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anatomia vegetal

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7). Outras espécies, não apenas as hidrófitas, 
particularmente certas monocotiledôneas, também apresentam o mesofilo uniforme, 
sem grande distinção entre os parênquima paliçádico e lacunoso. 
O mesofilo pode apresentar ainda uma hipoderme (Fig. 8), que é um tecido derivado do 
meristema fundamental; geralmente relacionado com o armazenamento e/ou 
transporte interno de água. A hipoderme, geralmente, apresenta poucos cloroplastos em 
suas células, o que, às vezes, nos leva a confundir esta estrutura com uma epiderme 
pluriestratificada (ver capítulo sobre Epiderme). 
 
 
Figura 8 - Paepalanthus canastrensis. Figura 9 - Phormium tenax 
Hipoderme. Foto de Castro, N. M. Foto- Depto de Botânica- 
USP- São Paulo. 
 
Tanto o colênquima como o esclerênquima podem estar presentes como tecidos de 
sustentação nas folhas. O colênquima, geralmente, aparece ao longo das nervuras de 
maior calibre, logo abaixo da epiderme e também na margem do limbo. O 
esclerênquima também pode aparecer como uma bainha fibrosa envolvendo os feixes 
vasculares ou ainda formando as extenções de bainha em direção à(s) epiderme(s) (Fig. 
8). Nas folhas de espécies xerófitas, o esclerênquima aparece ainda como esclereídes 
dispersas pelo mesofilo, com a finalidade de reduzir os danos causados pelo 
murchamento das folhas nos períodos mais secos. 
 
4 . Sistema Vascular 
O sistema vascular ocorre paralelamente à superfície da lâmina foliar. Os feixes 
vasculares são denominados nervuras, e a sua distribuição nas folhas dá-se o nome de 
nervação ou venação. 
Existem dois padrões principais de nervação ou venação: reticulada, que pode ser 
descrito como ramificados, onde nervuras cada vez mais delgadas vão divergindo de 
outras de maior calibre, comum em pteridófitas e dicotiledôneas; e paralela, presente na 
maioria das monocotiledôneas, onde as nervuras de calibre semelhantes dispõem-se 
num arranjo, aproximadamente “paralelo”, no sentido longitudinal da folha. Nesses dois 
sistemas de venação, ocorrem anastomoses entre os feixes, de modo que, ao 
microscópio, o padrão paralelo também apresenta-se formando retículo. 
O número e a disposição dos feixes vasculares no pecíolo e na nervura principal é 
variável e pode ter aplicação taxonômica. Já as nervuras laterais, geralmente, 
apresentam apenas um feixe vascular, onde se observa uma redução gradativa do 
xilema e do floema. As terminações vasculares das folhas das angiospermas, 
geralmente, apresentam o xilema formado por traqueídes curtos e o floema, por 
elementos de tubo crivado estreitos e células companheiras largas. 
Os feixes vasculares da folha, geralmente são colaterais, com o xilema voltado para a 
superfície adaxial ou superior e o floema voltado para a superfície abaxial ou inferior 
(Fig. 2 e 6). 
Nas dicotiledôneas, os feixes das nervuras maiores estão envolvidas por um 
parênquima com pouco ou nenhum cloroplasto, e o colênquima pode aparecer como 
tecido de sustentação, acompanhando essas nervuras, formando saliências na 
superfície foliar. As nervuras de menor calibre estão imersas no mesofilo. Mas mesmo 
estes feixes menores, sempre são envolvidos por, pelo menos, uma camada de células 
parenquimáticas, a endoderme, que forma uma estrutura também chamada de bainha 
do feixe (Fig. 6-8). Essa bainha do feixe acompanha o tecido vascular até as suas 
últimas terminações, de tal modo, que nenhuma região dos tecidos vasculares fica 
exposta ao ar contido nos espaços intercelulares do mesofilo, exceto nos hidatódios que 
são estruturas secretoras de água, onde as traqueídes terminais, terminam diretamente 
no mesofilo (Fig.10). 
Em várias fanerógamas, as bainhas do feixe estão ligadas à(s) epiderme(s), por células 
estruturalmente semelhantes à da própria bainha, que recebem o nome de extensões 
da bainha, Essas extensões de bainha parecem auxiliar na distribuição mais eficiente 
da água, proveniente do xilema, para o mesofilo. Em várias monocotiledôneas, as 
extensões das bainhas dos feixes podem ser formadas por fibras do esclerênquima e 
apresentarem paredes celulares espessadas e fortemente lignificadas (Fig. 9). 
 
