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CADERNO CIVIL I LINDB E PARTE GERAL

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Questões resolvidas

diferença entre a EXISTÊNCIA da lei e sua VIGÊNCIA. Há a promulgação, publicação, vacatio legis e vigência. Art. 1º, LINDB → salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país QUARENTA E CINCO DIAS depois de oficialmente publicada. §1º → nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada. §3º → se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação. §4º → as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. Neste período de vacatio legis a lei já existe, mas ainda não tem vigência. A LC 95/98, no seu art. 8º, modificou o art. 1º da LINDB, de modo que a partir de agora toda norma legal deve, obrigatoriamente, cumprir um período de vacatio legis. Art. 8º, LC 95/98 → a vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena repercussão. E o prazo de vacatio legis deve corresponder ao número de dias necessário para que todas as pessoas conheçam a lei. Assim, toda norma legal deve ter um período de vacatio legis que deve ser expresso em um número de dias. A fórmula que se conhecia, “esta lei entra em vigor na data de sua publicação”, só poderá ser utilizada para as leis de pequena repercussão. Exemplo: A Lei 11.280/06 criou a possibilidade de conhecimento de ofício da prescrição. Esta lei não é de pequena repercussão com certeza. Assim, esta lei não poderia entrar em vigor no momento de sua publicação. Ela teve, então, um período de vacatio legis de 90 dias, pois este foi o prazo que o legislador entendeu necessário para que todos dela tomassem conhecimento. Mas essa é uma NORMA IMPERFEITA, pois não há sanção para o seu descumprimento. Ou seja, como é o próprio legislador quem tem que dizer se a lei é de pequena repercussão ou não, ele mesmo não criou sanções para quando fosse dito, na nova lei, que ela entraria em vigor no momento de sua publicação, apesar de esta não ser de pequena repercussão. Exemplo: lei que determinou que a separação e o divórcio poderiam ser feitos em Cartório entrou em vigor na data de sua publicação, apesar de ser de extrema importância e grande repercussão. Regra: toda lei tem que ter um prazo de vacatio legis, e este prazo tem que estar expresso em dias. Contagem do prazo de vacatio legis (art. 8º, §1º, LC 95/98): a contagem do prazo da vacatio legis possui uma regra autônoma/própria, incluindo-se o primeiro e o último dia, entrando a lei em vigor no dia subsequente a consumação integral do prazo. Art. 8º, §1º, LC 95/98 → a contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua consumação integral. Na prática, o resultado é idêntico ao encontrado na contagem dos prazos processuais. Esta regra de contagem justifica a razão de toda vacatio legis ser contada em dias. Segundo a doutrina, não importa se o ultimo dia for feriado ou final de semana, entrando em vigor a norma mesmo assim, ou seja, a data não é prorrogada para o dia seguinte (Tartuce, p. 05). Nem sempre a vacatio legis é estabelecida em dia, de modo que nesses casos não será possível a aplicação da regra do §1º do art. 8º da LC 05/98. Exemplo: CC/02. Art. 2044, CC → este Código entrará em vigor 1 (um) ano após a sua publicação. Dessa forma, se o prazo de vacatio legis for fixado em mês ou ano, indevidamente, já que de ordinário ele deveria ser expresso em dias, utiliza-se a regra do art. 132, CC que estabelece que prazo em mês ou ano é contado de “data a data”, pouco interessando quantos dias existam entre as datas. Art. 132, CC → salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. §3º → os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. Assim, o CC/02, que foi publicado em 11/01/02, entrou em vigor no dia 11/01/03. É importante perceber que todas essas regras, que emanam do art. 8º, LC 95/98, fizeram com que o art. 1º, LINDB, se tornasse subsidiário. Isto, porque só utilizaremos o prazo do art. 1º quando o legislador não tiver estabelecido um prazo de vacatio legis expresso e não se tratar de uma lei de pequena repercussão. Além disso, essas regras somente se aplicam às normas legais. As normas jurídicas administrativas (portarias, decretos, regulamentos, resoluções) sempre entrarão em vigor na data de sua publicação (Decreto nº 572/1890). Durante o prazo de vacatio, a lei, que já existe, mas não tem vigência, pode ser modificada? Ora, se ela existe, só pode ser modificada através de lei nova, mesmo no período de vacatio legis. Sendo assim, a modificação de uma lei dentro do seu período de vacatio legis só pode ocorrer através de uma nova lei. Porém, a correção de erros materiais ou inexatidões pode ser feita através da simples republicação da lei com as devidas correções. No caso de republicação da lei, o prazo de vacatio legis volta a correr do zero somente para a parte que foi corrigida. O prazo de vacatio legis, portanto, reinicia SOMENTE para a parte que foi retificada e não para as demais, que continuam contando o prazo normalmente. Art. 1º, §3º, LINDB → se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação. Art. 1º, §4º, LINDB → as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. Revogação: uma vez cumprida a vacatio legis e entrando em vigor, a lei continuará vigendo até que venha outra e, expressa ou tacitamente, a revogue → princípio da continuidade. Já podemos notar, então, que a revogação de uma lei pode ser expressa ou tácita, bem como que no sistema brasileiro só se admite a revogação de uma lei através de outra lei. Art. 2º, LINDB → não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. §1º → a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. do a vigência. Porém, o próprio § 3º do art. 2º da LINDB abre uma exceção à repristinação ao dizer que pode haver efeitos repristinatórios quando houver expressa disposição neste sentido na lei. Ou seja, o Direito Brasileiro não admite a repristinação como um instituto, mas aceita que existam efeitos repristinatórios quando houver expressa disposição neste sentido. Atente-se que isso não é tecnicamente repristinação, pois o que existe é a vigência de nova lei que traz efeitos repristinatórios, trazendo de volta os efeitos de uma lei anterior. O art. 27 da Lei 9.868/98 estabelece a possibilidade de efeitos repristinatórios no controle concentrado de constitucionalidade. Isto, porque, a lei revogada será tratada como se nunca tivesse existido nem nunca tivesse produzido efeitos. Sendo assim, a lei revogada volta a surtir efeitos. Art. 27, Lei 9868/98 → ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. No exemplo dito acima, se a Lei B fosse declarada inconstitucional, ela passaria a ser tratada como se nunca tivesse existido e nunca tivesse produzido efeitos; sendo assim, a Lei A poderia surtir seus efeitos normalmente. CUIDADO: isso é exclusivo do controle concentrado. No controle difuso não é possível, pois este gera efeitos inter partes tão-somente. A jurisprudência do STF tem entendido que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em controle concentrado, pode ser modulada a eficácia desta decisão a fim de preservar a segurança jurídica. Isso porque, quando as leis são submetidas ao controle de constitucionalidade, já estão em vigor por certo lapso temporal e a sua retirada do ordenamento jurídico sem qualquer ressalva pode trazer mais prejuízos. Desta maneira, o STF pode declarar a inconstitucionalidade sem efeitos retroativos. Isto, na prática, leva à perpetuação dos efeitos já ocorridos pela lei inconstitucional, revogando as leis anteriormente existentes e vigentes. Assim, se o STF imprimir eficácia ex nunc a decisão do controle de constitucionalidade, não haverá efeito repristinatório, pois a lei revogadora, declarada inconstitucional, produziu efeitos, implicando na revogação da anterior a si. Dessa forma, nem toda declaração de inconstitucionalidade implica efeitos repristinatórios. Isso porque eventualmente admite-se uma declaração de inconstitucionalidade sem efeitos retroativos, assim se mantendo a revogação da lei. 2.2. OBRIGATORIEDADE DA NORMA: ART. 3º Art. 3º, LINDB → ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. O art. 3º da LINDB traz presunção de que todas as pessoas conheçam a lei. Por isso, a LINDB cria uma proibição de desconhecimento da lei para que ninguém possa se furtar à sua incidência. Ninguém pode se escusar de cumprir a lei, alegando o desconhecimento dela. Ou seja, toda lei traz consigo uma presunção de conhecimento por todos. Princípio da Obrigatoriedade Relativa/Mitigada: a presunção de conhecimento da lei não é absoluta, uma vez que se existem situações excepcionais expressamente previstas em lei em que se admite a alegação de erro de direito. A alegação de erro de direito só pode ser feita em casos previstos em lei. Esses casos previstos em lei são muito mais numerosos no Direito Penal. Exemplos: art. 21, CP (erro de proibição); art. 65, II, CP (atenuante da pena); art. 8º, Lei de Contravenções Penais. No Direito Civil há apenas DOIS casos em que se permite a alegação de erro de direito, quais sejam: a) Casamento putativo (art. 1.561, CC): no caso de casamento nulo ou anulável celebrado com boa-fé, os efeitos do ato serão ser preservados em relação aos filhos. Art. 1561, CC → embora anulável ou mesmo nulo, se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges, o casamento, em relação a estes como aos filhos, produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. Exemplo: casamento de A com B, sua irmã.  Erro de fato: A não sabia que B era sua irmã.  Erro de direito: A sabia que B era sua irmã, mas não sabia quer era proibido o casamento entre irmãos. O que é necessário aqui é que as pessoas estejam de BOA-FÉ. b) Erro como vício de vontade no negócio jurídico (art. 139, III, CC): esse erro pode ser alegado para o desfazimento do negócio jurídico. Art. 139, III, CC → o erro é substancial quando sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico. Exemplo: compra de terreno em Petrópolis/RJ em área que fora considerada de uso público por Lei Municipal. Obrigatoriedade “simultânea”: antigamente, a lei se tornava obrigatória por etapas: primeiro na capital federal, depois nas zonas litorâneas e depois ia se interiorizando. Agora, ela entra em vigor em todos os locais do país ao mesmo tempo. 2.3. INTEGRAÇÃO DA NORMA: ART. 4º Integrar significa colmatar, preencher lacunas. A integração da norma é a atividade pela qual o juiz complementa a norma. E essa necessidade de complementação da norma surge porque o legislador não tem como prever todas as situações possíveis no mundo fático. A lacuna nunca irá se referir ao ordenamento, mas sim apenas à legislação. Assim, mesmo que exista lei lacunosa, o ordenamento é completo, pois existem mecanismos de integração, de colmatação. O ordenamento jurídico vedou o “non liquet”, que significa que o juiz não pode se eximir do dever de julgar alegando lacuna ou desconhecimento da norma. Art. 4º, LINDB → quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Para lembrar: ordem alfabética→A,C,P. Esse dispositivo traz um rol TAXATIVO e preferencial de integração da norma. Sendo assim, o juiz deve se valer dessa ordem e somente dos critérios integrativos colocados neste dispositivo. Havendo lacuna, o juiz está obrigado a promover a integração da norma; colmatará o vazio. Além disso, como se presume que o juiz conhece todas as leis, basta que a parte narre o fato (narra-se o fato que eu te darei o direito – iura novit curiae). Exceções: o juiz pode determinar à parte interessada que faça prova da EXISTÊNCIA e VIGÊNCIA da lei alegada em 4 hipóteses: a) direito municipal. b) direito estadual. c) direito estrangeiro. d) direito consuetudinário. Alexandre Câmara alerta que o juiz só pode mandar a parte fazer prova de direito municipal e estadual que não seja de sua jurisdição. Caso contrário, ou seja, se o direito municipal ou estadual for do local de sua jurisdição, o juiz não poderá determinar que a parte faça prova porque se presume que ele conheça a lei. E quando o juiz for utilizar direito estrangeiro, ele poderá mandar a parte fazer prova. No entanto, o Protocolo de Las Leñas determina que o juiz não pode mandar a parte fazer prova das leis de países integrantes do MERCOSUL, pois, neste caso, se presume que o juiz conheça a legislação. Isto se aplica também a documentos estrangeiros oriundos de países do MERCOSUL. Assim, quando vier o documento de um país do MERCOSUL, o juiz não pode mandar fazer a tradução juramentada, pois igualmente se presume que ele conhece a tal língua. Espécies de Lacunas, conforme Maria Helena Diniz: a) Lacuna normativa: ausência total de norma para um caso concreto; b) Lacuna ontológica: presença de norma para o caso concreto, mas que não tenha eficácia social; c) Lacuna axiológica: presença de norma para o caso concreto, mas cuja aplicação seja insatisfatória ou injusta; d) Lacuna de conflito ou antinomia: choque de duas ou mais normas válidas, pendente de solução no caso concreto.
Durante o prazo de vacatio legis a lei, que já existe, mas não tem vigência, pode ser modificada?
Sim, pode ser modificada por meio de uma nova lei.
Não, não pode ser modificada até entrar em vigor.
Sim, pode ser modificada por simples republicação sem necessidade de nova lei.
Não, pode ser modificada apenas por decreto do Executivo.

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Questões resolvidas

diferença entre a EXISTÊNCIA da lei e sua VIGÊNCIA. Há a promulgação, publicação, vacatio legis e vigência. Art. 1º, LINDB → salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país QUARENTA E CINCO DIAS depois de oficialmente publicada. §1º → nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada. §3º → se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação. §4º → as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. Neste período de vacatio legis a lei já existe, mas ainda não tem vigência. A LC 95/98, no seu art. 8º, modificou o art. 1º da LINDB, de modo que a partir de agora toda norma legal deve, obrigatoriamente, cumprir um período de vacatio legis. Art. 8º, LC 95/98 → a vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena repercussão. E o prazo de vacatio legis deve corresponder ao número de dias necessário para que todas as pessoas conheçam a lei. Assim, toda norma legal deve ter um período de vacatio legis que deve ser expresso em um número de dias. A fórmula que se conhecia, “esta lei entra em vigor na data de sua publicação”, só poderá ser utilizada para as leis de pequena repercussão. Exemplo: A Lei 11.280/06 criou a possibilidade de conhecimento de ofício da prescrição. Esta lei não é de pequena repercussão com certeza. Assim, esta lei não poderia entrar em vigor no momento de sua publicação. Ela teve, então, um período de vacatio legis de 90 dias, pois este foi o prazo que o legislador entendeu necessário para que todos dela tomassem conhecimento. Mas essa é uma NORMA IMPERFEITA, pois não há sanção para o seu descumprimento. Ou seja, como é o próprio legislador quem tem que dizer se a lei é de pequena repercussão ou não, ele mesmo não criou sanções para quando fosse dito, na nova lei, que ela entraria em vigor no momento de sua publicação, apesar de esta não ser de pequena repercussão. Exemplo: lei que determinou que a separação e o divórcio poderiam ser feitos em Cartório entrou em vigor na data de sua publicação, apesar de ser de extrema importância e grande repercussão. Regra: toda lei tem que ter um prazo de vacatio legis, e este prazo tem que estar expresso em dias. Contagem do prazo de vacatio legis (art. 8º, §1º, LC 95/98): a contagem do prazo da vacatio legis possui uma regra autônoma/própria, incluindo-se o primeiro e o último dia, entrando a lei em vigor no dia subsequente a consumação integral do prazo. Art. 8º, §1º, LC 95/98 → a contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua consumação integral. Na prática, o resultado é idêntico ao encontrado na contagem dos prazos processuais. Esta regra de contagem justifica a razão de toda vacatio legis ser contada em dias. Segundo a doutrina, não importa se o ultimo dia for feriado ou final de semana, entrando em vigor a norma mesmo assim, ou seja, a data não é prorrogada para o dia seguinte (Tartuce, p. 05). Nem sempre a vacatio legis é estabelecida em dia, de modo que nesses casos não será possível a aplicação da regra do §1º do art. 8º da LC 05/98. Exemplo: CC/02. Art. 2044, CC → este Código entrará em vigor 1 (um) ano após a sua publicação. Dessa forma, se o prazo de vacatio legis for fixado em mês ou ano, indevidamente, já que de ordinário ele deveria ser expresso em dias, utiliza-se a regra do art. 132, CC que estabelece que prazo em mês ou ano é contado de “data a data”, pouco interessando quantos dias existam entre as datas. Art. 132, CC → salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. §3º → os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. Assim, o CC/02, que foi publicado em 11/01/02, entrou em vigor no dia 11/01/03. É importante perceber que todas essas regras, que emanam do art. 8º, LC 95/98, fizeram com que o art. 1º, LINDB, se tornasse subsidiário. Isto, porque só utilizaremos o prazo do art. 1º quando o legislador não tiver estabelecido um prazo de vacatio legis expresso e não se tratar de uma lei de pequena repercussão. Além disso, essas regras somente se aplicam às normas legais. As normas jurídicas administrativas (portarias, decretos, regulamentos, resoluções) sempre entrarão em vigor na data de sua publicação (Decreto nº 572/1890). Durante o prazo de vacatio, a lei, que já existe, mas não tem vigência, pode ser modificada? Ora, se ela existe, só pode ser modificada através de lei nova, mesmo no período de vacatio legis. Sendo assim, a modificação de uma lei dentro do seu período de vacatio legis só pode ocorrer através de uma nova lei. Porém, a correção de erros materiais ou inexatidões pode ser feita através da simples republicação da lei com as devidas correções. No caso de republicação da lei, o prazo de vacatio legis volta a correr do zero somente para a parte que foi corrigida. O prazo de vacatio legis, portanto, reinicia SOMENTE para a parte que foi retificada e não para as demais, que continuam contando o prazo normalmente. Art. 1º, §3º, LINDB → se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação. Art. 1º, §4º, LINDB → as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. Revogação: uma vez cumprida a vacatio legis e entrando em vigor, a lei continuará vigendo até que venha outra e, expressa ou tacitamente, a revogue → princípio da continuidade. Já podemos notar, então, que a revogação de uma lei pode ser expressa ou tácita, bem como que no sistema brasileiro só se admite a revogação de uma lei através de outra lei. Art. 2º, LINDB → não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. §1º → a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. do a vigência. Porém, o próprio § 3º do art. 2º da LINDB abre uma exceção à repristinação ao dizer que pode haver efeitos repristinatórios quando houver expressa disposição neste sentido na lei. Ou seja, o Direito Brasileiro não admite a repristinação como um instituto, mas aceita que existam efeitos repristinatórios quando houver expressa disposição neste sentido. Atente-se que isso não é tecnicamente repristinação, pois o que existe é a vigência de nova lei que traz efeitos repristinatórios, trazendo de volta os efeitos de uma lei anterior. O art. 27 da Lei 9.868/98 estabelece a possibilidade de efeitos repristinatórios no controle concentrado de constitucionalidade. Isto, porque, a lei revogada será tratada como se nunca tivesse existido nem nunca tivesse produzido efeitos. Sendo assim, a lei revogada volta a surtir efeitos. Art. 27, Lei 9868/98 → ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. No exemplo dito acima, se a Lei B fosse declarada inconstitucional, ela passaria a ser tratada como se nunca tivesse existido e nunca tivesse produzido efeitos; sendo assim, a Lei A poderia surtir seus efeitos normalmente. CUIDADO: isso é exclusivo do controle concentrado. No controle difuso não é possível, pois este gera efeitos inter partes tão-somente. A jurisprudência do STF tem entendido que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em controle concentrado, pode ser modulada a eficácia desta decisão a fim de preservar a segurança jurídica. Isso porque, quando as leis são submetidas ao controle de constitucionalidade, já estão em vigor por certo lapso temporal e a sua retirada do ordenamento jurídico sem qualquer ressalva pode trazer mais prejuízos. Desta maneira, o STF pode declarar a inconstitucionalidade sem efeitos retroativos. Isto, na prática, leva à perpetuação dos efeitos já ocorridos pela lei inconstitucional, revogando as leis anteriormente existentes e vigentes. Assim, se o STF imprimir eficácia ex nunc a decisão do controle de constitucionalidade, não haverá efeito repristinatório, pois a lei revogadora, declarada inconstitucional, produziu efeitos, implicando na revogação da anterior a si. Dessa forma, nem toda declaração de inconstitucionalidade implica efeitos repristinatórios. Isso porque eventualmente admite-se uma declaração de inconstitucionalidade sem efeitos retroativos, assim se mantendo a revogação da lei. 2.2. OBRIGATORIEDADE DA NORMA: ART. 3º Art. 3º, LINDB → ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. O art. 3º da LINDB traz presunção de que todas as pessoas conheçam a lei. Por isso, a LINDB cria uma proibição de desconhecimento da lei para que ninguém possa se furtar à sua incidência. Ninguém pode se escusar de cumprir a lei, alegando o desconhecimento dela. Ou seja, toda lei traz consigo uma presunção de conhecimento por todos. Princípio da Obrigatoriedade Relativa/Mitigada: a presunção de conhecimento da lei não é absoluta, uma vez que se existem situações excepcionais expressamente previstas em lei em que se admite a alegação de erro de direito. A alegação de erro de direito só pode ser feita em casos previstos em lei. Esses casos previstos em lei são muito mais numerosos no Direito Penal. Exemplos: art. 21, CP (erro de proibição); art. 65, II, CP (atenuante da pena); art. 8º, Lei de Contravenções Penais. No Direito Civil há apenas DOIS casos em que se permite a alegação de erro de direito, quais sejam: a) Casamento putativo (art. 1.561, CC): no caso de casamento nulo ou anulável celebrado com boa-fé, os efeitos do ato serão ser preservados em relação aos filhos. Art. 1561, CC → embora anulável ou mesmo nulo, se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges, o casamento, em relação a estes como aos filhos, produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. Exemplo: casamento de A com B, sua irmã.  Erro de fato: A não sabia que B era sua irmã.  Erro de direito: A sabia que B era sua irmã, mas não sabia quer era proibido o casamento entre irmãos. O que é necessário aqui é que as pessoas estejam de BOA-FÉ. b) Erro como vício de vontade no negócio jurídico (art. 139, III, CC): esse erro pode ser alegado para o desfazimento do negócio jurídico. Art. 139, III, CC → o erro é substancial quando sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico. Exemplo: compra de terreno em Petrópolis/RJ em área que fora considerada de uso público por Lei Municipal. Obrigatoriedade “simultânea”: antigamente, a lei se tornava obrigatória por etapas: primeiro na capital federal, depois nas zonas litorâneas e depois ia se interiorizando. Agora, ela entra em vigor em todos os locais do país ao mesmo tempo. 2.3. INTEGRAÇÃO DA NORMA: ART. 4º Integrar significa colmatar, preencher lacunas. A integração da norma é a atividade pela qual o juiz complementa a norma. E essa necessidade de complementação da norma surge porque o legislador não tem como prever todas as situações possíveis no mundo fático. A lacuna nunca irá se referir ao ordenamento, mas sim apenas à legislação. Assim, mesmo que exista lei lacunosa, o ordenamento é completo, pois existem mecanismos de integração, de colmatação. O ordenamento jurídico vedou o “non liquet”, que significa que o juiz não pode se eximir do dever de julgar alegando lacuna ou desconhecimento da norma. Art. 4º, LINDB → quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Para lembrar: ordem alfabética→A,C,P. Esse dispositivo traz um rol TAXATIVO e preferencial de integração da norma. Sendo assim, o juiz deve se valer dessa ordem e somente dos critérios integrativos colocados neste dispositivo. Havendo lacuna, o juiz está obrigado a promover a integração da norma; colmatará o vazio. Além disso, como se presume que o juiz conhece todas as leis, basta que a parte narre o fato (narra-se o fato que eu te darei o direito – iura novit curiae). Exceções: o juiz pode determinar à parte interessada que faça prova da EXISTÊNCIA e VIGÊNCIA da lei alegada em 4 hipóteses: a) direito municipal. b) direito estadual. c) direito estrangeiro. d) direito consuetudinário. Alexandre Câmara alerta que o juiz só pode mandar a parte fazer prova de direito municipal e estadual que não seja de sua jurisdição. Caso contrário, ou seja, se o direito municipal ou estadual for do local de sua jurisdição, o juiz não poderá determinar que a parte faça prova porque se presume que ele conheça a lei. E quando o juiz for utilizar direito estrangeiro, ele poderá mandar a parte fazer prova. No entanto, o Protocolo de Las Leñas determina que o juiz não pode mandar a parte fazer prova das leis de países integrantes do MERCOSUL, pois, neste caso, se presume que o juiz conheça a legislação. Isto se aplica também a documentos estrangeiros oriundos de países do MERCOSUL. Assim, quando vier o documento de um país do MERCOSUL, o juiz não pode mandar fazer a tradução juramentada, pois igualmente se presume que ele conhece a tal língua. Espécies de Lacunas, conforme Maria Helena Diniz: a) Lacuna normativa: ausência total de norma para um caso concreto; b) Lacuna ontológica: presença de norma para o caso concreto, mas que não tenha eficácia social; c) Lacuna axiológica: presença de norma para o caso concreto, mas cuja aplicação seja insatisfatória ou injusta; d) Lacuna de conflito ou antinomia: choque de duas ou mais normas válidas, pendente de solução no caso concreto.
Durante o prazo de vacatio legis a lei, que já existe, mas não tem vigência, pode ser modificada?
Sim, pode ser modificada por meio de uma nova lei.
Não, não pode ser modificada até entrar em vigor.
Sim, pode ser modificada por simples republicação sem necessidade de nova lei.
Não, pode ser modificada apenas por decreto do Executivo.

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DIREITO CIVIL – LINDB E PARTE GERAL 
LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO ......................................................... 14 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 14 
2. ESTRUTURA DA LINDB................................................................................................................. 15 
2.1. VIGÊNCIA DAS NORMAS: ART. 1º E 2º ................................................................................. 15 
2.2. OBRIGATORIEDADE DA NORMA: ART. 3º ............................................................................ 19 
2.3. INTEGRAÇÃO DA NORMA: ART. 4º ....................................................................................... 20 
2.3.1. Métodos de Colmatação ................................................................................................... 21 
2.4. INTERPRETAÇÃO DA NORMA: ART. 5º ................................................................................ 25 
2.5. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO: ART. 6º .............................................................................. 27 
2.6. APLICAÇÃO DA LEI NO ESPAÇO: ART. 7º A 19.................................................................... 29 
3. ANTINOMIAS JURÍDICAS OU LACUNAS DE COLISÃO ............................................................... 33 
3.1. CRITÉRIOS BÁSICOS DE SOLUÇÃO DOS CHOQUES ENTRE NORMAS ........................... 33 
3.1.1. Critério Cronológico .......................................................................................................... 33 
3.1.2. Critério da Especialidade .................................................................................................. 33 
3.1.3. Critério Hierárquico ........................................................................................................... 33 
3.2. CLASSIFICAÇÃO DAS ANTINOMIAS ..................................................................................... 33 
3.2.1. Antinomia de 1º Grau ........................................................................................................ 33 
3.2.2. Antinomia de 2º Grau ........................................................................................................ 33 
3.2.3. Antinomia Aparente .......................................................................................................... 33 
3.2.4. Antinomia Real ................................................................................................................. 33 
3.3. ANTINOMIAS DE 2º GRAU ..................................................................................................... 33 
3.3.1. Norma especial e anterior X norma geral posterior (especialidade x cronológico) ............ 33 
3.3.2. Norma superior anterior X norma inferior posterior (hierárquico x cronológico) ................. 33 
3.3.3. Norma geral superior X norma especial inferior (hierárquico x especialidade) .................. 33 
4. FONTES DO DIREITO ................................................................................................................... 34 
4.1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 34 
4.2. LEI ........................................................................................................................................... 35 
4.3. COSTUMES ............................................................................................................................ 35 
4.4. ANALOGIA .............................................................................................................................. 37 
 
 
4.5. PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO ........................................................................................ 37 
4.6. DOUTRINA .............................................................................................................................. 37 
4.7. JURISPRUDÊNCIA ................................................................................................................. 37 
4.8. EQUIDADE .............................................................................................................................. 38 
INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL ....................................................................................................... 38 
1. HISTÓRICO DO DIREITO CIVIL NO MUNDO ................................................................................ 38 
2. HISTÓRICO DO DIREITO CIVIL BRASILEIRO .............................................................................. 39 
3. VALORES QUE PERMEIAM O CÓDIGO CIVIL DE 2002 ............................................................... 41 
3.1. SOCIALIDADE ......................................................................................................................... 41 
3.2. ETICIDADE ............................................................................................................................. 42 
3.3. OPERABILIDADE .................................................................................................................... 42 
3.3.1. Atenção: Conceito aberto X Cláusula geral ....................................................................... 43 
3.4. SISTEMATICIDADE ................................................................................................................ 44 
4. DIÁLOGO DAS FONTES (DIÁLOGO DE COMPLEMENTARIDADE, DIÁLOGO DE CONEXÃO) .. 44 
5. ESTRUTURA DO DIREITO CIVIL .................................................................................................. 45 
6. CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL X PUBLICIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL .............. 45 
7. COLISÃO ENTRE NORMA PRIVADA E NORMA CONSTITUCIONAL (ver Constitucional) ........... 45 
8. CONFLITOS NORMATIVOS DO DIREITO CIVIL ........................................................................... 47 
9. REPERSONALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL (DESPATRIMONIALIZAÇÃO) ................................... 49 
PARTE GERAL ...................................................................................................................................... 50 
CAPACIDADE E PERSONALIDADE JURÍDICA .................................................................................... 50 
1. PERSONALIDADE JURÍDICA ........................................................................................................ 50 
1.1. PESSOA FÍSICA OU NATURAL .............................................................................................. 50 
1.1.1. Em que momento a pessoa física ou natural adquire personalidade? .............................. 50 
1.1.2. Nascituro e teorias explicativas ......................................................................................... 50 
1.1.3. Observações .................................................................................................................... 51 
1.2. PERSONALIDADE JURÍDICA x CAPACIDADE JURÍDICA ..................................................... 52 
2. CAPACIDADE JURÍDICA ............................................................................................................... 53 
2.1. CONCEITO .............................................................................................................................. 53 
2.2. INCAPACIDADE ...................................................................................................................... 53 
 
 
2.2.1. Incapacidade absoluta ...................................................................................................... 53 
2.2.2. Incapacidade relativa ........................................................................................................54 
2.2.3. Absolutamente Incapazes (hipóteses) .............................................................................. 54 
2.2.4. Relativamente Incapazes (hipóteses) ............................................................................... 55 
2.2.5. Esquema .......................................................................................................................... 56 
3. EFEITOS DA REDUÇÃO DA MAIORIDADE CIVIL CC/02 (2118) ............................................... 57 
4. EMANCIPAÇÃO ............................................................................................................................. 57 
4.1. VOLUNTÁRIA (ART. 5º, PARÁGRAFO ÚNICO, I, 1ª PARTE) ................................................. 58 
4.2. JUDICIAL (ART. 5º, PARÁGRAFO ÚNICO, I, 2º PARTE.) ....................................................... 58 
4.3. LEGAL (ART. 5º, PARÁGRAFO ÚNICO, II A V): ..................................................................... 59 
5. EXTINÇÃO DA PESSOA FÍSICA OU NATURAL ............................................................................ 61 
5.1. AUSÊNCIA (art. 6º CC)............................................................................................................ 61 
5.2. OUTRAS HIPÓTESES DE MORTE PRESUMIDA (art. 7º CC) ................................................ 64 
5.3. “COMORIÊNCIA” ..................................................................................................................... 64 
6. PESSOA JURÍDICA ........................................................................................................................ 65 
6.1. CONCEITO .............................................................................................................................. 65 
6.2. TEORIAS EXPLICATIVAS DA PESSOA JURÍDICA ................................................................ 65 
6.2.1. Corrente negativista (Brinz, Planiol, Duguit) ...................................................................... 65 
6.2.2. Corrente afirmativista ........................................................................................................ 65 
6.3. PRESSUPOSTOS EXISTENCIAIS DA PESSOA JURÍDICA ................................................... 66 
6.4. PERSONIFICAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA .......................................................................... 66 
6.4.1. Considerações iniciais ...................................................................................................... 66 
6.4.2. Sociedades despersonificadas (irregulares ou de fato) ..................................................... 67 
6.4.3. Entes despersonalizados (personificação anômala) ......................................................... 68 
6.5. CLASSIFICAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS ...................................................................... 69 
6.5.1. Espécies de pessoa jurídica de direito privado ................................................................. 69 
6.6. FUNDAÇÕES (Importante MP) ................................................................................................ 70 
6.6.1. Fundação de direito privado ............................................................................................. 70 
6.6.2. Etapas para constituição de uma fundação de direito privado .......................................... 72 
6.6.3. Fiscalização das fundações (papel do MP) ....................................................................... 72 
 
 
6.6.4. Alteração do estatuto da Fundação .................................................................................. 74 
6.6.5. Destino do patrimônio da fundação extinta ....................................................................... 74 
6.6.6. Procedimento da instituição da fundação pelo CPC ......................................................... 74 
6.7. SOCIEDADES ......................................................................................................................... 75 
6.7.1. Conceito ........................................................................................................................... 75 
6.7.2. Espécies de sociedade (ver empresarial) ......................................................................... 75 
6.8. ASSOCIAÇÕES ....................................................................................................................... 78 
6.8.1. Considerações .................................................................................................................. 78 
6.8.2. O Estatuto das Associações (requisitos: art. 54 CC) ......................................................... 78 
6.8.3. Assembleia Geral ............................................................................................................. 78 
6.8.4. Dissolução da associação ................................................................................................ 79 
6.8.5. Exclusão do associado ..................................................................................................... 79 
6.9. EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ........................................................................................ 79 
6.9.1. Convencional .................................................................................................................... 80 
6.9.2. Administrativa ................................................................................................................... 80 
6.9.3. Judicial ............................................................................................................................. 80 
6.10. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA (“Disregard Doctrine”) ............................... 80 
6.10.1. Histórico ........................................................................................................................... 80 
6.10.2. Conceito ........................................................................................................................... 80 
6.10.3. Desconsideração x Despersonalização ............................................................................ 81 
6.10.4. Desconsideração x Despersonalização x Corresponsabilidade x Solidariedade ............... 81 
6.10.5. Requisitos da desconsideração da pessoa jurídica (art. 50 cc) ......................................... 82 
6.10.6. Direito Positivo .................................................................................................................. 84 
6.10.7. Diferenças entre o art.50 CC/02 e art. 28 CDC ................................................................. 85 
6.10.8. Observações importantes sobre desconsideração da pessoa jurídica .............................. 86 
6.10.9. “Desconsideração inversa da personalidade jurídica” ou “Desconsideração da 
personalidade jurídica inversa” ou “Desconsideração da personalidade jurídica na modalidade 
inversa” 87 
DIREITOS DA PERSONALIDADE ......................................................................................................... 88 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 88 
2. CONTEÚDO JURÍDICO DO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA ........................ 90 
 
 
2.1. DIREITOS DA PERSONALIDADE X LIBERDADES PÚBLICAS .............................................. 91 
3. FONTES DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE .......................................................................... 91 
4. INÍCIO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE ............................................................................. 92 
4.1. TEORIA NATALISTA ............................................................................................................... 92 
4.2. TEORIACONCEPCIONISTA .................................................................................................. 92 
4.3. TEORIA CONDICIONALISTA .................................................................................................. 92 
5. TÉRMINO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE ........................................................................ 93 
5.1. MORTE REAL OU PRESUMIDA SEM DECRETAÇÃO DE AUSÊNCIA .................................. 93 
5.2. TUTELA JURÍDICA DOS DP APÓS A MORTE ....................................................................... 94 
6. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE ....................................................... 95 
7. DIREITOS DA PERSONALIDADE DA PESSOA JURÍDICA ........................................................... 97 
8. CONFLITO ENTRE DIREITOS DA PERSONALIDADE E LIBERDADE DE COMUNICAÇÃO 
SOCIAL ................................................................................................................................................. 98 
9. TUTELA JURÍDICA DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE (art. 12) ............................................ 99 
9.1. CONSIDERAÇÕES ................................................................................................................. 99 
9.2. TUTELA PREVENTIVA DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE .......................................... 100 
9.2.1. Tutela inibitória (preventiva) ............................................................................................ 100 
9.2.2. Tutela reintegratória ou de remoção do ilícito (também preventiva) ................................ 100 
9.3. TUTELA REPRESSIVA DOS DIREITOS DE PERSONALIDADE .......................................... 100 
9.3.1. Tutela Ressarcitória ou Reparatória (repressiva) ............................................................ 101 
9.4. QUESTÕES ESPECÍFICAS .................................................................................................. 101 
10. TUTELA REPRESSIVA (REPARATÓRIA ou RESSARCITÓRIA) DOS DIREITOS DA 
PERSONALIDADE - DANOS MORAIS ................................................................................................ 102 
11. TUTELA JURÍDICA COLETIVA DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE.................................. 103 
12. DIREITOS DA PERSONALIDADE E AS PESSOAS PÚBLICAS (CELEBRIDADES) ................ 104 
13. CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE....................................................... 105 
13.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 105 
13.2. DIREITOS RELACIONADOS À INTEGRIDADE PSÍQUICA ............................................... 105 
13.2.1. Direito a honra (CRFB art. 5º, X) ..................................................................................... 105 
13.2.2. Direito a imagem (CC art. 20) ......................................................................................... 106 
13.2.3. Direito à privacidade (CC art. 21) .................................................................................... 109 
 
 
13.2.4. Direito ao nome (art. 16 a 19 do CC) .............................................................................. 111 
13.3. DIREITOS DA PERSONALIDADE RELATIVOS À INTEGRIDADE FÍSICA ........................ 115 
13.3.1. Tutela jurídica do corpo vivo ........................................................................................... 115 
13.3.2. Tutela jurídica do corpo morto ........................................................................................ 117 
13.3.3. Autonomia do paciente ou livre consentimento informado .............................................. 119 
13.4. PROTEÇÃO DA INTEGRIDADE INTELECTUAL (DIREITO AUTORAL) ............................ 119 
13.4.1. Considerações ................................................................................................................ 119 
13.4.2. Efeitos jurídicos do direito autoral (Lei 9.610/98) ............................................................ 120 
DOMICÍLIO .......................................................................................................................................... 121 
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 121 
2. MUDANÇA DE DOMICÍLIO .......................................................................................................... 122 
3. DOMICÍLIO DA PESSOA JURÍDICA ............................................................................................ 122 
4. CLASSIFICAÇÃO DO DOMICÍLIO ............................................................................................... 123 
4.1. DOMICÍLIO VOLUNTÁRIO .................................................................................................... 123 
4.2. DOMICÍLIO LEGAL OU NECESSÁRIO ................................................................................. 123 
4.2.1. Domicílio do Incapaz ...................................................................................................... 123 
4.2.2. Domicílio do Servidor Público ......................................................................................... 123 
4.2.3. Domicílio do Militar ......................................................................................................... 124 
4.2.4. Domicílio do Marítimo (marinha mercante) ..................................................................... 124 
4.2.5. Preso .............................................................................................................................. 124 
4.3. DOMICÍLIO DE ELEIÇÃO ...................................................................................................... 124 
BENS JURÍDICOS ............................................................................................................................... 124 
1. BENS JURÍDICOS ........................................................................................................................ 124 
2. CLASSIFICAÇÃO DOS BENS JURÍDICOS .................................................................................. 125 
2.1. MÓVES E IMÓVEIS............................................................................................................... 125 
2.1.1. Bens imóveis .................................................................................................................. 125 
2.1.2. Bens móveis ................................................................................................................... 128 
2.2. FUNGÍVEIS E INFUNGÍVEIS ................................................................................................ 129 
2.2.1. Bens fungíveis ................................................................................................................ 129 
2.2.2. Bens infungíveis ............................................................................................................. 129 
 
 
2.3. CONSUMÍVEIS E INCONSUMÍVEIS (CLASSIFICAÇÃO QUANTO A CONSUNTIBILIDADE)
 129 
2.3.1. Bens consumíveis ........................................................................................................... 129 
2.3.2. Bens inconsumíveis ........................................................................................................ 129 
2.4. BENS DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS ....................................................................................... 130 
2.4.1. Bens divisíveis ................................................................................................................ 130 
2.4.2. Bens indivisíveis .............................................................................................................130 
2.5. SINGULARES E COLETIVOS OU UNIVERSALIDADES ....................................................... 130 
2.5.1. Bens singulares .............................................................................................................. 130 
2.5.2. Bens coletivos ou universalidades .................................................................................. 130 
2.6. PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS ............................................................................................... 130 
2.6.1. Bens principais (ou independentes) ................................................................................ 130 
2.6.2. Bens acessórios (ou dependentes) ................................................................................. 130 
3. BEM DE FAMÍLIA ......................................................................................................................... 133 
3.1. HISTÓRICO ........................................................................................................................... 133 
3.2. BEM DE FAMÍLIA VOLUNTÁRIO .......................................................................................... 133 
3.2.1. Noções gerais ................................................................................................................. 133 
3.2.2. Inalienabilidade relativa .................................................................................................. 133 
3.2.3. Impenhorabilidade limitada ............................................................................................. 134 
3.2.4. Teto para o bem de família voluntário ............................................................................. 134 
3.2.5. Afetação de valores mobiliários ao bem de família voluntário ......................................... 134 
3.2.6. Administração do bem de família voluntário. Art. 1720 do CC. ....................................... 135 
3.2.7. Extinção do bem de família voluntário. Art. 1721 e 1722 do CC. .................................... 135 
3.3. BEM DE FAMÍLIA LEGAL ...................................................................................................... 135 
3.3.1. Noções gerais ................................................................................................................. 135 
3.3.2. Alcance do bem de família legal ..................................................................................... 136 
3.3.3. Exceções a impenhorabilidade do bem de família legal .................................................. 137 
3.3.4. Outras questões jurisprudenciais acerca do bem de família ........................................... 141 
TEORIA DO FATO JURÍDICO ............................................................................................................. 142 
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 142 
 
 
1.1. SUPORTE FÁTICO ............................................................................................................... 142 
1.1.1. Suporte fático hipotético ou abstrato ............................................................................... 143 
1.1.2. Suporte fático concreto ................................................................................................... 143 
1.1.3. Suporte fático constituído de elementos positivos ........................................................... 143 
1.1.4. Suporte fático constituído de elementos negativos ......................................................... 143 
1.2. A FENOMENOLOGIA DA JURIDICIZAÇÃO .......................................................................... 143 
1.2.1. Como ocorre a juridicização............................................................................................ 143 
1.2.2. Suporte fático deficiente ................................................................................................. 144 
1.3. CONSEQUÊNCIAS DA INCIDÊNCIA .................................................................................... 144 
1.3.1. Juridicização ................................................................................................................... 144 
1.3.2. Pré-exclusão de juridicidade ........................................................................................... 144 
1.3.3. Invalidação ..................................................................................................................... 145 
1.3.4. Deseficacização.............................................................................................................. 145 
1.3.5. Desjuridicização .............................................................................................................. 145 
2. PLANOS DOS FATOS JURÍDICOS: UMA VISÃO GERAL ........................................................... 145 
2.1. PLANO DA EXISTÊNCIA ...................................................................................................... 145 
2.2. PLANO DA VALIDADE .......................................................................................................... 145 
2.3. PLANO DA EFICÁCIA ........................................................................................................... 146 
3. CLASSIFICAÇÃO DOS FATOS JURÍDICOS: FATO JURÍDICO LATO SENSU ........................... 146 
3.1. ESQUEMA GRÁFICO1 (MELLO) .......................................................................................... 146 
3.2. ESQUEMA GRÁFICO2 (STOLZE) ......................................................................................... 147 
3.3. FATO JURÍDICO STRICTO SENSU ...................................................................................... 147 
3.3.1. Ordinário ......................................................................................................................... 147 
3.3.2. Extraodinário .................................................................................................................. 148 
3.4. ATO-FATO JURÍDICO ........................................................................................................... 148 
3.4.1. Espécies de ato-fato jurídico ........................................................................................... 148 
3.5. ATO JURÍDICO LATO SENSU .............................................................................................. 149 
3.5.1. Noções gerais ................................................................................................................. 149 
3.5.2. Espécies de atos jurídicos .............................................................................................. 149 
3.6. ATO JURÍDICO STRICTO SENSU ........................................................................................ 150 
 
 
3.6.1. Noções gerais ................................................................................................................. 150 
3.6.2. Classificação dos atos jurídicos stricto sensu ................................................................. 150 
3.7. NEGÓCIO JURÍDICO ............................................................................................................ 151 
3.7.1. Noções gerais ................................................................................................................. 151 
3.7.2. Classes de negócios jurídicos ......................................................................................... 151 
3.7.3. Elementos constitutivos do negócio jurídico .................................................................... 154 
3.8. FATO/ATO ILÍCITO ............................................................................................................... 154 
TEORIADO NEGÓCIO JURÍDICO ...................................................................................................... 155 
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 155 
2. PLANO DE EXISTÊNCIA .............................................................................................................. 155 
2.1.1. Manifestação de vontade ................................................................................................ 155 
2.1.2. Agente ............................................................................................................................ 155 
2.1.3. Objeto ............................................................................................................................. 155 
2.1.4. Forma ............................................................................................................................. 155 
3. PLANO DE VALIDADE ................................................................................................................. 156 
3.1. CONCEITO E PRESSUPOSTOS .......................................................................................... 156 
3.2. OBSERVAÇÕES ................................................................................................................... 157 
3.3. PECULIARIDADES QUANTO AO PRESSUPOSTO DE VALIDADE “FORMA” ..................... 157 
4. PLANO DE EFICÁCIA .................................................................................................................. 158 
5. TEORIAS EXPLICATIVAS DO NEGÓCIO JURÍDICO .................................................................. 159 
5.1. TEORIA VOLUNTARISTA (DA VONTADE) ........................................................................... 159 
5.2. TEORIA OBJETIVA (DA DECLARAÇÃO) .............................................................................. 159 
DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO ................................................................................................. 159 
1. DISPOSIÇÃO DA MATÉRIA ......................................................................................................... 159 
2. VÍCIOS NO NEGÓCIO JURÍDICO ................................................................................................ 160 
2.1. ERRO .................................................................................................................................... 160 
2.1.1. Conceito e características ............................................................................................... 160 
2.1.2. Erro x vício redibitório ..................................................................................................... 162 
2.1.3. Esquema sobre o erro .................................................................................................... 162 
2.2. DOLO .................................................................................................................................... 162 
 
