Prévia do material em texto
DORALICE LOPES BERNARDONI | JUNE ALISSON WESTARB CRUZ 2ª edição Série Gestão Pública Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 2ª edição revista, atualizada e ampliada por June Alisson Westarb Cruz O selo DIALÓGICA da Editora Ibpex faz referência às publicações que privilegiam uma linguagem na qual o autor dialoga com o leitor por meio de recursos textuais e visuais, o que torna o conteúdo muito mais dinâmico. São livros que criam um ambiente de interação com o leitor – seu universo cultural, social e de elaboração de conhecimentos, possibilitando um real processo de interlocução para que a comunicação se efetive. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Planejamento e orçamento na administração pública Doralice Lopes Bernardoni e June Alisson Westarb Cruz Série Gestão Pública Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. conselho editorial • Dr. Ivo José Both (presidente) Drª. Elena Godoy Dr. Nelson Luís Dias Dr. Ulf Gregor Baranow editor-chefe • Lindsay Azambuja editor-assistente • Ariadne Nunes Wenger editor de arte • Raphael Bernadelli análise de informação • Adriane Beirauti revisão de texto • Filippo Mandarino fotografias, capa e projeto gráfico • Raphael Bernadelli iconografia • Danielle Scholtz Rua Vicente Machado, 317 • 14° andar Centro • 80420-010 • Curitiba • PR • Brasil Fone: (41) 2103-7306 editora@editoraibpex.com.br www.editoraibpex.com.br Foi feito o depósito legal. Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora Ibpex. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9.610/1998 e punido pelo art. 184 do Código Penal. Índices para catálogo sistemático: 1. Planejamento orçamentário: Administração financeira 658.15 1ª edição, 2006. (2 impressões – 10.950 exemplares) 2ª edição, 2010. . . . Bernardoni, Doralice Lopes Planejamento e orçamento na administração pública / Doralice Lopes Bernardoni, June Alisson Westarb Cruz. – 2. ed. rev., atual. e ampl. – Curitiba: Ibpex, 2012. (Série Gestão pública) 2 MB ; PDF Bibliografia. isbn 978-85-7838-954-3 1. Administração financeira 2. Administração financeira – Problemas, exercícios etc. 3. Orçamento – Problemas, exercícios etc. 4. Planejamento estratégico I. Cruz, June Alisson Westarb. II. Título. III. Série. 12-08380 cdd-658.15 . . . Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. . . . Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Sumário Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Dedicatórias, x Apresentação, xii Como aproveitar ao máximo este livro, xvi Introdução, xx capítulo um Planejamento na administração pública, 25 1.1 Fases do planejamento na administração pública, 30 1.2 Princípios do planejamento na administração pública, 31 1.3 Níveis de planejamento, 32 1.4 Elementos do planejamento, 33 capítulo dois Base legal e orçamento público, 41 2.1 Princípios constitucionais da administração pública, 44 2.2 Legislação pertinente à administração pública, 46 2.3 Lei de responsabilidade fiscal, 46 2.4 Estatuto das cidades, 49 2.5 Instrumentos legais de planejamento público orçamentário, 50 capítulo três Princípios fundamentais do orçamento público, 67 3.1 Princípio da universalidade, 71 3.2 Princípio da anualidade, 71 3.3 Princípio da unidade, 71 3.4 Princípio da exclusividade, 71 3.5 Princípio do equilíbrio, 72 3.6 Princípio do orçamento bruto, 72 3.7 Princípio da não afetação das receitas, 72 3.8 Princípio da discriminação, especialização ou especificação, 73 3.9 Princípio da reserva legal (da competência), 73 Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 8 capítulo quatro Receitas e despesas públicas, 77 4.1 Receita pública, 80 4.2 Despesa pública, 94 4.3 Relação de receitas e despesas, 109 capítulo cinco Discussão, votação e aprovação da lei do orçamento, 113 5.1 Iniciativa, 116 5.2 Prazos de encaminhamento dos projetos, 116 5.3 Emendas, 118 5.4 Aprovação e publicação, 119 5.5 Vetos e rejeição, 119 capítulo seis Acompanhamento da execução orçamentária e financeira, 123 6.1 Exercício financeiro, 126 6.2 Instrumentos de equilíbrio e ajuste orçamentário, 127 6.3 Execução da despesa, 129 capítulo sete Controle e avaliação da execuçãoorçamentária e financeira, 137 7.1 Controle orçamentário brasileiro, 140 7.2 Controle externo, 141 7.3 Controle interno, 143 7.4 Novos conceitos na avaliação, 145 Considerações finais, 150 Referências, 153 Respostas, 156 Sobre os autores, 163 Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. . . . Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Dedicatórias Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Esta obra é dedicada, em especial, ao meu marido, José Bernardoni Filho, grande incentivador para a realização deste meu trabalho, e aos meus filhos, José Rodolpho e Fernanda, que me apoiaram neste desafio. Doralice Lopes Bernardoni Esta obra é dedicada às mulheres da minha vida, Vilma (esposa), Sueli (mãe), Ana (irmã), Edite (avó), Acacilda (avó – in memorian), Jaciara (cunhada), Maria Angélica (sogra) e Tereza (madrinha). June Alisson Westarb Cruz Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Apresentação Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Atualmente, o contexto social exige que repensemos a forma de atuação do Estado e o seu papel frente à sociedade, adotando-se princípios mais adequados de gestão, a fim de se aumen tar a eficiência da ação estatal, sem abandonar a eficácia e a função de coordenação das políticas públicas. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 14 Com o intuito de adequar-se a essa nova conjuntura, o Estado bra- sileiro deu início, por meio da Constituinte de 1988, à revisão de sua forma de planejamento, instituindo a obrigatoriedade da elaboração de Planos Plurianuais (PPAs) e a integração entre planejamento e orçamento. Contudo, essa medida constitucional não produziu os impactos esperados e, mesmo com os PPAs, não conseguiu apresentar mudan- ças significativas em relação às formas antigas de planejamento e orça- mento que se praticavam no país. A partir de 1998, novos requerimentos constitucionais/legais defi- nem inovadoras metodologias para o planejamento, o orçamento e a gestão pública no Brasil, levando a atual forma de planejar e organizar o orçamento: o modelo de gestão por programas. Na presente obra, apresentamos os aspectos gerais relacionados ao modelo de planejamento, orçamento e gestão, sintetizando as ques- tões mais relevantes e indispensáveis para o estudo do planejamento e do orçamento público. Elaborado de uma forma didático-evolutiva, o presente livro foi preparado para auxiliar o processo de ensino e aprendizagem rela- cionado à temática do planejamento orçamentário na administra- ção pública. No primeiro capítulo, apresentamos vários conceitos de planejamento para administração pública e suas características, bem como os princípios e os elementos inerentes a esse processo. No segundo capítulo, apresentamos as bases legais do orçamento público e seus respectivos instrumentos de planejamento, são eles: Plano Diretor, Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentária e Lei Orçamentária Anual. No terceiro capítulo, apresentamos os princípios fundamentais da administração pública e seus respectivos embasamentos de sustentação ao planejamento e ao orçamento. No quarto capítulo, enfocamos as principais práticas da elabora- ção do orçamento na administração pública por meio do entendi- mento do contexto geral das receitas e das despesas públicas. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 15 No quinto capítulo, apresentamos o processo de discussão, vota- ção e aprovação da lei do orçamento, destacando suas principais eta- pas e características. No sexto capítulo, abordamos os principais aspectos referentes ao acompanhamento da execução orçamentária e financeira no exercício financeiro. Por fim, no sétimo e último capítulo, abordamos as práticas de controle e avaliação da execução orçamentária e financeira na gestão pública. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Como aproveitar ao máximo este livro Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex. A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Este livro traz alguns recursos que visam enriquecer o seu aprendizado, facilitar a compreensão dos conteúdos e tornar a leitura mais dinâmica. São ferramentas projetadas de acordo com a natureza dos temas que vamos examinar. Veja a seguir como esses recursos se encontram distribuídos no projeto gráfico da obra. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Conteúdos do capítulo Logo na abertura do capítulo, você fica conhecendo os conteúdos que serão nele abordados. Conteúdos do capítulo: Fases do planejamento na administração pública.• Princípios da administração pública.• Níveis do planejamento na administração pública.• Elementos do planejamento público.• Após o estudo deste capítulo, você será capaz de: Compreender o contexto geral do planejamento aplicado à • administração pública. Após o estudo deste capítulo, você será capaz de: Você também é informado a respeito das competências que irá desenvolver e dos conhecimentos que irá adquirir com o estudo do capítulo. Síntese Você dispõe, ao final do capítulo, de uma síntese que traz os principais conceitos nele abordados. 41 Por parte do planejador, o processo de planejamento pressupõe uma visão holística de todo o cenário que envolve as políticas públicas, como também uma capacidade de gestão para integrar toda a estru- tura da administração (organização, pessoas, equipamentos e recur- sos financeiros), possibilitando a proposição de um conjunto de ações que atendam aos anseios da sociedade em geral. Síntese Neste primeiro capítulo, abordamos alguns conceitos indispen- sáveis à evolução do processo de planejamento, constatamos que a atividade de planejamento é uma função essencial na administra- ção pública, sendo o ponto de partida para uma administração efi- ciente e eficaz. A compreensão geral da perspectiva do planejamento sob a prática da administração pública é de extrema importância para o pleno entendimento da gestão pública tal qual a conhecemos hoje. Nesse sentido, a compreensão do planejamento sob a abordagem das suas fases, princípios, níveis e elementos nos possibilita refletir sobre suas principais funcionalidades sociais e de gestão nas organizações públicas contemporâneas sob o aspecto gerencial e legal. O planeja- mento é um instrumento de gestão de fundamental importância para avaliar os resultados de uma boa ou má administração. Questões para revisão Quais as principais fases do planejamento?1. Quais os principais elementos do planejamento público?2. O sistema de planejamento se norteia por um conjunto de ele-3. mentos que dão sustentação ao processo de tomada de decisão e de alocação de recursos. Quais são os elementos norteadores do sistema de planejamento público? planos, programas e ações;a. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Questões para revisão Com estas atividades, você tem a possibilidade de rever os principais conceitos analisados. Ao final do livro, os autores disponibilizam as respostas às questões, a fim de que você possa verificar como está sua aprendizagem. Questões para reflexão Nesta seção, a proposta é levá-lo a refletir criticamente sobre alguns assuntos e trocar ideias e experiências com seus pares. 66 Dessa forma, o ciclo do orçamento público aborda uma série de pro- cessos articulados, todos com períodos fixados, observando uma rela- ção contínua de elaboração, autorização, execução e avaliação e controle, preconizando uma ferramenta contínua de planejamento e controle, ali- nhando os objetivos do Estado com suas reais finalidades. Síntese A compreensão geral das bases legais do orçamento sob a perspectiva da prática da administração pública é de extrema importância para o pleno entendimento das limitações empíricas das ferramentas do orçamento (Plano Diretor, Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual). Nesse sentido, a compreensão do alinhamento das ferramentas operacionais do orçamento em seu ciclo com os aspectos e preceitos legais da transparência e das ações do Estado no tempo e na dinamicidade dos mandatos do poder executivo torna-se o principal desafio para a criação de valor aos stackeholders da administração pública. Questões para revisão Quais as principais legislações aplicadas ao orçamento 1. público? Quais os principais instrumentos legais do orçamento 2. público? O art. 37 da Constituição Federal de 1988 estabelece que a 3. administração pública de qualquer dos Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios constitucionais. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta a relação completa dos princípios estabelecidos: Impessoalidade; Imoralidade e Eficácia.a. 67 Moralidade; Transparência; Eficiência e Pluralidade.b. Pessoalidade; Transparência; Publicidade; Moralidade e Eficácia.c. Legalidade; Impessoalidade; Moralidade; Publicidade e Eficiência.d. Quais são as etapas operacionais do ciclo orçamentário da 4. administração pública brasileira? PPA, LDO, LOA e Plano Diretor.a. LOA, LODA, e Plano Orçamentário.b. Plano Orçamentário; Orçamento Atual e Planejamento c. Global. PPA, LDO e Orçamento Regional.d. Constitui-se na proposta orçamentária anual, que apresenta, em termos 5. monetários, as receitas e as despesas públicas que o governo pretende rea- lizar no período de um exercício financeiro, devendo ser elaborada pelo Poder Executivo e aprovada pelo Poder Legislativo. A qual das etapas do ciclo orçamentário o texto se refere? Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO.a. Plano Plurianual – PPA.b. Lei Orçamentária Anual – LOA.c. Plano Diretor.d. Questão para reflexão Entre as principais reflexões acerca das abordagens legais e opera- cionais do orçamento público, o alinhamento entre os planos de curto, médio e longo prazo apresenta-se ao centro das discussões. Nesse sen- tido, após a leitura do presente capítulo, discuta com amigos, familia- res e colegas de trabalho acerca da questão apresentada a seguir: Quais os principais desafios do alinhamento entre o Plano • Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a Lei Orçamentária Anual e o Plano Diretor nas entidades de ges- tão pública brasileiras? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid op elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Introdução Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. A sociedade brasileira passou por uma série de transformações nos últimos anos, como o processo de democratização política, as comodidades tecnológicas, o aumento da capacidade de escolha e qualidade no consumo, a estabilidade econômica, a liberação dos mercados e as privatizações (Casarotto; Pires, citados por Cruz, 2008). Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 22 Nesse contexto, destaca-se a gestão do “estado de poder”, com implicações diretas na sinergia com a sociedade no intuito de discutir alternativas de reação às disfunções decorrentes do crescimento des- controlado e da falta de recursos (Cruz, 2008). Camargo et al. (2001) afirmam que a chamada implementação do “Estado mínimo” gerou uma tendência à descentralização da responsa- bilidade social em uma nação caracterizada pela complexidade de cul- turas, extensão territorial e uma série de necessidades sociais oriun- das das mais diversas origens. Nesse sentido, nas últimas décadas, surgiram disfunções em rela- ção à atuação governamental, emergindo a necessidade da adequação do modelo de planejamento adotado pelo Estado brasileiro. Atualmente, o orçamento público em todas as suas esferas de governo (União, Estado e Municípios) é disposto por meio de um interessante ciclo de eventos, que precede um processo de reflexão, planejamento, discussão, aprovação, execução, controle e análise de desempenho. Nesse contexto, a presente obra destaca-se no sentido de expor, de forma didática e objetiva, as principais características do plane- jamento orçamentário na administração pública, apresentando suas principais especificidades legais, práticas e operacionais para possi- bilitar o bom entendimento dos temas propostos. Observe a seguir o contexto geral e específico dos principais conceitos e práticas acerca do tema. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. . . . Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. capítulo um Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Planejamento na administração pública Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Conteúdos do capítulo: • Fases do planejamento na administração pública. • Princípios da administração pública. • Níveis do planejamento na administração pública. • Elementos do planejamento público. Após o estudo deste capítulo, você será capaz de: • Compreender o contexto geral do planejamento aplicado à administração pública. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 28 O processo de planejamento é uma atividade de extrema relevân- cia para as organizações públicas e privadas, haja vista a necessidade de adequação às realidades sociais contemporâneas. Nesse sentido, o planejamento pode ser compreendido como um processo lógico que auxilia o comportamento racional na consecu- ção de atividades intencionais voltadas para o futuro. Esse comporta- mento racional, objetivando a ação futura, constitui a essência do pla- nejamento (Sertek; Guindani; Martins, 2009). Segundo Schein, citado por Weick (1973), “uma organização é a coordenação racional das atividades de algumas pessoas que procuram chegar a algum objetivo comum e explícito”. Partindo-se da premissa de que a vida organizacional pode ser dominada a partir de critérios de racionalidade, o processo de planejamento atua como instrumento capaz de conduzir racionalmente as organizações na direção almejada. Para as organizações modernas é muito importante o uso do pla- nejamento. Planejar é escrever o que se pretende para o futuro. É algo que deve ser definido pelas organizações para que essas possam tra- çar/delinear um caminho a ser seguido. Dessa forma, planejar é saber o que fazer, quando fazer, onde fazer, como fazer, com quanto (R$) fazer e para quem fazer. Portan to, o planejamento deve conter, entre outros elementos, um plano, progra- mas, ações, projetos, atividades, valores, aspectos que serão analisa- dos neste capítulo. O planejamento em geral deve partir do geral (pla- nejamento estratégico) para oespecífico (plane jamento operacional). Entretanto, para que esses dois extremos se comuniquem, deve haver um planejamento inter mediário, integrador (planejamento tático). Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 29 Figura 1.1 – Fases do planejamento Planejamento Operacional Tático Estratégico O planejamento estratégico apresenta-se sob o mapeamento e ali- nhamento dos objetivos da organização e seus planos táticos e opera- cionais, alinhando a perspectiva do ambiente interno sob as influências do ambiente externo. Nesse sentido, ele possibilita que todos os pla- nos táticos e operacionais da instituição sejam elaborados de maneira integrada e articulada, tendo as seguintes características: é projetado para longo prazo; implica maior interação entre a organização e os seus ambientes interno e externo; é sistêmico e envolve a organização como um todo. Já o planejamento tático consiste na elaboração de planos, pro- gramas e projetos para a implementação das estratégias (planeja- mento estratégico). O planejamento tático é sistêmico e interativo. Compreende as decisões organizacionais e institucionais, determi- nando os objetivos funcionais específicos, as metas e as táticas basea- das no planejamento estratégico. Para que o planejamento estratégico seja levado a efeito, ele precisa ser implementado no nível operacional da organização, local onde as tarefas são executadas. Entretanto, entre o nível institucional e o nível operacional existe uma considerável dife- rença de comportamento e de conhecimento, necessitando-se de um nível intermediário (planejamento tático) para que as decisões estraté- gicas ali contidas sejam traduzidas e adaptadas em planos capazes de serem entendidos e, consequentemente, executados, apresentando as seguintes características: um processo contínuo e permanente, tendo Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 30 seu foco no futuro; é projetado a curto e médio prazo; orienta o pro- cesso de tomada de decisão; é sistêmico, interativo e flexível. Por fim, o planejamento operacional é orientado para áreas fun- cionais ou para tarefas específicas. Ele está voltado a “o que fazer” e a “como fazer”. Os planos operacionais então referem-se à eficiência (ênfase nos meios), pois a eficácia (ênfase nos fins) é problema dos níveis institucional e intermediário da organização. Enfim, todos os três níveis devem orientar os esforços internos das organizações com o objetivo de alinhar com o ambiente externo sob o preceito de agre- gar valor e gerar economia. 1.1 Fases do planejamento na administração pública De forma geral, podemos destacar duas principais fases do plane- jamento na área pública; são elas: • fase de preparação; • fase de execução. Observe a seguir o contexto geral de cada uma das fases propostas: • fase de preparação: de caráter político, vai da formula- ção à aprovação do plano. É uma fase essencial, a qual deve ser precedida de pesquisa, a fim de dar condições ao órgão planejador para um diagnóstico, visando à fixação dos obje- tivos e das metas, com vistas aos programas e projetos. • fase de execução: de caráter técnico, envolve a implanta- ção, o controle e a avaliação do plano. Nessa fase, o plane- jamento está intimamente ligado ao orçamento, tanto que, sem aquele elemento, é impossível a sua existência pela falta do elemento principal, o planejamento. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 31 1.2 Princípios do planejamento na administração pública Os princípios do planejamento aplicados à área pública consti- tuem nas premissas que têm como objetivo direcionar de forma inte- grada a atividade de planejar, e nesse sentido, seis princípios se apre- sentam: racionalidade, previsão, universalidade, unidade, inerência e continuidade. Figura 1.2 – Ciclo de princípios do planejamento Continuidade Unidade Racionalidade Universalidade PrevisãoInerência Observe a seguir o contexto geral de cada um dos princípios: • Racionalidade – É a própria essência do planejamento. Consiste na relação de alternativas de ação, com a finalidade de fixar uma conduta final que propicie o máximo aproveitamento dos recursos empregados. • Previsão – Os programas devem ser dimensionados no tempo, ou seja, deve-se fixar o período dentro do qual os obje- tivos serão atingidos em curto, médio e longo prazos. • Universalidade – Deve abranger todas as etapas do processo econômico, social e administrativo para que se tenha orienta- Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 32 ção coerente e disciplinada dentro do quadro de constante mutação que se observa na vida econômica. • Unidade – Deve formar um todo orgânico e compatível, para evitar duplicidade de esforços e desperdícios de recursos, sendo a continuidade o princípio da universalidade. • Inerência – O planejamento deve ser inerente, pois nada será realizado com eficiência se não houver planejamento de suas diretrizes em acordo com as mutações do meio social. • Continuidade – Deve ser permanente, de duração ilimitada. 