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1 
Rede de Ensino DOCTUM 
 Núcleo de Educação a Distância - NEaD 
Disciplina: METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO 
Professor Responsável: Msc. Fabrício Emerick Soares 
 
 
 
 
 
 
 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO 
(Conteúdo das Aulas) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Caratinga 
2014 
 2 
 
 
“A vida sem ciência é uma espécie de morte” 
 
(Sócrates) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jornal da Ciência nº 643, 30/04/2009. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 3 
APRESENTAÇÃO 
 
 
Caro acadêmico(a), 
 
 Seja muito bem vindo ao curso da disciplina Metodologia do Trabalho 
Científico na modalidade EaD (Educação a Distância) da Rede Doctum de Ensino. 
A disciplina Metodologia do Trabalho Científico, embora pouco pareça, é mais 
prática e menos teórica, pois, deve estimular os discentes na busca de motivações para 
levantar questionamentos e problemas e procurar-lhes respostas. Contudo, essa 
busca-procura deverá seguir o princípio científico e sua apresentação deverá ser feita 
através das normas acadêmicas vigentes, pois a inserção do aluno no espaço da 
Universidade pressupõe o ingresso no campo da elaboração do trabalho científico. 
Este tem como principal elemento norteador à pesquisa. 
 Sendo assim, parece-nos evidente que a Metodologia do Trabalho Científico 
não é simples conteúdo a ser decorado pelos alunos. Trata-se, na verdade, de fornecer 
aos discentes um instrumental importante para a boa realização do trabalho científico 
através da organização e da disciplina. 
Nestes termos, consideramos bastante relevante o lugar ocupado na 
Universidade pela disciplina de Metodologia do Trabalho Científico, pois, em se 
tratando de curso superior, espaço no qual o aluno busca incessantemente o saber 
científico, é de fundamental importância o entendimento de que a Metodologia 
Científica é o estudo dos caminhos do saber, pois “método” quer dizer caminho e 
“logia” quer dizer estudo e ciência. 
Também é muito importante lembrar neste momento que você está iniciando 
um curso com uma metodologia totalmente diferente e nova para a maioria das 
pessoas. Trata-se de um curso a distância - EaD, onde você não terá um professor a 
discorrer sobre o conteúdo da disciplina. Portanto, o seu desempenho dependerá 
muito de quanto tempo você dispõe para dedicar-se ao curso, dependerá de sua 
autodisciplina, dedicação, compreensão de familiares, capacidade de organizar o seu 
tempo e de seguir um cronograma preestabelecido por você na execução de suas 
tarefas (Agenda Pedagógica). Em contrapartida, uma das características mais 
importantes na Educação a Distância – EaD é a flexibilidade de local e tempo de 
 4 
estudo, uma vez que o discente é o protagonista de sua aprendizagem, sendo 
reservado para o mesmo o papel ativo na construção e reconstrução do 
conhecimento. 
Para tanto, a Rede Doctum de Ensino, numa iniciativa nova e ousada, em 
sintonia com as diretrizes da educação para o século XXI e implementando um projeto 
pegagógico inovador, propõe a oferta da disciplina Metodologia do Trabalho 
Científico na modalidade EaD, disponibilizando ao discente, em linhas gerais, uma 
estrutura/organização acadêmica que contempla: 
 
1 – Conteúdo da Disciplina: todo o conteúdo programático da disciplina de 
Metodologia do Trabalho Científico foi organizado em aulas, em número total de 10, 
disponibilizadas no Portal Universitário Doctum; conforme Agenda Pedagógica, o 
discente deverá fazer o estudo de cada aula indicada nas respectivas etapas de notas; 
as aulas contam com objetivos bem definidos de aprendizagem, conteúdos em forma 
de esquemas explicativos e textos de apoio, além de vídeos que complementam as 
temáticas principais de cada aula e sugestões de bibliografia de pesquisa. 
2 – Tutoria: para o desenvolvimento das atividades da disciplina de Metodologia do 
Trabalho Científico, o discente conta com o apoio de tutores à distância – 
responsáveis por todo o processo comunicativo/interacional entre a disciplina (Portal 
Universitário) e os discentes, além dos tutores presenciais, responsáveis pela 
materialidade da disciplina e pela organização dos encontros presenciais. 
3 – Avaliação da Aprendizagem: o processo avaliativo da disciplina de Metodologia do 
Trabalho Científico, conta com atividades a distância (AD) e atividades presenciais 
(AP); as atividades a distância, contam com as atividades de verificação da 
aprendizagem (VA); quanto as avaliações presenciais (AP) são em número de duas. O 
discente também conta com o exame especial (EE), aplicado ao final do semestre 
letivo. As indicações de descrição, período, duração e valoração em notas das 
atividades a distância e presenciais encontram-se bem definidas na Agenda Pedagógica 
da disciplina. 
 Por fim, quanto aos apsectos legais da oferta da disciplina de Metodologia do 
Trabalho Científico na modalidade EaD, sinalizamos a Portaria nº 4.059, de 10 de 
dezembro de 2004 - DOU de 13/12/2004, Seção 1, p. 34, que estabelece em linhas 
 5 
gerais, a saber: Art. 1: As instituições de ensino superior poderão introduzir, na 
organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta 
de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade semi-presencial, com 
base no art. 81 da Lei n. 9.394, de 1.996, e no disposto nesta Portaria. § 1 Para fins 
desta Portaria, caracteriza-se a modalidade semi-presencial como quaisquer 
atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino-aprendizagem centrados na 
auto-aprendizagem e com a mediação de recursos didáticos organizados em 
diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de comunicação remota. 
§ 2. Poderão ser ofertadas as disciplinas referidas no caput, integral ou parcialmente, 
desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do 
curso. 
Bom semestre letivo para todos... 
Professor Msc. Fabrício Emerick Soares 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 6 
Atividades 
propostas para a 
disciplina 
1ª Etapa de Notas – 
01/08/2013 até 
20/09/2013 
2ª Etapa de Notas – 
21/09/2013 até 
01/11/2013 
3ª Etapa de Notas – 
02/11/2013 até 
06/12/2013 
Exame 
Especial 
 
Aulas Aula 01 
Aula 02 
Aula 03 
Aula 04 
Aula 05 
Aula 06 
Aula 07 
Aula 08 
Aula 09 
Aula 10 
 
Atividade a 
Distância – 
Verificação de 
Aprendizagem - AD 
- VA 
AD – VA 1 ,VA 2, VA 3, 
VA 4, VA 5 e VA 6: 
Valor Total: 30 pontos 
– 01 ponto cada 
questão (Aulas 01, 02, 
03, 04, 05 e 06) 
PRAZO FINAL PARA A 
POSTAGEM DAS AD-VA 
– 20/09/2013 
AD – VA 7, VA 8, VA 9 e 
VA 10: Valor Total: 20 
pontos -– 01 ponto 
cada questão (Aulas 07, 
08, 09 e 10) 
PRAZO FINAL PARA A 
POSTAGEM DAS AD-VA 
– 01/11/2013 
 50 
pontos 
Avaliação Presencial 
– AP 
 AP 1 – Valor: 20 pontos 
(avaliação individual , 
com questões objetivas 
e com consulta ao 
material das aulas 01, 
02, 03, 04, 05 e 06); 
aplicada entre os dias 
23 até 27/09/2013. 
AP 2 – Valor: 30 pontos 
(avliação individual , 
com questões objetivas 
e com consulta ao 
material das aulas 07, 
08, 09 e 10); aplicada 
entre os dias 18 até 
22/11/2013. 
 50 
pontos 
Exame Especial – EE 
(aplicado de 11 até 
17/12/2013); 
avaliação 
individual; sem 
consulta ao 
material das aulas. 
 EE – Valor: 
100 pontos 
 
TOTAL 100 
pontos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 7 
AULA 01: Metodologia do Trabalho Científico – organização e disciplina da vida de 
estudos na universidade 
 
OBJETIVOS: 
* Apresentar os fundamentosconceituais da metodologia, abordando a filosofia e a 
história da ciência, bem como fornecer os pressupostos básicos da pesquisa e do 
trabalho científico, permitindo melhor convivência acadêmica entre professores e 
alunos; 
* Organizar a vida de estudos na universidade, através do conhecimento das diretrizes 
de uma boa leitura, análise e interpretação de textos, o conhecimento dos 
instrumentos de trabalho científico, organização de seminários, dentre outros; 
* Relembrar a importância dos hábitos de estudo científico, possibilitando o 
desenvolvimento de uma vida intelectual disciplinada e sistematizada; 
 * Compreender a importância do conhecimento para o desenvolvimento pessoal e 
profissional; 
* Caracterizar e aplicar os processos da técnica de leitura analítica para análise e 
interpretação de textos teóricos e científicos. 
 
CONTEÚDO: 
Para começar bem a metodologia é preciso começar de si mesmo, começar em 
si mesmo um processo gradual de descoberta, de pensar sobre sua identidade, seus 
desejos, seu estar no mundo, sua direção e seus propósitos. 
 
Sem esse começar, tudo será vazio, nada lhe dirá respeito, nada lhe interessará 
e você passará como branca nuvem, sem aproveitar sua vida nos aspectos mais 
valiosos, e um deles é o aspecto acadêmico. 
Antes de iniciar a jornada pela metodologia... 
 
 Refletir sobre sua opção e escolha: qual meta eu quero atingir em minha 
vida? 
• Sinceridade: consigo mesmo... 
• Questionar-se sobre seus motivos e identidade. 
• Identificar suas resistências e suas afinidades; 
• Consciência da entrada em uma nova etapa da vida: a formação acadêmica; 
• Motivar-se: porque desejo o que desejo? 
 
Metodologia: do grego “meta” (ao largo), “odos” (caminho) e “logos” (discurso, 
estudo), ou o “caminho que conduz ao conhecimento de algo”. 
 
Ciência refere-se a qualquer conhecimento. Etimologicamente vem do verbo 
“saber”. Já no sentido estrito, ela se opõe a opinião, a superstição. Simplesmente quer 
dizer que ela explica algo através da observação. 
 
Os significados de metodologia mudaram ao longo de milhares de anos, e, no 
século XXI, com o rápido desenvolvimento das ciências (e da tecnologia) e do ensino 
superior, a metodologia tem hoje um amplo domínio, com pelo menos três áreas 
distintas, mas inter-relacionadas: 
 8 
 
* Metodologia científica ou da ciência (filosofia da ciência): preocupa-se com as 
reflexões epistemológicas sobre os caminhos das diversas ciências, procurando os 
fundamentos do saber das diversas ciências, os limites da linguagem, dos conceitos, 
das teorias; 
* Metodologia da pesquisa: procura apresentar e aperfeiçoar as diversas maneiras de 
se empreender pesquisas que tenham um cunho acadêmico e científico; apresenta os 
instrumentais de pesquisa (questionário, entrevista etc.) disponíveis e as formas de 
analisar os dados obtidos por meio desses instrumentos; 
* Metodologia do trabalho acadêmico: apresenta os principais tipos de trabalho 
acadêmico, a importância da normalização e formalização dos trabalhos como fator de 
qualidade da produção acadêmica. 
 
De um modo amplo e geral, a metodologia pode ser chamada de 
“metaciência”, ou seja, um estudo e uma prática cujos objetivos são as próprias 
ciências particulares, isto é, um estudo que tem por objeto a própria ciência e as 
técnicas específicas de cada ciência. 
 
O que a Metodologia procura e o que não procura? 
 
a) Não procura soluções, mas escolhe as maneiras de encontrá-las; 
b) Integra os conhecimentos a respeito dos métodos em vigor nas diferentes 
disciplinas científicas ou filosóficas; 
c) Estuda, avalia e identifica as limitações, quanto a utilização, dos métodos 
disponíveis; 
d) Em um nível aplicado, examina e avalia as técnicas de pesquisa bem como a geração 
ou verificação de novos métodos que conduzem à captação e processamento de 
informações com vistas à resolução de problemas de investigação; 
e) Auxilia e orienta no processo de investigação para tomar decisões oportunas. 
 
Qual o maior desafio ao trilhar os caminhos da Metodologia? 
* o uso de processos metodológicos de seu raciocínio lógico; 
* a articulação entre hábitos de pesquisa e estudo com a criatividade e a apresentação 
formal (as regras técnicas). 
 
O que a Metodologia Científica não é e, em alguns casos, não deveria ser? 
* Um amontoado de técnicas, embora estas devam existir; 
* Um “fio” desligado da “tomada”, ou seja, das questões cruciais vividas nas 
disciplinas, na vida cotidiana, que é a sala de aula. 
 
Como assim? De um modo geral, os professores já fazem pesquisa, todos os 
dias, mesmo sem o saberem. Chamamos esse processo de pesquisa assistemática. 
 
Assim, para preparar uma aula, o professor pesquisa, assistematicamente, uma 
bibliografia (seleciona livros, textos, exemplos práticos, monta apostilas), entre outros 
procedimentos comuns. Outras vezes retira de sua própria experiência, reflexões e 
 9 
constatações: “ turma X é assim”, “o perfil do aluno do curso tal é assim...”, a “vida é 
assim”. 
 
A partir das experiências empíricas, empreendemos a generalização ou 
sinédoque, como preferem os lingüistas. Mas a ciência precisa de rigor para fazer 
qualquer generalização. 
 
E temos aqueles que já fazem trabalhos e estudos organizados e trabalham 
com grupos de estudo, em seminários, em associações científicas, em mestrados e 
doutorados, que escrevem livros etc. 
 
Há duas formas de apresentar a metodologia: 
Há diversas maneiras de abordar e apresentar as metodologias. Apresentamos, 
especificamente, duas formas distintas: 
 
Formal – abre-se um “velho” manual. Dele se extraem conceitos e definições. Aplicam-
se conhecidas formas de avaliação, procura-se “reproduzir” o que se leu e aprendeu; 
 
Vital – abre-se a vida, e as experiências do dia-a-dia, e a partir dela mergulha-se nas 
metodologias e nas pesquisas; aplicam-se, de forma inovadora, conhecidas formas de 
avaliação, e, porque não, elaboram-se novas maneiras de avaliar. 
 
Muitas vezes, vem à tona a questão da utilidade e da importância das 
metodologias. Consideradas pelo prisma “formal”, essa questão tende a ser 
respondida de forma negativa, ou seja, o estudo das metodologias é considerado 
inútil, porque detalhista. 
Na maneira “vital”, as questões cotidianas, os interesses mais próximos de nós, 
tornam-se propulsores dos caminhos que queremos trilhar, dos “apetrechos” que 
precisamos usar para a caminhada. Os “apetrechos” são as regras, as normas e 
técnicas. E mais importante é a disposição de ”caminhar”, de buscar conhecimentos, 
pois afinal, os apetrechos servem para ajudar... 
 
Organização e Disciplina na vida acadêmica: 
A inserção do aluno no espaço da Universidade pressupõe o ingresso no campo 
da elaboração do trabalho científico, que tem como principal elemento norteador à 
pesquisa. Para uma boa realização do trabalho científico recomenda-se a organização 
e a disciplina. 
 
Por organização entende-se o bom aproveitamento do tempo, do espaço e dos 
instrumentos, equipamentos e recursos disponibilizados para o estudo, tais como, a 
duração das aulas, os laboratórios e bibliotecas, os livros, computadores e também os 
docentes. 
 
Por disciplina entende-se a dedicação do aluno ao estudo, sabendo beneficiar-
se o máximo possível da vida universitária para sua formação humana e profissional. 
 
 10 
É, pois, finalidade da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico auxiliar 
aos alunos a organizarem-se melhor nesse espaço escolar no qual se encontram e 
através de recomendações, dicas e orientações como poderão lidar com as exigências 
próprias da produção do trabalho científico, embora nada impeça que o aluno crie sua 
estratégia própria de organização, desde que não comprometa o processo de sua boa 
formação acadêmica. 
 
Condições para iniciara Metodologia: 
• Leitura: organização de horários; 
• Posição corporal; 
• Diversificação de fontes; 
• Leitura contínua. 
 
Diretrizes para a Leitura, análise e interpretação de textos: 
Indiscutivelmente, a leitura é o ponto de partida para a realização de qualquer 
trabalho científico. Entretanto, a leitura realizada com a finalidade de se elaborar um 
trabalho científico requer algumas condições como ambiente adequado, organização 
de horários, postura corporal adequada, diversificação dos tipos textuais, estudo do 
vocabulário do texto, questionamento do que se lê, identificação das referências 
históricas e filosóficas contidas no texto, sublinhamento de palavras-chave e idéias 
principais. 
 
Cinco passos básicos para uma boa leitura: 
• 1º passo: leitura elementar ou global: folhear e refletir sobre capa, sumário, 
introdução, conclusão, início de cada capítulo; 
• 2º passo: questionar o que se lê; rascunhar perguntas a lápis no texto, ou 
escrever perguntas no papel sobre o texto; uma técnica é dar títulos, subtítulos, fazer 
grifos, interpretar itálicos etc.; transformam-se os títulos/subtítulos em perguntas, 
esboçando-se, a seguir, respostas. 
• 3º passo: estudo do vocabulário: dicionários específicos (sociologia, psicologia, 
filosofia); levantamento de termos à medida que se lê; Um dicionário comum ajuda, 
mas é indispensável o uso de dicionários específicos (Filosofia, Psicologia, Sociologia) 
para o bom entendimento de um texto. A expressão “papel social”, por exemplo, será 
encontrada em um dicionário de Sociologia. Ainda nesse passo, realize o levantamento 
de termos ou palavras não compreendidas em uma folha, à medida que se lê, sem 
parar a leitura, pelo menos, até o item seguinte; depois procure o significado deles. Na 
pesquisa de vocabulário, faz-se a procura de termos próximos (por exemplo, para o 
termo “racionalidade”, podem ser procuradas “razão”, “objetividade” e “ciência”) ou 
termos da mesma família lingüística (sociologia, sociedade e socialização) ou pela 
origem etimológica (sociologia: do latim socius = sociedade e do grego logia / lógos = 
tratado, estudo). 
• 4º passo: identificar o contexto e as referências históricas, filosóficas, etc.; Mas 
não basta apenas a consulta das palavras, é preciso identificar-se o contexto em que 
são empregadas: a palavra está sendo usada para discutir-se uma proposição, para 
criticar-se um posicionamento? 
 11 
• 5º passo: sublinhar apenas palavras chave. Cuidado para não grifar tudo, não 
se deve pensar que tudo é importante; muitos não conseguem separar o que é 
importante do que é acessório. 
 
Observações: 
• Faça pausas na leitura. Recomenda-se que a cada 50 minutos, se faça uma 
pausa de 10 minutos. Deve-se ter sempre presente: o que o autor quer dizer com tal 
texto? 
• Identificação da tese do autor: todo texto tem uma proposição central, aquela 
que norteia os argumentos do autor. 
• Avaliação das idéias expostas: os argumentos do autor estão bem articulados? 
Que falhas existem na exposição das idéias? Elas estão estreitamente relacionadas 
entre si? 
• Só se devem sublinhar aspectos essenciais. Por exemplo, elementos de coesão 
que criem idéia de oposição (mas, embora etc.); 
• Reconstituição do texto, baseando-se nas palavras e expressões sublinhadas, o 
que permite a visualização imediata das idéias principais. 
Veja-se um exemplo de texto sublinhado: 
“A pergunta crucial do nosso tempo é se as formas de resistência atuais dos 
setores e classes sociais que estão sendo dilacerados pelo sistema têm outras 
alternativas. Uma saída não conservadora que possa aprofundar a democracia e 
retomar a inclusão social como essência do desenvolvimento [...]” (GENRO, 2000, p. 
66). 
 
Pré-condições do Trabalho Acadêmico: 
Diante da exigência de trabalhos acadêmicos, é preciso relembrar as pré-condições 
para uma boa vida acadêmica, para uma boa pesquisa, para um bom aproveitamento 
das disciplinas. Quais seriam: 
 Ambiente adequado; 
 Organização de horários para estudo e leitura; 
 Descanso: a cada hora de estudo 10 minutos de intervalo; 
 Posição corporal adequada: mesmo sendo-se malabarista, deve-se atentar para 
a posição, correta e confortável, ao estudar. 
 Diversificação das fontes de leitura para que se consiga “navegar” pelos 
diferentes tipos de textos. 
 Leitura contínua para a aquisição da prática: quem não possui hábito da leitura, 
ler devagar ou precisar de reler o texto várias vezes. 
 
O trabalho acadêmico, segundo a ABNT é: 
 
 Um documento que resulta de um estudo e que expressa um conjunto de 
conhecimentos construídos e adquiridos nas disciplinas, nos cursos e programas 
desenvolvidos. 
 Definição mais ampla: todo trabalho em forma de documento produzido no âmbito 
do Ensino Superior. 
 Nessa definição entram resenhas, resumos, projetos, relatórios (dos mais variados 
aspectos e formas). 
 12 
 
Forma e da estrutura – ABNT: 
 Os elementos da forma dizem respeito à apresentação gráfica, a como o trabalho 
deve ser digitado. A estrutura dos trabalhos, dizem respeito aos itens obrigatórios e 
essenciais. 
Elementos da estrutura do trabalho: 
O trabalho acadêmico é dividido em três partes básicas: 
* Elementos pré-textuais (antecedem o texto), 
* Elementos textuais (o texto) 
* Elementos pós-textuais (vêm após o texto). 
 
TEXTOS COMPLEMENTARES: 
 
TEXTO 01: O DESAFIO DA LEITURA 
 
 Não basta ir às aulas para garantir pleno êxito nos estudos. É preciso ler e 
principalmente, ler bem. Quem não sabe ler não saberá resumir, não saberá tomar 
apontamentos e, finalmente, não saberá estudar. Ler bem é o ponto fundamental para 
os que quiserem ampliar e desenvolver as orientações e aberturas das aulas. É muito 
importante participar das aulas; elas não circunscrevem, não limitam; ao contrário, 
abrem horizontes para as grandes caminhadas do aluno que leva a sério seus estudos e 
quer atingir resultados plenos de seus cursos. Aliás, quase todas as cadeiras 
desenvolvem programas de pesquisa bibliográfica para que o aluno desenvolva temas 
e reconstrua ativamente o que outros já construíram. Para elaborar trabalhos de 
pesquisa, é necessário ir às fontes, aos autores, aos livros; é preciso ler, ler muito e, 
principalmente, ler bem. 
 Durante as primeiras aulas de qualquer disciplina, os mestres apresentam 
criteriosa bibliografia; alguns livros são básicos, ou de leitura obrigatória, para quem 
quer colher todo fruto das aulas; outros são mais especializados ou se concentram em 
algum item do programa, e pode, entre os tratados gerais de consulta obrigatória, ser 
indicado um, como livro de texto. A indicação do livro de texto tem vantagens e 
inconvenientes cuja a análise ultrapassaria os limites que este compêndio impõe. 
Diremos, apenas, que o aluno não pode ater-se exclusivamente a ele. “Timeo 
Hominem Unius Libri”, diziam os antigos. Devemos temer o homem de um livro só. É 
necessário abeberar-se de outras fontes mais amplas mais especializadas sobre cada 
tema ou sobre cada pormenor dos programas. 
 Se não é possível pensar em fazer um bom curso sem descobrir ou fazer 
aparecer espaços de tempo para o estudo extra-aula e se é necessário programar 
criteriosamente a utilização desse tempo, não seria igualmente impossível pensar em 
fazer um bom curso sem ter à mão boas fontes de leitura? É possível que se pretenda 
fazer um curso universitário sem freqüentar bibliotecas ou sem adquirir, ao menos, os 
livros básicos para cada programa? 
 A leitura amplia e integra os conhecimentos, desonerando a memória, abrindo 
cada vez mais os horizontes do saber, enriquecendo o vocabulário e a facilidade de 
comunicação, disciplinando a mente e alargando a consciência pelo contato com 
formas e ângulos diferentes sob os quais o mesmo problema pode ser considerado. 
Quem lê constrói sua própria ciência; quem não lêmemoriza elementos de um todo 
 13 
que não se atingiu. E, ao terminar um curso superior, deveríamos não só estar 
capacitados a repetir o que foi aprendido na faculdade, como também estar 
habilitados a desenvolver, através de pesquisas, temas nunca abordados em aulas. 
Deveríamos ser uma pequena fonte, não um pequeno depósito de conhecimentos, ou 
mero encanamento por onde as coisas apenas passam. 
 É preciso ler, ler muito, ler bem. 
 É preciso sentir atração pelo saber, e encontrar onde buscá-lo. É necessário 
iniciar este trabalho com determinação e perseverar nele; o crescimento cultural tem 
crises como o crescimento físico; quem não sente apetite não deve deixar de 
alimentar-se; comprometeria sua saúde. Também na leitura trabalhada devemos ser 
perseverantes; só esta perseverança garantirá aquela espécie de saltos de integração 
de dados, que se vão acumulando e associando como frutos da leitura continuada. 
 
TEXTO 02: A IMPORTÂNCIA DA LEITURA 
 
Antes de evidenciarmos a importância da leitura, precisamos entender o que é 
ler e porque a leitura é uma atividade complexa que envolve vários aspectos, pois 
exige que o leitor mobilize diferentes tipos de conhecimentos para realizá-la. 
 De acordo com Isabel Solé, ler é um processo de interação entre o leitor e o 
texto. (Solé, 1987). Esta afirmação implica em várias conseqüências. Primeiro envolve 
a presença de um leitor ativo que processa e examina o texto, depois vem a existência 
de um objetivo para guiar a leitura, quer dizer uma finalidade. O universo de objetivos 
e finalidades que levam um leitor a um texto é amplo e variado; devanear, preencher 
um momento de lazer, buscar informações concretas, informar-se sobre um 
determinado fato, confirmar ou refutar sobre um conhecimento prévio, aplicar os 
conhecimentos obtidos com a leitura na realização de um trabalho. 
 Leitura é também construção de sentidos, Os PCNs em um trecho dizem que: "A 
Leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção de 
significados do texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento sobre o 
assunto, sobre o leitor, de tudo o que se sabe sobre a língua: características do gênero, 
do portador, do sistema de escrita: decodificando-a letra por letra, palavra por palavra. 
Trata-se de uma atividade que implica necessariamente, compreensão na qual os 
sentidos começam a ser construídos antes da leitura propriamente dita. Qualquer 
leitor experiente que consegue analisar sua própria leitura constatará que a 
decodificação é apenas um dos procedimentos que utiliza quando lê: a leitura fluente 
envolve uma série de outras estratégias como seleção, antecipação, inferência e 
verificação, sem as quais não é possível rapidez e proficiência. "(PCNs, 1998). Nessa 
perspectiva permite-nos dizer que o leitor competente é aquele que é capaz de 
selecionar e utilizar dos mais variados textos que circulam socialmente e que consegue 
entender o que ler. 
 A Leitura constitui um importante escudo contra o processo de alienação, mas 
isso só é possível a partir do momento em que o sujeito compreende o que lê, ou seja, 
é capaz de ler além do texto. A Leitura tem uma função crítica e social muito 
importante, pois dá ao homem direito à opção, a um posicionamento próprio da 
realidade. 
 Podemos considerar que há finalidade da leitura que fazem parte das 
perspectivas gerais do individuo: 
 14 
 Ampliar a visão do mundo; 
 Inserir o indivíduo na cultura letrada; 
 Possibilitar a vivência de emoções; 
 Permitir a compreensão do processo comunicativo da linguagem; 
 Favorecer o processo de humanização e interagir nas relações sociais de seu 
tempo. 
 Dessa forma, uma educação que se queira libertadora, humanizante e 
transformadora passa necessariamente, pelo caminho da Leitura. E na organização de 
uma sociedade mais justa e mais democrática que vise a ampliar as oportunidades de 
acesso ao saber, não se pode desconhecer a importante contribuição política da 
leitura. 
 
LEITURA RECOMENDADA: 
 
ALVES, Rubem. A aula e o seminário. In: __________. O amor que acende a lua. São 
Paulo: Papirus, 1999. 
DEMO, Pedro. Princípio científico e educativo. 8ª ed. São Paulo, Cortez, 2001. 
LAVILLE, C.; DIONE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em 
ciências humanas. Belo Horizonte: UFMG; Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. 
LIBANIO, J. B. Introdução à vida intelectual. São Paulo: Loyola, 2001. 
SILVA, José Maria; SILVEIRA, Emerson Sena. Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: 
normas e técnicas. Juiz de Fora: Juizforana, 2002. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 15 
AULA 02: Elaborando os Trabalhos Acadêmicos 
 
OBJETIVOS: 
* Apresentar os principais tipos de trabalho acadêmico tanto do ponto de vista dos 
conceitos, quanto das normas técnicas; 
* Identificar, caracterizar e diferenciar os principais tipos de trabalho acadêmico e os 
elementos constitutivos dos mesmos; 
* Apontar as diversas técnicas de documentação para elaboração do trabalho 
acadêmico e Identificar as características da linguagem científica. 
 
CONTEÚDO: 
 
Elaborando Fichamentos, Resumos e Resenhas... 
 
Relembrando os passos básicos da leitura: 
 Visão global: toma-se o livro ou texto, faz-se a leitura e a reflexão sobre o 
sumário, as “orelhas”, os subtítulos, a introdução, a conclusão e a lista das fontes de 
pesquisa; 
 Questionamento do que se lê: faz-se uma série de perguntas ao texto, 
rascunhadas (a lápis); 
 Um dicionário comum ajuda, mas é indispensável o uso de dicionários 
específicos (Filosofia, Psicologia, Sociologia); 
 Realizar um levantamento de termos não compreendidos; 
 Identificação das referências históricas e sociais contidas, para que o contexto 
seja esclarecido; 
 Na busca da essência do texto, o leitor tenta identificar as idéias principais. 
 
 
Nesta etapa, são exigências: 
a) A apreensão das principais proposições do autor; 
b) Não perder tempo, registrando-se detalhes; 
c) Conhecimento dos argumentos do autor (refutação, comprovação ou 
questionamento); 
d) Deve-se ter sempre presente: o que o autor quer dizer com tal texto? 
e) Avaliação das idéias expostas: os argumentos do autor estão bem articulados? Que 
falhas existem na exposição das idéias? Elas estão estreitamente relacionadas entre si? 
 
Organização da leitura 
• Ao se ler um livro ou qualquer texto para um resumo, uma prova, uma 
monografia, um relatório etc., é essencial que se façam anotações por escrito. 
• Podem ser utilizadas duas maneiras: a) anotação esquemática: um esquema 
numerado das idéias principais; b) anotação resumida: colocação das idéias principais. 
• Para realizá-las, é necessário: ler o texto sem interrupção; reler; levantar 
informações importantes para a compreensão do que se lê; sublinhar e rascunhar as 
anotações. 
 
 
 16 
FICHAMENTOS DE LEITURAS: 
 
• Os fichamentos destinam-se ao registro da leitura, essencial ao trabalho 
acadêmico (MEDEIROS, 2000). Eles podem ser feitos no computador, em fichas de 
papel com pauta, ou mesmo em folhas de ofício comuns (ou caderno, mas sem picote). 
Havendo necessidade de mais de uma ficha, elas serão numeradas no canto direito 
superior. 
• Os tipos básicos de fichamentos são: 
 
a) Fichamento de bibliografia: levantamento de livros, artigos e outras fontes sobre 
um tema. Um título genérico deve indicar o assunto que se está fichando (Cultura e 
violência, no exemplo abaixo). 
Cultura e violência 1 
MOESCH, N. Brasil: exclusão, direito e violência. Revista Científica da REDE DOCTUM, 
Caratinga, ano 23, v. 2, p. 34-56, abr. 2009. 
SARAMAGO, J. O novo mundo digital. Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 junho 2003.Mais!, p. 3. 
SARAIVA, Bernardo. O mundo da violência. Petrópolis: Vozes, 2003. 
Obs.: a ficha de bibliografia pode ser prolongada indefinidamente e deve passar por 
uma constante atualização. 
 
b) Fichamento de citação: transcrevem-se os trechos essenciais do livro ou texto. 
Usam-se aspas e registra-se a página de onde foi retirada a citação. Obs.: Colocar o 
número da página da qual se extraiu a citação é essencial. Cuidado com o recorte de 
frases! Atentar para o contexto no qual elas estão inseridas. 
 
 
c) Fichamento de resumo: resume-se o conteúdo da leitura (partes ou todo). 
 
Metodologia da ciência 1 
 
ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 15. ed. 
Brasiliense: São Paulo, 1992, capítulo 01. 
 