 
2.2.1. Conceito e características ............................................................................................... 162 
2.2.2. Dolo negativo .................................................................................................................. 163 
2.2.3. Dolo bilateral ................................................................................................................... 163 
2.2.4. Dolo de terceiro .............................................................................................................. 163 
2.2.5. Dolo do representante legal ou convencional ................................................................. 163 
2.2.6. Esquema ........................................................................................................................ 164 
2.3. COAÇÃO ............................................................................................................................... 164 
2.3.1. Conceito e características ............................................................................................... 164 
2.3.2. Coação de terceiro ......................................................................................................... 164 
2.4. LESÃO .................................................................................................................................. 165 
2.4.1. Conceito e previsão legal ................................................................................................ 165 
2.4.2. Requisitos da lesão ........................................................................................................ 166 
2.4.3. Lesão x Teoria da imprevisão (“rebus sic stantibus”) ...................................................... 167 
2.4.4. Lesão Consumerista ....................................................................................................... 167 
2.5. ESTADO DE PERIGO ........................................................................................................... 167 
2.6. FRAUDE CONTRA CREDORES ........................................................................................... 169 
2.6.1. Conceito ......................................................................................................................... 169 
2.6.2. Hipóteses legais de fraude contra credores .................................................................... 169 
2.6.3. Questões especiais da Jurisprudência ............................................................................ 171 
2.6.4. Natureza Jurídica da sentença na Ação Pauliana ........................................................... 172 
2.6.5. Consideração quanto à natureza da ação pauliana à luz da Teoria da Ação – direitos 
potestativos, ações constitutivas ................................................................................................... 172 
2.7. SIMULAÇÃO ......................................................................................................................... 173 
2.7.1. Conceito ......................................................................................................................... 173 
2.7.2. Espécies de Simulação ................................................................................................... 173 
2.7.3. Observações importantes ............................................................................................... 175 
2.8. RESUMO DOS VÍCIOS NO NEGÓCIO JURÍDICO ................................................................ 175 
PLANO DE EFICÁCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO ................................................................................ 176 
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 176 
2. CONDIÇÃO .................................................................................................................................. 177 
 
 
2.1. CONCEITO ............................................................................................................................ 177 
2.1.1. Futuridade ...................................................................................................................... 177 
2.1.2. Incerteza ......................................................................................................................... 177 
2.2. CLASSIFICAÇÃO DA CONDIÇÃO ........................................................................................ 177 
2.2.1. Quanto ao modo de atuação........................................................................................... 177 
2.2.2. Quanto à licitude .............................................................................................................178 
2.2.3. Quanto a origem ............................................................................................................. 180 
3. TERMO ......................................................................................................................................... 181 
3.1. CONCEITO ............................................................................................................................ 181 
3.2. CARACTERÍSICAS ............................................................................................................... 181 
4. MODO OU ENCARGO ................................................................................................................. 182 
5. CONDIÇÃO x TERMO x ENCARGO ............................................................................................ 183 
TEORIA DAS INVALIDADES DO NEGÓCIO JURÍDICO ..................................................................... 184 
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 184 
2. NULIDADE ABSOLUTA ................................................................................................................ 184 
2.1. ANÁLISE DO ART. 166 CC ................................................................................................... 184 
2.2. CARACTERÍSTICAS DA NULIDADE ABSOLUTA ................................................................. 185 
2.2.1. Declaração de ofício. Legitimidade ................................................................................. 185 
2.2.2. Confirmação ................................................................................................................... 185 
2.2.3. Efeito ex tunc .................................................................................................................. 186 
3. NULIDADE RELATIVA (ANULABILIDADE) .................................................................................. 186 
3.1. PREVISÃO LEGAL ................................................................................................................ 186 
3.2. CARACTERÍSTICAS DA NULIDADE RELATIVA .................................................................. 187 
3.2.1. Impossibilidade de declaração de ofício. Legitimidade.................................................... 187 
3.2.2. Prazo decadencial .......................................................................................................... 187 
3.2.3. Confirmação ................................................................................................................... 188 
3.2.4. Eficácia ex tunc............................................................................................................... 188 
ATO ILÍCITO ........................................................................................................................................ 189 
1. NOÇÕES GERAIS ........................................................................................................................ 189 
1.1. CONCEITO E EVOLUÇÃO .................................................................................................... 189 
 
 
1.2. SÍNTESE ............................................................................................................................... 190 
2. EFEITOS DA ILICITUDE (CIVIL) .................................................................................................. 190 
2.1. EFEITO INDENIZANTE ......................................................................................................... 190 
2.2. EFEITO CADUCIFICANTE .................................................................................................... 190 
2.3. EFEITO INVALIDANTE ......................................................................................................... 190 
2.4. EFEITO AUTORIZANTE ........................................................................................................ 191 
2.5. OUTROS EFEITOS ............................................................................................................... 192 
3. ELEMENTOS DO ATO ILÍCITO .................................................................................................... 192 
3.1. QUAIS SÃO OS ELEMENTOS DO ATO ILÍCITO? ................................................................ 192 
3.2. CONCLUSÃO ........................................................................................................................ 193 
4. ESPÉCIES (MODELOS) DE ATO ILÍCITO ................................................................................... 193 
4.1. ATO ILÍCITO SUBJETIVO ..................................................................................................... 194 
4.2. ATO ILÍCITO OBJETIVO (ABUSO DE DIREITO OU ILÍCITO IMPRÓPRIO) .......................... 194 
4.3. SUBESPÉCIES DO ATO ILÍCITO OBJETIVO ....................................................................... 196 
4.3.1. Venire contra factum proprium (teoria dos atos próprios) ................................................ 196 
4.3.2. Supressio (Verwirkung) e Surrectio (erwirkung) .............................................................. 197 
4.3.3. “Tu quoque” e “Cláusula de Estoppel” ............................................................................ 197 
4.3.4. Duty to mitigate the loss (dever de mitigar o dano) ......................................................... 198 
4.3.5. Substancial performance (adimplemento substancial, inadimplemento mínimo, 
adimplemento fraco ou ruim) ........................................................................................................ 199 
4.3.6. Violação positiva do contrato (violação de deveres anexos) ........................................... 199 
5. EXCLUDENTES DA ILICITUDE (art. 188 do CC) ......................................................................... 200 
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA .......................................................................................................... 201 
(UMA VISÃO GERAL) ......................................................................................................................... 201 
1. CONCEITOS ................................................................................................................................ 201 
1.1. PRESCRIÇÃO ....................................................................................................................... 201 
1.2. DECADÊNCIA ....................................................................................................................... 201 
2. REGRAMENTO ............................................................................................................................ 202 
2.1. PREVISÃO LEGAL ................................................................................................................ 202 
2.2. CAUSAS IMPEDITIVAS, SUSPENSIVAS E INTERRUPTIVAS ............................................. 202 
 
 
2.2.1. Causas impeditivas e suspensivas ................................................................................. 202 
2.2.2. Causas interruptivas ....................................................................................................... 204 
2.3. ALTERAÇÃO DE PRAZOS .................................................................................................... 205 
2.4. PRAZOS PRESCRICIONAIS NO CC .................................................................................... 205 
2.5. QUEM PODE ALEGAR A PRESCRIÇÃO E A DECADÊNCIA? ............................................. 206 
2.6. CONTAGEM DE PRAZO .......................................................................................................208 
2.7. O QUE É PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE? ...................................................................... 208 
2.8. PRESCRIÇÃO CONTRA A FAZENDA .................................................................................. 208 
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA .......................................................................................................... 209 
(APROFUNDAMENTO) ....................................................................................................................... 209 
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 209 
2. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA X DIFERENTES TIPOS DE DIREITOS ........................................ 209 
2.1. DIREITOS SUBJETIVOS (DIREITOS A UMA PRESTAÇÃO) ................................................ 209 
2.2. DIREITOS POTESTATIVOS .................................................................................................. 210 
3. PRESCRIÇÃO (ART. 189 DO CC) ............................................................................................... 210 
4. DECADÊNCIA (art. 207) ............................................................................................................... 211 
5. CARACTERÍSTICAS DA PRESCRIÇÃO ...................................................................................... 212 
5.1. 1ª CARACTERÍSTICA: ADMISSIBILIDADE DE RENÚNCIA (CC, ART. 191) ........................ 212 
5.2. 2ª CARACTERÍSTICA: PODE SER CONHECIDA EM QUALQUER TEMPO OU GRAU DE 
JURISDIÇÃO (CC, ART. 193) .......................................................................................................... 212 
5.3. 3ª CARACTERÍSTICA: ADMITE SUSPENSÃO E INTERRUPÇÃO (CC, ART. 197, 198, 199, 
202) 213 
5.4. 4ª CARACTERÍSTICA: POSSIBILIDADE DE O JUIZ RECONHECÊ-LA DE OFÍCIO ............ 216 
5.5. PRESCRIÇÃO DA EXCEÇÃO ............................................................................................... 217 
6. CARACTERÍSTICAS DA DECADÊNCIA ...................................................................................... 218 
6.1. 1ª CARACTERÍSTICA: NÃO ADMITE RENÚNCIA ................................................................ 218 
6.2. 2ª CARACTERÍSTICA: PODE SER CONHECIDA A QUALQUER TEMPO OU GRAU DE 
JURISDIÇÃO ................................................................................................................................... 219 
6.3. 3ª CARACTERÍSTICA: OS PRAZOS DE DECADÊNCIA, POR SEREM DE ORDEM PÚBLICA, 
NÃO ADMITEM SUSPENSÃO E INTERRUPÇÃO ........................................................................... 219 
6.4. 4ª CARACTERÍSTICA: OS PRAZOS LEGAIS DE DECADÊNCIA NÃO PODEM SER 
ALTERADOS PELA VONTADE DAS PARTES ................................................................................ 219 
 
 
6.5. 5ª CARACTERÍSTICA: O JUIZ DEVE CONHECER DE OFÍCIO A DECADÊNCIA LEGAL .... 219 
7. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA: APLICAÇÃO ............................................................................ 219 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO 
BRASILEIRO 
*Cristiano Chaves 
1. INTRODUÇÃO 
 O Código Civil Francês (1804) instalou uma série de inovações no ordenamento jurídico; porém, 
essas modificações não tinham como serem efetivadas naquele momento histórico, oportunidade na qual 
foi editada uma Lei de Introdução com a finalidade de acomodar as modificações do CC ao ordenamento 
jurídico. 
 No Brasil aconteceu a mesma coisa, surgindo a necessidade de criação de uma “Lei de Introdução 
ao Código Civil - LICC” (hoje Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB) para acomodar 
o Código Civil que surgia na época, compatibilizando o sistema jurídico. 
 A antiga “LICC” (hoje LINDB) nada introduz ao CC, na verdade, não mantém qualquer relação 
com ele. 
 
 
 Enquanto o objeto de estudo do CC é a tutela da pessoa humana, a LINDB preocupa-se com a 
própria norma jurídica, sendo essa o seu o objeto de estudo. Há, portanto, uma diversidade de objetos e, 
sendo assim, a “LICC” não era e não é um diploma legal introdutório do CC apesar desse antigo nome. 
 A LINDB, na verdade, é um diploma legal multidisciplinar que se aplica universalmente a qualquer 
ramo do direito. É, portanto, um código geral sobre a elaboração e aplicação das normas jurídicas; tem 
como objetivo, então, a elaboração, vigência e aplicação de leis. Seja qual for o ramo do direito, as normas 
devem ser elaboradas e aplicadas conforme a “LICC” ou LINDB. 
 Trata-se, portanto, de uma norma de SOBREDIREITO (lex legum) 
 Na expressão de Arruda Alvim, a “LICC” é um código de normas e não um apêndice ao CC. Vê-
se, então, que o nome LICC era indevido, tanto que foi modificado para Lei de Introdução às Normas 
do Direito Brasileiro (LINDB). 
 Assim, a LINDB é autônoma e independente do CC. Prova disso é que o CC foi alterado e a LINDB 
continuou a mesma. 
2. ESTRUTURA DA LINDB 
A estrutura da LINDB pode ser dividida em 07 tópicos para a sua melhor compreensão. 
 1- Vigência das normas: art. 1º e 2º. 
 2- Obrigatoriedade da norma: art. 3º. 
 3- Integração da norma: art. 4º. 
 4- Interpretação da norma: art. 5º. 
 5- Aplicação da lei no tempo: art. 6º. 
 6- Aplicação da lei no espaço: artigos 7º a 19. 
2.1. VIGÊNCIA DAS NORMAS: ART. 1º E 2º 
 Vigência e existência são conceitos diversos. 
 A existência da norma se dá no momento da sua promulgação. Mas ao existir não significa que a 
lei tenha vigência, mas sim que formalmente é um fato jurídico (não possui coercibilidade). 
 O momento da existência não se confunde com a vigência. Isso porque, depois de promulgada, a 
lei precisa de um iter legislativo para que as pessoas tenham conhecimento da norma para, somente 
depois, passar a ter vigência: publicação → lapso temporal → vigência. 
 A lei só ganha vigência depois da vacatio legis (lapso temporal para que as pessoas tenham 
conhecimento de sua existência). 
 Então, há uma grande diferença entre a EXISTÊNCIA da lei e sua VIGÊNCIA. Há a promulgação, 
publicação, vacatio legis e vigência. 
Art. 1º, LINDB → salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país 
QUARENTA E CINCO DIAS depois de oficialmente publicada. 
§1º → nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando 
admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada. 
§3º → se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, 
destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a 
correr da nova publicação. 
 
 
§4º → as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 
 
 Neste período de vacatio legis a lei já existe, mas ainda não tem vigência. A LC 95/98, no seu art. 
8º, modificou o art. 1º da LINDB, de modo que a partir de agora toda norma legal deve, obrigatoriamente, 
cumprir um período de vacatio legis. 
Art. 8º, LC 95/98 → a vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a 
contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada 
a cláusula "entra em vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena 
repercussão. 
 E o prazo de vacatio legis deve corresponder ao número de dias necessário para que todas as 
pessoas conheçam a lei. Assim, toda norma legal deve ter um período de vacatio legis que deve ser 
expresso em um número de dias. 
 A fórmula que se conhecia, “esta lei entra em vigor na data de sua publicação”, só poderá ser 
utilizada para as leis de pequena repercussão. 
Exemplo: A Lei 11.280/06 criou a possibilidade de conhecimento de ofício da prescrição. Esta lei não é 
de pequena repercussão com certeza. Assim, esta leinão poderia entrar em vigor no momento de sua 
publicação. Ela teve, então, um período de vacatio legis de 90 dias, pois este foi o prazo que o legislador 
entendeu necessário para que todos dela tomassem conhecimento. 
 Mas essa é uma NORMA IMPERFEITA, pois não há sanção para o seu descumprimento. Ou seja, 
como é o próprio legislador quem tem que dizer se a lei é de pequena repercussão ou não, ele mesmo 
não criou sanções para quando fosse dito, na nova lei, que ela entraria em vigor no momento de sua 
publicação, apesar de esta não ser de pequena repercussão. 
Exemplo: lei que determinou que a separação e o divórcio poderiam ser feitos em Cartório entrou em 
vigor na data de sua publicação, apesar de ser de extrema importância e grande repercussão. 
 Regra: toda lei tem que ter um prazo de vacatio legis, e este prazo tem que estar expresso em 
dias. 
Contagem do prazo de vacatio legis (art. 8º, §1º, LC 95/98): a contagem do prazo da vacatio legis 
possui uma regra autônoma/própria, incluindo-se o primeiro e o último dia, entrando a lei em vigor 
no dia subsequente a consumação integral do prazo. 
Art. 8º, §1º, LC 95/98 → a contagem do prazo para entrada em vigor das leis que 
estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação 
e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua 
consumação integral. 
 Na prática, o resultado é idêntico ao encontrado na contagem dos prazos processuais. Esta regra 
de contagem justifica a razão de toda vacatio legis ser contada em dias. 
 Segundo a doutrina, não importa se o ultimo dia for feriado ou final de semana, entrando em vigor 
a norma mesmo assim, ou seja, a data não é prorrogada para o dia seguinte (Tartuce, p. 05). 
 Nem sempre a vacatio legis é estabelecida em dia, de modo que nesses casos não será possível 
a aplicação da regra do §1º do art. 8º da LC 05/98. Exemplo: CC/02. 
Art. 2044, CC → este Código entrará em vigor 1 (um) ano após a sua publicação. 
 
 
 Dessa forma, se o prazo de vacatio legis for fixado em mês ou ano, indevidamente, já que de 
ordinário ele deveria ser expresso em dias, utiliza-se a regra do art. 132, CC que estabelece que prazo 
em mês ou ano é contado de “data a data”, pouco interessando quantos dias existam entre as datas. 
Art. 132, CC → salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se 
os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. 
§3º → os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou 
no imediato, se faltar exata correspondência. 
 Assim, o CC/02, que foi publicado em 11/01/02, entrou em vigor no dia 11/01/03. É importante 
perceber que todas essas regras, que emanam do art. 8º, LC 95/98, fizeram com que o art. 1º, LINDB, se 
tornasse subsidiário. Isto, porque só utilizaremos o prazo do art. 1º quando o legislador não tiver 
estabelecido um prazo de vacatio legis expresso e não se tratar de uma lei de pequena 
repercussão. 
 Além disso, essas regras somente se aplicam às normas legais. 
 As normas jurídicas administrativas (portarias, decretos, regulamentos, resoluções) sempre 
entrarão em vigor na data de sua publicação (Decreto nº 572/1890). 
Durante o prazo de vacatio, a lei, que já existe, mas não tem vigência, pode ser modificada? 
 Ora, se ela existe, só pode ser modificada através de lei nova, mesmo no período de vacatio legis. 
Sendo assim, a modificação de uma lei dentro do seu período de vacatio legis só pode ocorrer através de 
uma nova lei. 
 Porém, a correção de erros materiais ou inexatidões pode ser feita através da simples republicação 
da lei com as devidas correções. 
 No caso de republicação da lei, o prazo de vacatio legis volta a correr do zero somente para a 
parte que foi corrigida. 
 O prazo de vacatio legis, portanto, reinicia SOMENTE para a parte que foi retificada e não para as 
demais, que continuam contando o prazo normalmente. 
Art. 1º, §3º, LINDB → se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de 
seu texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores 
começará a correr da nova publicação. 
Art. 1º, §4º, LINDB → as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 
 Revogação: uma vez cumprida a vacatio legis e entrando em vigor, a lei continuará vigendo até 
que venha outra e, expressa ou tacitamente, a revogue  princípio da continuidade. 
 Já podemos notar, então, que a revogação de uma lei pode ser expressa ou tácita, bem como que 
no sistema brasileiro só se admite a revogação de uma lei através de outra lei. 
Art. 2º, LINDB → não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que 
outra a modifique ou revogue. 
§1º → a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando 
seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava 
a lei anterior. 
 
 
 O art. 9º da LC 95/98 estabeleceu uma novidade no que tange a revogação das normas, dispondo 
que a revogação das normas preferencialmente deve ser expressa. Sendo assim, toda vez que for editada 
uma nova lei, essa deverá indicar de forma expressa quais os dispositivos legais revogados por ela. 
Art. 9º, LC 95/98 → a cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as 
leis ou disposições legais revogadas. 
 Deve-se evitar, então, aquela velha e inútil fórmula “revogam-se todas as disposições em 
contrário”, pois esta leva a crer que estaria revogando expressamente quando não está. 
 Esta regra não se aplica às leis temporárias, pois estas cessam ao alcançar o termo indicado. 
 E, quando o legislador não revogar expressamente os dispositivos legais, será aplicada a regra 
de que fica revogado tudo aquilo que for contrário à nova regra. 
 O Direito Brasileiro não admite o dessuetudo, que é a revogação da lei pelos costumes (uma lei 
que não conseguiu “pegar”, por exemplo). 
 O STJ é firme neste sentido, mesmo quanto às leis que não são respeitadas ou observadas. Este 
é o caso observado quanto às casas de prostituição, que não deixaram de ser crime, apesar de serem 
toleradas em todo o Brasil. 
 A revogação necessariamente se dará por outra lei, que revogará expressa ou tacitamente, no 
todo ou em parte a lei antiga. 
 A revogação é gênero da qual ab-rogação e derrogação são espécies. 
 * ab-rogação: é a revogação total da lei. 
 * derrogação: é a revogação parcial da lei. 
 Sobre revogação de lei devemos ter cuidado com a redação do §2º do art. 2º da LICC. 
Art. 2º, § 2º, LINDB → a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a 
par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. 
 Esse dispositivo estabelece que uma lei nova, que trate da mesma matéria de lei anterior, e que 
traga disposições que estejam ao lado (a par) da outra lei, não revoga a lei anterior, mas sim que será 
utilizada juntamente com aquela. 
 Repristinação: é o restabelecimento dos efeitos de uma lei que foi revogada pela revogação da 
lei revogadora. 
A revogação da lei revogadora não restabelece os efeitos da lei revogada. 
Ex.: Lei A → Lei B → Lei C. A Lei C revoga a Lei B, os efeitos da Lei A não serão restabelecidos. 
Art. 2º, § 3º → salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter 
a lei revogadora perdido a vigência. 
 Porém, o próprio § 3º do art. 2º da LINDB abre uma exceção à repristinação ao dizer que pode 
haver efeitos repristinatórios quando houver expressa disposição neste sentido na lei. 
 Ou seja, o Direito Brasileiro não admite a repristinação como um instituto, mas aceita que existam 
efeitos repristinatórios quando houver expressa disposição neste sentido. Atente-se que isso não é 
tecnicamente repristinação, pois o que existe é a vigência de nova lei que traz efeitosrepristinatórios, 
trazendo de volta os efeitos de uma lei anterior. 
 
 
 O art. 27 da Lei 9.868/98 estabelece a possibilidade de efeitos repristinatórios no controle 
concentrado de constitucionalidade. Isto, porque, a lei revogada será tratada como se nunca tivesse 
existido nem nunca tivesse produzido efeitos. Sendo assim, a lei revogada volta a surtir efeitos. 
Art. 27, Lei 9868/98 → ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, 
e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, 
poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, 
restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir 
de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. 
 No exemplo dito acima, se a Lei B fosse declarada inconstitucional, ela passaria a ser tratada 
como se nunca tivesse existido e nunca tivesse produzido efeitos; sendo assim, a Lei A poderia surtir 
seus efeitos normalmente. 
CUIDADO: isso é exclusivo do controle concentrado. No controle difuso não é possível, pois este gera 
efeitos inter partes tão-somente. 
 A jurisprudência do STF tem entendido que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em 
controle concentrado, pode ser modulada a eficácia desta decisão a fim de preservar a segurança jurídica. 
Isso porque, quando as leis são submetidas ao controle de constitucionalidade, já estão em vigor por 
certo lapso temporal e a sua retirada do ordenamento jurídico sem qualquer ressalva pode trazer mais 
prejuízos. 
 Desta maneira, o STF pode declarar a inconstitucionalidade sem efeitos retroativos. Isto, na 
prática, leva à perpetuação dos efeitos já ocorridos pela lei inconstitucional, revogando as leis 
anteriormente existentes e vigentes. 
 Assim, se o STF imprimir eficácia ex nunc a decisão do controle de constitucionalidade, não haverá 
efeito repristinatório, pois a lei revogadora, declarada inconstitucional, produziu efeitos, implicando na 
revogação da anterior a si. 
 Dessa forma, nem toda declaração de inconstitucionalidade implica efeitos repristinatórios. 
Isso porque eventualmente admite-se uma declaração de inconstitucionalidade sem efeitos retroativos, 
assim se mantendo a revogação da lei. 
2.2. OBRIGATORIEDADE DA NORMA: ART. 3º 
Art. 3º, LINDB → ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. 
 O art. 3º da LINDB traz presunção de que todas as pessoas conheçam a lei. Por isso, a LINDB 
cria uma proibição de desconhecimento da lei para que ninguém possa se furtar à sua incidência. 
 Ninguém pode se escusar de cumprir a lei, alegando o desconhecimento dela. Ou seja, toda lei 
traz consigo uma presunção de conhecimento por todos. 
Princípio da Obrigatoriedade Relativa/Mitigada: a presunção de conhecimento da lei não é absoluta, 
uma vez que se existem situações excepcionais expressamente previstas em lei em que se admite a 
alegação de erro de direito. 
 A alegação de erro de direito só pode ser feita em casos previstos em lei. 
Esses casos previstos em lei são muito mais numerosos no Direito Penal. Exemplos: art. 21, CP 
(erro de proibição); art. 65, II, CP (atenuante da pena); art. 8º, Lei de Contravenções Penais. 
 
 
No Direito Civil há apenas DOIS casos em que se permite a alegação de erro de direito, quais 
sejam: 
 a) Casamento putativo (art. 1.561, CC): no caso de casamento nulo ou anulável celebrado com 
boa-fé, os efeitos do ato serão ser preservados em relação aos filhos. 
Art. 1561, CC → embora anulável ou mesmo nulo, se contraído de boa-fé por ambos 
os cônjuges, o casamento, em relação a estes como aos filhos, produz todos os 
efeitos até o dia da sentença anulatória. 
Exemplo: casamento de A com B, sua irmã. 
 Erro de fato: A não sabia que B era sua irmã. 
 Erro de direito: A sabia que B era sua irmã, mas não sabia quer era proibido o casamento entre irmãos. 
O que é necessário aqui é que as pessoas estejam de BOA-FÉ. 
 b) Erro como vício de vontade no negócio jurídico (art. 139, III, CC): esse erro pode ser alegado 
para o desfazimento do negócio jurídico. 
Art. 139, III, CC → o erro é substancial quando sendo de direito e não implicando 
recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico. 
Exemplo: compra de terreno em Petrópolis/RJ em área que fora considerada de uso público por Lei 
Municipal. 
Obrigatoriedade “simultânea”: antigamente, a lei se tornava obrigatória por etapas: primeiro na capital 
federal, depois nas zonas litorâneas e depois ia se interiorizando. Agora, ela entra em vigor em todos os 
locais do país ao mesmo tempo. 
2.3. INTEGRAÇÃO DA NORMA: ART. 4º 
 Integrar significa colmatar, preencher lacunas. A integração da norma é a atividade pela qual o 
juiz complementa a norma. E essa necessidade de complementação da norma surge porque o legislador 
não tem como prever todas as situações possíveis no mundo fático. 
 A lacuna nunca irá se referir ao ordenamento, mas sim apenas à legislação. Assim, mesmo que 
exista lei lacunosa, o ordenamento é completo, pois existem mecanismos de integração, de colmatação. 
 O ordenamento jurídico vedou o “non liquet”, que significa que o juiz não pode se eximir do dever 
de julgar alegando lacuna ou desconhecimento da norma. 
Art. 4º, LINDB → quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a 
analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Para lembrar: ordem 
alfabéticaA,C,P. 
 Esse dispositivo traz um rol TAXATIVO e preferencial de integração da norma. Sendo assim, o 
juiz deve se valer dessa ordem e somente dos critérios integrativos colocados neste dispositivo. 
 Havendo lacuna, o juiz está obrigado a promover a integração da norma; colmatará o vazio. 
 Além disso, como se presume que o juiz conhece todas as leis, basta que a parte narre o fato 
(narra-se o fato que eu te darei o direito – iura novit curiae). 
Exceções: o juiz pode determinar à parte interessada que faça prova da EXISTÊNCIA e VIGÊNCIA da 
lei alegada em 4 hipóteses: 
 
 
 a) direito municipal. 
 b) direito estadual. 
 c) direito estrangeiro. 
 d) direito consuetudinário. 
 Alexandre Câmara alerta que o juiz só pode mandar a parte fazer prova de direito municipal e 
estadual que não seja de sua jurisdição. Caso contrário, ou seja, se o direito municipal ou estadual for do 
local de sua jurisdição, o juiz não poderá determinar que a parte faça prova porque se presume que ele 
conheça a lei. 
 E quando o juiz for utilizar direito estrangeiro, ele poderá mandar a parte fazer prova. 
 No entanto, o Protocolo de Las Leñas determina que o juiz não pode mandar a parte fazer prova 
das leis de países integrantes do MERCOSUL, pois, neste caso, se presume que o juiz conheça a 
legislação. 
 Isto se aplica também a documentos estrangeiros oriundos de países do MERCOSUL. Assim, 
quando vier o documento de um país do MERCOSUL, o juiz não pode mandar fazer a tradução 
juramentada, pois igualmente se presume que ele conhece a tal língua. 
Espécies de Lacunas, conforme Maria Helena Diniz: 
a) Lacuna normativa: ausência total de norma para um caso concreto; 
b) Lacuna ontológica: presença de norma para o caso concreto, mas que não tenha eficácia 
 social; 
c) Lacuna axiológica: presença de norma para o caso concreto, mas cuja aplicação seja 
 insatisfatória ou injusta; 
d) Lacuna de conflito ou antinomia: choque de duas ou mais normas válidas, pendente de 
 solução no caso concreto. 
Presente uma lacuna, deverão ser utilizadas as formas de integração da norma jurídica. 
2.3.1. Métodos de Colmatação 
 Na integração, da norma o juiz deverá se valer da analogia, dos costumes e dos princípios gerais 
de direito, devendo utilizar essesmétodos nesta ordem porque o art. 4º da LINDB estabeleceu um rol 
taxativo e preferencial. 
OBS.: a doutrina moderna contesta a obrigatoriedade de aplicar os métodos de colmatação na exata 
ordem do art. 4º, principalmente no que concerne aos princípios constitucionais (Nesse sentido: Tepedino 
e Tartuce). 
 a) Analogia: é primeiro mecanismo de integração. É o preenchimento da lacuna através da 
comparação. Por meio da analogia, compara-se uma determinada hipótese, não prevista em lei, com 
outra, já contemplada em lei. O seu fundamento é a igualdade jurídica. 
A analogia pode ter duas formas: 
 
 
 b1) analogia legis: se concretiza pela comparação de um caso não previsto com outro já previsto 
em lei. Assim a lacuna será integrada comparando-se uma situação atípica (não tratada na norma) com 
uma outra situação especificadamente prevista em lei (típica). 
 b2) analogia iuris: o juiz preenche a lacuna com a comparação do caso com o sistema como um 
todo. Dessa forma, compara-se a situação não prevista em lei com os valores do sistema e não com um 
dispositivo legal. 
Exemplo: união homoafetiva, que não está prevista em lei, e os conflitos jurídicos decorrentes destas 
uniões também não têm previsão legal, sendo que o juiz não pode se negar a resolvê-los. O juiz poderá 
solucionar tais casos com regras semelhantes, como as regras da união estável, por exemplo, se valendo 
de analogia legis, portanto. Foi o que decidiu o STF. 
Porém, será caso de analogia iuris, se, em vez de comparar com a legislação de união estável, 
comparar com os princípios constitucionais. 
OBS.: não se admite analogia em sede de direito penal nem direito tributário, salvo em favor da parte (ou 
seja, não existe analogia para prejudicar o réu ou o contribuinte). 
ANALOGIA INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA 
Rompe-se com os limites do que está 
previsto na norma. (INTEGRAÇÃO) 
Apenas amplia-se o sentido da norma, 
havendo subsunção. (CONHECIMENTO) 
 
OBS.: normas de exceção não admitem analogia ou interpretação extensiva. Exemplo: um pai pode 
hipotecar um imóvel a um filho sem a autorização dos demais, pois a lei somente exige autorização para 
a venda, sob pena de anulabilidade. A norma, assim não pode ser aplicada por analogia à hipoteca, salvo 
para proteger um filho incapaz, por exemplo. 
 b) Costumes: são os usos cotidianos locais, ou seja, os usos reiterados de uma comunidade. 
Os costumes podem ser de 3 espécies: 
 b1) costumes contra legem: materializam uma prática cotidiana atentatória à lei. No Direito 
Brasileiro não se admitem os costumes contra legem, pelo simples motivo de que isto, na prática, 
implicaria admitir o dessuetudo, o que não é possível. 
 b2) costumes secundum legem: são os costumes determinados na lei. A sua utilização vem 
expressa na própria lei. 
 Nessa espécie, o próprio o ordenamento jurídico diz que o juiz deve julgar pelos costumes 
naqueles casos determinados. Assim, vê-se que não são hipóteses de lacunas no sistema, pois o próprio 
ordenamento é que remete aos costumes. Nesses casos, portanto, não há integração, mas sim 
subsunção. 
Exemplo: art. 445, § 2º, CC/02, que traz prazo para a ação sobre vício redibitório sobre animal, como o 
caso de um touro que se descobriu estéril, estabelecendo que o prazo é determinado pelos usos locais. 
Art. 445, §2º, CC → tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por 
vícios ocultos serão os estabelecidos em lei especial, ou, na falta desta, pelos usos 
locais, aplicando-se o disposto no parágrafo antecedente se não houver regras 
disciplinando a matéria. 
 
 
 b3) costumes praeter legem: são aqueles costumes que não foram previstos em lei, sendo 
utilizados para preencher lacunas. É a única forma de costumes que serve como forma de colmatação. 
Exemplo: eficácia do cheque pós-datado (juiz se vale dos costumes para aceitar a indenização por dano 
moral quando do depósito do cheque antes da data - STJ). 
Requisitos para aplicação dos costumes: 
 (1) continuidade; 
 (2) uniformidade; 
 (3) diuturnidade; 
 (4) moralidade; 
 (5) obrigatoriedade. 
 Assim, é necessário que o costume esteja arraigado na consciência popular após a sua prática 
durante um tempo considerável, e, além disso, goze da reputação de imprescindível norma costumeira. 
 Por fim, vale lembrar que existe o COSTUME JURISPRUDENCIAL OU JUDICIÁRIO, cujo maior 
exemplo são as súmulas dos Tribunais Superiores. 
 c) Princípios gerais de direito: são, na verdade, postulados universais. 
São os seguintes: 
 c1) não lesar a ninguém; 
 c2) dar a cada um o que é seu; 
 c3) viver honestamente. 
 Os princípios possuem um papel quaternário: só se decide com base neles se o juiz não conseguiu 
decidir com base na lei, na analogia e nos costumes. 
 Alguns doutrinadores entendem que o art. 4º da LINDB foi revogado porque o princípio possui 
densidade normativa, não podendo ter papel quaternário. 
 Segundo o professor, o artigo não foi revogado porque precisamos nos lembrar da estrutura dos 
princípios. 
 Canotilho nos transmitiu a regra de que a norma jurídica é igual a norma-princípio mais norma-
regra. 
 Norma jurídica = norma-princípio + norma-regra. 
 E esta fórmula revela que todo princípio tem força normativa. 
 Sendo assim, como se poderia dizer que os princípios têm papel secundário, e pior, 
quaternário? 
 Em verdade, o que precisamos perceber é que existem dois diferentes tipos de princípios: 
princípios fundamentais e princípios informativos (ou gerais). 
 
 
 * princípios fundamentais ou institucionais: correspondem às opções do sistema, ou seja, a 
opção do sistema por este ou aquele valor. Logo, os princípios fundamentais possuem força normativa, 
exatamente na medida em que os princípios fundamentais obrigam. Os princípios fundamentais são as 
opções valorativas de cada sistema. 
 * princípios gerais/informativos: são meras recomendações, têm caráter propositivo, e são 
universais. Portanto, não possuem força normativa porque só servem para desempate. 
 Enquanto os princípios fundamentais correspondem a uma opção de um sistema, os princípios 
informativos são universais. 
 Diante dessas considerações, devemos ler o art. 4º com algumas modificações: onde está escrito 
quando a lei for omissa, deveríamos escrever quando a NORMA JURÍDICA FOR OMISSA, pois a norma 
jurídica pode ser a norma-regra ou a norma-princípio, e este princípio dito aqui é o princípio fundamental. 
Art. 4º, LINDB → quando a lei for omissa (=quando a norma jurídica for omissa), o 
juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais 
de direito. 
 Além disso, os princípios referidos no dispositivo seriam os princípios INFORMATIVOS apenas. E 
sendo assim, o art. 4º da LINDB não violaria a força normativa dos princípios fundamentais. 
 Este art. 4º deixa clara a inexistência de regra de subsunção, pois o juiz realiza a atividade de 
interpretação tão somente, e não mais a subsunção. 
 *Equidade: excepcionalmente o ordenamento jurídico admite a utilização da equidade como meio 
de integração. A equidade é a busca do bom/equilibrado/ justiça equitativa (nem tanto o mar, nem tanto 
a terra). 
 O direito brasileiro só admite a equidade quando houver previsão em lei. 
 Equidade é um conceito aberto, vago, altamente subjetivista, não podendo ser utilizada em 
qualquer caso. 
 A equidade surge da “Ética a Nicômaco”, na qual Aristóteles diz que a equidade era o justo, o bom, 
o equilíbrio. O autor consagrou nesta obra a ideia de que a virtude está no meio, na equidade. Mas o juiz 
somente poderá se valer da equidade quando a lei assim determinar. 
 Às vezes, é a própria lei que estabelece o critério de equidade (equidade legal), mas poderátambém o juiz estabelecê-lo (equidade judicial). 
Exemplos: 
Art. 7º, CDC → os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes 
de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da 
legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades 
administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do 
direito, analogia, costumes e equidade. 
Art. 20, § 4º, CPC → nas causas de pequeno valor, nas de valor inestimável, 
naquelas em que não houver condenação ou for vencida a Fazenda Pública, e nas 
execuções, embargadas ou não, os honorários serão fixados consoante apreciação 
equitativa do juiz, atendidas as normas das alíneas a, b e c do parágrafo anterior. 
NCPC/2015 Art. 85, § 8o Nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito 
econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor 
 
 
dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 
2o. 
§ 2o Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte 
por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, 
não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, 
atendidos: 
I - o grau de zelo do profissional; 
II - o lugar de prestação do serviço; 
III - a natureza e a importância da causa; 
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu 
serviço. 
 Uso de equidade quando o juiz fixar os honorários advocatícios nas causas em que não há 
estimativa patrimonial. 
 A CLT também permite o uso de equidade. 
 Na lei de alimentos o juiz fixará o percentual de alimentos por equidade. 
Exemplos de equidade no CC: 
 Redução equitativa da cláusula penal (multa), quando o devedor já cumpriu em parte a obrigação 
ou quando a cláusula se apresenta abusiva. 
Art. 413, CC → a penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a 
obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade 
for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do 
negócio. 
 O juiz também pode reduzir equitativamente o quantum indenizatório sempre que perceber um 
desequilíbrio entre o grau de culpa e a extensão do dano (isto não poderá ocorrer nos casos de 
responsabilidade objetiva, pois nestes não se discute culpa). 
Art. 944, §único, CC → se houver excessiva desproporção entre a gravidade da 
culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização. 
2.4. INTERPRETAÇÃO DA NORMA: ART. 5º 
Art. 5º, LINDB → na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se 
dirige e às exigências do bem comum. 
 A interpretação não se confunde com integração. Integrar é preencher uma lacuna. Já interpretar 
é buscar o alcance e o sentido. Logo, a atividade interpretativa é a atividade de buscar o sentido e o 
alcance de uma norma que já existe. 
 O art. 5º consagra que em toda interpretação devem ser respeitados os fins sociais a que se 
dirige a norma. Assim, toda interpretação é sociológica e teleológica. Isto é dizer que, em toda 
interpretação, deve se ter presente o impacto que a norma terá em uma comunidade. 
 Toda e qualquer interpretação da norma deve ser sociológica/teleológica, isto é, deve atender aos 
fins sociais a que a norma se destina. 
 
 
 A prova do tempo de serviço de atividade rural deve ser feita através de documentos e não por 
meio exclusivamente testemunhal. Contudo, nos casos em que o trabalhador rural não tem como provar 
através da prova documental, irá se admitir a prova exclusivamente por testemunha desde que esta seja 
idônea. 
 Ao realizar a interpretação da norma, podemos chegar a um resultado ampliativo, restritivo ou 
declarativo. 
1- interpretação ampliativa: a norma que diga respeito aos direitos fundamentais individuais ou 
sociais (art. 5º e 7º da CF/88) se submete à interpretação ampliativa. 
2-interpretação declaratória: as normas de Direito Administrativo se submetem a uma 
interpretação declarativa, por conta do princípio da legalidade. 
3-interpretação restritiva: as normas que estabeleçam privilégio, sanção, renúncia, fiança e aval 
se submetem a interpretação restritiva. 
A propósito, veja-se o art. 819, CC/02: 
Art. 819. A fiança dar-se-á por escrito, e não admite interpretação extensiva. 
 E mais, a Súmula 214, STJ dispõe que o fiador, na locação, não responde por obrigações 
resultantes de aditamento ao qual não anuiu. 
STJ Súmula 214 O fiador na locação não responde por obrigações resultantes de 
aditamento ao qual não anuiu. 
PROVA ORAL DPE/RS/2011: O que é “interpretação integrativa”? 
Na vigência de um contrato podem surgir situações imprevistas pelas partes que não serão 
solucionadas através de uma simples interpretação das cláusulas ou disposições do contrato. Nessas 
situações, passa a existir então uma atividade psíquica diferente da do hermeneuta, ou seja, surgem a 
interpretação integrativa e a integração propriamente dita do contrato. 
Na interpretação integrativa, mesmo havendo pontos omissos no contrato, a intenção dos 
contratantes deve surgir da ideia geral, ou seja, do espírito do contrato, obedecendo, os princípios da 
boa-fé, dos usos sociais, do que já foi cumprido pelas partes. Assim, o intérprete poderá concluir, de 
acordo com as entrelinhas do contrato, o que foi desejado pelos contratantes. Desse modo, 
exemplificando, se os contratantes estabeleceram para os pagamentos parcelados, um índice de 
correção monetária, e esse índice deixou de existir, o intérprete pode encontrar outro índice substitutivo 
ou próximo daquele que deixou de existir, para ser aplicado no contrato, ainda que assim não esteja 
expresso no contrato, porque a equidade e o princípio da boa-fé regem os contratos e determinam que 
não haja enriquecimento ilícito ou injusto, diante da desvalorização da moeda. 
Custódio Miranda estudando sobre o trabalho mental de interpretação integrativa diz: “não se 
cuida, como é bem de ver, a investigação da vontade hipotética, presumível ou real, que jamais existiu, 
mas da reconstrução de uma declaração incompleta, na medida em que se disse menos do que a 
ideia que se presidiu à elaboração do conteúdo”. 
O Código Civil português segue a mesma linha de raciocínio, tanto que, o artigo 239 expressa o 
seguinte: “Na falta de disposição especial, a declaração negocial deve ser integrada de harmonia com a 
vontade que as partes teriam tido se houvessem previsto o ponto omisso, ou de acordo com os ditames 
da boa-fé, quando outra seja a solução por eles imposta”. 
 
 
Da interpretação do dispositivo acima citado extrai-se não somente a metodologia de interpretação 
integrativa, mas também a própria integração do contrato, cujo trabalho do hermeneuta é mais amplo, 
porque deverá preencher lacunas existentes no contrato. 
Outra ideia: seria hipótese em que se busca a complementação de uma norma por uma fonte 
jurídica externa. Tipo um diálogo das fontes de complementariedade. Não seria puramente integração, 
pois há uma norma na fonte "interna", mas completada por uma fonte externa. 
2.5. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO: ART. 6º 
Art. 6º, LINDB → a Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico 
perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. 
Art. 5º, XXXVI, CRFB → a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico 
perfeito e a coisa julgada. 
 É certo que toda lei se destina aos fatos presentes e futuros, mas não aos passados. 
 No Direito Brasileiro, portanto, consagrou-se a regra da irretroatividade das leis, de modo que as 
leis novas não alcançam os fatos pretéritos. A regra da irretroatividade é aplicável inclusive às normas 
jurídicas de ordem pública. 
Exceção: admitem-se,excepcionalmente, efeitos retroativos na lei quando presentes dois requisitos, 
quais sejam: 
 a) expressa disposição neste sentido: é preciso que a lei diga que produzirá efeitos retroativos. 
 b) que a retroação não prejudique o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido. 
 Direito adquirido: é aquele que se incorporou ao patrimônio do particular. É uma concepção 
exclusivamente patrimonialista, de modo que não há direito adquirido personalíssimo. Todo direito 
adquirido é patrimonial. 
Art. 6º, §2º, LINDB → consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, 
ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha 
termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. 
 Além disso, não existe direito adquirido em face do Poder Constituinte, pois ele instala uma nova 
ordem jurídica, sendo que tudo que lhe é incompatível é repelido. 
 Porém, no Brasil, esta tese sofreu uma mutação, decorrente de interpretação do STF acerca das 
reformas previdenciárias estabelecidas pelo Poder Legislativo. 
 O STF disse que não há direito adquirido nem em face do Poder Constituinte Originário, nem em 
face do Poder Constituinte Derivado. Ou seja, emenda constitucional não precisa respeitar direito 
adquirido, mas isto é só no Brasil, por conta da Reforma da Previdência. 
Daniel Sarmento (citado pelo Tartuce, p. 30): 
Ademais, verifica-se hoje uma mitigação da ideia de direito adquirido. Tal direito não pode ser levado 
ao extremo, sob pena de gerar injustiças. A segurança jurídica é um valor importante no Estado 
Democrático de Direito, mas não é o único valor e nem mesmo o mais importante. Se a segurança 
jurídica for protegida ao máximo, provavelmente o preço que se terá de pagar será um 
comprometimento na tutela da justiça e da igualdade substancial. 
 
 
Assim, a segurança jurídica, que no Estado Liberal era mais identificada com a proteção da propriedade 
e dos direitos patrimoniais em face do arbítrio estatal, caminha para uma segurança contra os 
infortúnios da vida; para uma segurança como garantia de direitos sociais básicos para os excluídos; e 
até para a segurança em face das novas tecnologias e riscos ecológicos da chamada “sociedade de 
risco”. 
 
 Coisa julgada: é a qualidade que reveste os efeitos decorrentes de uma decisão judicial contra a 
qual não cabe mais impugnação dentro dos mesmos autos. 
Art. 6º, §3º, LINDB → chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de 
que já não caiba recurso. 
 Pode haver coisa julgada de decisão interlocutória, desde que ela aprecie o mérito e não seja 
impugnada (exemplo: concessão de tutela de parcela incontroversa do pedido). 
 A coisa julgada não pode violar outra questão em que já se decidiu pela inconstitucionalidade. 
Hoje já se fala, inclusive, na relativização da coisa julgada – investigação de paternidade (DNA) 
 Ato jurídico perfeito: é o ato pronto e acabado, já tendo exaurido seus efeitos. O ato jurídico 
perfeito não mais produz efeitos. Ele é a antítese das relações continuativas, pois estas são as que 
perpassam no tempo (iniciam sob a égide de uma lei e continuam após o início de uma nova lei). 
Art. 6º, §1º, LINDB → reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei 
vigente ao tempo em que se efetuou. 
 O ato jurídico perfeito não pode ser atingido pelos efeitos de uma lei nova, pois ele não mais 
produz efeitos. 
 As relações continuativas podem ser atingidas pela lei nova? O casamento, assim como o 
contrato, são exemplos de relações continuativas. 
 O casamento celebrado sob a égide do CC/16, que atravessou o tempo, está sob a égide do 
CC/02 ou continua sofrendo os efeitos do CC/16? 
 No que tange às relações continuativas a regra é de que a sua existência e a sua validade ficam 
submetidas à lei em que foi celebrado o ato, mas a eficácia submete-se à regra da lei nova. Assim, a 
existência e a validade ficam na lei de origem (lei da data de celebração) e a eficácia submete-se à lei 
nova. 
Exemplo: as pessoas que casaram sob a égide do CC/16 não podiam mudar seu regime de bens, mas 
quem casa agora pode. 
Art. 2039, CC → O regime de bens nos casamentos celebrados na vigência do 
Código Civil anterior, Lei no 3.071, de 1o de janeiro de 1916, é o por ele 
estabelecido. 
 Como a mudança do regime diz respeito a eficácia do ato, podemos concluir que as pessoas 
casadas sob a égide do CC/16 podem sim alterar seu regime de bens (Maria Berenice Dias; STJ, REsp 
821.807/PR, rel. Min. Fátima Nancy Andrighi). 
 A única voz discrepante é a da professora Maria Helena Diniz, que defende a impossibilidade de 
alteração de regime de bens, mas sozinha nesta posição. 
 
