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Resumo dos Textos

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possível a do outro, e reciprocamente, com a finalidade de que a sucessão, 
que está sempre nas percepções, como apreensões, não seja atribuída aos objetos, a não ser que possam estes representar como existentes 
em conjunto. 
É a reciprocidade da influência, ou seja, um comércio real de substâncias, sem o qual a relação empírica da simultaneidade não 
poderia ser encontrada. É através deste comércio que os fenômenos, mesmo sendo externos uns aos outros, e ainda assim 
entrosados, formam um composto (compositum reale), do qual pode existir um número muito grande de espécies. As três 
relações dinâmicas de que resultam as demais são, portanto, de inerência, de consequência e de composição. 
São essas as três analogias da experiência. Não são senão princípios que servem para determinar a existência dos fenômenos no 
tempo, de acordo com seus três "modos", ou seja, segundo a relação com o tempo mesmo, como quantidade (quantidade, 
. 
existência ou duração), conforme a relação no tempo como série (sucessão), e segundo o tempo como conjunto de todas as 
existências (simultaneidade). 
Essa unidade da determinação do tempo é inteiramente dinâmica, ou seja, que o tempo não pode ser considerado como aquilo 
em que a experiência determina logo de imediato a cada instante seu lugar, o que não é possível, pois no tempo absoluto não se 
tem um objeto de percepção onde os fenômenos pudessem manter um elo entre si; no entanto, a regra do entendimento, a que 
somente pode dar à existência dos fenômenos uma unidade sintética fundada nas relações de tempo, determina a cada um deles 
o seu lugar no tempo, e por consequência, a determina "a priori" e sendo válida para todos os tempos e para cada tempo. 
Por natureza (no sentido empírico) entendemos o encadeamento de fenômenos entrosados, quanto à sua existência, por normas 
necessárias, ou seja, por leis. São, portanto, certas leis e leis "a priori" que tomam possível, antes de tudo, uma natureza; as leis 
empíricas não podem acontecer nem ser descobertas a não ser através de uma experiência, mas segundo essas leis primitivas. Sem elas, a 
experiência não seria possível em si. 
IV. Postulados do pensamento empírico em geral 
1º - Tudo que está de acordo com as condições formais da experiência (com referência à intuição e aos conceitos) é "possível”. 
2º - Tudo que está de acordo com as condições materiais da experiência (da sensação) é "real". 
3º - Tudo que, de acordo com o real está determinado conforme as condições gerais da experiência é "necessário" (existe 
necessariamente). 
Explicação 
As categorias da modalidade contêm em si algo de particular: como determinação do objetivo não aumenta em nada o conceito a que 
se unem como predicado a não ser que somente exteriorizem a relação com a faculdade de conhecer. 
Não pensamos com isso nenhuma determinação com referência ao próprio objeto, porque apenas tratamos de saber qual é a 
relação desse objeto (e das suas determinações) com o entendimento e a sua utilização empírica, com o juízo empírico e com a 
razão. 
Os princípios da modalidade não são senão explicações da possibilidade, da realidade, e da necessidade em seu uso empírico, e 
simultaneamente, a restrição das categorias apenas ao uso empírico, sem permiti-las nem admiti-las pela utilização 
transcendental. 
O postulado da possibilidade das coisas cobra que o seu conceito esteja dentro das condições formais da experiência em geral; 
mas esta, ou seja, a forma objetiva da experiência em geral; contém toda a síntese esperada para o conhecimento de 
objetivos. 
Agora será mostrada toda a utilidade e toda a influência desse postulado da possibilidade. Quando eu represento uma coisa que é 
permanente, de modo que, quando existe nela uma transformação, esta pertence, apenas, ao seu estado, e não posso somente 
por esse conceito saber se essa coisa é possível. 
