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Uso de Emails Coporativos

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1 
 
Uso de E-Mails Corporativos: Representações Sociais e Seus Impactos na 
Comunicação Organizacional 
 
Autoria: Edileusa Godói-de-Sousa, Lina Eiko Nakata, Denilson Aparecida Leite Freire 
 
O estudo teve o intuito de compreender os principais usos do e-mail na esfera 
organizacional, propondo uma classificação quanto à sua utilidade, a fim de compreender 
como essa ferramenta informacional vem sendo empregada e quais os principais benefícios e 
desafios dessa utilização na percepção dos pesquisados. Quanto ao procedimento 
metodológico, utilizou-se de pesquisa quantitativa, por meio de uma survey a usuários da 
região Sudeste do Brasil. Agrupando-se as escalas de frequência, utilidade (tonal e modal) e 
importância do e-mail com o perfil demográfico obtiveram-se os clusters em três 
representações sociais com características distintas: os conservadores, os céticos e os 
pragmáticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
“Manda por e-mail” é uma das frases mais ouvidas no ambiente profissional. Centenas 
de mensagens chegam todos os dias nas caixas de entrada dos empregados que possuem uma 
conta de e-mail corporativo. E outras tantas necessitam ser escritas ou respondidas. Segundo o 
estudo Internet 2012 em números da Royal Pingdom, o ano de 2012 terminou com 2,2 bilhões 
de usuários de e-mail no mundo todo e um tráfego de 144 bilhões de e-mails diários. Quase a 
metade dessas mensagens se originam ou se destinam a alguma empresa. 
Nesse contexto, o uso do e-mail corporativo vem sendo tema de enfrentamentos entre 
empregados e empregadores em relação à sua utilização. De um lado, a organização espera 
que essa ferramenta informacional traga agilidade e transparência na comunicação interna e 
que ela, a empresa, tem pleno direito de filtrar e controlar o que está sendo transmitido pelos 
seus colaboradores (ARAÚJO, 2002). Por outro lado, o colaborador, além de receber 
conteúdos empresariais, depara-se com a possibilidade de uso também de caráter pessoal e 
acredita ser o e-mail algo particular e, por isso, inviolável. Adiciona-se a essa discussão a 
quantidade e frequência de informações diárias a que estão sujeitos os colaboradores bem 
como a real utilidade de tais informações, criando assim um cenário repleto de representações 
sociais e informacionais que podem afetar a eficácia da comunicação empresarial. 
Tais representações sociais referem-se à dimensão tonal e modal (ROMAN, 2005) no 
uso dos e-mails corporativos. Tonal compreendido como a busca pela eficiência e eficácia 
através do controle e da organização, e o modal como espaços circunstanciais conquistados 
pelos colaboradores e que se traduzem na informalidade das relações, como por exemplo, o 
fenômeno da rádio peão, que se trata de comunicações que transitam pelos corredores das 
organizações. 
Compreender tais utilidades e suas representações pode contribuir tanto para o 
aprofundamento teórico das variáveis que afetam a comunicação organizacional, bem como 
alimentar um debate sobre as melhores práticas quanto ao uso do e-mail dentro da esfera 
empresarial. 
Para tanto, foi realizada uma survey com indivíduos que utilizam o e-mail corporativo 
na região sudeste do Brasil, buscando elencar os avanços e ranços dessa ferramenta no 
contexto corporativo e as principais representações sociais que podem ser construídas a partir 
dos dados da pesquisa. 
 
 
2 MARCO TEÓRICO 
 
A fundamentação teórica deste trabalho baseou-se na definição e características do e-
mail corporativo e na conceituação do que são representações sociais e suas relações com as 
dimensões tonal e modal da comunicação organizacional. 
 
2.1 E-mail Corporativo: Características e Legalidade 
 
O e-mail corporativo diferencia-se do e-mail pessoal por ser um serviço eletrônico 
disponibilizado por uma organização ao colaborador, com o objetivo exclusivo de que este 
mantenha contato com os clientes internos (demais colaboradores) e externos por meio de um 
canal adequado. Contudo, essa diferença é meramente conceitual, já que tecnicamente tais 
serviços utilizam-se das mesmas plataformas de suporte, tais como Hotmail, Uol, Gmail e 
tantas outras (PAGANELLI, 2013). 
 
