Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

SOCIOLOGIA ENSINO MÉDIO
 
Educação 
para Jovens e 
Adultos 
 
 
 
 
 
 
 
 
SOCIOLOGIA 
ENSINO 
MÉDIO 
Educação para Jovens e 
Adultos 
Centro Educacional Pódio 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
 
 
 
 
 
ÍNDICE 
 
 
 
A SOCIEDADE HUMANA 05 
A VIDA SOCIAL - CONCEITOS IMPORTANTES 12 
AGRUPAMENTO SOCIAL 16 
ECONOMIA E SOCIEDADE 19 
ESTRATIFICAÇÃO E MOBILIDADE SOCIAL 24 
AS INSTITUIÇÕES SOCIAIS 27 
MUDANÇAS SOCIAIS 31 
SUBDESENVOLVIMENTO, COMUNIDADE, 
CIDADANIA E MINORIAS 34 
EDUCAÇÃO E CULTURA 40 
MOVIMENTO RELIGIOSO E SOCIEDADE 45 
A GLOBALIZAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO 50 
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE 55 
A SOCIEDADE E A TRANSCEDÊNCIA 60 
A CONCIÊNCIA HOLÍSTICA 63 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANOTAÇÕES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo I - 1º ano 
 
 
 
A SOCIEDADE HUMANA 
 
 
 
Nas diversas espécies animais que habitam nosso planeta são verificadas formas de rela- 
cionamentos que confirmam a teoria de Evolução das Espécies, formulada por Darwin, na qual 
a preservação da espécie e o seu aprimoramento parecem ser o objetivo das suas formas de 
vida, convivência e sociabilidade. Desta forma, para assegurar a reprodução e a sobrevivência, 
os animais estabelecem estilos próprios de vida. Acreditando na superioridade de sua cultura, 
os europeus intervieram nas formas tradicionais de vida existentes nos outros continentes, 
procurando transformá-las. E em consonância com essa forma de pensar desenvolveram-se as 
idéias do cientista inglês Charles Darwin a respeito da evolução biológica das espécies ani- 
mais. Para Darwin, as diversas espécies de seres vivos se transformam continuamente com a 
finalidade de se aperfeiçoar e garantir a sobrevivência. 
 
Desde os tempos mais remotos o homem, como uma das espécies existentes, compreen- 
deu a importância de viver em companhia dos semelhantes. Para satisfazer suas necessidades, 
juntou-se aos demais, formando agrupamentos onde cada qual já podia colaborar e estabele- 
cer laços com os outros. Apesar da convivência humana ter sofrido muitas mudanças, ainda 
hoje se pesquisa para resgatar e conhecer nossa origem. 
 
Tal como as demais espécies, o homem possui uma variedade de atividades instintivas, ou 
seja, ações e reações que se desenvolvem de forma mecânica como respirar, engatinhar, sen- 
tir fome, medo, frio. Desenvolveu também habilidades que dependem de aprendizagem como 
comer, beber, a obedecer, a brincar, trabalhar, administrar, governar. Distingue-se das outras 
espécies, pois necessita de aprendizado para adquirir diferenciada forma de comportamento. 
 
 
As Ciências Sociais 
 
O comportamento social humano e suas várias formas de organização são o principal foco 
da pesquisa e do estudo das Ciências Sociais. 
 
O objeto das Ciências Sociais é o ser humano em suas relações sociais, e o objetivo é ampli- 
ar o conhecimento sobre o ser humano em suas interações sociais. Logo, os variados com- 
portamentos humanos como casar, receber salário, fazer greve, participar de eventos, educar 
filhos, são considerados comportamentos sociais pois se desenvolvem em sociedade. 
 
Com o avanço do conhecimento fez-se necessária a divisão das Ciências Sociais, para que 
cada uma das disciplinas pudessem se ocupar de um aspecto específico da realidade social, 
embora todas sejam complementares entre si. As disciplinas abaixo formam as Ciências 
Sociais. 
 
SOCIOLOGIA – estuda as relações sociais e as formas de associação, considerando as 
interações que ocorrem na vida em sociedade. 
 
ECONOMIA – estuda as atividades humanas ligadas a produção, circulação, distribuição e 
consumo de bens e serviços, como por exemplo a distribuição de renda num país, a política 
salarial, a produtividade, entre outros. 
 
 05 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo I - 1º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
ANTROPOLOGIA – estuda e pesquisa as semelhanças e as diferenças culturais entre 
vários agrupamentos humanos, assim como a origem e a evolução das culturas. 
 
POLÍTICA – estuda a distribuição de poder na sociedade, bem como a formação e o desen- 
volvimento das diversas formas de governo. 
 
 
A História da Sociologia 
 
Tem sido uma constante na vida dos seres humanos a reflexão sobre os grupos e as 
sociedades para sua melhor compreensão. Os gregos na antiguidade recorriam à Mitologia 
para compreender os fenômenos sociais, baseados na imaginação, na fantasia e na especu- 
lação. As tentativas de explicar a Sociedade foram muito influenciadas pela Filosofia e a 
Religião. Na antiguidade e durante a Idade Média, Platão em seu livro “A República”, e 
Aristóteles com a obra “Política” foram o marco. É de Aristóteles a afirmação de que “o 
homem nasce para viver em sociedade”. A influência da religião observa-se em Santo 
Agostinho em sua obra “A cidade de Deus”, onde afirmava que nas cidades reinava o pecado. 
 
O empenho em atribuir ao estudo da sociedade um status semelhante ao das Ciências 
Naturais, que regulam os fenômenos físicos, químicos e biológicos, teve como resultado o 
nascimento da Sociologia. A preocupação com os fenômenos sociais sempre acompanhou a 
história das idéias do homem, no entanto, só se firmou como ciência no século XIX, quando 
se definiu seu campo de investigação e o modo pelo qual se procura conhecê-lo. 
 
 
A Primeira Forma de Pensamento Social 
 
A primeira corrente teórica sistematizada de pensamento sociológico foi o Positivismo, a 
primeira a definir precisamente o objeto, a estabelecer conceitos e uma metodologia de inves- 
tigação. Seu primeiro representante foi o pensador francês Auguste Comte. 
 
O Positivismo derivou do “cientificismo”, isto é, da crença no poder exclusivo e absoluto da 
razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis naturais. Essas leis seri- 
am a base da regulamentação da vida do homem, da natureza como um todo e do próprio uni- 
verso. Seu conhecimento pretendia substituir as explicações teológicas, filosóficas e de senso 
comum por meio das quais o homem explicava a realidade. 
 
O Positivismo reconhecia que os princípios reguladores do mundo físico e do mundo social 
diferiam quanto à sua essência. Comte denominou “física social” às suas análises da 
sociedade, antes de criar o termo sociologia, numa evidente tentativa de derivar as Ciências 
Sociais das Ciências Físicas. 
 
Cabe lembrar que tal filosofia inspirava-se no método de investigação das ciências da 
natureza, procurando identificar na vida social as mesmas relações e princípios com os quais 
os cientistas explicavam a vida natural. Procurava resolver os conflitos sociais por meio da 
exaltação à coesão, à harmonia natural entre os indivíduos, ao bem estar do todo social. 
 
CURIOSIDADES 
 
Auguste Comte (1798-1857) 
Nasceu em Montepellier, França, de uma família católica monarquista. Viveu a infância na 
França napoleônica. Estudou no colégio de sua cidade e depois em Paris, na Escola Politécnica. 
Tornou-se discípulo de Saint-Simon, de quem sofreu enorme influência. Devotou seus estudos 
à filosofia positivista. 
 
06 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo I - 1º ano 
 
 
A Sociologia de Durkheim 
 
Embora Comte seja considerado o pai da Sociologia, Émile Durkheim é tido como um dos 
seus primeiros grandes teóricos, tendo sido com ele que a Sociologia passou a ser considera- 
da uma ciência. Formulou as primeiras orientações para a Sociologia e demonstrou que os 
fatos sociais têm características próprias,que os distinguem dos que são estudados pelas ou- 
tras ciências. Para ele a Sociologia é o estudo dos fatos sociais. 
 
Para Durkheim, os fatos sociais são o modo de pensar, sentir e agir de um grupo social. Os 
fatos têm três características: generalidade, exterioridade e coercitividade. Tais conceitos serão 
objeto de estudo na unidade seguinte. Para ele a Sociologia tinha por finalidade não só explicar 
a sociedade como também encontrar soluções para a vida social. A teoria de Durkheim pre- 
tende demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e independem daquilo que pensa 
e faz cada indivíduo em particular. Embora todos possuam sua consciência individual, seu 
modo próprio de se comportar e interpretar a vida, observa-se nos grupos ou nas sociedades 
formas padronizadas de conduta e pensamento. E com base nesta constatação definiu cons- 
ciência coletiva. Na obra “Da Divisão do Trabalho Social” aparece a definição de consciência 
coletiva como sendo “conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros 
de uma mesma sociedade” que “forma um sistema determinado com vida própria”. 
 
A partir da segunda metade do século XX , com o fortalecimento do Capitalismo, que se 
tornou também mais complexo, a Sociologia ganha nova importância, deparando-se com 
questões com que até então não havia se preocupado como a ruptura de normas sociais, 
desagregação familiar, cidadania, minorias, violência, crimes. Esses temas levaram a 
Sociologia a buscar respostas para os novos desafios, que exigem uma análise científica de 
todos os aspectos da vida em sociedade, a fim de entender o presente e projetar o futuro. 
 
 
CURIOSIDADE: 
 
Émile Durkheim (1858 – 1917) 
Nasceu em Epinal, na França, descendente de uma família de rabinos. Iniciou seus estudos 
filosóficos na Escola Normal Superior de Paris, indo depois para a Alemanha. Lecionou 
Sociologia em Bornéus, primeira cátedra dessa ciência criada na França. Transferiu-se em 1902 
para Sorbone. 
 
 
Max Weber e a Ação Social 
 
Para Weber o objeto da Sociologia seria a Ação Social, a ação humana intencional. 
 
A compreensão do que é Ação Social seria a única forma para explicar os fatos sociais. 
Assim, a Ação Social não deveria apenas ser constatada ou descrita exteriormente, mas com- 
preendida. O homem, enquanto indivíduo, passou a ter significado e especificidade. É ele que 
dá sentido à sua Ação Social: estabelece a conexão entre o motivo da ação, a ação propria- 
mente dita e seus efeitos. 
 
Para a Sociologia Positivista, a ordem social submete os indivíduos como força exterior a 
eles. Para Weber, ao contrário, não existe oposição entre indivíduo e sociedade: as normas 
sociais só se tornam concretas quando se manifestam em cada indivíduo sob a forma de moti- 
vação. Cada sujeito age levado por um motivo que é dado pela tradição, por interesses 
racionais ou pela emotividade. 
 
 07 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo I - 1º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
Um dos trabalhos mais conhecidos e importantes de Weber é “A Ética Protestante e o 
Espírito do Capitalismo”, no qual ele relaciona o papel do protestantismo na formação do com- 
portamento típico do capitalismo ocidental moderno. Sua maior influência nos ramos espe- 
cializados da Sociologia foi no estudo das religiões, estabelecendo relações entre formações 
políticas e crenças religiosas. 
 
 
CURIOSIDADE : 
 
Max Weber (1864-1920) 
Nasceu na cidade de Erfurt (Alemanha), numa família de burgueses liberais. Desenvolveu 
estudos de direito, filosofia, história e sociologia, constantemente interrompidos por uma 
doença que o acompanhou por toda vida. Iniciou carreira de professor em Berlim e, em 1895, 
foi catedrático na Universidade de Heidelberg. Manteve contato permanente com intelectuais 
de sua época, como Simmel Sombart, Tönnies e Georg Lukács. Na política participou da 
comissão redatora da Constituição da República de Weimar. 
 
 
Karl Marx e a Sociologia 
 
Com o objetivo de entender o Capitalismo, Marx produziu obras de Filosofia, Economia e 
Sociologia. Sua intenção ia além de contribuir para o desenvolvimento da ciência, pois ten- 
cionava uma ampla transformação Política, Econômica e Social. 
 
Desenvolveu o conceito de alienação mostrando que a industrialização, a propriedade pri- 
vada e o assalariamento separavam o trabalhador dos meios de produção (ferramentas, 
matéria-prima, terra e máquina), que se tornaram propriedade do capitalista. Separava tam- 
bém, ou alienava, o trabalhador do fruto do seu trabalho, que também é apropriado pelo ca- 
pitalista. Essa é a base da alienação econômica do homem sob o capital. Max relata que a 
história do homem é a história da luta de classes, luta constante e de interesses opostos. 
 
De acordo com Marx o capitalismo tem seus dias contados, pois concentra cada vez mais 
dinheiro nas mãos de cada vez menos pessoas. No final, haverá tantos sem dinheiro que eles 
derrubarão o sistema e o substituirão por outro no qual o dinheiro não seja importante. Esse 
novo sistema denomina-se “Comunismo”. Sob o comunismo todos serão livres para traba- 
lharem para si e pelo bem comum. Entretanto, os países que tentaram por em prática tais 
idéias, como China, Cuba e a ex União Soviética, tiveram resultados variados, além de ques- 
tionarmos se foram fiéis às idéias de Marx. 
 
É preciso lembrar que as teorias marxistas, como o próprio Marx propôs, transcendem o 
momento histórico no qual são concebidas e têm uma validade que extrapola qualquer das ini- 
ciativas concretas que buscam viabilizar a sociedade justa e igualitária proposta por Marx. 
Nunca será bastante lembrar que a ausência da propriedade privada dos meios de produção é 
condição necessária, mas não suficiente da sociedade comunista teorizada por Marx. Assim, 
não se devem confundir tentativas de realizações levadas a efeito por inspiração das teorias 
marxistas com as propostas por Marx de superação das contradições capitalistas. 
 
Como Marx mostrou, o próprio esforço por manter e reproduzir um modo de produção acar- 
reta modificações qualitativas nas forças em oposição. Enganam-se os teóricos de direita e de 
esquerda que vêem em dado momento a realização mítica de um modelo ideal de sociedade. 
Hoje se vive nas ciências um momento de particular cautela, pois, após dois ou três séculos de 
crença absoluta na capacidade redentora da ciência, em sua possibilidade de explicitar de 
maneira inequívoca e permanente a realidade, já não se acredita na infalibilidade dos mode- 
los, sendo necessário o trabalho permanente de discussão, revisão e complementação. 
 
08 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo I - 1º ano 
 
 
CURIOSIDADE: 
 
Karl Marx (1818 – 1883) 
Nasceu na cidade de Treves, na Alemanha. Em 1836, matriculou-se na Universidade de 
Berlim, doutorando-se em filosofia. Foi redator de uma gazeta liberal em Colônia. Mudou-se 
em 1842 para Paris, onde conheceu Friedrich Engels, seu companheiro de idéias e publicações 
por toda vida. Expulso da França em 1845, foi para Bruxelas, onde participou da recém-funda- 
da Liga dos Comunistas. Em 1848 escreveu com Engels “O manifesto do Partido Comunista”, 
obra fundadora do “marxismo” enquanto movimento político e social a favor do proletariado. 
Com o malogro das revoluções sociais de 1848, Marx mudou-se para Londres, onde se dedi- 
cou a um grandioso estudo crítico da economia política. 
 
 
A Sociologia no Brasil 
 
Desde o início vimos estudando o desenvolvimento do pensamento sociológico como resul- 
tado de um longo processo, que culmina com a elaboração científica do pensamento social, no 
século XIX, quando dá sua plena autonomia em relação à filosofia social e quando realiza a 
concepção de objetos, conceitos e métodos próprios de análise, tendo comosustentação as 
condições sócio-históricas do capitalismo na Europa, a partir do Renascimento. 
 