P. 03-05 – Esse texto reflete sobre a relação de semelhança entre senso-comum e a 
ciência. Analisa as imagens mais comuns sobre a ciência e o cientista. Defende que é 
preciso superar a crença de que o cientista, em relação a outras pessoas comuns, 
pensa mais e melhor. 
 
 
Metodologia da ciência 1 
 
ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 15. ed. 
Brasiliense: São Paulo, 1992. 
 
P. 11 - “O cientista virou um mito. E todo mito é perigoso, porque ele induz o 
comportamento e inibe o pensamento.” 
 17 
RESENHA: 
O que é resenha, afinal? A resenha é um “trabalho crítico, exigente e criativo” 
(MEDEIROS, 2000). Podem ser resenhados filmes, peças teatrais, livros literários 
(romance, poesia etc.), livros acadêmico-científicos, artigos etc. Seu tamanho, em 
geral, varia de três a seis páginas. Há dois tipos de resenha: descritiva e avaliativa. O 
primeiro tipo é geral, aparece em jornais e revistas de grande circulação. O segundo é 
mais específico, sendo a resenha realizada por especialistas da área em questão, 
aparecendo em revistas acadêmico-científicas. 
A resenha compõe-se de 3 partes básicas: 
1- Breve resumo inicial: apresentam-se o autor e o livro; as conclusões/metodologia do 
autor, explicitando-se as teorias e os dados nos quais o autor se baseou; 
 
2 - Apreciação crítica: avaliação da qualidade/consistência. O resenhista posiciona-se, 
analisando-o (não usa ADJETIVOS ou “Eu acho”), comenta as fontes, teorias e autores 
mencionados; identifica os diversos tipos de contexto nos quais a obra está inserida: 
(histórico,social, político). A crítica deve seguir dois caminhos: a) interna (conteúdo da 
obra e significado analisados); b) externa (obra analisada nos contextos cultural e 
social nos quais foi produzida); 
 
3 - Conclusão: síntese ou elaboração de um texto que expresse de forma sintética as 
idéias originais. É opcional a recomendação da leitura. 
 
A resenha deve fazer três tipos de análise: 
 
Análise textual: pesquisa do vocabulário e sondagem dos fatos apresentados e 
autoridade dos autores citados; estudam-se conceitos, termos empregados, dados 
históricos e teorias usadas; a seguir, elabora-se um rascunho; 
 
Análise temática: responde-se às seguintes questões: sob qual perspectiva o texto 
trata dos assuntos? Que problema o autor enfoca? Como soluciona? Que posição 
assume? Como demonstra o raciocínio? 
Análise interpretativa: apresenta-se uma posição a respeito das idéias do texto. Situa-
se o autor em um contexto, respondendo-se às seguintes questões: qual a 
coerência/originalidade do texto? Qual a contribuição que apresenta? O autor atinge o 
objetivo proposto? O que deixou de ser abordado? A abordagem foi adequada? 
 
A resenha é digitada com as seguintes regras: 
 
 Título: a resenha PODE (ou não) ter título próprio digitado em letras maiúsculas, 
tamanho 12, centralizadas, negritadas e entrelinhamento 1,5, na 3ª linha. O subtítulo 
(se houver) deve subordinar-se ao título, com a mesma formatação, separado do título 
por dois pontos. 
 Autor: nome de quem fez a resenha, seguido de uma nota de rodapé na primeira 
página, com o breve relato das credenciais do autor da resenha. 
 Nome do autor digitado com recuo esquerdo de 8 cm (letras normais, 12, sem 
negrito, com entrelinhamento 1,5); entre o título/subtítulo e o autor, deixa-se uma 
linha em branco de espaçamento (tamanho 12 e entrelinhamento 1,5). 
 18 
 Referência: letra tamanho 12, alinhadas à esquerda, entrelinhamento simples; 
entre o nome do autor da resenha e a referência, deixa-se uma linha em branco de 
espaçamento; o mesmo espaçamento entre a referência e o início do texto. 
 O texto da resenha é escrito em letras normais, tamanho 12, justificadas e com 
entrelinhamento 1,5. 
Exemplo: 
 
CILENE, Emile. A falência do modelo patriarcal de família. 3. ed. São Paulo: Graal, 
2009, 40 páginas, 14 x 21 cm, ISBN 309868-89. 
 
Haverá um futuro para a família tradicional? 
Renato Emílio1 
 
Emile Cilene, pesquisadora e socióloga francesa radicada no Brasil é 
considerada um das melhores estudiosas da sociologia da família. Pesquisando 
estatísticas e desenvolvendo análises longitudinais, o livro é perturbador, para dizer o 
mínimo. 
Segundo Cilene, a família patriarcal tradicional está em constante e 
irremediável declínio, constatação que aparece ao longo dos dez capítulos da obra. 
Escrito originalmente na década de 1979, é criativo, porém peca ao não citar 
as fontes. O livro é escrito em uma postura ofensiva, sem atentar para a linguagem 
científica. 
Nos capítulos iniciais, a família patriarcal é demolida a golpes de psicanálise e 
sociologia. A família patriarcal é fonte de neuroses e acumuladora de capital. 
Portanto, apesar de ser um clássico na sociologia das famílias, é preciso ler 
com cuidado, pois falta ao autor, a linguagem científica exigida em um assunto tão 
importante. 
____________________________ 
1 Mestre em Administração, professor da Rede Doctum ou Aluno do 2º período do 
curso de Administração das Faculdades Doctum de Caratinga. 
 
RESUMO: 
O que é um resumo? Ele pode ser definido como “uma apresentação sintética e 
seletiva das idéias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação entre elas” 
(MEDEIROS, 2000, p. 123). 
 
O que não é resumir? Resumir não é cópia, não é substituição de um termo ou outro, 
não é inversão da ordem da frase. Por fim, ele não deve apresentar crítica, pois, nesse 
caso, tornar-se-ia uma resenha. 
 
Os resumos são classificados em dois tipos básicos: 
 
Resumo indicativo: resumo da idéia principal. Digitado em bloco único. (notas e 
comunicações, “orelhas” de livros, artigos e trabalhos de conclusão, relatórios técnico-
científicos, dissertações e teses); 
Referência com os dados completos 
Título de apresentação da resenha (opcional) 
Nome do resenhista, indicado por uma nota de 
rodapé na primeira página. 
Introdução: panorama da obra. 
Conclusão: posição e recomendação. 
Apresentação do autor e do livro. 
Credenciais do resenhista. 
Análise, apreciação ou desenvolvimento. 
 19 
Resumo informativo: expõe finalidades, metodologia, resultados e conclusões, 
podendo substituir a consulta ao texto original. Pode chegar à cerca de 15% do texto 
completo. 
 
Como deve ser um bom resumo? Ao se resumir um livro (ou partes), um artigo etc., o 
texto deve ser redigido como um todo, com poucas divisões internas e sem se 
imitarem as divisões de capítulos/itens do livro ou do texto. 
 
Quais são os principais itens de um resumo? Para que seja inteligível, o resumo deve 
conter três partes: 1 - Introdução: apresentação do autor do livro ou texto 
(credenciais, formação etc) e do livro (exposição geral dasidéias importantes e da 
estrutura do livro ou obra); 2 - Desenvolvimento: assunto do texto, objetivo, 
metodologia, critérios utilizados e a articulação das idéias; 3 - Conclusão: síntese dos 
principais argumentos do autor. 
 
Qual poderia ser o estilo de redação do resumo? Pode-se: a) Usar linguagem pessoal 
(“busco apresentar neste trabalho...”) ou impessoal (“busca-se apresentar neste 
trabalho...”), desde que ela seja uniforme ao longo de todo o trabalho; 
Não usar adjetivos! 
Resumir comporta duas partes: 1. a compreensão do texto original; 2. a elaboração de 
um texto pessoal. Na construção da redação final do resumo, a idéia do autor do texto 
original surge reelaborada. O principal instrumento disso é a paráfrase. 
 
O que é paráfrase? É traduzir “as palavras de um texto por outras de sentido 
equivalente, mantendo as idéias originais” (MEDEIROS, 2000, p. 151). 
 
Evite a paráfrase de simples substituição, muito comum. As palavras são substituídas 
por termos equivalentes, ou inverte-se a ordem da frase. Exemplo: “O problema, 
portanto, não é realizar ou não as reformas, mas como realizá-las”. Paráfrase pobre: O 
problema é como realizarem-se as reformas, não saber se vão ou não ser realizadas. 
Essa paráfrase é pobre, é quase plágio. 
 
Segundo o dicionário Aurélio, plágio significa “Assinar ou apresentar como seu (obra 
artística ou científica de outrem)”. A origem etimológica da palavra ilustra o conceito 
que ela carrega: vem do grego (através do latim) plagios, que significa trapaceiro (...) 
(FERREIRA, 2004). 
 
Quais são os passos do resumo? 
PRIMEIRO - Ler atentamente: uma leitura de folheio e outra mais profunda 
(vocabulário); 
SEGUNDO - Sublinhar as palavras-chave; 
TERCEIRO – Aplicar, caso seja possível, 3 itens: 
1- Enxugamento: cortar todas as palavras não essenciais ou que não interfiram no 
sentido do texto; (cuidado com palavras de oposição: mas, contudo, todavia) 
2 – Generalização: trocar elementos particulares por um elemento geral. Exemplo: 
 Em um dia de domingo, José foi a feira comprar batata, chuchu, cenoura e nabo. 
 José comprou legumes na feira. 
 20 
3 – Seleção: o texto é relido e seleciona-se os termos definitivos; 
QUARTO – Rascunho: elabora-se um rascunho sem ler o original. 
QUINTO - Depois se compara com o original, corrigi-se e se faz o definitivo. 
 
Diretrizes para a realização de um Seminário: 
 
O que é um seminário? O seminário é um procedimento que usa dinâmica de grupo 
para estudo e pesquisa. 
 
Qual seu objetivo? Ele visa a aprofundar a reflexão sobre determinado problema a 
partir da utilização de textos/equipes. É um círculo de debates para o qual todos 
devem estar suficientemente preparados. Pode incluir o uso de recursos visuais 
 
Existem diverso tipos de seminário? Sim, entre eles: 
 1- Seminário temático: os participantes apresentam trabalhos, diversificados quanto à 
maneira de abordagem do tema, mas convergentes na temática. Um seminário sobre 
violência, por exemplo, pode apresentar e discutir visões diferentes acerca do tema; 
nesse caso, pode-se lançar mão de outros recursos (vídeo, murais, símbolos etc.) 
desde que não exceda o tempo de apresentação do grupo; 
2 - Seminário de leitura/estudo de textos: escolhem-se diversos textos por tema, os 
quais todos os participantes devem ler, para que ocorra um bom debate. A lista das 
fontes precisa ser bem selecionada. Não é recomendável a divisão de páginas de 
leitura ou capítulos de uma mesma obra entre os membros do grupo. Isso dificulta a 
visão do todo. O ideal é que todos leiam integralmente o texto e, depois, discutam. 
 
Quais os procedimentos importantes para a boa realização de um seminário? 
 Cada equipe do seminário tenha no máximo 5 ou 6 integrantes; 
 A equipe deve reunir-se algumas vezes antes da apresentação, para melhor 
preparar o seminário; 
 A arrumação do local deve permitir o diálogo coletivo (disposição circular é uma 
alternativa, entre outras); 
 É necessário um texto-roteiro, escrito e distribuído com antecedência aos 
participantes (pelo menos uma semana antes). O texto deve ter: apresentação geral 
(resumo do tema), esquema (tópicos), questões para debate (2 ou 3) e o trecho de um 
livro, artigo etc., que sirva de base às discussões; 
 O coordenador do seminário e distribui o tempo da apresentação de cada grupo 
(máximo 20 minutos) e realiza intervenções oportunas. O tempo deve ser dividido de 
forma a se contemplarem os seguintes momentos: breve apresentação inicial do tema, 
apresentação das questões norteadoras, amplo debate acerca do tema e breve 
conclusão. 
 
O professor poderá intervir nas exposições e debates sempre que julgar necessário, 
pois o seminário é como juntar as peças de um grande quebra-cabeça: cada um tem 
um pedacinho. Qualquer um do grupo pode fazer a pergunta inicial. O professor 
funciona apenas como juiz da partida (ALVES, 1999). 
 
 
 21 
TEXTOS COMPLEMENTARES: 
 
TEXTO 01: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/L9610.htm 
 
TEXTO 02: ERA DA INFORMAÇÃO OU DO LIXO ELETRÔNICO? 
Stephen Kanitz - administrador e economista. 
 
"Vigilância epistêmica" é a preocupação que todos nós devíamos ter com relação a 
tudo o que lemos, ouvimos e aprendemos de outros seres humanos, para não sermos 
enganados. Significa não acreditar em tudo o que é escrito e é dito por aí, inclusive 
em salas de aula. Achar que tudo o que ouvimos é verdadeiro, que nunca há uma 
segunda intenção do interlocutor, é viver ingenuamente, com sérias conseqüências 
para nossa vida profissional. Discordo profundamente desses gurus, estamos na 
realidade na "Era da Desinformação", de tanto lixo e "ruído" sem significado científico 
que nos são transmitidos diariamente por blogs, chats, podcasts e internet, sem a 
menor vigilância epistêmica de quem os coloca no ar. É mais uma conseqüência dessa 
visão neoliberal de que todos têm liberdade de expressar uma opinião, como se 
opiniões não precisassem de rigor científico e epistemológico antes de ser emitidas. 
Infelizmente, nossas universidades não ensinam epistemologia, aquela parte da 
filosofia que nos propõe indagar o que é real, o que dá para ser mensurado ou não, e 
assim por diante. Embora o ser humano nunca tenha tido tanto conhecimento como 
agora, estamos na "Era da Desinformação" porque perdemos nossa vigilância 
epistêmica. Ninguém nos ensina nem nos ajuda a separar o joio do trigo. Foi por isso 
que as "elites" intelectuais da França, Itália e Inglaterra no século XIV criaram as várias 
universidades com catedráticos escolhidos criteriosamente, justamente para servir de 
filtros [...] Há 500 anos nós, professores titulares, livres-docentes e doutores, nos 
preocupamos com o método científico, a análise dos fatos usando critérios científicos, 
lógica, estatísticas de todos os tipos, antes de sair proclamando "verdades" ao grande 
público. Hoje, essa elite não é mais lida, prestigiada, escolhida, entrevistada nem 
ouvida em primeiro lugar. Pelo contrário, está lentamente desaparecendo, com sérias 
conseqüências. 
 
Fonte do texto: Revista VEJA; São Paulo: Abril, edição 2028, ano 40, n º 39, 3 de out. 
2007, p. 20. 
 
 
LEITURA RECOMENDADA: 
DEMO, Pedro. Metodologia Científica em Ciências Sociais. 3ª edição. São Paulo: Atlas, 
1995. 
LAVILLE, C.; DIONE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em 
ciências humanas. Belo Horizonte: UFMG; Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. 
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 
1992. 
MORIN, E. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1996. 
SILVA, José Maria; SILVEIRA, Emerson Sena. Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: 
normas e técnicas. Juiz de Fora: Juizforana, 2002. 
 
 22 
AULA 03: A Ciência e o Conhecimento nas suas múltiplas interações – Apontamentos 
sobre o Conhecimento Humano 
 
OBJETIVOS:* Reconhecer a importância do conhecimento para o desenvolvimento pessoal e 
profissional. 
* Identificar a importância do conhecimento para o desenvolvimento de uma nação. 
* Identificar os tipos de conhecimento existentes diferenciando-os do conhecimento 
científico a partir da caracterização dos mesmos; 
* Compreender os conceitos dos tipos de conhecimento e sua aplicabilidade na 
construção da ciência 
 
O Conhecimento Humano e seu Foco Histórico... 
 
Antes de tudo, é necessária a compreensão de que o conhecimento é a 
incorporação de uma explicação nova, ou original, ou a revisão de alguma outra 
explicação sobre um determinado fato, fenômeno ou evento. 
 
Disto decorre que o conhecimento não nasce do vazio, mas das atividades 
humanas, de suas experiências cotidianas. Por isso o homem é o único ser capaz de 
criar, produzir e transformar conhecimento, bem como aplicá-lo em diferentes meios e 
situações visando a melhoria da condição humana. 
 
 Nesse processo, criamos sistemas simbólicos, como a linguagem, do qual nos 
utilizamos para registrar nossas próprias experiências e repassá-las aos outros. Por 
essa razão, o conhecimento científico deve ser entendido como uma forma de 
conhecimento, mas não a única, pois se trata de uma linguagem (ou sistema simbólico) 
própria para o registro e transmissão das experiências humanas. 
 
Os Tipos de Conhecimento... 
 
Conhecer é atividade fundamental e importante para as ciências em geral, para 
os homens, para as organizações. Na vida pessoal e profissional. 
 
Mas como se conhece? Com o é possível ter certezas sobre o que se conhece? 
Quais são os tipos de conhecimento? 
 
São perguntas importantes para adentrar na metodologia, ou seja, no caminho 
que conduz ao conhecimento. 
 
 
POR ONDE A GENTE APRENDE E CONHECE? 
 
 
Pense nas situações abaixo: 
 
 23 
 Um grupo de guerreiros indígenas toma cuidado quando colocam a canoa na 
água porque crêem que se ela balançar não terão êxito na pesca; 
 Um homem anda pelo mato, corta um galho na forma da letra V, levando-o 
suspenso acima do solo procurando fontes de água; 
 Um médico percorre as páginas de um livro de Dermatologia tentando 
identificar uma erupção na pele de um paciente; 
 
 Cada uma dessas pessoas procura solução e explicação. Suas fontes de "verdade". 
 
E, em termos metodológicos, quais poderiam ser as fontes da verdade ou das 
verdades? 
 
Intuição: qualquer lampejo de introvisão (certa ou errada) cuja fonte o receptor não 
pode ou não consegue identificar/explicar totalmente. 
 
Ex.: Galeno, médico grego do século II d. C.. Preparou um mapa do corpo humano que 
mostrava onde poderia ser penetrada a pessoa humana que 
houvesse ferimento fatal. Como sabia? Apenas sabia. 
 
Autoridade: legitima a massa de experiência e de conhecimento. 
 
Ex.: Galeno, médico grego foi citado e usado como fonte verdadeira até cerca de 1800 
pelos médicos. Outra autoridade na área dos conhecimentos em geral foi Aristóteles. 
 
Uma autoridade não descobre novas verdades, mas pode sufocar ou impedir a 
investigação e a descoberta de outras. 
 
Ex: A Inquisição Católica, O Partido Comunista etc. 
 
Mas a autoridade é um ponto de referência. Por quê? Grande quantidade de 
conhecimentos = os indivíduos não dominam todo conteúdo = os especialistas que 
coletaram conhecimento em determinado campo. 
 
Autoridade pode ser: 
 
Autoridade religiosa ou sagrada, que surge da fé, da tradição ou de documentos 
sagrados: Bíblia, Alcorão ou Tradição oral; 
 
Autoridade secular, que surge do acúmulo da tradição não-religiosa por meio da 
literatura ou das comprovadas investigações científicas. Subdividida em: científica 
secular e humanista secular. 
 
a) Tradição e costumes: Caracteriza-se pelo acúmulo de experiências e informações. 
Porém preserva tanto sabedoria como informações inúteis. 
 
b) Bom senso: podem ser definidas como um grupo de idéias formuladas pela 
observação e experiência assistemática, sem controle científico. Elas frequentemente 
 24 
resultam em auto-engano, pois alega-se que não precisam de provas ou então que já 
forma provadas. Não resistem a uma análise científica mais eficaz. 
 
Leia os exemplos: 
 O caráter de uma pessoa transparece no rosto; 
 Quem trapaceia nas cartas trapaceia nos negócios; 
 A literatura pornográfica encoraja crimes e perversões sexuais; 
 
Esses ditados populares são apenas impressões, pois a investigação científica constata 
que: 
 
 Não existe correlação definida entre as características faciais e as da 
personalidade 
 A honestidade em uma situação pouco diz sobre o comportamento de uma 
pessoa em outra 
 Não existe correlação entre o consumo de literatura pornográfica e 
comportamento sexual socialmente desaprovado. 
 
 Bom senso e tradição estão juntas e formam o saber tradicional de um 
povo. O chamado conhecimento popular ou senso comum. A distinção entre os dois 
tipos de fontes de verdade é a seguinte: a primeira seriam as “verdades” aceitas sem 
critica (recentes ou antigas) e a segunda seriam as “verdades” que a muito tempo se 
acreditam que sejam assim. 
 
 O bom senso reúne observações práticas da vida social. Muitas vezes se 
baseiam em ignorância, preconceito e interpretação errônea. Ex.: o europeu medieval 
observando que os pacientes febris estavam livres de piolhos, o que não ocorria com 
os outros tiraram conclusões do bom senso de que o piolho curava a febre e por isso 
salpicavam de piolhos a cabeça dos pacientes febris. 
 
CONSTRUINDO CONCEITOS A PARTIR DOS TIPOS DE CONHECIMENTO: 
 
Conhecimento 
Popular 
Conhecimento 
Filosófico 
Conhecimento 
Religioso 
(Teológico) 
Conhecimento 
Científico 
Valorativo 
Reflexivo 
Assistemático 
Verificável 
Falível 
Inexato 
Valorativo 
Racional 
Sistemático 
Não verificável 
Infalível 
Exato 
Valorativo 
Inspiracional 
Sistemático 
Não verificável 
Infalível 
exato 
Real (factual) 
Contingente 
Sistemático 
Verificável 
Falível 
Aproximadamente 
exato 
Fonte: (TRUJILLO,1974) 
 
 
 
 
 25 
Conhecimento Popular: 
 
Pelo conhecimento empírico, a pessoa percebe entes, objetos, fatos e 
fenômenos e sua ordem aparente, tem explicações concernentes à razão de ser das 
coisas e das pessoas. Esse conhecimento é constituído de interações, de experiências 
vivenciadas pela pessoa em seu cotidiano e de investigações pessoais feitas ao sabor 
das circunstâncias da vida; é sorvido dos outros e das tradições da coletividade ou, 
ainda, tirado de uma religião positiva (CERVO; BERVIAN; SILVA apud IBE, 2010, p.05). 
 
A pessoa comum, que não precisa operacionalizar métodos e técnicas 
científicas para a construção de seu conhecimento, tem, entretanto, conhecimento do 
mundo material exterior em que se acha inserida e de um certo número de pessoas, 
seus semelhantes, com as quais convive. Vê essas pessoas no momento presente, 
lembra-se delas, prevê o que poderão fazer e ser no futuro. Tem consciência de si 
mesma, de suas ideias, tendências e sentimentos. Cada qual se serve da experiência do 
outro ora ensinando, ora aprendendo, em um intenso processo de interação humana e 
social. Pela vivência coletiva, os conhecimentos são transmitidos de uma pessoa a 
outra e de uma geração a outra. (IBE, 2010, p.05) 
 
Conhecimento Filosófico: 
 
Distingue-se do conhecimento científico pelo objeto de investigação e pelo 
método. O objetodas ciências são os dados próximos, imediatos, perceptíveis pelos 
sentidos ou por instrumentos, pois, sendo de ordem material e física, são suscetíveis 
de experimentação. O objeto da filosofia é constituído de realidades mediatas, 
imperceptíveis aos sentidos e que, por serem de ordem suprassensíveis, ultrapassam a 
experiência. A ordem natural do procedimento é, sem dúvida, partir dos dados 
materiais e sensíveis (ciência) para se elevar aos dados de ordem metafísica, não 
sensíveis, razão última da existência dos entes em geral (filosofia). Parte-se do 
concreto material para o concreto supramaterial, do particular ao universal (CERVO; 
BERVIAN; SILVA apud IBE, 2010, p.06). 
 
Para (SOUZA; FIALHO; OTONI, apud IBE, 2010, p. 08) o conhecimento filosófico 
se caracteriza pelo esforço da razão em questionar os problemas humanos. Reflete a 
crença de um grupo de pessoas que são os filósofos. A postura destes é especulativa 
diante dos fenômenos gerando conceitos subjetivos. Eles dão sentido aos fenômenos 
gerais do universo, ultrapassando os limites formais da ciência. 
 
Conhecimento Religioso ou Teológico: 
 
Apoia-se em doutrinas que contêm proposições sagradas (valorativas), por 
terem sido reveladas pelo sobrenatural e que, por esse motivo, são consideradas 
infalíveis e indiscutíveis. (IBE, 2010, p.08) 
 
O que funda o conhecimento religioso é a fé. Não é preciso ver para crer e 
devemos crer mesmo que as evidências apontem para o contrário do que a religião 
nos ensina. As “verdades” religiosas estão registradas em livros sagrado ou são 
 26 
reveladas pelos deuses (ou outros seres espirituais) por meio de alguns iluminados, 
santos ou profetas. Essas verdades são em geral tidas como definitivas e não permitem 
revisão mediante a reflexão ou a experiência. Nesse sentido, podemos classificar sob 
esse título os conhecimentos ditos místicos ou espirituais (MATTAR apud IBE, 2010, 
p.08). 
 
Conhecimento Científico: 
 
Ultrapassa os limites do conhecimento empírico na medida em que procura 
evidenciar, além do próprio fenômeno, as causas e a lógica de sua ocorrência. O 
conhecimento científico, assim como o filosófico, é racional, mas tem a pretensão de 
ser sistemático e de revelar aspectos da realidade. As noções de experiência e 
verificação são essenciais nas ciências; o conhecimento científico deve ser justificado e 
é sempre passível de revisão, desde que se possa provar sua inexatidão. Entretanto, 
não devemos esquecer que a Matemática, por exemplo, é considerada por muitos 
uma ciência, apesar de grande parte de seus conhecimentos não se referir 
diretamente à realidade e não poderem ser por ela provados ou refutados. (IBE, 2010, 
p. 09). 
 
Para o conhecimento científico a única autoridade é a reflexão, a critica, a 
testagem e a verificação, mesmo se aplicadas contra ela mesma. Aliás, é isso a 
principal diferença do conhecimento científico para outros tipos de conhecimento: a 
capacidade de colocar o conhecimento como algo provisório, sujeito a uma futura 
superação. 
 
 
Para José Carlos Rodrigues: 
 
o que faz do cientista um cientista é, sobretudo, a consciência que tem do caráter 
acientífico da ciência. Ele não acredita no mito da ciência e é exatamente essa 
desconfiança o que lhe permite exigir métodos cada vez mais rigorosos, teorias 
crescentemente explicativas e bem formuladas, pontos de vista intelectuais sempre 
mais flexíveis, diversificados e abrangentes [...] Criticando-se continuamente, 
utilizando a própria debilidade como força maior, a ciência se faz. 
 
 
 O fiel acredita no mito de sua religião, inclusive pensando que não se trata de 
mito, mas da verdade. “Os mitos são as crenças e os conhecimentos dos outros, a 
minha crença e meu conhecimento são verdadeiros e, portanto, fora de dúvida e 
questão...”. 
 
 Algum outro tipo de conhecimento (religioso, teológico, popular, tradicional) é 
capaz de se repensar e pensar, duvidar de si e buscar novas perguntas, sempre? 
 
 O problema é quando este argumento, o da confiança e da autoridade, é 
invocado para desqualificar indivíduos ou grupos. No entanto, mesmo os cientistas e 
professores-pesquisadores podem usá-lo... 
 27 
 
 Por isso, de golpes e contragolpes vive a Ciência. Outros pensadores surgiram e 
golpearam as idéias dos três homens mencionados acima. Por exemplo: Karl Popper. 
 
 Para ele, o método indutivo, base da Ciência Moderna (observação de fatos 
particulares, análise com a descoberta de padrões e posterior generalização que se 
torna “lei”) é falho. Suponha-se que se observem e se analisem patos. Todos os mil 
patos observados durante a experiência eram brancos com bolinhas pretas. Com base 
nessas premissas (aplicando testes, experimentos e fazendo reverificações) conclui-se: 
os patos são brancos com bolinhas pretas. 
 
 Mas basta aparecer um com bolinhas roxas (e de repente, mais outro, mais 
outro...) que a teoria dos patos vai precisar ser revisada. Nada na razão humana 
garante (100%) que não vá aparecer ou que não exista um pato com bolinhas roxas. 
Em outras palavras, a ciência não se move nas certezas, mas nas PROBABILIDADES. 
 
 E aqui vale uma lição dos livros de investigação policial: o improvável não é 
impossível. 
 
 Quanto a Marx e a Freud, Popper diz que muitos (não todos) de seus 
postulados não são conhecimentos científicos, mas um tipo de saber, uma mitologia, 
meta-narrativas ou outra coisa (menos ciência) por que não são FALSIFICÁVEIS. 
 
 O que quer dizer essa palavra complexa? Quer dizer que não podem ser 
submetidos a uma prova de refutação, a testes rigorosos, a tentativas de refutação, 
em outras palavras, são crenças: ou se acredita ou não se acredita. Mais ou menos 
como um “credo religioso”. 
 
O que hoje se pensa a respeito dessa diversidade de conhecimentos? 
 
PRIMEIRO: não há hierarquia de fato, ou seja, um não é “superior” ao outro, todos são 
formas de compreender a complexa realidade que envolve todos os seres humanos, 
embora haja grupos que consideram um ou outro “melhor”; 
 
SEGUNDO: o positivismo, que via no conhecimento científico a suprema realização do 
homem e a necessidade deste de subjugar os outros tipos, acabou sendo questionado 
tanto nas ciências humanas, quanto nas ciências naturais; 
 
TERCEIRO: as relações entre os conhecimentos são complexas, não são de total 
negação e conflito e também de total aprovação e harmonia. No entanto, em alguns 
momentos na história e nas sociedades, os conhecimentos travam violenta disputa, 
por exemplo: a condenação de Galileu perante o papado em Roma ou uma, menos 
conhecida, como a do médico espanhol Miguel de Servet diante de Calvino, um dos 
líderes da Reforma Protestante. 
 
 28 
QUARTO: são conhecimentos simultâneos e, muitas vezes, passamos de um para o 
outro sem perceber. Se o movimento de trânsito é percebido, é porque se faz um 
esforço de pesquisa e de reflexão sobre as práticas diárias. 
 
 Alguns dizem que a ciência deve ser engajada nas mudanças: deve dizer o que 
fazer, deve assumir uma postura real e ajudar na socialização dos conhecimentos 
(evitar ou diminuir a formação de “elites do saber”; promover a diminuição da desigual 
distribuição da tecnologia), na emancipação do sujeito (contribuir efetivamente para 
que as pessoas sejam autônomas social e politicamente) e na mudança social (atuar 
na busca do desenvolvimento social e econômico para todos). 
 
 Outros pensam que ela deve buscar objetividade e neutralidade, embora não 
sejam de todo alcançáveis, e que os cientistas é que devem fazer, por sua conta e 
risco, opções e propostas. 
 
Os Níveis de Conhecimento... 
 
Em se tratando do conhecimento científico, identificamos pelo menos três 
níveis para sua abordagem: o nível ontológico ou cosmogológico, o nível 
epistemológico ou das teorias do conhecimentoe o nível metodológico. 
 
TEXTOS COMPLEMENTARES: 
 
TEXTO 01: A realidade como ponto de partida para a construção do conhecimento 
 
 É, pois, a realidade o ponto focal do processo de construção do conhecimento. 
Assim, é preciso compreender o que é a realidade enquanto objeto de estudo, pois 
ela não é algo que se constrói fora da relação com o sujeito. Ao contrário, é na 
interação com o sujeito que ela é significada. Por isso, cada sujeito a representa de 
forma diferenciada, pois as interações não se repetem, dependem da temporalidade 
sócio-históricas em que o sujeito se insere. Numa via de mão dupla, realidade e 
sujeitos se constroem mutuamente e pela relação que se estabelece entre eles. A 
interrogação sobre a realidade é sempre feita a partir de um ponto de vista, social e 
historicamente determinado. 
 Nesse sentido, podemos dizer que o conhecimento é social e historicamente 
construído. Ele é uma forma de compreender e significar o mundo e a vida. É o que 
pode ser lido na história da ciência, seja no campo das ciências da natureza, seja no 
campo das ciências sociais. Seja passando por Aristóteles, Newton ou Einstein, seja 
passando por Descartes, Marx, Weber ou Freud. O ponto comum entre eles é a 
interrogação incessante na busca de compreensão da realidade, tanto natural, quanto 
social. 
 Tem-se, portanto, como ponto de partida, na produção do conhecimento, um 
ponto de vista sobre o qual se exerce uma ação reflexiva utilizando-se de informações 
teóricas já produzidas, mas sempre desdogmatizando-se, para se permitir construir 
outros conhecimentos necessários à compreensão da realidade. Disso decorre que o 
conhecimento sobre um determinado objeto pode ter diversas versões, dependendo 
de quem o conhece, quando o conhece e para busca conhecê-lo. 
 29 
 Estar atento às perguntas, aos pontos de vistas é, portanto, promover a 
construção do conhecimento comprometido com os problemas sociais, culturais, 
econômicos e políticos do contexto vivido, traduzindo-o em produtos e processos 
úteis para a sociedade em geral. Isso significa romper com a representação segundo a 
qual o lugar de produção, circulação e utilização de conhecimento é, essencialmente, 
a comunidade acadêmica. 
 A pesquisa é a atividade básica da ciência na sua indagação e construção da 
realidade. É a pesquisa que alimenta a construção do conhecimento e o atualiza 
frente à realidade do mundo. Sendo assim, o ato de pesquisar é direcionado pela 
aquisição de um conhecimento que possibilita a solução e a explicação de fenômenos 
e problemas práticos da realidade cotidiana vivenciada pelo homem. 
 O problema, é portanto, a base, o início da investigação: uma dúvida, uma 
questão, uma pergunta, que demanda a criação de novos referenciais. Como afirma 
Einstein a formulação de um problema é mais essencial que sua solução. Isto porque a 
ciência não tem por finalidade descrever a realidade, mas lançar perguntas para 
resignificá-la. 
 