3 
 
O e-mail corporativo é de propriedade da empresa e isso está explícito simbolicamente 
até no endereço eletrônico onde se utiliza do sufixo @empresa.com.br e, segundo a legislação 
brasileira, ele pode ser monitorado sem que isso configure qualquer violação à privacidade ou 
intimidade (PAGANELLI, 2013). 
O Supremo Tribunal do Trabalho (2009) já vem compreendendo essa não violação. 
Nesse sentido, a empresa pode verificar o e-mail corporativo dos funcionários. O acesso da 
empresa ao correio eletrônico institucional do empregado não caracteriza violação de 
privacidade. Se o trabalhador quiser sigilo garantido, deve criar o próprio e-mail. 
E mesmo que o funcionário esteja trabalhando em sua residência, o uso do e-mail se 
torna uma das provas de que esteve em horário de trabalho. A Lei nº 12.551, de 15 de 
dezembro de 2011 afirma não existir diferença entre o colaborador que trabalha em casa on-
line e aquele que está fisicamente em uma organização e cujas horas de trabalho podem ser 
computadas via utilização do e-mail, como reza o artigo 6º: 
 
Art. 6º Não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do 
empregador, o executado no domicílio do empregado e o realizado a distância, desde 
que estejam caracterizados os pressupostos da relação de emprego. 
 
Percebe-se que, como os computadores e as comunicações de dados tornaram-se 
onipresentes na dinâmica organizacional, torna-se passível de ocorrer alguns crimes ou 
conflitos envolvendo o uso de e-mails (BROWN, 2005) e que os administradores e 
colaboradores devam estar atentos a como lidar com a questão do uso dessas ferramentas de 
comunicação de uso estritamente profissional, como é o caso do e-mail corporativo. 
Apesar desse entendimento, administradores e colaboradores acabam utilizando o e-
mail corporativo para uso pessoal e/ou para envio de mensagens não condizente com a prática 
organizacional (ARAÚJO, 2002). Essa tênue linha entre particular e privado tem relação 
direta com o tipo de representação social de como cada agente envolvido se relaciona com o 
uso dessa ferramenta. 
 
2.2 Representações Sociais: Dimensões Tonal e Modal no uso do E-mail Corporativo 
 
Segundo Moscovici (2003), as representações sociais advem dos estudos das 
simbologias sociais, isto é, busca compreender o significado dos símbolos sociais que 
ocorrem durante as relações interpessoais nos ambientes organizacionais. Para esse autor, tais 
representações têm como principal objetivo tornar conhecido algo desconhecido por meio da 
classificação, categorização e nomeação de novos conhecimentos e pensamentos. 
Neste trabalho foram consideradas duas representações sociais para o estudo do 
fenômeno do uso do e-mail corporativo: a tonal e a modal. Trata-se de duas metáforas, ou 
seja, duas possíveis representações da interação comunicativa. 
O tonal é um sistema musical que se desenvolve no ocidente a partir do renascimento 
que surge em contraposição ao sistema modal empregado na Idade Média. A melodia tonal 
oscila entre tensões e repouso. A música é dividida em partes hierarquizadas e há uma clara 
dependência entre elas e o todo. No ambiente empresarial equivale à representação do 
controle, da hierarquia, da organização e do que é formalizado e padronizado (ROMAN, 
2005). Nesse sistema, o ouvinte acompanha o desenvolvimento da música, aguardando seu 
final, isso é, ele consegue compreender o que está se passando e para onde a música está se 
direcionando, o mesmo ocorre em uma organização cujos objetivos norteiam todos os 
processos e os colaboradores sabem exatamenteonde chegar e que, quando um objetivo for 
 
4 
 
alcançado, logo um outro será definido, compondo, assim, um ritmo tonal de trabalho 
(ROMAN, 2005). 
O sistema modal consistia em música repetitiva, monótona, cujo desenvolvimento é 
circular (e não linear como no tonal) em torno de um eixo harmônico fixo. O modal se 
caracterizava por um conjunto de vozes em diferentes ritmos que mesmos independentes 
criavam uma ilusão de sintonia final. O mesmo pode ser comparado com os espaços informais 
dentro das organizações, onde diferentes vozes ganham sentido nas rodas de café, nas 
consideradas conversas de corredores ou rádio peão. O modal permite a brincadeira, o 
proibido e o não dito em contraposição ao tonal que privilegia o trabalho, a eficiência e as 
regras (ROMAN, 2005). 
Na utilização do e-mail corporativo, essas duas representações se fazem presentes. 
Espera-se uma utilização tonal dessa ferramenta informacional, ou seja, que ela seja usada 
para concretizar os objetivos organizacionais por meio de mensagens claras e profissionais. 
Contudo, o que se percebe é uma gama de colaboradores que utilizam o e-mail corporativo 
como espaço para piadas, contos, mensagens motivadoras ou provocadoras (ROMAN, 2005). 
Segundo Roman (2005), é importante conhecer o tanto que tais representações 
impactam na organização por que um sistema tonal direciona os esforços para o futuro, já que 
é focado em objetivos e metas estratégicas, já a dimensão modal é conservadora e 
preconceituosa, uma vez que foca em comportamentos que visam manter o status quo dos 
colaboradores, por isso, nos e-mails considerados inúteis vê-se uma gama de mensagens de 
inibição, crítica e julgamentos pessoais. 
E é nesse ponto que virtual e real se encontram, ou seja, nos espaços virtuais é que os 
indivíduos representam sua própria realidade (ZAGORKY, 2004). Virtual e real não são 
conceitos antônimos, mas dicotômicos e se relacionam dialeticamente, ou seja, o real se refere 
às coisas persistentes e resistentes, isto é, o real subexiste, ele traz em si potencialidades que 
podem se realizar no virtual; o virtual existe, não se trata de falsificação ou uma construção 
imaginária desligada do real. É através do virtual que se compartilha uma realidade (LEVY, 
1998). 
Nessa direção, este estudo buscou compreender os principais usos do e-mail 
corporativo, como essa ferramenta vem sendo empregada e quais os principais benefícios e 
desafios dessa utilização na percepção dos pesquisados, por meio do emprego da metodologia 
descrita na sequência. 
 
