A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
3 pág.
Regime diferenciado de contratação (RDC) - Resumo (parte 2)

Pré-visualização|Página 1 de 3

1
Contratação Integrada
A contratação integrada talvez seja uma das principais guras do RDC. Para melhor
entender o instituto, precisamos revisar alguns conceitos básicos da Lei 8666, como “Pro-
jeto Básico” e “Projeto Executivo”.
Em relação às obras e serviços, importante mencionar que a L8666 exige que seja elabo-
rado previamente à licitação um projeto básico, que irá delinear o objeto a ser licitado e
nortear toda a contratação.
Em que consiste este “projeto básico”?
É um instrumento elaborado na fase interna e que é essencial para a condução de todo o
procedimento licitatório, uma vez que deve especicar minuciosamente o objeto da con-
tratação e conter elementos como o “orçamento detalhado do custo global da obra”.
A Lei nº 8666/93 explica melhor tal importância em seu art. 6º, IX. Nesse sentido, o Tribu-
nal de Contas da União tem entendido que o projeto básico deve ser adequado e atuali-
zado, contendo todos os requisitos da L8666.
No entanto, caso seja adotado o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), regula-
mentado pela Lei 12462/11, a sistemática é um pouco diferente.
Isso porque a Lei não exige que o projeto básico necessariamente seja prévio à licitação
e nem que seja realizado pela Administração. Nesse sentido, há a previsão do importan-
tíssimo instituto da contratação integrada (art 9º, § 1º): envolve a elaboração, pelo par-
ticular, dos projetos básico e executivo, a execução da obra, os testes de operação e
todas as demais etapas necessárias para a entrega nal do objeto.
É o que alguns autores chamam de “contratação turn key” ou EPC (Engineering, Pro-
curement and Construction)”, pois o particular formula todo o projeto, executa a obra e
a entrega pronta para a Administração, que precisaria “ligar a chave”, semelhantemen-
te ao que ocorre no regime de empreitada integral previsto na L8666.
A grande diferença da contratação integrada para a empreitada integral da L8666 é
a desnecessidade de elaboração prévia do projeto básico, o qual, conforme vimos na
leitura do art. 7º, §2º da L8666, constitui condição indispensável e necessária para a rea-
lização da licitação.
Regime Diferenciado De Contratações
Licitações (Parte 13)
Direito Administrativo II

2
Nesse sentido, a L8666, além de vedar a realização de licitação sem prévio projeto básico,
também veda que o mesmo particular que eventualmente tenha contribuído para o pro-
jeto básico ou executivo participe direta ou indiretamente das demais etapas da licitação:
Na contratação integrada do RDC, por outro lado, o próprio licitante vencedor será o
responsável pela elaboração tanto do projeto básico quanto do projeto executivo, sendo
estes apenas etapas da “contratação turn key” (arts. 8.º, § 5.º, e 9.º, § 1.º, da Lei 12462).
Não obstante, o art. 9º, §2º, I da L12416 exige que o edital seja acompanhado de um “an-
teprojeto de engenharia”, que deverá conter algumas informações como a demonstra-
ção e a justicativa do programa de necessidades, a visão global dos investimentos
e as denições quanto ao nível de serviço desejado, a estética do projeto arquitetô-
nico, os parâmetros de adequação ao interesse público.
Em outras palavras, ainda que na contratação integrada do RDC o particular seja o res-
ponsável pela elaboração dos projetos básico e executivo, tal alocação não dispensa o
poder público de trazer alguns parâmetros e elementos básicos de denição do objeto
no edital de licitação, que deverão constar no referido anteprojeto de engenharia. Esta
também vem sendo uma exigência reiterada na jurisprudência do TCU.
Por m, importante informar que algumas dessas peculiaridades do RDC são objeto de
uma ADIn (4645) ajuizada pelo Procurador-Geral da República. Por sua importância, reco-
mendamos seu acompanhamento para ns de prova.
Locação “built to suit”
Uma novidade importante trazida pela recente Lei 13190/15 foi a chamada “locação
built to suit”, conhecida como “locação sob medida” ou “locação sob encomenda”.
Nesse tipo de contrato de locação, um determinado investidor (futuro locador) normal-
mente adquire um bem para nele fazer uma construção ou reforma substancial, nos mol-
des determinados pelo futuro locatário, que pagará ao empreendedor alugueres pelo
uso do bem e pelo investimento realizado.
Tais contratos normalmente são previstos com longos prazos de duração, a m de per-
mitir a amortização do investimento pelo empreendedor.
Uma dúvida que pode surgir:
Não seria possível a dispensa de licitação, com base no art. 24, X da Lei nº 8666?
De fato, o art. 24, X da Lei nº 8666 prevê que a licitação seria dispensável, para a compra
ou locação de imóvel destinado a atender nalidades especícas da Administração.
No entanto, um alerta: enquanto o art. 24, X refere-se apenas a bens imóveis, o art. 47-A
da Lei do RDC menciona tanto bens móveis quanto imóveis. Assim, por uma interpreta-
ção literal do dispositivo, não seria possível a dispensa de licitação nas locações “built to
suit” tendo por objeto bens móveis.

3
A locação “built to suit” também pode se vericar em relação a bens MÓVEIS?
Sim. Perceba que, de acordo com o transcrito art. 47-A, a locação “built to suit” também
pode ser utilizada em relação a bens móveis.
Qual a diferença entre locação “buit to suit” e uma concessão administrativa (modalidade
de PPP)?
A grande diferença entre a concessão administrativa e a locação “buit to suit” é que nesta
não há a prestação do serviço pelo particular empreendedor. No exemplo do hospital, o
particular apenas irá construir o hospital nos moldes especicados pela Administração,
mas é esta quem irá posteriormente prestar o serviço. Em suma, o objeto do contrato é a
locação do bem móvel ou imóvel, e não a prestação do serviço em si.