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Alunas: Tárcila Oliveira e Isadora Borges
Turma: 10° A – Noturno
Resumo do filme “O Solista” (2009)
O filme conta a história de Steve Lopez, um famoso repórter jornalístico que –
logo no início do longa – conhece Nathaniel, um ex-músico, em “quadro” de doença
mental, que está em situação de rua, e toca, maravilhosamente bem, um violino de
apenas duas cordas. O fato chama a atenção de Steve, que passa a investigar a vida do
homem com o intuito de publicar uma reportagem sobre só o que teria acontecido na vida
dele que acarretou tal situação. Mas o que o jornalista – talvez – não previu foi, a
dimensão que a sua reportagem teria, além do aumento no seu interesse em saber sobre
aquele indivíduo. A partir disso, no decorrer do filme, um vínculo de amizade começa a ser
desenvolvido entre os dois. 
A história do filme despertou em mim, enquanto telespectadora e estudante
graduanda de psicologia, a mesma curiosidade que o repórter teve em saber o que
aconteceu ao ex-músico para estar naquela situação. No entanto, com o interesse de
perquirir as possíveis causas psicodiagnósticas do quadro de doença mental de
Nathaniel. 
O primeiro fato interessante observado na história da vida do ex-músico é que, o
mesmo não teve a presença do pai em nenhum momento de seu desenvolvimento
(infância, adolescência e vida adulta). Tal interpretação, foi feita pelo não aparecimento
em cena e ausência de discurso sobre o referido pai no decorrer de todo o filme. No que
concerne a função paterna no desenvolvimento da criança, sabe-se que é de extrema
importância para um bom desenvolvimento da criança, principalmente no que se refere a
aprendizagem e introjeção de normas e regras, ocasionada durante o processo de
castração do indivíduo. 
Atento para a questão de que, a primeira1 alucinação que Nathaniel manifestou foi
durante uma aula de música, quando estava na faculdade. O referido acontecimento
alucinatório atrapalhou o personagem, que não conseguindo acompanhar os demais
colegas, foi oprimido pelo professor. A partir de então, tal cena foi se tornando rotineira,
até chegar ao ponto que Nathaniel abandona a escola e, a família. Sabe-se que um dos
papéis da escola, seja infantojuvenil ou universitária, é a transmissão de conhecimentos,
normas e regras. 
1 Desconsiderando a, possível, alucinação visual do carro pegando fogo durante sua infância. 
Levando em consideração a ausência do pai, suponho que o personagem não
passou pelo processo de castração durante a infância. Logo, não foi ensinado a conviver
e respeitar as normas e regras, o que não quer dizer que o mesmo seja um transgressor.
Mas sim que, tal ocorrência, pode ser interpretada como uma possível justificativa da
dificuldade que Nathaniel apresenta – além das alucinações auditivas – para acompanhar
as instruções do professor e, por conseguinte, acompanhar o restante de sua turma de
música. Uma vez que, o indivíduo estava acostumado a tocar seus instrumentos musicais
de forma livre apesar de o filme mostrar a cena em que o personagem, enquanto criança,
começa a fazer aulas instrumentais. Entende-se que, a cobrança daquele primeiro
professor de música de Nathaniel, não era a mesma do professor na faculdade. 
Outro fato que chama atenção é que, com a progressiva aproximação do ex-
músico com o repórter, o mesmo começa a chamá-lo de “seu” Deus. Em uma
compreensão, quase que universal, Deus é a representatividade divina de Pai. O que nos
traz novamente a questão da ausência paterna na vida do personagem, que busca no
novo amigo uma figura paternal. 
Atento ainda para o momento em que Nathaniel, em uma discussão com Steve,
fala que “não pode prender os anjos, não pode cortar as asas dos anjos”. O que nos
indica que o personagem ainda possui o medo da castração, que não ocorreu, devido à
ausência da função paterna em sua vida. 
Tendo em vista que, as informações passadas no filme sobre a vida de Nathaniel
são incipientes e, diante disto as hipóteses psicodiagnósticas aqui apresentadas não são
suficientes para elaborar um psicodiagnóstico para o seu quadro de doença mental, até
por não ser este o objetivo aqui. Passível de alterações e correções, acredito que a
ausência da figura e função paterna na vida do indivíduo foi um – não desconsiderando os
fatores neurológicos – das condições desencadeantes de sua doença mental.

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