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SOCIEDADE DO VALE DO IPOJUCA – SESVALE 
MANTEDORA DA FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA – FAVIP 
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO 
 
ANA PAULA DE VASCONCELOS 
 
 
 
 
 
DO LIVRO À BIBLIOTECA: 
Anteprojeto para uma Biblioteca Pública em Caruaru 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Caruaru 
2011 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Catalogação na fonte - 
Biblioteca da Faculdade do Vale do Ipojuca, Caruaru/PE 
V331l Vasconcelos, Ana Paula de. 
 Do livro a biblioteca: anteprojeto para uma biblioteca pública em 
Caruaru / Ana Paula de Vasconcelos. – Caruaru : FAVIP, 2011. 
 97 f. 
Orientador(a) : Gustavo Miranda. 
Trabalho de Conclusão de Curso (Arquitetura e Urbanismo) -- 
Faculdade do Vale do Ipojuca. 
Inclui apêndice. 
 
1. Biblioteca pública – Caruaru (Anteprojeto). 2. Cultura – 
Conhecimento e informação. I. Título. 
 
CDU 72[12.1] 
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 
 
2 
 
ANA PAULA DE VASCONCELOS 
 
 
 
 
 
DO LIVRO À BIBLIOTECA: 
Anteprojeto para uma Biblioteca Pública em Caruaru 
 
 
 
 
 
Trabalho de graduação II apresentado ao 
Curso de Arquitetura e Urbanismo da 
Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP, como 
requisito final para obtenção do grau de 
Arquitetura e Urbanista. 
Área de concentração: Projeto Arquitetônico 
Orientador: Professor Gustavo Miranda. 
 
 
 
Caruaru 
 2011 
3 
 
ANA PAULA DE VASCONCELOS 
 
DO LIVRO À BIBLIOTECA: 
Anteprojeto para uma Biblioteca Pública em Caruaru 
 
Este Trabalho de Graduação II foi julgado e aprovado para obtenção do título de 
bacharel em Arquitetura e Urbanismo no Curso de Arquitetura e Urbanismo da 
Faculdade do Vale do Ipojuca. 
 
Caruaru, 24 de novembro de 2011. 
 
Gustavo Miranda 
 
Professor Orientador 
 
 
 
Banca Examinadora 
 
______________________________ 
 
Convidado externo 
 
 
 
_______________________________ 
 
Professora e convidada interna 
 
 
_______________________________ 
Professor e convidado interno 
 
 
 
Caruaru 
 2011 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Este tipo de biblioteca foi feito à minha medida, posso decidir 
passar lá um dia inteiro em santa delícia: leio os jornais, desço até o 
bar com alguns livros, depois vou à procura de outros, faço 
descobertas, (...) A biblioteca, converte-se, neste sentido, numa 
aventura” (Umberto Eco). 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
À minha mãe e irmãs, pelo carinho e incentivo, 
Ao meu pai, Marcos Manuel de Vasconcelos (in memorian), 
que nutriu em mim o gosto e apreço pela leitura. 
6 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Muitas pessoas foram essenciais para a realização deste Trabalho de Graduação, 
sendo assim, agradeço a todos que de alguma forma contribuíram para conclusão 
deste estudo. 
Primeiramente, agradeço a minha família, a qual fomentou em mim a inquietude e 
disposição necessárias à busca pelo conhecimento. 
Aos meus amigos, em especial, a Edmário Santos, pela dedicação e colaboração. 
A Romero Amâncio de Moura, pelos constantes incentivos e apoio. 
A Wagner Carvalho, bibliotecário da Biblioteca Pública de Pernambuco, pelas 
constantes conversas que facilitaram e encorajaram a conclusão deste trabalho. 
E, por fim, mas não menos importante, ao meu orientador, Gustavo Miranda, pela 
paciência e dedicação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
RESUMO 
 
Vaconcelos, Ana Paula. Biblioteca Pública de Caruaru, 2011. Trabalho de 
Graduação (Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade do Vale do Ipojuca, Caruaru, 
2011. 
 
A biblioteca pública é uma instituição democrática fomentada pelo poder público, 
podendo ser utilizada por todos para o usufruto de seus serviços. É fonte de 
conhecimento, informação e proporciona desenvolvimento intelectual e social, além 
de promover e disseminar a cultura local. Este Trabalho de Graduação trata do 
estudo para a elaboração de um equipamento cultural voltado à população baseado 
em estudos e análises de conceitos teóricos e práticos sobre o tema. É um trabalho 
teórico projetual que tem como objetivo a concepção de um anteprojeto de uma 
biblioteca pública para a cidade de Caruaru. O tema é sugerido pela falta de um 
equipamento condizente com os anseios sociais e culturais da população, pois a 
cidade é um pólo de comercio, serviço, cultura e educação para toda região, e a 
biblioteca existente não atende às necessidades da comunidade. Assim, foram 
desenvolvidas metas para atingir tal objetivo com o intuito de suprir as lacunas 
culturais e educacionais da cidade e região, resultando num Trabalho de Graduação 
embasado em estudos bibliográficos, métodos de pesquisas e estudos de casos. 
Com as análises resultantes desses estudos foram extraídas analogias e diferenças 
que auxiliaram no desenvolvimento deste trabalho, e em seguida, fez-se os estudos 
preliminares que culminaram no anteprojeto da biblioteca proposta. 
 
 
PALAVRAS-CHAVES: Biblioteca, cultura, conhecimento e informação. 
 
 
8 
 
ABSTRACT 
 
 
Vaconcelos, Ana Paula. Caruaru Public Library, 2011. Research Project 
(Architecture and Urban Planning) – Vale do Ipojuca College, Caruaru, 2011. 
 
The public library is a democratic institution fostered by the goverment and can be 
used by everyone to the enjoyment of its services. It is a source of knowledge, 
information, and provides intellectual and social development, and besides promotes 
and disseminates the local culture. This research deals with the study for the 
development of a cultural facility focused on the population based on studies and 
analysis of theoretical and practical concepts on the subject. It is a projectual and 
theoretical work which aims to design a blueprint of a public library for the city of 
Caruaru. The theme is suggested because of the lack of equipment suitable with 
social and cultural aspirations of the population, once the city is a hub for trade, 
service, culture and education for the whole region and the existing library does not 
meet the needs of the community. Thus, goals were developed to achieve this goal in 
order to meet the cultural and educational gaps in the city and region, resulting in a 
Graduate Work grounded in bibliographical studies, research methods and case 
studies. With the resulting analysis of these studies were extracted similarities and 
differences that helped in the development of this work, and then became the 
preliminary studies that culminated in the draft proposal of the library. 
 
 
KEYWORDS: Library, culture, knowledge and information. 
 
 
 
 
9 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
 
Figura 01 – Biblioteca Municipal de Caruaru..............................................................24 
Figura 02 - Recepção (BMAL)....................................................................................24 
Figura 03 - Acervo geral, BMAL.................................................................................24 
Figura 04 - Acervo geral, BMAL.................................................................................24 
Figuras 05, 06 e 07 - Espaços para periódicos, Braille e infantil respectivamente-
Biblioteca Municipal de Caruaru.................................................................................25 
Figura 08 - Localização do município de Caruaru no estado.....................................25Figura 09 - Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco.........................................34 
Figura 10 - Planta de locação e coberta da Biblioteca Pública do Estado de Pernam- 
buco............................................................................................................................34 
Figura 11 - Planta baixa do pav. Térreo - Biblioteca Pública do Estado de Pernam-
buco............................................................................................................................35 
Figura 12 - Planta baixa do 1º pav. - Biblioteca Pública do Estado de 
Pernambuco...............................................................................................................35 
Figura 13 - Planta baixa do 2º Pav. - Biblioteca Pública do Estado de 
Pernambuco...............................................................................................................36 
Figura 14 - Fachada da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco com a amplia- 
ção á esquerda...........................................................................................................36 
Figuras 15 e 16 - Fachada principal da Biblioteca Pública de Pernambuco..............37 
Figuras 17 e 18 - Fachada principal e acesso da Biblioteca Pública de Pernambu- 
Co...............................................................................................................................37 
 
Figuras 19 e 20 – Guarda volume e hall da Biblioteca Pública de Pernambuco.......38 
 
10 
 
Figuras 21 e 22 - Espaço para periódicos e setor infantil da Biblioteca Pública de 
nambuco.....................................................................................................................38 
 
Figura 23 e 24 - Setor de restauro e circulação do 2º pav. da Biblioteca Pública de 
Pernambuco...............................................................................................................38 
 
Figura 25 - Biblioteca Pública do Paraná...................................................................39 
 
Figura 26 - Setorização e distribuição dos espaços da Biblioteca Pública do 
Paraná........................................................................................................................40 
 
Figura 27 - Planta baixa do pav. inferior da Biblioteca Pública do Paraná...............41 
 
Figura 28 - Planta baixa do pav. Térreo da Biblioteca Pública do Paraná...............42 
 
Figura 29 - Planta baixa do 1º pav. da Biblioteca Pública do Paraná......................42 
 
Figura 30 - Planta baixa do 2º pav. da Biblioteca Pública do Paraná.......................43 
 
Figura 31- Planta baixa do 3º pav. da Biblioteca Pública do Paraná.........................43 
 
Figura 32 - Planta baixa do 4º pav. da Biblioteca Pública do Paraná........................44 
 
Figura 33 - Corte AA da Biblioteca Pública do Paraná..............................................44 
 
Figura 34 - Corte BB da Biblioteca Pública do Paraná..............................................45 
 
Figura 35 - Corte CC da Biblioteca Pública do Paraná..............................................45 
 
Figura 36 - Corte DD da Biblioteca Pública do Paraná.............................................46 
 
Figura 37 - Vista do Pav. Inferior da Biblioteca Pública do Paraná............................46 
 
Figura 38 - Vista Pav. Térreo da Biblioteca Pública do Paraná.................................46 
11 
 
Figura 39 - Vista do 1º Pav. da Biblioteca Pública do Paraná....................................47 
 
Figura 40 - Vista do 3º Pav. da Biblioteca Pública do Paraná...................................47 
 
Figura 41 - Materiais utilizados na composição da Biblioteca Pública do Paraná.....48 
 
Figura 42 - Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá.............................................49 
 
Figura 43 – Implantação - Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá.....................50 
 
Figura 44 - Planta baixa do pav. inferior, térreo, 1º e 2º pav. - Biblioteca de 
Montarville, Quebec, Canadá.....................................................................................51 
 
Figura 45 - 1º Pav.da Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá............................52 
 
Figura 46 - 2º Pav.da Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá...........................52 
 
Figura 47 - Pavimento inferior e pav. térreo da Biblioteca de Montarville, Quebec, 
Canadá.......................................................................................................................53 
 
Figura 48 - Elevação sul e corte longitudinal da Biblioteca de Montarville, Quebec, 
Canadá.......................................................................................................................53 
 
Figuras 49 e 50 - Interior da Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá..................54 
 
Figuras 51 e 52 - Setor Infantil e fachada da Biblioteca de Montarville, Quebec, 
Canadá.......................................................................................................................55 
 
Figuras 53 e 54 - Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá...................................55 
 
Figura 55 - Macro-setorização...................................................................................68 
 
Figura 56 - Organograma / fluxograma......................................................................69 
 
12 
 
Figura 56A - Zoneamento...........................................................................................70 
 
Figura 57 - Localização do terreno.............................................................................71 
 
Figura 58 - Imagem do espaço para implantação do equipamento...........................72 
 
Figura 59 - Imagem do espaço para implantação do equipamento...........................72 
 
Figura 60 - Planta de situação sem escala................................................................73 
 
Figura 61 - Mapa dos condicionantes ambientais......................................................74 
 
Figura 62 - Mapa de usos do setor.............................................................................75 
 
Figura 63 - Mapa dos condicionantes ambientais......................................................76 
 
Figura 64 - Evolução da proposta............................................................................. 83 
 
Figura 65 - Perspectiva da fachada oeste..................................................................87 
 
Figura 66 – Resolução programática.........................................................................85 
 
Figura 67 - Perspectiva do edifício (fachada principal)..............................................86 
 
Figura 68 - Perspectiva do edifício (fachada leste)....................................................87 
 
Figura 69 - Perspectiva do café.................................................................................87 
 
Figura 70 - Implantação do edifico no terreno...........................................................88 
 
Figura 71 - Planta baixa 1º pavimento (térreo)..........................................................89 
 
Figura 72 - Perspectiva do espaço para periódicos...................................................90 
 
13 
 
Figura 73 - Perspectiva do setor infantil.....................................................................90 
 
Figura 74 - Planta baixa 2º pavimento.......................................................................91 
 
Figura 75 - Perspectiva do espaço para leitura - setor adulto....................................92Figura 76 - Planta baixa 3º pavimento.......................................................................92 
 
Figura 77 - Planta baixa 3º pavimento.......................................................................93 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 01 - Estatística do quantitativo de alunos no município de Caruaru..............23 
Tabela 02 - Relatório de freqüência da Biblioteca Álvaro Lins...................................23 
Tabela 03 - Comparativo entre os estudos de caso...................................................58 
Tabela 04 - Dimensionamentos dos ambientes dos estudos de caso.......................59 
Tabela 05 - Análise SWOT.........................................................................................60 
Tabela 06 - Sugestão de dimensionamento para espaços culturais 1.......................62 
Tabela 07 - Sugestão de dimensionamento para espaços culturais 2 ......................63 
Tabela 08 - Projeção de crescimento de uma coleção..............................................64 
Tabela 09 - Distribuição do acervo e capacidade das estantes.................................64 
Tabela 10 - Capacidade de volumes das estantes e prateleiras...............................65 
Tabela 11 - Programa e pré-dimensionamento..........................................................66 
Tabela 12: Programa e dimensionamento.................................................................82 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
SWOT Strengths - Weakness - Opportunities - Threats 
UNESCO Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura 
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
BMAL Biblioteca Municipal Álvaro Lins 
PE Pernambuco 
CD-ROM Compact Disc Read Only Memory 
e-books Eletronic books 
ZR3 Zona Residencial 3 
ZAM1 Zona de Atividades Múltiplas 
BPEP Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco 
CFTV Circuito fechado de TV 
Pav. Pavimento 
BPSC Biblioteca Pública de Santa Catarina 
Fig. Figura 
 