 
3 METODOLOGIA 
 
A explicação do método foi dividida em duas partes: primeiro foi apresentada a forma 
de como se procedeu a definição de amostra e a coleta de dados e, em segundo lugar, como os 
dados foram tratados e tabulados. 
 
3.1 Coleta de Dados 
 
A investigação foi de caráter quantitativo, por meio de uma survey como principal 
estratégia de pesquisa. A pesquisa do tipo survey tem como objetivo a obtenção de dados e 
informações sobre as ações, características ou opiniões de um determinado grupo de estudo, 
por meio de um instrumento de coleta de dados, normalmente, o questionário 
(PINSONNEAULT; KRAEMER, 1993). 
Dentre os tipos de survey, optou-se pelo método descritivo que busca identificar 
opiniões, eventos, atitudes ou intenções do público-alvo. Nesse sentido, a relação entre as 
 
5 
 
variáveis pesquisadas não é causal, mas busca estabelecer uma relação entre elas 
(PINSONNEAULT; KRAEMER, 1993). 
No intuito de formar o cadastro para coleta dos dados com colaboradores que 
utilizassem de e-mails corporativos, foi estruturado um mailing composto pela rede de 
relações dos pesquisadores, composta por empresas parceiras em projetos de pesquisas, 
professores e consultores de universidades parceiras em Minas Gerais, São Paulo, Rio de 
Janeiro e Espírito Santo, focando na região sudeste do Brasil. A escolha da região Sudeste 
justifica-se, ainda, por nessa região concentrar não apenas o maior número de empresas do 
país, mas também mais de 50% das unidades locais dessas empresas, do pessoal ocupado e da 
massa salarial paga no Brasil. As informações são do Cadastro Central de Empresas 2011 
(CEMPRE), divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2011. 
Diante da dificuldade da aplicação do método probabilístico de amostragem face à 
impossibilidade de se compilar todos os elementos da população e de se realizar uma 
amostragem aleatória simples, por exemplo, utilizou-se, nessa pesquisa, o tipo de amostra não 
probabilística por conveniência (MARTINS; THEÓPHILO, 2009). Nesse tipo de amostragem 
as pessoas participam por estarem disponíveis no momento da aplicação da pesquisa. Como 
os indivíduos não passaram por um processo de seleção, os dados apurados na pesquisa não 
puderam ser generalizados para todo o universo (PINSONNEAULT; KRAEMER, 1993). 
 Com isso, para definição do tamanho da amostra foi utilizado um artifício estatístico 
empregado que afirma que para que se possa ter um nível aceitável de resultados na análise 
estatística dos dados, a amostra deve ser calculada multiplicando-se o número de afirmativas 
do questionário pelo número de respondentes. Nesse artifício, o número de respondentes deve 
ser de, no mínimo cinco para cada parâmetro (afirmativa) do modelo de pesquisa e a amostra 
final deve ficar entre 100 e 150 casos (HAIR JR. et al., 1998). O questionário utilizado neste 
artigo foi constituído por 19 afirmativas, indicando que a amostra mínima deveria ser em 
torno de 95 casos. Os dados foram coletados por meio eletrônico, obtendo-se 130 retornos e, 
destes, 107 respostas válidas. 
Além do questionário, todos os respondentes foram convidados a assinarem o Termo 
de Consentimento Livre e Esclarecido, autorizando tanto a pesquisa, quanto a divulgação dos 
dados da empresa, desde que, mantido o seu anonimato. 
 
3.2 Forma de Tratamento dos Dados 
 
Para tabulação dos dados o questionário foi dividido em quatro blocos: um bloco para 
verificar a quantidade e a frequência do número de e-mails corporativos diariamente, um 
segundo bloco que investigou a percepção de utilidade desses e-mails pelos colaboradores, em 
seguida foi analisada a questão da percepção da importância dos e-mails recebidos em relação 
a outros meios de comunicação, e finalmente um quarto bloco que procurou obter dados 
demográficos da amostra pesquisada, como mostra o Quadro 1. 
 