Na América Latina, em especial no Brasil, esse processo obedeceu também às condições de 
desenvolvimento do capitalismo e à dinâmica própria de inserção do país na ordem capitalista 
mundial. Reflete, assim, a situação colonial, a herança da cultura jesuítica e o lento processo 
de formação do Estado nacional. 
 
Assim, vamos acompanhar um breve histórico da formação cultural no Brasil, ressaltando o 
desenvolvimento das idéias sociais a partir do contexto histórico. 
 
 
Dos Jesuítas aos dias atuais 
 
A colonização do Brasil, como a história já nos mostrou, é marcada pela vinda dos jesuítas 
e com eles a cultura européia introduzindo a religião como domínio cultural por três séculos. 
Apesar de instituírem o tupi como “língua geral”, os jesuítas foram os responsáveis pelo exter- 
mínio gradativo da cultura nativa, assim como a submissão das populações escravas, con- 
duzindo à subordinação da colônia aos interesses de Portugal e da Igreja. Assim durante sécu- 
los a cultura no Brasil manteve seu caráter ilustrado, de distinção social e dominação. 
 
Com a vinda da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, as atividades culturais surgem 
para atender a demanda da burguesia aqui instalada. As inovações implementadas foram: 
Criação da Imprensa Régia; surgimento da Biblioteca, hoje Biblioteca Nacional; incentivo ao 
estudo de botânica e zoologia com a criação do Jardim Botânico; surge o Museu Real (hoje 
Museu Nacional); vinda da Missão Cultural Francesa e a criação do Museu de Belas Artes. 
 
Nosso processo cultural no século XIX é marcado pela importação de idéias e concepções 
européias, introduzidas à revelia de nossa realidade. Desde então o processo educacional sofre 
várias mudanças ficando, por fim, a educação do povo a cargo das províncias, futuros estados, 
e a educação da elite sob responsabilidade do poder central; o que impediu a unidade do sis- 
tema educacional. A elitização do ensino fica evidenciada, portanto, com a criação das escolas 
de nível superior que atendessem às necessidades da burguesia e do estado constituído. Cabe 
ressaltar que a alienação cultural, utilizando modelos europeus, atendia a premissa de garan- 
tir o domínio do poder imperial. 
 
 09 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo I - 1º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
Grandes disparidades foram observadas com o distanciamento da classe culta da maioria 
da população, com apenas 10% da população em idade escolar matriculada nas escolas 
primárias, o alto índice de analfabetismo e educação predominantemente masculina, pois a 
feminina aparece aos poucos no final do século XIX, vez que à mulher cabia se dedicar às pren- 
das domésticas e à aprendizagem de boas maneiras, dentro de uma estrutura de sociedade 
com regime político imperialista de economia agrícola e patriarcal de base escravocrata. 
 
No início do século XX o capitalismo de monopólios acentua a concentração de renda e as 
conseqüentes disparidades sociais. É marcado no mundo por grandes conflitos nos diversos 
continentes, culminando com a Primeira Grande Guerra. O poderio econômico americano e o 
impacto mundial da crise da quebra da Bolsa de Nova Iorque geram desemprego em massa, 
o que exige a substituição do capitalismo liberal pelo capitalismo de organização, o que leva 
os países não desenvolvidos a uma crise em face de sua base agrícola. A ênfase na ciência e 
na tecnologia transforma os usos e costumes da humanidade. 
 
A década de 20 é marcada por um alto índice de analfabetismo (80%). Surge a 
escolanovista, e com ela a reação católica; as alternativas anarquistas são objetos de 
perseguição face ao incentivo ao ativismo político. A repressão acentua-se e fica mais distante 
a participação da sociedade, sendo reivindicadas autonomia, autogestão e diálogo. 
 
A década de 30 marcou a preocupação com o Brasil real, em oposição à colonização, o 
desenvolvimento nacionalista, como sentimento capaz de unir as diversas camadas sociais em 
torno de questões internas da nação e como inspiração para as políticas econômica e admi- 
nistrativa de proteção ao comércio e à indústria nacional. 
 
É fundada nessa época a Escola Livre de Sociologia e Política (1933), dedicada a estudos ori- 
entados pela sociologia norte-americana, e da Faculdade de Filosofia, Ciências e letras (1934). 
Procurou-se, assim, iniciar o estudo sistemático da sociologia, opondo-se ao caráter genérico 
de “humanidades” que adquiriu na formação de engenheiros, médicos e advogados, bem 
como diferenciar esse conhecimento, por seu cientificismo e pragmatismo, daquele apropria- 
do pelo Estado. Citamos aqui expoentes desse período: Caio Prado Júnior, Gilberto Freire, 
Sérgio Buarque de Hollanda e Fernando Azevedo. 
 
Com a Segunda Guerra Mundial grandes transformações sociais e políticas marcaram o iní- 
cio da década de 40, quando EUA e a então URSS firmaram-se como potências mundiais. E 
com a mudança de cenário, uma Nova |Ordem Social afirmava-se, de caráter transformador, 
em especial para os países do chamado Terceiro Mundo. A industrialização transformava as 
relações sociais entre classes, entre setores e entre regiões. Acentua-se o êxodo rural, com o 
abandono do campo por uma massa de população significativa, gerando forte dependência 
das áreas agrícolas à região Sudeste industrializada. O país adquiria nessa época a consciên- 
cia de sua complexidade e de sua particularidade. Aqui os sociólogos denotam grande pre- 
ocupação com a realidade latino-americana, desenvolvendo estudos entre semelhanças e 
diferenças existentes entre os conflitos e as sociedades latino-americanas. Destaca-se nesse 
momento por suas pesquisas Emílio Willems. 
 
Florestan Fernandes e Celso Furtado, importantes pensadores e responsáveis pela for- 
mação de duas grandes correntes do pensamento social brasileiro, marcam a década de 50. 
Discípulo de Roger Bastide, Florestan Fernandes desenvolveu importante pesquisa sobre 
negros e a questão racial no Brasil. Segundo ele a sociedade podia ser estudada pelos padrões 
e estruturas, isto é, os fundamentos da organização social e pelos dilemas, conjunturas históri- 
cas, que eram as contradições geradas pela dinâmica interna da estrutura. Daí sua abordagem 
muitas vezes denominada “histórico-cultural”. No campo da sociologia ocupou-se do estudo 
das relações sociais e da estrutura de classes da sociedade brasileira, o capitalismo depen- 
dente e o papel do intelectual. 
 
10 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo I - 1º ano 
 
 
Celso Furtado foi o grande inovador do pensamento econômico, não só no Brasil como em 
toda América Latina. É apontado como o fundador da economia política brasileira. Foi o defen- 
sor da idéia de que o subdesenvolvimento não correspondia a uma etapa histórica das 
sociedades rumo ao capitalismo, mas se tratava de uma formação econômica gerada pelo 
próprio capitalismo internacional. 
 
Neste mesmo período Darcy Ribeiro desponta com a questão indígena e mais adiante 
exerce forte influência, enquanto político, na mudança da Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional. A Sociologia entre o período de 40 e 60 produziu inúmeros trabalhos denunciando 
as desigualdades sociais e as relações de domínio e opressão internas e externas. 
 
Instalada a Segunda República com forte influência americana no golpe militar de 1964. Os 
reflexos da instalação da ditadura militar na sociedade e na Sociologia são significativos, uma 
vez que a repressão ao pensar social e político deu-se de inúmeras formas. Universidades 
foram fechadas, bem como entidades de classe estudantil, os principais nomes da Sociologia 
no Brasil foram sumariamente aposentados e impedidos de lecionar. Muitos foram exilados, 
outros se exilaram, passandoa publicar seus trabalhos no exterior. Várias reformas foram 
instituídas com a finalidade única de atender ao poder político dominante e repressor, impedin- 
do o progresso cultural no País. 
 
Com a transição democrática e o primeiro governo civil pós-ditadura militar, importante 
avaliação sugere uma revisão da situação política do país com a criação de partidos, bem como 
o ingresso de cientistas sociais na política. O Partido dos Trabalhadores (PT) teve adeptos a sua 
luta política como Florestan Fernandes, Antônio Cândido e Mello e Souza e Francisco Weffort. 
Darcy Ribeiro filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), Fernando Henrique Cardoso 
esteve presente à fundação do Partido Social-Democrata Brasileiro (PSDB), surgido da dis- 
sidência do antigo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). 
 
Uma progressiva diversificação das ciências sociais, e especial da sociologia. Multiplicaram- 
se os campos de estudo, fazendo surgir análises sobre a condição feminina, do menor, das fave- 
las, das artes, da violência urbana e rural, da religião, entre outras. A Sociologia vem se tor- 
nando cada vez mais interdisciplinar e plural, com a multiplicação de seus objetos de estudos. 
 
Vemos emergir um novo milênio com uma ordem social transformadora das relações influ- 
enciada pela evolução das comunicações, nos permite a comunicação em tempo real e a uni- 
versalização da imagem através da TV, alterando a maneira de pensar e agir das pessoas. Os 
sociólogos buscam redefinir os conceitos de dependência e divisão internacional do trabalho 
num mundo globalizado. 
 
 
PARA REFLETIR 
 
“Não há nenhum defeito naquele que procura a verdade baseado em suas 
próprias luzes; é mesmo um dever de cada um de nós.” 
 
“A verdade deve manifestar-se em nossos pensamentos. Em nossas ações”. 
 
“Cada dia a natureza produz o suficiente para nossas carências. Se cada um 
tomasse o que lhe fosse necessário não haveria pobreza no mundo e ninguém mor- 
reria de inanição”. 
Ghandi 
 
 
 
 11 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo I - 1º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
 
A VIDA SOCIAL 
CONCEITOS IMPORTANTES 
 
 
Quase todas as referências sobre a sociedade são feitas em termos de relações sociais. Em 
geral, pensa-se nas relações entre pai e filho, entre empregador e empregado, entre líder e par- 
tidário, entre comerciante e cliente, ou das que existem entre amigos, inimigos, etc. Essas 
relações estão situadas entre as características mais comuns da sociedade e, conseqüente- 
mente, pode parecer atitude perfeitamente óbvia estudar a sua natureza. Entretanto, a 
Sociologia deve analisá-las e classificá-las porque representam não somente uma forma 
comum, como também fundamental para a organização dos dados sociais. Em resumo, a 
sociedade deve ser encarada como um sistema de relações. 
 
Ao analisar as relações sociais verifica-se que são muito mais complexas que a princípio 
podem parecer. Todas as sociedades contêm centenas, talvez mesmo milhares de relações 
sociais convenientemente definidas. Tais relações sociais foram classificadas como interações, 
as quais podem ocorrer de pessoa para pessoa, entre uma pessoa e um grupo e entre um 
grupo e outro. 
 
 
Contato Social 
 
O contato social é a base da vida social. É o primeiro passo para que ocorra qualquer asso- 
ciação humana. 
 
Podemos considerar que existem dois tipos de contados sociais: primários e secundários. 
Os contatos sociais primários são os contatos pessoais, diretos e que têm forte base emo- 
cional, pois as pessoas envolvidas compartilham suas experiências individuais. Temos como 
exemplo os familiares, os de vizinhança, as relações sociais na escola, no clube. Já os contatos 
sociais secundários são impessoais, calculados, formais, um meio para atingir determinado 
fim. Como no caso do passageiro com o cobrador de ônibus, apenas para pagar a passagem; 
o cliente com o caixa do banco, para descontar um cheque. 
 
É importante destacar que com a industrialização e a urbanização diminuíram os contatos 
primários, pois a cidade é a área em que há mais grupos nos quais predominam os contatos 
secundários. As relações humanas nas grandes cidades podem ser mais fragmentadas e 
impessoais, caracterizando uma tendência ao individualismo. 
 
 
A Socialização 
 
Todo indivíduo é, em parte, produto de duas espécies distintas de transmissão, uma here- 
ditária e outra social. À primeira age através do mecanismo dos genes, cromossomos, e da 
reprodução humana - refere-se ao plano geral da realidade designado como biológico e estu- 
dado por um ramo especial da ciência biológica chamado “Genética”. O segundo funciona por 
intermédio do mecanismo do hábito, da educação e da comunicação simbólica - refere-se ao 
nível geral da realidade designado como sócio-cultural, e é tratado por outro ramo da Ciência 
Social que pode ser chamado de Estudo da Socialização. 
 
12 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo I - 1º ano 
 
 
Entretanto, a complexidade do assunto vai mais além. Não somente o indivíduo é um pro- 
duto desses dois processos dinâmicos de transmissão, como também dos vários e diferentes 
tipos de ambiente. Nem a transmissão genética, nem a comunicativa podem ocorrer num 
homem que não disponha de um meio geográfico, biológico, cultural e interpessoal. 
 
Pelo exposto acima, podemos afirmar que a socialização é um processo pelo qual os seres 
humanos passam ao viverem em sociedade, pois a vida em grupo é uma exigência da natureza 
humana. O homem necessita de seus semelhantes para sobreviver, perpetuar a espécie e tam- 
bém para se realizar plenamente como pessoa. 
 
 
Convívio Social, Isolamento e Atitudes 
 
Considerando-se que no convívio social o compartilhamento entre indivíduos se dá pelos 
contatos sociais, podemos dizer da importância dessa interação entre indivíduos para a per- 
petuação da espécie humana. 
 
E a maneira mais rápida de verificar o significado e a natureza do contato social consiste na 
observação da ausência de tal contato. 
 
O isolamento social caracteriza-se pela ausência de contatos sociais. Existem mecanismos 
que reforçam o isolamento social e entre eles estão as atitudes de ordem social e as atitudes 
de ordem individual. 
 
As atitudes de ordem social envolvem os vários tipos de preconceitos, como de raça, de 
sexo, de religião, etc. As atitudes de ordem individual que reforçam o isolamento dizem 
respeito a ação do próprio indivíduo como por exemplo a timidez, o confinamento solitário por 
devoção a alguma religião, o exercício de uma profissão solitária, anonimato urbano sem 
amizades, abandono voluntário da companhia humana, entre outros. 
 
 
A Comunicação e os Processos Sociais 
 
“Há setenta anos, Frederico II, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, 
efetuou um experimento para determinar que língua as crianças falariam quando 
crescessem, se jamais tivessem ouvido uma única palavra falada: falariam hebraico 
(que então julgava ser a língua mais antiga), grego, latim ou a língua de seu país? 
 
Deu instruções às amas e mães adotivas para que alimentassem as crianças e 
lhes dessem banho, mas que sob hipótese nenhuma falassem com elas ou perto 
delas. O experimento fracassou, porque todas as crianças morreram.” 
 
(Paul B. Horton e Chester L. Hunt) 
 
 
O texto acima confirma a vital importância da comunicação para os seres humanos, enquan- 
to ser social e para o desenvolvimento da cultura. 
 
O homem tem como principal meio de comunicação a linguagem. Através da linguagem o 
ser humano atribui significados aos sons articulados que emite, e isto é possível porque somos 
dotados de inteligência. Graças à linguagem podemos transmitir pensamentos e sentimentos 
aos nossos semelhantes,bem como passar aos descendentes nossas experiências e descober- 
tas, fazendo com que os conhecimentos adquiridos não se percam. 
 
 13 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo I - 1º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
À medida que as sociedades se tornaram mais complexas, os meios de comunicação foram 
se aperfeiçoando. Um grande avanço foi o surgimento da escrita, na Mesopotâmia, por volta 
de 4000 a.C. A invenção da imprensa por Gutenberg, no século XV, foi outro passo importante. 
Nos séculos XIX e XX assistimos à invenção do telégrafo, do telefone, do rádio, do cinema, da 
televisão, do telex, da comunicação por satélite, da Internet etc. 
 