 
 
 
 
16 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO 18 
1.1 Do livro à Biblioteca 21 
1.2. O porquê de uma Biblioteca? 22 
2. PROCESSO METODOLÓGICO 27 
2.1 Pesquisas bibliográficas 27 
2.2 Pesquisas em campo 28 
2.3 Entrevistas 28 
2.4 Estudos de caso 28 
2.5 Análise comparativa 29 
2.6 SWOT 30 
3. REFERENCIAL TEÓRICO 31 
4. ESTUDOS DE CASO 33 
4.1 Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco 34 
4.2 Biblioteca Pública de Santa Catarina 39 
4.3 Biblioteca de Montarville 49 
4.4 Análise comparativa 57 
4.5 Aplicação do SWOT nos estudos de caso 60 
5. PROGRAMA E PRÉ-DIMENSIONAMENTO 62 
6. ORGANOGRAMA, FLUXOGRAMA E ZONEAMENTO 68 
7. ANÁLISE DO TERRENO 71 
17 
 
7.1 Análise do contexto urbano 73 
7.2 Análise dos condicionantes físico-ambientais 75 
7.3 Análise dos condicionantes legais 77 
 7.3.1 Código de Urbanismo, Obras e Posturas do município de Caruaru 77 
 7.3.2 Plano Diretor de Caruaru 78 
 7.3.3 Manual de Diretrizes e Normas para Biblioteca Públicas (Brasil, 2000) 78 
 7.3.4 Normas técnicas da ABNT, lei 9050 79 
 7.3.5 Código de segurança contra incêndios e pânico para o estado de 
Pernambuco 79 
8.0 A PROPOSTA 81 
8.1 Programa 81 
8.2 Memorial Justificativo 83 
8.3 Apresentações gráficas 94 
9. CONCLUSÕES 95 
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 97 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Do livro a biblioteca é um trabalho teórico projetual que elabora passos para o 
desenvolvimento de um anteprojeto de biblioteca embasado na percepção oriunda 
das pesquisas fundamentadas no objeto de estudo e nas observações empíricas. 
É mostrado nesse estudo que a biblioteca não é um espaço destinado apenas à 
leitura e acúmulo de livros, mas também um ambiente que conecta e transforma 
pessoas, onde se inicia a construção do conhecimento e sua proliferação, dando 
margem ao conceito de cidadania e desenvolvimento social, sendo assim, um 
espaço livre de amarras e censuras. 
Contudo, apesar da importância deste recinto como ferramenta de desenvolvimento 
social da comunidade e do crescimento econômico e populacional da cidade de 
Caruaru, a mesma não possui equipamentos de cultura e lazer que atenda à 
demanda da sociedade que ainda está muito enraizada na cultura de feira, na arte 
popular e em festas folclóricas, já que a cidade surgiu dessa atividade econômica e 
possui uma cultura popular latente. 
A biblioteca pública proporciona desenvolvimento intelectual, dissemina 
conhecimento e perpetua a cultura local, sendo de fundamental importância para o 
desenvolvimento da comunidade e sua região. Essa instituição é uma ferramenta 
democrática e geralmente promovida pelo poder público, onde todos têm o direito a 
usufruir de seus serviços. 
Em Caruaru, tal fenômeno acontece, porém a biblioteca pública existente não 
atende às necessidadesda comunidade, visto que o espaço é insuficiente e 
inadequado para um centro de cultura. Portanto, este trabalho tem o intuito de 
desenvolver um estudo para a concepção de uma biblioteca pública para a cidade 
de Caruaru como forma de suprir as lacunas educacionais e culturais da região. 
Baseadas nessas premissas traçaram-se metas para responder à questão: como 
elaborar um equipamento de cultura, como uma biblioteca pública, com conceito 
contemporâneo de centro de cultura, como atualmente a biblioteca é considerada, 
que atenda às necessidades sociais, culturais e educacionais da comunidade? 
19 
 
Por tudo isto, buscou-se no desenvolvimento deste trabalho de graduação 
conceituar este equipamento no primeiro capítulo, dando ênfase à origem da 
biblioteca e sua evolução no tempo, e em seguida justificar sua escolha para este 
estudo. 
Deste modo, prosseguiu-se o trabalho de graduação com o objetivo de desenvolver 
um anteprojeto de uma Biblioteca pública no município de Caruaru-PE, tendo como 
meta a elaboração de ambientes flexíveis e dinâmicos, utilizando arquitetura 
contemporânea, integração dos espaços internos através das disposições dos 
mobiliários e o diálogo aprazível dos ambientes de convivência com os setores 
internos do edifício. 
Desta forma, procurou-se apresentar vários métodos de pesquisa para obtenção de 
dados e consequentemente enriquecimento deste trabalho, como as visitas em 
campo, pesquisa bibliográficas, entrevistas, estudos de caso e análises 
comparativas e SWOT¹. 
O trabalho continua com a abordagem do referencial teórico, cujo embasamento 
conceitual propicia uma percepção geral do equipamento biblioteca. E, em seguida, 
aspectos legais ligados ao planejamento do equipamento. 
A ênfase é dada aos estudos de caso, os quais proporcionaram fundamentos para o 
desenvolvimento do projeto, e as análises oriundas destes estudos. Resultando 
assim, no programa e pré-dimensionamento do equipamento, seguidos do 
organograma e fluxograma. 
E, para melhor compreensão deste trabalho, apresentaram-se tabelas comparativas 
e SWOT, as quais facilitam a compreensão dos equipamentos analisados nos 
estudos de caso. 
Em seguida, avaliou-se a área de implantação do equipamento e seu entorno, com a 
análise do contexto urbano local, dos condicionantes físico-ambientais e dos 
condicionantes legais, facilitando assim o diagnostico da área e a melhor disposição 
do edifício no terreno. 
________________________________ 
1. Método utilizado para pontuar aspectos negativos, positivos, ameaças e oportunidades de um 
determinado equipamento e seu funcionamento. 
20 
 
Continuadamente, analisaram-se os estudos preliminares, gerando assim, o 
programa e dimensionamento da biblioteca proposta, bem como o memorial 
justificativo, o qual descreve as características técnicas e pragmáticas do projeto. 
O trabalho prossegue com as representações gráficas das perspectivas, planta de 
situação, planta de coberta, plantas baixas, cortes e fachadas, sendo finalizado com 
as conclusões e as referências bibliográficas a cerca de todo o estudo desenvolvido. 
Portanto, pretende-se com este estudo contribuir com a concepção de um 
anteprojeto de uma biblioteca pública para a cidade de Caruaru que no futuro 
dissemine o conhecimento e o apreço à leitura na região. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
1.1 Do livro a biblioteca 
 
Com o surgimento da escrita na antiguidade, o homem utiliza materiais, como o 
papiro e a argila, para registrar sua história e deixar seu legado no tempo. Com a 
evolução desses objetos, descobre-se o livro como se conhece hoje, elaborado a 
partir de papel manufaturado, sendo fonte de informação e conhecimento. 
Consequentemente nasce à biblioteca para arquivar registros e conservar a história 
cultural de um povo. 
A palavra biblioteca tem sua origem do vocábulo grego bibliothéke, que significa 
depósito de livros e fez-se conhecida em português através da palavra latina 
bibliotheca. E tem por definição: 
 “uma coleção pública ou privada de livros ou documentos 
congêneres, para estudo, leitura e consulta; Edifício ou recinto onde 
ela se instala; móvel onde se guardam e/ou ordenam livros”. 
(HOLANDA, 2005). 
Desde o centro de cultura mais conhecida da antiguidade, o de Alexandria², até os 
nossos dias essa instituição passou por várias modificações. Ao longo do tempo, 
foram transformando-se, à medida que crescia a ânsia por novas fontes de 
informação e cultura. Inicialmente, poucos tinham acesso ao conhecimento proferido 
nesse espaço, e com o passar do tempo a informação foi mudando de formato e 
velocidade, e mais recentemente, impulsionada pelo advento da internet o 
conhecimento foi-se democratizando. 
Do mesmo modo, de um simples depósito de livros para um espaço diversificado de 
informações e convívio, este passou a ser o papel das bibliotecas no mundo. Com 
conceitos e temas pertinentes à sociedade contemporânea, ela favorece o 
desenvolvimento cultural da população, seguindo o curso da história e adaptando-se 
à sociedade à qual está inserida. 
Como cita o pensador e escritor inglês Samuel Johnson (século XVIII)³ : 
 
“Nenhum lugar proporciona uma prova mais evidente da vaidade das 
esperanças humanas do que uma biblioteca pública”. 
 
__________________________________________________ 
 
2. Fundada pelo rei do Egito, Ptolomeu I Sóter no século III a.C. Fonte: Artigo de Antonio Carlos Pinho. 
Disponível em: <www.mundocultural.com.br>. Acessado em abril de 2011. 
3. Disponível em:<www.brasilescola.com/biografia>. Acessado em abril de 2011. 
22 
 
1.2 O porquê de uma Biblioteca? 
 
 
A importância do estudo das bibliotecas dá-se porque esta instituição não é apenas 
um espaço destinado à leitura e acúmulo de livros, mas também um ambiente que 
conecta e transforma pessoas através da colaboração da coletividade. Nele, inicia-
se a construção do conhecimento e sua proliferação, dando margem ao conceito de 
cidadania e desenvolvimento social, sendo um espaço livre de amarras e censuras, 
como cita o Manifesto da UNESCO (1994): 
 
"Liberdade, prosperidade e desenvolvimento da sociedade e dos 
indivíduos são valores humanos fundamentais. Eles serão 
alcançados somente através da capacidade de cidadãos, bem 
informados, para exercerem seus direitos democráticos e terem 
papel ativo na sociedade. [...] A biblioteca pública, porta de entrada 
para o conhecimento, proporciona condições básicas para a 
aprendizagem permanente, autonomia de decisão e desenvolvimento 
cultural dos indivíduos e grupos sociais." (Manifesto da UNESCO, 
1994). 
 
Baseado na premissa de que o acesso à cultura é o caminho para uma sociedade 
democrática e mais igualitária, sob o ponto de vista de inclusão social, percebe-se a 
importância em realizar uma pesquisa para a elaboração de um anteprojeto de uma 
biblioteca pública no município de Caruaru-PE, tendo em vista a importância desse 
espaço de inserção, ponto de encontro e perpetuação do conhecimento, pois 
segundo Milanese (2002, pág. 11): “os homens precisam repartir o pensamento 
criado, disseminando-o para garantir a posse do conhecimento”. 
Atrelado à importância cultural de uma biblioteca na cidade, emerge a necessidade 
de crescimento da população fundamentado no desenvolvimento social e intelectual, 
pois o município de Caruaru destaca-se no contexto populacional e econômico no 
estado. De acordo com o censo do IBGE (2010), o município possui 314.951 
habitantes, sendo o 4º município com maior população do estado de Pernambuco, e 
segundo o censo do IBGE (2000), possui um público flutuante de aproximadamente 
150.000 pessoas/mês, as quaissão atraídas pelo comércio e educação da região. 
Observou-se também, através de pesquisas em fontes indiretas e diretas que 
município de Caruru possui 307 estabelecimentos de ensino (escolas municipais, 
23 
 
estaduais, particulares e faculdades), totalizando 100.000 estudantes, além dos 
estudantes dos cursos profissionalizantes, técnicos e especializações (tabela 01). 
 
Tabela 01: Estatística do quantitativo de alunos no município de Caruaru. 
INSTITUIÇÕES DE ENSINO QUANT. Nº ALUNOS 
Escolas: 
 Escolas municipais 138 31.517 
Escolas estaduais 
 
26 32.000 
Escolas particulares 139 23.208 
Total: 
 
86.725 
Faculdades: 
FAFICA 
 
1 1.800 
ASCES 1 3.100 
FEDERAL 
 
1 2.807 
FAVIP 1 5.406 
Total: 
 
4 13.113 
Total geral: 99.838 
Fonte: Ana P. Vasconcelos, com dados oriundos da GERE e Secretaria de educação de Caruaru. 
 
 
Essa parcela da população, conforme “manual de normas de diretrizes das 
bibliotecas públicas no Brasil” (BRASIL, 2000) é a maior freqüentadora desse 
espaço de inserção no mundo do conhecimento, o que também se confirma em 
Caruaru devido à precariedade das bibliotecas escolares. (tabela 02). 
 
Tabela 02: Relatório de freqüência da Biblioteca Álvaro Lins 
 BIBLIOTECA ÁLVARO LINS 
 Relatório Geral 2010 (a partir do 2º Tri) 
 Freq geral Inscrições Consultas Empréstimos Freq.periódicos 
2º Tri 957 20 773 164 957 
3º Tri 4.183 113 3.114 756 4.183 
4º Tri 5.832 57 2.394 465 2.916 
Total: 10.972 190 6.281 1.385 8.056 
Fonte: da autora com dados oriundos da GERE Caruaru. 
24 
 
Portanto, apesar do crescimento econômico e populacional da cidade, a mesma não 
possui equipamentos que atendam à demanda cultural da comunidade que está 
baseada na cultura da feira, arte popular e festas folclóricas, sendo de fundamental 
importância um equipamento público que propicie o preenchimento das lacunas 
culturais e educacionais da comunidade, pois de acordo com o Ministério da Cultura 
(2000), todo município com população a partir de 50.000 habitantes deve ter uma 
biblioteca pública como suporte à aprendizagem e conhecimento. 
Para atender à demanda existente, a biblioteca Municipal Álvaro Lins (BMAL) foi 
inaugurada na cidade em março de 2010, com acervo de apenas 10.000 volumes e 
espaço limitado, cerca de 250m², que não condiz com as necessidades da 
população. Falta de acessibilidade, conforto ambiental e flexibilidade nos espaços 
internos, são alguns problemas encontrados na biblioteca local, como mostram as 
figuras abaixo (Figs. 01 a 07). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
Fig. 01: Biblioteca Municipal de Caruaru. 2011 
 
Fig. 02: Recepção (BMAL). 2011 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
Fig. 03: Acervo geral, BMAL. 2011 
 
Fig. 04: Sala de informática (BMAL). 2011 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
25 
 
 
 
 
 
Paralelamente ao crescimento populacional e econômico, a região desenvolveu 
vocação educacional, devido a sua posição estratégica, entre a capital e o sertão, 
sendo provedora de estabelecimentos de ensino para toda essa região (Fig. 08). 
 
