g) + dD(g) (mesma pressão e
temperatura)
Exercícios de Leis Ponderais
1) A reação entre 23g de álcool etílico e 48g de
oxigênio produziu 27g de água, ao lado de
gás carbônico. A massa de gás carbônico
obtida foi de:
a) 44g.
b) 22g.
c) 61g.
d) 88g.
e) 18g.
2) Dado o fenômeno abaixo:
metano + oxigênio → gás carbônico + água
(x + 3)g (6x + 2)g (6x - 8)g (3x + 3)g
10
Podemos afirmar que:
a) Estão reagindo 5g de metano com 32g de
oxigênio.
b) A massa de água produzida é de 33g.
c) São obtidos 38g de gás carbônico.
d) O oxigênio usado pesa 32g.
e) A massa total dos reagentes é de 15g.
3) Num recipiente foram misturados 5g de
hidrogênio com 42g de oxigênio. Após a
reação pudemos observar, ao lado do
oxigênio, a formação de 45g de água. A
massa do oxigênio em excesso é de:
a) 47g b) 15g c) 40g d) 87g. e) 2g.
4) Considerando a reação 2NO + O2 → 2NO2 ,
efetuada a pressão e temperatura constantes,
podemos afirmar que, durante a reação,
permanecem constantes:
a) A massa e o volume totais do sistema.
b) A massa total e o número total de moléculas.
c) A massa total e o número total de átomos.
d) O volume total e o número total de moléculas.
e) O volume total e o número total de átomos.
5) Comparando reagentes e produto na reação CO
(g) + 1 / 2 O2 (g) → CO2 (g), pode-se dizer
que apresentam iguais:
I. - Número de átomos.
II. - Número de moléculas.
III. - Massa.
Dessas afirmações, apenas:
a) I é correta.
b) II é correta.
c) III é correta.
d) I e II são corretas.
e) I e III são corretas.
6) A afirmativa “Numa reação química, a soma
das quantidades dos reagentes é igual à soma
das quantidades dos produtos da reação”.
a) É sempre verdadeira na química.
b) Só é verdadeira quando as quantidades
forem em massa.
c) Só é verdadeira quando as quantidades
forem em volume.
d) É verdadeira quando as quantidades forem
em massa ou em número de moléculas.
e) É verdadeira quando as quantidades forem
em volumes ou em número de moléculas
7) De acordocom a lei de Lavoisier, quando
fizermos reagir completamente, em ambiente
fechado 1,12g de ferro com 0,64g de enxofre,
a massa, em gramas, de sulfeto de ferro obtida
será de:
a) 2,76g b) 2,24g c) 1,76g d) 1,28g e) 0,48g
8) Provoca-se reação da mistura formada por
10,0g de hidrogênio e 500g de cloro. Após a
reação, constata-se a presença de 145g de
cloro remanescente, junto com o produto
obtido. A massa, em gramas, da substância
formada é:
a) 155g. b) 290g. c) 365g. d) 490g. e) 510g.
9) Os pratos A e B de uma balança foram
equilibrados com um pedaço de papel em
cada prato e efetuou-se a combustão apenas
do material do prato A. Esse procedimento
foi repetido com palha de aço em lugar de
papel. Após cada combustão, observou-se:
Com papel Com palha de aço
A A e B no mesmo
nível
A e B no mesmo
nível
B A abaixo de B A abaixo de B
C A acima de B A acima de B
D A acima de B A abaixo de B
E A abaixo de B A e B no mesmo
nível
10) 18g de um metal são adicionados a 40g de
enxofre. Após a reação, verifica-se a
formação de 50g de sulfeto do metal ao lado
de excesso de enxofre. A massa de enxofre
que não reagiu foi de:
a) 4g b) 6g c) 8g d) 10g e) 12g
11) Sabemos que 7g de nitrogênio reagem
totalmente com 1,5g de hidrogênio,
produzindo gás amoníaco. A massa de gás
amoníaco que iremos obter nessa reação
quando misturamos 2,1g de nitrogênio com
uma quantidade suficiente de hidrogênio é:
a) 8,1g.
b) 10,2g.
c) 2,55g.
d) 4,00g.
e) 3,60g.
11
12) 8g de hidróxido de sódio reagem com
quantidade suficiente de ácido sulfúrico
produzindo 14,2g de sulfato de sódio e
certa quantidade de água. Que massa de
hidróxido de sódio é necessária para, em
reação com o ácido sulfúrico, produzir
35,5g de sulfato de sódio?
a) 7,1g. b) 14,2g. c) 21,3g. d) 20g. e) 16g.
13)Analise os dados abaixo referentes a uma série
de três experiências realizadas, envolvendo uma
determinada reação (os dados constantes nesta
tabela correspondem às quantidades
estequiometricamente envolvidas na reação).
REAGENTES PRODUTOS
A B C D
1ª MA MB MC 7,0g
2ª 2 MA 24,0g 15,0g m’D
3ª 12,5g m’’B m’’c 35,0g
Na terceira experiência houve formação de
35,0g de “D”. A massa de C na terceira
experiência foi de:
a) 25,0g.
b) 37,5g.
c) 45,0g.
d) 75,0g.
e) 105,0g.
14) O quociente entre as massas de dois elementos
A e B, que reagem exatamente entre si
originando o composto AB, é igual a 0,75.
Misturando-se 24,0g de A e 40,0g de B, ao
término da reação, verifica-se que:
a) Houve a formação de 64,0 g de AB.
b) Houve a formação de 56,0 g de AB,
com excesso de 8,0 g de A.
c) 80 % da massa de B reagiram
completamente com 24,0 g de A.
d) 16,0 g de A reagem integralmente com
40,0 g de B.
e) Não há reação, porque as massas
postas em contato não são
estequiométricas.
15) Considere as substâncias M, P, Q, R,
componentes da equação M + P → Q + R.
Ao se utilizar 10,0 g de P, obteve-se 4,0 g de
Q; em outra experiência utilizou-se 10,0 g de
M e obteve-se 20,0 g de R. Concluiu-se que,
num terceiro experimento, a massa de R
obtida a partir de 5,0 g de P é:
a) 2,0 g.
b) 5,0 g.
c) 6,0 g.
d) 10,0 g.
e) 20,0 g.
16) Na reação genérica A + B → C + D a
relação entre as massas de A e B é igual a
0,6 e de B e C é igual a 2. Colocando-se
80 g de B para reagir com A, pode-se
afirmar que a massa formada de D é igual a:
a) 40 g. b) 48 g. c) 80 g. d) 88 g. e) 100 g.
17) (Covest-2000-2ªf) O etanol é obtido da
sacarose por fermentação conforme a equação:
C12H22O11 (aq) + H2O (l) ↔ 4C2H5OH (aq) + 4CO2 (g)
Determine a massa de etanol obtida pela
fermentação de 171g de sacarose. As massas
molares da sacarose e do etanol são,
respectivamente, 342 g e 46 g.
LIGAÇÃO QUÍMICA
É impossível se pensar em átomos como
os constituintes básicos da matéria sem se pensar
em ligações químicas. Afinal, como podemos
explicar que porções tão limitadas de matéria,
quanto os átomos, possam formar os corpos com
que nos deparamos no mundo macroscópico do
dia-a-dia. Também é impossível se falar em
ligações químicas sem falarmos em elétrons.
Afinal, se átomos vão se unir uns aos outros para
originar corpos maiores, nada mais sensato do que
pensar que estes átomos entrarão em contato entre
si. Quando dois átomos entram em contato, o
fazem a través das fronteiras das suas eletrosferas,
ou seja, de suas últimas camadas. Isso faz pensar
que a última camada de um átomo é a que
determina as condições de formação das ligações
químicas.
Em 1868, Kekulé e Couper, propuseram
a utilização do termo valência para explicar o
poder de combinação de um átomo com outros. A
valência de um dado elemento é que determina as
fórmulas possíveis ou não de compostos formados
por ele.
A primeira situação seria entender por
que dois ou mais átomos se ligam, formando uma
substância simples ou composta. Como, na
12
natureza, os únicos átomos que podem ser
encontrados no estado isolado (moléculas
monoatômicas) são os gases nobres, logo se
pensou que os demais átomos se ligariam entre si
tentando alcançar a configuração eletrônica do gás
nobre mais próximo deles na tabela periódica.
Todos os gases nobres, com exceção do He,
possuem 8 elétrons.
Esta maneira de pensar a ligação entre os
átomos passou a ser conhecida por Teoria do
octeto, e foi proposta por Kossel e Lewis no início
do século XX. Baseado nessa idéia, a valência de
um átomo passou a ser vista como a quantidade de
elétrons que um átomo deveria receber, perder ou
compartilhar para tornar sua última camada
(camada de valência) igual a do gás nobre de
número atômico mais próximo.
As ligações químicas podem ser
classificadas em três categorias:
Iônica
Covalente normal e dativa
Metálica
Ligação Iônica
Como o próprio nome já diz, a ligação
iônica ocorre com a formação de íons. A atração
entre os átomos que formam o composto é de
origem eletrostática. Sempre um dos átomos perde
elétrons, enquanto o outro recebe. O átomo mais
eletronegativo arranca os elétrons do de menor
eletronegatividade. Ocorre entre metais e não
metais e entre metais e hidrogênio.
Átomo com facilidade para liberar os
elétrons da última camada: metal
Átomo com facilidade de adicionar
elétrons à sua última camada: não metal
A ligação iônica ocorre entre metais e
não metais. Num composto iônico, a quantidade
de cargas negativas e positivas é igual.
A ligação entre o sódio (11Na) e o cloro
(17Cl) é um exemplo característico de ligação
iônica. Observe a distribuição dos elétrons em
camadas para os dois elementos:
Na → 2 - 8 - 1 Cl → 2 - 8 - 7
Para o cloro interessa adicionar um
elétron à sua última camada, completando a
quantidade de oito elétrons nela. Ao sódio
interessa perder o elétron de sua camada M, assim
a anterior passará a ser a última, já possuindo a
quantidade necessária de elétrons. Na
representação da ligação, utilizamos somente os
elétrons da última camada de cada átomo. A seta
indica quem cede e quem recebe o elétron. Cada
elétron cedido deve ser simbolizado por uma seta.
Esta representação é conhecida por fórmula
eletrônica ou de Lewis.
O sódio possuía inicialmente 11 prótons
e 11 elétrons. Após a ligação, a quantidade de
prótons não se altera e a de elétrons passa a ser 10.
O cloro que inicialmente possuía 17 prótons e 17
elétrons, tem sua quantidade de elétrons
aumentada de uma unidade após a ligação.Com
isso o sódio se torna um íon de carga 1+ e o cloro
1-. A força que mantém os dois átomos unidos é
de atração elétrica, ou seja, uma ligação muito
forte. Como foram utilizados um átomo de cada
tipo, a fórmula do composto será NaCl.
De maneira análoga podemos observar a
ligação entre o flúor (9F) e o alumínio (13Al). O
alumínio perde os três elétrons de sua última
camada, pois a penúltima já possui os oito
elétrons necessários. Como o átomo de flúor
possui 7 elétrons em sua última camada, precisa
de apenas mais um elétron. São necessários três
átomos de flúor para acomodar os três elétrons
cedidos pelo alumínio.
De maneira análoga ao exemplo anterior,
ocorre a formação de íons positivo e negativo
devido a quebra do equilíbrio entre as quantidades
de prótons e elétrons nos átomos. O alumínio
passa a ser um íon de carga 3+ e o flúor 1-. A
fórmula do composto será AlF3.
Ligação covalente simples
É o tipo de ligação que ocorre quando os
dois átomos precisam adicionar elétrons em suas
últimas camadas. Somente o compartilhamento é
que pode assegurar que estes átomos atinjam a
quantidade de elétrons necessária em suas últimas
camadas. Cada um dos átomos envolvidos entra
com um elétron para a formação de um par
compartilhado, que a partir da formação passará a
pertencer a ambos os átomos. Ocorrem entre não
metais e não metais, não metais e hidrogênio e
entre hidrogênio e hidrogênio.
O hidrogênio possui somente uma
camada contendo um único elétron,
compartilhando 1 elétron, atinge a quantidade
13
necessária para a camada K, que é de dois
elétrons. Os elétrons compartilhados passam a ser
contados para as eletrosferas dos dois átomos
participantes da ligação.
Na molécula de nitrogênio ocorrem três
ligações covalentes entre os dois átomos.
7N → 2 - 5
Estas três ligações garantem que os dois
átomos de nitrogênio atinjam a quantidade de oito
elétrons nas suas últimas camadas. A ligação
covalente entre dois átomos iguais é dita apolar,
pois nela os elétrons são compartilhados de
maneira igual, nenhum dos átomos tem mais força
que o outro para atrair o elétron para si.
A molécula de CO2 é formada por dois
átomos de oxigênio e um de carbono unidos
através de ligações covalentes.
6C → 2 - 4 8O → 2 - 6
O átomo de carbono compartilha 4
elétrons e cada átomo de carbono 2, garantindo
assim que ambos atinjam os oito elétrons nas
últimas camadas.
Como a ligação é entre átomos diferentes
e com diferentes eletronegatividades, a ligação é
dita polar pois o átomo de oxigênio atrai para si
mais fortemente os elétrons compartilhados.
Além da fórmula eletrônica, os
compostos covalentes podem ser representados
pela fórmula estrutural, onde cada par
compartilhado é representado por um traço.
Ex: H - H, O = C = O.
Uma ligação covalente unindo dois
átomos é dita simples. O conjunto de duas
ligações unindo dois átomos é dito dupla ligação.
O conjunto de rês ligações unindo dois átomos é
dito tripla ligação.
Ligação covalente dativa ou
coordenada
A existência de algumas moléculas não
pode ser explicada simplesmente através da
ligação covalente simples. Para estes casos foi
formulada a teoria da ligação covalente
coordenada. Neste tipo de ligação, um dos átomos
que já estiver com última camada completa entra
com os dois elétrons do par compartilhado. Este
par de elétrons apresenta as mesmas
características do da ligação covalente simples, a
única diferença é a origem dos elétrons, que é
somente um dos átomos participantes da ligação.
Os elétrons do par passam a pertencer a ambos os
átomos participantes. A ligação covalente
coordenada é representada por uma seta que se
origina no átomo doador e termina no átomo
receptor.
Dadas as distribuições eletrônicas em
camadas para os átomos de 16S e 8O.
S → 2 - 8 – 6 O → 2 - 6
Compartilhando dois elétrons através de
ligações covalentes simples, ambos os átomos
atingem os oito elétrons na última camada.
No entanto, esta molécula ainda pode
incorporar ainda um ou dois átomos de oxigênio.
Tal fato só pode ser explicado se o enxofre utilizar
um ou dois pares de elétrons não envolvidos em
ligações para formar um ou dois pares dativos
com o oxigênio.
Outra molécula que não pode ser
explicada somente com a ligação covalente
simples é a de CO2. O interessante desta molécula
é que a ligação covalente dativa ocorre do átomo
mais eletronegativo (O) para o menos
eletronegativo (C).
14
Ligação metálica
É o tipo de ligação que ocorre entre os
átomos de metais. Os átomos dos elementos
metálicos apresentam forte tendência a doarem
seus elétrons de última camada. Quando muitos
destes átomos estão juntos num cristal metálico,
estes perdem seus elétrons da última camada.
Forma-se então uma rede ordenada de íons
positivos mergulhada num mar de elétrons em
movimento aleatório. Se aplicarmos um campo
elétrico a um metal, orientamos o movimento dos
elétrons numa direção preferencial, ou seja,
geramos uma corrente elétrica.
REAÇÕES QUÍMICAS
As reações químicas são processos
através dos quais substâncias são transformadas
em outras através do rearranjo dos seus átomos. O
estado inicial é representado pelos reagentes e o
final pelos produtos. A representação gráfica de
uma reação através das fórmulas das substâncias
participantes é chamada de equação química.
H2O + O2 => 2 H2O (faísca)
O número escrito antes da fórmula de
uma substância revela a quantidade de moléculas
da mesma que participam da reação e é
denominado coeficiente. Quando omitido,
subentende-se que o mesmo é 1. O número
subscrito do lado direito do elemento revela a
quantidade de átomos do mesmo na fórmula da
substância e é denominado índice. Quando
omitido, também subentende-se que o mesmo é 1.
São os coeficientes que permitem o
balanceamento e a conservação dos átomos na
equação química. Nos dois lados da reação as
quantidades de cada tipo de átomo devem ser
iguais.
2 H2 + O2 → 2 H2O
04 átomos de H 04 átomos de H
02 átomos de O 02 átomos de O
Tipos de reações químicas
Reações de Síntese: duas ou mais
substância originam somente uma como produto.
A + B → AB
H2 + S → H2S
C + O2 → CO2
Reações de análise ou decomposição:
formam-se duas ou mais substâncias a partir de
uma outra única.
AB → A + B
NaCl → Na + ½ Cl2
CaCO3 → CaO + CO2
Reações de deslocamento ou simples
troca: substância simples desloca um elemento de
uma substância composta, originando outra
substância simples e outra composta.
AB + C → CB + A
Quando a substância simples (C) é um
metal, ela deverá ser mais reativa (eletropositiva)
que A, para poder deslocá-lo. Para isso, devemos
nos basear na fila de reatividade ou
eletropositividade.
<== reatividade ou eletropositividade aumenta =<
Cs Li Rb K Ba Sr Ca Na Mg Be Al Mn Zn Cr Fe
Co Ni Sn Pb H Sb As Bi Cu Ag Hg Pt Au
Um metal que vem antes na fila desloca
um que vem depois.
2 Na + FeCl2 => 2 NaCl + Fe
A reação ocorre pois o Na é mais reativo
que o Fe.
Quando a substância simples é um não
metal, a reação ocorre se o não metal (C) for mais
reativo (eletronegativo) que o não metal B. Para
isso, devemos nos basear na fila de reatividade ou
eletronegatividade.
← reatividade ou eletronegatividade aumenta←
F O N Cl Br I S C P
Não metal que vem antes na fila é mais
reativo (eletronegativo) e desloca um que vem
depois.
H2S + Cl2 → 2 HCl + S
Reações de substituiçãoou dupla troca: duas
substâncias compostas são formadas a partir de
outras duas. Substituem-se mutuamente cátions e
ânions.
AB + CD → AD + CB
As reações de neutralização são
exemplos característicos de rações de dupla troca.
HCl + KOH → KCl + H2O
Para a ocorrência das reações de dupla
troca, deve ocorrer uma das condições.
Forma-se pelo menos um
produto insolúvel
Forma-se pelo menos um
produto menos ionizado (mais fraco)
Forma-se pelo menos um
produto menos volátil.
15
EQUILÍBRIO QUÍMICO: pH, pOH e Kw
Na água ocorre o fenômeno de auto-
ionização em baixa extensão:
H2O + H2O = H3O1+ + OH1-
A representação da constante de
equilíbrio para o processo seria:
K = [H3O1+] [OH1-] / [H2O] [H2O]
K [H2O]2 = [H3O1+] [OH1-]
Como a concentração de H2O é
constante, pode ser incorporada a K, originando
Kw. O Kw é conhecido como produto iônico da
água e é dado por:
Kw = [H3O1+] [OH1-]
O seu valor varia com a temperatura. A
25ºC ele é igual a 10-14. Em outras palavras,
Kw = [H3O1+] [OH1-] = [H1+] [OH1-] = 10-14
Daí se conclui que na água pura a 25ºC
[H1+] = [OH1-] = 10-7
Este equilíbrio iônico faz com que
sempre produto iônico da água seja respeitado. Se
adicionarmos íons H1+ na água pura, a
concentração do íon OH1- se reduz para manter a
constância do produto iônico. Se adicionarmos
íons OH1- na água pura, a concentração do íon H1+
se reduz pelo mesmo motivo.
A acidez ou basicidade de uma solução
depende do predomínio do íon H1+ ou OH1-. Uma
maneira bastante prática de expressar a acidez ou
basicidade de uma solução é a chamada escala de
pH. Esta varia de 0 a 14. O ponto médio, pH = 7,
representa o meio neutro ([H1+] = [OH1-]). Para os
valores menores que 7, temos o intervalo das
soluções ácidas. Nele quanto mais próximo de
zero, mais elevado o caráter ácido da
solução([H1+] > [OH1-]). Para os valores maiores
que 7, temos o intervalo das soluções básicas.
Nele quanto mais próximo de 14, mais elevado o
caráter básico da solução([H1+] < [OH1-]).