Pelos meios de comunicação, os fatos, as idéias, os sentimentos, as atitudes, as opiniões 
são compartilhados por um conjunto enorme de indivíduos e atingem um grande número de 
países. Segundo o especialista em comunicação Marshall McLuhan, o mundo contemporâneo 
é uma autêntica “aldeia global”, onde fatos, opiniões e modos de vida são compartilhados por 
inúmeras pessoas. Os meios de comunicação de massa moldam hoje as idéias e opiniões de 
grupos cada vez maiores de indivíduos. E isso vem se verificando com uma intensidade cres- 
cente graças, sobretudo à Internet. Já mencionamos que as interações ocorrem como princí- 
pio básico para a relação social. Neste sentido, também as interações estão no contexto dos 
processos sociais. 
 
Processo é o nome que se dá à contínua mudança de alguma coisa numa direção definida. 
Processo social indica interação social, movimento, mudança. Os processos sociais são as 
diversas maneiras pelas quais os indivíduos e os grupos atuam uns com os outros, a forma 
como os indivíduos se relacionam e estabelecem relações sociais. 
 
Qualquer mudança proveniente dos contatos e da interação social entre os membros de 
uma sociedade constitui um processo social. Os processos sociais podem ser associativos, 
como a cooperação, ou dissociativos como a competição e conflito. 
 
O conflito é uma constante das relações humanas. Pede ser resolvido em determinado 
nível, como quando se registra um acordo sobre os fins em vista, para manifestar-se de novo 
sobre a questão dos meios. Entretanto, esse conflito parcial é diferente do conflito total, pois 
no conflito total implica na inexistência de qualquer nível de acordo, e sugere que o único 
método para a solução da disparidade de interesses é o recurso à força física. 
 
A competição , em contraste com o conflito que visa a destruir ou banir o adversário, des- 
tina-se simplesmente a anular o competidor na luta por objetivo comum. Sugere a existência 
de regras do jogo que os competidores precisam respeitar e que por trás dessas regras, justi- 
ficando-as e sustentando-as, existe um conjunto de valores comuns superiores aos interesses 
antagônicos. 
 
A cooperação ocorre quando o ser humano trabalha em conjunto para conquista de um 
objetivo comum. A cooperação pode ser direta, quando compreende as atividades que as pes- 
soas realizam juntas, como é o caso dos mutirões para construção de casas populares; ou indi- 
reta aquela em que as pessoas, mesmo realizando trabalhos diferentes, necessitam indireta- 
mente umas das outras, por não serem auto-suficientes, como por exemplo o médico e o 
lavrador: o médico necessita dos alimentos produzidos pelo lavrador, e este necessita do médi- 
co quando fica doente. 
 
É preciso deixar claro que as formas de interação acima descritas são todas interdepen- 
dentes. São aspectos constantes da sociedade humana. Todos os sistemas sociais, e na ver- 
dade toda e qualquer situação concreta, possuem-nas de forma completa e entrelaçada. Não 
existe cooperação de grupo, por mais harmoniosa que seja, que não contenha as sementes do 
conflito reprimido. Não existe conflito, por mais violento que possa ser, que não ofereça uma 
certa base oculta de entendimento. Não há competição, mesmo a mais implacável e impes- 
soal, que não seja capaz de oferecer certa dose de contribuição à causa superior cooperativa. 
 
 
14 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo I - 2º ano 
 
 
Deve ficar estabelecido que a análise do comportamento social em termos de formas de 
interação é um modo indispensável para o estudo dos fenômenos sociais. 
 
 
Problemas Sociais 
 
Embora sejam muitas as formas pelas quais a Sociologia pode ser aplicada, é evidente que 
muitos sociólogos, e a maioria dos que estão empenhados em trabalhos práticos, consideram 
a Sociologia aplicada principalmente em termos de sua capacidade de fornecer remédios para 
determinados males sociais. Vamos começar examinando o que constitui um problema social. 
 
Uma questão fundamental diz respeito à idéia de discriminação entre grupos sociais, bem 
como a maneira como as sociedades no mundo vivem e os homens desfrutam os bens e as 
oportunidades na vida social. Podemos dizer que é um problema de relações humanas que 
ameaça seriamente a sociedade. 
 
Um problema social existe quando a capacidade de uma sociedade organizada para ordenar 
as relações entre as pessoas parece estar falhando, como por exemplo, leis transgredidas, o 
fracasso na transmissão de valores de uma geração para outra, a delinqüência juvenil, o desvio 
de verbas públicas, a pobreza, conflitos industriais, a guerra, entre outros. 
 
O processo histórico tem mostrado como uma tendência marcante a diferenciação e a cres- 
cente complexidade da sociedade. Da pequena diferenciação social existente nas sociedades 
tribais, as diversas civilizações foram passando por processos que as levaram a formar os mais 
diferentes grupos, que começaram a se distinguir por etnia, nacionalidade, religião, profissão 
e, de forma mais acentuada, por classe social. A caminho das sociedades plurais, foram se for- 
mando inúmeros grupos, cada um com uma função, um conjunto de direitos, deveres, obri- 
gações e possibilidades de ação social. 
 
O mundo contemporâneo assiste ao resultado desse longo processo histórico de formação 
de uma civilização complexa e diferenciada, na qual os diversos grupos procuram monopolizar 
seus privilégios e as possibilidades de acesso à produção de bens e mecanismos de dis- 
tribuição desses bens na sociedade. 
 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
COSTA , Cristina. Sociologia – Introdução à ciência da Sociedade. 
2ª ed. São Paulo, Moderna. 2001. 
COTRIM , Gilberto. História do Brasil. 1ª ed. São Paulo, Saraiva. 1999. 
História e Consciência do Mundo.6ª ed. São Paulo, Saraiva, 1999. 
DAVIS , Kingsley. A sociedade Humana. Rio de Janeiro, Fundo de Cultura.1964. 
DUVERGER , Maurice. Sociologia Política. Rio de Janeiro, Forense. 1968. 
HOLLANDA , Aurélio Buarque de. Novo Dicionário Aurélio. 2ª ed. Rio de Janeiro, 
Nova Fronteira. 1986. 
OLIVEIRA , Pérsio Santos. Introdução à Sociologia. 20ª ed. São Paulo, ABDR. 2000. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 15 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
 
 
 
AGRUPAMENTO SOCIAL 
 
 
 
A natureza humana exige que vivamos em grupos, sendo condição necessária para a 
preservação e sobrevivência da espécie. O homem sempre procurou viver em sociedade for- 
mando agrupamentos como as famílias. 
 
Por grupo social é definido no Dicionário Aurélio: “Forma básica da associação humana; 
agregado social que tem uma entidade e vida própria, e se considera como um todo, com suas 
tradições morais e materiais”. 
 
Sabemos que há muitas definições de grupos sociais, mas há uma confluência entre os con- 
ceitos, pois grupo social sempre significa a reunião de pessoas em interação entre si. 
 
Para a Sociologia, grupo social é toda reunião de duas ou mais pessoas associadas pela 
interação. Devido à interação social, os grupos mantêm uma organização e são capazes de 
ações conjuntas para alcançar objetivos comunsa todos os seus membros. 
 
Ao longo da nossa existência participamos de vários grupos sociais como o familiar, o vi- 
cinal – formado pela vizinhança, o educativo, o religioso, o de lazer, o profissional e o político. 
Cada um desses grupos tem características próprias, às quais passamos a descrever: 
 
• Pluralidade de indivíduos – há sempre mais de um indivíduo no grupo; grupo dá 
idéia de algo coletivo; 
 
• Interação social – no grupo os indivíduos comunicam-se uns com os outros; 
 
• Organização – todo grupo, para funcionar bem precisa de uma certa ordem interna; 
 
• Objetividade e exterioridade – os grupos sociais são superiores e exteriores ao 
indivíduo, isto é, quando uma pessoa entra no grupo, ele já existe; quando sai, ele 
continua a existir ; 
 
• Conteúdo intencional ou objetivo comum – os membros de um grupo unem-se 
em torno de certos princípios ou valores, para atingir um objetivo de todo o grupo; 
a importância dos valores poder ser percebida pelo fato de que os grupos geralmente 
se dividem quando ocorre um conflito de valores; um partido político, por exemplo, 
pode dividir-se quando uma parte de seus membros passa a discordar de seus 
princípios básicos; 
 
• Consciência grupal ou sentimento de “nós” – são as maneiras de pensar, sentir e agir 
próprias do grupo; existe um sentimento mais ou menos forte de compartilhar uma série 
de idéias, de pensamentos, de modos de agir; um exemplo disso é o jogador de futebol 
que, quando fala da vitória de seu time diz: “Nós ganhamos!”; 
 
• Continuidade – as interações passageiras não chegam a formar grupos sociais 
organizados; para isso, é necessário que as interações tenham certa duração; como 
exemplo temos a família, a escola, a igreja, etc.; mas há grupos de curta duração 
que aparecem e desaparecem com facilidade, como os mutirões para a construção de casas. 
 
16 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
Considerando a classificação dos contatos sociais estabelecidos entre as pessoas e grupos, 
podemos classificar os grupos sociais como primários, secundários ou intermediários . 
 
Os grupos primários são aqueles em que predominam os contatos pessoais, diretos, ou 
seja, os realizados pela família, vizinhos, grupos de brinquedo e lazer. 
 
Os grupos secundários são grupos sociais mais complexos, como as igrejas, o Estado, em 
que predominam os contatos de maneira pessoal e direta, mas sem intimidade; ou de maneira 
indireta, através de cartas, Internet, etc. 
 
Os grupos intermediários são os que se alternam e se complementam as duas formas de 
contatos sociais, primários e secundários, como por exemplo a escola. 
 
Há ainda outros tipos de reunião de pessoas, mas com fraco sentimento grupal e pessoas 
frouxamente aglomeradas, que são os chamados Agregados Sociais . Devemos lembrar que 
o agregado social não é organizado e as pessoas que dele participam são relativamente anô- 
nimas. Tipos de agregados sociais: 
 
• Multidão – grupo de pessoas reunidas para observar um fato, uma ocorrência, como 
as que assistem a um incêndio num edifício, ou que se encontra na rua para brincar 
o Carnaval. Tem como características a falta de organização, o anonimato, 
objetivos comuns, a indiferenciação e a proximidade física. 
 
• Público – é um agrupamento de pessoas que seguem os mesmos estímulos. 
É espontâneo, amorfo, não se baseia no contato físico, mas na comunicação recebida 
pelos diversos meios de comunicação. Os modos de pensar, agir e sentir do público 
compõe o que é conhecido como opinião pública. 
 
• Massa – é formada por pessoas que recebem de maneira mais ou menos passiva opiniões 
formadas, que são veiculadas pelos meios de comunicação de massa; consiste num 
agrupamento relativamente grande de pessoas separadas e desconhecidas umas das 
outras. Como não obedecem às normas, a formação das massas é espontânea. Apesar 
da semelhança entre público e massa há uma diferença básica: o público não apenas 
recebe opiniões, mas também exprime a sua; o que em geral não ocorre com a massa. 
 
 
Mecanismos de Sustentação dos Grupos Sociais 
 
 
Toda sociedade tem uma série de forças que mantém os grupos sociais. Passaremos a 
relatar abaixo aquelas que consideramos as principais. 
 
 
Liderança 
 
É uma ação exercida por um líder, que dirige o grupo, transmitindo idéias e valores aos out- 
ros membros. A liderança pode ser institucional e pessoal. 
 
A liderança institucional é derivada da autoridade que uma pessoa tem em virtude da 
posição social ou do cargo que ocupa. 
 
A liderança pessoal é a originada pelas qualidades pessoais do líder (inteligência, prestí- 
gio social e moral, poder de comunicação, atitudes, encanto pessoal, etc). Como peça impor- 
 
 17 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
tante de sustentação do grupo, o líder desempenha papel integrador entre seus membros, 
transmitindo-lhes idéias, normas, valores sociais, ao mesmo tempo em que representa os 
interesses e os valores do grupo. Os grupos quase sempre aceitam a liderança com respeito. 
Há lideranças que chegam a ser veneradas, como é o caso de Ghandi (1869-1948), líder espi- 
ritual e político dos hindus, que lutou pela paz e pela unificação da Índia, mas acabou assassi- 
nado em seu próprio país. 
 
 
Normas e Sanções Sociais 
 
Normas e sanções sociais são regras de conduta, que orientam e controlam o comporta- 
mento das pessoas enquanto grupo social e integrante da sociedade. As normas sociais 
indicam o que é permitido e o que é proibido. 
 
Toda norma social corresponde a uma sanção social, que é uma recompensa ou uma 
punição atribuída ao indivíduo em função do seu comportamento social. 
 
A sanção social pode ser aprovativa – quando vem sob a forma de aceitação, aplausos, 
honras, promoções – é o reconhecimento do grupo por ter o indivíduo cumprido o que se 
esperava dele; e reprovativa – quando corresponde a uma punição imposta ao indivíduo que 
desobedece a alguma norma social. 
 
 
Símbolos 
 
É algo cujo valor ou significado é atribuído pelas pessoas que o utilizam. Qualquer coisa 
pode se tornar símbolo. As pessoas atribuem significado a um objeto, uma cor, um hino ou um 
gesto, e estes se tornam símbolos de algo, como a riqueza, o prestígio, a posição social ele- 
vada, etc. Como exemplo em nossa sociedade temos a aliança que no casamento simboliza a 
união e a felicidade; entre nós o preto significa luto, entre os orientais o branco significa luto. 
 
A linguagem é um conjunto de símbolos, e é a mais importante forma de expressão sim- 
bólica. Sem a linguagem não haveria organização social humana, em nenhuma de suas man- 
ifestações: política, econômica, religiosa, militar, etc. 
 
 
Valores Sociais 
 
A sociedade estabelece o que é bom e o que é ruim, o que é bonito e o que é feio, o que é 
certo e o que é errado. Os valores sociais variam no tempo e espaço em função de cada época, 
de cada geração, de cada sociedade; os fatos, as idéias, as opiniões terão significado depen- 
dendo do contexto social em que estão inseridas. Como exemplo citamos que o trabalho 
doméstico e o cuidado dos filhos, antes considerados tarefas exclusivamente femininas são 
hoje divididos entre o casal. 
 
“Lembre-se: o sucesso só vem antes do trabalho em um lugar – no DICIONÁRIO”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
 
 
 
ECONIMIA E SOCIEDADE 
 
 
 
HISTÓRIA DA ECONOMIA 
 
A Divisão do Trabalho 
 
Duas das mais antigas civilizações da História, a egípcia e a mesopotâmica, puderam desen- 
volver-se graças à divisão do trabalho. Antes delas, para sobreviver, todos os homens eram 
obrigadosa sair diariamente em busca de alimentos (caça de animais e coleta de vegetais), ou 
seja, todos praticavam a mesma atividade e dentro do grupo não existiam grandes diferenças 
sociais. Com o nascimento da agricultura e a evolução de técnicas produtivas, tornou-se pos- 
sível para um só indivíduo produzir muito mais que o necessário para a sua sobrevivência. 
Uma parte dos membros da comunidade pode livrar-se da necessidade de produzir meios de 
subsistência. Assim nasceu a figura do soberano absoluto, considerado um deus, com poder 
de vida e morte sobre seus súditos. Passou a existir também um número restrito de aristo- 
cratas, encarregados da defesa militar da comunidade e da segurança pessoal do soberano, 
além de um aparato burocrático constituído de escribas, responsáveis pela gestão administra- 
tiva do Império. O restante da população, a grande maioria, dedicava-se às atividades produti- 
vas: agricultura, canalização de rios e construção de diques de proteção. 
 