(RIBEIRO, Lusia Pereira e VIEIRA, Martha Lourenço. Fazer pesquisa é um problema? 
Belo Horizonte: Lápis Lazuli, 1999). 
 
TEXTO 02: A Ciência 
 
Do medo à Ciência 
 A evolução humana corresponde ao desenvolvimento de sua inteligência. Sendo 
assim podemos definir três níveis de desenvolvimento da inteligência dos seres 
humanos desde o surgimento dos primeiros hominídeos: o medo, o misticismo e a 
ciência. 
 
a) O medo: 
 Os seres humanos pré-históricos não conseguiam entender os fenômenos da 
natureza. Por este motivo, suas reações eram sempre de medo: tinham medo das 
tempestades e do desconhecido. Como não conseguiam compreender o que se 
passava diante deles, não lhes restava outra alternativa, senão o medo e o espanto 
daquilo que presenciavam. 
 
 b) O misticismo: 
 Num segundo momento, a inteligência humana evoluiu do medo para a tentativa 
de explicação dos fenômenos através do pensamento mágico, das crenças e das 
superstições. Era, sem dúvida, uma evolução já que tentavam explicar o que viam. 
Assim, as tempestades podiam ser fruto de uma ira divina, a boa colheita da 
benevolência dos mitos, as desgraças ou as fortunas do casamento do humano com o 
mágico. 
 
 c) A ciência: 
 Como as explicações mágicas não bastavam para compreender os fenômenos os 
seres humanos finalmente evoluíram para a busca de respostas através de caminhos 
que pudessem ser comprovados. Desta forma, nasceu a ciência metódica, que 
 30 
procura sempre uma aproximação com a lógica. 
 O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar. Esta 
característica permite que os seres humanos sejam capazes de refletir sobre o 
significado de suas próprias experiências. Assim sendo, é capaz de novas descobertas 
e de transmiti-las a seus descendentes. 
 O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua 
característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido a 
outro, que, por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim evolui a 
ciência. 
 
A evolução da Ciência 
 Os egípcios já tinham desenvolvido um saber técnico evoluído, principalmente nas 
áreas de matemática, geometria e na medicina, mas os gregos foram provavelmente 
os primeiros a buscar o saber que não tivesse, necessariamente, uma relação com 
atividade de utilização prática. A preocupação dos precursores da filosofia (filo = 
amigo + sofia (sóphos) = saber e quer dizer amigo do saber) era buscar conhecer o 
porque e o para que de tudo o que se pudesse pensar. 
 O conhecimento histórico dos seres humanos sempre teve uma forte influência de 
crenças e dogmas religiosos. Mas, na Idade Média, a Igreja Católica serviu de marco 
referencial para praticamente todas as idéias discutidas na época . A população não 
participava do saber, já que os documentos para consulta estavam presos nos 
mosteiros das ordens religiosas. 
 Foi no período do Renascimento, aproximadamente entre o séculos XV e XVI (anos 
1400 e 1500) que, segundo alguns historiadores, os seres humanos retomaram o 
prazer de pensar e produzir o conhecimento através das idéias. Neste período as 
artes, de uma forma geral, tomaram um impulso significativo. Neste período 
Michelangelo Buonarrote esculpiu a estátua de David e pintou o teto da Capela 
Sistina, na Itália; Thomas Morus escreveu A Utopia (utopia é um termo que deriva do 
grego onde u = não + topos = lugar e quer dizer em nenhum lugar); Tomaso 
Campanella escreveu A Cidade do Sol; Francis Bacon, A Nova Atlântica; Voltaire, 
Micrômegas, caracterizando um pensamento não descritivo da realidade, mas criador 
de uma realidade ideal, do dever ser. 
 No século XVII e XVIII (anos 1600 e 1700) a burguesia assumiu uma característica 
própria de pensamento tendendo para um processo que tivesse imediata utilização 
prática. Com isso surgiu o Iluminismo, corrente filosófica que propôs "a luz da razão 
sobre as trevas dos dogmas religiosos". O pensador René Descartes mostrou ser a 
razão a essência dos seres humanos, surgindo a frase "penso, logo existo". No 
aspecto político o movimento Iluminista expressou-se pela necessidade do povo 
escolher seus governantes através de livre escolha da vontade popular. Lembremo-
nos de que foi neste período que ocorreu a Revolução Francesa em 1789. 
 O Método Científico surgiu como uma tentativa de organizar o pensamento para 
se chegar ao meio mais adequado de conhecer e controlar a natureza. Já no fim do 
período do Renascimento, Francis Bacon pregava o método indutivo como meio de se 
produzir o conhecimento. Este método entendia o conhecimento como resultado de 
experimentações contínuas e do aprofundamento do conhecimento empírico. Por 
outro lado, através de seu Discurso sobre o método, René Descartes defendeuo 
método dedutivo como aquele que possibilitaria a aquisição do conhecimento através 
 31 
da elaboração lógica de hipóteses e a busca de sua confirmação ou negação. 
 A Igreja e o pensamento mágico cederam lugar a um processo denominado, por 
alguns historiadores, de "laicização da sociedade". Se a Igreja trazia até o fim da Idade 
Média a hegemonia dos estudos e da explicação dos fenômenos relacionados à vida, a 
ciência tomou a frente deste processo, fazendo da Igreja e do pensamento religioso 
razão de ser dos estudos científicos. 
 No século XIX (anos 1800) a ciência passou a ter uma importância fundamental. 
Parecia que tudo só tinha explicação através da ciência. Como se o que não fosse 
científico não correspondesse a verdade. Se Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, 
Giordano Bruno, entre outros, foram perseguidos pela Igreja, em função de suas 
idéias sobre as coisas do mundo, o século XIX serviu como referência de 
desenvolvimento do conhecimento científico em todas as áreas. Na sociologia 
Augusto Comte desenvolveu sua explicação de sociedade, criando o Positivismo, 
vindo logo após outros pensadores; na Economia, Karl Marx procurou explicar a 
relações sociais através das questões econômicas, resultando no Materialismo-
Dialético; Charles Darwin revolucionou a Antropologia, ferindo os dogmas 
sacralizados pela religião, com a Teoria da Hereditariedade das Espécies ou Teoria da 
Evolução. A ciência passou a assumir uma posição quase que religiosa diante das 
explicações dos fenômenos sociais, biológicos, antropológicos, físicos e naturais. 
 
 A neutralidade científica 
 É sabido que, para se fazer uma análise desapaixonada de qualquer tema, é 
necessário que o pesquisador mantenha uma certa distância emocional do assunto 
abordado. Mas será isso possível? Seria possível um padre, ao analisar a evolução 
histórica da Igreja, manter-se afastado de sua própria história de vida? Ou ao 
contrário, um pesquisador ateu abordar um tema religioso sem um conseqüente 
envolvimento ideológico nos caminhos de sua pesquisa? 
 Provavelmente a resposta seria não. Mas, ao mesmo tempo, a consciência desta 
realidade pode nos preparar para trabalhar esta variável de forma que os resultados 
da pesquisa não sofram interferências além das esperadas. É preciso que o 
pesquisador tenha consciência da possibilidade de interferência de sua formação 
moral, religiosa, cultural e de sua carga de valores para que os resultados da pesquisa 
não sejam influenciados por eles além do aceitável. 
 
PEDAGOGIA EM FOCO. Disponível em 
http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/met00.htm. 
 
LEITURA RECOMENDADA: 
CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A.; SILVA, Roberto da. Metodologia científica. 6 ed. 
São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 
CHAUÍ, Marilena. A Ciência na história. In:_____, Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 
1993. 
DEMO, Pedro. Princípio científico e educativo. 8 ª ed. São Paulo, Cortez, 2001. 
MOREIRA, Herivelto; CALEFFE, Luiz Gonzaga. Metodologia da pesquisa para o 
professor pesquisador. 2 ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2008. 
SANTOS, A. R. dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 6. ed. Rio 
de Janeiro: DP & A, 2004. 
 32 
AULA 04: A Ciência e o Conhecimento nas suas múltiplas interações – Apontamentos 
sobre a Ciência. 
 
 
OBJETIVOS: 
* Reconhecer a importância da ciência para o desenvolvimento humano a partir da 
história do progresso científico; 
* Estabelecer as diferenças entre a ciência e o senso-comum; 
* Caracterizar o conhecimento científico e sua aplicabilidade na prática universitária; 
* Identificar os variados tipos e concepções de ciência estabelecendo diferenças e 
semelhanças entre suas abordagens; 
 
CONTEÚDO: 
 
Pode-se afirmar ter sido a intrínseca inquietude/curiosidade humana em 
relação aos fenômenos, fatos e eventos presentes em nossa realidade, no sentido de 
levantar perguntas e problemas e buscar-lhes respostas/explicações, que realizou o 
parto da ciência ou então do método científico, ou melhor, dos métodos científicos, 
pois essa categoria dever ser compreendida enquanto uma definição filosófico-
abstrata ligada à concepção de ciência da qual, o pesquisador parte para realizar seus 
estudos. 
 
Há 2.500 anos na Grécia, Sócrates acendeu uma chama que percorre 
continuamente a história humana. Essa atitude foi levada adiante por pensadores e 
cientistas do porte de Leonardo da Vinci, Nicolau Copérnico, Charles Darwin e Albert 
Einstein. Mas não só, também grandes líderes como Gandhi e Martin Luther King. 
 
Alguns atribuem a Sócrates a frase: “Sem pensar na vida não vale a pena viver”. 
Mas pensar de qualquer jeito? Não. 
Pensar com método. Não de qualquer jeito ou qualquer maneira. Por isso 
método é o caminho escolhido para se alcançar conhecimento, verdade, 
compreensão. 
 
Na vida profissional, pessoal, na vida acadêmica e também na ciência, começar 
de qualquer jeito, continuar de qualquer jeito não vale a pena.... 
 
Porque Sócrates? Ele foi o primeiro a introduzir um método com base na razão, 
questionando mitos. 
 
O que se procura? 
 
• Respostas para determinados tipos de pergunta; 
• E respostas que sejam “verdadeiras” e não “falsas”. 
 
Aqui, a “coisa” fica complicada. O que é a verdade? Na história do Ocidente, 
desde a Grécia, existem três concepções de “verdade” distintas, que se formaram ao 
longo das experiências, reflexões e pesquisas das civilizações e povos: 
 33 
 
Concepção grega (aletheia) - o que não é oculto, dissimulado, mas aquilo que se 
manifesta ao corpo e a alma. Opõe-se ao falso, pois a verdade e o verdadeiro estão nas 
coisas, na realidade, e não no sujeito. Em outras palavras, a verdade está no mundo e 
é preciso descobri-la. A verdade é o espelho da realidade; 
 
Concepção latina (veritas) – relaciona-se ao rigor, a exatidão de um relato, aos 
detalhes. Depende da memória. A verdade está na linguagem e depende da forma 
como se enuncia. A realidade corresponde ao que dela se diz. 
 
Concepção hebraica (emunah), retomada pelo cristianismo – relaciona-se a confiança 
e ao pacto. Por isso a idéia central é a revelação: a verdade é revelada, pois se confia e 
se espera. A autoridade faz o pacto, é depositária da confiança (sacerdotes em geral, 
escrituras sagradas, etc.). Cada uma dessas concepções pode-se dizer, apresenta 
impactos “positivos” e “negativos”, apontados a seguir: 
 
 Na concepção grega: o impacto positivo é a necessidade de investigar a 
realidade para desvelá-la, tirar os véus que a ocultam, recusando-se a atribuir à 
dimensão sobrenatural (de qualquer espécie) a causa da realidade. O impacto negativo 
é a confiança absoluta no conhecimento como espelho da realidade, o que hoje as 
teorias e práticas científicas têm mostrado é que a teoria não é espelho da realidade, 
não há correspondência perfeita, mas aproximada, entre teoria e realidade; 
 Na concepção latina: o impacto positivo é a preocupação com a memória e a 
exatidão da linguagem usada para descrever a realidade. O impacto negativo é a 
crença de que a linguagem é independente da realidade e que basta falar para 
acontecer; 
 Na concepção hebraico-cristã: o impacto positivo é a possibilidade de construir 
comunidades e consensos mais duradouros e estáveis. O impacto negativo é o 
bloqueio da crítica e da investigação devido a uma confiança absoluta em algum tipo 
de autoridade (refratária à autocrítica e a outros pontos de vista que não o sancionado 
como legítimo): do padre, pastor, do guru, do sacerdote, do próprio cientista e de suas 
próprias instituições, das igrejas, dos templos, das instituições, do mercado etc. 
 
Essas concepções se entrelaçaram na história das ciências. Muitos paradigmas 
e metodologias têm como pressuposto “oculto” uma ou várias dessas concepções.Apesar de semelhantes, elas possuem diferenças e podem entrar em conflito, 
por exemplo, a questão entre o “criacionismo” (o mundo foi criado: verdade como 
emunah) e o “evolucionismo” (o mundo decorre de uma evolução: verdade como 
aletheia). Tais noções se misturam tanto, que é difícil dizer onde começa uma e 
termina outra.... 
 
Um exemplo são empresas que anunciam em propagandas produtos com 
depoimentos de “cientistas” ou de “pesquisas”: 
 
 
 
 34 
UMA CURIOSIDADE 
 
Já reparou que a propaganda de alguns produtos usa o argumento da autoridade e da 
confiança a partir da própria ciência e do cientista? As propagandas de sabão em pó, 
vitaminas, suplementos alimentares e pasta de dente, vêm, às vezes, com homens de 
“jaleco branco”: químicos, odontólogos, médicos, calçados em porcentagens e 
estatísticas, que “caem” sobre o colo dos consumidores.... 
 
 
BUSCANDO AS MESMAS COISAS: CIÊNCIA E SENSO-COMUM 
 
 
Depois dos tipos de verdade, quais os tipos de pergunta são fundamentais para 
a busca do “verdadeiro”? E aqui o livro de Rubem Alves, Filosofia da Ciência, mostra, 
de forma lúdica, que os processos de busca e procura da ciência e da “sabedoria 
popular” ou do chamado senso-comum, são basicamente os mesmos... 
 
 No entanto, os velhos manuais sempre insistem na enorme distância entre as 
duas formas de pergunta e de busca de respostas: da ciência e do senso-comum. 
Existem diferenças profundas, mas também semelhanças. 
 
 
DIFERENÇAS: 
 
1 – o senso comum acredita em magia, é supersticioso, subjetivo e emotivo. 
2 – a ciência não crê em magia, procura explicar tudo com base na razão, busca 
separar emoção da racionalidade e colocar o foco na compreensão ou na explicação. 
 Talvez a chave para superar as resistências e as incompreensões que a ciência 
e a metodologia sofrem algumas vezes entre alunos e mesmo professores é partir das 
semelhanças... 
 
 No senso-comum, a pergunta é motivada por algo que não funciona, uma 
emergência, um imprevisto, um acidente, algo que QUEBRA a continuidade, aparente, 
das coisas. 
 
 Nas palavras de Rubem Alves (1992, p. 23) “É o defeito que faz a gente pensar”, 
pois quando não há problemas, apenas celebramos. E mais adiante: “Quem não é 
capaz de perceber e formular problemas com clareza, não é capaz de fazer ciência” 
(ALVES, 1992, p. 23). 
 
 A Ciência é usada no singular e em letra maiúscula. O que isso quer dizer? O que isso 
oculta? 
 
PRIMEIRO: O uso do termo no singular e em letra maiúscula significa um tipo de 
conhecimento na história do homem como um conhecimento que PRODUZ resultados, 
é seguro, objetivo, racional e legítimo. 
 
 35 
SEGUNDO: Essa condição esconde que a Ciência possui uma história com uma enorme 
pluralidade interna. 
 
A história é longa, mas é possível lançar noções sobre ela. Existem três 
concepções de ciência: 
 
Concepção Racionalista – (busca da objetividade) 
 Inicia-se com os gregos e tem seu auge no século XVII; 
 Baseia-se no método dedutivo; 
 A ciência é conhecimento em que há perfeita correspondência entre verdade e 
Realidade, ou seja, a teoria científica explica e representa a realidade tal como ela é; 
 Exemplo: matemática. 
 
 
 
 
Concepção Empirista – (busca da verificação) 
 A ciência é uma forma de conhecimento baseada em experiências controladas 
e em observações sistemáticas; 
 Inicia-se com a medicina grega de Galeno e atinge o ápice no século XIX; 
 Baseia-se no método indutivo; 
 Também possui a idéia de que a teoria explica e representa a realidade tal 
como ela é. 
 
Concepção Construtivista – (construção de modelos aproximativos da realidade) 
 
 Baseia-se na conjugação/combinação dos métodos anteriores, com a noção 
de que a realidade é algo sobre o que se pode, no máximo, construir modelos 
aproximativos de compreensão e nunca modelos perfeitos e acabados; 
 Tem início a partir das críticas aos modelos anteriores e começa no 
século XX; 
 A realidade pode mudar a teoria científica, assim como esta a realidade; 
 A representação da realidade nunca será um retrato exato. 
 
No século XIX, houve uma divisão defendida por muitos cientistas: a suposta e 
radical separação entre ciências humanas e exatas/naturais. 
 
As primeiras: 
 Lidariam com fenômenos (sociais, políticos, culturais) em que o homem é 
sujeito/objeto, ao mesmo tempo, lançando mão de instrumentos qualitativos e 
quantitativos; 
 Procurariam mais do que explicar, procurariam compreender os atos e os fatos 
humanos: qualquer fenômeno humano/social contém muitas possibilidades de 
interpretação, além do que é preciso levar em conta, na análise, as intenções e 
significados que os homens atribuem aos fatos. 
 
 
 36 
As segundas: 
 Lidariam com fatos, dados e fenômenos que ocorrem independente do 
homem, valendo, portanto, a divisão entre sujeito e objeto; 
 Procurariam explicar as causas supostamente objetivas dos fenômenos, 
lançando mão de instrumentos quantitativos. 
 Na história das ciências, temos grandes revoluções ou mudanças radicais de 
paradigmas e postulados. Quando isso ocorre, um “mundo” ou a “realidade” parece 
desaparecer sob um cataclismo ou terremoto. Assim ocorreu com Newton, com 
Galileu com Einstein. Hoje, a grande revolução é motivada pela mudança de ênfase 
proporcionada pela física moderna e pela teoria da linguagem. 
 
E no que consiste? 
A teoria quântica e a física da relatividade trouxeram de volta da Grécia a idéia 
de indeterminação, do acaso e do caos. 
 
Em resumo: o princípio da indeterminação, criado pelo físico Heisenberg diz 
que é impossível, no nível das partículas, conhecer-se o estado seguinte da matéria 
baseado na observação do estado atual. Um golpe no determinismo científico. 
 
CIÊNCIA BÁSICA E APLICADA. 
 
Para cada ramo da ciência, é possível dispor de um exemplo específico. Mas 
tome-se um exemplo das ciências humanas e sociais aplicadas. 
 
 Básica (sociologia, por exemplo): Quais as causas do aumento de homicídios 
entre jovens moradores de grandes e médias cidades brasileiras? Essa pergunta gera a 
pesquisa básica. Com os dados da pesquisa básica, posso reunir condições para 
planejar e intervir sobre a realidade; 
 Aplicada (administração pública ou gestão, por exemplo): Como diminuir as 
taxas de homicídio entre jovens moradores de grandes e médias cidades brasileiras? 
Essa pergunta, a partir dos dados da pesquisa básica, gera a pesquisa aplicada, 
fundamento do desenvolvimento tecnológico em geral. 
 
Formuladas as questões, os cientistas sociais elaboram hipóteses ou respostas 
provisórias que são submetidas a “testagem” ou ao processo de verificação. 
 
No caso da Ciência básica: 
 
 Hipótese 1- O aumento do desemprego , 
 Hipótese 2 – O aumento de conflitos intra-familiares, 
 Hipótese 3 – Desemprego e conflitos intra-familiares. 
 
 No caso da Ciência Aplicada: 
 Hipótese 1 – Aumentar a oferta de empregos poderá diminuir o índice de 
homicídios, 
 Hipótese 2 – Prender os jovens e aumentar o rigor das penas. 
 
 37 
Para “testar” as hipóteses, os cientistas escolhem estratégias e, dentro delas, 
instrumentos metodológicos: questionários, entrevistas e outros... 
 
Os problemas e hipóteses das ciências básicas e aplicadas guardam uma 
diferença, pela própria natureza e direção da pergunta que dá fundamento a elas. 
 
 Na ciência básica o móvel é o conhecimento da realidade; 
 Na ciência aplicada, o móvel é a intervenção na realidade... 
 
 
Somente a partir do final do século XIX a ciência passou a ser fonte de 
conhecimentos do mundo social. 
 
 
 Assim foi com o método científico que houve uma explosão de conhecimentos, 
de modo que em trezentos anos ficamos sabendo muitomais do que em dez mil anos. 
O que torna a ciência tão produtiva? 
 
Por outro lado pode ser colocada a questão: Ciência, para que? A serviço de 
que e de quem? Ela deveria, por exemplo, ter um compromisso social? Ela é 
realmente neutra? 
 
CARACTERÍSTICAS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO: 
 
Evidência verificável: significa que a ciência se baseia em observações fatuais concretas 
que outros = ver, pesar, medir, contar ou verificar. 
 Mas o que é um fato? Torna-se difícil discernir entre um fato e uma ilusão ou 
um preconceito compartilhado. Suponha que fato = enunciado descritivo sobre o qual 
observadores estão de acordo. Nesta definição fantasmas e bruxas podem ser um fato, 
pois diversas pessoas afirmam ter visto. 
 A ciência só pode tratar de questões que tenham evidência em si mesmas. 
 Perguntas como: Deus existe, Qual o propósito da raça humana, não são 
questões passíveis de tratamento científico. São importantes, mas o método científico 
não dispõe de instrumentos para analisá-las. Os cientistas sociais podem estudar as 
crenças a respeito de Deus, do destino humano, mas é o máximo onde podem chegar. 
 A ciência não tem respostas para tudo, mas é uma das fontes confiáveis na 
busca pela “verdade”. A ciência não opta por verdades absolutas. Cada conclusão 
científica representa a interpretação mais razoável e racional. Algumas conclusões 
científicas, no entanto são escoradas por uma grande quantidade de evidencias que 
fica difícil derrubá-las por novas evidências. Ex.: os impulsos humanos inatos são 
condicionados culturalmente. 
 O problema é manter-se aberto para analisar. Até mesmo cientistas colegas de 
Thomas Edson, o grande cientista e inventor norte-americano disseram que o 
fonógrafo era um embuste porque a voz humana não podia ser gravada. 
 
Neutralidade ética: a ciência pode responder a questões de fato, mas não tem maneira 
de provar que um valor é melhor que outro. 
 38 
 Existe um agudo debate se a ciência deve estudar ou deve orientar-se também 
para a consecução se metas sociais. 
 Deve um sociólogo mostrar a um governo opressivo como manter seu povo em 
ordem? 
 Deve o turismólogo colocar seus conhecimentos a serviço participar de um 
“esquema” eticamente condenável? (ex.: livros para a prostituição voltada para 
turistas estrangeiros que alguns hotéis guardam ou um grande empreendimento 
hoteleiro próxima a uma área de preservação que vai trazer sérias conseqüências 
ecológicas...). 
 
TEXTOS COMPLEMENTARES: 
 
TEXTO 01: Einstein deu o “golpe de misericórdia”. 
 
Todo conhecimento da ciência moderna baseia-se na suposta e evidente 
divisão entre sujeito e objeto (o fenômeno permanece o mesmo independente do 
observador, e o observador tem acesso à realidade como ela é). Como ele deu o 
golpe? Fazendo experiências e observações com coisas simples, como o desvio da luz 
em relação à gravidade dos planetas e outros. 
Como assim? Um exemplo simples: imagine-se um vagão de trem em 
movimento e um sujeito X com uma pedra na mão e um sujeito Y fora do trem em 
terra que observa o tem se movimentar. O sujeito X deixa cair essa pedra: para ele a 
pedra “cai reta”, mas para o sujeito Y ela cai numa ligeira “curva”. Quem tem a 
verdade? Quem diz a verdade? O sujeito X (a pedra cai reta) ou o Y (a pedra faz uma 
curva)? Enfim, a realidade e a verdade dependem do observador e do observado. 
E, por fim, a teoria do caos, nascida com a revolução da informática: 
pressupõe que o número de variáveis que influencia uma realidade é de tal ordem e 
magnitude que é impossível esgotar sua enumeração, embora se possa conhecer 
alguns padrões. 
Há uma popularização da teoria do caos expressa na frase: “o bater de asas de 
uma borboleta no Japão pode causar um ciclone no Brasil”. 
Um modo mais simples de entender isso é observar o comportamento 
“irracional” dos mercados: subidas e descidas repentinas do dólar, motivadas pela fala 
de pela suspeita de uma gripe no ministro da economia, etc. 
De um sistema racional e determinístico aplicado à realidade (por exemplo, os 
controles monetários), pode-se obter como resultado um padrão aleatório ou um 
outro padrão de realidade muito diferente do original ou das intenções de quem 
aplicou o sistema. 
O Caos não á “bagunça” ou ausência completa de ordem, mas, numa 
linguagem técnica, sistemas aleatórios não-determinísticos. 
Segundo certos teóricos, os modelos matemáticos e deterministas da 
economia clássica não mais dão conta de explicar a quantidade e a profundidade da 
influência das variáveis. 
A interdependência entre culturas e economias tornou tão complexa a 
realidade que Edgar Morin, sociólogo e filósofo francês, propôs uma “religação” dos 
saberes. 
 
 39 
Afinal, ninguém sabe com certeza para onde vamos e ninguém (país, 
empresa...) tem o controle da tal “globalização”! 
 A teoria da linguagem mostra que as noções de verdade, mentira, a própria 
construção do que é verdadeiro e real dependem muito mais da comunicação 
humana e da estrutura lingüística do que se podia imaginar. 
 
Texto 02: Ciência e Missão de Sócrates 
 
 Ora, certa vez, indo a Delfos, (Querofonte) arriscou essa consulta ao oráculo – 
repito, senhores; não vos amotineis – ele perguntou se havia alguém mais sábio do 
que eu; respondeu a Pítia que não havia ninguém mais sábio. Para testemunhar isso, 
tendeis aí o irmão dele, porque ele já morreu. 
 Examinai por que vos conto eu esse fato; é para explicar a procedência da 
calúnia. Quando soube daquele oráculo, pus-me a refletir assim: “Que quererá dizer ó 
Deus? Que sentido oculto pôs na resposta? Eu cá não tenho consciência de ser nem 
muito sábio nem pouco; que quererá ele, então, significar declarando-me o mais 
sábio? Naturalmente, não está mentindo, por que isto lhe é impossível”. Por longo 
tempo fiquei nessa incerteza sobre o sentido; por fim, muito contra meu gosto, 
decidi-me por uma investigação, que passo a expor. Fui ter com um dos que passam 
por sábio, porquanto, se havia lugar, era ali que, para rebater o oráculo, mostraria ao 
deus: “eis aqui um mais sábio que eu, quanto tu disseste que eu o era!” Submeti a 
exame essa pessoa – é escusado dizer o seu nome; era um dos políticos. Eis, 
Atenienses a impressão que me ficou do exame da conversa que tive com ele; achei 
que ele passava por sábio aos olhos de muita gente, principalmente aos seus próprios, 
mas não o era. Meti-me, então, a explicar-lhe que supunha ser sábio mas não o era. A 
conseqüência foi tornar-me odiado dele e de muitos dos circunstantes. 
 Ao retira-me, ia concluindo de mim para comigo: “mais sábio do que esse 
homem eu sou, é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele 
supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho 
saber. Parece que sou um nadinha mais sábio do que ele exatamente em não supor 
que saiba o que não sei”. Daí fui ter com outro um dos que passam por ainda mais 
sábio e tive a mesmíssima impressão; também ali me tornei odiado dele e de muitos 
outros. 
 Depois disso, não parei, embora sentisse, com mágoa e apreensões, que me ia 
tornando odiado; não obstante, parecia-me imperioso dar a máxima importância ao 
serviço do deus. Cumpria-me, portanto, para averiguar o sentido do oráculo, ir ter 
com todos os que passavam por senhores de algum saber. (...) 
 Além disso, os moços que espontaneamente me acompanham – que são os que 
dispõe de mais tempo, os das famílias mais ricas – sentem prazer em ouvir o exame 
dos homens; eles próprios imitam-me muitas vezes; nessas ocasiões; metem-se a 
interrogar os outros; suponho que descobrem uma multidão de pessoas que supõem 
saber alguma coisa, mas pouco sabem, qui çá nada. Em conseqüência, os que eles 
examinam se exasperam contra mim e não contra se mesmos e propalam que existe 
um talSócrates, um grande miserável, que corrompe a mocidade. (Platão. Defesa de 
Sócrates. Coleção Os Pensadores, São Paulo: Abril Cultural, 1972, p. 14.) 
 
 
 40 
LEITURA RECOMENDADA: 
CHIZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001. 
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1995. 
MORIN, E. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1996. 
______. Epistemologia da complexidade. In: SCHNITMAN, D. (Org.). Novos 
paradigmas, cultura e subjetividade. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 41 
AULA 05: A Ciência e o Conhecimento nas suas múltiplas interações – Apontamentos 
sobre a Ciência e o Método Científico. 
 
 
OBJETIVOS: 
* Reconhecer a importância da ciência através dos seus variados métodos para o 
desenvolvimento humano a partir da história do progresso científico; 
* Caracterizar o conhecimento científico e sua aplicabilidade na prática universitária; 
* Identificar os variados métodos científicos estabelecendo diferenças e semelhanças 
em suas abordagens e sua utilidade na construção do conhecimento científico; 
* Perceber as possíveis relações entre a ética e o conhecimento científico na 
atualidade através do trabalho do pesquisador-cientista. 
 
CONTEÚDO: 
 
O MÉTODO CIENTÍFICO... 
 
Qual é a Técnica básica do método científico? A observação. Sobre o que se 
volta a observação? Sobre a evidência. Em que ponto a observação científica difere do 
“olhar” as coisas? 
 
Porém, somente a partir dos últimos trezentos ou duzentos anos é que o 
método científico, baseado na experimentação e na observação, tornou-se um 
procedimento comum de busca de respostas a respeito da “verdade” ou das 
“verdades”. 
 
A observação científica busca: 
 
 “Exatidão”. A descrição precisa corresponder à realidade, ou seja, ser o mais 
preciso possível na observação. Tome por exemplo a afirmação: “As famílias são 
menores do que costumavam ser” é de baixa exatidão. Para iniciar: que conceito de 
família se está trabalhando, Que tamanho e onde são maiores? Quando? Mudando 
para: “A proporção de famílias nucleares brasileiras, vivendo em áreas urbanas, com 
quatro ou mais membros diminuiu em relação à década de 1990”. Essa afirmação é 
mais exata que a primeira. O preço da exatidão é a verificação, reverificação para 
obtenção de proposições cuidadosamente enunciadas. 
 Precisão. A observação refere-se ao grau ou medida. Exemplo: “A proporção de 
famílias nucleares brasileiras, vivendo em áreas urbanas, com quatro ou mais 
membros diminuiu cerca de 3 % em relação à década de 80, e 6 % em relação a década 
de 60”. Por causa dessa característica a linguagem científica evita os adjetivos, os 
relatos votados para a persuasão emocional. 
 