O pH de uma solução pode ser definido a
partir da concentração molar de íons H3O1+ ou H1+
[H1+] = 10-pH
soluções
ácidas
soluções
neutras
soluções
básicas
pH < 7 pH = 7 pH > 7
[H3O1+] > 10-
7 mol/L
[H3O1+] = 10-7
mol/L[
[H3O1+] < 10-7
mol/L
[OH1-] < 10-7
mol/L
[OH1-] = 10-7
mol/L
[OH1-] > 10-7
mol/L
As definições de pH e pOH são dadas por:
pH = log (1/[H1+]) => pH = - log [H1+]
pOH = log (1/[OH1-]) => pH = - log [OH1-]
Como
[H1+] [OH1-] = 10-14
log [H1+] + log [OH1-] = log 10-14
log [H1+] + log [OH1-] = -14
- log [H1+] - log [OH1-] = 14
pH + pOH = 14
[H1+] = 0,001M = 10-3M
pH = 3
como a soma de pH e pOH sempre dá 14 (25°C),
temos que
pOH = 11
[OH1-] = 10-11
[OH1-] = 0,01 = 10-2M
pOH = 2
como a soma de pH e pOH sempre dá 14 (25°C),
temos que
pH = 12
[H1+] = 10-12M
Generalizando,
[H1+] = 10-n
pH = n
[OH-1] = 10-14/10-n = 10(-14 - n)
pOH = 14 - n
Exemplo 1: (ESPM) Um proprietário de
terras resolveu construir tanques de pesca.
Escavou a terra, encheu o tanque de água e
colocou algumas espécies de peixes. Após algum
tempo, observou a contragosto que alguns peixes
morreram. Levando uma amostra da água para
análise, foi constatado que a água estava muito
ácida e a concentração de íons H3O1+ era igual a
10-5mol/L. Dado o pH de sobrevivência de
algumas espécies de peixe (abaixo desse pH os
peixes morrem), responda quais espécies poderão
sobreviver neste tanque.
16
peixe pH de sobrevivência
trutas 5,2
carpas 5,4
piabas 4,5
pH = - log [H3O1+]
como [H3O1+] = 10-5M
pH = - log 10-5
pH = - (-5) log 10
como log 10 = 1
pH = 5
As trutas suportam pH até 5,2 e as carpas até 5,4.
Estes dois tipos de peixe morreriam nas condições
do tanque. Como as piabas podem sobreviver até
em pH = 4,5 , elas sobreviveriam.
Exemplo 2 (FUVEST) Ao tomar dois
copos de água, uma pessoa diluiu seu suco
gástrico (solução contendo ácido clorídrico), de
pH = 1, de 50 para 500mL. Qual será o pH da
solução resultante logo após a ingestão da água?
a) 0
b) 2
c) 4
d) 6
e)10
pH = 1
temos que através de [H3O1+] = 10-pH
[H3O1+] = 10-1 M
como a diluição foi de um volume de 50 para um
de 500mL, a diminuição na concentração de
H3O1+ foi de 10 vezes. A concentração caiu de 10-
1 M para 10-2 M.
[H3O1+] = 10-2 M
pH = - log [H3O1+]
pH = - log 10-2
pH = - (-2) log 10
como log 10 = 1
pH = 2 e a alternativa correta é a b.
FUNÇÕES INORGÂNICAS
Funções químicas são grupos de
substâncias, que por apresentarem comportamento
químico em comum, são estudadas em grupos.
Eletrólitos e não-eletrólitos
Eletrólitos são substâncias que, quando
dissolvidas em água, conduzem a corrente
elétrica. São exemplos de eletrólitos, o NaCl e o
HCl. Não eletrólitos, nesta mesma condição, não
conduzem a corrente elétrica. São exemplos de
não-eletrólitos, o açúcar e o álcool etílico
(C2H5OH). Todos os compostos iônicos são
eletrólitos e alguns moleculares (ou covalentes)
também.
O químico Arrhenius, em 1889, sugeriu
em sua teoria que os eletrólitos, em solução, se
dissociariam em duas partes (íons): uma positiva e
outra negativa. Isso explicaria a condução de
corrente elétrica por estas soluções.
Na realidade, nos compostos iônicos, os
íons já se encontram presentes. A água, neste
caso, somente separa (dissociação) os íons já
existentes. Nos compostos covalentes que são
eletrólitos, a água cria condições para que os íons
sejam formados e separados. Este processo recebe
o nome de ionização.
Ionização: HCl → H+ + Cl-
Dissociação: NaCl → Na+ + Cl-
Conceitos de ácidos e bases
Seguindo critério baseado na
dissociação/ionização, Arrhenius propôs a Teoria
da Dissociação Eletrolítica, onde divide as
substâncias em grupos com características
químicas distintas.
ARRHENIUS: Teoria Iônica (1887)
Ácido é todo composto neutro que, em
solução aquosa, forma íons H+ como único cátion.
Base é todo composto neutro que, em
solução aquosa, forma íons OH- como único
ânion.
BRÖNSTED-LOWRY: Teoria Protônica
(1923)
Ácido é toda espécie química (molécula
ou íon) que doa um próton (H+) numa reação.
Base é toda espécie química (molécula
ou íon) que recebe um próton (H+) numa reação.
LEWIS: Teoria Eletrônica (1923)
Ácido é toda espécie química (molécula
ou íon) que recebe um par de elétrons numa
reação
Base é toda espécie química (molécula
ou íon) que doa um par de elétrons numa
reação.
Obs: O átomo de hidrgênio possui 1 próton
no núcleo e 1 elétron na eletrosfera. Ao
perder o elétron, o átomo de hidrogênio
transforma-se no íon H+, isto é, no próton que
sobrou.
H+ = próton
Assim, é sempre necessária a presença de
hidrogênio na espécie química que age como
ácido de Brönsted-Lowry.
17
O íon H+ tem estabilidade, devendo
juntar-se sempre a outra espécie química. Em
solução aquosa ele une-se a uma molécula de água
formando o íon hidrônio (H3O+).
H+ +H2O → H3O+
Para entender o conceito de Lewis, é
necessário ter as fórmulas de Lewis, que
descrevem a estrutura eletrônica do último nível
dos elementos de uma espécie química. Assim, se
não existirem pares de elétrons disponíveis (não
ligantes) num elemento de espécie envolvida, ele
jamais poderá agir como uma base de Lewis, pois
não poderá doar elétrons. Da mesma forma, se
todos os elementos da espécie envolvida
apresentarem o seu último nível completo, ela
jamais poderá agir como um ácido de Lewis (pois
não poderá receber elétrons).
Os conceitos não são contraditórios. Umácido ou uma base de Arrhenius também pode ser
um ácido ou uma base de Brönsted-Lowry ou de
Lewis. Entretanto, nem todo ácido ou base de
Lewis (conceito mais amplo de todos) será
também um ácido ou uma base de Brönsted-
Lowry ou de Arrhenius. Da mesma forma, nem
todos os ácidos ou bases de Brönsted-Lowry serão
ácidos ou bases de Arrhenius (conceito mais
restrito de todos).
As teorias não são contraditórias.
CLASSIFICAÇÕES DOS ÁCIDOS
Presença ou não de oxigênio
Oxiácidos: presença de oxigênio na
molécula.
Exemplos: H2SO4, HNO3
Hidrácidos: oxigênio não presente na
molécula.
Exemplos: HCl, HCN
Número de hidrogênios ionizáveis
Monoácidos: presença de 1 H ionizável.
HCl → H+ + Cl-
Diácidos: presença de 2 H ionizáveis.
H2SO4 → 2 H+ + SO42-
Triácidos: presença de 3 H ionizáveis.
H3PO4 → 3 H+ + PO43-
Volatilidade
Voláteis: são gasosos ou líquidos e com
baixo ponto de ebulição: HNO3, HCl e H2S
Fixos: muito pouco voláteis, somente
H2SO4 e H3PO4
GRAU DE IONIZAÇÃO (α):
Representado pela letra grega alfa, o grau
de ionização é a relação entre a quantidade de
moléculas dissociadas e o total de moléculas
dissolvidas. Quanto maior o valor de alfa, mais
alta a tendência do ácido a se dissociar.
O grau de ionização mede a “força” do
ácido: quanto maior α , mais ionizado e mais forte
será o ácido.
α= ___n° de moléculas ionizadas___
N° total de moléculas dissolvidas
α (%) = (nº moléculas ionizadas / nº moléculas
dissolvidas) x 100
ácidos fortes (alfa maior que 50%): HI,
HBr, HCl, HNO3, H2SO4.
ácidos médios (alfa entre 5 e 50%):
H2SO3, H3PO4, HF.
ácidos fracos (alfa menor que 5%): H2S,
H3BO3, HCN. ácidos orgânicos.
Obs: Para os ácidos oxigenados, podemos
determinar a sua força pelo cálculo da diferença
(α) entre:
N° de átomos de oxigênio – N° de átomos de
hidrogênio
α = 3 – ác. Muito forte ex. HClO4
α = 2 – ác. Forte ex. HNO3
α = 1 - ác. Moderado ex. H3PO4
α = 0 –ác. Fraco ex. H3BO3
EXCEÇÃO: Ácido Carbônico H2CO3 α = 3-
2=1, porém ele é um ácido fraco e não um ácido
moderado.
Arrhenius
Brönsted-Lowry
Lewis
18
Formulação dos ácidos
Juntam-se tantos H+ quantos forem
necessários para neutralizar a carga do ânion. Para
um ânion com carga x-, se utilizam x hidrogênios
para formular o ácido.
Hx Ax-
Exemplos: NO31- HNO3 SO42- H2SO4
PO43- H3PO4
Nomenclatura dos ácidos
Hidrácidos (H A): a nomenclatura se
baseia no nome do elemento e na terminação
ÍDRICO.
HCl ácido clorídrico HI ácido iodídrico
H2S ácido sulfídrico
Oxiácidos (HxAOy): a nomenclatura se
baseia no elemento central e no número de
oxidação do mesmo na molécula ou no número de
oxigênios do ácido. Deve-se memorizar os cinco
ácidos de referência e os demais são obtidos,
conforme o caso, adicionando-se ou retirando-se
átomos de oxigênio da molécula do ácido.
nível de hidrataçao do ácido prefixo
máximo ORTO
intermediário META
mínimo PIRO
O prefixo orto é dispensável e somente
indica que tal ácido pode gerar outro por
desidratação. O prefixo meta indica que tal ácido
foi obtido pela retirada de uma molécula de água
de uma molécula do orto. O prefixo piro indica
que tal ácido foi obtido pela retirada de uma
molécula de água de 2 moléculas do orto.
ácido (orto)fosfórico H3PO4
ácido metafosfórico HPO3 (H3PO4 - H2O)
ácido pirofosfórico H4P2O7 (2H3PO4 ou H6P2O8
- 1 H2O)
A nomenclatura também pode se basear
na tabela de ânions. Este tipode abordagem serve
para hidrácidos e oxiácidos. Ao se dar nome a um
ácido, deve-se levar em consideração a terminação
do nome do ânion que origina o ácido.
terminação do ânion / terminação do nome do
ácido
ETO → ÍDRICO
ATO → ICO
ITO → OSO
Exemplo:
Cl1- cloreto → HCl ácido clorídrico
SO42- sulfato → H2SO4 ácido sulfúrico
Cl21- clorito → HClO2 ácido cloroso
Propriedades dos ácidos:
1- Os ácidos possuem sabor azedo
2- Deixam a fenolftaleína incolor e
vermelho o papel de tornassol.
3- Reagem com as bases formando sal e
água, como veremos mais adiante.
4- O ácido carbônico é instável,
decompondo-se facilmente em água e gás
carbônico:
H2CO3 → H2O + CO2
5- Existem alguns ácidos sólidos, mas a
maioria é líquida ou gasosa.
Ácidos importantes
- HCl = ácido Clorídrico ou ácido muriático.
Monoácido forte presente no suco gástrico e
usado na limpeza de obras.
- HF = ácido fluorídrico. Ácido moderado
que reage com sílica do vidro.
- HCN = Ácido cianídrico. Ácido fraco e
venenoso usado na câmara de gás nos EUA.
- H2SO4 = Ácido Sulfúrico. Ácido forte usado
na bateria de automóveis, refino de petróleo e
produção de adubos; serviria como medida de
desenvolvimento industrial de um país.
- H3PO4 = Ácido fosfórico. Ácido moderado
usado em refrigerantes e na fabricação de
fertilizantes.
- HNO3 = ácido nítrico. Ácido forte usado na
fabricação de adubos e explosivos (TNT).
Classificação das Bases quanto ao número de
hidroxilas:
- Monobases: Possuem apenas uma hidroxila.
Ex.: NH4OH, NaOH, KOH, LiOH, etc.
- Dibases: Possuem duas hidroxilas dissociáveis.
Ex.: Mg(OH)2, Ca(OH)2, Ba(OH)2, Fe(OH)2, etc
- Tribases: Possuem três hidroxilas dissociáveis.
Ex.: Al(OH)3, Fe(OH)3, etc.
-Tetrabases: Possuem quatro hidroxilas
dissociáveis.
Ex.: Pb(OH)4
Classificação das Bases quanto ao Grau de
dissociação iônica:
Bases FORTES: Possuem um grau de
dissociação iônica (α) maior que 50%. São as
bases de metais alcalinos e alcalinos terrosos.
Ex.: NaOH, KOH, Ca(OH)2, Ba(OH)2, etc.
Bases FRACAS: Possuem α <5%. São as
demais bases não formadas por metais alcalinos e
alcalinos terrosos.
19
Obs: Mg(OH)2 – hidróxido de magnésio = “leite
de magnésio” é uma base fraca.
Classificação das Bases quanto à solubilidade
em água
Solúveis: Todas as bases de metais
alcalinos (NAOH), KOH, etc.) e o hodróxido de
amônio (NH4OH).
Pouco solúveis: As bases de metais
alcalinos terrosos – Mg(OH)2, Ca(OH)2, etc.
Insolúveis: Todas as demais bases –
Fe(OH)3, AgOH, Pb(OH)4, etc.
IMPORTANTE:
Ácidos e bases possuem a propriedade de
alterar a cor de certos compostos orgânicos.
Assim, esses compostos orgânicos servem para
“indicar” a presença de um meio ácido ou básico
em função da cor por elas assumida. São os
chamados INDICADORES ÁCIDO-BASE. Os
dois indicadores mais usados são a fenolftaleína e
o tornassol.
INDICADOR ÁCIDO BASE
Fenolftaleína incolor vermelha (rosa)
Tornassol vermelho azul
Nomenclatura das Bases
- Para bases formadas por metais de NOX único e
pelo cátion amônio:
Hidróxido de Nome do cátion
- Para Bases formadas por metais de NOX
variável:
Nomenclatura oficial
Hidróxido radical do metal
+
Sufixo OSO ou ICO
NOX menor – sufixo OSO
NOX maior – sufixo ICO
Ex.: Fe(OH)2 - Hidróxido FerrOSO
Fé(OH)3 - Hidróxido FérrICO
Nomenclatura usual
Hidróxido de Nome do metal+NOX do
metal em Algarismos
Ex.: Fe(OH)2 - Hidróxido de Ferro II
Fé(OH)3 - Hidróxido de Ferro III
Bases importantes:
NaOH – Hidróxido de Sódio (soda cáustica):
Usada na fabricação de sabão.
KOH- Hidróxido de Potássio: Também utilizada
na fabricação de sabão.
Ca(OH)2- Hidróxidode Cálcio (cal extinta,
apagada ou hidratada): Usada na construção civil.
SAL
Ácidos e Bases são substâncias com
propriedades opostas. Ao serem colocados em
contato, sempre haverá uma reação entre eles,
capaz de neutralizar o caráter ácido e básico de
cada um. Nessa reação de neutralização, será
sempre produzido um sal além da água.
Reação de neutralização:
ÁCIDO + BASES → SAL + H2O
Ex.:
HCl + NaOH → NaCl + H2O
Baseado na reação de neutralização é
possível definir um novo grupo de substâncias
inorgânicas: a função SAL
Obs: SAL É TODO COMPOSTO IÔNICO
FORMADO NA REAÇÃO ENTRE UM
ÁCIDO E UMA BASE
20
Nomenclatura dos sais
(nome do ânion) de (nome do cátion)
Segue-se a mesma regra das terminações
usada nos ácidos.
HCl ácido clorídrico KCl cloreto de potássio
Os sais devem conter, portanto, pelo
menos um cátion diferente do H+ e um ânion
diferente do OH-, proveniente de um ácido e de
uma base.
ÁCIDO SAL
idrico eto
Ico ato
oso ito
Além do nome derivado do ácido, a
nomenclatura completa do sal é feita
acrescentando-se o nome do íon positivo derivado
da base.
Ex.:
Ca(OH)2 + H2SO4 → CaSO4 + H2O
Hidróxido ácido sulfato
de cálcio sulfúrico de cálcio
Sal Normal
Um sal é classificado como NORMAL
quando são derivados de uma reação de
neutralização total. Numa neutralização total,
todos os íons H+ do ácido e todos os íons OH- da
base combinam-se para formar água, não restando
nenhum desses íons na estrutura do sal. As
equações que representam as reações de
neutralização total devem ter os seus coeficientes
ajustados, se for o caso, para satisfazer essa
exigência.
Ex.: Al(OH)3 + H3PO4 → AlPO4 + 3H2O
3H2O
Hidrogeno-Sal e Hidróxi-Sal
Quando o número total de íons H+ do
ácido é diferente do número total de íons OH- da
base, a reação de neutralização ocorrerá de forma
PARCIAL, restando algum desses íons em
excesso na estrutura do sal formado. Se sobrarem
íons H+, o sal é classificado como um Hidrogeno-
sal (por exemplo: NaHCO3). Se sobrarem íons
OH-, o sal é classificado como um Hidróxi-sal
(por exemplo: CaOHCl).
Ex.: NaOH + H2CO3 → NaHCO3 + H2O
OH + H + H
Obs: Alguns autores chamam os hidrogeno-
sais de SAIS ÁCIDOS e os hidróxi-sais de SAIS
BÁSICOS. As palavras “ácido” e “básico” podem
ser associadas às propriedades das soluções
aquosas desses sais. Entretanto é necessário ser
cuidadoso com tal classificação.
Por exemplo, o NaHCO3
(hidrogenocarbonato de cálcio =
BICARBONATO de CÁLCIO) apesar de
apresentar o H apresenta caráter Básico, pois é
produto de reação entre um ácido fraco com uma
base forte.
Esquema:
Ácido + base Caráter do sal
Ácido forte + base fraca Ácido
Ácido fraco + base forte Básico
Ácido fraco + base fraca Neutro
Ácido forte + base forte Neutro
Sais Importantes:
- NACl = Cloreto de Sódio. Sal de cozinha
- NaClO = hipoclorito de sódio. Usado no
tratamento de água, alvejante e desinfetante.
- NaHCO3= Bicarbonato de Sódio. Usado como
antiácido.
- CaSO4= Sulfato de Cálcio. Encontrado no gesso
e giz.
- Ca(PO)4= Fosfato de Cálcio. Encontrado nos
ossos e dentes.
ÓXIDOS
São compostos binários nos quais o
oxigênio é o elemento mais eletronegativo.
Compostos binários são aqueles formados por
apenas dois elementos. No caso dos óxidos, um
destes elementos será obrigatoriamente o
oxigênio.
Sendo abundante e reativo, o oxigênio encontra-se
combinado com quase todos os elementos da
tabela periódica, formando grande variedade de
óxidos: CaO, CO2, SO3, Fe2O3, SiO2, etc.
21
OBS: Fluoreto de Oxigênio (OF2) NÃO é
considerado um óxido, pois o flúor é mais
eletronegativo do que o oxigênio.
Nomenclatura de Óxidos:
Óxidos iônicos (óxidos formados por oxigênio
ligado a metal):
Óxido de (nome do cátion)
Óxidos moleculares (óxidos formados por
oxigênio ligado a ametal):
(prefixo + óxido) de (prefixo + nome do não metal)
Esta diversidade de fórmulas faz necessário o uso
de uma nomenclatura que possa dificultar a troca
de nomes. Esta nomenclatura se baseia em
informar os tipos e quantidade de átomos que
compõem a fórmula do óxido.
No de átomos na fórmula Prefixo
1 Mono
2 Di
3 Tri
4 Tetra
5 Penta
6 Hexa
7 hepta
O prefixo mono é dispensável quando fizer
referência ao elemento que acompanha o
oxigênio.
NO monóxido de mononitrogênio ou
monóxido de nitrogênio
CO2 dióxido de carbono
Podemos usar também os sufixos ICO e
OSO para elementos com dois NOX diferentes
ou, ainda, indicar com algarismos romanos o
respectivo NOX do elemento no óxido.
