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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POLICIA CIVIL

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Agente e Escrivão de Polícia de 3ª Classe, para contratação, 
de Agente e Escrivão de Polícia Substitutos, a uma remuneração, muito abaixo, dos 
policiais que encontram-se já em efetivo serviço público, tornando notório o desvio 
de finalidade da presente Lei. 
A Lei n.º 4.717, de 29 de junho de 1965, que regula a ação popular, 
retrata para fins meramente didáticos e instrutivos o que se entende por desvio de 
finalidade, em seu artigo 2º, alínea “e”, e também na alínea “e”, de seu parágrafo 
único, o que será também demonstrado para fins de se deixar exposto o desvio de 
finalidade da Lei ora impugnada, in verbis: 
 
Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo 
anterior, nos casos de: 
(...) 
e) desvio de finalidade. 
Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as 
seguintes normas: 
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(...) 
e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim 
diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. 
[grifo e negrito não originais] 
 
Nota-se que os atos perpetrados pelo administrador público, seja em 
suas competências típicas ou atípicas, que tenham em suas raízes propósitos que 
não sejam os previstos pela Constituição ou Leis infraconstitucionais, obedecida à 
hierarquia das normas, devem ser anulados (leia-se: retirados do mundo jurídico por 
manifesta inconstitucionalidade e\ou ilegalidade). 
No caso sub judice, é de competência do Governador do Estado 
iniciativa de Lei que disponha sobre os servidores públicos, criação ou extinção de 
cargos e seus respectivos subsídios. É o que dispõe a alínea b, do inciso II do §1º 
do artigo 20, assim como no inciso XII do artigo 37, ambos da Constituição do 
Estado de Goiás: 
 
Art. 20. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou 
comissão da Assembleia Legislativa, ao Governador do Estado, ao Tribunal de 
Justiça, ao Procurador-Geral de Justiça e aos cidadãos, na forma e nos casos 
previstos nesta e na Constituição da República. 
§ 1º São de iniciativa privativa do Governador as leis que: 
(...) 
II - disponham sobre: 
(...) 
b) Os servidores públicos do Estado, seu regime jurídico, a criação e o provimento de 
cargos, empregos e funções na administração direta, autárquica e fundacional do 
Poder Executivo, a estabilidade e aposentadoria, e a fixação e alteração de sua 
remuneração ou subsídio; 
(...) 
Art. 37 - Compete privativamente ao Governador do Estado: 
(...) 
XII – prover e extinguir os cargos públicos estaduais, na forma da lei; 
 
Muito embora, seja competência do Governador do Estado de Goiás a 
iniciativa de leis que disponham sobre os servidores públicos, assim como o 
provimento e a extinção de cargos públicos, e ainda conste da referida Lei, a 
“criação” de cargos, restou demonstrado que a finalidade de tal norma, é outra, a 
saber, a redução de gastos com a remuneração de policiais civis em início de 
carreira. 
Desse modo, não afigura-se, na norma legal questionada qualquer 
razoabilidade, tampouco proporcionalidade, diante da gritante redução salarial e da 
aviltante extensão da carreira, de uma classe tão importante para toda a 
coletividade, devendo esta ser melhor remunerada e gratificada pelo esmero em seu 
labor cotidiano, além de merecer melhor tratamento pelo Estado em retribuição às 
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consequências físicas ao ser humano policial que encontra-se diuturnamente 
enfrentando o perigo em prol do cidadão. 
Mais a mais, questiona-se o motivo pelo qual a legislação prevê a 
redução da classe inicial dos respectivos cargos da Lei anterior (3ª Classe, nível I), 
transferindo em número exato as vagas para os cargos ‘criados’ pela supradita Lei. 
Se houvesse realmente interesse do Poder Público em prover, municiar ou 
abastecer de funcionários públicos a serem lotados na Polícia Civil, auxiliando 
destarte a população a obter um melhor e mais efetivo serviço de segurança pública, 
não haveria supressão daquelas vagas. 
Assim, tendo havido desvio de finalidade, da norma atacada, a sua 
inconstitucionalidade se aflora cristalina. 
 
2.2.2 Da inconstitucionalidade decorrente da afronta ao princípio da 
irredutibilidade de subsídios, prevista no artigo 92, inciso XVII, e artigo 95, II, 
ambos da Constituição do Estado de Goiás, bem como no artigo 37, inciso XV, 
da Constituição Federal: 
 
Os Policiais Civis e Escrivães de Polícia exercem um mister 
fundamental para a garantia da paz social, principalmente no que se refere à 
investigação de delitos, prezando sempre pela boa e fiel aplicação da Lei penal ao 
caso concreto, visando sempre reprimir o infrator e dar segurança ao sujeito de bem, 
trabalhador, o que demonstra que a criação destes ‘novos cargos’ e com a previsão 
salarial do art. 4º não guarda qualquer proporcionalidade e é, de fato, uma vergonha. 
 O regime jurídico dos servidores públicos até pode ser alterado, desde 
que preservado o valor global da sua remuneração, o que significa dizer que não 
cabe ao administrador público simplesmente elaborar uma Lei com o fim específico 
de diminuir o quantitativo de um determinado cargo com remuneração já prevista, 
para a incorporação em outro cargo, criado para exercer as mesmas atribuições 
funcionais, percebendo subsidio ínfimo. O que deixa claro e evidente a desvirtuação 
da Lei e, via de consequência, a infração ao valor global da remuneração do 
servidor, lesionando frontalmente os preceitos da Constituição Estadual, mormente 
aos princípios implícitos da proporcionalidade, razoabilidade, isonomia e o princípio 
explicito da irredutibilidade de subsídios. 
A Lei, ora em discussão, se justifica no argumento de hipotético 
aumento do efetivo de policiais, para reforço dos trabalhos de Segurança Pública em 
nosso Estado. Contudo, não há, em verdade, criação de novas vagas para 
incremento dos quadros de Agentes e Escrivães da Polícia Civil do Estado de Goiás, 
mas tão somente um remanejamento de vagas, com a condenável finalidade de 
reduzir os gastos com a Segurança Pública, com a contratação de mão de obra 
barata, para a prestação de serviço público de tamanha importância, quando a 
imperiosa necessidade é que medida inversa fosse tomada. 
Contudo, conforme já demonstrado acima, a malfada Lei Estadual, não 
acrescenta um único novo cargo ao efetivo da Polícia Civil, se limitando, tão 
somente, a um manejo legislativo, com o único objetivo de diminuir a remuneração 
dos policiais civis, e assim reduzir os gastos do Governo do Estado de Goiás com a 
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Segurança Pública. Uma vez que serão reduzidos os cargos de Agente e Escrivão 
de Polícia de 3ª Classe, para contratação, de Agente e Escrivão de Polícia 
Substitutos, a uma remuneração, muito abaixo, dos policiais que encontram-se já em 
efetivo serviço público. 
O artigo 4º, da norma estadual sob ataque, prevê como subsidio para 
os Agentes e Escrivães de Polícia, substitutos, nos quadros da Polícia Civil do 
Estado de Goiás, o valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Vejamos: 
 
Art. 4º O subsidio dos cargos de Escrivães de Polícia Substituto e Agente de Polícia 
Substituto é

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