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1 UNISA – UNIVERSIDADE SANTO AMARO Resenha Instituições de Direito Penal. Vol I - Tomo 2º - pags. 587-628. Capítulo XVII: As Medidas De Segurança. GARCIA, Basileu. Direito Penal. São Paulo: Editora Forense Direito Penal II Docente: Flávio Torresi Nome: Ana Paula Sousa Vieira RA: 3303519 4º Semestre A Período: Noturno 2 AS MEDIDAS DE SEGURANÇA As medidas de segurança foram empreitadas no código penal de 1940, prevendo uma forma defensiva para a sociedade, uma vez que é aplicada mediante o grau de periculosidade em seus atos e a possibilidade de prática, ao invés de uma forma de penalidade, apesar de que em um consenso geral, dita que o mal se paga com o mal, e neste caso a possibilidade de ato criminoso por parte do agente, através de critério subjetivo, considerando paralelamente uma ideia preventiva do crime. A periculosidade (atual nomenclatura), advém do código italiano, e já teve como nomenclatura a temibilidade e a perversibilidade, decorrentes de seu estado pessoal de perigo ofertado ao convívio em sociedade. Há defensores que colocam o aspecto psíquico sobre o prisma da periculosidade, uma vez que o juízo de valor feito pela sociedade frente a conduta perigosa e a conduta criminosa são diferentes, a condução judicial não poderá ser a mesma para ambos (art. 42 do CP). A pena expressa uma forma de repressão social, mesmo que vise a punição, enquanto a medida de segurança visa um meio assistencialista para ressocializar o sujeito em sociedade. Esta atinge a liberdade ou o patrimônio, assim como a pena, cuja periculosidade deverá ser neutralizada. Este somente poderá ocorrer se houver fundamento para tal aplicação, com as práticas em sociedade ou existência de algo abstrato. Logo, seu objetivo é evitar possíveis males à sociedade, utilizando-se como critério a periculosidade, logo, não há tempo de duração definida a priori, pois há muitos fatores a serem avaliados, mas o juiz deverá definir um prazo mínimo, que poderá ser prorrogado até que o juiz se dê por satisfeito. Sendo a periculosidade o seu foco, a mesma deverá ser definida pela probabilidade das práticas delituosas. “Deve ser reconhecido perigoso o indivíduo, se a sua personalidade e antecedentes, bem como os motivos e circunstâncias do crime, autorizaram a suposição de que venha ou torne a delinquir” GARCIA, p. 599 3 Sua extinção somente é aceita quando se percebe a ausência da periculosidade, mediante laudo e exame aludido pelo código penal, assim como é necessário para a decretação em casos de internação em manicômios, colônias agrícolas. Em caso de medida de segurança detentiva, para sua extinção é necessário um relatório minucioso da autoridade incumbida da vigilância do estabelecimento, ressaltando que a segurança do local não pode, nem deve ser, rigorosa ou opressora como em um presídio. Duas exceções são mostradas, a primeira se trata da medida de liberdade vigiada (em caso de tentativa absolutamente impossível) e os casos de ajuste (para os casos de instigação e auxílio para crimes que não chegam a ser tentados). Há uma reflexão sobre as mesmas pois não temos as chamadas prisões perpétuas, e de certa forma a medida de segurança pode ser interpretada por alguns estudiosos como uma, mesmo as duas possuindo destinos diferentes (punição e ressocialização). Os presumidamente perigosos por lei são: Os isentos de pena (devido a sua capacidade de compreensão), os delinquentes de imputabilidade restrita, os condenados por crimes cometidos em estado de embriaguez, os condenados por crimes em associação de outros agentes, e os reincidentes por crimes dolosos. No tocante da aplicação da medida de segurança anterior a cominação da penalidade ou sentença, seu cumprimento será respectivamente abatido de sua pena. Quanto ao lapso temporal, o autor diz: “ se é exato que a fluência de cinco anos após a sentença condenatória obriga a pesquisar a periculosidade que anteriormente se presumia, passa esse lapso de tempo a valer como prova inquestionável de cessação do estado perigoso se houver decorrido, não da sentença, mas do cumprimento da pena, e o réu não tiver praticado outro crime.” Podendo além da medida de segurança, ser aplicada a liberdade vigiada após este prazo. O prazo prescricional de uma medida de segurança não executada ou da sentença irrecorrível é de 5 (cinco) anos. Em caso de sentença estrangeira, quando há aplicação de leis brasileiras, pode-se sujeitar o indivíduo a medidas de segurança devido a grau de periculosidade. 