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As metrópoles, Brasília e a questão urbana: estratificação social.  Para que e para quem é a cidade?

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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
Instituto Central de Ciências Sul – ICC Sul
Dara Aldeny
Deborah
Guilherme Mazarello
Sabrina Beatriz Ribeiro Pereira da Silva
Suziany Venâncio Rosário
As metrópoles, Brasília e a questão urbana: estratificação social. 
Para que e para quem é a cidade?
Brasília
2016
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
Instituto Central de Ciências Sul – ICC Sul
Dara Aldeny
Deborah
Guilherme Mazarello
Sabrina Beatriz Ribeiro Pereira da Silva – 16/0157056
Suziany Venâncio Rosário – 16/0157081
 
As metrópoles, Brasília e a questão urbana: estratificação social. 
Para que e para quem é a cidade?
Este trabalho deverá ser entregue a Professora Dra. Dulce Maria Filgueiro de Almeida, como requisito parcial avaliativo da matéria Introdução à Sociologia, referente ao segundo semestre do ano de 2016, na Universidade de Brasília - Campus Darcy Ribeiro.
Brasília
2016
SUMÁRIO
Introdução
INTRODUÇÃO
Para que e para quem é a cidade?
A cidade foi e é feita para todos. Porém, quem se acha o dono da cidade?
Na democracia, o poder público representa o cidadão nas decisões em geral, inclusive as que dizem respeito à cidade. Todavia, quem se acha representado por ele? Quem participa dessas decisões tomadas para o desenvolvimento das cidades, por exemplo?
Para alguns poderosos empresários e muitos políticos o desenvolvimento de uma cidade se dá quando ela e cheia de prédios, quando é rica e tem grande crescimento do mercado financeiro na presença de grandes comércios. Entretanto, o desenvolvimento real de uma cidade é quando ela é considerada confortável, segura e acessível à mulher, a criança, ao idoso, a todo indivíduo na sua peculiaridade. O desenvolvimento das cidades está diretamente ligado também a mobilidade urbana. 
O mercado financeiro não pode ser maior que o interesse na qualidade de vida das pessoas. Os poderes legislativo, executivo e judiciário têm que garantir a existência e a permanência de espaços coletivos lúdicos e culturais, pois eles infringem de maneira direta na qualidade de vida dos cidadãos. A cidade de Brasília, por exemplo, foi construída com estrutura jurídica da propriedade carregada de ambigüidade legal, isso deu muita margem às ocupações de terras. Com o tempo a tão planejada metrópole entrou na lógica da segregação territorial. Então, a ideia inicial de construir o paraíso na terra – uma cidade super planejada – deveria se conformar com o desconforto da existência de pequenas cidades ao redor, as conhecidas periferias, mas que foram inicialmente nomeadas de cidades satélites. 
Existe ainda uma divisão. Quem mora no centro ou na metrópole tem acesso a coisas, ou até mesmo a direitos, que os moradores das periferias não têm e algumas vezes nem sabem que existe. Tem-se na atualidade a necessidade de inversão da equação público/ privada. Invés de a cidade ser pensada a partir do âmbito privado, do interesse individual, ela deveria ser pensada a partir do público, da dimensão dos espaços e equipamentos públicos. Tem-se a necessidade de pensar em uma nova política pública que dialoga com esses movimentos tão importantes de apropriação e reapropriação das nossas cidades.
Há hoje em Brasília um exemplo prático do entendimento do Estatuto da Cidade na forma de construção e desenvolvimento do espaço urbano para que se tenha a utilização adequada da função social reordenada ao coletivo, ao bem comum da cidade. Este exemplo é a ocupação cultural Mercado Sul Vive que fica na cidade de Taguatinga, no início de 2016 a ocupação também conhecida como Beco completou um ano. Este trata-se de um movimento cultural de trabalhadoras e trabalhadores do Beco em um processo de retomada da cidade. Lá, constroem-se violas, vídeos, mamulengos, artesanatos e até instrumentos musicais com papelão e sacos de cimento. O local havia sido abandonado pelos donos cerca de 10 anos e havia se tornado um espaço de propagação da violência e do tráfico de drogas. Depois da ocupação, o lugar foi transformado e hoje o Mercado Sul também é palco, roda de capoeira, escola, ecofeira, comunidade, santuário, espaço de produção e também aprendizagem. Foi acreditando no poder de transformação social através expansão da cultura na cidade que o Mercado Sul virou um lindo e simples local de encontro e socialização comunitária.
Para Henri Lefebvre, o inventor do direito à cidade, a perspectiva administrativista da cidade deve ser politizada para a produção social do espaço a fim de assumir a ótica dos cidadãos e não da administração, para que o direito à cidade seja assentado na luta pelo direito de criação e plena fruição do espaço social. A concepção de cidadania vai além do direito de voto e expressão verbal, pois trata-se de uma forma de democracia direta, pelo controle direto das pessoas sobre a forma de habitar a cidade, produzida como obra humana coletiva em que cada indivíduo e comunidade tem espaço para manifestar sua diferença. 
A ocupação cultural Mercado Sul Vive tem um processo na justiça – que está sendo acompanhado pela Assessoria Jurídica Universitária Popular Roberto Lyra Filho da UnB - pois os supostos proprietários das lojas entraram com pedido de reintegração de posse. Eles entraram com a ação errada porque eles já não tinham a posse dos imóveis, mas não entraremos no mérito desta questão. 
O direito à cidade vem confrontar esta lógica de dominação do nosso direito patrimonialista, pois prevalece a apropriação do espaço pelos cidadãos e sua transformação para satisfazer e expandir as necessidades e possibilidades da coletividade. Apropriação não tem a ver com propriedade, mas com o uso, e precisa acontecer coletivamente como condição de possibilidade à apropriação individual. 
Enfim, a cidade é do povo e para o povo. É na cidade que se cria uma multiplicidade de momentos, com diferentes durações: trabalho profissional ou voluntário, descanso, arte, jogo, luta, conhecimento, lazer, cultura. O cidade é de todos os seus habitantes, independentemente de seu reconhecimento legal como cidadão. A luta pelo direito à cidade é romper com a sociedade da indiferença e caminhar para um modo diferencial de produção do espaço urbano.