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1 Rede de Ensino DOCTUM Núcleo de Educação a Distância - NEaD Disciplina: METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO Professor Responsável: Msc. Fabrício Emerick Soares METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO (Conteúdo das Aulas) Caratinga 2014 2 “A vida sem ciência é uma espécie de morte” (Sócrates) Jornal da Ciência nº 643, 30/04/2009. 3 APRESENTAÇÃO Caro acadêmico(a), Seja muito bem vindo ao curso da disciplina Metodologia do Trabalho Científico na modalidade EaD (Educação a Distância) da Rede Doctum de Ensino. A disciplina Metodologia do Trabalho Científico, embora pouco pareça, é mais prática e menos teórica, pois, deve estimular os discentes na busca de motivações para levantar questionamentos e problemas e procurar-lhes respostas. Contudo, essa busca-procura deverá seguir o princípio científico e sua apresentação deverá ser feita através das normas acadêmicas vigentes, pois a inserção do aluno no espaço da Universidade pressupõe o ingresso no campo da elaboração do trabalho científico. Este tem como principal elemento norteador à pesquisa. Sendo assim, parece-nos evidente que a Metodologia do Trabalho Científico não é simples conteúdo a ser decorado pelos alunos. Trata-se, na verdade, de fornecer aos discentes um instrumental importante para a boa realização do trabalho científico através da organização e da disciplina. Nestes termos, consideramos bastante relevante o lugar ocupado na Universidade pela disciplina de Metodologia do Trabalho Científico, pois, em se tratando de curso superior, espaço no qual o aluno busca incessantemente o saber científico, é de fundamental importância o entendimento de que a Metodologia Científica é o estudo dos caminhos do saber, pois “método” quer dizer caminho e “logia” quer dizer estudo e ciência. Também é muito importante lembrar neste momento que você está iniciando um curso com uma metodologia totalmente diferente e nova para a maioria das pessoas. Trata-se de um curso a distância - EaD, onde você não terá um professor a discorrer sobre o conteúdo da disciplina. Portanto, o seu desempenho dependerá muito de quanto tempo você dispõe para dedicar-se ao curso, dependerá de sua autodisciplina, dedicação, compreensão de familiares, capacidade de organizar o seu tempo e de seguir um cronograma preestabelecido por você na execução de suas tarefas (Agenda Pedagógica). Em contrapartida, uma das características mais importantes na Educação a Distância – EaD é a flexibilidade de local e tempo de 4 estudo, uma vez que o discente é o protagonista de sua aprendizagem, sendo reservado para o mesmo o papel ativo na construção e reconstrução do conhecimento. Para tanto, a Rede Doctum de Ensino, numa iniciativa nova e ousada, em sintonia com as diretrizes da educação para o século XXI e implementando um projeto pegagógico inovador, propõe a oferta da disciplina Metodologia do Trabalho Científico na modalidade EaD, disponibilizando ao discente, em linhas gerais, uma estrutura/organização acadêmica que contempla: 1 – Conteúdo da Disciplina: todo o conteúdo programático da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico foi organizado em aulas, em número total de 10, disponibilizadas no Portal Universitário Doctum; conforme Agenda Pedagógica, o discente deverá fazer o estudo de cada aula indicada nas respectivas etapas de notas; as aulas contam com objetivos bem definidos de aprendizagem, conteúdos em forma de esquemas explicativos e textos de apoio, além de vídeos que complementam as temáticas principais de cada aula e sugestões de bibliografia de pesquisa. 2 – Tutoria: para o desenvolvimento das atividades da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico, o discente conta com o apoio de tutores à distância – responsáveis por todo o processo comunicativo/interacional entre a disciplina (Portal Universitário) e os discentes, além dos tutores presenciais, responsáveis pela materialidade da disciplina e pela organização dos encontros presenciais. 3 – Avaliação da Aprendizagem: o processo avaliativo da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico, conta com atividades a distância (AD) e atividades presenciais (AP); as atividades a distância, contam com as atividades de verificação da aprendizagem (VA); quanto as avaliações presenciais (AP) são em número de duas. O discente também conta com o exame especial (EE), aplicado ao final do semestre letivo. As indicações de descrição, período, duração e valoração em notas das atividades a distância e presenciais encontram-se bem definidas na Agenda Pedagógica da disciplina. Por fim, quanto aos apsectos legais da oferta da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico na modalidade EaD, sinalizamos a Portaria nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004 - DOU de 13/12/2004, Seção 1, p. 34, que estabelece em linhas 5 gerais, a saber: Art. 1: As instituições de ensino superior poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade semi-presencial, com base no art. 81 da Lei n. 9.394, de 1.996, e no disposto nesta Portaria. § 1 Para fins desta Portaria, caracteriza-se a modalidade semi-presencial como quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino-aprendizagem centrados na auto-aprendizagem e com a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de comunicação remota. § 2. Poderão ser ofertadas as disciplinas referidas no caput, integral ou parcialmente, desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso. Bom semestre letivo para todos... Professor Msc. Fabrício Emerick Soares 6 Atividades propostas para a disciplina 1ª Etapa de Notas – 01/08/2013 até 20/09/2013 2ª Etapa de Notas – 21/09/2013 até 01/11/2013 3ª Etapa de Notas – 02/11/2013 até 06/12/2013 Exame Especial Aulas Aula 01 Aula 02 Aula 03 Aula 04 Aula 05 Aula 06 Aula 07 Aula 08 Aula 09 Aula 10 Atividade a Distância – Verificação de Aprendizagem - AD - VA AD – VA 1 ,VA 2, VA 3, VA 4, VA 5 e VA 6: Valor Total: 30 pontos – 01 ponto cada questão (Aulas 01, 02, 03, 04, 05 e 06) PRAZO FINAL PARA A POSTAGEM DAS AD-VA – 20/09/2013 AD – VA 7, VA 8, VA 9 e VA 10: Valor Total: 20 pontos -– 01 ponto cada questão (Aulas 07, 08, 09 e 10) PRAZO FINAL PARA A POSTAGEM DAS AD-VA – 01/11/2013 50 pontos Avaliação Presencial – AP AP 1 – Valor: 20 pontos (avaliação individual , com questões objetivas e com consulta ao material das aulas 01, 02, 03, 04, 05 e 06); aplicada entre os dias 23 até 27/09/2013. AP 2 – Valor: 30 pontos (avliação individual , com questões objetivas e com consulta ao material das aulas 07, 08, 09 e 10); aplicada entre os dias 18 até 22/11/2013. 50 pontos Exame Especial – EE (aplicado de 11 até 17/12/2013); avaliação individual; sem consulta ao material das aulas. EE – Valor: 100 pontos TOTAL 100 pontos 7 AULA 01: Metodologia do Trabalho Científico – organização e disciplina da vida de estudos na universidade OBJETIVOS: * Apresentar os fundamentosconceituais da metodologia, abordando a filosofia e a história da ciência, bem como fornecer os pressupostos básicos da pesquisa e do trabalho científico, permitindo melhor convivência acadêmica entre professores e alunos; * Organizar a vida de estudos na universidade, através do conhecimento das diretrizes de uma boa leitura, análise e interpretação de textos, o conhecimento dos instrumentos de trabalho científico, organização de seminários, dentre outros; * Relembrar a importância dos hábitos de estudo científico, possibilitando o desenvolvimento de uma vida intelectual disciplinada e sistematizada; * Compreender a importância do conhecimento para o desenvolvimento pessoal e profissional; * Caracterizar e aplicar os processos da técnica de leitura analítica para análise e interpretação de textos teóricos e científicos. CONTEÚDO: Para começar bem a metodologia é preciso começar de si mesmo, começar em si mesmo um processo gradual de descoberta, de pensar sobre sua identidade, seus desejos, seu estar no mundo, sua direção e seus propósitos. Sem esse começar, tudo será vazio, nada lhe dirá respeito, nada lhe interessará e você passará como branca nuvem, sem aproveitar sua vida nos aspectos mais valiosos, e um deles é o aspecto acadêmico. Antes de iniciar a jornada pela metodologia... Refletir sobre sua opção e escolha: qual meta eu quero atingir em minha vida? • Sinceridade: consigo mesmo... • Questionar-se sobre seus motivos e identidade. • Identificar suas resistências e suas afinidades; • Consciência da entrada em uma nova etapa da vida: a formação acadêmica; • Motivar-se: porque desejo o que desejo? Metodologia: do grego “meta” (ao largo), “odos” (caminho) e “logos” (discurso, estudo), ou o “caminho que conduz ao conhecimento de algo”. Ciência refere-se a qualquer conhecimento. Etimologicamente vem do verbo “saber”. Já no sentido estrito, ela se opõe a opinião, a superstição. Simplesmente quer dizer que ela explica algo através da observação. Os significados de metodologia mudaram ao longo de milhares de anos, e, no século XXI, com o rápido desenvolvimento das ciências (e da tecnologia) e do ensino superior, a metodologia tem hoje um amplo domínio, com pelo menos três áreas distintas, mas inter-relacionadas: 8 * Metodologia científica ou da ciência (filosofia da ciência): preocupa-se com as reflexões epistemológicas sobre os caminhos das diversas ciências, procurando os fundamentos do saber das diversas ciências, os limites da linguagem, dos conceitos, das teorias; * Metodologia da pesquisa: procura apresentar e aperfeiçoar as diversas maneiras de se empreender pesquisas que tenham um cunho acadêmico e científico; apresenta os instrumentais de pesquisa (questionário, entrevista etc.) disponíveis e as formas de analisar os dados obtidos por meio desses instrumentos; * Metodologia do trabalho acadêmico: apresenta os principais tipos de trabalho acadêmico, a importância da normalização e formalização dos trabalhos como fator de qualidade da produção acadêmica. De um modo amplo e geral, a metodologia pode ser chamada de “metaciência”, ou seja, um estudo e uma prática cujos objetivos são as próprias ciências particulares, isto é, um estudo que tem por objeto a própria ciência e as técnicas específicas de cada ciência. O que a Metodologia procura e o que não procura? a) Não procura soluções, mas escolhe as maneiras de encontrá-las; b) Integra os conhecimentos a respeito dos métodos em vigor nas diferentes disciplinas científicas ou filosóficas; c) Estuda, avalia e identifica as limitações, quanto a utilização, dos métodos disponíveis; d) Em um nível aplicado, examina e avalia as técnicas de pesquisa bem como a geração ou verificação de novos métodos que conduzem à captação e processamento de informações com vistas à resolução de problemas de investigação; e) Auxilia e orienta no processo de investigação para tomar decisões oportunas. Qual o maior desafio ao trilhar os caminhos da Metodologia? * o uso de processos metodológicos de seu raciocínio lógico; * a articulação entre hábitos de pesquisa e estudo com a criatividade e a apresentação formal (as regras técnicas). O que a Metodologia Científica não é e, em alguns casos, não deveria ser? * Um amontoado de técnicas, embora estas devam existir; * Um “fio” desligado da “tomada”, ou seja, das questões cruciais vividas nas disciplinas, na vida cotidiana, que é a sala de aula. Como assim? De um modo geral, os professores já fazem pesquisa, todos os dias, mesmo sem o saberem. Chamamos esse processo de pesquisa assistemática. Assim, para preparar uma aula, o professor pesquisa, assistematicamente, uma bibliografia (seleciona livros, textos, exemplos práticos, monta apostilas), entre outros procedimentos comuns. Outras vezes retira de sua própria experiência, reflexões e 9 constatações: “ turma X é assim”, “o perfil do aluno do curso tal é assim...”, a “vida é assim”. A partir das experiências empíricas, empreendemos a generalização ou sinédoque, como preferem os lingüistas. Mas a ciência precisa de rigor para fazer qualquer generalização. E temos aqueles que já fazem trabalhos e estudos organizados e trabalham com grupos de estudo, em seminários, em associações científicas, em mestrados e doutorados, que escrevem livros etc. Há duas formas de apresentar a metodologia: Há diversas maneiras de abordar e apresentar as metodologias. Apresentamos, especificamente, duas formas distintas: Formal – abre-se um “velho” manual. Dele se extraem conceitos e definições. Aplicam- se conhecidas formas de avaliação, procura-se “reproduzir” o que se leu e aprendeu; Vital – abre-se a vida, e as experiências do dia-a-dia, e a partir dela mergulha-se nas metodologias e nas pesquisas; aplicam-se, de forma inovadora, conhecidas formas de avaliação, e, porque não, elaboram-se novas maneiras de avaliar. Muitas vezes, vem à tona a questão da utilidade e da importância das metodologias. Consideradas pelo prisma “formal”, essa questão tende a ser respondida de forma negativa, ou seja, o estudo das metodologias é considerado inútil, porque detalhista. Na maneira “vital”, as questões cotidianas, os interesses mais próximos de nós, tornam-se propulsores dos caminhos que queremos trilhar, dos “apetrechos” que precisamos usar para a caminhada. Os “apetrechos” são as regras, as normas e técnicas. E mais importante é a disposição de ”caminhar”, de buscar conhecimentos, pois afinal, os apetrechos servem para ajudar... Organização e Disciplina na vida acadêmica: A inserção do aluno no espaço da Universidade pressupõe o ingresso no campo da elaboração do trabalho científico, que tem como principal elemento norteador à pesquisa. Para uma boa realização do trabalho científico recomenda-se a organização e a disciplina. Por organização entende-se o bom aproveitamento do tempo, do espaço e dos instrumentos, equipamentos e recursos disponibilizados para o estudo, tais como, a duração das aulas, os laboratórios e bibliotecas, os livros, computadores e também os docentes. Por disciplina entende-se a dedicação do aluno ao estudo, sabendo beneficiar- se o máximo possível da vida universitária para sua formação humana e profissional. 10 É, pois, finalidade da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico auxiliar aos alunos a organizarem-se melhor nesse espaço escolar no qual se encontram e através de recomendações, dicas e orientações como poderão lidar com as exigências próprias da produção do trabalho científico, embora nada impeça que o aluno crie sua estratégia própria de organização, desde que não comprometa o processo de sua boa formação acadêmica. Condições para iniciara Metodologia: • Leitura: organização de horários; • Posição corporal; • Diversificação de fontes; • Leitura contínua. Diretrizes para a Leitura, análise e interpretação de textos: Indiscutivelmente, a leitura é o ponto de partida para a realização de qualquer trabalho científico. Entretanto, a leitura realizada com a finalidade de se elaborar um trabalho científico requer algumas condições como ambiente adequado, organização de horários, postura corporal adequada, diversificação dos tipos textuais, estudo do vocabulário do texto, questionamento do que se lê, identificação das referências históricas e filosóficas contidas no texto, sublinhamento de palavras-chave e idéias principais. Cinco passos básicos para uma boa leitura: • 1º passo: leitura elementar ou global: folhear e refletir sobre capa, sumário, introdução, conclusão, início de cada capítulo; • 2º passo: questionar o que se lê; rascunhar perguntas a lápis no texto, ou escrever perguntas no papel sobre o texto; uma técnica é dar títulos, subtítulos, fazer grifos, interpretar itálicos etc.; transformam-se os títulos/subtítulos em perguntas, esboçando-se, a seguir, respostas. • 3º passo: estudo do vocabulário: dicionários específicos (sociologia, psicologia, filosofia); levantamento de termos à medida que se lê; Um dicionário comum ajuda, mas é indispensável o uso de dicionários específicos (Filosofia, Psicologia, Sociologia) para o bom entendimento de um texto. A expressão “papel social”, por exemplo, será encontrada em um dicionário de Sociologia. Ainda nesse passo, realize o levantamento de termos ou palavras não compreendidas em uma folha, à medida que se lê, sem parar a leitura, pelo menos, até o item seguinte; depois procure o significado deles. Na pesquisa de vocabulário, faz-se a procura de termos próximos (por exemplo, para o termo “racionalidade”, podem ser procuradas “razão”, “objetividade” e “ciência”) ou termos da mesma família lingüística (sociologia, sociedade e socialização) ou pela origem etimológica (sociologia: do latim socius = sociedade e do grego logia / lógos = tratado, estudo). • 4º passo: identificar o contexto e as referências históricas, filosóficas, etc.; Mas não basta apenas a consulta das palavras, é preciso identificar-se o contexto em que são empregadas: a palavra está sendo usada para discutir-se uma proposição, para criticar-se um posicionamento? 11 • 5º passo: sublinhar apenas palavras chave. Cuidado para não grifar tudo, não se deve pensar que tudo é importante; muitos não conseguem separar o que é importante do que é acessório. Observações: • Faça pausas na leitura. Recomenda-se que a cada 50 minutos, se faça uma pausa de 10 minutos. Deve-se ter sempre presente: o que o autor quer dizer com tal texto? • Identificação da tese do autor: todo texto tem uma proposição central, aquela que norteia os argumentos do autor. • Avaliação das idéias expostas: os argumentos do autor estão bem articulados? Que falhas existem na exposição das idéias? Elas estão estreitamente relacionadas entre si? • Só se devem sublinhar aspectos essenciais. Por exemplo, elementos de coesão que criem idéia de oposição (mas, embora etc.); • Reconstituição do texto, baseando-se nas palavras e expressões sublinhadas, o que permite a visualização imediata das idéias principais. Veja-se um exemplo de texto sublinhado: “A pergunta crucial do nosso tempo é se as formas de resistência atuais dos setores e classes sociais que estão sendo dilacerados pelo sistema têm outras alternativas. Uma saída não conservadora que possa aprofundar a democracia e retomar a inclusão social como essência do desenvolvimento [...]” (GENRO, 2000, p. 66). Pré-condições do Trabalho Acadêmico: Diante da exigência de trabalhos acadêmicos, é preciso relembrar as pré-condições para uma boa vida acadêmica, para uma boa pesquisa, para um bom aproveitamento das disciplinas. Quais seriam: Ambiente adequado; Organização de horários para estudo e leitura; Descanso: a cada hora de estudo 10 minutos de intervalo; Posição corporal adequada: mesmo sendo-se malabarista, deve-se atentar para a posição, correta e confortável, ao estudar. Diversificação das fontes de leitura para que se consiga “navegar” pelos diferentes tipos de textos. Leitura contínua para a aquisição da prática: quem não possui hábito da leitura, ler devagar ou precisar de reler o texto várias vezes. O trabalho acadêmico, segundo a ABNT é: Um documento que resulta de um estudo e que expressa um conjunto de conhecimentos construídos e adquiridos nas disciplinas, nos cursos e programas desenvolvidos. Definição mais ampla: todo trabalho em forma de documento produzido no âmbito do Ensino Superior. Nessa definição entram resenhas, resumos, projetos, relatórios (dos mais variados aspectos e formas). 12 Forma e da estrutura – ABNT: Os elementos da forma dizem respeito à apresentação gráfica, a como o trabalho deve ser digitado. A estrutura dos trabalhos, dizem respeito aos itens obrigatórios e essenciais. Elementos da estrutura do trabalho: O trabalho acadêmico é dividido em três partes básicas: * Elementos pré-textuais (antecedem o texto), * Elementos textuais (o texto) * Elementos pós-textuais (vêm após o texto). TEXTOS COMPLEMENTARES: TEXTO 01: O DESAFIO DA LEITURA Não basta ir às aulas para garantir pleno êxito nos estudos. É preciso ler e principalmente, ler bem. Quem não sabe ler não saberá resumir, não saberá tomar apontamentos e, finalmente, não saberá estudar. Ler bem é o ponto fundamental para os que quiserem ampliar e desenvolver as orientações e aberturas das aulas. É muito importante participar das aulas; elas não circunscrevem, não limitam; ao contrário, abrem horizontes para as grandes caminhadas do aluno que leva a sério seus estudos e quer atingir resultados plenos de seus cursos. Aliás, quase todas as cadeiras desenvolvem programas de pesquisa bibliográfica para que o aluno desenvolva temas e reconstrua ativamente o que outros já construíram. Para elaborar trabalhos de pesquisa, é necessário ir às fontes, aos autores, aos livros; é preciso ler, ler muito e, principalmente, ler bem. Durante as primeiras aulas de qualquer disciplina, os mestres apresentam criteriosa bibliografia; alguns livros são básicos, ou de leitura obrigatória, para quem quer colher todo fruto das aulas; outros são mais especializados ou se concentram em algum item do programa, e pode, entre os tratados gerais de consulta obrigatória, ser indicado um, como livro de texto. A indicação do livro de texto tem vantagens e inconvenientes cuja a análise ultrapassaria os limites que este compêndio impõe. Diremos, apenas, que o aluno não pode ater-se exclusivamente a ele. “Timeo Hominem Unius Libri”, diziam os antigos. Devemos temer o homem de um livro só. É necessário abeberar-se de outras fontes mais amplas mais especializadas sobre cada tema ou sobre cada pormenor dos programas. Se não é possível pensar em fazer um bom curso sem descobrir ou fazer aparecer espaços de tempo para o estudo extra-aula e se é necessário programar criteriosamente a utilização desse tempo, não seria igualmente impossível pensar em fazer um bom curso sem ter à mão boas fontes de leitura? É possível que se pretenda fazer um curso universitário sem freqüentar bibliotecas ou sem adquirir, ao menos, os livros básicos para cada programa? A leitura amplia e integra os conhecimentos, desonerando a memória, abrindo cada vez mais os horizontes do saber, enriquecendo o vocabulário e a facilidade de comunicação, disciplinando a mente e alargando a consciência pelo contato com formas e ângulos diferentes sob os quais o mesmo problema pode ser considerado. Quem lê constrói sua própria ciência; quem não lêmemoriza elementos de um todo 13 que não se atingiu. E, ao terminar um curso superior, deveríamos não só estar capacitados a repetir o que foi aprendido na faculdade, como também estar habilitados a desenvolver, através de pesquisas, temas nunca abordados em aulas. Deveríamos ser uma pequena fonte, não um pequeno depósito de conhecimentos, ou mero encanamento por onde as coisas apenas passam. É preciso ler, ler muito, ler bem. É preciso sentir atração pelo saber, e encontrar onde buscá-lo. É necessário iniciar este trabalho com determinação e perseverar nele; o crescimento cultural tem crises como o crescimento físico; quem não sente apetite não deve deixar de alimentar-se; comprometeria sua saúde. Também na leitura trabalhada devemos ser perseverantes; só esta perseverança garantirá aquela espécie de saltos de integração de dados, que se vão acumulando e associando como frutos da leitura continuada. TEXTO 02: A IMPORTÂNCIA DA LEITURA Antes de evidenciarmos a importância da leitura, precisamos entender o que é ler e porque a leitura é uma atividade complexa que envolve vários aspectos, pois exige que o leitor mobilize diferentes tipos de conhecimentos para realizá-la. De acordo com Isabel Solé, ler é um processo de interação entre o leitor e o texto. (Solé, 1987). Esta afirmação implica em várias conseqüências. Primeiro envolve a presença de um leitor ativo que processa e examina o texto, depois vem a existência de um objetivo para guiar a leitura, quer dizer uma finalidade. O universo de objetivos e finalidades que levam um leitor a um texto é amplo e variado; devanear, preencher um momento de lazer, buscar informações concretas, informar-se sobre um determinado fato, confirmar ou refutar sobre um conhecimento prévio, aplicar os conhecimentos obtidos com a leitura na realização de um trabalho. Leitura é também construção de sentidos, Os PCNs em um trecho dizem que: "A Leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção de significados do texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o leitor, de tudo o que se sabe sobre a língua: características do gênero, do portador, do sistema de escrita: decodificando-a letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica necessariamente, compreensão na qual os sentidos começam a ser construídos antes da leitura propriamente dita. Qualquer leitor experiente que consegue analisar sua própria leitura constatará que a decodificação é apenas um dos procedimentos que utiliza quando lê: a leitura fluente envolve uma série de outras estratégias como seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível rapidez e proficiência. "(PCNs, 1998). Nessa perspectiva permite-nos dizer que o leitor competente é aquele que é capaz de selecionar e utilizar dos mais variados textos que circulam socialmente e que consegue entender o que ler. A Leitura constitui um importante escudo contra o processo de alienação, mas isso só é possível a partir do momento em que o sujeito compreende o que lê, ou seja, é capaz de ler além do texto. A Leitura tem uma função crítica e social muito importante, pois dá ao homem direito à opção, a um posicionamento próprio da realidade. Podemos considerar que há finalidade da leitura que fazem parte das perspectivas gerais do individuo: 14 Ampliar a visão do mundo; Inserir o indivíduo na cultura letrada; Possibilitar a vivência de emoções; Permitir a compreensão do processo comunicativo da linguagem; Favorecer o processo de humanização e interagir nas relações sociais de seu tempo. Dessa forma, uma educação que se queira libertadora, humanizante e transformadora passa necessariamente, pelo caminho da Leitura. E na organização de uma sociedade mais justa e mais democrática que vise a ampliar as oportunidades de acesso ao saber, não se pode desconhecer a importante contribuição política da leitura. LEITURA RECOMENDADA: ALVES, Rubem. A aula e o seminário. In: __________. O amor que acende a lua. São Paulo: Papirus, 1999. DEMO, Pedro. Princípio científico e educativo. 8ª ed. São Paulo, Cortez, 2001. LAVILLE, C.; DIONE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Belo Horizonte: UFMG; Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. LIBANIO, J. B. Introdução à vida intelectual. São Paulo: Loyola, 2001. SILVA, José Maria; SILVEIRA, Emerson Sena. Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: normas e técnicas. Juiz de Fora: Juizforana, 2002. 15 AULA 02: Elaborando os Trabalhos Acadêmicos OBJETIVOS: * Apresentar os principais tipos de trabalho acadêmico tanto do ponto de vista dos conceitos, quanto das normas técnicas; * Identificar, caracterizar e diferenciar os principais tipos de trabalho acadêmico e os elementos constitutivos dos mesmos; * Apontar as diversas técnicas de documentação para elaboração do trabalho acadêmico e Identificar as características da linguagem científica. CONTEÚDO: Elaborando Fichamentos, Resumos e Resenhas... Relembrando os passos básicos da leitura: Visão global: toma-se o livro ou texto, faz-se a leitura e a reflexão sobre o sumário, as “orelhas”, os subtítulos, a introdução, a conclusão e a lista das fontes de pesquisa; Questionamento do que se lê: faz-se uma série de perguntas ao texto, rascunhadas (a lápis); Um dicionário comum ajuda, mas é indispensável o uso de dicionários específicos (Filosofia, Psicologia, Sociologia); Realizar um levantamento de termos não compreendidos; Identificação das referências históricas e sociais contidas, para que o contexto seja esclarecido; Na busca da essência do texto, o leitor tenta identificar as idéias principais. Nesta etapa, são exigências: a) A apreensão das principais proposições do autor; b) Não perder tempo, registrando-se detalhes; c) Conhecimento dos argumentos do autor (refutação, comprovação ou questionamento); d) Deve-se ter sempre presente: o que o autor quer dizer com tal texto? e) Avaliação das idéias expostas: os argumentos do autor estão bem articulados? Que falhas existem na exposição das idéias? Elas estão estreitamente relacionadas entre si? Organização da leitura • Ao se ler um livro ou qualquer texto para um resumo, uma prova, uma monografia, um relatório etc., é essencial que se façam anotações por escrito. • Podem ser utilizadas duas maneiras: a) anotação esquemática: um esquema numerado das idéias principais; b) anotação resumida: colocação das idéias principais. • Para realizá-las, é necessário: ler o texto sem interrupção; reler; levantar informações importantes para a compreensão do que se lê; sublinhar e rascunhar as anotações. 16 FICHAMENTOS DE LEITURAS: • Os fichamentos destinam-se ao registro da leitura, essencial ao trabalho acadêmico (MEDEIROS, 2000). Eles podem ser feitos no computador, em fichas de papel com pauta, ou mesmo em folhas de ofício comuns (ou caderno, mas sem picote). Havendo necessidade de mais de uma ficha, elas serão numeradas no canto direito superior. • Os tipos básicos de fichamentos são: a) Fichamento de bibliografia: levantamento de livros, artigos e outras fontes sobre um tema. Um título genérico deve indicar o assunto que se está fichando (Cultura e violência, no exemplo abaixo). Cultura e violência 1 MOESCH, N. Brasil: exclusão, direito e violência. Revista Científica da REDE DOCTUM, Caratinga, ano 23, v. 2, p. 34-56, abr. 2009. SARAMAGO, J. O novo mundo digital. Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 junho 2003.Mais!, p. 3. SARAIVA, Bernardo. O mundo da violência. Petrópolis: Vozes, 2003. Obs.: a ficha de bibliografia pode ser prolongada indefinidamente e deve passar por uma constante atualização. b) Fichamento de citação: transcrevem-se os trechos essenciais do livro ou texto. Usam-se aspas e registra-se a página de onde foi retirada a citação. Obs.: Colocar o número da página da qual se extraiu a citação é essencial. Cuidado com o recorte de frases! Atentar para o contexto no qual elas estão inseridas. c) Fichamento de resumo: resume-se o conteúdo da leitura (partes ou todo). Metodologia da ciência 1 ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 15. ed. Brasiliense: São Paulo, 1992, capítulo 01. P. 03-05 – Esse texto reflete sobre a relação de semelhança entre senso-comum e a ciência. Analisa as imagens mais comuns sobre a ciência e o cientista. Defende que é preciso superar a crença de que o cientista, em relação a outras pessoas comuns, pensa mais e melhor. Metodologia da ciência 1 ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 15. ed. Brasiliense: São Paulo, 1992. P. 11 - “O cientista virou um mito. E todo mito é perigoso, porque ele induz o comportamento e inibe o pensamento.” 