 
 Ultratividade: é o fenômeno através do qual uma lei, já revogada, produz efeitos mesmo após a 
sua revogação. 
 Inúmeros são os exemplos de ultratividade vindos do Direito Penal, como é o caso da norma penal 
mais benéfica. 
 No Direito Civil é bem mais rara a hipótese de ultratividade, mas ocorre isto, por exemplo, no direito 
de sucessão. 
 O princípio da saisine é um exemplo de ultratividade. Sendo assim, a pessoa que morreu à época 
do CC/16, mas tendo a abertura da sucessão se dado após a vigência do CC/02, terá a sucessão regulada 
pelas novas regras da lei civil. 
Súmula 112, STF → o imposto de transmissão "causa mortis" é devido pela alíquota 
vigente ao tempo da abertura da sucessão. 
2.6. APLICAÇÃO DA LEI NO ESPAÇO: ART. 7º A 19 
 A regra geral de aplicação da lei no espaço é de que, dentro do território brasileiro, é aplicada a 
lei brasileira. Ou seja, a lei brasileira se aplica no espaço territorial brasileiro. 
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações 
de vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a 
ordem pública e os bons costumes. 
 Porém, existem situações excepcionais em que a própria LINDB admite a aplicação da lei 
estrangeira no território brasileiro. 
 Dessa forma, o Brasil adotou a teoria da territorialidade moderada/mitigada, uma vez que no 
espaço territorial brasileiro aplica-se a lei brasileira em respeito à soberania nacional. 
 Regra de Conexão: para que haja a aplicação da lei estrangeira no território brasileiro é preciso 
que haja uma regra de conexão, sendo ela chamada de estatuto pessoal em que se aplica a lei do 
domicilio do interessado. 
 Aplicação do Estatuto Pessoal: lei do domicílio do interessado: a LINDB prevê 07 hipóteses de 
aplicação da lei estrangeira no território brasileiro: 
 1) nome. 
 2) personalidade. 
 3) capacidade. 
 4) direito de família. 
 5) bens móveis que o interessado traz consigo. 
 6) penhor. 
 7) capacidade sucessória. 
Art. 7º, LICC → a lei do país em que DOMICILIADA a pessoa determina as regras 
sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de 
família. 
 
 
§1º → realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos 
impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração. 
§2º → o casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades 
diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes. 
§3º → tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do 
matrimônio a lei do primeiro domicílio conjugal. 
§4º → o regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que 
tiverem os nubentes domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro domicílio 
conjugal. 
§5º → o estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa 
anuência de seu cônjuge, requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de 
naturalização, se apostile ao mesmo a adoção do regime de comunhão parcial de 
bens,respeitados os direitos de terceiros e dada esta adoção ao competente 
registro. 
§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem 
brasileiros, só será reconhecido no Brasil depois de 1 (um) ano da data da sentença, 
salvo se houver sido antecedida de separação judicial por igual prazo, caso em que 
a homologação produzirá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas 
para a eficácia das sentenças estrangeiras no país. O Superior Tribunal de Justiça, 
na forma de seu regimento interno, poderá reexaminar, a requerimento do 
interessado, decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças 
estrangeiras de divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir todos os 
efeitos legais. (Redação dada pela Lei nº 12.036, de 2009). 
§7º → salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao 
outro cônjuge e aos filhos não emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes 
sob sua guarda. 
§8º → quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de 
sua residência ou naquele em que se encontre. 
 Nestes sete casos, teremos a aplicação do estatuto pessoal, hipótese na qual será aplicada a lei 
estrangeira, qual seja, a lei do domicílio do interessado. 
 Mas a aplicação do estatuto pessoal pressupõe a filtragem interna ou filtragem constitucional. Essa 
é uma necessidade para o respeito da soberania do Estado. Sendo assim, só se pode aplicar uma lei 
estrangeira ao território nacional se ela passar pelo crivo constitucional, pois poderia até mesmo atentar 
contra a soberania nacional se assim não fosse. 
Exemplo: o árabe não pode casar mais de 1 vez no Brasil ainda que no seu país de origem se admita 3 
casamentos. 
 Existem 3 casos em que a LINDB admite a aplicação da lei estrangeira sem a aplicação do estatuto 
pessoal, ou seja, a aplicação da lei estrangeira tem regra especifica que não obedece o domicilio do 
interessado. 
 1- conflito sobre bens imóveis: aplica-se a lei do lugar em que está situado o imóvel. 
Exemplo: juiz na fronteira do Brasil com Uruguai, que vai julgar uma execução hipotecária e é um bem 
que está no Uruguai, julgando a execução com base na lei uruguaia, pois é local e que está o imóvel. 
 
 
NCPC/2015 Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de 
qualquer outra: 
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; 
 2- lei sucessória mais benéfica ao cônjuge ou aos filhos. 
Exemplo: estrangeiro que faleceu deixando bens no Brasil. Estes bens situados no Brasil só podem ser 
partilhados pela Justiça Brasileira. Como Portugal tem leis mais favoráveis no Direito Sucessório, utilizar-
se-á a lei portuguesa, e assim seria se fosse mexicano. 
 3- lugar da obrigação: no caso de contratos internacionais se aplica a lei de residência do 
proponente. 
Art. 9º, §2º, LINDB → a obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no 
lugar em que RESIDIR o proponente. 
Já em relação aos contratos internos aplica-se a lei do lugar onde foi feita a proposta. 
Art. 435, CC → reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi PROPOSTO. 
 A decisão judicial estrangeira, a carta rogatória ou laudo arbitral estrangeiro também podem ser 
cumpridos no Brasil desde que se submetam a homologação no STJ. Assim, essas medidas, para que 
sejam cumpridos no Brasil, pressupõem o exequatur do STJ, que irá determinar o cumprimento delas no 
Brasil. E uma vez homologado pelo STJ, o cumprimento das medidas será feito por um juiz federal de 1º 
grau. 
 Para que o STJ homologue a decisão judicial estrangeira, a carta rogatória ou o laudo arbitral 
estrangeiro, é preciso que estejam presentes três requisitos: 
 a) prova do trânsito em julgado. 
Súmula 420, STF → não se homologa sentença proferida no estrangeiro sem prova 
do trânsito em julgado. 
 b) filtragem constitucional: só podem ser cumpridas as sentenças que sejam compatíveis com o 
 nosso ordenamento jurídico. 
 c) cumprimento das formalidades processuais dos artigos 483 e 484 do CPC 963 do NCPC, dentre 
as quais se encontra a necessidade de ouvida do MP. 
Art. 15, LINDB → será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que 
reúna os seguintes requisitos: 
a) haver sido proferida por juiz competente; 
b) terem sido os partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia; 
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a 
execução no lugar em que foi proferida; 
d) estar traduzida por intérprete autorizado; 
e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal (hoje se leia STJ). 
NCPC/2015 Art. 963. Constituem requisitos indispensáveis à homologação da 
decisão: 
I - ser proferida por autoridade competente; 
 
 
II - ser precedida de citação regular, ainda que verificada a revelia; 
III - ser eficaz no país em que foi proferida; 
IV - não ofender a coisa julgada brasileira; 
V - estar acompanhada de tradução oficial, salvo disposição que a dispense prevista 
em tratado; 
VI - não conter manifesta ofensa à ordem pública. 
Parágrafo único. Para a concessão do exequatur às cartas rogatórias, observar-se-
ão os pressupostos previstos no caput deste artigo e no art. 962, § 2o. 
 O STJ poderá homologar essas medidas de forma monocrática; somente a denegação da 
homologação que não pode ser feita de forma monocrática. 
 Dispensa de Homologação: o parágrafo único do art. 15 da LINDB estabelece que está 
dispensada a homologação do STJ para as sentenças e decisões meramente declaratórias de estado 
das pessoas. Exemplo: investigação de paternidade. 
Art. 15, §único, LINDB → não dependem de homologação as sentenças meramente 
declaratórias do estado das pessoas. 
 No entanto, o STF, a partir do julgamento da Petição Avulsa nº 11 de relatoria do Ministro Celso 
de Mello (Informativo 112), entendeu que esse dispositivo não teria sido recepcionado, sendo 
revogado pelos arts. 483 e 484, ambos do CPC. Isso porque estes dispositivos processuais estabelecem 
que toda e qualquer decisão estrangeira depende de homologação do STJ, inclusive as decisões 
declaratórias do estado das pessoas. Acredito que tenha perdido o sentido com o NCPC. 
 Ressalta-se que, com o NCPC, a sentença estrangeira de divórcio consensual produzirá efeitos 
no Brasil, independentemente, da homologação pelo STJ. 
Art. 961, § 5o A sentença estrangeira de divórcio consensual produz efeitos no 
Brasil, independentemente de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça. 
 Ademais, como novidade, o NCPC afirma que, após a concessão do exequatur à carta rogatória 
pelo Superior Tribunal de Justiça – decisão estrangeira não definitiva pode ser executada no Brasil por 
carta rogatória sem necessidade de homologação pelo STJ. 
Art. 962. É passível de execução a decisão estrangeira concessiva de medida de 
urgência. 
§ 1o A execução no Brasil de decisão interlocutória estrangeira concessiva de 
medida de urgência dar-se-á por carta rogatória. 
§ 2o A medida de urgência concedida sem audiência do réu poderá ser executada, 
desde que garantido o contraditório em momento posterior. 
§ 3o O juízo sobre a urgência da medida compete exclusivamente à autoridade 
jurisdicional prolatora da decisão estrangeira. 
§ 4o Quando dispensada a homologação para que a sentença estrangeira produza 
efeitos no Brasil, a decisão concessiva de medida de urgência dependerá, para 
produzir efeitos, de ter sua validade expressamente reconhecida pelo juiz 
competente para dar-lhe cumprimento, dispensada a homologação pelo Superior 
Tribunal de Justiça. 
 
 
O NCPC/2015 traz um capítulo próprio acerca da homologação de sentença estrangeira. 
3. ANTINOMIAS JURÍDICAS OU LACUNAS DE COLISÃO 
 Antinomiaé a presença de duas normas conflitantes, válidas e emanadas de autoridade 
competente, sem que se possa dizer qual delas merecerá aplicação em determinado caso concreto. 
3.1. CRITÉRIOS BÁSICOS DE SOLUÇÃO DOS CHOQUES ENTRE NORMAS 
3.1.1. Critério Cronológico 
Norma posterior prevalece sobre a anterior. 
3.1.2. Critério da Especialidade 
Norma especial prevalece sobre a geral. 
3.1.3. Critério Hierárquico 
Norma superior prevalece sobre a inferior. 
 O critério cronológico é o mais fraco, após, vem o da especialidade e o da hierarquia é o mais 
forte, ante a importância do texto constitucional. 
3.2. CLASSIFICAÇÃO DAS ANTINOMIAS 
3.2.1. Antinomia de 1º Grau 
 Conflito entre normas que envolve apenas UM dos critérios acima expostos. 
3.2.2. Antinomia de 2º Grau 
 Choque de normas válidas que envolve DOIS dos critérios analisados, ou, quando não houver a 
possibilidade de solucionar um conflito pelos critérios acima, haverá uma antinomia de 2º grau. 
3.2.3. Antinomia Aparente 
 É aquela que pode ser resolvida pelos critérios da especialidade, hierarquia e cronológico. Quando 
a própria lei tiver critério para a solução do conflito. 
3.2.4. Antinomia Real 
 Não pode ser resolvida pelos critérios acima. Não houver na lei critério para a solução do conflito. 
3.3. ANTINOMIAS DE 2º GRAU 
3.3.1. Norma especial e anterior X norma geral posterior (especialidade x cronológico) 
Prevalece a primeira, em razão da especialidade. 
3.3.2. Norma superior anterior X norma inferior posterior (hierárquico x cronológico) 
Prevalece a primeira, pela hierarquia. 
3.3.3. Norma geral superior X norma especial inferior (hierárquico x especialidade) 
 
 
 Não há uma metarregra geral de solução aqui, sendo esta, portanto, uma antinomia real, segundo 
Maria Helena Diniz, podendo-se preferir para a solução do conflito qualquer um dos critérios. Todavia, 
para Bobbio, deve prevalecer a lei superior. 
 Para defender a aplicação da lei especial, deve-se lembrar do princípio da isonomia, consagrado 
no art. 5º, CF, pelo qual a lei deve tratar de maneira igual os iguais, e de maneira desigual os desiguais. 
Na parte destacada está o critério da especialidade, que, por isso, pode fazer frente ao da hierarquia. 
ANTINOMIA 
Aparente Real 
Quando o conflito normativo puder ser 
resolvido pelos critérios hierárquico 
cronológico ou da especialidade 
Ocorre quando não é possível resolver o conflito 
de normas pelos critérios tradicionais. É a 
antinomia de segundo grau 
Antinomia de 1ºGrau Antinomia de 2º Grau 
É o mesmo que antinomia aparente É a antinomia que não pode ser resolvidas 
pelos critérios tradicionais. Nesse caso, diz-se 
que a antinomia é de 2º, pois que um conflito de 
normas, tem mesmo um conflito entre os 
critérios de resolução da antinomia. Nesse 
caso, a doutrina aponta os meta critérios de 
resolução de antinomias: 
a) Hierárquico x cronológico: prevalece o 
hierárquico 
) Especialidade x Cronológico: prevalece 
especialidade. 
c) Hierárquico x especialidade: deverá ser 
decidido à luz da situação concreta. 
4. FONTES DO DIREITO 
Sílvio de Salvo Venosa, Flávio Tartuce e Silvio Rodrigues. 
4.1. INTRODUÇÃO 
No sentido que interessa a esse estudo, a expressão “fontes do direito” está relacionada ao 
aspecto de fonte criadora do direito, servindo para demonstrar suas formas de expressão. 
De início, cabe destacar que a doutrina é bastante divergente no que tange à classificação das 
fontes do direito, apresentando-se, no presente resumo, algumas das várias classificações propostas. 
Para VENOSA, as fontes diretas são as que, de per si, têm força suficiente para gerar a regra 
jurídica. Segundo o autor, para a doutrina tradicional, as fontes diretas também podem ser denominadas 
fontes imediatas ou primárias e, para a maioria dos doutrinadores, nessa classificação enquadram-se 
a lei e o costume. 
Ao lado dessas, estão as fontes mediatas ou secundárias, que não têm a força das primeiras, 
mas esclarecem os espíritos dos aplicadores da lei e servem de precioso substrato para a compreensão 
e aplicação global do Direito. Como exemplos dessas fontes, podem ser citadas, sem unanimidade entre 
os juristas, a doutrina, a jurisprudência, a analogia, os princípios gerais de Direito e a equidade. 
 
 
Já para TARTUCE, em uma visão civilista clássica, as fontes formais, diretas ou imediatas são 
constituídas pela lei, pela analogia, pelos costumes e pelos princípios gerais de direito, referidos no 
art. 4ª da Lei de Introdução. São fontes independentes que derivam da própria lei, bastando por si para a 
existência ou manifestação do direito. Para esse doutrinador, a LEI constitui fonte formal, direta ou 
imediata primária, enquanto as demais fontes referidas são formais, diretas ou imediatas secundárias. 
A lei, como fonte formal primária, é a principal fonte em nosso ordenamento, já que o Direito 
Brasileiro sempre foi filiado à escola da Civil Law, de origem romano-germânica. Apesar da tendência de 
valorização dos precedentes jurisprudenciais, introduzida principalmente através das súmulas 
vinculantes, é certo que as súmulas não têm a mesma força das leis, de forma que nosso sistema 
permanece essencialmente legal. 
As fontes não formais, indiretas ou mediatas, na visão desse autor, são constituídas pela 
doutrina e pela jurisprudência, que não geram por si só a regra jurídica, mas acabam contribuindo para 
a sua elaboração. Tais institutos não constam da lei, de forma expressa, como fontes do direito. 
Alguns autores, porém, a exemplo de MARIA HELENA DINIZ, entendem que doutrina e 
jurisprudência podem ser consideradas partes integrantes do costume, constituindo também fontes 
formais, diretas ou imediatas secundárias do direito, desde que reconhecida a sua utilização pela 
comunidade jurídica em geral. 
TARTUCE entende, ainda, que a equidade, a justiça do caso concreto, também é fonte não 
formal, indireta ou mediata, assim como a doutrina e a jurisprudência. 
4.2. LEI 
 Lei é uma regra geral que, emanando de autoridade competente, é imposta, coativamente, à 
obediência de todos (CLÓVIS BEVILÁQUA). É a norma imposta pelo Estado, devendo ser obedecida, 
assumindo forma imperativa (TARTUCE). Prevista a lei para um caso concreto, merece esta aplicação 
direta, conhecida como subsunção, conceituada como sendo a incidência imediata ou direta de uma 
norma jurídica. 
 A lei, como fonte principal do Direito, tem as seguintes características básicas: generalidade 
(dirige-se a todos os cidadãos, tendo eficácia erga omnes), imperatividade (é um imperativo, impondo 
deveres e condutas), permanência (perdura até que seja revogada por outra ou perca a eficácia), 
competência (deve emanar de autoridade competente, com o respeito ao processo de elaboração) e 
autorizamento (a norma autoriza ou desautoriza determinada conduta). 
No que tange à classificação das leis, a mais relevante delas é a que considera sua força 
obrigatória. As normas cogentes (ou de ordem pública) são aquelas que atendem mais diretamente ao 
interesse geral, merecendo aplicação obrigatória, eis que são dotadas de imperatividade absoluta. As 
partes não podem, mediante convenção, ilidir a incidência de uma norma cogente. Exemplo: normas 
relacionadas com os direitos da personalidade (arts. 11 a 21 do CC), com os direitos pessoais de família, 
com a nulidade absoluta dos negócios jurídicos e com a função social da propriedade e dos contratos 
(art. 2.035, parágrafo único, CC). Já as normas dispositivas (também chamadas supletivas, 
interpretativas ou de ordem privada) são aquelas que interessam somente aos particulares, podendo ser 
afastadas por disposição de vontade. Tais normas funcionam no silêncio dos contratantes,suprindo a 
manifestação de vontade porventura faltante. Exemplo: normas que dizem respeito ao condomínio, ao 
regime de bens do casamento e à anulabilidade de um negócio jurídico. 
4.3. COSTUMES 
 
 
 Os costumes podem ser conceituados como sendo as práticas e usos reiterados, com conteúdo 
lícito e relevância jurídica. Formam-se eles paulatinamente, de forma quase imperceptível, até o momento 
em que aquela prática reiterada é tida por obrigatória. Note-se que nem todo uso é costume, já que o 
costume é um uso considerado juridicamente obrigatório. Para tanto, exige-se que o costume seja 
geral, ou seja, largamente disseminado no meio social, ainda que setorizado numa parcela da sociedade. 
Exige-se, ainda, que o costume tenha certo lapso de tempo, pois deve constituir-se em hábito arraigado, 
bem estabelecido. Por fim, o costume deve ser constante, repetitivo na parcela da sociedade que o utiliza. 
 Para converter-se em fonte do direito, dois requisitos são imprescindíveis: um de ordem objetiva 
(o uso, a exterioridade do instituto), outro de ordem subjetiva (a consciência coletiva de que aquela prática 
é obrigatória). É este último aspecto que distingue o costume de outras práticas reiteradas, de ordem 
moral ou religiosa, ou de simples hábitos sociais. 
 Exemplos de utilização do costume como fonte subsidiária de interpretação no CC/02: arts. 569, 
II; 596; 599; 615; 965, I; 1297, § 1º. 
 
Art. 569. O locatário é obrigado: 
II - a pagar pontualmente o aluguel nos prazos ajustados, e, em falta de ajuste, 
segundo o costume do lugar; 
Art. 599. Não havendo prazo estipulado, nem se podendo inferir da natureza do 
contrato, ou do costume do lugar, qualquer das partes, a seu arbítrio, mediante 
prévio aviso, pode resolver o contrato. 
Art. 615. Concluída a obra de acordo com o ajuste, ou o costume do lugar, o dono 
é obrigado a recebê-la. Poderá, porém, rejeitá-la, se o empreiteiro se afastou das 
instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas em trabalhos de 
tal natureza. 
Art. 965. Goza de privilégio geral, na ordem seguinte, sobre os bens do devedor: 
I - o crédito por despesa de seu funeral, feito segundo a condição do morto e o 
costume do lugar; 
Art. 1.297. O proprietário tem direito a cercar, murar, valar ou tapar de qualquer 
modo o seu prédio, urbano ou rural, e pode constranger o seu confinante a proceder 
com ele à demarcação entre os dois prédios, a aviventar rumos apagados e a 
renovar marcos destruídos ou arruinados, repartindo-se proporcionalmente entre os 
interessados as respectivas despesas. 
§ 1o Os intervalos, muros, cercas e os tapumes divisórios, tais como sebes vivas, 
cercas de arame ou de madeira, valas ou banquetas, presumem-se, até prova em 
contrário, pertencer a ambos os proprietários confinantes, sendo estes obrigados, 
de conformidade com os costumes da localidade, a concorrer, em partes iguais, 
para as despesas de sua construção e conservação. 
 Os costumem podem ser secundum legem (há referência expressa aos costumes no texto legal, 
razão pela qual não se fala em integração, mas sim em subsunção, eis que a própria norma jurídica é 
aplicada), praeter legem (costume integrativo, serve para preencher lacunas quando a lei for omissa) ou 
contra legem (opõe-se ao dispositivo de uma lei e, para a maioria dos doutrinadores, não pode ser 
admitido, por gerar a instabilidade do sistema). 
 
 
Mesmo aqueles que admitem o costume ab-rogatório procedem em caráter de exceção. Clóvis 
Beviláqua afirma que o costume contra legem seria inconveniente por tirar do aparelho jurídico a 
supremacia da lei e a certeza das prescrições legais, mas conclui que “se o legislador for imprevidente 
em desenvolver a legislação nacional de harmonia com as transformações econômicas, intelectuais e 
morais operadas no país, casos excepcionais haverá em que, apesar da declaração peremptória da 
ineficácia ab-rogatória do costume, este prevaleça CONTRA LEGEM, porque a desídia ou a incapacidade 
do poder legislativo determinou um regresso parcial da sociedade da época, em que o costume exercia, 
em sua plenitude, a função de revelar o direito, e porque as forças vivas da nação se divorciam, nesse 
caso, das normas estabelecidas na lei escrita”. 
4.4. ANALOGIA 
 Trata-se de um processo de raciocínio lógico pelo qual o juiz estende um preceito legal a casos 
não diretamente compreendidos na descrição legal. O juiz pesquisa a vontade da lei, para transportá-
la aos casos que a letra do texto não havia compreendido. Para que tenha cabimento, portanto, é 
necessária uma omissão no ordenamento. 
 A analogia pode se operar de duas formas: legal ou legis (o aplicador do Direito busca uma norma 
que se aplica a casos semelhantes) ou jurídica ou iuris (não encontrando um texto semelhante para 
aplicar ao caso em exame, o juiz tenta extrair do pensamento dominante em um conjunto de normas uma 
conclusão particular para o caso). 
4.5. PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO 
 Não há consenso, na doutrina, sobre o que seriam os “princípios gerais de direito”. Para SILVIO 
RODRIGUES, trata-se das normas que orientam o legislador na elaboração da sistemática jurídica, 
ou seja, aqueles princípios que, baseados na observação sociológica e tendo por escopo regular os 
interesses conflitantes, impõem-se, inexoravelmente, como uma necessidade da vida do homem em 
sociedade. Para MARIA HELENA DINIZ, os princípios são cânones que não foram ditados, 
explicitamente, pelo elaborador da norma, mas que estão contidos de forma imanente no 
ordenamento jurídico. Já para NELSON NERY JR, trata-se de regras de conduta que não se encontram 
positivadas no sistema normativo, mas norteiam o juiz na interpretação da norma, do ato ou do 
negócio jurídico. 
 Exemplos de princípios gerais implícitos em nosso sistema: “ninguém pode valer-se da própria 
torpeza” e “a boa-fé se presume”. 
4.6. DOUTRINA 
 É o trabalho dos juristas, dos estudiosos do Direito. Há discussão a respeito de considerá-las ou 
não fonte do direito. Hoje, a doutrina não é tão utilizada ou tão citada nas decisões quanto antes de nossa 
codificação ou em seus primórdios. Porém, não restam dúvidas de que na doutrina o Direito inspira-se, 
ora aclarando textos, ora sugerindo reformas, ora importando institutos. 
4.7. JURISPRUDÊNCIA 
 É o conjunto de decisões dos tribunais, ou uma série de decisões similares sobre uma mesma 
matéria. Pode ser considerada o próprio “direito ao vivo”, cabendo-lhe o papel de preencher lacunas do 
ordenamento nos casos concretos. 
Embora os julgados não tenham força vinculativa, é inegável que um conjunto de decisões sobre 
uma matéria, no mesmo sentido, influa na mente do julgador, que tende a julgar de igual maneira. Outro 
aspecto importante é que a jurisprudência orienta o legislador, quando procura dar coloração diversa à 
interpretação de uma norma, ou quando preenche uma lacuna. Cumpre à jurisprudência, ainda, atualizar 
 
 
o entendimento da lei, dando-lhe uma interpretação atual, que atenda às necessidades do momento do 
julgamento. Por isso, trata-se de instituto dinâmico. 
4.8. EQUIDADE 
 Pode ser conceituada como sendo o uso do bom-senso, a justiça do caso particular, mediante 
a adaptação razoável da lei ao caso concreto. Segundo o art. 127 do CPC 140, parágrafo único do NCPC, 
o juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei. 
NCPC/2015 Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou 
obscuridade do ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei. 
Na visão clássica do Direito Civil, a equidade era tratada não como um meio de suprir a lacuna da 
lei, mas sim como um mero meio de auxiliar nessa missão. Todavia, entendeTARTUCE que, no sistema 
contemporâneo privado, a equidade deve ser considerada fonte informal ou indireta do direito. Isso porque 
o CC/02 adota um sistema de cláusulas gerais, pelo qual o aplicador do Direito, por diversas vezes, é 
convocado a preencher “janelas abertas” deixadas pelo legislador, de acordo com a equidade, o bom 
senso. 
 
INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL 
*Cristiano Chaves 
1. HISTÓRICO DO DIREITO CIVIL NO MUNDO 
Direito romano: origens no direito romano. Entretanto a estruturação não se deu no direito romano, 
foi bem depois dele. No direito romano não existia direito civil concebido como é hoje. Tínhamos o direito 
civil e todo o resto era penal. E consequentemente o direito civil era o tudo e o nada. 
1804 - “Code de France”. Código Napoleão. 
Auge da revolução francesa. Ascensão da burguesia, que pregava o liberalismo econômico e o fim 
do absolutismo estatal. Surge um novo Código Civil, atendendo esses novos anseios e afirmando a 
propriedade privada. 
Até então, o Direito Civil ainda correspondia a TUDO que não era Direito Penal. Foi com o Código 
Francês que houve a primeira divisão entre o Direito Público e Privado. 
Distinção entre Codificação e figuras afins 
Compilação: Mero agrupamento de normas já existentes sobre determinada matéria, em ordem 
cronológica. 
Consolidação: Agrupamento de normas já existentes, não em ordem cronológica, mas sim de 
forma sistematizada. Ex: CLT. 
Codificação: Elaboração de uma nova norma para disciplinar uma determinada matéria. Assim, as 
normas devem estar todas em torno de valores comuns. Isso é uma peculiaridade das codificações. 
A grande diferença é que a codificação é valorativa. 
 
 
Quais foram os valores do Code de France? 
Era um Código individualista (autonomia da vontade – pacta sunt servanda) e patrimonialista. 
Era preciso garantir a propriedade privada e garantir os interesses do indivíduo contra o absolutismo 
estatal. 
1896 - “BGB”. Código Alemão. 
Seguiu, em linhas gerais, os mesmos traços do Code de France (mesmos ideais). 
A divisão entre o público/privado se acentuou de tal modo que poderia ser comparada a um jardim 
(faço o que eu quero, o que a lei não proíbe – estado sai do direito civil) e uma praça (só faço o que a lei 
permite). 
Esses foram os dois grandes Códigos da Era Moderna. O direito moderno se constrói arquitetado 
nas experiências francesas e alemãs. O grande mérito do código francês e do código alemão foi afastar 
o estado das relações privadas. Este é o momento em que vislumbramos a divisão do direito civil em 
público e privado, onde estava o particular o estado não poderia estar, ele se mantinha distante por uma 
necessidade histórica. 
2. HISTÓRICO DO DIREITO CIVIL BRASILEIRO 
No Brasil, a primeira manifestação de direito civil foi com a Constituição Imperial de 1824, que em 
seu art. 179, XVIII dizia que o quanto antes deveria ser organizado um Código Civil e um Código Criminal. 
1855 - Somente em 1855 contrataram alguém para elaborar o Código Civil. Era o baiano Teixeira 
de Freitas, que elaborou o ‘Esboço do Código Civil’. Finalizou o Esboço em 1862 (4.908 artigos unificando 
direito civil e comercial) e apresentou à Comissão revisora. No entanto, os debates eram tão estéreis que 
Teixeira de Freitas queixou-se a Nabuco de Araújo, dizendo que, a prosseguir naquela marcha, nem em 
cem anos o trabalho seria concluído, e sequer o Esboço seria convertido em Código Civil. Apresentou o 
projeto que não foi aceito, eis que havia inúmeros avanços para época (tutela do nascituro, dissolução do 
casamento...). Teixeira acabou renunciando à tarefa, devolveu o dinheiro recebido e o Esboço não se 
converteu em projeto de lei. Acabou sendo aproveitado pela Argentina (pelas mãos de Vélez Sarsfield). 
Hoje um dos países mais avançados em termos de direito privado. 
1899 - Em abril de 1899 é contratado Clóvis Beviláqua para elaboração de um Código Civil. Em oito 
meses apresentou seu projeto (outubro de 1899). Foi levado ao Congresso, vindo a ser aprovado somente 
em 1916. 
1916 - O CC/16 foi permeado nos mesmos valores dos Códigos que o inspiraram, quais sejam, os 
Códigos Francês e Alemão. Por isso, foi um Código individualista e patrimonialista. 
Sílvio Rodrigues dá um exemplo do caráter patrimonialista do CC/16 através do instituto da tutela, 
que significa em linhas gerais a colocação de um menor órfão em família substituta. Dos 24 artigos 
dedicados à tutela, 23 cuidavam do patrimônio do tutelado, um tratava do tutor e nenhum tratava da 
pessoa do tutelado. 
Outro exemplo: O CC/16 dizia que todo descumprimento de obrigação gerava perdas e danos. 
Quando o CC/16 entrou em vigor, o direito civil desejava que toda e qualquer disciplina estivesse 
no código. Desejava-se também que a CR não trouxesse nada de direito civil, apenas direito 
público. Por isso, denomina-se a CR de Carta Política e o CC de Constituição do Direito Civil. 
O CC/16 manteve-se incólume por seis (6) Constituições. 
 
 
Décadas de 40/50/60 - Microssistemas jurídicos. Descobriu-se que o CC não podia regular todas 
as relações privadas. A cada dia surgiam novos conflitos que o Código Ignorava. 
Os microssistemas eram normas de caráter complementar, que vinham a suprir a falta de previsão 
do CC. Eram exemplos: Código de Águas, Código de Minas, Lei de Condomínios etc. 
Todos esses microssistemas mantinham os mesmos valores do CC/16 (patrimonialismo e 
individualismo). Não havia nesse momento a necessidade de proteção da pessoa. Eram projeções do 
CC, com a mesma sistemática. 
Estamos aqui no ápice da divisão entre o Direito Público e Privado. 
 
O Direito Civil tinha como norma maior o CC, pois as Constituições eram neutras e indiferentes ao 
Direito Civil. 
Daí os apelidos: 
a) O Código Civil era chamado de Constituição do Direito Privado. 
b) As Constituições eram apelidadas de Cartas Políticas, pois se restringiam à organização 
política a administrativa do Estado. 
O CC/16 era uma Lei Ordinária, que sobreviveu a Seis Diferentes Constituições. Por quê? Porque 
a matéria do CC nunca foi tratada em nenhuma Constituição. 
Eram tantos microssistemas que o código ficou obsoleto. 
Orlando Gomes: “o CC perdeu sua generalidade e completude para o direito privado; jamais o 
Código conseguirá recuperar a primazia do direito civil. Somente uma norma hierarquicamente superior 
conseguirá reunificar o direito civil”. 
CF/1988 - Constitucionalização do Direito Civil. Publicização do Direito Civil. Direito Civil 
Constitucional. 
A CF resolveu chamar para si a responsabilidade de tratar do Direito Público e Privado. Esse 
movimento nada mais é que o movimento migratório. O centro de sistema do Direito Civil migrou da Norma 
Codificada para a CF, passando tanto o CC como todas as normas esparsas de direito privado a se 
submeter à regência da CF. 
“A fonte primária do direito civil deixou de ser o CC e passou a ser a Constituição.” 
Toda a estrutura do Direito Civil foi parar na Constituição. Constitucionalização do Direito Civil: 
o CC vai ser interpretado conforme a CR e não o inverso. 
Voltando ao histórico. O novo texto constitucional estava em colisão com o CC/16, visto que trazia 
agora valores mais humanísticos e menos patrimoniais (A CR preocupa-se com o ser, enquanto o CC/16 
preocupava-se com o ter). 
Enquanto o CC/16 era egoísta, patriarcal e autoritário, a CRFB despontava com a sua chamada 
tábua axiológica de valores: 
• Dignidade da pessoa humana. 
• Solidariedade social e erradicação da pobreza 
 
 
• Liberdade 
• Igualdade substancial 
Revolução francesa? Liberdade, igualdade e fraternidade direcionadas à pessoa humana. É um 
“revival” da revolução, agora direcionadas à dignidade da pessoahumana. 
Estes valores formam o que o professores de direito penal chamam de garantismo constitucional, 
que nada mais é do que uma tábua de valores indeclináveis. Este garantismo constitucional é aplicado 
não somente ao direito público, mas também nas relações entre particulares. O que acontece, é que o 
CC/16 estava em rota de colisão com os valores constitucionais, sendo assim, ele deveria ser afastado. 
 
De acordo com a leitura sistemática destes valores, chega-se à conclusão de que devem caber 
alimentos nas relações homoafetivas. Questão da AGU: inclusão de dependente homossexual em 
pensão. 
Emenda 66/10. 
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. 
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. (Redação dada Pela 
Emenda Constitucional nº 66, de 2010) 
Não importa o que diga no CC. A interpretação é feita da CFB para o CC. 
CC/2002: Para tentar harmonizar o Direito Privado com a CR, criou-se o NCC, baseado em novos 
valores: Socialidade (função social do contrato-421 e da propriedade-1228), Eticidade (boa-fé 
objetiva), Operabilidade e Sistematicidade. 
3. VALORES QUE PERMEIAM O CÓDIGO CIVIL DE 2002 
3.1. SOCIALIDADE 
O CC/16 era individualista, preocupava-se com a tutela individual da pessoa, o CC/02 preocupa-
se com a impactação coletiva no exercício de direitos. Quando um titular exercita um direito, de que forma 
isso se impacta sobre a coletividade. Socialidade é a antítese do individualismo. Exemplo: art. 421 – 
função social do contrato, 1228 – função social da propriedade, 1511 - função social da família.  Nenhum 
exercício de direitos deve prejudicar a coletividade. 
Aplicação da função social. 
A socialidade apresenta dois novos conceitos: terceiro ofensor e terceiro ofendido. Pois é possível 
falar que um terceiro prejudica uma relação jurídica alheia. 
Zeca Pagodinho e Schin: a Schin é exemplo do terceiro ofensor  Aliciamento do prestador de 
serviços. Lembrar aqui da tutela externa do crédito, eficácia externa dos contratos. Ver contratos. 
Art. 608. Aquele que aliciar pessoas obrigadas em contrato escrito a prestar serviço 
a outrem pagará a este a importância que ao prestador de serviço, pelo ajuste 
desfeito, houvesse de caber durante dois anos. 
Súmula 308: contrato de hipoteca celebrado entre construtora e banco e não pode prejudicar os 
adquirentes. Exemplo do terceiro ofendido. Caso Encol. 
 
 
STJ Súmula nº 308 - A hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro, 
anterior ou posterior à celebração da promessa de compra e venda, não tem eficácia 
perante os adquirentes do imóvel. 
3.2. ETICIDADE 
Aplicação do princípio da confiança. Treu und glauben. Nada mais é do que a preocupação com 
a ética no exercício de um direito, ou seja, de que maneira o titular exerce o seu direito, estabelecimento 
de limites, nem tudo o que se quer é possível. 
Exemplo: 422 – boa-fé objetiva. Art. 745. 
Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, 
como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. 
Art. 745. Em caso de informação inexata ou falsa descrição no documento a que 
se refere o artigo antecedente, será o transportador indenizado pelo prejuízo que 
sofrer, devendo a ação respectiva ser ajuizada no prazo de cento e vinte dias, a 
contar daquele ato, sob pena de decadência. 
Decadência? O CC se equivoca. O prazo é prescricional. 
“Substancial performance, adimplemento substancial ou adimplemento mínimo”: criação do 
STJ de aplicação de eticidade nas relações contratuais. Leasing, alienação fiduciária... Ver Contratos. 
Se o inadimplemento foi mínimo, não cabe rescisão contratual. 
Para esta teoria, a luz do princípio da boa-fé, não se considera razoável resolver a obrigação, 
quando a prestação, posto não adimplida de forma perfeita, fora substancialmente atendida. 
Veja bem: não pode rescindir o contrato, mas o banco tem direito de exigir o cumprimento do 
contrato, executar o devedor. Não é ético requerer a rescisão com seus efeitos drásticos. 
3.3. OPERABILIDADE 
Aplicação com facilidade do Direito Civil. Todos os direitos garantidos no Código Civil devem ser 
facilmente compreendidos, o titular deve entender com facilidade quais são os seus direitos, o sistema 
deve ser facilmente operável, deve-se evitar expressões difíceis, conceitos complexos. 
Exemplo: 189 – diferença entre prescrição e decadência. 
Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela 
prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. 
Mais uma vez, busca-se o afastamento dos parâmetros liberais que nortearam o CC/16. Sob 
aquela perspectiva, os indivíduos não eram tratados em suas especificidades, mas sim apresentavam 
uma igualdade formal, que não levava em conta as características de cada um. Eram tratados de acordo 
com a posição jurídica em que se encontrassem (proprietário, contratante, cônjuge), de forma neutra. 
Eram apenas sujeitos de direitos patrimoniais. 
Não havia uma preocupação com a pessoa humana em si, mas apenas com a expansão de seu 
patrimônio. 
O CC/02 adota outro parâmetro de valoração. O ser humano passa a ocupar o centro do 
ordenamento jurídico constitucional. Assim, a análise passa a ser do indivíduo concreto e de suas 
especificidades, afastando-se da ideia liberal do código anterior que analisa o sujeito sob ponto de vista 
abstrato. 
 
 
A pessoa passa a ser realmente a destinatário direto da norma. A sentença precisa dar a pessoa 
o que é seu e para isso precisa analisar as desigualdades materiais e o contexto real da pessoa, pois 
somente assim é que se obtém a norma do caso concreto e é ela quem proporciona segurança jurídica 
ao jurisdicionado. 
Preocupado com uma maior efetividade na aplicação de suas normas, o legislador do CC/02 
abandona o preciosismo gramatical do CC/16. Afasta-se das conceituações estéreis, para trabalhar com 
modelos abertos e mutáveis, de modo que o direito não fique mais no campo das abstrações, mas seja 
executado com praticidade e efetividade. Deixa-se de trabalhar com o critério da subsunção, em que o 
caso concreto tinha de se adequar inteiramente à norma. 
Esses três paradigmas/diretrizes/vetores estruturantes (socialidade, eticidade e a operabilidade) 
estão na exposição de motivos do CC/02 por Miguel Reale. 
O CC é uma lei que regula as relações privadas, interesses privados. Com estes novos paradigmas, 
o CC se torna, não raro uma lei protetiva, mas não podemos esquecer que no direito privado há outras 
leis que são exclusivamente protetivas. Algumas destas leis são anteriores ao CC/02 muitas vezes, 
também não raro, o CC é mais protetivo que a lei especial. A essa relação chama-se diálogo das fontes. 
3.3.1. Atenção: Conceito aberto X Cláusula geral 
Um conceito aberto traduz simplesmente um PRECEITO NORMATIVO VAGO ou indeterminado 
a ser preenchido pelo juiz no caso concreto, mas que já tem suas CONSEQUÊNCIAS de aplicação 
previamente estabelecidas pelo legislador. Exemplo de conceito aberto: Justa causa, atividade de risco, 
família. 
Já a cláusula geral, difere em dois sentidos: O preceito aqui precisa ser preenchido não só quanto 
ao CONTEÚDO, mas também quanto à SUA APLICAÇÃO, vale dizer, há uma maior discricionariedade 
do intérprete. Além disso, as Cláusulas gerais traduzem uma DISPOSIÇÃO NORMATIVA IMPOSITIVA 
ao magistrado. É como se a cláusula geral mandasse o juiz aplicá-la. Exemplo: Função social, boa-fé, 
devido processo legal. Existe aqui uma carga normativa maior. 
OBS: Definição de Nelson Nery Jr. 
Conceito legal indeterminado: são palavras ou expressões indicadas na lei, de conteúdo e 
extensão altamente vagos, imprecisos e genéricos, e por isso mesmo esseconceito é vago e lacunoso. 
Preenchido o conceito legal indeterminado, a solução já está estabelecida na própria norma legal, 
competindo ao juiz apenas aplicá-la, sem exercer qualquer outra função criadora. Exemplos: atividade de 
risco, para caracterizar a responsabilidade objetiva (art. 927, pú); caso de urgência (art. 251, pú); perigo 
iminente como excludente da ilicitude do ato (188, II); coisas indispensáveis à economia doméstica, que 
dispensam a autorização conjugal para serem compradas, ainda que a crédito (art. 1643, I). 
Quando o juiz torna concretos os conceitos legais indeterminados, eles passam a se chamar “conceitos 
determinados pela função”. 
Cláusulas Gerais: são normas orientadoras sob forma de diretrizes, dirigidas precipuamente ao 
juiz, vinculando-o ao mesmo tempo em que lhe dão liberdade para decidir. Distinguem-se dos conceitos 
legais indeterminados pela finalidade e eficácia, pois aqueles, uma vez diagnosticados pelo juiz no caso 
concreto, já têm a solução estabelecida na lei. Estas, ao contrário, se diagnosticadas pelo juiz, permitem-
lhe preencher os casos com valores designados para aquele caso, para que se lhe dê a solução 
que ao juiz parecer mais correta. As cláusulas gerais tem função de dar mobilidade ao sistema 
(operabilidade). Exemplos: função social do contrato como limite da autonomia privada (art. 421); as 
partes terem de contratar observando a boa-fé objetiva (art. 422). 
 
 
Há quem inclua como um dos vetores estruturantes do CC/02 a sistematicidade. 
3.4. SISTEMATICIDADE 
A respeito da estrutura do CC/02, seguiu o modelo germânico preconizado por Savigny, colocando 
as matérias em ordem metódica, dividida em Parte Geral (pessoas, bens e fatos jurídicos) e Especial. 
 
Operou-se a unificação do direito das obrigações fazendo incluir o direito de empresa. No sentir 
de Carlos Roberto Gonçalves tratou-se de inovação original, sem paralelo no Direito comparado. Assim, 
a Parte Especial acabou dividida em cinco livros: Direito das obrigações, Direito de Empresa, Direito das 
Coisas, Direito de Família e Direito das Sucessões. 
Ver abaixo “Estrutura do Direito Civil”. 
4. DIÁLOGO DAS FONTES (DIÁLOGO DE COMPLEMENTARIDADE, DIÁLOGO DE CONEXÃO) 
Abre uma exceção à aplicação do princípio da especialidade, permitindo que o CC (norma geral) 
seja aplicado quando se tornar norma mais protetiva. 
Cláudia Lima Marques: É a possibilidade de aplicar a norma geral em uma relação privada regida 
por norma especial, sempre que a norma geral for mais favorável. 
Os palcos mais iluminados para os exemplos: Direito do Consumidor e Direito do Trabalho 
(reinterpretar o art. 8º da CLT, quando ele for mais benéfico será norma primária do DT). 
Consumidor: Contrato de transporte. Tem regra no CDC e também no CC. Nesse sentido, o 
Enunciado 369 da Jornada de Direito Civil. 
JDC 369 - Diante do preceito constante no art. 732 do Código Civil, teleologicamente 
e em uma visão constitucional de unidade do sistema, quando o contrato de 
transporte constituir uma relação de consumo, aplicam-se as normas do Código de 
Defesa do Consumidor que forem mais benéficas a este. 
Outro exemplo: Prazo para propor ação edilícia no CC (art. 445). São mais elásticos que os prazos 
do CDC, logo se aplica a norma mais benéfica. 
ATENÇÃO: O afastamento da norma especial é sempre episódico, a luz do caso concreto. 
Para Cláudia Lima Marques (no Brasil) três são os tipos de “diálogo” possíveis: 
a) Diálogo sistemático de COERÊNCIA = aplicação simultânea de duas leis, sendo que uma 
serve de base conceitual para outra (o CC é a base do CDC). Para ela, o CDC não impede a 
aplicação do CC, quando este trouxer regra mais favorável ao consumidor, como é o caso dos 
prazos prescricionais. 
b) Diálogo sistemático de COMPLEMENTARIEDADE e SUBSIDIARIEDADE = consiste na 
aplicação coordenada de duas leis, uma complementando a aplicação da outra ou sendo 
aplicada de forma subsidiária. Exemplo: Temas que constam no CC e não no CDC e vice-versa. 
c) Diálogo das INFLUÊNCIAS RECÍPROCAS sistemáticas = influência do sistema geral no 
especial e vice-versa. 
*ATENÇÃO: O STJ não admite a Teoria Dos Diálogos Das Fontes, prevalecendo ainda em suas decisões 
à cisão entre o CDC e o CCB e quando aplicado este último prejudica o consumidor. 
 