 
 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
Fonte: Google (maps) 
Fig. 05, 06 e 07: Espaços para periódicos, Braille e infantil respectivamente - Biblioteca Municipal de Caruaru. 2011. 
Fig. 08: Localização do município de Caruaru no estado. 
26 
 
Deste modo, a população da cidade de Caruaru não possui um equipamento que 
propicie a velocidade e coerência necessárias às informações provenientes do 
mundo globalizado, o qual necessita de formatos diversos de mídia para captação 
dessas fontes de informação. Um espaço destinado à cultura e disseminação do 
conhecimento surge como respaldo à necessidade da população em consolidar sua 
cultura e agregar novos valores. 
Assim, este trabalho teve como foco o planejamento de uma biblioteca pública que 
preenchesse as lacunas educacionais da população e se tornasse um referencial na 
comunidade, engajando a sociedade local no conceito contemporâneo de biblioteca 
e melhorando o convívio sócio-cultural. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
2. PROCESSO METODOLÓGICO 
 
“Sou por meu gosto pesquisador. Experimento toda sede de 
conhecer a ávida inquietude de progredir, do mesmo modo que a 
satisfação que toda inquietude proporciona” (KANT, 1689-1755). 
 
Para atingir o objetivo pretendido da elaboração de um anteprojeto de uma 
Biblioteca Pública para a cidade de Caruaru, buscaram-se caminhos para execução 
de tal ação e ferramentas a serem utilizados para obtenção de repostas e soluções, 
pois segundo Gil (1991) Processo Metodológico “é um conjunto de procedimentos 
intelectuais e técnicos”, sendo assim, vislumbra réplicas a questões pertinentes a 
pesquisa. 
Deste modo, surgiu a escolha de alguns procedimentos metodológicos 
investigativos: 
 
2.1 Pesquisa Bibliográfica 
 
A pesquisa alimenta réplicas referentes a inquietudes provenientes de estudos e 
inquietações intelectuais, buscando respostas a indagações e percepções oriundas 
do desejo de conhecer e descobrir. 
Assim, utilizou-se esta pesquisa para alimentar e nortear este estudo, pois é a fonte 
teórica e conceitual desta pesquisa. Só a partir do estudo criterioso do tema 
puderam-se desenvolver conceitos próprios, organizar atos e fatos condizentes com 
o problema. A Pesquisa da literatura criou embasamento teórico sobre o conceito 
biblioteca e sua evolução funcional e contextual. 
Ressaltou-se a importância da pesquisa bibliográfica como base teórica ao 
desenvolvimento do trabalho, pois é um procedimento necessário ao estudo do tema 
que consiste na obtenção, escolha e resumos das informações recolhidas. De 
acordo com AMARAL (2007), podem-se conseguir tais informações manualmente, 
pesquisas em livros, ou eletronicamente, pela internet, CD-ROM, e-books. 
28 
 
Portanto, foi a partir do conhecimento adquirido através do estudo bibliográfico que 
se percebeu relevâncias sobre o tema sugerido, servindo como norteador para o 
projeto. 
 
2.2 Pesquisa em Campo 
 
É uma forma de orientar o estudo através das observações a equipamentos 
similares, acrescentando ao trabalho uma visão geral do objeto de trabalho e seu 
funcionamento. Pesquisa que analisa objetivamente os aspectos reais de um 
determinado fato ou tema. 
Esse tipo de pesquisa determina questionamentos relevantes ao objeto de estudo, 
compreendendo na prática aspectos físicos e funcionais do elemento em estudo. 
Portanto, através desse tipo de procedimento pode-se colher informações in loco e 
documentar as observações de forma escrita ou fotográfica. 
 
2.3 Entrevistas 
 
Oriundas das pesquisas de campo, essa ferramenta de pesquisa respondeu a várias 
indagações a respeito do tema proposto dando suporte informal à pesquisa. Através 
das entrevistas com bibliotecários e coordenadores pode-se conhecer melhor o 
objeto de estudo, suprindo a demanda por respostas práticas e funcionais, 
facilitando assim, o entendimento do conceito biblioteca, suas funções e divisões. 
 
2.4 Estudo de casos 
 
Esse tipo de pesquisa auxiliou na obtenção de respostas oriundas de questões onde 
a análise de fatos é imprescindível, auxilia nas analogias pertinentes através de 
coletas de dados, análise e conclusões das informações obtidas, pois segundo Yin 
29 
 
(2009) “o estudo de caso é uma estratégia de pesquisa empírica”. Possibilitam 
análises comparativas, sendo de fundamental importância o diagnóstico resultante 
para a elaboraçãode um projeto que atenda as necessidades contemporâneas de 
um centro de cultura como a Biblioteca Pública. 
Essa estratégia foi escolhida para verificar pontos intrínsecos ao tema, bem como 
sua funcionalidade. Com isso, pode-se nortear o trabalho em tese com base nos 
equipamentos existentes, obtendo informações importantes dos casos estudados, 
resultando num comparativo eficiente para a elaboração do equipamento pretendido. 
As etapas dos estudos seguiram-se da seguinte forma: seleção dos casos com 
estruturas físicas similares, porém com diferenças culturais e regionais; coleta de 
dados através de estudo em campo, entrevistas, obtenção de registros documentais, 
como plantas; e análise dos estudos. 
 
Demonstrou-se com o resultado dessa pesquisa semelhanças e diferenças entre os 
casos analisados dando suporte ao embasamento técnico e funcional à elaboração 
do anteprojeto de um centro de cultura eficiente. 
 
 
2.5 Análise comparativa 
 
Após o estudo de casos, comparativos e descritivos, originou-se a análise 
comparativa geral. O que se pode aproveitar dos estudos analisados e aplicar no 
objeto de estudo? Qual a semelhança e diferença entre os casos apresentados? 
Com base nessas perguntas perceberam-se quais os pontos constantes de cada 
objeto e sua funcionalidade, como também pontos que alteram a percepção geral de 
cada conceito. 
 
 
30 
 
2.6 SWOT 
 
"Concentre-se nos pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e 
proteja-se contra as ameaças " (SUN TZU, 500 a.C). Esta citação define claramente 
o conceito SWOT, que é uma método utilizado para analizar ambientes, 
determinando pontos relevantes para aprimorar e monitorar objetos ou objetivos. 
Segundo o site www.administracaoegestao.com.br (2011), SWOT significa Forças 
(Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças 
(Threats). 
Deste modo, esta análise foi uma ferramenta importante para a compreensão do 
contexto das bibliotecas estudadas, pois pontuou-se as relevâncias de cada projeto 
analisado, como seus pontos negativos, positvivos, suas ameças e oportunidades. 
Analisou-se cada estudo e pontuou-se esses quatro aspectos, assim criou-se um 
parâmetro entre eles e verificou-se o que pode ser utilizado ou evitado no projeto 
proposto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
3. REFERENCIAL TEÓRICO 
 
Alguns autores abordam o tema biblioteca de maneira similar, dando ênfase à 
importância desse equipamento como mediador cultural na vida cotidiana das 
pessoas. Segundo Milanese (2003), “a biblioteca é a mais freqüente instituição 
identificada com a cultura”. O mesmo autor acredita no poder de persuasão desse 
espaço na sociedade, desenvolvendo e repassando idéias a fim de tornar 
imortalizado o conceito de uma época. E afirma “... os homens precisam repartir o 
pensamento criado, disseminando-o para garantir a posso do conhecimento.” 
(MILANESE, 2002, p,12). 
MILANESE (2003) também questiona a forma que se constroem espaços para 
cultura, “ela é gerada sem conceito e sem programa” e diz “É muito mais fácil 
projetar um hospital ou uma cadeia: sabe-se exatamente para que servem e há 
especialistas para fornecer programas específicos aos que arquitetam as formas.” 
Assim, o autor contesta a forma, na maioria das vezes, desprovida de cuidados 
oriundos da falta de planejamento e diretrizes projetuais. 
Já no “manual Biblioteca Pública: princípios e diretrizes” (Brasil, 2000, pág.17) os 
autores argumentam que “a biblioteca é, pois, uma instituição que agrupa e 
proporciona o acesso aos registros do conhecimento e das idéias do ser humano 
através de suas expressões criadoras”. E em relação ao espaço de cultura 
argumentam que “a biblioteca pública é o espaço privilegiado do desenvolvimento 
das práticas leitoras, e através do encontro do leitor com o livro forma-se o leitor 
crítico e contribui-se para o florescimento da cidadania.” 
E continua o manual (pág. 50): “A biblioteca deve ser planejada como uma série de 
áreas interligadas, mas de uso bem definido, por onde as pessoas possam circular 
livremente e escolher livros e outros materiais, sem atrapalhar as pessoas que estão 
lendo ou estudando.” 
Ponto de vista comum com os autores acima tem o Manifesto da UNESCO (1994): 
“A biblioteca pública é o centro local de informação, disponibilizando prontamente 
para os usuários todo tipo de conhecimento.” 
32 
 
Portanto, com base nos autores já citados percebeu-se que os espaços destinados à 
biblioteca devem ser flexíveis, dinâmicos e interligados, fazendo com que o leitor 
perceba todas as oportunidades fornecidas por um ambiente de introspecção, lazer 
e cultura, o qual conecta o usuário ao conhecimento. 
Assim, percebeu-se a importância de se projetar um centro de cultura de forma 
adequada, com características pertinentes a cada setor, pois a biblioteca possui 
espaços diversos que se conectam de forma harmoniosa, ambientes introspectivos 
dialogam com setores de convivência. Dessa forma, o projeto de uma biblioteca 
requereu prudência e racionalidade. 
Assim, atrelados a estes argumentos e conceitos emergiu o embasamento teórico 
necessário para percepção do equipamento biblioteca como um todo, pois foi de 
fundamental importância conhecer o objeto de estudo e sua conjectura na 
comunidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
 
4. ESTUDO DE CASOS 
 
A proposta desse estudo teve como objetivo identificar analogias e diferenças entre 
os projetos analisados com o intuito de obter um referencial para o anteprojeto 
pretendido. 
O primeiro estudo é do projeto da Biblioteca Pública de Pernambuco, localizada no 
bairro Santo Amaro, Recife-PE, com 5.206m², distribuídos em três pavimentos. O 
projeto é dos arquitetos Castro e Esteves. Atualmente a biblioteca possui um projeto 
de reforma e ampliação em curso feito pela arquiteta Silvana Marta Affonso Ferreira. 
A segunda análise é do projeto para a Biblioteca Pública de Santa Catarina, o qual 
ficou com o 1º lugar no concurso de projetos, sendo autores: Bruno Conde, Filipe 
Gebrim Doria, Filipe Lima Romeiro, Lucas Bittar. O edifício localiza-se na área 
central da cidade de Florianópolis e possui 3.804m², dispostos em seis pavimentos. 
O terceiro estudo é da Biblioteca de Montarville, localizada em Quebec, Canadá. A 
edificação localiza-se na área central da pequena cidade de Boucheville, com cerca 
de 40.000 habitantes. Projeto oriundo de um concurso para reforma e ampliação da 
sede da biblioteca existente, proposto pelos arquitetos Briere, Gilbert e Associados. 
O edifício é composto por três pavimentos e possui uma área aproximada de 
3.170m². 
A escolha desses projetos deu-se para avaliar equipamentos de diferentes níveis 
regionais e culturais. O primeiro estudo, uma biblioteca do estado do projeto 
pretendido (Pernambuco), o segundo de um equipamento de outro estado do Brasil 
(Santa Catarina) e o último de uma edificação no exterior (Canadá). Com isso, 
observam-se propostas diferentes e percebe-se qual a constância no conceito 
dessas edificações, além de observações pertinentes a serem utilizadas no modelo 
proposto. 
 
 
 
 
34 
 
4.1 Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (BPEP) 
 
Fig. 09: Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
Segundo os dados da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, a mesma foi 
construída na época da ditadura, sua edificação iniciou-se em 1968, na gestão de 
Nilo De Souza Coelho, e foi inaugurada em 1971. O edifício mostra esse 
conservadorismo atribuído a tal regime, onde os livrosnão ficavam a mostra e o 
usuário não tinha relação direta com o acervo (Fig. 09 e 10). 
 
Fig. 10: Planta de locação e coberta da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco.
 
Fonte: Secretaria de Educação de Recife, Departamento de obras, setor de Arquitetura. 
35 
 
De acordo com dados fornecidos pela BPPE, a mesma possui área de 5.206m², e 
freqüência média de 1.200 usuários por dia, cerca de 24.000 por mês. 
A distribuição dos espaços da-se da seguinte forma: no térreo localiza-se o setor 
reservado da biblioteca, como o Acervo Geral, Coleção Pernambucana, 
Processamento técnico, depósito e CFTV, o setor Infanto-Juvenil e o setor de 
Empréstimos (Fig. 11). 
 
 
Fig. 11: Planta baixa do pav. Térreo - Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
No 1ª pavimento o espaço é dividido entre Periódicos, Referências, Braille, e salas 
de leitura, além do guarda volumes. No mezanino funciona o setor administrativo, 
espaço para internet, sala de línguas e setor de restauro e manutenção (Fig. 12). 
 
Fig. 12: Planta baixa do 1º pav. - Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco 
„ 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
36 
 
Observa-se no interior do equipamento o uso do concreto aparente com fechamento 
exterior em vidro e esquadrias de alumínio. O edifício possui três pavimentos, térreo, 
1º pav. e mezanino, distribuídos de forma a compor um grande vão central com pé 
direito monumental (Fig. 13 e 14). 
 
 
 
Fig. 13: Planta baixa do 2º Pav. - Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco.
 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 14: Fachada da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco com a ampliação á esquerda. 
 