Repare como difere a redação literária difere da redação científica: 
“A cada momento morre um homem; a cada momento nasce um”. Frase do escritor 
de Alfred Tennyson. 
“Na África, de acordo com as cifras de 1980, morrem de subnutrição 120 meninos de 0 
a 7 anos por mil habitantes. Em algumas regiões da África essa cifra atinge cerca de 
 42 
150 mortes por mil habitantes.” Trecho do Relato da ONU em 2002. 
 
 Quanto de precisão necessita a observação científica? Depende do que se está 
estudando. Na observação de fenômenos sociais necessita-se de precisão nos termos e 
conceitos empregados para descrever as atividades sociais observadas. 
 
Outra importante característica do conhecimento científico: 
 
Sistema. A investigação científica define um problema e depois traça um plano 
organizado para coletar fatos ao seu respeito. 
 
Suponha o seguinte problema: “Qual a relação entre a taxa de desistência de 
estudantes das faculdades DOCTUM que se casam ainda na faculdade e a de 
desistentes solteiros?”. 
 
Uma pessoa poderia tentar lembrar dos estudantes que conheceu; mas a amostra 
seria pequena demais e não se lembraria de todos os estudantes. Conclusões baseadas 
em recordações casuais não são confiáveis. Podem até inspirar hipótese, mas não 
servem como base para conclusão. 
 
Registro. A memória humana é falha, sujeita a reformulações constantes, os dados que 
não são registrados perdem confiabilidade. No campo da observação social a 
necessidade de observação registrada é pouco compreendida. 
 
Suponha que um professor tivesse de dizer “Numerosos estudantes do sexo feminino 
se graduaram na DOCTUM e, embora alguns executem trabalho excelente, em média 
não alcançam os estudantes do sexo masculino.” O que este professor está 
exatamente dizendo? A menos que tenha registros da média das notas e do sexo, sua 
afirmação é vaga DEMAIS. 
 
As concepções baseadas em recordação informal podem ser as piores, pois geralmente 
expressam os preconceitos do observador, mascarados como conclusão científica. 
 
O preconceito, o pensamento tendencioso e a atitude habitual distorcem as 
observações, a fim de se ajustar nossas preferências. 
 
Por isso registrar é importante. 
 
Objetividade. A observação científica é objetiva. Significa que a observação tanto 
quanto seja possível, não deve ser afetadas pela própria crença, preferências, desejos 
ou valores do observador. 
 
Em qualquer assunto em que estejam envolvidas nossas emoções, crenças, 
hábitos e valores, é provável que tendamos a ver de acordo com essas mesmas 
emoções e preferências. 
 43 
 A questão da interferência das emoções e valores é tão profunda, necessitando 
por isso de uma constante vigilância, pois afeta as observações cotidianas e 
corriqueiras. 
 
Por exemplo: 
 Numa pesquisa realizada nos EUA foram dados diversos discos brancos todos 
do mesmo tamanho a diversos observadores. Em um deles estava escrito o nome 
Kennedy. Diversas pessoas afirmaram que este mesmo disco era maior do que os 
outros; 
 Nesta mesma pesquisa as crianças pobres atribuíam geralmente maior 
tamanho às moedas que as crianças de mais abastadas. 
 
 
ATENÇÃO! 
A mais pesada de todas as obrigações científicas é procurar a objetividade. 
 
Sabe-se que a absoluta objetividade é impossível, mas é necessário honestidade, 
sinceridade e vigilância na observação. 
 
Outro perigo na observação científica é o viés ou bias. 
 
 Viés é uma tendência, geralmente inconsciente de ver os fatos de uma 
determinada maneira, em conseqüência de hábitos, da educação incutida, de 
interesses e valores. 
 
Raramente os fatos são indiscutíveis. Por isso a expressão contra fatos não há 
argumentos, é relativa! 
 
Um famoso experimento, realizado em 1947 (ALLPORT e POTSMAN) 
demonstrou isso. Nele se mostrou a muitos observadores uma pequena imagem: um 
homem branco, mal vestido, segurando uma navalha e discutindo violentamente com 
um homem negro bem vestido e com postura de paz. Depois, solicitou-se que 
descrevessem para terceiros a cena vista. Alguns perceberam corretamente. Mas 
quando a descrição é passada adiante, mudou-se completamente o quadro. A navalha 
acabou aparecendo nas mãos do homem negro, que “era onde devia estar” segundo a 
crença e valores de alguns. Embora observassem em condições de calma, serenidade, 
com bastante tempo para ver o quadro, o viés, atitudes inconscientes, acabou 
distorcendo o relato da observação. 
 
 Quem está propenso a duvidar da existência do viés, faça uma experiência 
muito simples. 
 Numa festa, na qual você tenha possa realizá-la, cumprimente cada convidado 
com um sorriso e diga: “É uma pena que você esteja aqui esta noite”; e despeça-se 
com “Muito contente de que você tenha que ir tão cedo!” sem o tom de ironia. Muitos 
ouvirão o que esperam ouvir e não o que foi dito. 
 
 44 
Por isso quem está convicto de que os pretos são preguiçosos, os judeus agressivos, osnegociantes fraudulentos e os policiais brutais raramente percebe qualquer coisa que 
esteja em conflito com suas expectativas. Tudo acaba confirmando sua visão. 
 
 Viés é como uma peneira, só deixa passar aquilo que se supõe deva passar. 
Assim é necessário um treinamento rigor e uma consciência crítica. 
 Quem não consegue nem por um momento suspender em tese suas mais 
íntimas convicções, pode incapacitar-se de observar com objetividade a realidade. 
 O cientista por outro lado não está isento de viés. Mas ele conta com um aliado 
poderoso: seus colegas. Esses realizam a crítica e a discussão do trabalho. 
 
Observação treinada. Para que a observação obtenha um grau de sofisticação é 
necessário leitura, treino e uma atitude científica. Deve-se deixar de lado atitudes 
crédulas, bajuladoras e assumir posturas honestas e sinceras. 
 
Condições controladas. Um bom exemplo disso são as pesquisas realizadas em 
laboratório. Entretanto grande arte dos fenômenos não pode ser testada no 
laboratório. 
 
Nas ciências sociais freqüentemente o pesquisador necessitará ir até o fenômeno que 
quer investigar para aplicar questionários, entrevistar, observar. As condições da 
observação precisam ser controladas, ou seja, precisam ser conhecidas para que se 
evite interferências. 
 
Por fim, podemos dizer que a ciência tem duas dimensões: 
 
1 - Compreensiva – contextual ou de conteúdo e 2 - Metodológica – operacional, 
abrangendo os aspectos lógicos e técnicos. 
 
Aspectos: 
Lógico: construção de proposições e enunciados. 
Objetivo: descrição, interpretação, explicação e verificação mais precisa. 
Logicidade – procedimentos/operações que possibilitam a observação racional e 
controlam os fatos; permitem interpretação e explicação adequada dos fenômenos; 
verificação dos fenômenos – observação ou experimentação e o estabelecimento de 
princípios. 
 
Componentes da ciência: 
1 - Objetivo ou finalidade; 
2 - Função 
3 - Objeto: 
Material: aquilo que se pretende estudar, analisar; 
Formal: enfoque específico. 
 
Divisão da ciência: 
a) Formais – plano das idéias: lógica, matemática outras; 
b) Factuais – plano dos fatos, sociais ou naturais; 
 45 
 b.1) sociais: sociologia, administração turismo, psicologia etc. 
 b.2) naturais: física, química, biologia etc. 
 
Diferenças entre os tipos de ciências: 
Objeto: as formais – enunciados; as factuais - objetos empíricos, coisas, processos, 
fenômenos; 
Método: formais - lógica; factuais naturais - experimentação/refutação e factuais 
sociais - interpretação/análise/síntese. 
 
UMA VISÃO GERAL DOS MÉTODOS 
 
Apresenta-se uma visão bem ampla sobre os diversos tipos de métodos das 
ciências. O que são os métodos? 
Os métodos consistem em princípios e procedimentos, aprovados e legitimados 
pela comunidade científica; aplicados para a construção do saber. Eles têm muitas 
variações, dependendo do tipo de ciência ou área em que estejam alocados: ciências 
naturais, humanas e sociais (básicas ou aplicadas), ou exatas (Matemática, Física etc.). 
Essas variações podem conviver harmoniosamente ou, até mesmo, entrar em conflito. 
 
Métodos de Abordagem: 
 Método estatístico: quantificação dos fenômenos para se extraírem análises a 
partir das técnicas de amostragem, indicadas e explicadas pela estatística. 
 Método funcionalista: função dos elementos, busca da harmonia. O método 
funcionalista parte do princípio da analogia entre princípios biológicos e sociais, como: 
a função do Estado está para a sociedade, assim como a do cérebro para o corpo 
humano. Foi muito criticado por outros métodos por não levar em conta as mudanças 
históricas e as dinâmicas positivas do conflito. 
 Método dialético: a realidade (humana, social, natural...) é complexa, está em 
constante e permanente mudança e é um processo (e não uma coisa pronta e 
acabada, um objeto ou pacote); princípio da contradição (toda realidade contém 
dentro de si sua própria negação), da mudança qualitativa (a quantidade implica sim 
em mudança qualitativa...), da ação recíproca (toda ação implica necessariamente em 
outras) e da conexão universal. 
 Método estruturalista: delineamento de estruturas subjacentes que 
influenciam o comportamento dos sujeitos e da própria história. Esse método se 
origina dos estudos iniciais da lingüística com Saussure e a “descoberta” de padrões 
lingüísticos “inconscientes” aos falantes da língua, continuando com antropólogos e 
sociólogos. 
 
Métodos de procedimento 
 Método comparativo: comparação de estruturas, realidades. A comparação é 
feita a partir da escolha de critérios, que sofrem um processo de debate e cujos 
conceitos são clarificados. 
 Método fenomenológico: parte da subjetividade, que é a estrutura 
fundamental da percepção da realidade, critica a separação ente sujeito e objeto, pois 
ambos se implicam e se fundem “no final das contas”. 
 46 
 Método experimental: realizam-se experiências, organizadas geralmente por 
grupos de controle, com a finalidade de se obterem dados, para se chegar a 
proposições gerais. O método experimental é um dos mais usados nas ciências, 
particularmente na psicologia, nas ciências biológicas, químicas, físicas etc. 
 
Existem diversas formas de abordar um fenômeno, um objeto, um fato. Dentre 
as mais comuns, destacam-se as seguintes: 
 
 Método indutivo: parte-se dos dados particulares para se chegar aos princípios 
universais. Observam-se fenômenos ou fazem-se experiências, de modo controlado e 
sistemático, a partir dos quais se estabelecem relações e de onde são extraídas 
premissas, ou seja, afirmações gerais e abrangentes. Se todas as premissas são 
verdadeiras, isso não quer dizer que necessariamente a conclusão será verdadeira, 
mas que provavelmente o será. É mais comum nas ciências da natureza e as biológicas. 
 Método dedutivo: parte-se de premissas gerais para se confrontarem os dados 
particulares. Baseado na lógica formal, o conteúdo está implícito e precisa ser 
demonstrado. Comum na matemática, na geometria euclidiana e nas áreas das 
chamadas ciências formais. O problema é derivar o método para a complexa realidade 
social e humana, ou seja, pensar que essa realidade é “geometrizável” ou que ela pode 
ser deduzida de teoremas. 
 Método hipotético-dedutivo: raciocínio lógico ponderado por hipóteses e 
acionado por perguntas. As hipóteses são submetidas à análise, à tentativa de 
eliminação de erros. Suas etapas são: 1 - problema (que em geral surge a partir do 
conflito entre o que se espera da realidade e da teoria e o que realmente acontece); 2 
– hipótese proposta (solução provisória proposta e que consiste numa conjectura); 3 – 
testes de falseamento (verificação, observação, experimentação); 4 – elaboração da 
teoria 
 
A CIÊNCIA E A ÉTICA – REFLEXÕES NECESSÁRIAS... 
 
A reflexão sobre a ética é parte indispensável da pesquisa e da ciência. E aqui a 
coisa se complica: 
 
De qual ética se fala? 
 
Há inúmeros sistemas e princípios de ética e não apenas uma. Há o conflito 
entre princípios éticos e aspectos da realidade social e econômica. Existe também o 
conflito entre éticas religiosas e princípios da pesquisa. 
 
Para citar alguns sistemas éticos, tomemos dois: 
 A ética de valores ou ética kantiana: existem princípios de valor absoluto e 
que, não importa a situação, devem estar acima de tudo. Por exemplo: a vida, a 
verdade, a honestidade, etc. 
 A ética da responsabilidade: existem situações práticas que devem ser 
analisadas e levadas em conta no contexto, ou seja, um princípio absoluto pode não 
ser plenamente satisfatório naquela situação, naquele momento, sendo necessárias 
outras atitudes. Adequada é a ética kantiana, a do valor absoluto. 
 47 
 
E aqui podem surgir dilemas insolúveis dentro do quadro fornecido por essa ética. 
Por exemplo,quando dois princípios éticos entram em choque ou quando uma 
decisão, baseada na ética, poderá causar um impacto grande ou ainda, quando, em 
nome de uma ética de valor absoluto se cometem erros, que aos olhos dos que os 
cometem estão justificados. 
 
Retomando a pesquisa científica e a educação, alguns princípios éticos são 
fundamentais: 
 Respeito às fontes: citar e referenciar todos os dados, conceitos usados, 
mesmo que seja para discordar e criticar; 
 Em caso de pesquisa de campo, garantia do sigilo e anonimato das fontes 
vivas, explicação da finalidade da pesquisa, retorno do pesquisador para a comunidade 
pesquisada, entre outros aspectos... 
 Em caso de pesquisa com seres humanos: submeter a um comitê de ética os 
projetos, respeitar os protocolos das áreas médicas e da saúde, rigor na análise dos 
impactos, respeito à pessoa humana e a sua dignidade; 
 Honestidade e a atitude de buscar a verdade, mesmo que ela contrarie as 
expectativas e certos interesses econômicos ou sociais que sejam contrários ou 
prejudiciais; 
 Compromisso com o rigor científico, a sobriedade, a serenidade, desde a 
escolha dos instrumentos até a divulgação dos resultados; 
 Avaliação dos impactos das decisões: aspectos positivos e negativos; 
 Debater as decisões e desdobramentos da pesquisa com a sociedade, com os 
grupos pesquisados, etc. 
 
TEXTO COMPLEMENTAR: 
 
O CIENTISTA VIROU UM MITO 
 
O cientista virou um mito. E todo mito é perigoso porque ele induz o 
comportamento. Este é um dos resultados engraçados (e trágicos) da ciência. Se 
existe uma classe especializada em pensar de maneira correta (os cientistas), os 
outros indivíduos são liberados da obrigação de pensar e podem simplesmente fazer 
o que os cientistas mandam. Quando o médico lhe dá uma receita, você faz 
perguntas? Sabe como os medicamentos funcionam? Será que você pergunta ao 
médico como os medicamentos funcionam? Ela manda, a gente compra e toma. Não 
pensamos. Obedecemos. Não precisamos pensar, porque acreditamos que há 
indivíduos especializados e competentes em pensar. Pagamos para que eles pensem 
por nós. E depois ainda dizem por aí que vivemos numa civilização científica... O que 
eu disse dos médicos você pode aplicar a tudo. Os economistas tomam decisões e 
temos de obedecer. Os engenheiros e urbanistas dizem como devem ser nossas 
cidades, e assim acontece. [...] Afinal de contas, para que serve nossa cabeça? Ainda 
podemos pensar? Adianta pensar? Antes de tudo é necessário acabar com o mito de 
que o cientista é uma pessoa que pensa melhor que as outras. O fato de uma pessoa 
ser muito boa para jogar xadrez não significa que ela seja mais inteligente do que os 
não-jogadores [...] Cientistas são como pianistas que resolvem especializar-se numa 
 48 
técnica só. Imagine as várias divisões da ciência – física, química, biologia, psicologia, 
sociologia – como técnicas especializadas. No início pensava-se que tais 
especializações produziriam miraculosamente uma sinfonia. Isto não ocorreu. O que 
ocorre frequentemente é que cada músico é surdo para o que os outros estão 
tocando. Físicos não entendem os sociólogos, que não saem traduzir as afirmações 
dos biólogos [...] a especialização pode tornar-se numa perigosa fraqueza, imagine um 
animal especializado somente na visão. E os odores e sons? Isso pode significar ser 
caçado. [...] o que desejo que você entenda é o seguinte: a ciência é uma 
especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos [...] A aprendizagem da 
ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso-comum. Autor: 
Rubem Alves, 1992, p. 50. 
 
LEITURA RECOMENDADA: 
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico: 
Elaboração de Trabalhos na Graduação. São Paulo: Atlas, 2003. 
LAVILLE, Chrstian e DIONNE, Jean. A Construção do saber. Belo Horizonte: UFMG, 
1999. 
NAJMANOVICH, Denise. O Feitiço do Método. In: GARCIA, Regina Leite (org.). Método, 
Métodos e Contramétodos. São Paulo: Cortez, 2003. 
RUIZ, João Álvaro. Metodologia Científica. São Paulo: Atlas, 1997. 
SANTOS, Antônio Raimundo dos. Metodologia Científica e a Construção do 
Conhecimento. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2000. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 49 
AULA 06: A Estrutura e a Forma dos Trabalhos Acadêmicos: As Fontes de Estudo e as 
Citações 
 
OBJETIVOS: 
* Abordar as regras da ABNT para a formatação do trabalho acadêmico; 
* Mostrar a importância das citações de fontes de estudo; 
* Caracterizar os diferentes tipos de citações de fontes de estudo operacionalizando 
seu uso na construção dos variados trabalhos acadêmicos; 
* Identificar as características da linguagem científica; 
 
CONTEÚDO: 
 
COMO FAZER UM BOM TRABALHO ACADÊMICO: 
Quais os critérios para um bom trabalho acadêmico? 
 Capacidade de pesquisa; 
 Criatividade; 
 Capacidade de crítica e autocrítica; 
 O domínio das regras de comunicação formal dos produtos e processos da 
pesquisa (relatórios, artigos, monografias, papers). 
 A velha divisão entre pesquisa e leitura não pode mais ser sustentada se o 
desejo é qualidade, competitividade e humanidade... 
 
Lembre-se que as regras formais são um meio para comunicar e apresentar a 
pesquisa ou o trabalho acadêmico, e não um fim em si mesmo. 
 
Formatação: a ABNT e as normas... 
 
É comum cobrar as técnicas formais da apresentação do trabalho acadêmico. 
Essa cobrança vem seguida de um nome... ABNT. Mas o que é a ABNT? 
 
Um pouco de contextualização é importante. 
 
Da mesma forma, pode-se perguntar: porque escrever nas regras da ABNT, ou 
Associação Brasileira de Normas e Técnicas? A ABNT, órgão reconhecido (1940), é 
responsável pela normalização técnica no país. Entidade reconhecida como Fórum 
Nacional de Normalização através da Resolução do CONMETRO (1992). É membro 
fundador da ISO (International Organization for Standardization), norma tão 
“cultuada” por empresas e gestores. A ABNT é a única e a exclusiva representante, no 
Brasil, dessas entidades internacionais. 
 
O crescimento dos estudos, o acúmulo de pesquisas e relatórios exigiu formas 
de apresentação que garantissem a uniformidade, a universalidade e a padronização 
dos trabalhos produzidos nas faculdades e universidades. 
 
Desde os anos 1970, a normalização é apontada como fator de eficiência na 
transferência da informação. 
 
 50 
Estudos nos vários campos do conhecimento “indicaram a qualidade formal 
como fator determinante para aceitação ou rejeição de trabalhos para publicação, o 
que amplia o valor da normalização na comunicação científica”. 
 
DEMO (1992, p. 21-25) traduz esse binômio como: qualidade política e 
qualidade formal. 
 
 Qualidade política: a pertinência de uma contribuição científica para preencher 
lacunas existentes no quadro geral do conhecimento, em determinada Ciência. A 
qualidade política coloca a questão dos fins, a circulação social do saber científico, a 
tradução dos conceitos utilizados pela comunidade científica e sua disponibilidade em 
meios de comunicação; 
 
 Qualidade formal: a capacidade de usar regras e técnicas adequadas, dentro 
dos ritos acadêmicos: domínio de técnicas de coleta, manuseio e uso de dados; 
capacidade de manipular bibliografias; versatilidade na discussão temática. 
 
Alguns comentários importantes sobre a normalização dos trabalhos acadêmicos: 
 
 A falta de conhecimento sobre a importância da normalização de textos 
científicos faz com que essa etapa do trabalho acadêmico seja vista de forma 
reducionista, representado uma mera formalidade acadêmica. 
 A normalização não deve ser encarada como uma amarra à criatividade, mas 
sim como um processo necessário ao sucesso da ação de aprender e ensinar. 
 
ESTRUTURA E FORMA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS: 
 
 Os elementosda forma dizem respeito à apresentação gráfica, a como o 
trabalho deve ser digitado. A estrutura dos trabalhos, dizem respeito aos itens 
obrigatórios e essenciais (pré-textuais; textuais e pós-textuais). 
 
A tabela abaixo mostra que itens são obrigatórios, opcionais e quais não são 
necessários aos diversos tipos de trabalho. 
 
Elementos obrigatórios e opcionais para os diversos tipos de trabalho 
ELEMENTOS PROJETO MONOGRAFIA RELATÓRIO ARTIGO 
 
PRÉ-TEXTUAIS 
Capa obrigatória obrigatória obrigatória não tem 
Folha de Rosto obrigatória obrigatória obrigatória não tem 
Ficha Catalográfica não tem opcional opcional não tem 
Resumo e Palavras-Chave em 
Língua nacional 
não tem obrigatória obrigatória obrigatória 
Resumo e Palavras-Chave em 
Língua nacional 
não tem obrigatória opcional obrigatória 
Lista de Abreviaturas opcional opcional opcional não tem 
Lista de ilustrações opcional opcional opcional não tem 
 51 
Lista de Gráficos opcional opcional opcional não tem 
Lista de Quadros opcional opcional opcional não tem 
 
TEXTUAIS 
Introdução obrigatória obrigatória obrigatória obrigatória 
Desenvolvimento obrigatória obrigatória obrigatória obrigatória 
Cronograma obrigatória não tem não tem não tem 
Considerações finais obrigatória obrigatória obrigatória obrigatória 
Bibliografia ou referências 
bibliográficas 
obrigatória obrigatória obrigatória obrigatória 
 
PÓS-TEXTUAIS 
Apêndice opcional opcional opcional não tem 
Anexos opcional opcional opcional não tem 
Índice opcional opcional opcional não tem 
Folha final obrigatória obrigatória não tem obrigatória 
 
 
DIGITAÇÃO DO TRABALHO ACADÊMICO: 
 
• A digitação: cor preta; 
• O tipo da letra: Times New Roman ou Arial; 
• Tamanho da fonte do texto em geral: 12 (há exceções); 
• O parágrafo: início a 1,25 cm da margem esquerda; 
• A ABNT recomenda letra menor em citações diretas com mais de três linhas (por 
exemplo, tamanho 11), notas de rodapé (tamanho 10), paginação e legendas de 
ilustrações e tabelas (tamanho 11); 
• A impressão: papel branco, formato A4, utilizando apenas um lado da folha; 
• O espaço entre as linhas do texto: 1,5. Exceções: citações com mais de três linhas, 
notas de rodapé (espaço simples) e as referências bibliográficas (espaço simples na 
mesma referência e 1,5 entre as referências), legendas de ilustrações e tabelas, ficha 
catalográfica e notas de apresentação da folha de rosto e da folha de aprovação 
(espaço simples); 
• Distribuição do texto na página (ou alinhamento): a introdução, o desenvolvimento 
e a conclusão são digitados com alinhamento justificado (exceto: títulos das seções 
primárias - introdução, capítulos e conclusão - que devem ser centralizados); 
• A numeração das páginas: margem direita superior, sendo que os números das 
páginas devem vir em algarismos arábicos (tamanho 11), sem traços (pontos ou 
parênteses). Os números aparecem digitados a partir da introdução até a última folha 
digitada. Devem ser também contadas (sem aparecer os números) desde a folha de 
rosto até o sumário (exceção: errata). 
• Os títulos dos capítulos (seções primárias) sempre ficam em uma nova folha, 
centralizados na terceira linha e digitados em letras maiúsculas negritadas. Também, 
entre os títulos dos capítulos e seus textos, deve-se deixar 2 linhas em branco de 
espaçamento. 
• Os subtítulos: distanciar-se do texto anterior e do posterior a 2 linhas em branco de 
espaçamento e com alinhamento de texto justificado. 
 52 
• Se, após a digitação, não seja possível acrescentar 2 linhas em branco de 
espaçamento e mais três linhas de texto, eles serão transportados para o início da 
página seguinte (não precisa de espaçamento). 
• Recebem numeração (1, 2, 3 ou 1.1, 1.2, 1.3 ou 1.1.1, 1.1.2 etc.), à sua esquerda, os 
títulos dos capítulos e os subtítulos, separados por um espaço de 0,5 cm, e não 
recebem numeração: agradecimentos, lista de ilustrações, lista de abreviaturas e 
siglas, lista de símbolos, resumo (em português e outro idioma), sumário, introdução, 
conclusão, bibliografia, glossário, apêndice(s), anexo(s) e índice(s). 
• Sem título e sem indicativo numérico: folha de aprovação, dedicatória e epígrafe. 
• Observação: As notas de rodapé: 1) de referência: indicam fontes consultadas ou 
remetem a outras obras onde o assunto em questão foi abordado de forma mais 
aprofundada; 2) explicativas: comentários, esclarecimentos ou explanações, que não 
possam ser incluídos no texto (não devem ser longas e são colocadas em seqüência 
numérica na parte inferior da página em que foram inseridas, tamanho 10, separadas 
entre si por uma linha em branco de espaçamento; 
• Encadernação: os trabalhos da graduação e especialização, quando for o caso, 
devem ter encadernação transparente (folha inicial) e preta (proteção final). As 
monografias, dissertações e outras sofrem encadernação dura, que varia conforme as 
normas internas das faculdades. 
 
AS FONTES DE ESTUDO – CONSTRUINDO AS CITAÇÕES... 
 
 Os trabalhos acadêmicos em geral (artigos, monografias e projetos etc.) DEVEM 
citar as fontes das quais se extraíram idéias, conceitos e informações. 
 
 Caso não se faça, comete-se o plágio, ou apropriação indevida da autoria 
intelectual. 
 
Quando e quanto citar? 
Seja nas monografias, nos projetos ou em outros trabalhos acadêmicos, é importante 
saber em que medida se devem fazer citações. 
Dois extremos devem ser evitados: 
Citar outros autores com exagero ou não citar / citar muito pouco. 
No primeiro caso, os leitores de seu trabalho concluirão que o seu texto tem pouco a 
oferecer, que você praticamente “copiou” as idéias de outros autores. 
No segundo caso, notarão que os argumentos utilizados carecem de sustentação ou 
que não têm relação com outras pesquisas e livros. 
 
Recomenda-se expressamente: 
 O tamanho de cada citação deve ser o menor possível; 
 Nunca construa o trabalho remendando citações, uma após outra; 
 No trabalho escrito devem-se apresentar os próprios argumentos; as 
citações são apenas um meio auxiliar. 
 
Em geral, há dois sistemas de citação. 
 
 53 
O SISTEMA ALFABÉTICO. Utiliza-se apenas o sobrenome do autor, seguido da data e 
ao final, na bibliografia ou nas referências, coloca-se os dados completos. 
 
Se no texto for utilizado o sistema autor-data de citações, 
 
A lista das fontes, no final do trabalho (monografia, artigo, projeto etc.), deverá ser 
ordenada pelo sistema alfabético: 
 31 
REFERÊNCIAS 
 
 
ALVES, R. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 15. ed. Brasiliense: São 
Paulo, 1992. 
 
SARAMAGO, J. A caverna de Platão. Caderno Mais! São Paulo, Folha de S. Paulo, 12 abr. 
2009, p. A5. 
 
TAVARES, Maria da Conceição. Império, território e dinheiro. In: FIORI, J. L. (Org.). Estados e 
moedas no desenvolvimento das nações. Rio de Janeiro: Paz e Terra, p. 449-489, 1999. 
 
 
 
NUMÉRICO. Se o sistema utilizado for o numérico, as referências, na lista das fontes, 
serão numeradas seqüencialmente (na ordem em que aparecem no texto) de forma 
crescente, da primeira à última. No texto, as citações de autores serão feitas 
indicando-se o número correspondente ao autor citado. 
 
Observação: As duas formas de número, apresentadas nos exemplos abaixo, são as 
permitidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002b): na mesma linha do 
texto, entre parênteses, ou acima da linha do texto. 
 
Se no texto for utilizado o sistema numérico de citações, 
 
Alves (1) critica o mito do cientista como alguém eu pensa melhor do que 
outras pessoas. 
 
 
O mito do cientista como alguém que pensa melhor pode ser criticado.2 
 
 
A lista das fontes deverá ser ordenada pelo sistema numérico, ou seja, 
colocam-se os números atribuídos no decorrer do texto em ordem numérica, seguida 
das referências completas. 
 
 
Segundo Alves (1992), a solução do problema é ponte entre o lugar onde você está e o 
lugar que você tem vontade de ir. 
 54 
31 
REFERÊNCIAS 
 
 
1 ALVES, R. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 15. ed. 
Brasiliense: São Paulo, 1992. 
 
2 AMARAL, R. O homem urbano. Disponível em: 
<http://www.aguaforte.com/homem.htm>. Acesso em: 8 mar. 1999. 
 
3 TAVARES, M. da C. Império, território e dinheiro. In: FIORI, J. L. (Org.). Estados e 
moedas no desenvolvimento das nações. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999. p. 
449-489. 
 
 
 
 
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES! 
 
A) Recomenda-se a utilização do sistema alfabético, para a lista das fontes; e 
autor-data, para as citações. Excetuam-se os casos em que exista uma exigência 
institucional para que se use o numérico. 
B) Áreas acadêmicas específicas, principalmente as Ciências da Saúde (medicina, 
fisioterapia, enfermagem etc.), preferem adaptar seus artigos científicos às normas do 
Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas (Vancouver Style). Esses editores 
recomendam a utilização do sistema numérico para a citação de autores no texto do 
trabalho. 
Essa recomendação justifica-se por duas razões principais: 
 
1 - Não se pode utilizar concomitantemente notas de rodapé e o sistema numérico de 
citação no texto, pois as numerações se confundiriam (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE 
NORMAS TÉCNICAS, 2002a). Ou seja, se a opção for pelo sistema numérico de citação, 
o trabalho não poderá ter notas de rodapé (nem de referência nem explicativas). 
2- O sistema numérico desvia por demais o leitor do texto principal, pois o ano da obra 
e, às vezes, seu autor, não estão, como no sistema alfabético, explicitados no texto do 
trabalho. 
 
Regras gerais para as citações (de todos os tipos) 
 
 Palavras ou expressões em língua estrangeira de pouco uso devem ser 
digitadas em itálico. Exceção das abreviaturas latinas que indicam seqüência, 
continuidade (etc. = e outras coisas / et al. = e outros) e a expressão apud (= citado 
por, utilizada na citação de citação). Essas expressões em latim SÓ PODEM ser usadas 
no sistema numérico. 
 Citação de informação verbal: Informações verbais (palestras, debates, 
comunicações, aulas etc.) podem ser citadas. É necessário indicar o fato (informação 
verbal) no próprio texto, entre parênteses, logo após a menção. Em nota de rodapé, 
 55 
esclarecem-se os dados disponíveis: palestrante, professor, curso, disciplina, data etc. 
(Ex.: Informação obtida em março de 2004, na aula do professor Arlindo de Souza, da 
disciplina de Filosofia do Direito, do curso de Direito, das Faculdades Integradas de 
Caratinga). 
 Diferentes obras de um mesmo autor, publicadas em anos diferentes e citadas 
simultaneamente, têm as suas datas separadas por vírgula: Alves (1989, 1991, 1995) 
ou (ALVES, 1989, 1991, 1995). 
 Diferentes páginas de uma mesma obra são separadas por vírgula: Alves (1989, 
p. 5, 49) ou (ALVES, 1989, p. 5, 49). 
 Diferentes obras, cada uma com autoria diferente, quando citadas 
simultaneamente, devem ser separadas por ponto-e-vírgula, em ordem alfabética: 
(ALVES, 1984; SILVA, 1986; SILVEIRA, 1991). Esse recurso somente pode ser utilizado, 
colocando-se os autores entre parênteses. 
 Ênfases ou destaques devem ser feitos através de grifo, negrito ou itálico, 
indicando-se essa alteração com a expressão “grifo nosso” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA 
DE NORMAS TÉCNICAS, 2002b, p. 3); 
 Não fazer citações em outros idiomas. Caso se faça, deve-se traduzir o texto e 
colocar ao seu final, entre parênteses, finalizando, a expressão tradução nossa, ou 
minha tradução; O ponto final: se o texto citado terminar com ponto final, as aspas 
vêm depois do ponto; Se não, as aspas vêm antes dele. 
 Se na lista das fontes houver autores com sobrenomes iguais, acrescentam-se, 
nas citações, as iniciais de seus prenomes. Ex.: A globalização une e separa (SILVA, C., 
2003). Se mesmo assim continuar a coincidência, colocam-se os prenomes por 
extenso. Ex.: A globalização une e separa (SILVA, Josué; 2001). 
 Citação de obras de mesmo autor e mesmo ano. Diversos documentos de um 
mesmo autor e publicados em um mesmo ano devem ter o acréscimo, após o ano, de 
letras minúsculas, em ordem alfabética e sem espacejamento. Isso é válido tanto para 
a lista das fontes. 
 Citação de obra com mais de um autor. Exemplos: 
Dois ou três autores incluídos na sentença 
Segundo Silva, Horta e Silveira (1996) ... 
Dois ou três autores entre parênteses 
... (SILVA; HORTA; SILVEIRA, 1996)... 
Mais de três autores incluídos na sentença 
Silva et al. (2001) ... 
Mais de três autores entre parênteses 
... (SILVA et al., 2001). 
 