 
6 
 
Quadro 1 – Blocos Investigativos no Uso do E-mail Corporativo 
Bloco Variáveis Medição 
1 Quantidade e frequência de 
e-mails diários 
 
Número de e-mails recebidos diariamente em relação a: 
 Dia normal de trabalho 
 Dia de muito trabalho 
 Dia de pouco trabalho 
2 Utilidade dos e-mails 
recebidos 
Percentual de resposta em relação aos e-mails que: 
 Devem ser respondidos (cliente interno e externo) 
 São informativos (colaborador apenas em cópia) 
 São avisos corporativos ou da área 
 São de caráter pessoal 
 São considerados inúteis 
 Outros a especificar 
3 Importância dos e-mails 
recebidos a outros meios de 
comunicação 
a) Prefiro usar o email a outros meios de comunicação porque posso 
usá-lo como documento legal para qualquer tipo de comprovação 
b) Prefiro não usar o email a outros meios de comunicação porque 
podem usá-lo contra mim 
c) Acredito que o email seja a forma mais eficiente e prática de 
comunicação 
d) Prefiro usar o email ao telefone porque é grátis 
e) Acredito que o email deixará de existir num futuro próximo porque 
será substituído por outras tecnologias 
f) Confio muito nos emails quanto à segurança 
g) Acredito que a empresa tem o direito de vigiar as atividades nos 
emails 
h) Acredito que a empresa tem o direito de filtrar as mensagens e 
excluir os emails considerados inapropriados que chegam em seu 
servidor 
i) Gosto de confirmaro recebimento de email por telefone 
j) Uso a função de confirmação de recebimento de email 
4 Perfil demográfico Gênero: ( ) Mulher ( ) Homem 
Em que ano você nasceu? ______ 
Há quantos anos trabalha? ______ anos 
Em quantas organizações já trabalhou? ______ 
Formação universitária: _____________________ 
Cargo: _____________________ 
Fonte: elaborado pelos autores baseando-se em Roman (2005). 
 
Os dados foram tabulados por meio do programa SPSS (Statistical Package for the 
Social Sciences), versão 20.0. Foram realizadas análise fatorial exploratória, apuradas as 
estatísticas descritivas, e análise de cluster para classificação das representações sociais 
considerando as dimensões tonal e modal do uso do e-mail corporativo. 
Foi realizado, ainda, um pré-teste com 10 indivíduos que possuem e-mails 
corporativos no intuito de verificar a clareza e objetividade das questões formuladas. O 
questionário foi aplicado individualmente e, após a aplicação, foi idealizado um grupo focal 
com o intuito de melhorar a compreensão do instrumento. 
 
 
 
7 
 
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 
 
4.1 Perfil da Amostra 
 
Em relação ao gênero, 45 respondentes, ou seja, 42,73% da amostra são homens e 62 
são mulheres (57,27%), totalizando 107 respostas válidas. Há uma maior proporção de 
mulheres na amostra. 
Analisando-se o nível de escolaridade, apurou-se que 73,15% dos pesquisados 
possuíam especialização lato ou stricto sensu, como demonstrado na Tabela 1, revelando que 
os respondentes mostram-se bem qualificados, e infere-se que tenha um maior poder crítico 
em relação ao uso do e-mail corporativo. 
 
Tabela 1 – Nível de Escolaridade 
Escolaridade Máxima Quantidade %
Até Graduação 29 26,85
Especialização Lato Sensu 38 36,11
Especialização Stricto Sensu 40 37,04
Total 107 100,00
Fonte: dados da pesquisa. 
 
Talvez em função da alta escolaridade encontrada na amostra, 46,73% dos 
entrevistados possuem de 31 a 40 anos, como revela a Tabela 2, prevalecendo uma população 
mais adulta e, portanto, infere-se um grupo com maior experiência e maturidade, o que 
contribui para a análise crítica do uso do e-mail corporativo nas organizações. 
 
Tabela 2 – Faixa Etária 
Faixa Etária Quantidade %
Até 30 anos 25 23,36
De 31 a 40 anos 50 46,73
De 41 a 50 anos 24 22,43
Acima de 51 anos 8 7,48
Total 107 100,00 
Fonte: dados da pesquisa. 
 
Em relação ao tempo de trabalho, 52,34% dos respondentes tem experiência 
empresarial há mais de 13 anos nas organizações (Tabela 3), podendo-se inferir que possuem 
maturidade profissional e experiência suficientes para analisarem criticamente as afirmativas 
do questionário. 
 
Tabela 3 – Tempo de Trabalho em Empresas 
Tempo de trabalho Quantidade %
Até 8 anos 27 25,23 
De 9 a 12 anos 24 22,43 
De 13 a 19 anos 22 20,56 
20 anos ou mais 34 31,78 
Total 107 100,00 
Fonte: dados da pesquisa. 
 