Fonte: Secretaria de Educação de Recife, Departamento de obras, setor de Arquitetura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
37 
 
A Biblioteca do Estado de Pernambuco é um equipamento que atende às 
necessidades da comunidade a qual está inserida em relação ao espaço e acervo, 
pois possui grande área para futura expansão, ambientes amplos e fechamentos 
exteriores em vidro, acolhendo assim a iluminação natural. Por outro lado, esses 
ambientes espaçosos não dialogam com os usuários, os quais não têm acesso 
direto aos livros, necessitando de intermediadores para concluir tarefas comumente 
feitas pelos próprios usuários. 
O edifício da BPEP é composto por volumes concebidos em concreto aparente de 
forma retangular envolvidos por brises que protegem as fachadas poentes, dando 
funcionalidade e retidão à edificação. No interior do equipamento percebe-se a falta 
de atratividade lúdica no setor infantil e adequada divisão interna de fluxos e 
ambientes (Figs. 15 a 24). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
Figs. 15 e 16: Fachada principal da Biblioteca Pública de Pernambuco 
Figs. 17 e 18: Fachada principal e acesso da Biblioteca Pública de Pernambuco 
38 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
Figs. 19 e 20: Guarda volume e hall da Biblioteca Pública de Pernambuco 
Figs. 21 e 22: Espaço para periódicos e setor infantil da Biblioteca Pública de Pernambuco 
Figs. 23 e 24: Setor de restauro e circulação do 2º pav. da Biblioteca Pública de Pernambuco 
39 
 
O equipamento está com uma reforma em curso, onde será implantado um anexo 
com dois pavimentos, no 1º piso será disposto o acesso principal, salão de 
exposição, auditório, café e no 2º pavimento o setor de periódicos. Assim, a 
Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco se enquadrará no conceito 
contemporâneo de espaço para leitura que é o dialogo entre o usuário, os espaços e 
os livros de forma harmônica, criativa e lúdica. 
 
 
 
 
4.2 Biblioteca Pública de Santa Catarina (BPSC) 
 
 
 
Fig. 25 : Biblioteca Pública de Santa Catarina 
 
Fonte: <wwwconcursosdeprojetos>. Acessado em: 05/05/2011. 
 
40 
 
A Biblioteca Pública de Santa Catarina localiza-se na cidade de Florianópolis, a qual, 
segundo censo do IBGE 2010, possui população de 404.224 habitantes, e uma área 
de 3.800m², a BPSC é freqüentada por cerca de 20.000 usuários por mês. 
A readequação do edifício da BPSC (Fig. 25) desenvolve-se com o intuito de tornar 
o equipamento um marco na comunidade. Busca-se assim, harmonia entre os 
espaços internos, com a disposição de ambientes amplos que transmitem fluidez, 
alternando com espaços que sugerem introspecção e reflexão, e a integração com o 
exterior, refletida pela fachada contestadora e convidativa. 
O edifício é composto por seis pavimentos, distribuídos de forma a agregar os 
diversos ambientes que formam o equipamento. Observam-se também, as 
necessidades em atender questões técnicas e operacionais que envolvem um 
projeto de biblioteca – Distribuição de fluxos, setorização dos ambientes e 
condicionantes ambientais. Para solucionar as questões técnicas, dividiu-se o 
programa em quatro partes: 1. Acesso/Café/Periódicos,Diários/ Espaço de 
Eventos/Auditório; 2. Divisão de Pesquisa e Memória; 3. Divisão Infanto-
Juvenil/Serviço de Multimídia e Internet/Divisão de Atendimento ao Usuário; e 4. 
Divisão Administrativa Geral/Serviços (Fig. 26). 
 
Fig. 26: Setorização e distribuição dos espaços da Biblioteca Pública de Santa Catarina
 
Fonte:< wwwconcursosdeprojetos>. Acessado em: 05/05/2011. 
 
41 
 
O Setor 1 – localiza-se no pavimento térreo, acolhe o usuário e serve como 
mediador do espaço externo e interno distribuindo o fluxo interno. Desse pavimento 
o usuário pode acessar o pavimento inferior e Divisões diversas, do 1º ao 4º pisos 
(Fig. 27). 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 27: Planta baixa do pav. Térreo da Biblioteca Pública de Santa Catarina 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos>. Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
 
No Setor 2 - Disposto no pavimento inferior, apresenta áreas de introspecção e 
pesquisa, ambiente mais reservado do edifício, com controle de temperatura e 
iluminação, alternando com o auditório que promove grande fluxo ao local (Fig. 28). 
 
 
 
 
42 
 
Fig. 28: Planta baixa do pav. inferior da Biblioteca Pública de Santa Catarina 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos>. Acessado em 05/05/2011. 
 
Setor 3 - Composto por três pavimentos, onde concentra a maior área do 
equipamento, diferenciando-se sua setorização por fechamentos dispostos a 
transmitir ora transparência, ora opacidade (Figs 29 a 31). 
 
Fig. 29: Planta baixa do 1º pav. da Biblioteca Pública de Santa Catarina 
ESC. GRÁFICA
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos>. Acessado em 05/05/2011. 
43 
 
Fig. 30: Planta baixa do 2º pav. da Biblioteca Pública de Santa Catarina 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
Fig. 31: Planta baixa do 3º pav. da Biblioteca Pública de Santa Catarina
ESC. GRÁFICA
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos>. Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
Setor 4 – locado no último piso da edificação situa-se a área administrativa da 
biblioteca, onde se concentra os serviços diversos para gerir todo o edifício (Fig. 32). 
44 
 
Fig. 32: Planta baixa do 4º pav. da Biblioteca Pública de Santa Catarina 
 
Fonte: wwwconcursosdeprojetos.org/2010/04118/bibliotecapublicadesantacatarina 
 
 
A BPSC possui forma regular, com traços retos e a disposição dos ambientes 
respeita a hierarquia dosfluxos, onde nota-se que a mesma foi divida por setores de 
forma a coibir ou influenciar os devidos usos do edifício, como mostra as figuras 33 a 
40. 
Fig. 33: Corte AA da Biblioteca Pública de Santa Catarina
 
Fonte:< www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
45 
 
Fig. 34: Corte BB da Biblioteca Pública de Santa Catarina
 
Fonte: <wwwconcursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 35: Corte CC da Biblioteca Pública de Santa Catarina
 
Fonte: <wwwconcursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
46 
 
Fig. 36: Corte DD da Biblioteca Pública de Santa Catarina
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
Fig. 37: Vista do Pav. Inferior da Biblioteca Pública de Santa Catarina
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
Fig. 38: Vista Pav. Térreo da Biblioteca Pública de Santa Catarina
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
47 
 
Fig. 39: Vista do 1º Pav. da Biblioteca Pública de Santa Catarina.
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
 
Fig. 40: Vista do 3º Pav. da Biblioteca Pública de Santa Catarina.
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
A localização do edifico, de esquina, favorece o acesso do público em geral. Na 
composição externa do edifico observa-se que o mesmo é envolvido por brises 
verticais, composto por aletas metálicas, posicionadas a 60cm do fechamento 
interno. A coberta é de estrutura metálica leve e telha composta com tratamento 
termo-acústico. Internamente, a circulação principal é feita através de uma escada 
em estrutura metálica disposta livremente nos pavimentos (Fig. 41). 
48 
 
Fig. 41: Materiais utilizados na composição da Biblioteca Pública de Santa Catarina
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O projeto é pertinente e eficiente, pois atende às necessidades contemporâneas de 
uma biblioteca pública, além de pensar na otimização dos espaços e adequada 
comunicação com os usuários, como por exemplo, o Layout organizado livremente 
na Divisão Infanto-Juvenil, o qual se adéqua a forma lúdica que inspira a infância e 
juventude. 
 
 
 
 
 
 
49 
 
4.3 Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá 
 
 
Realizou-se um concurso na cidade de Boucherville, Quebec, Canadá para a 
reforma e ampliação da biblioteca de Montarville, a qual se situa na área central da 
cidade de Boucheville com população de 40.000 habitantes. A biblioteca possui uma 
área total de 3.170m² (Fig. 42). 
 
Fig. 42: Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
A região é envolvida por uma floresta que inspira a leitura e o convívio com a 
natureza. Com toda essa riqueza natural os arquitetos utilizaram um partido que 
impulsiona os usuários a um contato direto com o verde, disponibilizando os 
ambientes para serem acolhidos pela natureza, como o uso de grandes paredes de 
vidro e revestimento de madeira (Fig.43). 
 
 
 
 
 
50 
 
Fig. 43: Implantação - Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
O equipamento possui três pavimentos de forma retangular, revestimento em 
madeira de cedro natural e alguns fechamentos em vidro. Internamente grandes 
espaços compõem os ambientes que possuem forma livre, com adequada 
iluminação dada pelo posicionamento da edificação na disposição sul, o que nessa 
área favorece a entrada de luz natural. 
O edifício da biblioteca divide-se em onze setores: 1 - Recepção central; 2- 
Empréstimo/Devolução; 3 - Audiovisual; 4 - Documentário adulto; 5 - Referência 
Bibliografia eletrônica; 6 - História e Genealogia; 7 - Romances para adultos; 8 - 
Periódicos; 9 - Adolescentes; 10 – Infantil; 11 – Serviços técnicos e auxiliares, como 
mostra as figuras 44 a 48. 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
 
Fig. 44: Planta baixa do pav. inferior, térreo, 1º e 2º pav. - Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá
 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
 
Fig. 45: 1º Pav.da Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá 
 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 46: 2º Pav.da Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá 
 
 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
53 
 
Fig. 47: Pav. inferior e pav. térreo da Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 48: Elevação sul e corte longitudinal da Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
54 
 
O edifico é racional e fluido, possui forma retangular e grandes fechamentos em 
vidro, promovendo a iluminação natural e a conexão com a floresta existente. 
Percebe-se um conceito ecológico, sendo empregados materiais da terra, como o 
cedro, madeira proveniente dessa região. Com isso, a proposta é integrar 
visualmente o ambiente interno com a mata existente no entorno, promovendo 
sensação de tranqüilidade e reflexão (Fig. 49 a 54). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figs. 49 e 50: Interior da Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
55 
 
 
 
Figs. 51 e 52: Setor Infantil e fachada da Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá 
 
 Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figs. 53 e 54: Biblioteca de Montarville, Quebec, Canadá 
 
Fonte: <www.concursosdeprojetos> Acessado em 05/05/2011. 
 
 
56 
 
A percepção é de ambientes voltados para leitura e introspecção, sem espaços de 
convivência como um café ou auditório, fato esse disposto pela diferença cultural, 
pois os canadenses são condicionados desde cedo a freqüentar bibliotecas, não 
carecendo para isso de uma recepção provida de atrativos convidativos. 
Sendo assim, esse espaço atende às necessidades locais de uma biblioteca pública, 
pois o equipamento possui ambientes amplos e diversificados, além de um apelo 
ecológico que desperta a ciência nos usuários em utilizar técnicas sustentáveis em 
sua comunidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
57 
 
4.4 Análise comparativa 
 
Após observações pertinentes sobre questões que envolvem o ambiente das 
bibliotecas públicas, do estudo de casos e coleta de dados, perceberam-se 
elementos que podem contribuir para um projeto mais preciso e adequado a 
população de Caruaru. 
Dentre o estudo de casos adotados, observam-se três estruturas físicas distintas 
pela região de locação, tamanho, cultura, disposição de setores e diversidade dos 
ambientes, porém existem pontos em comum a todas as bibliotecas analisadas 
(tabelas 03 e 04). 
Percebem-se questões similares entre os equipamentos enumerados como: 
heterogeneidade de ambientes, divisão por faixa etária, interesse e função; 
posicionamento do auditório, hall, salão de exposição próxima a entrada principal e o 
setor infanto-juvenil separado, em local amplo, lúdico e convidativo; e a presença de 
espaços de convívio e lazer. 
Outro fator importante verificou-se nos dimensionamentos dos ambientes, como 
espaços destinados para o setor Infanto-Juvenil, o qual ocupagrande área das 
bibliotecas estudadas. E, conforme o Manual de Diretrizes para Bibliotecas Públicas 
(Brasil, 2000), esse setor é responsável por boa parte da área dessas edificações. 
O conceito utilizado nas edificações está atrelado ao que se quer propor 
especificamente a cada comunidade, e a forma de transmitir essas considerações a 
determinado público. No contexto geral, os equipamentos tentam ser atrativos, 
utilizando o conceito contemporâneo de biblioteca que é aproximar o público desse 
ambiente de inserção, dispondo espaços livres, convidativos, os quais não só 
educam como entretêm. 
Na questão das dimensões dos ambientes (Tab.04), o estudo mostrou certa 
proporcionalidade em relação a áreas comuns às edificações de acordo com a área 
total de cada equipamento. 
 
58 
 
Tabela 03: Comparativo entre os estudos de caso. 
TABELA COMPARATIVA ENTRE OS ESTUDOS DE CASO 
BIBLIOTECA 
PÚBLICA 
BIBLIOTECA PÚBLICA DO 
ESTADO DE PERNAMBUCO 
BIBLIOTECA PÚBLICA DE SANTA 
CATARINA 
BIBLIOTECA DE 
MONTARVILLE 
Descrição 
geral do 
equipamento 
Biblioteca Pública do Estado de 
PE 
Rua João lira, s/n, Santo Amaro, 
Recife-PE 
Arquitetos: Castro e Esteves 
Arquiteta (reforma e ampliação): 
Silvana Marta Affonso Ferreira 
Área terreno: 7.418m² 
Const. Existente: 5.206m² 
Ampliação: 1.457m² 
Área construida (com 
ampliação): 6.662m² 
 
Biblioteca Pública de Santa Catarina, 
Rua Tenente Silveira, 343 
Florianópolis – SC 
Criada em 31 de maio de 1851, 
inaugurada em 7 de janeiro de 1855. 
1º lugar no concurso. Autores: Bruno 
Conde, Filipe Gebrim Doria, Filipe 
Lima Romeiro, Lucas Bittar. 
Área: 3.804m². 
Biblioteca de Montarville, 
Quebec, Canada 
1º lugar Concurso - 
Arquitetos: Briere, Gilbert e 
Associados 
Área existente: 1.700 m2 
Área de expansão: 1.470 
m2 
Área total: 3.170m² 
Ano do projeto: 2009 
Partido 
arquitetônico 
adotado 
A construção existente foi 
desenvolvida na época da 
ditadura e seus espaços 
demonstram a seriedade e 
introspecção condizentes com a 
época. Os espaços reservados 
e os livros não ficam a mão do 
usuário. 
No projeto recente de 
ampliação, a arquiteta trabalhou 
o conceito de atualização do 
edifício a época atual, dando 
fluidez, dinâmica e atratividade 
aos espaços. 
Readequação do edifício da BPSC. 
Desenvolvido a partir das 
necessidades em atender questões 
técnicas e funcionais que envolvem 
um projeto de biblioteca – Distribuição 
de fluxos, setorização dos ambientes 
e condicionantes ambientais. Dividiu-
se o programa em quatro partes: 
âncora (pav. Inferior), área de 
transição (térreo), Divisões diversas 
( 1º ao 3º pav.) e Divisão geral 
Administrativa/Serviços. 
Externamente o edifício diferencia-se 
das construções locais, criando um 
diálogo marcante através deu sua 
fachada intrigante, e no interior acolhe 
os visitantes com espaços atrativos, 
diversificados, fluidos e amplos. 
O projeto de ampliação e 
renovação da biblioteca de 
Montarville foi pensado 
para aproximar os usuários 
da natureza ao redor, pois a 
biblioteca fica próximo a 
uma floresta, uma ligação 
do espaço interno com o 
externo através do conceito 
de introspecção aliado a 
natureza, um convite a 
contemplação das idéias 
ecologias e locais. 
 