17 RESENHA: O que é resenha, afinal? A resenha é um “trabalho crítico, exigente e criativo” (MEDEIROS, 2000). Podem ser resenhados filmes, peças teatrais, livros literários (romance, poesia etc.), livros acadêmico-científicos, artigos etc. Seu tamanho, em geral, varia de três a seis páginas. Há dois tipos de resenha: descritiva e avaliativa. O primeiro tipo é geral, aparece em jornais e revistas de grande circulação. O segundo é mais específico, sendo a resenha realizada por especialistas da área em questão, aparecendo em revistas acadêmico-científicas. A resenha compõe-se de 3 partes básicas: 1- Breve resumo inicial: apresentam-se o autor e o livro; as conclusões/metodologia do autor, explicitando-se as teorias e os dados nos quais o autor se baseou; 2 - Apreciação crítica: avaliação da qualidade/consistência. O resenhista posiciona-se, analisando-o (não usa ADJETIVOS ou “Eu acho”), comenta as fontes, teorias e autores mencionados; identifica os diversos tipos de contexto nos quais a obra está inserida: (histórico,social, político). A crítica deve seguir dois caminhos: a) interna (conteúdo da obra e significado analisados); b) externa (obra analisada nos contextos cultural e social nos quais foi produzida); 3 - Conclusão: síntese ou elaboração de um texto que expresse de forma sintética as idéias originais. É opcional a recomendação da leitura. A resenha deve fazer três tipos de análise: Análise textual: pesquisa do vocabulário e sondagem dos fatos apresentados e autoridade dos autores citados; estudam-se conceitos, termos empregados, dados históricos e teorias usadas; a seguir, elabora-se um rascunho; Análise temática: responde-se às seguintes questões: sob qual perspectiva o texto trata dos assuntos? Que problema o autor enfoca? Como soluciona? Que posição assume? Como demonstra o raciocínio? Análise interpretativa: apresenta-se uma posição a respeito das idéias do texto. Situa- se o autor em um contexto, respondendo-se às seguintes questões: qual a coerência/originalidade do texto? Qual a contribuição que apresenta? O autor atinge o objetivo proposto? O que deixou de ser abordado? A abordagem foi adequada? A resenha é digitada com as seguintes regras: Título: a resenha PODE (ou não) ter título próprio digitado em letras maiúsculas, tamanho 12, centralizadas, negritadas e entrelinhamento 1,5, na 3ª linha. O subtítulo (se houver) deve subordinar-se ao título, com a mesma formatação, separado do título por dois pontos. Autor: nome de quem fez a resenha, seguido de uma nota de rodapé na primeira página, com o breve relato das credenciais do autor da resenha. Nome do autor digitado com recuo esquerdo de 8 cm (letras normais, 12, sem negrito, com entrelinhamento 1,5); entre o título/subtítulo e o autor, deixa-se uma linha em branco de espaçamento (tamanho 12 e entrelinhamento 1,5). 18 Referência: letra tamanho 12, alinhadas à esquerda, entrelinhamento simples; entre o nome do autor da resenha e a referência, deixa-se uma linha em branco de espaçamento; o mesmo espaçamento entre a referência e o início do texto. O texto da resenha é escrito em letras normais, tamanho 12, justificadas e com entrelinhamento 1,5. Exemplo: CILENE, Emile. A falência do modelo patriarcal de família. 3. ed. São Paulo: Graal, 2009, 40 páginas, 14 x 21 cm, ISBN 309868-89. Haverá um futuro para a família tradicional? Renato Emílio1 Emile Cilene, pesquisadora e socióloga francesa radicada no Brasil é considerada um das melhores estudiosas da sociologia da família. Pesquisando estatísticas e desenvolvendo análises longitudinais, o livro é perturbador, para dizer o mínimo. Segundo Cilene, a família patriarcal tradicional está em constante e irremediável declínio, constatação que aparece ao longo dos dez capítulos da obra. Escrito originalmente na década de 1979, é criativo, porém peca ao não citar as fontes. O livro é escrito em uma postura ofensiva, sem atentar para a linguagem científica. Nos capítulos iniciais, a família patriarcal é demolida a golpes de psicanálise e sociologia. A família patriarcal é fonte de neuroses e acumuladora de capital. Portanto, apesar de ser um clássico na sociologia das famílias, é preciso ler com cuidado, pois falta ao autor, a linguagem científica exigida em um assunto tão importante. ____________________________ 1 Mestre em Administração, professor da Rede Doctum ou Aluno do 2º período do curso de Administração das Faculdades Doctum de Caratinga. RESUMO: O que é um resumo? Ele pode ser definido como “uma apresentação sintética e seletiva das idéias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação entre elas” (MEDEIROS, 2000, p. 123). O que não é resumir? Resumir não é cópia, não é substituição de um termo ou outro, não é inversão da ordem da frase. Por fim, ele não deve apresentar crítica, pois, nesse caso, tornar-se-ia uma resenha. Os resumos são classificados em dois tipos básicos: Resumo indicativo: resumo da idéia principal. Digitado em bloco único. (notas e comunicações, “orelhas” de livros, artigos e trabalhos de conclusão, relatórios técnico- científicos, dissertações e teses); Referência com os dados completos Título de apresentação da resenha (opcional) Nome do resenhista, indicado por uma nota de rodapé na primeira página. Introdução: panorama da obra. Conclusão: posição e recomendação. Apresentação do autor e do livro. Credenciais do resenhista. Análise, apreciação ou desenvolvimento. 19 Resumo informativo: expõe finalidades, metodologia, resultados e conclusões, podendo substituir a consulta ao texto original. Pode chegar à cerca de 15% do texto completo. Como deve ser um bom resumo? Ao se resumir um livro (ou partes), um artigo etc., o texto deve ser redigido como um todo, com poucas divisões internas e sem se imitarem as divisões de capítulos/itens do livro ou do texto. Quais são os principais itens de um resumo? Para que seja inteligível, o resumo deve conter três partes: 1 - Introdução: apresentação do autor do livro ou texto (credenciais, formação etc) e do livro (exposição geral dasidéias importantes e da estrutura do livro ou obra); 2 - Desenvolvimento: assunto do texto, objetivo, metodologia, critérios utilizados e a articulação das idéias; 3 - Conclusão: síntese dos principais argumentos do autor. Qual poderia ser o estilo de redação do resumo? Pode-se: a) Usar linguagem pessoal (“busco apresentar neste trabalho...”) ou impessoal (“busca-se apresentar neste trabalho...”), desde que ela seja uniforme ao longo de todo o trabalho; Não usar adjetivos! Resumir comporta duas partes: 1. a compreensão do texto original; 2. a elaboração de um texto pessoal. Na construção da redação final do resumo, a idéia do autor do texto original surge reelaborada. O principal instrumento disso é a paráfrase. O que é paráfrase? É traduzir “as palavras de um texto por outras de sentido equivalente, mantendo as idéias originais” (MEDEIROS, 2000, p. 151). Evite a paráfrase de simples substituição, muito comum. As palavras são substituídas por termos equivalentes, ou inverte-se a ordem da frase. Exemplo: “O problema, portanto, não é realizar ou não as reformas, mas como realizá-las”. Paráfrase pobre: O problema é como realizarem-se as reformas, não saber se vão ou não ser realizadas. Essa paráfrase é pobre, é quase plágio. Segundo o dicionário Aurélio, plágio significa “Assinar ou apresentar como seu (obra artística ou científica de outrem)”. A origem etimológica da palavra ilustra o conceito que ela carrega: vem do grego (através do latim) plagios, que significa trapaceiro (...) (FERREIRA, 2004). Quais são os passos do resumo? PRIMEIRO - Ler atentamente: uma leitura de folheio e outra mais profunda (vocabulário); SEGUNDO - Sublinhar as palavras-chave; TERCEIRO – Aplicar, caso seja possível, 3 itens: 1- Enxugamento: cortar todas as palavras não essenciais ou que não interfiram no sentido do texto; (cuidado com palavras de oposição: mas, contudo, todavia) 2 – Generalização: trocar elementos particulares por um elemento geral. Exemplo: Em um dia de domingo, José foi a feira comprar batata, chuchu, cenoura e nabo. José comprou legumes na feira. 20 3 – Seleção: o texto é relido e seleciona-se os termos definitivos; QUARTO – Rascunho: elabora-se um rascunho sem ler o original. QUINTO - Depois se compara com o original, corrigi-se e se faz o definitivo. Diretrizes para a realização de um Seminário: O que é um seminário? O seminário é um procedimento que usa dinâmica de grupo para estudo e pesquisa. Qual seu objetivo? Ele visa a aprofundar a reflexão sobre determinado problema a partir da utilização de textos/equipes. É um círculo de debates para o qual todos devem estar suficientemente preparados. Pode incluir o uso de recursos visuais Existem diverso tipos de seminário? Sim, entre eles: 1- Seminário temático: os participantes apresentam trabalhos, diversificados quanto à maneira de abordagem do tema, mas convergentes na temática. Um seminário sobre violência, por exemplo, pode apresentar e discutir visões diferentes acerca do tema; nesse caso, pode-se lançar mão de outros recursos (vídeo, murais, símbolos etc.) desde que não exceda o tempo de apresentação do grupo; 2 - Seminário de leitura/estudo de textos: escolhem-se diversos textos por tema, os quais todos os participantes devem ler, para que ocorra um bom debate. A lista das fontes precisa ser bem selecionada. Não é recomendável a divisão de páginas de leitura ou capítulos de uma mesma obra entre os membros do grupo. Isso dificulta a visão do todo. O ideal é que todos leiam integralmente o texto e, depois, discutam. Quais os procedimentos importantes para a boa realização de um seminário? Cada equipe do seminário tenha no máximo 5 ou 6 integrantes; A equipe deve reunir-se algumas vezes antes da apresentação, para melhor preparar o seminário; A arrumação do local deve permitir o diálogo coletivo (disposição circular é uma alternativa, entre outras); É necessário um texto-roteiro, escrito e distribuído com antecedência aos participantes (pelo menos uma semana antes). O texto deve ter: apresentação geral (resumo do tema), esquema (tópicos), questões para debate (2 ou 3) e o trecho de um livro, artigo etc., que sirva de base às discussões; O coordenador do seminário e distribui o tempo da apresentação de cada grupo (máximo 20 minutos) e realiza intervenções oportunas. O tempo deve ser dividido de forma a se contemplarem os seguintes momentos: breve apresentação inicial do tema, apresentação das questões norteadoras, amplo debate acerca do tema e breve conclusão. O professor poderá intervir nas exposições e debates sempre que julgar necessário, pois o seminário é como juntar as peças de um grande quebra-cabeça: cada um tem um pedacinho. Qualquer um do grupo pode fazer a pergunta inicial. O professor funciona apenas como juiz da partida (ALVES, 1999). 21 TEXTOS COMPLEMENTARES: TEXTO 01: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/L9610.htm TEXTO 02: ERA DA INFORMAÇÃO OU DO LIXO ELETRÔNICO? Stephen Kanitz - administrador e economista. "Vigilância epistêmica" é a preocupação que todos nós devíamos ter com relação a tudo o que lemos, ouvimos e aprendemos de outros seres humanos, para não sermos enganados. Significa não acreditar em tudo o que é escrito e é dito por aí, inclusive em salas de aula. Achar que tudo o que ouvimos é verdadeiro, que nunca há uma segunda intenção do interlocutor, é viver ingenuamente, com sérias conseqüências para nossa vida profissional. Discordo profundamente desses gurus, estamos na realidade na "Era da Desinformação", de tanto lixo e "ruído" sem significado científico que nos são transmitidos diariamente por blogs, chats, podcasts e internet, sem a menor vigilância epistêmica de quem os coloca no ar. É mais uma conseqüência dessa visão neoliberal de que todos têm liberdade de expressar uma opinião, como se opiniões não precisassem de rigor científico e epistemológico antes de ser emitidas. Infelizmente, nossas universidades não ensinam epistemologia, aquela parte da filosofia que nos propõe indagar o que é real, o que dá para ser mensurado ou não, e assim por diante. Embora o ser humano nunca tenha tido tanto conhecimento como agora, estamos na "Era da Desinformação" porque perdemos nossa vigilância epistêmica. Ninguém nos ensina nem nos ajuda a separar o joio do trigo. Foi por isso que as "elites" intelectuais da França, Itália e Inglaterra no século XIV criaram as várias universidades com catedráticos escolhidos criteriosamente, justamente para servir de filtros [...] Há 500 anos nós, professores titulares, livres-docentes e doutores, nos preocupamos com o método científico, a análise dos fatos usando critérios científicos, lógica, estatísticas de todos os tipos, antes de sair proclamando "verdades" ao grande público. Hoje, essa elite não é mais lida, prestigiada, escolhida, entrevistada nem ouvida em primeiro lugar. Pelo contrário, está lentamente desaparecendo, com sérias conseqüências. Fonte do texto: Revista VEJA; São Paulo: Abril, edição 2028, ano 40, n º 39, 3 de out. 2007, p. 20. LEITURA RECOMENDADA: DEMO, Pedro. Metodologia Científica em Ciências Sociais. 3ª edição. São Paulo: Atlas, 1995. LAVILLE, C.; DIONE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Belo Horizonte: UFMG; Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1992. MORIN, E. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1996. SILVA, José Maria; SILVEIRA, Emerson Sena. Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: normas e técnicas. Juiz de Fora: Juizforana, 2002. 22 AULA 03: A Ciência e o Conhecimento nas suas múltiplas interações – Apontamentos sobre o Conhecimento Humano OBJETIVOS:* Reconhecer a importância do conhecimento para o desenvolvimento pessoal e profissional. * Identificar a importância do conhecimento para o desenvolvimento de uma nação. * Identificar os tipos de conhecimento existentes diferenciando-os do conhecimento científico a partir da caracterização dos mesmos; * Compreender os conceitos dos tipos de conhecimento e sua aplicabilidade na construção da ciência O Conhecimento Humano e seu Foco Histórico... Antes de tudo, é necessária a compreensão de que o conhecimento é a incorporação de uma explicação nova, ou original, ou a revisão de alguma outra explicação sobre um determinado fato, fenômeno ou evento. Disto decorre que o conhecimento não nasce do vazio, mas das atividades humanas, de suas experiências cotidianas. Por isso o homem é o único ser capaz de criar, produzir e transformar conhecimento, bem como aplicá-lo em diferentes meios e situações visando a melhoria da condição humana. Nesse processo, criamos sistemas simbólicos, como a linguagem, do qual nos utilizamos para registrar nossas próprias experiências e repassá-las aos outros. Por essa razão, o conhecimento científico deve ser entendido como uma forma de conhecimento, mas não a única, pois se trata de uma linguagem (ou sistema simbólico) própria para o registro e transmissão das experiências humanas. Os Tipos de Conhecimento... Conhecer é atividade fundamental e importante para as ciências em geral, para os homens, para as organizações. Na vida pessoal e profissional. Mas como se conhece? Com o é possível ter certezas sobre o que se conhece? Quais são os tipos de conhecimento? São perguntas importantes para adentrar na metodologia, ou seja, no caminho que conduz ao conhecimento. POR ONDE A GENTE APRENDE E CONHECE? Pense nas situações abaixo: 23 Um grupo de guerreiros indígenas toma cuidado quando colocam a canoa na água porque crêem que se ela balançar não terão êxito na pesca; Um homem anda pelo mato, corta um galho na forma da letra V, levando-o suspenso acima do solo procurando fontes de água; Um médico percorre as páginas de um livro de Dermatologia tentando identificar uma erupção na pele de um paciente; Cada uma dessas pessoas procura solução e explicação. Suas fontes de "verdade". E, em termos metodológicos, quais poderiam ser as fontes da verdade ou das verdades? Intuição: qualquer lampejo de introvisão (certa ou errada) cuja fonte o receptor não pode ou não consegue identificar/explicar totalmente. Ex.: Galeno, médico grego do século II d. C.. Preparou um mapa do corpo humano que mostrava onde poderia ser penetrada a pessoa humana que houvesse ferimento fatal. Como sabia? Apenas sabia. Autoridade: legitima a massa de experiência e de conhecimento. Ex.: Galeno, médico grego foi citado e usado como fonte verdadeira até cerca de 1800 pelos médicos. Outra autoridade na área dos conhecimentos em geral foi Aristóteles. Uma autoridade não descobre novas verdades, mas pode sufocar ou impedir a investigação e a descoberta de outras. Ex: A Inquisição Católica, O Partido Comunista etc. Mas a autoridade é um ponto de referência. Por quê? Grande quantidade de conhecimentos = os indivíduos não dominam todo conteúdo = os especialistas que coletaram conhecimento em determinado campo. Autoridade pode ser: Autoridade religiosa ou sagrada, que surge da fé, da tradição ou de documentos sagrados: Bíblia, Alcorão ou Tradição oral; Autoridade secular, que surge do acúmulo da tradição não-religiosa por meio da literatura ou das comprovadas investigações científicas. Subdividida em: científica secular e humanista secular. a) Tradição e costumes: Caracteriza-se pelo acúmulo de experiências e informações. Porém preserva tanto sabedoria como informações inúteis. b) Bom senso: podem ser definidas como um grupo de idéias formuladas pela observação e experiência assistemática, sem controle científico. Elas frequentemente 24 resultam em auto-engano, pois alega-se que não precisam de provas ou então que já forma provadas. Não resistem a uma análise científica mais eficaz. Leia os exemplos: O caráter de uma pessoa transparece no rosto; Quem trapaceia nas cartas trapaceia nos negócios; A literatura pornográfica encoraja crimes e perversões sexuais; Esses ditados populares são apenas impressões, pois a investigação científica constata que: Não existe correlação definida entre as características faciais e as da personalidade A honestidade em uma situação pouco diz sobre o comportamento de uma pessoa em outra Não existe correlação entre o consumo de literatura pornográfica e comportamento sexual socialmente desaprovado. Bom senso e tradição estão juntas e formam o saber tradicional de um povo. O chamado conhecimento popular ou senso comum. A distinção entre os dois tipos de fontes de verdade é a seguinte: a primeira seriam as “verdades” aceitas sem critica (recentes ou antigas) e a segunda seriam as “verdades” que a muito tempo se acreditam que sejam assim. O bom senso reúne observações práticas da vida social. Muitas vezes se baseiam em ignorância, preconceito e interpretação errônea. Ex.: o europeu medieval observando que os pacientes febris estavam livres de piolhos, o que não ocorria com os outros tiraram conclusões do bom senso de que o piolho curava a febre e por isso salpicavam de piolhos a cabeça dos pacientes febris. CONSTRUINDO CONCEITOS A PARTIR DOS TIPOS DE CONHECIMENTO: Conhecimento Popular Conhecimento Filosófico Conhecimento Religioso (Teológico) Conhecimento Científico Valorativo Reflexivo Assistemático Verificável Falível Inexato Valorativo Racional Sistemático Não verificável Infalível Exato Valorativo Inspiracional Sistemático Não verificável Infalível exato Real (factual) Contingente Sistemático Verificável Falível Aproximadamente exato Fonte: (TRUJILLO,1974) 25 Conhecimento Popular: Pelo conhecimento empírico, a pessoa percebe entes, objetos, fatos e fenômenos e sua ordem aparente, tem explicações concernentes à razão de ser das coisas e das pessoas. Esse conhecimento é constituído de interações, de experiências vivenciadas pela pessoa em seu cotidiano e de investigações pessoais feitas ao sabor das circunstâncias da vida; é sorvido dos outros e das tradições da coletividade ou, ainda, tirado de uma religião positiva (CERVO; BERVIAN; SILVA apud IBE, 2010, p.05). A pessoa comum, que não precisa operacionalizar métodos e técnicas científicas para a construção de seu conhecimento, tem, entretanto, conhecimento do mundo material exterior em que se acha inserida e de um certo número de pessoas, seus semelhantes, com as quais convive. Vê essas pessoas no momento presente, lembra-se delas, prevê o que poderão fazer e ser no futuro. Tem consciência de si mesma, de suas ideias, tendências e sentimentos. Cada qual se serve da experiência do outro ora ensinando, ora aprendendo, em um intenso processo de interação humana e social. Pela vivência coletiva, os conhecimentos são transmitidos de uma pessoa a outra e de uma geração a outra. (IBE, 2010, p.05) Conhecimento Filosófico: Distingue-se do conhecimento científico pelo objeto de investigação e pelo método. O objetodas ciências são os dados próximos, imediatos, perceptíveis pelos sentidos ou por instrumentos, pois, sendo de ordem material e física, são suscetíveis de experimentação. O objeto da filosofia é constituído de realidades mediatas, imperceptíveis aos sentidos e que, por serem de ordem suprassensíveis, ultrapassam a experiência. A ordem natural do procedimento é, sem dúvida, partir dos dados materiais e sensíveis (ciência) para se elevar aos dados de ordem metafísica, não sensíveis, razão última da existência dos entes em geral (filosofia). Parte-se do concreto material para o concreto supramaterial, do particular ao universal (CERVO; BERVIAN; SILVA apud IBE, 2010, p.06). Para (SOUZA; FIALHO; OTONI, apud IBE, 2010, p. 08) o conhecimento filosófico se caracteriza pelo esforço da razão em questionar os problemas humanos. Reflete a crença de um grupo de pessoas que são os filósofos. A postura destes é especulativa diante dos fenômenos gerando conceitos subjetivos. Eles dão sentido aos fenômenos gerais do universo, ultrapassando os limites formais da ciência. Conhecimento Religioso ou Teológico: Apoia-se em doutrinas que contêm proposições sagradas (valorativas), por terem sido reveladas pelo sobrenatural e que, por esse motivo, são consideradas infalíveis e indiscutíveis. (IBE, 2010, p.08) O que funda o conhecimento religioso é a fé. Não é preciso ver para crer e devemos crer mesmo que as evidências apontem para o contrário do que a religião nos ensina. As “verdades” religiosas estão registradas em livros sagrado ou são 26 reveladas pelos deuses (ou outros seres espirituais) por meio de alguns iluminados, santos ou profetas. Essas verdades são em geral tidas como definitivas e não permitem revisão mediante a reflexão ou a experiência. Nesse sentido, podemos classificar sob esse título os conhecimentos ditos místicos ou espirituais (MATTAR apud IBE, 2010, p.08). Conhecimento Científico: Ultrapassa os limites do conhecimento empírico na medida em que procura evidenciar, além do próprio fenômeno, as causas e a lógica de sua ocorrência. O conhecimento científico, assim como o filosófico, é racional, mas tem a pretensão de ser sistemático e de revelar aspectos da realidade. As noções de experiência e verificação são essenciais nas ciências; o conhecimento científico deve ser justificado e é sempre passível de revisão, desde que se possa provar sua inexatidão. Entretanto, não devemos esquecer que a Matemática, por exemplo, é considerada por muitos uma ciência, apesar de grande parte de seus conhecimentos não se referir diretamente à realidade e não poderem ser por ela provados ou refutados. (IBE, 2010, p. 09). Para o conhecimento científico a única autoridade é a reflexão, a critica, a testagem e a verificação, mesmo se aplicadas contra ela mesma. Aliás, é isso a principal diferença do conhecimento científico para outros tipos de conhecimento: a capacidade de colocar o conhecimento como algo provisório, sujeito a uma futura superação. Para José Carlos Rodrigues: o que faz do cientista um cientista é, sobretudo, a consciência que tem do caráter acientífico da ciência. Ele não acredita no mito da ciência e é exatamente essa desconfiança o que lhe permite exigir métodos cada vez mais rigorosos, teorias crescentemente explicativas e bem formuladas, pontos de vista intelectuais sempre mais flexíveis, diversificados e abrangentes [...] Criticando-se continuamente, utilizando a própria debilidade como força maior, a ciência se faz. O fiel acredita no mito de sua religião, inclusive pensando que não se trata de mito, mas da verdade. “Os mitos são as crenças e os conhecimentos dos outros, a minha crença e meu conhecimento são verdadeiros e, portanto, fora de dúvida e questão...”. Algum outro tipo de conhecimento (religioso, teológico, popular, tradicional) é capaz de se repensar e pensar, duvidar de si e buscar novas perguntas, sempre? O problema é quando este argumento, o da confiança e da autoridade, é invocado para desqualificar indivíduos ou grupos. No entanto, mesmo os cientistas e professores-pesquisadores podem usá-lo... 27 Por isso, de golpes e contragolpes vive a Ciência. Outros pensadores surgiram e golpearam as idéias dos três homens mencionados acima. Por exemplo: Karl Popper. Para ele, o método indutivo, base da Ciência Moderna (observação de fatos particulares, análise com a descoberta de padrões e posterior generalização que se torna “lei”) é falho. Suponha-se que se observem e se analisem patos. Todos os mil patos observados durante a experiência eram brancos com bolinhas pretas. Com base nessas premissas (aplicando testes, experimentos e fazendo reverificações) conclui-se: os patos são brancos com bolinhas pretas. Mas basta aparecer um com bolinhas roxas (e de repente, mais outro, mais outro...) que a teoria dos patos vai precisar ser revisada. Nada na razão humana garante (100%) que não vá aparecer ou que não exista um pato com bolinhas roxas. Em outras palavras, a ciência não se move nas certezas, mas nas PROBABILIDADES. E aqui vale uma lição dos livros de investigação policial: o improvável não é impossível. Quanto a Marx e a Freud, Popper diz que muitos (não todos) de seus postulados não são conhecimentos científicos, mas um tipo de saber, uma mitologia, meta-narrativas ou outra coisa (menos ciência) por que não são FALSIFICÁVEIS. O que quer dizer essa palavra complexa? Quer dizer que não podem ser submetidos a uma prova de refutação, a testes rigorosos, a tentativas de refutação, em outras palavras, são crenças: ou se acredita ou não se acredita. Mais ou menos como um “credo religioso”. O que hoje se pensa a respeito dessa diversidade de conhecimentos? PRIMEIRO: não há hierarquia de fato, ou seja, um não é “superior” ao outro, todos são formas de compreender a complexa realidade que envolve todos os seres humanos, embora haja grupos que consideram um ou outro “melhor”; SEGUNDO: o positivismo, que via no conhecimento científico a suprema realização do homem e a necessidade deste de subjugar os outros tipos, acabou sendo questionado tanto nas ciências humanas, quanto nas ciências naturais; TERCEIRO: as relações entre os conhecimentos são complexas, não são de total negação e conflito e também de total aprovação e harmonia. No entanto, em alguns momentos na história e nas sociedades, os conhecimentos travam violenta disputa, por exemplo: a condenação de Galileu perante o papado em Roma ou uma, menos conhecida, como a do médico espanhol Miguel de Servet diante de Calvino, um dos líderes da Reforma Protestante. 