8 
 
 
Grande parte da amostra (84,87%) já trabalhou em mais de três empresas, talvez em 
função da maturidade dos envolvidos na pesquisa. Em relação aos cargos, obteve-se que 
34,56% dos respondentes ocupavam cargos estratégicos de gestão (diretores, gerentes, 
presidentes, supervisores e coordenadores), 24,30% cargos acadêmicos (professores), 13,08% 
cargos técnicos (analista e técnicos), 13,08% cargos de consultoria ou apoio externo 
(consultores e externos), e 14,95% cargos operacionais ou de aprendiz (assistente, auxiliar, 
estagiário e aprendiz), como demonstrado na Tabela 4. Esses dados mais uma vez confirmam 
o caráter de maturidade, experiência e complexidade da amostra. 
 
Tabela 4 – Cargos 
Cargos Quantidade %
Analista 11 10,28 
Assistente ou auxiliar 12 11,21 
Consultor 13 12,15 
Diretor 3 2,80 
Estagiário ou aprendiz 2 1,87 
Gerente 10 9,35 
Presidente ou proprietários 8 7,48 
Professores 26 24,30 
Supervisores e coordenadores 16 14,95 
Técnicos 5 4,67 
Terceiros 1 0,93 
Total 107 100
Fonte: dados da pesquisa. 
 
4.2 Consistência dos Dados: Análise Fatorial Exploratória 
 
Inicialmente, realizou-se uma análise fatorial exploratória visando a constatação da 
consistência das escalas utilizadas. Foram aplicados os seguintes testes estatísticos para cada 
fator que compôs tais instrumentos de medição. 
 
 Análise do Kaiser Meyer Olkin (KMO) e do Teste de Esfericidade de Bartletts: A 
primeira análise é a do KMO, que permite fazer uma análise geral da matriz de 
correlações. Quanto mais próximo de 1, maior a correlação entre as variáveis 
envolvidas. Deve-se também observar se o p-valor (significância) está abaixo de 0,05, 
rejeitando-se, assim, a hipótese de que não haveria forte correlação entre as variáveis 
(LEVIN, 1987). 
 Análise da matriz anti-imagem e da measure of fampling adequacy (MSA): Consiste 
em analisar o teste de KMO individual para cada uma das variáveis. Para cada 
variável, o KMO deve estar acima de 0,50. As variáveis abaixo desse índice são 
candidatas a serem eliminadas da análise (LEVIN, 1987). Contudo, para uma maior 
certeza deve-se esperar o teste das comunalidades. 
 Comunalidades: Esta análise indica que valores abaixo de 0,50 demonstram que a 
variável não está bem ajustada ao modelo. Geralmente é aplicada nos casos de valores 
de KMO inferiores a 0,50 (LEVIN, 1987). 
 
9 
 
 Alpha de Cronbach: Tem como finalidade analisar o grau de consistência e 
confiabilidade das questões. Seu valor deve ser superior a 0,60 para ser considerado 
confiável (LEVIN, 1987). 
 
A análise do KMO dos três blocos de investigação que compõem o questionário - 
frequência, utilidade e importância - revelaram índices superiores a 0,6 para p<0,05, 
demonstrando a confiabilidade do modelo de pesquisa. O alpha de Cronbach também 
confirmou o grau de consistência dos dados, obtendo-se valores acima de 0,6 como mostra a 
Tabela 5. 
 
Tabela 5 – KMO e Alpha de Cronbach das Escalas 
 KMO Alpha de Crombach 
Frequência (Uso do e-mail) 0,582 0,888 
Utilidade do Tipo Tonal 0,501 0,759 
Utilidade do Tipo Modal 0,794 0,991 
Importância do e-mail 0,863 0,941 
Fonte: dados da pesquisa. 
 
Os resultados do cálculo da matriz anti-imagem e das comunalidades das afirmativas 
que compunham as dimensões das escalas também foram satisfatórios, com resultados 
superiores a 0,50, como mostra a Tabela 6. 
 
Tabela 6 – Análise da Matriz Anti-imagem e das Comunalidades 
Fatores Matriz Anti-Imagem Comunalidade 
Frequência: 
Número de e-mails em dias normais de trabalho 0,937 0,548 
Número de e-mail em dias de muito trabalho 0,757 0,609 
Número de e-mails em dias de pouco trabalho 0,758 0,608 
Utilidade Tonal: 
Devem ser respondidos 0,516 0,573 
São informativos 0,522 0,917 
São avisos corporativos ou da área 0,524 0,703 
Utilidade Modal: 
São de caráter pessoal 0,824 0,982 
São considerados inúteis 0,772 0,986 
Outros (dados não empresariais) 0,789 0,884 
Importância do E-mail: 
Por que o e-mail é um documento legal 0,764 0,939 
Não uso o e-mail porque pode ser usado contra mim 0,794 0,975 
Uso o e-mail porque é mais eficiente que outros meios 0,761 0,902 
Uso o e-mail porque é gratuito 0,893 0,884 
O e-mail deixará de existir, será substituído 0,916 0,842 
Porque confio no e-mail pela sua segurança 0,879 0,84 
A empresa tem o direito de vigiar o e-mail 0,935 0,829 
A empresa pode filtrar e-mails inúteis 0,877 0,878 
Gosto de confirmar o recebimento de e-mail 0,803 0,948 
Uso a função de confirmar e-mail 0,959 0,895 
Fonte: dados da pesquisa. 
 