Ex:
CO2 = Dióxido de Carbono
CO = Monóxido de Carbono
FeO = Óxido de ferro II ou Óxido Ferroso
Fe2O3 = Óxido de ferro III ou Óxido Férrico
Classificação de óxidos
Óxidos Básicos
São óxidos que reagem com água formando
bases e com ácidos formando sal e água. São
compostos iônicos formados principalmente pelos
metais alcalinos e alcalinos terrosos.
Exemplos: Na2O, K2O, MgO, CaO, etc.
ÓXIDO BÁSICO + ÁGUA → BASE
CaO + H2O → Ca(OH)2
(cal viva) (cal queimada)
ÓXIDO BÁSICO + ÁCIDO → SAL + ÁGUA
Na2O + 2HCl → 2NaCl + H2O
Óxidos Ácidos ou Anidros
São óxidos que reagem com a água
formando ácidos e com bases formando sal e
água. Reagem também com óxidos básicos
formando sal. São compostos moleculares ou
covalentes, geralmente formados pelos não-metais
com NOX elevado (acima de três).
Exemplos: CO2, SO2 SO3, NO2, N2O5, P2O5, etc.
ÓXIDO ÁCIDO + ÁGUA → ÁCIDO
SO2 + H2O → H2SO3
SO3 + H2O → H2SO4
N2O5 + H2O → 2HNO
* reações responsáveis pela chuva ácida
ÓXIDO ÁCIDO + BASE → SAL + ÁGUA
SO3 + Ca(OH)2 → CaSO4 + H2O
ÓXIDO BÁSICO + ÓXIDO ÁCIDO → SAL
CaO + CO2 → CaCO2
Óxidos Anfóteros
São óxidos com propriedades de óxidos
ácidos e básicos, isto é, podem reagir com ácidos
fortes ou com bases fortes formando sal e água.
Os óxidos anfóteros não reagem com água.
Os mais importantes são os óxidos de
Zinco – ZnO e de alumínio – Al2O3.
ZnO + H2SO4 → ZnSO4 + H2O
ZnO + 2NaOH → Na2ZnO + H2O
22
Óxidos Neutros
São óxidos que NÃO reagem com a água,
nem com ácidos fortes ou bases fortes. São apenas
três os mais importantes:
- CO ( monóxido de Carbono)
- NO ( Monóxido de Nitrogênio ou óxido nítrico)
-N2O (monóxido de dinitrogênio ou óxido
nitroso).
O fato deles não reagirem como óxidos
ácidos ou básicos, não significa que que a sua
reatividade química seja nula: Os óxidos CO e NO
podem sofrer reações de combustão.
2CO + O2 → 2CO2
2NO + O2 → 2NO2
Óxidos importantes
- CaO = óxido de cálcio, cal viva ou cal virgem;
óxido básico usado para fabricar argamassa
- CO2 = Dióxido de carbono, gás carbônico, usado
em refrigerantes, extintor de incêndio. Esse gás é
produto da combustão completa da matéria
orgânica, principal responsável pelo efeito estufa.
- CO = monóxido de Carbono. Gás venenoso
produzido pela combustão incompleta dos
combustíveis; óxido neutro.
- SiO2 = dióxido de silício ou sílica. Componente
do vidro, areia, cerâmica, quartzo.- H2O2 = Peróxido de Hidrogênio ou “água
oxigenada”. Agente oxidante, descorante,
desinfetante.
- N2O = monóxido de dinitrogênio. Gás do riso ou
gás hilariante; anestésico.
Testes:
1 O composto abaixo classificado como ácido
forte, oxiácido e monoprótico é o
a) H2SO4
b) HCl
c) HClO
d) HNO3
e) H2CO3
2 A força de um ácido é medida
a) Pelo poder de corrosão de metais.
b) Pela quantidade de oxigênio.
c) Pela velocidade de ionização.
d) Pelo grau de ionização
e) Pela volatilidade.
3 Em acidente ocorrido em 1999, próximo à
cidade de Tabaí-RS, uma carreta carregada de
ácido muriático (ácido clorídrico comercial)
tombou, espalhando-o pelo solo. Uma das
providencias para amenizar o efeito do ácido foi
colocar óxido de cálcio (cal) sobre o local. Tal
procedimento visou:
a) diluir o ácido, aumentando o pH do local.
b) Neutralizar o ácido, aumentando o pH do local.
c) Diluir o ácido, diminuindo o pH do local.
d) Neutralizar o ácido, diminuindo o pH do local.
e) Absorver o ácido, para manter o pH do local
inalterado.
4 Na 1ª coluna estão relacionados compostos
inorgânicos e, na 2ª coluna abaixo, suas
respectivas aplicações:
1 – Hidróxido de Sódio
2- Ácido nítrico
3- Dióxido de carbono
4- Sulfeto de Magnésio
5- Hidrogenocarbonato de sódio
( ) Na forma sólida, conhecido como “gelo seco”
é usado como artifício cênico em shows.
( ) Conhecida como soda cáustica, pode ser
usada na fabricação de sabão
( ) Tem ação oxidante e uma de suas principais
aplicações é a fabricação de explosivos.
( ) è usado como fermento de bolos e pães.
( )No comércio tem aplicação médica devido à
ação laxativa.
Relacionando-se a 1ª coluna com a 2ª coluna,
obtêm-se de cima para baixo, os números na
sequência:
a) 2-1-3-5-4
b) 3-1-2-5-4
c) 3-2-5-4-1
d) 4-3-2-1-5
e) 5-4-3-2-1
23
5 Pode-se identificar a presença de calcário numa
amostra de solo, adicionando-se ao mesmo:
a) soda cáustica.
b) Ácido muriático.
c) Cloreto de sódio.
d) Cal hidratada.
e) Amônia.
6 NA reação:
Solvente aquoso
HF + HNO3 ↔ H2F+ + NO3-
A espécie H2F+ é classificada como:
a) um ácido de Arrhenius.
b) Uma base de Brönsted-lowry.
c) Uma base de Lewis.
d) Uma base de Arrhenius.
e) Um ácido de Brönsted-lowry.
7 Na ligação do fluoreto de boro (BF3) com o íon
fluoreto, temos uma ligação ácido-base onde o
BF3 é
a) Uma base de Arrhenius.
b) Uma base de Lewis.
c) Um ácido de Brönsted-lowry.
d) Uma base de Brönsted-lowry.
e) Um ácido de Lewis.
8 Dado o equilíbrio:
CH3-NH2 + H2O → CH3-NH3+ + OH-
A metilamina e o ânion oxidrila são
a) duas bases.
b) Dois ácidos.
c) Um ácido e uma base, respectivamente.
d) Uma base e um ácido, respectivamente.
e) Sistemas prótons-doadores.
9 Analisando as seguintes sentenças:
I. Um ácido ou base de Arrhenius será
também de Brönsted-Lowry
II. Um ácido ou base de Brönsted-
Lowry pode ou não ser de
Arrhenius, mas será de Lewis.
III. Existem ácidos ou bases de Lewis
que não são de Brönsted-Lowry nem
de Arrhenius.
Conclui-se que:
a) somente I e II estão corretas.
b) Somente II e III estão corretas.
c) Somente III está correta.
d) Todas estão corretas.
e) Nenhuma está correta.
10 A teoria de ácidos e bases de Brönsted-Lowry
é bem mais ampla que a de Arrhenius. Entre
grupos de substâncias e íons a seguir, assinale
aquela em que existem dois ácidos de Arrhenius e
quatro ácidos de Brönsted-Lowry:
a) HCl, H2SO4, Cl-, HSO4-
b) HF, HCl, NO3, HSO4, Cl-, SO4-2
c) HCl, HNO3, H3O+, Fe+3, Cu+2
d) HF, H2SO4, NH4+, H3O+
e) HCl, HF, HNO3, H2SO4
24
TERMOQUÍMICA
Termoquímica é a parte da Química que
trata das trocas de calor que acompanham as
reações. As reações químicas podem ser:
Exotérmicas: quando a reação ocorre
com liberação de calor (exo = para fora). Calor sai
Endotérmicas: quando a reação ocorre
com absorção de calor (endo = para dentro). Calor
entra.
Toda substância possui uma quantidade
de energia armazenada nas suas ligações. Quando
a energia contida nos reagentes é maior que a
contida nos produtos, temos uma reação
exotérmica pois ocorre liberação de energia.
Quando a energia contida nos reagentes é menor
que a contida nos produtos, temos uma reação
endotérmica pois ocorre absorção de energia. Essa
energia contida nas substâncias recebe o nome de
entalpia (H). A variação de entalpia para uma
dada reação química é dada por:
ΔH = HP - HR
onde
HP é a soma das entalpias dos produtos,
HR é a soma das entalpias dos reagentes.
Quando a reação se realiza a pressão
constante o ΔH é chamado de calor de reação. Em
Termoquímica é usual se expressar as variações
de energia nas reações através de quilocalorias
(Kcal). A quilocaloria é mil vezes o valor de uma
caloria. Uma caloria corresponde a quantidade de
calor necessária para se elevar de 14,5ºC para
15,5ºC a temperatura de 1g de água. Outra
unidade usual em Termoquímica é o Joule (J).
Uma caloria equivale a 4,18 J.
Nas reações exotérmicas, ΔHR > ΔHP e
por isso ΔH é negativo (ΔHP - ΔHR = -).
Nas reações endotérmicas, ΔHR < ΔHP e por isso
ΔH é positivo (ΔHP - ΔHR = +).
Como o valor do ΔH varia com a
pressão, temperatura, variedade alotrópica e
estado físico, estes devem vir especificados na
equação termoquímica.
H2(g) + ½ O2(g) —> H2O(l)
ΔH= -68,3 Kcal/mol, 25ºC, 1 atm
Quando uma reação termoquímica não
informar os valores de temperatura e pressão,
subentende-se que a mesma se realize a 25ºC (ou
298 K) , 1 atm e forma alotrópica e estado físico
mais usuais do elemento ou composto. Esta
condição é definida como padrão em
Termoquímica.
Para uma mesma substância:
H sólido < H líquido < H vapor
Pois devemos adicionar energia ao
sistema para que as moléculas ou agregados
iônicos possam ter alguma liberdade e passar do
estado sólido para o líquido. Da mesma forma
devemos adicionar energia ao sistema para que as
moléculas ou agregados iônicos possam se afastar
ainda mais umas das outras, indo do estado
líquido para o gasoso.
A forma alotrópica mais estável de uma
substância é aquela que apresenta menor energia e
a esta é atribuído valor de entalpia igual a zero (H
= 0). É costumeiro se indicar entalpia em
condição padrão por ΔH0. Assim, para as formas
alotrópicas do elemento químico carbono, temos:
Grafite: H0 = zero (pois é a forma mais
estável)
Diamante: ΔH0 > zero (pois possui mais
energia que a forma grafite)
25
Entalpia ou calor padrão de formação de uma
substância (ΔH0f)
É a variação de entalpia ou quantidade de
calor absorvido ou liberado na formação de um
mol de uma determinada substância, a partir das
substâncias simples correspondentes, todas elas no
estado padrão.
A equação abaixo representa a formação
do CO2 a partir de suas substâncias simples mais
estáveis. Como a reação se desenvolve sob as
condições padrão, este calor pode ser chamado de
calor padrão de formação do CO2.
Cgrafite + O2(g) —> CO2(g) ΔH = -94,1 Kcal/mol
Entalpia ou calor de combustão de uma
substância
É a variação de entalpia ou quantidade de
calor liberado durante a combustão total de 1 mol
da substância, com todas as substâncias no estado
padrão.
No caso de substâncias orgânicas,
considera-se combustão total sempre que os
únicos produtos sejam CO2 e H2O. As reações de
combustão são exotérmicas e seus valores de ΔH
são sempre negativos. Para o etano temos:C2H6(g) + 7/2 O2(g) —> 2CO2(g) + 3H2O(l)
ΔH = -373 Kcal/mol
Exemplo (UFSC) Dadas as variações de entalpia
de formação para as substâncias:
CH4(g) - 17,9 Kcal/mol
CO2(g) - 94,0 Kcal/mol
H2O(l) - 68,3 Kcal/mol
Calcule a entalpia da reação de combustão do
metano.
1 CH4(g) + 2 O2(g) => 1 CO2(g) + 2 H2O(l)
ΔHreaçao = Σ ΔHprodutos - Σ ΔHreagentes
ΔHreaçao = [(1. -94,0) + (2. -68,3)] - [(1. -17,9) - (2.
0)] (o calor de formação do O2(g) = 0)
ΔHreaçao = - 212,7 Kcal
Termoquímica - Lei de Hess
A lei de Hess é também conhecida como
lei dos estados final e inicial. Ela estabelece que a
entalpia de uma reação depende somente de seus
estados inicial e final, e não do caminho seguido
pelo processo. Um exemplo clássico do
funcionamento da Lei de Hess é a obtenção do
CO2.
O CO2 pode ser obtido diretamente, a
partir de Cgrafite e O2(g):
Cgrafite + O2(g) => CO2(g) ΔH = - 94,1 Kcal
Uma outra opção seria a obtenção do
CO2 a partir do CO(g):
Cgrafite + ½ O2(g) => CO(g) ΔH = - 26,4 Kcal
CO(g) + ½ O2(g) => CO2(g) ΔH = - 67,7 Kcal
Cgrafite + O2(g) => CO2(g) ΔH = - 94,1 Kcal
O CO(g) foi eliminado pois aparece nos
dois membros.
Saindo-se de um mesmo estado inicial e
chegando-se a um mesmo estado final,
independentemente dos caminhos seguidos pelas
reações, o ΔH será sempre o mesmo.
A Lei de Hess nos permite:
Somar equações como se fossem
equações matemáticas, visando obter a equação
desejada.
Inverter equações, e com isso, invertendo
o sinal do ΔH da reação.
Multiplicar ou dividir equações por um
número diferente de zero, multiplicando ou
dividindo também o valor do ΔH.
Calcular a variação de entalpia de um
processo a partir da somatória dos calores de
formação de reagentes e de produtos:
ΔH = Σ ΔHformação produtos - Σ ΔHformação reagentes
Exemplo (UF - Vale do Sapucaí - MG) Um
indivíduo queria transformar grafita em diamante
e sabia que:
Cgrafita + O2(g) => CO2(g) ΔH = - 94,1 Kcal/mol
Cdiamante + O2(g) => CO2(g) ΔH = - 94,5 Kcal/mol
Qual será a quantidade de calor, em
Kilocalorias, necessária para a transformação de
2,4Kg de grafita em diamante?
Aplicando a lei de Hess...
Como queremos que a grafita seja
reagente e o diamante seja produto, mantemos a
primeira equação e invertemos a segunda.
Invertemos o sinal de ΔH da segunda equação e
cortando as substâncias que aparecem nos dois
membros...
Cgrafita + O2(g) => CO2(g) ΔH = - 94,1 Kcal/mol
CO2(g) => Cdiamante + O2(g) ΔH = + 94,5 Kcal/mol
Cgrafita => Cdiamante ΔH = + 0,4 Kcal/mol
12g de Cgrafita (1 mol) -------------> + 0,4 Kcal
2400g de Cgrafita -------------> x
x = 2400 . 0,4 / 12 = 80 Kcal
26
Espontaneidade dos processos
Uma análise superficial dos processos
exotérmicos nos faz crer que a eliminação de
energia seja o critério que define que um dado
processo é espontâneo. No entanto, existem
processos endotérmicos que são espontâneos e um
exemplo é a evaporação da água. Então a
definição da espontaneidade ou não de um
processo precisa um critério mais sofisticado.
A entropia (S) é uma grandeza de um
sistema que é relacionada com o seu grau de
desordem. Quanto maior for esta desordem, maior
será a entropia. Quando um processo ocorre com
aumento de entropia dizemos que ΔS > 0. Quando
um processo ocorre com diminuição da entropia
dizemos que ΔS < 0.
A ordem ou desordem de um sistema
acarreta um consumo de uma parte da energia
disponível para o processo. Esta é conhecida
como energia de organização e é igual a:
T . ΔS
onde T é a temperatura absoluta.
Então a energia útil de uma reação seria
igual a:
ΔH - T . ΔS
Então, se chamarmos a porção útil do ΔH
de ΔG (energia livre de Gibbs), teremos:
ΔG = ΔH - T . ΔS
Então, segundo o novo critério:
Reação espontânea libera energia livre, ΔG < 0
Reação não espontânea absorve energia livre,
ΔG > 0
Quando ΔH - T . ΔS = zero, ΔG = zero e
o processo se encontra em equilíbrio químico.
Exemplo (UFES) A transformação isotérmica:
N2O(g) => N2(g) + ½ O2(g) apresenta, na
temperatura de 25ºC, variação de entalpia de -
19,5Kcal/mol e variação de entropia de 18
cal/K.mol. Podemos afirmar que a variação de
energia livre neste sistema garante que o processo
é espontâneo ou não espontâneo?
25ºC = 298K
18 cal/K.mol = 1,8x10-2 Kcal/K.mol
ΔG = ΔH - T . ΔS
ΔG = -19,5 - (298 . 1,8x10-2)
ΔG = - 24,9 Kcal/mol
O processo é espontâneo, pois há liberação de
energia livre.
NÚMERO DE OXIDAÇÃO (NOX)
O NOX e o tipo de ligação
Chamamos de número de oxidação ou
nox a carga assumida por um átomo quando a
ligação que o une a um outro é quebrada. Existem
três casos a serem analisados com relação ao nox
de um elemento: composto iônico, covalente e
substância simples.
Num composto iônico, ou nox é a própria
carga do íon, pois quando a ligação se rompe, já
ocorreu a transferência do elétron do átomo
menos para o mais eletronegativo.
Na formação do NaCl, o Na passa de 11
para 10 elétrons e o Cl passa de 17 para 18
elétrons. O Na fica com carência de 1 elétron e
assume a carga 1+, o Cl fica com excesso de um
elétrons e assume a carga 1-. Então, os nox do Na
e do Cl, neste composto, serão respectivamente 1+
e 1-.
Num composto covalente assume-se que
a mesma se quebra e que o par de elétrons fica
com o átomo mais eletronegativo. Na molécula de
HCl, o átomo mais eletronegativo é o Cl e o
menos é o H. O Cl adiciona um elétron à sua
eletrosfera, enquanto o H perde um. Então, os nox
do Cl e do H serão, respectivamente, 1- e 1+.
Em uma substância simples, os nox de
todos os átomos componentes é igual a zero, pois
não é possível a existência de diferenças de
eletronegatividade. Exemplos: S8, H2, O2, P4, Cgraf,
Cdiam.
27
Regras para a determinação do NOX
Metais alcalinos 1+
Metais alcalino-terrosos 2+
Oxigênio (menos nos peróxidos, em que é 1-) 2-
Hidrogênio (menos nos hidretos, que é -1) 1+
Alumínio (Al) 3+
Zinco (Zn) 2+
Prata (Ag) 1+
Substâncias simples 0
A soma dos números de oxidação num
composto é igual a zero.
A soma dos números de oxidação num
íon composto é igual a carga do íon.
Exemplos
Compostos binários
O nox de um dos elementos deve ser
conhecido para que o outro possa ser calculado.
Na Cl
O Na por ser metal alcalino, tem nox
igual a 1+. Como a soma dos nox num composto é
igual a zero, o Cl tem nox igual a 1-.
Compostos ternários
O nox de dois dos elementos deve ser
conhecido para que o terceiro possa ser calculado.
H2SO4
O H tem nox igual a 1+. O O tem nox
igual a 2-. O nox do S, por ser variável, não consta
de tabelas e deve ser calculado. 2 átomos de H
somam uma carga total de 2+. 4 átomos de O
somam uma carga total de 8-. Para que a carga do
composto como um todo seja igual a zero, a carga
do S tem de ser igual a 6+.
Íons
A somatória das cargas deve ser igual
a carga total do íon.
(NH4)+
O nox do H é igual a 1+. Como os H são
em número de 4, a carga total deles é igual a 4+.
Para que a carga total seja igual a 1+, o nox do N
tem de ser 3-.
(SO4)2-
O nox do O é igual a 2-. Como são 4
átomos de O, sua carga total é igual a 8-. Para que
a carga total do íon seja igual a 2-, o nox do S tem
que ser igual a 6+.
Semi-reação e pilha
Reações de oxido-redução ocorrem com
transferência de elétrons entre as espécies
químicas envolvidas. Dada a seguinte reação:
Zn0 + Cu2+ => Cu0 + Zn2+
Como a reação demonstra, os processos
de oxidação e de redução são sempre simultâneos.