 Citação de obras sem autoria. Nas obras sem autoria, as chamadas são feitas 
pelo título e somente entre parênteses. Não se recomenda o uso. 
 
COMO FAZER CITAÇÕES INDIRETAS, DIRETAS E CITAÇÃO DE CITAÇÃO (APUD)? 
 
O que são citações indiretas? São citações em que se reproduzem as idéias, sem se 
transcreverem as palavras do autor, podendo-se condensar (síntese) o texto ou então 
parafraseá-lo. 
 
 56 
O que é paráfrase? Paráfrase é a expressão da idéia de outro, mantendo-se 
aproximadamente o mesmo tamanho do texto original. Quando fiel à fonte, é 
geralmente preferível a uma longa citação direta. Nas ciências humanas, 
principalmente, os estudiosos reproduzem com pouca freqüência as fontes de forma 
direta, preferindo parafraseá-las, ou seja, citá-las indiretamente. 
 
As regras gerais a todas as citações indiretas são: 
 
 Transcrição sem destaques (aspas, itálico etc.), pois somente as idéias foram 
citadas e não as palavras do autor. 
 É opcional colocar a página da obra de onde a idéia foi extraída. Caso se opte pela 
menção, ela deve vir logo após a data, precedida por vírgula. 
 Diferentes obras, cada uma com autoria diferente, quando citadas 
simultaneamente, devem ser separadas por ponto-e-vírgula, em ordem alfabética: 
(SENA, 1984; SILVA, 1986; SOUZA, 1991). Esse recurso somente pode ser utilizado, 
colocando-se os autores entre parênteses. 
 Existem BASICAMENTE, dois tipos de autoria de textos, livros etc.: pessoal (pessoa 
física) e institucional, a autoria é da instituição, da associação ou outro tipo de 
organização. 
 
Citação indireta de autor pessoal 
 
 Existem duas formas de citar o autor: ou ele fica incluído na sentença, ou ele 
fica entre parêntesis. No primeiro caso, usam-se as expressões: Como, Segundo, 
Conforme, Todavia. Porém, o uso exagerado e frequente dessas expressões, tornam o 
texto maçante, fazendo com que perca a qualidade. 
 Alguns preferem o uso do autor entre parêntesis, que, em geral, deve ser feito 
ao final da frase ou do parágrafo. 
 Exemplos: 
 
Como lembra Martins (1984), o futuro desenvolvimento da informação está cada dia 
mais dependente do plano unificado de normalização. 
 
ou 
A necessidade de aproximação vem desde os tempos remotos; talvez resida aí a 
explicação original e primária para o processo de globalização (MARTINS, 1974). 
 
E se o autor for uma instituição, tipo IBGE, IPEA? Cita-se normalmente, pois o autor é 
justamente uma instituição. Então, teremos as mesmas normas do exemplo acima. 
 Autor institucional incluído na sentença 
Segundo o Instituto de Pesquisas Aplicadas (2000), 2010 será um ano de 
retomada do crescimento econômico. 
 
 Autor institucional entre parênteses 
O crescimento econômico será retomado em 2010 (Instituto de Pesquisas 
Aplicadas, 2002). 
 
 57 
O que são citações diretas? São citações em que se reproduzem as idéias, utilizando-se das próprias palavras do autor, de forma literal. 
 
As regras gerais adequadas a todas as citações diretas são: 
 É obrigatória a menção à página onde se encontra o texto citado. 
 Partes do texto citado (início, meio ou fim de uma frase) podem ser suprimidas. 
Em seu lugar, colocam-se reticências entre colchetes: [...]. 
 Acréscimos ou comentários ao texto citado, devem vir entre colchetes. 
 
Quando o texto a ser citado tem até três linhas digitadas, existem regras 
próprias. O texto citado é digitado entre aspas duplas, sem destaques (negrito, itálico 
etc.), dentro do próprio parágrafo. Como saber que um texto citado tem até três linhas 
ou mais? Digitar primeiramente e, depois, medir. 
 Autor pessoal incluído na sentença 
Segundo Alves (1992, p. 13), “O que é senso comum? Essa expressão não foi 
inventada pelas pessoas de senso comum.”. 
 
 Autor pessoal entre parênteses (ver Exemplo 1 abaixo). 
Em relação à autoria institucional, segue as mesmas regras dos exemplos dados. 
(Exemplo 2 abaixo) 
Exemplo 1 
A expressão senso-comum “foi criada por pessoas que se julgam acima do senso 
comum” (HALL, 2002, p. 77). 
Exemplo 2 
A expressão PIB, Produto Interno Bruto foi criada em 1947 “no contexto de uma 
enorme mudança cíclica” (IBGE, 2004, p. 2). 
 
E quando a citação direta tem mais de três linhas? O texto citado é digitado sem 
aspas, em parágrafo próprio, recuado a 4 cm da margem esquerda, sem recuo de 
parágrafo na primeira linha, em letras tamanho 11, sem destaques (negrito, itálico 
etc.) e com entrelinhamento simples. Deve-se deixar uma linha de espaçamento em 
branco (tamanho 12 e entrelinhamento 1,5) antes e depois desse parágrafo. Observe 
os exemplos abaixo: 
 Autor pessoal incluído na sentença (ver Exemplo 1) e Autor pessoal entre 
parênteses (ver Exemplo 2). 
Exemplo 1 
Para Alves (1992, p. 50), 
Uma teoria científica tem sempre a pretensão de oferecer uma receita 
universalmente válida, válida para todos os casos. Esta experiência de 
universalidade tem a ver com a exigência de ordem [...]. 
Exemplo 2 
Observa-se que 
Uma teoria científica tem sempre a pretensão de oferecer uma receita 
universalmente válida, válida para todos os casos. Esta experiência de 
universalidade tem a ver com a exigência de ordem [...]. (ALVES, 1992, P. 50). 
 
 58 
O que é citação de citação? É o famoso apud (ou citado por). É a citação direta ou 
indireta de um texto, a cuja obra original não se teve acesso. É quando você toma 
emprestado de um livro ou autor uma citação que está no texto desse autor. É uma 
“carona”. Deve ser evitada ao máximo! Somente se usa em casos que a obra original 
esteja esgotada, indisponível ou em outra língua. 
 Autor pessoal dentro do parágrafo 
Indiretas 
Polya (apud LAVES, 1992) afirma que é tolo responder uma questão que 
você não entende. 
 
Diretas até três linhas 
Kuhn (apud ALVES, 1992, p. 50), afirma que “nenhum outro sistema 
antigo foi ta bom.” 
 
Diretas com mais de três linhas 
Kuhn (apud ALVES, 1992, p. 50), afirma que 
Em relação às estrelas, a astronomia ptolomaica é ainda largamente usada hoje, 
como aproximação; em relação aos planetas, as predições de Ptolomeu eram 
tão boas quantos as de Copérnico. 
 
 Autor pessoal entre parênteses 
Indiretas 
A mesma coisa ocorre na ciência, pois a transformação social vem em 
ondas impulsionadas pela globalização (GIDDENS apud ALVES, 1992). 
 
Diretas até três linhas 
Ocorre na ciência “a mesma coisa, pois a transformação social 
expande-se por ondas planetárias [...]” (GIDDENS apud ALVES, 1992, p. 15). 
 
Diretas com mais de três linhas 
A validade 
Do meu conhecimento acerca da vida cotidiana é simplesmente aceita, 
sem qualquer dúvida, até que aparece um problema que não pode ser 
resolvido segundo suas instruções. (BERGER; LUCKMANN apud ALVES, 
1992, p. 49) 
 
TEXTO COMPLEMENTAR: 
 
Cartilha: nem tudo que parece é: entenda o que é Plágio 
 
http://www.proppi.uff.br/portalagir/sites/default/files/cartilha_autoria__digital.pdf 
 
 
LEITURA RECOMENDADA: 
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico: 
Elaboração de Trabalhos na Graduação. São Paulo: Atlas, 2003. 
 59 
DEMO, Pedro. Metodologia Científica em ciências sociais. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 
1995. 
LAVILLE, C.; DIONE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em 
ciências humanas. Belo Horizonte: UFMG; Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. 
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 
1992. 
SILVA, José Maria; SILVEIRA, Emerson Sena. Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: 
normas e técnicas. Juiz de Fora: Juizforana, 2002. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 60 
AULA 07: A Estrutura e a Forma dos Trabalhos Acadêmicos: As Referências 
Bibliográficas e a Digitação dos Trabalhos Acadêmicos (Normas Técnicas). 
 
OBJETIVOS: 
* Abordar as regras da ABNT para a formatação do trabalho acadêmico no que se 
refere à construção das referências bibliográficas; 
* Mostrar a importância da elaboração correta das referências bibliográficas das 
fontes de estudo; 
*Caracterizar os diferentes tipos de referências bibliográficas, operacionalizando seu 
uso na construção dos variados trabalhos acadêmicos; 
* Apresentar os elementos essenciais para a digitação dos variados trabalhos 
acadêmicos através da exemplificação dos mesmos. 
 
CONTEÚDO: 
 
CONSTRUINDO AS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 
 
 O que é Referências Bibliográficas ou Bibliografia? É a relação de livros, artigos e 
outras fontes do trabalho acadêmico. A referência das fontes pode aparecer em 3 
momentos: 
 Em lista de referências; usadas ao final das monografias, dissertações, projetos 
e artigos científicos; 
 No rodapé; utilizado mais como complementação de informações acerca do 
assunto e/ou idéia tratados em uma página específica. Remete o leitor às obras que 
aprofundam mais o tema em questão. Não dispensa, contudo, a montagem da lista 
final das fontes. 
 No fim de texto ou de capítulo. 
 
Se for usado o sistema alfabético, usar as seguintes regras: 
 A lista começa pelo ultimo nome do autor e organizada por ordem alfabética 
 Alinhamento a esquerda; 
 Na mesma referência, o espaço é simples, e a mudar de linha, inicia-se pela 
margem; 
 
O que as referências devem conter? As informações essenciais das fontes consultadas 
(elementos obrigatórios) e, opcionalmente, as informações complementares 
(elementos que ajudam a melhor caracterizar a obra referenciada). 
 
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE! A lista das fontes deve estar padronizada, ou seja, se é 
acrescentado algum elemento complementar em uma referência, TODAS as demais 
devem também conter tal informação, se for adequada a elas. Por exemplo, o número 
de páginas de um livro, que podem se aplicar a todos os livros da lista. O que se 
recomenda? Apenas o uso dos elementos essenciais. 
 
De modo geral, as informações essenciais (de uso obrigatório) e complementares (de 
uso opcional) devem figurar, nas referências, na seguinte ordem: 
 
 61 
Os exemplos de referências que se encontram a seguir não pretendem esgotar as 
possibilidades das fontes existentes. Os exemplos são apenas indicativos, podendo e 
devendo, inclusive, ser utilizados e adaptados aos diferentes tipos de referências. 
 
1 - Livros, enciclopédias, dicionários, manuais, guias, catálogos, teses de doutorado, 
dissertações de mestrado etc. 
 
Os elementos essenciais são: autor (sobrenome em letras maiúsculas, resto em letras 
normais, separado por vírgula), título (em negrito) e subtítulo (se houver, separado por 
dois pontos sem negrito) edição (só aparece a partir da segunda, e é abreviada 
somente por pontos), cidade (local), editora e ano.Observações: A ABNT (2002a) inclui o subtítulo entre os elementos complementares. 
Mas ele pode ser considerado uma extensão do título. No caso da editora, pessoa 
física ou jurídica responsável pela publicação da obra, não é necessário incluir a 
palavra editora, a não ser que ela faça parte do nome da instituição responsável. O ano 
da edição de ser o ano da obra que é efetivamente utilizada pelo estudante e/ou 
pesquisador. Quando não se identificar o local, no lugar dele, coloca-se a expressão: (S. 
l.), ou seja, sine loco, sem local. 
 
Exemplos práticos: 
Livro em papel impresso: 
ZACARIAS, Rachel. Consumo, lixo e educação ambiental: uma abordagem crítica. Juiz 
de Fora: Feme, 2000. 
 
Livro Online com autoria pessoal identificada: 
LOUREIRO, C. Educação ambiental crítica: princípios teóricos e metodológicos. Rio 
de Janeiro: Hotbook, 2002. Disponível em: <www. hotbook.com. br>. Acesso em: 10 
set. 2009. 
 
Livro Online com autoria identificada: entidade: 
SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Entendendo o meio ambiente. 
São Paulo, 1999. v. 1. Disponível em: <http://www.bdt.org.br/sma/entendendo 
/atual.htm>. Acesso em: 8 mar. 1999. 
Observações: Colocar sempre a expressão: “Disponível em:”, seguida do endereço 
eletrônico específico (do texto, não pode ser o endereço geral, tipo google.com) sem 
destaque nenhum e sem estar na forma de link, em seguida a expressão: “Acesso 
em:”, seguida da data. 
 
 2 – Partes de livros: quando se pega um capítulo ou um trecho para ser citado. 
 
Elementos essenciais: do autor do capítulo ou da parte (sobrenome em letras 
maiúsculas, resto em letras normais, separado por vírgula); título da parte ou do 
capítulo; a expressão “In” referenciando de onde a parte foi extraída; autor ou 
ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 15. ed. São Paulo: 
Brasiliense, 1992. 
 62 
organizador do livro um livro organizado(mesma regra de autoria); título do livro (em 
negrito) e subtítulo (se houver, separado por dois pontos sem negrito) edição (só 
aparece a partir da segunda, e é abreviada somente por pontos); cidade (local); editora 
e ano. 
 
Em papel impresso: 
SAMPAIO NETO, P. de A. A identidade nacional. In: FIORIM J. L. (Org.). Estado 
desenvolvimentista. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 415-447. 
 
Partes de livro Online: 
SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Tratados e organizações ambientais 
em matéria de meio ambiente. In: ______. Entendendo o meio ambiente. São Paulo, 
1999. v. 1. Disponível em: <http://www.bdt. org.br/sma/entendendo/atual. htm>. 
Acesso em: 8 mar. 1999. 
 
Observações: 
a) Se o autor do capítulo for também o organizador do livro, substitui-se o nome do 
organizador por seis caracteres de traço sublinear (6 toques), cuja função é substituir o 
nome repetido mantendo-se, logo a seguir, a expressão “(Org.)”. 
b) O sobrenome composto deve ser todo ele transcrito em letras maiúsculas; 
c) A expressão “(Org.)” esclarece a responsabilidade intelectual pela organização do 
livro; 
d) O título do livro é que deve estar em negrito e não o título do capítulo; 
e) É necessário informar, após o ano, a paginação onde se encontra o capítulo. 
 
3 - Partes de dicionários. 
 
Elementos essenciais: autor do verbete (sobrenome em letras maiúsculas, o resto em 
letras normais); nome do verbete; expressão In, autor-organizador ou autor-editor do 
dicionário ( mesmas regras de autorias de livro), título do dicionário (em negrito), 
edição, local, editora e data. 
 
Dicionários em papel impresso: 
HOLANDA FERREIRA, Aurélio Buarque de. Turismo. In: ______. Novo dicionário 
Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975. p. 1421. 
 
Dicionário Online: 
POLÍTICA. In: DICIONÁRIO da língua portuguesa. Lisboa: Priberam informática, 1998. 
Disponível em: <http://www.priberam.pt/dlDLPO>. Acesso em: 8 mar. 1999. 
 
4 - Dissertações, teses e trabalhos de conclusão de curso. 
 
Elementos essenciais: autor (mesmas regras pra livros); título (negrito); subtítulo se 
houver (sem negrito); ano da defesa; número de folhas, tipo de produção (tese, 
FIORI, J. Estado e desenvolvimento. In: ______ (Org.). Estados e moedas no 
desenvolvimento das nações. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 49-85. 
 63 
dissertação ou monografia); entre parêntesis a área da produção, depois a 
universidade ou faculdade, local e ano. 
 
Em papel impresso: 
SENA, José. Universalidade cristã? Análise do discurso do papa Bento XI. 2002. 175 f. 
Dissertação (Mestrado em Ciência da Religião) – ICH, Universidade Federal de Juiz de 
Fora, Juiz de Fora, 2002. 
 
5 - Folhetos. 
 
Geralmente são normas e/ou orientações cuja impressão e distribuição são de 
responsabilidade da entidade organizadora (manual do aluno, manual de vestibular, 
manual de orientação aos turistas, entre outros, são exemplos). 
 
Em papel impresso: 
IBICT. Manual de normas de editoração do IBICT. Brasília, DF, 1993. 
 
 6 - Publicações periódicas: Jornais e revistas – científicas e informativas (artigos 
científicos, editoriais, matérias jornalísticas, seções, reportagens etc.). 
 
6.1 Partes de revistas. Os elementos essenciais são: autor do artigo (editorial etc.; com 
sobrenome em letra maiúscula e resto em letra normal); título do artigo; nome da 
revista (em negrito), cidade em que ela é publicada; volume; número; página inicial e 
final do artigo; data (como são publicações periódicas, coloca-se o período: semestral 
quadrimestral etc.) 
 
Científicas em papel impresso: 
RIVER, L. O mundo dos Adventistas: abordagens. Numen, Juiz de Fora, v. 3, n. 
3, p. 135-149, jan.- jun. 2000. 
 
Científicas online: 
SENA, Emerson. A identidade cultural do catolicismo. Rever, São Paulo, n. 3, 
2009. Disponível em: <http://www.pucsp. br/rever>. Acesso em: 22 set. 2009. 
 
Informativas em papel impresso: matéria com autoria: 
CARE, Gabriela. O Brasil não-imperialista. Veja. São Paulo, ano 38, n. 7, p. 74-77, 
19 fev. 2009. 
 
Informativas online (matéria com autoria): 
SILVA, Expedito; CAMARO, Gerson. O governo está em alta. Época, São Paulo, 
n. 256, 14 abr. 2003. Disponível em: <http://www.epoca. com.br>. Acesso 
em: 17 abr. 2003. 
 
Informativas em papel impresso com matéria sem autoria Pela impossibilidade de se 
identificar o autor da matéria, a referência foi iniciada com o título, sendo a primeira 
palavra digitada em letras maiúsculas. 
 
 64 
BARRIGUDOS pela bolsa. Veja. São Paulo, ano 36, n. 7, p. 56, 19 fev. 2003. 
 
Informativas online: matéria sem autoria: 
 A CORÉIA DO NORTE como problema. Veja, São Paulo, ano 36, n. 7, 19 fev. 
2003. Disponível em: <http://www.veja.com.br>. Acesso em: 25 fev. 2003. 
Observar: a) o nome das editoras das revistas informativas deve ser copiado de seus 
créditos da forma que lá estiver escrito (Ed. Três, Editora Abril etc.); b) quando a 
numeração da revista começar e terminar em um mesmo ano, ano também deve ser 
informado. 
 
6.2 Parte de Jornais. Elementos essenciais: autor do artigo (editorial etc.; com 
sobrenome em letra maiúscula e resto em letra normal); título do artigo ou 
reportagem; nome do jornal tal como grafado (negrito), cidade; data; caderno ou 
sessão, página. 
 
Em papel impresso: matéria com autoria: 
SARA. Silvia. Os ateus do Estado. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 set. 
2001. Guerra na América, Especial, p. 8. 
 
Online: matéria com autoria: 
SARA. Silvia. Os ateus do Estado. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 set. 
2001. Guerra na América, Especial, p. 8. Disponível em: <http:// 
www.folha. com.br>. Acesso em: 19 set. 2001. 
 
Em papel impresso: matéria sem autoria: 
UNESCO cria fundo cultural para Iraque. Folha de S. Paulo, São Paulo, p. 
A 10, 18 abr. 2003. 
 
Online: matéria sem autoria: 
UNESCO cria fundo cultural para Iraque. Folha de S. Paulo, São Paulo, 18 
abr.2003. Disponível em: <http://www.folha.com.br>. Acesso em: 18 
abr. 2003. 
 
De modo geral, edições de jornais com uma só temática são muito raras. Números 
temáticos ou especiais são mais comuns nos jornais alternativos, de pequena 
circulação. Quando se referenciam jornais no todo, o título, em letras maiúsculas, deve 
ser sempre o primeiro elemento da referência. 
 
7 - Eventos. 
 
O produto final do evento (atas, anais, resultados, proceedings etc.) reúne os 
documentos diversos apresentados durante sua realização. São todos essenciais os 
elementos presentes nos exemplos sugeridos a seguir. 
 
Partes de eventos. Elementos essenciais: autor do artigo, comunicação ou trabalho que 
consta nos anais ou registros do evento; título; expressão “In:”, tíutlo do evbto em 
letras em letras maiúsculas; número, seguido de ponto, após o nome do evento, quer 
 65 
dizer que edição do encontro; ano e a cidade, referem-se ao ano e local de realização 
do evento; título do documento, negritado e seguido por reticências (procedimento 
abreviativo); local, responsabilidade e data de publicação do produto final do evento. 
 
Exemplos: 
Em Papel impreso: 
SILVA, J. M. da; SILVEIRA, E. S. da. Globalização, segmentação de mercado e o 
turismólogo. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE TURISMO DA REDE MERCOCIDADES, 4., 
2002, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: Rede Mercocidades, 2002. p. 16-30. 
 
Online: 
SILVA, R. N.; OLIVEIRA, R. Os limites pedagógicos do paradigma da qualidade total na 
educação. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPe, 4., 1996, Recife. Anais 
eletrônicos... Recife: UFPe, 1996. Disponível em: 
<http://www.propesq.ufpe.br/anais/anais/educ/ce04.htm>. Acesso em: 21 jan. 1997. 
 
8 - Documentos jurídicos. 
 
São as legislações, jurisprudências (decisões judiciais) e doutrinas (interpretação dos 
textos legais). Os elementos essenciais estão na ordem dos exemplos abaixo: 
 
8.1 Legislações: 
Constituição em papel impresso: 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 
DF: Senado, 1988. 
 
Códigos em papel impresso: 
BRASIL. Código civil. 48. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. 
 
Decreto estadual em papel impresso: 
MINAS GERAIS. Decreto nº 42.822, de 20 de janeiro de 2008. Lex: coletânea de 
legislação e jurisprudência, Minas Gerais, v. 45, n. 4, p. 213-220, 2008. 
 
Decreto federal em papel impresso: 
BRASIL. Decreto-lei nº. 5.452, de 1 de maio de 1943. Lex: coletânea de legislação: edição 
federal, São Paulo, v. 7, p. 234, 1943. 
 
Medida provisória em papel impresso: 
BRASIL. Medida provisória nº 1569-9, de 11 de dezembro de 1997. Diário Oficial [da] 
República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 14 dez. 1997. Seção 1, p. 
29514. 
 
8.2 Jurisprudências (súmulas, enunciados, acórdãos, sentenças e demais decisões 
judiciais): 
Súmulas em papel impresso: 
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula nº 14. In: ______. Súmulas. São Paulo: 
Associação dos Advogados do Brasil, 1994. p. 16. 
 66 
 
Súmulas online: 
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula nº 14. Não é admissível, por ato 
administrativo, restringir, em razão de idade, inscrição para concurso em cargo público. 
Disponível em: <http://www.truenetm.com.br/jurisnet/sumusSTF.html>. Acesso em: 29 
nov. 1998. 
 
8.3 - Doutrinas em papel impresso. Inclui toda e qualquer discussão técnica sobre 
questões legais. A sua referência deve acompanhar as regras do tipo de publicação em 
que estiverem inseridas (monografias, artigos de periódicos, papers (pequeno texto-
resumo do que vai ser apresentado) etc.). 
 
BARROS, Raimundo Gomes de. Ministério Público: sua legitimação frente ao Código do 
Consumidor. Revista Trimestral de Jurisprudência dos Estados, São Paulo, v. 19, n. 139, 
p. 53-72, ago. 1995. 
 
9 - Imagem em movimento. 
 
Os elementos essenciais são: título, diretor, produtor, local, produtora, data e 
especificação do suporte. 
 
Filmes. Em cinema 
CENTRAL do Brasil. Direção: Walter Salles Júnior. Produção: Martire de 
Clermont-Tonnerre e Arthur Cohn. [S. l.]: Le Studio Canal; Riofilme; MACT 
Productions, 1998. 1 bobina cinematográfica. 
 
10 - Documentos iconográficos. 
 
Incluem pinturas, gravuras, ilustrações, fotografias, desenhos técnicos, diapositivos 
(slides, por exemplo), diafilmes, materiais estereográficos, transparências, cartazes etc. 
Os elementos essenciais são: autor, título (quando não existir um título, atribui-se uma 
denominação ou acrescenta-se a expressão [Sem título] entre colchetes), data e 
especificação do suporte. 
 
Fotografias em papel: 
KOBAYASHI, K. Doença dos xavantes. 1980. 1 fotografia, color., 16 cm x 56 
cm. 
 
Fotografias em jornal: 
FRAIP, E. Amílcar. O Estado de São Paulo, São Paulo, 30 nov. 1998. 
Caderno 2, Visuais. p. D2. 1 fotografia, p&b. Foto apresentada no projeto 
ABRA/Coca-cola. 
 
Fotografias em CD-ROM: 
LOPES, E. L. V. Memória fotográfica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 
Prefeitura Municipal. 1 fotografia, p&b. 1 CD-ROM. 
 
 67 
Fotografias online: 
STOCKDALE, René. When’s recess? [2002]. 1 fotografia, color. Disponível em: 
<http://www. webshots.com/g/d2002/1nw/20255.html>. Acesso em: 13 jan. 
2001. 
 
11 - Documentos sonoros: 
 
 Incluem os discos, CDs, cassetes, rolos etc. Os documentos sonoros considerados no 
todo devem ser referenciados com os seguintes elementos essenciais: compositor(es) 
ou intérprete(s), título, local, gravadora (ou equivalente), data e especificação do 
suporte. 
Partes de CDs 
COSTA, S.; SILVA, A. Jura secreta. Intérprete: Simone. In: SIMONE. Face a 
face. Rio de Janeiro: Emi-Odeon Brasil, 1977. 1 CD. Faixa 7. 
 
 
DIGITAÇÃO DOS TRABALHOS ACADÊMICOS: 
 
Exemplificações Gerais e aplicadas caso a caso... 
 
As exemplificações a seguir seguem como ilustrações. Considere-se os 
exemplos a seguir, que estão a título de ilustração, dentro do padrão de margem, 
folha, tamanho de letra trabalhados no item digitação de trabalhos acadêmicos. 
 
Todas as páginas devem possuir o seguinte padrão de margens. As margens 
superior e esquerda devem ser formatadas com 3 cm, enquanto a inferior e a direita, 
com 2 cm. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 3 cm 25 
 
 
 
 
 
 
 
 3 cm 2 cm 
 
 
 
 
 
 
 
 
 2 cm 
 
 
 3 cm 
 
 
 
 
 68 
1 - Capa – Obrigatória: Monografias, Projetos, Relatórios e Trabalhos em geral: 
 
 
FACULDADES DOCTUM 
 
DIREITO 
 
 
 
 
Mariana Ayres Souza 
 
 
 O DIREITO EMPRESARIAL NA DÉCADA DE 1990: 
Abordagem hermenêutica dos pressupostos jurídicos 
 
 
Juiz de Fora 
2009 
 
a) Todos os elementos devem estar centralizados e ser proporcionalmente distantes. 
Instituição e faculdade (opcional): maiúsculas e negrito, entrelinhamento 1,5. Autor: 
maiúsculas e negrito, espaço 1,5. Título: maiúsculas e negrito, subtítulo: letras normais 
e negrito; ambos com espaço 1,5. Cidade e ano: letras normais, entrelinhamento 
simples, sem negrito. 
b) O espaço deve ser PROPORCIONAL entre todos os elementos. 
c) Se houver mais de um autor, digitar os nomes com simples. O espaço entre a data e 
o também é simples. 
d) Teses e dissertações de doutorado cumprem as mesmas regras aqui expostas. 
e) A página não é contada e nem numerada. 
ATENÇÃO: O tamanho da fonte é SEMPRE 12, exceto: notas de rodapé, citação diretas 
com mais de 3 linhas, numeraçãoda página e legendas de tabelas e quadros. 
2 - Folha de Rosto – Obrigatória - Monografias, Projetos, Relatórios e Trabalhos em 
Geral: 
 
 69 
 
 
FACULDADES DOCTUM 
DIREITO 
 
 
Mariana Sodré Ayres 
 
 
O DIREITO EMPRESARIAL NA DÉCADA DE 1990: 
Abordagem hermenêutica dos pressupostos jurídicos 
 
 
Monografia apresentada ao Curso de Direito - Faculdade do Sudeste 
Mineiro. 
Orientador: Prof. Dr. Reinaldo Henrique de Macedo 
 
Juiz de Fora 
2009 
 
 
As mesmas regras da capa, exceto duas coisas: 
a) o subtítulo, neste caso, fica sem negrito; 
b) a nota de apresentação, sem recuo de parágrafo, entre o título/subtítulo e 
local/data, canto direito, letras normais, alinhamento justificado, sem negrito, espaço 
simples; 
c) A página é contada, mas não é numerada; 
d) algumas instituições pedem a ficha catalográfica, que deve ser confeccionada 
segundo o Código de Catalogação Anglo-Americano vigente. É responsabilidade da 
biblioteca a disponibilização da ficha catalográfica. 
3 - Folha de Aprovação – Obrigatória para Monografias e Relatórios: 
 70 
 
Mariana Sodré Ayres 
 
O DIREITO EMPRESARIAL NA DÉCADA DE 1990: 
Abordagem hermenêutica dos pressupostos jurídicos 
 
 
Monografia apresentada ao Curso de Direito das Faculdades Doctum, aprovada 
pelos seguintes examinadores: 
 
Prof. Dr. Francis Silva José (Orientador) 
Faculdades Doctum de Juiz de Fora 
 
Profa. Ms. Mariana Silveira 
Faculdades Doctum de Guarapari 
 
Prof. Dr. Aline Silva Galvão 
Universidade Federal de Juiz de Fora 
Juiz de Fora 
15 / 10 / 2009 
 
a) Autor: centralizado, tamanho 12, negrito, letras normais, espaço 1,4. 
b) Título principal: negrito, centralizado, maiúsculas, espaço 1,5. Subtítulo secundário: 
letras normais, negrito, centralizado, espaço 1,5. 
c) Nota de apresentação: espaço simples, alinhamento justificado, sem recuo de 
parágrafo, recuo esquerdo de mais ou menos 8 cm. 
d) Os nomes dos examinadores: centralizados, constando a titulação (Dr. ou Ms.) e 
suas respectivas instituições (com 1 linha em branco de espaço 1,5). 
e) Local e Data: cidade da defesa e dia/mês/ano com letras normais, centralizados, 
sem negrito. O espaço das linhas entre local e data: 1,5. TODOS os elementos devem 
ser distribuídos proporcionalmente na página. 
f) A página é contada, mas não é numerada. 
4 - Dedicatória – Opcional – Monografias: 
 
 71 
 
 
Para minhas filhas, Mônica e Luciana, pela compreensão, mesmo que dentro 
de suas possibilidades, dos meus tempos de ausência. 
 
 
a) Dedicatória: equivale a uma homenagem. 
b) Texto, sem recuo de parágrafo, digitado em letras normais, justificadas, sem 
negrito, com espaço 1,5 no canto direito, com recuo de aproximadamente 8 cm. Não 
se coloca o título Dedicatória. 
c) A página é contada, mas não é numerada. 
 