 
Ver Consumidor. 
5. ESTRUTURA DO DIREITO CIVIL 
-Parte Geral: Elementos de uma relação jurídica  Sujeito (pessoas), Objeto (bens), Vínculo 
jurídico (fatos). Aqui falamos de teoria geral do direito, conceitos universais. 
Essa parte do direito civil tem aplicação universal (exemplo: contrato de trabalho deve ter objeto 
lícito, contrato administrativo deve ter agente capaz, e assim por diante). 
-Parte especial: São os diferentes campos do interesse privado. As relações sem a presença do 
Estado. A parte especial é dividida em diferentes áreas (“tríplice vértice fundante”): 
 Trânsito jurídico – circulação de riquezas. Direito obrigacional: 
o Teoria Geral das obrigações. 
o Contratos (obrigações em espécie) 
o Responsabilidade civil. 
 Titularidades – as apropriações. Direitos reais. 
 Relações de Afeto - Direito das Famílias. 
Foi a parte especial (notadamente privada) que migrou para a Constituição. O eixo fundamental do 
Direito Civil deixou de ser o CC e passou a ser a CR. 
Analogia: “Condomínio do direito civil” - a parte geral é a base, o solo. São três prédios. Na 
“cobertura” do direito obrigacional (mais protegido), está o direito do consumidor. Na “cobertura” das 
titularidades está o Estatuto da Cidade e da Terra, no das relações de afeto está o Estatuto da Criança e 
do Adolescente. 
6. CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL X PUBLICIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL 
Muitos autores usam as expressões como sinônimas. Não é correto. 
Constitucionalização do Direito Civil: Esse movimento traz consigo a ideia de que o fundamento do 
DC está na CR. É o fenômeno de um instituto eminentemente privado ir ter seu fundamento na CR. É o 
movimento migratório. É a previsão topológica. Exemplo: função social da propriedade. 
Publicização do Direito Civil: Sinônimo de dirigismo contratual. A publicização do direito civil é a 
intromissão do estado dentro de uma relação privada para reequilibrá-la, para manter o equilíbrio ou 
garantir o interesse público. Exemplo: Direito do Trabalho, Cláusulas gerais de contratos (onde o reajuste 
é feito pelo poder público), agências reguladoras. 
Obs: nada impede que no mesmo campo tenhamos uma constitucionalização + publicização do direito 
civil, dois grandes exemplos - direito do trabalho e direito do consumidor. 
*MP/MG: O direito civil está em crise? Se isso significa a mudança de referenciais, sim, vêm novos 
paradigmas advindos da CRFB, mas se crise é tomada no sentido de extinção, não, o DC não está para 
acabar ele apenas está mudando seus referenciais essa mudança passa pelo processo de 
constitucionalização das relações privadas. 
7. COLISÃO ENTRE NORMA PRIVADA E NORMA CONSTITUCIONAL 
 
 
Assim, de acordo com essa visão do direito civil conforme a CRFB, é possível falar na aplicação 
de direitos e garantias fundamentais nas relações privadas. 
A CR se aplica direto à relação privada ou essa aplicação demanda a existência de outra norma? 
No RE 2101.819/RJ, o STF aplicou pela primeira vez os direitos fundamentais em relações privadas. 
STF: uma relação privada não pode violar os direitos e garantias fundamentais. Ver Constitucional. 
O STF entendeu que a aplicação é direta e imediata. Os constitucionalistas chamam essa tese 
de “eficácia horizontal dos direitos fundamentais”. 
Outro exemplo: RE 161.243-6/DF. Caso Air France. A companhia disse que os direitos diferenciados 
se aplicariam somente aos empregados franceses. Violaçãoao princípio da isonomia, que se aplica direta 
e imediatamente às relações privadas. 
ATENÇÃO: Ao lado dessa eficácia, é bom lembrar o reconhecimento da melhor doutrina de Direito 
Constitucional que não apenas existe uma eficácia horizontal dos direitos fundamentais; vem se 
sustentando também a eficácia horizontal dos direitos sociais (art. 6º). 
Exemplo: Proibição de aumento abusivo de mensalidade nos planos de saúde (Direito à Saúde). 
STJ Súmula nº 302 - É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita 
no tempo a internação hospitalar do segurado. 
Exemplo: Impenhorabilidade do Bem de Família (Direito à moradia/família). A lei do bem de família 
8.009/90 diz expressamente que o bem de família é sempre o bem de menor valor e o que serve de lar 
da família. Entretanto, o STJ já decidiu que mesmo a casa não servindo de lar está protegida (caso onde 
o dono da casa foi transferido pela empresa e alugou a casa), pois em se tratando de direito social 
constitucional, e sendo o bem único, mesmo que o titular não resida nele, é reconhecida a 
impenhorabilidade. As pessoas que vivem sozinhas também contam com a impenhorabilidade do bem de 
família (ver Bem de Família, em Bens) 
STJ Súmula nº 364 - O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange 
também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas. 
OBS: Terreno sem edificação não é considerado bem de família, porquanto não serve à moradia. 
Como ficam, no âmbito das relações privadas, as normas oriundas de tratados 
internacionais? 
O STF no dia 03/12/2008, no RE 466.343/SP e HC 87.585 entendeu que os tratados internacionais 
podem ser incorporados ao sistema jurídico de diferentes formas. 
Tratados que não são de direitos humanos = Sede infraconstitucional, legal. Status de lei 
ordinária. Exemplo: Convenção de Varsóvia (trata de transporte aéreo). Estabelece indenização por perda 
de bagagem (ínfima). Já o CDC diz que a indenização deve ser proporcional à extensão do dano. É o 
chamado sistema de reparação integral do dano. Nessa colisão, aplica-se o CDC, pois norma especial 
(STJ REsp. 300.190). 
 Neste caso, resolve-se a relação pelo princípio da especialidade. 
Tratados de direitos humanos aprovados com quórum qualificado (3/5 em 2 turnos) = Sede 
constitucional. Status de EC. Exemplo: Convenção de Nova Iorque. Trata sobre os deficientes. Portanto, 
a norma de proteção aos deficientes tem status de norma constitucional. 
Neste caso vincula o direito civil. Subordinação hierárquica. 
 
 
 
Tratados de direitos humanos aprovados com quórum comum = Sede supralegal. Status 
supralegal. STF 03/12/08, RE 466.343/SP e HC 87.585/TO (tese de Gilmar Mendes: não preenchem 
requisito formal para ter status constitucional, mas também não terão status de lei ordinária, ficando acima 
da lei, mas abaixo da CR). 
Neste caso, faz-se o chamado controle de convencionalidade (posterior ao controle de 
constitucionalidade), sendo um mecanismo de interpretação da norma de direito civil à luz dos tratados 
e convenções incorporados em sede supralegal. 
Exemplo: Convenção interamericana de direitos humanos (Pacto de San Jose da Costa Rica – 
estabelece a proibição da prisão civil por dívida, exceto por alimentos). 
A CRFB permite a possibilidade de prisão civil do depositário infiel (não diz como) e de alimentos. 
O CC diz como. Entre a CRFB e o CC tem o pacto. 
Sendo o pacto é supralegal, todas as leis inferiores perdem sua eficácia (eficácia paralisada). É 
o caso do art. 652 do CC, que trata da prisão do depositário infiel. Esta norma reguladora foi afastada em 
face do controle de convencionalidade imposto pelo art. 7º do pacto. 
Ou seja, no nosso sistema de direito privado, a prisão do depositário infiel é permitida pela CR, 
mas não possui regulamentação (essencial em se tratando de norma de eficácia limitada). Ou seja, 
para o STF a prisão é constitucional, mas ilegal. 
Isso posto, o STF cancelou a Súmula 619, que dizia ser possível essa prisão. E editou a SV 25 
SÚMULA VINCULANTE Nº 25 - É ILÍCITA A PRISÃO CIVIL DE DEPOSITÁRIO 
INFIEL, QUALQUER QUE SEJA A MODALIDADE DO DEPÓSITO 
STJ Súmula nº 419 - Descabe a prisão civil do depositário judicial infiel. 
*Possibilidade de revogação por EC do Tratado, e consequentemente possibilitando a regulamentação 
da prisão civil. É possível? Não, devido ao princípio constitucional da proibição do retrocesso. Ver 
Constitucional. 
Entretanto, os autores de Direitos Humanos (Flávia Piovesan), entendem que todo e qualquer 
tratado sobre direitos humanos deveria ser incorporado ao sistema interno com status constitucional 
(princípio pro homine). Vale dizer: Todo tratado que seja mais benéfico aos direitos humanos deve 
prevalecer sobre qualquer norma interna, seja ela constitucional ou legal. 
O entendimento de Celso de Mello vai mais ao encontro dessa corrente. 
Com isso, devemos lembrar: A interpretação e a aplicação do direito civil agora pressupõem dois 
controles: controle de constitucionalidade e controle de convencionalidade (supralegalidade). 
8. CONFLITOS NORMATIVOS DO DIREITO CIVIL 
O direito civil se apresenta a partir de um sistema aberto. Por força disso, vai recolhendo normas 
em diferentes sedes (norma constitucional, norma em tratados, normas em leis ordinárias etc.). Ou seja, 
o Direito Civil possui diferentes fontes normativas, que comumente entram em colisão. 
Como resolver esses conflitos? 
Fórmula de Canotilho: Norma jurídica = Norma princípio + Norma regra. 
 
 
Norma jurídica é toda aquela que detém coercibilidade. Exemplo: Desde lei até convenção de condomínio. 
Norma princípio tem conteúdo aberto: A aplicação é casuística, no caso concreto. 
Norma regra tem conteúdo fechado: A aplicação é apriorística. 
No CC não é diferente: Existem várias normas regras e várias normas princípios. Exemplo: Art. 422 
do CC/2002. 
Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, 
como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. 
O que vai se configurar a boa-fé ou a probidade exige a análise do caso concreto. Já o art. 448 
traz uma norma regra, com uma solução apriorística. 
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a 
responsabilidade pela evicção. 
Podem ocorrer três diferentes formas de colisão: 
a) Norma regra X norma regra: A solução é apresentada pelos critérios clássicos de 
hermenêutica: lei superior, lei posterior e lei especial (exceto no caso de diálogo das fontes). 
b) Norma regra X Norma princípio: Como a norma princípio é aberta, a colisão reclama solução 
em favor da norma princípio. Bandeira de Mello: Muito mais grave do que violar uma regra é violar um 
princípio, até porque as regras são criadas com base nos princípios. No momento que eu violo um 
princípio, estou indiretamente violando todas as regras que dele decorrem. O afastamento da norma regra 
pela norma princípio é episódico, casuístico. A norma regra afastada fica no sistema, só é afastada no 
caso concreto. 
Exemplo: Art. 448. É uma norma regra. Entretanto, se colidir com a boa-fé (art. 422), afasta-se a 
norma regra. O sujeito acaba tendo o direito a reclamar a evicção. 
c) Norma princípio X norma princípio: Prevalece aquele com sede constitucional. Se forem 
princípios de mesma hierarquia, os critérios clássicos de hermenêutica se mostram insuficientes. Nesse 
caso, a doutrina alemã desenvolveu uma tese construída nos EUA, denominada ponderação de 
interesses (que não se confunde com proporcionalidade). 
A proporcionalidade prevista constitucionalmente se apresenta em dois vetores: ora como princípio 
interpretativo (postulado normativo), ora como técnica de solução de conflitos. 
A proporcionalidadecomo princípio interpretativo ganha o nome de RAZOABILIDADE. A 
proporcionalidade como técnica de solução de conflitos ganha o nome de PONDERAÇÃO DE 
INTERESSES. 
Ou seja, toda a ponderação de interesses é proporcionalidade, mas nem todo uso de 
proporcionalidade é ponderação. 
Ponderação é o uso da proporcionalidade para a solução de conflitos normativos entre princípios. 
É uma atividade psíquica, imaginária, colocando-se os dois valores numa balança imaginária para que se 
descubra qual deles respeita com maior amplitude a dignidade da pessoa humana. De igual forma a 
solução será sempre casuística (RESp. 226. 436). 
No campo privado (Direito processual civil) os processualistas modernos também admitem a 
relativização do princípio da vedação às provas ilícitas (direito à privacidade), de acordo com o caso 
concreto, em uma ponderação de valores. Exemplo do médico em GO. Privacidade da mulher X proteção 
 
 
dos menores (RMS 5.352). No entanto, nesse caso específico, o STJ não corroborou com esse 
entendimento. 
9. REPERSONALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL (DESPATRIMONIALIZAÇÃO) 
O Direito Civil, que antes se preocupava com patrimônio, agora se preocupa com a tutela jurídica 
da pessoa como objetivo central do Direito Civil. O direito civil se preocupa mais com o ‘ser’ do que com 
o ‘ter’. 
A incidência da tábua de valores constitucionais (dignidade da pessoa humana, solidariedade e 
erradicação da pobreza, liberdade, igualdade substancial) faz com que o Direito Civil sofra esse 
processo de personalização. 
A proteção do patrimônio não deixou de existir, mas agora é feita como consequência da proteção 
à pessoa. Isso se aplica em todos os ramos do Direito Civil. Exemplos: 
a) No campo obrigacional: Art. 389 e 395 do CC. Direito à rescisão contratual. Se um dos 
contratantes descumpre as obrigações, o prejudicado tem direito a perdas e danos, juros, correção, 
honorários e custas, sem prejuízo da extinção do contrato. 
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais 
juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, 
e honorários de advogado. 
Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, 
atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos, e honorários de advogado. 
Tese do ‘substancial performance’, ‘adimplemento substancial’ ou ‘inadimplemento mínimo’. RESp. 
272.739. 
O pedido de rescisão nesse caso é abusivo, portanto ilícito. 
Protege-se a pessoa do contratante contra uma decisão abusiva. Protege-se a pessoa em 
detrimento do patrimônio. 
Cristiano: Apesar da grande maioria dos julgados tratarem somente pela ótica quantitativa, é 
possível que um contrato seja substancialmente cumprido de forma qualitativa. Exemplo: do contrato que 
já pagou todo o principal, faltando só os juros. 
b) No campo dos direitos reais: Limitação ao direito de Propriedade. REsp. 27.039/SP. Caso 
do médico que conseguiu autorização para internar e assistir seu paciente em hospital privado, do qual 
não preenchia o corpo clínico. 
Mais um precedente relativizando o ‘ter’ em benefício do ‘ser’. 
c) No campo de família: Súmula 364 do STJ. 
Súmula: 364 - O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também 
o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas. 
 
 
 
 
 
PARTE GERAL 
 
CAPACIDADE E PERSONALIDADE JURÍDICA 
*Pablo Stolze 
1. PERSONALIDADE JURÍDICA 
 Personalidade jurídica é a aptidão genérica para se titularizar direitos e contrair obrigações 
na ordem jurídica, ou seja, é a qualidade para ser sujeito de direito. Em uma primeira perspectiva, é a 
pessoa física/natural ou a pessoa jurídica. 
1.1. PESSOA FÍSICA OU NATURAL 
1.1.1. Em que momento a pessoa física ou natural adquire personalidade? 
 Aparentemente, a resposta está contida na primeira parte do art. 2º do CC. 
Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas 
a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. 
“Nascer com vida” significa operar-se o funcionamento do aparelho cardiorrespiratório do recém-
nascido, independentemente da forma humana e de tempo mínimo de sobrevida em respeito ao princípio 
da dignidade da pessoa humana. CC Espanhol: “somente se reputará nascido o feto que tiver figura 
humana e um tempo de sobrevida de 24hrs” – no Brasil tal disposição seria impossível em face do 
princípio acima citado. 
MP/SP: “Consiga separar-se por inteiro ou parcialmente do ventre materno respirando, mediante 
parto natural ou intervenção cirúrgica, pouco importando que o cordão umbilical seja rompido, que seja 
viável ou não, e que não tenha necessariamente a forma humana”. CERTO. 
 Importância: transferência de patrimônio. Exemplo: nasceu com vida, foi sujeito de direito, é capaz 
de transmitir patrimônio. 
1.1.2. Nascituro e teorias explicativas 
A segunda parte do art. 2º CC, ao se referir ao nascituro ( aquele que ainda, embora concebido, 
não nasceu), reconhece direitos em seu favor. Ora, se o nascituro é dotado de direitos não deveria 
também ser considerado uma pessoa? 
A doutrina diverge a este respeito construindo duas teorias fundamentais: a Teoria Natalista e a 
Teoria Concepcionista. 
a) Teoria Natalista (Silvio Rodrigues, Eduardo Espínola, Vicente Ráo, Venosa). 
 Esta teoria sustenta que a personalidade só seria adquirida a partir do nascimento com vida, de 
maneira que o nascituro não seria considerado pessoa, gozando de mera expectativa de direito. 
É a teoria clássica. 
 
 
 
b) Teoria Concepcionista (Silmara Chinelato, Teixeira de Freitas, Clóvis Beviláqua) 
 Influência francesa. 
 Para esta teoria, o nascituro seria considerado pessoa desde a concepção, inclusive para efeitos 
patrimoniais, razão pela qual o nascituro seria titular de direito e não de mera expectativa. 
 Se ele nasce com vida, este nascimento retroage seus efeitos à concepção. 
OBS: há outras duas teorias minoritárias... 
 A teoria da “Personalidade Formal” (intermediária e pouco ousada), citada por MHD, afirma que 
o nascituro na vida intrauterina tem personalidade jurídica formal, no que atina a direitos personalíssimos 
e aos de personalidade, passando a ter personalidade jurídica material, alcançando os direitos 
patrimoniais, que permaneciam em estado potencial, somente com o nascimento com vida. Se nascer 
com vida, adquire personalidade jurídica material, mas se tal não ocorrer, nenhum direito patrimonial terá. 
 Os adeptos da teoria da “Personalidade Condicional” sufragam entendimento no sentido de 
que o nascituro possui direitos sob condição suspensiva. Vale dizer, ao ser concebido, já pode titularizar 
alguns direitos (extrapatrimoniais), como o direito à vida, mas só adquire completa personalidade, quando 
implementada a condição do seu nascimento com vida. O que não difere muito da teoria da MHD vista 
acima. 
1.1.3. Observações 
a) Qual das teorias foi adotada pelo CCB? 
Matéria polêmica. Independentemente de qualquer teoria, o nascituro tem proteção. Com base na 
doutrina de Clóvis Beviláqua (Comentários ao CC dos Estados Unidos do Brasil, Editora Rio, Edição 
Histórica 1975, pág. 178), ainda aplicável ao novo sistema, podemos dizer que o legislador 
aparentemente abraça a teoria natalista por ser mais prática, mas sofre forte e inequívoca 
influência da teoria concepcionista, pois o sistema jurídico reconhece ao nascituro, diversos 
direitos como pessoa. 
 Ao encontro da teoria concepcionista, reforçando a tese de que o nascituro é um sujeito de direito, 
poderíamos apontar em novo sistema, importantes direitos a ele reconhecidos: direito à vida, à proteção 
pré-natal, direito de receber doação e herança(caiu Defensoria/MG), tutela penal do aborto e nomeação 
de curador. 
OBS: quanto aos direitos hereditários, mesmo seguindo a teoria concepcionista, não se pode dizer que a 
mãe no caso de abortamento do filho, transferiu direitos para si, o direito é resguardado para o nascituro. 
b) O nascituro tem direito aos alimentos? 
 Tradicionalmente, o direito brasileiro era resistente à tese, com julgados esporádicos 
reconhecendo os alimentos (TJRS; agravo de instrumento 70006429096). Em 5 de novembro de 2008, 
aprovou-se a lei dos alimentos gravídicos (Lei 11.804/08), reconhecendo alimentos ao nascituro. Influxo 
da teoria concepcionista. 
c) O nascituro teria direito à indenização por dano moral? 
 O STJ mantendo a linha de entendimento anterior, recentemente, no REsp 931556 do RS e REsp 
399028 de SP, reforçando a corrente concepcionista, concedeu ao nascituro indenização por danos 
morais. 
 
 
 
 
OBS: Natimorto (nascido morto), nos termos do enunciado número 1, da 1ª Jornada de Direito Civil, 
recebe a tutela de certos direitos da personalidade, como nome, imagem e sepultura. Situação especial 
de tutela de direitos. 
JDC 1 – Art. 2º: A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto 
no que concerne aos direitos da personalidade, tais como: nome, imagem e 
sepultura. 
Enunciados da JDC: Os enunciados são postulados de doutrina. 
 Sobre o tema, vale a pena ainda ressaltar a figura do “nondum conceptus”, a saber, a prole 
eventual da pessoa existente por ocasião da morte do testador, quando há disposição testamentária a 
seu favor. Trata-se de um “sujeito de direito”, sem ser pessoa (como o nascituro), previsto nos arts. 
1.799 e 1800 do CC/02. (Vide sucessão testamentária). 
CC Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: 
I - os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que 
vivas estas ao abrir-se a sucessão; 
II - as pessoas jurídicas; 
III - as pessoas jurídicas, cuja organização for determinada pelo testador sob a 
forma de fundação. 
Art. 1.800. No caso do inciso I do artigo antecedente, os bens da herança serão 
confiados, após a liquidação ou partilha, a curador nomeado pelo juiz. 
 Vimos acima que o nascituro pode ser chamado a suceder...mas pode ser 
DONATÁRIO? 
Art. 542. A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante 
legal. 
1.2. PERSONALIDADE JURÍDICA x CAPACIDADE JURÍDICA 
Ao lado do conceito de personalidade veio o conceito de capacidade jurídica (possibilidade de 
titularizar pessoalmente relações jurídicas de conteúdo patrimonial). A titularidade de capacidade 
jurídica não pressupõe a titularidade de personalidade, exemplo disso é o condomínio, que tem 
capacidade, mas não tem personalidade jurídica. De modo diverso, sempre quem dispõe de 
personalidade terá capacidade jurídica (talvez não tenha capacidade de fato, mas sempre terá 
capacidade jurídica ou de direito). 
 
 
 
A capacidade jurídica também é reconhecida aos entes despersonalizados, no entanto nenhum 
condomínio edilício poderá ser sujeito de reconhecimento de dano moral, por exemplo, exatamente 
porque não tem personalidade jurídica. A capacidade jurídica permite ao ente despersonalizado 
exercer relações patrimoniais, mas jamais existenciais. 
2. CAPACIDADE JURÍDICA 
2.1. CONCEITO 
 Autores como Teixeira de Freitas, afirmam que a capacidade jurídica é a medida da personalidade. 
Temos dois tipos de capacidade, a capacidade de direito e a capacidade de fato. 
 Capacidade de direito é a capacidade que todos têm, é uma capacidade genérica, geral, para 
titularizar obrigações e direitos. 
Segundo Orlando Gomes, a capacidade de direito (todos têm) confunde-se com a noção de 
personalidade, porque toda pessoa é capaz de direitos. De acordo com o mesmo, não há diferença 
fundamental entre capacidade de direito e personalidade, são faces da mesma moeda. Ver diferença 
acima. 
 A capacidade de fato ou de exercício (nem todos têm), traduz a aptidão para pessoalmente 
praticar atos da vida civil. A falta desta gera incapacidade absoluta ou relativa. 
 A capacidade de fato condiciona-se à capacidade de direito. Não se pode exercer um direito sem 
ser capaz de adquiri-lo. Uma não se concebe, portanto, sem a outra. Mas a recíproca não é verdadeira. 
Pode-se ter capacidade de direito, sem capacidade de fato; adquirir o direito e não poder exercê-lo por 
si. A impossibilidade do exercício é, tecnicamente, incapacidade. 
Capacidade jurídica = de direito + de fato = capacidade plena (18 anos). 
OBS: não confundir a ausência de capacidade (incapacidade) com a falta de legitimidade para o ato 
jurídico. 
Legitimidade traduz, no dizer de Calmon de Passos, pertinência subjetiva para a prática de 
determinado ato, ou seja, mesmo capaz, uma pessoa pode estar impedida de praticar determinado ato. 
Neste caso, falta-lhe legitimidade. A legitimidade está ligada a prática de um ato específico ao passo que 
a capacidade possui um significado genérico. 
Venosa diz que a legitimação é uma forma específica de capacidade para determinados atos 
da vida civil. A legitimação é um ‘plus’ que se agrega à capacidade em determinadas situações. 
Exemplos: é o caso de dois irmãos, de sexo diferente que mesmo capazes, não podem casar entre si 
(art. 1521, IV CC). O tutor não poderá adquirir bens móveis ou imóveis do tutelado (art. 1.749, I, CC) 
2.2. INCAPACIDADE 
2.2.1. Incapacidade absoluta 
Prevista no art. 3º do CC. Os absolutamente incapazes são representados. Os atos praticados por 
absolutamente incapazes sem seus representantes são nulos (praticados por seus representantes contra 
seus interesses são anuláveis - art. 119 CC*). 
Art. 119. É ANULÁVEL o negócio concluído pelo representante em conflito de 
interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de 
quem com aquele tratou. 
 
 
* “Abuso de representação”: Nota-se que o conflito de interesses, neste caso, não decorre 
exclusivamente de um prejuízo financeiro, mas da própria noção de conveniência da disposição do 
patrimônio do incapaz. Por exemplo: a alienação do único imóvel do menor – onde este pretenda morar, 
ao alcançar a maioridade – pelo seu representante, fora das hipóteses legais (art. 1691 CC). Mesmo que 
não haja desproporção entre as prestações (prejuízo), ou dolo de quem contratou (vício no 
consentimento), este deveria saber que tal alienação somente poderia se dar por necessidade ou evidente 
interesse da prole, mediante prévia autorização do juiz. 
CC Art. 1.691. Não podem os pais alienar, ou gravar de ônus real os imóveis dos 
filhos, nem contrair, em nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da 
simples administração, salvo por necessidade ou evidente interesse da prole, 
mediante prévia autorização do juiz. 
2.2.2. Incapacidade relativa 
Art. 4º do CC. Os relativamente incapazes são assistidos. Os atos praticados por relativamente 
incapazes sem assistência são anuláveis. 
OBS: na linha do CC de 16 podemos defender que continua inaplicável ao nosso sistema o benefício de 
restituição aos incapazes (“restituto in integrum”). Tal benefício consistia na prerrogativa conferida ao 
incapaz de desfazer o ato praticado, ainda que formalmente válido, caso lhe fosse prejudicial. 
Exemplo: Um incapaz devidamente representado ao perceber que fez um péssimo negócio poderia pedir 
o desfazimento do mesmo. 
2.2.3. Absolutamente Incapazes (hipóteses) 
Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil 
os menores de 16 (dezesseis) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) 
Com a Lei 13.146/2015, apenas os menores de 16 anos são absolutamente incapazes. Os demais 
casosforam revogados, passando a ser incapacidade relativa. 
Segundo Tartuce, não existe mais, no sistema privado brasileiro, pessoa absolutamente incapaz 
que seja maior de idade. Como consequência, não há que se falar mais em ação de interdição absoluta 
no nosso sistema civil, pois os menores não são interditados. Todas as pessoas com deficiência, das 
quais tratava o comando anterior, passam a ser, em regra, plenamente capazes para o Direito Civil, o que 
visa a sua plena inclusão social, em prol de sua dignidade. 
Merece destaque, para demonstrar tal afirmação, o art. 6º da Lei 13.146/2015, segundo o qual a 
deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para: a) casar-se e constituir união 
estável; b) exercer direitos sexuais e reprodutivos; c) exercer o direito de decidir sobre o número de filhos 
e de ter acesso a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; d) conservar sua 
fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; e) exercer o direito à família e à convivência familiar 
e comunitária; e f) exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando, 
em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Em suma, no plano familiar há uma expressa 
inclusão plena das pessoas com deficiência. 
Obs: nos casos de adoção DEVEM ser ouvidos os maiores de 12 anos e sua manifestação é relevante, 
apesar de não vinculativa ao juiz, no que tange a situações existenciais (Enunciado 138 da 3ª Jornada de 
Direito Civil. 
JDC 138 - Art. 3º: A vontade dos absolutamente incapazes, na hipótese do inc. I do 
art. 3o, é juridicamente relevante na concretização de situações existenciais a eles 
concernentes, desde que demonstrem discernimento bastante para tanto. 
 
 
2.2.4. Relativamente Incapazes (hipóteses) 
Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os 
exercer: (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; Menores púberes. 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Redação dada pela Lei nº 13.146, 
de 2015) 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua 
vontade; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) 
IV - os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação 
especial. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) 
Eventualmente, e em casos excepcionais, as pessoas portadoras de deficiência podem ser tidas 
como relativamente incapazes em algum enquadramento do novo art. 4º do Código Civil. Cite-se, a título 
de exemplo, a situação de um deficiente que seja viciado em tóxicos, podendo ser tido como incapaz 
como qualquer outro sujeito. 
 
Esse último dispositivo também foi modificado de forma considerável pelo Estatuto da Pessoa com 
Deficiência. O seu inciso II não faz mais referência às pessoas com discernimento reduzido, que não são 
mais consideradas relativamente incapazes, como antes estava regulamentado. Apenas foram mantidas 
no diploma as menções aos ébrios habituais (entendidos como os alcoólatras) e aos viciados em tóxicos, 
que continuam dependendo de um processo de interdição relativa, com sentença judicial, para que sua 
incapacidade seja reconhecida. 
 
Também foi alterado o inciso III do art. 4º do CC/2002, sem mencionar mais os excepcionais sem 
desenvolvimento completo. O inciso anterior tinha incidência para o portador de síndrome de Down, não 
considerado mais um incapaz. A nova redação dessa norma passa a enunciar as pessoas que, por causa 
transitória ou permanente, não puderem exprimir vontade, o que antes estava previsto no inciso III do art. 
3º como situação típica de incapacidade absoluta. Agora a hipótese é de incapacidade relativa. 
 
Verificadas as alterações, parece-nos que o sistema de incapacidades deixou de ter um modelo 
rígido, passando a ser mais maleável, pensado a partir das circunstâncias do caso concreto e em prol da 
inclusão das pessoas com deficiência, tutelando a sua dignidade e a sua interação social. Isso já tinha 
ocorrido na comparação das redações do Código Civil de 2002 e do seu antecessor. Como é notório, a 
codificação material de 1916 mencionava os surdos-mudos que não pudessem se expressar como 
absolutamente incapazes (art. 5º, III, do CC/1916). A norma então em vigor, antes das recentes alterações 
ora comentadas, tratava das pessoas que, por causa transitória ou definitiva, não pudessem exprimir sua 
vontade, agora tidas como relativamente incapazes, reafirme-se. 
 
Todavia, pode ser feita uma crítica inicial em relação à mudança do sistema. Ela foi pensada para 
a inclusão das pessoas com deficiência, o que é um justo motivo, sem dúvidas. Porém, acabou por 
desconsiderar muitas outras situações concretas, como a dos psicopatas, que não serão mais 
enquadrados como absolutamente incapazes no sistema civil. Será necessário um grande esforço 
doutrinário e jurisprudencial para conseguir situá-los no inciso III do art. 4º do Código Civil, tratando-os 
como relativamente incapazes. Não sendo isso possível, os psicopatas serão considerados plenamente 
capazes para o Direito Civil. 
 
 
 
Em matéria de casamento também podem ser notadas alterações importantes engendradas pelo 
Estatuto da Pessoa com Deficiência. De início, o art. 1.518 do Código Civil teve sua redação modificada, 
passando a prever que, até a celebração do casamento, podem os pais ou tutores revogar a autorização 
para o matrimônio. Não há mais menção aos curadores, pois não se decreta mais a nulidade do 
casamento das pessoas que estavam mencionadas no antigo art. 1.548, inciso I, ora revogado. Enunciava 
o último diploma que seria nulo o casamento do enfermo mental, sem o necessário discernimento para a 
prática dos atos da vida civil, o que equivalia ao antigo art. 3º, inciso II, do Código Civil, que também foi 
revogado, como visto. Desse modo, perdeu sustentáculo legal a possibilidade de se decretar a nulidade 
do casamento em situação tal. Em resumo, o casamento do enfermo mental, sem discernimento, passa 
a ser válido. Filia-se totalmente à alteração, pois o sistema anterior presumia que o casamento seria ruim 
para o então incapaz, vedando-o com a mais dura das invalidades. Em verdade, muito ao contrário, o 
casamento é via de regra salutar à pessoa que apresente alguma deficiência, visando a sua plena 
inclusão social. 
 
Seguindo no estudo das modificações do sistema de incapacidades, o art. 1.550 do Código Civil, 
que trata da nulidade relativa do casamento, ganhou um novo parágrafo, preceituando que a pessoa com 
deficiência mental ou intelectual em idade núbil poderá contrair matrimônio, expressando sua vontade 
diretamente ou por meio de seu responsável ou curador (§ 2º). Trata-se de um complemento ao inciso IV 
da norma, que prevê a anulação do casamento do incapaz de consentir e de manifestar de forma 
inequívoca a sua vontade. Advirta-se, contudo, que este último diploma somente gerará a anulação do 
casamento dos ébrios habituais, dos viciados em tóxicos e das pessoas que, por causa transitória ou 
definitiva, não puderem exprimir sua vontade, na linha das novas redações dos incisos II e III do art. 4º 
da codificação material. 
 
Como decorrência natural da possibilidade de a pessoa com deficiência mental ou intelectual se 
casar, foram alterados dois incisos do art. 1.557, dispositivo que consagra as hipóteses de anulação do 
casamento por erro essencial quanto à pessoa. O seu inciso III passou a ter uma ressalva, eis que é 
anulável o casamento por erro no caso de ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável 
que não caracterize deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou porherança, capaz 
de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência (destacamos a inovação). 
 
Em continuidade, foi revogado o antigo inciso IV do art. 1.557 do CC/2002 que possibilitava a 
anulação do casamento em caso de desconhecimento de doença mental grave, o que era tido como ato 
distante da solidariedade (“a ignorância, anterior ao casamento, de doença mental grave que, por sua 
natureza, torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado”). 
 
2.2.5. Esquema 
ABSOLUTAMENTE INCAPAZES RELATIVAMENTE INCAPAZES 
Os menores de dezesseis anos; Os maiores de dezesseis e menores de dezoito 
anos; 
Os que, por enfermidade ou deficiência mental, não 
tiverem o necessário discernimento para a prática 
desses atos; Revogado pelo Estatuto da Pessoa 
com Deficiência. 
Os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os 
que, por deficiência mental, tenham o discernimento 
reduzido; Revogado pelo Estatuto da Pessoa com 
Deficiência. 
Os que, mesmo por causa transitória, não puderem 
exprimir sua vontade. Revogado pelo Estatuto da 
Pessoa com Deficiência. 
Os excepcionais, sem desenvolvimento mental 
completo; Revogado pelo Estatuto da Pessoa com 
Deficiência. 
 
 
 
 Aqueles que, por causa transitória ou permanente, 
não puderem exprimir sua vontade; (Redação dada 
pela Lei nº 13.146, de 2015) 
 
 Os pródigos. 
 
 O que é estatuto jurídico do patrimônio mínimo? 
Luís Edson Fachin (doutrina). – (vide bem de família). Atualmente, Ministro do STF. 
 Em uma perspectiva civil constitucional, visando a promoção da pessoa humana, o estatuto 
jurídico do patrimônio mínimo sustenta que as normas civis devem resguardar para cada um, um mínimo 
de patrimônio para que tenha vida digna. Dignidade. 
As normas de bens de família visam também resguardar o mínimo de patrimônio para vida digna. 
3. EFEITOS DA REDUÇÃO DA MAIORIDADE CIVIL CC/02 (2118) 
1) No campo previdenciário, vota SAJ nº 42/03 da Casa Civil da Presidência da República e na 
mesma linha o enunciado 03 da I JDC, estabeleceram que a redução da maioridade não repercutiu 
no campo previdenciário pois este é disciplinado por lei especial. 
3 – Art. 5º: a redução do limite etário para a definição da capacidade civil aos 18 
anos não altera o disposto no art. 16, I, da Lei n. 8.213/91, que regula específica 
situação de dependência econômica para fins previdenciários e outras situações 
similares de proteção, previstas em legislação especial. 
2) No que tange ao Direito da Criança e do Adolescente forte é a tendência doutrinária inclusive 
jurisprudencial no sentido da prevalência das regras do ECA (ver HC 28332- RJ). ECA prevalece 
em confronto com CC. Exemplo: idade de até 21 anos para medidas de proteção, cometidas até 
os 18. 
3) Pensão Alimentícia: o STJ, desde o informativo 232, passando por diversos julgados (RESP 
347010 SP) firmou entendimento no sentido de que o alcance da maioridade não implica 
cancelamento automático da pensão alimentícia, mesmo depois dos 18, havendo necessidade, 
após seus estudos, poderá ser paga até os 24, 26...não há critério. 
Súmula 358 do STJ, nesta mesma linha exige para o cancelamento a instalação do contraditório (HC 
55606 SP). 
STJ Súmula 358 - O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a 
maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos 
próprios autos. 
 Se o juiz exonera o pai da pensão alimentícia, tem o MP legitimidade para recorrer? 
 Teoricamente sim, pelo interesse público, mínimo existencial, MAS... Atenção: o STJ tem julgados 
negando a legitimidade do MP para recorrer de decisão exoneratória de alimentos (REsp 712175/ DF e 
REsp 982.410/DF). 
4. EMANCIPAÇÃO 
 
 
 Instituto jurídico civil, que permite a antecipação da capacidade plena, podendo-se operar de três 
formas: 
1) Voluntária; 
2) Judicial; 
3) Legal. 
4.1. VOLUNTÁRIA (ART. 5º, PARÁGRAFO ÚNICO, I, 1ª PARTE) 
É aquela concedida em caráter irrevogável, mediante instrumento público, por ato dos pais (ou de 
um deles na falta do outro), independentemente de homologação judicial, e desde que o menor tenha 
pelo menos, dezesseis anos completos. 
Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica 
habilitada à prática de todos os atos da vida civil. 
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: 
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante 
instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por 
sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; 
O menor incapaz não tem poder para autorizar ou desautorizar a emancipação. A emancipação 
voluntária é um ato dos pais. É bom que o mesmo saiba porque reflete em sua esfera jurídica, todavia 
nem ao menos sua presença é um fator obrigatório para que seja feita a emancipação voluntária. 
OBS1: Vale observar que a simples detenção da guarda não autoriza o genitor que a exerça emancipar 
sozinho o filho menor, uma vez que o outro ainda detém o poder familiar. 
OBS2: forte parcela da doutrina brasileira, a exemplo do professor Silvio Venosa, na linha de julgados do 
próprio STF (RTJ 62/108, RT 494/92). Sustenta que, na emancipação voluntária, persiste a 
responsabilidade civil dos pais pelo ato ilícito do menor. Apesar de estar tecnicamente emancipado, a 
responsabilidade dos pais persiste até os 18 anos, para evitar pensamentos fraudulentos (vítimas sem 
ressarcimentos, afinal, o menor emancipado pode não ter patrimônio para cobrir eventuais danos). 
Conforme o STJ, no caso da emancipação voluntária, os pais respondem com os filhos menores, 
solidariamente. O fundamento é que o ato foi praticado junto, tanto por ato dos pais ao emancipá-lo, como 
dos filhos, agora maiores. Assim, a responsabilidade é solidária até os 18 anos. Hoje se fala em 
responsabilidade in vigilando e responsabilidade in eligendo e não mais em culpa in vigilando/eligendo. 
Responsabilidade por substituição ou indireta: a dos pais pelos filhos. Se provarem que os 
filhos não têm culpa (é possível a discussão de culpa), não responderão. 
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: 
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua 
companhia; 
4.2. JUDICIAL (ART. 5º, PARÁGRAFO ÚNICO, I, 2º PARTE.) 
 É aquela concedida pelo juiz, ouvido o tutor, desde que o menor tenha pelo menos dezesseis anos 
completos. 
Art. 5º Parágrafo único 
 
 
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento 
público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, 
ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; 
 Veja bem: quem emancipa é o juiz e não o tutor. No caso de o tutor não querer, o juiz pode nomear 
um curador para auxiliar o menor no ato. 
OBS: o art. 91 da Lei de Registros Públicos (6015/73). Estabelece que, quando o juiz conceder a 
emancipação, deverá comunicá-la de ofício ao oficial de registro, caso não conste dos autos, prova de 
este registro ter feito em oito dias. Antes do registro, a emancipação, em qualquer caso, não produzirá 
efeito (art. 91 e §único da 6.015/73). 
LRP Art. 91. Quando o juiz conceder emancipação, deverá comunicá-la, de ofício, 
ao oficial de registro, se não constar dos autos haver sido efetuado este dentro de 
8 (oito) dias. (Renumerado do art 92 pela Lei nº 6.216, de 1975). 
Parágrafo único. Antes do registro, a emancipação, em qualquer caso, não 
produzirá efeito. 
4.3. LEGAL (ART. 5º, PARÁGRAFO ÚNICO, II A V): 
Art. 5º Parágrafo único 
 II - pelo casamento; 
1ª hipótese: Casamento emancipa. Pelo CC/02 entre os 16 e os 18 tanto o homem quanto a 
mulherpodem se casar, ao contrário do CC antigo, a qual o homem só podia com 18 anos. 
Art. 1520: casamento abaixo dos 16 anos – em duas situações: gravidez e para evitar imposição ao 
cumprimento de pena criminal. 
Art. 1.520. Excepcionalmente, será permitido o casamento de quem ainda não 
alcançou a idade núbil (art. 1517), para evitar imposição ou cumprimento de pena 
criminal ou em caso de gravidez. 
 Trata-se de questão polêmica, especialmente à luz da reforma penal de 2009, mas, na letra fria 
do CC, se o casamento for autorizado e ocorrer, a emancipação existirá. 
OBS: União estável não emancipa isto porque ela é informal, não se sabe quando começa ou quando 
termina. 
 Ainda que venha a se separar ou divorciar posteriormente, a emancipação decorrente do 
casamento permanece. 
Se o casamento houver sido declarado nulo ou anulado, seguindo a corrente que sustenta a 
retroatividade dos efeitos da sentença que invalida o casamento (Flávio Tartuce, Fernando Simão, 
Cristiano Chaves, Veloso), concluímos que a emancipação decorrente desaparece, perderá efeitos. 
Isto porque o registro é apagado, o status quo ante é reconstruído (status de solteiro), não permanecendo 
nenhum efeito (dentre eles, a emancipação). Todavia, há situação em que a emancipação pode ser 
mantida: casamento for putativo, reconhecido pelo juiz. 
Exemplo: imagine um menor, incapaz que se casa com um transexual sem saber. Um dia vem saber que 
esta (e) que hoje é Amélia Florzinha, foi por toda vida Pedrão Tripé Descomunal. Ora, pleiteando a 
anulação do casamento por erro essencial quanto à pessoa, sendo deferido, o menor retornará ao status 
quo ante de menor (perderá os efeitos da emancipação). 
 
 
Há posicionamento em sentido contrário, isto é, da eficácia ex nunc da sentença que invalida o 
casamento, ou seja, de que a emancipação não perde efeitos com a sentença que invalida o casamento 
(Orlando Gomes, MHD). 
Art. 5º Parágrafo único 
III - pelo exercício de emprego público efetivo 
2ª hipótese: exercício de emprego público efetivo. Emprego aqui na verdade quis dizer cargo OU 
emprego público efetivo. Não estando inclusos, portanto, os cargos comissionados ou temporários. 
Exemplo: militar 
Art. 5º Parágrafo único 
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; 
3ª hipótese: colação de grau em ensino superior. E não a aprovação em curso superior. 
Art. 5º Parágrafo único 
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de 
emprego, desde que, o deles, o menor com dezesseis anos completos tenha 
economia própria 
4ª hipótese: 
a) Estabelecimento civil (traduz o exercício de uma atividade NÃO empresarial, exemplo: serviço 
artístico – aulas de violão – ou científico). 
b) Estabelecimento comercial (traduz o exercício de uma atividade empresarial, exemplo: compra e 
venda de verduras). 
c) Pelo exercício de emprego desde que o menor com 16 anos completos, tenha economia própria. 
 A sentença não é obrigatória. A emancipação é por força da lei. 
E se o menor vier a perder o emprego, continua emancipado? 
Negar a emancipação, neste caso, geraria imensa insegurança jurídica aos terceiros que o 
circundam. A mantença da emancipação do menor deve ser mantida nas três situações. 
O que se entende por economia própria? 
O Código Civil brasileiro integra um sistema jurídico aberto, permeado de cláusulas gerais e 
conceitos vagos ou indeterminados; segundo o professor Miguel Reale, a luz do princípio da 
operabilidade, tais conceitos deverão ser preenchidos observando as características do caso concreto 
(economia própria, justa causa, risco, são exemplos de conceitos vagos ou abertos). Lembrar dos 
princípios norteadores do CC/02 Operabilidade, Sociabilidade e Eticidade. Ver abaixo distinção: 
conceito aberto x cláusula geral. 
Sistema aberto: sistema vago a ser preenchido no caso concreto. 
OBS1: a emancipação não antecipa a imputabilidade penal! A emancipação antecipa os efeitos civis. 
Consequentemente, a prisão civil é possível para o menor emancipado (LFG), ou seja, um menor 
antecipado que não paga alimentos, pode vir a ser preso. 
OBS2: vale lembrar que, nos termos do art. 140, I do CTB, a imputabilidade penal é condição para dirigir. 
 
 
5. EXTINÇÃO DA PESSOA FÍSICA OU NATURAL 
Art. 6o A existência da pessoa natural termina com a MORTE; presume-se esta, 
quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão 
definitiva. 
a) Morte: o critério que a comunidade científica, mundial tem adotado, é a morte encefálica, como 
referencial mais seguro do momento da morte, inclusive para efeito de transplante (no Brasil, ver 
Res 1480/97, CFM). Art. 6º CC, 1ª parte. 
OBS: a morte deve ser atestada por um profissional da medicina, podendo também ser declarada por 
duas testemunhas, na falta do especialista. 
b) Morte presumida: 
1) Ausência (art. 6º, 2ª parte, CC). 
2) Situações do art. 7º do CC. 
Art. 6o A existência da pessoa natural termina com a morte; PRESUME-SE ESTA, 
quanto aos AUSENTES, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão 
definitiva. 
Art. 7o Pode ser declarada A MORTE PRESUMIDA, sem decretação de ausência: 
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; 
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for 
encontrado até DOIS ANOS após o término da guerra. 
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá 
ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença 
fixar a data provável do falecimento. 
5.1. AUSÊNCIA (art. 6º CC) 
 Ocorre quando uma pessoa desaparece do seu domicílio, sem deixar notícia ou representante 
que administre os seus bens. A matéria é disciplinada a partir do art. 22 do CC. Há a sucessão provisória 
e a seguir a sucessão definitiva, nesta é reconhecida a morte presumida do indivíduo. 
Ler no código e no caderno o procedimento da ausência. É o suficiente! 
Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se 
não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os 
bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, 
declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador. 
Art. 23. Também se declarará a ausência, e se nomeará curador, quando o ausente 
deixar mandatário que não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou 
se os seus poderes forem insuficientes. 
Art. 24. O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os poderes e obrigações, conforme 
as circunstâncias, observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores 
e curadores. 
Art. 25. O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou 
de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legítimo 
curador. 
 