1.3 Níveis de planejamento Os níveis de planejamento consistem em delimitar o campo de abrangência das atividades de planejamento na administração pública; nesse sentido, apresentam os seguintes níveis em seu planejamento: Figura 1.3 – Níveis de planejamento Planejamento global Planejamento regional Planejamento setorial Conforme apresentado na Figura 1.3, os níveis de planejamento público tem início em uma relação mais ampla, por meio do planeja- mento global, passando para uma abordagem regional e, de certa forma, customizada por meio do planejamento regional e, por fim, por meio do pla- Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto rais é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 33 nejamento setorial apresenta-se sob um determinado segmento. Observe a seguir o contexto geral de cada um dos níveis de planejamentos: • Planejamento global: Delimita, em seu sentido amplo, a política de desenvolvimento, ou seja, políticas para o cresci- mento do bem-estar econômico, medido pelo produto nacio- nal total e produto nacional per capita; para a redução dos níveis de pobreza, desemprego e desigualdades e para a melhoria das condições de saúde, educação, moradia e transporte para a população. O planejamento global preocupa-se com os dados referentes ao produto nacional bruto, renda nacional, níveis de poupança e investimentos. • Planejamento regional: Objetiva solucionar problemas de determinada região, cor ri gindo o desequilíbrio entre áreas regio- nais, com vistas sem pre à expansão econômica. Desde a década de 1970 observa-se uma tendência de desconcentração econômica de regiões e estados mais ricos do Sul e Sudeste para o Norte, Nordes te e Centro-Oeste. O mesmo aconteceu com as regiões metro politanas em relação ao interior do estado. Isso se deu em função das políticas regionais como a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Superintendência da Amazônia (Sudam) e de políticas setorias (de apoio à agricul- tura) implantadas pelos go ver nantes. • Planejamento setorial: Abrange um determinado seg- mento social e econômico, tais como saúde pública, habita- ção, educação, segurança pública, entre outros. Um governante pode dar maior ênfase para um setor (por exemplo, apoio à agricultura, à assistência social) em detrimento a outros. 1.4 Elementos do planejamento O sistema de planejamento na administração pública está estru- turado de forma a atender aos três instrumentos de planejamento: o Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 34 Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei de Orçamento Anual (LOA). Dessa forma, o sistema de planejamento se norteia por um con- junto de elementos (planos, programas e ações) que dão sustentação ao processo de tomada de decisão e de alocação de recursos. Observe a seguir o contexto geral de cada um desses elementos: • Plano: Consiste na definição das diretrizes gerais do governo. Deve ser orientado por uma visão estratégica capaz de conferir foco às principais demandas, que deverão ser atendidas em um determinado horizonte temporal. • Programas: Os programas decorrem sempre de um plano mestre. Consistem em um conjunto de ações denominadas de projetos, atividades, operações especiais e ações não orçamentárias, com objetivos preestabelecidos, visando à solução de um problema da sociedade e/ou ao aproveitamento de uma oportunidade de investimento. Os programas se constituem em instrumento de organização da atuação governamental que se apresentam clas- sificados nas três esferas, por quatro tipos, são eles: finalísti- cos, serviços ao Estado, gestão de políticas públicas e de apoio administrativo. Observe a seguir o contexto geral de cada um dos tipos de programas: › Finalístico: São programas cujo produto final é ofertado diretamente à sociedade. Ex.: atenção básica em saúde, erra- dicação do trabalho infantil etc. › Serviços ao Estado: São programas advindos de institui- ções criadas especificamente para prestar serviços ao Estado. Ex.: Companhia de Informática do Paraná (Celepar), que presta serviços de informática a todos os órgãos do governo do Estado do Paraná. › Gestão de políticas públicas: Compreende ações de for mulação, coordenação e execução de políticas públicas. Ex.: Programa Nacional de Apoio à Modernização da Gestão dos Estados Brasileiros e do Distrito Federal (Pnage). Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 35 › Apoio administrativo: Envolve ações de manutenção da estrutura da organização e de apoio administrativo aos demais programas. Ex.: gerenciamento da estrutura do cen- tro social urbano. Com essa classificação é possível saber quanto de recurso o governo está destinando para cada tipo de programa. Como todo plano da administração pública é estruturado por programas, estes precisam indicar que situação será modificada com a sua implementação, que bens e serviços serão gerados, quem vai fazer, quem será beneficiado, como será feito, por quanto tempo, quanto em valor custará, quanto será produzido e como será avaliado. Todos esses atributos estão assim definidos e estruturados no PPA: • Título do programa: Em uma palavra ou frase-síntese, o título deve remeter a sociedade aos objetivos do programa. Ex.: erradicação do trabalho infantil. Órgão responsável: quem fará? É o órgão que executará o programa. Ex.: Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome. • Justificativa: Identifica o problema, a demanda ou a oportuni- dade, descrevendo o cenário atual, uma vez que é a partir daí que se estabelece toda a estratégia de desenvolvimento do programa, cuja solução proposta será traduzida pelos seus objetivos. • Objetivo: Onde chegar? Estabelece o compromisso com o resultado desejado. Sempre inicia com um verbo de ação. Ex.: manter as crianças nas escolas. • Público-alvo: Quem será beneficiado? Determina os seg- mentos da sociedade beneficiados pela ação do programa. Ex.: alunos da rede estudantil; pequenos e microempresários. Estratégia de implementação: como fazer? Estabelece, passo a passo, a estratégia a ser utilizada, especificando a forma de ação para alcançar os resultados do programa. Horizonte tem- poral: por quanto tempo? Determina o período de duração Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 36 do programa, que pode ser de natureza contínua ou temporá- ria. Entretanto, um único programa pode apresentar as duas formas de ação. Se o programa se classificar como temporá- rio, a sua previsão (mês e ano) de início e de término deverá ser informada. • Valor do programa: Quanto custará? O valor total do pro- grama é estabelecido levando-se em conta os recursos do Tesouro e de outras fontes. Para os programas temporários, considera-se o valor para a execução total. Para os de dura- ção continuada, considera-se apenas o período de governo da administração atual. • Meta física: Refere-se à quantificação do que se pretende desenvolver. É o estabelecimento de açõespossíveis de serem atingidas em um determinado período, definidas a cada ano, inclusive de forma regionalizada, quando for o caso. • Indicador: Como medir o resultado? É o parâmetro apurável em tempo oportuno que possibilita a mensuração das ações de acordo com os objetivos estabelecidos. Ex.: número de crian- ças em situação de risco; número de beneficiários do programa; número de novas escolas etc. Dessa forma, pode-se verificar que os propósitos de um programa são definidos pelo conjunto de seus atributos, que são de fundamental importância no processo decisório para inclusão do programa no PPA. Nesse sentido, os indicadores propostos devem observar alguns atributos, são eles: • Descrição: Consiste na forma como o indicador é apresentado à sociedade. Ex.: número de crianças em situa ção de risco. • Unidade de medida: É o referencial escolhido para a mensu- ração do indicador. Ex.: número de alunos, km2 etc. • Índice: É a aferição do indicador em um dado momento, men- surado com a unidade de medida escolhida. O índice pode ser Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 37 de referência e final (índice que se preten de atingir ao término do programa). • Fonte: É o órgão responsável pela apuração e divulgação dos índi- ces. Ex.: Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). • Periodicidade: É a frequência da apuração e da divulgação do índice. Ex.: mensal, trimestral, semestral ou anual. • Base geográfica: Consiste no menor nível de agregação geo- gráfica da apuração do índice. Ex.: municipal, regio nal, esta- dual, nacional. • Fórmula de cálculo: Definição da fórmula matemática ou de uma explicação necessária à compreensão do índice. Os atributos dos indicadores do programa possibilitam identifi- car a forma como será mensurada determinada ação governamental, sendo que a identificação deles torna mais transparente a avaliação dos resultados do programa. • Ação: compreende os projetos, as atividades, as operações especiais e as ações não orçamentárias de um determinado programa. › Projeto: É um instrumento de programação para a con- secução do objetivo de um programa. É limitado no tempo e seu produto final concorre para expansão ou aperfeiçoa- mento da ação governamental. Ex.: implantação da Estrada de Ferro Norte. › Atividade: É um instrumento de programação que é utili- zado para atingir o objetivo de um programa. A ativida de é uma ação de natureza contínua e permanente cujo produto final é necessário à manutenção da ação governamental. Ex.: manutenção das ferrovias estaduais. › Operações especiais: São obrigações que não geram pro- duto e também não colaboram para a manutenção da ação governamental. Ex.: encargos da dívida, financiamentos, indenizações, ressarcimentos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 38 › Ações não orçamentárias: Contribuem para a conse- cução dos objetivos do programa, porém não compõem o orçamento do Estado. Ex.: parcerias com outras esfe ras de governo, com instituições não governamentais e/ou priva- das, edição de instrumentos normativos etc. O desdobramento das ações dos programas em projetos, ativi- dades, operações especiais e ações não orçamentárias permite uma maior articulação e integração com o orçamento anual, possibilitando maior controle do governo e da sociedade sobre o desenvolvimento de políticas públicas, que devem observar os seguintes atributos: • Título: Em uma palavra ou frase-síntese, o título deve reme- ter a sociedade aos objetivos do programa. • Descrição: É expressa no orçamento, de forma concisa, o que é efetivamente feito no âmbito da ação, do seu escopo e de suas delimitações. • Produto: É o bem ou o serviço, destinado ao público-alvo, que resulta da ação. • Unidade de medida: É o referencial para mensurar a produ- ção do bem ou do serviço. • Finalidade: Expressa o objetivo a ser alcançado pela ação. • Especificação do produto: Define as características do pro- duto acabado. • Forma de implementação: Refere-se às estratégias de ação, isto é, à forma como a ação vai ser executada, que pode ser direta (não requer transferência de recursos), descentrali- zada (envolve o repasse de recursos) e linha de crédito (requer empréstimo de recursos). Assim como acontece com os programas, as ações também têm seus atributos associados aos objetivos do programa, e o conjunto desses atributos possibilita traçar o perfil de cada ação, isto é, dos projetos, das atividades e das operações especiais que formam o programa. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 39 Por parte do planejador, o processo de planejamento pressupõe uma visão holística de todo o cenário que envolve as políticas públicas, como também uma capacidade de gestão para integrar toda a estru- tura da administração (organização, pessoas, equipamentos e recur- sos financeiros), possibilitando a proposição de um conjunto de ações que atendam aos anseios da sociedade em geral. Síntese Neste primeiro capítulo, abordamos alguns conceitos indispen- sáveis à evolução do processo de planejamento, constatamos que a atividade de planejamento é uma função essencial na administra- ção pública, sendo o ponto de partida para uma administração efi- ciente e eficaz. A compreensão geral da perspectiva do planejamento sob a prática da administração pública é de extrema importância para o pleno entendimento da gestão pública tal qual a conhecemos hoje. Nesse sentido, a compreensão do planejamento sob a abordagem das suas fases, princípios, níveis e elementos nos possibilita refletir sobre suas principais funcionalidades sociais e de gestão nas organizações públicas contemporâneas sob o aspecto gerencial e legal. O planeja- mento é um instrumento de gestão de fundamental importância para avaliar os resultados de uma boa ou má administração. Questões para revisão 1. Quais as principais fases do planejamento? 2. Quais os principais elementos do planejamento público? 3. O sistema de planejamento se norteia por um conjunto de ele- mentos que dão sustentação ao processo de tomada de decisão e de alocação de recursos. Quais são os elementos norteadores do sistema de planejamento público? a. planos, programas e ações; Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã od a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 40 b. metas, valores e objetivos; c. missão, visão e valores; d. planos, objetivos e análise pós-ação. 4. Consiste na definição das diretrizes gerais do governo. Deve ser orientado por uma visão estratégica capaz de conferir foco às principais deman- das que deverão ser atendidas em um determinado horizonte temporal. O presente conceito representa qual dos elementos de planeja- mento da administração pública? a. ações; b. planos; c. programas; d. missão. 5. Delimita, em seu sentido amplo, a política de desenvolvimento, ou seja, políticas para o crescimento do bem-estar econômico, medido pelo produto nacional total e produto nacional per capita; para a redução dos níveis de pobreza, desemprego e desigualdades e para a melhoria das condições de saúde, educação, moradia e transporte para a população. Dessa forma, esse planejamento preocupa-se com os dados referentes ao pro- duto nacional bruto, renda nacional, níveis de poupança e investi- mentos. A qual nível de planejamento o conceito se refere? a. Planejamento setorial. b. Planejamento regional. c. Planejamento estratégico. d. Planejamento global. Questão para reflexão Entre as principais reflexões acerca da aplicabilidade e da funciona- lidade do planejamento aplicado à gestão pública, percebe-se a obedi- ência dos aspectos gerenciais e legais ao mesmo tempo. Nesse sentido, após a leitura do presente capítulo, discuta com amigos, familiares e colegas de trabalho acerca da questão apresentada a seguir: • Quais os principais desafios do planejamento aplicado à gestão pública no contexto brasileiro? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. capítulo dois Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Base legal e orçamento público Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Conteúdos do capítulo: • Contexto geral das bases legais do orçamento público. • Principais legislações aplicadas ao orçamento público. • Principais características do Plano Diretor. • Principais características do Plano Plurianual. • Principais características da Lei de Diretrizes Orçamentárias. • Principais características da Lei Orçamentária Anual. Após o estudo deste capítulo, você será capaz de: • Compreender o contexto geral das principais legislações acerca do orçamento, bem como as principais ferramentas de opera- cionalização do orçamento público. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 44 Com base no princípio da legalidade, apresentaremos neste capí- tulo o conjunto de normas que estão intimamente ligadas ao processo orçamentário, tais como: Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Lei Orçamentária Anual (LOA), Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Estatuto das Cidades, Plano Diretor, Lei nº 4.320/1964, entre outras. A Constituição Federal de 1988 enfatizou a função de planeja- mento ao introduzir significativas mudanças durante o processo de orçamentação, aliando o orçamento público ao planejamento e inte- grando os instrumentos de planejamento: o PPA, a LDO e a LOA. A partir da publicação da Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), novas e importantes atribui- ções foram dadas à LDO, no sentido de garantir uma gestão fiscal responsável. Além desses instrumentos, culminando com o processo de pla- nejamento municipal, a Constituição Federal de 1988 definiu, em seus arts. 182 e 183, as regras básicas de política urbana, destacando a necessidade de elaboração e aprovação do Plano Diretor, que é instrumento norteador da política de desenvolvimento e expansão urbana. A regulamentação desses artigos foi dada pela Lei Federal nº 10.257/2001, que instituiu o Estatuto das Cidades, assegurando a todos os cidadãos o direito às cidades sustentáveis em seu cresci- mento econômico, populacional e territorial, garantindo o bem-estar da coletividade e integrando a área urbana com a área rural. 2.1 Princípios constitucionais da administração pública O art. 37 da Constituição Federal de 1988 estabelece que a admi- nistração pública de qualquer dos Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios constitu- cionais da: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 45 • legalidade; • impessoalidade; • moralidade; • publicidade; • eficiência. Observe a seguir o contexto geral de cada um dos princípios cons- titucionais da administração pública: • Princípio da legalidade: O princípio da legalidade, como o próprio nome já menciona, consiste no fato de a administração pública estar rigo rosamente subordinada à constituição e à lei. Para o administrador público, o princípio da legalidade signi- fica que ele só pode fazer aquilo que a lei determina, ao contrá- rio do administrador privado, para quem aquilo que não é proi- bido é permitido fazer. • Princípio da impessoalidade: O princípio da impessoa- lidade determina que a atividade pública deve ser destinada, indistintamente, a todos os cidadãos, sem a determinação de pessoas ou discriminação de qualquer natureza. • Princípio da moralidade: Esse princípio vai além da legali- dade, pois analisa o mérito da ação administrativa. Verifica se é pertinente ao interesse público ou apenas aos interesses do administrador público. • Princípio da publicidade:Consiste na obrigatoriedade da divulgação dos atos de go verno, dando ampla publicidade aos contratos e a outros instrumentos celebrados pela administra- ção pública. • Princípio da eficiência: Introduzido pela Emenda Constitucional nº 19/1998, o princípio da eficiência estabelece o dever de trabalhar com produtividade, economicidade, efici- ência, presteza e competência. A finalidade da inclusão da efi- ciência como princípio constitucional expresso é permitir que Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 46 a administração ofereça ao cidadão mais serviços, com melhor qualidade, em menor tempo e com redução de custos. Esses princípios determinam como a administração pública deve funcionar e consequentemente regem a conduta do gestor público, que deve agir sempre em conformidade com o orde namento jurídico e com a moral administrativa. 2.2 Legislação pertinente à administração pública Para compreender a correta prática da administração pública, torna-se necessário compreender o contexto geral e específico da Lei nº 4.320/1964. Ela foi a precursora do processo de planejamento governamental, estabe- lecendo normas gerais de direito financeiro para a elaboração e o controle dos orçamentos e dos balanços da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal. Com ela, adotou-se o modelo orçamentário padrão e um plano de contas para as três esferas de governo, determinando que as receitas e as despesas de capital deveriam projetar-se trienalmente, ou seja, por dois exercícios além daquele coberto pelo orçamento anual. 2.3 Lei de responsabilidade fiscal A Lei de Responsabilidade Fiscal, ou LRF, é a Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, que introduziu novas responsabilidades para o administrador público com relação ao processo de orçamenta- ção, limitando gastos com pessoal, proibindo criar despesas de dura- ção continuada sem indicação de fonte segura de receita e criando a disciplina fiscal para o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 47 A LRF é considerada um marco na história das finanças públi- cas do Brasil, pois, ao discipli nar as finanças públicas controlando o crescimento da despesa de acordo com as receitas de cada ente federa- tivo, preencheu importante lacuna para a obtenção do equilíbrio fiscal. É possível, por meio dela, avaliar melhor a gestão de prefeitos, gover- nadores e do presidente da República, haja vista a redução dos passi- vos financeiros deixados de um governo para o outro. O planejamento é o ponto de partida da LRF, pois com ele são definidas as normas da gestão fiscal, estabelecendo novas e importan- tes funções para a LDO e para a LOA, cuja aprovação está condicio- nada à participação da população, inclusive em audiências públicas, o que faz aproximar o governo da sociedade em geral, assegurando assim maior transparência da ação governamental. A LRF apoia-se em quatro eixos: o planejamento, a transpa rência, o controle e a responsabilização, conforme abordado na figura a seguir: Figura 2.1 – Eixos da Lei de Responsabilidade Fiscal Planejamento Controle TransparênciaLRFResponsabilização Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Observe a seguir o contexto geral de cada um dos quatro eixos da Lei de Responsabilidade Fiscal: • O planejamento é aprimorado pela criação de novas informações, metas, limites e condições para a renúncia de receita, para a agregação de despesas – inclusive com pes- soal e de seguridade, para assunção de dívidas, realiza- ção de operação de crédito –, incluindo a Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) e concessão de garantias. • A transparência é concretizada com a divulgação ampla, inclusive pela internet, de quatro novos relatórios de acompanhamento da gestão fiscal, que permitem iden- tificar as receitas e as despesas: Anexo de Metas Fiscais, Anexo de Riscos Fiscais, Relatório Resumido da Execução Orçamentária e Relatório de Gestão Fiscal. • O controle é aprimorado pela maior transparência e qua- lidade das informações, exigindo uma ação fiscalizadora mais efetiva e contínua dos tribunais de contas. • A responsabilização deve ocorrer sempre que houver o descumprimento das regras, com a suspensão das trans- ferências voluntárias, das garantias e da contratação de ope- rações de crédito, inclusive ARO. Os responsáveis sofrem as san ções previstas na legislação que trata dos crimes de responsabilidade fiscal. Fonte: Araújo et al., 2010. Podemos considerar esses quatro eixos como os propósitos da LRF, com base nos quais essa lei busca atingir um controle mais efetivo de políticas e ações previamente estabelecidas pelo planejamento, assim como da gestão responsável dos recursos financeiros, fazendo cumprir a missão da administração pública dentro dos preceitos morais e éti- cos que todo cidadão espera. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 49 2.4 Estatuto das cidades Após dez anos de tramitação no Congresso Nacional, foi apro- vado em 10 de julho de 2001 o Estatuto das Cidades, representado pela Lei Federal nº 10.257/2001, que passou a vigorar a partir do dia 10 de outubro desse mesmo ano, regulamentando os arts. 182 e 183 da Constituição Federal de 1988, que tratam da política urbana. Estabelece, também em seu art. 4º, que os municípios devem uti- lizar, entre outros instrumentos, o PPA, a LDO, a LOA e o Plano Diretor para atingir os fins definidos na referida lei. No art. 40, pará- grafo 1º, o Estatuto das Cidades determina que o Plano Diretor é parte integrante e integrador do processo de planejamento munici- pal, devendo o PPA, a LDO e a LOA incorporarem as diretrizes e as prioridades nele contidas. A lei destaca em seu art. 44 a necessidade de realização de debates, audiências públicas sobre as propostas do PPA, da LDO e da LOA, como condicionante à sua aprovação pela Câmara Municipal. A partir do Estatuto das Cidades, os municípios passam a utilizar de forma obrigatória o Plano Plurianual, a Lei de DiretrizesOrçamentárias, a Lei Orçamentária Anual e o Plano Diretor. Nesse sentido, é inquestionável o avanço que o Estatuto das Cidades trouxe na integração de ações de planejamento e controle urbano e na gestão de cidades. Entretanto, não foi contemplada a integração das ações de planejamento para o desenvolvimento regio- nal, ficando pendente a gestão de questões comuns que envolvem mais de um município. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 50 2.5 Instrumentos legais de planejamento público orçamentário O Estado tem como principal função a promoção e a regulação da justiça social, da igualdade entre regiões e da viabilidade econô- mica, social, política, ambiental, cultural e territorial. Nesse sentido, as esferas governamentais utilizam o orçamento como ferramenta do alinhamento entre os municípios, estados e união na gestão pública. O orçamento público tem como objetivo principal o alinhamento entre as necessidades sociais e as ações de curto, médio e longo prazo do estado. No orçamento público, é elaborado em quatro etapas distintas: 1. Elaboração do Plano Plurianual 2. Elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias 3. Elaboração da Lei Orçamentária Anual 4. Elaboração do Plano Diretor Cada uma dessas etapas sugere um nível de discussão entre os pode- res do Estado, que refletem sobre as futuras ações do Estado por meio do entendimento das ações passadas e tendências futuras. Elaborado pelos três poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário), tem como característica principal o equilíbrio entre as receitas e despesas, não podendo fixar despesas cujo valor previsto seja maior do que as previsões de recursos disponíveis. Tal limitação reforça a necessidade dos gesto- res públicos de definir prioridades na aplicação dos recursos, prioridades estas que são analisadas por meio das etapas previstas. Observe a seguir o contexto geral de cada uma das etapas: Plano Diretor De acordo com a Constituição Federal de 1988, o processo de pla- nejamento municipal inicia-se, para os municípios com mais de 20 mil habitantes, com o Plano Diretor. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 51 Ele deve ser concebido em conformidade com a Lei Orgânica do Município e com a LRF, incluin do atualização e revisão pelo menos a cada dez anos. Constitui-se no principal instrumento de planejamento sustentá- vel desses municípios, contribuindo na formação de diretrizes para expansão urbana e desenvolvimento nas mais diversas áreas, visando sempre ao interesse da coletividade. É por meio do Plano Diretor que as normas para utilização dos demais instrumentos da política urbana municipal são inseridas no planejamento municipal, possibili- tando que estes sejam utilizados. De acordo com o Estatuto das Cidades, a obrigatoriedade para a elaboração do Plano Diretor cabe aos municípios, que se enquadram nos itens abaixo: • cidades com mais de 20.000 habitantes; • cidades integrantes de regiões metropolitanas e aglome- rações urbanas nas quais o Poder Público pretenda utili- zar os instrumentos previstos no parágrafo 4º, do art. 182 da Constituição Federal (parcelamento ou edificação com- pulsórios; Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) – progressivo no tempo; desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública); • cidades integrantes de áreas de especial interesse turístico; • cidades inseridas em áreas de influência de empreendimen- tos ou atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional. Fonte: Gasparini, 2002. Mas quais são as principais legislações pertinentes ao Plano Diretor? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 52 O Plano Diretor é o principal instrumento de planejamento para execução da política urbana dos municípios, cujas normas para sua elaboração estão definidas nas seguintes legislações: • Constituição Federal de 1988 – arts. 182 e 183 – capítulo II, que trata da política urbana; • Lei nº 10.257/2001 – Estatuto das Cidades. Normatiza os arts. 182 e 183 da Constituição Federal de 1988; • Resoluções do Conselho das Cidades – ConCidades. Além dessas principais, algumas resoluções tratam da relação ope- racional do Plano Diretor, entre elas a Resolução nº 34 do Conselho das Cidades – ConCidades, que em seu art. 1º estabelece que o Plano Diretor deve prever no mínimo os seguintes conteúdos: I. ações e medidas para assegurar o cumprimento das fun- ções sociais da cidade, considerando o território rural e urbano; II. ações e medidas para assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana, tanto privada como pública; III. objetivos, temas prioritários e estratégias direcionados ao desenvolvimento da cidade e à reorganização territorial do município, considerando sua adequação aos espaços terri- toriais adjacentes; IV. os instrumentos da política urbana prevista pelo art. 42 do Estatuto das Cidades, vinculando-os às estratégias e aos objetivos estabelecidos no Plano Diretor. Respeitadas as peculiaridades de cada município, a exigên cia para conter esse conteúdo mínimo no Plano Diretor objetiva, fundamen- talmente, garantir que a efetividade da função social da cidade e da propriedade urbana seja feita em prol do bem comum, proporcio- nando a todos os cidadãos o direito ao saneamento básico, à moradia, à segurança, entre outros serviços. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 53 Essas necessidades devem preceder uma abordagem de controle sob as ações de gestão e administração pública realizadas no municí- pio. Nesse sentido, o Plano Diretor prevê a operacionalização de um sistema de acompanhamento e controle que se constitui no monitora- mento dos resultados obtidos, verificando o cumprimento das regras estabelecidas. O Estatuto das Cidades garante à população a participação direta nas atividades relacionadas ao Plano Diretor, tanto da elaboração quanto do acompanhamento e controle das ações. Os instrumentos de indução de desenvolvimento atribuemao Poder Público ferramentas que possibilitam regulamentar e contro- lar os processos de formação da cidade. Com eles, é possível contro- lar o processo especulativo, regulando o preço do mercado imobiliá- rio e estimulando o exercício da função social da propriedade urbana. Plano Plurianual (PPA) O Plano Plurianual tem como objetivo principal estabelecer metas de continuidade dos programas e projetos de longo prazo, percebendo novas expectativas de desenvolvimento. Realizado a cada quatro anos, o PPA alinha as metas do Poder Executivo em seus mandatos, pois tem início e término ao final do primeiro ano do executivo – ano em que o plano deve ser aprovado pelo Congresso Nacional. De forma geral o PPA é compreendido como o plano que expressa o planejamento de médio prazo. Constitui-se em uma peça formal da administração pública, representando a tradução do Plano de Governo em programas e ações que atendem aos anseios da socie- dade dentro dos princípios da eficiência, eficácia, efetividade e equi- dade. Com vigência entre o início do segundo ano de mandato e o final do primeiro ano do mandato subsequente, ou seja, um mandato não coincide com o período de duração de um plano; o próximo chefe do Executivo herda sempre o último ano de vigência do PPA do man- dato anterior. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 54 Qualquer ação governamental somente poderá ser realizada durante a execução orçamentária se o programa estiver contemplado no PPA. De acordo com a Constituição Federal de 1988 (art. 165), a lei que instituir o PPA estabelecerá, “de forma regionalizada, as dire- trizes, os objetivos e as metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para os programas de duração continuada.” Dessa forma, o PPA deve ser elaborado de forma regionalizada, isto é, por região. A regionalização define a abrangência geográfica da ação governamental. A União adota a regionalização macroe conômica (Centro-Oeste, Norte, Nordeste, Sudeste e Sul) e a maioria dos esta- dos também, guardando suas respectivas especificações. P er gu n ta e r es po st a Mas como operacionalizar a regionalização do PPA em municípios pequenos? Nos casos dos municípios, a regionalização do PPA apre- senta dificuldades – principalmente naqueles com dimensões pequenas, que podem ser solucionadas adotando-se a divi- são por zona urbana e zona rural e, no caso de essa divisão ser impraticável, recomenda-se informar que a ação é municipal, isto é, abrange todo o território. Com relação às diretrizes do PPA, estas são orientações estratégi- cas que norteiam as ações dos entes governamentais durante a vigên- cia do Plano, com vistas a alcançar os seus objetivos, resultando no bem comum da coletividade. Por exemplo: “a estratégia de desenvolvimento de longo prazo” constitui a orientação estratégica do governo Lula – PPA 2004/2007 –, subdividida em três megaobjetivos: 1. inclusão social e redução das desigualdades sociais; 2. crescimento com geração de emprego e renda, ambientalmente sustentável e redutor das desigualdades regionais; Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 55 3. promoção e expansão da cidadania e fortalecimento da democracia. Para o melhor entendimento dos aspectos gerais do PPA, dois conceitos são essenciais, e são eles: objetivos e metas para a adminis- tração pública. Objetivos: Os objetivos expressam os problemas diagnostica- dos que se pretende solucionar e as demandas existentes as quais se espera atender, consistindo basicamente na definição dos programas de governo. É possível dizer que os desafios são decompostos em fun- ção dos megaobjetivos do PPA que serão vencidos pelos programas de governo. Um exemplo é o que encontramos no “Plano Brasil: par- ticipação e inclusão”. Megaobjetivo: inclusão social e redução das desi- gualdades sociais. Desafio: promover o acesso universal com quali- dade e equidade à seguridade social (saúde, previdência e assistência). Programa: Atenção Básica em Saúde. Metas da administração pública: As metas referem-se aos resultados (bens e/ou serviços) que se espera obter com a execução dos programas e de suas respectivas ações governamentais, quais sejam: projeto, atividade ou operação especial. Assim, as metas serão as referências mensuráveis que permitem completar o caminho, ou seja, partindo-se de diretrizes gerais, através da escolha de prioridades e de ações opera- cionalizarão as mesmas, será possível vislumbrar até que ponto o planejamento foi bem sucedido e se os resulta- dos verificáveis estão à altura das expectativas. (Chalfun; Méllo, 2001) As metas especificam e quantificam fisicamente os objetivos de um programa. Um exemplo é o Programa da Erradicação da Febre Aftosa no Paraná: especificação da meta: vacinação de bovinos; quan- tidade: 100% dos bovinos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 56 Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) Considerada uma inovação no sistema orçamentário brasileiro, a LDO dita as regras para o equilíbrio de receita e despesa para cada ano, além de dar mais transparência ao processo orçamentário, amplian- do-se inclusive a participação do Poder Legislativo no disciplina- mento e na fiscalização das finanças públicas. Além de manter caráter de orientação à elaboração da LOA, a LDO fornece também as ins- truções e as regras a serem cumpridas na execução do orçamento. Considerada o elo entre o PPA e a LOA, a LDO deve conter as metas e as prioridades para o exercício financeiro subsequente, as orientações à elaboração da LOA, as disposições sobre alteração na legislação tributária e o estabelecimento da política de aplicação das agências financeiras de fomento. De acordo com a Constituição Federal de 1988, cabe à LDO disci- plinar outros importantes assuntos, como no parágrafo 1º do art. 169: concessão de qualquer vantagem ou aumento de remune- ração, para criação de cargos, em pregos e funções ou alte- ração de estrutura de carreiras, bem como para admissão ou contratação de pessoal, a qualquer título, pelos órgãos e entidades da administração direta ou indireta [...]. Também disciplina questões como os parâmetros para iniciativa de lei de fixação de remunerações no âmbito do Poder Legislativo, os limi- tes para elaboração das propostas orçamentárias do Poder Judiciário e do Ministério Público, por exemplo. Uma definição antecipada desses assuntos representaimportante apoio na preparação do Projeto de Lei Orçamentária. A LDO passou a ter importância ainda mais significativa a partir da edição da LRF, pois esta lhe deu a atribuição de disciplinar inúme- ros temas, tais como: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 57 • equilíbrio entre receitas e despesas; • metas fiscais; • riscos fiscais; • programação financeira e cronograma de execu- ção men sal de desembolso, a serem estabelecidos pelo Poder Executivo trinta dias após a publicação da lei orçamentária; • critérios e forma de limitação de empenho a serem efeti- vados quando da hipótese de risco do não cumprimento das metas fiscais ou de ultrapassagem do limite da dívida consolidada; • normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos; • condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas e privadas; • forma de utilização e montante da reserva de contingên- cia a integrar a LOA; • demonstrações trimestrais apresentadas pelo Banco Central sobre o impacto e o custo fiscal das suas operações; • concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de na - tureza tributária da qual decorra renúncia de receita. Fonte: Santos, 2005. A Constituição Federal e a LRF determinam ainda que o texto do projeto da LDO deve ser acompanhado dos Anexos de Metas Fiscais e de Riscos Fiscais. Observe a seguir o contexto geral do anexo de metas e de riscos fiscais. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 58 Anexo de Metas Fiscais Esse documento é introduzido no processo de planejamento governamental por meio da LRF, a qual determina que o seu conteúdo deve conter: Art. 4º [...] § 1º metas anuais, em valores correntes e constantes, relati- vas a receitas, a despesas, aos resultados nominal e primá- rio e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes. § 2º O Anexo conterá, ainda: I – avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior; II – demonstrativo das metas anuais, instruído com memó- ria e metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos, comparando-as com as fixadas nos três exercí- cios anteriores, e evidenciando a consistência delas com as premissas e os objetivos da política econômica nacional; III – evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três exercícios, destacando a origem e a aplicação dos recur- sos obtidos com a alienação de ativos; IV – avaliação da situação financeira e atuarial: a) dos regimes geral de previdência social e próprio dos ser- vidores públicos e do Fundo de Amparo ao Trabalhador; b) dos demais fundos públicos e programas estatais de natureza atuarial; V – demonstrativo da estimativa e compensação da renún- cia de receita e da margem de expansão das despesas obri- gatórias de caráter continuado. [...] Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 59 Anexo de Riscos Fiscais Contém avaliação sobre os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas, informando as providências a serem tomadas, caso se efetivem. Entende-se por passivo contingente a possibilidade de um fato externo à administração ocorrer ou não (ex.: ações trabalhistas, cíveis, comerciais, tributárias etc. em trâmite no Poder Judiciário), sendo que a incerteza de sua realização gera uma situação de risco. Os riscos fiscais refletem as possibilidades de as receitas arrecadadas serem inferiores aos valores previstos na LOA (ex.: queda da arrecada- ção de tributos em decorrência de fatores conjunturais) ou de as despesas empenhadas serem superiores aos valores fixados nela (ex.: expansão das despesas em decorrência da discrepância entre valores de projeções versus realização, como variáveis de inflação, taxa de juros, entre outros). O Anexo de Riscos Fiscais tem como objetivos: • servir como parâmetro para fixação do percentual mínimo de reserva de contingência na LDO; • avaliar e mensurar financeiramente os passivos contingentes e os riscos fiscais capazes de afetarem o equilíbrio das contas públicas; • apresentar as providências que devem ser adotadas caso os pas- sivos contingentes e/ou riscos fiscais se concretizem. Lei Orçamentária Anual (LOA) Constitui-se na proposta orçamentária anual, que apresenta, em termos monetários, as receitas e as despesas públicas que o governo pretende realizar no período de um exercício financeiro, devendo ser elaborada pelo Poder Executivo e aprovada pelo Poder Legislativo. O governo (federal, estadual e municipal) define na LOA as prio- ridades contidas no PPA e as metas que devem ser atingidas naquele ano. A LOA disciplina todas as ações do governo, sendo que nenhuma Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 60 despesa pública pode ser executada fora do orçamento. É uma lei auto- rizativa e não impositiva, uma vez que o gestor de cada orçamento tem a faculdade de realizar ou não as despesas nela contidas. Conforme disposição constitucional, a LOA é constituída por três orçamentos: fiscal, seguridade social e investimentos das empresas. Figura 2.2 – Orçamentos pertinentes a LOA Orçamento fiscal Lei Orçamentária Anual Orçamento de seguridade social Investimentos Observe a seguir o contexto geral de cada um dos tipos de orça- mentos constantes na Lei Orçamentária Anual: Orçamento fiscal Dada a sua dimensão, o orçamento fiscal constitui-se no principal dos três orçamentos e refere-se aos Poderes, com seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. A administração direta é constituída nos municípios, por prefeituras, Câmara Municipal, Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza ção d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 61 secretarias e Procuradoria-Geral do Município. Já a administração indireta abrange entidades criadas para a expansão ou aperfeiçoa- mento da ação executiva de atividade econômica ou social de interesse público, tais como autarquias, fundações, empresas públicas e socie- dades de economia mista. Cada entidade da administração indireta, de acordo com a sua área de atuação, vincula-se politicamente a uma secretaria municipal, como por exemplo o Instituto Municipal de Saúde (autarquia), vin- culado à Secretaria Municipal de Saúde. Orçamento da seguridade social Abrange as entidades e os órgãos vinculados à seguridade social – saúde, previdência social e assistência social –, tanto da administra- ção direta quanto da indireta, bem como os fundos e as funda ções, os quais são instituídos e mantidos pelo Poder Público. Refere-se ao orçamento de áreas funcionais, cobrindo todas as despesas classifi- cáveis como seguridade social (pagamento de inativos, assistência à saúde de servidores etc.) e não apenas entidades e órgãos da seguri- dade social. Orçamento de investimentos das empresas Refere-se aos investimentos realizados pelas empresas em que o Poder Público, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto. Nesse caso, separam-se do orçamento as receitas e as des pe sas operacionais, contemplando-se somente os investimentos das esta- tais, visto que as fontes de recursos que financiam esses investimentos possuem natureza de receita pública. Alguns exemplos são os divi- dendos retidos, o aumento de capital por parte do Poder Público, a transferência de recursos do orçamento, as operações de financiamento com aval do Poder Público etc. Desse modo, o Poder Público pode exercer maior acompanhamento e con trole desses investimentos. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 62 Planejamento, mais do que uma necessidade, é uma obriga ção legal na administração pública. Tanto assim que várias leis dedicaram-lhe atenção especial, inclusive a Constituição Fede ral, que, mesmo antes se referir a orçamento, trata do PPA. Dessa forma, pode-se concluir que todo o processo de pla- nejamento – elaboração, execução, acompanhamento, avaliação e con- trole – constitui-se não só de fundamental importância para uma boa condução das finanças públicas, mas também são imposições legais aos administradores públicos. Ciclo do Orçamento Público Após compreender o contexto geral de cada uma das etapas do processo do orçamento público de forma separada, é necessário com- preender a forma operacional das etapas de forma conjunta. Assim, o ciclo orçamentário por meio de suas etapas (PPA, LDO, LOA e Plano Diretor) pressupõe a reflexão por parte de todos os poderes do Estado em vários níveis de discussão, inclusive com a participação do povo por meio dos orçamentos participativos, que, em nível muni- cipal, vêm sendo utilizado com sucesso no Brasil, onde as comuni- dades são organizadas a fim de realizar um fórum de discussão que gere contribuições ao orçamento do município, procurando fazer a relação do Estado com o povo em sua fase mais importante, na Lei Orçamentária Anual – LOA. Uma das principais características do Orçamento Público é a relação coercitiva entre mandatos executivos determinada pelo fluxo do Plano Plurianual, da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual, que pode ser observado na figura a seguir: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 63 Fi gu ra 2 .3 – P er io di cid ad e d o cic lo o rç am en tá rio em re la çã o ao m an da to ex ec ut iv o 1 A N O 4 A N O S 4 A N O S PP A – 4 A N O S PP A – 4 A N O S A no 0 A no 2 A no 4 A no 1 A no 3 A no 5 1 A N O 1 A N O 1 A N O M A N D . E X EC U TI V O – 4 A N O S M A N D . E X EC U TI V O – 4 A N O S In íc io d o M an da to Ex ec ut iv o Pe rio di ci da de M A N D A TO E X EC U TI V O = 4 A N O S PP A = 4 A N O S LD O = 1 A N O LO A = 1 A N O In íc io d o Pl an o Pl ur ia nu al Té rm in o do P la no Pl ur ia nu al LD O LD O LD O LD O LD O LD O LD O LO A LO A LO A LO A LO A LO A LO A Té rm in o do M an da to E xe cu tiv o Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 64 Dessa forma, o ciclo do orçamento público aborda uma série de pro- cessos articulados, todos com períodos fixados, observando uma rela- ção contínua de elaboração, autorização, execução e avaliação e controle, preconizando uma ferramenta contínua de planejamento e controle, ali- nhando os objetivos do Estado com suas reais finalidades. Síntese A compreensão geral das bases legais do orçamento sob a perspectiva da prática da administração pública é de extrema importância para o pleno entendimento das limitações empíricas das ferramentas do orçamento (Plano Diretor, Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual). Nesse sentido, a compreensão do alinhamento das ferramentas operacionais do orçamento em seu ciclo com os aspectos e preceitos legais da transparência e das ações do Estado no tempo e na dinamicidade dos mandatos do poder executivo torna-se o principal desafio para a criação de valor aos stackeholders da administração pública. Questões para revisão 1. Quais as principais legislações aplicadas ao orçamento público? 