Do mesmo modo, quando penso em alguma coisa que é de tal natureza que uma vez posta em algum lugar, outra a segue de 
imediato, posso considerá-la sem contradição, só que não poderia por esse motivo julgar se uma propriedade dessa espécie 
(como causalidade) é encontrada em algum objeto possível. 
Por fim, posso imaginar coisas (substâncias) diversas, de tal modo formadas, que o estado de uma provoque uma consequência 
no de outra, e reciprocamente; contudo, de acordo com essas conclusões que somente têm por base uma síntese arbitrária, não 
posso deduzir se uma relação desse tipo pode pertencer também às coisas. 
Apenas enquanto esses conceitos expressam "a priori" as relações das percepções em cada experiência, é como se conhecêssemos a 
sua realidade objetiva, ou seja, a sua verdade transcendental, e isto, em verdade, não depende da experiência, mesmo sem ter 
relação com a forma de uma experiência em geral e com a unidade sintética na qual apenas podem ser conhecidos empiricamente 
os objetos. 
Esses conceitos imaginários não podem receber "a priori", como as categorias, o caráter da sua possibilidade, como condições de 
que há dependência em toda experiência, a não ser apenas "a posteriori", como fornecidos pela própria experiência. Dessa 
forma, sua possibilidade deve ser conhecida "a posteriori" e empiricamente, ou então não há a possibilidade de sê-lo. 
Desses conceitos apenas, não se pode extrair jamais as próprias coisas, a não ser só enquanto forem condições formais e 
objetivas de uma experiência em geral. 
Ora, os objetivos correspondentes aos conceitos podem ser encontrados apenas na experiência, que é a única maneira de 
recebermos os objetos? Podemos, com certeza, sem experiência anterior, conhecer e caracterizar a possibilidade das coisas, mas só 
em relação às condições sob as quais algo em geral é determinado na experiência como objetivo; sendo-o, por conseguinte, "a 
priori"' contudo sempre em relação à experiência e dentro dos seus limites. 
O postulado para o conhecimento da "realidade" das coisas exige uma percepção, ou seja, uma sensação acompanhada de 
consciência (ainda que não imediata) do próprio objeto cuja existência devemos conhecer; porém é necessário também que esse 
objetivo seja concordante de alguma percepção real conforme as analogias da experiência, as que patenteia e o entrosamento 
real na experiência possível. 
O conceito, precedendo a percepção, significa a simples possibilidade da coisa; a percepção que dá ao conceito a matéria é 
estritamente o caráter da realidade. O idealismo - faz sérias objeções à essas regras ·da demonstração mediata da existência, e 
por esse motivo esta é a ocasião de negá-lo. 
Refutação do idealismo 
O idealismo (o mesmo que o material) é a teoria que afirma a existência de objetos exteriores no espaço como duvidosa e 
não passível de demonstração, como falsa e impossível. O primeiro ensinamento é o idealismo "problemático de Descartes", 
que aceita apenas como irrefutável esta asserção empírica: "eu sou"; a segunda é o idealismo dogmático de Berkeley, que acata 
o espaço com todas as coisas das quais é inseparável como algo impossível em si, e, portanto, como vãs ilusões as coisas que são 
produzidas nele. 
É necessário, portanto, demonstrar que não somente nos "imaginamos" as coisas externas, mas que possuímos também a 
"experiência”, o que apenas obteremos demonstrando que nossa experiência interna, sem dúvida para Descartes, só é 
possível sob a suposição da experiência externa. 
TEOREMA 
A simples consciência, embora empiricamente determinada, da minha própria existência, prova a existência de objetos fora de 
mim no espaço. 
Prova 
Estou consciente da minha existência como determinada no tempo. Toda determinação pressupõe alguma coisa "permanente" na 
percepção. Porém, esse permanente não pode ser algo em ruim, exatamente pelo motivo de que a minha existência só pode 
ser determinada no tempo pelo permanente. A percepção desse permanente apenas através de uma "coisa" existente fora de 
mim e não meramente