A espécie que apresentar potencial de redução
mais pronunciadose reduzirá. A outra espécie do
par, por apresentar menor potencial de redução,
deverá forçosamente se oxidar. A reação global
pode ser isolada em dois processos diferentes: o
de redução e o de oxidação. Como cada parte é
metade de um todo, ambas recebem o nome semi-
reação.
Zn0 => Zn2+ + 2e- semi-reação de oxidação.
Cu2+ + 2e- => Cu0 semi-reação de redução.
Como é o zinco que se oxida, deve ser o
mais propenso a realizar este tipo de reação. Mas
como definir a força relativa de redução ou de
oxidação de uma espécie química em relação a
outras?
Para isso foi definido o eletrodo padrão
de hidrogênio, que serve de referência para estas
definições. A ele foi atribuído o potencial de
redução ou de oxidação igual a zero. Os demais
eletrodos são medidos com relação ao eletrodo de
hidrogênio em condições padronizadas:
concentração das substâncias em solução igual a 1
mol/L e temperatura igual a 25ºC.
Quando o eletrodo de hidrogênio
apresenta o potencial de redução maior que o do
seu par, nele ocorrerá a reação de redução.
2H1+ + 2 e- => H2
Quando o eletrodo de hidrogênio
apresenta o potencial de redução menor que o do
seu par, nele ocorrerá a reação de oxidação.
H2 => 2 H1+ + 2 e-
O potencial padrão de redução (E0red) de
um dado eletrodo é a ddp apresentada pela pilha
que conjuga este com o eletro padrão de
hidrogênio.
Valores elevados para o E0red evidenciam
facilidade da espécie química em se reduzir e mais
pronunciado será o seu poder oxidante. Estes
valores de E0red podem ser vistos listados numa
tabela. Os valores são os de redução da espécie da
28
esquerda para a da direita, como é recomendado
pela IUPAC. O potencial de oxidação da espécie
da direita para a da esquerda é obtido se
invertendo o sinal do valor de E0red.
Valores baixos para o E0red evidenciam
dificuldade da espécie química em se reduzir e
mais pronunciado será o seu poder redutor.
Cátodo é o eletrodo onde ocorre o
processo de redução, é o eletrodo positivo porque
é para lá que se destinam os elétrons.
Ânodo é o eletrodo onde ocorre o
processo de oxidação, por ser a origem dos
elétrons, é o eletrodo negativo.
Voltando a estudar a reação:
Zn0 + Cu2+ => Cu0 + Zn2+
Escrevendo as duas reações que ocorrem
no sentido da redução e verificando os valores de
na tabela, teremos:
Zn2+ + 2e- => Zn0 E0red = - 0,76 volts
Cu2+ + 2e- => Cu0 E0red = + 0,35 volts
Verificamos que o Cu2+ será reduzido no
processo, pois apresenta potencial de redução
mais elevado. Já o Zn será oxidado a Zn2+, pois o
potencial de redução do Zn2+ é mais baixo que o
do Cu2+. Reescrevendo as semi-reações já
invertendo a do zinco teremos...
Zn0 => Zn2++ 2e- E0oxid = + 0,76 volts.
Cu2+ + 2e- => Cu0 E0red = + 0,35 volts.
Como o número de elétrons são iguais
nas duas semi-reações, podem ser simplificados.
Se o número de elétrons fosse diferente nas semi-
reações, as mesmas deveriam ser multiplicadas
por coeficientes adequados que garantissem essa
igualdade. O valor do E0red não pode ser
multiplicado pois ele independe da massa dos
eletrodos. Podemos então escrever a equação
global do processo e determinar se o mesmo é
espontâneo ou não. O processo é espontâneo
quando a soma dos E0red e E0oxid (ddp ou força
eletromotriz) das duas reações é um valor
positivo. Soma resultando em um valor negativo
determina que o processo é não espontâneo.
Zn0 => Zn2+ E0oxid = + 0,76 volts
Cu2+ => Cu0 E0red = + 0,35 volts
Zn0 + Cu2+ => Cu0 + Zn2+ E0 = 1,1 volts
O processo é espontâneo pois o E0 é
positivo. As pilhas são combinações de semi-
reações que convertem energia química em
elétrica. São sempre processos espontâneos.
Quanto maior for a diferença de potencial entre os
eletrodos de uma pilha, maior será a intensidade
de corrente na mesma.
Esta pilha poderia ser montada usando o
esquema abaixo:
Inicialmente os eletrodos se encontram
mergulhados em soluções aquosas de seus
respectivos sulfatos e o circuito se encontra
aberto. Após a pilha ser acionada começa a reação
de oxidação no eletrodo de Zn. Os átomos de Zn
abandonam o eletrodo sob a forma de Zn2+. Os
dois elétrons gerados na oxidação de cada átomo
de Zn migram através do circuito externo e
chegam ao eletrodo de Cu, onde reduzem um Cu2+
da solução a Cu0, que se deposita no eletrodo.
Com o passar do tempo o eletrodo de Zn será
consumido e o de Cu terá sua massa aumentada.
A ponte salina pode ser um tubo em U
preenchida por algodão e embebida em algum
eletrólito, normalmente o KCl. Ela tem a tarefa de
manter a neutralidade das soluções através da
migração do Zn2+ ou do K1+ para o frasco da
direita, substituindo os Cu2+ que se depositaram.
Ao mesmo tempo, os íons (SO4)2- ou Cl1- migram
do frasco da direita para o da esquerda para
equilibrar o aumento da concentração dos íons
Zn2+. A ponte salina pode ser substituída por uma
placa porosa separando duas porções de um
mesmo recipiente. Sem ponte salina ou placa
porosa qualquer pilha só pode funcionar por um
intervalo de tempo muito pequeno.
A representação esquemática pode usar a
seguinte recomendação
Ânodo/Solução do ânodo//Solução do cátodo/Cátodo
Para o exemplo estudado resultaria:
Zn / Zn2+ // Cu2+ / Cu
As pilhas também podem ser conhecidas
por células galvânicas em homenagem ao médico
Luigi Galvani. Em 1786, ele amarrou um nervo de
uma rã que estava sendo dissecada com um fio de
cobre. Acidentalmente, ele encostou o fio de
cobre em algum objeto de ferro, gerando uma
29
pilha entre o ferro e o cobre. A passagem de
corrente fez com que a rã entrasse em convulsões.
Em 1800, Alessandro Volta explicou o fenômeno
quando construiu a primeira pilha. O nome pilha
vem da montagem da primeira pilha, que consistia
de um empilhamento de discos de cobre e de
zinco alternados e separados por feltro embebido
em solução de ácido sulfúrico.
Exemplo 1 Dada a seguinte pilha:
Mg/Mg2+//Cr3+/Cr e sabendo que:
Mg2+/ Mg E0red = - 2,37 volts
Cr3+/ Cr E0red = - 0,74 volts
Determine
a) qual o cátodo e qual o ânodo ?
b) qual a reação global ?
c) qual a ddp da pilha ?
d) determinar se o processo é espontâneo.
Resolução
a) O maior valor para E0red será o eletrodo onde
ocorrerá a redução. Este eletrodo é o de Cr.
O menor valor para será o eletrodo onde ocorrera
a oxidação. Este eletrodo é o Mg.
No ânodo se originam os elétrons pois lá ocorre a
oxidação. O ânodo é o Mg.
Para o cátodo é que se originam os elétrons pois lá
ocorre a redução. O cátodo é o Cr.
b) reescrevendo as equações já multiplicadas
pelos coeficientes adequados para igualar a
quantidade de elétrons na oxidação e na redução
3Mg0 => 3Mg2+ + 3x2e- E0oxid = + 2,37 volts
2Cr3+ + 2x3e- => 2 Cr0 E0red = - 0,74 volts
3Mg0 + 2Cr3+ => 3Mg2+ + 2Cr0 E0 = +1,63 volts
c) a ddp da pilha é igual a +1,63 volts
d) a ddp é positiva e o processo é espontâneo.
Exemplo 2 (FMU - SP) Para retardar a corrosão
do ferro (Fe2+/Fe E0 = +0,44V) dos cascos de
navios e canalizações subterrâneas, costuma-se
aplicar neles blocos de um metal que funcional
como "metal de sacrifício". Dadas as seguintes
semi-reações, com os respectivos potenciais de
redução, qual será o melhor "metal de sacrifício"
para o ferro?
a) Ag1+ + 1e- => Ag E = +0,80V
b) Cu2+ + 2e- => Cu E = +0,34V
c) Zn2+ + 2e- => Zn E = -0,76V
d) Mg2+ + 2e- => Mg E = -2,38V
e) Não existe "metal de sacrifício"
Resolução
O metal de sacrifício escolhido deve ter o
potencial de redução o quanto menor possível que
o do ferro. Como a reação que se quer evitar é a
de dissoluçãoou corrosão do ferro, devemos
comparar todos os potenciais de corrosão. O
melhor metal de sacrifício será aquele que tiver o
potencial de oxidação o maior possível além do
Fe. Comparando...
Fe Eoxid = +0,44V
Ag Eoxid = -0,80V
Cu Eoxid = -0,34V
Zn Eoxid = +0,76V
Mg Eoxid = +2,38V
O metal mais adequado seria o Mg, pois possui
potencial de oxidação mais elevado que o do Fe.
Formando-se uma pilha com estes dois eletrodos,
no eletrodo de Fe ocorreria a redução e no de Mg
ocorreria a oxidação.
Exemplo 3 (UEPG - PR) Conforme as semi-
reações:
Mg => Mg2+ + 2e- E0 = +2,37V
Cr => Cr3+ + 3e- E0 = +0,74V
pode-se imaginar uma pilha eletrolítica que
apresenta:
a) uma ddp de 1,95V
b) um aumento na concentração de íons Mg2+ na
solução
c) uma ddp menor que zero; logo, a pilha é
espontânea
d) aumento na placa metálica de Mg
e) aumento na concentração de íons Cr3+ na
solução
Resolução
Como o Mg apresenta maior potencial de
oxidação, o sentido da sua reação será mantido. A
reação do Cr será invertida pois o seu potencial de
oxidação é menor. Nestas condições, a pilha
gerada seria a seguinte:
Mg => Mg2+ + 2e- E0 = +2,37V
Cr3+ + 3e- => Cr E0 = -0,74V
Como o número de elétrons é diferente em cada
uma das semi-reações, as mesmas devem ser
multiplicadas por coeficientes adequados para
igualar o número de elétrons. Multiplicando a
semi reação do Mg por 3 e a do Cr por 2
teríamos...
3 Mg => 3 Mg2+ + 6e- E0 = +2,37V
2 Cr3+ + 6e- => 2 Cr E0 = -0,74V
Simplificando os elétrons determinamos a reação
global...
30
3 Mg => 3 Mg2+ E0 = +2,37V
2 Cr3+ => 2 Cr E0 = -0,74V
3 Mg + 2 Cr3+ => 3 Mg2+ + 2 Cr
ddp = +1,63V e o processo é espontâneo
A alternativa (a) é errada pois a ddp correta é
igual a +1,63V.
A alternativa (b) é correta pois como ocorrerá
oxidação no eletrodo de Mg, átomos deste metal
deixarão o eletrodo sob a forma de íons Mg2+, o
que aumenta a concentração deste íon na solução.
A alternativa (c) é errada pois a ddp tem valor
positivo. Somente pilhas com ddp positiva geram
pilhas, que são processos espontâneos.
A alternativa (d) é errada pois a placa de Mg vai
diminuir (processo de dissolução ou corrosão).
A alternativa (e) é errada pois vai ocorrer redução
no eletrodo de Cr. Com isso, íons Cr3+ deixarão a
solução e se depositarão no eletrodo,
descarregando-se. A concentração de íons Cr3+ na
solução vai diminuir.
Potenciais padrão de redução, 25ºC.
semi-reação E° (V)
F2(g) + 2e- <==> 2F- +2.87
PbO2(s) + SO42-(aq) + 4H+ + 2e- <==> PbSO4(s) + H2O +1.69
2HOCl(aq) + 2H+(aq) + 2e- <==> Cl2(g) + 2H20 +1.63
MnO4-(aq) + 8H+(aq) + 5e- <==> Mn2+(aq) + 4H20 +1.51
PbO2(s) + 4H+(aq) + 2e- <==> Pb2+(aq) + 2H2O +1.46
BrO3-(aq) + 6H+(aq) + 6e- <==> Br-(aq) + 3H2O +1.44
Au3+ (aq) + 3e- <==> Au(s) +1.42
Cl2 (g) + 2e- <==> Cl-(aq) +1.36
O2(g) + 4H+(aq) + 4e- <==> 2H2O +1.23
Br2 (aq) + 2e- <==> 2Br-(aq) +1.07
NO3-(aq) + 4H+(aq) + 3e <==> NO(g) + 2H2O +0.96
Ag+(aq) + e- <==> Ag(s) +0.80
Fe3+(aq) + e- <==> Fe2+(aq) +0.77
I2(s) + 2e- <==> 2I-(aq) +0.54
NiO2(aq) + 4H+(aq) + 3e- <==> Ni(OH)2(s) + 2OH-(aq) +0.49
Cu2+(aq) + 2e- <==> Cu(s) +0.35
SO42- + 4H+(aq) + 2e- <==> H2SO3(aq) + H2O +0.17
2H+ (aq) + 2e- <==> H2(g) 0.00
Sn2+ (aq) + 2e- <==> Ni(s) -0.14
Ni2+ (aq) + 2e- <==> Ni(s) -0.25
Co2+ (aq) + 2e- <==> Co(s) -0.28
PbSO4 (s) + 2e- <==> Pb(s) + SO42- -0.36
Cd2+ (aq) + 2e- <==> Cd(s) -0.40
Fe2+ (aq) + 2e- <==> Fe(s) -0.44
Cr3+ (aq) + 3e- <==> Cr(s) -0.71
Zn2+ (aq) + 2e- <==> Zn(s) -0.76
2H2O (aq) + 2e- <==> H2(g) + 2OH-(aq) -1.66
Mg2+ (aq) + 2e- <==> Mg(s) -2.37
Na+ (aq) + e- <==> Na(s) -2.71
Ca2+ (aq) + 2e- <==> Ca(s) -2.76
K+ (aq) + e- <==> K(s) -2.92
Li+ (aq) + e- <==> Li(s) -3.05
Definição de eletrólise.
Ao contrário das pilhas, a eletrólise é um
processo não espontâneo. Na pilha ocorre uma
reação de oxi-redução espontânea que gera
corrente elétrica detectável num circuito externo.
Na eletrólise ocorre uma reação de oxi-redução
não espontânea que consome corrente elétrica de
uma bateria ligada ao sistema.
A bateria garante o fluxo de elétrons do
pólo positivo para o negativo. O ânodo é o pólo
positivo, os íons negativos da solução ou sal
fundido (no caso da eletrólise ígnea) são atraídos
para ele e nele se descarregam. Os elétrons
fornecidos ao eletrodo positivo são enviados pela
bateria para o cátodo (ou eletrodo negativo). No
eletrodo negativo os íons positivos da solução são
reduzidos através do recebimento de elétrons. O
fluxo de íons através da solução permite o
fechamento do circuito. Resumindo.
ÂNODO: eletrodo de onde se originam
os elétrons,é onde ocorre a oxidação.
CÁTODO: eletrodo para onde se
dirigem os elétrons, é onde ocorre a redução.
Os íons formados durante o processo de
ionização ou dissociação são bastante estáveis.
Faze-los passar ao estado de substância simples
demanda uma energia que é fornecida pela
corrente elétrica.
Para que ocorra a eletrólise, os íons
devem apresentar mobilidade para que possam se
dirigir para os eletrodos. Essa mobilidade é
conseguida através da fusão de uma substância
iônica ou dissolução da mesma em água.
31
Exemplo (Fuvest) O alumínio é obtido pela
eletrólise da bauxita. Nessa eletrólise, ocorre a
formação de oxigênio que reage com um dos
eletrodos de carbono utilizados no processo. A
equação não balanceada que representa o processo
global é:
Al2O3(líquido) + C(sólido) => CO2(gasoso) + Al(sólido)
Para dois mols de Al2O3, quantos mols de CO2 e
de Al, respectivamente, são produzidos nesse
processo?
a) 3 e 2
b) 1 e 4
c) 2 e 3
d) 2 e 1
e) 3 e 4
Resolução:
Dada a equação geral para a eletrólise do alumínio
a partir da bauxita.
2 Al2O3 => 4 Al3+ + 6 O2-
4 Al3+ + 12 e- => 4 Al0
6 O2- => 3 O2 + 12e-
2 Al2O3 => 4 Al0 + 3 O2
A partir da reação balanceada nota-se que para 2
mols de Al2O3 obtém-se 4 mols de Al0 e 3 mols de
O2. Estes 3 mols de O2 se combinam com o
eletrodo de carbono para formar 3 mols de CO2.
3 O2(gasoso) + 3 C(sólido) => 3 CO2(gasoso)
A alternativa correta é a E.
Eletrólise em solução aquosa
Uma substância qualquer pode gerar íons
em solução aquosa. Neste caso, os íons que
podem vir a sofrer eletrólise podem se originar
dessa substância ou da própria auto-ionização da
água. Apesar da auto-ionização da água ocorrer
em baixa extensão, ela oferece esta possibilidade
de um ou outro íon vir a se descarregar.
Apenas uma espécie de íon positivo ou
negativo descarrega por vez. Cada íon possui uma
voltagem adequada para se descarregar. O par
cátion/ânion de apresentar menor voltagem para
descarregar será o que vai descarregar primeiro.
A auto-ionização da água fornece os íons
H1+ (H3O1+) e OH1-.
H20 => H1+ + OH1-
ou ainda
2H2O => H2O + H1+ + OH1- => H3O1+ + OH1-
No caso dos cátions, metais pouco
reativos descarregam primeiro, pois possuem
maior tendência a aceitar os elétrons de volta e se
descarregar. Metais altamente reativos como
metais alcalinos e alcalino terrosos se
descarregam depois. A ordem de prioridade é a
seguinte:
aumenta dificuldade de descarga ===>
Au3+ Pt2+ Hg2+ Ag1+ Cu2+ Ni2+ Cd2+ Pb2+ Fe2+ Zn2+
Mn2+ H3O1+ Al3+ Mg2+ Na1+ Ca2+ Ba2+ K1+ Li1+
Cs1+
O H1+ ou H3O1+ se descarrega antes do
alumínio, de metais alcalinos e alcalinos terrosos.
Mas perde em prioridade de descarga para os
demais cátions.
Quanto menor for a eletronegatividade do ânion
para prender o elétron, maior a facilidade de
descarga do mesmo.
aumenta dificuldade de descarga ===>
ânions não oxigenados e HSO41- OH1- ânions
oxigenadose F1-
O OH1- se descarrega antes dos ânions
oxigenados e do F1-. Mas perde em prioridade de
descarga para os ânions não oxigenados e o
HSO41-. As reações que os íons resultantes da
auto-ionização da água são mostradas abaixo:
H1+ (redução no catodo) 2H1+ + 2e- => H2
OH1- (oxidação no anodo) 2OH1- => H2O + 1/2 O2 + 2e-
A eletrólise do NaCl em solução aquosa é
um exemplo em que participam da eletrólise o
cátion oriundo da auto-ionização da água e o
ânion do sal.
dissociação do NaCl 2NaCl => 2Na1+ + 2Cl1-
auto-ionização da água 2H2O => 2H1+ + 2OH1-
anodo 2Cl1- => Cl2 + 2e-
catodo 2H1+ + 2e- => H2
reação global 2NaCl + 2H2O => 2Na+ + Cl2 + H2 + 2OH-
Nota-se pela reação global que a
eletrólise do NaCl é método de obtenção de H2,
Cl2 e de soda cáustica (NaOH).
Na eletrólise do HCl, somente os íons do
soluto participam da eletrólise. Isto ocorre pelo
fato de ambos os íons oriundos do soluto
apresentarem prioridade de descarga em relação
aos íons gerados pela auto-ionização da água.
dissociação do HCl 2HCl => 2H1+ + 2Cl1-
auto-ionização da água H2O => H1+ + OH1-
anodo 2Cl1- => Cl2 + 2e-
catodo 2H1+ + 2e- => H2
reação global 2HCl + H2O => Cl2 + H2
O pH da solução se torna
progressivamente mais alcalino já que o HCl é
consumido na eletrólise.
32
Na eletrólise do Zn(NO3)2 em solução
aquosa, participam da eletrólise o ânion oriundo
da auto-ionização da água e o cátion do sal.
dissoc. do Zn(NO3)2 2Zn(NO3)2 => 2Zn2+ + 4NO31-
auto-ioniz. da água 4H2O => 4H1+ + 4OH1-
anodo 4OH1- => 2H2O + O2 + 4e-
catodo 2Zn2+ + 4 e- => 2Zn0
reação global 2Zn(NO3)2 + 2H2O => 4H+ + 4NO3- + 2Zn0 + O2
O pH da solução diminui, já que os íons
H1+ gerados pela auto-dissociação da água não são
consumidos na eletrólise.