5 - Agradecimento - Opcional – Monografias: 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Não foram poucos os que me ajudaram na longa jornada. Ao Prof. Dr. Silva, meu 
orientador, agradeço o estímulo constante. A professora Vera Lúcia. Minha 
adorada família. 
 
 
a) O título Agradecimento (s): escrito em maiúsculas, centralizado, negrito, distante 2 
linhas em branco da margem superior. 
b) O texto, sem recuo de parágrafo, digitado na parte inferior da margem, letras 
normais, alinhamento justificado e espaço 1,5. A página é contada, mas não é 
numerada. 
6 - Modelo de Epígrafe - Somente e opcional para Monografias, Projetos e outros: 
 72 
 
 
A verdadeira dificuldade não está em aceitar idéias novas. Está em escapar das 
idéias antigas. 
LIBÂNIO 
 
O que são os séculos perto do momento em que dois seres se reconhecem e se 
aproximam? 
HOELDERLIN 
 
 
a) Pensamentos e idéias retirados de um autor, música, poema, seguidos da autoria. 
b) Não se coloca o Título Epígrafe. 
c) O alinhamento é justificado, 
d) O texto, com recuo de aproximadamente 8 cm, sem recuo na primeira linha, letras 
normais, justificado, com espaço 1,5; 
e) Em seguida o sobrenome do autor, letra maiúscula, centralizada; entre uma epígrafe 
e outra, deixar espaço de 1 linha em branco de espaçamento 1,5. 
f) A página é contada, mas não é numerada. 
 
7 - Resumo e Palavras-Chave - Obrigatório - Monografias, relatórios (TCC ou TC): 
 
RESUMO 
 
Pensar as implicações da cultura de consumo e da mídia sobre os atores religiosos 
populares, a partir do estudo de uma comunidade católico-carismática de estrato 
popular. Que mediações podem ser encontradas entre os atores religiosos, por meio 
de suas atividades e, a dimensão das forças midiáticas e do mercado de consumo? 
Partindo dessa pergunta, constata-se que os fluxos e fronteiras entre mídia, consumo e 
carismatismo católico colocam em pauta novas formas de hibridação e mediações 
entre religião (“popular” e institucional) e mundo pós-moderno. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Midiático-consumerismo católico. Comunidade religiosa. Atores 
religiosos populares. 
 
 
O resumo é um texto breve, que apresenta ao leitor o tema, o objetivo, o problema, a 
metodologia adotada e as conclusões. Deve ser digitado: 
a) Em bloco único, sem parágrafo, espaço simples. O título Resumo, letra maiúsculas, 
centralizado, negrito. Em seguida, separado do resumo com espaço 1,5, segue o título 
Palavras-Chave, alinhado à esquerda, letras maiúsculas, negrito. As palavras são 
separadas por pontos No máximo 250 palavras para monografias e 500 para teses. As 
palavras-chave são separadas por ponto. Página contada, mas não numerada. A 
tradução é colocada em página distinta (conta, mas não numera). 
 73 
 
8 - Resumo e palavras-chave - Traduzido – Obrigatório - Monografias, dissertações e 
teses (exceto relatórios): 
 
 
ABSTRACT 
 
Think the consumption culture implications and of the media about the Popular 
Religious actors, based in the study of a Charismatic-Catholic Community of popular 
stratum. What the mediations will to be able to meet between the religious actors and 
the midiatics force dimension and of the consumption market? Parting this question, 
the flow and frontier between media, consumption and charismatic catholic put in 
stave new forms of hibridation and mediation between religion (“popular” and 
institutional) and pos-modern world. 
 
KEY WORDS: Catholic Midiatics-consumption. Religious Community. Popular Religious 
actors. 
 
As mesmas regras do resumo. As línguas mais adotadas são: inglês, francês, espanhol, 
italiano e alemão. Para teses de doutorado, a tradução é feita para duas línguas. 
Observe-se que a faculdade deve adotar como padrão uma língua. 
 
9 - Listas: Ilustrações/Tabelas e Quadros/Abreviaturas e Siglas – Opcionais: 
 
 
LISTA DE ILUSTRAÇOES 
Gráfico 1 – Subida da inflação – 2000- 2006 --------------------------------------------------------- 35 
Gráfico 2 – Empréstimos de crédito pessoal - MG -------------------------------------------------- 37 
Foto 1 – Banco Popular – Juiz de Fora ----------------------------------------------------------------- 39 
 
a) A ordem das listas é: Ilustrações, Tabelas e Abreviaturas. Se o trabalho possuir essas 
três listas, todas devem vir em páginas distintas, contadas, mas não numeradas, idem 
se for apenas uma lista. 
b) Ilustrações podem ser: gráficos, desenhos, esquemas, fotos, retratos, etc. 
c) Títulos: letra maiúscula, centralizada, negrito, espaço 1,5, distante da margem 
superior da lista 2 linhas em branco de espaço e distante do início da lista também 2 
linhas em branco de espaço 1,5. 
d) Indica-se o tipo, seguido de numeração de acordo com o seu aparecimento no texto 
da monografia, projeto, tese etc., e com a página correspondente. ATENÇÃO! O que 
estiver escrito na lista deve corresponder ao que está na página do texto; 
f) Entre cada item, o espaço deve ser de 1,5. 
g) No texto, a ilustração ou tabela deve aparecer destaforma: 
 
 74 
 
De acordo com o IBGE, o gráfico a seguir mostra a história da inflação no Brasil: 
 
 
Gráfico 01 - Subida da inflação – 2000- 2006 
Fonte: IBGE, 2006, p. 23 
 
Observe que a legenda deve ter tamanho 11, centralizada, sem negrito, espaço 
simples, seguida da indicação da fonte, essencial, indicando a página. 
 
10 -Sumário – Obrigatório - Monografias, relatórios, teses e dissertações: 
 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO ---------------------------------------------------------------------------------------------- 9 
 
1 DIREITO EMPRESARIAL ------------------------------------------------------------------------------- 11 
1.1 Histórico do Direito Empresarial --------------------------------------------------------------- 11 
1.2 A Codificação do Direito Empresarial --------------------------------------------------------- 16 
 
2 AS LIMITAÇÕES DO DIREITO EMPRESARIAL ------------------------------------------------------ 23 
2.1 Os problemas conceituais ----------------------------------------------------------------------- 23 
2.2 As limitações práticas ---------------------------------------------------------------------------- 27 
 
3 AS MUDANÇAS RECENTES NO DIREITO EMPRESARIAL ---------------------------------------- 35 
3.1 As novas visões do Direito Empresarial ------------------------------------------------------ 35 
3.2 Os conflitos de interpretação mais recentes ----------------------------------------------- 40 
 
CONCLUSÃO ------------------------------------------------------------------------------------------------ 50 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS-----------------------------------------------------------53 
ANEXOS----------------------------------------------------------------------------------------------55 
 
 
a) Palavra Sumário: letra maiúscula, centralizado, negrito, 2 linhas de espaço 1,5 em 
branco antes da margem e depois. Não colocar a palavra capítulo na frente do 
número. Os números dos capítulos não recebem traço/ponto após e nem são 
negritados. 
b) Os títulos principais: maiúsculas, negrito. Os títulos secundários: letras normais, 
negrito; se tiver terciário, seria letra normal e sem negrito. Espaço ente títulos 
 75 
principais: duplo. Espaço entre as subdivisões do mesmo título: 1,5 ou simples. O 
alinhamento do sumário: justificado. ATENÇÃO para a ORDEM LÓGICA no SUMÁRIO. É 
recomendável equilíbrio na distribuição de capítulos e sub-capítulos. Não colocar 
capítulos com apenas um sub-capítulo ou um capítulo com muitos sub-capítulos. 
11 - Sumário – Modelo Obrigatório para Projetos de Pesquisa e outros projetos: 
 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ----------------------------------------------------------------------------------------------4 
1 OBJETIVOS ------------------------------------------------------------------------------------------------- 5 
1.1 Objetivo Geral ----------------------------------------------------------------------------------------- 6 
1.2 Objetivos Específicos --------------------------------------------------------------------------------- 7 
2 JUSTICATIVA ---------------------------------------------------------------------------------------------- 8 
3 REFERENCIAL OU MARCO TEÓRICO ----------------------------------------------------------------- 35 
4 PROBLEMAS E HIPÓTESES ----------------------------------------------------------------------------- 35 
5 METODOLOGIA ------------------------------------------------------------------------------------------ 35 
6 CRONOGRAMA ------------------------------------------------------------------------------------------- 35 
 REFERÊNCIAS OU BIBLIOGRAFIA ---------------------------------------------------------------------- 35 
 APÊNDICE – Sumário provisório ----------------------------------------------------------------------- 35 
 ANEXOS ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 35 
 
 
12 - Corpo de Texto – Obrigatória a todos os trabalhos acadêmicos: 
 
a) Os títulos no corpo do texto devem seguir rigorosamente os títulos que estão no 
sumário. 
b) As distâncias entre um título e outro devem ser respeitadas na forma como está no 
exemplo. 
c) Os títulos principais sempre iniciam em nova folha, letras maiúsculas, negrito e 
centralizado. Os títulos secundários letra minúscula, negritos e com alinhamento 
justificados. 
d) NUNCA DEIXE DE CITAR FONTES EM SEU TRABALHO. Use o sistema alfabético ou 
numérico. 
 76 
 
 
 
 
 
13 - Modelo de Referências Bibliográficas – Obrigatória – Monografia, artigo, Projeto 
etc: 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
BARROS, Raimundo Gomes de. Ministério Público: sua legitimação frente ao Código do 
Consumidor. Revista Trimestral de Jurisprudência dos Estados, São Paulo, v. 19, n. 
139, p. 53-72, ago. 1995. 
 
BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943. Lex: coletânea de legislação: 
edição federal, São Paulo, v. 7, 1943. Suplemento. 
 
 10 
------------------------------------------------- (limite da margem superior) 
(2 linhas em branco de espaçamento, após a margem 1,5) 
 
 INTRODUÇÃO 
 
(2 linhas em branco de espaçamento 1,5) 
 
O início de uma legislação empresarial pode ser rastreado em 1876, com o 
surgimento das leis antitrustes nos EUA (SILVA, 2000). Mas para Silveira (2000) é 
somente a partir da segunda metade do século XX é que a legislação específica irá surgir. 
(2 linhas em branco de espaçamento 1,5) 
 
1 A ORIGEM DO DIREITO EMPRESARIAL NO BRASIL 
 
(2 linhas em branco de espaçamento 1,5) 
 
É importante assinalar também que, antes de 1930, a unidade básica de proteção 
média dava-se no âmbito das empresas, ou seja, possuíam certa autonomia. 
 77 
 
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula nº 14. Não é admissível, por ato 
administrativo, restringir, em razão de idade, inscrição para concurso em cargo 
público. Disponível em: <http://www.truenetm.com.br/jurisnet/sumusSTF.html>. 
Acesso em: 29 nov. 1998. 
 
BRASIL. Medida provisória nº 1569-9, de 11 de dezembro de 1997. Diário Oficial [da] 
República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 14 dez. 1997. Seção 1, p. 
29514. 
 
SILVA, Expedito; CAMAROTTI, Gerson. O governo está em alta. Época, São Paulo, n. 
256, 14 abr. 2003. Disponível em: <http://www.epoca. com.br>. Acesso em: 17 abr. 
2003. 
 
SILVA, J. M. da. A identidade no mundo das religiões. Rever, São Paulo, n. 4, 2001. 
Disponível em: <http://www.pucsp. br/rever>. Acesso em: 22 fev. 2002. 
 
SAMPAIO, Rachel. O direito empresarial no Brasil. São Paulo: Saraiva: Feme, 2000. 
 
SÃO PAULO (Estado). Decreto nº 42.822, de 20 de janeiro de 1998. Lex: coletânea de 
legislação e jurisprudência, São Paulo, v. 62, n. 3, p. 217-220, 1998. 
 
a) O título principal: negrito, centralizado e maiúsculas, distante da margem superior 2 
linhas em branco de espaço 1,5 e 2 linhas em branco antes do início das referencias. 
b) A ordem dos sobrenomes: alfabética, no caso. 
c) As referências bibliográficas: alinhadas à esquerda, sem recuo quando mudarem de 
linha. 
d) O espaço entre as linhas da mesma referência é simples, quando se escreve outra 
referência, o espaço é 1,5. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 78 
14 - Apêndice/Anexo - Opcional - Monografia e Projetos: 
 
 
ANEXO 
 
QUESTIONÁRIO SOBRE MARGINALIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA 
 
Prezado (a), esse questionário visa sonda sua opinião sobre alguns temas. Sua 
identidade será mantida em sigilo e as informações restritas. Por favor, responda com 
sinceridade e objetividade. 
 
Instruções: Anote na casa à direita o número que corresponda ou mais se aproxima. 
 
1) Sexo: 1. Masculino 2. Feminino.2) Estado Civil: 
1. Solteiro 2. Casado 3. Viúvo 4. Divorciado 5. União Livre 
 
3) Idade (anos completos) 
 
4) Nível educacional: ___________________________ 
 
5) Renda mensal familiar: 
 1 S.M. 
2 a 4 S.M. 
 
a) Título principal centralizado, negrito, caixa alta. Se o projeto também optar por mais 
de um instrumento como entrevista (aberta, fechada ou semi-aberta) e questionários, 
é preciso colocar os modelos em anexo. 
b) Todo questionário deverá conter um cabeçalho explicativo; 
c) O Apêndice se usa no caso, por exemplo, de textos, cartas e outras estruturas 
elaboradas pelo autor do projeto ou da monografia. O SUMÁRIO PROVISÓRIO de um 
projeto é um bom exemplo de Apêndice. Nesse caso, ele só consta da listagem do 
projeto. 
 
 
LEITURA RECOMENDADA: 
DEMO, Pedro. Metodologia Científica em ciências sociais. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 
1995. 
GUSTIN, Miracy Barbosa de Souza; DIAS, Maria Tereza Fonseca. Repensando a 
Pesquisa Jurídica: teoria e prática. 2ª edição. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. 
 
 79 
LAVILLE, C.; DIONE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em 
ciências humanas. Belo Horizonte: UFMG; Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. 
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 
1992. 
SILVA, José Maria; SILVEIRA, Emerson Sena. Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: 
normas e técnicas. Juiz de Fora: Juizforana, 2002. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 80 
AULA 08: A Pesquisa enquanto princípio Científico e Educativo: 
Horizontes Múltiplos da Pesquisa. 
 
OBJETIVOS: 
* Identificar a relevância da pesquisa científica no processo de construção e 
reconstrução do conhecimento; 
* Compreender a responsabilidade do pesquisador diante da sociedade; 
* Desenvolver habilidades relativas à definição clara de problemas de pesquisa. 
* Compreender a utilidade das diferentes técnicas de pesquisa e os fatores que 
influenciam na escolha das mesmas; 
* Capacitar para o tratamento e interpretação de informações conducentes à solução 
de problemas, bem como a consolidação de conclusões. 
 
CONTEÚDO: 
 
Conceito de Pesquisa... 
 
Podemos definir a pesquisa como sendo uma ação investigativa que visa 
levantar, selecionar, analisar/interpretar e comunicar informações sobre um fato, 
fenômeno ou evento presente na realidade. 
 
A pesquisa não deve ser colocada como algo inalcançável ou reservado apenas 
aos cientistas. O sentido é a busca de um estado ideal, um parâmetro a ser buscado 
nas instituições e na prática docente. 
 
De posse do instrumental simples, a que as metodologias permitem acesso, o 
aluno pode tornar-se um aluno-pesquisador sistemático e, mais ainda, levar seus 
colegas a serem alunos-pesquisadores. No entanto, o mais importante é a atitude 
adotada perante a realidade: Questionar sempre. Por isso: 
 Duvidar e expressar de forma clara suas dúvidas; 
 Não ter medo de questionar suas próprias convicções e crenças, não ter medo 
de passá-las por sobre o crivo da razão; 
 Não sacrificar a razão para valores outros, seja de que tipo forem... 
 Desarmar-se e despir-se de atitudes “fechadas” e dogmáticas, em outras 
palavras, estar disponível e abrir-se a outros pontos de vista; “testar” suas crenças sem 
medo de perder ou de perder-se... 
 Esse levar a pesquisa, a atitude de “testar” suas crenças, significa um convite 
(inclui a noção de liberdade...) feito ao aluno, mas um convite que pode ser integrado 
à forma e a maneira como o professor “ministra” o conteúdo de sua disciplina, ou pelo 
menos determinados tópicos. E aqui a reflexão se dá em torno de como sair dos livros, 
das fórmulas de amostragem, das imagens, dos questionários para uma prática real. 
 
A direção é apontada pela questão do “artesão” intelectual: 
 
 Aquele que não é um repetidor, mas um produtor, aquele que, conhecendo as 
diversas estratégias: elabora caminhos próprios ao caminhar. 
 Por isso, a pesquisa é emancipação, é ser “dono de seu próprio intelecto”; 
 81 
 Trás liberdade e, segundo Demo (2001, p. 51), “sem pesquisa não há 
verdadeira aprendizagem”. 
 
Horizontes Múltiplos da Pesquisa... 
 
Tipologia de alguns tipos de Pesquisa: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Repare que a figura aponta a existência de dois tipos básicos de pesquisa: 
A Pesquisa acadêmica, ou seja, aquela desenvolvida no âmbito da faculdade e 
que objetiva debater a teoria, aplicar um modelo teórico, investigar de forma ampla a 
realidade; 
A Pesquisa de Mercado, que objetiva sondar opiniões, verificar tendências, 
levantar dados para o lançamento de produtos etc. 
 
A diversificação dos tipos de pesquisa é enorme e com reflexos para a 
metodologia. 
 
Por isso, é comum ouvir: 
• Pesquisas de mercado; 
• Pesquisas de marketing; 
• Surveys ou pesquisas quantitativas; 
• Pesquisa longitudinal (de longo período); 
• Pesquisa clínica e Pesquisa social. 
 
Pesquisa incidental Pesquisa de tendência
Pesquisa por painel Enquetes
Pesquisas de opnião Surveys
Pesquisa de Mercado
Problema
Hipótese
Métodos
Projetos de pesquisa
Problema
Hipótese
Métodos
Monografias
Problema
Hipótese
Métodos
Teses e dissertações
Pesquisa Acadêmica
Pesquisa
Construção do conhecimento
 82 
É necessário, porém, retomar os princípios básicos e perceber que, para além 
dessas divisões, o fundamento das pesquisas é comum, especialmente no tocante às 
estratégias, cujo emprego correto e adequado deve se constituir preocupação central 
do aluno. 
 
E a divisão básica dos tipos de pesquisa está relacionada à sua função. 
 
Pesquisa básica: base da investigação acadêmica, presente nas fases iniciais da 
academia (a pesquisa que dará origem ao TCC é um bom exemplo). 
 
Pesquisa aplicada: visa ao aprofundamento de um determinado tema de uma área 
científica específica (por exemplo, a pesquisa sobre remédios) com o desenvolvimento 
de PRODUTOS e PROCESSOS tecnológicos, sociais e culturais. 
 
A pesquisa como princípio educativo: 
 Em sua condição de principio educativo a pesquisa é instrumento por meio do 
qual, tanto se ensina, quanto se aprende, pois a prática educativa pressupõe uma série 
de saberes ou exigências, dentre os quais se destaca a pesquisa, afinal 
ensinar no século XXI é educar pela pesquisa, é promover espaços de diálogos entre o 
já constituído e o que precisa ser construído (ou reconstruído). Educar pela pesquisa é 
desenvolvermos o questionamento reconstrutivo, essencial à prática educativa que 
deve estar sempre a serviço da emancipação humana. (BEAUCLAIR, 2008). 
 
A pesquisa como princípio científico: 
 
Já dissemos que a pesquisa é o principal elemento norteador da produção do 
trabalho científico. Logo, Pesquisar é o mesmo que buscar ou procurar resposta para 
compreensão de algum fato, fenômeno ou evento da realidade, por isso, é ação 
investigativa. Contudo, em se tratando de Ciência essa ação é o caminho para se 
chegar à elaboração do conhecimento científico. È, pois, no desenvolvimento dessa 
ação que se dá a utilização de diferentes instrumentos para se atingir o objetivo 
proposto. Esses instrumentos serão definidos pelo próprio pesquisador para atingir os 
resultados ideais. 
 
A pesquisa pode contar com importantes instrumentos auxiliares na construção 
do conhecimento: entrevista, questionário, análise de discurso etc. 
 
Em relação às metodologias de análise, a pesquisa pode ser: 
Qualitativa: visa à interpretação do problema, do fato, do objeto; 
Quantitativa: visa a mensurar numérica ou estatisticamente os fenômenos. 
 
Níveis de Pesquisa... 
 
Santos (2004, p. 25) fornece TRÊS critérios para identificar a natureza metodológicados trabalhos de pesquisa: 
1 – Objetivos; 
2 - Procedimentos de coleta; 
 83 
3 - As fontes. 
 
Objetivos Procedimentos de coletas Fontes de informações 
 
Exploratórias 
Descritivas 
Explicativas 
 
Experimental 
Levantamento de informações 
Estudo de caso 
Bibliográfica 
Documental 
Pesquisa-ação; participante 
 
Laboratorial/Arquivista 
Campo 
Bibliografia 
 
 
Assim, segundo esses critérios, de um modo geral, podem-se enumerar alguns tipos 
básicos de pesquisa. 
 
Pesquisa bibliográfica e documental: 
Dentro os tipos de pesquisa, há dois dos mais fundamentais: a bibliográfica, sobre 
fontes escritas e a documental, sobre documentos de modo geral. Aluno deve lançar 
mão desses dois tipos, auxiliado por metodologias de interpretação e análise dos 
dados. 
 
1 - Pesquisa bibliográfica: 
Essa pesquisa consiste no “conjunto de materiais escritos/gravados, mecânica ou 
eletronicamente, que contêm informações já elaboradas/publicadas por outros 
autores” (SANTOS, 2004, p. 29). Essas informações podem estar em livros (comuns ou 
dicionários), periódicos (revistas, jornais), fitas de áudio e vídeo, internet. 
 
Qualidade das Fontes de Pesquisa... 
 
Fonte de pesquisa é todo o material que nos conecta direta ou indiretamente, 
ao tema e objeto pesquisado, ou seja, o material no qual se coletam dados e obtêm-se 
informações. 
 As fontes primárias podem ser de ordem material: atas, ofícios, cartas, 
telegramas, relatórios, canções, fotografias, entrevistas, filmes, inventários, 
testamentos, processos criminais, revistas, objetos de arte, utensílios domésticos, etc, 
e “não-material”: memória. 
 É importante escolher bem o material, ou seja, as fontes do qual se servirá o 
pesquisador, levando em conta sua qualidade de conservação e pertinência de 
informações sobre o tema ou objeto. 
Com relação às fontes pesquisadas, é preciso distinguir qualidade e tratamento. 
 
Quanto à qualidade: 
O formativo: fornece conceitos/categorias para se analisar o material de pesquisa 
(fundamento ou referencial teórico). Encontra-se em revistas consideradas acadêmicas 
e científicas, bem como livros embasados em métodos científicos e legitimados pela 
comunidade acadêmica; 
O informativo: é aquele que vai fornecer apenas informações e dados sobre o 
fato/fenômeno a ser investigado. Aqui estão as revistas semanais como Veja e outras. 
 84 
Uma crítica que pode muito bem ser feita é sobre a maneira como elas divulgam 
resultados e descobertas científicas (dá para fazer uma boa pesquisa sobre isso...) 
Quanto ao tratamento: 
Primário: escritos e documentos originais, ou seja, que foram escritos diretamente 
pelo autor (obviamente um professor-pesquisador, professor, intelectual da área) 
tomado como referência; 
Secundário: escritos e documentos de autores originais comentados por seguidores ou 
outros intelectuais que querem apresentar o pensamento e as idéias do autor original; 
Terciário: são comentários dos comentários – aqui, a possibilidade de distorção das 
idéias é muito alta e, portanto, esse nível deve ser evitado. No entanto, é esse o nível 
que acaba sendo usado em muitas salas de aula... 
 
ATENÇÃO! 
Opte sempre por fontes primárias. 
Recorra às fontes secundárias apenas em caso de necessidade. 
 
Para uma boa pesquisa bibliográfica, deve-se classificar as fontes e selecionar os textos 
de acordo com critérios específicos: 
a) “cientificidade” (a fonte e os textos realmente passam pelo crivo exigido pelas 
ciências?); 
b) representatividade (as fontes e textos escolhidos são realmente representativos do 
assunto, da área, do tema?); 
c) abrangência (as fontes e textos “cobrem” de fato os principais pontos da área, 
assunto, tema?). 
 
2 - Pesquisa documental: 
É aquela que toma por base fontes e dados que não “receberam organização, 
tratamento analítico e publicação” (SANTOS, 2004, p. 29). E aqui, o repertório é muito 
vasto: 
a) Cartas, Relatórios; 
b) Documentos arquivados em órgãos públicos, associações e sindicatos, tais como 
fichas de trabalho, de óbito, de filiação partidária; 
c) Diários, Fotos, Imagens e outros. 
 
Uma nova realidade... Pesquisas em Ambiente Virtuais: 
 
 O advento da Internet e a chamada "sociedade da Informação" no fim do 
século XX tiveram seu impacto sobre as pesquisas em ambientes virtuais; 
 A sociedade da informação: conseqüência da aceleração do desenvolvimento 
de novas tecnologias, do processo de produção e disseminação do conhecimento e 
informações, redução dos custos operacionais e aumento da velocidade da 
transmissão de dados; 
 Houve a proliferação de sites e portais divulgando informações, de páginas 
pessoais a portais de fofocas, passando por repositórios de notícias, trabalhos 
acadêmicos e informações oficiais. 
 85 
 Estimativas apontam que mais de 500 bilhões de documentos estejam 
disponíveis na Internet, distribuídos em mais de 138 milhões de domínios registrados 
somente até 2007. 
 Desta data em diante, milhares de sites deixaram de existir, outros milhares de 
documentos foram anexados e a cada dia, cresce o número de informações circulando. 
 
Junto a isso, há dois grandes problemas: 
 
 Os documentos disponíveis não são lineares, ou seja, as páginas apresentam 
ligações (links) para outras páginas com outras informações que podem apresentar 
mais ligações com outras páginas, num processo interminável; 
 Nem sempre o resultado da pesquisa aponta para o documento em si e sim 
para alguma página que indica onde a informação está. 
 Apesar de ser ainda bem grande o preconceito em meio acadêmico com 
relação às fontes de pesquisas eletrônicas, o espaço a ser pesquisado é muito vasto e 
está em constante atualização. 
 
Por isso, é importante: 
 Saber pesquisar e avaliar as fontes disponíveis, o que é fundamental para se 
conseguir identificar as informações mais relevantes; 
 As informações estão publicadas em diversos locais, portanto, encontrá-las 
dependerá de como será formulada a pesquisa e definido o tipo de item a ser 
encontrado - imagem, som, texto, arquivo. 
 
Mecanismos de busca na Internet 
 Em princípio, uma página de busca (Google, Yahoo, Altavista, entre outros) 
funciona como um catálogo de Biblioteca, com a diferença de não haver um padrão de 
palavras-chave ou um tesauro com termos a serem pesquisados, requerendo maior 
critério na escolha das palavras utilizadas. 
 Existem alguns tipos básicos de páginas de busca: os que utilizam “robôs” (um 
programa que fica percorrendo a Internet pesquisando documentos novos para serem 
armazenados em um banco de dados) e os que utilizam diretórios e catálogos 
(possuem uma equipe de busca, cadastro e organização das páginas - fornecendo 
resultados organizados e uma busca "filtrada"). 
 Os “metabuscadores” (buscadores de buscadores), trabalham acessando 
diversos bancos de dados simultaneamente na busca de respostas aos termos 
solicitados. 
 A Internet apresenta buscadores específicos: Verticais e Temáticos. 
 Para uma pesquisa mais simples, os sites de busca atendem prontamente, 
porém, quando se tratar de uma pesquisa acadêmica que requeira informações mais 
precisas e de maior credibilidade, deve-se reportar aos sites de entidades 
governamentais que apresentam dados e informações oficiais como: IBGE (Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística), Prefeituras, estados e Governo Federal com seus 
ministérios e secretarias (endereços governamentais OFICIAIS normalmente 
apresentam a extensão: “gov”). 
 
 
 86 
Para uma boa pesquisa em ambiente virtual: 
 Pesquisar nas bibliotecas digitais, como a "Domínio Público"; 
 Pesquisar em repositórios específicos para publicações científicas, 
principalmente artigos de periódicos, teses e dissertações em todas as áreas do 
conhecimento.Muitos têm acesso livre, disponibilizando os resumos e os textos 
completos; 
 Como exemplo de sites que disponibilizam informações científicas no Brasil 
temos os portais "Periódicos" e "Banco de Teses" da CAPES, "Scielo.com" (da FAPESP, 
BIREME e CNPq), "BDTD" (da USP/IBICT), "OASIS.Br" do IBICT (comentados mais 
adiante), que apresentam itens em todas as áreas do conhecimento publicados em 
periódicos e instituições de diversos países; 
 
Além destes, existem também uma série de repositórios e sites especializados em 
algumas áreas como: 
 Educação (BVE do INEP - bve.cibec.inep.gov.br), 
 Tecnologia, Saúde (BVS/Scielo - www.bireme.br), 
 Direito (BDJur/STJ - bdjur.stj.gov.br), 
 Comunicação (REPOSCOM - reposcom.portcom.intercom.org.br), 
 Psicologia (PePSIC - pepsic.bvs-psi.org.br), entre outros. 
 
O que NÃO POSSO DEIXAR de observar numa pesquisa virtual on line? 
 
 As informações fornecidas pelo próprio site e/ou e-mail, por exemplo, nome 
completo, domínio, entidade, referências utilizadas. 
 Dificilmente um “blog” de um anônimo será a fonte inicial para a divulgação da 
cura do câncer, ou de uma nova tecnologia; 
 Verificar o tipo e o perfil da fonte: agência de notícias, site pessoal, de fofocas, 
portal especializado, um blog (anônimo ou de autoridade), um fórum de discussão, 
repositório de trabalhos acadêmicos, biblioteca digital, site de instituição de ensino 
e/ou pesquisa, órgão governamental, institucional ou de empresa especializada no 
ramo pesquisado; 
 Observar a data de publicação da informação e de atualização do site 
(indicadores de atualidade e manutenção da fonte encontrada). 
 
Com o aumento desse tipo de material e de pesquisas acadêmicas na Internet, foram 
desenvolvidas ferramentas de busca específicas para literatura acadêmica, por 
exemplo: 
a) OpenDOAR (indica o endereço dos repositórios digitais de acesso livre no mundo 
todo); b) Microsoft Live Search Academic; c) Google Scholar (em português: 
www.scholar.google.com), bastante útil; 
 
 Existe também uma série de outros portais de pesquisa acadêmica e 
repositórios, mas de acesso restrito aos professores e alunos de determinadas 
instituições cadastradas. 
 Dentre essas fontes de informação cooperativas, ressalva seja feita a Wikipédia 
(www.wikipedia.org), uma enciclopédia de conteúdo livre, construída continuamente. 
Seu site é hospedado e financiado pela Wikimedia Foundation (organização norte-
 87 
americana sem fins lucrativos), uma organização cujo objetivo é desenvolver projetos 
de conteúdo livre em diversos idiomas, através do sistema colaborativo, tendo seus 
conteúdos disponibilizados ao público livre de encargos financeiros. 
 O conteúdo é desenvolvido por voluntários a partir da diretriz de 
verificabilidade, com a não incorporação de pesquisas inéditas, impedindo que os 
famosos “hoaxes” (“lendas da internet”) tenham destaque em sua página, uma vez 
que todos os itens publicados podem ser conferidos. As informações não verificáveis 
estão sujeitas à remoção (o que não a torna "infalível", mas confiável). 
 