 
A Escravidão 
 
Na Grécia e na Roma antigas, as forças predominantes da economia eram representadas 
pelos escravos. Considerados como simples mercadorias, que podiam ser adquiridas ou ven- 
didas a qualquer momento, os escravos não dispunham de nenhum direito. Os proprietários 
podiam dispor deles como bem lhes aprouvesse e sua única preocupação era mantê-los com 
saúde e em boas condições de trabalho. Filósofos como Platão e Aristóteles não só aceitavam 
como até justificavam a escravidão. Platão limitou-se a recomendar um tratamento mais 
humano em relação aos escravos; Aristóteles, que os considerava seres inferiores, justificou a 
escravidão como um fato perfeitamente natural. Afirmava que os escravos eram destinados à 
escravidão porque para eles “nada é melhor do que obedecer”. Além disso, Aristóteles con- 
siderava a guerra um meio legítimo para a obtenção de escravos. 
 
Desenvolveram-se com base no trabalho escravo as civilizações grega e romana. Mas, con- 
siderações morais à parte, a escravidão apresentava um importante aspecto negativo: os 
escravos não tinham interesse algum em desenvolver suas atividades nem melhorar o modo 
de produção, pois compreendiam que uma maior dedicação ao trabalho não lhes traria van- 
tagem alguma. 
 
 
O Sistema Feudal 
 
Na Idade Média, a escravidão foi substituída pelo feudalismo. O sistema feudal organizou- 
se a partir da divisão da população em uma hierarquia que, de forma simplificada, pode ser 
representada por uma pirâmide; na base dessa “pirâmide social” situava-se a grande maioria 
dos servos, os camponeses, que trabalhando arduamente do amanhecer ao pôr-do-sol con- 
seguiam o mínimo necessário para a sua sobrevivência. Os servos encontravam-se submeti- 
 
 19 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
dos à autoridade de um senhor feudal (vassalo), que lhes concedia a possibilidade de cultivar 
a terra (em troca de um tributo em dinheiro ou, com mais freqüência, de parte da própria pro- 
dução) e administrava a justiça. O vassalo, por sua vez, devia obediência a um senhor de grau 
mais elevado, do qual recebia proteção; nessa escala, o vértice da pirâmide era ocupado pelo 
soberano. O senhor feudal vivia no castelo, em torno do qual estendiam-se as terras de sua 
propriedade, o feudo, praticamente autônomo sob o ponto de vista econômico. (Nessa época, 
as trocas comerciais eram muito limitadas). 
 
No sistema feudal, os servos assumiram o lugar que antes cabia aos escravos. Porém, 
enquanto os escravos pertenciam plenamente ao dono e, como qualquer mercadoria, podiam 
ser comprados e vendidos, os servos “pertenciam” ao feudo. No caso de um feudo passar para 
um outro senhor, os sevos apenas mudariam de “patrão”. 
 
 
As Origens do Capitalismo 
 
A partir do século XI surgiram diversos fatores que, no decorrer de algumas centenas de 
anos, provocaram a ruptura das relações feudais e deram origem ao sistema capitalista. O 
primeiro desses fatores foi o aumento da produtividade no campo, como conseqüência da 
melhoria das técnicas agrícolas (principalmente a introdução da rotação das culturas). Até 
então, era comum utilizar-se, durante anos, o mesmo campo para plantio das mesmas cul- 
turas, o que resultava em uma produção bastante escassa. Mais tarde descobriu-se que, var- 
iando as culturas e providenciando para que os campos cultivados passassem por períodos de 
“descanso”, a fertilidade da terra aumentava de maneira considerável. Assim, foi desenvolvi- 
da a rotação trienal: depois de cultivar um cereal, o trigo ou o centeio, por exemplo, o agricul- 
tor plantava uma leguminosa (o feijão ou a ervilha) e, no terceiro ano, deixava o campo em 
repouso. A abundância de colheitas, especialmente as de alimentos, traduziu-se logo em um 
notável aumento da população, que duplicou entre os anos 1000 e 1300. Como conseqüência, 
houve um processo migratório do campo para cidade, onde se concentraram as manufaturas. 
Ao mesmo tempo, o comércio desenvolveu-se de modo acentuado; as grandes cidades como 
Veneza, por exemplo, passaram a viver exclusivamente da atividade comercial. Mesmo as 
Cruzadas, cuja motivação fora sempre religiosa, passaram a ser organizadas com objetivos 
apenas comerciais. 
 
Nas cidades desenvolveram-se as primeiras formas de atividade industrial: comerciantes 
empreendedores começaram a investir sua riqueza pessoal na aquisição de ferramentas e 
matérias-primas para a produção de mercadorias acabadas; os artesãos, por sua vez, se limi- 
tavam a fornecer o próprio trabalho, geralmente realizado em seu domicílio e não mais na pro- 
priedade dos empreendedores. As primeiras fábricas, que produziam, sobretudo tecidos, flo- 
resceram inicialmente em Flandres e mais tarde na Inglaterra. 
 
Outro fenômeno decisivo para o nascimento das primeiras formas de capitalismo foi a ocor- 
rência das grandes explorações marítimas e a conquista de territórios até então desconheci- 
dos, em especial a descoberta do continente americano. 
 
No decorrer do século XVI, chegou das Américas uma quantidade de prata e ouro nove 
vezes superior à existente na Europa antes das viagens de Cristóvão Colombo. (Ao contrário 
do que se supõe, havia mais prata do que ouro). 
 
Essa imensa riqueza provocou um fenômeno negativo denominado inflação, ou seja, um 
aumento no nível geral de preços que se verifica quando há um aumento da moeda em circu- 
lação e uma diminuição do valor real do dinheiro, de modo que para se adquirir um bem é 
necessária uma maior quantidade de dinheiro. 
 
20 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
Os preços aumentaram cerca de quatro vezes em relação ao valor original, situação da qual 
os empresários da indústria manufatureira se aproveitaram melhor do que os assalariado e 
agricultores. A desvalorização da moeda permitiu aos empresários acumular grandes riquezas, 
que, “reinvestidas” em ferramentas e maquinaria, lhes possibilitaram lucros cada vez maiores. 
 
Desse modo, foi instaurado o mecanismo fundamental do sistema capitalista: para financiar 
suas atividades, o capitalista industrial procura o sistema bancário – este, por sua vez, ao 
menos em parte, é utilizado como forma de consolidação e expansão da indústria e dela obtém 
lucros cada vez maiores. 
 
Para colocar em movimento tal mecanismo era necessário um capital inicial, formado 
graças ao recém-criado sistema bancário. E este não poderia ter nascido sem o desenvolvi- 
mento do comércio, sem a expansão da classe mercantil (de onde provêm os primeiros 
empreendedores capitalistas), sem a substituição da figura do artesão pela do trabalhador 
livre, que usa ferramentas e matérias-primas fornecidas pelo empreendedor; e sem a inflação, 
originada pelo ouro e pela prata trazidos da América. Na Inglaterra, país onde primeiro sedesenvolveu o Capitalismo, assumiu importância crucial a apropriação das terras comunais, 
que antes eram utilizadas por todos os camponeses para a produção de seu próprio alimento. 
Mediante um processo violento e cruel de rescisão de contrato, os ricos proprietários rurais 
impediram o acesso dos camponeses a essas terras e passaram a destiná-las ao pastoreio, em 
um momento no qual a criação de ovelhas se tornava uma atividade bastante rentável, devi- 
do, principalmente, à rápida expansão da indústria têxtil. Como conseqüência, grande parte da 
população rural viu-se obrigada a abandonar o campo, indo engrossar as fileiras do operaria- 
do que enchiam as cidades industriais. O processo da rescisão de contrato teve início no sécu- 
lo XIII, mas alcançou sua intensidade máxima entre o século XV e o século XVI. 
 
 
A Revolução Industrial 
 
A partir do século XVIII desenvolveu-se na Inglaterra, depois em outros países da Europa e 
nos Estados Unidos, o processo que conduziu ao capitalismo moderno: a chamada Revolução 
Industrial. 
 
Esse processo consistiu, em termos básicos, na substituição das indústrias primitivas típicas 
das primeiras formas de capitalismo, em que muitas vezes o trabalho era realizado em casa, 
pelas fábricas, onde os manufaturados eram produzidos em uma longa seqüência de ope- 
rações, cada uma delas efetuada por determinada máquina e controlada por um operário, cujo 
trabalho limitava-se a seguir operações simples e repetitivas. 
 
Agora, o operário não mais participava de todo o processo produtivo da fabricação de ma- 
nufaturados, realizava apenas uma parte da produção. Pela primeira vez, a máquina não tinha 
somente a função de facilitar o trabalho do homem, mas a de substituí-lo. A introdução das 
primeiras máquinas preocupou de tal forma os trabalhadores que, ao se sentirem ameaçados, 
organizaram manifestações de protesto exigindo a destruição das máquinas. 
 
A Revolução Industrial tornou-se possível graças à utilização do motor a vapor. Inventado 
no início do século XVII, foi somente depois dos anos 70, quando James Watt idealizou um 
modelo mais eficiente, que o motor a vapor passou a ser empregado em larga escala nas ativi- 
dades industriais, especialmente nos setores têxtil, metalúrgico e tipográfico. 
 
Os motores a vapor também exerceram papel fundamental no desenvolvimento dos trans- 
portes, tanto marítimos (no caso dos navios a vapor em substituição aos barcos a vela) quan- 
to dos terrestres (na construção de ferrovias). E, uma vez que o combustível utilizado nesse tipo 
 
 21 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
de motor era o carvão, os países que dispunham dessa matéria-prima em grande escala le- 
vavam maiores vantagens, como aconteceu com a Inglaterra e a França, os primeiros países a 
industrializar-se. Os motores a vapor também foram utilizados na exploração de outros recur- 
sos minerais além do carvão, principalmente do ferro, também um elemento essencial no 
desenvolvimento da Revolução Industrial. 
 
 
O Nascimento do Liberalismo 
 
No início da Revolução Industrial, em 1776, foi publicado na Inglaterra o que pode ser con- 
siderado o primeiro tratado completo de economia: Investigação sobre a Natureza e as Causas 
da Riqueza das Nações, escrito pelo escocês Adam Smith (1723-1790). Nessa obra o econo- 
mista estabelece a distinção entre preço natural de uma mercadoria e o preço corrente. Para 
ele, o primeiro representava o valor de uma mercadoria e consiste na soma dos custos da 
terra, do capital e do trabalho. O preço corrente, ao contrário, é o preço que se forma no mer- 
cado, o preço efetivamente pago pelo comprador para adquirir uma determinada mercadoria 
para seu uso. Nessa condição de mercado livre, na qual o Estado não impõe nenhuma 
restrição aos empresários e não existem monopólios, o preço corrente tende a igualar-se ao 
preço natural, graças à capacidade de auto-regulação, uma característica do sistema capita- 
lista. Smith é radicalmente contra a intervenção do Estado na Economia, a não ser para 
impedir a formação de monopólios. 
 
A característica fundamental do pensamento de Adam Smith é o otimismo: ele está con- 
vencido de que o aumento da produtividade, obtido com a divisão do trabalho, gera lucros 
que, reinvestidos na atividade produtiva, aumentam a demanda de trabalho. E que desse 
modo tem origem um processo de crescimento constante, vantajoso para toda a população. 
 
A evolução do sistema capitalista seguiu-se as grandes inovações tecnológicas, como a 
invenção do dínamo que abriu as portas para a utilização da energia elétrica; progressos na 
área da química com a introdução dos primeiros fertilizantes agrícolas; em 1887 Alfred Nobel 
inventa a dinamite, revolucionando o campo bélico; e assim a modernização do sistema pro- 
dutivo com a eliminação de empresas menores, faz a transição do capitalismo de “mercado 
livre” para o capitalismo monopolista, caracterizado pela concentração do capital em 
um número restrito de empresas . Estas se tornaram tão poderosas que passaram a con- 
trolar a opinião pública e a política dos governos. Os bancos assumiram papel cada vez mais 
importante, bem como a exportação de capitais. 
 
 
A Grande Depressão 
 
Em outubro de 1929 surge nos Estados Unidos a maior crise da história do capitalismo, ori- 
ginada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque tendo reflexos em todo o mundo. 
 
Com essa crise a maioria dos economistas compreendeu que a idéia segundo a qual o ca- 
pitalismo tendia naturalmente para um ponto de equilíbrio, com trabalho para todos, era pura 
ilusão. John Maynard Keynes (1883-1946), um dos maiores economistas do nosso século, sus- 
tentava que a intervenção do Estado era a única forma de enfrentar uma crise de tal dimensão. 
Segundo ele, quando a situação da Economia é insegura demais para despertar nos investi- 
dores o desejo de investir, cumpre ao Estado criar oferta de trabalho, de forma a reativar o con- 
sumo e criar condições para novos investimentos privados. 
 
22 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
O Capitalismo Hoje 
 
Após a Segunda Guerra Mundial, iniciou-se uma nova fase do capitalismo. E coube nova- 
mente à tecnologia um papel fundamental. O desenvolvimento da eletrônica permitiu constru- 
ir, entre outras máquinas, computadores cada vez mais avançados e a custos mais baixos; a 
Inteligência Artificial permitiu a automação de muitos processos produtivos. 
 
O processo de internacionalização do capital afirmou-se em definitivo. Porém, é importante 
lembrar que uma nova ordem econômica deva ser estabelecida entre os povos, vez que a 
economia mundial encontra-se em mãos dos países tidos como mais ricos e desenvolvidos, os 
quais reafirmaram seu poderio em detrimento da miserabilidade de outros tantos países. 
 
Assistimos ao início do século XXI com marcas importantes no tocante à consciência da 
interdependência das sociedades, ao desenvolvimento sustentável e distribuição das riquezas. 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
“Muito estudo, pouca renda” – O GLOBO – 17/03/02 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 23 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
 
ESTRATIFICAÇÃO 
E MOBILIDADE SOCIAL 
 
 
O termo estratificação social identifica um tipo de estrutura social que dispõe o indivíduo, 
com suas posições e seus papéis sociais, em diferentes camadas ou estratos da sociedade. 
 
Todos os aspectos de uma sociedade, econômico, político, social e cultural, estão interliga- 
dos. Assim, vários tipos de estratificação não podem serentendidos separadamente. Mas, 
para fins didáticos, vamos começar classificando-os. 
 
A estratificação econômica baseia-se na posse de bens materiais, fazendo com que haja 
pessoas ricas, pobres e em situação intermediária. O aspecto econômico tem sido mais deter- 
minante que os outros na caracterização da sociedade. 
 
A determinância da estratificação econômica consiste, basicamente, na formação de grupos 
hierarquizados por nível de rendimento. Assim, temos os grupos denominados classe A, classe 
B e classe C. Veja a seguir a pirâmide social de renda, na qual a sociedade é dividida em 
estratos ou camadas sociais: 
 
 
pessoas de renda alta 
 
 
pessoas de renda média 
 
 
pessoas de renda baixa 
 
 
 
Dependendo do tipo de sociedade, esses estratos ou camadas podem ser organizados em 
castas, como na Índia; Estamentos ou Estados, como na Europa Ocidental durante o 
Feudalismo; e classes sociais, como nos países capitalistas. 
 
A estratificação política baseia-se na situação de mando na sociedade, ou seja, grupos 
que têm poder e grupos que não têm. 
 
A estratificação profissional baseia-se no diferentes graus de importância atribuídos a cada 
profissional pela sociedade, como, por exemplo, valorizamos mais a profissão de médico do 
que a de pedreiro. 
 
