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05. PODERES ADMINISTRATIVOS

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Quando o particular recebe uma sanção em decorrência de uma infração no trânsito, não há manifestação do poder disciplinar, por exemplo, mas sim poder de polícia, conforme será explicado abaixo.
Poder disciplinar é, em regra, discricionário. VERDADEIRO, segundo o entendimento de Hely Lopes Meireles. Este foi o posicionamento adotado pelo concurso da fundação Carlos Chagas.
No entanto, a despeito de ser o posicionamento do referido autor, o poder disciplinar deve ser analisado em três momentos diferentes de incidência:
Instauração do processo administrativo disciplinar
Segundo os estatutos dos servidores públicos, deverá ser uma decisão vinculada por parte do superior hierárquico para averiguar se houve realmente a infração funcional.
Enquadramento da conduta na infração funcional
Existem infrações funcionais nos estatutos dos servidores que dão conceitos muito abertos (vagos) para fazer-se o enquadramento da conduta. Exemplo: conduta escandalosa; desídia nas funções públicas; ineficiência no exercício da função; etc.
É preciso a utilização do juízo de valor para se definir o enquadramento da conduta, em razão das infrações funcionais possuírem conceitos muito vagos e indeterminados. 
Expõe-se então através de uma decisão discricionária este enquadramento, quando administrador analisa o caso concreto e aplica o seu juízo de valor para definir a conduta.
Aplicação da sanção mediante a infração funcional determinada
A aplicação da sanção deverá seguir a letra da lei, ou seja, a decisão do administrador nesta etapa será dada como uma decisão vinculada. Uma vez definida a conduta, a pena sempre estará prevista em lei, não havendo margem para o juízo de valor do administrador.
	Até a lei 8112/1990 não havia determinação e delimitação tanto quanto ao enquadramento da infração funcional como na penalidade que seria aplicada. Havia deste modo, na época de Hely Lopes Meireles (que faleceu em 1990), decisão vinculada apenas para instaurar o processo e discricionária para definir a infração e aplicar a penalidade.
	Mas, hoje a jurisprudência possui maciço entendimento de que o poder disciplinar é predominantemente vinculado. Não há mais liberdade sobre a sanção. É preciso que o administrador a aplique de modo vinculado.
	Alguns estatutos, que não o estatuto do servidor federal (lei 8112/1990), mas estaduais e municipais ainda possuem sanções livres, permitindo que o administrador ainda possa escolher a sanção que quer aplicar discricionariamente. Mas a tendência é de que estas leis se modifiquem com o passar do tempo para se adequarem ao estatuto dos servidores públicos federais. 
PODER REGULAMENTAR
Segundo Maria Sylvia di Pietro, o nome mais técnico para este poder seria poder normativo e não poder regulamentar. Isso porque é um poder mais amplo em utilização das outras normas do que restrito apenas aos regulamentos.
Poder regulamentar é o poder de normatizar, de disciplinar, sendo ele complementar à lei, sempre visando buscar a sua fiel execução.
Exemplo: modalidade de licitação, o pregão serve para a aquisição de bens e serviços comuns. Surgiu com o regramento das agências reguladoras (1996); teve convertido o seu procedimento para as demais pessoas da União por medida provisória (2000); e posteriormente convertida na lei nº 10.520 para abranger a possibilidade de uso desta modalidade pelos demais entes da União (2002). Diz a lei que bem e serviço comum são aqueles que podem ser definidos no edital com uma expressão usual de mercado. Para aplicar efetivamente esta lei, é preciso que se delimitem quais serão os bens e os serviços comuns. Será necessária uma regulamentação, uma complementação. Veio então o decreto 3555 (âmbito federal), que apresenta uma lista para complementar a lei e exigir a sua fiel execução.
O exemplo mais comum de ato administrativo realizado no exercício no poder regulamentar é o regulamento. Mas, também são exemplos da manifestação deste exercício os regimentos, as resoluções, as instruções normativas, as deliberações, as portarias, etc. Mas, é o regulamento o ato que mais aparece em concurso.
	Os doutrinadores administrativistas divergem quanto à nomenclatura do ato, entre decreto e regulamento. Qual a expressão mais correta a ser utilizada?
É possível que se admita o decreto regulamentar autônomo no Brasil? Para responder esta questão algumas premissas deverão ser observadas.
A regra é de que existam leis para regulamentar as disposições que estão na Constituição Federal. E que posteriormente haja um decreto que complete e regulamente estas leis.
O decreto regulamentar no Brasil é feito pelo Chefe do Executivo, sem qualquer obediência a um procedimento rigoroso. Apesar de ter sido eleito, a atuação do Chefe do Executivo não preenche a representatividade necessária para representar os interesses da sociedade. 
Já a lei, que é feita pelo parlamento, possui grau maior representatividade da sociedade, por seu maior número de votantes e forma de debate em que ela surge. Ademais a representatividade de partidos e ideologias, sempre de forma a obedecer ao devido processo legislativo em sua edição.
	No direito comparado, encontram-se duas espécies de regulamento: o regulamento executivo e o regulamento autônomo. 
 
Respondendo à questão, sobre o decreto regulamentar autônomo no Brasil, é preciso que sejam analisadas três correntes da doutrina:
1ª corrente
Hely Lopes Meireles diz que poderá haver o decreto regulamentar autônomo no Brasil em qualquer circunstância, em qualquer caso.
2ª corrente
Celso Antonio Bandeira de Mello diz que é impossível o decreto regulamentar autônomo no Brasil, sendo vedada em qualquer hipótese. Celso Antonio diz que dar regulamento autônomo para o Presidente da República é quase que um suicídio para o País; ainda mais em um país como o Brasil em que a democracia caminha a passos lentos. Já existem mecanismos para que o Chefe do Executivo possa atuar normativamente, através da Medida Provisória, por exemplo. O decreto-lei, outrora, já fora utilizado com pouca parcimônia e, deste modo, entende o doutrinador que se fosse permitido o decreto autônomo haveria muita abusividade na conduta do Chefe do Executivo.
3ª corrente
A maioria da doutrina e da jurisprudência passou a admitir a possibilidade de decreto regulamentar autônomo a partir da emenda constitucional 32/2001. Ela alterou, dentre outros, o art. 84, VI, CF.
Art. 84, CF - Compete privativamente ao Presidente da República:
(...)
VI - dispor, mediante decreto, sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
	A doutrina que admite excepcionalmente a criação de decretos regulamentares autônomos não se decide quanto a esta alínea. Não há posição pacífica de decreto regular autônomo decorrente da organização e funcionamento da administração federal.
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
	Se o cargo é criado por lei, a sua extinção também deveria ser feita por lei (princípio do paralelismo das formas). Mas, a Constituição permite, na alínea “b”, que as funções ou cargos públicos poderão ser extintos, quando vagos, através de decreto regulamentar autônomo (decreto que está fazendo às vezes de lei, buscando fundamento de validade na própria Constituição Federal).
	Esta hipótese dos cargos vagos, da alínea “b”, já foi decidida pelo STF, tendo sido permitido o decreto regulamentar autônomo.
Deste modo, para a doutrina majoritária, será possível a edição do instrumento do decreto regulamentar autônomo pelo Chefe do Executivo em hipóteses excepcionais. 
	A hipótese do art. 225, CF é permitida por alguns doutrinadores, para que o Chefe do Executivo possa criar uma área de proteção ambiental, seja editado um decreto regulamentar autônomo. Mas não é uma posição