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anatomia vegetal

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Xerófitas são aquelas plantas adaptadas à 
ambientes secos com pouca disponibilidade hídrica; as mesófitas precisam de 
considerável suprimento hídrico no solo e umidade relativa alta para sobreviverem e as 
hidrófitas precisam de grande suprimento hídrico, crescendo parcial ou totalmente 
submersas na água. 
A análise morfológica, entretanto, não é suficiente para se chegar a classificação da 
planta quanto ao fator água, devendo ser complementada por estudos ecológicos, e 
fisiológicos. Isto porque existem plantas que apresentam caracteres concernentes a 
certo tipo de ambiente, porém não fazem parte do mesmo, como é o caso de Nerium 
oleander -espirradeira (Fig. 9), que apresenta os estômatos escondidos em criptas 
porém, não é considerada xerófita. Por outro lado, pode-se ter espécies de ambiente 
seco, que não apesentam caracteres morfológicos adaptativos para esses ambientes. 
Usamos os termos xeromórficas, mesomórficas e hidromórficas para aquelas espécies 
que apresentam morfologia externa e/ou anatomia de plantas que vivem em ambientes 
secos ou com muita água à disposição, sem no entanto, estarem restritas à esses 
ambientes. 
6.1 Mesófitas 
As mesófitas geralmente apresentam folhas dorsiventrais, com o parênquima clorofiliano 
paliçádico sob a epiderme superior ou adaxial e o parênquima lacunoso, restrito á face 
inferior da folha, sob a epiderme da face abaxial. Os estômatos, geralmente, estão 
presentes nas duas faces da epiderme, assim estas folhas são anfiestomáticas. 
6.2 Hidrófitas 
A temperatura, o ar e a concentração e composição dos sais na água são fatores que 
influenciam as plantas aquáticas. A característica mais marcante na anatomia foliar das 
espécies que vivem neste ambiente é a redução significativa observada na quantidade 
dos tecidos de sustentação e de condução, principalmente, do xilema, além do 
desenvolvimento de grandes espaços intercelulares, com a formação de aerênquima 
(Fig. 4, 5 e 7). 
Nessas plantas epiderme participa da absorção de água e nutrientes e suas células 
apresentam paredes celulares e cutícula delgadas e frequentemente, a epiderme é 
clorofilada. Nas folhas totalmente submersas a epiderme não apresenta estômatos, 
porém nas folhas flutuantes, os estômatos aparecem na epiderme superior ou adaxial - 
folhas epiestomáticas (Fig. 5) . Algumas espécies aquáticas apresentam hidropótios, 
que são estruturas que absorvem e eliminam os sais, que a planta tenha absorvido da 
água em excesso. Nas folhas (também no caule e na raiz) das plantas aquáticas, são 
comuns câmaras de ar, que são grandes espaços intercelulares, geralmente de forma 
regular. Essas câmaras são separadas entre si, por tabiques formados por apenas uma 
ou duas camadas de células clorofiladas. 
 