Aspectos 
Construtivos 
A construção antiga é de 
concreto aparente, pé direito 
monumental, janelas com 
esquadrias de alumínio e vidro, 
portas de madeira e divisórias 
de madeira. A fachada é 
composta por brise soleil 
metálico vertical. Piso de 
mármore na maioria dos 
ambientes e piso cerâmico no 
restante. Parapeito do 
pavimento superior de concreto 
aparente. 
O edifício é envolvido por um brise 
soleil, composto de aletas metálicas, 
posicionadas a 60cm do fechamento 
interno. A coberta é de estrutura 
metálica leve e telha composta com 
tratamento termo-acústico. A 
circulação principal é feita através de 
uma escada em estrutura metálica 
solta. 
O Edifício é composto por 
três pavimentos. O uso da 
madeira, cedro natural, na 
fachada transmite o 
acolhimento e o vidro faz a 
ligação entre os dois 
espaços: exterior e interior. 
A fachada de concreto 
aparente, esquadrias de 
alumino e vidro, faz um 
contraste entre 
transparência e opacidade. 
Questões 
espaciais 
externas 
O edifício está localizado 
próximo a escolas e praças, 
possui fluxo intenso de veículos 
e pedestre. 
A condição urbana do edifico, de 
esquina, favorece o fluxo intenso e 
acesso do público em geral. 
O edifico está localizado na 
área central da pequena 
cidade de Boucherville, 
envolvido por uma floresta, 
possui fluxo moderado. 
Questões 
espaciais 
internas 
A construção existente possui 
três pavimentos, distribuídos de 
forma concisa e estática, não 
sendo convidativo ao usuário. 
O edifício é composto por seis 
pavimentos, distribuídos de forma a 
integrar alguns ambientes e em outros 
a gerar introspecção necessária a 
alguns setores. 
Os espaços internos são 
amplos e conectam-se de 
forma harmoniosa. As 
divisões existentes são 
necessárias e eficientes, 
como é o caso da área 
infantil, multimídia e acervo 
de memória. 
Mobiliário 
 
Mobiliário deficiente, não 
dialoga com o lugar. Espaço 
infantil desprovido de 
imaginação. Falta cor, vida ao 
mobiliário para serem atrativos 
ao usuário 
Na divisão infanto-Juvenil o layout é 
definido com estantes de 1,20m de 
altura, posicionadas livremente. Nos 
outros ambientes as estantes são 
posicionadas de forma linear, 
convidando os usuários a um passeio 
intelectual. 
O mobiliário é funcional, 
diversificado e objetivo, 
proporcionando 
versatilidade aos espaços 
internos da biblioteca. 
Acervo 220.000 volumes 115.000 volumes X 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, sobre dados do site www.concursodeprojetos.org. 
 
 
 
59 
 
Tabela 04: Dimensionamentos dos ambientes dos estudos de caso. 
 
PROGRAMA/SETOR 
BIBLIOTECA DE 
PERNAMBUCO, sem 
ampliação (*) 
BIBLIOTECA 
PÚBLICA DE 
SANTA CATARINA 
(*) 
BIBLIOTECA DE 
MONTARVILLE 
Acesso/Social 
Hall/ Espaço p/Eventos/Salão 
Multifuncional/Foyer 
291m² 124m² Hall: 40m² 
Sala Multifuncional: 
60m² = 100m² 
Café ------ 31m² ----- 
Guarda volumes 45m² 58m² ----- 
Área de leitura 291m² 77m² 75m² 
Empréstimo e devolução 195m² 20m² 50m² 
Espaço p/ Periódicos/Diários 125m² 20m² 52m² 
Auditório/Espaço p/ oficina Oficina – 85m² 102m² ----- 
Braille 195m² ----- ----- 
WC 80m² 20m² 33m² 
ÁREA TOTAL DO SETOR 1.307m² 452m² 310m² 
Divisão de Pesquisa e Memória 
Acervo reservado/Pesq e memória 173m² 72m² 15m² 
Áreas de leitura ----- 55m² 15m² 
Laboratório e oficinas de restauro 38m² 22m² 15m² 
Laboratório de encadernação e 
conservação 
----- 22m² 15m² 
Atendimento ----- 9m² 12m² 
Depósito/Almoxarifado 2x31m²=62m² 12m² 20m² 
CFTV 9m² 3m² ----- 
WC 48m² 11m² ----- 
Serviço de processamento técnico 105m² 15m² ----- 
ÁREA TOTAL DO SETOR 435m² 221m² 92m² 
Divisão Infanto-
Juvenil/Multimídia/internet 
 
Divisão Infanto-Juvenil 105m² 300m² 232m² 
Sala TV/DVD/Espaço criativo ----- 22m² 20m² 
Computadores ----- 37m² 18m² 
WC 35m² 36m² 6m² 
ÁREA TOTAL DO SETOR 135m² 395m² 276m² 
Divisão de atendimento ao usuário 
Acervo referência/catálogos 90m² 30m² 450m² 
Acervo referência eletrônico ----- ----- 100m² 
Atendimento 9m² 14m² ----- 
Acervo geral 555m² 190m² 100m² 
Audiovisual/Internet 95m² X 54m² 
Área de estudo/leitura 100m² 390m² 200m² 
ÁREA TOTAL DO SETOR 849m² 624m² 904m² 
Divisão Geral/Serviços gerais 
Administração 44m² X X 
Direção 70m² 35m² 9m² 
Espera/Recepção X 15m² 11m² 
Secretaria/Telefonista X 7m² X 
Coordenação/Ação cultural54m² 40m² 20m² 
Sala Reunião X 43m² 20m² 
Área serviço X 9m² 
Copa 10m² 24m² 22m² 
Vestiários/WC 28m² 36m² 21m² 
Arquivo administrativo X 44m² 18m² 
Serv. Tecnologia, Informação e com X 34m² 82m² 
Acessoria de cultura, extensão e proj. 40m2 39m² ----- 
Sala direitos autorais 17m² ----- ----- 
ÁREA TOTAL DO SETOR 263m² 326m² 203m² 
ÁREA TOTAL (**) 2.989m² 2.018m² 1785m² 
(*) valores aproximados devido a falta de escala correta, buscou-se uma escala equivalente. 
(**) apenas dimensionamentos dos ambientes. 
----- Não se aplica 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, elaborada a partir do site www.concurosdeprojetos.gov. 
 
 
 
60 
 
No contexto geral, não existe regras fixas para dimensionamento entre os estudos 
analisados, são modificados conforme importância que cada equipamento propõe a 
determinado setor, e posicionamento hierárquico em relação aos demais espaços. 
Portanto, essa análise teve a intenção de concatenar idéias afins e ordenar 
prioridades para o anteprojeto, propondo com isso embasamento técnico para o 
desenvolvimento do projeto. 
 
4.5 Aplicação do SWOT nos estudos de caso 
 
Após análise comparativa oriunda do estudo de casos, notaram-se pontos 
relevantes nos projetos que podem enfraquecer e ameaçar, ou outros que facilitam e 
melhoram a intenção projetual. 
Assim, originou-se a análise SWOT, onde foram verificados os pontos principais e 
determinantes de cada projeto estudado, gerando a tabela abaixo: 
Tabela 05: Análise SWOT 
 BIBLIOTECA PÚBLICA DO ESTADO DE 
PERNAMBUCO (1) 
BIBLIOTECA PÚBLICA DE 
SANTA CATARINA(2) 
BIBLIOTECA DE 
MONTARVILLE(3) 
 
 
 
 
PONTOS NEGATIVOS 
 
 
 
 
- Os ambientes não demonstram conexão 
com a época atual, tanto no quesito de 
conexões internas como externas; 
 
- O edifício não é convidativo, pois o acesso 
aos usuários e pedestres é escondido e 
recuado. 
- Não possui WC infantil; 
- Área p/ leitura desprovida de 
tratamento acústico; 
- Não possui estacionamento; 
- O edifício não possui setor de 
Braille, salas para cursos ou 
oficinas 
- Não possui café e auditório 
 
 
AMEÇAS 
 
 
- A possibilidade da freqüência dos usuários 
da biblioteca diminuir, por a mesma não ser 
atrativa, não convidar o público a usufruir 
dos ambientes 
 
- A falta de estacionamento 
pode ocasionar diminuição da 
freqüência dos usuários no 
edifício. 
- O equipamento não possui 
ambientes internos de 
convivência,podendo ocorrer 
diminuição da frequência dos 
usuários. 
 
 
 
PONTOS POSITIVOS 
 
 
 
- Possui WC infantil; 
- Climatização dos ambientes; 
- Setor de Braille; 
- Programa diversificado 
- Dispõe de grande área, podendo ser 
expandida, como está acontecendo no 
momento; 
- Localização central, próximo a praças e 
escolas; 
- Possui estacionamento 
- Boa resolução no quesito de 
diversidade de ambientes, 
alguns amplos, integradores, 
outros introspectivo; 
- Climatização necessária no 
pavimento inferior 
 
- Ambientes com boa 
conexão entre si; 
- O espaço exterior dialoga 
com seu interior e o entorno; 
- Diversidade de ambientes 
 
 
 
 
POTENCIALIDADES 
 
 
- O fato de possuir estacionamento facilita a 
freqüência dos usuários, pois no entorno 
não há muitos locais para estacionar 
veículos. 
- Área para expansão favorece atualização 
do equipamento. 
- A localização do edifício promove o 
equipamento, pois pode ser facilmente 
acessado pelos usuários. 
- Edifício convidativo, atrai os 
usuários a conhecer o local; 
- Por ter ambientes integrados e 
diversificados há uma boa 
freqüência de usuários, cerca 
de 20.000 por mês. 
- Atrair os usuários pelas 
propostas sustentáveis; 
- Dispõe de espaços para 
ampliação 
Fonte: Da autora, elaborada a partir de pesquisas em fontes diretas e indiretas 
61 
 
Dentre os principais fatores pontuados com a utilização do SWOT (Tab. 05), 
observou-se que há aspectos funcionais que alteram a dinâmica de um projeto de 
biblioteca. Os pontos negativos do primeiro estudo de caso, a falta de diálogo entre 
os ambientes e o fato do edifício não ser atrativo pode desencadear na iminência de 
diminuição da freqüência dos usuários, e por outro lado, há pontos positivos no 
edifico como possuir setor de Braille, ambientes climatizados, WC infantil e um 
programa diversificado, gerando várias potencialidades como a facilidade do acesso, 
por ter uma localização central e estacionamento. 
No segundo estudo verificou-se que o equipamento não possui setor de Braille, 
ambientes para leitura com tratamento acústico adequado e estacionamento, 
podendo ocasionar a diminuição da freqüência. Por outro lado, há várias percepções 
interessantes no projeto desse centro, como a boa resolução nas questões de 
funcionalidade e diversidade dos ambientes, sendo com isso um espaço convidativo 
e dinâmico. 
O terceiro estudo mostrou um equipamento diferente dos costumeiros centros 
contemporâneos de cultura, pois não possui espaços de convivência que convidam 
o público a utilizar outros serviços. É um equipamento funcional, racional e possui 
boa resolução projetual. 
Com essa análise observou-se que para atender a comunidade onde o equipamento 
está sendo inserido é necessário ressalvar a cultura local e fazer com que o edifício 
seja convidativo para os usuários. Porém, algumas questões são relevantes a todo 
projeto de biblioteca como a funcionalidade, dinâmica e atratividade dos ambientes. 
Nota-se que o conceito desse equipamento cultural mudou ao longo dos tempos, 
fato este que pode ser visto na BPEP, a qual possui um projeto de reforma e 
ampliação para atender as novas necessidades dos usuários que carecem de 
espaços de convivência e ambientes flexíveis e dinâmicos que dialoguem entre si. 
Portanto, com essa ferramenta analisou-se questões determinantes que alteram o 
conceito e funcionalidade dos equipamentos avaliados, sendo um instrumento 
importante para o desenvolvimento do anteprojeto. 
 
 
62 
 
5. PROGRAMA E PRÉ-DIMENSIONAMENTO 
 
O programa e o dimensionamento de um espaço como a biblioteca nascem das 
necessidades da população e são concebidos para atender à comunidade onde está 
inserida. Devem-se analisar as questões sociais, tamanho da população e legado 
cultural para a formação de espaços e distribuição dos setores e fluxos, além de 
insolação, ventilação, vegetação e análise do entorno. 
Não há regras fixas na elaboração de um projeto para biblioteca, tem-se que 
verificar o que se quer transmitir com esse equipamento e qual público atingir, pois 
segundo Milanese (2003), não existe demanda clara por parte da população em 
relação às atividades culturais, assim, deve-se observar a população, seus anseios 
e objetivos, além do que os espaços devem ser multifuncionais, informativos e 
integrados, ou seja, “Devem informar, discutir e criar” (MILANESE, 2003). Três 
elementos devem integrar esse espaço: setor do conhecimento, áreas de 
convivência e salas de oficinas e laboratórios. 
Assim, Milanese (2003) em seu livro “A casa da Invenção”, propõe alguns pontos 
abaixo (Tab. 06). 
 