Na eletrólise do Na2SO4 em solução aquosa,
ambos os íons oriundos da dissociação da água
têm prioridade na eletrólise.
dissociação do Na2SO4 Na2SO4 => 2Na+ + SO42-
auto-ionização da água 2H2O => 2H+ + 2OH1-
anodo 2OH1- => H2O + 1/2 O2 + 2e-
catodo 2H1+ + 2e- => H2
reação global H2O + Na2SO4 => H2 + 1/2 O2 + 2Na1+ + SO42-
Como as moléculas de água são
consumidas na eletrólise, a solução vai ficando
progressivamente mais concentrada em sulfato de
sódio.
CORROSÃO
Em presença de ar úmido ou de água
contendo oxigênio dissolvido, alguns metais
sofrem o fenômeno da corrosão, que é a
dissolução dos mesmos sob a forma iônica. O
exemplo mais conhecido deste processo é a
corrosão do ferro. Os átomos de Fe° são oxidados
a Fe2+ e os átomos do oxigênio, contidos sob a
forma de O2 no ar atmosférico, são reduzidos a
O2- sob a forma de OH1-.
Reação anódica (oxidação):
Fe(s) => Fe2+ + 2e-
Reação catódica (redução):
1/2O2(g) + H2O + 2e- => 2OH1-(aq)
O uso do coeficiente fracionário pode ser
evitado multiplicando-se ambas as equações por
2.
2Fe(s) => 2Fe2+ + 4e-
O2(g) + 2H2O + 4e- => 4OH1-(aq)________________
2Fe(s) + 1/2 O2(g) + 2H2O => 2Fe2+ + 4OH1-(aq)
O produto da corrosão do ferro é o
Fe(OH)2, que posteriormente é oxidado a
Fe(OH)3. Geralmente, o produto da corrosão do
ferro é representado por Fe2O3.3H2O. Essa forte
tendência que o ferro apresenta em ser corroído
explica a tendência de o aço ser substituído por
outras ligas menos sujeitas a estes processos em
algumas aplicações. Alguns metais, tais como
alumínio, zinco e chumbo, sofrem somente
corrosão superficial. Essa camada impede que o
processo de corrosão avance para o interior do
material. No caso do ferro, a baixa aderência dos
produtos da corrosão e sua solubilidade em água
fazem com que a corrosão deste metal seja
bastante pronunciada.
A proteção de um metal contra a corrosão
pode ser feita através de recobrimentos que
impeçam o acesso a umidade ao mesmo. As
pinturas podem ser usadas com esta finalidade, no
entanto, arranhões na mesma podem facilitar o
processo de corrosão.
No processo de galvanização, o ferro é
recoberto por uma fina película de zinco. O zinco
se oxida mais facilmente que o ferro.
Fe2+ + 2e- => Fe° E°red = -0,44 V
Zn2+ + 2e- => Zn° E°red = -0,76 V
O zinco protege o ferro do contato com
água e oxigênio e atua como redutor na pilha
formada por ele e o ferro, no caso da cobertura ser
riscada. O Fe exposto ao ar, se transforma em
Fe2+, que é imediatamente reduzido pelo zinco
contido no recobrimento.
Uma outra forma de proteção contra a
corrosão é a que é utilizada nas latas de conservas
que encontramos nos supermercados. Um
revestimento de estanho tem por objetivo proteger
o ferro da lata. A camada de estanho impede o
contato do ferro com as substâncias que podem
gerar a corrosão do mesmo. Deve-se evitar a
compra de latas amassadas, pois a proteção de
estanho pode ter sido danificada e, neste caso, o
ferro forma uma pilha com o estanho do
recobrimento. Como o estanho apresenta potencial
de redução mais alto que o do ferro, ele atuará
como semi-reação de redução e o ferro como
oxidação.
Sn2+ + 2e- => Sn° E°red = -0,14 V
Fe2+ + 2e- => Fe° E°red = -0,44 V
Numa pilha com o estanho, o ferro
sofreria oxidação de acordo com a reação:
Feo => Fe2+ + 2e- E°oxid = +0,44 V
O material contido na lata seria
contaminado com íons Fe2+.
33
Uma outra forma de proteger o ferro da
corrosão é mantê-lo em contato com um metal que
seja mais propenso à corrosão que ele (metal com
potencial de redução menor que o do ferro).
Normalmente se utiliza o metal magnésio para
esta finalidade, devido ao seu baixo potencial de
redução. Este metal é conhecido como metal de
sacrifício. Enquanto existir este metal em contato
com o ferro, este será protegido do processo de
corrosão. A proteção cessa quando o metal de
sacrifício se dissolve totalmente. Este tipo de
proteção é muito utilizado em cascos de
embarcações.
Mg2+ + 2e- => Mg° E°red = -2,37 V
Fe2+ + 2e- => Fe° E°red = -0,44 V
Exemplo 1 (Fuvest - SP) A corrosão do ferro,
processo que se inicia pela formação de íons
Fe2+, pode ser evitada colocando-se o ferro em
contato com um metal que se oxide mais
facilmente. Dada a tabela a seguir de potenciais de
redução:
semi-reação E° (V)
Fe2+ + 2e- = Fe -0,44
Mg2+ + 2e- = Mg -2,37
Zn2+ + 2e- = Zn -0,76
Pb2+ + 2e- = Pb -0,13
Cu2+ + 2e- = Cu +0,15
a) Quais dos metais citados protegem o ferro da
corrosão?
b) Escreva a reação do ferro com um dos outros
metais mencionados, indicando o potencial da
pilha formada.
Resolução
a) Todo metal que apresentar potencial de redução
menor que o do ferro servirá como proteção. Pois,
em contato com o mesmo, se oxidará no lugar
dele.. Estes metais são: Mg e Zn.
b) Escolhendo a pilha entre o Mg e Fe. Como o
Mg possui potencial de redução mais baixo, a sua
semi-reação será invertida para oxidação.
Mg° => Mg° + 2e- E°red = +2,37 V
Fe2+ + 2e- => Fe° E°red = -0,44 V
reação global: Fe2+ + Mg => Fe + Mg2+ +1,93 V
Exemplo 2 (Fuvest - SP)
semi-reação E° (V)
Fe2+ + 2e- => Fe -0,44
Cu2+ + 2e- => Cu +0,34
O2 + 2H2O + 4e- => 4OH1- +0,40
A estátua da Liberdade está no porto de
Nova Iorque e, portanto, em ambiente marinho.
Ela consiste em uma estrutura de ferro sobre a
qual estão rebitadas placas de cobre que dão
forma à figura.
a) Qual o efeito do ambiente marinho sobre as
placas de cobre?
b) Por que não foi uma boa idéia ter cobre em
contato com o ferro? Justifique.
Resolução
a) A redução do O2 em presença de água tem
potencial de redução mais alto, portanto, as placas
de cobre metálico sofrerão processo de corrosão.
2 Cu(s) => 2 Cu2++ 4e- +0,34 V
O2(g) + 2 H2O + 4e- => 4OH1-(aq) +0,40 V
2Cu(s) + O2(g) + 2H2O => 2Cu2+ + 4OH1-(aq) +0,74 V
b) O ferro da estrutura, possuindo potencial de
redução menos pronunciado que o do cobre, atua
como eletrodo de sacrifício, protegendo o cobre
da corrosão. No entanto, com o passar do tempo,
esta estrutura de ferro foi sendo gradativamente
corroída, deixando as placas de ferro sem a devida
proteção.
Fe° => Fe2+ + 2e- E°oxid = +0,44 V
Cu2+ + 2e- => Cu° E°red = +0,34 V
reação global: Fe + Cu2+ => Cu + Fe2+ +0,78 V
Exemplo 3 (Vunesp) O sulfato de alumínio,
utilizado em tratamento de água, pode ser
fornecido em solução 1 M. Esta solução pode ser
estocada em um tanque constituído de cromo
metálico e não deve ser estocada em um tanque
constituído de magnésio metálico. (Potenciais
padrão de redução E°, em volts, a 25°C: Al = -
1,67 ; Cr = -0,74 ; Mg = -2,38)
a) Explicar esta afirmação com base na
eletroquímica.
b) Escrever a equação da reação que ocorre entre a
solução e o material do tanque.
Resolução
a) A solução de sulfato de alumínio apresenta íons
Al3+ em solução. Dependendo do material de que
for feito o tanque, poderá ocorrer a redução deste
íon a Al°. Os íons cromo apresentam potencial
potencial de redução mais alto que o dos íons
alumínio, por isso, a solução poderá ser
acondicionada neste tipo de tanque sem que o
mesmo sofra corrosão. Os íons magnésio
apresentam potencial de redução menor que o dos
íons alumínio, portanto, o recipiente de magnésio
sofreria corrosão em contato com esta solução.
b) Primeiro a solução no tanque de Cr: não ocorre
reação química.
34
Agora a solução no tanque de Mg: ocorreria a
corrosão do tanque.
2 Al3+ + 3 Mg° => 2 Al° + 3 Mg2+
Galvanização e anodização
A proteção de uma peça metálica pode
ser efetuada através do revestimento da mesma
por um metal menos propenso a sofrer o processo
de corrosão. Este processo é conhecido como
galvanização. No processo e cobreação, uma peça
metálica é revestida com uma camada do metal
cobre.
A peça a ser recoberta é ligada ao pólo
negativo da bateria, tornando-se cátodo do
processo, pois atrairá os cátions da solução. Um
eletrodo de cobre é ligado ao pólo positivo da
bateria, tornando-se ânodo. A cobreação é
realizada em uma solução de CuSO4. Durante o
processo ocorrem as seguintes reações:
Ânodo (eletrodo de cobre):
Cu0 => Cu2+ + 2e- - 0,34 V
Cátodo (peça):
Cu2+ + 2e- => Cu0 + 0,34 V
A oxidação do cobre no eletrodo de cobre
fornece os elétrons necessários para a redução do
mesmo cobre sobre a superfície da peça a ser
protegida. O cobre é oxidado e reduzido durante o
processo. O sucesso do processo de galvanização
reside na geração de condições que propiciem
aderência do metal reduzido sobre a superfície da
peça metálica a ser protegida.
Os íons presentes na solução são: SO42-,
Cu2+ e os devidos ao processo de auto-ionização
da água (H1+ e OH1-). As reações concorrentes no
ânodo e no cátodo seriam as da participação da
própria água no processo, estas não ocorrem por
serem desfavoráveis em relação às reações que o
Cu0 e Cu2+ pode realizar.
A anodização é um processo utilizado
para proteger peças de alumínio da oxidação. Os
óxidos formados por estes metais protegem o
restante do metal de posterior oxidação e também
aumentam a resistência da peça contra a abrasão.
O processo consiste em utilizar a peça a ser
protegida como ânodo durante uma eletrólise de
solução de H2SO4 contra um cátodo de grafite.
Ocorrerá evolução de H2 no cátodo e O2 no ânodo.
O O2 gerado no ânodo ataca o metal formando o
óxido protetor. Para o alumínio a reação que
ocorre no ânodo seria a seguinte:
3 O2 + 4 Al0 => 2 Al2 O3
ARGILA E ARGILOMINERAL
De acordo com os Comitês de
nomenclatura da AIPEA (Association
Internationale pour l’Estude des Argiles) e CMS
(Clay Minerals Society), o termo argila refere-se a
um material de ocorrência natural, o qual é
composto, primariamente, por minerais de
granulometria fina, os quais são geralmente
plásticos com o apropriado teor de água e que
endurecem quando secos ou calcinados. Os
principais componentes são os argilominerais, os
quais são os verdadeiros responsáveis pela
plasticidade das argilas, podendo conter também
outros materiais que impõem plasticidade e
endurecem quando secos ou queimados. Além dos
argilominerais, as argilas geralmente contêm
outros materiais como matéria orgânica, sais
solúveis e partículas de quartzo, pirita, mica,
calcita, dolomita e outros minerais residuais, e
podem conter também minerais não cristalinos
(Guggenheim & Martin, 1995).
Os argilominerais encontram-se na forma
de partículas cristalinas extremamente pequenas,
de tamanho inferior a 2 µm e possuem ampla
utilização industrial. As características
importantes relativas às suas aplicações são:
tamanho e forma de partícula, área superficial,
carga superficial, e algumas propriedades
específicas a aplicações particulares, incluindo
viscosidade, cor, plasticidade, resistência do corpo
queimado e verde, absorção, abrasão e pH.
Diversas propriedades dos argilominerais estão
diretamente associadas à sua estrutura cristalina e
química (Konta, 1995).
Uma argila qualquer pode ser composta
por partículas de um argilomineral ou por uma
mistura de vários argilominerais. Suas
propriedades e características variam de acordo
com seus componentes e tipo de formação
(Santos, 1989). Isto faz com que existam inúmeras
denominações e nomenclaturas para as argilas de
acordo com a região onde são encontradas e tipo
de utilização a que são destinadas: indústrias,
componentes agrícolas, etc.
35
Estrutura cristalina dos argilominerais
Nas redes atômicas da maioria dos
argilominerais estão presentes basicamente dois
tipos de unidades estruturais: uma folha de
tetraedros de sílica ligados pelos oxigênios
localizados nos vértices da base e uma folha de
octaedros de alumina ligados pelas faces laterais
(Moore & Reynolds, 1989).
Os filosilicatos, como todos os demais
grupos de silicatos, são constituídos por uma
unidade estrutural Si-O, que é um tetraedro de
coordenação com o Si ao centro e quatro
oxigênios em cada um dos vértices do tetraedro. O
tetraedro Si-O se encontra eletricamente
descompensado, pois o Si possui quatro cargas
positivas frente a oito negativas dos quatro
oxigênios dos vértices. Por isto, deverá se unir a
outros cátions para neutralizar as cargas
(Theng,1979). O cátion predominante é o silício
(Si4+) e pode ser substituído, mais freqüentemente
por alumínio (Al3+) e, ocasionalmente, por ferro
(Fe3+).
Nestas estruturas, cada vértice da face
basal pertence a dois tetraedros vizinhos (cada
oxigênio se coordena a dois silícios), originando
uma folha de tetraedros, de extensão infinita e
fórmula (Si2O5)2- (Figura 2.1) (Theng,1979).
Figura 2.1: (a) tetraedro SiO4 isolado e (b)
camada de tetraedros dispostos em rede
hexagonal.
Os tetraedros, no caso dos filosilicatos,
compartilham seu vértice superior com um
octaedro de coordenação, com Al e/ou Mg no
centro e O e/ou OH nos seis vértices. Os octaedros
são bipirâmides com seu plano equatorial
quadrado e todas suas faces triângulos eqüiláteros
iguais. Estes octaedros também se encontram
descompensados eletricamente (duas cargas
positivas se o cátion octaédrico é o Mg, ou três se
o cátion é o Al, frente às doze possíveis cargas
negativas que podem suportar os seis vértices).
Para a neutralização das cargas, seus vértices são
compartilhados entre si, formando uma folha de
octaedros (Figura 2.2) (Theng, 1979).
Figura 2.2: (a) unidade octaédrica isoladae (b)
folha de unidades octaédricas
A combinação de uma folha octaédrica
com uma ou duas tetraédricas é denominada
camada unitária. Em uma camada, as unidades
estruturais (tetraédricas e octaédricas) unem-se
por ligações covalentes. As camadas de tetraedros
e octaedros se acoplam originando lamelas, que ao
repetir-se formam a estrutura cristalina. A
distância entre um plano de uma camada e o plano
correspondente da camada seguinte é denominado
espaçamento basal ou distância interplanar d.
As camadas da rede cristalina são
mantidas unidas por forças de Van der Waals, o
que favorece a clivagem no plano basal, paralelo
às lamelas. Quanto maior o espaçamento basal,
maior a flexibilidade e mais fraca a ligação
(Moore & Reynolds, 1989). Em alguns
filosilicatos, as lamelas não são eletricamente
neutras devido às substituições de uns cátions por
outros de distinta carga (substituições
isomórficas). O balanço de carga se mantem pela
presença, no espaço interlamelar de cátions
individuais (como por exemplo, o grupo das
micas), cátions hidratados (como nas vermiculitas
e esmectitas) ou grupos hidroxila coordenados
octaedricamente, similares às folhas octaédricas,
como sucede nas cloritas. Os cátions
interlamelares mais freqüentes são metais
alcalinos (Na e K) ou alcalino terrosos (Mg e Ca).
Os filosilicatos podem estar formados por
uma folha tetraédrica mais uma folha octaédrica, e
se denominam bilamelares (1:1, ou T:O). Podem
estar formados também por três folhas: uma
octaédrica e duas tetraédricas, e se denominam
trilamelares (2:1 ou T:O:T). De acordo com o
número e a razão de folhas em uma camada
estrutural fundamental, com as substituições
catiônicas existentes nos octaedros e tetraedros e
com a carga resultante das camadas, os
argilominerais cristalinos são classificados em
sete grupos (Santos, 1989):
11. O grupo da Caulinita e Serpentina
22. O grupo das Micas ou Ilitas
33. O grupo das Vermiculitas
14. O grupo das Esmectitas ou
Montmorilonitas
25. O grupo dos Talcos e Pirofilitas
36. O grupo das Cloritas
47. O grupo das Paligorsquitas e Sepiolitas.
Grupo da Montmorilonita ou Esmectita
Os argilominerais do grupo da
montmorilonita são constituídos por duas folhas
de silicato tetraédricas, com uma folha central
octaédrica, unidas entre si por oxigênios comuns
36
às folhas. A população das posições catiônicas é
tal que as camadas estão desequilibradas
eletricamente com uma deficiência de cargas
positivas de cerca de 0,66 cátion monovalente por
célula unitária. Esta deficiência é equilibrada
principalmente por cátions hidratados entre as
camadas estruturais. Os cátions neutralizantes não
estão fixados irreversivelmente e podem ser
trocados por outros cátions. As camadas
sucessivas estão ligadas fracamente entre si e
camadas de água ou de moléculas polares, de
espessuras variáveis, podem entrar entre elas,
chegando a separá-las totalmente. A espessura
interlamelar varia com a natureza do cátion
interlamelar e da quantidade de água disponível.
Assim, o argilomineral não tem distância
interplanar basal fixa.
A ligação fraca entre as camadas e o
elevado grau de substituição isomórfica torna fácil
a clivagem das partículas deste argilomineral,
havendo uma tendência muito grande à separação
das camadas estruturais em meio aquoso.
Desses fatos, resulta que as partículas de
montmorilonitas são, em geral, extremamente
finas. Argilas constituídas por esses
argilominerais geralmente possuem, em elevado
grau, propriedades plásticas e coloidais e
apresentam grandes variações em suas
propriedades físicas. Essas variações podem
frequentemente, ser atribuídas a variações na
natureza dos cátions trocáveis que neutralizam a
estrutura cristalina e a fatores estruturais e
composicionais como variações na população das
posições octaédricas (Santos, 1989).
Grupo das Caulinitas.
As caulinitas são argilominerais de
estrutura 1:1, não apresentam substituições
isomórficas em sua estrutura, e cada camada
estrutural é constituída pela associação de uma
folha tetraédrica de sílica com uma folha
octaédrica de gibsita ou uma folha octaédrica de
brucita. O fato da caulinita não apresentar
expansão interlamelar evidencia a presença de
ligações fortes entre as camadas. A força que une
as camadas tem sido atribuída a ligações
hidrogênio entre o oxigênio de uma folha
tertraédrica e a hidroxila de uma folha octaédrica
subsequente, aumentada pela força de Van der
waals (Theng, 1979).
Grupo das Micas/Ilita
São formadas por duas folhas tetraédricas
de silício que ensanduicham uma folha octaédrica
em relação à qual o íon coordenado pode ser Al+3,
Fe+3, Fe+2 ou Mg+2. Na folha tetraédrica, ¼ do Si+4
é substituído por Al+3. Encontram-se íons K+ e/ou
Na+ entre folhas tetraédricas de camadas
adjacentes que contrariam o desequilíbrio de
cargas elétricas resultantes das substituições
isomórficas referidas e que asseguram a ligação
eletrostática entre camadas estruturais adjacentes.
O espaçamento entre camadas estruturais
consecutivas é de 10Å e as camadas estão ligadas
umas às outras, em regra, por íons K+ (Gomes,
1986). A Figura 2.3 mostra a representação
esquemática da estrutura cristalina da caulinita e
da ilita.
