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AP 1 Gabarito e critérios L. portuguesa I

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Literatura Portuguesa 1 - AP1 2013
Faça uma pequena reflexão sobre o movimento de celebração e luto que marca a identidade portuguesa e escreva sobre o assunto, inspirando-se nas diversas partes de Os Lusíadas, de Camões. 
Camões “canta” a pátria portuguesa na Proposição (“armas e os barões assinalados”), na Invocação (as Tágides), na Dedicatória (elogio ao rei D. Sebastião) e em grande parte da Narração. Mas também se lamenta diante das vaidade, da cobiça, dos vícios e da corrupção através dos comentários (excursos) ao longo do poema, como pelas advertências do velho do Restelo e pelas profecias do gigante Adamastor. Para o crítico Eduardo Lourenço trata-se de um movimento alternado de “sinfonia e réquiem”. 
Explique o mito providencialista da identidade portuguesa através de uma frase que mencione a sua origem, a batalha, os lados oponentes em luta, o autor da ação milagrosa, o nome do chefe que foi aclamado rei, a Crônica que registrou o acontecimento e seu suposto cronista. 
O mito providencialista se relaciona às lutas de Reconquista do território lusitano quando Cristo teria aparecido a Afonso Henriques prometendo-lhe a vitória na batalha de Ourique contra os mouros, fato que se concretiza e que leva à sua aclamação como 1º Rei de Portugal. Este milagre consta da Crônica de Portugal que teria sido escrita 200 anos depois pelo cronista Fernão Lopes. 
Relacione pelo menos um argumento que comprove a permanência de formas teatrais vicentinas na atualidade, tendo por referência o Auto da compadecida, do brasileiro Ariano Suassuna.
O teatro de Gil Vicente mistura temas profanos e religiosos (Ex.: Auto da Mofina Mendes ou dos Mistérios da Virgem), assim como vemos no auto contemporâneo brasileiro em que há cenas profanas (peripécieas cômicas de João Grilo e Chicó) e cenas religiosas, como o julgamento final diante de Cristo, do Diabo e da Virgem. O tema do aultério também é comum nos dois autos: a ama e seus amantes no Auto da Índia e as traições da mulher do padeiro no auto brasileiro. 
Explique o título Viagens (no plural) dado ao romance de Garrett? 
 Garrett viaja de muitos modos neste romance. A princípio faz uma viagem real, de Lisboa a Santarém, entrando Tejo a dentro ao contrário do percurso dos navegantes. Dentro desta viagem ocorre uma outra viagem ao passado recente de Portugal, quando narra a guerra civil e os amores de Carlos. Ao longo do romance há ainda uma viagem através das digressões do Narrador por muitos temas e questões que preocupam os portugueses.
Considere a afirmação a seguir, identifique-a e reescreva-a com as suas palavras, exemplificando: “Os três espaços – casa, homem e texto – se entrelaçam em A Ilustre Casa de Ramires, ao mesmo tempo em que se refletem mutuamente.” (PADILHA, 1989, p. 15) 
Neste último romance de Eça de Queirós, a família Ramires é a “casa” que representa o próprio Portugal em decadência a ser reformado. O último herdeiro (Gonçalo) é o “homem” que assume este papel ao escrever o “texto” reabilitador dos portugueses (a novela “A torre de D. Ramires”). Os três elementos se entrelaçam e se refletem mutuamente, ora de modo negativo, ora de modo positivo ao longo do romance.
 
Comente a seguinte crítica sobre Cesário Verde: "É uma poesia do trabalho útil [...].  E uma linguagem nova, de seiva burguesa e popular, rica de termos concretos, bastante dúctil e atrevida, para sugerir a mistura de sensações e as rápidas interferências do físico e do anímico, uma linguagem impressionista e fantasista, e, ao mesmo tempo, nervosa, sacudida, coloquial" (COELHO, 1961, pp. 184-185). 
A poesia de Cesário Verde mostra simpatia por figuras populares, como a engomadeira, a vendedora de frutas, os padeiros, os carpinteiros, as varinas, etc, valorizando o mundo do trabalho útil em oposição ao ócio inútil dos ricos. Ao transitar pela cidade, o poeta registra as suas sensações sinestésicas, usando uma linguagem ao mesmo tempo objetiva e subjetiva (impressionista) que reproduz o nervoso movimento citadino e o tom coloquial da população .

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