 
§ 1o Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos pais ou aos 
descendentes, nesta ordem, não havendo impedimento que os iniba de exercer o 
cargo. 
§ 2o Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos. 
§ 3o Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador. 
Seção II 
Da Sucessão Provisória 
Art. 26. Decorrido UM ANO da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele 
deixou representante ou procurador, em se passando TRÊS ANOS, poderão os 
interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a 
sucessão. 
Art. 27. Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram 
interessados: 
I - o cônjuge não separado judicialmente; 
II - os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; 
III - os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte; 
IV - os credoresde obrigações vencidas e não pagas. 
Art. 28. A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só 
produzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa; mas, 
logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se houver, 
e ao inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido. 
§ 1o Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na 
sucessão provisória, cumpre ao Ministério Público requerê-la ao juízo 
competente. 
§ 2o Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até 
trinta dias depois de passar em julgado a sentença que mandar abrir a 
sucessão provisória, proceder-se-á à arrecadação dos bens do ausente pela 
forma estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823. (procedimento da herança jacente) 
Art. 29. Antes da partilha, o juiz, quando julgar conveniente, ordenará a conversão 
dos bens móveis, sujeitos a deterioração ou a extravio, em imóveis ou em títulos 
garantidos pela União. 
Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão 
garantias da restituição deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos 
quinhões respectivos. 
§ 1o Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não puder prestar a garantia 
exigida neste artigo, será excluído, mantendo-se os bens que lhe deviam caber sob 
a administração do curador, ou de outro herdeiro designado pelo juiz, e que preste 
essa garantia. 
§ 2o Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua 
qualidade de herdeiros, poderão, independentemente de garantia, entrar na 
posse dos bens do ausente. 
 
 
Art. 31. Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por 
desapropriação, ou hipotecar, quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína. 
Art. 32. Empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando 
ativa e passivamente o ausente, de modo que contra eles correrão as ações 
pendentes e as que de futuro àquele forem movidas. 
Art. 33. O DESCENDENTE, ASCENDENTE ou CÔNJUGE (o seja, aqueles que 
não precisam dar garantia para se imitir nos bens) que for sucessor provisório do 
ausente, fará seus todos os frutos e rendimentos dos bens que a este 
couberem; os OUTROS SUCESSORES, porém, deverão capitalizar metade 
desses frutos e rendimentos, segundo o disposto no art. 29, de acordo com o 
representante do Ministério Público, e prestar anualmente contas ao juiz 
competente. 
Parágrafo único. Se o ausente aparecer, e ficar provado que a ausência foi 
voluntária e injustificada, perderá ele, em favor do sucessor, sua parte nos 
frutos e rendimentos. 
Art. 34. O excluído, segundo o art. 30, da posse provisória poderá, justificando falta 
de meios, requerer lhe seja entregue metade dos rendimentos do quinhão que lhe 
tocaria. 
Art. 35. Se durante a posse provisória se provar a época exata do falecimento do 
ausente, considerar-se-á, nessa data, aberta a sucessão em favor dos herdeiros, 
que o eram àquele tempo. 
Art. 36. Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de estabelecida 
a posse provisória, cessarão para logo as vantagens dos sucessores nela imitidos, 
ficando, todavia, obrigados a tomar as medidas assecuratórias precisas, até a 
entrega dos bens a seu dono. 
OBS 
Art. 6o A existência da pessoa natural termina com a morte; PRESUME-SE ESTA, 
quanto aos AUSENTES, nos casos em que a lei autoriza a abertura de SUCESSÃO 
DEFINITIVA. 
Da Sucessão Definitiva 
Art. 37. DEZ ANOS depois de passada em julgado a sentença que concede a 
abertura da sucessão provisória, poderão os interessados requerer a sucessão 
definitiva e o levantamento das cauções prestadas. 
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o 
ausente conta oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias 
dele. 
Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão 
definitiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes, aquele ou estes 
haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados em 
seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido 
pelos bens alienados depois daquele tempo. 
Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere este artigo, o ausente não 
regressar, e nenhum interessado promover a sucessão definitiva, os bens 
arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se 
 
 
localizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União, 
quando situados em território federal. 
OBS: a sentença de ausência não é registrada no livro de óbito, mas sim em livro especial. 
5.2. OUTRAS HIPÓTESES DE MORTE PRESUMIDA (art. 7º CC) 
Existem também as hipóteses de morte presumida do art. 7º que NÃO decorrem da ausência. 
Art. 7o Pode ser declarada a MORTE PRESUMIDA, sem decretação de ausência: 
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; 
Se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo, não se pede ausência, deve-
se entrar com procedimento de justificação para que após seja feito o pedido de declaração de óbito, caso 
esteja suficientemente provado a grande probabilidade de morte. 
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for 
encontrado até dois anos após o término da guerra. 
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá 
ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a 
sentença fixar a data provável do falecimento. 
 Hipóteses do art. 7º - “procedimento de justificação”: o juiz colhe a prova e por sentença declara o óbito, 
esta deve ser registrada no livro de óbitos. 
 O art. 88 da LRP consagra um procedimento de justificação, com a necessária intervenção do MP, 
que tem por finalidade proceder ao assento do óbito em hipóteses de campanha militar, desastre ou 
calamidade, em que não foi possível proceder a exame médico no cadáver. 
LRP Art. 88. Poderão os Juízes togados admitir justificação para o assento de 
óbito de pessoas desaparecidas em naufrágio, inundação, incêndio, terremoto ou 
qualquer outra catástrofe, quando estiver provada a sua presença no local do 
desastre e não for possível encontrar-se o cadáver para exame. 
Parágrafo único. Será também admitida a justificação no caso de desaparecimento 
em campanha, provados a impossibilidade de ter sido feito o registro nos termos do 
artigo 85 e os fatos que convençam da ocorrência do óbito. 
 
 O procedimento judicial para essa declaração de morte presumida (justificação) é o constante do 
art. 381, §5º do CPC/2015, aplicável a todas as situações em que se pretende justificar a existência de 
algum fato ou relação jurídica, seja para simples documento e sem caráter contencioso, seja para servir 
de prova em processo regular. 
E se o cidadão retorna? Ele terá que ingressar com um procedimento para obter a declaração 
oficial da inexistência do ato que declarou sua morte. 
A morte presumida SEM DECRETAÇÃO DE AUSÊNCIA enseja a abertura de sucessão 
definitiva, não sendo necessário seguir o procedimento de ausência (art. 22 e do CC), com abertura de 
sucessão provisória, para depois abrir a sucessão definitiva, procedimento esse que só deve e dar em 
caso de ausência de alguém que não se encaixe no art. 7 do CC, aplicando-se assim, o disposto no art. 
6 º e nos artigos citados (art. 22 e ss CC). 
5.3. “COMORIÊNCIA” 
O que é comoriência? Comoriência traduz a situação jurídica de morte simultânea. A regra da 
comoriência, prevista no art. 8º do CC, somente deve ser aplicada, quando não for possível indicar a 
 
 
ordem cronológica dos óbitos (ou seja, premoriência = precedência de óbito). CC: não podendo se 
indicar a ordem dasmortes presume-se que a situação é de falecimento simultâneo, abrindo-se cadeias 
sucessórias autônomas e distintas. 
OBS: Um comoriente NÃO HERDA do outro. 
Art. 8o Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo 
averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão 
simultaneamente mortos. 
 
6. PESSOA JURÍDICA 
 A pessoa jurídica nasce como decorrência do fato associativo (Sociologia Jurídica, Antônio 
Machado Neto). 
6.1. CONCEITO 
A pessoa jurídica é o grupo humano, criado na forma da lei e dotado de personalidade jurídica 
própria, para a realização de fins comuns. 
 O empresário individual é uma pessoa jurídica? NÃO, é pessoa física. Não há destacamento do 
patrimônio individual do empresário. Para determinados efeitos jurídicos pode ser considerado, mas não 
na essência. 
 E a EIRELI? Inovação recente, graças a modificação do CC em 2011, prevê a possibilidade de 
uma Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, isto é, uma pessoa jurídica, uma sociedade, 
composta por UM só empresário, destacando assim o patrimônio individual do empresário. Para mais 
detalhes, consultar caderno de empresarial. 
6.2. TEORIAS EXPLICATIVAS DA PESSOA JURÍDICA 
6.2.1. Corrente negativista (Brinz, Planiol, Duguit) 
Negava ser a pessoa jurídica, sujeito de direito, não aceitava a tipologia. 
 
Ihering e Bolze defendiam tese no sentido de que a associação formada por um grupo de 
indivíduos não possuiria personalidade jurídica própria, pois os próprios associados seriam considerados 
em conjunto, trata-se da teoria da mera aparência (este gênero de pessoas seria mera aparência, 
excogitada para a facilidade das relações). Ihering ainda dizia que os verdadeiros sujeitos de direito 
seriam os indivíduos que formam a PJ, ela seria apenas mera forma especial de manifestações 
exteriores da vontade dos seus membros. 
6.2.2. Corrente afirmativista 
Aceitava a teoria da pessoa jurídica, ou seja, reconhecia a pessoa jurídica como sujeito de direito. 
Ela se subdivide em: 
1) Teoria da ficção (Savigny); 
2) Teoria da realidade objetiva ou organacionista (Clóvis Beviláqua); 
3) Teoria da realidade técnica ou jurídica (Ferrara); 
Vejamos: 
 
 
1) Teoria da ficção (Savigny): desenvolvida por Savigny a partir do pensamento de Windscheid, 
sustentava que a pessoa jurídica seria um sujeito com existência ideal, ou seja, fruto da técnica 
jurídica. As pessoas jurídicas seriam pessoas por ficção legal, uma vez que somente os sujeitos 
dotados de vontade poderiam por si mesmos titularizar direitos subjetivos. A pessoa jurídica não 
teria uma função social, teria uma existência abstrata, ideal. 
*Crítica: negar a atuação social da pessoa jurídica, ela participa de relações sociais, esta teoria é 
extremamente abstrata, demais. A pessoa jurídica integra as relações sociais. Como reconhecer à ficção, 
mero artifício, a natureza de um ente que tem indiscutível existência real? Se a PJ é uma criação de lei, 
mera abstração, quem haveria criado o Estado, PJ de direito público por excelência? 
2) Teoria da realidade objetiva ou organacionista (Clóvis Beviláqua): é o contraponto da teoria 
da ficção. Para ela, a pessoa jurídica não seria fruto da técnica jurídica, mas sim um organismo 
social vivo. Para este pensamento a pessoa jurídica teria uma atuação social, sendo um 
organismo social vivo. 
*Crítica: o erro não é reconhecer a atuação social. O erro é dizer que a PJ é criada pela sociologia e não 
pelo direito. 
3) Teoria da realidade técnica (Ferrara): aproveitando elementos das duas correntes anteriores, é 
mais equilibrada. Afirma que a PJ teria existência real não obstante a sua personalidade ser 
conferida pelo direito. Posto a pessoa jurídica seja personificada pelo direito, tem a atuação 
social na condição de sujeito de direito. Sem olvidar que a personalidade jurídica é concedida 
pelo direito, ela tem função social. 
*Prevalece: adotada pelo art. 45 do CC. 
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a 
inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, 
de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas 
as alterações por que passar o ato constitutivo. 
 
6.3. PRESSUPOSTOS EXISTENCIAIS DA PESSOA JURÍDICA 
 Como antecedente lógico ao surgimento da PJ, faz-se necessária a conjugação de três 
pressupostos básicos: 
1) Vontade humana criadora; 
2) Observância das condições legais para sua instituição; 
3) Objeto lícito. 
Pela teoria adotada, de natureza eclética, é reconhecido poder criador à vontade humana 
(sistema da livre formação), independentemente de chancela estatal (dispensabilidade do sistema 
de reconhecimento), desde que respeitadas as condições legais de existência e validade (sistema das 
disposições normativas). 
Deve concorrer ainda a licitude do objetivo, visto que não há que se reconhecer a existência legal 
e validade à PJ que tenha objeto proibido por lei: a autonomia da vontade é limitada pela lei. 
6.4. PERSONIFICAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA 
6.4.1. Considerações iniciais 
 
 
O CC em seu art. 45, afirma a natureza CONSTITUTIVA do registro da pessoa jurídica, com 
eficácia EX NUNC (Caio Mário). Daqui para frente, ela passa a ser uma PJ com existência legal. 
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a 
inscrição do ato constitutivo no respectivo registro (contrato social ou estatuto), 
precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, 
averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. 
 
OBS: regra geral, a personificação da pessoa jurídica decorre simplesmente do registro do seu ato 
constitutivo, mas em algumas situações é necessária uma autorização especial de constituição dada pelo 
poder executivo, sob pena de inexistência (Cáio Mário). Exemplos: criação de um banco, não basta o 
registro do ato constitutivo, é necessária uma autorização específica do Banco Central, operadora de 
saúde, da ANS, seguradora precisa de autorização específica da SUSEP (superintendência de seguros 
privados). 
 Nascimento da PJ  inscrição do registro do ATO CONSTITUTIVO no sistema do registro 
público respectivo. As que não têm são chamadas de sociedades despersonificadas (art. 986, CC). 
Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, 
exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, 
subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade 
simples. 
 
 Ato constitutivo: o estatuto ou o contrato social. 
 Registro respectivo: junta comercial (registro público de empresa) ou CRPJ, cartório de registro 
de pessoa jurídica. 
OBS: algumas pessoas jurídicas têm registro em sistema especial, a exemplo da sociedade de 
advogados, que tem registro na OAB. Os partidos políticos que depois de adquirirem a personalidade 
jurídica na forma da lei civil, deverão registrar seus estatutos no TSE (CRFB, art. 17§2º), as entidades 
sindicais obterão a personalidade também com o simples registro civil, mas deverão comunicar sua 
criação ao Ministério do Trabalho, não para efeito de reconhecimento, mas para o simples controle do 
sistema de unicidade sindical, ainda vigente no Brasil, de acordo com o art. 8º, I e II da CRFB/88. 
6.4.2. Sociedades despersonificadas (irregulares ou de fato) 
 A lei é clara: a existência legal das PJ começa a partir do registro, de maneira que a preterição 
desta solenidade poderá conferir apenas o status/reconhecimento da chamada sociedade irregular ou de 
fato, que não tem personalidade, mas tem capacidade para se obrigar perante terceiros. 
Caio Mário: a aquisição de direitos é consequênciada observância da norma, todavia a imposição de 
deveres (princípio da responsabilidade) existe sempre. 
 Essas sociedades são previstas a partir do art. 986 do CC/02 (sociedade não personificada). 
Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, 
exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, 
subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade 
simples. 
 
 Os sócios desta sociedade respondem subsidiariamente e ilimitadamente por suas obrigações, 
tal como disposto no art. 1.024 do CC, todavia há exceção: aquele que contrata pela sociedade (sócio 
“representante”), este tem responsabilidade direta enquanto os outros continuarão a ter a 
responsabilidade subsidiária, tal como dispõe o art. 990 CC. 
 
 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações 
sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou 
pela sociedade. 
 
Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas 
da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
OBS1: aplicam-se também as “associações sem personalidade jurídica”. 
OBS2: o posterior registro não tem o condão (retroativo) de legitimar atos praticados quando a sociedade 
era irregular. Isto é, quanto aos atos praticados naquele período de irregularidade, a responsabilidade 
dos sócios é pessoal e ilimitada. (eficácia ex nunc do ato de registro). 
OBS3: para a prova da existência dessas sociedades despersonificadas por terceiros, o CC permite 
qualquer meio. 
Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito 
podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem prová-la de 
qualquer modo. 
 
OBS3: no que diz respeito à sociedade empresária, o registro pode retroagir 30 dias. 
Art. 998. Nos TRINTA DIAS subsequentes à sua constituição, a sociedade deverá 
requerer a inscrição do contrato social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do 
local de sua sede. 
§ 1o O pedido de inscrição será acompanhado do instrumento autenticado do 
contrato, e, se algum sócio nele houver sido representado por procurador, o da 
respectiva procuração, bem como, se for o caso, da prova de autorização da 
autoridade competente. 
§ 2o Com todas as indicações enumeradas no artigo antecedente, será a inscrição 
tomada por termo no livro de registro próprio, e obedecerá a número de ordem 
contínua para todas as sociedades inscritas. 
6.4.3. Entes despersonalizados (personificação anômala) 
 MHD: “há entidades que não podem ser subsumidas ao regime legal das PJ do CC por lhes 
faltarem requisitos à subjetivação, embora possam agir ativa ou passivamente. São entes que se formam 
independentemente da vontade dos seus membros ou em virtude de ato jurídico que vincula pessoas 
físicas em torno de bens que lhe interessam, sem lhes traduzir o affectio societatis, de onde se infere que 
os grupos despersonalizados ou com personificação anômala constituem um conjunto de direitos e 
obrigações, de pessoas e de bens sem personalidade jurídica e com capacidade processual mediante 
representação.” 
 O art. 12 75 do CPC/2015 traz alguns exemplos: o condomínio, massa falida, herança 
jacente/vacante, espólio; todos têm capacidade processual, todavia não são PJ’s! 
CPC/2015 
Art. 75. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: 
I - a União, pela Advocacia-Geral da União, diretamente ou mediante órgão 
vinculado; 
II - o Estado e o Distrito Federal, por seus procuradores; 
III - o Município, por seu prefeito ou procurador; 
IV - a autarquia e a fundação de direito público, por quem a lei do ente federado 
designar; 
V - a massa falida, pelo administrador judicial; 
VI - a herança jacente ou vacante, por seu curador; 
VII - o espólio, pelo inventariante; 
 
 
VIII - a pessoa jurídica, por quem os respectivos atos constitutivos designarem ou, 
não havendo essa designação, por seus diretores; 
IX - a sociedade e a associação irregulares e outros entes organizados sem 
personalidade jurídica, pela pessoa a quem couber a administração de seus bens; 
X - a pessoa jurídica estrangeira, pelo gerente, representante ou administrador de 
sua filial, agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil; 
XI - o condomínio, pelo administrador ou síndico. 
§ 1o Quando o inventariante for dativo, os sucessores do falecido serão intimados 
no processo no qual o espólio seja parte. 
§ 2o A sociedade ou associação sem personalidade jurídica não poderá opor a 
irregularidade de sua constituição quando demandada. 
§ 3o O gerente de filial ou agência presume-se autorizado pela pessoa jurídica 
estrangeira a receber citação para qualquer processo. 
§ 4o Os Estados e o Distrito Federal poderão ajustar compromisso recíproco para 
prática de ato processual por seus procuradores em favor de outro ente federado, 
mediante convênio firmado pelas respectivas procuradorias. 
 
*Caderno de processo civil, temos exemplos desses entes, assunto: capacidade processual. 
OBS: mas o CNPJ do espólio? Não o tornaria uma PJ? É uma ficção tributária! 
6.5. CLASSIFICAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS 
6.5.1. Espécies de pessoa jurídica de direito privado 
 De acordo com o art. 44 original do CC/02 são pessoas jurídicas de direito privado: associações, 
sociedades e fundações. Porém, conforme art. 2.031 do CC/02, teve-se o prazo de 01 ano para 
adaptarem-se os estatutos e contratos anteriores ao novo código. Então as organizações religiosas e 
partidos políticos (associações, até então) se insurgiram contra (isto por que houve uma minuciosa 
modificação na organização das PJ’s de direito privado), por isso o legislador desdobrou o art. 44 (lei 
10.825/03) dispondo como PJ’s de direito privado, além de associações, sociedades e fundações as 
organizações religiosas e os partidos políticos (assim como o parágrafo único do art. 2.031). 
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: 
I - as associações; 
II - as sociedades; 
III - as fundações. 
IV - as organizações religiosas; 
V - os partidos políticos. 
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. 
§ 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento 
das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes 
reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu 
funcionamento. 
§ 2o As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às 
sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. 
§ 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em 
lei específica. 
 
 O art. 44 do CC fora desdobrado, acrescentando-se as organizações religiosas e os partidos 
políticos, para permitir em sequência, a alteração do art. 2.031 eximindo estas entidades de se adaptarem 
ao novo código civil. O prazo de adaptação ao novo código civil foi modificado várias vezes, findando em 
onze de janeiro de 2007. 
E se uma PJ não se adapta ao novo CC? Caso uma PJ não se adapte ao novo CC, dentre outras 
consequências, haverá: 
 Impedimento para participar de licitação; 
 
 
 Impedimento para obter linha de crédito em banco; 
 Impedimento para oferecer produtos para grandes empresas; 
 Além disso, por estar irregular os seus sócios ou administradores poderão ter responsabilidade 
pessoal e ilimitada por suas obrigações. 
Ou seja, são tratadas como sociedades irregulares, de fato ou despersonalizadas. 
Pessoa jurídica pode sofrer dano moral? Ainda vigora no Brasil a corrente que sustenta a tese 
segundo a qual a pessoa jurídica sofre dano moral (súmula 227 do STJ e art. 52 do CC). O STJ têm 
admitido a reparação do dano moral à pessoa jurídica,especialmente por violação à sua imagem (Resp. 
752672/RS, Resp. 777185/DF). 
 STJ Súmula 227 “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral”. 
Partindo-se da premissa que dano moral é lesão a direito à personalidade, o próprio art. 52 do CC 
reconhece à pessoa jurídica a titularidade de alguns desses direitos, como o direito ao nome e à imagem, 
inclusive o AgRg no REsp 865658/RJ assentou não haver mais controvérsia no STJ quando à reparação 
do dano moral em favor da PJ. 
Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da 
personalidade. 
 
6.6. FUNDAÇÕES (Importante MP) 
OBS: as fundações de direito público (fundações públicas de direito público – autarquias fundacionais, 
ou fundações privadas de direito público – fundações governamentais –) são estudadas em 
administrativo. 
6.6.1. Fundação de direito privado 
A fundação privada é uma pessoa jurídica de direito privado criada por iniciativa de um particular 
(um grupo de particulares) que decide separar um patrimônio (dinheiro, imóveis etc.) e destiná-lo (afetá-
lo) para que seja utilizado na realização de determinada finalidade de interesse coletivo. 
Ex: João, indivíduo milionário, decide instituir uma fundação para ajudar crianças carentes 
(assistência social). Para isso, ele vai até um cartório de Tabelionato de Notas e, por meio de escritura 
pública, doa R$ 5 milhões para custear a fundação (é chamado de dotação especial de bens livres). Em 
seguida, o próprio instituidor, ou alguém a seu pedido, elabora o estatuto da fundação especificando o 
fim a que se destina e a maneira de administrá-la. Esse estatuto é submetido à análise do Ministério 
Público, que poderá aprová-lo ou não. Imaginemos que o MP aprovou. A partir daí o estatuto é registrado 
no cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas (RCPJ) e a fundação passa a ter existência legal. 
Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por ESCRITURA PÚBLICA 
ou TESTAMENTO, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se 
destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. 
6.6.2. Finalidades 
 No que tange ao elemento teleológico, toda fundação tem finalidade ideal (não lucrativa). Não 
pode buscar proveito econômico. Isso não quer dizer que ela não gere receita, MAS a receita da fundação 
deve ser investida na própria entidade, não há partilha de lucro. O diretor ou presidente podem receber 
salário, pois não trabalhará de graça, mas não deve haver lucro: a finalidade é ideal. 
 
 
O parágrafo único do art. 62 do Código Civil prevê as finalidades para as quais a fundação pode 
ser instituída. A Lei n° 13.151/2015 alterou esse dispositivo aumentando o rol de finalidades permitidas. 
Vejamos: 
 
Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins 
de: (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015) 
I – assistência social; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) 
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; (Incluído 
pela Lei nº 13.151, de 2015) 
III – educação; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) 
IV – saúde; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) 
V – segurança alimentar e nutricional; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) 
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do 
desenvolvimento sustentável; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) 
VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, 
modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e 
conhecimentos técnicos e científicos; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) 
VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos 
humanos; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) 
IX – atividades religiosas; e (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) 
 
A alteração representou uma grande inovação jurídica? 
NÃO. Isso porque a doutrina, mesmo antes da Lei n° 13.151/2015, já afirmava que o rol do 
parágrafo único do art. 62 do CC era exemplificativo. Assim, sempre se entendeu que a fundação poderia 
ser instituída para o exercício das atividades agora previstas na nova redação do dispositivo. Existiam, 
inclusive, dois enunciados das Jornadas de Direito Civil nesse sentido: 
Enunciado 8 – Art. 62, parágrafo único: a constituição de fundação para fins 
científicos, educacionais ou de promoção do meio ambiente está compreendida no 
CC, art. 62, parágrafo único. 
 
Enunciado 9 – Art. 62, parágrafo único: o art. 62, parágrafo único, deve ser 
interpretado de modo a excluir apenas as fundações com fins lucrativos. 
 
Desse modo, a alteração foi interessante como uma forma de deixar expressa essa possibilidade. 
No entanto, como já dito, representa apenas a consagração de algo que já era pacífico na doutrina. 
É possível a instituição de fundação privada para o desempenho de atividades de “habitação de 
interesse social”? 
Penso que essa pergunta pode ser feita em provas objetivas de concurso e a resposta deverá ser 
NÃO. Explico. Repare que a nova redação do parágrafo único do art. 62 termina no inciso IX. No entanto, 
a Lei n° 13.151/2015 previa a existência do inciso X dizendo que a fundação poderia ser instituída para 
fins de “X - habitação de interesse social” 
Esse inciso X foi vetado pela Presidente da República sob o seguinte argumento: 
“Da forma como previsto, tal acréscimo de finalidade poderia resultar na participação ampla de 
fundações no setor de habitação. Essa extensão ofenderia o princípio da isonomia tributária e distorceria 
a concorrência nesse segmento, ao permitir que fundações concorressem, em ambiente assimétrico, com 
empresas privadas, submetidas a regime jurídico diverso.” 
 
 
A preocupação da Presidente foi a de que pessoas jurídicas fossem criadas sob a roupagem de 
“fundação” e desempenhassem atividades de habitação concorrendo com sociedades empresárias em 
vantagem competitiva já que as fundações gozam de alguns privilégios. 
Em provas objetivas de concurso público, o examinador poderá perguntar quais são as finalidades 
possíveis das fundações e colocar, dentre as alternativas, a frase “habitação de interesse social”. Neste 
caso, esta alternativa estará incorreta porque a questão estará querendo saber apenas o texto literal do 
Código Civil. 
6.6.3. Etapas para constituição de uma fundação de direito privado 
1) Afetação de bens livres do patrimônio do instituidor. 
2) Escritura PÚBLICA ou testamento (não diz “público”, então pode ser qualquer forma de 
testamento) constitutivo da fundação. 
3) Elaboração do estatuto da fundação (ato normativo da fundação, vai disciplinar sua 
organização). Art. 65 do CC caput e parágrafo único. 
Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo 
ciência do encargo, formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o 
estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da 
autoridade competente, com recurso ao juiz. 
Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, 
ou, não havendo prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao 
Ministério Público. 
OBS: há duas formas de instituição da fundação: a direta quando o próprio instituidor o faz pessoalmente, 
inclusive cuidando da elaboração dos estatutos; e a fiduciária, quando a um terceiro é delegado este 
encargo. Se este não faz, o MP o faz (atuação subsidiária). 
4) A aprovação do estatuto. 
Em regra, é aprovada pelo MP. 
De acordo com o NCPC, em alguns casos, quem irá aprovar o estatuto das fundações e suas 
alterações é juiz, nos termos do art. 764. A regra do art. 1.202 do CPC/73 não mais existe. 
Art. 764. O juiz decidirá sobre a aprovação do estatuto dasfundações e de suas 
alterações sempre que o requeira o interessado, quando: 
I – ela for negada previamente pelo Ministério Público ou por este forem exigidas 
modificações com as quais o interessado não concorde; 
II – o interessado discordar do estatuto elaborado pelo Ministério Público. 
§ 1º O estatuto das fundações deve observar o disposto na Lei nº 10.406, de 10 de 
janeiro de 2002 (Código Civil). 
§ 2º Antes de suprir a aprovação, o juiz poderá mandar fazer no estatuto 
modificações a fim de adaptá-lo ao objetivo do instituidor. 
 
5) Registro do estatuto da fundação no cartório de registro civil de pessoa jurídica (CRPJ). 
Requisito essencial para se considerar a fundação constituída. 
6.6.4. Fiscalização das fundações (papel do MP) 
Quem fiscaliza o funcionamento das fundações privadas? 
 
 
O Ministério Público estadual. Depois de criada, as fundações serão fiscalizadas pelo Ministério 
Público do Estado onde situadas. Isso está previsto no caput do art. 66 do CC: 
Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. 
 
O caput do art. 66 fala em Ministério Público do Estado. E se a fundação estiver situada no Distrito 
Federal, quem irá fiscalizá-la? Quem vela pelas fundações localizadas no DF? 
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). 
A Lei n. 13.151/2015 alterou o § 1º do art. 66 do CC com o objetivo de deixar isso expresso no 
texto do Código. Comparemos: 
§ 1º Se funcionarem no Distrito Federal ou em Território, caberá o encargo ao 
Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. (Redação dada pela Lei nº 
13.151, de 2015) 
 
A alteração representou uma grande inovação jurídica? Antes da Lei n. 13.151/2015 quem 
fiscalizava as fundações localizadas no DF? 
NÃO. A alteração não representou inovação jurídica. Mesmo antes da Lei n.13.151/2015 quem 
fiscalizava as fundações localizadas no DF já era o Ministério Público do Distrito Federal (e não o 
Ministério Público Federal). 
O § 1º do art. 66 do Código Civil, em sua redação original, afirmava que as fundações localizadas 
no DF seriam fiscalizadas pelo Ministério Público Federal. Ocorre que isso não tinha nenhuma razão 
lógica, considerando que o DF possui autonomia política e administrativa em relação à União e quem é o 
responsável pela atuação no DF em temas “estaduais” é o Ministério Público do Distrito Federal (e não o 
MPF). 
Com base nisso, tão logo o CC foi aprovado, ainda em 2002, foi proposta uma ADI contra esse § 
1º do art. 66. 
O STF julgou a ação procedente e declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 66 do CC, 
afirmando que a atribuição de fiscalizar as fundações privadas localizadas no DF é do MPDFT. 
O MPF possui a atribuição de velar pelas fundações federais, funcionem, ou não, no Distrito 
Federal ou nos eventuais Territórios. (STF. Plenário. ADI 2794, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgado em 
14/12/2006) 
Desse modo, por isso, mesmo antes da alteração da Lei n. 13.151/2015, por força de decisão do 
STF, a atribuição para fiscalizar as fundações privadas localizadas no DF já era do MPDFT. 
A Lei n. 13.151/2015 corrige a falha do Código Civil e se adequa ao que foi decidido pelo STF, 
deixando claro que se a fundação privada funcionar no Distrito Federal ou em Território caberá o encargo 
ao MPDFT. 
E se a fundação abranger mais de um Estado/DF? Se ela funcionar em dois, três, quatro 
Estados/DF, quem fiscaliza? 
Se as atividades da fundação se estenderem por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada 
um deles, ao respectivo Ministério Público (§ 2º do art. 66). Ex: fundação “Leia Livros” atua em SP, RJ e 
DF. O MPSP irá fiscalizar as atividades dessa fundação em SP, o MPRJ no RJ e o MPDFT no DF. 
 
 
Obs: esse art. 66 do CC não exclui (não impede) que o MPF fiscalize as fundações públicas que 
forem instituídas pela Administração Pública federal ou que recebam recursos federais. Uma coisa não 
tem nada a ver com a outra. Nesse sentido: 
Enunciado 147 – Art. 66: A expressão “por mais de um Estado”, contida no § 2o do 
art. 66, não exclui o Distrito Federal e os Territórios. A atribuição de velar pelas 
fundações, prevista no art. 66 e seus parágrafos, ao MP local – isto é, dos Estados, 
DF e Territórios onde situadas – não exclui a necessidade de fiscalização de tais 
pessoas jurídicas pelo MPF, quando se tratar de fundações instituídas ou mantidas 
pela União, autarquia ou empresa pública federal, ou que destas recebam verbas, 
nos termos da Constituição, da LC n. 75/93 e da Lei de Improbidade. 
 
6.6.5. Alteração do estatuto da Fundação 
As fundações são regidas por um ESTATUTO, que é aprovado pelo Ministério Público e 
posteriormente registrado no cartório do Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 
Depois de registrado, esse estatuto só poderá ser alterado se cumpridas algumas formalidades. 
Para se alterar o estatuto da fundação é necessário que: 
a) haja a deliberação de 2/3 das pessoas competentes para gerir e representar a fundação; 
b) a mudança não contrarie ou desvirtue a finalidade da fundação; 
c) o Ministério Público aprove essa mudança (se este negar, o juiz pode supri-la, a requerimento). 
Existe algum prazo máximo para que o MP analise a proposta de mudança do estatuto? 
45 dias. Esse prazo foi acrescentado pela Lei n. 13.151/2015: 
6.6.6. Destino do patrimônio da fundação extinta 
Art. 69 do CC. 
Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, 
ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer 
interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo 
disposição em contrário no ato constitutivo (escritura pública ou testamento), ou 
no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim 
igual ou semelhante. 
6.6.7. Procedimento da instituição da fundação pelo CPC/2015 
Art. 764. O juiz decidirá sobre a aprovação do estatuto das fundações e de suas 
alterações sempre que o requeira o interessado, quando: 
I - ela for negada previamente pelo Ministério Público ou por este forem exigidas 
modificações com as quais o interessado não concorde; 
II - o interessado discordar do estatuto elaborado pelo Ministério Público. 
§ 1o O estatuto das fundações deve observar o disposto na Lei no 10.406, de 10 de 
janeiro de 2002 (Código Civil). 
§ 2o Antes de suprir a aprovação, o juiz poderá mandar fazer no estatuto 
modificações a fim de adaptá-lo ao objetivo do instituidor. 
 
Art. 765. Qualquer interessado ou o Ministério Público promoverá em juízo a 
extinção da fundação quando: 
I - se tornar ilícito o seu objeto; 
II - for impossível a sua manutenção; 
 
 
III - vencer o prazo de sua existência. 
 
6.7. SOCIEDADES 
6.7.1. Conceito 
 A sociedade é uma espécie de corporação (agrupamento humano) dotada de personalidade 
jurídica própria, instituída por meio de contrato social visando a finalidade econômica ou lucrativa. 
OBS: toda sociedade é instituída por meio de contrato social, não tem estatuto. O contrato social organiza 
a sociedade, que é formada por sócios, o ato constitutivo da sociedade é o contrato social. 
 O contrato social das sociedades vem conceituado no art. 981 do CC, no livro de direito de 
empresa. 
Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se 
obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica 
e a partilha, entre si, dos resultados. 
Parágrafo único. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios 
determinados. 
 
 Elemento teleológico: TODA sociedade visa finalidade econômica. Partilha de lucro. 
 É juridicamente possível, sociedade entre cônjuges? O código civil consagra uma 
RESTRIÇÃO no art. 977 doCC: comunhão universal ou separação obrigatória não podem constituir 
sociedade, por quê? Por que o CC faz uma presunção de fraude. 
Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, 
desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no 
da separação obrigatória. 
 
 O enunciado 204 da III JDC, seguindo a linha do parecer nº 125/03, do DNRC/COJUR 
(departamento nacional do registro de comércio – coordena as juntas comerciais do país), firmou o 
entendimento no sentido de que a vedação do art. 977, em respeito ao ato jurídico perfeito, só se aplica 
a sociedades constituídas APÓS A ENTRADA EM VIGOR do CC/02. As sociedades anteriores estão 
protegidas. 
6.7.2. Espécies de sociedade (ver empresarial) 
Antigamente (“Teoria Francesa dos Atos de Comércio”) 
1) Sociedade Civil (buscava fim econômico sem realizar ‘atos de comércio’)  sociedade simples. 
2) Sociedade Mercantil ou Comercial (fim econômico com ‘atos de comércio’)  sociedade 
empresarial. 
Ver empresarial. Hoje é adotada a Teoria da Empresa. 
OBS: as novas se correspondem às antigas, mas apenas se assemelham. NÃO são iguais, devido aos 
conceitos. 
Exemplo: uma indústria que extrai minério da terra, olhando à luz da teoria antiga, não seria considerada 
mercantil, mas hoje, poderia sim ser considerada empresa. O conceito de empresa é bem mais amplo. 
Art. 982 do CC/02: 
 
 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que 
tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro 
(art. 967); e, simples, as demais. 
 
Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. 
 
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de 
serviços. 
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, 
de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou 
colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. 
Atualmente: 
1) SIMPLES (em geral eram como as CIVIS) – PJ’s que, embora persigam proveito econômico, não 
empreendem atividade empresarial. 
No vasto campo de atuação das sociedades simples, verifica-se a aplicação do instituto em 
sociedades profissionais liberais, instituições de ensino, entidades de assistência medica ou social, etc. 
 Embora possa adotar uma das formas societárias previstas para as sociedades empresárias – 
ressalvada a sociedade por ações (anônima ou em comandita por ações), por absoluta incompatibilidade 
e imposição de lei –, não se subordina às normas relativas ao “empresário”. 
OBS: A sociedade simples em geral tem registro no CRPJ, caracteriza-se pela pessoalidade, ainda 
que atuem colaboradores. A atividade é prestada diretamente pelos próprios sócios ou supervisionada 
por eles, por isso, em geral são sociedades prestadoras de serviços (sociedade de advogados, médicos, 
dentistas, etc.). Não estão sujeitas à falência. 
2) EMPRESÁRIA (em geral era como as comerciais...) – vem a ser a pessoa jurídica que exerça 
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. 
*Uma sociedade para ser considerada empresária, à luz do art. 982 do CC, deve observar dois 
requisitos: 
1º Requisito: Material – exercício de atividade empresarial. Sociedade empresária é a que 
exerce atividade econômica organizada para a circulação de bens ou serviços. É tipicamente 
capitalista e impessoal, porquanto os seus sócios atuam eminentemente como articuladores 
de fatores de produção (matéria prima, mão de obra, capital, tecnologia – “mamacate”). 
2º Requisito: Formal - necessário registro na junta comercial, submetendo-se à lei de 
falências. Exemplo: revendedora de veículos. 
 A ausência de qualquer um destes requisitos, em geral torna a sociedade simples. Sociedade 
empresária (impessoalidade) # Sociedade simples (pessoalidade). 
OBS1: nem sempre a distinção entre sociedade simples e a empresária será fácil. Exemplo: advogados 
que montam escritório, a princípio uma sociedade simples, em anos transforma-se em um imenso 
escritório, com centenas de advogados, os sócios iniciais não advogam mais (são apenas sócios 
administradores), o escritório engrandece e o serviço torna-se impessoal. O mesmo com médicos que 
inicial uma clínica que vira um grande hospital e estes param de praticar a medicina...não seriam estas 
uma empresa? No fim das contas a distinção se fará por vias judiciais. 
OBS2: toda sociedade anônima, por força de lei, é empresária e as cooperativas, simples. 
 
 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que 
tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 
967); e, simples, as demais. 
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária 
a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. 
 
Tanto uma, como outra, tiveram sua disciplina remetida para legislação especial. 
OBS: Onde é feito o registro civil da cooperativa? 
Ideia da cooperativa é partilhar RESULTADOS e não LUCROS, sendo assim se um cooperado 
não trabalha, não recebe. O CC/02 estabelece ser esta uma sociedade simples. Vejamos as duas 
correntes: 
Primeira corrente: tradicional do direito brasileiro, com amparo na lei 5.764/71, bem como no 
enunciado 69 da I JDC, afirma que a cooperativa deve ser inscrita na JUNTA COMERCIAL. 
Lei 5.764/71 (Corporativismo) 
Art. 18. Verificada, no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, a contar da data de 
entrada em seu protocolo, pelo respectivo órgão executivo federal de controle ou 
órgão local para isso credenciado, a existência de condições de funcionamento da 
cooperativa em constituição, bem como a regularidade da documentação 
apresentada, o órgão controlador devolverá, devidamente autenticadas, 2 (duas) 
vias à cooperativa, acompanhadas de documento dirigido à Junta Comercial do 
Estado, onde a entidade estiver sediada, comunicando a aprovação do ato 
constitutivo da requerente. 
 
Seguindo esta corrente, Alexandre Gialuca (Direito Empresarial) defende que o registro deve ser 
feito na Junta Comercial, consoante com a Lei 8934/94, art. 32. 
Lei 8934/94 (Registro Público de Empresas Mercantis) 
Art. 32. O registro compreende: 
I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes 
comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; 
II - O arquivamento: 
a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de 
firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; 
b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei nº 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976; 
c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a 
funcionar no Brasil; 
d) das declarações de microempresa; 
e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao Registro 
Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que possam 
interessar ao empresário e às empresas mercantis; 
III - a autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis 
registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de lei própria. 
 
Ainda no mesmo sentido, o Enunciado 69 do CJF: 
CJF 69 – Art. 1.093: As sociedades cooperativas são sociedades simples sujeitas à 
inscrição nas juntas comerciais. 
Levar para prova objetiva. 
Segunda corrente: (defendida por autores como Pablo Stolze, MHD, Paulo Restiffe, Nílson Reis 
Júnior, André Ramos), sustenta que o registro da cooperativa deve ser feito no CRPJ. 
André Ramos (Direito Empresarial) concorda com Pablo.Argumentos: 
 
 
 As disposições legais acima devem ser reinterpretadas a partida da entrada em vigor do CC/02, 
que atribuiu às cooperativas natureza de sociedade simples, afirmando ainda que as SS devem 
ser registradas no CRPJ. 
 Art. 18 do da Lei do Cooperativismo não foi recepcionada pela CF/88, por que cuida da 
autorização estatal para criação das cooperativas. Atualmente é vedada a intervenção do Estado 
para criação das cooperativas. 
6.8. ASSOCIAÇÕES 
6.8.1. Considerações 
 Pessoas jurídicas de direito privado que são formadas pela união de indivíduos, visando a 
finalidade IDEAL ou NÃO ECONÔMICA. Pelo fato de não perseguir o lucro a associação não está 
impedida de gerar renda que sirva para manter-se (atividades e quadro funcional). Em uma associação, 
os membros não pretendem partilhar lucros ou dividendos (como na sociedade civil/empresarial). A 
receita gerada é revertida em benefício da associação para melhoria de sua atividade. Por isso, o seu ato 
constitutivo (estatuto), não deve impor entre os próprios associados direitos e obrigações 
recíprocos como aconteceria se tratasse de um contrato social (firmado entre sócios). 
CC Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem 
para fins não econômicos. 
Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. 
Diferença para fundação, é que esta é um patrimônio que se personifica. Já associação é formada 
por indivíduos, não por patrimônio. 
Exemplo de associações: associação de bairro, clube recreativo, sindicatos... 
OBS: Segundo Pablo Stolze, dado a sua natureza associativa de direito privado, NÃO cabe mandado de 
segurança contra ato de dirigente de sindicato. 
6.8.2. O Estatuto das Associações (requisitos: art. 54 CC) 
É o ato constitutivo da associação (ato normativo), que é registrado no CRPJ. 
Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: 
I - a denominação, os fins e a sede da associação; 
II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; 
III - os direitos e deveres dos associados; 
IV - as fontes de recursos para sua manutenção; 
V - o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; 
VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. 
VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. 
6.8.3. Assembleia Geral 
Órgão mais importante da ASSOCIAÇÃO. Na forma do art. 59 do CC, são atribuições da 
assembleia geral: 
 
 
1) Eleger os administradores; 
2) Destituir os administradores (CC); 
3) Aprovar as contas; 
4) Alterar o estatuto (CC); 
Atribuições privativas da assembleia geral. 
OBS: O art. 55 do CC estabelece que embora uma associação possa ter categorias diferentes de 
associados, em cada categoria, os associados devem ter direitos iguais. Exemplo: pode ser que os 
integrantes de uma categoria tenham voto de mais peso, e os de outra categoria, tenha menos. Mas 
sendo da mesma categoria, deverão ter o mesmo valor. 
Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir 
categorias com vantagens especiais. 
Art. 59. Compete privativamente à assembleia geral: 
 I – destituir os administradores; 
II – alterar o estatuto. 
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo 
é exigido deliberação da assembleia especialmente convocada para esse fim, 
cujo quorum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição 
dos administradores. 
 
6.8.4. Dissolução da associação 
 Regra geral, dissolvida a associação, o seu patrimônio será atribuído a entidades de fins não 
econômicos designadas no estatuto ou em sendo este omisso, o patrimônio será deferido à instituição 
municipal, estadual ou federal, de fins iguais ou semelhantes. (art. 61 do CC). 
Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois 
de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único 
do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no 
estatuto, ou, OMISSO este, por DELIBERAÇÃO DOS ASSOCIADOS, à 
instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. 
§ 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, 
podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber 
em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado 
ao patrimônio da associação. 
§ 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em 
que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que 
remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito 
Federal ou da União. 
 
6.8.5. Exclusão do associado 
A exclusão do associado: art. 57 do CC. Havendo justa causa, com contraditório e recurso. 
Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim 
reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos 
termos previstos no estatuto. 
 
 O condômino também pode ser excluído? NÃO, condomínio é um ente despersonificado com outro 
regramento. Violaria o direito de propriedade (desapropriação privada?!). Ver condomínio. 
6.9. EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA 
Formas de dissolução da pessoa jurídica: 
 
 
1) Convencional; 
2) Administrativa; 
3) Judicial. 
Vejamos: 
6.9.1. Convencional 
Mais usada em sociedades. Os próprios sócios convencionam o fim da pessoa jurídica, eles fazem 
um distrato. 
6.9.2. Administrativa 
Decorre da cassação da autorização especial que constituiu a pessoa jurídica. Tendo todas as 
prerrogativas do processo administrativo, contraditório, etc. O banco pode ter sua autorização cassada 
pelo Banco Central, por exemplo. 
6.9.3. Judicial 
Deriva de um processo, resultando em uma sentença, como por exemplo, a Lei 11.101/05 – Lei 
de Falências. 
CC/02 Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização 
para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se 
conclua. 
§ 1o Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua 
dissolução. 
§ 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicam-se, no que couber, 
às demais pessoas jurídicas de direito privado. 
§ 3o Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa 
jurídica. 
 