TEXTO COMPLEMENTAR: 
 
SUGESTÃO DE SITES PARA PESQUISA 
 
Portal: Periódicos da Capes: http://www.periodicos.capes.gov.br/portugues/index.jsp 
Bibliotecas Virtuais Temáticas: http://prossiga.ibict.br/bibliotecas 
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações: http://bdtd.ibict.br 
Biblioteca do CEFET Campos: http://www.cefetcampos.br/biblioteca 
Biblioteca Digital da Unicamp: http://libdigi.unicamp.br 
Scielo (multidisciplinar): http://www.scielo.br 
Programa de Comutação Bibliográfica: http://www.ibict.br/secao.php?cat=COMUT 
Catálogo Coletivo Nacional: http://www.ibict.br/secao.php?cat=ccn 
 
 
 
LEITURA RECOMENDADA: 
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1995. 
GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar. Rio de Janeiro: Record, 1997. 
GUSTIN, Miracy Barbosa de Souza; DIAS, Maria Tereza Fonseca. Repensando a 
Pesquisa Jurídica: teoria e prática. 2ª edição. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. 
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 
1992. 
LIBANIO, J. B. Introdução à vida intelectual. São Paulo: Loyola, 2001. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 88 
 
AULA 09: A Diversidade das Abordagens Metodológicas na Pesquisa Científica 
 
OBJETIVOS: 
* Caracterizar as pesquisas quantitativas e qualitativas diferenciando seus variados 
métodos de abordagem; 
* Compreender a técnica de pesquisa estatística e suas diferentes utilizações na 
pesquisa científica; 
* Desenvolver habilidades relativas à definição clara dos variados instrumentos de 
pesquisa e sua posterior utilidade para a construção das fontes de pesquisa; 
* Apresentar alguns princípios básicos de metodologias de análise das variadas fontes 
(dados) de pesquisa. 
 
CONTEÚDO: 
 
Pesquisa Quantitativa: 
 
Onde se usa a Pesquisa quantitativa? Usada, entre outras, na: 
 
 Identificação de opiniões e preferências (algumas pesquisas são chamadas de 
surveys); 
 Delineamento de perfis sócio-econômicos, em marketing ou mercado. 
 
Quais os instrumentos básicos? Aplicação de questionários, sondagem de opinião por 
correio, telefone, internet etc. Na pesquisa quantitativa, a preocupação com a precisão 
científica é muito importante. Deve-se dar atenção à correta aplicação dos métodos 
estatísticos e aos termos a ela relacionados (moda, mediana, média, desvio padrão, 
margem de erro, análise regressiva, amostra). 
 
O que é necessário para se fazer uma pesquisa quantitativa? 
Conhecer os métodos de amostragem, para que questionários, formulários e 
entrevistas sejam corretamente aplicados sem que se gerem distorções. 
Na Pesquisa Quantitativa: 
 Tudo pode ser quantificável, ou seja, os fenômenos e questões estudadas são 
numericamente medidos a partir de critérios pré-definidos; 
 Estes dados são transformados em informação a partir de técnicas estatísticas 
apoiadas em softwares específicos para esta função. 
 Os métodos quantitativos procuram conhecer a realidade a partir de 
mensuração de variáveis; 
 São utilizados amplamente em experimentos físicos, químicos, biológicos e 
estudos sociais. 
 
Obs: Variável é tudo que pode ter ou assumir diferentes valores, diferentes aspectos, 
segundo os casos particulares ou segundo as circunstâncias. 
 
 
 
 89 
As pesquisas quantitativas são melhores do que outras? 
As pesquisas quantitativas ganharam status de serem mais rigorosas 
metodologicamente do que as metodologias qualitativas, por serem um método mais 
antigo e reconhecido pelas associações científicas há muitas décadas. Contudo, 
percebeu-se que em vários casos somente os métodos qualitativos eram capazes de 
compreender alguns fenômenos e de abordar algumas questões até então não 
desvendadas pelos cientistas. 
 
Outras características da Pesquisa Quantitativa: 
- Registro preciso do método e repetição deste se necessário; 
- Pode-se fazer inferências sobre grandes populações utilizando critérios estatísticos; 
- Rapidez na execução das pesquisas; 
- Permite análises comparativas temporais. 
 
Principais tipos de Pesquisas Quantitativas: 
 
Existem muitos tipos, mas um dos principais são as Pesquisas de Levantamento 
(Survey). A Pesquisa de Survey (ou Levantamento) é utilizada quando se deseja obter 
informação de um grande número de pessoas (população ou universo) e utiliza-se uma 
amostra representativa deste grupo. Se, por exemplo, se deseja conhecer o perfil 
sócio-econômico de determinado bairro de uma cidade, pode-se fazer um estudo em 
todas as residências do bairro (censo) ou sortear apenas uma amostra destas 
residências (survey). ATENÇÃO: a amostra deve ser representativa do que ela 
pretende estudar. 
 
Gil (1994, p. 76-77) afirma: “Na maioria dos levantamentos,não são pesquisados todos 
os integrantes da população estudada. Antes, seleciona-se, mediante procedimentos 
estatísticos, uma amostra significativa de todo o universo, que é tomada como objeto 
de investigação. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a 
totalidade do universo, levando em consideração a margem de erro, que é obtida 
mediante cálculos estatísticos”. 
 
Vantagens e Desvantagens das Pesquisas de Levantamento (Surveys): 
 
Vantagens: 
 Conhecimento direto da realidade, pois as próprias pessoas expressam suas 
crenças e opiniões; 
 Economia e rapidez, desde que a equipe de pesquisadores esteja treinada e o 
trabalho de campo seja realizado em curto espaço de tempo; 
 Os dados obtidos mediante levantamentos podem ser agrupados em tabelas, 
possibilitando sua análise estatística. 
Desvantagens: 
 Os levantamentos recolhem dados referentes à percepção que as pessoas têm 
acerca de si mesmas, o que pode distorcer os resultados; 
 Pouca profundidade no estudo da estrutura e dos processos sociais; 
 O levantamento proporciona uma visão estática do fenômeno estudado, isto é, 
uma fotografia que não permite apreender o processo de mudança. 
 90 
 
 
Pesquisa Qualitativa: 
 
A Pesquisa Qualitativa é um instrumento científico de apreensão aprofundada 
da realidade ou como os fenômenos, sentimentos, opiniões e atitudes são construídos. 
A metodologia quantitativa procura mensurar fenômenos e sua magnitude. 
Os métodos qualitativos visam a entender como e por que grupos de pessoas 
se comportam em relação a determinadas questões. 
 
Outras características da Pesquisa Qualitativa: 
 
 Trabalha cultura, valores, crenças, sensações e atitudes; 
 Não utiliza critério de representatividade amostral; 
 Busca informações profundas, dificilmente obtidas de outra forma; 
 Permite perceber tendências e manifestações consensuais; 
 Possui diferentes formas de coleta e análise de dados. 
 
Depois da vigência do “positivismo” (corrente filosófico-metodológica que 
postula a possibilidade da neutralidade, a capacidade de se conhecer, objetivamente, 
leis e fenômenos, mensurando-os “matematicamente”) nas ciências humanas e 
sociais, até o final da década de 1970, as pesquisas QUANTITATIVAS foram 
questionadas quanto aos seus limites: segurança e neutralidade. 
 
ATENÇÃO! 
Os números só adquirem significado quando colocados dentro de uma teoria, de 
conceitos; caso contrário podem servir a propósitos de manipulação. 
May (2004, p. 13) afirma: "os dados não são coletados, mas produzidos. Os fatos não 
existem de forma independente do meio pelo qual são interpretados [...]". 
 
Em geral, a pesquisa qualitativa está direcionada para a análise minuciosa da 
complexidade, próxima das lógicas reais, sensível ao contexto no qual ocorrem os 
eventos estudados, atenta aos fenômenos de exclusão e de marginalização. 
 
Dentro os métodos que podem ser usados, citam-se: 
 
 O dialético (nesse método, a relação sujeito-objeto é dinâmica, apreendendo-
se a realidade como contradição, mudança e transformação); 
 O fenomenológico (considera-se a imersão na experiência e no cotidiano como 
dados essenciais e perante os quais o sujeito-professor-pesquisador precisa de 
esforçar-se para ultrapassar as aparências, entre outros aspectos). 
 
A pesquisa qualitativa possui alguns aspectos essenciais: 
 
 Com relação ao problema da pesquisa e sua formulação/delimitação: o 
problema não é algo definido, fechado e acabado. 
 91 
 O problema é inicialmente formulado de maneira ampla para, depois, ser 
construído. 
 O problema decorre da observação/interação com o universo a ser pesquisado. 
 A delimitação do problema não é preconcebida: o professor-pesquisador 
mergulha na vida, “no passado e nas circunstâncias presentes que condicionam o 
problema” (CHIZOTTI, 2001, p. 81). 
 
A hipótese é usada apenas como um indicativo e vai sendo aperfeiçoada durante o 
processo; 
 
Fases da pesquisa qualitativa: 
 
1ª) exploratória, na qual o professor-pesquisador toma contato com a realidade e com 
os pesquisados. Aqui se realiza uma pesquisa exploratória: definição da área, dos 
pesquisados, dos problemas, do conjunto de técnicas a serem utilizadas etc. 
2ª) envolvimento, na qual se aprofunda a partilha de conhecimento com os 
pesquisados e a observação de seu comportamento e atitudes, coletando-se os dados. 
Define-se o campo, coletam-se os dados, analisam-se os mesmos, discutem-se os 
problemas com os envolvidos; 
3ª) Define-se, com os envolvidos, uma estratégia que ajude a responder aos 
problemas; 
4ª) Executam-se as estratégias, avaliam-se e constroem-se os resultados; 
5ª) Finalização, na qual o professor-pesquisador vai elaborando a análise do 
“material”, com o respectivo Relatório de Pesquisa. 
 
As Pesquisas Quantitativas e Qualitativas e a construção e análise das Estatísticas... 
 
Um tópico essencial, em meio à verdadeira enxurrada de estatísticas, 
supostamente científicas, que ouvimos todos os dias. As noções apresentadas aqui são 
provenientes do livro "Como Mentir com Estatística", de Darrell Huff. Em muitas 
estatísticas veiculadas ao público, as informações são apresentadas de forma tão 
incompleta que se torna difícil ”acreditar”. 
 
As perguntas básicas, quando se querem analisar pesquisas quantitativas são: 
a) Quem é que diz isso? 
b) Em que contexto ele diz isso? 
c) Como é que ele sabe? 
d) O que está faltando? 
e) Alguém mudou de assunto? 
f) Isso faz sentido? 
 
Essas perguntas introduzem o elemento da qualidade na análise dos dados. 
Portanto, pesquisas quantitativas e qualitativas não são opostas, mas 
COMPLEMENTARES. 
 
 
OBSERVE A EXEMPLIFICAÇÃO DAS PERGUNTAS 
 92 
 
Quem é que diz isso? E Em que contexto ele diz isso? É muito importante 
saber quem está divulgando a estatística e o contexto da divulgação (uma empresa no 
meio de uma negociação de salários, sindicato, um laboratório "independente" que 
precisa mostrar resultados, uma empresa pouco antes de uma licitação do governo...). 
O seguinte exemplo aconteceu no Brasil: uma empresa, com base em correta aplicação 
de amostras e estatística declarou que os salários no segundo semestre do ano X 
estavam muito acima daqueles pagos no início do ano e assim negou o pedido de 
aumento do sindicato. Mas é só isso mesmo? A empresa "esqueceu" um fato: no início 
do ano X havia enorme quantidade de trabalhadores de meio-período e que passaram 
a cumprir turno integral. Seus salários subiram e isso foi “usado” para mostrar que 
houve aumento. Uma grosseira manipulação. Observe outro exemplo interessante: em 
1994 foi divulgado um relatório muito otimista sobre o número de árvores nos Estados 
Unidos. Os especialistas concluíram em que havia muito mais árvores em 1994 do que 
houvera em 1894. Mas como? E aqui é que está o viés (ou fatores que distorcem o 
resultado, consciente ou inconscientemente colocados), sob duas formas: 1) a fonte 
era a uma associação de madeireiras (quer dizer, completamente enviesado...) e 2) o 
critério de árvore (consideraram árvores desde mudas recém-plantadas em todo e 
qualquer lugar até árvores centenárias...). DETALHE: A pesquisa foi divulgada em meio 
a uma campanha contra o desmatamento, promovida por Ongs... 
Como é que ele sabe? É preciso atentar para a maneira como a amostra foi obtida. Um 
caso muito comum de amostra “viciada” são as feitas pelo correio (o pesquisador 
envia questionários aos entrevistados). Nesse procedimento, os números daqueles que 
respondem de fato costuma ser reduzido. Isso quer dizer que os resultados não podem 
ser considerados representativos. Em pequenas amostras, o cuidado deve ser maior 
porque o resultado obtido pode ter ocorrido POR ACASO. Assim, se deseja fazer uma 
pesquisa sobre onível de renda de um pequeno bairro e se sorteia a amostra, e ela 
recair apenas sobre uma classe social, pronto, acabou a legitimidade da pesquisa. Um 
exemplo intrigante para nós: o resultado de uma pesquisa eleitoral, pois se ocultam as 
margens de erro e a probabilidade, ainda que pequena, de que o valor "verdadeiro" do 
percentual não esteja naquele intervalo apresentado... 
 
O que é que está faltando? Acontece frequentemente que o tamanho da amostra 
utilizada ou o perfil dos elementos não é divulgado. Uma forma muito comum de 
confundir os leitores: suprimir números brutos e mostrar apenas os percentuais ou o 
contrário. E ainda pode ocorrer a omissão de dados importantes como as condições da 
pesquisa. Um exemplo do livro de Duff: Um jornal afirmou que a safra do ano de 1990 
foi quatro vezes maior do que de 1989. Isso poderia passar a “prova” da produtividade, 
mas o jornal “esqueceu” de dizer que em 1989 houve inundações que afetaram 80% 
da safra prevista... Um outro tipo de erro cometido: forçar comparações sem atentar 
para condições sociais, culturais e econômicas. Exemplo: há erro na afirmativa que diz: 
"Pode-se mensurar o aumento da violência pela comparação entre o número de 
estupros de hoje e o de trinta anos atrás". Sem considerar condições sociais e culturais 
isso é ERRO grosseiro. Como? Talvez o número de estupros fosse maior há trinta anos: 
as mulheres não denunciavam por medo, mas com mudanças culturais e sociais 
(delegacia de mulheres, por exemplo) o número de denúncias aumentou. Isso não 
quer dizer que a violência aumentou.... 
 93 
 
Alguém mudou de assunto? Essa prática é a “preferida” dos jornais. Na verdade, 
mudando-se uma palavra, muda-se o foco. Por exemplo: se um jornalista constata que 
o número de casos comunicados da doença “Gripe” X aumentou e ao falar na TV diz 
que o número de casos ocorridos da doença Gripe aumentou, mudou-se de assunto e 
de foco. Aqui temos a resposta para o enigma das pesquisas eleitorais: por mais bem 
conduzidas, essas pesquisas não indicam em quem as pessoas realmente vão votar, 
mas em quem elas dizem que vão votar naquele MOMENTO. Outro exemplo: se é feita 
uma pesquisa entre médicos e eles afirmam que são mal remunerados, mas divulga-se 
que os profissionais liberais são mal remunerados, comete-se erro MONUMENTAL. 
Que é muito comum, diga-se de passagem. 
Isso faz sentido? Perguntar sobre o sentido é fundamental! Por isso, usar tendências 
antigas, observadas em épocas anteriores à época atual, é redundar em ERRO, do 
ponto de vista metodológico. É possível afirmar (em certas condições) que o Brasil de 
1988 é o mesmo Brasil de 2008? Por exemplo, a definição de "família padrão" continua 
válida hoje? E por fim, um exemplo de como algumas estatísticas, da forma como são 
divulgadas, podem fazer nenhum sentido! Divulgada em grandes jornais e TVs no ano 
de 2000, havia a seguinte Manchete: “Para cada dez brasileiros, dois têm diabetes”. 
Isso significaria dizer que, para uma população de 150 milhões de habitantes, haveria 
30 milhões de diabéticos. Caso seja verdade, possivelmente não há insulina suficiente 
para tratar tanta gente. 
 
Instrumentos de Pesquisa: 
Nas ciências humanas e sociais aplicadas, independentemente da pesquisa ser 
quantitativa ou qualitativa, alguns instrumentos metodológicos são muito usados, 
entre eles: 
 
1 – Entrevistas: Por meio de um gravador ou vídeo, desde que assentido pelo(s) 
entrevistado(s), com ou sem um roteiro prévio (que consiste numa série de tópicos 
relacionados à pesquisa a serem abordados na entrevista), procura-se obter 
informações junto às pessoas, leigos ou especialistas. Deve-se transcrever as 
respostas, respeitando-se o vocabulário, o estilo e as eventuais contradições da fala. 
2 – Questionários: Os questionários são um conjunto de questões, uma espécie de 
formulário, elaboradas para que sejam respondidas. Em geral, a aplicação do 
questionário exige a participação do respondente. Porém, o pesquisador pode aplicar, 
perguntar ao respondente e anotar as respostas no formulário, sem que o 
respondente utilize-se do formulário. 
3 - Observação sistemática ou observação participante. Muito usada na Antropologia, 
tem alguns princípios básicos: 
 Baseia-se no contato direto do pesquisador com o fenômeno observado, a fim 
de se recolherem, mediante um plano prévio de tópicos a serem observados, 
informações/dados dos atores inseridos em seu ambiente, do próprio ambiente etc. 
 Exige-se detalhada descrição e cuidado no registro de dados, atentando-se para 
sua fidelidade e pertinência. 
 A inserção do pesquisador no grupo a ser estudado é resultado de uma 
negociação, na qual o primeiro deve deixar claros os propósitos de sua pesquisa. A 
 94 
observação participante exige a manutenção de um diário de campo, no qual são 
anotados os dados observados, referências, impressões e descrições. 
 A observação participante geralmente exige um tempo mais longo de um olhar 
atento. Não são em apenas dois dias ou em uma semana que se faz uma observação 
participante rigorosa e acadêmica. 
 A inserção no meio em que se vai dar a observação deve ser feita atentando-se 
para a ética e procurando-se a interação com o meio e as pessoas/grupos que vão ser 
pesquisados. 
 
Essas técnicas passaram também a ser utilizadas amplamente para 
compreender as transformações nas instituições sociais, na família, na educação, no 
trabalho, bem como na pesquisa dos mais diversos agrupamentos sociais, 
principalmente os que se formavam nas grandes cidades. São utilizadas também em 
pesquisas de mercado e opinião pública. 
4 - História ou relato de vida. Consiste na coleta de informações contidas na vida 
pessoal de um ou vários informantes. Cuidado: não GENERALIZAR, sem a devida 
metodologia, as informações obtidas com essa técnica. O relato pode ser 
autobiográfico, no qual o autor expõe suas impressões/reflexões/experiências ou 
“pode ter a forma literária tradicional como: memórias, crônicas ou retratos de 
homens que por si ou por terceiros relatam os feitos e experiências vividas”. Pode ser 
um discurso livre de impressões subjetivas ou pode-se apelar a fontes documentais, 
para embasamento de relatos pessoais. O processo deve ser feito com rigor e 
precedido de um roteiro para se nortear a construção da história de vida. 
 
Análise das Pesquisas: 
 
Depois de obtidos, os dados devem ser analisados e aqui existem alguns 
princípios básicos, dentre as muitas metodologias de análise: 
 
 Procurar compreender criticamente o sentido da comunicação, latente ou 
manifesto; 
 Decomporem-se os dados em “unidades”, em partes, para serem analisadas, 
segundo categorias criadas ou adaptadas pelo pesquisador; 
 Investigar o significado dos conceitos envolvidos. 
 A qualidade dos dados obtidos deve ser boa: nas metodologias quantitativas, 
cuidar para que não haja distorções ou vieses, bem como desvios estatísticos e outros 
vícios. 
 Nas metodologias qualitativas, cuidar da reflexão crítica e na forma de 
obtenção dos dados. 
 
Na pesquisas quantitativas: 
 Tabular os dados do questionário ou das entrevistas 
 Usar técnicas estatísticas: agrupamento, comparação, cruzamento de variáveis. 
 
Nas pesquisas qualitativas: 
 Observar regularidades e irregularidades; 
 Comparar com teorias e autores. 
 95 
TEXTO COMPLEMENTAR: 
 
 
CRIATIVIDADE E NOVAS TÉCNICAS DE PESQUISA 
 
Hoje, há novos instrumentos de pesquisa: som, imagem e outros. 
 
 A pesquisa em novos materiais se tornou mais presente nas universidades e 
faculdades mais recentemente. Imagens como fotografias, filmes e pinturas ou sons 
(músicas, ruídos e barulhos), antes desprezados, tornaram-se fonte de pesquisa, tanto 
quantitativas, quanto qualitativas. Hoje, a gravação de imagens em vídeo ou DVD é 
um instrumento também depesquisa de cunho qualitativo. 
 
 As pesquisas com imagens e sons são fundamentais em meio à profusão 
tecnológica dos dias atuais. Essas pesquisas ajudaram, inclusive, a derrubar mitos e 
esclarecer conceitos. 
 
 Um exemplo: a idéia e a imagem de infância como de crianças brincando e se 
vestindo mais ou menos da forma como se vestem hoje. 
 
 UM EXEMPLO: O historiador Phillipe Arries estudou documentos e ao mesmo 
tempo pesquisou pinturas dos séculos XV, XVI e XVII e nelas pesquisou a 
representação da infância. Nelas, as crianças apareciam vestidas como os adultos se 
vestiam, trabalhavam como adultos etc. Propôs a tese de que a infância, como uma 
fase separada com cuidados especiais, vestimentas e imagens próprias separadas do 
mundo adulto, é fruto de uma invenção histórica ocidental a partir do século XX. Não 
é correto usar o termo infância como sinônimo universal de criança. 
 
Abaixo, vamos dar apontamentos gerais da pesquisa e de como pesquisar: 
 A imagem e o som devem ser “tipologizados”, ou seja, de que tipo se trata? 
Pinturas, cartazes, gravuras, filmes, propagandas, músicas (tipo, material, qualidade, 
execução etc.); 
 Tratar os contextos e os meios em que elas surgem: social, histórico, estético; 
 Pensar a “estrutura interna” e técnica (os sinais e códigos, as cores, os tons, as 
inhas, as posturas corporais), bem como “externa” e social (os significados atribuídos, 
os símbolos etc.); 
 Escolher o instrumental de pesquisa e análise: semiótico, sociológico, 
histórico; 
 Imagens e sons são parte integrante da sociedade e das relações sociais, 
portanto, contêm reflexos do ambiente político, social e econômico da história e das 
sociedades; 
 Imagens (e sons), especialmente filmes e pinturas, são versões da realidade, e 
nunca “a” realidade tal como ela existiu ou existe; mesmo filmes ou imagens que se 
insiste serem “reconstituições históricas” ou com fama de serem “retratos da 
realidade” (como o premiado filme brasileiro Tropa de Elite). 
 Em outras palavras, essas imagens são construções da realidade ou ainda são a 
realidade “filtrada/fabricada” pelas lentes da câmera, do ator, do diretor, do autor, 
 96 
enfim, por uma série de mediações que existem entre aquele que assiste e aquele que 
produz. Um dos maiores especialistas em análise desse material, o historiador francês 
Alain Corbin, diz que a representação (imagem, cinema, som, etc.) pode ser um 
modelo de prática real (social, cultural, psicossocial), mas nunca a “prova” cabal e 
verdadeira dessa prática; 
 Selecionar a literatura acadêmico-científica sobre imagens e sons: o leque vai 
da psicanálise, passa pela sociologia e antropologia e vai até a semiótica; 
 Toda imagem e som têm múltiplas dimensões inter-relacionadas: política, 
ideológica, estética etc., mesmo que seus autores insistam em dizer que se trata 
apenas de ficção. 
 
 
 
LEITURA RECOMENDADA: 
CHIZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001. 
FLICK, U. Uma introdução a pesquisa qualitativa. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. 
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1995. 
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 
1992. 
MAY, T. Pesquisa social: questões, métodos e processos. 3. ed. Porto Alegre: ArtMed, 
2004 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 97 
AULA 10: Projetos e Relatórios de Pesquisa 
 
OBJETIVOS: 
* Compreender a importância do projeto de pesquisa para a realização do trabalho 
científico; 
* Apresentar os elementos obrigatórios do projeto de pesquisa; 
* Identificar as formas de comunicação de resultados de uma pesquisa científica; 
* Caracterizar os diferentes tipos de relatórios de pesquisa com ênfase no aprendizado 
da monografia; 
 
CONTEÚDO: 
 
Projeto de Pesquisa: conceito, importância e estrutura... 
 
O que é um projeto de pesquisa? É uma atividade de planejamento. É como se fosse 
um “mapa” do que se vai estudar, das perguntas, das hipóteses, do método a ser 
seguido, rumo ao TC ou TCC, Trabalho de Conclusão. O projeto não é a pesquisa, mas a 
intenção de executá-la. 
 
Para que ser um projeto de pesquisa? Para produzir um conhecimento sistemático e 
não repetitivo sobre um assunto. 
 
Qual é o sentido do projeto de pesquisa? Na maioria das academias, o TCC, 
desenvolvido em duas etapas distintas, engloba o penúltimo e o último semestres 
letivos cursados na Faculdade, devendo ser abarcados como fases de um único 
processo investigativo: o Projeto de Pesquisa e o Trabalho de Conclusão de Curso. 
 
Uma observação: O projeto de pesquisa deve ser construído e submetido à aprovação 
dos Departamentos das diferentes Faculdades. 
 
Quais são os critérios e meios de aprovação do projeto de pesquisa? Os critérios e 
meios de avaliação (data de entrega, composição de uma possível banca interna etc.) 
são definidos por cada instituição de ensino. 
 
Outra observação: A escolha do tema deve ser feita com antecedência, não havendo 
necessidade de se esperar o penúltimo semestre do curso. Isso proporcionará tempo e 
tranqüilidade maiores para a pesquisa. Apesar de escolhidas livremente, as temáticas 
devem ter relevância, viabilidade (considerarem-se as demandas financeiras, de 
tempo, de deslocamento etc.), estar relacionadas à área cursada e às predileções do 
aluno/pesquisador. 
 
Em que se baseia o projeto de pesquisa? A pesquisa científico-acadêmica baseia-se 
numa atividade racional de reflexão, organização e busca dos dados necessários à 
compreensão/interpretação dos problemas que exigem uma análise. As técnicas de 
pesquisa/redação são importantes naquela que vem sendo chamada a “era da 
informação”. 
 
 98 
E quais são os tipos de pesquisa mais comuns para um projeto de pesquisa? 
1- Pesquisa Teórica: quando o objetivo é desvendar conceitos, discussões polêmicas e 
teóricas. 
2 - Pesquisa Metodológica: aquela que volta-se ao estudo de métodos ou de questões 
metodológicas. 
3 - Pesquisa Empírica: relacionada ao levantamento de dados empíricos para a 
comprovação ou não de uma hipótese. Explora e observa os fatos diretamente no local 
em que eles ocorrem ou surgem. 
 4- Pesquisa Experimental: “há a manipulação das variáveis independentes (causas) 
para observar e interpretar as reações e as modificações ocorridas no objeto de estudo 
(variável independente)” (BARROS & LEHFELD, 2002, p.33). 
5 - Pesquisa-Ação: é uma pesquisa que tem um cunho social, onde o pesquisador, com 
sua base científica, resolve algum problema social ou mesmo procura melhorar algo 
para a sociedade, utilizando a cooperação ou a participação da sociedade. 
 
Quais os principais itens de um projeto de pesquisa? Os itens e subitens propostos 
constituem o básico, cabendo às instituições de ensino, acrescentar ou omitir alguns 
dos itens elencados: 
 
 INTRODUÇÃO 
 1 OBJETIVO GERAL 
 1.1 Objetivos Específicos 
 JUSTIFICATIVA 
 REFERENCIAL ou MARCO TEÓRICO (evidente na pesquisa qualitativa,) 
 PROBLEMA (pode ser colocado de forma separada, como aqui, ou de forma 
conjunta com as hipóteses) 
 HIPÓTESE(S) (evidente(s) na quantitativa, menos evidente(s) na qualitativa) 
 METODOLOGIA (quantitativa e qualitativa) 
 6.1 Instrumentos e tipo de amostragem (evidente na quantitativa) 
 6.2 Operacionalização das variáveis (evidente na quantitativa) 
 6.3 Coleta dos dados (quantitativa e qualitativa) 
 6.4 Tabulação dos dados (evidente na quantitativa) 
 CRONOGRAMA (quantitativa e qualitativa) 
 ORÇAMENTO (opcional, e deve contemplar: material permanente, não-
permanente e recursos humanos) 
 ESQUEMA PROVISÓRIO 
 REFERÊNCIAS (quantitativa e qualitativa) 
 APÊNDICE(S) (opcional) (quantitativa e qualitativa) 
 ANEXO(S) (opcional) (quantitativa e qualitativa) 
 
Quais são os elementosobrigatórios de um projeto? Algumas partes seguem normas 
gerais; outras podem ser acrescentadas/regulamentadas de acordo com as normas de 
cada instituição. 
 
 Introdução: 
 Apresentar, de modo breve, o tema e sua delimitação, os objetivos, o problema (a 
questão colocada, podendo ser formulada na maneira de uma ou várias perguntas, 
 99 
com uma breve referência a livros/autores). A introdução deve ser a última parte a ser 
escrita, apesar de ser a primeira a aparecer no texto digitado. A delimitação do tema é 
algo que se faz na introdução. 
Objetivos (geral e específicos): 
É o que se quer atingir. Os objetivos devem ser elaborados de acordo com 
essas dimensões, privilegiando-se uma delas. O objetivo geral é vértebra da pesquisa, 
enquanto o específico é auxiliar. Os objetivos específicos podem ser vistos também 
como as ações (do conhecimento) indispensáveis para se atingir o objetivo geral. Há 
que se observar que os objetivos específicos podem ser transformados em futuros 
capítulos da monografia, dissertação ou tese. Exemplos de verbos usados para definir 
objetivos: apontar, citar, conhecer, definir, relatar, concluir, deduzir, iluminar, 
diferenciar, discutir, interpretar, desenvolver, empregar, organizar, praticar, traçar, 
comparar, criticar, debater, diferenciar, examinar, compor, construir, avaliar, 
contrastar, escolher, medir. É preciso cuidado na escolha dos objetivos: eles devem ser 
adequados à pesquisa. Analisar tem uma dimensão de profundidade e extensão 
diferente, do verbo levantar, que remete à dimensão exploratória. 
 Justificativa: 
É a exposição dos motivos profissionais e teóricos para a execução da pesquisa, 
da relevância/importância de se pesquisar o tema escolhido e da contribuição do 
projeto ao tema escolhido e ao campo de estudos onde está inserido. 
 Referencial teórico, quadro conceitual ou marco teórico: 
Graduações e Pós-graduações, especialmente se as pesquisas adotarem 
metodologias qualitativas, podem exigir o referencial teórico. O referencial teórico é a 
linha ou a escola de pensamento com a qual o projeto vai-se identificar ou a ela filiar. 
Ou ainda, os autores e livros usados para dar base ao projeto. Para pesquisadores 
iniciantes, é fundamental situar o projeto numa dessas linhas. Há que se ter cuidado 
na utilização, em determinados cursos de graduação, de linhas e abordagens de outros 
campos do saber. Em faculdades ou programas de pós-graduação, a perspectiva 
adotada remete a um quadro multi ou interdisciplinar, dificultando-se uma filiação a 
uma linha específica, ou uma identificação explícita. 
 Problemas e Hipóteses: 
Problematizar é levantar perguntas a partir da literatura existente sobre o assunto, de 
experiências pessoais, profissionais etc. Não é colocar questões práticas, do tipo: Qual 
a receita para se obter sucesso? A problematização passa por um questionamento que 
o pesquisador se faz e faz aos leitores. Pode ser formulada de maneira afirmativa (a 
relação entre a exposição à TV e atitudes agressivas na infância) ou de maneira 
interrogativa (qual é a relação entre a exposição à TV e as atitudes agressivas na 
infância?). Para iniciantes, recomenda-se a forma interrogativa, clara e perceptível aos 
leitores. O problema da pesquisa é diferente dos problemas práticos. O problema da 
pesquisa é uma questão cuja resposta se desconhece e se necessita conhecer. 
Questões de ordem prática (como obter sucesso com a marca de um produto etc.) não 
se constituem problemas de pesquisa. Mas podem ser transformadas em problemas 
de pesquisa. Para isso, é necessário retirar o "como" e inserir os "porquês". Por 
exemplo, mudar a questão “como aumentar o índice de ocupação do Hotel X?” para 
“quais as causas do baixo índice de ocupação do Hotel X?”. Na prática, a formulação do 
problema fica em termos gerais, entretanto, conforme se avança na pesquisa, o 
problema começa a ser proposto cada vez mais clara e precisamente. O problema não 
 100 
nasce pronto (caso das pesquisas qualitativas) mas é construído ao longo de um 
processo. Por isso, a fase inicial da pesquisa é tão importante. Uma observação: 
problemas relacionados a crenças e valores como são polêmicos e não passíveis de 
uma verificação científica aceita pela Comunidade dos Cientistas. 
 