 
Camadas ou Estratos Sociais 
 
Existem sociedades que, mesmo usando toda sua capacidade e empregando todos os 
esforços, o indivíduo não consegue alcançar uma posição social mais elevada. Nesses casos, a 
posição social lhe é atribuída por ocasião do nascimento, independentemente da sua vontade e 
sem perspectiva de mudança. Ele carrega consigo, pelo resto da vida, a posição social herdada. 
 
24 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
A sociedade indiana é estratificada dessa maneira. Desde há muito tempo implantou-se na 
Índia um sistema de estratificação social muito rígido e fechado, é o sistema de castas. 
Enquanto nas sociedades ocidentais pessoas de classes sociais diferentes podem se casar, na 
Índia ainda persiste o casamento somente entre pessoas da mesma casta. 
 
As castas sociais são grupos sociais fechados, endógenos (os casamentos de dão entre 
membros de uma mesma casta), cujos membros seguem tradicionalmente uma determinada 
profissão herdada do pai. 
 
No século XX , as reformas e mudanças na Economia do país começaram a romper o sis- 
tema de castas sociais. Nos grandes centros urbanos como Nova Delhi o rompimento deste 
sistema vem sendo gradativo. Porém nas aldeias ainda é rígido, apesar de o sistema de castas 
ter sido abolido oficialmente no país em 1947. 
 
O estamento ou estado é uma camada social semelhante à casta, porém mais aberta. Na 
sociedade estamental a mobilidade social vertical ascendente é difícil, mas não impossível como 
na sociedade de castas. É a sociedade típica dos feudos da Idade Média, na qual a pirâmide social 
apresentava em seu topo a nobreza e o alto clero; abaixo destes estavam os comerciantes; abaixo 
dos comerciantes estavam os artesãos, camponeses livres e baixo clero; e na base da pirâmide 
estavam os servos. Tal classificação existiu na Europa até fins do século XVIII. 
 
A classe social é característica das sociedades capitalistas, nas quais as relações de pro- 
dução vão dar origem a camadas sociais diferentes. Nas sociedades capitalistas existem basi- 
camente duas classes sociais: a burguesia, ou classe alta, que é a proprietária dos meios de 
produção; e o proletariado, ou classe baixa, que é a proprietária apenas de sua força de tra- 
balho. Entretanto, ainda encontramos a classe média, ou pequena burguesia, que vive do 
pequeno capital, como os pequenos industriais, ou pequenos comerciantes, porém, em nossa 
sociedade esta classe vem amargando um grande achatamento para baixo face aos níveis 
inflacionários, de desestabilização econômica e elevados níveis de desemprego. 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
“Crianças sofrem na baixada” – OGLOBO – 17/03/02 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 25 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
Mobilidade Social 
 
A mobilidade social é a mudança de posição social de uma pessoa num determinado sis- 
tema de estratificação social. A mobilidade social pode ser do tipo vertical ou horizontal. 
 
Mobilidade social vertical diz respeito à mudança no sentido de subir ou descer na hier- 
arquia social. Neste caso ela pode ser ascendente, ascensão social – quando a pessoa melho- 
ra sua posição social, passando a integrar um grupo em geral economicamente superior ao de 
seu grupo anterior. Ou descendente, queda social – quando a pessoa piora de posição social e 
passa a integrar um grupo em geral economicamente inferior. 
 
Mobilidade social horizontal ocorre quando a mudança social dá-se dentro da mesma 
camada social, como por exemplo, um operário que muda de partido político ou se casa com 
uma pessoa da mesma classe social. 
 
Devemos lembrar que o fenômeno da mobilidade social varia de sociedade para sociedade. 
Em algumas sociedades ela ocorre de maneira mais fácil; em outras, quase inexiste no senti- 
do vertical ascendente. Em geral é mais fácil ascender socialmente em São Paulo do que numa 
cidade no interior do Nordeste, ou seja, as oportunidades, facilidades e restrições serão fatores 
que se apresentarão dependendo da sociedade em que nos encontremos. 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
“Informalidade domina a mineração brasileira” – JORNAL DO BRASIL 03/11/01 
 
 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
 
 
 
AS INSTITUIÇÕES SOCIAIS 
 
 
 
“A MAIOR DE TODAS AS CONQUISTAS É AQUELA OBTIDA COM A CONSCIÊNCIA”. 
 
Estudos sociológicos e antropológicos reafirmam a importância da Família, da Religião, do 
Estado e da Escola como instituições comprometidas com a formação moral e civil do cidadão. 
Segue-se algumas ponderações a esse respeito, considerando em especial autores como 
Pérsio Santos de Oliveira, Jay Stevenson, Dalai Lama, Paulo Freire e Nilson Guedes de Freitas. 
 
A Família 
 
A família constitui o primeiro grupo social primário ao qual pertencemos e é neste grupo 
que teremos contato com as regras de controle e de comportamento para uma convivência 
harmônica em sociedade. 
 
Os estudos comparativos da família entre muitos povos diferentes nos dão uma visão de 
que alguns aspectos na estrutura familiar podem variar no tempo e no espaço. Essas variações, 
que podem ser quanto à forma de casamento, ao número de casamentos, ao tipo de família e 
aos papéis familiares, são fundamentais para nossa compreensão real da família. Primeiro a 
concepção da evolução pela visão da biologia nos sugere uma instituição avançada, se con- 
siderarmos a visão baseada no casamento monogâmico digno de louvor e carinho. Excluíam- 
se, desta forma, todas as associações familiares que divergiam deste conceito. 
 
Com a civilização moderna, os antropólogos passam a conceituar que a vida familiar está 
presente em praticamente todas as sociedades, mesmo naquelas com costumes sexuais e edu- 
cacionais diferentes dos nossos. 
 
À família cabe a responsabilidade de transmissão de valores e padrões culturais da 
sociedade, sendo a primeira agência de socialização do indivíduo. Com isso, o maior manan- 
cial de transmissão de amor e bondade vez que se supõem relações harmônicas e respeitosas. 
 
E dentro do atual contexto social pode-se afirmar das fantásticas dificuldades que o gestor 
da família vem desbravando face à globalização e massificação das comunicações. O ques-tionamento passa a ser quanto aos valores morais e condutas éticas a transmitir com os meios 
de comunicação despejando diariamente casos de autoridades envolvidas em corrupção, 
desvio de verbas, assassinatos e enriquecimento ilícito, culto à criminalidade e a contravenção. 
Uma grande demonstração de inversão de valores sociais, que aos olhares juvenis, ingênuos 
e desavisados podem passar por modelos a serem seguidos. 
 
 
A Religião 
 
Desde os primórdios as sociedades tentam explicar o sentido das coisas, e sob este olhar ao 
mesmo tempo curioso e estarrecido surgem as religiões como forma de saciar os questiona- 
mentos acerca, principalmente, do que era considerado sobrenatural. 
 
 27 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
A religião esteve durante longo tempo associada à questão do mito que os povos primitivos 
mantinham com os fenômenos da natureza. 
 
Se por um lado a religião sempre desempenhou uma função social importante, vez que o 
culto ao sobrenatural auxilia no cumprimento às normas sociais, onde o sentimento de 
respeito, temor e veneração estão descritos em seu código de conduta; por outro lado mesmo 
as sociedades atuais estabelecendo códigos que primam pela liberdade de expressão reli- 
giosa, nem sempre estamos convivendo de modo pacífico com a pluralidade, qual seja, o cris- 
tianismo, o judaísmo, o budismo, o hinduísmo, o islamismo, coexistindo de maneira har- 
mônica e respeitosa. 
 
Estudos mais aprofundados revelam as atrocidades cometidas contra os seres humanos em 
nome da igreja. Um grupo elitizado atento apenas ao rigor do cumprimento de normas e 
regras inibidoras do livre arbítrio e do bom senso causou verdadeiros massacres. O próprio 
Cristianismo afirmou durante muito tempo as desigualdades e injustiças, como a inquisição, a 
caça aos bruxos, a escravidão e busca de poderio financeiro. 
 
Vivemos um momento social em que o isolamento humano se faz cada vez mais presente. 
Os grandes conflitos por terras e poder travados até hoje pelas grandes religiões do mundo 
denotam ainda imaturidade para a convivência social harmônica e pacífica. O fanatismo de 
Fundamentalistas está conduzindo a humanidade para o caos. Os sentimentos de compaixão, 
amor, fraternidade, respeito e cooperação deixaram há muito de ser a tônica das religiões. O 
poder está extrapolando os limites de convivência. 
 
Com isso, dentro das próprias religiões presenciamos dissidências e movimentos contrários 
aos excessos provocados pelos extremistas, e alguns líderes religiosos cada vez mais defend- 
em a participação da igreja na vida social, de modo ético, dando cada vez menos importância 
aos dogmas, reafirmando a importância do homem como agente desse processo de mudança, 
e a quem se deve dar todas as condições de Educação para conquista da felicidade. Contudo, 
esse discurso mostra-se contraditório e longe de ser alcançado face à notória disputa de poder 
existente. Gandhi dizia “Amarás a mais insignificante das criaturas como a ti mesmo. Quem 
não fizer isso jamais verá a Deus face a face”. 
 
 
O Estado 
 
A caracterização de um Estado se dá pela existência de um povo próprio, a ocupação de um 
território definido e o exercício de uma soberania reconhecida por outros Estados. 
Sinteticamente podemos afirmar que Estado é uma Nação com um Governo. Como é o Estado 
que tem o poder regulador das relações entre os membros de uma sociedade, torna-se um 
grande agente de controle social. Através de seus poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, 
em se tratando de um Estado Moderno, tem constituído o regime político democrático no qual 
os governantes são eleitos pelo voto direto do povo. 
 
O Estado tem tido fundamental atuação na política educacional de nosso País, desde a vinda 
da Corte Portuguesa para o Brasil. Mesmo sendo instituída a educação de forma a atender à elite 
dominante, ações foram implementadas para introdução, especialmente, da educação pública. 
 
No século atual o grande desafio para o Estado será manter um sistema educacional coer- 
ente com a realidade demográfica das cidades, com uma urbanização desenfreada e um mod- 
elo econômico que não atende as camadas menos favorecidas da sociedade, permitindo o 
acesso à educação de qualidade para todos, sem exclusões, discriminações. O comprometi- 
mento do Estado com a elite dominante, e não com o povo, tem que ser objeto de ampla 
 
28 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
revisão, pois segundo Hamilton Werneck “Urge ... uma parada no departamento da respon- 
sabilidade social... A educação para a liberdade passará sempre pela responsabilidade, enten- 
dendo-se claramente responsabilidade como meio importante de socialização e melhoria da 
convivência humana... A responsabilidade social é indispensável, sobretudo numa república 
terceiromundista, onde as carências tornam os acessos cada vez mais difíceis.” (2001, pág. 30). 
 
 
A Escola 
 
Considera-se neste momento a escola como uma instituição de vital importância para for- 
mação de uma sociedade. Com a tônica na educação formal, sua função social vai além da 
interação entre indivíduos e grupos. Tem o caráter político, sensibilizando os indivíduos para 
interagirem compartilhando experiências, ensinamentos, na busca do crescimento integral. 
 
O papel da educação e do ensino vem sendo objeto de reavaliação por partes dos edu- 
cadores, considerando as transformações sociais do mundo contemporâneo. A discussão está 
em torno do papel da escola e do professor, dos conteúdos, dos métodos, enfim, tudo o que 
norteia a prática educacional. 
 
Mas não é tarefa apenas da escola a condução das transformações sociais, ela tem sim um 
papel singular na preparação dos indivíduos para a sociedade moderna, exigente por excelên- 
cia, auxiliando-os a se tornarem sujeitos socialmente ativos, pensantes, críticos e cônscios de 
suas responsabilidades. 
 
Do novo professor o mundo moderno passa a exigir : uma ampla cultura geral; ter com- 
petência para agir em sala de aula; habilidades comunicativas; saber usar os meios de comu- 
nicação e da mídia; ter conhecimento e domínio sobre o ciberespaço; estar em constante atu- 
alização; ou seja, resgate do profissionalismo, do compromisso com a qualidade desejável na 
prática docente. 
 
“A felicidade genuína caracteriza-se pela paz 
interior e surge dentro do contexto de nossos 
relacionamentos com os outros“. 
 
Dalai Lama 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
“O MUNDO É DE ALÁ” 
 
Uma revelação estatística mostra que a hegemonia da Igreja Católica Romana 
começará o novo milênio mais abalada do que nunca. A Maior religião do mundo 
passou a ser o islamismo. O número de muçulmanos supera o de católicos 
romanos. O islã congrega 1,14 bilhão de fiéis. São 100 milhões de pessoas a mais 
que o rebanho do papa João Paulo II. 
 
Há várias razões para as mudanças ocorridas no ranking da fé. Não há religião 
que cresça no ritmo do islamismo: 16% a mais de crentes a cada ano. Há de se levar 
em conta que mais da metade dos muçulmanos vive na Ásia, onde as taxas de 
natalidade são muito altas. A maior parte dos católicos, por sua vez, se concentra 
na Europa, Estados Unidos e América Latina, onde o crescimento demográfico vem 
caindo nos últimos anos. Os fatores demográficos, porém, não explicam toda a 
 
 29 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
força da expansão islâmica. Mesmo em países de forte tradição cristã cresce a pre- 
sença muçulmana. 
Em 1970, havia na França apenas onze mesquitas. Quase trinta anos depois, os 
templos já somam mais de 1000. No início da década de 70, a Inglaterra contava 
com 3000 muçulmanos. Agora, eles são 1 milhão.Até no Brasil, um dos maiores 
países católicos do mundo, o Alcorão, livro sagrado do islã, atrai cada vez mais 
adeptos. Há quase quarenta anos a comunidade árabe possuía uma única mesqui- 
ta. Hoje são 52 templos, espalhados por todo o país e freqüentados por cerca de 
dois milhões de fiéis. 
 
“O aumento do contingente nos países ocidentais ocorreu graças à adesão de ex- 
cristãos convertidos à fé islâmica”, diz Faustino Teixeira, professor de Ciência da 
Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora. “A conquista de novos adeptos 
alavancou a liderança muçulmana”. Duas vezes por dia o computador do corretor 
de seguros Paulo Martins emite um pequeno sinal luminoso. Nesses momentos, ele 
interrompe o trabalho e ora. Em um tom quase inaudível, voltado para a cidade de 
Meca, na Arábia Saudita, Martins recita orações em árabe. Repete as preces cinco 
vezes por dia. Às sextas-feiras, ele reza em companhia de centenas de outros 
brasileiros em uma mesquita em São Paulo. Nascido em uma família de forte 
tradição católica, Martins, de 41 anos, abandonou suas origens e se converteu ao 
islamismo em 1995. “No catolicismo, sempre me senti distante de Deus”, diz ele. 
“Com o islamismo, a aproximação com o sagrado não depende de terceiros. 
Quando eu rezo, falo diretamente com Deus”. 
 
O contato direto com Alá, sem intermediários – esse é um dos grandes trunfos 
do islamismo na conquista de cristãos para as fileiras muçulmanas. “A força do islã 
está no fato de que é uma religião extremamente acessível. Não há hierarquia, a fé 
pode ser praticada em qualquer lugar e não exige muito engajamento de seus adep- 
tos”, analisa o dominicano Frei Beto. Os ensinamentos contidos no Alcorão têm 
força de lei. Os muçulmanos acreditam na ressurreição dos mortos, no inferno e no 
paraíso. 
 
Misericordioso, benévolo, perdoante, clemente, pacificador – o Deus do islã é um 
só, mas pode ser identificado por 99 adjetivos expressos no Alcorão. Um ditado 
repetido entre os fiéis diz que “Deus está mais perto de nós do que nossa veia jugu- 
lar”. São metáforas simples, mas repletas de sentido místico e fascinantes para 
muitos, mais atrativas e confortadoras do que a formalidade católica e a exaltação 
evangélica. 
 