4 A medida de segurança não deverá ser aplicada pelo julgador antes ou durante, mas após a sentença proferida, conforme entendimento da 5º turma do STJ – processo: HC 226.014 e art. 171 da lei 7.210 de 11 de Julho de 1984, sobre as execuções penais. Os únicos casos autorizados para execução antes da sentença, são os casos dos inimputáveis, que poderá ser aplicada tanto em decisão condenatória, como em absolutória (devido a consideração acerca do ambiente social). Mesmo se a sentença for proferida, e após esta presumir-se-á que é necessário a medida de segurança, essa poderá ser resolvida. Outro ponto é que o condenado deverá responder pela sua conduta, nada além disto, logo se o sujeito, mesmo em sentença condenatória não for mais considerado perigoso, não deverá continuar a cumprir medida de segurança, pois seu caráter é excepcional, não de regra (a punição), e não declarará a medida após a extinção do cumprimento da pena (GARCIA, p. 609). Para isso em caso de condenado recluso, o diretor do estabelecimento irá informar ao magistrado do caso, dados que importam a existência ou não da periculosidade do indivíduo. Observando que o posicionamento de maneira insubordinada à medida, provoca a denunciação em integra para que esta se prorrogue. Acerca dos inimputáveis, estes submetidos as casas de custódia e tratamentos, Ataliba Nogueira destacava que, haviam três linhas de raciocínio, sendo elas: A medida de segurança precedente à pena; a pena precedente à medida; e a pena deverá desaparecer, absorvida na medida de segurança (teoria adotada sob o prisma de que o homem em condições anormais não deverá ser punido por sua condição, apenas sua conduta). Nosso código adotou a segunda teoria, em que primeiro se cumpre a pena e depois a medida de segurança. Em caso de sentença absolutória ou condenação a multa, a execução aguardará a sentença. Se o sujeito estiver em cumprimento de medida de segurança, e surgir uma nova condenação, e esta sendo de pena privativa de liberdade, iniciará a última imediatamente. Ainda é cabível ao magistrado decidir 5 se é devido ou não, ao regime preventivo desde que observado suas condições pessoais e a defesa social contra a condição de perigo existente. Em caso de haver mais de uma medida de segurança, da mesma espécie ou não a ser aplicada, o juiz deverá observar apenas uma destas, conforme o apreço a periculosidade, mesmo dos casos em que o indivíduo é inimputável. Pode haver a coexistência de medidas não detentivas, de acordo com o concurso material de infrações (ou várias constitutivas de concurso formal ou continuado), como em uma única infração. Já nas medidas de segurança detentivas, não é permitido a coexistência. Entre as variáveis, o juiz pode determinar ao indivíduo a liberdade vigiada ao invés de medida de segurança, se assim achar mais adequada visto seu nível de gravidade, uma vez que tem seu período de prova de 1(um) ano. Nosso código subdivide as medidas de segurançaem: Pessoais (detentivas ou não) e patrimoniais (confisco ou interdição de bens). As medidas pessoais são as que constituem a internação em estabelecimentos, as chamadas detentivas. Já as não detentivas, são os casos de liberdade vigiada, exílio e proibição de estar em determinados locais. Percebe-se que nosso regramento não adotou a esterilização ou castração como diversos outros países, devido a sua precariedade nos resultados práticos. Quanto a sua duração estipulada, está deverá corresponder a metade da pena mínima estipulada em lei, detendo-se a observar os elementos materiais (objeto) e subjetivos (considerações). Logo é necessário cautela para o exame e reexame da periculosidade a qualquer tempo. Os indivíduos que delinquem sob efeito da embriaguez e os indivíduos fronteiriços, serão encaminhados