E as hipóteses? Para algumas áreas científicas e em determinadas metodologias de 
pesquisa, é possível o uso de hipóteses. 
Mas o que são hipóteses? São respostas provisórias às questões/problemas que a 
pesquisa e as intuições do pesquisador propõem, baseadas na observação e leitura de 
teorias acerca dos fenômenos a serem investigados. No caso de um projeto de 
pesquisa, as hipóteses podem servir de guia, no sentido do desenvolvimento da 
investigação. Nas abordagens qualitativas, em geral, não se trabalham com hipóteses. 
Essa metodologia de pesquisa trabalha com uma que serve de fio condutor para a 
busca do pesquisador. Nos outros tipos de pesquisa, as hipóteses podem ser 
totalmente “confirmadas”, não-confirmadas ou parcialmente confirmadas. Nos dois 
últimos casos, é preciso explicar o porquê da não-confirmação. Por isso, ao construir as 
hipóteses, é necessário inventariar e definir as VARIÁVEIS, ou seja, os fenômenos ou 
eventos que interferem diretamente no tema estudado. 
Por exemplo, no problema de pesquisa: quais são as razões do abandono, por parte da 
família, de menores na cidade de Juiz de Fora? Podemos ter: 
H 1 (hipótese um ou primeira) = O grau de extrema pobreza das famílias; 
H 2 = O alcoolismo paterno; 
H 3 = A Desestruturação familiar. 
Observam-se termos variáveis que se relacionam a cada uma das hipóteses sugeridas. 
No caso da H1, uma variável fundamental seria a renda econômica; no caso da H2, 
hábitos comportamentais paternos. São sobre essas variáveis que as técnicas de 
pesquisa (questionário, entrevista etc.) se debruçarão, coletando as informações 
necessárias à pesquisa ou a monografia. 
 Metodologia: 
É a descrição, por extenso, do conjunto das atividades e instrumentos a serem 
desenvolvidos para a aquisição dos dados (teóricos ou de campo) com os quais se 
desenvolverá a questão da pesquisa. Para facilitar-se a explicitação da metodologia, 
pode-se dividi-la em fases (duas, três ou mais), sendo que, em cada fase, os 
instrumentos a serem aplicados devem ser detalhados, bem como sua forma de 
aplicação. Deve-se definir se o procedimento será qualitativo ou quantitativo. Se, 
quantitativo, a ênfase é sobre dados empíricos: coletas estatísticas (amostras), surveys 
(pesquisas de opinião) etc. No caso de instrumentos como questionário 
(quantitativos), é exigência prever o pré-teste do mesmo, pois é necessário testar o 
mesmo. Se define, pela teoria da amostragem, a quem e a quantas pessoas serão 
aplicados os instrumentos de coleta de dados (questionário, entrevista, formulário). 
Se, qualitativo, devem-se enfatizar análises de cunho interpretativo, buscando-se 
possíveis significados objetivos e subjetivos do assunto em questão. Os instrumentos 
utilizados serão entrevistas, estudos de caso, histórias de vida, observação participante 
etc. 
 Cronograma: 
Consiste na distribuição, ao longo de uma linha temporal, das fases/atividades da 
pesquisa (da escolha oficial do tema até a defesa da monografia ou TCC). Diz respeito 
 101 
ao futuro. O cronograma exemplificado deve ser adaptado (cada pesquisa é 
específica). 
PROJETO Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês 
Atividades Ano Ano Ano Ano Ano Ano Ano Ano Ano Ano 
Escolha do tema / 
Levantamento das fontes de 
pesquisa 
 
X 
 
Elaboração da versão inicial X X 
Aplicação dos instrumentos de 
coleta 
 X X 
Análise dos resultados X X 
Versão Final X 
Adequação do projeto às 
recomendações da banca 
 
X 
 
Revisão da literatura X X 
Elaboração daversão inicial do T.C. X X X 
Versão final /Correção X X 
Defesa da monografia (TC) X 
 
 Esquema provisório: 
Seria a ‘estruturação’ do trabalho. Um ESQUEMA PROVISÓRIO, construído junto com o 
professor orientador, auxilia no direcionamento da futura monografia. Vamos supor 
um tema geral como a dança e a juventude. E vamos delimitar: A prática do Hip-Hop 
entre jovens de baixa renda em Manhuaçu. Um Sumário provisório (porque pode e 
deve ser mudado até a monografia) pode ser: 
 
1 ORIGEM E HISTÓRIA DO HIP-HOP 
1.1 O Hip-Hop nos EUA: dança como protesto social 
1.2 O Hip-Hop e suas técnicas corporais: ritmo, musica e cor 
 
2 O HIP-HOP COMO DANÇA E ARTE 
2.1 Origem dos passos e das técnicas de dança 
2.2 Evolução da dança Hip-Hop 
 
3 O HIP-HOP NAS COMUNIDADES DA CIDADE DE JUIZ DE FORA 
3.1 A expansão do Hip-Hop pelo mundo: globalização e dança 
3.2 A Cidade de Manhuaçu e a prática do Hip-Hop 
3.3 A importância social da dança Hip-Hop para a juventude 
Obs. Nessa estrutura só vai a divisão provisória dos capítulos, não entra introdução, 
conclusão etc. 
 
A delimitação da Pesquisa e de outros trabalhos: 
 
O que é delimitar um tema para projeto de pesquisa, monografia ou artigo 
científico? Ao iniciar a confecção do projeto de monografia esteja atento para a 
delimitação do tema. É fundamental demarcar-se as fronteiras da pesquisa. Temas 
abrangentes não permitem uma monografia séria. Por isso, o aluno deverá: 
 102 
 Procurar profissionais ou professores que tenham conhecimentos/experiências 
na área a ser pesquisada, para que o ajudem a discutir o assunto, sugerir hipóteses, 
bibliografia etc.; 
 Realizar levantamento bibliográfico (selecionar autores, artigos, livros, 
documentos e idéias relevantes para a investigação do assunto e do problema); 
 Organizar-se e analisar-se o material selecionado; 
 Fazerem-se esboços escritos do ESQUEMA PROVISÓRIO, até se chegar a um 
bom esquema; 
 Recorrer-se a um referencial teórico (conjunto teorias e metodologias que 
definem uma área do conhecimento), para limitar a abrangência do tema; 
 Tornar acessível a qualquer leitor o texto, escrevendo-o de modo claro e 
objetivo. 
 
Como estruturar um Projeto de Pesquisa? 
 
 Delimitação do tema: O que vai ser pesquisado? Quais os aspectos? Como? 
 Objetivos: O que ser quer atingir? (verbos no infinitivo), Quais as ações que 
devo fazer para atingir? 
 Justificativa: Quais os motivos que levaram a realização dessa pesquisa? Qual a 
importância da pesquisa? Qual a Marco teórico: Em quais estudos e autores estou 
baseando os argumentos usados no projeto? Quais são as principais idéias destes 
estudos e autores? 
 Problemas e Hipóteses: Qual é a pergunta chave da pesquisa? Quais são as 
hipóteses (ou respostas provisórias) a essa pergunta? 
 Metodologia: quais os instrumentos (tipo, quantidade, com quem) que vou 
usar para pesquisar? De que forma eles serão usados? Contribuição da pesquisa? 
 Cronograma: em quanto tempo cada atividade será desempenhada? 
 Bibliografia: quais as fontes (corretamente citadas) que consultei ou que vou 
consultar sobre o tema do projeto? 
 
Relatório de Pesquisa: conceito, importância e estrutura... 
 
O que é um RELATÓRIO? Relatório é uma exposição escrita onde se descrevem fatos 
verificados mediante pesquisa, ou se explana a execução de serviços, experiências, 
palestras, eventos etc. realizados. Geralmente, é acompanhado de documentos 
demonstrativos como tabelas, gráficos, fotografias, desenhos etc. 
 
Quais os tipos de relatório? 
1 - Relatório técnico-científico: é o documento pelo qual se faz a difusão das 
informações correntes, sendo ainda o registro permanente dessas informações. É 
utilizado para se descreverem experiências, investigações, processos, métodos e 
análises; 
2 - Relatório de viagem: documentadas por escrito as informações sobre a viagem 
realizada, indicando-se a data, o destino, a duração, os participantes, os objetivos e as 
atividades desenvolvidas; 
 103 
3 - Relatório administrativo: é uma comunicação escrita, submetida a uma autoridade 
superior, geralmente, ao término de um exercício, relatando-se a atuação 
administrativa. 
4 - Relatório de estágio: são registradas por escrito as atividades desenvolvidas pelo 
estagiário, período de duração da visita ou do estágio e local. Seu principal elemento é 
a capacidade de observação sistemática, ou seja, capacidade de se descreverem em 
conceitos e termos adequados o local, as pessoas, a relação interpessoal, as falhas, a 
maneira como as tarefas são realizadas etc. Em alguns casos existe o RELATÓRIO-
MONOGRÁFICO, que faz a junção entre relatório e monografia. 
 
E como funciona um relatório? De maneira geral, um relatório de estágio é orientado 
por um professor e exige alguns procedimentos formais (carta de solicitação de 
orientação, carta de aceite da orientação etc.). 
 
Algumas faculdades estabelecem bancas para a avaliação do relatório de estágio, 
fazendo dele um Trabalho de Conclusão. 
 
Como deve se redigir o relatório? O relatório deve ser redigido na forma de texto, com 
poucos tópicos, conciso, sem adjetivos e contemplando o que foi solicitado pela 
instituição (ou pelo professor). 
 
Quais as partes de um relatório? Em geral, contêm: 
 
1) Introdução: situa o leitor no contexto, local e tempo em que ocorreu a experiência, 
a viagem, o evento; 
2) Desenvolvimento ou discussão: descreve e disserta sobre a viagem, o local no qual 
se estagiou etc. (pode conter fotos, gráficos etc.); 
3) Conclusão: finaliza o relatório, podendo, inclusive, emitirem-se recomendações ou 
sugestões para aperfeiçoamento, reforma etc. 
 
Qual deve ser a estrutura de um relatório? O relatório deve possuir a seguinte 
estrutura: Capa, Folha de rosto, Folha de aprovação; Resumo e palavras-chave em 
português; Listas (caso haja fotos, gráficos ou tabelas); Sumário; Corpo do texto 
(introdução, desenvolvimento, conclusão); Lista das fontes utilizadas ou bibliografia 
(relatórios técnico-científicos) e, opcionalmente, apêndices (comentários ou propostas 
pessoais) e anexos (fotos, gráficos etc.). 
 
Construindo o Relatório de Pesquisa – a MONOGRAFIA... 
 
O que é uma monografia? Segundo Salomon (2000), o termo monografia, conforme 
origem histórica possui sentido lato e estrito. No estrito, identifica-se com o 
tratamento escrito de um tema específico, que resulte de pesquisa científica, com o 
escopo de apresentar uma contribuição relevante ou original/pessoal à ciência (teses 
de doutorado etc.). No lato, diz respeito a todo trabalho científico que resulte de 
pesquisa (dissertações de mestrado, monografia acadêmica de final de curso etc.). 
 
 104 
O que é Monografia de conclusão de curso? Para a formação de bacharel, é necessária 
uma monografia ou outro tipo de trabalho definido pela instituição de ensino; é o 
“Trabalho de Conclusão de Curso” (TCC) ou TC, cujo objetivo é a iniciação do aluno nas 
atividades profissionais, ampliando-se competências específicas na área cursada. A 
construção de um TCC exige rigor e método. As variações de TCC estão ligadas às 
diferenças existentes entre as diversas áreas acadêmicas. 
 
Quais as principais características da monografia? A monografia que aqui interessa é 
aquela que se caracteriza pelo tratamento escrito e aprofundado de um só assunto, de 
maneira descritiva e analítica, em que a reflexão seja a tônica. A monografia 
acadêmica não precisa, necessariamente, de formular um argumento novo; sua 
contribuição reside na releitura de fontes de conhecimento e na reflexão sobre um 
determinado tema. 
 
Qual o tamanho máximo? O tamanho varia muito. As que são avaliadas como 
conclusão de curso variam aproximadamente entre 30 e 90 páginas. 
 
Qual é o desenvolvimento lógico de uma monografia? Seguem-se algumas etapas: 
PRIMEIRA ETAPA:escolha do assunto: envolve especificação e preferência (SALOMOM, 
2000, p. 272). O primeiro é um processo científico-metodológico, e o segundo está 
ligado a tendências pessoais. A escolha deve levar em conta três aspectos 
fundamentais: tempo disponível, existência de bibliotecas, fontes de consulta, e 
possibilidade de se consultarem especialistas e outras fontes de informação sobre o 
assunto; 
SEGUNDA ETAPA: delimitação do assunto: a escolha não deve recair sobre temas 
genéricos, como “o valor da globalização”; esse tema, devido à sua extensão e 
generalidade, não permite um tratamento sério e profundo. É um processo que deve 
ser acompanhado pelo orientador; 
TERCEIRA ETAPA: estudo sistemático do assunto. Procurar referências atualizadas. 
Mesmo que não existam livros e artigos escritos relacionados diretamente, é possível o 
estudo sistemático pelo entrecruzamento de determinadas áreas de conhecimento, 
sendo a expressão geral à qual o tema está vinculado. O orientador auxiliará na 
indicação de livros e autores, ajudando também na explicitação dos aspectos do 
campo teórico que o TCC deve rever, reter e analisar. 
Outro elemento importante a ser considerado é o quadro teórico, quadro conceitual 
ou referencial teórico, que é a linha ou a abordagem teórica com a qual a monografia 
se identifica ou a que se filia. 
QUARTA ETAPA: elaboração e confecção da monógrafa, com a adoção das regras da 
ABNT ou da faculdade. 
QUINTA ETAPA: Defesa da monografia. 
 
Quais são os principais tipos de monografia? Tachizawa e Mendes (1999) apontam 
três tipos: 
1 - monografia de análise teórica: estruturada em torno de idéias e conceitos a partir 
de uma lista de fontes bem elaborada e de qualidade acadêmico-científica 
comprovada; 
 105 
2 - análise crítica ou comparativa de obras (literárias ou científicas), pessoas e autores, 
inclusive partindo de outras teorias ou modelos existentes; Essa monografia pode ser 
baseada em dados primários (obtidos durante a pesquisa de campo ou que não foram, 
ainda, tratados e analisados tais como fichas de óbito, certidões etc.) e/ou em dados 
secundários (obtidos de obras e pesquisas já realizadas); 
3 - monografia de análise teórico-empírica: baseada em uma interpretação de dados 
primários ligados a um tema específico; apresentar a testagem de hipóteses, modelos 
ou teorias; monografia de estudo de caso: estudo exaustivo de um caso específico 
(evento, organização, fenômeno). 
 
Dicas essenciais para a monografia: 
 
 Fontes de pesquisa: para o esclarecimento de qualquer assunto, é preciso uma lista 
prévia de fontes, aumentada à medida que a monografia vai sendo escrita; 
 Optar por fontes primárias, ou seja, livros, artigos, reportagens em que os autores 
exponham e debatam diretamente suas idéias. As fontes secundárias são aquelas nas 
quais alguém comenta e analisa as idéias de outros; 
 Revistas especializadas e científicas são excelentes fontes para a pesquisa. As 
mídias informativas (revistas, jornais etc.) podem servir como fontes auxiliares de 
informação. No entanto, não servem para corroborar hipóteses ou afirmações de 
cunho científico, uma das bases da monografia; 
 Também mapas, fotografias, fitas e outras fontes são materiais complementares e 
devem aparecer sempre ligados a outras fontes. Deve-se ter cuidado com a forma de 
apresentação dos dados; 
 Mesmo que o tema esteja estreitamente ligado a uma determinada disciplina, é 
indispensável a consulta às demais áreas afins do conhecimento. Esse cruzamento será 
bastante frutífero e enriquecedor para os objetivos da pesquisa. 
 
Dicas sobre o estilo, a redação e a estrutura da monografia: 
 
 Procurar clareza, concisão e simplicidade. Evitar o uso de frases estereotipadas 
(“por sinal”), o uso de expressões indefinidas (“a maioria”, “uma pequena parte”) e o 
uso excessivo da voz passiva (será feito, foi realizada); 
 Elaborar parágrafos que não sejam curtos demais nem longos (mais de 10 linhas); 
 Não deixar repetições exageradas, evitar clichês e gírias; 
 As orações sejam construídas na ordem direta (sujeito + verbo + objeto), evitando 
expressões repetitivas (pro exemplo, “há a possibilidade de que o problema da 
logística esteja se agravando”, o melhor seria: “pode ser que o problema logístico se 
agrave”); 
 Colocar os verbos na ordem lógica (em vez de: “eles iam fazer uma 
recomendação”, seria melhor: “eles recomendaram”); 
 Encadear o assunto de forma lógica, sem “truncar” (mudar bruscamente) a 
seqüência dos parágrafos e das idéias; 
 Os dados obtidos em conversas informais servem apenas como levantamento de 
informações, não se devendo utilizá-los como provas conclusivas. Se a monografia se 
baseia em pesquisa empírica, devem-se explicitar os instrumentos utilizados 
(questionário, entrevista etc.), colocando-se o modelo e a pauta usada em apêndice; 
 106 
 Cuidado com a exatidão: tanto os dados mais importantes quanto os detalhes 
como título, capa etc. devem corresponder ao conteúdo; 
 As evidências devem ser precisas. 
 Antes da entrega do texto final da monografia, é preciso realizar uma calma e 
atenta revisão, eliminando-se erros e contradições do texto; 
 Por fim, a indispensável revisão ortográfica, realizada por um especialista. 
 
Quais são as partes indispensáveis de uma monografia? 
 
Introdução. Colocam-se, em linhas gerais, o tema, a sua delimitação, os objetivos e a 
metodologia usada na monografia. Deve-se situar o leitor no estado da questão, 
colocá-lo a par da relevância do problema e do método de abordagem. Pelo fato de 
refletir o que virá a seguir, a introdução deve ser a última parte a ser escrita, apesar de 
ser a primeira a aparecer no texto digitado. 
Desenvolvimento. Compõe-se de capítulos e subcapítulos, que constituem o núcleo da 
monografia, construídos de acordo com a proposta do projeto de pesquisa. Deve 
conter a fundamentação teórica (conceitos, idéias e autores utilizados e analisados), a 
descrição dos dados e a forma como esses foram obtidos. Os capítulos devem estar 
bem redigidos, com argumentos fundamentados e consistentes. É necessário atenção 
na forma como se desenvolvem os argumentos. Um pesquisador iniciante deve ter 
cuidado com afirmações categóricas e genéricas do tipo “é assim”, “todos”, pois elas 
são arrogantes, questionáveis e de difícil fundamentação. O argumento deve ser 
preciso. Durante o desenvolvimento dos capítulos da monografia, as fontes devem ser 
citadas, especialmente conceitos, exemplos, dados e informações extraídas para 
fundamentar o argumento da monografia. Em relação ao número de capítulos que 
uma monografia deve ter, há que se considerar a área, o tema, a delimitação do tema 
etc. De forma geral, sugere-se uma estrutura com três capítulos, cada um deles com 
respectivas subdivisões. Isso porque e forem usados muitos capítulos, haverá muita 
dispersão do assunto e você terá que gastar mais tempo para escrever, corrigir e 
pesquisar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 107 
Exemplo geral de uma estrutura de monografia 
 
INTRODUÇÃO 
 
1 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL 
1.1 História da pedagogia empresarial 
1.2 A expansão da pedagogia empresarial 
1.3 A pedagogia empresarial nos dias atuais 
 
2 A PEDAGOGIA NA PEQUENA EMPRESA 
2.1 Os aspectos problemáticos 
2.2 Os aspectos práticos 
2.3 Os aspectos administrativos 
 
3 IMPASSES DA PEDAGOGIA EMPRESARIAL NAS PEQUENAS EMPRESAS 
3.1 Limites da aplicação em pequenas empresas 
3.2 Possibilidades de aplicação 
3.3 Os resultados concretos na empresa X 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
Considerações finais: É a síntese das conclusões a que se chegou com a pesquisa e a 
explicitação de novas questões que surgiram e que poderão ser tratadas em estudos 
posteriores. 
 
TEXTOS COMPLEMENTARES: 
 
 
Texto 01: O Artigo Científico 
 
O que éum artigo científico? É um trabalho científico que exige a revisão de 
literatura (síntese de livros, artigos, teses, monografias e outras fontes acadêmicas 
existentes sobre o assunto escolhido), pesquisa e rigor intelectual. Os artigos 
obedecem a normas gerais e específicas. As gerais, aqui apresentadas, foram 
regulamentadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003). As específicas 
são elaboradas por Conselhos Editoriais e devem ser consultadas nos diversos 
periódicos. 
 
Como fazer revisão de literatura? Existem duas formas de revisão de literatura: a 
tópica (conceitos e idéias dos autores, expressos em livros e textos, são colocados na 
ordem de publicação dos mesmos) e a orgânica (conceitos e idéias são agrupados em 
torno de temáticas sem, necessariamente, respeitar a ordem cronológica das 
publicações onde estão tais idéias e conceitos). 
 108 
 
Quais os tipos de artigo que existem? A Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(2003) divide os artigos científicos em duas categorias: 1) artigo de revisão: parte de 
uma publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas e 2) artigo 
original: parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais. São 
os relatos de experiência de pesquisa, estudo de caso. 
 
Como iniciar um artigo? Inicie o Artigo Científico pela definição do tema. 
 
Como dar os primeiros passos? Este primeiro passo deve ser realizado com 
flexibilidade, liberdade e criatividade. Dica: a) verbalizar e anotar suas idéias sobre o 
tema pode te ajudar neste processo; b) identifique questões mais específicas, 
detectando focos mais estreitos relacionados a possíveis temas. 3) partir de algumas 
questões: este tema pode ser interessante para minha vida pessoal e profissional? 
Onde quero chegar analisando o tema escolhido? Há material teórico (livros, revistas, 
sites, etc.)? Ou, não há muito material teórico produzido? Qual o assunto que sempre 
me interessou, desde a faculdade, em livros, artigos, palestras, cursos, etc.? Qual o 
conjunto de questões mais me inquieta no meu trabalho? Qual o assunto foco de 
minhas leituras? 
 
Como deve ser a linguagem do artigo? A linguagem científica, que deve ser utilizada 
para a construção de seu artigo, deve ser clara, objetiva, especializada. O vocabulário 
do texto do artigo deve ser peculiar da área de pesquisa, não sendo permitidas 
utilizações de gírias, palavras coloquiais, típicas de contextos informais de uso da 
língua. Os itens abaixo constituem as exigências da linguagem científica que seu artigo 
científico, por ser um texto acadêmico, deve conter: 
 Impessoalidade: redigir o trabalho na 3ª pessoa do singular; 
 Objetividade: a linguagem objetiva, afastar as expressões: “eu penso”, “eu 
acho”, que dão margem a interpretações simplórias e sem valor científico; 
 Estilo científico: a linguagem científica é informativa, racional, firmada em 
dados concretos, onde podem ser apresentados argumentos de ordem subjetiva, 
porém dentro de um ponto de vista científico; 
 Os recursos ilustrativos como gráficos estatísticos, desenhos, tabelas são 
considerados como figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no texto, tendo 
suas fontes citadas. 
 
Com formatar o artigo? Os dados básicos da formatação foram adaptados da ABNT, 
isso porque a maioria das revistas acadêmicas e cientificas adota o padrão que será 
exposto a seguir. O tamanho da letra será 12, exceto para nota de rodapé, tamanho 
10. 
 
Elementos pré-textuais: 
 Título: letras maiúsculas, centralizadas, negrito e entrelinhamento 1,5 na 3ª linha 
(antes dele, duas linhas em branco de espaçamento, e com entrelinhamento 1,5); 
 
 Subtítulo: se houver, digitado abaixo dele, antecedido de dois pontos (letras 
normais, centralizadas, negrito e entrelinhamento 1,5); 
 109 
 
 Autor(es): à direita da página (recuo esquerdo de 8 cm), letras normais, sem 
negrito e entrelinhamento 1,5; o nome é seguido de chamada para nota de rodapé na 
primeira página, onde estarão as credenciais do autor (no rodapé: espaço simples, 
letra tamanho 10, justificado); entre o título (ou subtítulo) e o autor, salta-se uma 
linha em branco (entrelinhamento 1,5) de espaçamento; entre o autor e o início do 
resumo, saltam-se duas linhas em branco (entrelinhamento 1,5); 
 
 Resumo e palavras-chave na língua do texto: (vide regras gerais de formatação da 
monografia) 
 
Elementos textuais: letras normais, justificadas, entrelinhamento 1,5 e recuo de 
parágrafo de 1, 25 cm; as seções primárias, no caso dos artigos, não iniciam em nova 
página; as seções e subseções devem ser separadas entre si por duas linhas em 
branco (entrelinhamento 1,5); antes e depois dos títulos das seções e subseções, 
deixam-se duas linhas em branco (entrelinhamento 1,5). 
 
 Introdução: breve exposição inicial, delimitação do assunto, justificativa, objetivos 
da pesquisa e situação atual do tema; 
 
 Desenvolvimento: a principal parte, onde se explica e se debate o assunto, 
fazendo-se a revisão de literatura. Contém a exposição ordenada e pormenorizada do 
assunto tratado. Divide-se em seções e subseções, que variam em função da 
abordagem do tema e do método; 
 
 Considerações Finais: parte final, onde se apresentam as conclusões 
correspondentes aos objetivos e hipóteses. É a exposição sintética dos resultados a 
que se chegou. 
 
Elementos pós-textuais 
 Referências e fontes consultadas: vide regras gerais na exemplificação. No caso 
específico dos artigos científicos, as referências não iniciam em nova página, vindo 
normalmente após o item anterior; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 110 
 
VISUALIZAÇÃO DO ARTIGO 
1 
PARADOXOS NO CAMPO RELIGIOSO? 
Religião e política 
 
Philipe Souza Aguiar 1 
 
RESUMO 
Este artigo analisa... 
 
PALAVRAS-CHAVE: Etimologia. Crítica. Turismo religioso. 
 
ABSTRACT 
This is article… 
 
KEY WORDS: Tourism religious. Politics. Behavior. 
 
INTRODUÇÃO 
 
As questões políticas definem parte do campo religioso. 
 
1 RELIGIÃO E POLÍTICA 
 
Segundo Silva (2004), a vida religiosa é importante para a identidade. 
__________________ 
1 Doutor em sociologia pela PUC-RJ, professor da REDE DOCTUM – Guarapari, curso 
de Direito. E-mail: aguiarsouza@terra.com.br. 
 
2 
 
2 LIBERDADE DE EXPRESSÃO RELIGIOSA 
 
Abordada a religião, o problema permanece... 
 
 2.1 Os paradoxos do campo religioso 
 
 O IBGE (2007, p. 10), diz que: “90% da população brasileira é cristã”. 
Título: claro, conciso, atraente. 
Autor: filiação, titulação e outros dados. 
Apresentação geral do artigo 
Primeiro item do artigo 
Tradução do resumo e palavras-chave, em geral, para o inglês. 
Citação indireta no sistema 
autor-data. 
Desenvolvimento das questões 
Subdivisões: didáticas e poucas. 
Resumo e palavras-chave: contexto, referencial, 
problema e hipótese. 
Subtítulo: subordinado. 
Numeração da 
páginapágina 
 111 
15 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Assim, religião e comportamento partidário se mesclam na política... 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
DIAS, Reinaldo; SILVEIRA, Emerson J. Sena da. Turismo religioso. Campinas: Alínea, 
2003. 
 
SILVA, José Maria da. A identidade no mundo das religiões: a região fronteiriça. 
Horizonte, Belo Horizonte, v. 3, n. 5, 2. sem. 2004. 
 
 
 
 
Texto 02: A defesa da Monografia 
 
O que é defender uma monografia? Em muitas faculdades a monografia precisa ser 
defendida perante uma Banca Examinadora. É a chamada defesa oral do trabalho. Ela 
é pública, qualquer pessoa pode assistir e é precedida de editalpublicado nas 
dependências ou na página eletrônica da faculdade ou universidade. 
 
Para que a banca? Para avaliar o trabalho. As bancas são compostas de 2 (dois) ou 3 
(três) professores (Graduação), 3 (três) professores (Mestrado) e 5 (cinco) professores 
(Doutorado). Professores convidados de outras Instituições podem (Graduação) e 
devem (Mestrado, um professor; Doutorado, dois professores) compor a banca. 
 
Como funciona uma banca de monografia? Depois de abrir oficialmente a banca, o 
presidente (um dos examinadores) passa a palavra ao aluno para uma apresentação 
oral resumida de sua pesquisa (15 minutos, em geral). A seguir, cada um dos 
professores (pela ordem: examinador(es) convidado(s) e orientador) faz seus 
comentários/indagações ao aluno (15 minutos em geral). 
 
Como o aluno deve-se portar? O aluno pode optar por responder em bloco aos 
professores após as manifestações de todos eles ou, individualmente, logo após a 
manifestação de cada um. Esta última é a opção mais recomendada. De qualquer 
forma, deve o aluno anotar detalhadamente os pontos abordados pelo professor, 
tentando ao máximo perceber quais são as questões feitas. O aluno deve estar atento 
para separar bem o que é uma questão daquilo que é apenas um comentário do 
professor. Fundamental é a resposta às questões formuladas. Finalizando, o público 
assistente se retira para a deliberação da aprovação ou não do aluno pelos 
professores, retornando em seguida, quando chamado, para ouvir a leitura oficial da 
ata e presenciar sua assinatura. 
 
Existe um roteiro para apresentação da monografia? Sim e ele é simples. Siga estes 
Conclusão: revisão dos pontos, alcance do objetivo, 
resposta a pergunta. 
Lista das fontes: artigos, livros, usados, no artigo, 
sob a forma autor-data. 
 112 
passos: 
1. iniciar com agradecimentos, na seguinte ordem: ao orientador, aos membros da 
banca e às pessoas e/ou instituições que contribuíram efetivamente para a realização 
do trabalho; 
2. exposição da pesquisa realizada: a) tema; b) problema; c) hipótese inicial (se 
houve); d) justificativas teóricas e empíricas; 
3. metodologia utilizada: a) instrumentos usados; b) métodos escolhidos para analisar 
o material; 
4. síntese do conteúdo dos capítulos: dar ênfase às idéias relevantes; 
5. considerações finais: diante do estudo, sugestões de possíveis futuros 
desdobramentos da pesquisa. 
 
Existem mais dicas práticas para a defesa? Sim. Ei-las: 
 Certifique-se das regras da instituição quanto a número de cópias da monografia a 
ser entregue, o tempo previsto para apresentação, o uso de equipamentos, o contato 
com os membros da banca; 
 Prepare um roteiro escrito; 
 Assista outras apresentações de defesa para observar o funcionamento; 
 Use slides, retroprojetor, data-show ou outro recurso tecnológico, somente se 
concluir que isso poderá ajudar. Se usar, chegue antes da hora marcada e teste os 
equipamentos; 
 Tenha sempre à mão um roteiro escrito da apresentação; isso proporcionará 
maior segurança na exposição; 
 Caso não se sinta seguro, leia o roteiro escrito (em casos extremos de nervosismo, 
até a leitura de um texto-resumo previamente preparado é permitido), mas o faça 
com modulações na voz, pausas e lances de olhar aos membros (evite monotonia); 
 Solicite, educadamente, se não entendeu alguma das questões formuladas, 
esclarecimentos complementares; 
 Preste atenção à formulação do argumento. Caso a pergunta do professor fuja à 
delimitação do tema, pedindo informações além do que foi proposto, gentilmente, 
mostre a ele que aquele não foi o seu objeto de pesquisa. Por exemplo, se o professor 
disser que “gostaria de ouvir sobre a teoria X”, mas ela não foi delimitada na 
monografia, pode ser dito a ele que “a questão é interessante, entretanto, devido às 
exigências da delimitação, foi usada apenas a teoria Y”; 
 
 
LEITURA RECOMENDADA: 
 
ECO, Humberto. Como se faz uma tese. 18ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2003. 
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