 
Tabela 06: Sugestão de dimensionamento para espaços culturais1 
SUGESTÕES DIMENSIONAMENTO PARA ESPAÇOS DE CULTURA, 
MILANESE (2003) 
ESPAÇOS DA 
BIBLIOTECA 
MÁXIMO MÍNIMO 
ÁREA TOTAL 100 hab/m² 30 hab/m² 
ACERVO 3 títulos/hab. 8 hab/títulos 
CONVIVÊNCIA 1/3 da área total 1/6 da área total 
INFANTIL 1/3 da área total 1/6 da área total (só acervo 
bibliográfico) 
MULTIMIDIA 1 terminal p/ cada mil 
habitantes 
1 terminal p/ cada 10 mil 
habitantes 
FUNCINÁRIOS 1 p/ cada 2.000 
habitantes 
1 p/ 20.000 habitantes 
AUDITÓRIO 300 assentos ou mais 150 assentos ou 360m² 
Fonte: Daautora, elaborado a partir de dados oriundos de: MILANESI, Luís. (2003, pág.236 a 250) 
 
 
63 
 
Dessa análise recomenda-se que para a população de Caruaru, a qual possui cerca 
de 300.000 habitantes, a área mínima da biblioteca para atender a demanda 
populacional é de 3.000m² e a máxima de 10.000m², assim como dever possuir 
capacidade mínima de 100 hab/m² e máxima de 30 hab/m². Dessa área proposta de 
1/3 a 1/6 devem ser reservados para área de convivência, e também 1/3 a 1/6 da 
área total devem ser destinados ao setor infanto-juvenil. Para o espaço multimídia 
deve ser proposto de 1 terminal para cada mil habitantes a 1 terminal a cada 10 mil 
habitantes. O acervo mínimo para essa comunidade é de 8 hab/títulos e máximo de 
3 títulos/hab, para sua área mínima. 
Portanto, com base no que foi sugerido pelo autor criou-se a tabela a seguir (Tab. 
07): 
 
 
Tabela 07: Sugestão de dimensionamento para espaços culturais 2 
SUGESTÕES DIMENSIONAMENTO PARA ESPAÇOS DE 
CULTURA 
ESPAÇOS DA 
BIBLIOTECA 
MÍNIMO P/ CRUARU MÁXIMO P/ 
CARUARU 
ÁREA TOTAL 3.000m² 10.000m² 
ACERVO 37.500 900.000 
CONVIVÊNCIA X X 
INFANTIL X X 
MULTIMIDIA 30 terminais 300 terminais 
FUNCINÁRIOS 15 funcionários 150 funcionários 
AUDITÓRIO 300 assentos ou 
mais 
150 assentos ou 360m² 
Fonte: Da autora, elaborado a partir de dados oriundos de: MILANESI, Luís. (2003, pág.236 a 250) 
 
 
 
Complementando as informações acima, tomou-se o Manual de Normas e Diretrizes 
para as Bibliotecas Públicas (2000), que cita que as bibliotecas devem conter 
espaços para armazenamento do acervo; ambientes de leitura, referência e 
pesquisa; serviços internos; e áreas para convívio, atividades culturais e 
entretenimento. 
Já de acordo com os estudos de caso, verificou-se que na biblioteca de Pernambuco 
a relação usuários/livro é de aproximadamente 0.17 livros por habitante, e na 
biblioteca de Santa Catarina a relação é de 0.28 livros por habitantes. Esses índices 
estão dentro da média sugerida pelo Manual de Normas e Diretrizes para as 
Bibliotecas Públicas (2000), como mostrado na tabela abaixo (Tab.08). 
64 
 
Tabela 08: Projeção de crescimento de uma coleção 
 Projeção de crescimento de uma coleção 
Ano Coleção Livros a serem 
comprados 
 Relação 
livro/hab 
 nº hab/livro 
Atual 3.000 0.1 1 p 10 hab 
1 4.000 1.000 0.133 1 p 7.5 hab 
2 5.000 1.000 0.166 1 p 6 hab 
3 6.000 1.000 0.2 1 p 5 hab 
 
Fonte: Manual de Normas e diretrizes das Bibliotecas públicas no Brasil, Ministério da Cultura (2000). 
 
 
 
 
Assim, adota-se a relação de 0.2 livros por habitantes, o que possibilitou o 
desenvolvimento da tabela a seguir: 
 
 
 
 
 
Tabela 09: Distribuição do acervo e capacidade das estantes. 
TABELA COM DISTRIBUIÇÃO DO ACERVO 
TIPO ACERVO % QT. 
LIVROS 
QT. ESTAMTES SIMPLES 
* 
QT. ESTANTES DUPLAS 
** 
FICÇÃO 30 18.000 120 60 
NÃO FICÇÃO 30 18.000 120 60 
REFERÊNCIA 5 3.000 20 10 
INFANTO-JUVENIL 32 19.200 128 64 
SOM E AUDIO 
VISUAL 
3 1.800 12 06 
MUNICIPIO DE CARUARU 
REFERÊNCIA QT. ACERVO CAP. ESTANTES 
SIMPLES 
CAP. ESTANTES DUPLAS 
0.2 livros por hab. 60.000 vol. 150 volumes 300 volumes 
*Dimensionamento da estante simples: 1,70m comprimento, 2,0m de altura e 0,25m de profundidade. 
** Dimensionamento da estante dupla: 1,70 de comprimento, 2,0m de altura e 0,50m de profundidade. 
Fonte: Da autora, elaborada com dados do Manual de Diretrizes para bibliotecas públicas, 2000. 
 
 
 
 
Deste modo, tem-se a quantidade de acervo específico a cada setor e 
conseqüentemente a área estimada. Como a estante dupla possui 1,70 de 
comprimento e abriga 150 volumes, constata-se que para o acervo do setor infantil, 
32% da coleção, são necessárias 128 estantes simples ou 64 estantes duplas 
(Tab.10). 
 
 
65 
 
Tabela 10: Capacidade de volumes das estantes e prateleiras 
VOLUMES POR ESTANTES SIMPLES E DUPLA 
Prateleira de um metro linear 
 Nº.de Prateleiras Vol./prateleira (1) Vol./estante 
Simples Duplas Simples Dupla 
Livros de 
referência 
4 8 25-30 100-120 200-240 
Livros de consulta 5-6* 10-(12) 30-35 150-175 300-350 
Livros p/ 
empréstimo 
5-6* 10-(12) 35-40 175-200 350-400 
Livros infantis 3-(4)* 6-(8) 50-55 150-165 300-330 
Jornais (deitados) 5** 10 3 Deitados 
Revistas 
(deitadas) 
5** 10 5 Deitados 
Revistas em pé 5** 10 10 
(1) Com espaço para crescimento da coleção 
*Eventualmente, pode aumentar-se o número de prateleiras aumentado, assim, a capacidade das estantes. 
Os totais de volumes/estante se referem aos números sem parênteses da coluna Nº. de prateleiras 
**Estante de jornais e revistas: 3 prateleiras inclinadas para exposição e 2 horizontais para caixas de revistas 
Fonte: Manual de diretrizes para bibliotecas públicas, 2000. 
 
E, segundo NEUFERT (1976), por metro quadrado de pavimento, incluindo 
passagem, estima-se de 200 a 250 volumes. Assim, para o setor infantil, o qual se 
considera 19.200 volumes obtêm-se 96m², resultando assim a área para esse setor 
específico. 
Novamente, referindo-se aos estudos de caso, percebe-se a frequência dos usuários 
da Biblioteca de Pernambuco, a qual possui população de cerca de 1.500.000 
habitantes é de 1.200 pessoas por dia, e na biblioteca de Florianópolis, que possui 
população de aproximadamente 400.000, a freqüência é de 900 usuários por dia. 
Caruaru possui população aproximada de 300.000 habitantes, e utilizando a média 
de freqüência dos estudos analisados, estima-se um público médio de 500 pessoas 
por dia. E, segundo NEUFERT (1976), cogita-se um espaço de 2,5m² por leitor, os 
quais permanecem em média duas horas na biblioteca. Assim, calculando oito horas 
de funcionamento, percebe-se que nesse intervalo quatro pessoas usarão o espaço 
(2,5m²). Portanto, multiplica-se a freqüência dos usuários por 2,5m² e divide-se por 4 
(quatro), originado assim, uma área de 312.5m² de espaços para leitura, distribuídos 
nos diversos setores. 
Com base nessas informações, nos estudos de caso, na análise comparativa, nas 
pesquisas de campo e SWOT chegou-se ao seguinte programa e pré-
dimensionamento, como mostrado na tabela a seguir (Tab. 11): 
66 
 
Tabela 11: Programa e pré-dimensionamento. 
TABELA COM PROGRAMA E PRÉ-DIMENSIONAMENTO 
SETOR PRÉ-DIMENSIONAMENTO 
Setor Social: 
Guarda volumes 40m² 
Foyer 120m² 
Periódicos/Diários 90m² 
Leitura 100m² 
Empréstimo/Devolução 50m² 
Terminal de consultas 10m² 
Braille 80m² 
WC (Fem. e masc.) 50m² 
Estacionamento - 
TOTAL DO SETOR: 540m² 
Setor de Convivência: 
Salão para exposição 120m² 
Auditório 360m² 
Café 40m² 
WC (Fem. e masc.) 50m² 
TOTAL DO SETOR: 570m² 
Setor de Referências: 
Acervo Referência/Catálogos 120m² 
Acervo Referência eletrônico 90m² 
Atendimento 20m² 
Espaço para leitura 100m² 
TOTAL DO SETOR: 330m² 
Setor Técnico: 
Atendimento 20m² 
Acervo Reservado/Pesquisa e Memória 100m² 
Leitura 100m² 
Depósito 12m² 
Sala de restauro 25m² 
Almoxarifado 25m² 
Encadernação 25m² 
CFTV 12m² 
Processos técnicos 25m² 
WC (fem. e masc.) 50m² 
TOTAL DO SETOR: 394m² 
Setor Infanto-Juvenil: 
Espaço para acervo 120m² 
Leitura 120m² 
Salas para oficinas 2 X 40m² = 80m² 
Espaço criativo 100m² 
Espaço multimídia 40m² 
WC infantil 25m² 
TOTAL DO SETOR: 485m² 
Setor adulto: 
Espaço para acervo diverso 120m² 
Acervo geral 120m² 
Espaço para leitura 200m² 
Multimídia 40m² 
WC (fem. e masc.) 50m² 
TOTAL DO SETOR: 530m² 
Setor Geral/Serviços: 
Direção 35m² 
Administração 30m² 
Espera/Recepão 20m² 
Coordenação/Ação Cultural 35m² 
Sala reunião 40m² 
Sala para projetos 40m² 
Sala de Direitos Autorais 20m²Informação/Acessoria de Cultura 40m² 
Arquivo administrativo 40m² 
Sala para funcionários 30m² 
Área serviço 9m² 
Copa 15m² 
Vestiário/WC (fem. e masc.) 60m² 
Depósito 12m² 
DML 9m² 
TOTAL DO SETOR: 435m² 
ÁREA TOTAL: 3.284 m² 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
67 
 
O programa e pré-dimensionamento sugeridos propuseram que a Biblioteca Pública 
de Caruaru fosse condizente com os objetivos de um centro de cultura e 
disseminação do conhecimento que almeja o equilíbrio entre estética e 
funcionalidade, com ambientes racionais e lúdicos, espaços amplos e acolhedores. 
Deste modo, o conteúdo referente ao programa e pré-dimensionamento foi 
racionalizado no organo-fluxograma a seguir, o qual permitirá uma visão geral do 
equipamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
68 
 
6. ORGANOGRAMA, FLUXOGRAMA E ZONEAMENTO 
 
Para determinar a organização espacial dos ambientes da biblioteca utilizaram-se 
três ferramentas: o organograma, o fluxograma e o zoneamento, que 
proporcionaram uma representação esquemática dos setores e sua disposição 
hierárquica, bem como seu fluxo interno. 
Na macro-setorização determinou-se a localização geral dos setores e como se 
conecta um ambiente com outro. O arranjo desses espaços deu-se pelo fluxo e a 
hierarquia funcional como mostra os esquemas abaixo (Fig. 55, 56 e 56A): 
 
 MACRO-SETORIZAÇÃO 
 
Fig.55: Macro-setorizaçao.
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
 
69 
 
 
70 
 
Fig.56A: Zoneamento 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
 
 
Desta forma, o esquema permite uma visualização geral dos setores, suas conexões 
e disposição hierárquica, facilitando com isso o planejamento dos espaços atrelado 
aos usos e fluxos. Com o estudo setorial dos ambientes internos, tem-se base para 
projetar ambientes racionais e adequados ao equipamento biblioteca, que articulem 
entre si de forma harmoniosa e dinâmica. 
Portanto, os estudos feitos até então promoveram a concepção interna dos 
ambientes, adequando os setores a sua localização eficiente no projeto. 
Assim, prosseguiu-se com o desenvolvimento de etapas para concepção de um 
equipamento cultural que atenda as necessidades climáticas e contextuais da 
região, sendo necessário para isto um estudo do terreno, seu contexto urbano, e os 
condicionantes ambientais atrelados a área de implantação, os quais possibilitam ao 
equipamento boa ventilação, iluminação adequada, controle da insolação, e 
presença de vegetação, tornando o espaço aprazível. 
71 
 
7. ANÁLISE DO TERRENO 
 
 
O espaço escolhido para implantação da Biblioteca Pública localiza-se no bairro 
Mauricio de Nassau, o qual possui vínculo direto com os bairros Salgado e Centro, 
acolhendo o fluxo da periferia e centro da cidade. Posiciona-se na esquina da 
quadra 255, compreendida entre as Ruas Belmiro Pereira e Frei Caneca, com área 
de 9.778 m² (Fig. 57). 
 
Fig.57: Localização do terreno 
 
Fonte: Google Earth. Acessado em 03/06/2011. 
 