28 QUARTO: são conhecimentos simultâneos e, muitas vezes, passamos de um para o outro sem perceber. Se o movimento de trânsito é percebido, é porque se faz um esforço de pesquisa e de reflexão sobre as práticas diárias. Alguns dizem que a ciência deve ser engajada nas mudanças: deve dizer o que fazer, deve assumir uma postura real e ajudar na socialização dos conhecimentos (evitar ou diminuir a formação de “elites do saber”; promover a diminuição da desigual distribuição da tecnologia), na emancipação do sujeito (contribuir efetivamente para que as pessoas sejam autônomas social e politicamente) e na mudança social (atuar na busca do desenvolvimento social e econômico para todos). Outros pensam que ela deve buscar objetividade e neutralidade, embora não sejam de todo alcançáveis, e que os cientistas é que devem fazer, por sua conta e risco, opções e propostas. Os Níveis de Conhecimento... Em se tratando do conhecimento científico, identificamos pelo menos três níveis para sua abordagem: o nível ontológico ou cosmogológico, o nível epistemológico ou das teorias do conhecimentoe o nível metodológico. TEXTOS COMPLEMENTARES: TEXTO 01: A realidade como ponto de partida para a construção do conhecimento É, pois, a realidade o ponto focal do processo de construção do conhecimento. Assim, é preciso compreender o que é a realidade enquanto objeto de estudo, pois ela não é algo que se constrói fora da relação com o sujeito. Ao contrário, é na interação com o sujeito que ela é significada. Por isso, cada sujeito a representa de forma diferenciada, pois as interações não se repetem, dependem da temporalidade sócio-históricas em que o sujeito se insere. Numa via de mão dupla, realidade e sujeitos se constroem mutuamente e pela relação que se estabelece entre eles. A interrogação sobre a realidade é sempre feita a partir de um ponto de vista, social e historicamente determinado. Nesse sentido, podemos dizer que o conhecimento é social e historicamente construído. Ele é uma forma de compreender e significar o mundo e a vida. É o que pode ser lido na história da ciência, seja no campo das ciências da natureza, seja no campo das ciências sociais. Seja passando por Aristóteles, Newton ou Einstein, seja passando por Descartes, Marx, Weber ou Freud. O ponto comum entre eles é a interrogação incessante na busca de compreensão da realidade, tanto natural, quanto social. Tem-se, portanto, como ponto de partida, na produção do conhecimento, um ponto de vista sobre o qual se exerce uma ação reflexiva utilizando-se de informações teóricas já produzidas, mas sempre desdogmatizando-se, para se permitir construir outros conhecimentos necessários à compreensão da realidade. Disso decorre que o conhecimento sobre um determinado objeto pode ter diversas versões, dependendo de quem o conhece, quando o conhece e para busca conhecê-lo. 29 Estar atento às perguntas, aos pontos de vistas é, portanto, promover a construção do conhecimento comprometido com os problemas sociais, culturais, econômicos e políticos do contexto vivido, traduzindo-o em produtos e processos úteis para a sociedade em geral. Isso significa romper com a representação segundo a qual o lugar de produção, circulação e utilização de conhecimento é, essencialmente, a comunidade acadêmica. A pesquisa é a atividade básica da ciência na sua indagação e construção da realidade. É a pesquisa que alimenta a construção do conhecimento e o atualiza frente à realidade do mundo. Sendo assim, o ato de pesquisar é direcionado pela aquisição de um conhecimento que possibilita a solução e a explicação de fenômenos e problemas práticos da realidade cotidiana vivenciada pelo homem. O problema, é portanto, a base, o início da investigação: uma dúvida, uma questão, uma pergunta, que demanda a criação de novos referenciais. Como afirma Einstein a formulação de um problema é mais essencial que sua solução. Isto porque a ciência não tem por finalidade descrever a realidade, mas lançar perguntas para resignificá-la. (RIBEIRO, Lusia Pereira e VIEIRA, Martha Lourenço. Fazer pesquisa é um problema? Belo Horizonte: Lápis Lazuli, 1999). TEXTO 02: A Ciência Do medo à Ciência A evolução humana corresponde ao desenvolvimento de sua inteligência. Sendo assim podemos definir três níveis de desenvolvimento da inteligência dos seres humanos desde o surgimento dos primeiros hominídeos: o medo, o misticismo e a ciência. a) O medo: Os seres humanos pré-históricos não conseguiam entender os fenômenos da natureza. Por este motivo, suas reações eram sempre de medo: tinham medo das tempestades e do desconhecido. Como não conseguiam compreender o que se passava diante deles, não lhes restava outra alternativa, senão o medo e o espanto daquilo que presenciavam. b) O misticismo: Num segundo momento, a inteligência humana evoluiu do medo para a tentativa de explicação dos fenômenos através do pensamento mágico, das crenças e das superstições. Era, sem dúvida, uma evolução já que tentavam explicar o que viam. Assim, as tempestades podiam ser fruto de uma ira divina, a boa colheita da benevolência dos mitos, as desgraças ou as fortunas do casamento do humano com o mágico. c) A ciência: Como as explicações mágicas não bastavam para compreender os fenômenos os seres humanos finalmente evoluíram para a busca de respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma, nasceu a ciência metódica, que 30 procura sempre uma aproximação com a lógica. O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar. Esta característica permite que os seres humanos sejam capazes de refletir sobre o significado de suas próprias experiências. Assim sendo, é capaz de novas descobertas e de transmiti-las a seus descendentes. O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido a outro, que, por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim evolui a ciência. A evolução da Ciência Os egípcios já tinham desenvolvido um saber técnico evoluído, principalmente nas áreas de matemática, geometria e na medicina, mas os gregos foram provavelmente os primeiros a buscar o saber que não tivesse, necessariamente, uma relação com atividade de utilização prática. A preocupação dos precursores da filosofia (filo = amigo + sofia (sóphos) = saber e quer dizer amigo do saber) era buscar conhecer o porque e o para que de tudo o que se pudesse pensar. O conhecimento histórico dos seres humanos sempre teve uma forte influência de crenças e dogmas religiosos. Mas, na Idade Média, a Igreja Católica serviu de marco referencial para praticamente todas as idéias discutidas na época . A população não participava do saber, já que os documentos para consulta estavam presos nos mosteiros das ordens religiosas. Foi no período do Renascimento, aproximadamente entre o séculos XV e XVI (anos 1400 e 1500) que, segundo alguns historiadores, os seres humanos retomaram o prazer de pensar e produzir o conhecimento através das idéias. Neste período as artes, de uma forma geral, tomaram um impulso significativo. Neste período Michelangelo Buonarrote esculpiu a estátua de David e pintou o teto da Capela Sistina, na Itália; Thomas Morus escreveu A Utopia (utopia é um termo que deriva do grego onde u = não + topos = lugar e quer dizer em nenhum lugar); Tomaso Campanella escreveu A Cidade do Sol; Francis Bacon, A Nova Atlântica; Voltaire, Micrômegas, caracterizando um pensamento não descritivo da realidade, mas criador de uma realidade ideal, do dever ser. No século XVII e XVIII (anos 1600 e 1700) a burguesia assumiu uma característica própria de pensamento tendendo para um processo que tivesse imediata utilização prática. Com isso surgiu o Iluminismo, corrente filosófica que propôs "a luz da razão sobre as trevas dos dogmas religiosos". O pensador René Descartes mostrou ser a razão a essência dos seres humanos, surgindo a frase "penso, logo existo". No aspecto político o movimento Iluminista expressou-se pela necessidade do povo escolher seus governantes através de livre escolha da vontade popular. Lembremo- nos de que foi neste período que ocorreu a Revolução Francesa em 1789. O Método Científico surgiu como uma tentativa de organizar o pensamento para se chegar ao meio mais adequado de conhecer e controlar a natureza. Já no fim do período do Renascimento, Francis Bacon pregava o método indutivo como meio de se produzir o conhecimento. Este método entendia o conhecimento como resultado de experimentações contínuas e do aprofundamento do conhecimento empírico. Por outro lado, através de seu Discurso sobre o método, René Descartes defendeuo método dedutivo como aquele que possibilitaria a aquisição do conhecimento através 31 da elaboração lógica de hipóteses e a busca de sua confirmação ou negação. A Igreja e o pensamento mágico cederam lugar a um processo denominado, por alguns historiadores, de "laicização da sociedade". Se a Igreja trazia até o fim da Idade Média a hegemonia dos estudos e da explicação dos fenômenos relacionados à vida, a ciência tomou a frente deste processo, fazendo da Igreja e do pensamento religioso razão de ser dos estudos científicos. No século XIX (anos 1800) a ciência passou a ter uma importância fundamental. Parecia que tudo só tinha explicação através da ciência. Como se o que não fosse científico não correspondesse a verdade. Se Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Giordano Bruno, entre outros, foram perseguidos pela Igreja, em função de suas idéias sobre as coisas do mundo, o século XIX serviu como referência de desenvolvimento do conhecimento científico em todas as áreas. Na sociologia Augusto Comte desenvolveu sua explicação de sociedade, criando o Positivismo, vindo logo após outros pensadores; na Economia, Karl Marx procurou explicar a relações sociais através das questões econômicas, resultando no Materialismo- Dialético; Charles Darwin revolucionou a Antropologia, ferindo os dogmas sacralizados pela religião, com a Teoria da Hereditariedade das Espécies ou Teoria da Evolução. A ciência passou a assumir uma posição quase que religiosa diante das explicações dos fenômenos sociais, biológicos, antropológicos, físicos e naturais. A neutralidade científica É sabido que, para se fazer uma análise desapaixonada de qualquer tema, é necessário que o pesquisador mantenha uma certa distância emocional do assunto abordado. Mas será isso possível? Seria possível um padre, ao analisar a evolução histórica da Igreja, manter-se afastado de sua própria história de vida? Ou ao contrário, um pesquisador ateu abordar um tema religioso sem um conseqüente envolvimento ideológico nos caminhos de sua pesquisa? Provavelmente a resposta seria não. Mas, ao mesmo tempo, a consciência desta realidade pode nos preparar para trabalhar esta variável de forma que os resultados da pesquisa não sofram interferências além das esperadas. É preciso que o pesquisador tenha consciência da possibilidade de interferência de sua formação moral, religiosa, cultural e de sua carga de valores para que os resultados da pesquisa não sejam influenciados por eles além do aceitável. PEDAGOGIA EM FOCO. Disponível em http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/met00.htm. LEITURA RECOMENDADA: CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A.; SILVA, Roberto da. Metodologia científica. 6 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. CHAUÍ, Marilena. A Ciência na história. In:_____, Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1993. DEMO, Pedro. Princípio científico e educativo. 8 ª ed. São Paulo, Cortez, 2001. MOREIRA, Herivelto; CALEFFE, Luiz Gonzaga. Metodologia da pesquisa para o professor pesquisador. 2 ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2008. SANTOS, A. R. dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 6. ed. Rio de Janeiro: DP & A, 2004. 32 AULA 04: A Ciência e o Conhecimento nas suas múltiplas interações – Apontamentos sobre a Ciência. OBJETIVOS: * Reconhecer a importância da ciência para o desenvolvimento humano a partir da história do progresso científico; * Estabelecer as diferenças entre a ciência e o senso-comum; * Caracterizar o conhecimento científico e sua aplicabilidade na prática universitária; * Identificar os variados tipos e concepções de ciência estabelecendo diferenças e semelhanças entre suas abordagens; CONTEÚDO: Pode-se afirmar ter sido a intrínseca inquietude/curiosidade humana em relação aos fenômenos, fatos e eventos presentes em nossa realidade, no sentido de levantar perguntas e problemas e buscar-lhes respostas/explicações, que realizou o parto da ciência ou então do método científico, ou melhor, dos métodos científicos, pois essa categoria dever ser compreendida enquanto uma definição filosófico- abstrata ligada à concepção de ciência da qual, o pesquisador parte para realizar seus estudos. Há 2.500 anos na Grécia, Sócrates acendeu uma chama que percorre continuamente a história humana. Essa atitude foi levada adiante por pensadores e cientistas do porte de Leonardo da Vinci, Nicolau Copérnico, Charles Darwin e Albert Einstein. Mas não só, também grandes líderes como Gandhi e Martin Luther King. Alguns atribuem a Sócrates a frase: “Sem pensar na vida não vale a pena viver”. Mas pensar de qualquer jeito? Não. Pensar com método. Não de qualquer jeito ou qualquer maneira. Por isso método é o caminho escolhido para se alcançar conhecimento, verdade, compreensão. Na vida profissional, pessoal, na vida acadêmica e também na ciência, começar de qualquer jeito, continuar de qualquer jeito não vale a pena.... Porque Sócrates? Ele foi o primeiro a introduzir um método com base na razão, questionando mitos. O que se procura? • Respostas para determinados tipos de pergunta; • E respostas que sejam “verdadeiras” e não “falsas”. Aqui, a “coisa” fica complicada. O que é a verdade? Na história do Ocidente, desde a Grécia, existem três concepções de “verdade” distintas, que se formaram ao longo das experiências, reflexões e pesquisas das civilizações e povos: 33 Concepção grega (aletheia) - o que não é oculto, dissimulado, mas aquilo que se manifesta ao corpo e a alma. Opõe-se ao falso, pois a verdade e o verdadeiro estão nas coisas, na realidade, e não no sujeito. Em outras palavras, a verdade está no mundo e é preciso descobri-la. A verdade é o espelho da realidade; Concepção latina (veritas) – relaciona-se ao rigor, a exatidão de um relato, aos detalhes. Depende da memória. A verdade está na linguagem e depende da forma como se enuncia. A realidade corresponde ao que dela se diz. Concepção hebraica (emunah), retomada pelo cristianismo – relaciona-se a confiança e ao pacto. Por isso a idéia central é a revelação: a verdade é revelada, pois se confia e se espera. A autoridade faz o pacto, é depositária da confiança (sacerdotes em geral, escrituras sagradas, etc.). Cada uma dessas concepções pode-se dizer, apresenta impactos “positivos” e “negativos”, apontados a seguir: Na concepção grega: o impacto positivo é a necessidade de investigar a realidade para desvelá-la, tirar os véus que a ocultam, recusando-se a atribuir à dimensão sobrenatural (de qualquer espécie) a causa da realidade. O impacto negativo é a confiança absoluta no conhecimento como espelho da realidade, o que hoje as teorias e práticas científicas têm mostrado é que a teoria não é espelho da realidade, não há correspondência perfeita, mas aproximada, entre teoria e realidade; Na concepção latina: o impacto positivo é a preocupação com a memória e a exatidão da linguagem usada para descrever a realidade. O impacto negativo é a crença de que a linguagem é independente da realidade e que basta falar para acontecer; Na concepção hebraico-cristã: o impacto positivo é a possibilidade de construir comunidades e consensos mais duradouros e estáveis. O impacto negativo é o bloqueio da crítica e da investigação devido a uma confiança absoluta em algum tipo de autoridade (refratária à autocrítica e a outros pontos de vista que não o sancionado como legítimo): do padre, pastor, do guru, do sacerdote, do próprio cientista e de suas próprias instituições, das igrejas, dos templos, das instituições, do mercado etc. Essas concepções se entrelaçaram na história das ciências. Muitos paradigmas e metodologias têm como pressuposto “oculto” uma ou várias dessas concepções.Apesar de semelhantes, elas possuem diferenças e podem entrar em conflito, por exemplo, a questão entre o “criacionismo” (o mundo foi criado: verdade como emunah) e o “evolucionismo” (o mundo decorre de uma evolução: verdade como aletheia). Tais noções se misturam tanto, que é difícil dizer onde começa uma e termina outra.... Um exemplo são empresas que anunciam em propagandas produtos com depoimentos de “cientistas” ou de “pesquisas”: 34 UMA CURIOSIDADE Já reparou que a propaganda de alguns produtos usa o argumento da autoridade e da confiança a partir da própria ciência e do cientista? As propagandas de sabão em pó, vitaminas, suplementos alimentares e pasta de dente, vêm, às vezes, com homens de “jaleco branco”: químicos, odontólogos, médicos, calçados em porcentagens e estatísticas, que “caem” sobre o colo dos consumidores.... BUSCANDO AS MESMAS COISAS: CIÊNCIA E SENSO-COMUM Depois dos tipos de verdade, quais os tipos de pergunta são fundamentais para a busca do “verdadeiro”? E aqui o livro de Rubem Alves, Filosofia da Ciência, mostra, de forma lúdica, que os processos de busca e procura da ciência e da “sabedoria popular” ou do chamado senso-comum, são basicamente os mesmos... No entanto, os velhos manuais sempre insistem na enorme distância entre as duas formas de pergunta e de busca de respostas: da ciência e do senso-comum. Existem diferenças profundas, mas também semelhanças. DIFERENÇAS: 1 – o senso comum acredita em magia, é supersticioso, subjetivo e emotivo. 2 – a ciência não crê em magia, procura explicar tudo com base na razão, busca separar emoção da racionalidade e colocar o foco na compreensão ou na explicação. Talvez a chave para superar as resistências e as incompreensões que a ciência e a metodologia sofrem algumas vezes entre alunos e mesmo professores é partir das semelhanças... No senso-comum, a pergunta é motivada por algo que não funciona, uma emergência, um imprevisto, um acidente, algo que QUEBRA a continuidade, aparente, das coisas. Nas palavras de Rubem Alves (1992, p. 23) “É o defeito que faz a gente pensar”, pois quando não há problemas, apenas celebramos. E mais adiante: “Quem não é capaz de perceber e formular problemas com clareza, não é capaz de fazer ciência” (ALVES, 1992, p. 23). A Ciência é usada no singular e em letra maiúscula. O que isso quer dizer? O que isso oculta? PRIMEIRO: O uso do termo no singular e em letra maiúscula significa um tipo de conhecimento na história do homem como um conhecimento que PRODUZ resultados, é seguro, objetivo, racional e legítimo. 35 SEGUNDO: Essa condição esconde que a Ciência possui uma história com uma enorme pluralidade interna. A história é longa, mas é possível lançar noções sobre ela. Existem três concepções de ciência: Concepção Racionalista – (busca da objetividade) Inicia-se com os gregos e tem seu auge no século XVII; Baseia-se no método dedutivo; A ciência é conhecimento em que há perfeita correspondência entre verdade e Realidade, ou seja, a teoria científica explica e representa a realidade tal como ela é; Exemplo: matemática. Concepção Empirista – (busca da verificação) A ciência é uma forma de conhecimento baseada em experiências controladas e em observações sistemáticas; Inicia-se com a medicina grega de Galeno e atinge o ápice no século XIX; Baseia-se no método indutivo; Também possui a idéia de que a teoria explica e representa a realidade tal como ela é. Concepção Construtivista – (construção de modelos aproximativos da realidade) Baseia-se na conjugação/combinação dos métodos anteriores, com a noção de que a realidade é algo sobre o que se pode, no máximo, construir modelos aproximativos de compreensão e nunca modelos perfeitos e acabados; Tem início a partir das críticas aos modelos anteriores e começa no século XX; A realidade pode mudar a teoria científica, assim como esta a realidade; A representação da realidade nunca será um retrato exato. No século XIX, houve uma divisão defendida por muitos cientistas: a suposta e radical separação entre ciências humanas e exatas/naturais. As primeiras: Lidariam com fenômenos (sociais, políticos, culturais) em que o homem é sujeito/objeto, ao mesmo tempo, lançando mão de instrumentos qualitativos e quantitativos; Procurariam mais do que explicar, procurariam compreender os atos e os fatos humanos: qualquer fenômeno humano/social contém muitas possibilidades de interpretação, além do que é preciso levar em conta, na análise, as intenções e significados que os homens atribuem aos fatos. 36 As segundas: Lidariam com fatos, dados e fenômenos que ocorrem independente do homem, valendo, portanto, a divisão entre sujeito e objeto; Procurariam explicar as causas supostamente objetivas dos fenômenos, lançando mão de instrumentos quantitativos. Na história das ciências, temos grandes revoluções ou mudanças radicais de paradigmas e postulados. Quando isso ocorre, um “mundo” ou a “realidade” parece desaparecer sob um cataclismo ou terremoto. Assim ocorreu com Newton, com Galileu com Einstein. Hoje, a grande revolução é motivada pela mudança de ênfase proporcionada pela física moderna e pela teoria da linguagem. E no que consiste? A teoria quântica e a física da relatividade trouxeram de volta da Grécia a idéia de indeterminação, do acaso e do caos. Em resumo: o princípio da indeterminação, criado pelo físico Heisenberg diz que é impossível, no nível das partículas, conhecer-se o estado seguinte da matéria baseado na observação do estado atual. Um golpe no determinismo científico. CIÊNCIA BÁSICA E APLICADA. Para cada ramo da ciência, é possível dispor de um exemplo específico. Mas tome-se um exemplo das ciências humanas e sociais aplicadas. Básica (sociologia, por exemplo): Quais as causas do aumento de homicídios entre jovens moradores de grandes e médias cidades brasileiras? Essa pergunta gera a pesquisa básica. Com os dados da pesquisa básica, posso reunir condições para planejar e intervir sobre a realidade; Aplicada (administração pública ou gestão, por exemplo): Como diminuir as taxas de homicídio entre jovens moradores de grandes e médias cidades brasileiras? Essa pergunta, a partir dos dados da pesquisa básica, gera a pesquisa aplicada, fundamento do desenvolvimento tecnológico em geral. Formuladas as questões, os cientistas sociais elaboram hipóteses ou respostas provisórias que são submetidas a “testagem” ou ao processo de verificação. No caso da Ciência básica: Hipótese 1- O aumento do desemprego , Hipótese 2 – O aumento de conflitos intra-familiares, Hipótese 3 – Desemprego e conflitos intra-familiares. No caso da Ciência Aplicada: Hipótese 1 – Aumentar a oferta de empregos poderá diminuir o índice de homicídios, Hipótese 2 – Prender os jovens e aumentar o rigor das penas. 37 Para “testar” as hipóteses, os cientistas escolhem estratégias e, dentro delas, instrumentos metodológicos: questionários, entrevistas e outros... Os problemas e hipóteses das ciências básicas e aplicadas guardam uma diferença, pela própria natureza e direção da pergunta que dá fundamento a elas. Na ciência básica o móvel é o conhecimento da realidade; Na ciência aplicada, o móvel é a intervenção na realidade... Somente a partir do final do século XIX a ciência passou a ser fonte de conhecimentos do mundo social. Assim foi com o método científico que houve uma explosão de conhecimentos, de modo que em trezentos anos ficamos sabendo muitomais do que em dez mil anos. O que torna a ciência tão produtiva? Por outro lado pode ser colocada a questão: Ciência, para que? A serviço de que e de quem? Ela deveria, por exemplo, ter um compromisso social? Ela é realmente neutra? CARACTERÍSTICAS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO: Evidência verificável: significa que a ciência se baseia em observações fatuais concretas que outros = ver, pesar, medir, contar ou verificar. Mas o que é um fato? Torna-se difícil discernir entre um fato e uma ilusão ou um preconceito compartilhado. Suponha que fato = enunciado descritivo sobre o qual observadores estão de acordo. Nesta definição fantasmas e bruxas podem ser um fato, pois diversas pessoas afirmam ter visto. A ciência só pode tratar de questões que tenham evidência em si mesmas. Perguntas como: Deus existe, Qual o propósito da raça humana, não são questões passíveis de tratamento científico. São importantes, mas o método científico não dispõe de instrumentos para analisá-las. Os cientistas sociais podem estudar as crenças a respeito de Deus, do destino humano, mas é o máximo onde podem chegar. A ciência não tem respostas para tudo, mas é uma das fontes confiáveis na busca pela “verdade”. A ciência não opta por verdades absolutas. Cada conclusão científica representa a interpretação mais razoável e racional. Algumas conclusões científicas, no entanto são escoradas por uma grande quantidade de evidencias que fica difícil derrubá-las por novas evidências. Ex.: os impulsos humanos inatos são condicionados culturalmente. O problema é manter-se aberto para analisar. Até mesmo cientistas colegas de Thomas Edson, o grande cientista e inventor norte-americano disseram que o fonógrafo era um embuste porque a voz humana não podia ser gravada. Neutralidade ética: a ciência pode responder a questões de fato, mas não tem maneira de provar que um valor é melhor que outro. 38 Existe um agudo debate se a ciência deve estudar ou deve orientar-se também para a consecução se metas sociais. Deve um sociólogo mostrar a um governo opressivo como manter seu povo em ordem? Deve o turismólogo colocar seus conhecimentos a serviço participar de um “esquema” eticamente condenável? (ex.: livros para a prostituição voltada para turistas estrangeiros que alguns hotéis guardam ou um grande empreendimento hoteleiro próxima a uma área de preservação que vai trazer sérias conseqüências ecológicas...). TEXTOS COMPLEMENTARES: TEXTO 01: Einstein deu o “golpe de misericórdia”. Todo conhecimento da ciência moderna baseia-se na suposta e evidente divisão entre sujeito e objeto (o fenômeno permanece o mesmo independente do observador, e o observador tem acesso à realidade como ela é). Como ele deu o golpe? Fazendo experiências e observações com coisas simples, como o desvio da luz em relação à gravidade dos planetas e outros. Como assim? Um exemplo simples: imagine-se um vagão de trem em movimento e um sujeito X com uma pedra na mão e um sujeito Y fora do trem em terra que observa o tem se movimentar. O sujeito X deixa cair essa pedra: para ele a pedra “cai reta”, mas para o sujeito Y ela cai numa ligeira “curva”. Quem tem a verdade? Quem diz a verdade? O sujeito X (a pedra cai reta) ou o Y (a pedra faz uma curva)? Enfim, a realidade e a verdade dependem do observador e do observado. E, por fim, a teoria do caos, nascida com a revolução da informática: pressupõe que o número de variáveis que influencia uma realidade é de tal ordem e magnitude que é impossível esgotar sua enumeração, embora se possa conhecer alguns padrões. Há uma popularização da teoria do caos expressa na frase: “o bater de asas de uma borboleta no Japão pode causar um ciclone no Brasil”. Um modo mais simples de entender isso é observar o comportamento “irracional” dos mercados: subidas e descidas repentinas do dólar, motivadas pela fala de pela suspeita de uma gripe no ministro da economia, etc. De um sistema racional e determinístico aplicado à realidade (por exemplo, os controles monetários), pode-se obter como resultado um padrão aleatório ou um outro padrão de realidade muito diferente do original ou das intenções de quem aplicou o sistema. O Caos não á “bagunça” ou ausência completa de ordem, mas, numa linguagem técnica, sistemas aleatórios não-determinísticos. Segundo certos teóricos, os modelos matemáticos e deterministas da economia clássica não mais dão conta de explicar a quantidade e a profundidade da influência das variáveis. A interdependência entre culturas e economias tornou tão complexa a realidade que Edgar Morin, sociólogo e filósofo francês, propôs uma “religação” dos saberes. 39 Afinal, ninguém sabe com certeza para onde vamos e ninguém (país, empresa...) tem o controle da tal “globalização”! A teoria da linguagem mostra que as noções de verdade, mentira, a própria construção do que é verdadeiro e real dependem muito mais da comunicação humana e da estrutura lingüística do que se podia imaginar. Texto 02: Ciência e Missão de Sócrates Ora, certa vez, indo a Delfos, (Querofonte) arriscou essa consulta ao oráculo – repito, senhores; não vos amotineis – ele perguntou se havia alguém mais sábio do que eu; respondeu a Pítia que não havia ninguém mais sábio. Para testemunhar isso, tendeis aí o irmão dele, porque ele já morreu. Examinai por que vos conto eu esse fato; é para explicar a procedência da calúnia. Quando soube daquele oráculo, pus-me a refletir assim: “Que quererá dizer ó Deus? Que sentido oculto pôs na resposta? Eu cá não tenho consciência de ser nem muito sábio nem pouco; que quererá ele, então, significar declarando-me o mais sábio? Naturalmente, não está mentindo, por que isto lhe é impossível”. Por longo tempo fiquei nessa incerteza sobre o sentido; por fim, muito contra meu gosto, decidi-me por uma investigação, que passo a expor. Fui ter com um dos que passam por sábio, porquanto, se havia lugar, era ali que, para rebater o oráculo, mostraria ao deus: “eis aqui um mais sábio que eu, quanto tu disseste que eu o era!” Submeti a exame essa pessoa – é escusado dizer o seu nome; era um dos políticos. Eis, Atenienses a impressão que me ficou do exame da conversa que tive com ele; achei que ele passava por sábio aos olhos de muita gente, principalmente aos seus próprios, mas não o era. Meti-me, então, a explicar-lhe que supunha ser sábio mas não o era. A conseqüência foi tornar-me odiado dele e de muitos dos circunstantes. Ao retira-me, ia concluindo de mim para comigo: “mais sábio do que esse homem eu sou, é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um nadinha mais sábio do que ele exatamente em não supor que saiba o que não sei”. Daí fui ter com outro um dos que passam por ainda mais sábio e tive a mesmíssima impressão; também ali me tornei odiado dele e de muitos outros. Depois disso, não parei, embora sentisse, com mágoa e apreensões, que me ia tornando odiado; não obstante, parecia-me imperioso dar a máxima importância ao serviço do deus. Cumpria-me, portanto, para averiguar o sentido do oráculo, ir ter com todos os que passavam por senhores de algum saber. (...) Além disso, os moços que espontaneamente me acompanham – que são os que dispõe de mais tempo, os das famílias mais ricas – sentem prazer em ouvir o exame dos homens; eles próprios imitam-me muitas vezes; nessas ocasiões; metem-se a interrogar os outros; suponho que descobrem uma multidão de pessoas que supõem saber alguma coisa, mas pouco sabem, qui çá nada. Em conseqüência, os que eles examinam se exasperam contra mim e não contra se mesmos e propalam que existe um talSócrates, um grande miserável, que corrompe a mocidade. (Platão. Defesa de Sócrates. Coleção Os Pensadores, São Paulo: Abril Cultural, 1972, p. 14.) 40 LEITURA RECOMENDADA: CHIZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1995. MORIN, E. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1996. ______. Epistemologia da complexidade. In: SCHNITMAN, D. (Org.). Novos paradigmas, cultura e subjetividade. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. 41 AULA 05: A Ciência e o Conhecimento nas suas múltiplas interações – Apontamentos sobre a Ciência e o Método Científico. OBJETIVOS: * Reconhecer a importância da ciência através dos seus variados métodos para o desenvolvimento humano a partir da história do progresso científico; * Caracterizar o conhecimento científico e sua aplicabilidade na prática universitária; * Identificar os variados métodos científicos estabelecendo diferenças e semelhanças em suas abordagens e sua utilidade na construção do conhecimento científico; * Perceber as possíveis relações entre a ética e o conhecimento científico na atualidade através do trabalho do pesquisador-cientista. CONTEÚDO: O MÉTODO CIENTÍFICO... Qual é a Técnica básica do método científico? A observação. Sobre o que se volta a observação? Sobre a evidência. Em que ponto a observação científica difere do “olhar” as coisas? Porém, somente a partir dos últimos trezentos ou duzentos anos é que o método científico, baseado na experimentação e na observação, tornou-se um procedimento comum de busca de respostas a respeito da “verdade” ou das “verdades”. A observação científica busca: “Exatidão”. A descrição precisa corresponder à realidade, ou seja, ser o mais preciso possível na observação. Tome por exemplo a afirmação: “As famílias são menores do que costumavam ser” é de baixa exatidão. Para iniciar: que conceito de família se está trabalhando, Que tamanho e onde são maiores? Quando? Mudando para: “A proporção de famílias nucleares brasileiras, vivendo em áreas urbanas, com quatro ou mais membros diminuiu em relação à década de 1990”. Essa afirmação é mais exata que a primeira. O preço da exatidão é a verificação, reverificação para obtenção de proposições cuidadosamente enunciadas. Precisão. A observação refere-se ao grau ou medida. Exemplo: “A proporção de famílias nucleares brasileiras, vivendo em áreas urbanas, com quatro ou mais membros diminuiu cerca de 3 % em relação à década de 80, e 6 % em relação a década de 60”. Por causa dessa característica a linguagem científica evita os adjetivos, os relatos votados para a persuasão emocional. Repare como difere a redação literária difere da redação científica: “A cada momento morre um homem; a cada momento nasce um”. Frase do escritor de Alfred Tennyson. “Na África, de acordo com as cifras de 1980, morrem de subnutrição 120 meninos de 0 a 7 anos por mil habitantes. Em algumas regiões da África essa cifra atinge cerca de 42 150 mortes por mil habitantes.” Trecho do Relato da ONU em 2002. Quanto de precisão necessita a observação científica? Depende do que se está estudando. Na observação de fenômenos sociais necessita-se de precisão nos termos e conceitos empregados para descrever as atividades sociais observadas. Outra importante característica do conhecimento científico: Sistema. A investigação científica define um problema e depois traça um plano organizado para coletar fatos ao seu respeito. Suponha o seguinte problema: “Qual a relação entre a taxa de desistência de estudantes das faculdades DOCTUM que se casam ainda na faculdade e a de desistentes solteiros?”