para a internação em casa de custódia e tratamento, com o período disciplinar conforme mencionado. O autor comenta um caso trágico onde, uma penitenciaria, após uma rebelião, revelou condições inimagináveis de convívio entre os indivíduos, não demonstrando qualquer forma de ressocialização, mas de perecimento da vida humana. Este fato fez com que ocorressem alterações que ainda são utilizadas, mas mesmo assim, infelizmente, ainda sim observa-se condições análogas às desejadas para as 6 medidas, como a dificuldade no acesso para as visitações, além do ambiente pouco amistoso entre as autoridades e os sujeitos, gerando um clima de tensão constante. Em caso de reincidência, o indivíduo terá sua disciplina estipulada em prazo mínimo de 2(dois) anos. No caso de crimes relacionados a vadiagem, prostituição e ociosidade, com condenação de reclusão maior do que 5(cinco) anos, terá de ser aplicado por um ano a medida de segurança, mas, essa condição não se aplica a quaisquer condições, pois deve-se considerar acima de tudo a periculosidade, analisando cada caso isoladamente. A liberdade vigiada está prevista no Código de Processo Penal, como uma forma necessária após a internação de enfermo mental, a fim de verificar a ressocialização, assim como os que saem da casa de custódia e tratamento, colônia agrícola, instituto de trabalho, de reeducação, também chamada de ensino profissional. Bem como alude a transgressores exílio local em alguns casos e determinação do local de sua residência. Em caso de descumprimento, acarretará no retorno deste. Em hipótese não prevista em lei como medida de segurança, mas cabendo esta, aplica-se a liberdade vigiada, e será executada por órgão especial e em sua ausência, incumbe-se à tarefa a autoridade policial, devendo esta ocorrer de maneira discreta, não prejudicando o vigiado, o que é uma situação identificada como utópica na prática. A observação realizada pelo autor, gira em torno da imposição de liberdade vigiada como medida de segurança, e que deverá cessar a partir da cessação da periculosidade, não antes disso, reconhecendo uma assim uma forma preventiva. Nos casos de pessoas jurídicas, aplica-se as medidas de segurança não detentivas, consistente às interdições de estabelecimentos ou sede de associação ou sociedade, concluindo-se que estes são meios de práticas ilícitas, podendo ainda ser dissolvida por ação direta, mediante denuncia de um civil ou do ministério público. Quando ao estabelecimento, é facultado ao magistrado o fechamento compulsório, em caráter temporário ou definitivo, conforme seu entendimento. 7 A medida de segurança não impede a expulsão do estrangeiro, devendo em caso de infração, ser cumprida a sanção penal conforme previsão legal e ser expulso em seguida, se o Estado assim julgar devido. Quanto as contravenções, a única condição não aproveitada pela medida de segurança é o exilio local, pois a presença do sujeito ocasiona de desassossego ou ainda reincidência do ato. A presunção de periculosidade neste caso é dada pelo decreto-lei nº 3. 688, de 3 de outubro de 1944, no art. 14, I e II, com a aplicação mínima de 1(um) ano. Em síntese, pode-se diferenciar as medidas de segurança das penas da seguinte forma: A imposição de pena não origina apenas do critério de periculosidade, mesmo que sem esta não seja legitima a medida de segurança; não é necessário que tenha previsão anterior para a imposição de medida de segurança, apenas requer o fato anterior ao preceito legal; as medidas de segurança pessoais são as mais relevantes, detentivas ou não possuem duração indeterminada; a estipulação de pena prevê o prazo máximo, já em caso de aplicação de disciplina, indica-se o prazo mínimo; em caso de evasão da aplicação da medida de segurança, a execução reinicia; a pena presume um crime, a disciplina também com algumas ressalvas; as penas são aplicadas aos responsáveis, enquanto as medidas são aplicadas aos irresponsáveis, podendo estas ainda serem impostas em sentenças absolutórias; a penalidade esgota-se com a sentença condenatória, enquanto as medidas de segurança ainda são aplicadas depois de passar em julgado a sentença penal.