10 
 
 
4.3 Frequência de Recebimento e Uso de E-mail 
 
A investigação da frequência do uso do e-mal em dias normais, de muito e de pouco 
trabalho revelou que, em dias normais de trabalho,os usuários recebem de 10 a 20 mensagens 
diariamente (40,8% dos pesquisados), passando para mais de 40 e-mails diários em dias de 
muito trabalho (40% dos pesquisados) e para menos de 10 recebimentos em dias de pouco 
trabalho (43,1% dos pesquisados), como mostra a Tabela 7. 
 
Tabela 7 – Frequência do uso de e-mails corporativos 
Dias normais Dias de muito trabalho Dias de pouco trabalho Número de e-
mails Quant. % Quant. % Quant. %
0 a 10 26 20,0 10 7,7 56 43,0 
11 a 20 27 20,8 15 11,5 24 18,5 
21 a 30 22 16,9 19 14,6 11 8,5 
31 a 40 22 8,4 12 9,2 5 3,8 
Acima de 40 21 16,9 51 40,0 1 9,2 
Total 107 100 107 100 107 100 
Fonte: dados da pesquisa. 
 
Cruzando-se os dados da frequência de recebimento e uso de e-mails com dados 
demográficos verificou-se que: 
 
a) Em dia normal de trabalho: 51,6% das mulheres recebem até 20 e-mails diários, 
enquanto que 41,3% dos homens afirmaram receber até 30 e-mails. 44,4% dos 
indivíduos que ocupam cargos de professores afirmaram receber até 10 emails, 
enquanto que aqueles que ocupam cargos de gestão indicaram receber mais de 40 
emails diários, como no caso dos diretores (66,6%) e dos gerentes (50%). Consultores, 
coordenadores e assistentes afirmaram receber até 20 emails diários. 
b) Em dia de muito trabalho: não houve diferenciação quanto ao gênero, já que 41,9% 
das mulheres e 51,5% dos homens indicaram receber mais de 40 e-mails diários. Em 
relação aos cargos, a maioria também indicou receber mais de 40 e-mails diários, com 
exceção para os cargos de professores (até 20 e-mails diários) e estagiários (até 30 e-
mails diários). Chama a atenção o resultado para o cargo de professores, indicando não 
haver diferenciação de e-mails em relação ao trabalho, ou seja, tanto em dias de muito 
ou pouco trabalho, parece haver uma constância nos recebimentos e uso do e-mail. 
c) Em dia de pouco trabalho: também não houve diferenciação em relação ao gênero, 
indicando que mais de 50% dos pesquisados afirmaram receber até 10 e-mails diários. 
Em relação aos cargos, também todos indicaram essa faixa de recebimento de e-mails, 
com exceção para os cargos de diretores que indicaram que mesmo em dias de pouco 
trabalho, a média diária de recebimento é superior a 40 e-mails, condizente com a 
complexidade e responsabilidade desse cargo nas organizações. 
 
4.4 Utilidade e Importância do E-mail Corporativo: Análise de Cluster 
 
Apurou-se que 66% do uso do e-mail é considerado tonal, contra 34% modal na 
percepção dos usuários. Esse dado torna-se preocupante já que mais de um terço da 
informação que os colaboradores recebem é considerada inútil ou de caráter pessoal dentro da 
esfera corporativa. Como ressaltado no referencial teórico, o e-mail corporativo é propriedade 
da organização e seu uso deve ser exclusivamente para fins organizacionais, e o seu mau uso 
 
11 
 
pode acarretar questões jurídicas e trabalhistas caso seja constatado o mau uso dessa 
ferramenta informacional (ROMAN, 2005). 
Efetuando o cruzamento das dimensões tonal e modal com os dados demográficos 
(idade, cargo, gênero) observou-se que essa proporção percentual se mantinha, com algumas 
pequenas alterações de resultados. Foi decidido, então, aplicar a técnica de cluster. Tal 
ferramenta estatística pretende agrupar os dados de forma a constituir grupos nos quais os 
seus elementos sejam os mais parecidos entre si, e os grupos, os mais diferentes entre si 
(ROMESBURG, 1984). 
A análise de cluster permite criar um centro de referência para cada grupo por meio da 
caracterização do elemento médio de cada um deles, e caracterizar, ainda, os elementos 
típicos de um grupo, assim como suas diferenças típicas, podendo criar representações sociais, 
metáforas ou simbologias que caracterizem tais grupos (ROMESBURG, 1984). 
Agrupando-se as escalas de frequência, utilidade (tonal e modal) e importância do e-
mail com o perfil demográfico, obteve-se três clusters com características distintas (Quadro 
2): os conservadores, os céticos e os pragmáticos. 
 