2. Quais os principais instrumentos legais do orçamento público? 3. O art. 37 da Constituição Federal de 1988 estabelece que a administração pública de qualquer dos Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios constitucionais. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta a relação completa dos princípios estabelecidos:a. Impessoalidade; Imoralidade e Eficácia. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 65 b. Moralidade; Transparência; Eficiência e Pluralidade. c. Pessoalidade; Transparência; Publicidade; Moralidade e Eficácia. d. Legalidade; Impessoalidade; Moralidade; Publicidade e Eficiência. 4. Quais são as etapas operacionais do ciclo orçamentário da administração pública brasileira? a. PPA, LDO, LOA e Plano Diretor. b. LOA, LODA, e Plano Orçamentário. c. Plano Orçamentário; Orçamento Atual e Planejamento Global. d. PPA, LDO e Orçamento Regional. 5. Constitui-se na proposta orçamentária anual, que apresenta, em termos monetários, as receitas e as despesas públicas que o governo pretende rea- lizar no período de um exercício financeiro, devendo ser elaborada pelo Poder Executivo e aprovada pelo Poder Legislativo. A qual das etapas do ciclo orçamentário o texto se refere? a. Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO. b. Plano Plurianual – PPA. c. Lei Orçamentária Anual – LOA. d. Plano Diretor. Questão para reflexão Entre as principais reflexões acerca das abordagens legais e opera- cionais do orçamento público, o alinhamento entre os planos de curto, médio e longo prazo apresenta-se ao centro das discussões. Nesse sen- tido, após a leitura do presente capítulo, discuta com amigos, familia- res e colegas de trabalho acerca da questão apresentada a seguir: • Quais os principais desafios do alinhamento entre o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a Lei Orçamentária Anual e o Plano Diretor nas entidades de ges- tão pública brasileiras? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. capítulo três Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Princípios fundamentais do orçamento público Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Conteúdos do capítulo: • Contexto geral da relação entre os princípios fundamentais e o orçamento público. • Principais características dos princípios fundamentais do orça- mento público. Após o estudo deste capítulo, você será capaz de: • Compreender o contexto geral das premissas, padrões e regras básicas que norteiam o processo orçamentário. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 70 Nos capítulos anteriores, abordamos todo o processo de plane- jamento, como também o embasamento legal do sistema de plane- jamento e orçamento na administração pública e seu respectivo ciclo. No presente capítulo, enfocamos os princípios orçamentários, que constituem as premissas, os padrões e as regras básicas que norteiam todo o processo orçamentário. Estabelecidos no art. 2° da Lei nº 4.320/1964 e no parágrafo 8° do art. 165 da Constituição Federal de 1988, os princípios orçamentários são regras que visam assegurar o cumprimento dos fins a que se pro- põe a LOA. Diante do disposto legal, apresentamos os seguintes prin- cípios aplicados ao orçamento público: Figura 3.1 – Princípios do orçamento público Princípios do orçamento público Universalidade Anuidade Unidade Exclusividade Equilíbrio Orçamento bruto Não vinculação das receitas Discriminação Reserva legal Observe a seguir o conceito de cada um dos princípios do orça- mento público. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 71 3.1 Princípio da universalidade O orçamento é integrado por dois componentes: receitas e despe- sas. Significa dizer que a Lei do Orçamento inclui a previsão de todas as receitas e a fixação de todas as despesas pelos seus valores globais, vedadas quaisquer deduções. 3.2 Princípio da anualidade Também conhecido por princípio da anuidade, estabelece que o orça- mento deve ter vigência limitada a um período anual. No Brasil, segundo o art. 34 da Lei nº 4.320/1964, o exercício financeiro coincide com o ano civil. 3.3 Princípio da unidade “O princípio da unidade estabelece que todas as receitas e despe- sas devem estar contidas em uma só lei orçamentária, independente da descentralização institucional e financeira das atividades governa- mentais realizada pela criação de entidades autárquicas ou por outros organismos descentralizados.”(Ortigueira, 2010) 3.4 Princípio da exclusividade Decorre do aspecto jurídico do orçamento, significando que a Lei de Orçamento não pode conter dispositivo estranho à previsão de receitas e fixação de despesas, ressalvados os casos previstos no art. 7° da Lei nº 4.320/1964, ou seja, a auto rização para a abertura de créditos suplementares, a contra tação de operações de crédito, inclu- Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uzida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 72 sive por antecipação de receita, além da indicação da fonte de recursos para a cobertura de déficit, quando for o caso. A Lei Orçamentária deve tratar somente de assuntos ligados à estimativa das receitas e da fixação das despesas. 3.5 Princípio do equilíbrio Deve haver um perfeito equilíbrio entre as receitas e as despesas, de modo a garantir uma condição de igualdade entre elas. A LRF também reforça esse princípio ao manter o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas. 3.6 Princípio do orçamento bruto Segundo esse princípio, todas as receitas e as despesas devem apa- recer no orçamento em seus valores brutos. Tem a finalidade de impe- dir a inclusão de importâncias líquidas, a fim de dar maior transpa- rência aos gastos públicos. 3.7 Princípio da não afetação das receitas Excluídas as exceções já previstas na Constituição Federal de 1988, o art. 167 da própria Constituição veda a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa. Nenhuma parcela da receita de impostos pode ser reservada ou comprometida para atender a deter- minados gastos. Esse dispositivo visa garantir que o gestor possa alo- car recursos para atender às despesas de acordo com as prioridades que cada circunstância requer. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 73 3.8 Princípio da discriminação, especialização ou especificação Classificações orçamentárias, tanto das receitas quanto das despe- sas, por categorias econômicas e por grupo de despesas, havendo dis- criminação clara e precisa dos dados constantes da Lei Orçamentária. As receitas e as despesas devem aparecer no orçamento de maneira dis- criminada, demonstrando a origem e a aplicação dos recursos. Quanto maior a discriminação, maior será a clareza e a possibilidade de fiscaliza- ção pelos agentes competentes. O art. 5° da Lei nº 4.320/1964 estabelece que a Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal, material, serviços de ter- ceiros, transferências ou quaisquer outras. 3.9 Princípio da reserva legal (da competência) A iniciativa para propor as leis do PPA, da LDO e da LOA é do Poder Executivo, segundo a Constituição Federal. Essa exclusi- vidade de matéria orçamentária é denominada de reserva legal ou competência legal. Poder-se-ia citar aqui outros princípios orçamentários, porém os que foram apresentados são os de maior relevância dentro da legisla- ção brasileira. São eles que norteiam todo o processo de elaboração e execução do orçamento público. Síntese A compreensão geral dos princípios fundamentais do orçamento público sob a abordagem prática da execução orçamentária possibi- Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 74 lita perceber a importância da unidade na aplicabilidade e destinação do recurso público (numerário), evitando a relação dúbia de esforços, da anualidade como relação de corte temporal e de execução, de equi- líbrio, discrição, exclusividade, universalidade, entre outros. Nesse sentido, a obediência aos princípios fundamentais do orçamento pre- cede o bom comportamento sob os aspectos legais e de gestão, eviden- ciando os principais cuidados na pretensão da prática da boa adminis- tração dos recursos públicos. Questões para revisão 1. Quais são os princípios a serem observados para a execução do orçamento público? 2. Quais as principais características do princípio da unidade? 3. O orçamento é integrado por dois componentes: receitas e des- pesas. Significa dizer que a Lei do Orçamento inclui a previsão de todas as receitas e a fixação de todas as despesas pelos seus valores globais, vedadas quaisquer deduções. A qual dos prin- cípios orçamentários o conceito se refere? a. Princípio da Competência. b. Princípio da Anualidade. c. Princípio da Universalidade. d. Princípio da Continuidade. 4. Também conhecido por princípio da anuidade, estabelece que o orça- mento deve ter vigência limitada a um período anual. No Brasil, segundo o art. 34 da Lei nº 4.320/1964, o exercício financeiro coin- cide com o ano civil. A qual dos princípios orçamentários o con- ceito se refere? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 75 a. Princípio da Anualidade. b. Princípio da Unidade. c. Princípio da Universalidade. d. Princípio da Continuidade. 5. Trata-se do que “estabelece que todas as receitas e despesas devem estar contidas em uma só lei orçamentária, independente da des- centralização institucional e financeira das atividades governa- mentais realizada pela criação de entidades autárquicas ou por outros organismos descentralizados” (Ortigueira, 2010). A qual dos princípios orçamentários o conceito se refere? a. Princípio da Anualidade. b. Princípio da Unidade. c. Princípio da Universalidade. d. Princípio da Continuidade. Questão para reflexão Entre as principais reflexões acerca dos princípios fundamen- tais do orçamento público, o alinhamento entre estes e a realidade contemporânea da sociedade apresenta-se ao centro das discussões. Nesse sentido, após a leitura do presente capítulo, discuta com ami- gos, familiares e colegas de trabalho acerca da questão apresentada a seguir: • Qual a importância da obediência dos princípios fundamen- tais do orçamento na prática da elaboração e operacionalização dos instrumentos do orçamento? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr évia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. capítulo quatro Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Receitas e despesas públicas Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Conteúdos do capítulo: • Contexto geral da receita pública. • Contexto geral da despesa pública. • Relação da receita e da despesa pública no orçamento público. Após o estudo deste capítulo, você será capaz de: • Compreender o contexto geral das receitas e das despesas públicas na operacionalização do orçamento público. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 80 Após o pleno entendimento dos princípios orçamentários, o pre- sente capítulo aborda alguns dos principais conceitos básicos para a elaboração do orçamento, destacando-se a classificação da receita e da despesa. 4.1 Receita pública A Receita Pública pode ser entendida como toda arrecadação de rendas autorizadas pela Constituição Federal, leis e títulos cre- ditórios à Fazenda Pública. Diz-se que “É o conjunto de ingressos monetários aos cofres públicos, provenientes de várias fontes e fatos geradores, que formam as disponibilidades financeiras com as quais a Fazenda Pública pode dispor para o financiamento das despesas públicas” (Andrade et al., 2005, p. 145). Nas entidades há de se distinguir duas modalidades de recebi- mentos. “As receitas classificam-se como efetivas quando se realizam entradas patrimoniais; em caso contrário, isto é, se os recebimentos decorrerem da exclusão de valores patrimoniais, são denominados de receitas por mutação patrimonial.” (Lucio, 2010) Normalmente, as receitas públicas estão divididas em: • Orçamentárias: aquelas que forem previstas no orçamento. • Extraorçamentárias: as que decorrem de outras fon- tes e são, apenas, acessórias. Observe a seguir o contexto geral das receitas orçamentárias e extraorçamentárias. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 81 Ingressos de receitas Os ingressos de receitas, tanto na esfera federal quanto nas esfe- ras estadual e municipal, são regulamentados pela Lei nº 4.320/1964. Classificam-se em ingressos de receitas orçamentárias e extraorça- mentárias, que são aplicadas nas realizações do governo. • Orçamentária – É aquela constante no orçamento, caracteri- zada no art. 11 da Lei nº 4.320/1964, ou seja: receitas correntes e receitas de capital, que são aplicadas respectivamente no cus- teio e nos investimentos das realizações do governo. Ex.: ações provenientes dos programas e de manutenção da máquina administrativa. • Extraorçamentária – É aquela proveniente de toda e qual- quer arrecadação que não figura no orçamento, sendo assim, consequentemente, toda arrecadação que não constitui renda do Estado. O seu caráter é de transitoriedade nos orçamentos e denomina-se de recurso de terceiros por pertencer a tercei- ros. Ex.: fianças, cauções, depósitos judiciais, penhores, hipote- cas, depósitos de diversas origens etc. O Poder Público é ape- nas o depositário desses valores, cujas quantias serão entregues a terceiros. Registro contábil da receita Segundo as normas contábeis e orçamentárias, é possível acontecer, às vezes, variação na situação patrimonial líquida do órgão por causa da receita pública. Esta, conforme a ocorrência desses efeitos, pode ser efetiva ou não efetiva. Em qualquer dos casos, o registro contábil deve ser efetivado. • Receita pública efetiva: é quando os ingressos de recursos não tiveram o reconhecimento do direito registrado (lançamen- tos contábeis) anteriormente e não constituíram respectivas Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 82 obrigações, motivo pelo qual se dá a variação na situação patri- monial líquida. • Receita pública não efetiva: é quando os ingres sos de recursos têm o reconhecimento do direito registrado antecipa- damente, sendo que, nesse caso, a situação patrimonial líquida não varia. Reconhecimento da receita pública é a aplicação das nor mas contábeis para exame e registro de direito anterior à efetivação do respectivo ingresso de recursos. É quando um tributo é instituído e incluído no orçamento. Arrecadação da receita pública Segundo o art. 35 da Lei nº 4.320/1964, a arrecadação se cons- titui no regime orçamentário de caixa. Decorre do registro contábil de ingressos provenientes dos contribuintes ou dos devedores, cujas receitas foram previamente reconhecidas ou então conhecidas por ocasião do recebimento. Compatibilização ou conciliação da receita pública É o registro contábil com o reconhecimento da receita dos ingressos efetivos ou dos valores resultantes das obrigações reverti- das em receitas, tais como compensações, retenção de tributos, entre outros. Recolhimento da receita pública Refere-se ao crédito na conta do Tesouro Geral do ente da admi- nistração proveniente do produto da arrecadação com consequente registro contábil, mediante a compatibilização ou conciliação com a receita classificada. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rime e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 83 Classificação econômica da receita pública Do ponto de vista contábil, as receitas do governo em qualquer nível podem ser divididas em duas categorias básicas: • receitas correntes (identificadas pelo código de número 1); • receitas de capital (identificadas pelo código de número 2). Observe a seguir o contexto geral de cada uma das categorias das receitas: Receitas correntes São definidas como o conjunto das receitas tributárias (impostos, taxas e contribuições de melhorias), somadas às receitas patrimoniais, industriais e receitas diversas, mais os recursos obtidos mediante transferências para aplicação em despesas correntes. A Lei nº 4.320/1964 estabelece a classificação das receitas corren- tes nas seguintes subcategorias econômicas: • Receita tributária: É advinda da arrecadação de tributos – impostos, taxas e contribuições de melhoria –, instituída pelas entidades que detêm o direito de tributar, ou seja, a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios. › Imposto: de acordo com o art. 16 da lei nº 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN) –, compreende o “tributo cuja obrigação de pagamento tem como fato gera- dor uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.” › Taxa: segundo o art. 77 do CTN, é um tributo cujo fato gerador é “o exercício regular do poder de polícia ou a utili- zação [...] de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição.” › Contribuição de melhoria: conforme reza o art. 81 do CTN, é um tributo instituído para custear obras públicas de que Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 84 “decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado.” • Receita de contribuições: Refere-se à receita proveniente de contribuições sociais de caráter social (contribuições de pre- vidência, saúde, assistência social, salário-educação), econô- mico (cotas de contribuição sobre exportação e contribuições de categorias profissionais ou econômicas). • Receita patrimonial: Provém da exploração econômica do patrimônio das instituições, especialmente juros, aluguéis e dividendos. • Receita agropecuária: Decorre da exploração econômica de atividades agropecuárias (agricultura e pecuária), além do beneficiamento de produtos agropecuários em níveis não con- siderados industriais. • Receita industrial: Deriva das atividades industriais de extração mineral, trans formação, construção e outras. • Receita de serviços: Decorre de atividades de prestação de serviços de comércio, transporte, comunicação, saúde etc. • Receita de transferências correntes: São os recursos financeiros recebidos de pessoas jurídicas ou físicas e que serão aplicados no atendimento de despesas correntes. Constitui exemplo desse tipo de receita a transferência de recursos de origem tributária (ICMS) que um nível de governo (municí- pio) recebe do outro (estado). • Outras receitas correntes: Referem-se a receitas diversas não enquadradas nas classifi cações anteriores (multas, indeni- zações etc.) Receitas de capital São aquelas provenientes de operações de crédito e de amor- tização de empréstimos e financiamentos, resultado da alienação do Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 85 patrimônio e ainda as transferências previamente vinculadas a despe- sas de capital. A Lei nº 4.320/1964 estabelece a classificação das receitas de capi- tal nas seguintes subcategorias econômicas: • Operações de crédito: “constituem-se na captação de recur- sos para atender a desequilíbrios orçamentários ou, ainda, finan- ciar empreendimentos públicos” (Guimarães, 2003). É com essa receita que são cobertos os déficits orçamentários que ensejam a formação da dívida pública. Quanto à origem dos recursos, as operações de crédito podem ser internas e externas. • Alienação de bens: “envolve o resultado obtido com a aliena- ção de bens patrimoniais: ações, títulos, bens móveis, imóveis etc.” (Guimarães, 2003). • Amortização de empréstimos: Segundo Guimarães (2003) “nos casos em que a entidade concede empréstimos, o ingresso proveniente da amortização dessas dívidas caracteriza receita de capital.” O autor afirma que “o critério aqui busca coerência: se a obtenção de empréstimos é uma receita de capital e o paga- mento uma despesa de capital, a receita oriunda da amortização de empréstimos é, consequentemente, de capital.” • Outras receitas de capital: Referem-se às receitas de capi- tal não classificáveis nas fontes anteriores, como, por exem plo, a indenização que a Petrobras paga aos esta dos e aos municípios pela extração de petróleo, xisto e gás natural. Abrangem ainda o resultado do Banco Central, a remuneração das disponibili- dades do Tesouro Nacional e o saldo do superávit corrente. As receitas de capital identificam a origem dos recursos que finan- ciam o investimento na administração pública. O próprio saldo do superávit aumenta a poupança do governo e contribui para viabilizar esses investimentos. Vale lembrar que, assim como na classificação da despesa, a classifi- cação da receita possui uma padronização rígida que obrigatoriamente Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 86 deve ser obedecida pelas três esferas de governo. Cada uma dessas subcategorias de fontes de receitas (correntes e capital) pode ser decomposta em outras fontes. Caberá a cada ente da administra- ção instituir outros níveis de classificação com vistas a atender às suas especificidades. Codificação da receita orçamentária Para possibilitar a contabilização, o controle e a consolidação dos dados relativos à receita, torna-se necessária a sua codificação. Para tanto, foi criado um plano de contas das receitas públicas que deve ser observado pelas três esferas de governo. Na elaboração do orçamento público, a codificação econômica da receita orçamentária é composta dos seguintes níveis: • 1º nível: categoria econômica; • 2º nível: subcategoria econômica; • 3º nível: fonte; • 4º nível: rubrica; • 5º nível: alínea; • 6º nível: subalínea. A classificação por natureza da receita, estruturada por níveis de decomposição, facilita a identificaçãoda origem dos recursos. • O 1º nível (categoria econômica) possibilita identificar se a receita é corrente ou de capital. • O 2º nível (subcategoria econômica) identifica a receita corren- te e de capital. • O 3º nível (fonte) é composto por títulos que permitem identi- ficar mais detalhadamente a origem da receita. • O 4º nível (rubrica) detalha com maior precisão a fonte da receita. • O 5º nível (alínea) identifica o nome da receita propria- mente dita e que recebe o registro pelo ingresso dos recursos financeiros. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 87 • O 6º nível (subalínea) é o nível mais analítico da receita, e o seu detalhamento é optativo. Apresentamos, a seguir, um quadro mostrando o que representa cada item da classificação orçamentária da receita: Quadro 4.1 – Classificação orçamentária NÍVEIS DISCRIMINAÇÃO CLASSIFICAÇÃO ORÇAMENTÁRIA ESPECIFICAÇÃO 1º 2º 3º 4º 5º e 6º CATEGORIA FONTE SUBFONTE RUBRICA ALÍNEA 1.0.0.0.00.00 1.1.0.0.00.00 1.1.1.0.00.00 1.1.1.2.00.00 1.1.1.2.04.00 Receitas correntes Receita tributária Impostos Imp. s/patrimônio e renda Imp. s/renda e proventos Estágios da receita São os vários níveis do comportamento da receita, compreen- dendo a previsão, o lançamento, a arrecadação e o recolhimento, que apresentam-se ordenadamente pelo seguinte fluxo: Figura 4.1 – Estágios da receita pública Previsão Arrecadação RecolhimentoLançamento Dessa forma, cada estágio corresponde ao momento da execução da receita no processo de realização. Observe a seguir o contexto geral de cada um dos estágios da receita: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 88 Previsão Corresponde à estimativa da arrecadação da receita, apresentada em duas etapas. A primeira etapa envolve a definição da metodologia para fazer a projeção da receita, e a segunda refere-se ao lançamento, que corresponde à legalização da receita por meio da instituição e da inclusão na Lei Orçamentária. Lançamento De acordo com art. 53 da Lei nº 4.320/1964, o lançamento da receita é o ato da repartição competente que verifica a procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é devedora, inscrevendo o débito desta, ou seja, consiste no procedimento administrativo no qual se constata a ocorrência de fato gerador da obrigação correspondente, se identifica quem e quando se deve pagar e se lança o débito do contribuinte. O CTN complementa essa determinação com o seu art. 142, que estabelece que o lançamento compete privativamente à autoridade administrativa, preenchendo as finalidades de: • verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação; • calcular o montante do tributo devido; • identificar o sujeito passivo e, conforme o caso, • propor a penalidade cabível. Existem três modalidades de lançamento da receita: lança mento direto, lançamento por homologação e lançamento por declaração. • O lançamento direto é de iniciativa do órgão fazendário, sem a participação do contribuinte. Ex.: Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU). • O lançamento por homologação ocorre quando o lançamento é feito pelo próprio contribuinte, apenas posteriormente verifi- cado pela autoridade pública. Ex.: Imposto sobre a Circulação Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 89 de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). • O lançamento por declaração existe quando o contribuinte é obrigado por lei a prestar à autoridade administrativa infor- mações indispensáveis à efetivação do ato. Ex.: Imposto sobre a Renda (IR). Arrecadação Ocorre quando “os contribuintes comparecem perante os agen- tes arrecadadores, geralmente por meio de estabelecimentos bancá- rios oficiais ou privados, devidamente credenciados, a fim de liquida- rem suas obrigações para com o Estado.” (Brasil, 2010c) Recolhimento Caracteriza-se pela “entrega do produto da arrecadação efe- tuado pelos agentes arrecadadores diretamente ao caixa da União [...]. Somente com o recolhimento, em conta específica, é que se pode afir- mar que os recursos estão disponíveis para a utilização pelos gestores financeiros, em nome da União.” (Brasil, 2010c) Para uma melhor administração financeira, o art. 56 da Lei nº 4.320/1964 estabelece que “o recolhimento de todas as receitas far-se-á em estrita observância ao princípio de unidade de tesouraria, vedada qual- quer fragmentação para criação de caixas especiais”. Entende-se por princí- pio de unidade de tesouraria o “caixa único” à conta do Tesouro Geral da admi nistração. Destinação das receitas A destinação da receita consiste no procedimento de vinculação da receita a uma determinada despesa, compreendendo todas as etapas do orçamento – da previsão da receita até o pagamento propriamente dito Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 90 das despesas. Assim, a destinação da receita pública divide-se em ordiná- ria e vinculada. • Receita pública ordinária: a receita pública ordinária é aquela cuja aplicação dos recursos é livre para atender às fina- lidades gerais da administração pública. Ex.: Pode ser aplicada (gasta) em qualquer área do governo, como transporte, cultura, habitação, educação, indústria e comércio etc. • Receita pública vinculada: a receita pública vinculada é aquela cuja aplicação dos recursos está condicionada ao atendi- mento de determinadas finalidades já estabelecidas pela legisla- ção vigente, por convênio ou por outro instrumento congênere, ou seja, é vinculada a uma despesa específica. Ex.: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Os recursos desse fundo são distribuídos aos estados e aos municípios e só podem ser destinados ao ensino fundamental público. O objetivo de vinculações de receitas é garantir a despesa corres- pondente, seja para funções essenciais, seja para entes, órgãos, entida- des e fundos. Outro tipo de vinculação é aquela derivada de convênios e contratos deempréstimos e financiamentos, cujos recursos são obti- dos com finalidade específica. O controle dessas destinações se faz pela codificação destinação de recursos (dr), que possibilita identificar a origem dos recursos: se é originário do Tesouro, se correspondem ao exercício atual ou a exercícios anteriores e também se são contrapartida de empréstimo ou financiamento. A dr identifica também se os recursos são vincula- dos e qual é a sua finalidade. O código para controle das destinações é formado por quatro dígi- tos, sendo possível a utilização a partir do quinto dígito para atender a especificidades de cada ente governamental. Observe a seguir a estru- turação do código de destinação de recursos: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 91 • Identificador de uso (1º dígito): Indica se os recur sos destinam a contrapartida nacional e qual a espécie de operação (Identificador da Operação de Crédito – Idoc). Ex.: empréstimo. • Grupo de DR (2º dígito): Identifica se os recursos são ori- ginários do Tesouro ou de outras fontes, especificando tam- bém se eles correspondem ao exercício atual ou a exercícios anteriores. • Especificação da DR (3º e 4º dígitos): Individualiza as des- tinações, agrupando-as em dois tipos: primárias (receitas efeti- vas) e não primárias (alienação de ativos, operações de crédito, amortizações em préstimos). • Detalhamento da DR (a partir do 5º dígito): Possibilita detalhar a destinação de recursos por obrigação, por convênio ou por um código genérico, tecnicamente chamado de cadastro. Os códigos de controle individualizam as destinações da receita, possibilitando identificar o saldo de recursos disponíveis em cada uma das destinações, para futura aplicação nas despesas. Classificação da receita por fontes de recursos As receitas são classificadas por fontes de recursos. Essa classifica- ção é dividida em cinco grupos, observe a seguir: • Recursos do Tesouro – exercício corrente: Categoria de agregação das receitas de arrecadação centralizada no Tesouro, tais como impostos, taxas e contribuições; empréstimos e finan- ciamentos realizados diretamente pelo Tesouro; recursos dire- tamente arrecadados, entre outras. • Recursos de outras fontes – exercício corrente: Categoria de agregação das receitas do setor público na qual são consolidadas todas as receitas de recolhimento descen- tralizado das entidades da administração indireta (autarquias, Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 92 fundações e empresas públicas) e fundos, inclusive as prove- nientes de operação de crédito. • Recursos do Tesouro – exercícios anteriores: Trata-se dos recursos do tesouro referentes ao exercício anterior. • Recursos de outras fontes – exercícios anteriores: Trata-se das receitas relacionadas a todas as demais fontes não observadas pelas fontes anteriores e que não se apresentam em fase de aprovação legal. • Recursos condicionados: São aqueles recursos que ainda dependem de aprovação legal. Tipos de receitas As receitas são organizadas de acordo com sua tipologia, que pro- curam evidenciar as principais características de cada uma. Observe a seguir cada um dos tipos de Receitas Públicas: • Receita originária: É a receita obtida pelo Estado mediante a exploração de bens pertencentes ao seu patrimônio, consti- tuindo, pois, receitas de direito privado, porque o Estado, no desempenho da atividade necessária à sua obtenção, age como se fosse particular. É uma receita contratual. Tem origem em bens de qualquer natureza pertencentes ao patrimônio do Estado. Ex.: receitas de serviços e comércio; aluguéis de imó- veis; prestação de serviços conveniados etc. • Receita derivada ou tributária: É a receita auferida pelo Estado diretamente do patrimônio do particular, sendo receita de direito público, porque o Estado, no cumpri mento da atividade necessária à sua percepção, age investido de sua soberania, de seu poder de império. É uma receita obrigatória, em razão de decorrer do patrimônio particular, e este é obrigado a efetuar o pagamento ao Estado. Tem origem em bens pertencentes aos particulares e pagos de acordo com a legislação pertinente. Ex.: Imposto sobre Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 93 a Renda, Imposto sobre a Propriedade, bem como taxas, multas e contribuições de melhoria etc. • Receita financeira: É proveniente de aplicações financeiras, tais como empréstimos e alienação de ativos. • Receita não financeira: É receita proveniente de tributos, contribuições, serviços e comércio, entre outros. • Receita pública ordinária: É assim considerada aquela que é arrecadada regularmente no exercício financeiro, como os tributos. • Receita pública extraordinária: É receita que decorre de fatos emergenciais ou outro fator eventual. Ex.: doações, empréstimos compulsórios. • Receita corrente líquida: Constitui a somatória de todas as receitas correntes, deduzidas algumas receitas de acordo com cada ente federativo. Nos municípios, as deduções são fei- tas sob as receitas de contribuições de servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social; das recei- tas provenientes da compensação financeira entre os diferen- tes regimes de previdência social; dos valores pagos e recebidos decor rentes do Fundef. Regime da contabilidade da receita A legislação estabelece que pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas. A arrecadação é o segundo estágio da exe- cução da receita orçamentária, isto é, quando o valor devido é pago pelo contribuinte aos agentes arrecadadores. Dessa forma, ao contrá- rio do que ocorre com a despesa, o regime contábil da receita orça- mentária é a gestão do caixa. Como se constata, para as receitas efetivamente obtidas ou rece- bidas funciona o regime de caixa. Observe-se apenas o fato daquelas receitas lançadas que, embora não arrecadadas, pertencem ao exercí- cio, figurando, quando não recebidas, como dívida ativa. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo Pen al. 94 O estabelecimento de uma programação financeira que conduza a um efetivo acompanhamento da execução orça mentária e financeira é de extrema importância para os gestores públicos, pois possibilita obter-se o equilíbrio entre a receita reestimada e a soma das despesas que realmente poderão ser comprometidas. Isso quer dizer que do total das despesas aprovadas pela Lei Orçamentária pode ser gasto somente o montante igual à receita assegurada. Gasta-se somente aquilo que efe- tivamente se tem. Tal atitude traz ao governo condições de credibili- dade e confiabilidade, pois aqueles que fornecerem produtos ou presta- rem serviços para a administração terão o seu pagamento assegurado. 4.2 Despesa pública A despesa pública constitui-se nos gastos públicos. É por meio desta que o governo estabelece uma série de prioridades no que se refere à prestação de serviços públicos básicos, aos investimentos em prol do interesse geral da comunidade e ao custeio de diferentes seto- res da administração. Nesse sentido, a despesa pública constitui-se em toda forma de saída de recursos ou de pagamento efetuado, a qual- quer ator social, “compreendendo as autorizações para gastos com as varias atribuições e funções governamentais. Em outras palavras, as despesas públicas correspondem à distribuição e emprego das receitas para o custeio de diferentes setores da Administração e para os inves- timentos” (Lima, 2006; Lima; Castro, 2003). A exemplo das receitas, as despesas públicas podem ser classifica- das como orçamentarias e extraorçamentarias, dependendo de esta- rem ou não incluídas no orçamento. Despesa orçamentária e extraorçamentária A despesa orçamentária é a despesa que deriva da Lei Orçamentária ou dos seus créditos adicionais, tendo como finalidade a realização de programas e ações governamentais. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 95 Já a despesa extraorçamentária é aquela que não integra o orça- mento público, tendo como finalidade o registro da en trega ou a res- tituição de recursos pertencentes a terceiros que foram arrecadados a título de receita extraorçamentária. Temos como exemplos fianças, cauções, depósitos judiciais e penhores. Nota-se que a despesa extraorçamentária está relacionada com a receita extraorçamentária, já analisada anteriormente. O Poder Público é apenas o depositário dos recursos de terceiros, e a despesa extraorça- mentária constitui a entre ga desses recursos a quem de direito. Tipos de classificação da despesa A multiplicidade das classificações orçamentárias possibilita a identificação da despesa sob seus diferentes enfoques e também de acordo com o tipo de avaliação. Criadas com finalidades específi- cas, as despesas são classificadas de acordo com suas questões bási- cas. Observe a seguir o contexto geral dos tipos de classificações da despesa pública: • Classificação institucional: Identifica os órgãos e as uni- dades orçamentárias detentoras dos recursos. Sua ênfase está na responsabilidade pelo gasto. Responde à questão: Quem é o responsável pela programação? Por exemplo, órgão: Prefeitura Municipal de Curitiba. Unidade orçamentária: Gabinete do Prefeito. É bom lembrar que os códigos dessa classificação não são padronizados, sendo que cada esfera da administração institui a sua codificação própria. • Classificação funcional: Agrupa as ações governamen- tais segundo sua tipicidade e objetivos. Essa classificação é composta por determinadas funções e subfunções prefixadas, agregando os gastos públicos por área segmentada. A questão básica é: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 96 Em que área de ação governamental a despesa será realizada? A Portaria MOG nº 42/1999, em seu art. 1º, parágrafo 1º, explica que: “Como função, deve entender-se o maior nível de agregação das diversas áreas de despesa que competem ao setor público” (segurança pública, saúde, trabalho, admi nistração). O mesmo artigo, no pará- grafo 3º explica que: “A subfunção representa uma partição da fun- ção, visando agregar determinado subconjunto de despesa do setor público.” O art. 1º, parágrafo 4º dessa portaria possibilita a combinação das subfunções com funções diferentes daquelas a que estejam vinculadas, ou seja, podem ser feitas combinações típicas (função e subfunção de uma mesma área) e atípicas (combinação de função de uma área com subfunção de outra área). Exemplo de combinação típica Órgão: Governo Municipal Programa: Programa de Gestão Administrativa Função: Administração Subfunção: Planejamento e Orçamento Exemplo de combinação atípica Órgão: Secretaria Municipal de Esporte e Lazer Programa: Programa de Desenvolvimento de Esporte Função: Desporto Subfunção: Administração Geral Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 97 • Classificação programática: A classificação programática é composta por programas e ações traduzidas pelos projetos, pelas atividades e pelas operações especiais. Cada ente da fede- ração deve estabelecer a sua estrutura de classificação de pro- gramas. Responde à questão: Para que os recursos são alocados? A classificação programática compõe-se de quatro dígitos e, quando o primeiro dígito for: • 1, 3, 5 ou 7 a ação corresponde a um projeto; • 2, 4, 6 ou 8 a ação corresponde a uma atividade; • 0 refere-se a uma operação especial; • 9 corresponde a uma ação não orçamen- tária, isto é, ação sem dotação no orça- mento, mas que participa dos progra- mas do PPA. • Classificação por natureza da despesa: Nessa classi- ficação, consideramos a categoria econômica, o grupo a que pertence, a modalidade de aplicação e o elemento de despesa. Responde às questões: O que será adquirido? Qual o efeito econômico da realização da despesa? A Portaria STN nº 163/2001 alterou a estrutura da classificação da natureza da despesa prevista na Lei Federal nº 4.320/1964, a qual passou a apresentar a seguinte composição: • 1º nível: categoria econômica; • 2º nível: grupo de natureza da despesa; • 3º nível: modalidade de aplicação; Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i nº 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 98 • 4º nível: elemento de despesa; • 5º nível: desdobramento do elemento de despesa (facul tativo). O contexto geral de cada um dos níveis apresentados serão mais bem apresentados em “Despesas por Categorias Econômicas”. • Classificação geográfica ou regional: Sua ênfase está na consolidação das aplicações dos recur sos do governo por loca- lidade ou região (indicação da região, estado e município). No âmbito do orçamento municipal, a regionalização pode ser feita por região urbana ou rural ou, ainda, por bairros. Responde à questão: Onde será feita a despesa, em que local? A partir dessa classificação, é possível identificar o montante de recursos que o governo está destinando às diferentes regiões e se essa destinação (aplicação dos recursos) se justifica. Estrutura da classificação da despesa Para que se tenha uma visão geral da classificação da despesa orçamentária, demonstramos a seguir um exemplo da estrutura codificada: Figura 4.2 – Codificação da despesa pública 3.1.90.11.00 Outros detalhamentos Elementos de despesa Modalidade de aplicação Grupo de despesa Categoria econômica Observe a seguir o contexto geral de cada um dos códigos de classificação. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 99 Despesas por categorias econômicas Conforme determina o art. 12 da Lei Federal nº 4.320/1964, a des- pesa pública orçamentária classifica-se nas seguintes categorias econô- micas: despesas correntes e despesas de capital. Observe a seguir o contexto geral, segundo a Portaria STN nº 163/2001, de cada uma das categorias previstas: • Despesas correntes (código 3): Destinam-se à manutenção e ao funcionamento dos serviços legalmente criados. São basi- camente operacionais e representam os gastos fixos do governo. São despesas sem as quais a máquina administrativa e de ser- viços do Estado não funcionaria. Ex.: despesas com pessoal e encargos sociais, material de consumo, transporte e locomo- ção etc. • Despesas de capital (código 4): Representam os gastos com investimentos em obras e instalações quanto em integralização de capital de empresas públicas. Elas contribuem para forma- ção ou aquisição de um bem de capital. Ex.: despesas com aqui- sição de equipamentos e material permanente, obras etc. Grupos de natureza da despesa Entende-se por grupos de natureza de despesa a agregação de ele- mentos de despesa que apresentam as mesmas características quanto ao objeto de gasto. Existem seis grupos, segundo a Portaria STN nº 163/2001, de natureza da despesa, com os seus respectivos códigos numéricos de identificação, observe a seguir: • (1) Pessoal e encargos sociais: Enquadram-se neste grupo todas as despesas decorrentes com pagamento de salá rios, encargos, gratificações, aposentadorias, pensão, benefícios assistenciais, entre outras. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 100 • (2) Juros e encargos da dívida: Despesas com pagamento de juros, comissões e outros encargos de operações de crédito internas e externas contratadas, bem como da dívida pública mobiliária. • (3) Outras despesas correntes: Despesas com material de consumo, pagamento de diárias, contribuições, subvenções, auxílio-alimentação, além de outras. • (4) Investimentos: Despesas decorrentes do planejamento e da execução de obras, inclusive com a aquisição de imóveis con- siderados necessários à realização destas últimas e com a aqui- sição de instalações, equipamentos e material permanente. • (5) Inversões financeiras: Despesas com aquisição de imó- veis ou bens de capital já em utilização; aquisição de títulos representativos de capital de empresas ou entidades de qual- quer espécie, já constituídas, quando a operação não importe aumento de capital, e com a constituição ou aumento do capi- tal de empresas. • (6) Amortização e refinanciamento da dívida: Despesas com o pagamento e/ou refinanciamento do principal e da atu- alização monetária ou cambial da dívida pública interna e externa, contratual ou mobiliária. Modalidade de aplicação É referente à forma de aplicação dos recursos. Segundo o art. 7º, parágrafo 7 da Lei nº 12.017/2009, destina-se a indicar se os recursos serão aplicados diretamente pela unidade detentora do crédito orça- mentário, ou transferidos, ainda que por descentralização a outras formas de governo, órgãos ou entidades. Dessa forma, possibilita identificar se o órgão (unidade orçamentária) vai realizar a despesa de forma direta ou mediante transferência a outra esfera de governo ou a outra instituição, conforme detalhamento abaixo, segundo Portaria STN nº 163/2001: Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 101 10 – Transferência intragovernamentais 20 – Transferências à União 30 – Transferências a Estados e ao Distrito Federal 40 – Transferências a municípios 50 – Transferências a instituições privadas sem fins lucrativos 60 – Transferências a instituições privadas com fins lucra tivos 70 – Transferências a instituições multigovernamentais 80 – Transferências ao exterior 90 – Aplicações diretas 99 – A ser definida Elemento de despesa Constitui o detalhamento da despesa, indicando o objeto de gasto que a administração pública realiza para o desenvolvimento de suas ações, tais como, segundo a Portaria STN nº 163/2001: 01 – Aposentadorias e reformas 03 – Pensões 04 – Contratação por tempo determinado 05 – Outros benefícios previdenciários 06 – Benefício mensal ao deficiente e ao idoso 07 – Contribuição a entidades fechadas de previdência 08 – Outros benefícios assistenciais 09 – Salário-família 10 – Outros benefícios de natureza social 11 – Vencimentos e vantagens fixas – pessoal civil 12 – Vencimentos e vantagens fixas – pessoal militar 13 – Obrigações patronais 14 – Diárias – civil 15 – Diárias – militar 16 – Outras despesas variáveis – pessoal civil 17 – Outras despesas variáveis – pessoal militar 18 – Auxílio financeiro a estudantes 19 – Auxílio-fardamento Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/199 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 102 20 – Auxílio financeiro a pesquisadores 21 – Juros sobre a dívida por contrato 22 – Outros encargos sobre a dívida por contrato 23 – Juros, deságios e descontos da dívida mobiliária 24 – Outros encargos sobre a dívida mobiliária 25 – Encargos sobre operações de crédito por antecipação da receita 26 – Obrigações decorrentes de política monetária 27 – Encargos pela honra de avais, garantias, seguros e similares 28 – Remuneração de cotas de fundos autárquicos 30 – Material de consumo 31 – Premiações culturais, artísticas, científicas, desportivas e outras 32 – Material de distribuição gratuita 33 – Passagens e despesas com locomoção 34 – Outras despesas de pessoal decorrentes de contratos de terceirização 35 – Serviços de consultoria 36 – Outros serviços de terceiros – pessoa física 37 – Locação de mão de obra 38 – Arrendamento mercantil 39 – Outros serviços de terceiros – pessoa jurídica 41 – Contribuições 42 – Auxílios 43 – Subvenções sociais 45 – Equalização de preços e taxas 46 – Auxílio-alimentação 47 – Obrigações tributárias e contributivas 48 – Outros auxílios financeiros a pessoas físicas 49 – Auxílio-transporte 51 – Obras e instalações 52 – Equipamentos e material permanente 61 – Aquisição de imóveis 62 – Aquisição de produtos para revenda 63 – Aquisição de títulos de crédito 64 – Aquisição de títulos representativos de capital já integralizado Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 103 65 – Constituição ou aumento de capital de empresas 66 – Concessão de empréstimos e financiamentos 67 – Depósitos compulsórios 71 – Principal da dívida contratual resgatada 72 – Principal da dívida mobiliária resgatada 73 – Correção monetária ou cambial da dívida contratual resgatada 74 – Correção monetária ou cambial da dívida mobiliária resgatada 75 – Correção monetária da dívida de operações de crédito por antecipação da receita 76 – Principal corrigido da dívida mobiliária refinanciado 77 – Principal corrigido da dívida contratual refinanciado 81 – Distribuição constitucional ou legal de receitas 91 – Sentenças judiciais 92 – Despesas de exercícios anteriores 93 – Indenizações e restituições 94 – Indenizações e restituições trabalhistas 95 – Indenização pela execução de trabalhos de campo 96 – Ressarcimento de despesas de pessoal requisitado 99 – A classificar Unidade orçamentária São as unidades da administração direta e indireta em que são consignadas dotações orçamentárias para o custeio da programação de governo. O art. 14 da Lei nº 4.320/1964 traz a definição de unidade orça- mentária, destacando que ela compõe as dotações orçamentárias: Constitui unidade orçamentária o agrupamento de serviços subordinados ao mesmo órgão ou repartição a que serão con signadas dotações próprias. Parágrafo único. Em casos excepcionais, serão consigna- das dotações a unidades administrativas subordinadas ao mesmo órgão. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 104 Cada ente federativo possui uma estrutura própria de órgãos da administração direta e da administração indireta. Nos municípios, a prefeitura, a Câmara Municipal e as suas di versas secretarias compõem os órgãos da administração direta, enquanto que as autarquias, as fundações e as empresas públicas dependentes fazem parte da administração indireta. Quadro 4.2 – Unidades orçamentárias Código Descrição 01000 Câmara Municipal de Curitiba 02000 Governo Municipal 03000 Procuradoria-Geral do Município 04000 Secretaria Municipal de Comunicação Social 25000 Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano 27.000 Instituto Municipal de Turismo Fonte: Adaptado de Curitiba, 2005. A Câmara, a Prefeitura, a Procuradoria e a Secretaria Municipal de Comunicação Social são órgãos da administração direta, os demais pertencem à administração indireta. Em alguns casos, as unidades administrativas podem ser detalha- das para atender às necessidades do órgão, enquanto em outros casos as dotações podem ser consignadas diretamente no órgão. Dotação orçamentária Entende-se por dotação orçamentária os valores de recursos con- signados nos orçamentos dos órgãos (unidades orçamentárias) desti- nados às ações dos respectivos programas. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 105 A dotação orçamentária é composta pelos códigos do órgão, da unidade orçamentária, da função, da subfunção, do programa e das ações (projetos, atividades e operações espe ciais). • Dotação orçamentária: 01001. 01 031 0083. 2001 • Atividade: manutenção das atividades internas da Câmara Municipal de Curitiba. • Dotação orçamentária: 01001. 01 031 0083. 1001 • Projeto: construção de novo plenário/gabinetes e expan- são de equipamentos. • Dotação orçamentária: 16001. 04 122 0080. 0002 • Operação especial: parcelamento da dívida com o INSS. Fonte: Adaptado de Curitiba, 2005. Estágios da despesa São procedimentos definidos em lei que devem ser observados e aplicados durante a execução da despesa e levados a efeito pelos seguintes atos: empenho, liquidação e pagamento. Figura 4.3 - Estágios da Despesa Pública Empenho Liquidação Pagamento Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 106 Observe o contexto geral dos estágios da despesa nos itens a seguir: Empenho É um instrumento legal que a administração pública utiliza para acompanhar e controlar a execução do orçamento. Toda despesa tem que ser empenhada antes de ser realizada, pois é nesse momento (empenho) que se compromete parte de uma dotação orçamentária a uma despesa a ser realizada. O art. 61 da Lei nº 4.320/1964 define que para cada empenho deve ser extraído um documento denominado Nota de Empenho, que indica o nome do credor, a especificação e a importância (R$) da des- pesa, bem como a dedução desta do saldo da dotação própria. Existem três modalidades de empenho: ordinário, global e por estimativa. • Empenho ordinário: Ocorre quandoo valor da despesa é exato e conhecido, cujo pagamento se dá de uma só vez. • Empenho global: Ocorre quando as despesas são devida- mente empenhadas, porém são pagas de forma parcela da. Ex.: empenho de despesas de pessoal, contratos de prestação de ser- viços e de realização de obras. • Empenho por estimativa: Ocorre quando não se pode deter- minar previamente o montante exato da despesa. Ex.: empe- nho de despesas de energia elétrica, água, serviços de telecomu- nicação, fretes, passagens etc. Quando o valor empenhado for insuficiente, poderá ser feito um empenho complementar. Se o valor empenhado por estimativa não for usado na sua tota- lidade, o valor não utilizado será estornado para o crédito de origem. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 107 Liquidação É o segundo estágio da despesa. Liquidar uma despesa significa determinar o montante da dívida a pagar. De acordo com o art. 63 da Lei nº 4.320/1964, a liquidação “consiste na verificação do direito adqui- rido pelo credor, tendo por base os títulos e os documentos compro- batórios do respectivo crédito”, que pode ser o contrato, o ajuste ou o acordo respectivo, a nota de empenho e os comprovantes da entrega do material ou da prestação efetiva do serviço. Pagamento O estágio do pagamento possui duas etapas distintas: a emissão da ordem de pagamento e o pagamento propriamente dito. • Ordem de pagamento: De acordo com o art. 62 da Lei nº 4.320/1964, para que se proceda ao pagamento depois que a despesa é liquidada, é necessário que a autoridade competente (ordenador de despesa) verifique a liquidação no processo for- mado e exare um despacho ordenando o pagamento. • Pagamento: A realização da despesa encerra-se com o pagamento propriamente dito. O pagamento é a entrega ao credor da importân- cia correspondente ao seu crédito. É a satisfação do débito. Pode ser feito por intermédio de tesouraria regularmente instituída ou estabe- lecimentos bancários credenciados. Regime da contabilidade da despesa De acordo com a norma geral brasileira, pertencem ao exercício financeiro as despesas nele legalmente empenhadas. Para as despesas legalmente empenhadas, pagas ou não pagas dentro daquele exercício a que se referem, funciona o regime de competência ou de exercício. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 108 Restos a pagar De acordo com art. 36 da Lei nº 4.320/1964, restos a pagar são as despesas empenhadas, mas que não foram pagas até o último dia do exercício financeiro, isto é, 31 de dezembro. Ainda nessa categoria dis- tinguem-se as despesas processadas das não processadas. › Processadas: São aquelas despesas empenhadas, liquida- das, mas que, por alguma razão (exiguidade de tempo ou falta de recursos financeiros), não foram pagas dentro do exercício financeiro em que foram empenhadas. › Não processadas: São aquelas despesas que foram somente empenhadas, mas, por alguma razão, os bens ou os serviços inerentes não foram entregues ou realizados em tempo hábil, ou seja, dentro do exercício financeiro a que se referem. Despesas de exercícios anteriores A Lei nº 4.320/1964, em seu art. 37, assim define despesas de exer- cícios anteriores: As despesas de exercícios encerrados, para as quais o orça- mento respectivo consignava crédito próprio, com saldo suficiente para atendê-las, que não se tenham processado na época própria, bem como os Restos a Pagar com pres- crição interrompida e os compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício correspondente poderão ser pagos à conta de dotação específica consignada no orça- mento, discriminada por elementos, obedecida, sempre que possível, a ordem cronológica. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 109 4.3 Relação de receitas e despesas O orçamento público é uma lei que estima a receita e au toriza a despesa. As receitas públicas são os impostos e as contribuições arreca- dadas pelo governo, sendo estimadas em cálculo aproximado, à época da elaboração da proposta orçamentária, uma vez que o orçamento é feito de seis a oito meses antes da efetivação dessas receitas. As despesas constituem os gastos públicos, isto é, os gastos com os serviços, as obras e todos os projetos que o governo investe nas diversas áreas, como educação, saúde, transporte, segurança, entre outras. Figura 4.4 – Relação de receitas e despesas DespesasReceitas Orçamento público O orçamento, entre outras funções, cumpre duas finalidades. A primeira é mostrar os propósitos do governo que são traduzidos nos vários programas e ações expressos no orçamento, aos quais são aloca- das dotações orçamentárias para a devida realização. A segunda fina- lidade é o fato de tornar possível avaliar os resultados da gestão gover- namental, ou seja, se os gastos públicos estão servindo efetivamente para melhorar as condições de vida da população, alcançando, assim, os objetivos das políticas públicas traçadas. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 110 Síntese A compreensão do contexto geral das receitas e despesas públi- cas possibilita observar as principais questões práticas das operações financeiras da administração pública. Por meio do entendimento das fases da receita e das fases das despesas é possível identificar alguns dos principais princípios do orçamento público e da operacionaliza- ção da Lei Orçamentária Anual, sob o controle das entradas e saídas de recursos públicos. Questões para revisão 1. Quais são os estágios da receita? 2. Quais são os estágios da despesa? 3. “É o conjunto de ingressos monetários aos cofres públicos, pro- venientes de várias fontes e fatos geradores, que formam as dis- ponibilidades financeiras com as quais a Fazenda Pública pode dispor para o financiamento das despesas públicas.” (Andrade et al., 2005, p. 145). A qual dos termos a seguir o presente con- ceito se refere? a. Despesas Públicas. b. Lei Orçamentária Anual. c. Receita Pública. d. Resultado Público. 4. É um instrumento legalque a administração pública utiliza para acom- panhar e controlar a execução do orçamento. Toda despesa tem que ser empenhada antes de ser realizada, pois é nesse momento (empenho) que se compromete parte de uma dotação orçamentária a uma despesa a ser realizada. A qual dos termos a seguir o presente conceito se refere? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 111 a. Liquidação. b. Empenho. c. Despesas Públicas. d. Ordem de Pagamento. 5. De acordo com art. 36 da Lei nº 4.320/1964, são as despesas empenha- das, mas que não foram pagas até o último dia do exercício financeiro, isto é, 31 de dezembro. A qual dos termos a seguir o presente con- ceito se refere? a. Restos a Pagar. b. Licitação. c. Orçamento. d. Liquidação. Questão para reflexão Entre as principais reflexões acerca da execução dos fluxos finan- ceiros da administração pública, o tempo da execução das despesas é um dos esclarecimentos emergentes à sociedade. Nesse sentido, após a leitura do presente capítulo, discuta com amigos, familiares e cole- gas de trabalho acerca da questão apresentada a seguir: • Qual a importância da obediência dos estágios da despesa na administração dos recursos públicos? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. capítulo cinco Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Discussão, votação e aprovação da lei do orçamento Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Conteúdos do capítulo: • Contexto geral do processo de discussão, votação e aprovação do orçamento. • Principais características do veto e/ou rejeição do orçamento público. Após o estudo deste capítulo, você será capaz de: • Compreender o contexto geral do processo de discussão, vota- ção e aprovação do orçamento. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 116 Após concluído o processo da elaboração da proposta orçamen- tária, ela é encaminhada pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo, dentro dos prazos estabelecidos pela Constituição Federal. Nesse momento, o Poder Legislativo analisa e discute a proposta, podendo propor emendas para posterior votação e aprovação da Lei Orçamentária. O presente capítulo apresenta como proposta a discus- são da fase de discussão, votação e aprovação da Lei do Orçamento. 5.1 Iniciativa Conforme reza a Constituição Federal, a iniciativa das leis do PPA, da LDO e da LOA é do Chefe do Poder Executivo, o que as transforma em leis de iniciativa reservada. Na forma de projeto de lei, a proposta orçamentária de toda a administração é encaminhada ao Poder Legislativo para apreciação e aprovação. 5.2 Prazos de encaminhamento dos projetos O prazo máximo para o Poder Executivo encaminhar o Projeto de Lei Orçamentária ao Congresso Nacional é até 31 de agosto de cada ano, quatro meses antes do final do exercício financeiro. O Legislativo deve devolvê-lo para sanção até o término da sessão legislativa, que, para a União, normal mente ocorre em 15 de dezembro de cada ano e para os mu nicípios são as leis orgânicas que estabelecem o período de ses- são legislativa. Nos estados e nos municípios, os prazos de encaminhamen to e de aprovação da proposta orçamentária estão estabelecidos nas respecti- vas Constituições Estaduais e nas leis orgânicas municipais, que nor- malmente acontecem após o prazo da União. Entretanto, os muni- Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 117 cípios que não tiverem seus pra zos definidos em nenhuma dessas legislações devem seguir os prazos estabelecidos pela Constituição Federal. Dessa forma, as três leis de orçamento (PPA, LDO e LOA) são encaminhadas para aprovação, de acordo com os prazos abaixo: • PPA: É encaminhado pelo Poder Executivo até o dia 30 de agosto do seu primeiro ano de mandato, sendo que, após apre- ciado e aprovado, é devolvido para sanção do Executivo até o encerramento do segundo período da sessão legislativa do pri- meiro ano da legislatura, isto é, 15 de dezembro. • LDO: É encaminhada até o dia 15 de abril de cada ano, sendo que, após apreciação e aprovação do Legislativo, é devolvida para sanção do Executivo até o encerramento da primeira ses- são legislativa, isto é, 30 de junho de cada ano. • LOA: É encaminhada ao Poder Legislativo até o dia 30 de agosto de cada ano, sendo que, após apreciada e aprovada, retorna para sanção do executivo até o encerramento da segunda sessão legislativa, isto é, 15 de dezembro. Figura 5.1 – Prazos do processo orçamentário Encaminhada 30/08 Sanção 15/12 PPA – 4 anos LDO – anual LOA – anual Encaminhada 15/04 Sanção 30/06 Encaminhada 30/08 Sanção 15/12Diante do exposto, nota-se que as atividades de elaboração da pro- posta orçamentária iniciam-se no exercício anterior, com a definição das metas fiscais e das diretrizes, e termina em agosto, ocasião em que é enviada ao Legislativo para apreciação e aprovação. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 118 5.3 Emendas De acordo com as normas constitucionais, os parlamentares podem emendar o Projeto de Lei Orçamentária Anual no que se refere ao acréscimo ou à inclusão de novas despesas. Porém, a Constituição condiciona sua aprovação ao cumprimento das determinações elenca- das abaixo: • ser, compatíveis com o PPA e com a LDO; • indicar os recursos necessários, admitidos apenas os prove- nientes de anulação de despesa, excluídas as que incidem sobre dotações para pessoal e encargos, serviço da dívida e transfe- rências tributárias constitucionais para estados, municípios e Distrito Federal. Com relação à inclusão de novas despesas e ao acréscimo das des- pesas da proposta orçamentária, os parlamentares não podem indicar, como fonte de compensação, os recursos oriundos do aumento dos impostos, da realização de empréstimos ou de outras modalidades de incremento da receita. Como com pensação às emendas propostas, pode ser indicada somente a anulação de outras despesas constantes do Projeto de Lei Orçamentária. É importante ressaltar que, além das emendas de despesa, pode ser proposta emenda relacionada: • com a correção de erros ou omissões; • com os dispositivos do texto do Projeto de Lei. Ultrapassadas as etapas de discussão, análise e estudos, bem como de apresentação de emendas, a Comissão de Orçamento da Câmara elabora um parecer sobre a proposta do Poder Executivo e sobre cada uma das emendas apresentadas, encaminhando-o para o Plenário da Câmara para ser votado e aprovado pelos vereadores. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 119 5.4 Aprovação e publicação Aprovada pelo Plenário da Casa Legislativa, a formalização dessa aprovação se concretiza pelos seguintes atos: • decretação pelo Poder Legislativo; • sanção pelo chefe do Poder Executivo; • promulgação por um ou outro poder. A publicação da Lei Orçamentária é uma exigência legal para que possa surtir seus efeitos. Deve ser publicada nos jornais oficiais quando existir ou, então, no caso de pequenos municípios que não dispõem de jornais oficiais, devem ser produzidas cópias dessa lei para maior divulgação entre todos os interessados. 5.5 Vetos e rejeição Após aprovada a proposta, a Câmara Legislativa envia o projeto de lei para o prefeito municipal, que pode sancioná-lo ou vetá-lo, em parte ou no todo, se considerá-lo inconstitu cional ou contrário ao interesse público. É bom lembrar que os vetos parciais devem abranger o conteúdo integral de arti gos, parágrafos, incisos ou alíneas. O veto total se justificaria na hipótese de o Poder Legisla tivo produzir tantas alterações na proposta orçamentária a ponto de descaracterizá-la totalmente. Tal situação não é co mum, já que, como vimos, o Poder Legislativo tem limitada capacidade de alterar a proposta orçamentária mediante emendas. Além do mais, o veto total seria tão desastroso quanto a rejeição total do Projeto de Lei Orçamentária, já que não existiria prazo suficiente para a elaboração e a apreciação de uma nova proposta. No caso de o prefeito municipal vetar parte do Projeto, a Câmara pode acatar o veto e promulgar o projeto de lei ou então rejeitá-lo, Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 120 sendo que esse último processo deve ser aprovado, no mínimo, pela maioria absoluta dos vereadores. Se o Poder Legislativo não mantiver o veto do prefeito, o Projeto de Lei deverá retornar ao Poder Executivo para promulgação, que deverá ser feita no prazo legal, caso contrário, o presidente da Câmara fará a promulgação dentro do prazo legal. Após a compreensão do processo de planejamento, orçamento e execução financeira, a compreensão do contexto geral do processo de discussão, votação e aprovação do orçamento possibilita identificar a importância da reflexão matura no desenvolvimento da boa gestão pública. Tal procedimento observa uma série lógica de eventos, que apresenta a iniciativa como evento inicial, passando pela fase do enca- minhamento dos projetos, sugestão de emendas, aprovação e publica- ção, sofrendo ainda possibilidades de vetos e rejeições. Síntese Neste capítulo, abordamos a descrição das principais etapas que compõem o processo de análise e aprovação legislativa da LOA. Notem que o prazo cons titucional final para aprovação dessa lei é até 15 de dezembro de cada ano. Essa medida garante a disponibilidade de orçamento já no início do exercício financeiro subsequente, possi- bilitando sua execução e acompanhamento pelos diversos órgãos do governo. Diante de tal aprovação, o próximo desafio do Orçamento Público é o acompanhamento da execução orçamentária e financeira pela administração pública. Tal abordagem é discutida no próximo capítulo. Questões para revisão 1. Quais os atos que concretizam a aprovação do orçamento? 2. Quais os requisitos necessários para a sugestão de emendas ao orçamento? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 121 3. Conforme reza a Constituição Federal, a iniciativa das leis do PPA, da LDO e da LOA é do , o que as transforma em leis de iniciativa reservada. Na forma de projeto de lei, a proposta orçamentária de toda a administração é enca- minhada ao Poder Legislativo para apreciação e aprovação. Qual dos termos a seguir correspondem ao conceito correto para o preenchimento da lacuna? a. Chefe do Poder Legislativo. b. Chefe do Poder Executivo. c. Chefe do Poder Judiciário. d. Chefe da Casa Civil. 4. Qual das etapas do ciclo orçamentário tem prazo equivalente a 4 anos de vigência? a. Plano Plurianual. b. Orçamento Anual. c. Lei de Diretrizes Orçamentárias. d. Lei Orçamentária Anual. 5. Qual das etapas do ciclo orçamentário tem prazo equivalente a 1 ano devigência? a. Plano Plurianual e Ciclo Orçamentário. b. Orçamento Plurianual e Emendas Orçamentárias. c. Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual. d. Lei Orçamentária Anual e Plano Plurianual. Questão para reflexão Entre as principais reflexões acerca do processo de análise e apro- vação do orçamento na administração pública, os alinhamentos entre as aparentes necessidades sociais e o orçamento se destacam. Nesse sentido, após a leitura do presente capítulo, discuta com amigos, fami- liares e colegas de trabalho acerca da questão apresentada a seguir: • Qual a importância do processo de reflexão e discussão do orçamento para a sociedade? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. capítulo seis Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Acompanhamento da execução orçamentária e financeira Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Conteúdos do capítulo: • Contexto geral do acompanhamento da execução orçamentá- ria e financeira. • Principais características do exercício financeiro. • Contexto geral do processo de execução das despesas por meio de processo de licitação. Após o estudo deste capítulo, você será capaz de: • Compreender o contexto geral do processo de acompanha- mento da execução orçamentária e financeira. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 126 O acompanhamento da execução orçamentária e financeira nada mais é do que o acompanhamento da execução do orçamento apro- vado pelo Legislativo para o exercício civil respectivo. A execução do orçamento se faz mediante a programação financeira de desembolso e a execução da receita e da despesa. Na programação das despesas, deve-se considerar dois aspectos fundamentais: o orçamentário e o financeiro. No aspecto orçamentário, há a fixação das despesas de acor do com os créditos orçamentários correspondentes e também dos crédi- tos adicionais suplementados ao orçamento. No aspecto financeiro, há a programação das despe sas sem pre em conformidade com a disponibilidade de recursos ingressados, visando ao equilíbrio financeiro, que é o objetivo principal da programação de desembolso. A programação de despesa resulta na elaboração dos crono gramas de desembolso em nível setorial, cujo limite final para a execução se situa sob o aspecto orçamentário. Para melhor compreensão da programação financeira, são apre- sentados alguns aspectos relativos ao orçamento nos itens a seguir. 6.1 Exercício financeiro O exercício financeiro adotado pela administração pública bra- sileira coincide com o ano civil, isto é, inicia em 1º de janeiro e ter- mina em 31 de dezembro de cada ano. Ao ser iniciado o exercício financeiro com dados e informações mais atualizados, deve-se fazer uma reestimativa da receita, em função de essa previsão ter sido feita à época da elaboração da proposta orçamentária, ou seja, uns seis meses antes do início da sua execução. Tal análise deve ser bem realista e conter somente a receita real. Normalmente a receita apurada nessa reestima tiva é inferior à despesa fixada na Lei Orçamentária. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 127 Ao se estabelecerem os valores para a programação financeira, deve ser analisada a parcela de despesas inadiáveis, isto é, aquelas que devem ter a prioridade de pagamento sobre as demais, como as de pessoal e encargos, as decorrentes de dívida (se existirem), as vincula- das a contratos e outras. Anual mente, estabelecem-se normas de exe- cução financeira para o exercício que se inicia. 6.2 Instrumentos de equilíbrio e ajuste orçamentário São instrumentos utilizados pela administração pública para man- ter o equilíbrio orçamentário entre receita e despesa, isto é, a despesa só pode ser fixada no mesmo valor da previsão da receita. Deve haver receita (recursos) suficiente para custear as despesas decorrentes da manutenção e das ações dos programas de governo. Se ocorrer de não se efetivarem os ingressos de receitas previstas, a administração pública aplica esses instrumentos para fazer o devido ajuste orçamentário. São eles: diferimento, recursos a programar, ope- ração de crédito, operação de crédito por antecipação da receita, cré- ditos adicionais e reserva de contingência. Diferimento Constitui um procedimento técnico e legal. Quando os recur- sos estão alocados em diferimento, significa que as despesas previstas poderão ser autorizadas e empenhadas, porém o pagamento delas fica transferido para o exercício seguinte. Recursos a programar Refere-se a um bloqueio de uma parte dos recursos orça mentários para os quais não há previsão de cobertura financeira pelo Tesouro. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/199 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 128 A administração pública aplica esse instrumento quando o com- portamento da receita não se efetiva conforme a sua previsão (rees- timativa) feita em dezembro do ano anterior ao início do exercício financeiro. É uma medida acautelatória do governo para resguardar o princípio da liquidez absoluta e a credibilidade da administração. A liberação desse bloqueio está condicionada a um comporta- mento mais favorável da receita que o previsto e acontece de forma gradativa e de acordo com as prioridades de atendimento. Operação de crédito São receitas decorrentes de empréstimos e financiamentos obtidos com entidades financeiras (estatais ou privadas, inter nas ou externas). Operação de crédito por antecipação da receita São receitas decorrentes de empréstimos e financiamentos obtidos com entidades financeiras (estatais ou privadas, internas ou externas), porém a curto prazo, com pagamento por antecipação de receita. Adicionais São as autorizações de despesas não computadas ou insuficiente- mente dotadas na Lei de Orçamento. O art. 41, em seus três incisos, traz a seguinte classificação dos créditos adicionais: I – suplementares, os destinados a reforço de dotação orçamentária; II – especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica; III – extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou cala- midade pública. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 129 Os extraordinários são abertos por decreto do Poder Executivo, que dá conhecimento imediato ao Poder Legislativo. Quanto aos cré- ditos especiais e suplementares, são autorizados por lei e depois aber- tos por decreto executivo. Reserva de contingência Trata-se de uma parte do orçamento reservada para abertura de créditos adicionais e para cobertura de passivos contingentes, riscos e eventos fiscais imprevistos. 6.3 Execução da despesa A execução da despesa deve obedecer a um proce dimento definido em lei, levando em conta, também, as normas internas da administra- ção para a sua execução. Com base nos limites da Lei Orçamentária, a administração aprova quadros demonstrativos com maior detalha- mento da despesa. Esse procedimento se cumpre por intermédio dos estágios da des- pesa (observados no Capítulo 4). Para a realização de despesas com aquisição de bens e para contratação de serviços e obras, deve-se seguir as regras de licitação. Licitação É um processo administrativo que consiste na coleta de propos- tas e na seleção da mais vantajosa para contrato para compra de bens e serviços, bem como para a realização de obras e alienações do inte- resse da administração pública. Atualmente as licitações são regidas pela Lei Federal nº 8.666, de 21 de junho de 1993, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.883, de 8 de junho de 1994, e pela Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 130 À exceção da modalidade de concurso, os critérios de julgamento das licitações para escolha da melhor proposta baseiam-se nos tipos de licitação, quais sejam: menor preço, melhor técnica, técnica e preço e melhor lance ou oferta para os casos de alienação de bens ou concessão de direito real de uso. A licitação se apresenta nas modalidades de convite, toma da de preços, concorrência, concurso, leilão e pregão eletrônico. A escolha da modalidade de licitação é definida pelo valor estimado da contra- tação, existindo limi tes estabelecidos na legislação para obras e servi- ços de engenha ria e para compras e serviços nas modalidades de con- vite, tomada de preço e concorrência. Esses valores podem ser revistos anualmente pelo Poder Executivo Federal, observando-se como limite superior a variação geral de preços do mer cado no período. Convite Trata-se da modalidade de licitação para empresas escolhidas e con- vidadas pela administração (no mínimo de três), a qual deve afixar, em local apropriado, cópia da convocação para publicidade a outros que porventura manifestem interesse em participar do processo, com até 24 horas antes da apresentação das propostas. O prazo mínimo para recebimento das propostas é de cinco dias úteis, a partir da publicidade. Para compras e serviços, o valor é de até R$ 80.000,00; para obras e ser- viços de engenharia, de até R$ 150.000,00. Tomada de preços Trata-se da modalidade de licitação para empresas devidamente cadastradas ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramentos até o terceiro dia anterior à data de recebimento das propostas. O prazo para recebimento das propostas dessa modali- dade é de no mínimo 45 dias para as de “melhor técnica” ou “técnica e preço”, quando o contrato a ser celebrado contemplar o regime da empreitada integral e de 30 dias nos demais casos, a contar da data da Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 131 publicidade. Para compras e serviços, o valor é de até R$ 650.000,00; para obras e serviços de engenharia, até R$ 1 milhão. Concorrência Trata-se da modalidade de licitação para os interessados que com- provarem possuir os requisitos mínimos exigidos já na fase inicial de habilitação. O prazo para recebimento das propostas dessa modali- dade é de no mínimo 30 dias para as de “melhor técnica” ou “técnica e preço” e 15 dias nos demais casos, a contar da data da publicidade. Para compras e serviços, o valor é acima de R$ 650.000,00; para obras e ser- viços de engenharia, acima de R$ 1 milhão. Concurso Trata-se da modalidade de licitação para a escolha de trabalho técnico, científico ou artístico mediante a instituição de prêmios com remunerações aos vencedores. O prazo mínimo para recebimento dos trabalhos é de 45 dias, a partir da data da publicidade. Leilão Trata-se da modalidade de licitação para a venda de bens móveis que para a administração não há interesse. Nessa modalidade, são ven- didos os produtos legalmente apreendidos ou penhorados, também para a alienação de bens imóveis a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação. O prazo mínimo para recebimento das propostas é de 15 dias, a partir da data da publicidade. Pregão Trata-se da modalidade de licitação para aquisição de bens e servi- ços comuns que possam ser clara e objetivamente definidos pelo edital. Nesse sentido, são considerados bens eserviços comuns aqueles passí- veis de estabelecimento padrão de desempenho e qualidade, sendo de Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 132 fornecimento comum ao mercado e de fácil comparabilidade, permi- tindo que o critério de “menor preço” possa ser utilizado como fator de decisão. Tal procedimento licitatório abrange duas fases operacionais dis- tintas, são elas: fase interna e fase externa. A fase interna corresponde ao processo de designação da comissão de licitação, a pesquisa de mercado para configuração de bem ou ser- viço comum, além do estabelecimento do valor inicial e, por fim, da elaboração do edital, cujas especificidades devem observar a legisla- ção pertinente. Após o encerramento da primeira fase, dá-se início à fase externa, que compreende o processo da abertura, habilitação, classificação e julgamento das propostas. Entre as principais vantagens evidenciadas da utilização do pre- gão como modalidade de licitação, a possibilidade de disputa com enfoque na redução de custos tem se destacado, além da diminuição de pedidos de recursos sobre processo de licitação e a melhor transpa- rência dos atos de gestão. Dispensa e inexigibilidade de licitação A lei prevê diversos casos em que a licitação é dispensável e ine- xigível. A dispensa é caracterizada em geral por casos predetermina- dos pela legislação, que visa permitir a dispensa do processo licitatório para aquisição de bens e serviços. Embora o processo administrativo seja dispensado, os demais procedimentos devem ser observados nor- malmente, são eles: verificação da personalidade jurídica, capacidade técnica, idoneidade financeira, entre outros. Com relação à inexigibilidade, ocorre quando as circunstâncias encontradas na pessoa com quem se quer contratar impedem o cer- tame, não havendo a possibilidade de concorrência, havendo a necessi- dade de justificar o enquadramento. Em geral, a inexigibilidade é uti- lizada em casos cujo fornecimento do bem ou serviço é estritamente Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 133 restrito, como a contratação de serviços técnicos profissionais alta- mente especializados, entre outros. Observe a seguir alguns dos principais casos em que a licitação é dispensável ou inexigível: Quadro 6.1 – Casos de dispensabilidade ou inexigibilidade de licitação Dispensável Inexigível • quando o valor da aquisição do bem, do serviço ou da obra ou serviço de engenharia for até 10% do limite do valor estabelecido para a realização de convite. Para empresas de econo- mia mista e empresas públicas, esse percentual é de 20%; • nos casos de guerra, emergência ou de calamidade pública e comprome- timento da segurança nacional; • quando não acudirem interessados à licitação anterior; • quando o serviço ou o bem for produzido por entidade de direito público interno integrante da admi- nistração pública, entre outros. • quando há inviabilidade de competição; • quando existir apenas um fornecedor para aquele bem ou serviço (fornecedor exclusivo); • para a contratação de serviços técnicos com profissionais ou empresa de notória especialização; • para a contratação de profissional de qualquer segmento artístico, consagrado pela crítica especiali zada ou pela opinião pública. Síntese A execução orçamentária e financeira é caracterizada pela obedi- ência às regras estabelecidas por efeito legal e a eficiência na gestão das entradas e saídas de recursos públicos. Nesse sentido, destacam-se as especificidades das modalidades de licitação, que têm como prin- cipal objetivo a pesquisa de mercado sob a perspectiva de estabelecer uma relação comercial de aquisição que favoreça o Estado em preço e qualidade. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 134 Questões para revisão 1. Quais as modalidades de licitações existentes? 2. Quais as principais características do pregão eletrônico? 3. Trata-se de uma parte do orçamento reservada para abertura de crédi- tos adicionais e para cobertura de passivos contingentes, riscos e eventos fiscais imprevistos. A qual dos instrumentos de ajuste orçamen- tário o conceito apresentado corresponde? a. Reserva de contingência. b. Reserva legal. c. Crédito adicional. d. Emenda orçamentária. 4. Trata-se da modalidade de licitação para aquisição de bens e servi- ços comuns que possam ser clara e objetivamente definidos pelo edital. Nesse sentido, são considerados bens e serviços comuns aqueles passíveis de estabelecimento padrão de desempenho e qualidade, sendo de forne- cimento comum ao mercado e de fácil comparabilidade, permitindo que o critério de “menor preço” possa ser utilizado como fator de decisão. A qual modalidade de licitação o texto se refere? a. Pregão. b. Tomada de Preço. c. Carta Convite. d. Compra Direta. 5. Trata-se da modalidade de licitação para empresas escolhidas e convida- das pela administração (no mínimo de três), a qual deve afixar, em local apropriado, cópia da convocação para publicidade a outros que porven- Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. tura manifestem interesse em participar do processo, com até 24 horas antes da apresentação das propostas. A qual modalidade de licitação o texto se refere? a. Pregão. b. Tomada de Preço. c. Carta Convite. d. Compra Direta. Questão para reflexão Entre as principais reflexões acerca do processo de execução orça- mentária e financeira, as diferenças e especificidades das modalidades de licitação apresentam-se intrigantes e provocativas. Nesse sentido, após a leitura do presente capítulo, discuta com amigos, familiares e colegas de trabalho acerca da questão apresentada a seguir: • Quais as principais diferenças entre as modalidades de licitação? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bpex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. capítulo sete Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Controle e avaliação da execução orçamentária e financeira Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Conteúdos do capítulo: • Contexto geral do processo de controle e avaliação da execução orçamentária e financeira pública. • Contexto geral do controle interno. • Contexto geral do controle externo. • Características gerais de avaliação de desempenho do orçamento. Após o estudo deste capítulo, você será capaz de: • Compreender o contexto geral do processo de controle e avalia- ção da execução orçamentária e financeira. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 140 O planejamento, a avaliação e o controle são funções essenciais que devem estar presentes nas ações da administração pública. Com o processo de controle e avaliação, busca-se melhorar a condução da gestão de recursos públicos, bem como verificar se a administração está atingindo os objetivos de acordo com as políticas traçadas, cum- prindo, assim, a missão do Estado. O controle da execução orçamentária esteve sempre centrado na eficiência e na eficácia dos gastos (despesa), e não na efetividade que os resultados dos programas produziam na sociedade. Neste capítulo, abordaremos o sistema de controle orçamentá- rio brasileiro, compreendendo-se os tipos de controle e suas funções, como também a evolução desses controles a partir da Constituição Federal de 1988 até o estabelecimento dos novos conceitos, mais voltados para a avaliação de desempenho da administração pública segundo os critérios da eficiência, da eficácia e da efetividade. 7.1 Controle orçamentário brasileiro O controle orçamentário sempre predominou na admi nistração pública no sentido de garantir a observância da legislação, evi- tando erros e outras práticas irregulares. Já se estabeleciam na Lei Federal nº 4.320/1964 dois sistemas de controle da execução orça- mentária: o controle interno e o controle externo. O art. 75 dessa lei determina que o controle da execução orçamen- tária deve compreender: I – a legalidade dos atos de que resultem a arrecadação da receita ou a realização da despesa, o nascimento ou a extin- ção de direitos e obrigações; II – a fidelidade funcional dos agentes da administração, responsáveis por bens e valores públicos; Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 141 III – o cumprimento do programa de trabalho expresso em termos monetários e em termos de realização de obras e prestação de serviços. A Constituição Federal de 1988 ampliou esse entendimento, esta- belecendo em seu art. 70 que A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacio- nal e patrimonial da União e das entidades da administra- ção direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, eco- nomicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Nota-se que a busca de um melhor controle iniciou-se já na pro- mulgação da Constituição de 1988. Além de ampliar o objeto a ser con- trolado, a Constituição atribuiu ao Congresso Nacional a responsabi- lidade do controle externo e instituiu o controle interno em todos os Poderes. Até então, a exigência do controle interno era só para o Poder Executivo e, ainda, restrito ao controle da legalidade dos atos apenas. 7.2 Controle externo O controle externo na administração pública está a cargo do Poder Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas, cujas atri- buições estão definidas na Constituição Federal de 1988, nos onze incisos do art. 71: I – apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser ela- borado em sessenta dias a contar de seu recebimento; II – julgar as contas dos administradores e demais responsá- veis por dinheiros, bens e valores públicos da administra- ção direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 142 instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as con- tas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público; III – apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e manti- das pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório; IV – realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito,inspeções e auditorias de natureza contá- bil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II; V – fiscalizar as contas nacionais das empresas suprana- cionais de cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo; VI – fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassa- dos pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município; VII – prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas; VIII – aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 143 em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário; IX – assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade; X – sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal; XI – representar ao Poder competente sobre irregularida- des ou abusos apurados. Como se pode observar, de acordo com as atribuições definidas pela Constituição, o controle externo tem o papel de fiscalizador da execução orçamentária e financeira dos órgãos da administração pública, observando a legalidade, a legitimidade, a economicidade, a aplicação das subvenções e as renúncias de receitas. Está mais voltado para a fiscalização da formalidade e da legalidade dos atos sem entrar no mérito da avaliação dos resultados. Os Tribunais de Contas dos Estados têm funções semelhantes aos da União, pois são incumbidos também do assessoramento às Câmaras Municipais nas tarefas de controle externo. Conforme estabelece o pará- grafo 2° do art. 31 da Constituição Federal, “o parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços da Câmara Municipal”. Com essa precaução, as questões políticas pesam menos no controle externo realizado no âmbito municipal. 7.3 Controle interno Como já se viu, a implantação do controle interno na administra- ção pública é uma exigência constitucional e legal desde a instituição da Lei nº 4.320/1964. A Lei de Responsabilidade Fiscal reforça essa Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 144 imposição legal aos administradores públicos, ao exigir que os relató- rios de gestão fiscal devem ser assinados não só pela autoridade legal competente, mas também pelo responsável do controle interno. O sistema de controle interno nos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) deve ter uma atuação integrada, visando aten- der ao disposto no art. 74 da Constituição Federal de 1988: I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plu- rianual, a execução dos programas de governo e dos orça- mentos da União; II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração fede- ral, bem como da aplicação de recursos públicos por enti- dades de direito privado; III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União; IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. Notamos que o papel do controle interno vai além da responsa- bilidade de fiscalizar a legalidade dos atos administrativos, avaliando também os resultados obtidos com o desenvolvimento dos programas. O que se busca com o controle interno é a eficácia organizacional com maior efetividade da ação programática do órgão. A Constituição de 1988 inovou mais uma vez essa matéria, não só porque obrigou os três Poderes a manterem o controle interno, e não somente o Executivo, como era anteriormente, mas também, e especial- mente, porque determinou a realização de avaliações de resultados, isto é, do cumprimento dos objetivos e das metas constantes de planos e progra- mas da administração, segundo os conceitos de eficiência e eficácia. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 145 7.4 Novos conceitos na avaliação Além do controle e da avaliação legal, que visa preservar a lisura nos procedimentos administrativo-financeiros, um novo conceito começa a surgir no sentido de avaliar o desempenho da administra- ção segundo os critérios de eficiência, eficácia, economicidade e efeti- vidade, que não substituem os atuais, mas se adicionam a eles. • Eficiência: Compara se a relação custo/benefício é adequada ou não; é fazer as atividades corretamente; ênfase nos meios. • Economicidade: Consiste em obter o melhor resultado pos sível de uma determinada alocação de recursos financei- ros dentro da variável custo versus benefício. Simplificando, é a minimização dos custos com a maximização dos resultados. • Efetividade: Expressão do impacto de uma programação na solução de problemas. Relaciona-se não apenas com os resul- tados propiciados, mas também com as consequên cias des- tes sobre a realidade. A efetividade é um critério de avaliação que considera, principalmente, os efeitos e os benefícios que as ações governamentais provocam visando ao desenvolvimento econômico e social. O controle e a avaliação, caracterizados pela transparência e pela participação da sociedade, constituem-se em uma das principais fun- ções do ciclo de gestão na administração pública. Centrada não só na eficiência dos gastos, mas principalmente na efetividade dos resultados, a avaliação utiliza-se de indicadores sociais e econômicos que possibi- litam medir a atuação da ação governamental, propondo ações correti- vas, quando for o caso, com a intenção de atender cada vez melhor às demandas da sociedade. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a Ibp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 146 Síntese Após a compreensão do processo de reflexão, planejamento, orça- mento, aprovação e execução financeira, torna-se particularmente importante compreendermos o sistema de controle da administração pública. Nesse sentido, alguns ambientes merecem especial atenção, entre eles a perspectiva do controle ser exercido por meio dos con- troles internos e externos, que, de forma lógica e complementar, tem como principal objetivo evidenciar a relação entre o plano e a ação efe- tiva dos gestores, sob o enfoque de análise de desempenho. Questões para revisão 1. Quais os principais objetivos do controle externo na adminis- tração pública? 2. Quais os principais objetivos do controle interno na adminis- tração pública? 3. Trata-se do controle da administração pública que está a cargo do Poder Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas, cujas atribuições estão definidas na Constituição Federal de 1988, nos onze incisos do art. 71. A qual tipo de controle da administração pública o pre- sente texto se refere? a. Controle interno. b. Controle híbrido. c. Controle mediano. d. Controle externo. 4. Trata-se do controle da administração pública cuja exigência consti- tucional é legal desde a instituição da Lei nº 4.320/1964. A Lei de Responsabilidade Fiscal reforça essa imposição legal aos administrado- res públicos, ao exigir que os relatórios de gestão fiscal devem ser assina- Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 147 dos não só pela autoridade legal competente, mas também pelo respon- sável do controle interno. A qual tipo de controle da administração pública o presente texto se refere? a. Controle interno. b. Controle híbrido. c. Controle mediano. d. Controle externo. 5. O e a , caracterizados pela transparência e pela participação da sociedade, constituem-se em uma das principais funções do ciclo de gestão na adminis- tração pública. Centrada não só na eficiência dos gastos, mas principalmente na efetividade dos resultados, a avaliação uti- liza-se de indicadores sociais e econômicos que possibilitam medir a atuação da ação governamental, propondo ações cor- retivas, quando for o caso, com a intenção de atender cada vez melhor às demandas da sociedade. Qual dos termos a seguir preenchem as lacunas apresentados no texto e mantêm o sen- tido dos conceitos? a. Avaliação; medidas. b. Controle; subsídios. c. Medição; avaliação. d. Controle; avaliação. Questão para reflexão Entre as principais reflexões acerca do orçamento publico, as for- mas de controle e de transparência são assuntos de destaque. Nesse sentido, após a leitura do presente capítulo, discuta com amigos, fami- liares e colegas de trabalho acerca da questão apresentada a seguir: • Qual a importância do controle no processo orçamentário público? Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. . . . Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Considerações finais Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. A compreensão do processo de orçamento e planejamento é considerada uma das principais perspectivas de gestão pública. Tal procedimento apresenta o amparo legal sob o preceito da transparência das intenções e da execução do dinheiro público, por meio do entendimento das principais disfunções sociais e suas formas de solução. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 152 Nesse sentido, é interessante perceber a importância de ferramen- tas de longo prazo como o Plano Plurianual alinhados a ferramen- tas de médio e curto prazo como a Lei de Diretrizes Orçamentárias, Lei Orçamentária Anual e o Plano Diretor. Tais ferramentas apre- sentam-se alinhadas aos procedimentos de arrecadação e de gastos, representados pelos estágios das receitas e despesas, que apuram de forma clara e objetiva as principais formas de arrecadação e de gasto dos recursos na administração pública. Vale ressaltar que tais procedimentos e ferramentas apresentam- se pautados nos princípios fundamentais da administração pública, que precedem a relação de custo/benefício da arrecadação e aplicação dos recursos públicos sob a ótica da transparência das atividades de gestão em todos os poderes envolvidos. Por fim, é importante ressaltar que a compreensão das formas de planejamento, execução e controle dos recursos da administração pública pode ser considerada, além de uma perspectiva profissional, um conhecimento gerador de responsabilidade social, cujo objetivo é alinhar as ações dos gestores públicos com as efetivas disfunções da sociedade no curto, médio e longo prazo. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E ditor a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Referências ANDRADE, N. A. (Org.). Contabilidade pública na gestão municipal. São Paulo: Atlas, 2002. ANDRADE, N. A. et al. Planejamento governamental para municípios: Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual. São Paulo: Atlas, 2005. ARAÚJO, F. de A. et al. A lei de responsabilidade fiscal e os reflexos na gestão pública do município de Maxaranguape – RN no período – 2001/2002. Disponível em: <http://webserver.falnatal. com.br/revista_nova/a3_v1/artigo_1.php>. Acesso em: 13 ago. 2010. BELCHIOR, B. G. O. Orçamento-programa. 2. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 1976. BRASIL. Constituição (1988). Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 05 out. 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ Constituiçao.htm>. Acesso em: 1º ago. 2010. _____. Constituição (1988). Emenda Constitucional n. 19, de 4 de junho de 1998. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 de jun. de 1998a. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc19. htm>. Acesso em: 4 ago. 2010. _____. Lei n. 4.320, de 17 de março de 1964. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, 23 mar. 1964. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/ L4320.htm>. Acesso em: 1º ago. 2010. _____. Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 27 out. 1966. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Leis/L5172.htm>. Acesso em: 5 ago. 2010. _____. Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 22 jun. 1993. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Leis/L8666cons.htm>. Acesso em: 1º ago. 2010. _____. Lei n. 8.883, de 8 de junho de 1994. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 9 jun. 1994. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/ L8883.htm>. Acesso em: 1º ago. 2010. _____. Lei n. 9.648, de 27 de maio de 1998. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 28 maio 1998b. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Leis/L9648cons.htm>. Acesso em: 1º ago. 2010. _____. Lei n. 10.257, de 10 de julho de 2001. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 11 jul. 2001a. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Leis/LEIS_2001/L10257.htm>. Acesso em: 1º ago. 2010. _____. Lei n. 12.017, de 12 de agosto de 2009. Diário oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 13 ago. 2009. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ _Ato2007-2010/2009/Lei/L12017.htm>. Acesso em: 5 ago. 2010. _____. Lei Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 maio 2000. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Leis/LCP/Lcp101.htm>. Acesso em: 4 ago. 2010. _____. Plano Brasil: participação e exclusão – PPA 2004-2007. Disponível em: <http://www.planobrasil.gov.br/default.asp>. Acesso em: 4 ago. 2010a. BRASIL. Ministério da Fazenda. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Portaria Interministerial n. 163, de 4 de maio de 2001. Diário Oficial da União, 4 maio 2001b. Disponível em: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/download/ contabilidade/portaria_163_01.pdf>. Acesso em: 1º ago. 2010. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 154 BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria do Tesouro Nacional. Portaria n. 42, de 14 de abril de 1999. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 15 abr. 1999. Disponível em: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/download/ contabilidade/portaria42.pdf>. Acesso em: 5 ago. 2010. BRASIL. Ministério das Cidades. Resoluções n. 1 a 34. Disponível em: <http://www. cidades.gov.br/conselho-das-cidades/resolucoes-concidades/resolucoes-no-01-a-34/>. Acesso em: 4 ago. 2010b. BRASIL. Portal da transparência. Glossário. Disponível em: <http://www. portaltransparencia.gov.br/glossario/DetalheGlossario.asp?letra=r>. Acesso em: 5 ago. 2010c. CAMARGO, M. C. et al. Gestão do terceiro setor no Brasil: estratégias de captação de recursos para organizações sem fins lucrativos. São Paulo: Futura, 2001. CASAROTTO, N. F.; PIRES, L. H. Redes de pequenas e médias empresas e desenvolvimento local: estratégias para a conquista da competitividade global com base na experiência italiana. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001. CHALFUN, N.; MÉLLO, L. Entendendo a contribuição da política fiscal, do PPA e da LDO para a gestão fiscal responsável. Rio de Janeiro: Ibam; BNDES, 2001. CRUZ, J. A. W. A união faz a força: a cooperação como estratégia de sobrevivência organizacional. Curitiba: Protexto, 2008. CRUZ, J. A. W.; ANDRICH, E. G.; MUGNAINI, A. Análise de demonstrações financeiras. Curitiba: Juruá, 2010. CRUZ, J. A. W.; ANDRICH, E. G.; SCHIER, C. U. C. Contabilidade introdutória descomplicada. 3. ed. Curitiba: Juruá, 2010. CRUZ, P. R. A. F. Governança e Gestão de Redes na Esfera Pública Municipal: o caso da rede de proteção à criança e ao adolescente em situação de risco para a violência em Curitiba. Cadernos de Pesquisa do CIRIEC, ano 1, n. 1, out./dez. 2006. Disponível em: <http://www.ciriec.org.br/download/caderno1.pdf>. Acesso em: 1º ago. 2010. CURITIBA. Prefeitura Municipal. Câmara Municipal. Lei n. 11.653, de 22 dezembro de 2005. Diário Oficial [do] Município, Curitiba, PR, 29 dez. 2005. Disponível em: <http:// sitepmcestatico.curitiba.pr.gov.br/Servicos/Financas/orcamento/orcamento2006/ Anexos/Lei%2011653.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2010. GASPARINI, D. O estatuto da cidade. São Paulo: Nova Dimensão Jurídica, 2002. GIACONOMI, J. Orçamento público. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2005. GUIMARÃES, K. M. S. Uma proposta de modelo gerencial para administração pública: caso Brasil. 2003. Tese (Doutorado) – Departamento de Economia e Negócios, Universitat de les Illes Balears, Palma, 2003. Disponível em: <http://www.tdr.cesca.es/TDX/TDX_ UIB/TESIS/AVAILABLE/TDX-0905105-094006/taks1de1.pdf>. Acesso em: 5 ago. 2010. KHAIR, A. A. Base Legal do Planejamento e Orçamento. In: _______. Lei de Responsabilidade Fiscal: guia de orientação para as prefeituras. Brasília: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; BNDES, 2002. p. 15-16. LIMA, C. Administração pública: teoria e mais 400 questões. Rio de janeiro: Elsevier, 2006. LIMA, D. V. L.; CASTRO, R. G. Contabilidade pública: integrando União, Estados e Municípios (Siafi e Siafem). 2. ed. São Paulo: Atlas, 2003. LUCIO, F. Administração orçamentária e financeira. Apostila. Disponível em: <http:// www.fortium.com.br/blog/material/APOSTILA_AFO_RESUMO_FABIO_ LUCIO.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2010. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84do C ód igo P en al. 155 MACHADO JÚNIOR, J. T. Teoria e prática de orçamento municipal. Rio de janeiro: FGV, 1962. MELO, F. F.; VIEIRA, L. M. Contabilidade pública. Apostila. Disponível em: <http:// www.virtual.vserver.com.br/apostila_contabiidade.doc>. Acesso em: 1º ago. 2010. ORTIGUEIRA. Governo do Município de Ortigueira. Orçamento municipal. Disponível em: <http://ortigueira.pr.gov.br/governo-do-municipio/administracao/gabinete-do- prefeito/orcamento-municipal/>. Acesso em: 5 ago. 2010. PARANÁ. Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Programa de Erradicação da Febre Aftosa. Disponível em: <http://www.seab.pr.gov.br/modules/conteudo/ conteudo.php?conteudo=38>. Acesso em: 4 ago. 2010. REZENDE, D. A.; CASTOR, B. V. J. Planejamento estratégico municipal: empreendedorismo participativo nas cidades, prefeitura e organizações públicas. Rio de Janeiro: Brasport, 2005. SANCHES, O. M. Dicionário de orçamento, planejamento e áreas afins. Brasília: Prisma, 2004. SANTOS, J. P. do. A insegurança jurídica do orçamento público federal brasileiro. 2005. Trabalho de conclusão de curso (Especialização em Direito Legislativo Brasileiro) – Universidade do Legislativo Brasileiro, Brasília; Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2005. SERTEK, P.; GUINDANI, R. A.; MARTINS T. Administração e planejamento estratégico. 2. ed. Curitiba: Ibpex, 2009. WEICK, K. A psicologia social da organização. São Paulo: Edgard Blücher, 1973. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Respostas Capítulo 1 Questões para revisão 1. O planejamento de forma geral aborda as seguintes fases: • Estratégico • Tático • Operacional 2. O sistema de planejamento público norteia-se por meio de um conjunto de elementos que tem como principal objetivo dar sustentação ao processo de tomada de decisões e alocação de recursos. Nesse contexto, os elementos relacionados ao pro- cesso de planejamento público são: • Planos • Programas • Ações 3. a 4. a 5. d Capítulo 2 Questões para revisão 1. Entre as principais legislações aplicadas diretamente ao pro- cesso do orçamento público, destacam-se, entre outras: • Constituição Federal Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 158 • Lei nº 4.320/1964 • Lei de Responsabilidade Fiscal • Estatuto das Cidades 2. Entre os principais instrumentos legais do orçamento público, destacam-se: a. Plano Plurianual b. Lei de Diretrizes Orçamentárias c. Lei Orçamentária Anual d. Plano Diretor (acima de 20 mil habitantes) 3. d 4. a 5. c Capítulo 3 Questões para revisão 1. Entre as normas cujo objetivo é assegurar o cumprimento dos fins a que se destina a Lei Orçamentária Anual, destacam-se os seguintes princípios: • Universalidade • Anualidade • Unidade • Exclusividade • Equilíbrio • Orçamento bruto • Não vinculação das receitas • Discrição • Reserva legal Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 159 2. Pelo princípio da unidade, todas as receitas e despesas devem integrar um único orçamento, independente da distribuição institucional. Tal unidade tem como principal objetivo esta- belecer uma relação de controle único e evitar sobreposições de investimentos sobre o mesmo fenômeno social. 3. c 4. a 5. b Capítulo 4 Questões para revisão 1. A receita pública precede quatro estágios distintos, são eles: • Previsão • Lançamento • Arrecadação • Recolhimento 2. A despesa pública precede três estágios distintos, são eles: • Empenho • Liquidação • Pagamento 3. c 4. b 5. a Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 160 Capítulo 5 Questões para revisão 1. Após a aprovação do orçamento pela casa legislativa, três atos concretizam a aprovação, são eles: • Decretação pelo Poder Legislativo; • Sanção pelo chefe do Poder Executivo; • Promulgação por um ou outro poder. 2. Conforme previsão constitucional, os parlamentares podem emendar o projeto de Lei Orçamentária Anual no que se refere ao acréscimo ou à inclusão de novas despesas, no entanto, sua aprovação apresenta-se condicionada às seguintes determinações: • Estar compatível com o Plano Plurianual e com a Lei de Diretrizes Orçamentárias; • Indicar recursos necessários admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluída as que incidem sobre dota- ções para pessoal e encargos, serviço da dívida e transferências tributárias constitucionais para estados, municípios e Distrito Federal. 3. b 4. a 5. c Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 161 Capítulo 6 Questões para revisão 1. As modalidades de licitação permitidas pela legislação brasi- leira são: • Convite • Tomada de preços • Concorrência • Concurso • Leilão • Pregão eletrônico 2. Trata-se da modalidade de licitação utilizada para aquisição de bens e serviços cuja descrição seja considerada “comum”, não possibilitando interpretações ambíguas sobre o bem ou serviço a ser licitado. Tal modalidade é recorrente à grande maioria das aquisiçõesdo estado, pois possibilita a ampla divulgação dos termos do edital e dos resultados em sistema on-line. Em geral, apresenta-se como uma efetiva ferramenta de poder de barganha do estado com relação ao favorecimento nos preços. 3. a 4. a 5. c Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 162 Capítulo 7 Questões para revisão 1. Sob a atribuição do Poder Legislativo com o apoio dos Tribunais de Contas, o controle externo apresenta-se como uma ferra- menta efetiva de controle da execução do orçamento e de sua efetiva realização. Diante de tal papel, os principais objetivos pertinentes ao controle externo, entre outros, são: • julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por numerários, bens e valores públicos da administração direta e indireta; • apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, entre outros; • apreciar as contas prestadas anualmente, mediante emissão de parecer; 2. A medida de controle interno, prevista desde os preceitos da Lei nº 4.320/1964 e reforçada pela Lei de Responsabilidade Fiscal, preconiza, entre outras, que a prestação de contas deverá ser assinada pela autoridade legal e pelo responsável do controle interno, tendo como principais objetivos: • avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual; • comprovar a legalidade e avaliar os resultados da gestão do orçamento público; • exercer o controle das operações de crédito, entre outros. 3. d 4. a 5. d Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Sobre os autores Doralice Lopes Bernardoni É formada em Letras Anglo-Portuguesas pela Faculdade de Filosofia, Ciências e letras de Arapongas (1977) e em Administração pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná – Fesp (1983). É pós- graduada em Administração e Marketing pelo Centro Universitário FAE (1996) e pós-graduada em Formulação e Gestão de Políticas Públicas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2007). Conta com a experiência profissional multidisciplinar adquirida ao longo de 30 anos de prestação de serviços nas áreas de planejamento e orça- mento público, estudos e projetos, com ênfase em formulação e gestão de políticas públicas em órgãos e empresas governamentais do Estado do Paraná. Nesse ínterim, vale destacar a ocupação de cargos como o de diretora de Administração e Finanças da Secretaria de Estado do Esporte e Turismo no Paraná, de 1988 a 1994, e o de membro do Conselho de Administração da Fundação de Esportes do Governo do Estado do Paraná, de 1987 a 1988, tendo sido eleita pelos funcionários desse órgão. Atualmente, Doralice Lopes Bernardoni é coordenadora da Câmara de Gestão Pública da Agência Brasileira de Coo peração e Desenvolvimento (ABCD), além de atuar como chefe de gabinete da Secretaria de Estado do Turismo do Governo do Paraná. June Alisson Westarb Cruz Doutorando em Administração Estratégica pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná − PUCPR (2008), mestre em Administração Estratégica pela mesma instituição (2007), pós- graduado em Contabilidade e Finanças pela Universidade Federal do Paraná − UFPR (2005), pós-graduado (extensão) em Docência Universitária pela Fundação Getulio Vargas − FGV (2005) e graduado em Ciências Contábeis pelo Centro Universitário FAE (2003) e Técnico em Contabilidade pela Escola Técnica da UFPR. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 164 Atualmente, é coordenador do Instituto Superior de Administração da Escola de Negócios da PUCPR, professor e coordenador do curso de Especialização em Planejamento e Gerenciamento Estratégico da PUCPR e Diretor Financeiro da Business Management Consultoria e Auditoria. É autor das seguintes obras: A união faz a força: a cooperação como estratégia de sobrevivência organizacional (Editora Protexto), Gestão de custos (Editora Ibpex), Contabilidade introdutória descomplicada (Editora Juruá), Análise de demonstrações financeiras (Editora Juruá), Finanças pessoais (Editora Ibpex) e Incrementando a estratégia (Editora Ibpex) e organizador do livro Redes sociais e organizacionais em Administração (Editora Juruá). Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. . . . Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto ra is é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. Ne nh um a p ar te de sta pu bli ca çã o p od er á s er re pr od uz ida po r q ua lqu er m eio ou fo rm a s em a pr év ia au tor iza çã o d a E dit or a I bp ex . A vi ola çã o d os di re ito s a uto rais é c rim e e sta be lec ido na Le i n º 9 .61 0/1 99 8 e pu nid o p elo ar t. 1 84 do C ód igo P en al. 9 ISBN 978-85-7838-717-4 7 8 8 5 7 8 3 8 7 1 7 4 A obrigatoriedade da elaboração de Planos Plurianuais prevista na Constituição Brasileira tem conduzido o governo a traçar estratégias de gestão de políticas públicas voltadas aos mais diversos setores, no intuito de proporcionar o desenvolvimento da estratégia aplicada à gestão pública e oportunizar qualidade de vida à população. Nesse sentido, a presente obra apresenta os aspectos gerais que envolvem nosso modelo de planejamento, orçamento e gestão, sintetizando as questões mais relevantes e indispensáveis para seu estudo, como: • o planejamento orçamentário na administração pública; • as bases legais do orçamento público e seus respectivos instrumentos; • os princípios constitucionais da administração pública; • as principais práticas da elaboração do orçamento na administração pública por meio do entendimento do contexto geral das receitas e das despesas públicas; • o processo de discussão, votação e aprovação da lei do orçamento; • os principais aspectos referentes ao acompanhamento da execução orçamentária e financeira no exercício financeiro estatal; • as práticas de controle e avaliação da execução orçamentária e financeira na gestão pública brasileira. Blank Page Blank Page