Desde 1979, quando a revolução iraniana, liderada pelo clero xiita, derrubou uma 
monarquia pró-Ocidente, o islã virou sinônimo de fanatismo e terrorismo. Os radi- 
cais existem, mas são minorias. Na Arábia Saudita, berço do islamismo, quem 
rouba tem a mão cortada. Quem mata injustamente é executado em praça pública. 
São resquícios de um radicalismo cada vez menos praticado. Hoje, a maioria dos 
países muçulmanos reconhece o direito das mulheres. A elas já é permitido traba- 
lhar fora. Os tradicionais véus que cobrem o rosto e a cabeça das mulheres con- 
vivem em paz com as calças jeans e tênis da moda. Com a bênção de Alá.. 
 
(Revista VEJA , 02/06/1999) 
 
 
 
 
 
30 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
 
 
 
MUDANÇA SOCIAL 
 
 
 
Há um sentido no qual a Sociologia está necessariamente ligada à idéia de progresso, ou 
seja, o de que como uma disciplina pode ser justificada, em parte, pela contribuição que possa 
fazer ao progresso humano. Além disso, uma das contribuições importantes da Sociologia ao 
conhecimento humano pode ser a elucidação das potencialidades e do caráter da moderna 
sociedade industrial. Nas antigas teorias universalistas do progresso, como as de Comte e 
Spencer, há uma preocupação particular com as sociedades modernas, e nos trabalhos soci- 
ológicos posteriores ela é ainda mais evidente. L. T. Hobhouse argumentava que, “através da 
ciência, a civilização moderna está começando a controlar as condições físicas da vida e... ...ao 
lado da ética e da religião está formando as idéias de unidade da raça e de subordinação do 
direito, da moral e das constituições sociais em geral às necessidades do desenvolvimento 
humano, que são as condições do controle que se faz necessário. Parecia de importância 
secundária que houvesse pouco ou nenhum progresso sob outros aspectos, desde que essa 
condição essencial de progresso futuro fosse realizada”. Igualmente Marx tratou o capitalismo 
moderno como um período crítico da história humana, do qual o controle racional da vida 
humana poderia começar, e dedicou-se ao estudo geral desse fenômeno histórico específico, 
e não à elaboração especulativa de uma teoria histórico-filosófica do desenvolvimento social. 
A realização do progresso, como quer que seja concebida, não depende dessas interpretações, 
mas do conhecimento das condições e modos de mudança social e das circunstâncias de 
determinadas sociedades. Não obstante, uma filosofia da história na qual a especulação seja 
condicionada e controlada pelo conhecimento sociológico ainda pode ter um papel importante 
no estabelecimento dos objetivos do pensamento e da investigação sociológica. 
 
As dificuldades encontradas pelas teorias de evolução, desenvolvimento ou progresso, bem 
como as modificações no clima de opinião, levaram à adoção geral da expressão “mudança 
social”, para referir-se a todas as variações históricas nas sociedades humanas. A difusão 
dessa expressão mais neutra foi estimulada pela publicação, em 1922, de Mudança Social, de 
W. F. Ogburn. 
 
 
Fatores de Mudança Social 
 
Uma análise sociológica da mudança social exige um modelo mais preciso e que possibilite 
a formulação de problemas e a apresentação sistemática de resultados. 
 
Assim, em primeiro lugar devemos nos concentrar na questão seguinte: o que é que muda? É útil 
definir a mudança social como uma mudança na estrutura social (inclusive mudanças no tamanho 
da sociedade) ou em determinadas instituições sociais, ou nas relações entre as instituições. 
 
A seguir temos de pensar no modo, na direção e na intensidade da mudança, pois exigem 
uma interpretação histórica, como as várias análises das mudanças populacionais, da cres- 
cente divisão do trabalho nas sociedades industriais, nas mudanças no caráter da moderna 
família ocidental, e assim por diante. 
 
O ritmo da mudança, outro aspecto a ser considerado, sempre interessou aos sociólogos, 
sendo um lugar-comum mencionar a aceleração da mudança social e cultural nos tempos 
modernos. W. F. Ogburn foi o primeiro a examinar o fenômeno sistematicamente e a empreen- 
 
 31 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
der estudos quantitativos da taxa de troca, especialmente na esfera das invenções tecnológi- 
cas. Também focalizou a atenção sobre as discrepâncias entre os ritmos de mudança nos dife- 
rentes setores da vida social; a hipótese do “retardo cultural” está ligada a uma grande desar- 
monia entre o rápido desenvolvimento da tecnologia, e a mudança mais lenta das instituições 
familiares, políticas e outras e das crenças e atitudes tradicionais (religiosas, morais, etc.). 
 
A questão da razão das mudanças, ou das circunstâncias que as tornam possíveis, igual- 
mente importante, está intimamente ligada ao problema geral dos fatores da mudança social 
e suscitam questões muito complexas relacionadas com a causação social, como por exem- 
plo, o papel dos indivíduos na mudança social e a influência relativa dos fatores materiais e 
das idéias. Podemos citar fatores para explicar a mudança social os desejos e decisões con- 
scientes dos indivíduos; atos individuais influenciados pelas mudanças das condições; 
mudanças estruturais e tensões estruturais; influências externas; indivíduos, ou grupos de 
indivíduos, destacados; confluência ou disposição de elementos de fontes diversas convergin- 
do para um determinado ponto; ocorrências fortuitas; e o aparecimento de um objetivo 
comum. Cabe ressaltar assim que tais mudanças referem-se a fatoresendógenos ou 
exógenos, isto é, as originadas dentro ou fora de uma determinada sociedade. 
 
Obstáculos e resistências são observados nos movimentos sociais, no sentido de dificultar 
ou impedir a mudança social. 
 
Os obstáculos são barreiras oriundas da própria estrutura social e que dificultam ou impe- 
dem a mudança social. A agricultura brasileira, por exemplo, até a Abolição, era totalmente 
baseada em trabalho escravo; isso se constituía num grande obstáculo à Abolição: substituir a 
mão-de-obra escrava. 
 
As resistências correspondem às atuações conscientes e deliberadas para impedir a 
mudança social. Nesse contexto, os proprietários de terras e de escravos impunham grande 
resistência à Abolição por ferir os seus interesses econômicos; entre os fazendeiros propri- 
etários de escravos organizavam-se partidos políticos para se opor à Abolição. 
 
Em toda estrutura social existem grupos ou camadas sociais cujos interesses ou valores 
fazem com que resistam abertamente a mudanças sociais. 
 
 
Atitudes Individuais e Sociais na Mudança 
 
Quatro tipos de atitudes individuais ou sociais serão por nós consideradas: 
 
• Atitude conservadora – aquela que se mostra contrária ou temerosa em relação às 
mudanças. Nela se enquadram o tradicionalismo e o reacionarismo. No tradicionalismo, a 
tradição, pelo seu prestígio, pelo respeito suscitado entre as gerações mais jovens, impõe- 
se como um dos grandes obstáculos a toda e qualquer inovação na vida social. Tal é a 
pressão moral exercida pela tradição, que só através de grande esforço e enfrentando muita 
resistência a sociedade adota novas formas de conduta estranha à herança social. 
 
• Atitude reacionária – corresponde ao conservadorismo exagerado. Opõe-se, não raro 
pela violência, a qualquer tipo de mudança das instituições sociais. É a atitude típica do ra- 
dical de direita, que deseja que tudo permaneça como está, que quer a todo custo manter a 
situação tal como é. 
 
• Atitude reformista ou progressista – é a que vê com agrado a mudança moderada. É 
o desejo de mudança gradativa dos modos de vida existentes e das instituições. 
 
32 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
• Atitude revolucionária – é a que defende transformações profundas e imediatas, até 
com o emprego de métodos violentos, no sentido de mudar a situação. 
 
Devemos ter em mente que as invenções e a difusão cultural são processos que ocasionam 
mudanças sociais, pois culminam com a modificação nos costumes, nas relações sociais e nas 
instituições. As mudanças podem ocorrer de forma gradativa ou mesmo de forma brusca, 
porém, há que se lembrar que as grandes transformações pelas quais a humanidade vem pas- 
sando nos últimos tempos, com o auxílio da tecnologia devem servir de suporte para cons- 
trução de uma sociedade melhor, mais bem sucedida, cooperativa e atuante. 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
BARÃO DE MAUÁ – Ousadia empresarial 
 
No período de crescimento industrial e modernização econômica do Brasil, 
merece destaque a figura de Irineu Evangelista de Sousa , barão e, depois, vis- 
conde de Mauá. 
 
Homem de grande iniciativa e visão empresarial, o barão de Mauá foi respon- 
sável por grandes empreendimentos econômicos no Segundo Reinado. Procurou 
aproveitar o momento de transformação econômica do Império. Fundou empresas 
de construção de navio a vapor e fundição de ferro. Construiu nossa primeira fer- 
rovia (ligando a Guanabara à Petrópolis) e a primeira linha de bondes do Rio de 
Janeiro. Foi responsável pela instalação da iluminação a gás no Rio de Janeiro, pela 
construção de linhas de telégrafo no país e de um cabo submarino de telegrafia 
intercontinental. 
 
O sucesso do barão de Mauá durou enquanto suas empresas não sofriam com a 
intensificação da concorrência dos produtos importados. Quando isso começou a 
ocorrer, as empresas de Mauá foram abaladas e, além disso, sofreram diversos 
atentados e sabotagens. 
 
Pela pressão do capital estrangeiro, as empresas do barão de Mauá foram à 
falência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 33 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
SUBDESENVOLVIMENTO, 
COMUNIDADE, CIDADANIA 
E MINORIAS 
1. Subdesenvolvimento 
 
Os países subdesenvolvidos são conhecidos também como países periféricos – aqueles que 
mantiveram ou mantêm uma relação de dependência econômica e/ou política com os países 
centrais, que são os grandes centros industrializados (países da Europa Ocidental, Estados 
Unidos, Japão). De modo geral, as nações subdesenvolvidas foram colônias de nações desen- 
volvidas (antigas metrópoles). 
 
A origem do subdesenvolvimento dos países, que eram antigas colônias, está ligada nas 
relações econômicas e políticas desses países com as nações centrais, que eram as 
metrópoles, ao longo da História. 
 
Como a Revolução Comercial por que passou a Europa, em especial a partir do século XI, 
surgiu o movimento de colonização de novas áreas do globo pelas potências européias, a par- 
tir do século XV. 
 
A colonização foi um processo de ocupação e exploração econômica e política de novas 
áreas. O movimento colonizador que se afirmou a partir do século XV assumiu o caráter do 
domínio europeu do mundo, pois representou a integração de novas áreas à órbita econômi- 
ca e política das nações européias. Desse movimento surgiram dois tipos de colônia: de 
povoamento e de exploração. 
 
• Colônias de povoamento - foram formadas a partir das áreas ocupadas por muitos 
desempregados ou por grupos expostos a perseguições religiosas. Essas pessoas pretendi- 
am fixar-se definitivamente na nova terra, a fim de reproduzir o mais fielmente possível o 
modo de vida do país de origem. Surgiram nessas áreas unidades econômicas relativa- 
mente auto-suficientes, produzindo para o seu próprio consumo e sem uma dependência 
excessiva da metrópole. Como exemplo temos as Treze Colônias Americanas (hoje Estados 
Unidos), o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia. 
Praticamente nenhuma das antigas colônias de povoamento veio a se converter em país 
subdesenvolvido em nossa época. 
 
• Colônias de exploração – foram formadas nas áreas ocupadas pelas nações européias, 
com a finalidade de extrair delas bens comercializáveis na Europa. Inicialmente, os colo- 
nizadores procuravam metais preciosos; quando não os encontravam, passavam a praticar 
a agricultura, plantando lavouras de grande valor comercial, como a cana-de-açúcar. As 
metrópoles incentivaram a ida de seus súditos para tais áreas, a fim de que se dedicassem 
à exploração das colônias, enviando o resultado da produção para a Europa. 
 
Como exemplo de colônias de exploração temos o Brasil, cujos produtos inicialmente 
explorados foram o pau-brasil, a cana-de-açúcar e o ouro; as Antilhas, com a exploração de 
fumo e cana-de-açúcar; o Peru e o México, com a exploração do ouro e da prata. 
 
Todos esses países, bem como outras colônias de exploração, são hoje países subdesen- 
volvidos. 
 
34 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
Alguns autores consideram o desenvolvimento como simples sinônimo de crescimento 
econômico, ou seja, o aumento substancial da produção de um país. Para eles, o desenvolvi- 
mento é um processo de expansão quantitativa do produto da renda. 
 
No entanto, entendendo o subdesenvolvimento como o conjunto das características estu- 
dadas até agora, podemos perceber que o desenvolvimento é um processo muito mais amplo 
que mero crescimento. O verdadeiro processo de desenvolvimento consiste na transformação 
qualitativa da sociedade, na mudança de suas características. 
 
Para que haja desenvolvimento é necessário que se verifiquemalterações profundas na dis- 
tribuição da renda, nas condições de higiene e saúde da população, nas condições de 
emprego, na propriedade da terra, no acesso à educação, etc. Enfim, é necessário que exista 
uma participação de todos na riqueza produzida, e não apenas um crescimento dessa riqueza. 
 
Alguns países subdesenvolvidos podem experimentar crescimento econômico, como 
ocorre com o Brasil, sem que estejam passando por um verdadeiro processo de desenvolvi- 
mento – embora o desenvolvimento só seja possível com crescimento econômico. 
 
 
Indicadores de Subdesenvolvimento 
 
Passamos a descrever os indicadores vitais do subdesenvolvimento (Insuficiência alimentar, 
grande incidência de doenças, intensa natalidade, altas taxas de crescimento demográfico), 
indicadores econômicos, indicadores sociais e indicadores políticos. 
 
 
Indicadores Vitais do Subdesenvolvimento 
 
• Insuficiência alimentar – Os técnicos em alimentação fixam como limite mínimo 
necessário à sobrevivência do ser humano o consumo de mil calorias diárias. Contudo, um 
consumo inferior a 2.240 calorias diárias já caracteriza uma situação de subalimentação. A 
população de uma grande parte das nações do mundo contemporâneo – como Índia, Etiópia 
e Bolívia – apresenta um consumo médio de calorias inferior a esse mínimo; vive, portanto, 
num estado de subalimentação crônica ou fome. 
Além do consumo de calorias ser insuficiente, há ainda outro problema alimentar grave nos 
países subdesenvolvidos: de modo geral, a composição de alimentação também é inade- 
quada, pois a população ingere diariamente menos de 30 gramas de proteínas, que é o mí- 
nimo recomendável. 
 
• Grande incidência de doenças – Em razão das deficiências da alimentação e das más 
condições sanitárias reinantes proliferam nos países subdesenvolvidos doenças que, em- 
bora inofensivas nas nações adiantadas, apresentam aí um caráter fatal. Um exemplo é o 
sarampo. Por outro lado, doenças de pequena incidência nas nações adiantadas assumem 
nas nações subdesenvolvidas o caráter de doença de massa, atingindo amplos segmentos 
da população. São exemplos disso a tuberculose, as parasitoses intestinais, a malária, etc. 
Tais moléstias, mesmo quando não matam, reduzem de 30% a 60% a capacidade de traba- 
lho das pessoas. 
 