Quadro 2 – Características Específicas dos Clusters 
 Cluster 1 Cluster 2 Cluster 3 
Gênero Sem distinção Predominância de 
homens 
Predominância de 
mulheres 
Frequência diária Recebimento moderado 
de e-mails tanto em dias 
de muito ou pouco 
trabalho. 
Recebimento de emails 
de acordo com a 
intensidade de trabalho. 
Recebimento intensivo de 
e-mails tanto em dias de 
pouco ou muito trabalho. 
Faixa Etária Indivíduos maduros Indivíduos jovens Indivíduos mais velhos 
Cargos Consultores, gerentes e 
professores 
Analistas, supervisores e 
coordenadores 
Assistentes, diretores, 
presidentes 
Escolaridade Pós-graduação stricto 
sensu 
Pós-graduação lato sensu Graduação 
Utilidade do E-mail Tonal Sem distinção Modal 
Importância do e-mail 
em relação a outras 
ferramentas 
informacionais. 
Não percebem o e-mail 
como uma ameaça, 
apesar de utilizarem o e-
mail por acreditarem que 
essa ferramenta seja mais 
segura que outros meios. 
Concordam que o e-mail 
seja uma ferramenta mais 
eficiente que outros 
meios, mas não 
costumam confirmar o 
recebimento por telefone 
ou outro meio. 
Discordam que o e-mail é 
mais eficiente que outros 
meios e, por isso, 
acreditam que essa 
ferramenta será 
substituída em um futuro 
próximo. Acreditam que 
o e-mail não ofereça 
segurança e tem o hábito 
de confirmar o 
recebimento por telefone, 
ou pela ferramenta do 
próprio sistema. 
Veem o e-mail como 
documento legal, que 
pode ser utilizado contra 
os respondentes, e por 
isso devem ser 
monitorados pela 
empresa. Consideram o e-
mail mais eficiente que 
outros meios, além de ser 
gratuito. 
Representação social Os conservadores Os céticos Os pragmáticos 
Fonte: elaborado pelos autores baseando-se nos dados da pesquisa. 
 
Observando o Quadro 2, pode-se resumir os clusters em três perfis ou representações 
sociais: 
 
 Os conservadores: caracterizados por indivíduos maduros, com alta escolaridade, 
ocupantes de cargos de consultoria, acadêmicos ou de gestão. Percebem a dimensão 
tonal no uso do e-mail, ou seja, utilizando-o apenas para fins organizacionais, como 
uma ferramenta segura e mais eficiente que outros meios de comunicação. Afirmaram 
 
12 
 
ter uma constância na quantidade de e-mails recebidos diariamente independente da 
carga de trabalho, e possuem a tendência de confirmar o recebimento desses e-mails. 
 Os céticos: grupo formado por jovens indivíduos do sexo masculino e que ocupam 
cargos de analistas, supervisores e coordenadores, com escolaridade de pós-graduação 
lato sensu em sua maioria. Não fazem distinção em relação à utilidade do e-mail, isto 
é, para eles o e-mail pode ser tonal ou modal dependendo do uso de cada indivíduo. 
Afirmaram que a quantidade diária de e-mails varia de acordo com a quantidade de 
carga de trabalho, recebendo um menor volume de mensagens em dias de pouco 
trabalho, e alta quantidade em dias de muito trabalho. Acreditam que o e-mail não seja 
mais eficiente que outros meios de comunicação, e que poderá ser substituído por 
outra ferramenta em um futuro próximo. Essa crença pode ser advinda do caráter 
jovem desse grupo e da alta exposição a outras tecnologias tais como Facebook, 
Skype, aplicativos de comunicação instantânea por celular, dentre outras apuradas na 
pesquisa. 
 Os pragmáticos ou controladores: composto por indivíduos mais velhos, com 
predominância para o sexo feminino, com graduação. Afirmaram ter um uso intensivo 
de e-mails, recebendo uma grande quantidade de e-mails independente da carga de 
trabalho, mesmo em dias de pouco trabalho. Apesar de perceberem o e-mail como um 
documento legal e que, por isso, deve ser monitorado pela organização, esse grupo 
também foi o que mais informou receber correspondências de caráter pessoal ou 
inúteis. Infere-se queisso ocorra talvez em função da predominância de presidentes, 
proprietários e diretores nesse grupo, onde a questão pessoal muitas vezes se confunde 
com a profissional, dado o caráter autocrático e de poder nas relações organizacionais. 
 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Por meio dos resultados deste estudo pretendeu-se responder ao objetivo proposto para 
esta pesquisa, o qual foi investigar como o e-mail corporativo vem sendo empregado e quais 
os principais benefícios e desafios dessa utilização na percepção dos pesquisados. 
Os resultados apontaram três perfis ou representações sociais de usuários de e-mail 
corporativo na região sudeste do Brasil: os conservadores (73% da amostra), que percebem a 
dimensão tonal no uso do e-mail, ou seja, utilizam-no apenas para fins organizacionais; os 
céticos (7% da amostra), para os quais o e-mail poderá ser substituído por outra ferramenta 
em um futuro próximo, não fazem distinção à utilidade do e-mail, o tonal ou modal vai 
depender do uso de cada indivíduo; e, os pragmáticos (20% da amostra) que usam de forma 
intensiva o e-mail corporativo, percebendo-o como um documento legal. 
Em virtude desse resultado, conclui-se que saber separar o que é relevante como um 
todo seja um desafio para os gestores de informações, de negócios, de administração, de 
finanças, de marketing, de operações, de gestão de pessoas, enfim, de todas as áreas da 
organização. 
É importante reconhecer a necessidade de valorizar a enormidade de informações que 
circulam nas organizações, principalmente aquelas que navegam a todo instante por emails. 
Com efeito, não apenas a privacidade da empresa deve ser protegida, mas também o sigilo de 
suas correspondências eletrônicas, uma vez que a indevida utilização dos e-mails corporativos 
pode violar os direitos de personalidade da empresa, denegrindo sua imagem perante o 
mercado e a sociedade, por intermédio da divulgação de correspondências preconceituosas, 
racistas, de conteúdos religiosos, políticos, ou até mesmo pela divulgação de dados sigilosos 
da empresa. 
 