Figura 10 - Desenho de um corte transversal 
longitudinal da folha passando por um hidatódio. 
http://www.puc.edu/Faculty/Gilbert_Muth/art0078.jpg 
Transporte de Solutos à Curta Distância 
Nas nervuras menores as células parenquimáticas dos tecidos vasculares, são 
relativamente grandes. No floema, as células companheiras apresentam protoplasto 
denso e numerosos plasmodesmas conectam estas células com os elementos 
crivados. Essas células e as demais células parênquimáticas do floema, são 
denominadas células intermediárias, pois estabelecem a comunicação entre o 
mesofilo e os elementos crivados na translocação dos metabólitos. 
Em várias dicotiledôneas, essas células intermediárias apresentam invaginações nas 
paredes celulares, o que resulta num aumento considerável da superfície do 
plasmalema e são denominadas células de transferência, especializadas no 
transporte à curta distância. As células intermediárias (com ou sem invaginações da 
parede) estão relacionadas com a transferência de solutos para os elementos crivados, 
sejam esses solutos produtos da fotossíntese e ou transportados pelo xilema até a folha. 
Os solutos provenientes do xilema podem ser transportados para as várias 
regiões da folha, passando apenas por entre as paredes das células (via 
apoplasto) antes de penetrar no protoplasma das células parenquimáticas, de 
onde serão transportados (via simplasto), até os elementos crivados. Os 
produtos da fotossíntese chegam até os elementos crivados via simplasto, mas 
também podem passar por entre as paredes celulares, associando assim, as 
vias apoplasto e simplasto, até atingir os elementos crivados e daí ser levado 
para as diferentes partes da planta. 
5. Abscisão Foliar 
A separação da folha de um ramo, sem que o mesmo seja danificado, recebe o nome de 
abscisão foliar. Geralmente, a abscisão é o resultado da diferenciação, na base do 
pecíolo, de uma região especializada, denominada zona de abscisão, em cujas células 
ocorrem mudanças químicas e estruturais, que facilitam a separação da folha. 
A zona de abscisão constitui-se de uma camada de abscisão ou de separação, 
propriamente dita, e de uma camada de proteção (Fig. 8), que se forma abaixo da 
primeira, cuja finalidade é proteger a superfície exposta, após a queda da folha. A 
separação da folha ao longo da camada de abscisão, pode ser causada pela distruição 
da lamela média entre as células e/ou das paredes entre as células ou ainda pela 
destruição completa das células desta região. Em algumas espécies, inicialmente, 
ocorrem divisões celulares nesta camada de abscisão, e essas células récem formadas 
é que sofrerão o processo de desintegração. 
A camada de proteção logo abaixo, forma-se em consequência do depósito de várias 
substâncias (suberinas, gomas, etc.) nas paredes e em espaços intercelulares. Após a 
queda da folha a camada de proteção forma a cicatriz foliar. 
A abscisão foliar pose ser causada apenas por tensões físicas que rompem o pecíolo, 
causando a queda da folha, como por exemplo ocorre em muitas monocotiledôneas e 
em dicotiledõneas herbaceas. 
 
Figura 11- Corte longitudinal do pecíolo 
mostrando camada de absição e a camada 
de proteção. Capturado da internet. 
 
6. Adaptações da Folha 
A folha é o órgão que melhor reflete as adaptações estruturais adquiridas pelas plantas, 
que as tornam aptas para sobreviver nos diferentes tipos de ambientes. Essas 
adapatações foram acontecendo, durante a evolução do vegetal, impostas pelos 
diferentes habitats, conferindo aos vegetais maiores vantagem para crecerem nesses 
ambientes. 
De acordo com a disponibilidade de água no ambiente as plantas são classificadas 
como xerófitas, mesófitas e hidrófitas.