• Intensa natalidade e altas taxas de crescimento demográfico – As nações subde- 
senvolvidas apresentam altos coeficientes de natalidade. Em algumas, tais coeficientes são 
anulados pela elevada mortalidade (conseqüência das péssimas condições sanitárias), de 
modo que as taxas de crescimento demográfico resultantes são reduzidas. Em algumas 
nações em que se reduziu a mortalidade graças a providências sanitárias, a grande natali- 
dade vem determinando elevadas taxas de crescimento demográfico, um outro problema a 
ser resolvido. 
 
 35 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
Um dos motivos de altos índices de natalidade nos países subdesenvolvidos é o seguinte: 
nesses países, as crianças começam a trabalhar muito cedo (na lavoura ou em pequenos 
serviços no campo e na cidade), sem que para isso precisem estar alfabetizadas e qualificadas 
profissionalmente; portanto, o custo da formação profissional do indivíduo é mínimo ou nulo; 
o grande número de filhos parece para alguns uma vantagem, já que, em pouco tempo, as 
crianças passam a contribuir para o orçamento familiar. Além disso, a falta de esclarecimentos 
sobre os métodos de controle da natalidade – e mesmo de acesso a esses métodos – impede 
os casais mais pobres de planejarem o número de seus filhos. 
 
Já nos países desenvolvidos, o custo elevado da formação profissional e a emancipação 
precoce do meio familiar impedem que a procriação seja considerada vantajosa, o que, aliado 
às facilidades de acesso à contracepção, contribui para menores índices de natalidade. 
 
Portanto, as altas taxas de crescimento demográfico devem ser consideradas uma conse- 
qüência do subdesenvolvimento, e não sua causa. A eliminação do subdesenvolvimento é que 
permitirá a diminuição dos índices de crescimento da população e não o inverso. 
 
 
Indicadores econômicos 
 
Os principais indicadores econômicos do subdesenvolvimento são: baixa renda per capita; 
predominância do setor primário sobre o secundário; problemas na agricultura; problemas na 
indústria; concentração de renda; problemas no setor externo; subemprego ou desemprego 
disfarçado. 
 
Baixa renda per capita – considerando que renda per capita é o resultado da divisão da 
renda nacional pela população do país, em razão de sua fácil apuração, é um dos indicadores 
mais comumente usados para indicar a condição de subdesenvolvimento. Porém devemos lem- 
brar que este é um indicador impreciso para atestar a condição de desenvolvimento ou subde- 
senvolvimento de um país, principalmente porque não leva em conta a concentração de renda. 
 
Predominância do setor primário sobre o secundário – ocorre nas economias subde- 
senvolvidas, quando o setor primário – agricultura, pecuária, pesca, extrativismo vegetal – 
apresenta maior importância que o setor secundário – indústria, atividades extrativas minerais. 
 
Problemas na agricultura – são basicamente três: baixa produtividade, que no trabalho 
agrícola é explicada pelas próprias características da agricultura nas áreas subdesenvolvidas – 
como agricultura pouco mecanizada e agricultura extensiva; subemprego, que se caracteriza 
pela presença de trabalhadores agrícolas com emprego temporário, geralmente com baixa 
produtividade, e a prática de agricultura de subsistência; e concentração de propriedade, 
quando predominam as grandes propriedades, muitas com baixo nível de produtividade ou 
totalmente inexploradas. 
 
Problemas na indústria – participação reduzida na vida econômica das nações subdesen- 
volvidas, predominam as indústrias de bens de consumo não sofisticados, baixa utilização de mão- 
de-obra nas indústrias de bens de consumo e de bens de capital (máquinas e equipamentos). 
 
Concentração de renda – A renda é muito mal distribuída nos países subdesenvolvidos, 
estando concentrada nas mãos de poucas pessoas. 
 
Problemas no setor externo – O setor externo é aquele que compreende as duas ope- 
rações básicas do comércio internacional: a exportação e a importação. 
 
 
36 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
Subemprego ou desemprego disfarçado – o subemprego consiste na existência de traba- 
lhadores que não têm um emprego regular, e isso ocorre tanto na zona rural como na zona 
urbana. São pessoas que não participam efetivamente do sistema produtivo e da riqueza ge- 
rada, como por exemplo, os lavadores de carro, jornaleiros, ambulantes, camelôs, etc. 
 
 
Indicadores Sociais 
 
Os veículos de comunicação de massa revelam ao mundo todo a existência de povos que 
apresentam um padrão de vida superior ao de outros povos. Temos um fenômeno inovador na 
história dos países subdesenvolvidos que é a consciência das populações de sua miséria ou 
pobreza. 
 
 
Indicadores Políticos 
 
A tomada de consciência da miséria ou do atraso leva à formulação de planos para superar 
essa situação. Tais planos são os projetos de desenvolvimento. Mas é importante que estes 
projetos ultrapassem a consciência dos membros dos diferentes grupos, devem assumir uma 
dimensão política, convertendo-se em programas. 
 
 
2. Comunidade 
 
 
O conceito de Comunidade, de enorme importância na Sociologia do século XIX , designa os 
agrupamentos humanos nos quais se verifica um grau elevado de intimidade e coesão 
entre seus membros, engajamento moral e uma garantia de continuidade. Os sociólogos 
positivistas dedicaram parte de suas teorias ao estudo da comunidade,considerado como o mo- 
delo de vida social próprio das sociedades agrárias, caracterizado por relações primárias e tradi- 
cionais, influência fundamental da família e pequena flexibilidade das relações existentes. 
 
De maneira geral atribui-se à comunidade uma forte homogeneidade entre os indivíduos 
quanto aos seus interesses e às crenças que compartilham, além de uma menor diferenciação 
nas funções e status individuais. Corporações, mosteiros e comunas foram estudados como 
exemplos de comunidade. 
 
Hoje a Sociologia volta a estudar a Comunidade, não mais como forma de organização dos 
membros de uma sociedade, anterior ou em oposição às formas mais individualistas e impes- 
soais de convivência, mas como relações específicas que integram grupos menores da 
sociedade como os de vizinhança, os grupos religiosos e certas associações profissionais. 
Sociólogos norte-americanos identificam na sociedade atual princípios emergentes de 
relações de solidariedade, que representariam novas formas de convivência comunitária, 
baseadas em objetivos comuns e forte sentimento de solidariedade. 
 
A organização das minorias étnicas, raciais e religiosas, o regionalismo que emerge em 
meio à sociedade que se globaliza, a multiplicação das associações profissionais e regionais, 
ao lado do enfraquecimento dos Estados nacionais, recolocam o estudo da comunidade como 
elemento essencial da vida social e não mais como uma forma de organização primária e em 
extinção nas sociedades complexas. 
 
 37 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo II - 2º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
3. Cidadania 
 
Historicamente, o conceito original de Cidadania estava associado ao burguês, não ao povo 
todo. Portanto, a começar pela etimologia da palavra, há uma separação entre o homem 
urbano e o homem rural, uma vez que a palavra cidadão referia-se somente aos habitantes da 
cidade. Por analogia, o novo termo veio substituir os termos: burguês e burgo. 
 
Podemos dizer que cidadão é o que está capacitado a participar da vida da cidade, da 
sociedade. Como termo legal, cidadania é mais uma identificação do que uma ação. Como 
termo político, cidadania significa compromisso ativo, responsabilidade. Significa fazer dife- 
rença na sua comunidade, na sua sociedade, no seu país. 
 
A cidadania é exercida por cidadãos, que são indivíduos cônscios de seus direitos e deveres, 
os quais participam ativamente de todas as questões da sociedade. A cidadania está direta- 
mente vinculada aos direitos humanos, uma longa e penosa conquista da humanidade, que 
teve seu reconhecimento formal com a Declaração Universal dos Direitos do Homem com o 
fim da Segunda Guerra Mundial. 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
Declaração Universal dos Direitos do Homem 
(aprovada em 1948 pela ONU, com o fim da Segunda Guerra Mundial) 
 
• Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos; 
• Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado; 
• Todo homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa; 
• Todo homem tem direito a alimentação, vestuário, habitação e cuidados médicos; 
• Todo homem tem direito à vida, à liberdade e segurança pessoal; 
• Todo homem tem direito ao trabalho e à livre escolha de emprego; 
• Todo homem tem direito à segurança social; 
• Todo homem tem direito a uma ordem social em que seus direitos e liberdades possam 
ser plenamente realizados; 
• Todo homem tem o direito de ser reconhecido como pessoa perante a lei; 
• Todo homem tem direito à instrução. 
 
 
4. Minorias 
 
A idéia de igualdade não é uma idéia aceitável para a cultura humana. Desde as mais antigas 
civilizações, o homem buscou suas diferenças, de origem, de nacionalidade, de classe social. Toda 
a Antiguidade conheceu ideologias que pregavam diferenças no interior de uma sociedade e entre 
sociedades. Estabelecer diferenças parece ter sido sempre uma tendência da humanidade, para, 
por meio delas, procurar definir a essência humana e a razão de sua existência. 
 
Foi a partir do cristianismo que emergiu na sociedade a noção de igualdade. O princípio de 
que todos, sem exceção, somos filhos de Deus era absolutamente novo, num mundo que 
procurava sempre identificar um único e verdadeiro povo escolhido. Concebida a idéia da 
igualdade original, a ela associou-se a idéia de bondade, caridade e vontade divina. 
 
Nos séculos seguintes essa idéia de igualdade entre os homens foi se desenvolvendo e se 
firmando. Sempre mais no discurso do que na ação, reconheceu-se que todos os homens têm 
direito à justiça, ao trabalho, à liberdade, e assim por diante. 
 
38 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo II - 2º ano 
 
 
O processo de globalização promoveu a massificação, a homogeneização e a padronização 
cultural. Mas desse panorama de mudanças sociais e institucionais, em instituições conside- 
radas inabaláveis parecem atravessar irreversível debilidade ou descrédito, em que a padroniza- 
ção parece fortemente instalada, emerge uma sociedade complexa e diferenciada. Nela, diver- 
sos grupos sociais minoritários, as minorias étnicas, religiosas, políticas e regionais, buscam 
seu espaço social e geográfico, sua originalidade, sua identidade social e cultural. As minorias 
se organizam cada vez mais para defender seus princípios, ressaltando suas individualidades. 
 
Afirmando sua própria identidade, as minorias imprimem marcantes diferenças na realidade 
atual. À medida que reivindicam direitos e contestam certas normas sociais, por se sentirem 
excluídas, as minorias organizam movimentos sociais, políticos, étnicos, raciais e sexuais, que 
vêm dando um novo sentido à noção de cidadania. A exclusão social é muito forte entre as 
minorias e origina diferentes grupos de excluídos. 
 
A Sociologia tem se voltado para esses grupos a fim de estudá-los e assim se multiplicam 
os trabalho de pesquisa que têm por objetivo as mulheres, os homossexuais e os imigrantes, 
por exemplo. 
 
Hoje se entende por maioria ou minoria a capacidade de certos grupos sociais fazerem 
pressão e obterem sucesso em suas reivindicações. É a força da ação política que torna as 
questões majoritárias ou minoritárias. 
 
 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
CONHECER , Enciclopédia Ilustrada. Estado e Sociedade. São Paulo, Nova Cultural. 2000. 
COTRIM , Gilberto. História do Brasil. 1ª ed. São Paulo, Saraiva. 1999. 
________ História e Consciência do Mundo.6ª ed. São Paulo, Saraiva, 1999. 
COSTA , Cristina. Sociologia – Introdução à ciência da sociedade. 2ª ed. São Paulo, 
Moderna. 2001. 
DAVIS , Kingsley. A sociedade Humana. Rio de Janeiro, Fundo de Cultura.1964. 
DUVERGER , Maurice. Sociologia Política. Rio de Janeiro, Forense. 1968. 
FREITAS , Nilson Guedes. Pedagogia do Amor- Caminho da libertação na relação 
professor-aluno. Rio de Janeiro, Wak. 2000. 
HOLLANDA , Aurélio Buarque de. Novo Dicionário Aurélio. 2ª ed. Rio de Janeiro, 
Nova Fronteira. 1986. 
LAMA , Dalai. Uma Ética para o Novo Milênio. 6ª ed. Rio de Janeiro, Sextante. 2000. 
OLIVEIRA , Pérsio Santos de. Introdução à Sociologia. São Paulo, Ática. 2000. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 39 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO E CULTURA 
 
 
 
A Cultura 
 
Os seres humanos devem seu predomínio atual, em parte a seu equipamento mental supe- 
rior, mas ainda mais às idéias, hábitos e técnicas que lhes foram transmitidos pelos seus 
ancestrais. Tendo nascido numa sociedade qualquer, a criança descobre que a maioria dos 
problemas que se apresentam durante sua vida foram já enfrentados e resolvidos pelos que 
viveram antes dela. Cabe-lhe apenas aprender as soluções. Se conseguir fazer este aprendiza- 
do com êxito, não terá necessidadede muita inteligência. Este acumular e transmitir de idéias 
e de hábitos é freqüentemente apresentado como atributo humano. 
 
Em todos os mamíferos, o comportamento individual total compõe-se de três elementos: 
comportamento instintivo, comportamento resultante da experiência individual e comporta- 
mento aprendido com outros indivíduos. 
 
A capacidade de transmitir de geração a geração o comportamento deu aos mamíferos uma 
superioridade esmagadora na luta pela existência. Tornou-se possível para eles desenvolver e 
transmitir uma série de padrões de comportamento tão definidos quanto os que lhes eram 
fornecidos pelos instintos, mas suscetíveis de modificação muito rápida. O indivíduo se bene- 
ficiava da experiência de seus ancestrais, sem perder sua própria flexibilidade. Com esse 
arranjo, não só podia o indivíduo variar seu comportamento para enfrentar as emergências, 
mas os próprios padrões transmitidos podiam modificar-se fácil e rapidamente para enfrentar 
condições mutáveis do ambiente. 
 
A linha principal na transmissão do comportamento apreendido, de indivíduos para indiví- 
duo, é a transmissão feita pelos genitores aos filhos. Os membros de cada geração adquirem 
os hábitos dos genitores e os transmitem a seus próprios descendentes, com os acréscimos 
ou modificações que tiverem resultado de suas próprias experiências. Em todos os mamíferos, 
portanto, existe uma dupla linha de herança. A estrutura física e o comportamento individual 
instintivo, que depende diretamente desta estrutura, são herdados biologicamente. Por outro 
lado, grande parte de seu comportamento aprendido é herdada socialmente. Durante a 
evolução dos mamíferos superiores, esta herança social tornou-se cada vez mais importante, 
tendo assumido nos homens papel dominante no moldar a conduta individual. 
 
À medida que a importância da herança social foi aumentando, certos hábitos vieram a 
tornar-se característicos de grupos animais. Na verdade, só alguns hábitos particularmente 
favoráveis têm probabilidades de tornar-se parte da herança social de toda uma espécie 
mamífera. Essas espécies têm em geral distribuição bastante ampla, de maneira que os indi- 
víduos que as compõem estão sujeitos a diversos ambientes variados. Poderia muito bem 
acontecer que um hábito fosse favorável num desses ambientes e indesejável noutro. 
 
O Homo Sapiens tem distribuição mais ampla que qualquer espécie mamífera; e mais que 
qualquer outra, possui capacidade para mudar rapidamente tanto no comportamento indivi- 
dual quanto o grupal. Não é, portanto surpreendente que a herança social desta espécie tenha 
se subdividido num estonteante conjunto de variantes locais, sendo alguns hábitos em cada 
uma dessas variantes diferentes dos encontrados nas demais. 
 
40 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
Esta herança social para os seres humanos é chamada cultura, e, um dos fatores mais 
importantes no progresso da cultura humana tem sido o uso da linguagem. É como instru- 
mento de comunicação que a linguagem tem desempenhado seu mais importante papel na 
construção da herança social humana. Sem a transmissão fácil e exata de idéias que ela per- 
mite, a cultura tal como a conhecemos nunca teria nascido. 
 
