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O HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UFMG vivenciou toda esta crise, 
apresentando naquela época o seguinte quadro : débitos com os fornecedores 
R$ 9 milhões (maio/97) ; déficit de 487 funcionários ; várias enfermarias foram 
fechadas, dos 432 leitos disponíveis somente 150 estavam sendo utilizados. 
 Em consequência desta crise, a Congregação da FACULDADE DE MEDICINA 
DA UFMG tomou uma decisão inédita, suspendendo a continuidade do curso médico em 
junho de 1997 em virtude da inviabilidade do processo de aprendizagem decorrente do não 
funcionamento do hospital-escola. 
 Toda esta crise obrigou à direção do Hospital a buscar novas fontes de 
arrecadação, principalmente através de convênios com planos privados de saúde 
e com a prefeitura municipal de Belo Horizonte. 
 O governo edita a NOB-SUS 01/96 ,o que representa um avanço 
importante no modelo de gestão do SUS, principalmente no que se refere a 
consodolidação da Municipalização. Esta NOB revoga os modelos anteriores de 
 
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gestão propostos nas NOB anteriores ( gestão incipiente, parcial e semiplena) , e 
propõe aos municípios se enquadrarem em dois novos modelos : Gestão Plena 
de Atenção Básica e Gestão Plena do Sistema Municipal. Estes modelos 
propõem a transferência para os municípios de determinadas responsabilidades 
de gestão , conforme pode ser visto no quadro abaixo. 
GESTÃO PLENA DE ATENÇÃO 
BÁSICA 
GESTÃO PLENA DOS SISTEMA 
MUNICIPAL 
Elaboração de programação municipal 
dos serviços básicos, inclusive 
domiciliares e comunitários, e da 
proposta de referência ambulatorial e 
especializada e hospitalar. 
Elaboração de programação municipal 
dos serviços básicos, inclusive 
domiciliares e comunitários, e da 
proposta de referência ambulatorial e 
especializada e hospitalar. 
Gerência de unidades ambulatoriais 
próprias 
Gerência de unidades próprias, 
ambulatoriais e hospitalares, inclusive 
as de referência 
Gerência da unidades ambulatoriais do 
estado e/ou da União 
Gerência da unidades ambulatoriais e 
hospitalares do estado e/ou da União 
Introduzir a prática do cadastramento 
nacional dos usuários do SUS 
Introduzir a prática do cadastramento 
nacional dos usuários do SUS 
Prestação dos serviços relacionados aos 
procedimentos cobertos pelo PAB para 
todos os casos de referência interna ou 
externa ao município 
Prestação dos serviços ambulatoriais e 
hospitalares para todos os casos de 
referência interna ou externa ao 
município 
 Normalização e operação de centrais de 
procedimentos ambulatoriais e 
hospitalares 
Contratação , controle, auditoria e 
pagamento aos prestadores dos serviços 
contidos no PAB 
Contratação, controle, auditoria e 
pagamento aos prestadores de serviços 
ambulatoriais e hospitalares 
Operação do SIA/SUS, conforme 
normas do MS, e alimentação, junto às 
SES, dos bancos de dados de interesse 
nacional 
Operação do SIH e do SIA/SUS, 
conforme normas do MS, e 
alimentação, junto às SES, dos bancos 
de dados de interesse nacional 
Autoriza AIH e Proced. Ambulatoriais 
Especializados 
Autoriza, fiscaliza e controla as AIH e 
Proced. Ambulatoriais Especializados e 
de alto custo 
Execução de ações de vigilância 
sanitária e de epidemiologia 
Execução de ações de vigilância 
sanitária e de epidemiologia 
FONTE : NOB/96 
 
 
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 É possível constatar as diferenças existentes nos dois modelos de gestão, 
sendo a gestão plena do sistema municipal o de maior abrangência, transferindo 
um número maior de responsabilidades para os municípios , especialmente no 
que se refere gestão direta do sistema hospitalar , não incluído no modelo de 
gestão plena da atenção básica. 
 