13 
 
Cumpre observar que os e-mails corporativos são correspondências pertencentes à 
organização, e não ao colaborador. É um bem intangível da empresa, colocado à disposição 
desse empregado para a realização de sua função. Este é titular desse correio eletrônico 
apenas enquanto empregado da organização, como sua representante. 
Caso esse colaborador faça o uso indevido dessa ferramenta tecnológica, pode gerar 
prejuízos morais e econômicos à empresa e até mesmo a ele próprio e a demais membros da 
comunidade. 
Assim, no ambiente organizacional, o uso modal deve se sobressair ao uso tonal do e-
mail corporativo, o que configura em um grande desafio para as organizações. Em virtude 
disso, a validade do monitoramento dos e-mails corporativos pelas empresas é um 
questionamento que tem surgido com certa frequência no meio jurídico, em virtude da 
ausência de previsão legislativa. As respostas a tal questionamento não são simples, tendo em 
vista os diversos princípios norteadores do ordenamento jurídico brasileiro, que para uns 
justificam o monitoramento, e para outros, não. Tal abordagem torna-se relevante para futuros 
estudos. 
Alguns fatores devem ser analisados como limitações desta pesquisa, como o fato de 
ser um estudo contemplando uma amostra não probabilística, que envolveu somente 
profissionais atuantes na região Sudeste; é determinante para o pensamento de que é 
necessário mais pesquisas afins, para que os resultados deste trabalho sejam projetados em 
outras esferas organizacionais, como outros estados brasileiros, e inclusive em outros países. 
Considerando as referências teóricas deste trabalho, houve uma dificuldade de 
encontrar autores em estudos organizacionais que tivessem um enfoque na temática tratada, já 
que essa abordagem geralmente é bastante superficial em gestão organizacional. No caso, foi 
necessário abranger as pesquisas bibliográficas para a área de conhecimento da Comunicação 
Social. 
Como pesquisas futuras, pode ser sugerido: replicar este estudo em outras localidades 
do país, estender esta pesquisa para outros países, realizar estudos longitudinais, e comparar 
os resultados por setor de atuação das empresas. 
Este trabalho, portanto, contribui no sentido de avançar as reflexões sobre as 
representações sociais e seus impactos na comunicação organizacional, bem como alimentar 
um debate sobre as práticas quanto ao uso do e-mail na esfera empresarial, a fim de serem 
encontrados novos caminhos em direção a formas inovadoras de ações e soluções, 
redesenhando as abordagens viáveis e as possíveis alternativas para o enfrentamento das 
incertezas que permeiam o mundo corporativo. 
 
 
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do Empregador. Revista de Direito Constitucional e Internacional. Revista dos Tribunais, v. 
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Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1o de maio de 1943, para equiparar 
os efeitos jurídicos da subordinação exercida por meios telemáticos e informatizados à 
exercida por meios pessoais e diretos. Brasília, 2011. 
 
BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho 2ª Região. Decisão Proferida pelo Tribunal Superior 
do Trabalho (TST) em 11 mar. 2009. Boletim Informativo, n. 3-B, 2009. 
 
14 
 
 
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LEVY, P. O que é virtual? Tradução de Paulo Neves. São Paulo: 34, 1998. 
 
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Ciências Sociais Aplicadas. 2 ed. São Paulo: Editora Atlas, 2009. 
 
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