Figura 2.3: Representação esquemática da
estrutura cristalina da Caulinita e da Ilita.
PROPRIEDADES DOS ARGILOMINERAIS
Capacidade de troca de íons.
A capacidade de troca de íons de um
aluminosilicato é a quantidade de íons,
particularmente cátions, que este pode adsorver e
trocar. Esta propriedade resulta do desequilíbrio
das cargas elétricas na estrutura cristalina devido
às substituições isomórficas, às ligações químicas
rompidas nas arestas das partículas e à interação
dos íons H3O+ com as cargas nestas ligações
rompidas. Para neutralizar estas cargas, existem
cátions trocáveis, que estão fixos
eletrostaticamente ao longo das faces e entre as
camadas estruturais que podem ser trocados por
reação química por outros íons em solução
aquosa. Estes íons permutáveis estão fixos
eletrostaticamente devido às dimensões e à
configuração geométrica. Assim, os ânions SO4-2,
PO4-3 e SiO4-4 estão fixados nas arestas das
camadas SiO4 que existem no argilomineral ou
então substituem íons hidroxila adsorvidos que
dão carga negativa à partícula. Os cátions podem
ser agrupados segundo uma série de “facilidade de
substituição ou troca”, que varia ligeiramente para
cada argilomineral (Aguiar & Novaes, 2002).
37
A capacidade de troca catiônica
representa uma propriedade importante dos
argilominerais, visto que os íons permutáveis
influem poderosamente sobre as suas
propriedades físico-químicas e tecnológicas.
Podem-se modificar as propriedades plásticas e
outras propriedades de uma argila pela permuta do
íon adsorvido (Santos, 1989).
A facilidade de troca ou afinidade dos
materiais trocadores de íons está relacionada com
a carga e o tamanho dos íons em solução. O poder
de troca de um cátion será maior, quanto maior for
a sua valência e menor a sua hidratação. A força
com que um íon será atraído é proporcional à sua
carga iônica, e por conseqüência, íons de maior
valência são mais fortemente atraídos pelo
material.
Entre cátions de mesma valência, a
seletividade aumenta com o raio iônico, em
função do decréscimo do grau de hidratação, pois
quanto maior for o volume do íon, mais fraco será
o seu campo elétrico na solução, e
conseqüentemente, menor o grau de hidratação.
Logo, para uma mesma série de íons, o raio
hidratado é geralmente inversamente proporcional
ao raio iônico do cristal. Entretanto, o grau de
hidratação do íon depende da viscosidade da
solução, da temperatura, da presença de
interferentes e de vários outrosfatores, podendo
ter um valor variável em função de determinada
aplicação (Aguiar & Novaes, 2002).
A capacidade de troca catiônica na
caulinita é devida, principalmente, a ligações
rompidas, e aumenta com o decréscimo das
dimensões das partículas e pode, portanto, ser
aumentada nesses minerais, por meio de moagem
ou cominuição violenta. As posições da permuta
podem, por outro lado, ser bloqueadas por ferro,
alumínio e moléculas orgânicas. As argilas do
grupo da caulinita apresentam capacidade de troca
de cátions menor que as do grupo da
montmorilonita, porque todas elas, além de
trocarem cátions em sua superfície externa,
também adsorvem cátions entre as camadas
estruturais. Os cátions naturalmente fixados são
H+ ou H3O+, Na+, K+, Ca+2, Mg+2 e Al+3, podendo
ser trocado por outro cátion, como por exemplo,
NH4+, Na+, Mg+2, Sr+2, Ba+2 (Santos, 1989).
De acordo com a literatura na área de
geotecnia, os cátions de troca quantitativamente
mais importantes no solo são os cátions básicos
Ca+2, Mg+2, K+, Na+, e os cátions ácidos H+ e Al+3.
Um dos conceitos decorrentes da análise química
dos solos mais importantes é a soma das bases
trocáveis (valor S), o qual indica o número de
cargas negativas dos colóides que estão ocupadas
por bases (Pessoa, 2004).
Os principais fatores que afetam a
capacidade de troca de cátions são a espécie e
quantidade de argila e matéria orgânica, superfície
específica, pH (Lopes, 1992). Segundo Stevenson
(1985) citado por Costa, 2002, cerca de 25 a 90%
da capacidade de troca catiônica dos solos de
superfície pode ser atribuída à matéria orgânica.
Em solos arenosos, mesmo pequenas quantidades
de matéria orgânica exercem um papel
extremamente importante na retenção dos cátions.
A Tabela 2.1 apresenta a faixa de valores de
capacidade de troca de cátions para argilominerais
e ácidos húmicos e fúlvicos (Costa, 2002).
Em relação à influência do pH no
processo de troca iônica, tem-se que para soluções
ácidas, o íon H+ presente em altas concentrações
bloqueia a substituição por outros cátions,
resultando em uma menor troca catiônica em
relação a soluções alcalinas (Costa, 2002).
Deve-se lembrar que muitos solos
encontrados no Brasil, apesar de apresentarem alta
porcentagem de argila, comportam-se em termos
de capacidade de troca de cátions de modo
semelhante a solos arenosos. Isto é explicado pelo
fato destas argilas serem, predominantemente de
baixa atividade (caulinita, sesquióxidos de ferro e
alumínio, etc.) (Lopes, 1992).
Carga superficial
Dois tipos de cargas podem ser
distinguidos nos argilominerais: uma carga
permanente resultante da substituição isomórfica
de cátions de alta valência por cátions de baixa
valência na estrutura do cristal, e uma carga
variável resultante da dissociação e/ou associação
de prótons de grupos hidroxílicos pela superfície.
A prevalência da carga permanente exposta nos
planos basais das partículas é uma característica
comum da maioria dos argilominerais. Tanto os
números absolutos ou relativos dos sítios de carga
permanente e variável variam entre os minerais. A
carga superficial de minerais influencia a
microestrutura da argila, o tamponamento e a
troca de íons. Mudanças no pH podem alterar a
carga do mineral via adsorção ou desorção de
cátions não trocáveis.
Em caulinitas, a carga variável domina
nas arestas e nos sítios basais de Alumínio e
Silício do mineral. A carga negativa permanente
da substituição isomórfica de Al+3 por Si+4 é
significativa, e seu valor depende fortemente do
tamanho de partícula (Jozefaciuk, 2002).
2.3.3 – pH.
38
O pH de argilas é provavelmente uma das
medidas mais informativas que pode ser feita para
determinar as suas características, e indica muito
mais do que simplesmente sua acidez ou
basicidade (Thomas, 1996). O valor do pH da
argila é um indicativo da sua capacidade de
retenção de cátions ou de ânions, além de estar
relacionado com a presença de sesquióxidos de
ferro (Fe2O3) e de alumínio (Al2O3), matéria
orgânica e com a concentração de bases (Ca, Mg,
K e Na) (Faria, 2002).
A medida do pH em solução de cloreto
de potássio (KCl) é geralmente utilizada para
verificar a existência de alumínio trocável. O
valor absoluto do pH em KCl possui uma forte
correlação com a saturação de alumínio. A
solução de cloreto de potássio é responsável pelo
deslocamento dos íons H+ e Al+3. O alumínio,
deslocado pelo íon K+ no complexo de troca,
consome íons OH- e aumenta a concentração de
íons H+. Como resultado, o pH da solução tem o
seu valor reduzido. Para solos que possuem carga
elétrica resultante negativa (capacidade de troca
de cátions), a medida do pH em KCl é geralmente
cerca de uma unidade de pH menor do que a
medida do pH em água (Thomas, 1996).
A comparação da medida do pH em KCl
com o pH em água fornece uma noção da natureza
da carga elétrica resultante do sistema coloidal. O
∆pH refere-se à diferença do valor do pH com
uma amostra diluída em uma solução de cloreto
de potássio (KCl) e com o valor do pH com uma
amostra diluída em água destilada. Pela diferença
entre os valores do pH (∆pH), pode-se concluir se
a argila tem capacidade de reter cátions ou ânions.
Se o ∆pH for negativo, a argila tem capacidade de
reter cátions. Se o ∆pH for positivo, a argila tem
capacidade de reter ânions (Faria, 2002).
O pH, além de indicar o grau de acidez
da argila, determina a disponibilidade dos
nutrientes contidos ou adicionados ao solo. A
maior parte dos nutrientes (K, Ca, Mg, N, S, B e
P) encontram-se menos disponíveis em baixos
valores de pH e alguns, como Fe, Cu, Mn e Zn
apresentam comportamento inverso.
Geralmente valores de pH do solo em
torno de 2 ou 3 indica a presença de ácido mineral
livre, usualmente ácido sulfúrico. Este valor de
pH indica não somente a presença de H+, mas
também uma continuidade da sua fonte. As fontes
usuais deste ácido são minerais piríticos, os quais,
após oxidação, formam ácido sulfúrico. Em
valores de pH de 4 a 5, a presença de Alumínio
trivalente trocável está presente em solos minerais
e até em certos solos orgânicos. Em pH acima de
5,5, a química do Alumínio é dominada por uma
mistura complexa de Al-hidróxi íons, muitos deles
altamente polimerizados e virtualmente não
trocáveis. Em muitos solos, a maior parte da
“região de tamponamento” é controlada pelos íons
Al-hidróxi adsorvidos nas partículas de argila e na
matéria orgânica. Do ponto de vista do controle de
acidez do solo, estes compostos Al-hidróxi são
muito bem tamponados e resistem a tendência de
agentes acidificantes (como NH4 presentes nos
fertilizantes). Eles atuam igualmente bem como
“dissipadores” para H+ e OH- e são a maior fonte
da chamada cargadependente do pH. Solos com
valores de pH de 7,6 a 8,3 são geralmente
calcáreos, com predominância dos íons Ca+2 em
solução. Quando os valores de pH são superiores
a 9,0 pode-se inferir a predominância do
carbonato de sódio (Na2CO3). Nesta faixa de pH,
o CaCO3 se torna tão insolúvel que o Na2CO3
tampona o solo. Quando o carbonato de sódio se
torna dominante, não somente o sódio é um
importante cátion nos trocadores do solo, mas o
cálcio deixa de ser importante devido a sua
precipitação como CaCO3 (Thomas, 1996).
Mineralogia.
São os minerais argilosos a primeira
causa da plasticidade de argilas. Em argilas do
mesmo tipo, quanto maior for o teor em minerais
argilosos, maior será a plasticidade. A presença de
minerais acessórios não plásticos (quartzo,
feldspatos, etc.) reduz a plasticidade global das
argilas. Ao se comparar o comportamento plástico
de várias espécies de minerais argilosos, as
montmorilonitas, por exemplo, requerem mais
água que as caulinitas já que, além da água que
em forma de filme envolve as partículas,outra
água ocupa os espaços intercamadas estruturais na
montmorilonita. Caulinitas bem cristalizadas
apresentam menor plasticidade que caulinitas
fracamente cristalizadas, provavelmente porque
estas últimas possuem cristais de dimensão e
espessura média inferiores. Granulometria fina,
clivagem lamelar, proporcionam maior superfície
específica e, por conseguinte, maior plasticidade.
Granulometria
Em geral, nas massas argilosas, um
aumento da percentagem de partículas finas
corresponde a um aumento de plasticidade. A
distribuição dimensional das partículas também é
muito importante. Quanto maior a superfície
específica, maior é a quantidade de água que se
pode fixar na superfície disponível.
Hábito ou forma dos cristais.
39
O hábito lamelar dos argilominerais é um
fator muito influente na plasticidade juntamente
com a fácil clivagem basal. Mas, só por si, o
hábito lamelar e a clivagem basal perfeita, são
pouco influentes. É o caso das micas que, mesmo
quando reduzidas a granulometria extremamente
fina, são muito menos plásticas que qualquer dos
outros minerais argilosos.
Carga elétrica dos cristais
Os minerais argilosos possuem carga
elétrica globalmente negativa para quase todos os
valores de pH, com a qual está relacionada a sua
capacidade de troca catiônica e o seu potencial
eletrocinético. A espessura do filme de água
coordenada ou ligada que envolve as partículas
nas massas argilosas está diretamente relacionada
com o potencial eletrocinético e com o cátion de
troca.
As partículas de argila que fazem parte
de uma massa plástica estão em posição de
equilíbrio entre forças repulsivas devidas as suas
cargas elétricas negativas, balanceadas por forças
atrativas com uma componente de Van der Waals
e outra de tensão superficial devido à água. Os
filmes de água atuam como lubrificante,
facilitando o deslizamento das partículas umas
sobre as outras quando a massa é deformada ou
trabalhada. A coesão é devida as forças de Van
der Waals e a tensão superficial da água.
Como mencionado, as cargas negativas
existentes nas superfícies dos argilominerais são
originadas de substituições isomórficas (cargas
permanentes) e de cargas dependentes do pH. As
cargas dependentes do pH provocam a dissociação
dos grupos OH- presentes nos radicais orgânicos
(matéria orgânica) e minerais, principalmente os
sesquióxidos de ferro e alumínio em valores de
pH elevados. Portanto, a existência de cargas
negativas no meio pode estar relacionada aos
argilominerais e minerais, e à matéria orgânica
presentes na amostra. Além disso, a densidade de
cargas negativas na superfície dos argilominerais
também pode estar relacionado à presença de
microrganismos no meio.
A origem das cargas na superfície
microbiana está em grupos funcionais, tais como
fosfatos, carboxilas e hidroxilas, presentes nas
estruturas da membrana celular, parede celular ou
algum outro envoltório, que são constituídos de
ácidos graxos, aminoácidos, ácidos teicóicos,
lipídeos e polissacarídeos. Similar ao que ocorre
com as superfícies minerais, o potencial
eletrocinético das superfícies microbianas varia de
acordo com o ambiente químico (pH, força iônica,
etc.) a que estas são submetidas. Apesar de
apresentarem tanto sítios positivos como
negativos em sua superfície, a maioria dos
microrganismos tende a apresentar ponto
isoelétrico em valores de pH ácidos, devido ao
grande percentual de grupos aniônicos,
principalmente grupos carboxilas, em detrimento
a grupos catiônicos (Mesquita, 2000).
A capacidade de um microrganismo
aderir-se ou não a superfície de um mineral
dependerá das características da superfície do
mineral e do microrganismo. O pH do sistema
será de grande importância, visto que este
geralmente determinará as cargas de superfície
relativas ao mineral e ao microrganismo
(Mesquita, 2000).
Algumas espécies microbianas excretam
ácidos graxos, lipídeos em seu meio de
crescimento. Assim, tanto a composição da parede
celular quanto os constituintes metabólicos
excretados pelo microrganismo são importantes
na modificação da superfície de um mineral. As
interações entre as células microbianas e as
partículas minerais levam a mudanças
significativas na química de superfície dos
mesmos. Tais alterações superficiais são possíveis
devido à adsorção das células, ou de produtos
excretados por elas, às partículas minerais. Essa
adsorção se processa por meio de mecanismos
como os de interações eletrostáticas e
hidrofóbicas, dependendo da espécie microbiana,
da espécie mineral e do ambiente químico em
questão. Um outro mecanismo possível seria a
ação do metabolismo microbiano, oxidando a
superfície do mineral (Mesquita, 2000).
Natureza dos cátions de troca e do estado de
defloculação da argila.
A natureza do cátion de troca é influente
na plasticidade. Uma argila em que Na+ é o cátion
de troca, requer muito menos água para fluir do
que uma argila em que o Ca2+ ou o Mg2+ são os
cátions de troca.
Preparação de argilas.
A argila é o tipo de mineral mais
difundido, utilizado como material de construção
desde os tempos remotos, e atualmente permanece
como matéria-prima básica para a produção de
materiais de construção de diferentes propósitos.
Porém, matérias-primas argilosas diferem por
estabilidade de propriedades, o que possui um
efeito negativo especialmente em qualidade de
produção. Além disso, muitas regiões não
possuem matérias-primas argilosas de alta
qualidade para a produção de materiais cerâmicos
de construção. Os produtos cerâmicos, que têm
40
como base à utilização destas matérias-primas,
apresentam pequena durabilidade e resistência, e
elevado percentual de defeitos.
A qualidade da produção na indústria é
definida pela qualidade da matéria-prima inicial,
seu processamento e, por último, pela
correspondência do processamento com as
propriedades tecnológicas da matéria-prima. A
qualidade da matéria-prima é inicialmente
caracterizada por sua estrutura química e
granulométrica, o que determina suas
propriedades tecnológicas, baseadas nas
propriedades físicas do material como estrutura,
plasticidade, permeabilidade, retração.
Ceramistas utilizam processos naturais
para manipular e controlar as propriedades dos
seus corpos argilosos. A exposição das argilas ao
sazonamento ou envelhecimento é uma técnica
padrão para aumentar a plasticidade de uma
argila, podendo produzir alguns efeitos desejados
dentro de semanas (Velde, 1995).
No passado, na China e em outros países
Asiáticos, argilas e caulins utilizados na produção
de cerâmicas eram maturados durante anos em
poços úmidos. Pequenas quantidades de resíduos
orgânicos eram adicionadas ocasionalmente à
superfície do material argiloso. Esta prática
provocava uma melhora nas propriedades
cerâmicas destes materiais (Groudeva & Groudev,
1995). Porém, atualmente este procedimento não é
justificado, já que existem fatores econômicos que
obrigam a reduzir o tempo de sazonamento ou
envelhecimento da argila (Abajo, 2000).
Aplicações
A maioria das aplicações da argila
reporta-se ao domínio da cerâmica, onde as suas
propriedades básicas são a plasticidade e o
endurecimento quando cozida ou queimada.
Com base nas argilas cauliníticas obtêm-
se faianças domésticas e sanitárias. As matérias
primas mais ricas em caulinite podem ser
utilizadas em aplicações mais nobres - utilizando
fornos de alta temperatura produzem-se
porcelanas, isto é, produtos brancos e mais
translúcidos, para o uso doméstico, em isoladores
eléctricos ou noutros fins.
Outras aplicações cerâmicas da argila
situam-se no campo da construção civil. Trata-se
da cerâmica estrutural, para a qual se utiliza a
argila do tipo comum. De entre outros produtosfabricados destacam-se a telha e o tijolo.
Outros campos de aplicação da argila
incluem: indústrias do papel, do cimento, de
refractários, da borracha, de aglomerantes de areia
em moldes para fundição, dos plásticos e tintas
plásticas; agricultura; agregados leves
(classificados em três grupos): agregados leves
naturais, agregados leves de sub-produtos
industriais e agregados leves manufacturados.
O elevado poder adsorvente de certos
tipos de argilas, como a bentonite, é usado para a
clarificação de óleos minerais, vegetais e animais,
na filtração de cerveja e na clarificação da água,
etc.
QUÍMICA ORGÂNICA
A divisão da Química em orgânica e
inorgânica se baseou nas conclusões de Lavoisier
que, em 1784, provou que compostos obtidos dos
animais ou vegetais contém carbono.
Compostos orgânicos: obtidos a partir de
organismos vivos.
Compostos inorgânicos: obtidos a partir
de materiais do reino mineral.
Berzélius defendeu a idéia de que os compostos
orgânicos só podiam ser obtidos nos organismos
vivos, e não nos laboratórios. Tal proposição ficou
conhecida como teoria da força vital.
Wöhler obteve a uréia em laboratório em
1828. O mesmo fez Kolbe em 1845 com o ácido
acético. A obtenção em laboratório destas duas
substâncias reconhecidamente orgânicas fez cair
por terra a teoria da força vital. A partir de então
teve início um esforço para a obtenção de outros
compostos orgânicos em laboratório. Hoje, a
quantidade de compostos orgânicos supera em
muito a dos inorgânicos.
Historicamente o nome Química
Orgânica foi mantido. No entanto, indicando o
estudo dos compostos cujas moléculas são
baseadas no elemento químico carbono.
O átomo de carbono
O isótopo mais abundante do carbono é o
de número de Z = 6 e A = 12. Ele é composto por
6 prótons, 6 elétrons e seis nêutrons. Seus elétrons
são distribuídos em duas camadas eletrônicas.
6C → 1s2 2s2 2p2 camada K: 2 elétrons camada
L: 4 elétrons
Os átomos de carbono são tetravalentes e suas
quatro valências são equivalentes entre si.
41
Eles se ligam entre si formando cadeias.
As ligações do átomo de carbono são orientadas
para os vértices de um tetraedro e o ângulo entre
elas é de 109º 28'. Isso possibilita que eles
realizem entre si:
Ligações simples, quando ligados por um vértice,
Ligações duplas, quando ligados por dois vértices,
Ligações triplas, quando ligados por três vértices.