Esta NOB reformular e aperfeiçoar a gestão do SUS, na medida em que redefine: 
• os papéis de cada esfera de governo e, em especial, no tocante à direção única; 
• os instrumentos gerenciais para que municípios e estados superem o papel exclusivo 
de prestadores de serviços e assumam seus respectivos papéis de gestores do SUS; 
• os mecanismos e fluxos de financiamento, reduzindo progressiva e continuamente a 
remuneração por produção de serviços e ampliando as transferências de caráter global, 
fundo a fundo, com base em programações ascendentes, pactuadas e integradas; 
• a prática do acompanhamento, controle e avaliação no SUS, superando os 
mecanismos tradicionais, centrados no faturamento de serviços produzidos, e 
valorizando os resultados advindos de programações com critérios epidemiológicos e 
desempenho com qualidade; 
• os vínculos dos serviços com os seus usuários, privilegiando os núcleos familiares e 
comunitários, criando, assim, condições para uma efetiva participação e controle 
social. 
 É fundamental destacar que uma das alterações mais importante 
introduzidas pela NOB 96 refere-se a forma de repasse dos recursos financeiros 
do governo federal para os municípios, que passa a ser feito com base num valor 
fixo per-capita (PAB) e não mais vinculado a produção de serviços , o que 
possibilita aos municípios desenvolverem novos modelos de atenção à saúde da 
população. 
 O PAB (Piso Assistencial Básico) consiste em um montante de recursos 
financeiros destinado ao custeio de procedimentos e ações de assistência básica, 
de responsabilidade tipicamente municipal. Esse Piso é definido pela 
multiplicação de um valor per capita nacional ( atualmente ) pela população de 
cada município (fornecida pelo IBGE) e transferido regular e automaticamente 
ao fundo de saúde ou conta especial dos municípios. Além disto, o município 
poderá receber incentivos para o desenvolvimento de determinadas ações de 
saúde agregando valor ao PAB . As ações de saúde que fornecem incentivo são : 
Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS); Programa de Saúde da 
Família(PSF); Assistência Farmacêutica básica; Programa de combate as 
Carências Nutricionais; ações básicas de vigilância sanitária; ações básicas de 
vigilância epidemiológica e ambiental. 
 O PSF, por exemplo, agrega os seguintes valores sobre o PAB: 
 
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• acréscimo de 3% sobre o valor do PAB para cada 5% da população 
coberta, até atingir 60% da população total do município: 
• acréscimo de 5% sobre o valor do PAB para cada 5% da população 
coberta entre 60% e 90% da população total do município; 
• acréscimo de 7% sobre o valor do PAB para cada 5% da população 
coberta entre 90% e 100% da população total do município; 
• Esses acréscimos têm, como limite, 80% do valor do PAB original do 
município. 
No caso do PACS os incentivos financeiros são os seguintes: 
• acréscimo de 1% sobre o valor do PAB para cada 5% da população 
coberta, até atingir 60% da população total do município: 
• acréscimo de 2% sobre o valor do PAB para cada 5% da população 
coberta entre 60% e 90% da população total do município; 
• acréscimo de 3% sobre o valor do PAB para cada 5% da população 
coberta entre 90% e 100% da população total do município; 
• Esses acréscimos têm, como limite, 30 % do valor do PAB original do 
município. 
 Importante afirmar que os percentuais não são cumulativos, quando a 
população coberta pelo PSF e pelo PACS ou por estratégias similares for a 
mesma. 
 Percebe-se claramente a intenção da NOB/96 de fortalecer a implantação 
do PSF e do PACS. Segundo o documento do próprio Ministério da Saúde intitulado 
Saúde da Família: uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial : 
“...O PSF elege como ponto central o estabelecimento de vínculos e a criação de laços de 
compromisso e de co-responsabilidade entre os profissionais de saúde e a população.Sob 
essa ótica, a estratégia utilizada pelo PSF visa a reversão do modelo assistencial vigente, 
Por isso, sua compreensão só é possível através da mudança do objeto de atençao, forma de 
atuação e organização geral dos serviços, reorganizando a prática assistencial

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