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Manual do Sistema Internacional de Unidades (SI)

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS 
FACULDADE DE ENGENHARIA QUÍMICA 
 
 
 
 
EQ 481 – Introdução à Engenharia Química 
 
 
 
 
Manual para utilização do 
Sistema Internacional de Unidades (S.I.) 
 
 
 
Elaboração (tradução e síntese): José Vicente Hallak d’Angelo 
 
 
 
 
Campinas – SP 
Agosto / 2004
Manual para utilização do Sistema Internacional (SI) 1 
 
1 – Introdução 
 
 Este manual tem por objetivo fornecer informações sobre a forma correta de se utilizar o 
Sistema Internacional de Unidades (SI), que tem sido cada vez mais exigido em publicações 
internacionais, tanto em livros como em periódicos. São apresentadas algumas regras sobre a 
utilização de unidades do SI e também algumas convenções de estilos desse sistema. Dessa forma, 
esse manual poderá ser utilizado como fonte de consulta para a elaboração de trabalhos das diversas 
disciplinas do curso de Engenharia Química da FEQ/Unicamp. A utilização sistemática das regras e 
convenções aqui apresentadas contribui para padronizar a produção científica e acadêmica. A 
difusão dessas normas entre os alunos permite que eles utilizem corretamente o SI, possibilitando 
elaborar trabalhos, relatórios e teses, dentro das normas utilizadas mundialmente, tanto na sua vida 
acadêmica como futuramente, na sua vida profissional. 
 As informações aqui apresentadas são a síntese do material contido na homepage do NIST 
(National Institute of Standards and Technology) que pode ser acessada no endereço 
http://physics.nist.gov/cuu/Units/index.html. 
 Em conjunto com as informações aqui apresentadas, sugere-se a consulta às normas ISO-31 
de 1992, que são apresentadas no “ISO Standards Handbook Quantities and units”, International 
Organization for Standardization, Genebra, Suíça, compostas de 14 partes (ISO 31-0 a 31-13), 
envolvendo diversos campos da ciência. Estas normas podem ser adquiridas no site 
http://www.iso.ch/iso/en/CatalogueListPage.CatalogueList?ICS1=01&ICS2=060. 
 
2 – Aspectos internacionais do SI 
 
 O Sistema Internacional de Unidades, universalmente abreviado SI (do francês, Le Système 
International d’Unités), é o sistema métrico moderno de medidas. O SI foi estabelecido em 1960 
pela 11a Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM – Conférence Générale des Poids et 
Mesures). A CGPM é a autoridade internacional que assegura a ampla difusão do SI e o modifica se 
necessário, para refletir os últimos avanços da ciência e tecnologia. 
 A CGPM é uma organização intergovernamental criada por um tratado diplomático 
chamado de Convenção do Metro (Convention du Mètre), assinado em Paris em 1875 por 
representantes de dezessete nações, sendo que hoje já fazem parte 48 nações. Esta convenção criou 
outras duas instituições: BIPM – Bureau International des Poids et Mesures e CIPM – Comité 
International des Poids et Mesures, que são submetidos à autoridade da CGPM e que contribuem 
Manual para utilização do Sistema Internacional (SI) 2 
 
para a unificação mundial das unidades de medida. A CGPM se reúne a cada 4 anos, sendo que a 
próxima reunião, a 23a, será realizada em 2007. 
 