. Uma pessoa poderia tentar lembrar dos estudantes que conheceu; mas a amostra seria pequena demais e não se lembraria de todos os estudantes. Conclusões baseadas em recordações casuais não são confiáveis. Podem até inspirar hipótese, mas não servem como base para conclusão. Registro. A memória humana é falha, sujeita a reformulações constantes, os dados que não são registrados perdem confiabilidade. No campo da observação social a necessidade de observação registrada é pouco compreendida. Suponha que um professor tivesse de dizer “Numerosos estudantes do sexo feminino se graduaram na DOCTUM e, embora alguns executem trabalho excelente, em média não alcançam os estudantes do sexo masculino.” O que este professor está exatamente dizendo? A menos que tenha registros da média das notas e do sexo, sua afirmação é vaga DEMAIS. As concepções baseadas em recordação informal podem ser as piores, pois geralmente expressam os preconceitos do observador, mascarados como conclusão científica. O preconceito, o pensamento tendencioso e a atitude habitual distorcem as observações, a fim de se ajustar nossas preferências. Por isso registrar é importante. Objetividade. A observação científica é objetiva. Significa que a observação tanto quanto seja possível, não deve ser afetadas pela própria crença, preferências, desejos ou valores do observador. Em qualquer assunto em que estejam envolvidas nossas emoções, crenças, hábitos e valores, é provável que tendamos a ver de acordo com essas mesmas emoções e preferências. 43 A questão da interferência das emoções e valores é tão profunda, necessitando por isso de uma constante vigilância, pois afeta as observações cotidianas e corriqueiras. Por exemplo: Numa pesquisa realizada nos EUA foram dados diversos discos brancos todos do mesmo tamanho a diversos observadores. Em um deles estava escrito o nome Kennedy. Diversas pessoas afirmaram que este mesmo disco era maior do que os outros; Nesta mesma pesquisa as crianças pobres atribuíam geralmente maior tamanho às moedas que as crianças de mais abastadas. ATENÇÃO! A mais pesada de todas as obrigações científicas é procurar a objetividade. Sabe-se que a absoluta objetividade é impossível, mas é necessário honestidade, sinceridade e vigilância na observação. Outro perigo na observação científica é o viés ou bias. Viés é uma tendência, geralmente inconsciente de ver os fatos de uma determinada maneira, em conseqüência de hábitos, da educação incutida, de interesses e valores. Raramente os fatos são indiscutíveis. Por isso a expressão contra fatos não há argumentos, é relativa! Um famoso experimento, realizado em 1947 (ALLPORT e POTSMAN) demonstrou isso. Nele se mostrou a muitos observadores uma pequena imagem: um homem branco, mal vestido, segurando uma navalha e discutindo violentamente com um homem negro bem vestido e com postura de paz. Depois, solicitou-se que descrevessem para terceiros a cena vista. Alguns perceberam corretamente. Mas quando a descrição é passada adiante, mudou-se completamente o quadro. A navalha acabou aparecendo nas mãos do homem negro, que “era onde devia estar” segundo a crença e valores de alguns. Embora observassem em condições de calma, serenidade, com bastante tempo para ver o quadro, o viés, atitudes inconscientes, acabou distorcendo o relato da observação. Quem está propenso a duvidar da existência do viés, faça uma experiência muito simples. Numa festa, na qual você tenha possa realizá-la, cumprimente cada convidado com um sorriso e diga: “É uma pena que você esteja aqui esta noite”; e despeça-se com “Muito contente de que você tenha que ir tão cedo!” sem o tom de ironia. Muitos ouvirão o que esperam ouvir e não o que foi dito. 44 Por isso quem está convicto de que os pretos são preguiçosos, os judeus agressivos, osnegociantes fraudulentos e os policiais brutais raramente percebe qualquer coisa que esteja em conflito com suas expectativas. Tudo acaba confirmando sua visão. Viés é como uma peneira, só deixa passar aquilo que se supõe deva passar. Assim é necessário um treinamento rigor e uma consciência crítica. Quem não consegue nem por um momento suspender em tese suas mais íntimas convicções, pode incapacitar-se de observar com objetividade a realidade. O cientista por outro lado não está isento de viés. Mas ele conta com um aliado poderoso: seus colegas. Esses realizam a crítica e a discussão do trabalho. Observação treinada. Para que a observação obtenha um grau de sofisticação é necessário leitura, treino e uma atitude científica. Deve-se deixar de lado atitudes crédulas, bajuladoras e assumir posturas honestas e sinceras. Condições controladas. Um bom exemplo disso são as pesquisas realizadas em laboratório. Entretanto grande arte dos fenômenos não pode ser testada no laboratório. Nas ciências sociais freqüentemente o pesquisador necessitará ir até o fenômeno que quer investigar para aplicar questionários, entrevistar, observar. As condições da observação precisam ser controladas, ou seja, precisam ser conhecidas para que se evite interferências. Por fim, podemos dizer que a ciência tem duas dimensões: 1 - Compreensiva – contextual ou de conteúdo e 2 - Metodológica – operacional, abrangendo os aspectos lógicos e técnicos. Aspectos: Lógico: construção de proposições e enunciados. Objetivo: descrição, interpretação, explicação e verificação mais precisa. Logicidade – procedimentos/operações que possibilitam a observação racional e controlam os fatos; permitem interpretação e explicação adequada dos fenômenos; verificação dos fenômenos – observação ou experimentação e o estabelecimento de princípios. Componentes da ciência: 1 - Objetivo ou finalidade; 2 - Função 3 - Objeto: Material: aquilo que se pretende estudar, analisar; Formal: enfoque específico. Divisão da ciência: a) Formais – plano das idéias: lógica, matemática outras; b) Factuais – plano dos fatos, sociais ou naturais; 45 b.1) sociais: sociologia, administração turismo, psicologia etc. b.2) naturais: física, química, biologia etc. Diferenças entre os tipos de ciências: Objeto: as formais – enunciados; as factuais - objetos empíricos, coisas, processos, fenômenos; Método: formais - lógica; factuais naturais - experimentação/refutação e factuais sociais - interpretação/análise/síntese. UMA VISÃO GERAL DOS MÉTODOS Apresenta-se uma visão bem ampla sobre os diversos tipos de métodos das ciências. O que são os métodos? Os métodos consistem em princípios e procedimentos, aprovados e legitimados pela comunidade científica; aplicados para a construção do saber. Eles têm muitas variações, dependendo do tipo de ciência ou área em que estejam alocados: ciências naturais, humanas e sociais (básicas ou aplicadas), ou exatas (Matemática, Física etc.). Essas variações podem conviver harmoniosamente ou, até mesmo, entrar em conflito. Métodos de Abordagem: Método estatístico: quantificação dos fenômenos para se extraírem análises a partir das técnicas de amostragem, indicadas e explicadas pela estatística. Método funcionalista: função dos elementos, busca da harmonia. O método funcionalista parte do princípio da analogia entre princípios biológicos e sociais, como: a função do Estado está para a sociedade, assim como a do cérebro para o corpo humano. Foi muito criticado por outros métodos por não levar em conta as mudanças históricas e as dinâmicas positivas do conflito. Método dialético: a realidade (humana, social, natural...) é complexa, está em constante e permanente mudança e é um processo (e não uma coisa pronta e acabada, um objeto ou pacote); princípio da contradição (toda realidade contém dentro de si sua própria negação), da mudança qualitativa (a quantidade implica sim em mudança qualitativa...), da ação recíproca (toda ação implica necessariamente em outras) e da conexão universal. Método estruturalista: delineamento de estruturas subjacentes que influenciam o comportamento dos sujeitos e da própria história. Esse método se origina dos estudos iniciais da lingüística com Saussure e a “descoberta” de padrões lingüísticos “inconscientes” aos falantes da língua, continuando com antropólogos e sociólogos. Métodos de procedimento Método comparativo: comparação de estruturas, realidades. A comparação é feita a partir da escolha de critérios, que sofrem um processo de debate e cujos conceitos são clarificados. Método fenomenológico: parte da subjetividade, que é a estrutura fundamental da percepção da realidade, critica a separação ente sujeito e objeto, pois ambos se implicam e se fundem “no final das contas”. 46 Método experimental: realizam-se experiências, organizadas geralmente por grupos de controle, com a finalidade de se obterem dados, para se chegar a proposições gerais. O método experimental é um dos mais usados nas ciências, particularmente na psicologia, nas ciências biológicas, químicas, físicas etc. Existem diversas formas de abordar um fenômeno, um objeto, um fato. Dentre as mais comuns, destacam-se as seguintes: Método indutivo: parte-se dos dados particulares para se chegar aos princípios universais. Observam-se fenômenos ou fazem-se experiências, de modo controlado e sistemático, a partir dos quais se estabelecem relações e de onde são extraídas premissas, ou seja, afirmações gerais e abrangentes. Se todas as premissas são verdadeiras, isso não quer dizer que necessariamente a conclusão será verdadeira, mas que provavelmente o será. É mais comum nas ciências da natureza e as biológicas. Método dedutivo: parte-se de premissas gerais para se confrontarem os dados particulares. Baseado na lógica formal, o conteúdo está implícito e precisa ser demonstrado. Comum na matemática, na geometria euclidiana e nas áreas das chamadas ciências formais. O problema é derivar o método para a complexa realidade social e humana, ou seja, pensar que essa realidade é “geometrizável” ou que ela pode ser deduzida de teoremas. Método hipotético-dedutivo: raciocínio lógico ponderado por hipóteses e acionado por perguntas. As hipóteses são submetidas à análise, à tentativa de eliminação de erros. Suas etapas são: 1 - problema (que em geral surge a partir do conflito entre o que se espera da realidade e da teoria e o que realmente acontece); 2 – hipótese proposta (solução provisória proposta e que consiste numa conjectura); 3 – testes de falseamento (verificação, observação, experimentação); 4 – elaboração da teoria A CIÊNCIA E A ÉTICA – REFLEXÕES NECESSÁRIAS... A reflexão sobre a ética é parte indispensável da pesquisa e da ciência. E aqui a coisa se complica: De qual ética se fala? Há inúmeros sistemas e princípios de ética e não apenas uma. Há o conflito entre princípios éticos e aspectos da realidade social e econômica. Existe também o conflito entre éticas religiosas e princípios da pesquisa. Para citar alguns sistemas éticos, tomemos dois: A ética de valores ou ética kantiana: existem princípios de valor absoluto e que, não importa a situação, devem estar acima de tudo. Por exemplo: a vida, a verdade, a honestidade, etc. A ética da responsabilidade: existem situações práticas que devem ser analisadas e levadas em conta no contexto, ou seja, um princípio absoluto pode não ser plenamente satisfatório naquela situação, naquele momento, sendo necessárias outras atitudes. Adequada é a ética kantiana, a do valor absoluto. 47 E aqui podem surgir dilemas insolúveis dentro do quadro fornecido por essa ética. Por exemplo,quando dois princípios éticos entram em choque ou quando uma decisão, baseada na ética, poderá causar um impacto grande ou ainda, quando, em nome de uma ética de valor absoluto se cometem erros, que aos olhos dos que os cometem estão justificados. Retomando a pesquisa científica e a educação, alguns princípios éticos são fundamentais: Respeito às fontes: citar e referenciar todos os dados, conceitos usados, mesmo que seja para discordar e criticar; Em caso de pesquisa de campo, garantia do sigilo e anonimato das fontes vivas, explicação da finalidade da pesquisa, retorno do pesquisador para a comunidade pesquisada, entre outros aspectos... Em caso de pesquisa com seres humanos: submeter a um comitê de ética os projetos, respeitar os protocolos das áreas médicas e da saúde, rigor na análise dos impactos, respeito à pessoa humana e a sua dignidade; Honestidade e a atitude de buscar a verdade, mesmo que ela contrarie as expectativas e certos interesses econômicos ou sociais que sejam contrários ou prejudiciais; Compromisso com o rigor científico, a sobriedade, a serenidade, desde a escolha dos instrumentos até a divulgação dos resultados; Avaliação dos impactos das decisões: aspectos positivos e negativos; Debater as decisões e desdobramentos da pesquisa com a sociedade, com os grupos pesquisados, etc. TEXTO COMPLEMENTAR: O CIENTISTA VIROU UM MITO O cientista virou um mito. E todo mito é perigoso porque ele induz o comportamento. Este é um dos resultados engraçados (e trágicos) da ciência. Se existe uma classe especializada em pensar de maneira correta (os cientistas), os outros indivíduos são liberados da obrigação de pensar e podem simplesmente fazer o que os cientistas mandam. Quando o médico lhe dá uma receita, você faz perguntas? Sabe como os medicamentos funcionam? Será que você pergunta ao médico como os medicamentos funcionam? Ela manda, a gente compra e toma. Não pensamos. Obedecemos. Não precisamos pensar, porque acreditamos que há indivíduos especializados e competentes em pensar. Pagamos para que eles pensem por nós. E depois ainda dizem por aí que vivemos numa civilização científica... O que eu disse dos médicos você pode aplicar a tudo. Os economistas tomam decisões e temos de obedecer. Os engenheiros e urbanistas dizem como devem ser nossas cidades, e assim acontece. [...] Afinal de contas, para que serve nossa cabeça? Ainda podemos pensar? Adianta pensar? Antes de tudo é necessário acabar com o mito de que o cientista é uma pessoa que pensa melhor que as outras. O fato de uma pessoa ser muito boa para jogar xadrez não significa que ela seja mais inteligente do que os não-jogadores [...] Cientistas são como pianistas que resolvem especializar-se numa 48 técnica só. Imagine as várias divisões da ciência – física, química, biologia, psicologia, sociologia – como técnicas especializadas. No início pensava-se que tais especializações produziriam miraculosamente uma sinfonia. Isto não ocorreu. O que ocorre frequentemente é que cada músico é surdo para o que os outros estão tocando. Físicos não entendem os sociólogos, que não saem traduzir as afirmações dos biólogos [...] a especialização pode tornar-se numa perigosa fraqueza, imagine um animal especializado somente na visão. E os odores e sons? Isso pode significar ser caçado. [...] o que desejo que você entenda é o seguinte: a ciência é uma especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos [...] A aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso-comum. Autor: Rubem Alves, 1992, p. 50. LEITURA RECOMENDADA: ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico: Elaboração de Trabalhos na Graduação. São Paulo: Atlas, 2003. LAVILLE, Chrstian e DIONNE, Jean. A Construção do saber. Belo Horizonte: UFMG, 1999. NAJMANOVICH, Denise. O Feitiço do Método. In: GARCIA, Regina Leite (org.). Método, Métodos e Contramétodos. São Paulo: Cortez, 2003. RUIZ, João Álvaro. Metodologia Científica. São Paulo: Atlas, 1997. SANTOS, Antônio Raimundo dos. Metodologia Científica e a Construção do Conhecimento. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2000. 49 AULA 06: A Estrutura e a Forma dos Trabalhos Acadêmicos: As Fontes de Estudo e as Citações OBJETIVOS: * Abordar as regras da ABNT para a formatação do trabalho acadêmico; * Mostrar a importância das citações de fontes de estudo; * Caracterizar os diferentes tipos de citações de fontes de estudo operacionalizando seu uso na construção dos variados trabalhos acadêmicos; * Identificar as características da linguagem científica; CONTEÚDO: COMO FAZER UM BOM TRABALHO ACADÊMICO: Quais os critérios para um bom trabalho acadêmico? Capacidade de pesquisa; Criatividade; Capacidade de crítica e autocrítica; O domínio das regras de comunicação formal dos produtos e processos da pesquisa (relatórios, artigos, monografias, papers). A velha divisão entre pesquisa e leitura não pode mais ser sustentada se o desejo é qualidade, competitividade e humanidade... Lembre-se que as regras formais são um meio para comunicar e apresentar a pesquisa ou o trabalho acadêmico, e não um fim em si mesmo. Formatação: a ABNT e as normas... É comum cobrar as técnicas formais da apresentação do trabalho acadêmico. Essa cobrança vem seguida de um nome... ABNT. Mas o que é a ABNT? Um pouco de contextualização é importante. Da mesma forma, pode-se perguntar: porque escrever nas regras da ABNT, ou Associação Brasileira de Normas e Técnicas? A ABNT, órgão reconhecido (1940), é responsável pela normalização técnica no país. Entidade reconhecida como Fórum Nacional de Normalização através da Resolução do CONMETRO (1992). É membro fundador da ISO (International Organization for Standardization), norma tão “cultuada” por empresas e gestores. A ABNT é a única e a exclusiva representante, no Brasil, dessas entidades internacionais. O crescimento dos estudos, o acúmulo de pesquisas e relatórios exigiu formas de apresentação que garantissem a uniformidade, a universalidade e a padronização dos trabalhos produzidos nas faculdades e universidades. Desde os anos 1970, a normalização é apontada como fator de eficiência na transferência da informação. 50 Estudos nos vários campos do conhecimento “indicaram a qualidade formal como fator determinante para aceitação ou rejeição de trabalhos para publicação, o que amplia o valor da normalização na comunicação científica”. DEMO (1992, p. 21-25) traduz esse binômio como: qualidade política e qualidade formal. Qualidade política: a pertinência de uma contribuição científica para preencher lacunas existentes no quadro geral do conhecimento, em determinada Ciência. A qualidade política coloca a questão dos fins, a circulação social do saber científico, a tradução dos conceitos utilizados pela comunidade científica e sua disponibilidade em meios de comunicação; Qualidade formal: a capacidade de usar regras e técnicas adequadas, dentro dos ritos acadêmicos: domínio de técnicas de coleta, manuseio e uso de dados; capacidade de manipular bibliografias; versatilidade na discussão temática. Alguns comentários importantes sobre a normalização dos trabalhos acadêmicos: A falta de conhecimento sobre a importância da normalização de textos científicos faz com que essa etapa do trabalho acadêmico seja vista de forma reducionista, representado uma mera formalidade acadêmica. A normalização não deve ser encarada como uma amarra à criatividade, mas sim como um processo necessário ao sucesso da ação de aprender e ensinar. ESTRUTURA E FORMA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS: Os elementosda forma dizem respeito à apresentação gráfica, a como o trabalho deve ser digitado. A estrutura dos trabalhos, dizem respeito aos itens obrigatórios e essenciais (pré-textuais; textuais e pós-textuais). A tabela abaixo mostra que itens são obrigatórios, opcionais e quais não são necessários aos diversos tipos de trabalho. Elementos obrigatórios e opcionais para os diversos tipos de trabalho ELEMENTOS PROJETO MONOGRAFIA RELATÓRIO ARTIGO PRÉ-TEXTUAIS Capa obrigatória obrigatória obrigatória não tem Folha de Rosto obrigatória obrigatória obrigatória não tem Ficha Catalográfica não tem opcional opcional não tem Resumo e Palavras-Chave em Língua nacional não tem obrigatória obrigatória obrigatória Resumo e Palavras-Chave em Língua nacional não tem obrigatória opcional obrigatória Lista de Abreviaturas opcional opcional opcional não tem Lista de ilustrações opcional opcional opcional não tem 51 Lista de Gráficos opcional opcional opcional não tem Lista de Quadros opcional opcional opcional não tem TEXTUAIS Introdução obrigatória obrigatória obrigatória obrigatória Desenvolvimento obrigatória obrigatória obrigatória obrigatória Cronograma obrigatória não tem não tem não tem Considerações finais obrigatória obrigatória obrigatória obrigatória Bibliografia ou referências bibliográficas obrigatória obrigatória obrigatória obrigatória PÓS-TEXTUAIS Apêndice opcional opcional opcional não tem Anexos opcional opcional opcional não tem Índice opcional opcional opcional não tem Folha final obrigatória obrigatória não tem obrigatória DIGITAÇÃO DO TRABALHO ACADÊMICO: • A digitação: cor preta; • O tipo da letra: Times New Roman ou Arial; • Tamanho da fonte do texto em geral: 12 (há exceções); • O parágrafo: início a 1,25 cm da margem esquerda; • A ABNT recomenda letra menor em citações diretas com mais de três linhas (por exemplo, tamanho 11), notas de rodapé (tamanho 10), paginação e legendas de ilustrações e tabelas (tamanho 11); • A impressão: papel branco, formato A4, utilizando apenas um lado da folha; • O espaço entre as linhas do texto: 1,5. Exceções: citações com mais de três linhas, notas de rodapé (espaço simples) e as referências bibliográficas (espaço simples na mesma referência e 1,5 entre as referências), legendas de ilustrações e tabelas, ficha catalográfica e notas de apresentação da folha de rosto e da folha de aprovação (espaço simples); • Distribuição do texto na página (ou alinhamento): a introdução, o desenvolvimento e a conclusão são digitados com alinhamento justificado (exceto: títulos das seções primárias - introdução, capítulos e conclusão - que devem ser centralizados); • A numeração das páginas: margem direita superior, sendo que os números das páginas devem vir em algarismos arábicos (tamanho 11), sem traços (pontos ou parênteses). Os números aparecem digitados a partir da introdução até a última folha digitada. Devem ser também contadas (sem aparecer os números) desde a folha de rosto até o sumário (exceção: errata). • Os títulos dos capítulos (seções primárias) sempre ficam em uma nova folha, centralizados na terceira linha e digitados em letras maiúsculas negritadas. Também, entre os títulos dos capítulos e seus textos, deve-se deixar 2 linhas em branco de espaçamento. • Os subtítulos: distanciar-se do texto anterior e do posterior a 2 linhas em branco de espaçamento e com alinhamento de texto justificado. 52 • Se, após a digitação, não seja possível acrescentar 2 linhas em branco de espaçamento e mais três linhas de texto, eles serão transportados para o início da página seguinte (não precisa de espaçamento). • Recebem numeração (1, 2, 3 ou 1.1, 1.2, 1.3 ou 1.1.1, 1.1.2 etc.), à sua esquerda, os títulos dos capítulos e os subtítulos, separados por um espaço de 0,5 cm, e não recebem numeração: agradecimentos, lista de ilustrações, lista de abreviaturas e siglas, lista de símbolos, resumo (em português e outro idioma), sumário, introdução, conclusão, bibliografia, glossário, apêndice(s), anexo(s) e índice(s). • Sem título e sem indicativo numérico: folha de aprovação, dedicatória e epígrafe. • Observação: As notas de rodapé: 1) de referência: indicam fontes consultadas ou remetem a outras obras onde o assunto em questão foi abordado de forma mais aprofundada; 2) explicativas: comentários, esclarecimentos ou explanações, que não possam ser incluídos no texto (não devem ser longas e são colocadas em seqüência numérica na parte inferior da página em que foram inseridas, tamanho 10, separadas entre si por uma linha em branco de espaçamento; • Encadernação: os trabalhos da graduação e especialização, quando for o caso, devem ter encadernação transparente (folha inicial) e preta (proteção final). As monografias, dissertações e outras sofrem encadernação dura, que varia conforme as normas internas das faculdades. AS FONTES DE ESTUDO – CONSTRUINDO AS CITAÇÕES... Os trabalhos acadêmicos em geral (artigos, monografias e projetos etc.) DEVEM citar as fontes das quais se extraíram idéias, conceitos e informações. Caso não se faça, comete-se o plágio, ou apropriação indevida da autoria intelectual. Quando e quanto citar? Seja nas monografias, nos projetos ou em outros trabalhos acadêmicos, é importante saber em que medida se devem fazer citações. Dois extremos devem ser evitados: Citar outros autores com exagero ou não citar / citar muito pouco. No primeiro caso, os leitores de seu trabalho concluirão que o seu texto tem pouco a oferecer, que você praticamente “copiou” as idéias de outros autores. No segundo caso, notarão que os argumentos utilizados carecem de sustentação ou que não têm relação com outras pesquisas e livros. Recomenda-se expressamente: O tamanho de cada citação deve ser o menor possível; Nunca construa o trabalho remendando citações, uma após outra; No trabalho escrito devem-se apresentar os próprios argumentos; as citações são apenas um meio auxiliar. Em geral, há dois sistemas de citação. 53 O SISTEMA ALFABÉTICO. Utiliza-se apenas o sobrenome do autor, seguido da data e ao final, na bibliografia ou nas referências, coloca-se os dados completos. Se no texto for utilizado o sistema autor-data de citações, A lista das fontes, no final do trabalho (monografia, artigo, projeto etc.), deverá ser ordenada pelo sistema alfabético: 31 REFERÊNCIAS ALVES, R. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 15. ed. Brasiliense: São Paulo, 1992. SARAMAGO, J. A caverna de Platão. Caderno Mais! São Paulo, Folha de S. Paulo, 12 abr. 2009, p. A5. TAVARES, Maria da Conceição. Império, território e dinheiro. In: FIORI, J. L. (Org.). Estados e moedas no desenvolvimento das nações. Rio de Janeiro: Paz e Terra, p. 449-489, 1999. NUMÉRICO. Se o sistema utilizado for o numérico, as referências, na lista das fontes, serão numeradas seqüencialmente (na ordem em que aparecem no texto) de forma crescente, da primeira à última. No texto, as citações de autores serão feitas indicando-se o número correspondente ao autor citado. Observação: As duas formas de número, apresentadas nos exemplos abaixo, são as permitidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002b): na mesma linha do texto, entre parênteses, ou acima da linha do texto. Se no texto for utilizado o sistema numérico de citações, Alves (1) critica o mito do cientista como alguém eu pensa melhor do que outras pessoas. O mito do cientista como alguém que pensa melhor pode ser criticado.2 A lista das fontes deverá ser ordenada pelo sistema numérico, ou seja, colocam-se os números atribuídos no decorrer do texto em ordem numérica, seguida das referências completas. Segundo Alves (1992), a solução do problema é ponte entre o lugar onde você está e o lugar que você tem vontade de ir. 54 31 REFERÊNCIAS 1 ALVES, R. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 15. ed. Brasiliense: São Paulo, 1992. 2 AMARAL, R. O homem urbano. Disponível em: <http://www.aguaforte.com/homem.htm>. Acesso em: 8 mar. 1999. 3 TAVARES, M. da C. Império, território e dinheiro. In: FIORI, J. L. (Org.). Estados e moedas no desenvolvimento das nações. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999. p. 449-489. OBSERVAÇÕES IMPORTANTES! A) Recomenda-se a utilização do sistema alfabético, para a lista das fontes; e autor-data, para as citações. Excetuam-se os casos em que exista uma exigência institucional para que se use o numérico. B) Áreas acadêmicas específicas, principalmente as Ciências da Saúde (medicina, fisioterapia, enfermagem etc.), preferem adaptar seus artigos científicos às normas do Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas (Vancouver Style). Esses editores recomendam a utilização do sistema numérico para a citação de autores no texto do trabalho. Essa recomendação justifica-se por duas razões principais: 1 - Não se pode utilizar concomitantemente notas de rodapé e o sistema numérico de citação no texto, pois as numerações se confundiriam (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002a). Ou seja, se a opção for pelo sistema numérico de citação, o trabalho não poderá ter notas de rodapé (nem de referência nem explicativas). 