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Resumo do texto Público, privado, natural e fictício Para o behaviorismo de Skinner, não há distinção entre eventos públicos e privados, pois estes são naturais e, em todos os aspectos, semelhantes a eventos públicos. Eventos naturais são o objeto de estudo de todas as ciências como o é também da ciência do comportamento. A distinção ocorre tão somente entre o que é natural e fictício, que por sua vez está relacionado ao mentalismo. Este conceito foi cunhado por Skinner como o tipo de explicação que na verdade não explica nada. Termos como mente, vontade, ego e outros conceitos são chamados de ficções explanatórias. As raízes do mentalismo estão no vocabulário coloquial e popular. Este traz um grande risco: por dar uma falsa explicação, acaba impedindo que os observadores invistam numa investigação com parâmetros científicos e abandonem objeto em questão por estarem satisfeitos. O mentalismo não consegue explicar os fenômenos sobre o quais se propõe explanar por dois motivos: a autonomia, que é a capacidade de se comportar, imputada aqui a uma espécie de eu interior; e a redundância, uma postura antieconômica, porque leva a reformular a observação original, acrescentando algum conceito supérfluo. Na visão do filósofo Gilbert Ryle, é possível utilizar termos como inteligência, razão e crença de modo mais lógico. Para ele o problema é apenas erro de categoria – enquadrar cenoura como fruta, por exemplo (hipótese paramecânica). No behaviorismo de Rachlin, o comportamento presente não depende somente de eventos presentes, mas também de muitos eventos passados. Por esse motivo o comportamento não pode ser instantâneo. Não importa quão breve seja ele; sempre tem uma duração. Rachlin atribui muito menos importância aos eventos privados do que Skinner, pois, na prática, o que as pessoas dizem sobre si mesmas e sobre os outros sempre depende, de modo extremamente importante, do comportamento público. A teoria da Cópia, que tem suas raízes em filósofos gregos da antiguidade, é considerada uma espécie de mentalismo, porque se prende à memória para explicar imagens que nos vêm na forma de lembrança ou imaginação, ao invés de relacioná-las a fatos ocorridos no passado na vida real. A questão da consciência tem relação com os próprios eventos públicos que pessoa demonstra conhecer ou não. Por exemplo, passar por uma placa de pare e não ver mostra que uma pessoa não teve consciência dessa placa. Se, em seguida, o policial apontar para a placa e perguntar se a vê, o mais provável é que a pessoa responda que sim. Neste momento, ela passa ter consciência da presença daquela placa.