3 – Breve história do SI 
 
 A criação do sistema métrico decimal, à época da Revolução Francesa e o subseqüente 
depósito de dois padrões de platina representando o metro e o quilograma nos Archives de la 
République, em Paris, a 22 de junho de 1799, são vistos como os primeiros passos no 
desenvolvimento do atual Sistema Internacional de Unidades. 
 Em 1832, Gauss promoveu fortemente a aplicação desse sistema métrico, juntamente com o 
segundo definido em astronomia, como um sistema coerente de unidades para as ciências físicas. 
Gauss foi o primeiro a realizar medidas absolutas da força magnética da Terra em termos de um 
sistema decimal baseado nas três unidades: milímetro, grama e segundo, respectivamente para 
quantidades de comprimento, massa e tempo. Posteriormente, Gauss e Weber estenderam estas 
medidas para incluir fenômenos elétricos. 
 Estas aplicações no campo da eletricidade e do magnetismo foram desenvolvidas mais tarde, 
na década de 1860, sob a liderança ativa de Maxwell e Thomson através da British Association for 
the Advancement of Science (BAAS). Eles formularam a necessidade de um sistema de unidades 
coerente, com unidades básicas e unidades derivadas. Em 1874 a BAAS introduziu o sistema CGS, 
um sistema coerente de três unidades, baseado no centímetro, grama e segundo, utilizando prefixos 
variando de micro à mega, para expressar submúltiplos e múltiplos decimais. O posterior 
desenvolvimento da física, como uma ciência experimental, foi amplamente baseado neste sistema. 
 As unidades do sistema CGS se mostraram inconvenientes nos campos da eletricidade e do 
magnetismo; assim, em 1880, a BAAS e o International Electrical Congress (predecessor do 
International Electrotechnical Commission – IEC) aprovaram um conjunto de unidades práticas 
mutualmente coerentes. Entre elas estavam: o ohm, para resistência elétrica, o volt para força 
eletromotriz e o ampère para a corrente elétrica. 
 Após o estabelecimento da Convenção do Metro, a 20 de maio de 1875, a CIPM concentrou 
seus esforços na construção de novos protótipos tomando o metro e o quilograma como unidades 
básicas de comprimento e massa. Em 1889, a 1a CGPM sancionou os protótipos internacionais do 
metro e do quilograma. Junto com o segundo astronômico como unidade de tempo, estas unidades 
constituíram um sistema de unidades tridimensional, similar ao CGS, mas com as seguintes 
unidades básicas: metro, quilograma e segundo. 
Manual para utilização do Sistema Internacional (SI) 3 
 
 Em 1901 Giorgi mostrou que é possível combinar as unidades do sistema metro-quilograma-
segundo com as unidades elétricas, de forma a obter um único sistema coerente de quatro 
dimensões, adicionando às três unidades básicas uma quarta unidade de natureza elétrica, tal como 
o ampère ou o ohm, e reescrevendo as equações que ocorrem no eletromagnetismo na chamada 
forma racionalizada. 
Após a revisão da Convenção do Metro pela 6a CGPM em 1921, a qual estendeu o escopo e 
as responsabilidades do BIPM para outros campos da física, e após uma discussão sobre a proposta 
de Giorgi, foi proposta em 1939 a adoção de um sistema de quatro dimensões baseado no metro, 
quilograma, segundo e ampere, aprovada pela CIPM em 1946. 
 Seguindo uma pesquisa internacional realizada pelo BIPM a partir de 1948, a 10a CGPM 
aprovou, em 1954, a introdução do ampere, do kelvin e da candela, como unidades básicas, 
respectivamente para corrente elétrica, temperatura termodinâmica e intensidade luminosa. O nome 
Sistema Internacional de Unidades foi dado ao sistema por ocasião da 11a CGPM em 1960. Na 14a 
CGPM em 1971 a versão atual do SI foi completada pela adição do mole como unidade básica para 
quantidade de substância, levando à sete o número total de unidades básicas do sistema. 
 
4 – Unidades básicas do SI 
 
 A Tabela 1 apresenta as sete unidades básicas do SI para sete grandezas físicas assumidas 
serem mutualmente independentes. 
 
Tabela 1 – Unidades básicas do SI. 
 Unidades Básicas do SI Grandeza 
Nome Símbolo 
comprimento metro m 
massa quilograma kg 
tempo segundo s 
corrente elétrica ampère A 
temperatura termodinâmica kelvin K 
quantidade de substância mole mol 
intensidade luminosa candela cd 
 
 
 
Manual