 
O terreno situa-se numa área central da cidade, próximo a escolas, comércio e 
serviços, favorecendo o acesso dos usuários e atingindo a população como um todo. 
Outro fator importante relaciona-se ao contexto urbano do terreno, posicionado na 
esquina da quadra favorece os fluxos oriundos de vários setores diferente da cidade, 
além de proporcionar uma melhor visão urbana do conjunto como um todo. 
O setor é estratégico, pois acolhe os fluxos oriundos da periferia ao centro da 
cidade, sendo um caminho intenso durante todo o dia, caracterizando-se num 
72 
 
espaço pertinente para um centro de cultura, o qual necessita de um lugar de fácil 
acesso e central. 
O terreno é envolvido por calçadas largas e arborizadas, sendo posicionado em 
frente a uma praça, a qual torna o setor agradável à população, onde pessoas 
transitam durante todo o dia. Por ser um local central é um percurso muito acessado 
por todos da cidade e região, pois é um dos acessos ao setor de comércio e 
serviços da cidade (Fig. 58 e 59). 
 
Fig.58: Imagem do espaço para implantação do equipamento 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
 
 
Fig.59:Fachada principal do espaço para implantação 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011 
 
Contudo, encontra-se neste terreno um grande galpão sem valor histórico ou cultural 
que se sugere demolição para a concepção da biblioteca em tese (Fig. 59). 
73 
 
7.1 Análise do contexto urbano 
 
É fundamental que um centro de cultura seja acessível a todos e que sua 
localização seja estratégica para atender a demanda de todo município, quiçá da 
região. De acordo com VANZ (1999)³: “A localização geográfica da biblioteca pode 
ser considerada um fator que define a freqüência de uso da mesma, independente 
da relevância e qualidade do acervo, dos bons profissionais e serviços prestados.” 
O terreno para construção da Biblioteca Pública de Caruaru possui pouca 
declividade, podendo ser considerado plano, localiza-se numa área de fluxo intenso 
de veículos e pedestre, e está envolto a equipamentos históricos e culturais como a 
Estação Ferroviária e o Pátio de Eventos (Figs.60 e 61). 
 
 
Fig.60: Planta de situação sem escala 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
_________________ 
4. Disponível em: <www.biccateca.com.br>. Acessado em 05/06/2011. 
74 
 
Os acessos ao entorno são feitos através das vias primárias (Ruas Belmiro Pereira, 
Filemon Bastos, Frei Caneca, Capitão João Velho e Dr. Julio de Melo), as quais 
ligam bairros da periferia ao centro da cidade, e via terciária, em frente ao Pátio de 
eventos (Fig. 61). 
 
 
Fig.61: Planta de situação sem escala 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
No entorno há setores de uso comercial/serviços, residencial, equipamentos 
históricos e culturais, além de instituições como escolas e equipamentos públicos. 
No setor de implantação do equipamento biblioteca há predominância de 
equipamentos de uso comercial e de serviços, como mostra a tabela a seguir (Fig. 
62): 
 
75 
 
 
Fig.62: Mapa de usos do setor 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
Portanto, um equipamento como a biblioteca neste setor agregará valores culturais e 
educacionais à área, já que são encontrados no entorno muitos equipamentos 
históricos e culturais, bem como instituições de ensino. 
 
 
7.2 Análise dos condicionantes físico-ambientais 
 
É de fundamental importância o estudo dos condicionantes físico-ambientais para o 
desenvolvimento de um projeto que atenda as necessidades climáticas da região. 
Assim, observou-se que o terreno está posicionado livremente na esquina da 
76 
 
quadra, favorecendo a ventilação no setor, bem como a melhor escolha para a 
disposição do equipamento, visto que há três acessos a área. 
Em relação à ventilação no setor observou-se que há predominância dos ventos 
nordestes voltados à Rua Manoel Surubim, situada entre o terreno e o Pátio de 
eventos, e os ventos sudestes acolhidos pela Rua Frei Caneca, formando assim 
ventilação cruzada na área do terreno (Fig. 63). 
 
 
Fig.63: Mapa dos condicionantes ambientais
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
 
77 
 
Há presença de grandes árvores nas calçadas do terreno, no entorno e na praça 
situada em frente à área de implantação. Portanto, essa vegetação local permite o 
sombreamento necessário à fachada oeste, castigada pela insolação durante os 
horários de maior incidência solar (Fig.63). 
Deste modo, os condicionantes naturais como o sol e a ventilação contribuíram paradefinir o partido do projeto, juntamente com as etapas já mencionadas, pois tais 
indutores criam circunstâncias específicas a cada projeto alterando sua disposição 
na área e a distribuição dos setores e fluxos internos. 
 
 
7.3 Análise dos condicionantes legais 
 
Para projetos de cunho cultural existem alguns condicionantes legais como: Código 
de Urbanismo, Obras e Posturas do município de Caruaru; plano diretor; Manual de 
Normas e Diretrizes para Bibliotecas Públicas do ministério da educação; Normas 
técnicas da ABNT, lei 9050; e Código de segurança contra incêndios e pânico para o 
estado de Pernambuco. 
7.3.1 Código de Urbanismo, Obras e Posturas do município de Caruaru. 
A lei 2454 de 27 de janeiro de 1977 versa sobre os equipamentos destinados a 
reuniões culturais. 
• Na subseção I, art. 381, enfatiza o tamanho da área da ante sala, a largura das 
portas de acesso e o dimensionamento dos corredores do setor destinado a 
eventos, além de fazer referência à sinalização indicadora do percurso e 
equipamentos necessários ao combate de incêndio. 
• O art. 382 dessa lei salienta que o total de poltronas não deve exceder a 250 
unidades com distância entre elas de 0,90cm, de encosto a encosto. A largura 
proposta é de 0,60cm. 
• No art. 386 da lei 2454, destacam-se uma relação para dimensionamento de 
sanitários destinado ao público e para funcionários. 
78 
 
7.3.2 Plano Diretor de Caruaru. 
O terreno localiza-se na Macrozona de Consolidação e Estruturação, onde há 
concentração de atividade urbana, com diferentes graus de ocupação do solo, sendo 
estruturada para ocupação nos próximos dez anos. 
A área está concentrada na Zona ZR3 e de ZAM 1. Considera-se a ZAM1, a qual 
possui uso comercial e residencial, tendo os seguintes parâmetros urbanísticos para 
lote isolado: 
Coeficiente de utilização – 1,5 : 
Área do terreno – 9.778m² 
Portanto, Área construída da biblioteca – 4.292m² 
Afastamentos – frontal – --- 
lateral – --- 
fundos – 3,00m 
Taxa de solo natural: mínimo 20% 
Deste modo, têm-se os seguintes parâmetros para o terreno proposto: 
 
9.778m² x 1,5 = 14.667m² (área máxima a ser construída)= 12.813 m². 
Área verde + solo permeável da biblioteca = 3.357m² – 34,33% 
Estacionamento: Utiliza-se 1 vaga para cada 50m² de área construida = 86 vagas. 
 
7.3.3 Manual de Diretrizes e Normas para Biblioteca Públicas (Brasil, 
2000). 
 
Este manual sugere algumas considerações a respeito do equipamento de cultura 
escolhido, assim definidas: 
- A biblioteca deve estar em lugar central; 
- O projeto arquitetônico deve propor soluções funcionais: 
79 
 
- Os ambientes devem ser flexíveis, amplos e agradáveis 
- O raio de influência do equipamento é de 1,5km; 
- Cada leitor ocupa área de 2,5m² e para cada funcionário calcula-se a média de 
4m². 
 
7.3.4 Normas técnicas da ABNT, lei 9050. 
 
Segundo essa norma, os espaços destinados a cultura devem prever na área 
destinada ao público, espaços destinados às pessoas com mobilidade reduzida, 
desta forma devem: 
a) estarem localizados em uma rota acessível vinculada a uma rota de fuga; 
b) estarem distribuídos pelo recinto, recomendando-se que seja nos diferentes 
setores e com as mesmas condições de serviços; 
c) estarem localizados junto de assento para acompanhante, sendo no mínimo um 
assento e recomendável dois assentos de acompanhante; 
d) garantir conforto, segurança, boa visibilidade e acústica; 
e) estarem instalados em local de piso plano horizontal; 
f) ser identificados por sinalização no local e na bilheteria, conforme; 
g) estarem preferencialmente instalados ao lado de cadeiras removíveis e 
articuladas para permitir ampliação da área de uso por acompanhantes ou outros 
usuários. 
 
7.3.5 Código de segurança contra incêndios e pânico para o estado de 
Pernambuco. 
 
• O artigo 15 deste código trata das edificações de Reunião de público como os 
centros de cultura e afins, e o terceiro parágrafo determina: 
 
§ 3º Ocorrendo situações em que os locais de reunião de público façam parte de 
edificações de riscos diversos, deverão ser observadas as especificações do 
presente parágrafo: 
80 
 
 
a) quando a edificação for construída no plano horizontal, contando com apenas um 
pavimento, a ocupação dos locais de reunião de público será predominante para a 
área total construída, e os sistemas de segurança contra incêndio e pânico exigidos 
para a ocupação considerada deverão ser dimensionados para o caminhamento 
entre o ponto de reunião às áreas de descarga, independentemente da proteção da 
edificação total; 
 
b) quando a edificação for construída no plano vertical, contando com pavimentos 
elevados, a ocupação dos locais de reunião de público será predominante para todo 
o pavimento de mesmo nível e inferiores aos dos locais considerados, e os sistemas 
de segurança contra incêndio e pânico exigidos deverão ser dimensionados para o 
caminhamento entre o ponto de reunião de público às áreas de descarga, 
independentemente da proteção da edificação total. 
 
Essa análise dos condicionantes legais orientou as questões processuais do projeto 
e apresentou uma visão processual e específica para a elaboração do equipamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
81 
 
8. A proposta 
 
O anteprojeto da Biblioteca Pública em Caruaru desenvolveu-se com o intuito de 
suprir as lacunas socioculturais da cidade, e também, da ânsia em fomentar o 
conhecimento na comunidade, de forma que o equipamento proporcionasse 
interação entre os usuários e instigasse a leitura e o aprendizado. 
Assim, o projeto propõe um edifício funcional e imponente, gerado a partir de linhas 
retas e forma irregular, provendo ambientes setorizados conforme função e uso. 
Desta forma, o equipamento além de atender a função social proposta transmite um 
novo signo urbano à cidade, constituindo-se num referencial para toda a região. 
 
8.1 Programa 
 
Gerado a partir do estudo de casos e preliminares, o programa originou-se do 
zoneamento a seguir: 
- Setor social: salão de exposição, hall, café, auditório, foyer e salas para oficinas; 
- Setor infantil: acervo, área para leitura em grupo e individual e espaço multimídia; 
- Setor adulto: acervo, área para leitura em grupo e individual, espaço multimídia, 
Braille, sala para pesquisa e memória, WC fem. e masc., WC infantil, hall e depósito; 
- Setor administrativo e serviços: direção, administração, coordenação, sala para 
reunião, sala para projetos, sala de direitos autorais, sala para informação/acessória 
de cultura, arquivo administrativo, arquivo geral, sala de restauração, sala de 
encadernação, CVTV, copa, DML, vestiário, WC fem., masc. e acessível. 
Desta forma, o equipamento disponibiliza melhor distribuição dos ambientes de 
acordo com sua função e uso, conforme programa e dimensionamento proposto a 
seguir: 
 
82 
 
Tabela 12: Programa e dimensionamento 
TABELA COM PROGRAMA E DIMENSIONAMENTO 
 SETOR Quant DIMENSIONAMENTO 
Setor Social: 
Guarda volumes 20,75m² 
Foyer/Circulação vertical e horizontal 190m² 
Periódicos/Diários 174m² 
Atendimento 24m² 
Braille 70,35m² 
 WC(Fem. e masc.) 02 15X2=30m² 
 WC acessível 02 5,30X2=10,60m² 
WC infaltil 15m² 
 Salas para ofifinas 04 4X54m²=216m² 
Circulação 76m² 
Salão para exposição/Galeria 560m² 
Auditório 325m² 
Café 139m² 
TOTAL DO SETOR: 1.850,70m² 
Setor Infanto-Juvenil: 
Espaço infantil (acervo,leitura e multimídia) 456m² 
TOTAL DO SETOR: 456m² 
Setor adulto: 
Espaço adulto (leitura em grupo, acervo e 
multimídia) 
630m² 
Sala para leitura 70m² 
Pesquisa e memória 325m² 
 WC(Fem. e masc.) 02 15X2=30m² 
 WC acessível 02 5,30X2=10,60m² 
WC infaltil 15m² 
Depósito 6,70 
Hall 15,45 
Circulação 76m² 
TOTAL DO SETOR: 1.178,75m² 
Setor Adminstrativo/Serviços: 
Direção 45m² 
Administração 37,50m² 
Espera/Recepção 17m² 
Coordenação 39,70m² 
Sala reunião 34m² 
Sala para projetos 22m² 
Sala de Direitos Autorais 22,20m² 
Informação/Acessoria de Cultura 22,40m² 
Arquivo administrativo 27m² 
Arquivo geral 26m² 
Sala p/ procedimentos técnicos 70,35m² 
Sala p/ restauro 54m² 
Sala p/ encadernação 54m² 
CVTV 20m² 
Copa 15m² 
DML 6,25m² 
Vestiário/WC (fem. e masc.) 15m² 
 WC(Fem. e masc.) 02 15X2=30m² 
 WC acessível 02 5,30X2=10,60m² 
TOTAL DO SETOR: 568m² 
ÁREA TOTAL: 4.053m² 
Áreas externas: 
Estacionamento 2000m² 
Lixo 16m² 
Depósito 11m² 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos, 2011. 
 
 
 
 
83 
 
8.2 Memorial Justificativo 
 
Nascido da ânsia de se construir um ambiente voltado à informação e cultura em 
Caruaru, o projeto da biblioteca pública objetiva proporcionar uma referência de 
cultura com foco principal na leitura, além de aprendizado e interação entre todos da 
sociedade, transformando esse espaço edificado em um motivador das artes e do 
conhecimento. Deste modo, com o desenvolvimento do conceito “Do livro à 
Biblioteca” a partir da evolução das pesquisas e discussões acerca do projeto, foi 
possível aplicá-lo de maneira ampla, em certos momentos, e pontuais em outros, de 
forma a gerar a forma proposta. 
Assim, o partido originou-se da idéia da releitura de um livro aberto, composto de 
palavras e idéias escritas, assinalando que a construção do conhecimento advém de 
etapas que são construídas do mesmo modo que o vocábulo constitui a base mais 
elementar do livro (Fig. 64). 
 