A maneira usada para se explicar as
ligações simples, duplas e triplas realizadas pelos
átomos de carbono é a hibridização. Neste tipo de
situação, orbitais de subníveis diferentes do nível
de valência se mesclam, originando novos orbitais
(híbridos). No estado fundamental, o carbono
apresenta a seguinte configuração eletrônica.
1s2 2s2 2p2
Somente os orbitais do segundo nível é
que participam da hibridização e sempre um dos
elétrons do orbital 2s é "promovido" para o orbital
2p vazio. Este fenômeno só é possível devido a
similaridade energética dos dois orbitais.
2s2 2p2
Após a promoção, dizemos que o átomo
de carbono se encontra no estado ativado.
Na hibridização sp3, o orbital 2s se funde
com os três orbitais 2p, originando quatro orbitais
híbridos sp3 idênticos entre si. Cada um dos
orbitais se orienta segundo os vértice de um
tetraedro regular. Os ângulos entre os eixos de
ligação são de 109°28'.
Todos os orbitais sp3 participam de
ligações sigma, ou seja, o eixo da ligação coincide
com o eixo do orbital. Todas as ligações são
simples.
Na hibridização sp2, o orbital 2s se funde
com dois orbitais 2p, originando três orbitais sp2 e
um p puro. Os três orbitais híbridos sp2 se
orientam de acordo com um triângulo eqüilátero,
os ângulos entre eles são de 120°. O orbital p puro
fica perpendicular ao plano do triângulo.
Os orbitais do tipo sp2 fazem ligações do
tipo sigma e o p puro faz ligações pi (ligação
perpendicular ao eixo do orbital). Duas ligações
são simples e uma é dupla.
Na hibridização sp, o orbital 2s se funde com um
orbital 2p, originando dois orbitais sp e dois p
puros. Estes dois orbitais se ficam no mesmo eixo,
42
guardando um ângulo de 180° um do outro. Os
orbitais p puros são perpendiculares entre si e em
relação ao eixo dos orbitais sp.
Os dois orbitais sp fazem ligações do tipo
sigma e os dois p puros fazem ligações do tipo pi.
Duas ligações simples e uma tripla ou duas
ligações duplas.
Em uma ligação dupla dupla sempre
temos uma sigma e uma pi e em uma ligação
tripla sempre temos uma ligação sigma e duas pi.
Exemplo 1 (PUC - RJ) Quantas ligações pi, no
total, existem no composto representado pela
fórmula abaixo:
a) 2
b) 3
c) 4
d) 5
e) 6
Resolução
Toda ligação simples é sigma, em toda ligação
dupla temos uma sigma e uma pi, em toda ligação
tripla temos uma sigma e duas pi. A alternativa
correta é a e, temos 6 ligações pi no composto
acima.
Exemplo 2 (PUC - RJ) Um composto é
representado pela seguinte fórmula estrutural.
As hibridizações dos átomos de carbono do
composto, contados da esquerda para a direita são:
a) sp3, sp, sp2, sp3
b) sp3, sp2, sp3, sp3
c) sp3, sp2, sp2, sp3
d) sp3, sp2, sp, sp3
e) sp2, sp, sp2, sp2
Resolução
Carbono só com ligações simples é sp3.
Carbono com uma ligação dupla é sp2.
Carbono com uma ligação tripla ou duas duplas é
sp.
A alternativa correta é a b.
Exemplo 3 (Vunesp) Na molécula do propino, o
número de ligações sigma e de ligações pi são,
respectivamente:
a) 2 e 2
b) 5 e 1
c) 5 e 2
d) 6 e 2
e) 7 e 1
Resolução
A molécula de propino possui a seguinte
estrutura: H3C - C CH
Todas as ligações simples são sigma: 5
Na ligação tripla, duas são pi e uma sigma.
total de ligações sigma: 5 + 1 = 6
total de ligações pi: 2
Alternativa correta: d
Cadeias carbônicas
Cadeia carbônica é toda estrutura
formada por átomos de carbono ligados
entre si. Os elementos mais comuns nas
cadeias carbônicas são:
Carbono: é tetravalente e efetua sempre
quatro ligações, que são representadas por traços
ao seu redor. Apesar de poder fazer até quatro
ligações, com um mesmo átomo ele pode efetuar
somente três.
Hidrogênio: é monovalente e efetua somente uma
ligação, que é representada por um traço.
Oxigênio: é divalente e efetua duas ligações, que
são representadas por dois traços. Pode se ligar a
dois átomos ao mesmo tempo ou efetuar suas duas
ligações com o mesmo átomo.
Nitrogênio: é trivalente e efetua três ligações, que
são representadas por três traços. Pode se ligar a
dois ou três átomos ao mesmo tempo, ou ainda,
efetuar suas três ligações com o mesmo átomo.
43
As cadeias orgânicas podem ser
representadas de maneira simplificada. Neste tipo
representação, os traços das ligações com os
átomos de hidrogênio são omitidas.
H H H
| | |
H - C - C - C - H H3C - CH2 - CH3
| | |
H H H
Representação convencional resentação
simplificada
Os átomos de carbono das cadeias podem
ser classificados de acordo com o número de
outros carbonos a que se encontrem ligados.
Carbono primário: ligado a somente um
outro átomo de carbono.
Carbono secundário: ligado a dois outros
átomos de carbono.
Carbono terciário: ligado a três outros
átomos de carbono.
Carbono quaternário: ligado a quatro
outros átomos de carbono.
Para este tipo de classificação não se
considera se a ligação entre os carbonos é simples,
dupla ou tripla, somente o número de carbonos a
que se encontra ligado.
CH3 CH3| |
H3C - C - CH2 - C = CH2
|
CH3
C carbono primário C carbono secundário C
carbono terciário C carbono quaternário
As cadeias orgânicas podem ser divididas em três
grupos:
abertas, acíclicas ou alifáticas: a cadeia não se
fecha em nenhum ponto
H3C - CH2 - CH2 - CH3
fechadas ou cíclicas: a cadeia se fecha, formando
uma figura geométrica
H2C - CH2
| |
H2C - CH2
mistas: presença de cadeia fechada e pelo menos
um carbono fora do anel
H2C - CH - CH2 - CH3
| |
H2C - CH2
Estes tipos de cadeias podem ainda
acumular outras classificações:
Cadeia saturada / insaturada
Na cadeia saturada ocorrem somente
ligações simples entre os átomos de carbono.
Na cadeia insaturada ocorre dupla e/ou
tripla ligação entre átomos de carbono. É bom
lembrar que quando ocorre ligação dupla ou tripla
entre carbono e outro elemento, esta não é
considerada para classificar a cadeia como
insaturada.
H3C - CH2 - CH2 - CH3 cadeia saturad
H3C - CH2 - CH = O cadeia saturada
H3C - CH2 - CH = CH2 cadeia insaturada
Cadeia normal / ramificada
Na cadeia normal não ocorrem "ramos"
ou "galhos", os carbonos são todos primários e
secundários. A cadeia tem um só eixo.
Na cadeia ramificada ocorrem os "ramos"
ou "galhos", deve ocorrer pelo menos um carbono
terciário ou quaternário. A cadeia tem pelos
menos dois eixos.
CH3 CH3
| |
H3C - C - CH2 - C = CH2
|
CH3
Nas posições em que ocorrem carbonos
terciário (C) ou quaternário (C) a cadeia tem dois
eixos, o que a caracteriza como ramificada. A
cadeia abaixo é não ramificada, pois como ela não
possui carbono terciário ou quaternário, poderia
ser escrita em um só eixo (linear).
H3C - CH2 - CH2 - CH3
H3C - CH - CH2 - CH2 - CH3
Cadeia homogênea / heterogênea
Na cadeia homogênea a sequência de
carbonos ocorre sem interrupção de um átomo
diferente. Na cadeia heterogênea existe um átomo
diferente do de carbono que interrompe a
44
seqüência de carbonos. Para funcionar como
heteroátomo, este deve ser, no mínimo, divalente.
H3C - CH2 - CH2 - O - CH2 - CH3
cadeia heterogênea
H3C - CH2 - CH2 - CH2 - CH = O
cadeia homogênea
Átomo diferente do de carbono no final
da seqüência de carbonos não é heteroátomo.
Cadeia homogênea e cíclica é dita
homocíclica. Cadeia heterogênea e cíclica é dita
heterocíclica.
H2C - CH2
| |
H2C - O
cadeia heterocíclica
H2C - CH2
| |
H2C - CH2
cadeia homocíclica
Exemplo 1 (UEL) Na fórmula:
H2C x CH - CH2 – C y N
x e y são, respectivamente, ligações:
a) simples e dupla
b) dupla e dupla
c) tripla e simples
d) tripla e tripla
e) dupla e tripla
Resolução
O átomo de carbono sempre faz um total de
quatro ligações. O átomo de nitrogênio faz um
total de três ligações.
A ligação da posição x une dois átomos de
carbono com somente duas ligações realizadas,
portanto, x é uma ligação dupla. A ligação da
posição y une um átomo de carbono com uma
ligação realizada e um átomo de nitrogênio sem
nenhuma ligação, portanto, y é uma ligação tripla.
A alternativa correta é a letra e.
Exemplo 2 (UFRS) O citral, composto de
fórmula:
tem forte sabor de limão e é empregado em
alimentos para dar sabor e aroma cítricos. Sua
cadeia carbônica é classificada como:
a) homogênea, insaturada e ramificada
b) homogênea, saturada e normal
c) homogênea, insaturada e aromática
d) heterogênea, insaturada e ramificada
e) heterogênea, saturada e aromática
Resolução
A cadeia é homogênea, pois não existe
heteroátomo separando dois átomos de carbono.
Já ficam eliminadas as duas últimas alternativas.
Existe dupla ligação entre átomos de carbono, a
cadeia é insaturada. Fica eliminada a alternativa b.
A cadeia é ramificada e não possui núcleo de
benzeno. Alternativa correta é a a.
Exemplo 3 (Unisinos - RS) Uma cadeia carbônica,
para ser classificada como insaturada, deverá
conter:
a) um carbono secundário
b) pelo menos uma ligação pi entre carbonos
c) um carbono terciário
d) pelo menos uma ramificação
e) um heteroátomo
Resolução
Cadeia insaturada é aquela que possui, pelo
menos, uma dupla ou tripla ligação entre dois
átomos de carbono. A dupla ligação é formada por
uma ligação sigma e uma pi. A tripla ligação é
formada por uma ligação sigma e duas pi.
Portanto, para que uma molécula seja considerada
insaturada, deverá ter uma ligação do tipo pi.
Alternativa correta é a b.
Exemplo 4 (Ibero - Americana - SP) A cadeia
carbônica abaixo pode ser classificada da seguinte
forma:
a) aromática, ramificada, saturada e heterogênea
b) aromática, normal, insaturada e homogênea
c) alicíclica, ramificada, saturada e homogênea
d) alifática, ramificada, insaturada e heterogênea
e) alifática, normal, insaturada e homogênea
Resolução
45
A cadeia não possui núcleo de benzeno, portanto
não é aromática. Eliminadas as alternativas a e b.
A estrutura não é cíclica, portanto não pode ser
alicíclica (que é uma estrutura cíclica não
aromática) Eliminada a alternativa c. A cadeia é
heterogênea (não é normal) pois possui átomo de
oxigênio separando átomos de carbono.
Alternativa e eliminada. A alternativa correta é a
d.
Exemplo 5 (ITE Bauru - SP) O composto
orgânico de fórmula plana abaixo possui:
a) 5 carbonos primários, 3 secundários, 1 terciário
e 2 quaternários
b) 3 carbonos primários, 3 secundários, 1 terciário
e 1 quaternário
c) 5 carbonos primários, 1 secundário, 1 terciário
e 1 quaternário
d) 4 carbonos primários, 1 secundário, 2 terciários
e 1 quaternário
Resolução
Como a estrutura tem 5 extremidades, temos 5
carbonos primários. Eliminadas as alternativas b e
d. Como a estrutura só possui 1 átomo de carbono
ligado a outros quatro, só temos um carbono
quaternário (que é o segundo da esquerda para a
direita). A alternativa correta é a c.
Nomenclatura dos hidrocarbonetos de cadeia
aberta e principais tipos de ramificação
Função Orgânica: é um conjunto de
substâncias com propriedades químicas
semelhantes (propriedades funcionais)
Grupo funcional: é o átomo ou grupo de
átomos responsável(eis) pelas propriedades
químicas dos compostos pertencentes a uma
determinada função química.
Os hidrocarbonetos são moléculas
constituídas exclusivamente por carbono e
hidrogênio. A sua nomenclatura se baseia na
quantidade de carbonos presentes na cadeia e nos
tipos de ligação presentes entre os átomos de
carbono. A nomenclatura dos hidrocarbonetos é a
base para as outras funções orgânicas. O nome de
um composto orgânico deve desempenhar três
funções: mostrar o número de carbonos envolvido
na estrutura, mostrar os tipos de ligação entre os
átomos e identificar a função orgânica a que o
composto pertence.
O prefixo de um nome de molécula
orgânica depende do número de carbonos presente
nesta cadeia. Estes prefixos também são usados na
nomenclatura de outras funções orgânicas.
A nomenclatura de alguns
hidrocarbonetos é bastante simples pois todos os
átomos de carbono se encontram no mesmo eixo.
No caso de a cadeia possuir átomos de carbono
terciário e/ou quaternário, teremos mais de um
eixo na molécula e a nomenclatura passará a
considerar a cadeia principal e suas ramificações.
A cadeia principal é a maior sequência de
carbonos dentro de uma cadeia. No caso dos
alcenos, alcinos e alcadienos, as insaturações
estão sempre (que possível) contidas na cadeia
principal. Acadeia principal deve apresentar
ainda o maior número de radicais (o menos
complexos quanto possível). Nestes compostos, as
insaturações sempre têm prioridade em receber os
menores números.
Todos os átomos de carbono que ficarem
de fora da cadeia principal serão considerados
como ramificações. Ramificações são grupos de
átomos contendo quantidades variáveis de
carbono que ficam como se fossem espetadas na
cadeia principal.
A presença de ramificações ou
insaturações em uma cadeia é informada através
de números dados aos carbonos da cadeia
principal. Na ausência de insaturações, a
numeração deve garantir a utilização dos menores
números possíveis para as ramificações presentes.
As ramificações presentes devem ser citadas de
acordo com a ordem alfabética. A citação de
ramificações repetidas deve ser acompanhada dos
prefixos de quantidade di, tri, tetra, penta, etc,
embora estes prefixos não sejam considerados na
ordem alfabética.
A nomenclatura orgânica oficial
começou a ser criada em 1892 em um congresso
internacional em Genebra, após várias reuniões
surgiu a nomenclatura IUPAC (União
Internacional de Química Pura e Aplicada).
A nomenclatura IUPAC obedece aos
seguintes princípios:
I. Cada composto tenha um único nome
que o distinga dos demais;
II. Dada a fórmula estrutural de um
composto, seja possível elaborar seu nome, e vice-
versa.
46
Obs.: Apesar de a nomenclatura IUPAC ser a
oficial, existem outros tipos de nomenclatura
como por exemplo a nomenclatura usual.
Função Hidrocarboneto (CxHy)
Os compostos pertencentes a esta função
são constituídos exclusivamente por carbono e
hidrogênio, portanto possuem fórmula geral:
CxHy.
Os hidrocarbonetos são muito
importantes porque formam o "esqueleto" das
demais funções orgânicas.
Os Hidrocarbonetos estão divididos em
várias classes, dentre as quais merecem destaque
os alcanos, alcenos (alquenos), alcinos (alquinos),
alcadienos, cicloalcanos, cicloalcenos e os
hidrocarbonetos aromáticos.
Alcanos ou Parafinas
São hidrocarbonetos saturados de cadeia
aberta (acíclica). Possuem fórmula geral: CnH2n+2.
Fundamentos da Nomenclatura Orgânica:
PREFIXO + AFIXO + SUFIXO
Prefixo: indica o número de átomos de carbono
pertencentes a cadeia principal.
1C = met 6C = hex 11C = undec
2C = et 7C = hept 12C = dodec
3C = prop 8C = oct 13C = tridec
4C = but 9C = non 15C = pentadec
5C = pent 10C = dec 20C = eicos
Afixo ou infixo: indica o tipo de ligação entre os
carbonos:
todas simples = an duas duplas = dien
uma dupla = en três duplas = trien
uma tripla = in duas triplas = diin
Sufixo: indica a função química do composto
orgânico:
hidrocarboneto= o
álcool= ol
aldeído= al
cetona= ona
ácido carboxílico= óico
amina= amina
éter= óxi
Nomenclatura dos Alcanos de Cadeia Normal:
Junta-se o prefixo + o infixo + o sufixo.
Por exemplo: metano, etano, propano, butano,
pentano, hexano, heptano, octano, nonano,
decano, undecano, dodecano etc.
Grupos ou Grupamentos derivados dos
alcanos.
Grupamento: é a estrutura que resulta ao
se retirar um ou mais átomos de uma molécula.
Grupamento alquil(a) ou alcoil(a) é o
grupamento formado a partir de um alcano pela
retirada de um átomo de hidrogênio:
Obs.: Apesar da palavra radical ser muito usada
ela está errada o nome correto é grupo ou
grupamento: grupo metil (correto), radical metil
(errado).
Nomenclatura dos Alcanos Ramificados.
Para dar nome a um alcano ramificado,
basta você seguir as seguintes regras estabelecidas
pela IUPAC:
1. considerar como cadeia principal, a
cadeia carbônica mais longa possível; se há mais
de uma cadeia de mesmo comprimento, escolha
como cadeia principal a mais ramificada.
2. numere a cadeia principal de forma
que as ramificações recebam os menores números
possíveis (regra dos menores números).
3. elaborar o nome do hidrocarboneto
citando as ramificações em ordem alfabética,
precedidos pelos seus números de colocação na
cadeia principal e finalizar com o nome
correspondente a cadeia principal.
4. os números são separados uns dos
outros por vírgulas.
5. os números devem ser separados das
palavras por hífens.
Obs.1: no caso de haver dois, três, quatro, etc.
grupos iguais ligados na cadeia principal, usam-se
os prefixos di, tri, tetra, etc. diante dos nomes dos
grupos.
Obs.2: Os prefixos di, tri, tetra, iso, sec, terc, neo
não são levados em consideração na colocação
dos nomes em ordem alfabética.
Alcenos ou Olefinas
Alcenos, alquenos, olefinas ou
hidrocarbonetos etenilênicos são hidrocarbonetos
de cadeia aberta (acíclicos) contendo uma única
dupla ligação. Possuem fórmula geral CnH2n .
Nomenclatura dos Alcenos de Cadeia Normal e
de Cadeia Ramificada
É muito semelhante a nomenclatura
utilizada para os alcanos. Troca-se a terminação
ano do alcano por eno.
1) A cadeia principal é a mais longa que
contém a dupla ligação.
2) A numeração da cadeia principal é
sempre feita a partir da extremidade mais próxima
da dupla ligação, independentemente das
ramificações presentes na cadeia. No nome do
alceno a posição da dupla é dada pelo número do
primeiro carbono da dupla; esse número é escrito
antes do nome do alceno.
47
3) Se houver mais de uma possibilidade
para a cadeia principal adota-se a regra dos
menores números.
Alcinos ou Alquinos
Alcinos, alquinos ou hidrocarbonetos
acetilênicos são hidrocarbonetos acíclicos
contendo uma única ligação tripla. Possuem
fórmula geral CnH2n-2.
Nomenclatura dos Alcinos de Cadeia Normal e de
Cadeia Ramificada
É muito semelhante a nomenclatura
utilizada para os alcanos. Troca-se a terminação
ano do alcano por ino.
1) A cadeia principal é a maior cadeia
que contenha a ligação tripla.
2) A numeração da cadeia é feita a partir
da extremidade mais próxima da ligação tripla.
(As outras regras vistas para os alcenos também
valem par os alcinos).
Alcadienos
São hidrocarbonetos acíclicos (abertos)
contendo duas duplas ligações. Possuem fórmula
geral: CnH2n-2.
Nomenclatura dos Alcadienos de Cadeia Normal e
de Cadeia Ramificada
I. A nomenclatura IUPAC é feita com a
terminação DIENO.
II. A cadeia principal é a mais longa
possível e deve conter as duas duplas ligações.
III. A numeração da cadeia se inicia pela
extremidade mais próxima das duplas ligações de
forma que as duplas ligações fiquem com os
menores números possíveis.
IV. Em caso de empate na posição das
duplas ligações, deve-se numerar a cadeia de
forma que as ramificações fiquem com os
menores números possíveis;
Ciclanos ou Cicloalcanos ou Ciclo-Parafinas
São hidrocarbonetos de cadeia cíclica
(fechada) e saturada. Possuem fórmula geral
CnH2n onde "n" deve ser maior ou igual a 3.