6.10. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA (“Disregard Doctrine”) 
6.10.1. Histórico 
 O professor alemão Rolf Serick desenvolveu a doutrina que se espalhou pelo mundo, em especial 
a Itália. Rubens Requião: trouxe pensamento da teoria da desconsideração para o Brasil. 
Aaron Salomon VS Salomon Company: Inglaterra. Aaron constituiu uma sociedade com membros 
próximos da família. Detalhe: Aaron mantinha 20.000 em ações e cada um dos outros sócios 1. A fila dos 
credores quirografários ia aumentando. 
 Assim, como presidente da empresa, Aaron decidiu emitir títulos privilegiados de bolsa, sendo que 
ele mesmo comprara os títulos. A empresa vem à bancarrota. Ocorre o concurso de credores. Na frente 
de TODOS credores quirografários, quem está? Salomon, impedindo que os outros credores recebessem. 
 Os credores impugnaram o ato, tendo em vista a inequívoca fraude. A Corte dos Lordes da 
Inglaterra não aceitou a tese dos credores, fundamentando que pessoa física era uma coisa, pessoa 
jurídica outra. Embora Aaron tenha se saído bem, a tese (tentativa neste caso) da desconsideração se 
espalhou pelo mundo. 
6.10.2. Conceito 
 
 
 A teoria da desconsideração pretende justificar o afastamento temporário da personalidade da 
pessoa jurídica, permitindo que os credoreslesados possam satisfazer os seus direitos no patrimônio 
pessoal do sócio ou administrador que cometeu o ato abusivo. 
A disregard pretende o superamento episódico da pessoa jurídica. Quando ela é aplicada 
(medida sancionatória) a personalidade jurídica é afastada (retira-se o “véu”), permitindo que o titular do 
direito o satisfaça, para que após, retorne a personalidade ao status quo ante. 
OBS: Doutrina diz pode ser aplicada para qualquer tipo de pessoa jurídica: sociedade, associação, 
fundação, até sociedade filantrópica, mas é mais comumente usado em sociedade empresária. Nesse 
sentido, Enunciado 284 do CJF: 
284 – Art. 50: As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins 
não econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica. 
6.10.3. Desconsideração x Despersonalização 
Em respeito ao princípio da função social da empresa, vale frisar que DESCONSIDERAR é apenas 
superar episodicamente a personalidade da pessoa jurídica e não obrigatoriamente despersonificá-la. 
A desconsideração da pessoa jurídica é tópica, ela ocorre e a empresa continua a funcionar após, se 
possível. 
Na DESPERSONIFICAÇÃO, não se pretende o simples afastamento temporário de 
personalidade, mas sim, a extinção da própria pessoa jurídica e o cancelamento do seu registro, como 
se deu em face de algumas torcidas organizadas em nosso país, por exemplo (MP/SP que ingressou com 
a ação para despersonificar as torcidas – a associação estava sendo utilizada para o cometimento de 
crimes). A PJ é aniquilada. 
A despersonificação é PERMANENTE, a desconsideração é TEMPORÁRIA. 
6.10.4. Desconsideração x Despersonalização x Corresponsabilidade x Solidariedade 
A desconsideração, como já explicitado, traduz apenas o superamento episódico da PJ, em função 
de fraude, abuso ou desvio de finalidade; despersonalização, reservada a casos de excepcional 
gravidade ocorre com a extinção compulsória, pela via judicial da PJ. 
Ambas não se confundem com responsabilidade patrimonial direta dos sócios, tanto nas hipóteses 
de corresponsabilidade como nas hipóteses de solidariedade. Nestes casos, ao contrário da 
despersonalização e desconsideração, que são decretadas, tal responsabilidade direta é reconhecida - 
- declarada -, declarando-se a ocorrência do fato e suas consequências jurídicas. 
Corresponsabilidade: está no CTN, casos de tributos deixados de ser recolhidos em decorrência 
de atos ilícitos ou praticados com excesso de poderes por administradores de sociedades. Essa 
responsabilidade é apriorística, ela já existe no sistema, ela é prévia. Ao contrário da desconsideração 
que tem outros pressupostos e requisitos. 
Solidariedade: está na legislação societária, casos em que genericamente os administradores das 
sociedades ajam com excesso de poderes ou pratiquem atos ilícitos. 
O que se entende por teoria “Ultra Vires Societatis”? Não confundir com a teoria da 
desconsideração. Esta teoria ultra vires sustenta que, na forma do artigo 1.015 do CC, é inválido e 
ineficaz o ato praticado pelo sócio que extrapole os limites do contrato social. O que ela faz em verdade 
é proteger a própria pessoa jurídica. Se o sócio realiza um contrato, um determinado ato, extrapolando o 
 
 
contrato social, a sociedade não responde por esse ato visto que é inválido perante a sociedade, não 
vincula a sociedade. Quem responderá é o sócio que realizou o ato. 
Art. 1.015. No silêncio do contrato, os administradores podem praticar todos os atos 
pertinentes à gestão da sociedade; não constituindo objeto social, a oneração ou a 
venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidir. 
Parágrafo único. O EXCESSO por parte dos administradores somente pode 
ser oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: 
I - se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio 
da sociedade; 
II - provando-se que era conhecida do terceiro; 
III - tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. 
6.10.5. Requisitos da desconsideração da pessoa jurídica (art. 50 cc) 
Art. 50. Em caso de ABUSO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, caracterizado pelo DESVIO DE FINALIDADE, ou 
pela CONFUSÃO PATRIMONIAL, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando 
lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos 
aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. 
o Descumprimento da obrigação (insolvente) – ocorrência de prejuízo 
+ 
o Abuso: desvio de finalidade ou confusão patrimonial 
Para justificar a desconsideração deve-se ter um descumprimento de obrigação, caso contrário 
não teria motivos para desconsiderar a PJ, a princípio. No entanto, o Enunciado 281 do CJF diz que a 
demonstração da insolvência não é necessária. 
281 – Art. 50: A aplicação da teoria da desconsideração, descrita no art. 50 do 
Código Civil, prescinde da demonstração de insolvência da pessoa jurídica. 
a) Desvio de finalidade: desvirtuamento do objetivo social para perseguir fins não previstos 
contratualmente ou proibidos por lei. 
Exemplo: sócio não realiza a atividade objeto da sociedade, mesmo que aparentemente escorado no 
contrato (senão aplicar-se-ia a teoria ultra vires). A aparência é de venda de camisetas, mas na verdade 
está contrabandeando ou aparentemente está comprando e vendendo produtos no varejo, só que aquele 
sócio, na verdade está lavando dinheiro. 
b) Confusão patrimonial: atuação do sócio ou administrador confundiu-se com o funcionamento da 
própria sociedade que é utilizada como verdadeiro escudo, não se podendo identificar a separação 
patrimonial entre ambos. 
Exemplo: Ocorre no caso em que uma empresa realiza atos por intermédio de outra empresa insolvente, 
isto também é uma forma de abuso. 
Também pode caracterizar situação de abuso por confusão de patrimônio apta a permitir a 
desconsideração, a situação em que uma empresa controladora atua fraudulentamente por meio de outra 
empresa do mesmo grupo. Neste caso, opera-se uma “desconsideração indireta”: desconsidera-se a 
empresa controlada, para se atingir a controladora (exemplo: grande empresa, a matriz, coligada a outras 
empresas, o grupo é forte, mas tem muitas dívidas, elas criam uma outra empresa, uma fraca, para esta 
 
 
absorver todo passivo. Quando o credor vai buscar seu direito, vai na empresa fraca, a qual tem o passivo 
e não encontrará nada. Forma de confusão patrimonial). 
*Livro Aprofundamento: Calisto Salomão Filho – “Novo Direito Societário”. 
OBS1: na desconsideração da pessoa jurídica, não importa a intenção. Não tem de demonstrar, além 
dos requisitos do CC, a intenção que o sócio teria. O CC, por influência do professor Fábio Konder 
Comparato (obra: “O poder de controle da S/A”), conferiu uma feição objetiva à desconsideração, 
dispensando-se a prova de elementos anímicos ou intencionais do sócio/administrador autor do ato 
abusivo. Venosa: boa-fé objetiva. 
Em mais de uma oportunidade (REsp 279.273/SP, REsp 744.107/SP...), o STJ tem afirmado que 
a regra geral no âmbito da desconsideração é a TEORIA MAIOR DA DESCONSIDERAÇÃO DA 
PERSONALIDADE Jurídica que, além da insolvência da PJ, exige também a demonstração do abuso 
do sócio, caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão de patrimônio (art. 50 CC) – requisitos 
específicos do abuso do sócio. 
Entretanto, em situações jurídicas especiais, para facilitar a satisfação do direito adota-se a 
TEORIA MENOR DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, que se contenta 
simplesmente com a demonstração do descumprimento da obrigação ou insolvência da PJ (é o que 
se dá no âmbito do CDC, assim como Direito Ambiental e Justiçado Trabalho). 
RESPONSABILIDADE CIVIL E DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSO 
ESPECIAL. SHOPPING CENTER DE OSASCO-SP. EXPLOSÃO. 
CONSUMIDORES. DANOS MATERIAIS E MORAIS. MINISTÉRIO PÚBLICO. 
LEGITIMIDADE ATIVA. PESSOA JURÍDICA. DESCONSIDERAÇÃO. TEORIA 
MAIOR E TEORIA MENOR. LIMITE DE RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS. 
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.REQUISITOS. OBSTÁCULO AO 
RESSARCIMENTO DE PREJUÍZOS CAUSADOS AOS CONSUMIDORES. ART. 
28, § 5º. 
- Considerada a proteção do consumidor um dos pilares da ordem econômica, e 
incumbindo ao Ministério Público a defesa da ordem jurídica, do regime democrático 
e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, possui o Órgão Ministerial 
legitimidade para atuar em defesa de interesses individuais homogêneos de 
consumidores, decorrentes de origem comum. 
- A teoria MAIOR da desconsideração, regra geral no sistema jurídico brasileiro, não 
pode ser aplicada com a mera demonstração de estar a pessoa jurídica insolvente 
para o cumprimento de suas obrigações. Exige-se, aqui, para além da prova de 
INSOLVÊNCIA, ou a demonstração de DESVIO DE FINALIDADE (teoria 
SUBJETIVA da desconsideração), ou a demonstração de CONFUSÃO 
PATRIMONIAL (teoria OBJETIVA da desconsideração). 
- A teoria MENOR da desconsideração, acolhida em nosso ordenamento jurídico 
excepcionalmente no Direito do Consumidor e no Direito Ambiental, incide com a 
MERA PROVA DE INSOLVÊNCIA DA PESSOA JURÍDICA para o pagamento de 
suas obrigações, independentemente da existência de desvio de finalidade ou de 
confusão patrimonial. 
- Para a teoria menor, o risco empresarial normal às atividades econômicas não 
pode ser suportado pelo terceiro que contratou com a pessoa jurídica, mas pelos 
sócios e/ou administradores desta, ainda que estes demonstrem conduta 
administrativa proba, isto é, mesmo que não exista qualquer prova capaz de 
identificar conduta culposa ou dolosa por parte dos sócios e/ou administradores da 
pessoa jurídica. 
 
 
- A aplicação da teoria menor da desconsideração às relações de consumo está 
calcada na exegese autônoma do § 5º do art. 28, do CDC, porquanto a incidência 
desse dispositivo não se subordina à demonstração dos requisitos previstos no 
caput do artigo indicado, mas apenas à prova de causar, a mera existência da 
pessoa jurídica, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos 
consumidores. (Resp 279.273/SP) 
 
 
RECURSO ESPECIAL. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
("disregard doctrine"). HIPÓTESES. 1. A desconsideração da personalidade jurídica 
da empresa devedora, imputando-se ao grupo controlador a responsabilidade pela 
dívida, pressupõe - ainda que em juízo de superficialidade - a indicação comprovada 
de atos fraudulentos, a confusão patrimonial ou o desvio de finalidade. 
2. No caso a desconsideração teve fundamento no fato de ser a controlada 
(devedora) simples longa manus da controladora, sem que fosse apontada uma das 
hipóteses previstas no art. 50 do Código Civil de 2002. Recurso especial conhecido. 
(Resp 744.107/SP) 
 
OBS3: Com o art. 50 CC, põe-se fim a qualquer discussão acerca da possibilidade de alcançar o 
patrimônio de administradores não sócios, cuja conduta deve ser o mais idônea possível, tendo em vista 
tal possibilidade expressa de sua responsabilização. 
6.10.6. Direito Positivo 
Art. 50 do CC e o Art. 28 do CDC (artigos base da doutrina da desconsideração da pessoa jurídica). 
CC Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo 
desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a 
REQUERIMENTO da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir 
no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam 
estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. 
 
*Teoria MAIOR da Desconsideração da Pessoa Jurídica (requisitos específicos – abuso de direito: 
desvio de finalidade ou confusão patrimonial). Perceber que aqui há a necessidade de requerimento da 
parte ou do MP. 
Obs: Pode ser aplicada a PJ’s criadas antes do CC/02, pois trata de norma de eficácia da PJ. 
CDC (Prova: se tratar de Relação de Consumo) 
Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade 
quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, 
infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A 
desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de 
insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má 
administração. 
§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua 
personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos 
causados aos consumidores. 
 
Trata-se da Teoria MENOR da Desconsideração da Pessoa Jurídica. (não necessita de requisitos 
específicos). Perceber que aqui pode ser de ofício. 
 
 
 *A administração pública pode de ofício desconsiderar a pessoa jurídica? Ou é matéria 
sobre reserva de jurisdição? Regra geral, a doutrina tem entendido que a desconsideração da pessoa 
jurídica é matéria “sob reserva de jurisdição” devendo ser observado o contraditório e ampla defesa 
(Edmar Andrade, Gustavo Tepedino), sendo que em caráter excepcional de comprovada fraude à lei, a 
administração pode fazê-lo de ofício (STJ, RMS 15.166/BA). 
 “ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. 
LICITAÇÃO. SANÇÃO DE INIDONEIDADE PARA LICITAR. EXTENSÃO DE 
EFEITOS À SOCIEDADE COM O MESMO OBJETO SOCIAL, MESMOS SÓCIOS 
E MESMO ENDEREÇO. FRAUDE À LEI E ABUSO DE FORMA. 
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NA ESFERA 
ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA MORALIDADE 
ADMINISTRATIVA E DA INDISPONIBILIDADE DOS INTERESSES PÚBLICOS. 
- A constituição de nova sociedade, com o mesmo objeto social, com os mesmos 
sócios e com o mesmo endereço, em substituição a outra declarada inidônea para 
licitar com a Administração Pública Estadual, com o objetivo de burlar a aplicação 
da sanção administrativa, constitui abuso de forma e fraude à Lei de Licitações Lei 
n.º 8.666/93, de modo a possibilitar a aplicação da teoria da desconsideração da 
personalidade jurídica para estenderem-se os efeitos da sanção administrativa à 
nova sociedade constituída. 
- A Administração Pública pode, em observância ao princípio da moralidade 
administrativa e da indisponibilidade dos interesses públicos tutelados, 
desconsiderar a personalidade jurídica de sociedade constituída com abuso de 
forma e fraude à lei, desde que facultado ao administrado o contraditório e a ampla 
defesa em processo administrativo regular. 
 
 *O juiz pode desconsiderar de ofício? Pablo entende que não, ela depende de um requerimento 
do interessado, fora que o art. 50 diz que deve ser a requerimento do interessado ou do MP. Exceção é 
o CDC! 
6.10.7. Diferenças entre o art.50 CC/02 e art. 28 CDC 
CC/02 Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo 
desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a 
requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no 
processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam 
estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. 
CDC Art. 28 - O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade 
(veja: de ofício) quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, 
excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou 
contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, 
estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados 
pormá administração. 
§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua 
personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos 
causados aos consumidores. 
 
1ª diferença) O CDC por ser norma de ordem pública não exige requerimento do consumidor 
para que se efetive a desconsideração da personalidade jurídica, podendo ser declarada de 
ofício, cujo intuito é contribuir com a reparação aos danos do consumidor. 
 
 
2ª diferença) O CDC adotou a Teoria Menor, ou seja, basta a INSOLVÊNCIA para a 
desconsideração da personalidade jurídica. Já o CC/02 adotou a Teoria Maior, que pode ser 
subjetiva (além da insolvência tem que ter o desvio da finalidade) ou objetiva (além da insolvência 
tem que existir a confusão patrimonial). Lembrar daquele enunciado que não exige a 
demonstração de insolvência. 
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NO CC E NO CDC 
CÓDIGO CIVIL ART. 50 CDC – ART. 28 
As hipóteses são restritas. As hipóteses são bem amplas. 
Aplicação da teoria maior Aplicação da teoria menor 
Exige confusão patrimonial ou desvio de finalidade. Basta haver insolvência do fornecedor. 
Não pode ser aplicada de ofício. Exige requerimento 
da parte ou do MP. 
Pode ser aplicada de ofício. O CDC prescreve 
normas de ordem pública e de interesse social. 
6.10.8. Observações importantes sobre desconsideração da pessoa jurídica 
1) Requerimento específico dirigido ao sócio/administrador 
A doutrina moderna, consoante se lê no enunciado 07 da IJDC/CJF (ver também Projeto de Lei 
3401/08) tem sustentado que, dado seu caráter sancionatório, a desconsideração exige requerimento 
específico dirigido ao sócio ou administrador que cometeu o ato abusivo ou dele se beneficiou. 
JDC 7 – Art. 50: Só se aplica a desconsideração da personalidade jurídica quando 
houver a prática de ato irregular e, limitadamente, aos administradores ou sócios 
que nela hajam incorrido. 
2) Até que momento no decorrer do processo pode ser arguida a desconsideração? 
O STJ pacificou entendimento no sentindo de que a desconsideração é possível em sede de 
execução (REsp 920602/DF). Mesmo que o sócio que se beneficiou não tenha participado do 
processo de conhecimento, poderá ainda participar da execução. 
 
Pablo: Acrescentamos que, em nosso entendimento, a arguição incidental em processo de 
execução com atingimento do patrimônio dos sócios, somente se mostra razoável na hipótese de tais 
indivíduos haverem sido vinculados a anterior processo de conhecimento (que formou o título judicial) ou, 
como dito, em caso de ocorrência a posteriori dos requisitos da desconsideração (com a garantia do 
contraditório e da ampla defesa). 
3) Desnecessidade de processo autônomo 
STJ – para a arguir a desconsideração da PJ, não há necessidade de processo autônomo, pode 
sim ser arguida em sede de execução. 
DESCONSIDERAÇÃO. PERSONALIDADE JURÍDICA. PROCESSO 
FALIMENTAR. Trata-se de REsp em que o recorrente, entre outras alegações, 
pretende a declaração da decadência do direito de requerer a desconsideração da 
personalidade jurídica da sociedade empresária falida, bem como da necessidade 
de ação própria para a responsabilização dos seus ex-sócios. A Turma conheceu 
parcialmente do recurso, mas lhe negou provimento, consignando, entre outros 
fundamentos, que, no caso, a desconsideração da personalidade jurídica é apenas 
 
 
mais uma hipótese em que não há prazo – decadencial, se existisse – para o 
exercício desse direito potestativo. À míngua de previsão legal, o pedido de 
desconsideração da personalidade jurídica, quando preenchidos os 
requisitos da medida, poderá ser realizado a qualquer momento. Ressaltou-se 
que o próprio projeto do novo CPC, que, de forma inédita, disciplina um 
incidente para a medida, parece ter mantido a mesma lógica e não prevê prazo 
para o exercício do pedido. Ao contrário, enuncia que a medida é cabível em 
todas as fases do processo de conhecimento, no cumprimento de sentença e 
também na execução fundada em título executivo extrajudicial (art. 77, 
parágrafo único, II, do PL n. 166/2010). Ademais, inexiste a alegada exigência 
de ação própria para a desconsideração da personalidade jurídica, visto que 
a superação da pessoa jurídica afirma-se como incidente processual, e não 
como processo incidente, razão pela qual pode ser deferida nos próprios 
autos da falência. Registrou-se ainda que, na espécie, a decisão que 
desconsiderou a personalidade jurídica atinge os bens daqueles ex-sócios 
indicados, não podendo, por óbvio, prejudicar terceiros de boa-fé. Precedentes 
citados: REsp 881.330-SP, DJe 10/11/2008; REsp 418.385-SP, DJ 3/9/2007, e 
REsp 1.036.398-RS, DJe 3/2/2009. REsp 1.180.191-RJ, Rel. Min. Luis Felipe 
Salomão, julgado em 5/4/2011. (Informativo 468 – 4ª Turma) 
4) O “encerramento irregular” da pessoa jurídica configura por si os requisitos do abuso de 
direito, quais sejam, desvio de finalidade ou confusão patrimonial? 
NÃO. Forte no enunciado 282 do CJF. 
282 – Art. 50: O encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si só, 
não basta para caracterizar abuso da personalidade jurídica. 
5) A própria pessoa jurídica pode alegar em BENEFÍCIO PRÓPRIO a “disregard”? 
PODE. Forte no enunciado 285 do CJF. 
 
285 – Art. 50: A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode 
ser invocada pela pessoa jurídica, em seu favor. 
6.10.9. “Desconsideração inversa da personalidade jurídica” ou “Desconsideração da 
personalidade jurídica inversa” ou “Desconsideração da personalidade jurídica na 
modalidade inversa” 
Neste tipo de desconsideração, o juiz atinge o patrimônio da pessoa jurídica para alcançar o sócio 
ou administrador (pessoa física) que cometeu o ato abusivo; esta teoria tem sido aplicada no juízo de 
família inclusive (ver Rolf Madaleno: Direito de Família - Aspectos Polêmicos) 
Enunciado 283 da IV-JDC também aceita este tipo de desconsideração: 
JDC 283 – Art. 50: É cabível a desconsideração da personalidade jurídica 
denominada “inversa” para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica 
para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros. 
 
DESCONSIDERAÇÃO COMUM DESCONSIDERAÇÃO INVERSA 
 
 
Supera-se episodicamente a pessoa jurídica para 
atingir BENS DOS SÓCIOS por obrigações DA 
PESSOA JURÍDICA. 
Supera-se episodicamente a pessoa jurídica para 
atingir BENS DA PESSOA JURÍDICA por obrigações 
DOS SÓCIOS. 
 
6.10.10. Incidente de desconsideração da PJ 
Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado 
a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo. 
§ 1o O pedido de desconsideração da personalidade jurídica observará os 
pressupostos previstos em lei. 
§ 2o Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inversa da 
personalidade jurídica. 
 
Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo 
de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título 
executivo extrajudicial. 
§ 1o A instauração do incidente será imediatamente comunicada ao distribuidor para 
as anotações devidas. 
§ 2o Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade 
jurídica for requerida na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a 
pessoa jurídica. 
§ 3o A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese do § 2o. 
§ 4o O requerimento deve demonstrar o preenchimento dos pressupostos legais 
específicos para desconsideração da personalidade jurídica. 
 
Art. 135. Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para 
manifestar-se e requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze)dias. 
 
Art. 136. Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por 
decisão interlocutória. 
Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo relator, cabe agravo interno. 
 
Art. 137. Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de 
bens, havida em fraude de execução, será ineficaz em relação ao requerente. 
 
 
DIREITOS DA PERSONALIDADE 
*Cristiano Chaves 
1. INTRODUÇÃO 
O homem não deve ser protegido somente em seu patrimônio (como era no CC/16), mas 
principalmente em sua essência. 
Desde que vive e enquanto vive o homem é dotado de personalidade jurídica, que, consoante 
preconiza Clóvis Beviláqua "é a aptidão, reconhecida pela ordem jurídica a alguém, para exercer direitos 
e contrair obrigações", ou, ainda, em outros termos, como ensina, Silvio Venosa, "é o conjunto de poderes 
conferidos ao homem para figurar nas relações jurídicas". Todavia vale dizer, que a personalidade não 
é um direito, mas sim, um conceito sobre o qual se apoiam os direitos a ela inerentes. 
Conceito de direitos de personalidade: Constituem uma categoria especial de direitos subjetivos 
reconhecida ao titular da personalidade para que ele possa desenvolvê-la plenamente, estando voltados 
à sua esfera privada. 
 
 
Pablo Stolze conceitua direitos da personalidade como aqueles que têm por objeto os atributos 
físicos, psíquicos e morais da pessoa em si e em suas projeções sociais. 
São direitos básicos e fundamentais que, hoje garantidos pelo novo Código Civil, dão ao direito 
privado as características constitucionais impostas pela nova ordem introduzida pela Carta Política de 
1988 (tábua de valores), diferente do que ocorria com o Código Civil de 1916 de caráter puramente 
patrimonialista. 
 O regramento encontra-se a partir do artigo 11 do Código Civil, que dispõe: 
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são 
intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação 
voluntária. (os direitos da personalidade são relativamente indisponíveis). 
 
No Código de 1916 o cidadão tinha aptidão para titularizar relações jurídicas, ou seja, era sujeito 
de direitos. Surge aqui o conceito de capacidade jurídica (‘medida’ da personalidade). Logo, quem 
dispunha de personalidade poderia ser sujeito de direitos (tinha capacidade). Nessa época, o conceito de 
personalidade se confundia com a própria titularização das relações jurídicas. 
Ao lado do conceito de personalidade veio o conceito de capacidade jurídica (possibilidade de 
titularizar pessoalmente relações jurídicas de conteúdo patrimonial). A titularidade de capacidade 
jurídica não pressupõe a titularidade de personalidade, exemplo disso é o condomínio, que tem 
capacidade, mas não tem personalidade jurídica. De modo diverso, sempre quem dispõe de 
personalidade terá capacidade jurídica (talvez não tenha capacidade de fato, mas sempre terá 
capacidade de direito). 
A capacidade jurídica também é reconhecida aos entes despersonalizados, no entanto nenhum 
condomínio edilício poderá ser sujeito de reconhecimento de dano moral, por exemplo, exatamente 
porque não tem personalidade jurídica. A capacidade jurídica permite ao ente despersonalizado 
exercer relações patrimoniais, mas jamais existenciais. 
Ou seja, a proteção aos direitos da personalidade se aplica a todos os sujeitos detentores de 
personalidade jurídica, não se aplicando, no entanto, aos chamados entes despersonalizados. 
 
Em outras palavras: ter personalidade implica em ter capacidade, mas a recíproca não é 
verdadeira. Nem todo aquele que dispõe de capacidade jurídica, dispõe de personalidade, como, por 
exemplo, os entes despersonalizados. Os direitos da personalidade não foram percebidos pelo CC/16 
porque eles tendem a uma valorização das relações existenciais, e o CC/16 queria era proteger as 
relações patrimoniais, por isso ele se preocupava mais com o conceito de capacidade do que com o 
conceito de personalidade. O CC/02 valoriza o conceito de personalidade, e é por isso que ele parte da 
premissa que a categoria jurídica fundamental do sistema é os direitos da personalidade, somente 
protegendo a pessoa, somente protegendo aquele que dispõe de personalidade é que poderemos criar 
um sistema voltado à pessoa, afinal o direito é feito pelo homem para o homem, os direitos da 
personalidade trazem a ideia de proteção fundamental. 
Art. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. 
 
Esses direitos da personalidade constituem um rol exemplificativo, por que eles tendem ao 
reconhecimento dos direitos fundamentais. É direito da personalidade tudo aquilo que a pessoa 
precisa ter para ter uma vida digna (sob o prisma de uma relação privada). Os direitos da personalidade 
constituem então os direitos fundamentais, as garantias fundamentais para que a pessoa titularize 
relações privadas. 
 
 
Nem todos direitos da personalidade estão tipificados em lei: honra e imagem, por exemplo, estão. 
Entretanto, até 1988 não estavam. 
O direito brasileiro reconhece uma cláusula geral de proteção à personalidade, todos os direitos à 
personalidade estão atrelados a essa cláusula geral. A cláusula geral da DIGNIDADE DA PESSOA 
HUMANA (CRFB) é o que protege a personalidade, todos direitos da personalidade se ligam a ela, e é 
por isso que o rol é exemplificativo. 
Enunciado 274 da I JDC: 
274 — Art. 11. Os direitos da personalidade, regulados de maneira não exaustiva 
pelo Código Civil, são expressões da cláusula geral de tutela da pessoa 
humana, contida no art. 1º, III, da Constituição (princípio da dignidade da pessoa 
humana). Em caso de colisão entre eles, como nenhum pode sobrelevar os demais, 
deve-se aplicar a técnica da ponderação. 
 
Dignidade da pessoa humana: Miguel Reale – todo princípio é um valor acolhido pelo sistema, a DPH 
é nossa maior opção ideológica, o maior valor da República (CRFB). Ela é um sistema aberto, plástico. 
Não se sabe o que é DPH, apenas no caso concreto se poderá construir o conceito de dignidade. 
2. CONTEÚDO JURÍDICO DO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA 
Núcleo duro ou conteúdo mínimo do princípio da dignidade: significa dizer que não se sabe 
exatamente onde ele está, mas sabe o caminho, o princípio aponta um caminho. Não dá para dar um 
conceito fechado de dignidade, que é algo aberto. 
a) Integridade física e psíquica 
b) Liberdade e igualdade 
c) Mínimo existencial 
 Não se sabe onde ela está, mas sabe-se onde ela provavelmente seja encontrada. 
No que tange a integridade física e psíquica – Lei 11.346/06 trouxe o conceito de alimentação 
adequada. 
Direito a liberdade e igualdade – STF reconheceu a possibilidade de reconhecimento de união 
homoafetiva como entidade familiar. 
Mínimo existencial – é o que os constitucionalistas chamam de direito ao patrimônio mínimo. 
CC Art. 548. É nula a doação de todos os bens sem reserva de parte, ou renda 
suficiente para a subsistência do doador. 
 
 O fundamento não é a integralidade ou não da doação e sim da dignidade do doador. 
Outro exemplo: 
CPC/2015: 
Art. 833. São absolutamente impenhoráveis: 
II – os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência 
do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades 
comuns correspondentes a um médio padrão de vida; 
 É uma proteção ao patrimônio mínimo como expressão da dignidade humana, o médio padrão de 
vida. 
 
 
 Os bens imóveis de elevado valor também estão alcançados pela impenhorabilidade? 
 Na letra fria do CPC, na redação do art. 833 (CPC/2015), combinado com a lei 8.009/90 – bem de 
família – os bens imóveis de moradia são sempre impenhoráveis. Entretanto, o devedor que temsomente 
UM imóvel valiosíssimo, ele pode ter vida digna em um imóvel de menor valor, podendo então, este ser 
penhorado. 
Marinoni e Didier: é possível penhorar bem imóvel de elevado valor. Não com base na norma-
regra, mas com base na norma-princípio, DPH. Pode-se falar na dignidade do próprio devedor, a qual 
se funda na proteção do patrimônio mínimo, sendo que a proteção da dignidade do credor, não se pode 
suprimir a dignidade do devedor. 
 A DH é de aplicação universal no nosso sistema, por isso não se deve esquecer que, no que tange 
ao direito público, nas relações estatais, a DH tem uma dupla face, vindo com um aspecto negativo, 
servindo como limite imposto à supremacia do interesse público (não se pode falar em interesse público 
violando a dignidade) e um aspecto positivo, obrigando o poder público a implementar políticas públicas. 
OBS: todo direito da personalidade é um direito fundamental constitucional? Nem todo direito da 
personalidade é um direito fundamental e vice-versa. Os DF são garantias aplicáveis no âmbito público 
e privado, enquanto os DP possuem uma vertente eminentemente privada. Exemplo de direito 
fundamental que não é da personalidade: direito à propriedade. 
 Eventualmente, um DP pode ter sido enquadrado como DF (honra = integridade psíquica = 
dignidade), mas não necessariamente. Podemos refletir sobre esse assunto da seguinte forma: 
2.1. DIREITOS DA PERSONALIDADE X LIBERDADES PÚBLICAS 
Essa distinção é fundamental, visto que os DP são vistos por um enfoque privado, são 
relacionados à proteção essencial das relações existenciais da pessoa e não decorrem de positivação, 
porquanto são inatos ao titular. 
Já as liberdades públicas, direitos fundamentais do indivíduo frente ao Estado, só existem 
mediante positivação e se referem eminentemente ao Direito Público (relação Estado X indivíduo). 
Exemplo: liberdade de expressão. 
Direitos da Personalidade são domiciliados no campo privado e as Liberdades Públicas situadas 
no direito público. 
3. FONTES DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
Diz respeito a origem dos direitos da personalidade. 
1ª Corrente - JUSNATURALISTA: Maria Helena Diniz, Pablo Stolze. A fonte dos direitos da 
personalidade é o jusnaturalismo, eles entendem que os DP não nascem da ordem jurídica, mas sim de 
uma ordem pré-existente ao direito, “uma ordem divina”. Para eles, os DP são INATOS, já se “vem de 
fábrica” com eles. Ligam-se à concepção religiosa e sua ideia de dignidade do homem. 
Exemplo: tribunal de Nuremberg – apesar de dizer que os homens estarem cumprindo a ordem do direito 
alemão, dos superiores, antes do direito alemão, eles estavam descumprindo uma ordem anterior a isto, 
o jusnaturalismo. MAJORITÁRIA. 
2ª Corrente - POSITIVISTA: Gustavo Tepedino, Pontes de Miranda, Cristiano Chaves. A fonte 
dos direitos da personalidade é o próprio sistema jurídico, para eles os direitos da personalidade não são 
inatos, são decorrentes do próprio sistema jurídico, constituem opção do sistema jurídico. Minoritária. 
 
 
Essa doutrina diz que se os DP fossem inatos, eles seriam universais, não se precisaria 
justificação, como poderia se matar em “tempo de guerra”, a “divindade” permite a exceção? Na 
escravidão, era respeitada a DPH? Não. HOJE o fim da escravidão foi uma opção jurídica. 
E mais: se direito autoral é direito da personalidade, como sustentar que eles são inatos? 
4. INÍCIO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
As dúvidas surgem, devido a má-redação do artigo 2º do CC. 
Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei 
põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. 
 
É antagônico. Existem três principais teses justificadoras do início da personalidade: 
1) Teoria Natalista; 
2) Teoria Concepcionista; 
3) Teoria Condicionalista; 
Vejamos: 
4.1. TEORIA NATALISTA 
Silvio Rodrigues e Venosa, dentre outros sustentam que a personalidade só se inicia do 
NASCIMENTO COM VIDA, logo, para ele os DP só são reconhecidos com o nascimento com vida. 
Ele diz que a expressão “desde a concepção” diz respeito à expectativa dos direitos do nascituro. 
Então, fundamentalmente, pelo nascituro só poderiam ser utilizadas ações cautelares, pois 
o nascituro tem apenas expectativa de direito. 
4.2. TEORIA CONCEPCIONISTA 
Clóvis Beviláqua, Teixeira de Freitas, Francisco Amaral (RJ). Para eles os DP se iniciam com a 
CONCEPÇÃO. Pois bem, eles ignoram a primeira parte “nascimento com vida”? Eles dizem que este é o 
ponto inicial para a aquisição de direitos patrimoniais, os DP existenciais permanecem desde a 
concepção. O nascituro pode receber doação, legado etc., ficando os direitos patrimoniais condicionados 
ao nascimento com vida, os DP são reconhecidos desde a concepção. Eles dizem que o nascituro já tem 
DP. 
4.3. TEORIA CONDICIONALISTA 
MHD, Cáio Mário, Washington de Barros Monteiro. Para eles, a personalidade do nascituro está 
condicionada ao nascimento com vida. Embora o nascituro já disponha de direitos da personalidade 
desde a concepção, os direitos patrimoniais estão condicionados, e assim, sua personalidade como um 
todo está condicionada. Prevalece na doutrina brasileira. 
Stolze e vários: O CC adota a teoria natalista (com inequívoca influência da concepcionista) 
Chaves e vários: O CC adota a teoria condicionalista. 
Silmara Chinelatto/SP – a segunda e a terceira tese dizem a mesma coisa, os DP se iniciam na 
concepção. O que muda da concepcionista para a condicionalista é a qualificação jurídica. 
 
 
Hoje, a doutrina brasileira e a legislação convergem no sentido de que o momento aquisitivo da 
personalidade é a concepção (uterina). REsp 399.028/SP – neste julgado o STJ se posicionou no sentido 
de reconhecer os direitos de personalidade do nascituro. 
Diplomas legais que expressamente reconhecem os DP do nascituro: ECA e 11.804/08 – lei dos 
alimentos gravídicos. 
Natimorto tem DP? 
Sim, pois antes de ser natimorto ele foi concebido, o que lhe garantiu direitos de personalidade. 
Nesse sentido o enunciado 1 da I JDC. 
JDC 1 – Art. 2º: a proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto 
no que concerne aos direitos da personalidade, tais como nome, imagem e 
sepultura. 
 
Embrião laboratorial tem DP? 
Não dispõe dos DP, lógica, evidentemente, apenas é considerada a concepção UTERINA. 
JDC 2 – Art. 2º: sem prejuízo dos direitos da personalidade nele assegurados, o art. 
2º do Código Civil não é sede adequada para questões emergentes da 
reprogenética humana, que deve ser objeto de um estatuto próprio. 
 
STF assim se manifestou no julgamento da ADI 3510. Rel. Min. Carlos Ayres Brito. 
Lei. 11.101/05 – biossegurança. O STF entendeu pela CONSTITUCIONALIDADE da possibilidade 
de embriões congelados ou criogenizados não utilizados para fins reprodutivos serem encaminhados para 
pesquisas com células-tronco. Isso significa que esta lei entendeu que os Direitos da Personalidade não 
se lhes aplicam. Se os Direitos da Personalidade fossem aplicados aos embriões congelados, eles não 
poderiam ser utilizados para outros fins. 
5. TÉRMINO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
5.1. MORTE REAL OU PRESUMIDA SEM DECRETAÇÃO DE AUSÊNCIA 
*Morte – extinção da personalidade e dos DP. 
Morte pode ser REAL (art. 6 primeira parte), PRESUMIDA com a decretação de ausência (art. 6 
in fine) ou PRESUMIDA sem decretação de ausência (situações excepcionais do art. 7 CC) 
Art. 6o A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, 
quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão 
definitiva. 
Art. 7o Pode ser declarada a morte PRESUMIDA, sem decretação de ausência: 
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigode vida; 
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado 
até dois anos após o término da guerra. 
 
 
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá 
ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença 
fixar a data provável do falecimento. 
A declaração de decretação de ausência traz efeitos eminentemente patrimoniais, desta forma, é 
certo que a morte presumida com declaração de ausência (ou seja, quando a lei autoriza a sucessão 
definitiva) não extingue os DP. No entanto, há um DP que é extinto (exceção): Art. 1.571, §2º - extinção 
da relação familiar, do casamento. 
Art. 6o A existência da pessoa natural termina com a morte; PRESUME-SE esta, 
quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão 
definitiva. 
Art. 1.571. A sociedade conjugal termina: 
§ 1o O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou pelo 
divórcio, aplicando-se a presunção estabelecida neste Código quanto ao 
ausente. 
 
5.2. TUTELA JURÍDICA DOS DP APÓS A MORTE 
 Atenção: a morte extingue os DP da personalidade, entretanto, mesmo após a morte, é possível 
falar em tutela jurídica aos DP. Ou seja, a pessoa já morreu, e sua personalidade se extinguiu, inclusive 
os DP, entretanto sua proteção pode acontecer pos mortem. 
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, 
e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. 
 
1ª SITUAÇÃO: quando a ofensa se perpetrou quando o titular ainda estava em vida, e ele, ainda 
em vida ajuizou ação, sobrevindo a morte. O problema é de forma processual, se resolvendo na forma 
do art. 110 do CPC/2015 - sucessão processual, o espólio ou os herdeiros se habilitam. Ordem 
processual. 
CPC/2015 Art. 110. Ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a sucessão 
pelo seu espólio ou pelos seus sucessores, observado o disposto no art. 313, §§ 1º 
e 2º. 
2ª SITUAÇÃO - Sofreu a lesão ao DP e morreu sem promover a ação. A doutrina clássica defende 
que se tratava de um interesse personalíssimo, portanto, os herdeiros não podiam fazê-lo. Doutrina e 
jurisprudência modificaram entendimento, no sentido de que o que NÃO se transmite é direito que tem 
natureza existencial; o que tem existência patrimonial pode ser pleiteado por outros, é a transmissão do 
direito à reparação. Ordem material. 
O CC tomou partido no art. 943 do CC: 
Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se 
com a herança. 
 
OBS: Todo direito à indenização se transmite aos herdeiros. 
O espólio só poderá mover a ação enquanto a ação não estiver prescrita. O STJ adota a tese da 
actio nata, de que os prazos extintivos (prescricional e decadencial) começam a fluir da data do 
conhecimento do fato, sendo que se a vitima teve conhecimento da lesão e não promoveu a ação, depois 
de sua morte, o espólio terá o prazo restante para promover a ação. 
3ª SITUAÇÃO – Se o dano se perpetrou após a morte. A ofensa dirigida diretamente à pessoa 
morta a atinge indiretamente aos seus parentes vivos (indicados no §único do art. 12 – lesados indiretos, 
ver responsabilidade civil, dano reflexo ou em ricochete). 
 
 
Art. 12 , Parágrafo único. Em se tratando de morto (OU AUSENTE), terá legitimação 
para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge (OU COMPANHEIRO) 
sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. 
 
A legitimação dos lesados indiretos é autônoma, ordinária. O que quer dizer que não se trata 
de substituição processual, isso significa que irão ajuizar ação em nome próprio, defendendo interesse 
próprio. Exemplo: Filha de Lampião e Maria Bonita ajuizou ação em seu nome contra a utilização da 
imagem de seus pais com fim comercial. Em POA, pais ajuizaram ação devido ao fato de ter saído no 
jornal morte do filho por AIDS considerando-o homossexual sendo ele era na verdade hemofílico. 
Ocorre aqui o chamado dano reflexo (ou em ricochete), que consiste no prejuízo que atinge 
reflexamente uma pessoa próxima à vítima direta do ato danoso. 
Não se aplica ordem de vocação hereditária do art. 1.829 porque os legitimados indiretos (reflexos) 
são legitimados CONCORRENTES. 
CC Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: 
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado 
este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação 
obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da 
comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares; 
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge; 
III - ao cônjuge sobrevivente; 
IV - aos colaterais. 
 
ATENÇÃO: quando tratar-se de direito à imagem, os legitimados na condição de lesados indiretos NÃO 
SÃO os do art. 12, parágrafo único, mas sim os do art. 20, parágrafo único: 
CC Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou 
à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, 
ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão 
ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se 
lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins 
comerciais. 
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas 
para requerer essa proteção o cônjuge (ou COMPANHEIRO), os ascendentes 
ou os descendentes. 
 
Portanto, em se tratando de direito a imagem NÃO ESTÃO LEGITIMADOS como lesados indiretos 
PARENTES EM LINHA RETA e COLATERAIS até 4º grau. 
Conclusão: Não existe DP do morto, entretanto, pode-se falar em tutela jurídica dos DP do morto, 
que pode ocorrer daquelas três formas distintas citadas acima. 
6. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade 
são INTRANSMISSÍVEIS e IRRENUNCIÁVEIS, não podendo o seu exercício sofrer 
limitação voluntária. 
 
 A partir deste artigo, podemos dizer que as características dos direitos da personalidade são 
INSTRAMISSIBILIDADE e IRRENUNCIABILIDADE (espécies do gênero INDISPONIBILIDADE), tal como 
qualquer direito individual. 
 
 
 Ao contrário do que uma interpretação rápida poderia permitir, os direitos da personalidade podem 
sofrer limitação voluntária nas exceções previstas em lei, portanto são RELATIVAMENTE 
INDISPONÍVEIS. 
O titular pode restringir voluntariamente os direitos da personalidade, DENTRO de determinados 
parâmetros, sendo estes: 
1) O ato não pode ser permanente; 
2) O ato não pode ser genérico; 
3) Não pode violar a DIGNIDADE do titular. 
1) O ato não pode ser permanente (exemplo: dizem que o Ronaldo teria um contrato vitalício com 
a Nike de cessão de imagem, sendo assim, ele poderia denunciar esse contrato, pois ninguém pode ceder 
sua imagem ilimitadamente – limite de 05 anos renováveis por igual período). 
2) O ato não pode ser genérico (sempre específico, é possível dispor desse ou daquele direito, 
mas não é possível ceder todos ao mesmo tempo). 
3) Não pode violar a DIGNIDADE do titular (ou seja, o titular não pode dispor, não pode flexibilizar 
sua personalidade com violação de sua dignidade. Exemplo: arremesso de anão, França). 
Nesse sentido, os Enunciados da JDC do CJF: 
JDC 4 – Art.11: o exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação 
voluntária, desde que não seja permanente nem geral. 
 
JDC 139 – Art. 11: Os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda que 
não especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de 
direito de seu titular, contrariamente à boa-féobjetiva e aos bons costumes. 
 
Podem decorrer também da autonomia de vontade! Exemplo: Boxe – limitação da integridade 
física. 
 A partir de sua gênese, também são características dos DP: 
1) ABSOLUTOS (não no sentido de não relativos – como já visto - e sim no sentido de oponíveis 
erga omnes). 
2) EXTRAPATRIMONIAIS (porém sua violação pode implicar em efeito patrimonial). 
3) IMPENHORÁVEIS (não possuem valor patrimonial). 
4) INATOS (vitalícios, podendo a sua tutela ser reconhecida pos mortem, como visto acima!). 
5) IMPRESCRITÍVEIS (não há prazo extintivo para requerer a sua proteção) 
OBS: A imprescritibilidade dos DP não implica na imprescritibilidade da reparação do dano, vale dizer, o 
direito não se extingue pelo não uso, mas o direito de exigir reparação pelo dano ao direito se extingue. 
O STJ, no entanto, criou uma exceção: art. 14 da lei 9.140/95 – tortura no regime militar. Esta reparação 
por dano moral decorrente de tortura é IMPRESCRITÍVEL! REsp 816.209/RJ de 2009. 
 
 
7. DIREITOS DA PERSONALIDADE DA PESSOA JURÍDICA 
O CC, abraçando o posicionamento jurisprudencial, dispõe que, malgrado os DP tenham sido 
feitos para a proteção do ser humano, sua aplicação se estende às Pessoas jurídicas, NO QUE COUBER. 
Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da 
personalidade. 
 
No que couber  Naquilo que sua falta de estrutura biopsicológica permite exercer. 
PJ tem direito à: 
1) Imagem (imagem atributo, ver adiante); 
2) Nome; 
3) Honra objetiva. 
 Entretanto, PJ não tem direito à intimidade, à integridade física, à honra subjetiva, por exemplo. 
Ela não pode reclamar proteção a esses direitos, porquanto são valores incompatíveis com a sua 
ausência de estrutura biopsicológica. 
*Direito autoral – um invento perpetrado no trabalho, dentro da PJ, pertence ao empregador, exceto 
por disposição em contrário. 
Essa proteção à PJ advém do atributo de elasticidade dos DP, permitindo que a PJ tenha a proteção 
dedicada aos DP no que couber. 
PJ PODE sofrer dano moral. 
STJ Súmula 227: A PESSOA JURÍDICA PODE SOFRER DANO MORAL (no que 
couber). 
 