Fig.64: Evolução da proposta 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
84 
 
Assim, como citado acima, este trabalho de graduação objetiva a realização de 
anteprojeto para uma biblioteca pública em Caruaru-PE, em terreno localizado à Rua 
Frei Caneca, bairro Mauricio de Nassau, próximo à antiga Estação Ferroviária e ao 
Pátio de Eventos, em área contígua ao centro da cidade, de fácil acesso e de grande 
fluxo de veículos e pedestres (ver Fig. 61). 
O terreno em questão possui 9.778m², com a locação do edifício no sentido norte-
sul. A escolha de tal posicionamento deve-se à possibilidade de ter a frente do 
mesmo voltada para o sul, facilitando a visão dos transeuntes, além de causar boa 
visualização do conjunto edificado como um todo, o qual interage com a paisagem 
urbana local. Contudo, para amenizar o grande tráfego de veículos da Rua Frei 
Caneca, optou-se pelo acesso de veículos ao equipamento pela Rua Belmiro 
Pereira, face oeste do terreno, por ter menor fluxo de veículos, como mostrado 
anteriormente no capítulo 10. 
Já o entorno é formado por equipamentos de diversos usos, como alguns edifícios 
históricos e educacionais que serão beneficiados por um equipamento como este, 
voltado à cultura (ver Fig. 62). 
Desta forma, aproveitando o grande fluxo oriundo do centro da cidade e tendo como 
meta destacar o edifício da paisagem urbana local, optou-se pelo acesso de 
pedestre ao equipamento através da fachada sul, Rua Frei Caneca, onde os 
usuários podem apreciar o salão de exposição, hall de acesso e café. 
Outro fator importante para a disposição do equipamento no terreno foi a 
possibilidade do zoneamento, que pré-determinou sua divisão interna devido aos 
condicionantes físico-ambientais, os quais também influenciaram o partido do 
projeto, especialmente pela insolação, já que há vários panos de vidros 
posicionados nas fachadas leste e sul, equilibrando assim a escolha do material com 
o posicionamento em relação à insolação existente, além de conectar os espaços 
internos com o externo, tornando o ambiente contemplativo e quebrando a barreira 
visual com o exterior (Fig. 65). 
 
 
85 
 
Fig. 65: Perspectiva da fachada oeste. 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
Para reforçar o conceito trabalhado, tornou-se imprescindível observar as 
necessidades inerentes a qualquer programa de biblioteca, apontados através dos 
estudos de caso e estudos preliminares realizados, criando-se, assim, meios de 
atender às diferentes exigências legais e programáticas. De tal modo, desenvolveu-
se uma proposta baseada na intenção plástica e funcional de diferenciar ambientes 
através de seus usos e funções, proporcionando sensações de interação ou 
introspecção quando necessárias e correlacionando tais ações com as funções dos 
setores da biblioteca, tornando o mesmo um equipamento flexível e dinâmico, 
intenção presente desde o início do trabalho (Fig. 66). 
 
 
Fig. 66: Resolução Programática. 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
 
 
86 
 
Externamente, o equipamento marca a paisagem local com sua forma irregular e 
imponente, com a fachada sul, principal, composta por placas de ACM na cor cinza 
claro e no volume disposto no acesso principal na cor vermelha. Esta fachada, 
também, é demarcada pelo pano de vidro e um volume que se sobressai no café 
composto por filetes de madeira de 5cmx5cm disposto horizontalmente, com o 
intuito de proteger e marcar o setor (Fig. 67). 
 
 
 
 
 
Fig. 67: Perspectiva do edifício (fachada principal) 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
 
 
 
 
 
A fachada leste, também é composta por placas de ACM na cor cinza claro, além de 
panos de vidro que dialogam com o espaço externo, tornando o equipamento 
convidativo e aprazível (Fig. 68). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
87 
 
Fig. 68: Perspectiva do edifício (fachada leste) 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
 
 
 
As serigrafias inseridas nos panos de vidros do café com frases e pensamentos de 
autores brasileiros aguçam a criatividade dos freqüentadores da biblioteca, 
complementando com isso, toda disposição lúdica e criativa proposta para este 
centro de cultura (Fig. 69). 
 
Fig. 69: Perspectiva do café 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
88 
 
Por não possuir delimitador físico com o espaço público, o edifício torna-se 
convidativo e interage de forma equilibrada com a paisagem urbana local. Desta 
forma, o agenciamento do terreno foi concebido para induzir os transeuntes a 
acessarem o equipamento através de circulações dispostas em vários pontos do 
local, assim como há nos jardins, espaços com jogos interativos, áreas de 
permanência para contemplação e um grande espelho d‟água, que além de ser um 
elemento que configura e delimita espaços, também ajuda a amenizar a insolação 
na fachada oeste. (Fig.70). 
 
 
Fig. 70: Implantação do edifico no terreno
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
 
 
Ao acessar a biblioteca, o visitante pode perceber que a mesma é composta por três 
pavimentos, em planta livre, já que a flexibilidade de inserção das atividades é algo 
requerido para tais equipamentos. Assim, para atender ao programa proposto bem 
como às questões técnicas pertinentes a uma biblioteca, optou-se por demarcar 
cada ambiente a partir o mobiliário conforme a função e o uso. 
Já a interação entre os três pavimentos dá-se através de uma grande circulação 
vertical solta em meio ao grande vão central, composta porelevador panorâmico e 
89 
 
uma escada, associados a vazios dispostos de forma a ligar visualmente áreas afins, 
proporcionando fluidez, dinamicidade e flexibilidade ao espaço interno. 
 
Assim, internamente o edifício foi distribuído de forma a equilibrar espaços que 
contemplam a introspecção com ambientes voltados ao convívio social. Desta forma, 
as áreas foram compostas para atrelar as funções com seus devidos usos. 
 
Organizou-se também o edifício por setores, diferenciando-se os espaços que 
requerem silêncio e concentração, como o de leitura de periódicos, de outros onde o 
fluxo de pessoas é mais constante e onde o barulho não atrapalharia a concentração 
necessária a determinadas atividades, como o café ou o auditório. 
Assim, no 1º pavimento (térreo) encontram-se o setor social (nº 1, 2 e 4 da Fig. 71) e 
infantil (nº 07 da Fig. 71). 
Fig. 71: Planta baixa 1º pavimento (térreo) 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
90 
 
A área social é composta por salão de exposição externo, auditório com capacidade 
para 209 pessoas, café, foyer, hall, atendimento, guarda-volumes, oficinas e setor 
dos periódicos, que na pesquisa detectou-se ser o espaço de maior acesso dos 
usuários à biblioteca (Fig. 72). 
Fig. 72: Perspectiva do espaço para periódicos 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
 
Deste modo, esses ambientes interagem entre si formando um grande espaço de 
convívio onde os usuários podem acessá-los sem ter que passar pelo controle da 
biblioteca (Fig. 73). 
Fig. 73: Perspectiva do hall e controle da biblioteca 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
91 
 
O setor infantil posiciona-se neste pavimento devido à compatibilidade de fluxos com 
a área social, onde a presença de crianças e adolescentes no local origina espaços 
descontraídos e dinâmicos. 
Outro aspecto importante é à disposição do mobiliário no setor infantil, de forma 
lúdica, com estantes em desenho de letras, pufes coloridos, grafites de gibis nas 
paredes e bancadas de forma sinuosa, convidando as crianças e adolescentes a 
utilizarem esse ambiente, assim como, à criação de áreas para leitura em grupo e 
individual, setor de multimídia e espaços para descanso, tornando o espaço 
aprazível e alegre (Fig. 74). 
 
 
Fig. 74: Perspectiva do setor infantil 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
 
 
No segundo pavimento, localiza-se o setor adulto, com espaço para acervo, sala de 
leitura, sala multimídia, setor de pesquisa e memória, salas para oficinas, os quais 
são posicionados neste local por requerer introspecção, pois as desconcentrações 
dos setores social e infantil podem atrapalhar a concentração necessária a estes 
ambientes (Fig. 75 e 76). 
 
 
 
92 
 
Fig. 75: Planta baixa 2º pavimento. 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
 
 
 
 
Fig. 76: Perspectiva do espaço para leitura - setor adulto. 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
 
O 3º pavimento destinou-se ao setor técnico, administrativo e de serviço, pois é o 
local menos acessado pelos usuários, onde se encontram a recepção, sala de 
restauro, sala de encadernação, procedimento técnico, administração, coordenação, 
diretoria, sala de direitos autorais, sala de reunião, direção, arquivos administrativo e 
93 
 
geral, sala para projetos e sala de informação, acessória e cultura. Por estes 
ambientes posicionar-se próximo ao grande vão central, possuem visualização dos 
setores social, adulto e infantil, sendo importante à administração da biblioteca 
manter o contato visual com estes ambientes. Este pavimento também possui um 
grande pano de vidro na fachada norte, sendo protegido pelo afastamento 
intencional neste setor, priorizando assim, o conforto térmico no local (Fig. 77). 
 
 
 
 
Fig. 77: Planta baixa 3º pavimento. 
 
Fonte: Ana Paula Vasconcelos 
 
 
 
 
Optou-se também em dispor as baterias de banheiro na fachada oeste, para 
proteção contra a incidência solar, além de uma grande galeria que proporciona 
sombreamento necessário à edificação nesta fachada, assim como, os acervos 
adulto e infantil estão posicionados na fachada leste, visando serem protegidos da 
insolação intensa, além de facilitar o acesso dos usuários ao setor através das 
circulações vertical e horizontal (ver Fig. 65). 
94 
 
Além de todos os aspectos construtivos e funcionais referenciados, o equipamento 
possuiu estacionamento para 86 veículos, área para ônibus e vagas para deficientes 
físicos dispostas logo na entrada deste setor, facilitando assim, o acesso desses 
usuários a biblioteca, além de setor para lixo e depósito, posicionados próximo ao 
estacionamento. 
Contudo, o edifício da biblioteca de Caruaru pretende destacar-se da paisagem 
urbana local, tornando-se um marco na comunidade, sendo um referencial cultural e 
social da cidade e regiões vizinhas, dinamizando assim, o intercambio sócio-cultural 
dessas cidades. 
 
 
8.3 Apresentações gráficas 
 
- Perspectivas; 
- Planta de situação: escala 1/2500; 
- Planta de locação e coberta: escala 1/200; 
- Planta baixa 1º pavimento (térreo): escala 1/200; 
- Planta baixa 2º pavimento: escala 1/200; 
- Planta baixa 3º pavimento: escala 1/200; 
- Cortes: escala 1/200; 
- Fachadas: 1/200. 
 
 
 
 
95 
 
9. CONCLUSÃO 
 
A biblioteca pública é um referencial de desenvolvimento das nações, sendo 
utilizada como ferramenta de crescimento social no mundo e fonte constante de 
incentivos por parte do poder público. Porém, em países em desenvolvimento como 
o Brasil há uma lacuna na sociedade pela falta de incentivo à cultura e educação 
ocasionando empobrecimento social, cultural e educacional. 
Assim, este trabalho de graduação estudou formas de como elaborar etapas para o 
desenvolvimento de um equipamento cultural em Caruaru baseando-se em estudos 
e análises de conceitos teóricos e práticos sobre o tema. 
Com a referida pesquisa observou-se que para projetar um equipamento cultural 
como uma biblioteca pública é necessário conhecer a importância desse 
equipamento na comunidade, estudar os serviços prestados por essa instituição e 
seu grau de influência no equipamento como um todo, e a partir disso, cria-se 
espaços para atender tais necessidades, distribuindo os ambientes de acordo com 
sua função e movimentação. 
A partir desses estudos, criaram-se conceitos norteadores embasados nas análises 
e comparações oriundas de pesquisas para responder a questão de como elaborar 
um equipamento de cultura, como uma biblioteca pública, com conceito 
contemporâneo de centro de cultura, como atualmente a biblioteca é considerada, 
que atenda às necessidades sociais, culturais e educacionais da comunidade? 
Observou-se que o conceito contemporâneo de biblioteca está além de um recinto 
com livros para leitura, mas também um espaço com formatos diversos de mídias, 
áreas de convívio e entretenimento, com ambientes amplos, receptivos e 
acolhedores, os quais conectam pessoas ao mundo do conhecimento e 
aprendizado, fomentando e disseminando o interesse pela leitura e pelo 
desenvolvimento social e intelectual. 
 
96 
 
E, finalmente com todos os estudos realizados em relação ao objeto de pesquisa e 
suas particularidades, bem como todas as etapas desenvolvidas serviram como 
base para a elaboração do anteprojeto de uma Biblioteca Pública para a cidade de 
Caruaru. 
Portanto, o equipamento proposto originou-se do conceito norteador deste trabalho: 
“Do livro à Biblioteca”, o qual assinala que a escrita, o signo mais elementar do 
conhecimento, originou o livro e consequentemente a biblioteca, assim como, da 
forma de um livro aberto surge o edifício da Biblioteca,composto por linhas retas e 
forma irregular, remetendo-se ao livro de forma apreciativa e lúdica. 
Assim, este trabalho de graduação desenvolveu o anteprojeto de uma biblioteca 
para Caruaru como forma de suprir às lacunas educacionais da cidade e fomentar 
cultura e conhecimento à população local e região. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
97 
 
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
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Disponível em <www.eeg.uminho.pt/economia/caac/.../ecp/.../bibliografia.pdf>. 
Acessado em 28 de maio de 2011 às 15:30. 
 
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Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 2002, 1600 p. 
 
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Postura do município de Caruaru. 
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Editorial, 2003. 
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Processos Técnicos. Biblioteca Pública, Princípios e Diretrizes. Rio de Janeiro, 
2000. 
 
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Distância da UFSC, 2001. 121p. Disponível em:<projetos.inf.ufsc.br> Acessado em 
26 de maio de 2011. 
 
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Acessado em maio de 2011. 
 
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Bibliotecas. Disponível em: www.biccateca.com.br. Acessado em maio de 2011. 
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dia 02/05/2010 às 14:38. 
www.concursosdeprojetos.org/2010/04/18/biblioteca-montarville-quebec. Acessado 
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YIN K., Robert. Case Study Research: Design and Methods. Tradução e síntese: 
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28 de maio de 2011 às 13:30.

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