2- O sistema numérico desvia por demais o leitor do texto principal, pois o ano da obra e, às vezes, seu autor, não estão, como no sistema alfabético, explicitados no texto do trabalho. Regras gerais para as citações (de todos os tipos) Palavras ou expressões em língua estrangeira de pouco uso devem ser digitadas em itálico. Exceção das abreviaturas latinas que indicam seqüência, continuidade (etc. = e outras coisas / et al. = e outros) e a expressão apud (= citado por, utilizada na citação de citação). Essas expressões em latim SÓ PODEM ser usadas no sistema numérico. Citação de informação verbal: Informações verbais (palestras, debates, comunicações, aulas etc.) podem ser citadas. É necessário indicar o fato (informação verbal) no próprio texto, entre parênteses, logo após a menção. Em nota de rodapé, 55 esclarecem-se os dados disponíveis: palestrante, professor, curso, disciplina, data etc. (Ex.: Informação obtida em março de 2004, na aula do professor Arlindo de Souza, da disciplina de Filosofia do Direito, do curso de Direito, das Faculdades Integradas de Caratinga). Diferentes obras de um mesmo autor, publicadas em anos diferentes e citadas simultaneamente, têm as suas datas separadas por vírgula: Alves (1989, 1991, 1995) ou (ALVES, 1989, 1991, 1995). Diferentes páginas de uma mesma obra são separadas por vírgula: Alves (1989, p. 5, 49) ou (ALVES, 1989, p. 5, 49). Diferentes obras, cada uma com autoria diferente, quando citadas simultaneamente, devem ser separadas por ponto-e-vírgula, em ordem alfabética: (ALVES, 1984; SILVA, 1986; SILVEIRA, 1991). Esse recurso somente pode ser utilizado, colocando-se os autores entre parênteses. Ênfases ou destaques devem ser feitos através de grifo, negrito ou itálico, indicando-se essa alteração com a expressão “grifo nosso” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002b, p. 3); Não fazer citações em outros idiomas. Caso se faça, deve-se traduzir o texto e colocar ao seu final, entre parênteses, finalizando, a expressão tradução nossa, ou minha tradução; O ponto final: se o texto citado terminar com ponto final, as aspas vêm depois do ponto; Se não, as aspas vêm antes dele. Se na lista das fontes houver autores com sobrenomes iguais, acrescentam-se, nas citações, as iniciais de seus prenomes. Ex.: A globalização une e separa (SILVA, C., 2003). Se mesmo assim continuar a coincidência, colocam-se os prenomes por extenso. Ex.: A globalização une e separa (SILVA, Josué; 2001). Citação de obras de mesmo autor e mesmo ano. Diversos documentos de um mesmo autor e publicados em um mesmo ano devem ter o acréscimo, após o ano, de letras minúsculas, em ordem alfabética e sem espacejamento. Isso é válido tanto para a lista das fontes. Citação de obra com mais de um autor. Exemplos: Dois ou três autores incluídos na sentença Segundo Silva, Horta e Silveira (1996) ... Dois ou três autores entre parênteses ... (SILVA; HORTA; SILVEIRA, 1996)... Mais de três autores incluídos na sentença Silva et al. (2001) ... Mais de três autores entre parênteses ... (SILVA et al., 2001). Citação de obras sem autoria. Nas obras sem autoria, as chamadas são feitas pelo título e somente entre parênteses. Não se recomenda o uso. COMO FAZER CITAÇÕES INDIRETAS, DIRETAS E CITAÇÃO DE CITAÇÃO (APUD)? O que são citações indiretas? São citações em que se reproduzem as idéias, sem se transcreverem as palavras do autor, podendo-se condensar (síntese) o texto ou então parafraseá-lo. 56 O que é paráfrase? Paráfrase é a expressão da idéia de outro, mantendo-se aproximadamente o mesmo tamanho do texto original. Quando fiel à fonte, é geralmente preferível a uma longa citação direta. Nas ciências humanas, principalmente, os estudiosos reproduzem com pouca freqüência as fontes de forma direta, preferindo parafraseá-las, ou seja, citá-las indiretamente. As regras gerais a todas as citações indiretas são: Transcrição sem destaques (aspas, itálico etc.), pois somente as idéias foram citadas e não as palavras do autor. É opcional colocar a página da obra de onde a idéia foi extraída. Caso se opte pela menção, ela deve vir logo após a data, precedida por vírgula. Diferentes obras, cada uma com autoria diferente, quando citadas simultaneamente, devem ser separadas por ponto-e-vírgula, em ordem alfabética: (SENA, 1984; SILVA, 1986; SOUZA, 1991). Esse recurso somente pode ser utilizado, colocando-se os autores entre parênteses. Existem BASICAMENTE, dois tipos de autoria de textos, livros etc.: pessoal (pessoa física) e institucional, a autoria é da instituição, da associação ou outro tipo de organização. Citação indireta de autor pessoal Existem duas formas de citar o autor: ou ele fica incluído na sentença, ou ele fica entre parêntesis. No primeiro caso, usam-se as expressões: Como, Segundo, Conforme, Todavia. Porém, o uso exagerado e frequente dessas expressões, tornam o texto maçante, fazendo com que perca a qualidade. Alguns preferem o uso do autor entre parêntesis, que, em geral, deve ser feito ao final da frase ou do parágrafo. Exemplos: Como lembra Martins (1984), o futuro desenvolvimento da informação está cada dia mais dependente do plano unificado de normalização. ou A necessidade de aproximação vem desde os tempos remotos; talvez resida aí a explicação original e primária para o processo de globalização (MARTINS, 1974). E se o autor for uma instituição, tipo IBGE, IPEA? Cita-se normalmente, pois o autor é justamente uma instituição. Então, teremos as mesmas normas do exemplo acima. Autor institucional incluído na sentença Segundo o Instituto de Pesquisas Aplicadas (2000), 2010 será um ano de retomada do crescimento econômico. Autor institucional entre parênteses O crescimento econômico será retomado em 2010 (Instituto de Pesquisas Aplicadas, 2002). 57 O que são citações diretas? São citações em que se reproduzem as idéias, utilizando-se das próprias palavras do autor, de forma literal. As regras gerais adequadas a todas as citações diretas são: É obrigatória a menção à página onde se encontra o texto citado. Partes do texto citado (início, meio ou fim de uma frase) podem ser suprimidas. Em seu lugar, colocam-se reticências entre colchetes: [...]. Acréscimos ou comentários ao texto citado, devem vir entre colchetes. Quando o texto a ser citado tem até três linhas digitadas, existem regras próprias. O texto citado é digitado entre aspas duplas, sem destaques (negrito, itálico etc.), dentro do próprio parágrafo. Como saber que um texto citado tem até três linhas ou mais? Digitar primeiramente e, depois, medir. Autor pessoal incluído na sentença Segundo Alves (1992, p. 13), “O que é senso comum? Essa expressão não foi inventada pelas pessoas de senso comum.”. Autor pessoal entre parênteses (ver Exemplo 1 abaixo). Em relação à autoria institucional, segue as mesmas regras dos exemplos dados. (Exemplo 2 abaixo) Exemplo 1 A expressão senso-comum “foi criada por pessoas que se julgam acima do senso comum” (HALL, 2002, p. 77). Exemplo 2 A expressão PIB, Produto Interno Bruto foi criada em 1947 “no contexto de uma enorme mudança cíclica” (IBGE, 2004, p. 2). E quando a citação direta tem mais de três linhas? O texto citado é digitado sem aspas, em parágrafo próprio, recuado a 4 cm da margem esquerda, sem recuo de parágrafo na primeira linha, em letras tamanho 11, sem destaques (negrito, itálico etc.) e com entrelinhamento simples. Deve-se deixar uma linha de espaçamento em branco (tamanho 12 e entrelinhamento 1,5) antes e depois desse parágrafo. Observe os exemplos abaixo: Autor pessoal incluído na sentença (ver Exemplo 1) e Autor pessoal entre parênteses (ver Exemplo 2). Exemplo 1 Para Alves (1992, p. 50), Uma teoria científica tem sempre a pretensão de oferecer uma receita universalmente válida, válida para todos os casos. Esta experiência de universalidade tem a ver com a exigência de ordem [...]. Exemplo 2 Observa-se que Uma teoria científica tem sempre a pretensão de oferecer uma receita universalmente válida, válida para todos os casos. Esta experiência de universalidade tem a ver com a exigência de ordem [...]. (ALVES, 1992, P. 50). 58 O que é citação de citação? É o famoso apud (ou citado por). É a citação direta ou indireta de um texto, a cuja obra original não se teve acesso. É quando você toma emprestado de um livro ou autor uma citação que está no texto desse autor. É uma “carona”. Deve ser evitada ao máximo! Somente se usa em casos que a obra original esteja esgotada, indisponível ou em outra língua. Autor pessoal dentro do parágrafo Indiretas Polya (apud LAVES, 1992) afirma que é tolo responder uma questão que você não entende. Diretas até três linhas Kuhn (apud ALVES, 1992, p. 50), afirma que “nenhum outro sistema antigo foi ta bom.” Diretas com mais de três linhas Kuhn (apud ALVES, 1992, p. 50), afirma que Em relação às estrelas, a astronomia ptolomaica é ainda largamente usada hoje, como aproximação; em relação aos planetas, as predições de Ptolomeu eram tão boas quantos as de Copérnico. Autor pessoal entre parênteses Indiretas A mesma coisa ocorre na ciência, pois a transformação social vem em ondas impulsionadas pela globalização (GIDDENS apud ALVES, 1992). Diretas até três linhas Ocorre na ciência “a mesma coisa, pois a transformação social expande-se por ondas planetárias [...]” (GIDDENS apud ALVES, 1992, p. 15). Diretas com mais de três linhas A validade Do meu conhecimento acerca da vida cotidiana é simplesmente aceita, sem qualquer dúvida, até que aparece um problema que não pode ser resolvido segundo suas instruções. (BERGER; LUCKMANN apud ALVES, 1992, p. 49) TEXTO COMPLEMENTAR: Cartilha: nem tudo que parece é: entenda o que é Plágio http://www.proppi.uff.br/portalagir/sites/default/files/cartilha_autoria__digital.pdf LEITURA RECOMENDADA: ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico: Elaboração de Trabalhos na Graduação. São Paulo: Atlas, 2003. 59 DEMO, Pedro. Metodologia Científica em ciências sociais. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 1995. LAVILLE, C.; DIONE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Belo Horizonte: UFMG; Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1992. SILVA, José Maria; SILVEIRA, Emerson Sena. Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: normas e técnicas. Juiz de Fora: Juizforana, 2002. 60 AULA 07: A Estrutura e a Forma dos Trabalhos Acadêmicos: As Referências Bibliográficas e a Digitação dos Trabalhos Acadêmicos (Normas Técnicas). OBJETIVOS: * Abordar as regras da ABNT para a formatação do trabalho acadêmico no que se refere à construção das referências bibliográficas; * Mostrar a importância da elaboração correta das referências bibliográficas das fontes de estudo; *Caracterizar os diferentes tipos de referências bibliográficas, operacionalizando seu uso na construção dos variados trabalhos acadêmicos; * Apresentar os elementos essenciais para a digitação dos variados trabalhos acadêmicos através da exemplificação dos mesmos. CONTEÚDO: CONSTRUINDO AS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... O que é Referências Bibliográficas ou Bibliografia? É a relação de livros, artigos e outras fontes do trabalho acadêmico. A referência das fontes pode aparecer em 3 momentos: Em lista de referências; usadas ao final das monografias, dissertações, projetos e artigos científicos; No rodapé; utilizado mais como complementação de informações acerca do assunto e/ou idéia tratados em uma página específica. Remete o leitor às obras que aprofundam mais o tema em questão. Não dispensa, contudo, a montagem da lista final das fontes. No fim de texto ou de capítulo. Se for usado o sistema alfabético, usar as seguintes regras: A lista começa pelo ultimo nome do autor e organizada por ordem alfabética Alinhamento a esquerda; Na mesma referência, o espaço é simples, e a mudar de linha, inicia-se pela margem; O que as referências devem conter? As informações essenciais das fontes consultadas (elementos obrigatórios) e, opcionalmente, as informações complementares (elementos que ajudam a melhor caracterizar a obra referenciada). OBSERVAÇÃO IMPORTANTE! A lista das fontes deve estar padronizada, ou seja, se é acrescentado algum elemento complementar em uma referência, TODAS as demais devem também conter tal informação, se for adequada a elas. Por exemplo, o número de páginas de um livro, que podem se aplicar a todos os livros da lista. O que se recomenda? Apenas o uso dos elementos essenciais. De modo geral, as informações essenciais (de uso obrigatório) e complementares (de uso opcional) devem figurar, nas referências, na seguinte ordem: 61 Os exemplos de referências que se encontram a seguir não pretendem esgotar as possibilidades das fontes existentes. Os exemplos são apenas indicativos, podendo e devendo, inclusive, ser utilizados e adaptados aos diferentes tipos de referências. 1 - Livros, enciclopédias, dicionários, manuais, guias, catálogos, teses de doutorado, dissertações de mestrado etc. Os elementos essenciais são: autor (sobrenome em letras maiúsculas, resto em letras normais, separado por vírgula), título (em negrito) e subtítulo (se houver, separado por dois pontos sem negrito) edição (só aparece a partir da segunda, e é abreviada somente por pontos), cidade (local), editora e ano.Observações: A ABNT (2002a) inclui o subtítulo entre os elementos complementares. Mas ele pode ser considerado uma extensão do título. No caso da editora, pessoa física ou jurídica responsável pela publicação da obra, não é necessário incluir a palavra editora, a não ser que ela faça parte do nome da instituição responsável. O ano da edição de ser o ano da obra que é efetivamente utilizada pelo estudante e/ou pesquisador. Quando não se identificar o local, no lugar dele, coloca-se a expressão: (S. l.), ou seja, sine loco, sem local. Exemplos práticos: Livro em papel impresso: ZACARIAS, Rachel. Consumo, lixo e educação ambiental: uma abordagem crítica. Juiz de Fora: Feme, 2000. Livro Online com autoria pessoal identificada: LOUREIRO, C. Educação ambiental crítica: princípios teóricos e metodológicos. Rio de Janeiro: Hotbook, 2002. Disponível em: <www. hotbook.com. br>. Acesso em: 10 set. 2009. Livro Online com autoria identificada: entidade: SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Entendendo o meio ambiente. São Paulo, 1999. v. 1. Disponível em: <http://www.bdt.org.br/sma/entendendo /atual.htm>. Acesso em: 8 mar. 1999. Observações: Colocar sempre a expressão: “Disponível em:”, seguida do endereço eletrônico específico (do texto, não pode ser o endereço geral, tipo google.com) sem destaque nenhum e sem estar na forma de link, em seguida a expressão: “Acesso em:”, seguida da data. 2 – Partes de livros: quando se pega um capítulo ou um trecho para ser citado. Elementos essenciais: do autor do capítulo ou da parte (sobrenome em letras maiúsculas, resto em letras normais, separado por vírgula); título da parte ou do capítulo; a expressão “In” referenciando de onde a parte foi extraída; autor ou ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 15. ed. São Paulo: Brasiliense, 1992. 62 organizador do livro um livro organizado(mesma regra de autoria); título do livro (em negrito) e subtítulo (se houver, separado por dois pontos sem negrito) edição (só aparece a partir da segunda, e é abreviada somente por pontos); cidade (local); editora e ano. Em papel impresso: SAMPAIO NETO, P. de A. A identidade nacional. In: FIORIM J. L. (Org.). Estado desenvolvimentista. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 415-447. Partes de livro Online: SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Tratados e organizações ambientais em matéria de meio ambiente. In: ______. Entendendo o meio ambiente. São Paulo, 1999. v. 1. Disponível em: <http://www.bdt. org.br/sma/entendendo/atual. htm>. Acesso em: 8 mar. 1999. Observações: a) Se o autor do capítulo for também o organizador do livro, substitui-se o nome do organizador por seis caracteres de traço sublinear (6 toques), cuja função é substituir o nome repetido mantendo-se, logo a seguir, a expressão “(Org.)”. b) O sobrenome composto deve ser todo ele transcrito em letras maiúsculas; c) A expressão “(Org.)” esclarece a responsabilidade intelectual pela organização do livro; d) O título do livro é que deve estar em negrito e não o título do capítulo; e) É necessário informar, após o ano, a paginação onde se encontra o capítulo. 3 - Partes de dicionários. Elementos essenciais: autor do verbete (sobrenome em letras maiúsculas, o resto em letras normais); nome do verbete; expressão In, autor-organizador ou autor-editor do dicionário ( mesmas regras de autorias de livro), título do dicionário (em negrito), edição, local, editora e data. Dicionários em papel impresso: HOLANDA FERREIRA, Aurélio Buarque de. Turismo. In: ______. Novo dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975. p. 1421. Dicionário Online: POLÍTICA. In: DICIONÁRIO da língua portuguesa. Lisboa: Priberam informática, 1998. Disponível em: <http://www.priberam.pt/dlDLPO>. Acesso em: 8 mar. 1999. 4 - Dissertações, teses e trabalhos de conclusão de curso. Elementos essenciais: autor (mesmas regras pra livros); título (negrito); subtítulo se houver (sem negrito); ano da defesa; número de folhas, tipo de produção (tese, FIORI, J. Estado e desenvolvimento. In: ______ (Org.). Estados e moedas no desenvolvimento das nações. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 49-85. 63 dissertação ou monografia); entre parêntesis a área da produção, depois a universidade ou faculdade, local e ano. Em papel impresso: SENA, José. Universalidade cristã? Análise do discurso do papa Bento XI. 2002. 175 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Religião) – ICH, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2002. 5 - Folhetos. Geralmente são normas e/ou orientações cuja impressão e distribuição são de responsabilidade da entidade organizadora (manual do aluno, manual de vestibular, manual de orientação aos turistas, entre outros, são exemplos). Em papel impresso: IBICT. Manual de normas de editoração do IBICT. Brasília, DF, 1993. 6 - Publicações periódicas: Jornais e revistas – científicas e informativas (artigos científicos, editoriais, matérias jornalísticas, seções, reportagens etc.). 6.1 Partes de revistas. Os elementos essenciais são: autor do artigo (editorial etc.; com sobrenome em letra maiúscula e resto em letra normal); título do artigo; nome da revista (em negrito), cidade em que ela é publicada; volume; número; página inicial e final do artigo; data (como são publicações periódicas, coloca-se o período: semestral quadrimestral etc.) Científicas em papel impresso: RIVER, L. O mundo dos Adventistas: abordagens. Numen, Juiz de Fora, v. 3, n. 3, p. 135-149, jan.- jun. 2000. Científicas online: SENA, Emerson. A identidade cultural do catolicismo. Rever, São Paulo, n. 3, 2009. Disponível em: <http://www.pucsp. br/rever>. Acesso em: 22 set. 2009. Informativas em papel impresso: matéria com autoria: CARE, Gabriela. O Brasil não-imperialista. Veja. São Paulo, ano 38, n. 7, p. 74-77, 19 fev. 2009. Informativas online (matéria com autoria): SILVA, Expedito; CAMARO, Gerson. O governo está em alta. Época, São Paulo, n. 256, 14 abr. 2003. Disponível em: <http://www.epoca. com.br>. Acesso em: 17 abr. 2003. Informativas em papel impresso com matéria sem autoria Pela impossibilidade de se identificar o autor da matéria, a referência foi iniciada com o título, sendo a primeira palavra digitada em letras maiúsculas. 64 BARRIGUDOS pela bolsa. Veja. São Paulo, ano 36, n. 7, p. 56, 19 fev. 2003. Informativas online: matéria sem autoria: A CORÉIA DO NORTE como problema. Veja, São Paulo, ano 36, n. 7, 19 fev. 2003. Disponível em: <http://www.veja.com.br>. Acesso em: 25 fev. 2003. Observar: a) o nome das editoras das revistas informativas deve ser copiado de seus créditos da forma que lá estiver escrito (Ed. Três, Editora Abril etc.); b) quando a numeração da revista começar e terminar em um mesmo ano, ano também deve ser informado. 6.2 Parte de Jornais. Elementos essenciais: autor do artigo (editorial etc.; com sobrenome em letra maiúscula e resto em letra normal); título do artigo ou reportagem; nome do jornal tal como grafado (negrito), cidade; data; caderno ou sessão, página. Em papel impresso: matéria com autoria: SARA. Silvia. Os ateus do Estado. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 set. 2001. Guerra na América, Especial, p. 8. Online: matéria com autoria: SARA. Silvia. Os ateus do Estado. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 set. 2001. Guerra na América, Especial, p. 8. Disponível em: <http:// www.folha. com.br>. Acesso em: 19 set. 2001. Em papel impresso: matéria sem autoria: UNESCO cria fundo cultural para Iraque. Folha de S. Paulo, São Paulo, p. A 10, 18 abr. 2003. Online: matéria sem autoria: UNESCO cria fundo cultural para Iraque. Folha de S. Paulo, São Paulo, 18 abr.2003. Disponível em: <http://www.folha.com.br>. Acesso em: 18 abr. 2003. De modo geral, edições de jornais com uma só temática são muito raras. Números temáticos ou especiais são mais comuns nos jornais alternativos, de pequena circulação. Quando se referenciam jornais no todo, o título, em letras maiúsculas, deve ser sempre o primeiro elemento da referência. 7 - Eventos. O produto final do evento (atas, anais, resultados, proceedings etc.) reúne os documentos diversos apresentados durante sua realização. São todos essenciais os elementos presentes nos exemplos sugeridos a seguir. Partes de eventos. Elementos essenciais: autor do artigo, comunicação ou trabalho que consta nos anais ou registros do evento; título; expressão “In:”, tíutlo do evbto em letras em letras maiúsculas; número, seguido de ponto, após o nome do evento, quer 65 dizer que edição do encontro; ano e a cidade, referem-se ao ano e local de realização do evento; título do documento, negritado e seguido por reticências (procedimento abreviativo); local, responsabilidade e data de publicação do produto final do evento. Exemplos: Em Papel impreso: SILVA, J. M. da; SILVEIRA, E. S. da. Globalização, segmentação de mercado e o turismólogo. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE TURISMO DA REDE MERCOCIDADES, 4., 2002, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: Rede Mercocidades, 2002. p. 16-30. Online: SILVA, R. N.; OLIVEIRA, R. Os limites pedagógicos do paradigma da qualidade total na educação. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPe, 4., 1996, Recife. Anais eletrônicos... Recife: UFPe, 1996. Disponível em: <http://www.propesq.ufpe.br/anais/anais/educ/ce04.htm>. Acesso em: 21 jan. 1997. 8 - Documentos jurídicos. São as legislações, jurisprudências (decisões judiciais) e doutrinas (interpretação dos textos legais). Os elementos essenciais estão na ordem dos exemplos abaixo: 8.1 Legislações: Constituição em papel impresso: BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988. Códigos em papel impresso: BRASIL. Código civil. 48. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. Decreto estadual em papel impresso: MINAS GERAIS. Decreto nº 42.822, de 20 de janeiro de 2008. Lex: coletânea de legislação e jurisprudência, Minas Gerais, v. 45, n. 4, p. 213-220, 2008. Decreto federal em papel impresso: BRASIL. Decreto-lei nº. 5.452, de 1 de maio de 1943. Lex: coletânea de legislação: edição federal, São Paulo, v. 7, p. 234, 1943. Medida provisória em papel impresso: BRASIL. Medida provisória nº 1569-9, de 11 de dezembro de 1997. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 14 dez. 1997. Seção 1, p. 29514. 8.2 Jurisprudências (súmulas, enunciados, acórdãos, sentenças e demais decisões judiciais): Súmulas em papel impresso: BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula nº 14. In: ______. Súmulas. São Paulo: Associação dos Advogados do Brasil, 1994. p. 16. 66 Súmulas online: BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula nº 14. Não é admissível, por ato administrativo, restringir, em razão de idade, inscrição para concurso em cargo público. Disponível em: <http://www.truenetm.com.br/jurisnet/sumusSTF.html>. Acesso em: 29 nov. 1998. 8.3 - Doutrinas em papel impresso. Inclui toda e qualquer discussão técnica sobre questões legais. A sua referência deve acompanhar as regras do tipo de publicação em que estiverem inseridas (monografias, artigos de periódicos, papers (pequeno texto- resumo do que vai ser apresentado) etc.). BARROS, Raimundo Gomes de. Ministério Público: sua legitimação frente ao Código do Consumidor. Revista Trimestral de Jurisprudência dos Estados, São Paulo, v. 19, n. 139, p. 53-72, ago. 1995. 9 - Imagem em movimento. Os elementos essenciais são: título, diretor, produtor, local, produtora, data e especificação do suporte. Filmes. Em cinema CENTRAL do Brasil. Direção: Walter Salles Júnior. Produção: Martire de Clermont-Tonnerre e Arthur Cohn. [S. l.]: Le Studio Canal; Riofilme; MACT Productions, 1998. 1 bobina cinematográfica. 10 - Documentos iconográficos. Incluem pinturas, gravuras, ilustrações, fotografias, desenhos técnicos, diapositivos (slides, por exemplo), diafilmes, materiais estereográficos, transparências, cartazes etc. Os elementos essenciais são: autor, título (quando não existir um título, atribui-se uma denominação ou acrescenta-se a expressão [Sem título] entre colchetes), data e especificação do suporte. Fotografias em papel: KOBAYASHI, K. Doença dos xavantes. 1980. 1 fotografia, color., 16 cm x 56 cm. Fotografias em jornal: FRAIP, E. Amílcar. O Estado de São Paulo, São Paulo, 30 nov. 1998. Caderno 2, Visuais. p. D2. 1 fotografia, p&b. Foto apresentada no projeto ABRA/Coca-cola. Fotografias em CD-ROM: LOPES, E. L. V. Memória fotográfica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Prefeitura Municipal. 1 fotografia, p&b. 1 CD-ROM. 67 Fotografias online: STOCKDALE, René. When’s recess? [2002]. 1 fotografia, color. Disponível em: <http://www. webshots.com/g/d2002/1nw/20255.html>. Acesso em: 13 jan. 2001. 11 - Documentos sonoros: Incluem os discos, CDs, cassetes, rolos etc. Os documentos sonoros considerados no todo devem ser referenciados com os seguintes elementos essenciais: compositor(es) ou intérprete(s), título, local, gravadora (ou equivalente), data e especificação do suporte. Partes de CDs COSTA, S.; SILVA, A. Jura secreta. Intérprete: Simone. In: SIMONE. Face a face. Rio de Janeiro: Emi-Odeon Brasil, 1977. 1 CD. Faixa 7. DIGITAÇÃO DOS TRABALHOS ACADÊMICOS: Exemplificações Gerais e aplicadas caso a caso... As exemplificações a seguir seguem como ilustrações. Considere-se os exemplos a seguir, que estão a título de ilustração, dentro do padrão de margem, folha, tamanho de letra trabalhados no item digitação de trabalhos acadêmicos. Todas as páginas devem possuir o seguinte padrão de margens. As margens superior e esquerda devem ser formatadas com 3 cm, enquanto a inferior e a direita, com 2 cm. 3 cm 25 3 cm 2 cm 2 cm 3 cm 68 1 - Capa – Obrigatória: Monografias, Projetos, Relatórios e Trabalhos em geral: FACULDADES DOCTUM DIREITO Mariana Ayres Souza O DIREITO EMPRESARIAL NA DÉCADA DE 1990: Abordagem hermenêutica dos pressupostos jurídicos Juiz de Fora 2009 a) Todos os elementos devem estar centralizados e ser proporcionalmente distantes. Instituição e faculdade (opcional): maiúsculas e negrito, entrelinhamento 1,5. Autor: maiúsculas e negrito, espaço 1,5. Título: maiúsculas e negrito, subtítulo: letras normais e negrito; ambos com espaço 1,5. Cidade e ano: letras normais, entrelinhamento simples, sem negrito. b) O espaço deve ser PROPORCIONAL entre todos os elementos. c) Se houver mais de um autor, digitar os nomes com simples. O espaço entre a data e o também é simples. d) Teses e dissertações de doutorado cumprem as mesmas regras aqui expostas. e) A página não é contada e nem numerada. ATENÇÃO: O tamanho da fonte é SEMPRE 12, exceto: notas de rodapé, citação diretas com mais de 3 linhas, numeraçãoda página e legendas de tabelas e quadros. 2 - Folha de Rosto – Obrigatória - Monografias, Projetos, Relatórios e Trabalhos em Geral: 69 FACULDADES DOCTUM DIREITO Mariana Sodré Ayres O DIREITO EMPRESARIAL NA DÉCADA DE 1990: Abordagem hermenêutica dos pressupostos jurídicos Monografia apresentada ao Curso de Direito - Faculdade do Sudeste Mineiro. Orientador: Prof. Dr. Reinaldo Henrique de Macedo Juiz de Fora 2009 As mesmas regras da capa, exceto duas coisas: a) o subtítulo, neste caso, fica sem negrito; b) a nota de apresentação, sem recuo de parágrafo, entre o título/subtítulo e local/data, canto direito, letras normais, alinhamento justificado, sem negrito, espaço simples; c) A página é contada, mas não é numerada; d) algumas instituições pedem a ficha catalográfica, que deve ser confeccionada segundo o Código de Catalogação Anglo-Americano vigente. É responsabilidade da biblioteca a disponibilização da ficha catalográfica. 3 - Folha de Aprovação – Obrigatória para Monografias e Relatórios: 70 Mariana Sodré Ayres O DIREITO EMPRESARIAL NA DÉCADA DE 1990: Abordagem hermenêutica dos pressupostos jurídicos Monografia apresentada ao Curso de Direito das Faculdades Doctum, aprovada pelos seguintes examinadores: Prof. Dr. Francis Silva José (Orientador) Faculdades Doctum de Juiz de Fora Profa. Ms. Mariana Silveira Faculdades Doctum de Guarapari Prof. Dr. Aline Silva Galvão Universidade Federal de Juiz de Fora Juiz de Fora 15 / 10 / 2009 a) Autor: centralizado, tamanho 12, negrito, letras normais, espaço 1,4. b) Título principal: negrito, centralizado, maiúsculas, espaço 1,5. Subtítulo secundário: letras normais, negrito, centralizado, espaço 1,5. c) Nota de apresentação: espaço simples, alinhamento justificado, sem recuo de parágrafo, recuo esquerdo de mais ou menos 8 cm. d) Os nomes dos examinadores: centralizados, constando a titulação (Dr. ou Ms.) e suas respectivas instituições (com 1 linha em branco de espaço 1,5). e) Local e Data: cidade da defesa e dia/mês/ano com letras normais, centralizados, sem negrito. O espaço das linhas entre local e data: 1,5. TODOS os elementos devem ser distribuídos proporcionalmente na página. f) A página é contada, mas não é numerada. 4 - Dedicatória – Opcional – Monografias: 71 Para minhas filhas, Mônica e Luciana, pela compreensão, mesmo que dentro de suas possibilidades, dos meus tempos de ausência. a) Dedicatória: equivale a uma homenagem. b) Texto, sem recuo de parágrafo, digitado em letras normais, justificadas, sem negrito, com espaço 1,5 no canto direito, com recuo de aproximadamente 8 cm. Não se coloca o título Dedicatória. c) A página é contada, mas não é numerada. 5 - Agradecimento - Opcional – Monografias: AGRADECIMENTOS Não foram poucos os que me ajudaram na longa jornada. Ao Prof. Dr. Silva, meu orientador, agradeço o estímulo constante. A professora Vera Lúcia. Minha adorada família. a) O título Agradecimento (s): escrito em maiúsculas, centralizado, negrito, distante 2 linhas em branco da margem superior. b) O texto, sem recuo de parágrafo, digitado na parte inferior da margem, letras normais, alinhamento justificado e espaço 1,5. A página é contada, mas não é numerada. 6 - Modelo de Epígrafe - Somente e opcional para Monografias, Projetos e outros: 72 A verdadeira dificuldade não está em aceitar idéias novas. Está em escapar das idéias antigas. LIBÂNIO O que são os séculos perto do momento em que dois seres se reconhecem e se aproximam? HOELDERLIN a) Pensamentos e idéias retirados de um autor, música, poema, seguidos da autoria. b) Não se coloca o Título Epígrafe. c) O alinhamento é justificado, d) O texto, com recuo de aproximadamente 8 cm, sem recuo na primeira linha, letras normais, justificado, com espaço 1,5; e) Em seguida o sobrenome do autor, letra maiúscula, centralizada; entre uma epígrafe e outra, deixar espaço de 1 linha em branco de espaçamento 1,5. f) A página é contada, mas não é numerada. 