ATENÇÃO: Nos últimos anos, parcela significativa de nossa doutrina, liderada pelo professor Gustavo 
Tepedino – RJ se insurgiu contra a proteção dos DP da PJ. Fundamentos: 
1º Fundamento: Se os DP estão sustentados pela cláusula geral de dignidade humana (HUMANA), 
a PJ não pode ser beneficiada, não existe dignidade humana da PJ. Logo se a DH é um 
sustentáculo dos DP, sua proteção não pode ser aplicada às PJ. Nesse sentido, o enunciado 286 
da I JDC (presidida por ele): 
JDC 286 – Art. 52. Os direitos da personalidade são direitos inerentes e essenciais 
à pessoa humana, decorrentes de sua dignidade, não sendo as pessoas jurídicas 
titulares de tais direitos. 
 
2º Fundamento: Todo e qualquer dano imposto sobre a PJ incide sempre sobre o seu patrimônio, 
visto que direta ou indiretamente este dano incide sempre sobre seus lucros, razão pela qual, 
esses autores endossam a tese de que PJ não pode sofrer dano moral, por que qualquer dano 
dirigido a ele seria um dano incidente sobre seus lucros, ou seja, um dano eminentemente 
patrimonial. 
 E as empresas sem finalidade lucrativa?! 
 
 
Tepedino: Aí seria um dano institucional, jamais dano moral. 
Crítica de Chaves: o “dano institucional”, na prática não passa de dano moral. Este tema caiu no 
MP/DF DUAS VEZES! Somente utiliza-se esse enunciado e a opinião do Tepedino em questão aberta. 
STJ é no sentido de aplicação da súmula 227 (encontramos nos informativos recentes, acórdão 
reconhecendo dano moral a PJ por protesto indevido de título). 
STJ Súmula nº 227 A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. 
Obs: não confundir dano moral com LUCRO CESSANTE (diz respeito ao dano patrimonial). 
8. CONFLITO ENTRE DIREITOS DA PERSONALIDADE E LIBERDADE DE COMUNICAÇÃO 
SOCIAL 
Liberdade de Comunicação Social: liberdade de imprensa e de expressão. 
Não é incomum, localizar situações concretas, de conflito entre Direitos da Personalidade e direito 
de imprensa (utilização indevida da imagem, violação à privacidade...). Tanto um como outro mereceram 
proteção em sede constitucional e sendo assim a dificuldade na solução deste conflito é mais do que 
evidente, resolvendo por ponderação de interesses, através de uma balança imaginária, hipotética onde 
se coloca os valores conflitantes, sendo sempre uma solução casuística, não se pode falar em solução 
apriorística (princípio da concordância prática). 
Luis Roberto Barroso exemplifica com uma reportagem do jornal O Globo – RJ. Em uma 
determinada edição esse jornal veiculou DUAS notícias sobre adultério, dizendo que determinado ministro 
de estado teria uma amante que teria um cargo de confiança, e que uma senhora sexagenária teria um 
amante mais novo. A solução é a mesma para ambos os cargos? 
Na 1ª hipótese, JUSTIFICA a notícia, pois a liberdade de imprensa neste caso sobrepuja o direito 
de privacidade do ministro. No segundo caso NÃO HÁ interesse público na informação. Princípio da 
concordância prática. Ponderação de interesses. Análise casuística. 
Portanto, abstratamente falando, é perfeitamente possível a tutela específica preventiva dos 
direitos, limitando a liberdade de imprensa, quando esta implique ameaça de ofensa a um valor que lhe 
seja superior como a personalidade (art. 12 do CC e CRFB, art. 5º ameaça a direito). 
Súmula STJ: 221 São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, 
decorrente de publicação pela imprensa, tanto o autor do escrito quanto o 
proprietário do veículo de divulgação. 
 
Respondem solidariamente! 
 Súmula STJ: 281 A indenização por dano moral não está sujeita à tarifação 
prevista na Lei de Imprensa (esta lei está revogada há tempos). 
 
 Sendo a reparação do dano moral causado pela imprensa, deve ser proporcional à extensão do 
dano, não mais se submetendo a nenhum tabelamento. 
OBS: Esse raciocínio também se aplica à colidência: direitos da personalidade X liberdade de expressão! 
A liberdade de expressão encontra limites, lembrando que no sistema democrático, não existem direitos 
ABSOLUTOS. O direito brasileiro NÃO admite “hate speech” – instituto típico do direito norte-
 
 
americano, liberdade de expressão plena, direito de crítica ilimitada, direito de comentários depreciativos, 
pejorativos. No Brasil, no HC 82.424/RS – STF reconheceu a proibição do “hate speech” – famoso caso 
do alemão que veio morar no Brasil (RS) e passou a escrever livros antissemitas, tendo o MP denunciado 
ele por racismo. 
9. TUTELA JURÍDICA DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE (art. 12) 
9.1. CONSIDERAÇÕES 
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, 
e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. 
 
O CC/16 previa um sistema de proteção dos direitos da personalidade fundamentalmente 
reparatório, formando um esquema binário: Lesão  Sanção. A toda lesão ou ameaça de lesão 
corresponderia uma sanção, sendo esta sanção de perdas e danos sempre. Era um Código 
eminentemente patrimonialista, por isso tudo se resolvia em perdas e danos. 
Com o passar do tempo percebeu-se que essa tutela REPARATÓRIA (tutela reparatória - tutela 
do equivalente) não mais se mostrava suficiente, pois na maioria dos casos o titular do direito não queria 
a reparação, mas sim uma providência no sentido de evitar o dano iminente (tutela preventiva inibitória) 
ou desfazer o ilícito já praticado (tutela preventiva de remoção do ilícito), ambas com o mesmo objetivo: 
evitar a ocorrência de dano. 
A nova tutela jurídica dos direitos, portanto, passou a ser aquela do art. 12 do CC. Ela se bifurca 
em 02diferentes ângulos: ela deve ser PREVENTIVA e também REPARATÓRIA. 
A tutela preventiva busca obstar a ocorrência do dano. A tutela reparatória busca sancionar e 
reparar o dano já ocorrido. E nada obsta a ocorrência delas simultaneamente. 
Exemplo: O baiano que fabricava uma bicicleta de maneira artesanal, mas incluía a marca Calói em suas 
bicicletas. A Calói descobriu isso e moveu uma ação pedindo que ele parasse de fazer aquilo (preventiva) 
e que pagasse a ele uma indenização pelo uso indevido da marca (reparatória). 
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, 
e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. 
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida 
prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou 
colateral até o quarto grau. 
 
Cesse a ameaça - Tutela preventiva inibitória (preventiva - específica): Busca-se evitar que o dano ou 
ilícito ocorra. 
Ou a lesão - Tutela preventiva reintegratória (de remoção do ilícito – específica): Aqui o ilícito já ocorreu, 
buscando-se a cessação da prática danosa, a fim de que não ocorra dano. 
Reclamar perdas e danos - Tutela reparatória (repressiva): O dano já ocorreu. Busca-se a Indenização 
pelo dano moral. 
Sem prejuízo de outras sanções: Outros mecanismos de proteção previstos em lei, tal como o direito 
penal ou até mesmo as possibilidades de autotutela. 
Sob o ponto de vista processual dos direitos da personalidade, a tutela preventiva se concretiza 
através da tutela específica (art. 497 do CPC/2015 e art. 84 do CDC). 
CPC Art. 497. Na ação que tenha por objeto a prestação de fazer ou de não fazer, 
o juiz, se procedente o pedido, concederá a tutela específica ou determinará 
 
 
providências que assegurem a obtenção de tutela pelo resultado prático 
equivalente. 
 
CDC Art. 84. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer 
ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará 
providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. 
Já a tutela reparatória se materializa, via de regra, através da indenização por danos morais 
(tutela do equivalente - art. 186 e 927 do CC). 
CC Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, 
comete ato ilícito. 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica 
obrigado a repará-lo. ... 
A TUTELA ESPECÍFICA é uma medida especial concedida para que se resolva um caso concreto. 
É um provimento judicial adequado para resolver um caso concreto. Ou seja, o nome já diz: é a tutela 
mais adequada para a solução de um problema específico. O art. 497 diz que o juiz pode autorizar a tutela 
específica sob a forma de TUTELA INIBITÓRIA, TUTELA SUB-ROGATÓRIA, TUTELA DE REMOÇÃO 
DO ILÍCITO ... há várias formas de se conceder uma tutela específica. Ela não tem um rol taxativo. Em 
cada caso, a tutela específica terá uma forma adequada. Os exemplos são vários. 
Não cabe ação possessória para a proteção dos direitos da personalidade (STJ). 
A proteção jurídica dos direitos da personalidade apresentada pelo CC/2002 vem ao encontro do 
movimento de despatrimonialização do Direito Civil. Abandona-se o viés estritamente reparatório (onde 
tudo se resolve em perdas e danos) e adota-se a tutela específica. 
Ex: Caso da Ciccareli (vídeo transandinho na praia). Se fosse no CC/16 ela poderia, no máximo, pedir 
uma indenização (tutela do equivalente). No CC/2002 foi possível que se exigisse a interrupção da lesão 
ao direito (tutela específica de remoção do ilícito). 
9.2. TUTELA PREVENTIVA DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
A tutela preventiva (gênero do qual são espécies a tutela inibitória e a tutela de remoção do ilícito) 
dos direitos da personalidade se dá através da tutela específica das obrigações de dar, fazer e não 
fazer (art. 497 do CPC/2015). 
9.2.1. Tutela inibitória (preventiva) 
É a tutela que visa impedir a ocorrência de um ILÍCITO ou DANO. 
Mas o que é tutela específica? 
A tutela específica é o contraponto à tutela genérica (tutela do equivalente - perdas e danos). É a 
proteção adequada ao caso concreto, por isso específica. Tutela específica quer dizer: tutela adequada 
para a solução de cada um dos conflitos. 
Além da inibitória (preventiva), a tutela específica pode ser também: 
9.2.2. Tutela reintegratória ou de remoção do ilícito (também preventiva) 
Quando a parte busca a CESSAÇÃO DA LESÃO. 
9.3. TUTELA REPRESSIVA DOS DIREITOS DE PERSONALIDADE 
 
 
9.3.1. Tutela Ressarcitória ou Reparatória (repressiva) 
Quando a parte busca indenização pelos danos morais provocados pela lesão. Estudaremos mais 
especificamente sobre esta tutela (DANO MORAL) em outro tópico. 
9.4. QUESTÕES ESPECÍFICAS 
1) A aplicação do famoso mandado de distanciamento (mandado de restrição de direitos ou 
mandado de restrição da liberdade de locomoção) como meio de defesa de direitos como 
privacidade e integridade física é correta? Exemplo: Dado Dolabela. 
O art. 497 permite que se defira o mandado como instrumento de proteção de direitos da 
personalidade, a título de tutela específica. 
Aliás, em se tratando de violência doméstica, o art. 22, III da Lei Maria da Penha (11.340/2006) 
reforça o cabimento do mandado de distanciamento (nos casos de violência doméstica). 
Lei 11.340/06 – Maria da Penha 
Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos 
termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou 
separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras: 
III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: 
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite 
mínimo de distância entre estes e o agressor; 
b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de 
comunicação; 
c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e 
psicológica da ofendida; 
 
Qual o limite mínimo da distância? Depende do caso concreto, até porque a distância varia conforme 
a cidade, por exemplo. Além disso, deve ser fixado um prazo dessa restrição. 
 
2) Possibilidade de prisão. O juiz pode prender alguém como meio de efetivar a proteção a direito 
de personalidade (prisão processual CIVIL)? A doutrina diverge: 
1ª C: SIM. A proibição constitucional de prisão civil só atinge direitos patrimoniais, ou seja, não se 
podem efetivar direitos patrimoniais por prisão civil, salvo alimentos. Direitos sem conteúdo patrimonial, 
no entanto, poderiam ser efetivados por prisão civil (direito à vida, à liberdade, à saúde). Entendimento 
de Marinoni, Pontes de Miranda, Fredie. 
2ª C: NÃO. Não é possível essa prisão, pois a CR proíbe o uso de prisão de natureza civil fora 
dos casos por ela expressamente excepcionados. Se fosse possível essa prisão haveria um desequilíbrio 
no sistema, pois um mesmo fato onde no penal seria menor potencial ofensivo (crime de desobediência) 
no direito civil seria máximo potencial ofensivo. Talamini. 
Chaves defende a ponderação: Se for uma ação de conteúdo patrimonial não cabe prisão civil 
como meio executivo da decisão (não tem sentido restringir direito da personalidade para garantir 
patrimônio). Entretanto, se tratar-se de ação que visa garantir direitos fundamentais que estejam 
periclitando de forma absoluta, poderia ser utilizada a prisão a título de tutela específica, mas de forma 
Excepcional. 
Concluindo a tutela específica: TODAS as possibilidades de tutela específica e meios executivos 
da decisão podem serconcedidas, ampliadas, reduzidas, substituídas ou revogadas DE OFÍCIO pelo juiz 
quando ele entender adequado. 
 
 
Exemplo: Caso do Pânico na TV. Sandálias da Humildade e Carolina Dieckman. Se fosse no CC/16 ela 
poderia apenas pedir perdas e danos. No CC/2002 ela pode pedir a tutela específica inibitória. O juiz 
aplicou multa, que não deu certo. Mudou a tutela e o juiz aplicou o mandado de distanciamento. Aí o 
Pânico chegou perto dela pelo ar (helicóptero na parça). O juiz mudou de novo a tutela, proibindo de 
pronunciar o nome dela, sob pena de retirar o programa do ar. Aí sim a tutela teve êxito, ou seja, chegou-
se à tutela específica do caso específico. 
10. TUTELA REPRESSIVA (REPARATÓRIA ou RESSARCITÓRIA) DOS DIREITOS DA 
PERSONALIDADE - DANOS MORAIS 
Como dito, tal tutela dá-se através da indenização por danos morais. 
CUIDADO: A indenização por danos morais, curiosamente, não tem caráter reparatório, pois não 
consegue restituir o dano causado. Na realidade, a indenização por dano moral tem caráter 
COMPENSATÓRIO. 
Se a indenização por danos morais é resultado da violação de direitos da personalidade, 
percebemos que existe uma correlação entre dano moral e direito da personalidade. Dano moral, no 
Brasil, não é um sentimento negativo (vergonha, dor etc.). Dano moral é a violação a um direito da 
personalidade, sem que exista, necessariamente, um sentimento negativo. O sentimento negativo não 
caracteriza o dano moral, mas serve para fins de seu arbitramento. A caracterização do dano moral é a 
violação a direito da personalidade. 
A prova do dano moral é “in re ipsa”, ou seja, ínsita na própria coisa. A prova do dano moral é a 
prova da violação ao direito da personalidade. Como o direito da personalidade é baseado na cláusula 
geral da DPH, podemos dizer que o dano moral é, em última análise, violação à DPH. Mero aborrecimento 
não gera dano moral. O aborrecimento não serve para caracterizar, mas serve para quantificar. 
Súmula 37 do STJ São cumuláveis as indenizações por dano material e dano 
moral oriundos do mesmo fato. 
 
É possível cumular dano moral com dano estético? 
Sim, pois dizem respeito a diferentes bens jurídicos (um é a honra e o outro é a integridade física). 
A cada bem jurídico personalíssimo (direito de personalidade) corresponderá uma diferente indenização 
por dano moral (gênero). Adiante veremos um rol exemplificativo de direitos personalíssimos. No Resp. 
722.524 o STJ reconheceu a cumulação de danos materiais, morais e estéticos. 
Dano Moral (gênero) é a violação a direito da personalidade. A cada violação a direito da 
personalidade corresponde uma ESPÉCIE de dano moral. 
Violação da honra: Dano moral espécie. 
Violação da imagem: Dano imagem. 
Violação da Integridade física: Dano estético*. 
*OBS: hoje tem sido reconhecida a autonomia de dano estético, entre outros danos. Ele não é uma 
espécie de dano moral. Ver responsabilidade civil. 
Caso Maitê Proença e jornal: Cumulou dano a imagem com dano à honra. 
Como o dano moral tem natureza compensatória, o direito brasileiro não admite o sistema de 
“punitive damage” (danos punitivos). Entretanto, o STJ diz que a fixação do valor indenizatório deve 
 
 
levar em conta o desestímulo, caráter pedagógico, que acaba configurando reflexamente um dano 
punitivo. 
Stolze: A teoria do desestímulo pouco a pouco vem ganhando espaço em nosso país. O próprio 
projeto de reforma do Código Civil, em sua redação original, pretende alterar o art. 944 para estabelecer 
que a indenização deverá compensar a vítima e desestimular o lesante. Além disso, o Enunciado 379 da 
IV Jornada reforça a teoria. Finalmente, o próprio STJ vem amparando esta Teoria (REsp. 965.500/ES “A 
boa doutrina vem conferindo a esse valor um caráter dúplice, tanto punitivo do agente quanto 
compensatório em relação à vítima”). 
JDC - 379 O art. 944, caput, do Código Civil não afasta a possibilidade de se 
reconhecer a função punitiva ou pedagógica da responsabilidade civil. 
A fixação do valor da indenização é baseada em matéria de FATO ou de DIREITO? 
Em matéria de FATO. Em virtude disso, seria possível a interposição de um recurso especial para 
rediscutir o valor de uma indenização? Pela Súmula 07 do STJ não seria possível, dada a vedação de 
revolvimento de matéria fático-probatória. Entretanto, em se tratando de dano moral, o STJ excepciona a 
Súmula 07, admitindo REsp para a revisão dos valores fixados a título de reparação por danos morais, 
mas tão somente quando se tratar de valores ínfimos ou exagerados. Essa mitigação tem como objetivo 
evitar decisões discrepantes entre os tribunais inferiores. 
 Ação civil ex delicto (art. 68 do CPP) 
A legitimidade do MP vem sendo questionada (lei ainda constitucional enquanto a Defensoria não 
é instalada em todas as comarcas), pois se trata de direito individual DISPONÍVEL, o que é incompatível 
com as suas atribuições constitucionais (RE 135.328). Inconstitucionalidade progressiva. 
Essa teoria também servia para o art. 100 do CPC/73 (foro privilegiado da mulher). Quando for 
consagrada a igualdade entre homem e mulher, essa torna se tornará inconstitucional. 
Lembrando que o CPC/2015 acabou com esta hipótese. 
11. TUTELA JURÍDICA COLETIVA DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
Existe dano moral coletivo? Sim, conforme o CDC, art. 6º, VI e Lei de Ação Civil Pública, art. 1º. 
CDC 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
... 
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, 
coletivos e difusos; 
 
LACP 
Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as 
ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados:... 
 
Admite-se, quando houver uma violação coletiva da personalidade. Nesse caso a tutela processual 
deve se dar obrigatoriamente através de ação civil pública, cujos legitimados estão no art. 5º da Lei 
(MP, Defensoria, Poder Público e Associações). Exemplo: dano ambiental; dano moral ao meio ambiente 
do trabalho. 
Esse dano moral coletivo reverte em favor do fundo previsto no art. 13 da LACP (“fluid recovery”). 
Esse fundo é gerido por um Conselho, com participação do MP, e tem como objetivo recompor o dano 
causado (LACP, at. 13). 
 
 
OBS: A ação civil pública não se presta apenas para esse fim. 
O professor Fernando Gajardoni (Difusos e Coletivos) cita duas correntes sobre o tema em questão: 
1ªC: NÃO EXISTE DANO MORAL COLETIVO. STJ já se manifestou (embora isoladamente, não 
tem decisões sobre o assunto) no REsp 591281/MG, no sentido de não existir dano moral coletivo. 
Raciocínio: a coletividade não tem personalidade, e consequentemente, ela não pode ter sua honra ou 
dignidade violada (não tem direitos de personalidade). Então, de acordo com este julgado, cada um deve 
ir buscar sua indenização individual pelo dano moral (direitos individuais homogêneos). 
2ªC: EXISTE DANO MORAL COLETIVO. 
1º Argumento: A própria lei da ACP prevê a possibilidade de reparação pelo dano moral. Art. 1º. 
2º Argumento: “inconsciente coletivo”. Um sentimento geral de toda coletividade, um padrão de 
comportamento coletivo. Toda vez que ele fosse violado, dá-se ensejo a reparação do dano moral. 
Exemplo: água que faltou na cidade pequena e podre do Gajardoni. Uma semana sem banho para todos, 
que ficaram podrassos. 
Adotar na prova discursiva. 
O STJ só tinha um julgado sobre dano moral coletivo, e ainda negando. No entanto, em 2012 
tivemos outro julgado, desta vez concedendo. 
A Ação Civil Pública 
A ACP se presta à Defesa de (CDC, art. 81): 
- Interesses transindividuais (direitos difusos e coletivos); 
- Interesses individuais homogêneos. 
Os interesses transindividuais somente podem ser pleiteados por ACP.Já os interesses individuais homogêneos também podem ser pleiteados individualmente (cada 
particular pode ajuizar uma ação). Sendo ajuizada ACP, cada um dos interessados deve propor a 
liquidação de seu próprio dano. 
Ou seja, a ACP se presta não apenas a interesses difusos e coletivos, mas também a interesses 
individuais, desde que sejam HOMOGÊNEOS. Nesses casos, o MP só tem legitimidade se os direitos 
homogêneos forem indisponíveis, de forma a respeitar o art. 127 da CRFB. 
12. DIREITOS DA PERSONALIDADE E AS PESSOAS PÚBLICAS (CELEBRIDADES) 
Pessoas que, por ofício, profissão ou opção pessoas têm uma vida pública. Pessoas cuja 
personalidade é notória. 
Teriam essas pessoas proteção dos direitos da personalidade ou o fato de sua 
personalidade ser pública lhe retiraria a proteção desses direitos? 
Certamente têm essa proteção. Ninguém pode perder essa proteção, pois é essencial ao pleno 
exercício da personalidade. O que ocorre é que essas pessoas têm a proteção de sua personalidade 
flexibilizada, mitigada. Os exemplos mais claros de mitigação referem-se à imagem e privacidade. 
 
 
Tanto têm proteção que caso a imagem de uma pessoa pública for usada com desvio de finalidade 
(fins comerciais), haverá uma ofensa ao direito de personalidade imagem, ensejando o dever de reparar 
o dano. 
E os terceiros acompanhantes de pessoas públicas também sofrem relativização da 
proteção dos direitos à personalidade? 
Sim. Prevalece que eles também sofrem a mitigação da proteção de sua personalidade. 
IMPORTANTE: Vem se entendendo no direito comparado (França) e na doutrina brasileira, no 
que tange que a proteção dos direitos da personalidade, que as pessoas públicas têm responsabilidade 
civil pela propaganda enganosa que cometem. Explica-se: A pessoa pública será responsável quando 
vincular seu nome ao produto ou quando atestar a qualidade do produto ou serviço. Nesses casos, como 
o artista está empenhando a sua personalidade, ele responde solidariamente com o fornecedor. 
Ex: Caso Maitê Proença e Microvilar (anticoncepcional): Maitê poderia responder pela propaganda 
enganosa. Nada impede, é claro, que exerça o direito de regresso contra o fornecedor. 
13. CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
13.1. INTRODUÇÃO 
Cristiano Chaves: Os direitos necessários a uma vida digna da pessoa humana. Como a pessoa 
humana é composta de corpo, alma e intelecto, os direitos da personalidade podem ser classificados 
de acordo com a proteção à: 
1) Integridade física: Tutela jurídica do corpo humano (vivo ou morto; inteiro ou em partes). 
2) Integridade psíquica: Tutela jurídica dos valores imateriais. Direito a honra, imagem, nome 
etc. 
3) Integridade intelectual: Tutela jurídica da criação, inteligência do homem. Direito autoral. 
O direito à vida (vida digna) não está dentro de uma dessas três espécies. O direito à vida se 
apresenta como um pressuposto dos direitos da personalidade. É a cláusula geral da personalidade. 
OBS: Stolze coloca o direito à vida junto ao mesmo grupo da proteção à integridade física. 
13.2. DIREITOS RELACIONADOS À INTEGRIDADE PSÍQUICA 
São os seguintes: 
1) Direito à honra; 
2) Direito à imagem; 
3) Direito à privacidade; 
4) Direito ao nome. 
Vejamos: 
13.2.1. Direito a honra (CF art. 5º, X) 
É o direito à boa fama, à honorabilidade. É um direito que diz respeito à reputação construída 
por uma pessoa. 
 
 
A honra se manifesta de duas formas: 
Honra subjetiva: Aquilo que o próprio titular pensa de si. 
Honra objetiva: Aquilo que as demais pessoas pensam do titular do direito. 
Apesar de se manifestar de duas formas, o direito à honra é uma só. Assim, mesmo se o dano 
for contra as ‘duas honras’, a indenização é uma só. 
É possível mitigar a honra quando se trate de interesse público (exemplo: crime e exceção da 
verdade, caso de calúnia). 
É um direito alçado à condição de liberdade pública (direito fundamental), nos termos do art. 5º, 
X da CRFB/88. 
CRFB Art. 5º X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a HONRA e a imagem 
das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral 
decorrente de sua violação; 
O direito penal traz a possibilidade da exceção da verdade no que tange ao direito à honra. 
13.2.2. Direito a imagem (CC art. 20) 
Imagem é o direito à identificação de alguém. Essa identificação pode se dar de diferentes 
formas, e não somente pela “imagem propriamente dita da pessoa”. O direito a imagem é tridimensional: 
- Imagem RETRATO: Características fisionômicas da pessoa. Diz respeito ao pôster da pessoa. 
- Imagem ATRIBUTO: Diz respeito às características emocionais da pessoa. Exteriorização da 
personalidade do indivíduo. Exemplo: pessoa alegre, pessoa mal-humorada. Essa imagem também é 
aplicável à Pessoa Jurídica. 
- Imagem VOZ: Timbre sonoro identificador. Exemplo: Lombardi. 
É possível violar a personalidade de uma pessoa sem fazer menção ao seu nome, basta, para 
tanto, fazer menção às suas características emocionais. Seria um exemplo de imagem atributo. 
IMPORTANTE: O direito à imagem, embora tridimensional, é uno. Por isso não cabe cumulação 
de indenizações por diferentes danos à imagem. 
O direito à imagem é autônomo (CRFB, art. 5º, V e X), ou seja, é possível violar a imagem sem 
violar a honra (ver Novelino). Violar a imagem de uma pessoa falando bem dela é possível. Agora, se 
violar imagem junto com honra ter-se-á duas indenizações. 
CRFB Art. 5º V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além 
da indenização por dano material, moral ou à imagem; 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, 
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua 
violação; 
Enunciado 278 da Jornada. 
JDC 278 – Art. 18: A publicidade que divulgar, sem autorização, qualidades 
inerentes a determinada pessoa, ainda que sem mencionar seu nome, mas sendo 
capaz de identificá-la, constitui violação a direito da personalidade. 
“qualidade inerentes  imagem atributo” 
 
 
PROBLEMA: Art. 20 do CC. 
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à 
manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, 
ou a publicação, a exposição ou a utilização da IMAGEM de uma pessoa poderão 
ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe 
atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins 
comerciais. 
 
O dispositivo diz que só há violação à imagem quando há violação à honra ou quando há desvio 
de finalidade. 
Ou seja, para o CC não são proteções autônomas. Bem diferente do que prevê a CRFB. Sob 
ponto de vista prático não há diferença, isto por que aplicamos somente a CRFB, aplicação direta dos 
Direitos Fundamentais. Mas devo saber o que diz o CC/02. (ficar atento a concurso: “Segundo o CC/02...” 
ou ainda: “Segundo a CRFB...”) 
Função social da imagem 
Chama-se função social da imagem as hipóteses de flexibilização da proteção em determinados 
casos, como liberdade de imprensa, ordem pública, administração da justiça (exemplo: imagens de 
fugitivos veiculadas na imprensa). 
Enunciado 279 da Jornada. 
JDC 279 – Art.20. A proteção à imagem deve ser ponderada com outros 
interesses constitucionalmente tutelados, especialmente em face do direito de 
amplo acesso à informação e da liberdade de imprensa. Em caso de colisão, levar-
se-á em conta a notoriedade do retratado e dos fatos abordados, bem como a 
veracidade destes e, ainda, as características de sua utilização (comercial, 
informativa, biográfica), privilegiando-se medidas que não restrinjam a divulgação 
de informações. 
O direito à imagempode funcionar como Direito de Arena, que é a imagem explorada como direito 
autoral. Exemplo: Direito de arena do jogador de futebol ao ter sua imagem veiculada na imprensa com 
fins comerciais (transmissão de jogos pela TV). 
Ver REsp. 46.420. 
O direito à imagem admite cessão, que pode ser expressa (contrato de publicidade) ou tácita 
(pessoa que dá entrevista para TV). A imagem cedida pode ser explorada por 05 anos, admitida a 
renovação por igual período (art. 49, III da Lei de Direitos autorais). 
LDA Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a 
terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, 
pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de 
licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, 
obedecidas as seguintes limitações: 
III - na hipótese de não haver estipulação contratual escrita, o prazo máximo será 
de cinco anos; 
 
OBS minha: a imagem não é um direito autoral... 
 
 
OBS: Implica em cessão tácita a permanência em locais públicos, mas somente num contexto 
genérico, como um estádio de futebol (REsp. 85.905). Se der um close em uma pessoa deixa de ser 
contexto genérico. Ver também REsp. 595.600. 
DIREITO CIVIL. DIREITO DE IMAGEM. TOPLESS PRATICADO EM CENÁRIO 
PÚBLICO. Não se pode cometer o delírio de, em nome do direito de privacidade, 
estabelecer-se uma redoma protetora em torno de uma pessoa para torná-la imune 
de qualquer veiculação atinente a sua imagem. Se a demandante expõe sua 
imagem em cenário público, não é ilícita ou indevida sua reprodução pela 
imprensa, uma vez que a proteção à privacidade encontra limite na própria 
exposição realizada. Recurso especial não conhecido. 
Todas essas hipóteses de relativização são possíveis, desde que não haja desvio de finalidade. 
Foto de lugar público: não pode haver a individualização do indivíduo. 
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à 
manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, 
ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão 
ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe 
atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins 
comerciais. 
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas 
para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes. 
 
 Os colaterais (até 4º grau) não estão legitimados para exigir dano moral reflexo (ricochete) em 
relação à violação de imagem, ao contrário dos demais direitos da personalidade, que podem ser 
exigidos pelos colaterais do morto. 
 
 
 
 
13.2.3. Direito à privacidade (CC art. 21) 
Privacidade vem da expressão latina “privatus” que traz consigo a ideia de “o que pertence à 
pessoa estando fora do alcance do interesse da coletividade”. Ou seja, diz respeito aquilo que interessa 
somente ao titular. Tratam-se das informações contidas no aspecto mais pessoal, mais reservado de seu 
titular. 
A privacidade traz consigo não apenas o direito de estar só, mas também o conjunto de 
informações que pertence ao seu titular e a mais ninguém. 
São informações que dizem respeito à vida familiar, sexual, religiosa, profissional etc. Percebe-se 
que é um direito de amplo alcance, muito mais abrangente que o simples direito de estar só. 
 
 
O direito à privacidade não admite a exceção da verdade, até porque admiti-la seria violar a 
privacidade NOVAMENTE. 
O direito à privacidade é autônomo e independente do direito à honra. Ou seja, é possível que 
seja violada a privacidade sem que haja violação à honra. O próprio art. 21 do CC confirma essa 
independência, in verbis: 
Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do 
interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato 
contrário a esta norma. 
 
Ou seja, a privacidade pode ser violada independentemente de qualquer afronta à honra do 
indivíduo (STJ REsp. 521.697  caso garrincha; REsp. 506.437  caso da senhora que teve telefone 
divulgado indevidamente; se alguém tivesse lhe ligado querendo massagista, haveria uma cumulação 
com dano à honra). 
Direito à privacidade X Biografia não autorizada 
O entendimento dos Tribunais é no sentido de a biografia ser expressão indiscutível da privacidade 
do indivíduo. 
Esse amplo espectro do direito à privacidade é muito bem percebido pela Teoria dos círculos 
concêntricos (ver Constitucional): 
Quanto mais próximo do indivíduo estiver o círculo, maior a proteção a ser dada. 
Nesse sentido, o círculo mais próximo seria o da intimidade, que são os segredos, confidências 
etc. Exemplo: Diário. 
A esfera seguinte seria a da vida privada, como por exemplo, uma festa na casa de amigo, a ida 
a um clube, ambiente de trabalho, sigilo bancário etc. 
Assim, nem toda informação privada é íntima, mas toda informação íntima é privada. Neste 
sentido, temos que o direito à privacidade é autônomo ao direito a honra. 
A outra esfera seria a da publicidade. Esta já não estaria protegida pela Constituição. Exemplo: 
Artista em show está abrindo mão do direito à privacidade. Outro exemplo: informações em processo 
judicial que não tramita em segredo de justiça, informações que caíram em domínio público etc. Nada 
disso está protegido, pois tudo está na esfera da publicidade e não da privacidade. 
A vida privada pode ser eventualmente compartilhada com terceiros, em nome do interesse 
público (exemplo: sigilo bancário, telefônico e fiscal); a intimidade JAMAIS pode ser compartilhada 
coercitivamente com terceiros. Cabe somente ao titular a iniciativa de compartilhá-las. As informações 
contidas na intimidade são exclusivas do titular, não interessando a mais ninguém (exemplo: opções 
sexuais ou religiosas). 
Como a privacidade tem garantia constitucional, as informações secretas só podem ser 
compartilhadas mediante ordem judicial (lato senso). 
Publicidade privacidade  segredos  intimidade. 
Lembrando: As celebridades sofrem relativização dos direitos da personalidade, sendo a 
privacidade o melhor exemplo. Frise-se: Essas pessoas têm direito à personalidade, mas são 
relativizados. 
 
 
Exemplos de violação à privacidade: Spam (como sabem teu e-mail?), art. 1.301 e 1.303 
(limitações ao direito de construir). 
Art. 1.301. É defeso abrir janelas, ou fazer eirado, terraço ou varanda, a menos de 
metro e meio do terreno vizinho. 
§ 1o As janelas cuja visão não incida sobre a linha divisória, bem como as 
perpendiculares, não poderão ser abertas a menos de setenta e cinco centímetros. 
§ 2o As disposições deste artigo não abrangem as aberturas para luz ou ventilação, 
não maiores de dez centímetros de largura sobre vinte de comprimento e 
construídas a mais de dois metros de altura de cada piso. 
Art. 1.303. Na zona rural, não será permitido levantar edificações a menos de três 
metros do terreno vizinho. 
 
Acórdão do TST (decisão infeliz): AIRR 1542/2005-055-02-40.4. É direito do empregador controlar 
o conteúdo do e-mail corporativo de seus empregados. Fundamento: O empregador é proprietário do 
sistema. Ou seja: preponderou a propriedade em detrimento da privacidade. 
13.2.4. Direito ao nome (art. 16 a 19 do CC) 
Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou 
representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja 
intenção difamatória. 
 
Art. 18. Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda 
comercial. 
 
Art. 19. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá 
ao nome. 
 
É o direito à individualizaçãoda pessoa. Hoje já não paira nenhuma dúvida: nome não é direito real; 
é direito à personalidade. 
1) Aspectos do nome 
A partir do art. 16 do CC, o direito ao nome se apresenta em dois aspectos: prenome e sobrenome 
(patronímico). 
a) Prenome: Identifica a pessoa. Pode ser simples ou composto. Simples: José. Composto: 
José Celso. 
b) Sobrenome (patronímico): Identifica a origem ancestral (familiar). É de livre escolha, ou seja, 
não há exigência de constar primeiro o nome do pai ou da mãe. Pode inclusive buscar nome 
de ancestral distante (avô, bisavô). 
c) Agnome: Partícula diferenciadora que distingue pessoas que pertencem à mesma família 
e possuem o mesmo nome (exemplo: júnior, neto, filho, terceiro etc). 
STJ: É possível que mãe divorciada altere o sobrenome no registro dos filhos, para acrescentar 
seu patronímico de solteira (REsp. 1.041.751). Exemplo: O filho fica só com o patronímico do pai. Vem o 
divórcio e a mãe resolve acrescentar seu patronímico também. 
Ou seja, no direito brasileiro não são componentes do nome: 
 
 
 Títulos de nobreza (conde, comendador); 
 Títulos pessoais (doutor, mestre) 
 Pseudônimo (heterônimo): É o nome utilizado em atividades profissionais lícitas. É o 
nome que identifica alguém tão somente em sua esfera profissional. Não consta do nome por 
causa disso (como deixa claro o art. 19), ou seja, é um nome restrito ao campo profissional. 
Exemplo: Sílvio Santos; José Sarney (José Ribamar Ferreira de Araújo); Zezé di (Mirosmar) 
Camargo. 
Assinatura é Firma, ou seja, nada tem a ver com nome. 
*NÃO CONFUNDIR: Pseudônimo X Hipocorístico: 
Hipocorístico é uma alcunha (apelido) que serve para identificar alguém pessoal E 
profissionalmente. Exemplo: Lula, Xuxa, Pelé. 
Já o pseudônimo é a designação escolhida pelo titular para ser usada somente profissionalmente. 
Conforme o art. 19, apesar de não integrar o nome, o pseudônimo goza da mesma proteção que 
se dá ao nome. 
O hipocorístico (alcunha), por identificar alguém pessoalmente, pode ser acrescentado ou até 
mesmo substituído no nome. Nesse caso o hipocorístico irá faze parte do nome e gozar da proteção que 
lhe é garantida. 
2) Escolha do nome 
Tanto o nome é direito da personalidade, que é o próprio titular quem escolhe. É isso mesmo, no 
primeiro ano após a aquisição da plena capacidade (dos 18 aos 19) o titular tem o direito de mudar 
imotivadamente o nome (é um prazo decadencial), respeitada somente a indicação de origem ancestral 
(patronímico), nos termos do art. 56 da Lei de Registros Públicos. 
LRP Art. 56. O interessado, no primeiro ano após ter atingido a maioridade civil, 
poderá, pessoalmente ou por procurador bastante, alterar o nome, desde que não 
prejudique os apelidos de família, averbando-se a alteração que será publicada pela 
imprensa. 
 
 Conclusão: sempre é o titular quem escolhe seu nome, seja de forma expressa ou tácita. Os pais 
apenas indicam um nome, mas quem efetivamente escolhe é o titular. 
Ao mesmo tempo em que essa regra confirma que o nome é direito da personalidade 
(possibilidade de mudá-lo), também protege o interesse público do registro, pois limita essa alteração a 
um determinado prazo decadencial. - Os negócios jurídicos são apenas retificados, não podendo os 
terceiros objetar. 
Trata-se do ÚNICO caso no direito brasileiro de mudança IMOTIVADA do nome. 
3) Os pais podem escolher livremente um nome? 
O nome, além de direito da personalidade, também é um registro público, logo não pode expor o 
titular ao ridículo ou a situações vexatórias. Mesmo que os pais queiram, não será possível o registro de 
filho com nome RIDÍCULO (o oficial do cartório recusa). Sempre que houver divergência entre o 
interessado e o oficial do cartório, quem decide é o juiz (chamado procedimento de dúvida). Ou seja, o 
sistema evita o autoritarismo do oficial, nos termos dos arts. 198 e 203 da LRP. 
 
 
LRP: Procedimento de dúvida 
Art. 198 - Havendo exigência a ser satisfeita, o oficial indicá-la-á por escrito. Não se 
conformando o apresentante com a exigência do oficial, ou não a podendo 
satisfazer, será o título, a seu requerimento e com a declaração de dúvida, remetido 
ao juízo competente para dirimi-la, obedecendo-se ao seguinte: 
 
I - no Protocolo, anotará o oficial, à margem da prenotação, a ocorrência da dúvida; 
Il - após certificar, no título, a prenotação e a suscitação da dúvida, rubricará o oficial 
todas as suas folhas; 
III - em seguida, o oficial dará ciência dos termos da dúvida ao apresentante, 
fornecendo-lhe cópia da suscitação e notificando-o para impugná-la, perante o juízo 
competente, no prazo de 15 (quinze) dias; 
IV - certificado o cumprimento do disposto no item anterior, remeter-se-ão ao juízo 
competente, mediante carga, as razões da dúvida, acompanhadas do título. 
 
Art. 203 - Transitada em julgado a decisão da dúvida, proceder-se-á do seguinte 
modo: 
 
I - se for julgada procedente, os documentos serão restituídos à parte, 
independentemente de translado, dando-se ciência da decisão ao oficial, para que 
a consigne no Protocolo e cancele a prenotação; 
 
II - se for julgada improcedente, o interessado apresentará, de novo, os seus 
documentos, com o respectivo mandado, ou certidão da sentença, que ficarão 
arquivados, para que, desde logo, se proceda ao registro, declarando o oficial o fato 
na coluna de anotações do Protocolo. 
 
O procedimento de dúvida tem natureza administrativa e não judicial, devendo o mesmo ser 
suscitado pelo próprio oficial ao juiz de registros públicos. O juiz recebe a dúvida, ouve o interessado, 
ouve o MP e por SENTENÇA (!?) dirime a dúvida. 
E o que ocorre se o oficial, além de não aceitar o registro, não suscita a dúvida? No silêncio da 
Lei a jurisprudência reconheceu o chamado procedimento de dúvida inversa, ou seja, aquele suscitado 
pelo interessado, através de uma petição ao juízo. 
Contra a sentença do procedimento de dúvida cabe APELAÇÃO. Quem pode apelar? O 
interessado, o terceiro prejudicado (art. 499 do CPC) e o MP, mesmo que este tenha atuado como fiscal 
da lei (Súmula 99 do STJ). Ver no Fredie essa súmula. O oficial não tem legitimidade recursal, pela falta 
de interesse de agir. Seu interesse acaba no momento em que a dúvida é suscitada. 
Art. 499. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado 
e pelo Ministério Público. 
STJ Súmula: 99 O Ministerio Publico tem legitimidade para recorrer no processo 
em que oficiou como fiscal da lei, ainda que não haja recurso da parte. 
4) Princípio da inalterabilidade relativa do nome 
Até bem pouco tempo esse princípio era absoluto (até 1998). O nome só poderia ser modificado 
nos casos expressamente previstos em Lei. 
Hoje, prevalece entre nós a inalterabilidade relativa do nome. O nome pode ser modificado não 
apenas nos casos previstos em lei, mas também por força de decisão judicial em razão de motivo 
relevante (RESp. 538.187, REsp. 66.643). 
LRP Art. 57 - Qualquer alteração posterior de nome, somente por exceção e 
motivadamente, após audiência do Ministério Público, será permitida por sentença 
do juiz a que estiver sujeito o registro, arquivando-se o mandato e publicando-se a 
alteração pela imprensa. 
 
 
 
Exemplos de mudança de nome previstos em lei: 
 Quando do casamento, permite-se aos nubentes acrescentar o patronímico do outro, 
independentemente de autorização judicial (art. 1.565, §1º do CC). 
Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de 
consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família. 
§ 1o Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o sobrenome do 
outro. 
 Divórcio: EC/66, com o fim da discussão de culpa no divórcio (transição para um sistemamonista), quem mudou decide se fica ou não com o nome. MBD e Rodrigo da Cunha. Este já era antes 
da EC/66 o posicionamento do STJ. Neste sentido REsp 358.598/PR. 
 Lei Clodovil: Acréscimo de sobrenome de padrasto ou madrasta, desde que haja anuência de 
ambos. E o pai não deveria ser citado? Cristiano acha que sim (a lei é silente), nos termos do art. 721do 
CPC/2015. 
CPC (Disposições Gerais) 
Art. 721. Serão citados todos os interessados, bem como intimado o Ministério 
Público, nos casos do art. 178, para que se manifestem, querendo, no prazo de 15 
(quinze) dias. 
 
 Em se tratando de menor, o pai deve ser citado, pois é um interessado. Não há necessidade de 
anuência paterna, mas deve ser cientificado. 
O acréscimo de sobrenome de padrasto não implica em consequência sucessória ou alimentícia. 
Não existe subtração de qualquer parte do nome, salvo se houver justo motivo. 
Fundamento da Lei: afetividade. 
 Lei 12.010/09: É possível mudar tanto prenome quanto sobrenome no ato de adoção. Se o menor 
tiver mais de 12 anos, deve consentir não apenas com a adoção, mas também com a mudança de nome 
que se propõe. 
 Lei 9.807/99: Lei que institui o programa de proteção às testemunhas. Não só a testemunha, mas 
todos os familiares podem mudar prenome e sobrenome. Cessado o perigo, nada impede que possam 
voltar a ter o nome de origem. 
 Estatuto do estrangeiro (Lei 6.815/80): Permite a mudança do nome do estrangeiro quando este 
adquire cidadania brasileira. 
 Exemplos de mudança de nome não previstos em lei, mas reconhecidos na jurisprudência 
(sempre mediante ordem judicial): 
o Viuvez; 
o Abandono afetivo: STJ REsp. 66.643. 
OBS: O STF, mantendo a posição do STJ, não permite indenização por abandono 
afetivo. 
 
 
o Cirurgia de transexualismo ou transgenitalização: Maria Berenice (isoladamente) 
sustenta a possibilidade de mudança de nome independentemente da cirurgia. A 
posição do STJ pressupõe a realização de cirurgia (REsp 1.008.398). 
13.3. DIREITOS DA PERSONALIDADE RELATIVOS À INTEGRIDADE FÍSICA 
Trata-se da tutela jurídica do corpo humano. 
Aqui estudaremos: 
1) Tutela jurídica do corpo vivo; 
2) Tutela jurídica do corpo morto; 
3) Autonomia do paciente (livre consentimento). 
A integridade foi protegida em três artigos no CC (13, 14 e 15). 
13.3.1. Tutela jurídica do corpo vivo 
Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio 
corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar 
os bons costumes. 
 