Nomenclatura dos Ciclanos de Cadeia Normal e
de Cadeia Ramificada
I. O nome é dado adicionando-se o
prefixo CICLO ao nome do alcano
correspondente;
II. Quando a cadeia for ramificada, a
numeração da cadeia se inicia a partir da
ramificação mais simples e segue-se o sentido
horário ou anti-horário, de maneira a se respeitar a
regra dos menores números;
III. As ramificações devem ser citadas
em ordem alfabética;
Ciclenos ou Ciclo-Alquenos ou Ciclo-Olefinas
São hidrocarbonetos cíclicos com uma
dupla ligação. A fórmula geral é CnH2n-2;
Nomenclatura dos Ciclenos de Cadeia Normal e
de Cadeia Ramificada
I. O nome é dado adicionando-se o
prefixo CICLO ao nome do alceno
correspondente;
II. Quando a cadeia for ramificada, a
numeração da cadeia se inicia a partir do carbono
da ligação dupla (a dupla deve ficar entre o
carbono 1 e 2) e segue-se o sentido horário ou
anti-horário, de maneira a serespeitar a regra dos
menores números;
I II. As ramificações devem ser citadas em
ordem alfabética;
Álcool (R-OH) (OH ligado a carbono saturado)
I. Troca-se a terminação do
hidrocarboneto correspondente por OL;
II. A cadeia principal é a maior fila de
átomos de carbono que contenha a hidroxila;
III. Quando houver mais de uma
possibilidade para a posição da hidroxila, esta
deve ser numerada;
IV. A numeração da hidroxila se inicia
pela extremidade mais próxima da mesma;
Éter (R-O-R')
Oficial (IUPAC): (grupo menor) ÓXI +
(hidrocarboneto correspondente ao grupo maior)
Fenol (Ar-OH)
Oficial (IUPAC): Usa-se o prefixo HIDRÓXI;
Havendo necessidade de numeração, esta
se inicia pela hidroxila e segue o sentido dos
menosres números;
Obs.: O número "1" atribuído a hidroxila
pode ser omitido;
Usual:
O hidróxi-benzeno é chamado de FENOL
e todos os outros fenóis são considerados como
seus derivados;
Aldeído (H-COH ou R-COH ou Ar-COH)
Oficial (IUPAC): Troca-se a terminação
do hidrocarboneto correspondente por AL;
A numeração se inicial pelo carbono do grupo
funcional;
48
Cetona (R-CO-R' ou R-CO-Ar ou Ar-CO-Ar)
Oficial (IUPAC): Troca-se a terminação
do hidrocarboneto correspondente por ONA;
A numeração da cadeia se inicia pela extremidade
mais próxima da carbonila (-CO-);
Obs.: cetonas insaturadas: posição da insaturação
+ hidrocarboneto correspondente + posição da
carbonila + ONA;
Ácido Carboxílico (H-COOH ou R-COOH ou
Ar-COOH)
Oficial (IUPAC): Troca-se a terminação
do hidrocarboneto correspondente por ÓICO;
ÁCIDO + hidrocarboneto correspondente +
ÓICO;
Éster (H-COO-R ou R-COO-R ou Ar-COO-R
ou Ar-COO-Ar)
Oficial (IUPAC): Substitui-se a
terminação ICO do ácido carboxílico
correspondente por ATO e acrescenta-se o nome
do grupamento ligado ao oxigênio;
Obs.: o nome do grupamento deve terminar com
ILA e não com IL. EX.: metila, etila etc.
Obs.: Um raciocínio mais fácil é acrescentar ATO
ao hidrocarboneto correspondente, não sendo
assim necessário, raciocinar com o ácido
carboxílico correspondente;
Amina (R-NH2 ou R-NH-R' ou R-NR'-R'')
Oficial (IUPAC): (grupos ligados ao N) +
AMINA;
Obs.: Os grupamentos ligados ao N devem ser
colocados em ordem alfabética (a ordem crescente
de complexidade não é recomendada pela
IUPAC);
Amida (H-CONH2 ou R-CONH2 ou Ar-
CONH2; ou H-CONH-R' ou R-CONH-R' ou
Ar-CONH-R'; ou H-CONR'-R'' ou R-CONR'-R''
ou Ar-CONR'-R'').
São compostos que apresentam o seguinte grupo
funcional:
Oficial (IUPAC): Troca-se a terminação
ICO do ácido carboxílico correspondente por
AMIDA;
Obs.: Um raciocínio mais fácil é acrescentar
AMIDA ao hidrocarboneto correspondente, não
sendo assim necessário raciocinar com o ácido
carboxílico correspondente; (raciocínio
semelhante foi proposto para os ésteres).
Haleto Orgânico (Compostos derivados dos
hidrocarbonetos pela substituição de um ou mais
hidrogênios por halogênios(F, Cl, Br, I).
Oficial (IUPAC): Considera-se os haletos
como derivados dos hidrocarbonetos
correspondentes;
O nome do halogênio antecede ao nome
do hidrocarboneto como se fosse um grupamento
qualquer;
Obs.: Se na cadeia existir apenas halogênios como
ramificações, a numeração da cadeia se inicia pela
extremidade mais próxima destes, mas se existir
qualquer outro grupo ligado a cadeia principal a
numeração se inicia pela extremidade onde seja
possível se obter os menores números possíveis.
Anidrido; São compostos que apresentam o
seguinte grupo funcional:
Obs.: Os anidridos são considerados como
derivados dos ácidos carboxílicos;
Nos anidridos com cadeias carbônicas iguais,
deve-se mencionar o nome do ácido
correspondente, precedido da palavra
ANIDRIDO;
Quando o anidrido possuir cadeias diferentes
deve-se escrever primeiro o nome do menor ácido
existente;
Exemplo 1 (CESGRANRIO) Assinale a
alternativa que indica o nome do composto
abaixo:
a) 3,3-dimetil-4-propil-hexano
b) 3,3-dimetil-4-propil-dodecano
c) 4-etil-3,3-dimetil-dodecano
d) 4-etil-3,3-dimetil-heptano
e) 5,5-dimetil-4-etil-heptano
Resolução
A mais longa seqüência de carbonos na estrutura
proposta é justamente a linha horizontal que
possui 7 átomos de carbono. Como não temos
49
insaturação, o composto é um alcano, ou seja,
heptano. Já estão eliminadas as alternativas a, b e
c. A alternativa correta é a d, pois considera os
menores números para as ramificações.
Exemplo 2 (CESGRANRIO) Assinale a única
afirmativa correta, com relação ao composto que
apresenta a estrutura abaixo:
O composto:
0a) é um alqueno
b) apresenta um radical n-propila ligado ao
carbono 4
c) apresenta dois radicais propila
d) apresenta três radicais etila
e) apresenta dois radicais etila
Resolução
A alternativa a está incorreta pois o composto não
possui ligação dupla.
A maior seqüência de carbonos no composto é a
horizontal com oito átomos de carbono. Com isso,
temos como ramificações: um metila, dois etila e
um isopropila. Só resta como correta a alternativa
e.
Exemplo 3 (UFSE) O hidrocarboneto que
apresenta a fórmula abaixo pertence à série dos:
CH2 = CH - CH = CH2
a) alcanos
b) alcenos
c) alcinos
d) alcadienos
e) alcatrienos
Resolução
Presença de somente átomos de C e H e de duas
ligações duplas. Alternativa correta d.
PETRÓLEO BRUTO
Petróleo bruto é o termo para o óleo não
processado. Ele também é conhecido apenas como
petróleo. O petróleo bruto é um combustível
fóssil, o que significa que ele é formado pelo
processo de decomposição de matéria orgânica,
restos vegetais, algas, alguns tipos de plâncton e
restos de animais marinhos ocorrido durante
centenas de milhões de anos na história geológica
da Terra. Os tipos de petróleo bruto podem
apresentar cores diferentes, de claros a negro,
assim como viscosidades diferentes, que podem
ser semelhantes à água ou quase sólidas.
O petróleo bruto é o ponto de partida
para muitas substâncias diferentes porque contém
hidrocarbonetos. Os hidrocarbonetos são
moléculas que contém hidrogênio e carbono e
existem em diferentes tamanhos e estruturas, com
cadeias ramificadas e não ramificadas e anéis.
Duas características são importantes nos
hidrocarbonetos:
Eles contêm muita energia. Muitos
dos produtos derivados de petróleo bruto
como a gasolina, óleo diesel, parafina sólida e
assim por diante são úteis graça a essa energia;
Eles podem ter formas diferentes. O
menor hidrocarboneto é o metano (CH4), um
gás mais leve do que o ar. Cadeias mais longas
contêm cinco carbonos ou mais e são líquidos;
já nas cadeias muito longas há
hidrocarbonetos sólidos, como a cera. Ao ligar
quimicamente cadeias de hidrocarbonetos
artificialmente, obtemos vários produtos, que
vão da borracha sintética até o náilon e o
plástico de potes para alimentos.
As principais classes de hidrocarbonetos em
petróleo bruto incluem:
Parafinas
fórmula geral: CnH2n+2 (n é um número
inteiro, geralmente de 1 a 20).
as moléculas são cadeias ramificadas ou
não.
em temperatura ambiente podem ser gases
ou líquidos, dependendo da molécula.
exemplos: metano, etano, propano, butano,
isobutano, pentano, hexano.
Aromáticos:
fórmula geral: C6H5 - Y (Y é uma
molécula mais longa e não ramificada que
se conecta a anéis benzênicos).
estruturas em anel, com um ou mais anéis.
os anéis contêm seis átomos de carbono,
com ligações duplas e simples alternando-
se entre os carbonos.
gralmente são líquidos. Exemplos:
benzeno, naftaleno.
Naftenos ou cicloalcanos:
fórmula geral: CnH2n (n é um número
inteiro, geralmente de 1 a 20).
50
estruturas em anel, com um ou maisanéis.
os anéis contêm apenas ligações simples
entre os átomos de carbono.
em temperatura ambiente, geralmente são
líquidos. Exemplos: ciclohexano,
metilciclopentano.
Outros hidrocarbonetos:
Alcenos
fórmula geral: CnH2n (n é um número
inteiro, geralmente de 1 a 20).
moléculas de cadeias ramificadas ou
não que contêm uma ligação dupla
carbono-carbono.
Podem apresentar-se nos estados
líquido ou gasoso. Exemplos: etileno,
buteno, isobuteno.
Dienos e Alcinos:
fórmula geral: CnH2n-2 (n é um número
inteiro, geralmente de 1 a 20).
moléculas de cadeias ramificadas ou
não que contêm duas ligações duplas
carbono-carbono.
podem apresentar-se nos estados
líquido ou gasoso. Exemplos:
acetileno, butadieno.
Em média, o petróleo bruto contém os
seguintes elementos ou compostos:
carbono - 84%
hidrogênio - 14%
enxofre - de 1 a 3% (sulfeto de
hidrogênio, sulfetos, dissulfetos, enxofre
elementar)
nitrogênio - menos de 1% (compostos
básicos com grupos amina)
oxigênio - menos de 1% (encontrado
em compostos orgânicos como o
dióxido de carbono, fenóis, cetonas e
ácidos carboxílicos)
metais - menos de 1% (níquel, ferro,
vanádio, cobre, arsênio)
sais - menos de 1% (cloreto de sódio, cloreto de
magnésio, cloreto de cálcio)
PRODUTOS DERIVADOS DO
PETRÓLEO BRUTO
O petróleo bruto contém centenas de
diferentes tipos de hidrocarbonetos misturados e,
para separá-los, é necessário refinar o petróleo.
As cadeias de hidrocarbonetos de
diferentes tamanhos têm pontos de ebulição que
vão aumentando progressivamente, o que
possibilita separá-las através do processo de
destilação. É isso o que acontece em uma refinaria
de petróleo. Na etapa inicial do refino, o petróleo
bruto é aquecido e as diferentes cadeias são
separadas de acordo com suas temperaturas de
evaporação. Cada comprimento de cadeia
diferente tem uma propriedade diferente que a
torna útil de uma maneira específica.
Para entender a diversidade contida no
petróleo bruto e o motivo pelo qual o seu refino é
tão importante, veja uma lista de produtos que
obtemos a partir do petróleo bruto:
gás de petróleo: usado para aquecer,
cozinhar, fabricar plásticos:
alcanos com cadeias curtas (de 1 a 4
átomos de carbono)
normalmente conhecidos pelos nomes de
metano, etano, propano, butano
faixa de ebulição: menos de 40°C
são liquefeitos sob pressão para criar o
GLP (gás liquefeito de petróleo).
nafta: intermediário que irá passar
por mais processamento para produzir
gasolina
mistura de alcanos de 5 a 9 átomos de
carbono
faixa de ebulição: de 60 a 100°C.
gasolina: combustível de motores
líquido
mistura de alcanos e cicloalcanos (de 5 a
12 átomos de carbono)
faixa de ebulição: de 40 a 205°C.
querosene: combustível para motores
de jatos e tratores, além de ser material inicial
para a fabricação de outros produtos
líquido
mistura de alcanos (de 10 a 18 carbonos) e
aromáticos
faixa de ebulição: de 175 a 325°C.
gasóleo ou diesel destilado: usado
como diesel e óleo combustível, além de ser
um intermediário para fabricação de outros
produtos.
líquido
alcanos contendo 12 ou mais átomos de
carbono
faixa de ebulição: de 250 a 350°C.
51
óleo lubrificante: usado para óleo de
motor, graxa e outros lubrificantes
líquido
alcanos, cicloalnos e aromáticos de cadeias
longas (de 20 a 50 átomos de carbono)
faixa de ebulição: de 300 a 370°C.
petróleo pesado ou óleo
combustível: usado como combustível
industrial, também serve como intermediário
na fabricação de outros produtos
líquido
alcanos, cicloalcanos e aromáticos de
cadeia longa (de 20 a 70 átomos de
carbono)
faixa de ebulição: de 370 a 600°C.
resíduos: coque, asfalto, alcatrão,
breu, ceras, além de ser material inicial para
fabricação de outros produtos
sólido
compostos com vários anéis com 70
átomos de carbono ou mais
faixa de ebulição: mais de 600°C
Você pode ter notado que todos esses
produtos têm tamanhos e faixas de ebulição
diferentes. Os químicos tiram vantagem dessas
propriedades ao refinar o petróleo.
O processo
Como já mencionamos, um barril de
petróleo bruto é composto por diversos tipos de
hidrocarbonetos. O refino de petróleo separa tudo
isso em várias substâncias úteis. Para isso, os
químicos seguem algumas etapas.
1. A maneira mais antiga e comum
de separar os vários componentes
(chamados de frações) é usar as diferenças
entre as temperaturas de ebulição. Isso é
chamado de destilação fracionada.
Basicamente, esquenta-se o petróleo bruto
deixando-o evaporar e depois condensa-se
este vapor.
2. Técnicas mais novas usam o
processamento químico, térmico ou
catalítico, em algumas das frações para
criar outras, em um processo chamado de
conversão. O processamento químico, por
exemplo, pode quebrar cadeias longas em
outras menores. Isso permite que uma
refinaria transforme óleo diesel em
gasolina, de acordo com a demanda por
gasolina.
3. As refinarias devem tratar as
frações para remover as impurezas.
4. As refinarias combinam as
várias frações (processadas e não
processadas) em misturas para fabricar os
produtos desejados. Por exemplo, as
diferentes misturas de cadeias podem criar
gasolinas com diferentes índices de
octanagem.
Os produtos são armazenados no local
até que sejam entregues aos diferentes
compradores, como postos de gasolina, aeroportos
e fábricas de produtos químicos. Além de fazer
produtos baseados no petróleo, as refinarias
também devem tratar os dejetos envolvidos nos
processos para minimizar a poluição do ar e da
água.
Processamento químico
Pode-se transformar uma fração em outra
usando um destes três métodos:
dividindo grandes cadeias de
hidrocarbonetos em pedaços menores
(craqueamento);
combinando pedaços menores para
criar outros maiores (reforma);
rearranjando vários pedaços para fazer
os hidrocarbonetos
desejados(alquilação).
Craqueamento.
O craqueamento divide grandes cadeias
de hidrocarbonetos em pedaços menores.
52
O craqueamento divide cadeias grandes em outras
menores.
Há vários tipos de craqueamento.
Térmico: grandes cadeias de
hidrocarbonetos são aquecidas a altas
temperaturas (e algumas vezes a altas
pressões também) até que elas se
quebrem (craqueiem).
v
a
p
o
r
:
v
a
p
o
r
d
e
a
l
ta temperatura (816°C) é usado
para craquear etano, butano e
nafta em etileno e benzeno, que
são usados para fabricar produtos
químicos;
viscorredução: os resíduos
da torre de destilação são
aquecidos (482°C), resfriados
com gasóleo e rapidamente
colocados em uma torre de
destilação. Este processo reduz a
viscosidade de óleos pesados e
produz o alcatrão;
coqueamento: os resíduos
da torre de destilação são
aquecidos a temperaturas acima
de 482°C até que se quebrem em
óleo pesado, gasolina e nafta. Ao
final do processo, sobra um
resíduo pesado, quase puro, de
carbono (coque). O coque é
limpo e vendido.
Catalítico: usa um catalisasor para
aumentar a velocidade da reação de
craqueamento. Os catalisadores incluem
a zeólita, hidrossilicato de alumínio,
bauxita e alumino-silicatos.
craqueamento catalítico
fluido ("fluid cracking
catalysis", FCC): um
catalisador fluido aquecido
(538°C) craqueia gasóleo
pesado em óleo diesel e
gasolina;
hidrocraqueamento:
semelhante ao craqueamento
catalítico fluído, mas usa um
catalisador diferente,
temperaturas menores, pressão
maior e gás hidrogênio. Ele
craqueia o óleo pesado em
gasolina e querosene
(combustível de aviação).
Após vários hidrocarbonetos terem sido
craqueadosem outros menores, os produtos
passam por mais uma coluna de destilação
fracionada para separá-los.
Reforma.
Algumas vezes, é preciso combinar
hidrocarbonetos menores para fazer outros
maiores. Este processo é chamado de reforma. O
principal processo à reforma catalítica, que utiliza
um catalisador (platina, mistura platina-rênio)
para transformar nafta de baixo peso molecular
em compostos aromáticos, usados na fabricação
de produtos químicos e para misturar na gasolina.
Um subproduto importante dessa reação é o gás
Foto cedida Phillips Petroleum
Company
Catalisadores usados no
craqueamento ou reforma catalítica
53
hidrogênio, usado para o hidrocraqueamento ou
vendido.
Um reformador combina cadeias de
hidrocarbonetos
Alquilação.
Às vezes, as estruturas de moléculas em
uma fração são rearranjadas para produzir outra.
Isso normalmente é feito por meio de um processo
chamado alquilação. Na alquilação, compostos de
baixo peso molecular, como o propileno e o
buteno, são misturados na presença de um
catalisador como o ácido fluorídrico ou ácido
sulfúrico (um subproduto da remoção de impureza
de muitos produtos do petróleo). Os produtos da
alquilação são hidrocarbonetos ricos em octanas,
usados em tipos de gasolina para reduzir o poder
de detonação.
Reorganizando cadeias
Agora que vimos como as diferentes
frações são alteradas, vamos discutir como elas
são tratadas e misturadas para fabricar os produtos
que são comercializados.
Uma refinaria de petróleo é uma combinação de
todas essas unidades.
Tratando e misturando as frações obtidas no
refino de petróleo.
Frações destiladas e processadas
quimicamente são tratadas para que as impurezas
como compostos orgânicos contendo enxofre,
nitrogênio, oxigênio, água, metais dissolvidos e
sais inorgânicos sejam removidas. O tratamento
costuma ser feito ao passar as frações pelas
seguintes etapas:
uma coluna de ácido sulfúrico
remove hidrocarbonetos insaturados (os que
possuem ligações duplas carbono-carbono),
compostos de nitrogênio, compostos de
oxigênio e sólidos residuais (alcatrão, asfalto).
uma coluna de absorção preenchida
com agentes secantes para remover a água.
tratamento para remover o enxofre e
compostos de enxofre.
Após o tratamento das frações, elas são
resfriadas e misturadas para formar vários
produtos, tais como:
gasolina de vários tipos, com ou sem
aditivos.
óleos lubrificantes de diferentes pesos
moleculares e tipos (por exemplo, 10W-40,
5W-30).
querosene de vários tipos.
combustível de aviação.
óleo diesel.
óleo combustível.
diferentes tipos de produtos químicos
para a produção de plásticos e outros
polímeros.