7 - Resumo e Palavras-Chave - Obrigatório - Monografias, relatórios (TCC ou TC): RESUMO Pensar as implicações da cultura de consumo e da mídia sobre os atores religiosos populares, a partir do estudo de uma comunidade católico-carismática de estrato popular. Que mediações podem ser encontradas entre os atores religiosos, por meio de suas atividades e, a dimensão das forças midiáticas e do mercado de consumo? Partindo dessa pergunta, constata-se que os fluxos e fronteiras entre mídia, consumo e carismatismo católico colocam em pauta novas formas de hibridação e mediações entre religião (“popular” e institucional) e mundo pós-moderno. PALAVRAS-CHAVE: Midiático-consumerismo católico. Comunidade religiosa. Atores religiosos populares. O resumo é um texto breve, que apresenta ao leitor o tema, o objetivo, o problema, a metodologia adotada e as conclusões. Deve ser digitado: a) Em bloco único, sem parágrafo, espaço simples. O título Resumo, letra maiúsculas, centralizado, negrito. Em seguida, separado do resumo com espaço 1,5, segue o título Palavras-Chave, alinhado à esquerda, letras maiúsculas, negrito. As palavras são separadas por pontos No máximo 250 palavras para monografias e 500 para teses. As palavras-chave são separadas por ponto. Página contada, mas não numerada. A tradução é colocada em página distinta (conta, mas não numera). 73 8 - Resumo e palavras-chave - Traduzido – Obrigatório - Monografias, dissertações e teses (exceto relatórios): ABSTRACT Think the consumption culture implications and of the media about the Popular Religious actors, based in the study of a Charismatic-Catholic Community of popular stratum. What the mediations will to be able to meet between the religious actors and the midiatics force dimension and of the consumption market? Parting this question, the flow and frontier between media, consumption and charismatic catholic put in stave new forms of hibridation and mediation between religion (“popular” and institutional) and pos-modern world. KEY WORDS: Catholic Midiatics-consumption. Religious Community. Popular Religious actors. As mesmas regras do resumo. As línguas mais adotadas são: inglês, francês, espanhol, italiano e alemão. Para teses de doutorado, a tradução é feita para duas línguas. Observe-se que a faculdade deve adotar como padrão uma língua. 9 - Listas: Ilustrações/Tabelas e Quadros/Abreviaturas e Siglas – Opcionais: LISTA DE ILUSTRAÇOES Gráfico 1 – Subida da inflação – 2000- 2006 --------------------------------------------------------- 35 Gráfico 2 – Empréstimos de crédito pessoal - MG -------------------------------------------------- 37 Foto 1 – Banco Popular – Juiz de Fora ----------------------------------------------------------------- 39 a) A ordem das listas é: Ilustrações, Tabelas e Abreviaturas. Se o trabalho possuir essas três listas, todas devem vir em páginas distintas, contadas, mas não numeradas, idem se for apenas uma lista. b) Ilustrações podem ser: gráficos, desenhos, esquemas, fotos, retratos, etc. c) Títulos: letra maiúscula, centralizada, negrito, espaço 1,5, distante da margem superior da lista 2 linhas em branco de espaço e distante do início da lista também 2 linhas em branco de espaço 1,5. d) Indica-se o tipo, seguido de numeração de acordo com o seu aparecimento no texto da monografia, projeto, tese etc., e com a página correspondente. ATENÇÃO! O que estiver escrito na lista deve corresponder ao que está na página do texto; f) Entre cada item, o espaço deve ser de 1,5. g) No texto, a ilustração ou tabela deve aparecer destaforma: 74 De acordo com o IBGE, o gráfico a seguir mostra a história da inflação no Brasil: Gráfico 01 - Subida da inflação – 2000- 2006 Fonte: IBGE, 2006, p. 23 Observe que a legenda deve ter tamanho 11, centralizada, sem negrito, espaço simples, seguida da indicação da fonte, essencial, indicando a página. 10 -Sumário – Obrigatório - Monografias, relatórios, teses e dissertações: SUMÁRIO INTRODUÇÃO ---------------------------------------------------------------------------------------------- 9 1 DIREITO EMPRESARIAL ------------------------------------------------------------------------------- 11 1.1 Histórico do Direito Empresarial --------------------------------------------------------------- 11 1.2 A Codificação do Direito Empresarial --------------------------------------------------------- 16 2 AS LIMITAÇÕES DO DIREITO EMPRESARIAL ------------------------------------------------------ 23 2.1 Os problemas conceituais ----------------------------------------------------------------------- 23 2.2 As limitações práticas ---------------------------------------------------------------------------- 27 3 AS MUDANÇAS RECENTES NO DIREITO EMPRESARIAL ---------------------------------------- 35 3.1 As novas visões do Direito Empresarial ------------------------------------------------------ 35 3.2 Os conflitos de interpretação mais recentes ----------------------------------------------- 40 CONCLUSÃO ------------------------------------------------------------------------------------------------ 50 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS-----------------------------------------------------------53 ANEXOS----------------------------------------------------------------------------------------------55 a) Palavra Sumário: letra maiúscula, centralizado, negrito, 2 linhas de espaço 1,5 em branco antes da margem e depois. Não colocar a palavra capítulo na frente do número. Os números dos capítulos não recebem traço/ponto após e nem são negritados. b) Os títulos principais: maiúsculas, negrito. Os títulos secundários: letras normais, negrito; se tiver terciário, seria letra normal e sem negrito. Espaço ente títulos 75 principais: duplo. Espaço entre as subdivisões do mesmo título: 1,5 ou simples. O alinhamento do sumário: justificado. ATENÇÃO para a ORDEM LÓGICA no SUMÁRIO. É recomendável equilíbrio na distribuição de capítulos e sub-capítulos. Não colocar capítulos com apenas um sub-capítulo ou um capítulo com muitos sub-capítulos. 11 - Sumário – Modelo Obrigatório para Projetos de Pesquisa e outros projetos: SUMÁRIO INTRODUÇÃO ----------------------------------------------------------------------------------------------4 1 OBJETIVOS ------------------------------------------------------------------------------------------------- 5 1.1 Objetivo Geral ----------------------------------------------------------------------------------------- 6 1.2 Objetivos Específicos --------------------------------------------------------------------------------- 7 2 JUSTICATIVA ---------------------------------------------------------------------------------------------- 8 3 REFERENCIAL OU MARCO TEÓRICO ----------------------------------------------------------------- 35 4 PROBLEMAS E HIPÓTESES ----------------------------------------------------------------------------- 35 5 METODOLOGIA ------------------------------------------------------------------------------------------ 35 6 CRONOGRAMA ------------------------------------------------------------------------------------------- 35 REFERÊNCIAS OU BIBLIOGRAFIA ---------------------------------------------------------------------- 35 APÊNDICE – Sumário provisório ----------------------------------------------------------------------- 35 ANEXOS ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 35 12 - Corpo de Texto – Obrigatória a todos os trabalhos acadêmicos: a) Os títulos no corpo do texto devem seguir rigorosamente os títulos que estão no sumário. b) As distâncias entre um título e outro devem ser respeitadas na forma como está no exemplo. c) Os títulos principais sempre iniciam em nova folha, letras maiúsculas, negrito e centralizado. Os títulos secundários letra minúscula, negritos e com alinhamento justificados. d) NUNCA DEIXE DE CITAR FONTES EM SEU TRABALHO. Use o sistema alfabético ou numérico. 76 13 - Modelo de Referências Bibliográficas – Obrigatória – Monografia, artigo, Projeto etc: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARROS, Raimundo Gomes de. Ministério Público: sua legitimação frente ao Código do Consumidor. Revista Trimestral de Jurisprudência dos Estados, São Paulo, v. 19, n. 139, p. 53-72, ago. 1995. BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943. Lex: coletânea de legislação: edição federal, São Paulo, v. 7, 1943. Suplemento. 10 ------------------------------------------------- (limite da margem superior) (2 linhas em branco de espaçamento, após a margem 1,5) INTRODUÇÃO (2 linhas em branco de espaçamento 1,5) O início de uma legislação empresarial pode ser rastreado em 1876, com o surgimento das leis antitrustes nos EUA (SILVA, 2000). Mas para Silveira (2000) é somente a partir da segunda metade do século XX é que a legislação específica irá surgir. (2 linhas em branco de espaçamento 1,5) 1 A ORIGEM DO DIREITO EMPRESARIAL NO BRASIL (2 linhas em branco de espaçamento 1,5) É importante assinalar também que, antes de 1930, a unidade básica de proteção média dava-se no âmbito das empresas, ou seja, possuíam certa autonomia. 77 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula nº 14. Não é admissível, por ato administrativo, restringir, em razão de idade, inscrição para concurso em cargo público. Disponível em: <http://www.truenetm.com.br/jurisnet/sumusSTF.html>. Acesso em: 29 nov. 1998. BRASIL. Medida provisória nº 1569-9, de 11 de dezembro de 1997. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 14 dez. 1997. Seção 1, p. 29514. SILVA, Expedito; CAMAROTTI, Gerson. O governo está em alta. Época, São Paulo, n. 256, 14 abr. 2003. Disponível em: <http://www.epoca. com.br>. Acesso em: 17 abr. 2003. SILVA, J. M. da. A identidade no mundo das religiões. Rever, São Paulo, n. 4, 2001. Disponível em: <http://www.pucsp. br/rever>. Acesso em: 22 fev. 2002. SAMPAIO, Rachel. O direito empresarial no Brasil. São Paulo: Saraiva: Feme, 2000. SÃO PAULO (Estado). Decreto nº 42.822, de 20 de janeiro de 1998. Lex: coletânea de legislação e jurisprudência, São Paulo, v. 62, n. 3, p. 217-220, 1998. a) O título principal: negrito, centralizado e maiúsculas, distante da margem superior 2 linhas em branco de espaço 1,5 e 2 linhas em branco antes do início das referencias. b) A ordem dos sobrenomes: alfabética, no caso. c) As referências bibliográficas: alinhadas à esquerda, sem recuo quando mudarem de linha. d) O espaço entre as linhas da mesma referência é simples, quando se escreve outra referência, o espaço é 1,5. 78 14 - Apêndice/Anexo - Opcional - Monografia e Projetos: ANEXO QUESTIONÁRIO SOBRE MARGINALIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA Prezado (a), esse questionário visa sonda sua opinião sobre alguns temas. Sua identidade será mantida em sigilo e as informações restritas. Por favor, responda com sinceridade e objetividade. Instruções: Anote na casa à direita o número que corresponda ou mais se aproxima. 1) Sexo: 1. Masculino 2. Feminino.2) Estado Civil: 1. Solteiro 2. Casado 3. Viúvo 4. Divorciado 5. União Livre 3) Idade (anos completos) 4) Nível educacional: ___________________________ 5) Renda mensal familiar: 1 S.M. 2 a 4 S.M. a) Título principal centralizado, negrito, caixa alta. Se o projeto também optar por mais de um instrumento como entrevista (aberta, fechada ou semi-aberta) e questionários, é preciso colocar os modelos em anexo. b) Todo questionário deverá conter um cabeçalho explicativo; c) O Apêndice se usa no caso, por exemplo, de textos, cartas e outras estruturas elaboradas pelo autor do projeto ou da monografia. O SUMÁRIO PROVISÓRIO de um projeto é um bom exemplo de Apêndice. Nesse caso, ele só consta da listagem do projeto. LEITURA RECOMENDADA: DEMO, Pedro. Metodologia Científica em ciências sociais. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 1995. GUSTIN, Miracy Barbosa de Souza; DIAS, Maria Tereza Fonseca. Repensando a Pesquisa Jurídica: teoria e prática. 2ª edição. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. 79 LAVILLE, C.; DIONE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Belo Horizonte: UFMG; Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1992. SILVA, José Maria; SILVEIRA, Emerson Sena. Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: normas e técnicas. Juiz de Fora: Juizforana, 2002. 80 AULA 08: A Pesquisa enquanto princípio Científico e Educativo: Horizontes Múltiplos da Pesquisa. OBJETIVOS: * Identificar a relevância da pesquisa científica no processo de construção e reconstrução do conhecimento; * Compreender a responsabilidade do pesquisador diante da sociedade; * Desenvolver habilidades relativas à definição clara de problemas de pesquisa. * Compreender a utilidade das diferentes técnicas de pesquisa e os fatores que influenciam na escolha das mesmas; * Capacitar para o tratamento e interpretação de informações conducentes à solução de problemas, bem como a consolidação de conclusões. CONTEÚDO: Conceito de Pesquisa... Podemos definir a pesquisa como sendo uma ação investigativa que visa levantar, selecionar, analisar/interpretar e comunicar informações sobre um fato, fenômeno ou evento presente na realidade. A pesquisa não deve ser colocada como algo inalcançável ou reservado apenas aos cientistas. O sentido é a busca de um estado ideal, um parâmetro a ser buscado nas instituições e na prática docente. De posse do instrumental simples, a que as metodologias permitem acesso, o aluno pode tornar-se um aluno-pesquisador sistemático e, mais ainda, levar seus colegas a serem alunos-pesquisadores. No entanto, o mais importante é a atitude adotada perante a realidade: Questionar sempre. Por isso: Duvidar e expressar de forma clara suas dúvidas; Não ter medo de questionar suas próprias convicções e crenças, não ter medo de passá-las por sobre o crivo da razão; Não sacrificar a razão para valores outros, seja de que tipo forem... Desarmar-se e despir-se de atitudes “fechadas” e dogmáticas, em outras palavras, estar disponível e abrir-se a outros pontos de vista; “testar” suas crenças sem medo de perder ou de perder-se... Esse levar a pesquisa, a atitude de “testar” suas crenças, significa um convite (inclui a noção de liberdade...) feito ao aluno, mas um convite que pode ser integrado à forma e a maneira como o professor “ministra” o conteúdo de sua disciplina, ou pelo menos determinados tópicos. E aqui a reflexão se dá em torno de como sair dos livros, das fórmulas de amostragem, das imagens, dos questionários para uma prática real. A direção é apontada pela questão do “artesão” intelectual: Aquele que não é um repetidor, mas um produtor, aquele que, conhecendo as diversas estratégias: elabora caminhos próprios ao caminhar. Por isso, a pesquisa é emancipação, é ser “dono de seu próprio intelecto”; 81 Trás liberdade e, segundo Demo (2001, p. 51), “sem pesquisa não há verdadeira aprendizagem”. Horizontes Múltiplos da Pesquisa... Tipologia de alguns tipos de Pesquisa: Repare que a figura aponta a existência de dois tipos básicos de pesquisa: A Pesquisa acadêmica, ou seja, aquela desenvolvida no âmbito da faculdade e que objetiva debater a teoria, aplicar um modelo teórico, investigar de forma ampla a realidade; A Pesquisa de Mercado, que objetiva sondar opiniões, verificar tendências, levantar dados para o lançamento de produtos etc. A diversificação dos tipos de pesquisa é enorme e com reflexos para a metodologia. Por isso, é comum ouvir: • Pesquisas de mercado; • Pesquisas de marketing; • Surveys ou pesquisas quantitativas; • Pesquisa longitudinal (de longo período); • Pesquisa clínica e Pesquisa social. Pesquisa incidental Pesquisa de tendência Pesquisa por painel Enquetes Pesquisas de opnião Surveys Pesquisa de Mercado Problema Hipótese Métodos Projetos de pesquisa Problema Hipótese Métodos Monografias Problema Hipótese Métodos Teses e dissertações Pesquisa Acadêmica Pesquisa Construção do conhecimento 82 É necessário, porém, retomar os princípios básicos e perceber que, para além dessas divisões, o fundamento das pesquisas é comum, especialmente no tocante às estratégias, cujo emprego correto e adequado deve se constituir preocupação central do aluno. E a divisão básica dos tipos de pesquisa está relacionada à sua função. Pesquisa básica: base da investigação acadêmica, presente nas fases iniciais da academia (a pesquisa que dará origem ao TCC é um bom exemplo). Pesquisa aplicada: visa ao aprofundamento de um determinado tema de uma área científica específica (por exemplo, a pesquisa sobre remédios) com o desenvolvimento de PRODUTOS e PROCESSOS tecnológicos, sociais e culturais. A pesquisa como princípio educativo: Em sua condição de principio educativo a pesquisa é instrumento por meio do qual, tanto se ensina, quanto se aprende, pois a prática educativa pressupõe uma série de saberes ou exigências, dentre os quais se destaca a pesquisa, afinal ensinar no século XXI é educar pela pesquisa, é promover espaços de diálogos entre o já constituído e o que precisa ser construído (ou reconstruído). Educar pela pesquisa é desenvolvermos o questionamento reconstrutivo, essencial à prática educativa que deve estar sempre a serviço da emancipação humana. (BEAUCLAIR, 2008). A pesquisa como princípio científico: Já dissemos que a pesquisa é o principal elemento norteador da produção do trabalho científico. Logo, Pesquisar é o mesmo que buscar ou procurar resposta para compreensão de algum fato, fenômeno ou evento da realidade, por isso, é ação investigativa. Contudo, em se tratando de Ciência essa ação é o caminho para se chegar à elaboração do conhecimento científico. È, pois, no desenvolvimento dessa ação que se dá a utilização de diferentes instrumentos para se atingir o objetivo proposto. Esses instrumentos serão definidos pelo próprio pesquisador para atingir os resultados ideais. A pesquisa pode contar com importantes instrumentos auxiliares na construção do conhecimento: entrevista, questionário, análise de discurso etc. Em relação às metodologias de análise, a pesquisa pode ser: Qualitativa: visa à interpretação do problema, do fato, do objeto; Quantitativa: visa a mensurar numérica ou estatisticamente os fenômenos. Níveis de Pesquisa... Santos (2004, p. 25) fornece TRÊS critérios para identificar a natureza metodológicados trabalhos de pesquisa: 1 – Objetivos; 2 - Procedimentos de coleta; 83 3 - As fontes. Objetivos Procedimentos de coletas Fontes de informações Exploratórias Descritivas Explicativas Experimental Levantamento de informações Estudo de caso Bibliográfica Documental Pesquisa-ação; participante Laboratorial/Arquivista Campo Bibliografia Assim, segundo esses critérios, de um modo geral, podem-se enumerar alguns tipos básicos de pesquisa. Pesquisa bibliográfica e documental: Dentro os tipos de pesquisa, há dois dos mais fundamentais: a bibliográfica, sobre fontes escritas e a documental, sobre documentos de modo geral. Aluno deve lançar mão desses dois tipos, auxiliado por metodologias de interpretação e análise dos dados. 1 - Pesquisa bibliográfica: Essa pesquisa consiste no “conjunto de materiais escritos/gravados, mecânica ou eletronicamente, que contêm informações já elaboradas/publicadas por outros autores” (SANTOS, 2004, p. 29). Essas informações podem estar em livros (comuns ou dicionários), periódicos (revistas, jornais), fitas de áudio e vídeo, internet. Qualidade das Fontes de Pesquisa... Fonte de pesquisa é todo o material que nos conecta direta ou indiretamente, ao tema e objeto pesquisado, ou seja, o material no qual se coletam dados e obtêm-se informações. As fontes primárias podem ser de ordem material: atas, ofícios, cartas, telegramas, relatórios, canções, fotografias, entrevistas, filmes, inventários, testamentos, processos criminais, revistas, objetos de arte, utensílios domésticos, etc, e “não-material”: memória. É importante escolher bem o material, ou seja, as fontes do qual se servirá o pesquisador, levando em conta sua qualidade de conservação e pertinência de informações sobre o tema ou objeto. Com relação às fontes pesquisadas, é preciso distinguir qualidade e tratamento. Quanto à qualidade: O formativo: fornece conceitos/categorias para se analisar o material de pesquisa (fundamento ou referencial teórico). Encontra-se em revistas consideradas acadêmicas e científicas, bem como livros embasados em métodos científicos e legitimados pela comunidade acadêmica; O informativo: é aquele que vai fornecer apenas informações e dados sobre o fato/fenômeno a ser investigado. Aqui estão as revistas semanais como Veja e outras. 84 Uma crítica que pode muito bem ser feita é sobre a maneira como elas divulgam resultados e descobertas científicas (dá para fazer uma boa pesquisa sobre isso...) Quanto ao tratamento: Primário: escritos e documentos originais, ou seja, que foram escritos diretamente pelo autor (obviamente um professor-pesquisador, professor, intelectual da área) tomado como referência; Secundário: escritos e documentos de autores originais comentados por seguidores ou outros intelectuais que querem apresentar o pensamento e as idéias do autor original; Terciário: são comentários dos comentários – aqui, a possibilidade de distorção das idéias é muito alta e, portanto, esse nível deve ser evitado. No entanto, é esse o nível que acaba sendo usado em muitas salas de aula... ATENÇÃO! Opte sempre por fontes primárias. Recorra às fontes secundárias apenas em caso de necessidade. Para uma boa pesquisa bibliográfica, deve-se classificar as fontes e selecionar os textos de acordo com critérios específicos: a) “cientificidade” (a fonte e os textos realmente passam pelo crivo exigido pelas ciências?); b) representatividade (as fontes e textos escolhidos são realmente representativos do assunto, da área, do tema?); c) abrangência (as fontes e textos “cobrem” de fato os principais pontos da área, assunto, tema?). 2 - Pesquisa documental: É aquela que toma por base fontes e dados que não “receberam organização, tratamento analítico e publicação” (SANTOS, 2004, p. 29). E aqui, o repertório é muito vasto: a) Cartas, Relatórios; b) Documentos arquivados em órgãos públicos, associações e sindicatos, tais como fichas de trabalho, de óbito, de filiação partidária; c) Diários, Fotos, Imagens e outros. Uma nova realidade... Pesquisas em Ambiente Virtuais: O advento da Internet e a chamada "sociedade da Informação" no fim do século XX tiveram seu impacto sobre as pesquisas em ambientes virtuais; A sociedade da informação: conseqüência da aceleração do desenvolvimento de novas tecnologias, do processo de produção e disseminação do conhecimento e informações, redução dos custos operacionais e aumento da velocidade da transmissão de dados; Houve a proliferação de sites e portais divulgando informações, de páginas pessoais a portais de fofocas, passando por repositórios de notícias, trabalhos acadêmicos e informações oficiais. 85 Estimativas apontam que mais de 500 bilhões de documentos estejam disponíveis na Internet, distribuídos em mais de 138 milhões de domínios registrados somente até 2007. Desta data em diante, milhares de sites deixaram de existir, outros milhares de documentos foram anexados e a cada dia, cresce o número de informações circulando. Junto a isso, há dois grandes problemas: Os documentos disponíveis não são lineares, ou seja, as páginas apresentam ligações (links) para outras páginas com outras informações que podem apresentar mais ligações com outras páginas, num processo interminável; Nem sempre o resultado da pesquisa aponta para o documento em si e sim para alguma página que indica onde a informação está. Apesar de ser ainda bem grande o preconceito em meio acadêmico com relação às fontes de pesquisas eletrônicas, o espaço a ser pesquisado é muito vasto e está em constante atualização. Por isso, é importante: Saber pesquisar e avaliar as fontes disponíveis, o que é fundamental para se conseguir identificar as informações mais relevantes; As informações estão publicadas em diversos locais, portanto, encontrá-las dependerá de como será formulada a pesquisa e definido o tipo de item a ser encontrado - imagem, som, texto, arquivo. Mecanismos de busca na Internet Em princípio, uma página de busca (Google, Yahoo, Altavista, entre outros) funciona como um catálogo de Biblioteca, com a diferença de não haver um padrão de palavras-chave ou um tesauro com termos a serem pesquisados, requerendo maior critério na escolha das palavras utilizadas. Existem alguns tipos básicos de páginas de busca: os que utilizam “robôs” (um programa que fica percorrendo a Internet pesquisando documentos novos para serem armazenados em um banco de dados) e os que utilizam diretórios e catálogos (possuem uma equipe de busca, cadastro e organização das páginas - fornecendo resultados organizados e uma busca "filtrada"). Os “metabuscadores” (buscadores de buscadores), trabalham acessando diversos bancos de dados simultaneamente na busca de respostas aos termos solicitados. A Internet apresenta buscadores específicos: Verticais e Temáticos. Para uma pesquisa mais simples, os sites de busca atendem prontamente, porém, quando se tratar de uma pesquisa acadêmica que requeira informações mais precisas e de maior credibilidade, deve-se reportar aos sites de entidades governamentais que apresentam dados e informações oficiais como: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Prefeituras, estados e Governo Federal com seus ministérios e secretarias (endereços governamentais OFICIAIS normalmente apresentam a extensão: “gov”). 86 Para uma boa pesquisa em ambiente virtual: Pesquisar nas bibliotecas digitais, como a "Domínio Público"; Pesquisar em repositórios específicos para publicações científicas, principalmente artigos de periódicos, teses e dissertações em todas as áreas do conhecimento.Muitos têm acesso livre, disponibilizando os resumos e os textos completos; Como exemplo de sites que disponibilizam informações científicas no Brasil temos os portais "Periódicos" e "Banco de Teses" da CAPES, "Scielo.com" (da FAPESP, BIREME e CNPq), "BDTD" (da USP/IBICT), "OASIS.Br" do IBICT (comentados mais adiante), que apresentam itens em todas as áreas do conhecimento publicados em periódicos e instituições de diversos países; Além destes, existem também uma série de repositórios e sites especializados em algumas áreas como: Educação (BVE do INEP - bve.cibec.inep.gov.br), Tecnologia, Saúde (BVS/Scielo - www.bireme.br), Direito (BDJur/STJ - bdjur.stj.gov.br), Comunicação (REPOSCOM - reposcom.portcom.intercom.org.br), Psicologia (PePSIC - pepsic.bvs-psi.org.br), entre outros. O que NÃO POSSO DEIXAR de observar numa pesquisa virtual on line? As informações fornecidas pelo próprio site e/ou e-mail, por exemplo, nome completo, domínio, entidade, referências utilizadas. Dificilmente um “blog” de um anônimo será a fonte inicial para a divulgação da cura do câncer, ou de uma nova tecnologia; Verificar o tipo e o perfil da fonte: agência de notícias, site pessoal, de fofocas, portal especializado, um blog (anônimo ou de autoridade), um fórum de discussão, repositório de trabalhos acadêmicos, biblioteca digital, site de instituição de ensino e/ou pesquisa, órgão governamental, institucional ou de empresa especializada no ramo pesquisado; Observar a data de publicação da informação e de atualização do site (indicadores de atualidade e manutenção da fonte encontrada). Com o aumento desse tipo de material e de pesquisas acadêmicas na Internet, foram desenvolvidas ferramentas de busca específicas para literatura acadêmica, por exemplo: a) OpenDOAR (indica o endereço dos repositórios digitais de acesso livre no mundo todo); b) Microsoft Live Search Academic; c) Google Scholar (em português: www.scholar.google.com), bastante útil; Existe também uma série de outros portais de pesquisa acadêmica e repositórios, mas de acesso restrito aos professores e alunos de determinadas instituições cadastradas. Dentre essas fontes de informação cooperativas, ressalva seja feita a Wikipédia (www.wikipedia.org), uma enciclopédia de conteúdo livre, construída continuamente. Seu site é hospedado e financiado pela Wikimedia Foundation (organização norte- 87 americana sem fins lucrativos), uma organização cujo objetivo é desenvolver projetos de conteúdo livre em diversos idiomas, através do sistema colaborativo, tendo seus conteúdos disponibilizados ao público livre de encargos financeiros. O conteúdo é desenvolvido por voluntários a partir da diretriz de verificabilidade, com a não incorporação de pesquisas inéditas, impedindo que os famosos “hoaxes” (“lendas da internet”) tenham destaque em sua página, uma vez que todos os itens publicados podem ser conferidos. As informações não verificáveis estão sujeitas à remoção (o que não a torna "infalível", mas confiável). TEXTO COMPLEMENTAR: SUGESTÃO DE SITES PARA PESQUISA Portal: Periódicos da Capes: http://www.periodicos.capes.gov.br/portugues/index.jsp Bibliotecas Virtuais Temáticas: http://prossiga.ibict.br/bibliotecas Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações: http://bdtd.ibict.br Biblioteca do CEFET Campos: http://www.cefetcampos.br/biblioteca Biblioteca Digital da Unicamp: http://libdigi.unicamp.br Scielo (multidisciplinar): http://www.scielo.br Programa de Comutação Bibliográfica: http://www.ibict.br/secao.php?cat=COMUT Catálogo Coletivo Nacional: http://www.ibict.br/secao.php?cat=ccn LEITURA RECOMENDADA: GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1995. GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar. Rio de Janeiro: Record, 1997. GUSTIN, Miracy Barbosa de Souza; DIAS, Maria Tereza Fonseca. Repensando a Pesquisa Jurídica: teoria e prática. 2ª edição. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1992. LIBANIO, J. B. Introdução à vida intelectual. São Paulo: Loyola, 2001. 