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anatomia vegetal

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estas células podem manter o 
protoplasto vivo enquanto necessário. 
SISTEMA DE REVESTIMENTO 
 
EPIDERME 
Profa. Dra. Neuza Maria de Castro 
 
1. INTRODUÇÃO 
A epiderme é um sistema de células de formas e funções variadas, 
que reveste o corpo primário da planta. Por estar em contato direto 
com o ambiente, a epiderme apresenta uma série de modificações 
estruturais, de acordo com os fatores ambientais. A presença de 
cutina nas paredes celulares reduz a transpiração; os estômatos 
são estruturas relacionadas com as trocas gasosas; a disposição 
compacta das células e a presença de uma cutícula rígida fazem 
com que a epiderme proporcione sustentação mecânica. Nas 
regiões jovens das raízes, a epiderme é especializada para a 
absorção de água, e para desempenhar esta função apresenta 
paredes celulares delicadas, cutícula delgada, além de formar os 
pêlos radiciais. 
A epiderme origina-se da protoderme, a camada externa dos meristemas 
apicais. Nos órgãos que não apresentam crescimento secundário ela 
persiste por toda a vida da planta. Geralmente é unisseriada, mas em 
algumas espécies as células da protoderme podem se dividir 
periclinalmente, uma ou mais vezes, dando origem, a um tecido de 
revestimento com várias camadas, ontogeneticamente relacionadas, 
denominado epiderme múltipla ou pluriestratificada (Fig. 1). 
Tem sido atribuída à epiderme pluriestratificada a função de reserva de 
água. Nas raízes aéreas das orquídeas a epiderme pluriestratificada, 
denominada velame (Fig. 2) funciona como um tecido de proteção contra a 
perda de água pela transpiração. 
 
Figura 1- Epiderme múltipla da folha de 
Ficus sp (www.botany.hawaii.edu). 
Figura 2 - Raiz de Epidendron 
sp evidenciando o velame. 
Foto de Castro, N. M. 
Em muitas espécies, as camadas de células subepidérmicas assemelham-
se a uma epiderme múltipla, mas apresentam uma origem diversa, a partir 
do meristema fundamental. Para designar estes estratos subepidérmicos, 
os autores utilizam o termo hipoderme (Fig. 3). Para identificar 
precisamente estes dois tecidos, são necessários estudos ontogenéticos. 
Enquanto a epiderme múltipla se origina a partir de divisões periclinais 
das células da protoderme, a hipoderme tem origem a partir das células do 
meristema fundamental. 
 
Figura 3- Detalhe da 
hipoderme da folha de 
Paepalanthus 
canastrensis. Foto de 
Castro, N. M. & Oliveira, 
P.T. 
2. COMPOSIÇÃO E CARACTERÍSTICAS 
A epiderme é constituída por células pouco especializadas denominadas 
células fundamentais e por vários tipos de células especializadas, como 
por exemplo: as células-guarda dos estômatos, tricomas, células 
buliformes encontradas nas folhas de várias monocotiledôneas, etc.. 
As células fundamentais variam quanto a forma, tamanho e arranjo; mas 
quase sempre apresentam formato tabular, quando vistas em secção 
transversal (Fig. 3 e 4). Em vista frontal apresentam-se, aproximadamente, 
isodiamétricas podendo ser mais alongadas nos órgãos alongados como 
nos caules e folhas de monocotiledôneas e no pecíolo . Estas células 
apresentam-se intimamente unidas, de modo a formar uma camada 
compacta sem espaços intercelulares. 
3. CONTEÚDO E PAREDE CELULAR 
As células epidérmicas, geralmente, são aclorofiladas, vivas, altamente 
vacuoladas e podem armazenar vários produtos de metabolismo e 
raramente apresentam cloroplastos. Os vacúolos dessas células podem 
acumular pigmentos (antocianinas) como acontece na epiderme das 
pétalas de muitas flores, no caule e na folha da mamona vermelha (Ricinus 
sp), etc. 
As paredes das células epidérmicas variam quanto à espessura nas 
diferentes espécies, nas diferentes partes de uma mesma planta e mesmo 
em uma mesma célula. Nas células epidérmicas com paredes espessas, 
geralmente, a parede periclinal externa é a mais espessada. Esses 
espessamentos, geralmente, são primários e os campos primários de 
pontoação e os plasmodesmas presentes, se localizam especialmente 
nas paredes radiais e nas tangenciais internas. 
A característica mais importante da parede das células epidérmicas das 
partes aéreas da planta é a presença da cutina. A cutina é uma substância 
de natureza lipídica, que pode aparecer tanto como incrustação entre as 
fibrilas de celulose, como depositada externamente sobre a parede, 
formando a cutícula (Fig. 4 e 5). 
O processo de incrustação de cutina na matriz da parede é denominado 
cutinização e à deposição de cutina sobre as paredes periclinais externas, 
dá-se o nome de cuticularização. A cutícula ajuda a restringir a 
transpiração; por ser brilhante ajuda a refletir o excesso de radiação solar e 
por ser uma substância que não é digerida pelos seres vivos, atua também 
como uma camada protetora contra a ação dos fungos e bactérias. A 
formação da cutícula começa nos estágios iniciais de crescimento dos 
órgãos. Apesar de não se saber exatamente como, acredita-se que a 
cutina migre do interior para o exterior das células epidérmicas, através de 
poros existentes na parede celular. 
 