A violação à integridade física configura o chamado DANO ESTÉTICO. 
O sistema permite todo e qualquer ato que não implique em diminuição permanente da integridade 
física. A integridade física envolve o corpo como um todo, ou suas partes (é um conceito elástico). 
Exemplo: atriz mexicana Gloria Trevis. PF pegou sua placenta para provar que os agentes não 
estavam envolvidos no caso RCL 2.040/DF, foi uma violação ao direito de personalidade, que, entretanto, 
cedeu em frente à reputação da instituição da PF. 
EXCEÇÃO: permite ato de disposição corporal, com diminuição permanente da integridade física 
desde que por exigência médica. 
5) O dano precisa ser PERMANENTE, para configuração do dano estético? 
No Resp. 575.576/PR, o STJ decidiu que a existência de dano estético não depende da ocorrência 
de sequelas permanentes. Interessa saber se o dano é ou não permanente para fins de definição do 
quantum indenizatório. 
Lembrando a novíssima Súmula 387, onde o STJ sumulou o entendimento pacificado no sentido 
de ser admissível a cumulação entre dano moral e dano estético (além, é claro, dos danos materiais). 
STJ Súmula: 387 É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano 
moral (violação genérica da personalidade: violação da imagem, honra, privacidade, 
nome... lembrar que a CRFB prevê a autonomia de imagem e moral, mas o CC não). 
Essa súmula reconhece a autonomia da proteção da integridade física em relação à proteção da 
integridade psíquica. 
O art. 13 do CC não tem incidência no que diz respeito aos transplantes (parágrafo único), porquanto 
existem regras próprias em relação a eles, previstas na Lei 9.434/97. 
6) Piercings e tatuagens 
 
 
Piercings e tatuagens não são vedados, pois não implicam diminuição permanente da integridade 
física. 
7) “Wannabes” 
Já os “Wannabes” (pessoas que sofrem repulsa por determinada parte do corpo e querem amputá-
lo) não podem amputar o órgão rejeitado, na medida em que implicaria na redução permanente da 
integridade física. 
OBS: não confundir Wannabe com transexual. 
8) Transexualismo: seria possível, a luz do art. 13, a cirurgia de mudança de sexo? 
Carlos Roberto Gonçalves diz que o artigo proibiria, porquanto a referida cirurgia implica em 
diminuição permanente de integridade física, o que é expressamente vedado no dispositivo legal. 
Entretanto, prevalece que a expressão “salvo exigência médica” autoriza a referida cirurgia. A 
exigência é prevista na Resolução 1652/2002 do CFM, onde a cirurgia do transexual foi enquadrada como 
necessidade terapêutica. O transexualismo é uma patologia fisiopsíquica das pessoas que nascem com 
a mente de um sexo e o corpo de outro. 
O CFM exige três anos de tratamento psicológico e psiquiátrico antes da operação. Ou seja, se o 
quadro psíquico é irreversível (primeiro trata-se a mente), trata-se o corpo. 
Concluindo: A medicina recomenda essa cirurgia, pois o transexualismo é visto como uma 
patologia, logo o art. 13 permite a mudança de sexo. O nome da cirurgia é: TRANSGENITALIZAÇÃO. 
O STJ na SE 1058 - Itália definiu que, realizada a cirurgia de mudança de sexo, o transexual tem 
direito à mudança no registro civil quanto ao nome e ao estado sexual. Não se trata de retificação, que 
pressupõe um erro, mas sim uma REDESIGNAÇÃO. Além disso, garante-se ao transexual nenhuma 
referência ao Estado anterior, para que ninguém saiba, até porque a informação passada faz parte da 
intimidade do transexual, que é inviolável. 
Não esquecer o posicionamento da Berenice: É possível mudar nome e estado sexual, 
independentemente da cirurgia. Fundamento: existem transexuais que preferem não fazer a cirurgia, o 
que não lhes retira a condição de transexual. 
Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, 
quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons 
costumes. 
Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será admitido para fins de 
transplante, na forma estabelecida em lei especial. 
 
9) Limites para os transplantes entre pessoas VIVAS previstos na Lei 9.434/97 
Requisitos para que uma pessoa possa dispor de seu corpo para fins de transplante: 
1) Órgãos dúplices ou regeneráveis, cuja perda não implique risco de vida ou deformidade ao doador. 
2) Gratuidade do ato: (tecnicamente é uma dação e não doação, ou seja, não se aplicam a este ato 
as regras do contrato de doação, que se refere à liberalidade patrimonial). 
3) Beneficiário e doador devem integrar o mesmo grupo familiar. Em não sendo do mesmo grupo 
familiar, somente com autorização judicial (exceto medula óssea). 
 
 
O Decreto 2.268/97 estabelece que o médico somente possa realizar os transplantes EM VIDA 
quando presentes todos os requisitos e mediante comunicação do fato ao MP da comarca do doador. 
 Não é autorização; é comunicação. O MP faz o que com essa comunicação? O promotor da 
comarca que recebe a comunicação deve instaurar um procedimento administrativo investigatório, para 
comprovar a presença dos requisitos. 
Concluindo pela presença dos requisitos, o promotor arquiva o procedimento, devendo comunicar 
ao Conselho Superior do MP no prazo de 03 dias, sob a penade falta funcional grave. 
Em concluindo pela ausência dos requisitos, o MP vai requerer judicialmente a interrupção do 
procedimento médico. 
IMPORTANTE: A doação de sangue, esperma, óvulo e leite materno não sofre as limitações da 
lei. Exigindo-se apenas a gratuidade. Exige o parentesco, podendo o doador escolher o beneficiário (ver 
isso). 
10) O art. 13 permite a “barriga de aluguel” (gestação em útero alheio)? 
A Resolução 1.352/92 do CFM (Conselho Federal de Medicina) diz ser possível a gestação em 
útero alheio, não violando a proteção da integridade física. No entanto, existem quatro requisitos: 
1) Capacidade das partes; 
2) Gratuidade do procedimento; 
3) Impossibilidade gestacional da mãe biológica. Deve provar que a mãe biológica não pode gestar; 
4) Mãe biológica e mãe hospedeira devem integrar o mesmo núcleo familiar. Se não forem, só com 
autorização judicial. 
Presentes os requisitos o médico pode realizar o procedimento mesmo sem autorização judicial. 
Nascida a criança, o médico deve entregar o bebê à mãe biológica. O que ocorre se nenhuma das 
duas quiser mais a criança? Encaminha para a fila de adoção, de acordo a Nova Lei de Adoção. 
11) EXCEÇÃO à proteção à integridade física 
Lei 9.263/96, que fala de esterilização humana artificial. Essa lei permite a esterilização como 
mecanismo de planejamento familiar. Requisitos: 
a) Lapso temporal mínimo de 60 dias entre a manifestação de vontade e o procedimento cirúrgico 
(direito a arrependimento); 
b) Requisitos alternativos: Ter mais de 25 anos ou, ter mais de 18 anos e mais de 02 filhos. 
Essa esterilização é feita pelo SUS, reclamando o direito à saúde (assistência social, psicológica, 
acompanhamento médico). 
IMPORTANTE: O MP não intervirá na doação de órgãos entre vivos pertencentes ao mesmo núcleo 
familiar e na barriga de aluguel pertencendo as “mães” ao mesmo núcleo familiar (nesses dois casos, 
caso não sejam da mesma família, deverá haver autorização judicial e a consequente intervenção do 
MP). No procedimento de esterilização não há intervenção do MP. 
13.3.2. Tutela jurídica do corpo morto 
 
 
Art. 14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do 
próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte. 
 
Como preservação da dignidade do morto, se admite a proteção do cadáver como extensão do 
direito da personalidade. O direito ao cadáver é expressão do direito à integridade física, ou seja, integra 
os direitos da personalidade. 
Com base nessa doutrina, a violação do cadáver é possível em somente duas hipóteses: 
1) Produção de provas em processo penal; 
2) Transplantes. 
Quanto a segunda hipótese, prevê o CC que o titular pode, em vida, dispor do seu corpo no todo 
ou em parte, para depois da sua morte (art. 14). 
A disposição do cadáver é possível, desde que observados alguns requisitos (Lei 9.434/97): 
1) Gratuidade; 
2) Possibilidade de disposição integral do corpo; 
3) Impossibilidade de escolha do beneficiário (pois existe fila estadual de receptadores de órgãos, 
por critério de urgência); Ou seja, não se admite no Direito Brasileiro o chamado testamento vital 
ou living will. É o chamado princípio da universalização da saúde. Se a pessoa deixa o órgão 
para “pessoa x e ou ninguém”, o órgão não vai para pessoa ‘x’ nem para ninguém. 
OBS: Não há intervenção do MP nesse procedimento. Somente quando for um problema difuso 
ou coletivo, ou relativo a menor (incapaz) e idoso o MP poderá intervir. 
O art. 14 do CC diz que basta a manifestação EXPRESSA de vontade do sujeito, podendo inclusive 
ser revogada a disposição. 
PROBLEMA: O art. 4º da lei dos transplantes diz que o médico só poderá realizar transplantes de órgãos 
do morto com AQUIESCÊNCIA DOS FAMILIARES do falecido. 
Art. 4o A retirada de tecidos, órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas para 
transplantes ou outra finalidade terapêutica, dependerá da autorização do 
cônjuge ou parente, maior de idade, obedecida a linha sucessória, reta ou 
colateral, até o segundo grau inclusive, firmada em documento subscrito por duas 
testemunhas presentes à verificação da morte. 
 
Qual lei prevalece? Critério da especialidade ou da anterioridade? 
Enunciado 277 do CJF 277 – Art. 14: O art. 14 do Código Civil, ao afirmar a 
validade da disposição gratuita do próprio corpo, com objetivo científico ou 
altruístico, para depois da morte, determinou que a manifestação expressa do 
doador de órgãos em vida prevalece sobre a vontade dos familiares, portanto, a 
aplicação do art. 4º da Lei n. 9.434/97 ficou restrita à hipótese de silêncio do 
potencial doador. 
Em se tratando de pessoa indigente (morreu não identificado), não poderá haver retirada de 
órgãos para fins de transplantes. Entretanto, ela pode ter seu corpo encaminhado para estudos (exemplo: 
faculdade de medicina). 
 Portanto, o direito ao cadáver, é um direito de personalidade. 
 
 
13.3.3. Autonomia do paciente ou livre consentimento informado 
Art. 15. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a 
tratamento médico ou a intervenção cirúrgica. 
 
A pessoa humana é sempre SUJEITO; jamais objeto do tratamento. O médico não pode utilizar a 
pessoa humana par fins de experimentos científicos. A internação ou tratamento dependem da anuência 
do paciente ou do responsável legal. 
O direito brasileiro não admite a chamada internação forçada. Toda internação exige o 
consentimento do paciente ou a exigência médica baseada na urgência (STJ). 
1) Possibilidade de responsabilidade civil decorrente da violação do dever de informação 
pelo médico 
O paciente tem o direito de ser informado sobre a intervenção e o risco, assim como tem o direito 
de recusá-la, em função de seu direito à integridade física. 
 Se o médico viola esse dever de informação e realiza alguma intervenção ou tratamento de risco, 
caberá responsabilização civil. Exatamente por isso que os médicos gravam o consentimento informado 
do paciente. É ônus de prova do médico. 
Agora, em se tratando de casos emergenciais, conforme os arts. 46 e 56 do Código de Ética 
Médica, os médicos têm o dever de tomar todas as medidas possíveis para salvar a vida do paciente. 
2) Testemunhas de Jeová e transfusão de sangue 
Qual a solução? Em se tratando de criança e adolescente não há dúvida que seja possível a 
transfusão, mediante autorização judicial (doutrina da proteção integral do ECA). Igualmente prevalece 
essa opinião para situações de emergência, pois os arts. 46 e 56 do Código de Ética médica, dizem que 
o médico deve tomar todas as medidas para salvar o paciente. 
Quanto aos maiores e capazes, a possibilidade de recusa de tratamento motivado por questões 
religiosas ou filosóficas divide a doutrina: 
1ª C: A testemunha de Jeová maior e capaz, que não se encontra em situação de emergência, 
tem o direito de não receber transfusão de sangue (Gustavo Tepedino, Celso Ribeiro Bastos e Cristiano 
Chaves). Prevalece a autonomia da vontade e a liberdade de crença. Existem decisões isoladas na JF/... 
e na JE/PA nesse sentido. Isso por que o direito a vida também implica em direito a vida digna, ou seja, 
se a transfusão violar a dignidade do cidadão, a fé deve ser respeitada. 
2ª C: Prevalece que a testemunha de Jeová dever ser compelida ao procedimento de transfusão, 
mesmo que seja maior e capaz (doutrina e jurisprudência). 
13.4. PROTEÇÃO DA INTEGRIDADE INTELECTUAL (DIREITO AUTORAL) 
13.4.1. Considerações 
No âmbito intelectual a proteção da integridade intelectual se dá, por exemplo, através dos direitos 
autorais. 
O direito autoral é HÍBRIDO, ‘sui generis’. É a um só tempo direito da personalidade e direito 
real. 
 Direito da personalidade (natureza moral, psíquica):No que diz respeito ao invento, à 
criação. 
 
 
 Direito real (natureza patrimonial): No que diz respeito ao exercício, à exploração. 
Nesta dualidade, o direito autoral é enquadrado como bem móvel. Além de ser bem móvel, é 
incorpóreo, não sendo, por isso, suscetível de posse ou de usucapião (Súmula 228 do STJ). 
STJ Súmula nº 228 É INADMISSÍVEL o interdito proibitório para a proteção do 
direito autoral. 
Direito autoral é protegido por tutela específica ou tutela indenizatória, mas JAMAIS por tutela 
possessória. 
Direito autoral não se comunica no regime de bens, salvo disposição em contrário. 
Assim, o direito autoral regulado pela Lei 9.610/98 produz a um só tempo efeitos pessoais ou morais 
(natureza personalíssima) e efeitos patrimoniais (natureza real). Nesse sentido, o art. 49 da referida Lei: 
Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a 
terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, 
pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de 
licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, 
obedecidas as seguintes limitações: 
I - a transmissão total compreende todos os direitos de autor, salvo os de natureza 
moral e os expressamente excluídos por lei; 
 
13.4.2. Efeitos jurídicos do direito autoral (Lei 9.610/98) 
1) Efeitos patrimoniais 
1) Possibilidade de transmissão dos direitos 
Se for por ato intervivos, a transmissão será presumidamente onerosa, com prazo máximo de 05 
anos, renováveis. Ou seja, a gratuidade deve ser expressa. 
A transmissão causa mortis aos herdeiros se dá pelo prazo de 70 anos, contados de 1º de janeiro 
do ano subsequente à morte do autor. Depois desse prazo, a obra cai em domínio público. 
2) Proteção contra a execução pública (art. 33 da Lei): Quem executa em público o direito autoral 
deve PAGAR pelo direito autoral. 
Art. 33. Ninguém pode reproduzir obra que não pertença ao domínio público, a 
pretexto de anotá-la, comentá-la ou melhorá-la, sem permissão do autor. 
Parágrafo único. Os comentários ou anotações poderão ser publicados 
separadamente. 
 3) Proteção do autor contra a retransmissão radiofônica em estabelecimento comercial: 
Súmula 63 do STJ. 
STJ Súmula 63 São devidos direitos autorais pela retransmissão radiofônica de 
músicas em estabelecimentos comerciais. 
O STJ possui entendimento consolidado de que é legítima a cobrança de direito autoral de clínicas 
médicas pela disponibilização de aparelhos de rádio e televisão nas salas de espera. 
Segundo a legislação de regência, a simples circunstância de promover a exibição pública da obra 
artística em local de frequência coletiva caracteriza o fato gerador da contribuição, sendo irrelevante o 
auferimento de lucro como critério indicador do dever de pagar retribuição autoral. 
 
 
Nos termos do disposto nos arts. 28 e 29, VIII, da Lei n. 9.610/1998, a utilização direta ou indireta 
de obra artística por meio de radiodifusão sonora ou televisiva enseja direito patrimonial ao autor, titular 
exclusivo da propriedade artística. 
2) Efeitos pessoais 
1) Direito à paternidade da obra: violada a paternidade nasce o chamado plágio (reprodução 
indevida de obra, jamais de ideia ou estilo). 
2) Direito ao ineditismo: Exemplo - revistas que publicam antecipadamente o fim da novela. 
3) Direito à integridade da obra e ao arrependimento: REsp. 37.374. O criador de uma obra 
tem direito à inalterabilidade de sua obra sem o seu consentimento. Direito ao arrependimento 
é o caso Xuxa. 
 
DOMICÍLIO 
*Pablo Stolze 
1. INTRODUÇÃO 
A palavra domicílio tem origem no direito romano: “domus” = casa. Precisamos antes de adentrar 
no conceito de domicílio, conhecer dois conceitos: 
1) Residência: a residência é o lugar em que a pessoa física é encontrada com habitualidade. Tem 
permanência, fixidez. Pode-se ter mais de uma residência, por exemplo, a casa de praia, 
frequentada todos finais de semana: durante a semana a residência será a casa da cidade e no 
final de semana será a casa de praia. Para caracterizar residência deve-se comprovar a 
habitualidade. 
2) Morada (R. Ruggiero: “estadia”): é o lugar em que a pessoa física se estabelece temporariamente, 
é provisória, temporária, não desloca a residência. É finita. 
Nos termos do art. 70 do CC, DOMICÍLIO é o lugar em que a pessoa física fixa residência com 
intenção de permanência (animus manendi), transformando-o de centro de sua vida jurídica. Além do 
elemento da residência (elemento objetivo), há o elemento psicológico (elemento subjetivo), a 
intenção de transformá-lo em centro de sua vida jurídica. 
Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência 
com ânimo definitivo. 
Domicílio: residência + animus de definitividade. 
Nos termos do art. 71 do CC, na linha do Direito Germânico se admite a pluralidade de domicílios. 
Em caso de demanda para alguém que tem uma pluralidade de domicílios, poderá ser demandada 
em qualquer um deles. 
Art. 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, 
alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas. 
 
Exemplo: pessoa faz como centro de sua vida jurídica várias cidades – vários domicílios. 
 
 
O Código Civil, em seu artigo 72, seguindo a linha do art. 83 do Código de Portugal, admite uma 
modalidade especial de domicílio: o DOMICÍLIO PROFISSIONAL, que está circunscrito às relações de 
profissão da pessoa física. Por exemplo: médico tem residência e domicílio, o centro de sua vida jurídica 
em cidade A, mas de 15 em 15 dias trabalha em cidade B, se for demandado em questão profissional 
concernente ao trabalho na cidade B, poderá ser demandado no seu domicílio profissional da cidade B. 
CC 
Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à 
profissão, o lugar onde esta é exercida. 
 
Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um 
deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem. 
 
CC Portugal 
Artigo 83.º (Domicílio profissional) 
1. A pessoa que exerce uma profissão tem, quanto às relações que a esta se 
referem, domicílio profissional no lugar onde a profissão é exercida. 
2. Se exercer a profissão em lugares diversos, cada um deles constitui domicílio 
para as relações que lhe correspondem. 
 
Para efeitos profissionais, o local em que se exerce a profissão é o seu domicílio, para outros 
efeitos não. 
2. MUDANÇA DE DOMICÍLIO 
Como se dá a mudança de domicílio? É regulada no art. 74 do CC. 
Art. 74. Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de 
o mudar. 
Parágrafo único. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às 
municipalidades dos lugares, que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações 
não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a acompanharem. 
 
De acordo com o professor, artigo esdrúxulo, visto que a pessoa tem que avisar na cidade que sai 
e na cidade que entra que sairá/ficará lá. No Brasil essa regra não tem sentido para pessoa física, mas 
para PJ pode ter (efeito de ISS). 
 O que se entende por domicilio APARENTE ou OCASIONAL? Doutrina de Henri de Page. 
Trata-se de uma ficção jurídica, baseada na teoria da aparência, aplicável às pessoas que não 
tenham domicílio certo, nos termos do art. 73 do CC. Sendo, portanto, o domicílio destas pessoas o lugar 
em que forem encontradas. 
Art. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, 
o lugar onde for encontrada. 
 
Exemplo: caixeiro viajante, circense, cigano, pessoas as quais se aplica a teoria do domicilio aparente ou 
ocasional. 
3. DOMICÍLIO DA PESSOAJURÍDICA 
O Domicílio da PJ é regulado no art. 75 do CC (as questões jurídicas mais profundas devem ser 
vistas na grade de Processo Civil). 
CC Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: 
I - da União, o Distrito Federal; 
 
 
II - dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; 
III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; (é onde está a 
prefeitura – sede do município – cuidado com distritos, o domicílio será onde a 
prefeitura está sediada). 
IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas 
diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou 
atos constitutivos. 
§ 1o Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada 
um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. 
§ 2o Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por 
domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das 
suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder. 
 
4. CLASSIFICAÇÃO DO DOMICÍLIO 
O domicílio se classifica em: 
1) Voluntário 
2) Legal; 
3) De eleição. 
4.1. DOMICÍLIO VOLUNTÁRIO 
 É o geral, o comum, fixado por simples manifestação de vontade. A natureza jurídica desse ato é 
de ato jurídico em sentido estrito ou não negocial. 
*Dica: em civil, quando perguntarem a natureza jurídica de algo (o que é isto para o direito?), a resposta 
geralmente é: ato, fato ou bem. 
4.2. DOMICÍLIO LEGAL OU NECESSÁRIO 
Decorre diretamente da lei, encontra assento em dois artigos do CC: 76 e 77. 
CC Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o 
marítimo e o preso. 
 
Parágrafo único. O domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente; o 
do servidor público, o lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do 
militar, onde servir, e, sendo da Marinha ou da Aeronáutica, a sede do comando a 
que se encontrar imediatamente subordinado; o do marítimo, onde o navio estiver 
matriculado; e o do preso, o lugar em que cumprir a sentença. 
 
A natureza jurídica deste domicílio é de fato jurídico. Pois é fixado independentemente da 
vontade da pessoa. 
4.2.1. Domicílio do Incapaz 
É o do representante ou do assistente, todavia a competência para julgar as ações conexas que 
dizem respeito aos interesses do menor é o foro do detentor de sua guarda. Exemplo: pai entra com ação 
em SP e mãe em BH, mãe detém a guarda, quem vai julgar as ações, é BH. Súmula 383 do STJ. 
STJ Súmula: 383 A competência para processar e julgar as ações conexas de 
interesse de menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor de sua guarda. 
4.2.2. Domicílio do Servidor Público 
 É o lugar em que exercer permanentemente suas funções, deve ser lotado permanentemente. 
 
 
OBS: lembra MHD, que o servidor público tem domicílio obrigatório no lugar em que exerce função 
permanente, e não simplesmente comissionada. Acrescenta ainda a professora, que a obtenção de 
uma simples licença, não altera o domicílio legal. 
Estágio probatório: já é exercício permanente de função pública, o estágio probatório confirma sua posse. 
4.2.3. Domicílio do Militar 
É sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado. 
4.2.4. Domicílio do Marítimo (marinha mercante) 
Não é o marinheiro da força armada, é o marinheiro da marinha mercante, o da força armada está 
dentro da MILITAR, o domicílio é de onde o navio estiver matriculado. 
4.2.5. Preso 
É do lugar em que cumpre sentença – prisão cautelar não gera. 
“INseMImaP” – Os cinco tem domicílio LEGAL. 
CC Art. 77. O agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro, alegar 
extraterritorialidade sem designar onde tem, no país, o seu domicílio, poderá ser 
demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve. 
 
4.3. DOMICÍLIO DE ELEIÇÃO 
Aquele estipulado segundo a autonomia privada, no contrato, pelas próprias partes (art. 78 do 
CC). 
Art. 78. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicílio onde 
se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. 
 
 
BENS JURÍDICOS 
1. BENS JURÍDICOS 
Com base na doutrina de Orlando Gomes, bem juridico é toda utilidade física ou ideal objeto de 
um direito subjetivo. 
*Coisa x Bem: Segundo M.H. Diniz, acompanhada por Venosa, a noção de coisa é mais abrangente de 
que a de bem: Orlando Gomes afirma o contrário. Washinton de Barros Monteiro refere que pode haver 
sinonímia. 
(Orlando Gomes) Conclui-se então: 
A noção de bem jurídico é genérica, abrangendo utilidades MATERIAIS (coisas), bem como 
utilidades IDEAIS (honra ou própria vida). 
OBS: o que se entende por PATRIMÔNIO JURÍDICO? Para a doutrina clássica, patrimônio é a 
representação econômica da pessoa, no entanto é mais adequado se dizer, quanto à sua natureza 
jurídica, que se trata de uma universalidade de direitos e obrigações. 
Autores modernos inspirando-se na doutrina dos direitos da personalidade, a exemplo de Carlos 
Bittar, Wilson Melo da Silva, Rodolfo Pamplona Filho, afirmam direta ou indiretamente que para além de 
 
 
mera representação econômica da pessoa, o conjunto de direitos da personalidade traduz o que se 
denomina de patrimônio moral (honra, imagem, vida privada, etc.) 
Forte doutrina no Brasil (Clóvis Beviláqua, Caio Mário) afirma que cada pessoa é titular de um 
único patrimônio ainda que os bens derivem de causas diversas. 
Sobre patrimonio mínimo, discorremos aulas passadas. Mas o que seria PATRIMÔNIO DE 
AFETAÇÃO? 
Consagrado pela lei 10.931/04, o patrimônio de afetação visa a imprimir maior segurança jurídica 
nas relações do mercado imobiliário, ao vincular bens aos custos do empreendimento. Assim, destaca-
se um patrimônio específico independente da incorporadora para a garantia da obra. Ver reais – 
Chaves. 
2. CLASSIFICAÇÃO DOS BENS JURÍDICOS 
2.1. MÓVES E IMÓVEIS 
2.1.1. Bens imóveis 
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou 
artificialmente. 
 
São aqueles que não podem ser transportados de um lugar para outro sem alteração de sua 
substância (um terreno). 
Podem ser: 
1) Bens imóveis por natureza ou por essência; 
2) Bens imóveis por acessão física industrial ou artificial; 
3) Bens imóveis por acessão intelectual ou por destinação (há controvérsia se permanece no 
contexto do CC/02); 
4) Bens imóveis por disposição legal. 
Vejamos: 
1) Bens imóveis por natureza ou por essência 
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar NATURAL ou 
artificialmente. 
 
O solo e tudo quanto se lhe incorporar naturalmente. Exemplo: árvore, frutos pendentes. Obs.: A 
propriedade do solo abrange o espaço aéreo e o subsolo, contudo há limitações como o art. 1229, CC, 
art. 176, §§1 a 4, CRFB. 
CC Art. 1.229. A propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e subsolo 
correspondentes, em altura e profundidade úteis ao seu exercício, não podendo o 
proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas, por terceiros, a uma altura 
ou profundidade tais, que não tenha ele interesse legítimo em impedi-las. 
 
CRFB Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os 
potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para 
efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao 
concessionário a propriedade do produto da lavra. 
 
 
§ 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a 
que se refere o "caput" deste artigo somente poderão ser efetuados mediante 
autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou 
empresa constituída sob as leis brasileirase que tenha sua sede e administração 
no País, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas quando essas 
atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas. 
§ 4º - Não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do potencial 
de energia renovável de capacidade reduzida. 
 
2) Bens imóveis por acessão física industrial ou artificial 
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou 
ARTIFICIALMENTE. 
 
Tudo que o homem incorporar artificialmente ao solo que não podem ser removidos ou 
transplantados sem deterioração. Originam-se de construções e plantações com intervenção humana. 
OBS.: Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis. 
Art. 81. Não perdem o caráter de IMÓVEIS: 
I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem 
removidas para outro local; 
II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se 
reempregarem. 
 
3) Bens imóveis por acessão intelectual ou por destinação 
Aquilo que é empregado intencionalmente para a exploração industrial, aformoseamento e 
comodidade do bem. São bens móveis, imobilizados pelo proprietário. 
 
A imobilização da coisa móvel por acessão intelectual se dá, por FICÇÃO JURÍDICA, quando ela 
for colocada a serviço do imóvel e não da pessoa. Exemplo: proprietário mantém tratores em sua 
produção agrícola, ar-condicionado. 
Obs.: Há divergência se esta classificação se mantém no CC/02. Posições: 
1) O Enunciado 11 do CJF e Maria Helena Diniz entendem que o CC/02 aboliu esta modalidade 
como uma espécie de bem imóvel, pois o art. 79 restringe bens imóveis ao solo e tudo quanto se 
lhe incorporar natural ou artificialmente, inserindo, indiretamente, o “imóvel por acessão 
intelectual” como apenas uma modalidade de bens acessórios ao tratar das pertenças. 
 
Enunciado 11– Art. 79: não persiste no novo sistema legislativo a categoria dos bens 
imóveis por acessão intelectual, não obstante a expressão “tudo quanto se lhe 
incorporar natural ou artificialmente”, constante da parte final do art. 79 do CC. 
2) Ainda há a previsão de bens imóveis por acessão intelectual. Tartuce sobre o tema faz duas 
observações: (1) defende que a pertença essencial seria um bem acessório e, portanto, seguiria 
o bem principal, pugnando pelo afastamento da regra do art. 94, CC1, (2) defende que a pertença 
 
1
 Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da 
manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso. 
 
 
 
essencial, quando móvel, constitui um em imóvel por acessão intelectual. Por fim, o doutrinador 
insurge-se expressamente contra o citado Enunciado 11. 
4) Bens imóveis por disposição legal 
São considerados imóveis para que recebam maior proteção jurídica. 
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais: 
I – os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram; 
 
Hipoteca por exemplo, deve ser registrada no Cartório de Imóveis. Isso por que, por força de lei, 
um direito sobre bem imóvel também tem natureza imóvel. 
 II – o direito à sucessão aberta. 
 
Obs.: O direito à herança, nos termos do inciso II, do art. 80, tem natureza imobiliária, isso explica a 
exigência legal de escritura pública para cessão de direito hereditário (art. 1.793). 
Art. 1.793. O direito à sucessão aberta, bem como o quinhão de que disponha o 
coerdeiro, pode ser objeto de cessão por escritura pública. 
§ 1o Os direitos, conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de 
direito de acrescer, presumem-se não abrangidos pela cessão feita anteriormente. 
§ 2o É ineficaz a cessão, pelo coerdeiro, de seu direito hereditário sobre qualquer 
bem da herança considerado singularmente. 
§ 3o Ineficaz é a disposição, sem prévia autorização do juiz da sucessão, por 
qualquer herdeiro, de bem componente do acervo hereditário, pendente a 
indivisibilidade. 
 
O direito a herança é bem imobiliário. Mas por quê? Para transferir bens imóveis exige 
solenidades, o legislador pretente cercar de solenidades/formalidades a transferência de herança. Isso 
explica a exigência legal da escritura pública para cessão de direito hereditário (art. 1793), bem como, 
segundo alguns autores (Francisco Cahali), a exigência de outorga uxória na cessão, nos termos do art. 
1647 (controverso). 
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem 
autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: 
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 
II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos; 
III - prestar fiança ou aval; 
IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam 
integrar futura meação. 
Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem 
ou estabelecerem economia separada. 
 
Art. 1.649. A falta de autorização, não suprida pelo juiz, quando necessária (art. 
1.647), tornará anulável o ato praticado, podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a 
anulação, até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. 
Parágrafo único. A aprovação torna válido o ato, desde que feita por instrumento 
público, ou particular, autenticado. 
 
Importantes efeitos derivam da natureza imobiliária do “direito à sucessão aberta”, a exemplo da 
necessidade, apontada por parcela respeitável da doutrina, de se exigir a autorização do cônjuge do 
renunciante, no bojo do inventário, por se considerar que a renúncia, no caso, opera-se de forma 
semelhante à alienação de um imóvel, exigindo-se a vênia daqueles que não casaram no regime da 
separação absoluta de bens (art. 1647). Sobre o tema, tivemos a oportunidade de escrever: “Outro 
aspecto a considerar é que respeitável parcela da doutrina sustenta a necessidade do consentimento do 
 
 
outro cônjuge do renunciante”. Nesse sentido, FRANCISCO CAHALI preleciona que: Tratando a 
sucessão aberta como imóvel (CC-16, art. 44, III) a renúncia à herança depende do consentimento do 
cônjuge, independentemente do regime de bens adotado (CC-16, arts. 235, 242, I e II). Considera-se que 
a ausência do consentimento torna o ato anulável, uma vez passível de ratificação (RT 675/102). (exceto 
no regime de separação absoluta de bens!) 
Embora se possa imaginar que essa autorização do cônjuge é necessária para todo tipo de 
renúncia – inclusive a abdicativa, em que o herdeiro se despoja de seu quinhão em benefício de todo o 
monte partível, indistintamente –, entendemos que tal formalidade só é necessária em se tratando da 
renúncia translativa, analisada acima, hipótese em que o herdeiro “renuncia em favor de determinada 
pessoa”, praticando, com o seu comportamento, verdadeiro ato de cessão de direitos. E tanto é assim 
que, como dissemos, nesta última hipótese, incidirão dois tributos distintos: o imposto de transmissão 
mortis causa (em face da transferência dos direitos do falecido para o herdeiro/cedente) e o imposto de 
transmissão intervivos (em face da transferência dos direitos do herdeiro/cedente para outro herdeiro ou 
terceiro/cessionário). Deve, pois, nesse particular, estar o juiz atento, para evitar sonegação tributária. 
Cumpre registrar ainda haver entendimento no sentido de não ser exigível a autorização do 
outro cônjuge para a renúncia de direitos hereditários. 
É a posição de MARIA HELENA DINIZ, para quem, a pessoa casada pode aceitar ou renunciar à 
herança ou legado independentemente de prévio consentimento do cônjuge, apesar do direito à sucessão 
aberta ser considerado imóvel para efeitos legais, ante a redação dada ao art. 242 do Código Civil pela 
Lei n. 4.121/62 (RT, 605:38, 538:92, 524:207).Entretanto, considerando que o direito à sucessão aberta é tratado como sendo de natureza 
imobiliária (art. 44, III), forçoso convir assistir razão a FRANCISCO CAHALI, quando demonstra a 
necessidade da outorga. 
Ainda, no caso transferência, deve-se respeitar o direito de preferência dos outros herdeiros, isto 
por que se equipara a um condomínio (bem imóvel!) 
2.1.2. Bens móveis 
Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por 
força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social. 
São os passíveis de deslocamento, sem quebra ou fratura (um computador, v.g.). Os bens 
suscetíveis de movimento próprio, enquadráveis na noção de móveis, são chamados de semoventes (um 
cachorro, v.g.). 
Podem ser: 
1) Bens móveis por natureza ou por essência; 
2) Bens móveis por antecipação; 
3) Bens móveis por disposição legal. 
Vejamos: 
1) Bens móveis por natureza ou por essência 
Por sua essência adaptam-se ao conceito acima. Subdividem-se em: 
i) semoventes: deslocam-se por força própria; 
 
 
ii) bens móveis propriamente ditos: as coisas inanimadas. 
2) Bens móveis por antecipação 
São os bens imóveis mobilizados por uma atividade humana. Exemplo: colheita de uma plantação, 
demolição de uma casa. 
3) Bens móveis por disposição legal 
A lei prevê que o bem é móvel. Ex.: Art. 83, CC, Direitos autorais, art. 3º, Lei 9.610/98, Propriedade 
industrial, art. 5º, Lei 9.279/96. 
OBS.: Navios e aeronaves são bens moveis especiais ou sui generis. São móveis por essência, mas 
tratados por lei como imóveis, necessitando de registro especial e sendo objeto de hipoteca. 
Art. 83. Consideram-se MÓVEIS para os efeitos legais: 
I – as energias que tenham valor econômico; 
II – os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; 
III – os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. 
 
Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem 
empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os 
provenientes da demolição de algum prédio. 
 
2.2. FUNGÍVEIS E INFUNGÍVEIS 
2.2.1. Bens fungíveis 
São aqueles que podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade 
(dinheiro, por exemplo). 
2.2.2. Bens infungíveis 
Por sua vez, são aqueles de natureza insubstituível. Exemplo: uma obra de arte. 
No Código Civil: 
Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma 
espécie, qualidade e quantidade. 
2.3. CONSUMÍVEIS E INCONSUMÍVEIS (CLASSIFICAÇÃO QUANTO A CONSUNTIBILIDADE) 
Art. 86. São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da 
própria substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação. 
2.3.1. Bens consumíveis 
São os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância (consuntibilidade 
física, exemplo: sanduíche), bem como aqueles destinados à alienação (consuntibilidade jurídica). 
2.3.2. Bens inconsumíveis 
São aqueles que suportam uso continuado (um avião, um carro). São aqueles que permitem 
reiteradas utilizações, retirando-se a sua utilidade sem deterioração imediata (inconsuntibilidade física) 
ou os que são inalienáveis (inconsuntibilidade jurídica) 
OBS1: A inconsuntibilidade jurídica e a inconsuntibilidade física não estão sempre presentes juntas. Ex.: 
i) bem consumível faticamente e inconsumível juridicamente: garrafa de bebida famosa com cláusula de 
 
 
inalienabilidade; ii) bem inconsumíveis faticamente e consumível juridicamente: automóvel (Flávio 
Tartuce). 
OBS2: O Código de Defesa do Consumidor adotou a classificação de bens duráveis e não duráveis, para 
efeito de se exercer o direito potestativo de reclamar pelos vícios de qualidade do produto ou do serviço 
(art. 26 – para os duráveis, prazo de 90 dias; para os não duráveis, prazo de 30 dias). 
2.4. BENS DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS 
2.4.1. Bens divisíveis 
São os que se podem repartir em porções reais e distintas, formando cada uma delas um todo 
perfeito (uma saca de café). 
2.4.2. Bens indivisíveis 
Não admitem divisão cômoda sem desvalorização ou dano (um cavalo). 
No Código Civil: 
Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua 
substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. 
 
Art. 88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por 
determinação da lei ou por vontade das partes. 
2.5. SINGULARES E COLETIVOS OU UNIVERSALIDADES 
2.5.1. Bens singulares 
São coisas consideradas em sua individualidade, representadas por uma unidade autônoma e, 
por isso, distinta de quaisquer outras (um lápis, um livro). 
2.5.2. Bens coletivos ou universalidades 
São aqueles que, em conjunto, formam um todo homogêneo (universalidade da fato – um rebanho, 
uma biblioteca; universalidade de direito – o patrimônio, a herança). 
No Código Civil: 
Art. 89. São singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, 
independentemente dos demais. 
 
Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, 
pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária. 
Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de 
relações jurídicas próprias. 
(exemplo: estabelecimento empresarial) 
 
Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de 
uma pessoa, dotadas de valor econômico. 
 
2.6. PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS 
2.6.1. Bens principais (ou independentes) 
Existem de maneira autônoma e independente, abstrata ou concretamente. 
2.6.2. Bens acessórios (ou dependentes) 
 
 
São bens cuja existência e finalidade depende do outro bem, o principal. Principio da gravitação 
jurídica: o bem acessório segue o principal, salvo disposição em contrario (exceto as pertenças). 
Tipos de bens acessórios: 
1) Frutos; 
2) Produtos; 
3) Rendimentos; 
4) Benfeitorias; 
5) Pertenças; 
6) Partes integrantes. 
1) Frutos 
São bens acessórios que se originam do principal, sem a diminuição de sua substância ou quantidade. 
Quanto a sua ORIGEM são classificados em: i) Frutos naturais: quando se desenvolvem e se 
renovam periodicamente pela força orgânica da coisa, mesmo que o homem interfira neste processo para 
melhorar a qualidade do fruto. Ex.: cria de animais.ii) Frutos industriais: decorrem de uma atividade 
humana. Ex.: material produzido numa fábrica. iii) Frutos civis: decorrem de uma relação jurídica ou 
econômica, também denominados de rendimentos. 
Quanto ao seu ESTADO dividem-se em: i) pendentes: ligados à coisa, não foram colhidos; ii) 
percebidos: já colhidos e separados; iii) estantes: colhidos e armazenados; iv) percipiendos: frutos que 
deviam ter sido colhidos, mas não foram. v) consumidos: já foram colhidos e consumidos ex.: maças 
colhidas e vendidas. 
2) Produtos 
São utilidades que saem da coisa principal, diminuindo a sua quantidade e substancia, levando 
até ao seu esgotamento. Exemplo: petróleo de um poço. 
3) Rendimentos 
 São frutos civis ou prestações periódicas, em dinheiro, decorrentes da concessão do uso ou 
gozo de um bem (Maria Helena Diniz). 
4) Benfeitorias 
São obras ou despesas que se faz no imóvel, por intervenção do proprietário, possuidor ou 
detentor, para conservá-lo (necessárias), melhorá-lo (úteis) ou embelezá-lo (voluptuárias). Conceitos 
das classes de benfeitorias no art. 96, CC. 
Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias. 
§ 1o São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso 
habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor. 
§ 2o São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.§ 3o São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. 
 
 
OBS1: não são benfeitorias os melhoramentos e acréscimos sobrevindos à coisa sem a intervenção do 
proprietário, possuidor ou detentor, ou seja, as advindas de acessões naturais. Não são benfeitorias as 
obras que criam coisa nova que se adere à propriedade anteriormente existente, ou seja, as acessões 
artificiais (construções e plantações). 
OBS2: não existe benfeitoria natural, toda benfeitoria é artificial. 
OBS3: não posso à luz das regras do CC, confundir acessão artificial com benfeitoria (matéria a ser 
desenvolvida na aula de direitos reais). 
Acessão é um modo de aquisição de propriedade IMOBILIÁRIA ao passo que a benfeitoria é um 
simples bem acessório. 
Acessão ocasiona o aumento de volume da coisa principal, a benfeitoria não implica necessária e 
consideravelmente aumento de volume da coisa principal. 
As acessões podem ser artificiais ou naturais, as benfeitorias são sempre artificiais. 
Benfeitoria não é tecnicamente uma construção e sim uma obra na estrutura. CONSTRUÇÃO, 
acresce volume, é ACESSÃO. 
Exemplo: em geral piscinas são benfeitorias voluptuárias, mas se fosse em uma escola seria útil, 
agora em uma clínica de hidroterapia, seria benfeitoria necessária. Já uma construção, uma piscina 
com bar molhado é uma acessão artificial. 
5) Pertenças 
 São bens destinados a servir outro bem principal, por vontade ou trabalho intelectual do 
proprietário. Nos termos do CC/02: 
Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se 
destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro 
São bens que se acrescem, como acessórios, ao bem principal destinados, de modo duradouro, 
a conservar ou facilitar o uso ou prestar serviço ou, ainda, servir de adorno ao bem principal, sem ser 
parte integrante. Apesar de acessórios conservam a sua individualidade e autonomia, tendo apenas 
subordinação econômico-jurídica com o bem principal. 
Exemplo: ar condicionado, escada de incêndio (filme americano) 
 Não sofrem a incidência do princípio da gravitação jurídica. 
 O rádio em relação ao carro é uma pertença? José Fernando Simão afirma que sim, ressalvada a 
hipótese do rádio integrado de fábrica (aquele que não dá para retirar-se), a pertença se ACOPLA ao 
todo, mas NÃO É PARTE INTEGRANTE do todo. 
OBS.: Pertenças e bens imóveis por acessão intelectual. Ver tópico bens imóveis por acessão intelectual. 
6) Partes Integrantes 
São acessórios que, unidos ao principal, formam com ele um todo, sendo desprovidas de 
existência material própria, embora mantenham a sua identidade. São acessórios que ao se incorporam 
a uma coisa composta, completam-na, formando um todo e tornando possível a sua utilização. 
Exemplo: lâmpada de um lustre, janelas, portas e telhados de uma casa. As partes integrantes ganham 
funcionalidade ao se juntarem com outro bem, por isso são analisadas tendo outro bem como parâmetro. 
 
 
Obs.: as partes integrantes ligadas a um imóvel vão ser consideradas imóveis por acessão física artificial. 
3. BEM DE FAMÍLIA 
CC 
Art. 1.711. Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública 
ou testamento, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, desde 
que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição, 
mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida 
em lei especial. 
 
1.712. O bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural, com suas 
pertenças e acessórios, destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar, e 
poderá abranger valores mobiliários, cuja renda será aplicada na conservação do 
imóvel e no sustento da família. 
 
Relacionado com o princípio do mínimo existencial - Robert Alexy. 
3.1. HISTÓRICO 
O histórico do bem de família remonta ao direito americano, do Texas. A lei texana chamada 
“Homestead Act” de 1839. Proibia a penhora da pequena propriedade urbana e rural, devido à crise, para 
dar segurança. O bem de família pode ser divido em duas espécies: 
1) Voluntário; 
2) Legal. 
Vejamos: 
3.2. BEM DE FAMÍLIA VOLUNTÁRIO 
3.2.1. Noções gerais 
Conceito: o bem de família voluntário, regulado a partir do art. 1711 do CC, instituído por ato de 
vontade do casal, da entidade familiar, ou de terceiro, deverá ser registrado no cartório de registro de 
imóveis, na forma do art. 167, I,1 da LRP (lei de registros públicos). 
CC Art. 1.711. Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura 
pública ou testamento, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, 
desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da 
instituição, mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial 
estabelecida em lei especial. 
Parágrafo único. O terceiro poderá igualmente instituir bem de família por 
testamento ou doação, dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de 
ambos os cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada. 
 
LRP 
Art. 167 - No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos. 
 I - o registro: 
 
1) da instituição de bem de família; 
No momento de registro, dois efeitos básicos decorrem do bem de família voluntário: 
inalienabilidade RELATIVA e impenhorabilidade LIMITADA. Vejamos: 
3.2.2. Inalienabilidade relativa 
 
 
Instituído o bem de família voluntário, não poderá o imóvel ter outro destino ou ser alienado, nos 
termos do art. 1717 do CC. Não se terá a liberdade plena da alienabilidade do imóvel. Ainda se houver 
interesse de incapaz, terá de ser ouvido o MP. 
Art. 1.717. O prédio e os valores mobiliários, constituídos como bem da família, não 
podem ter destino diverso do previsto no art. 1.712 ou serem alienados sem o 
consentimento dos interessados e seus representantes legais, ouvido o Ministério 
Público. 
 
1.712. O bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural, com suas 
pertenças e acessórios, destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar, e 
poderá abranger valores mobiliários, cuja renda será aplicada na conservação do 
imóvel e no sustento da família. 
 
3.2.3. Impenhorabilidade limitada 
Constituído o bem de família voluntário, o imóvel passa a ser impenhorável por conta de dívidas 
futuras, com as ressalvas do art. 1715 do CC: 
 
1) As que provierem de tributos relativos ao prédio; 
2) Despesas de condomínio. 
Art. 1.715. O bem de família é isento de execução por dívidas posteriores à sua 
instituição, salvo as que provierem de tributos relativos ao prédio, ou de 
despesas de condomínio. 
 
3.2.4. Teto para o bem de família voluntário 
É vedada a instituição como de bem de família voluntário, visando à fraude. Para evitar isso, o 
CC estabeleceu um teto para o bem de família voluntário, art. 1711 do CC: 
Art. 1.711. Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública 
ou testamento, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, desde 
que não ultrapasse UM TERÇO do patrimônio líquido existente ao tempo da 
instituição, mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial 
estabelecida em lei especial. 
Parágrafo único. O terceiro poderá igualmente instituir bem de família por 
testamento ou doação, dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de 
ambos os cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada. 
 
Como garantir isso? O oficial deve averiguar e fazer constar nos autos que o instituidor afirma que 
o bem a ser instituído não ultrapassa 1/3 do patrimônio líquido, estando sujeito à lei civil e penal. 
3.2.5. Afetação de valores mobiliários ao bem de família voluntário 
Além do teto de 1/3

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