88 AULA 09: A Diversidade das Abordagens Metodológicas na Pesquisa Científica OBJETIVOS: * Caracterizar as pesquisas quantitativas e qualitativas diferenciando seus variados métodos de abordagem; * Compreender a técnica de pesquisa estatística e suas diferentes utilizações na pesquisa científica; * Desenvolver habilidades relativas à definição clara dos variados instrumentos de pesquisa e sua posterior utilidade para a construção das fontes de pesquisa; * Apresentar alguns princípios básicos de metodologias de análise das variadas fontes (dados) de pesquisa. CONTEÚDO: Pesquisa Quantitativa: Onde se usa a Pesquisa quantitativa? Usada, entre outras, na: Identificação de opiniões e preferências (algumas pesquisas são chamadas de surveys); Delineamento de perfis sócio-econômicos, em marketing ou mercado. Quais os instrumentos básicos? Aplicação de questionários, sondagem de opinião por correio, telefone, internet etc. Na pesquisa quantitativa, a preocupação com a precisão científica é muito importante. Deve-se dar atenção à correta aplicação dos métodos estatísticos e aos termos a ela relacionados (moda, mediana, média, desvio padrão, margem de erro, análise regressiva, amostra). O que é necessário para se fazer uma pesquisa quantitativa? Conhecer os métodos de amostragem, para que questionários, formulários e entrevistas sejam corretamente aplicados sem que se gerem distorções. Na Pesquisa Quantitativa: Tudo pode ser quantificável, ou seja, os fenômenos e questões estudadas são numericamente medidos a partir de critérios pré-definidos; Estes dados são transformados em informação a partir de técnicas estatísticas apoiadas em softwares específicos para esta função. Os métodos quantitativos procuram conhecer a realidade a partir de mensuração de variáveis; São utilizados amplamente em experimentos físicos, químicos, biológicos e estudos sociais. Obs: Variável é tudo que pode ter ou assumir diferentes valores, diferentes aspectos, segundo os casos particulares ou segundo as circunstâncias. 89 As pesquisas quantitativas são melhores do que outras? As pesquisas quantitativas ganharam status de serem mais rigorosas metodologicamente do que as metodologias qualitativas, por serem um método mais antigo e reconhecido pelas associações científicas há muitas décadas. Contudo, percebeu-se que em vários casos somente os métodos qualitativos eram capazes de compreender alguns fenômenos e de abordar algumas questões até então não desvendadas pelos cientistas. Outras características da Pesquisa Quantitativa: - Registro preciso do método e repetição deste se necessário; - Pode-se fazer inferências sobre grandes populações utilizando critérios estatísticos; - Rapidez na execução das pesquisas; - Permite análises comparativas temporais. Principais tipos de Pesquisas Quantitativas: Existem muitos tipos, mas um dos principais são as Pesquisas de Levantamento (Survey). A Pesquisa de Survey (ou Levantamento) é utilizada quando se deseja obter informação de um grande número de pessoas (população ou universo) e utiliza-se uma amostra representativa deste grupo. Se, por exemplo, se deseja conhecer o perfil sócio-econômico de determinado bairro de uma cidade, pode-se fazer um estudo em todas as residências do bairro (censo) ou sortear apenas uma amostra destas residências (survey). ATENÇÃO: a amostra deve ser representativa do que ela pretende estudar. Gil (1994, p. 76-77) afirma: “Na maioria dos levantamentos,não são pesquisados todos os integrantes da população estudada. Antes, seleciona-se, mediante procedimentos estatísticos, uma amostra significativa de todo o universo, que é tomada como objeto de investigação. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a totalidade do universo, levando em consideração a margem de erro, que é obtida mediante cálculos estatísticos”. Vantagens e Desvantagens das Pesquisas de Levantamento (Surveys): Vantagens: Conhecimento direto da realidade, pois as próprias pessoas expressam suas crenças e opiniões; Economia e rapidez, desde que a equipe de pesquisadores esteja treinada e o trabalho de campo seja realizado em curto espaço de tempo; Os dados obtidos mediante levantamentos podem ser agrupados em tabelas, possibilitando sua análise estatística. Desvantagens: Os levantamentos recolhem dados referentes à percepção que as pessoas têm acerca de si mesmas, o que pode distorcer os resultados; Pouca profundidade no estudo da estrutura e dos processos sociais; O levantamento proporciona uma visão estática do fenômeno estudado, isto é, uma fotografia que não permite apreender o processo de mudança. 90 Pesquisa Qualitativa: A Pesquisa Qualitativa é um instrumento científico de apreensão aprofundada da realidade ou como os fenômenos, sentimentos, opiniões e atitudes são construídos. A metodologia quantitativa procura mensurar fenômenos e sua magnitude. Os métodos qualitativos visam a entender como e por que grupos de pessoas se comportam em relação a determinadas questões. Outras características da Pesquisa Qualitativa: Trabalha cultura, valores, crenças, sensações e atitudes; Não utiliza critério de representatividade amostral; Busca informações profundas, dificilmente obtidas de outra forma; Permite perceber tendências e manifestações consensuais; Possui diferentes formas de coleta e análise de dados. Depois da vigência do “positivismo” (corrente filosófico-metodológica que postula a possibilidade da neutralidade, a capacidade de se conhecer, objetivamente, leis e fenômenos, mensurando-os “matematicamente”) nas ciências humanas e sociais, até o final da década de 1970, as pesquisas QUANTITATIVAS foram questionadas quanto aos seus limites: segurança e neutralidade. ATENÇÃO! Os números só adquirem significado quando colocados dentro de uma teoria, de conceitos; caso contrário podem servir a propósitos de manipulação. May (2004, p. 13) afirma: "os dados não são coletados, mas produzidos. Os fatos não existem de forma independente do meio pelo qual são interpretados [...]". Em geral, a pesquisa qualitativa está direcionada para a análise minuciosa da complexidade, próxima das lógicas reais, sensível ao contexto no qual ocorrem os eventos estudados, atenta aos fenômenos de exclusão e de marginalização. Dentro os métodos que podem ser usados, citam-se: O dialético (nesse método, a relação sujeito-objeto é dinâmica, apreendendo- se a realidade como contradição, mudança e transformação); O fenomenológico (considera-se a imersão na experiência e no cotidiano como dados essenciais e perante os quais o sujeito-professor-pesquisador precisa de esforçar-se para ultrapassar as aparências, entre outros aspectos). A pesquisa qualitativa possui alguns aspectos essenciais: Com relação ao problema da pesquisa e sua formulação/delimitação: o problema não é algo definido, fechado e acabado. 91 O problema é inicialmente formulado de maneira ampla para, depois, ser construído. O problema decorre da observação/interação com o universo a ser pesquisado. A delimitação do problema não é preconcebida: o professor-pesquisador mergulha na vida, “no passado e nas circunstâncias presentes que condicionam o problema” (CHIZOTTI, 2001, p. 81). A hipótese é usada apenas como um indicativo e vai sendo aperfeiçoada durante o processo; Fases da pesquisa qualitativa: 1ª) exploratória, na qual o professor-pesquisador toma contato com a realidade e com os pesquisados. Aqui se realiza uma pesquisa exploratória: definição da área, dos pesquisados, dos problemas, do conjunto de técnicas a serem utilizadas etc. 2ª) envolvimento, na qual se aprofunda a partilha de conhecimento com os pesquisados e a observação de seu comportamento e atitudes, coletando-se os dados. Define-se o campo, coletam-se os dados, analisam-se os mesmos, discutem-se os problemas com os envolvidos; 3ª) Define-se, com os envolvidos, uma estratégia que ajude a responder aos problemas; 4ª) Executam-se as estratégias, avaliam-se e constroem-se os resultados; 5ª) Finalização, na qual o professor-pesquisador vai elaborando a análise do “material”, com o respectivo Relatório de Pesquisa. As Pesquisas Quantitativas e Qualitativas e a construção e análise das Estatísticas... Um tópico essencial, em meio à verdadeira enxurrada de estatísticas, supostamente científicas, que ouvimos todos os dias. As noções apresentadas aqui são provenientes do livro "Como Mentir com Estatística", de Darrell Huff. Em muitas estatísticas veiculadas ao público, as informações são apresentadas de forma tão incompleta que se torna difícil ”acreditar”. As perguntas básicas, quando se querem analisar pesquisas quantitativas são: a) Quem é que diz isso? b) Em que contexto ele diz isso? c) Como é que ele sabe? d) O que está faltando? e) Alguém mudou de assunto? f) Isso faz sentido? Essas perguntas introduzem o elemento da qualidade na análise dos dados. Portanto, pesquisas quantitativas e qualitativas não são opostas, mas COMPLEMENTARES. OBSERVE A EXEMPLIFICAÇÃO DAS PERGUNTAS 92 Quem é que diz isso? E Em que contexto ele diz isso? É muito importante saber quem está divulgando a estatística e o contexto da divulgação (uma empresa no meio de uma negociação de salários, sindicato, um laboratório "independente" que precisa mostrar resultados, uma empresa pouco antes de uma licitação do governo...). O seguinte exemplo aconteceu no Brasil: uma empresa, com base em correta aplicação de amostras e estatística declarou que os salários no segundo semestre do ano X estavam muito acima daqueles pagos no início do ano e assim negou o pedido de aumento do sindicato. Mas é só isso mesmo? A empresa "esqueceu" um fato: no início do ano X havia enorme quantidade de trabalhadores de meio-período e que passaram a cumprir turno integral. Seus salários subiram e isso foi “usado” para mostrar que houve aumento. Uma grosseira manipulação. Observe outro exemplo interessante: em 1994 foi divulgado um relatório muito otimista sobre o número de árvores nos Estados Unidos. Os especialistas concluíram em que havia muito mais árvores em 1994 do que houvera em 1894. Mas como? E aqui é que está o viés (ou fatores que distorcem o resultado, consciente ou inconscientemente colocados), sob duas formas: 1) a fonte era a uma associação de madeireiras (quer dizer, completamente enviesado...) e 2) o critério de árvore (consideraram árvores desde mudas recém-plantadas em todo e qualquer lugar até árvores centenárias...). DETALHE: A pesquisa foi divulgada em meio a uma campanha contra o desmatamento, promovida por Ongs... Como é que ele sabe? É preciso atentar para a maneira como a amostra foi obtida. Um caso muito comum de amostra “viciada” são as feitas pelo correio (o pesquisador envia questionários aos entrevistados). Nesse procedimento, os números daqueles que respondem de fato costuma ser reduzido. Isso quer dizer que os resultados não podem ser considerados representativos. Em pequenas amostras, o cuidado deve ser maior porque o resultado obtido pode ter ocorrido POR ACASO. Assim, se deseja fazer uma pesquisa sobre onível de renda de um pequeno bairro e se sorteia a amostra, e ela recair apenas sobre uma classe social, pronto, acabou a legitimidade da pesquisa. Um exemplo intrigante para nós: o resultado de uma pesquisa eleitoral, pois se ocultam as margens de erro e a probabilidade, ainda que pequena, de que o valor "verdadeiro" do percentual não esteja naquele intervalo apresentado... O que é que está faltando? Acontece frequentemente que o tamanho da amostra utilizada ou o perfil dos elementos não é divulgado. Uma forma muito comum de confundir os leitores: suprimir números brutos e mostrar apenas os percentuais ou o contrário. E ainda pode ocorrer a omissão de dados importantes como as condições da pesquisa. Um exemplo do livro de Duff: Um jornal afirmou que a safra do ano de 1990 foi quatro vezes maior do que de 1989. Isso poderia passar a “prova” da produtividade, mas o jornal “esqueceu” de dizer que em 1989 houve inundações que afetaram 80% da safra prevista... Um outro tipo de erro cometido: forçar comparações sem atentar para condições sociais, culturais e econômicas. Exemplo: há erro na afirmativa que diz: "Pode-se mensurar o aumento da violência pela comparação entre o número de estupros de hoje e o de trinta anos atrás". Sem considerar condições sociais e culturais isso é ERRO grosseiro. Como? Talvez o número de estupros fosse maior há trinta anos: as mulheres não denunciavam por medo, mas com mudanças culturais e sociais (delegacia de mulheres, por exemplo) o número de denúncias aumentou. Isso não quer dizer que a violência aumentou.... 93 Alguém mudou de assunto? Essa prática é a “preferida” dos jornais. Na verdade, mudando-se uma palavra, muda-se o foco. Por exemplo: se um jornalista constata que o número de casos comunicados da doença “Gripe” X aumentou e ao falar na TV diz que o número de casos ocorridos da doença Gripe aumentou, mudou-se de assunto e de foco. Aqui temos a resposta para o enigma das pesquisas eleitorais: por mais bem conduzidas, essas pesquisas não indicam em quem as pessoas realmente vão votar, mas em quem elas dizem que vão votar naquele MOMENTO. Outro exemplo: se é feita uma pesquisa entre médicos e eles afirmam que são mal remunerados, mas divulga-se que os profissionais liberais são mal remunerados, comete-se erro MONUMENTAL. Que é muito comum, diga-se de passagem. Isso faz sentido? Perguntar sobre o sentido é fundamental! Por isso, usar tendências antigas, observadas em épocas anteriores à época atual, é redundar em ERRO, do ponto de vista metodológico. É possível afirmar (em certas condições) que o Brasil de 1988 é o mesmo Brasil de 2008? Por exemplo, a definição de "família padrão" continua válida hoje? E por fim, um exemplo de como algumas estatísticas, da forma como são divulgadas, podem fazer nenhum sentido! Divulgada em grandes jornais e TVs no ano de 2000, havia a seguinte Manchete: “Para cada dez brasileiros, dois têm diabetes”. Isso significaria dizer que, para uma população de 150 milhões de habitantes, haveria 30 milhões de diabéticos. Caso seja verdade, possivelmente não há insulina suficiente para tratar tanta gente. Instrumentos de Pesquisa: Nas ciências humanas e sociais aplicadas, independentemente da pesquisa ser quantitativa ou qualitativa, alguns instrumentos metodológicos são muito usados, entre eles: 1 – Entrevistas: Por meio de um gravador ou vídeo, desde que assentido pelo(s) entrevistado(s), com ou sem um roteiro prévio (que consiste numa série de tópicos relacionados à pesquisa a serem abordados na entrevista), procura-se obter informações junto às pessoas, leigos ou especialistas. Deve-se transcrever as respostas, respeitando-se o vocabulário, o estilo e as eventuais contradições da fala. 2 – Questionários: Os questionários são um conjunto de questões, uma espécie de formulário, elaboradas para que sejam respondidas. Em geral, a aplicação do questionário exige a participação do respondente. Porém, o pesquisador pode aplicar, perguntar ao respondente e anotar as respostas no formulário, sem que o respondente utilize-se do formulário. 3 - Observação sistemática ou observação participante. Muito usada na Antropologia, tem alguns princípios básicos: Baseia-se no contato direto do pesquisador com o fenômeno observado, a fim de se recolherem, mediante um plano prévio de tópicos a serem observados, informações/dados dos atores inseridos em seu ambiente, do próprio ambiente etc. Exige-se detalhada descrição e cuidado no registro de dados, atentando-se para sua fidelidade e pertinência. A inserção do pesquisador no grupo a ser estudado é resultado de uma negociação, na qual o primeiro deve deixar claros os propósitos de sua pesquisa. A 94 observação participante exige a manutenção de um diário de campo, no qual são anotados os dados observados, referências, impressões e descrições. A observação participante geralmente exige um tempo mais longo de um olhar atento. Não são em apenas dois dias ou em uma semana que se faz uma observação participante rigorosa e acadêmica. A inserção no meio em que se vai dar a observação deve ser feita atentando-se para a ética e procurando-se a interação com o meio e as pessoas/grupos que vão ser pesquisados. Essas técnicas passaram também a ser utilizadas amplamente para compreender as transformações nas instituições sociais, na família, na educação, no trabalho, bem como na pesquisa dos mais diversos agrupamentos sociais, principalmente os que se formavam nas grandes cidades. São utilizadas também em pesquisas de mercado e opinião pública. 4 - História ou relato de vida. Consiste na coleta de informações contidas na vida pessoal de um ou vários informantes. Cuidado: não GENERALIZAR, sem a devida metodologia, as informações obtidas com essa técnica. O relato pode ser autobiográfico, no qual o autor expõe suas impressões/reflexões/experiências ou “pode ter a forma literária tradicional como: memórias, crônicas ou retratos de homens que por si ou por terceiros relatam os feitos e experiências vividas”. Pode ser um discurso livre de impressões subjetivas ou pode-se apelar a fontes documentais, para embasamento de relatos pessoais. O processo deve ser feito com rigor e precedido de um roteiro para se nortear a construção da história de vida. Análise das Pesquisas: Depois de obtidos, os dados devem ser analisados e aqui existem alguns princípios básicos, dentre as muitas metodologias de análise: Procurar compreender criticamente o sentido da comunicação, latente ou manifesto; Decomporem-se os dados em “unidades”, em partes, para serem analisadas, segundo categorias criadas ou adaptadas pelo pesquisador; Investigar o significado dos conceitos envolvidos. A qualidade dos dados obtidos deve ser boa: nas metodologias quantitativas, cuidar para que não haja distorções ou vieses, bem como desvios estatísticos e outros vícios. Nas metodologias qualitativas, cuidar da reflexão crítica e na forma de obtenção dos dados. Na pesquisas quantitativas: Tabular os dados do questionário ou das entrevistas Usar técnicas estatísticas: agrupamento, comparação, cruzamento de variáveis. Nas pesquisas qualitativas: Observar regularidades e irregularidades; Comparar com teorias e autores. 95 TEXTO COMPLEMENTAR: CRIATIVIDADE E NOVAS TÉCNICAS DE PESQUISA Hoje, há novos instrumentos de pesquisa: som, imagem e outros. A pesquisa em novos materiais se tornou mais presente nas universidades e faculdades mais recentemente. Imagens como fotografias, filmes e pinturas ou sons (músicas, ruídos e barulhos), antes desprezados, tornaram-se fonte de pesquisa, tanto quantitativas, quanto qualitativas. Hoje, a gravação de imagens em vídeo ou DVD é um instrumento também depesquisa de cunho qualitativo. As pesquisas com imagens e sons são fundamentais em meio à profusão tecnológica dos dias atuais. Essas pesquisas ajudaram, inclusive, a derrubar mitos e esclarecer conceitos. Um exemplo: a idéia e a imagem de infância como de crianças brincando e se vestindo mais ou menos da forma como se vestem hoje. UM EXEMPLO: O historiador Phillipe Arries estudou documentos e ao mesmo tempo pesquisou pinturas dos séculos XV, XVI e XVII e nelas pesquisou a representação da infância. Nelas, as crianças apareciam vestidas como os adultos se vestiam, trabalhavam como adultos etc. Propôs a tese de que a infância, como uma fase separada com cuidados especiais, vestimentas e imagens próprias separadas do mundo adulto, é fruto de uma invenção histórica ocidental a partir do século XX. Não é correto usar o termo infância como sinônimo universal de criança. Abaixo, vamos dar apontamentos gerais da pesquisa e de como pesquisar: A imagem e o som devem ser “tipologizados”, ou seja, de que tipo se trata? Pinturas, cartazes, gravuras, filmes, propagandas, músicas (tipo, material, qualidade, execução etc.); Tratar os contextos e os meios em que elas surgem: social, histórico, estético; Pensar a “estrutura interna” e técnica (os sinais e códigos, as cores, os tons, as inhas, as posturas corporais), bem como “externa” e social (os significados atribuídos, os símbolos etc.); Escolher o instrumental de pesquisa e análise: semiótico, sociológico, histórico; Imagens e sons são parte integrante da sociedade e das relações sociais, portanto, contêm reflexos do ambiente político, social e econômico da história e das sociedades; Imagens (e sons), especialmente filmes e pinturas, são versões da realidade, e nunca “a” realidade tal como ela existiu ou existe; mesmo filmes ou imagens que se insiste serem “reconstituições históricas” ou com fama de serem “retratos da realidade” (como o premiado filme brasileiro Tropa de Elite). Em outras palavras, essas imagens são construções da realidade ou ainda são a realidade “filtrada/fabricada” pelas lentes da câmera, do ator, do diretor, do autor, 96 enfim, por uma série de mediações que existem entre aquele que assiste e aquele que produz. Um dos maiores especialistas em análise desse material, o historiador francês Alain Corbin, diz que a representação (imagem, cinema, som, etc.) pode ser um modelo de prática real (social, cultural, psicossocial), mas nunca a “prova” cabal e verdadeira dessa prática; Selecionar a literatura acadêmico-científica sobre imagens e sons: o leque vai da psicanálise, passa pela sociologia e antropologia e vai até a semiótica; Toda imagem e som têm múltiplas dimensões inter-relacionadas: política, ideológica, estética etc., mesmo que seus autores insistam em dizer que se trata apenas de ficção. LEITURA RECOMENDADA: CHIZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001. FLICK, U. Uma introdução a pesquisa qualitativa. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1995. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1992. MAY, T. Pesquisa social: questões, métodos e processos. 3. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2004 97 AULA 10: Projetos e Relatórios de Pesquisa OBJETIVOS: * Compreender a importância do projeto de pesquisa para a realização do trabalho científico; * Apresentar os elementos obrigatórios do projeto de pesquisa; * Identificar as formas de comunicação de resultados de uma pesquisa científica; * Caracterizar os diferentes tipos de relatórios de pesquisa com ênfase no aprendizado da monografia; CONTEÚDO: Projeto de Pesquisa: conceito, importância e estrutura... O que é um projeto de pesquisa? É uma atividade de planejamento. É como se fosse um “mapa” do que se vai estudar, das perguntas, das hipóteses, do método a ser seguido, rumo ao TC ou TCC, Trabalho de Conclusão. O projeto não é a pesquisa, mas a intenção de executá-la. Para que ser um projeto de pesquisa? Para produzir um conhecimento sistemático e não repetitivo sobre um assunto. Qual é o sentido do projeto de pesquisa? Na maioria das academias, o TCC, desenvolvido em duas etapas distintas, engloba o penúltimo e o último semestres letivos cursados na Faculdade, devendo ser abarcados como fases de um único processo investigativo: o Projeto de Pesquisa e o Trabalho de Conclusão de Curso. Uma observação: O projeto de pesquisa deve ser construído e submetido à aprovação dos Departamentos das diferentes Faculdades. Quais são os critérios e meios de aprovação do projeto de pesquisa? Os critérios e meios de avaliação (data de entrega, composição de uma possível banca interna etc.) são definidos por cada instituição de ensino. Outra observação: A escolha do tema deve ser feita com antecedência, não havendo necessidade de se esperar o penúltimo semestre do curso. Isso proporcionará tempo e tranqüilidade maiores para a pesquisa. Apesar de escolhidas livremente, as temáticas devem ter relevância, viabilidade (considerarem-se as demandas financeiras, de tempo, de deslocamento etc.), estar relacionadas à área cursada e às predileções do aluno/pesquisador. Em que se baseia o projeto de pesquisa? A pesquisa científico-acadêmica baseia-se numa atividade racional de reflexão, organização e busca dos dados necessários à compreensão/interpretação dos problemas que exigem uma análise. As técnicas de pesquisa/redação são importantes naquela que vem sendo chamada a “era da informação”. 98 E quais são os tipos de pesquisa mais comuns para um projeto de pesquisa? 1- Pesquisa Teórica: quando o objetivo é desvendar conceitos, discussões polêmicas e teóricas. 2 - Pesquisa Metodológica: aquela que volta-se ao estudo de métodos ou de questões metodológicas. 3 - Pesquisa Empírica: relacionada ao levantamento de dados empíricos para a comprovação ou não de uma hipótese. Explora e observa os fatos diretamente no local em que eles ocorrem ou surgem. 4- Pesquisa Experimental: “há a manipulação das variáveis independentes (causas) para observar e interpretar as reações e as modificações ocorridas no objeto de estudo (variável independente)” (BARROS & LEHFELD, 2002, p.33). 5 - Pesquisa-Ação: é uma pesquisa que tem um cunho social, onde o pesquisador, com sua base científica, resolve algum problema social ou mesmo procura melhorar algo para a sociedade, utilizando a cooperação ou a participação da sociedade. Quais os principais itens de um projeto de pesquisa? Os itens e subitens propostos constituem o básico, cabendo às instituições de ensino, acrescentar ou omitir alguns dos itens elencados: INTRODUÇÃO 1 OBJETIVO GERAL 1.1 Objetivos Específicos JUSTIFICATIVA REFERENCIAL ou MARCO TEÓRICO (evidente na pesquisa qualitativa,) PROBLEMA (pode ser colocado de forma separada, como aqui, ou de forma conjunta com as hipóteses) HIPÓTESE(S) (evidente(s) na quantitativa, menos evidente(s) na qualitativa) METODOLOGIA (quantitativa e qualitativa) 6.1 Instrumentos e tipo de amostragem (evidente na quantitativa) 6.2 Operacionalização das variáveis (evidente na quantitativa) 6.3 Coleta dos dados (quantitativa e qualitativa) 6.4 Tabulação dos dados (evidente na quantitativa) CRONOGRAMA (quantitativa e qualitativa) ORÇAMENTO (opcional, e deve contemplar: material permanente, não- permanente e recursos humanos) ESQUEMA PROVISÓRIO REFERÊNCIAS (quantitativa e qualitativa) APÊNDICE(S) (opcional) (quantitativa e qualitativa) ANEXO(S) (opcional) (quantitativa e qualitativa) Quais são os elementosobrigatórios de um projeto? Algumas partes seguem normas gerais; outras podem ser acrescentadas/regulamentadas de acordo com as normas de cada instituição. Introdução: Apresentar, de modo breve, o tema e sua delimitação, os objetivos, o problema (a questão colocada, podendo ser formulada na maneira de uma ou várias perguntas, 99 com uma breve referência a livros/autores). A introdução deve ser a última parte a ser escrita, apesar de ser a primeira a aparecer no texto digitado. A delimitação do tema é algo que se faz na introdução. Objetivos (geral e específicos): É o que se quer atingir. Os objetivos devem ser elaborados de acordo com essas dimensões, privilegiando-se uma delas. O objetivo geral é vértebra da pesquisa, enquanto o específico é auxiliar. Os objetivos específicos podem ser vistos também como as ações (do conhecimento) indispensáveis para se atingir o objetivo geral. Há que se observar que os objetivos específicos podem ser transformados em futuros capítulos da monografia, dissertação ou tese. Exemplos de verbos usados para definir objetivos: apontar, citar, conhecer, definir, relatar, concluir, deduzir, iluminar, diferenciar, discutir, interpretar, desenvolver, empregar, organizar, praticar, traçar, comparar, criticar, debater, diferenciar, examinar, compor, construir, avaliar, contrastar, escolher, medir. É preciso cuidado na escolha dos objetivos: eles devem ser adequados à pesquisa. Analisar tem uma dimensão de profundidade e extensão diferente, do verbo levantar, que remete à dimensão exploratória. Justificativa: É a exposição dos motivos profissionais e teóricos para a execução da pesquisa, da relevância/importância de se pesquisar o tema escolhido e da contribuição do projeto ao tema escolhido e ao campo de estudos onde está inserido. Referencial teórico, quadro conceitual ou marco teórico: Graduações e Pós-graduações, especialmente se as pesquisas adotarem metodologias qualitativas, podem exigir o referencial teórico. O referencial teórico é a linha ou a escola de pensamento com a qual o projeto vai-se identificar ou a ela filiar. Ou ainda, os autores e livros usados para dar base ao projeto. Para pesquisadores iniciantes, é fundamental situar o projeto numa dessas linhas. Há que se ter cuidado na utilização, em determinados cursos de graduação, de linhas e abordagens de outros campos do saber. Em faculdades ou programas de pós-graduação, a perspectiva adotada remete a um quadro multi ou interdisciplinar, dificultando-se uma filiação a uma linha específica, ou uma identificação explícita. Problemas e Hipóteses: Problematizar é levantar perguntas a partir da literatura existente sobre o assunto, de experiências pessoais, profissionais etc. Não é colocar questões práticas, do tipo: Qual a receita para se obter sucesso? A problematização passa por um questionamento que o pesquisador se faz e faz aos leitores. Pode ser formulada de maneira afirmativa (a relação entre a exposição à TV e atitudes agressivas na infância) ou de maneira interrogativa (qual é a relação entre a exposição à TV e as atitudes agressivas na infância?). Para iniciantes, recomenda-se a forma interrogativa, clara e perceptível aos leitores. O problema da pesquisa é diferente dos problemas práticos. O problema da pesquisa é uma questão cuja resposta se desconhece e se necessita conhecer. Questões de ordem prática (como obter sucesso com a marca de um produto etc.) não se constituem problemas de pesquisa. Mas podem ser transformadas em problemas de pesquisa. Para isso, é necessário retirar o "como" e inserir os "porquês". Por exemplo, mudar a questão “como aumentar o índice de ocupação do Hotel X?” para “quais as causas do baixo índice de ocupação do Hotel X?”