6.3 Xerófitas 
A caracteística mais marcante neste grupo de plantas, diz respeito a razão 
volume/superfície externa ou seja, considerando-se o volume da folha, a sua superfície 
externa é reduzida. As folhas da espécies xerófitas são relativamente pequenas e 
compactadas. 
Admite-se que a redução da superfície externa está acompanhada por certas mudanças 
na estrutura interna da folha, como: 
 .células epidérmicas com paredes e cutícula espessas; um maior número de 
estômatos geralmente na epiderme inferior ou abaxial - folha hipoestomática, 
muitas vezes escondidos em críptas ou sulcos da folha (Fig. 3); 
 parênquima clorofiliano paliçádico em quantidade maior do que o parênquima 
clorofiliano lacunoso ou apenas parênquima clorofiliano paliçádico espaços 
intercelulares relativamente pequenos e redução do tamanho das células; 
 maior densidade do sistema vascular; 
 grande quandidade de esclerênquima, fibras ( Fig. 9) e/ou essclereídes; 
 é comum folhas suculentas, com o desenvolvimento de parênquima aquífero 
(Fig. 9); 
 desenvolvimento de uma hipoderme, com ou sem cloroplastos, também 
relacionada com o armazenamento e distribuiçãode água. 
A redução do tamanho das folhas, acontece como uma forma de diminuir a superfície de 
transpiração. O aumento do número de estômatos possibilita maior rapidez nas trocas 
de gases, assim como o aumento de parênquima clorofiliano paliçádico favorece a 
fotossíntese. O grande número de tricomas, principalmente tectores, está geralmente 
associado ao isolamento do mesofilo, protegendo-o do excesso de calor. Também é 
comum, um grande desenvolvimento de esclerênquima nas folhas das xerófitas. 
Entretanto, nem sempre a presença dessas características está elacionada com o fator 
água; eles também podem ser resultado de um solo deficiente em nutrientes. A falta de 
nitrogênio, conduz à formação adicional de esclerênquima, nesse caso, a presença de 
uma grande quantidade de esclerênquima seria uma conseqüência da deficiência 
daquele nutriente no solo e não devido à falta de água disponível. 
É sabido também, que o grau de salinidade dos solos está relacionado com o 
aparecimento de suculência na folha. A intensa iluminação acompanhada de deficiência 
de água resulta, aparentemente, num maior desenvolvimento de parênquima paliçádico. 
Nesses dois últimos exemplos o carater é dito xeromorfo e não xerofítico. 
Parede Celular 
Profa. Dra. Neuza Maria de Castro 
 
A célula é considerada a unidade estrutural e funcional dos seres vivos, pela 
capacidade de vida própria e pela capacidade de autoduplicação, como no caso dos 
organismos unicelulares, ou ainda, artificialmente, quando em cultura nos 
laboratórios. As células podem existir isoladamente, como seres unicelulares ou 
constituir arranjos ordenados de células - os tecidos - que formam o corpo dos 
animais e plantas pluricelulares. 
A célula vegetal é semelhante à célula animal, vários processos metabólicos são 
comuns a elas. No entanto, algumas características são peculiares das células 
vegetais, tais como: presença da parede celular constituída, principalmente, de 
celulose, a presença de plasmodesmas, dos vacúolos, dos plastos e a ocorrência de 
substâncias ergásticas (Fig. 1). A seguir trataremos apenas da parede celular, e 
suas variações de acordo com o tecido vegetal onde aparece. 
 
Figura 1 - Esquema de uma célula vegetal e 
seus componentes. Capturado da internet . 
 
1. Introdução 
A parede celular é uma estrutura típica da célula vegetal, produzida por essa célula 
e é depositada fora da plasmalema ou membrana plasmática (Fig. 1 e 2). Nas 
plantas vasculares, apenas os gametas e as primeiras células resultantes da divisão 
do zigoto não apresentam parede celular. Cada célula possui a sua própria parede, 
que está cimentada à parede da célula vizinha pela lamela mediana (Fig. 2), 
composta principalmente de substâncias pécticas. 
A presença da parede celular restringe a distensão do protoplasto e, o tamanho e a 
forma da célula tornam-se fixos na maturidade. A parede também protege o 
citoplasma contra agressões mecânicas e contra a ruptura da célula quando 
acontece um desequilíbrio osmótico. 
 
2. Componentes Macromoleculares e a sua Organização na Parede Celular 
O principal componente da parede celular é a celulose, um polissacarídeo, formado 
por moléculas de glicose, unidas pelas extremidades. Associada à celulose aparece 
outros carboidratos como a hemicelulose, pectinas e proteínas estruturais 
chamadas glicoproteínas. Devemos considerar ainda, a ocorrência de outras 
substâncias orgânicas tais como: lignina, compostos graxos (cutina, suberina e as 
ceras), tanino, resinas, etc., além de substâncias minerais (sílica, carbonato de 
cálcio, etc.) e da água. A proporção com que cada um destes componentes aparece, 
varia bastante nas diferentes espécies, tecidos e mesmo, nas diferentes camadas da 
parede de uma única célula. 
A arquitetura da parede celular é determinada, principalmente, pela celulose 
(polissacarídeo cristalino) que forma um sistema de fibrilas entrelaçadas,