Figura 4 - Detalhe da 
epiderme foliar de Curatella 
americana, evidenciando a 
cutícula. Foto de Castro, N.M 
e Oliveira, L. A. 
Figura 5 - Detalhe da 
epiderme da folha de Agave 
sp. destacando as paredes 
periclinais externas, da 
epiderme, bastante espessas 
e cutinizadas . Foto de 
Mauseth, J.D. 
Em várias espécies, a cutícula pode ainda estar recoberta por depósitos de 
diversos tipos, tais como: ceras (Fig. 6), óleos, resinas e sais sob a forma 
cristalina. 
 
Figura 6- Vista frontal da epiderme da 
folha de Eucalyptus sp, vista em 
Microscopia Eletrônica de Varredura 
(MEV). A cera aparece em branco sobre 
a epiderme. (http: // 
bugs.bio.usyd.edu.ar). 
As células epidérmicas geralmente apresentam paredes primárias, mas 
células epidérmicas com paredes secundárias lignificadas e intensamente 
espessadas podem ser encontradas na folhas das coníferas (Pinus). 
4. ESTÔMATOS 
A continuidade das células epidérmicas somente é interrompida pela 
abertura dos estômatos. O termo estômato é utilizado para indicar uma 
abertura, o ostíolo, delimitado por duas células epidérmicas 
especializadas, as células-guarda (Fig. 7 e 8). A abertura e o fechamento 
do ostíolo são determinados por mudanças no formato das células-guarda, 
causadas pela variação do turgor dessas células. 
Muitas espécies podem apresentar ainda duas ou mais células associadas 
às células-guarda, que são conhecidas como células subsidiárias (Fig. 7 
e 8). Estas células podem ser morfologicamente semelhantes às demais 
células epidérmicas, ou apresentarem diferenças na morfologia e no 
conteúdo. O estômato, juntamente com as células subsidiárias, forma o 
aparelho estomático (Fig. 7). Em secção transversal, podemos ver sob o 
estômato uma câmara subestomática (Fig. 7), que se conecta com os 
espaços intercelulares do mesofilo. 
As células-guarda, ao contrário das demais células epidérmicas, são 
clorofiladas e geralmente têm o formato reniforme, quando em vista frontal 
(Fig. 7). As paredes dessas células apresentam espessamento desigual: as 
paredes voltadas para o ostíolo são mais espessas e as paredes opostas 
são mais finas (Fig. 7). A cutícula recobre as células-guarda e também, 
pode estender-se até a câmara subestomática (Fig. 7). 
 
Figura 7 - Vista frontal de 
um estômato. Foto 
Alquine, et al - Anatomia 
Vegetal, 2003. 
Figura 8 - Detalhe de um estômato 
da folha de Curatella americana, 
visto em corte transversal. Foto de 
Castro N. M. & Oliveira, L. A. 
 
Nas Poaceae (Gramineae) e nas Cyperaceae, as células-guarda 
assemelham-se à alteres; suas extremidades são alargadas e com paredes 
finas, enquanto a região mediana, voltada para o ostíolo, é mais estreita e 
apresenta paredes espessadas (Fig. 9). 
O tipo, número e posição dos estômatos