. Na prática, a formulação do problema fica em termos gerais, entretanto, conforme se avança na pesquisa, o problema começa a ser proposto cada vez mais clara e precisamente. O problema não 100 nasce pronto (caso das pesquisas qualitativas) mas é construído ao longo de um processo. Por isso, a fase inicial da pesquisa é tão importante. Uma observação: problemas relacionados a crenças e valores como são polêmicos e não passíveis de uma verificação científica aceita pela Comunidade dos Cientistas. E as hipóteses? Para algumas áreas científicas e em determinadas metodologias de pesquisa, é possível o uso de hipóteses. Mas o que são hipóteses? São respostas provisórias às questões/problemas que a pesquisa e as intuições do pesquisador propõem, baseadas na observação e leitura de teorias acerca dos fenômenos a serem investigados. No caso de um projeto de pesquisa, as hipóteses podem servir de guia, no sentido do desenvolvimento da investigação. Nas abordagens qualitativas, em geral, não se trabalham com hipóteses. Essa metodologia de pesquisa trabalha com uma que serve de fio condutor para a busca do pesquisador. Nos outros tipos de pesquisa, as hipóteses podem ser totalmente “confirmadas”, não-confirmadas ou parcialmente confirmadas. Nos dois últimos casos, é preciso explicar o porquê da não-confirmação. Por isso, ao construir as hipóteses, é necessário inventariar e definir as VARIÁVEIS, ou seja, os fenômenos ou eventos que interferem diretamente no tema estudado. Por exemplo, no problema de pesquisa: quais são as razões do abandono, por parte da família, de menores na cidade de Juiz de Fora? Podemos ter: H 1 (hipótese um ou primeira) = O grau de extrema pobreza das famílias; H 2 = O alcoolismo paterno; H 3 = A Desestruturação familiar. Observam-se termos variáveis que se relacionam a cada uma das hipóteses sugeridas. No caso da H1, uma variável fundamental seria a renda econômica; no caso da H2, hábitos comportamentais paternos. São sobre essas variáveis que as técnicas de pesquisa (questionário, entrevista etc.) se debruçarão, coletando as informações necessárias à pesquisa ou a monografia. Metodologia: É a descrição, por extenso, do conjunto das atividades e instrumentos a serem desenvolvidos para a aquisição dos dados (teóricos ou de campo) com os quais se desenvolverá a questão da pesquisa. Para facilitar-se a explicitação da metodologia, pode-se dividi-la em fases (duas, três ou mais), sendo que, em cada fase, os instrumentos a serem aplicados devem ser detalhados, bem como sua forma de aplicação. Deve-se definir se o procedimento será qualitativo ou quantitativo. Se, quantitativo, a ênfase é sobre dados empíricos: coletas estatísticas (amostras), surveys (pesquisas de opinião) etc. No caso de instrumentos como questionário (quantitativos), é exigência prever o pré-teste do mesmo, pois é necessário testar o mesmo. Se define, pela teoria da amostragem, a quem e a quantas pessoas serão aplicados os instrumentos de coleta de dados (questionário, entrevista, formulário). Se, qualitativo, devem-se enfatizar análises de cunho interpretativo, buscando-se possíveis significados objetivos e subjetivos do assunto em questão. Os instrumentos utilizados serão entrevistas, estudos de caso, histórias de vida, observação participante etc. Cronograma: Consiste na distribuição, ao longo de uma linha temporal, das fases/atividades da pesquisa (da escolha oficial do tema até a defesa da monografia ou TCC). Diz respeito 101 ao futuro. O cronograma exemplificado deve ser adaptado (cada pesquisa é específica). PROJETO Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Atividades Ano Ano Ano Ano Ano Ano Ano Ano Ano Ano Escolha do tema / Levantamento das fontes de pesquisa X Elaboração da versão inicial X X Aplicação dos instrumentos de coleta X X Análise dos resultados X X Versão Final X Adequação do projeto às recomendações da banca X Revisão da literatura X X Elaboração daversão inicial do T.C. X X X Versão final /Correção X X Defesa da monografia (TC) X Esquema provisório: Seria a ‘estruturação’ do trabalho. Um ESQUEMA PROVISÓRIO, construído junto com o professor orientador, auxilia no direcionamento da futura monografia. Vamos supor um tema geral como a dança e a juventude. E vamos delimitar: A prática do Hip-Hop entre jovens de baixa renda em Manhuaçu. Um Sumário provisório (porque pode e deve ser mudado até a monografia) pode ser: 1 ORIGEM E HISTÓRIA DO HIP-HOP 1.1 O Hip-Hop nos EUA: dança como protesto social 1.2 O Hip-Hop e suas técnicas corporais: ritmo, musica e cor 2 O HIP-HOP COMO DANÇA E ARTE 2.1 Origem dos passos e das técnicas de dança 2.2 Evolução da dança Hip-Hop 3 O HIP-HOP NAS COMUNIDADES DA CIDADE DE JUIZ DE FORA 3.1 A expansão do Hip-Hop pelo mundo: globalização e dança 3.2 A Cidade de Manhuaçu e a prática do Hip-Hop 3.3 A importância social da dança Hip-Hop para a juventude Obs. Nessa estrutura só vai a divisão provisória dos capítulos, não entra introdução, conclusão etc. A delimitação da Pesquisa e de outros trabalhos: O que é delimitar um tema para projeto de pesquisa, monografia ou artigo científico? Ao iniciar a confecção do projeto de monografia esteja atento para a delimitação do tema. É fundamental demarcar-se as fronteiras da pesquisa. Temas abrangentes não permitem uma monografia séria. Por isso, o aluno deverá: 102 Procurar profissionais ou professores que tenham conhecimentos/experiências na área a ser pesquisada, para que o ajudem a discutir o assunto, sugerir hipóteses, bibliografia etc.; Realizar levantamento bibliográfico (selecionar autores, artigos, livros, documentos e idéias relevantes para a investigação do assunto e do problema); Organizar-se e analisar-se o material selecionado; Fazerem-se esboços escritos do ESQUEMA PROVISÓRIO, até se chegar a um bom esquema; Recorrer-se a um referencial teórico (conjunto teorias e metodologias que definem uma área do conhecimento), para limitar a abrangência do tema; Tornar acessível a qualquer leitor o texto, escrevendo-o de modo claro e objetivo. Como estruturar um Projeto de Pesquisa? Delimitação do tema: O que vai ser pesquisado? Quais os aspectos? Como? Objetivos: O que ser quer atingir? (verbos no infinitivo), Quais as ações que devo fazer para atingir? Justificativa: Quais os motivos que levaram a realização dessa pesquisa? Qual a importância da pesquisa? Qual a Marco teórico: Em quais estudos e autores estou baseando os argumentos usados no projeto? Quais são as principais idéias destes estudos e autores? Problemas e Hipóteses: Qual é a pergunta chave da pesquisa? Quais são as hipóteses (ou respostas provisórias) a essa pergunta? Metodologia: quais os instrumentos (tipo, quantidade, com quem) que vou usar para pesquisar? De que forma eles serão usados? Contribuição da pesquisa? Cronograma: em quanto tempo cada atividade será desempenhada? Bibliografia: quais as fontes (corretamente citadas) que consultei ou que vou consultar sobre o tema do projeto? Relatório de Pesquisa: conceito, importância e estrutura... O que é um RELATÓRIO? Relatório é uma exposição escrita onde se descrevem fatos verificados mediante pesquisa, ou se explana a execução de serviços, experiências, palestras, eventos etc. realizados. Geralmente, é acompanhado de documentos demonstrativos como tabelas, gráficos, fotografias, desenhos etc. Quais os tipos de relatório? 1 - Relatório técnico-científico: é o documento pelo qual se faz a difusão das informações correntes, sendo ainda o registro permanente dessas informações. É utilizado para se descreverem experiências, investigações, processos, métodos e análises; 2 - Relatório de viagem: documentadas por escrito as informações sobre a viagem realizada, indicando-se a data, o destino, a duração, os participantes, os objetivos e as atividades desenvolvidas; 103 3 - Relatório administrativo: é uma comunicação escrita, submetida a uma autoridade superior, geralmente, ao término de um exercício, relatando-se a atuação administrativa. 4 - Relatório de estágio: são registradas por escrito as atividades desenvolvidas pelo estagiário, período de duração da visita ou do estágio e local. Seu principal elemento é a capacidade de observação sistemática, ou seja, capacidade de se descreverem em conceitos e termos adequados o local, as pessoas, a relação interpessoal, as falhas, a maneira como as tarefas são realizadas etc. Em alguns casos existe o RELATÓRIO- MONOGRÁFICO, que faz a junção entre relatório e monografia. E como funciona um relatório? De maneira geral, um relatório de estágio é orientado por um professor e exige alguns procedimentos formais (carta de solicitação de orientação, carta de aceite da orientação etc.). Algumas faculdades estabelecem bancas para a avaliação do relatório de estágio, fazendo dele um Trabalho de Conclusão. Como deve se redigir o relatório? O relatório deve ser redigido na forma de texto, com poucos tópicos, conciso, sem adjetivos e contemplando o que foi solicitado pela instituição (ou pelo professor). Quais as partes de um relatório? Em geral, contêm: 1) Introdução: situa o leitor no contexto, local e tempo em que ocorreu a experiência, a viagem, o evento; 2) Desenvolvimento ou discussão: descreve e disserta sobre a viagem, o local no qual se estagiou etc. (pode conter fotos, gráficos etc.); 3) Conclusão: finaliza o relatório, podendo, inclusive, emitirem-se recomendações ou sugestões para aperfeiçoamento, reforma etc. Qual deve ser a estrutura de um relatório? O relatório deve possuir a seguinte estrutura: Capa, Folha de rosto, Folha de aprovação; Resumo e palavras-chave em português; Listas (caso haja fotos, gráficos ou tabelas); Sumário; Corpo do texto (introdução, desenvolvimento, conclusão); Lista das fontes utilizadas ou bibliografia (relatórios técnico-científicos) e, opcionalmente, apêndices (comentários ou propostas pessoais) e anexos (fotos, gráficos etc.). Construindo o Relatório de Pesquisa – a MONOGRAFIA... O que é uma monografia? Segundo Salomon (2000), o termo monografia, conforme origem histórica possui sentido lato e estrito. No estrito, identifica-se com o tratamento escrito de um tema específico, que resulte de pesquisa científica, com o escopo de apresentar uma contribuição relevante ou original/pessoal à ciência (teses de doutorado etc.). No lato, diz respeito a todo trabalho científico que resulte de pesquisa (dissertações de mestrado, monografia acadêmica de final de curso etc.). 104 O que é Monografia de conclusão de curso? Para a formação de bacharel, é necessária uma monografia ou outro tipo de trabalho definido pela instituição de ensino; é o “Trabalho de Conclusão de Curso” (TCC) ou TC, cujo objetivo é a iniciação do aluno nas atividades profissionais, ampliando-se competências específicas na área cursada. A construção de um TCC exige rigor e método. As variações de TCC estão ligadas às diferenças existentes entre as diversas áreas acadêmicas. Quais as principais características da monografia? A monografia que aqui interessa é aquela que se caracteriza pelo tratamento escrito e aprofundado de um só assunto, de maneira descritiva e analítica, em que a reflexão seja a tônica. A monografia acadêmica não precisa, necessariamente, de formular um argumento novo; sua contribuição reside na releitura de fontes de conhecimento e na reflexão sobre um determinado tema. Qual o tamanho máximo? O tamanho varia muito. As que são avaliadas como conclusão de curso variam aproximadamente entre 30 e 90 páginas. Qual é o desenvolvimento lógico de uma monografia? Seguem-se algumas etapas: PRIMEIRA ETAPA:escolha do assunto: envolve especificação e preferência (SALOMOM, 2000, p. 272). O primeiro é um processo científico-metodológico, e o segundo está ligado a tendências pessoais. A escolha deve levar em conta três aspectos fundamentais: tempo disponível, existência de bibliotecas, fontes de consulta, e possibilidade de se consultarem especialistas e outras fontes de informação sobre o assunto; SEGUNDA ETAPA: delimitação do assunto: a escolha não deve recair sobre temas genéricos, como “o valor da globalização”; esse tema, devido à sua extensão e generalidade, não permite um tratamento sério e profundo. É um processo que deve ser acompanhado pelo orientador; TERCEIRA ETAPA: estudo sistemático do assunto. Procurar referências atualizadas. Mesmo que não existam livros e artigos escritos relacionados diretamente, é possível o estudo sistemático pelo entrecruzamento de determinadas áreas de conhecimento, sendo a expressão geral à qual o tema está vinculado. O orientador auxiliará na indicação de livros e autores, ajudando também na explicitação dos aspectos do campo teórico que o TCC deve rever, reter e analisar. Outro elemento importante a ser considerado é o quadro teórico, quadro conceitual ou referencial teórico, que é a linha ou a abordagem teórica com a qual a monografia se identifica ou a que se filia. QUARTA ETAPA: elaboração e confecção da monógrafa, com a adoção das regras da ABNT ou da faculdade. QUINTA ETAPA: Defesa da monografia. Quais são os principais tipos de monografia? Tachizawa e Mendes (1999) apontam três tipos: 1 - monografia de análise teórica: estruturada em torno de idéias e conceitos a partir de uma lista de fontes bem elaborada e de qualidade acadêmico-científica comprovada; 105 2 - análise crítica ou comparativa de obras (literárias ou científicas), pessoas e autores, inclusive partindo de outras teorias ou modelos existentes; Essa monografia pode ser baseada em dados primários (obtidos durante a pesquisa de campo ou que não foram, ainda, tratados e analisados tais como fichas de óbito, certidões etc.) e/ou em dados secundários (obtidos de obras e pesquisas já realizadas); 3 - monografia de análise teórico-empírica: baseada em uma interpretação de dados primários ligados a um tema específico; apresentar a testagem de hipóteses, modelos ou teorias; monografia de estudo de caso: estudo exaustivo de um caso específico (evento, organização, fenômeno). Dicas essenciais para a monografia: Fontes de pesquisa: para o esclarecimento de qualquer assunto, é preciso uma lista prévia de fontes, aumentada à medida que a monografia vai sendo escrita; Optar por fontes primárias, ou seja, livros, artigos, reportagens em que os autores exponham e debatam diretamente suas idéias. As fontes secundárias são aquelas nas quais alguém comenta e analisa as idéias de outros; Revistas especializadas e científicas são excelentes fontes para a pesquisa. As mídias informativas (revistas, jornais etc.) podem servir como fontes auxiliares de informação. No entanto, não servem para corroborar hipóteses ou afirmações de cunho científico, uma das bases da monografia; Também mapas, fotografias, fitas e outras fontes são materiais complementares e devem aparecer sempre ligados a outras fontes. Deve-se ter cuidado com a forma de apresentação dos dados; Mesmo que o tema esteja estreitamente ligado a uma determinada disciplina, é indispensável a consulta às demais áreas afins do conhecimento. Esse cruzamento será bastante frutífero e enriquecedor para os objetivos da pesquisa. Dicas sobre o estilo, a redação e a estrutura da monografia: Procurar clareza, concisão e simplicidade. Evitar o uso de frases estereotipadas (“por sinal”), o uso de expressões indefinidas (“a maioria”, “uma pequena parte”) e o uso excessivo da voz passiva (será feito, foi realizada); Elaborar parágrafos que não sejam curtos demais nem longos (mais de 10 linhas); Não deixar repetições exageradas, evitar clichês e gírias; As orações sejam construídas na ordem direta (sujeito + verbo + objeto), evitando expressões repetitivas (pro exemplo, “há a possibilidade de que o problema da logística esteja se agravando”, o melhor seria: “pode ser que o problema logístico se agrave”); Colocar os verbos na ordem lógica (em vez de: “eles iam fazer uma recomendação”, seria melhor: “eles recomendaram”); Encadear o assunto de forma lógica, sem “truncar” (mudar bruscamente) a seqüência dos parágrafos e das idéias; Os dados obtidos em conversas informais servem apenas como levantamento de informações, não se devendo utilizá-los como provas conclusivas. Se a monografia se baseia em pesquisa empírica, devem-se explicitar os instrumentos utilizados (questionário, entrevista etc.), colocando-se o modelo e a pauta usada em apêndice; 106 Cuidado com a exatidão: tanto os dados mais importantes quanto os detalhes como título, capa etc. devem corresponder ao conteúdo; As evidências devem ser precisas. Antes da entrega do texto final da monografia, é preciso realizar uma calma e atenta revisão, eliminando-se erros e contradições do texto; Por fim, a indispensável revisão ortográfica, realizada por um especialista. Quais são as partes indispensáveis de uma monografia? Introdução. Colocam-se, em linhas gerais, o tema, a sua delimitação, os objetivos e a metodologia usada na monografia. Deve-se situar o leitor no estado da questão, colocá-lo a par da relevância do problema e do método de abordagem. Pelo fato de refletir o que virá a seguir, a introdução deve ser a última parte a ser escrita, apesar de ser a primeira a aparecer no texto digitado. Desenvolvimento. Compõe-se de capítulos e subcapítulos, que constituem o núcleo da monografia, construídos de acordo com a proposta do projeto de pesquisa. Deve conter a fundamentação teórica (conceitos, idéias e autores utilizados e analisados), a descrição dos dados e a forma como esses foram obtidos. Os capítulos devem estar bem redigidos, com argumentos fundamentados e consistentes. É necessário atenção na forma como se desenvolvem os argumentos. Um pesquisador iniciante deve ter cuidado com afirmações categóricas e genéricas do tipo “é assim”, “todos”, pois elas são arrogantes, questionáveis e de difícil fundamentação. O argumento deve ser preciso. Durante o desenvolvimento dos capítulos da monografia, as fontes devem ser citadas, especialmente conceitos, exemplos, dados e informações extraídas para fundamentar o argumento da monografia. Em relação ao número de capítulos que uma monografia deve ter, há que se considerar a área, o tema, a delimitação do tema etc. De forma geral, sugere-se uma estrutura com três capítulos, cada um deles com respectivas subdivisões. Isso porque e forem usados muitos capítulos, haverá muita dispersão do assunto e você terá que gastar mais tempo para escrever, corrigir e pesquisar. 107 Exemplo geral de uma estrutura de monografia INTRODUÇÃO 1 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL 1.1 História da pedagogia empresarial 1.2 A expansão da pedagogia empresarial 1.3 A pedagogia empresarial nos dias atuais 2 A PEDAGOGIA NA PEQUENA EMPRESA 2.1 Os aspectos problemáticos 2.2 Os aspectos práticos 2.3 Os aspectos administrativos 3 IMPASSES DA PEDAGOGIA EMPRESARIAL NAS PEQUENAS EMPRESAS 3.1 Limites da aplicação em pequenas empresas 3.2 Possibilidades de aplicação 3.3 Os resultados concretos na empresa X CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS Considerações finais: É a síntese das conclusões a que se chegou com a pesquisa e a explicitação de novas questões que surgiram e que poderão ser tratadas em estudos posteriores. TEXTOS COMPLEMENTARES: Texto 01: O Artigo Científico O que éum artigo científico? É um trabalho científico que exige a revisão de literatura (síntese de livros, artigos, teses, monografias e outras fontes acadêmicas existentes sobre o assunto escolhido), pesquisa e rigor intelectual. Os artigos obedecem a normas gerais e específicas. As gerais, aqui apresentadas, foram regulamentadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003). As específicas são elaboradas por Conselhos Editoriais e devem ser consultadas nos diversos periódicos. Como fazer revisão de literatura? Existem duas formas de revisão de literatura: a tópica (conceitos e idéias dos autores, expressos em livros e textos, são colocados na ordem de publicação dos mesmos) e a orgânica (conceitos e idéias são agrupados em torno de temáticas sem, necessariamente, respeitar a ordem cronológica das publicações onde estão tais idéias e conceitos). 108 Quais os tipos de artigo que existem? A Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003) divide os artigos científicos em duas categorias: 1) artigo de revisão: parte de uma publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas e 2) artigo original: parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais. São os relatos de experiência de pesquisa, estudo de caso. Como iniciar um artigo? Inicie o Artigo Científico pela definição do tema. Como dar os primeiros passos? Este primeiro passo deve ser realizado com flexibilidade, liberdade e criatividade. Dica: a) verbalizar e anotar suas idéias sobre o tema pode te ajudar neste processo; b) identifique questões mais específicas, detectando focos mais estreitos relacionados a possíveis temas. 3) partir de algumas questões: este tema pode ser interessante para minha vida pessoal e profissional? Onde quero chegar analisando o tema escolhido? Há material teórico (livros, revistas, sites, etc.)? Ou, não há muito material teórico produzido? Qual o assunto que sempre me interessou, desde a faculdade, em livros, artigos, palestras, cursos, etc.? Qual o conjunto de questões mais me inquieta no meu trabalho? Qual o assunto foco de minhas leituras? Como deve ser a linguagem do artigo? A linguagem científica, que deve ser utilizada para a construção de seu artigo, deve ser clara, objetiva, especializada. O vocabulário do texto do artigo deve ser peculiar da área de pesquisa, não sendo permitidas utilizações de gírias, palavras coloquiais, típicas de contextos informais de uso da língua. Os itens abaixo constituem as exigências da linguagem científica que seu artigo científico, por ser um texto acadêmico, deve conter: Impessoalidade: redigir o trabalho na 3ª pessoa do singular; Objetividade: a linguagem objetiva, afastar as expressões: “eu penso”, “eu acho”, que dão margem a interpretações simplórias e sem valor científico; Estilo científico: a linguagem científica é informativa, racional, firmada em dados concretos, onde podem ser apresentados argumentos de ordem subjetiva, porém dentro de um ponto de vista científico; Os recursos ilustrativos como gráficos estatísticos, desenhos, tabelas são considerados como figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no texto, tendo suas fontes citadas. Com formatar o artigo? Os dados básicos da formatação foram adaptados da ABNT, isso porque a maioria das revistas acadêmicas e cientificas adota o padrão que será exposto a seguir. O tamanho da letra será 12, exceto para nota de rodapé, tamanho 10. Elementos pré-textuais: Título: letras maiúsculas, centralizadas, negrito e entrelinhamento 1,5 na 3ª linha (antes dele, duas linhas em branco de espaçamento, e com entrelinhamento 1,5); Subtítulo: se houver, digitado abaixo dele, antecedido de dois pontos (letras normais, centralizadas, negrito e entrelinhamento 1,5); 109 Autor(es): à direita da página (recuo esquerdo de 8 cm), letras normais, sem negrito e entrelinhamento 1,5; o nome é seguido de chamada para nota de rodapé na primeira página, onde estarão as credenciais do autor (no rodapé: espaço simples, letra tamanho 10, justificado); entre o título (ou subtítulo) e o autor, salta-se uma linha em branco (entrelinhamento 1,5) de espaçamento; entre o autor e o início do resumo, saltam-se duas linhas em branco (entrelinhamento 1,5); Resumo e palavras-chave na língua do texto: (vide regras gerais de formatação da monografia) Elementos textuais: letras normais, justificadas, entrelinhamento 1,5 e recuo de parágrafo de 1, 25 cm; as seções primárias, no caso dos artigos, não iniciam em nova página; as seções e subseções devem ser separadas entre si por duas linhas em branco (entrelinhamento 1,5); antes e depois dos títulos das seções e subseções, deixam-se duas linhas em branco (entrelinhamento 1,5). Introdução: breve exposição inicial, delimitação do assunto, justificativa, objetivos da pesquisa e situação atual do tema; Desenvolvimento: a principal parte, onde se explica e se debate o assunto, fazendo-se a revisão de literatura. Contém a exposição ordenada e pormenorizada do assunto tratado. Divide-se em seções e subseções, que variam em função da abordagem do tema e do método; Considerações Finais: parte final, onde se apresentam as conclusões correspondentes aos objetivos e hipóteses. É a exposição sintética dos resultados a que se chegou. Elementos pós-textuais Referências e fontes consultadas: vide regras gerais na exemplificação. No caso específico dos artigos científicos, as referências não iniciam em nova página, vindo normalmente após o item anterior; 110 VISUALIZAÇÃO DO ARTIGO 1 PARADOXOS NO CAMPO RELIGIOSO? Religião e política Philipe Souza Aguiar 1 RESUMO Este artigo analisa... PALAVRAS-CHAVE: Etimologia. Crítica. Turismo religioso. ABSTRACT This is article… KEY WORDS: Tourism religious. Politics. Behavior. INTRODUÇÃO As questões políticas definem parte do campo religioso. 1 RELIGIÃO E POLÍTICA Segundo Silva (2004), a vida religiosa é importante para a identidade. __________________ 1 Doutor em sociologia pela PUC-RJ, professor da REDE DOCTUM – Guarapari, curso de Direito. E-mail: aguiarsouza@terra.com.br. 2 2 LIBERDADE DE EXPRESSÃO RELIGIOSA Abordada a religião, o problema permanece... 2.1 Os paradoxos do campo religioso O IBGE (2007, p. 10), diz que: “90% da população brasileira é cristã”. Título: claro, conciso, atraente. Autor: filiação, titulação e outros dados. Apresentação geral do artigo Primeiro item do artigo Tradução do resumo e palavras-chave, em geral, para o inglês. Citação indireta no sistema autor-data. Desenvolvimento das questões Subdivisões: didáticas e poucas. Resumo e palavras-chave: contexto, referencial, problema e hipótese. Subtítulo: subordinado. Numeração da páginapágina 111 15 CONSIDERAÇÕES FINAIS Assim, religião e comportamento partidário se mesclam na política... REFERÊNCIAS DIAS, Reinaldo; SILVEIRA, Emerson J. Sena da. Turismo religioso. Campinas: Alínea, 2003. SILVA, José Maria da. A identidade no mundo das religiões: a região fronteiriça. Horizonte, Belo Horizonte, v. 3, n. 5, 2. sem. 2004. Texto 02: A defesa da Monografia O que é defender uma monografia? Em muitas faculdades a monografia precisa ser defendida perante uma Banca Examinadora. É a chamada defesa oral do trabalho. Ela é pública, qualquer pessoa pode assistir e é precedida de editalpublicado nas dependências ou na página eletrônica da faculdade ou universidade. Para que a banca? Para avaliar o trabalho. As bancas são compostas de 2 (dois) ou 3 (três) professores (Graduação), 3 (três) professores (Mestrado) e 5 (cinco) professores (Doutorado). Professores convidados de outras Instituições podem (Graduação) e devem (Mestrado, um professor; Doutorado, dois professores) compor a banca. Como funciona uma banca de monografia? Depois de abrir oficialmente a banca, o presidente (um dos examinadores) passa a palavra ao aluno para uma apresentação oral resumida de sua pesquisa (15 minutos, em geral). A seguir, cada um dos professores (pela ordem: examinador(es) convidado(s) e orientador) faz seus comentários/indagações ao aluno (15 minutos em geral). Como o aluno deve-se portar? O aluno pode optar por responder em bloco aos professores após as manifestações de todos eles ou, individualmente, logo após a manifestação de cada um. Esta última é a opção mais recomendada. De qualquer forma, deve o aluno anotar detalhadamente os pontos abordados pelo professor, tentando ao máximo perceber quais são as questões feitas. O aluno deve estar atento para separar bem o que é uma questão daquilo que é apenas um comentário do professor. Fundamental é a resposta às questões formuladas. Finalizando, o público assistente se retira para a deliberação da aprovação ou não do aluno pelos professores, retornando em seguida, quando chamado, para ouvir a leitura oficial da ata e presenciar sua assinatura. Existe um roteiro para apresentação da monografia? Sim e ele é simples. Siga estes Conclusão: revisão dos pontos, alcance do objetivo, resposta a pergunta. Lista das fontes: artigos, livros, usados, no artigo, sob a forma autor-data. 112 passos: 1. iniciar com agradecimentos, na seguinte ordem: ao orientador, aos membros da banca e às pessoas e/ou instituições que contribuíram efetivamente para a realização do trabalho; 2. exposição da pesquisa realizada: a) tema; b) problema; c) hipótese inicial (se houve); d) justificativas teóricas e empíricas; 3. metodologia utilizada: a) instrumentos usados; b) métodos escolhidos para analisar o material; 4. síntese do conteúdo dos capítulos: dar ênfase às idéias relevantes; 5. considerações finais: diante do estudo, sugestões de possíveis futuros desdobramentos da pesquisa. Existem mais dicas práticas para a defesa? Sim. Ei-las: Certifique-se das regras da instituição quanto a número de cópias da monografia a ser entregue, o tempo previsto para apresentação, o uso de equipamentos, o contato com os membros da banca; Prepare um roteiro escrito; Assista outras apresentações de defesa para observar o funcionamento; Use slides, retroprojetor, data-show ou outro recurso tecnológico, somente se concluir que isso poderá ajudar. Se usar, chegue antes da hora marcada e teste os equipamentos; Tenha sempre à mão um roteiro escrito da apresentação; isso proporcionará maior segurança na exposição; Caso não se sinta seguro, leia o roteiro escrito (em casos extremos de nervosismo, até a leitura de um texto-resumo previamente preparado é permitido), mas o faça com modulações na voz, pausas e lances de olhar aos membros (evite monotonia); Solicite, educadamente, se não entendeu alguma das questões formuladas, esclarecimentos complementares; Preste atenção à formulação do argumento. Caso a pergunta do professor fuja à delimitação do tema, pedindo informações além do que foi proposto, gentilmente, mostre a ele que aquele não foi o seu objeto de pesquisa. Por exemplo, se o professor disser que “gostaria de ouvir sobre a teoria X”, mas ela não foi delimitada na monografia, pode ser dito a ele que “a questão é interessante, entretanto, devido às exigências da delimitação, foi usada apenas a teoria Y”; LEITURA RECOMENDADA: ECO, Humberto. Como se faz uma tese. 18ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2003. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1991 LIMA, M. C. Monografia: a engenharia da produção acadêmica. São Paulo: Saraiva, 2004. SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma Monografia. São Paulo: Martins Fontes 2001. TACHIZAWA, T.; MENDES, G. Como fazer monografia na prática. 4. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1999. 113 BIBLIOGRAFIA: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. 2. ed. Rio de Janeiro, 2006. ______. NBR 10520: informação e documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro, 2002a. ______. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro, 2002b. ______. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro, 2001. BAUER, M.; GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003. BOOTH, W. C.; COLOMB, G. C.; WILLIAMS, J. M. A arte da pesquisa. São Paulo: Martins Fontes, 2000. CABRAL, G.; GUSMÃO, S. N. S.; SILVEIRA, R. Educação Médica. Revista de Medicina de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 3, n. 11, p. 175-179, 2001. CARVALHO, A. et al. Aprendendo metodologia científica: uma orientação para os alunos de graduação. 2. ed. São Paulo: O Nome da Rosa, 2001. CHIZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 5. ed. 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