Graças à posse da linguagem os homens podem transmitir uns aos outros uma idéia clara das 
situações não atuais e do comportamento adequado a essas situações o que torna possível um 
enorme acréscimo de conteúdo da herança social. A criança e o adolescente podem aproveitar 
da experiência total da geração anterior e preparar-se tanto para os acontecimentos incomuns 
quanto para os comuns. Assim, embora eu nunca tenha sido picada por uma cobra venenosa, 
nem mesmo visto qualquer outra pessoa ser picada, sei que esses acidentes acontecem e tenho 
idéia bastante clara a respeito do que deve ser feito em tal situação. Com a linguagem, a trans- 
missão do comportamento adquirido deixa de estar sujeita ao acaso. O conhecimento possuído 
por cada geração pode ser transmitido, como um todo, a geração seguinte. 
 
O conceito de cultura sofreu mudanças através do tempo. Não há acordo quanto ao que 
abrange, pois existem múltiplas concepções e visões. É no campo de estudo da Antropologia 
Cultural (Etnologia) que ocorre o maior debate sobre as idéias de cultura. 
 
A noção de cultura começa a preocupar os homens, em especial os ocidentais, quando, 
através da expansão marítimo-comercial do século XVI, verificam-se muitas diferenças entre 
os grupos humanos dos vários continentes. Nesse período, os contatos provocavam reações 
de surpresa e perplexidade. 
 
Charles Darwin em sua obra “A origem das espécies”, publicada em meados do século XIX, 
elabora a idéia de evolução no campo da natureza onde a evolução representaria a capacidade 
de adaptação dos organismos vivos. 
 
O Antropólogo inglês Sir Edward Taylor afirmava que a vida humana poderia ser dividida 
em três estágios: selvagem (como os nativos da Amazônia brasileira), bárbaro (aborígines aus- 
tralianos) e civilizado (europeus do século XIX). Sob este aspecto, o pensamento evolucionista 
considerava que sociedade civilizada seria a que dispusesse de maiores conhecimentos técni- 
cos e uma trama complexa no que diz respeito a artes, leis, moral, religião, costumes, hábitos, 
entre outros. Procuravam ainda diferenciar cultura e civilização. Foram chamadas Grandes 
Civilizações as sociedades que deixaram testemunhos grandiosos de sua cultura material – 
arquitetura, cidades, objetos diversos – como marca de seu avanço. São os casos de egípcios 
e alguns povos pré-colombianos (incas, maias e astecas), por exemplo. 
 
A crítica ao pensamento evolucionista aparece no final do século XIX com o antropólogo 
alemão Franz Boas, o primeiro a trabalhar com a noção de relativismo cultural, pois segundo 
ele “sociedades diferentes podem ter concepções de vida tão diversas entre si quanto igual- 
mente boas para cada uma”. 
 
Outro aspecto fundamental para compreender a diversidade cultural é o fato de que não 
existem, salvo raras exceções, culturas que se constituíram isoladamente, sem nenhum conta- 
to com as outras. O nomadismo, os deslocamentos eventuais e as imigrações foram carac- 
terísticas de muitos grupos. Antes de os europeus chegarem ao continente americano, por 
exemplo, as culturas existentes realizaram muitos contatos e trocas. 
 
Seguem-se algumas importantes contribuições de outros povos à cultura ocidental: 
 
 41 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
• alfabeto: transmitido inicialmente aos fenícios pelos povos semitas, passado aos gregos 
e romanos e difundiu-se por regiões do norte da Europa; 
 
• sistema numérico : tal como a álgebra, é de origem árabe; difundiu-se pela Europa a par- 
tir da ocupação dos califados do norte da África e Península Ibérica; o conceito de zero só 
chegou à Europa, após sua descoberta pelos sábios indianos, por intermédio dos árabes; 
 
• criações chinesas e indianas: os chineses, que antes da era cristã já viviam em cidades 
e possuíam complexos sistemas de irrigação agrícola e sistemas filosóficos, descobriram, 
entre outras coisas, o chá, a pólvora, a porcelana, a seda, o arroz, a bússola, o papel e a 
impressão (bem antes de Gutenberg); os indianos criaram o aço, o vidro etc; 
 
• contribuições dos povos do “Novo Mundo” : enquanto as hordas norte-européias 
comiam carne crua, o povo Maia erguia palácios de extrema complexidade arquitetônica e 
chegava ao conceito de zero; os povos pré-colombianos dominaram e cultivaram plantas 
como milho, batata, látex, fumo, quina, coca, baunilha e cacau, incorporadas mais tarde 
pelos europeus. 
 
Claude Levi-Strauss, um dos mais brilhantes antropólogos de nosso século, considera que 
nos últimosoito mil anos a humanidade nada mais fez do que aperfeiçoar os conhecimentos 
da Revolução Neolítica, como a domesticação, a agricultura, a cerâmica, a criação de instru- 
mentos e a formação de um embrião de organização social. Destaca as diferenças de signifi- 
cado de processo histórico para as diferentes sociedades, sendo difícil para o europeu médio 
reconhecer e compreender como os outros povos entendem sua própria “evolução”. 
 
Lembra ainda que a busca da classificação de culturas é uma perda de tempo e uma emprei- 
tada sem sentido. O importante seria preservar a diversidade cultural, base da riqueza obtida 
pela humanidade, contra a ameaça da uniformidade posta pela mundialização dos padrões 
econômicos e dos valores ocidentais. 
 
 
A Indústria Cultural 
 
Apesar do esforço dos povos para manter seus traços culturais originais, nas chamadas 
sociedades modernas a dimensão cultural mudou de significado e sofreu interferências de ou- 
tras fontes, particularmente no século XX . 
 
No mundo moderno capitalista pode disseminar-se certo tipo de cultura, não mais produzi- 
da espontaneamente pelo corpo social, mas elaborada conforme critérios de mercado. 
Falamos no estabelecimento de uma indústria cultural. 
 
O termo foi usado pela primeira vez em 1947, pelos pensadores alemães Theodor Adorno e 
Max Horkheimer. Os autores apontavam que a indústria cultural carrega todos os elementos 
do mundo industrial moderno e é portadora da ideologia dominante capitalista. Não se trata 
de uma indústria convencional, mas da elaboração em massa de produtos culturais. Desse 
modo, transforma os homens em meros consumidores de produtos “culturais” – que não 
foram produzidos por eles – e determina o próprio consumo. 
 
Fazem parte da indústria cultural os modernos meios de informação (cinema, radio, tele- 
visão – assim como a esmagadora maioria de sua programação – jornais, vídeo), a publicidade, 
o marketing, etc. Outras manifestações, como a música, a pintura e a literatura, também são 
capturadas pela indústria cultural. 
 
 
42 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
A Educação 
 
Na história da educação nacional nos deteremos primeiramente ao sentido dado ao ensino 
com a vinda da Corte Portuguesa para o Brasil, cujas atividades culturais surgem para atender 
a demanda da burguesia aqui instalada. As inovações implementadas foram: Criação da 
Imprensa Régia; surgimento da Biblioteca, hoje Biblioteca Nacional; incentivo ao estudo de 
botânica e zoologia com a criação do Jardim Botânico; surge o Museu Real (hoje Museu 
Nacional); vinda da Missão Cultural Francesa e a criação do Museu de Belas Artes. 
 
Nosso processo cultural no século XIX é marcado pela importação de idéias e concepções 
européias, introduzidas à revelia de nossa realidade. Desde então a educação, sucateada pelo 
poder constituído, sofre várias mudanças ficando, por fim, a educação do povo a cargo das 
províncias, futuros estados, e a educação da elite sob responsabilidade do poder central; o que 
impediu a unidade do sistema educacional. A elitização do ensino fica evidenciada, portanto, 
com a criação das escolas de nível superior que atendessem às necessidades da burguesia e 
do estado constituído. 
 
Enquanto o mundo caminhava a passos razoáveis para promover a unidade da educação, 
acompanhava-se a ausência de currículos, com escolhas aleatórias das disciplinas, favorecen- 
do aos jovens aspirantes ao curso universitário. O descaso é tamanho que a qualidade deixa a 
desejar em face da ausência de investimento na formação do educador, seus baixos salários e 
a necessidade de realização de atividades paralelas. O ensino elementar, com apenas 10% da 
população em idade escolar matriculada nas escolas primárias, e o alto índice de analfa- 
betismo, reafirmam o fracasso do ensino. 
 
Cabe ressaltar que a educação foi predominantemente masculina. A educação feminina 
aparece aos poucos no final do século XIX, vez que à mulher cabia se dedicar às prendas 
domésticas e à aprendizagem de boas maneiras, dentro de uma estrutura de sociedade com 
regime político imperialista de economia agrícola e patriarcal de base escravocrata. 
 
No início do século XX o capitalismo de monopólios acentua a concentração de renda e as 
conseqüentes disparidades sociais. É marcado no mundo por grandes conflitos nos diversos 
continentes, culminando com a Primeira Grande Guerra. O poderio econômico americano e o 
impacto mundial da crise da quebra da Bolsa de Nova Iorque geram desemprego em massa, 
o que exige a substituição do capitalismo liberal pelo capitalismo de organização, o que leva 
os países não desenvolvidos a uma crise em face de sua base agrícola. A ênfase na ciência e 
na tecnologia transforma os usos e costumes da humanidade. 
 
No Brasil acontece a Primeira República, e após a Segunda Guerra Mundial é instalada a 
Segunda República, com forte influência americana no golpe militar de 1964. A educação na 
década de 20 é marcada por um alto índice de analfabetismo (80%). Surge a Escolanovista, e 
com ela a reação católica; as alternativas anarquistas são objetos de perseguição face ao incen- 
tivo ao ativismo político, o motivo afetando diretamente a educação. A repressão acentua-se e 
fica mais distante a participação da sociedade na educação, sendo reivindicadas autonomia, 
autogestão e diálogo. Grandes lutas e perseguições são travadas, instituições de ensino 
fechadas na década de 30. 
 
Podemos citar alguns dos movimentos educacionais da Segunda República como a Lei de 
Diretrizes e Bases, a Campanha de Defesa da Escola Pública, quebra na rigidez dos sistemas 
tornando possível a mobilidade entre os cursos, a pluralidade de currículos, a criação dos 
Conselhos Estaduais e Federal de Educação, fundação do Instituto Superior de Estudos 
Brasileiros e sua extinção após o golpe militar, o método Paulo Freire. 
 
 
 43 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
Os reflexos da ditadura militar na educação são significativos. O educar politicamente a juven- 
tude se apresenta através da inclusão do ensino de Educação Moral e Cívica, OSPB e EPB, de 
modo a manipular a massa estudantil. Universidades foram fechadas, bem como entidades de 
classe estudantil, estudantes e professores foram perseguidos e toda manifestação de caráter 
político foi proibida. Várias reformas foram instituídas com a finalidade única de atender ao 
poder político dominante e repressor, impedindo o progresso da educação e cultura no País. 
 
Com a transição democrática e o primeiro governo civil pós-ditadura militar, importante 
avaliação sugere uma revisão da situação do magistério e das escolas públicas empobrecidos 
e desvalorizados. Surgem novas práticas, na tentativa de redirecionar o ensino, mas ainda 
muito direcionadas ao atendimento dos interesses dos dominantes. 
 
São Paulo e Rio de Janeiro começam a esboçar mudanças importantes no cenário da edu- 
cação. Darcy Ribeiro implementa, ainda que com cunho eleitoreiro no governo Leonel Brizola, 
institui os CIEPS com a tônica para a educação integral da criança. Surgem os Parâmetros 
Curriculares Nacionais, concentrando-se na qualidade do ensino e destacando os temas trans- 
versais como ética, saúde, meio ambiente, estudos econômicos, pluralidade cultural e orien- 
tação sexual, visando a formação integral do aluno. 
 
Na segunda metade do século XX a revolução tecnológica, em especial o ciberespaço, que 
nos permite a comunicação em tempo real, a universalização da imagem através da TV, 
alterando a maneira de pensar e trabalhar das pessoas, a explosão demográfica e a crescente 
urbanização são alguns dos fatores que mudaram a vida do homem e estabeleceram novas 
expectativas para sua educação. 
 
Pedro Demo, no tocante a LeiDarcy Ribeiro (LDBEN), menciona “. . . nosso maior atraso não 
está na economia (...), mas na educação”. Apesar de haver sido instituída, a nova LDBEN – Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, contém aspectos positivos como, por exemplo, a 
visão alternativa da formação dos profissionais da educação e o direcionamento de investi- 
mentos financeiros para valorização do magistério, porém, observa-se grande atraso quanto à 
educação superior e o fato da Lei não se referir à informática educativa, entre outros. 
 
Considera-se, portanto, que o sonho dos educadores por uma sociedade mais justa e críti- 
ca está diretamente proporcional à qualidade da prática educativa, a qual por sua vez necessi- 
tará de leis ponderadas, que verdadeiramente atendam as necessidades sociais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
 
MOVIMENTO RELIGIOSO 
E SOCIEDADE 
 
 
Tão universal permanente e penetrante é a religião na sociedade humana que, a menos que 
possamos compreendê-la profundamente, não nos será possível compreender a sociedade. 
Todas as sociedades conhecem alguma forma de religião. A religião é um fato social universal, 
sendo encontrada em toda parte e desde os tempos mais remotos. 
 
Ao longo da História surgiram muitas formas de manifestação religiosa, sendo que algumas 
desapareceram e outras permanecem até os dias atuais, trazendo para si um elevado número 
de fiéis. Contudo, todas elas voltadas para o mesmo tipo de indagação. 
 
A religião sempre desempenhou uma função social indispensável, na medida em que nas 
variadas culturas o culto ao sobrenatural apresentou-se sempre como fator de estabilidade 
social e obediência às normas sociais vigentes. Outro aspecto diz respeito à busca, no misti- 
cismo e no sobrenatural, de algo que transmitisse paz de espírito e segurança aos indivíduos. 
Neste sentido, essa crença em poderes sobrenatural ou misteriosa associa-se a sentimentos de 
respeito, temor e veneração. 
 
A forma de expressar a religião varia de sociedade para sociedade e com as mudanças 
econômicas e científicas ocorridas nas sociedades ocidentais, o sentido da religião desviou-se 
dos dogmas; passando a valorizar aspectos sociais e humanos, bem como a conciliar as doutri- 
nas religiosas com o conhecimento científico. 
 
Um número bastante significativo da população da terra professa algum tipo de religião, o 
que parece indicar que o ser humano precisa acreditar que sua existência não é acidental nem 
absurda, e que a vida não é desprovida de sentido. Por tudo isso, ele crê numa entidade sobre- 
natural a qual dá geralmente o nome de Deus. 
 
A religião constitui o conjunto das várias práticas, rituais e normas de comportamento liga- 
das a essa crença. 
 
Dependendo do número de suas divindades, elas podem ser subdivididas em monoteístas 
(do grego mónos = um só; e théos = deus) e politeístas (do grego polys = muitos). Hoje as 
maiores religiões são monoteístas, embora muitas diferenças as separem entre si. 
 
Intimamente relacionadas aos valores morais e à estrutura da sociedade, elas sempre 
exerceram uma considerável influência ideológica, marcando profundamente a história da 
Humanidade. Não é por acaso que se fala em civilização cristã, judaica, islâmica, etc. 
 
Falaremos a seguir um pouco a respeito de algumas das grandes religiões, deixando a su- 
gestão para que você estudante busque o aprofundamento, na medida de seu interesse pelo tema. 
 
 
O Judaísmo 
 
“O Senhor Deus é um só” – foi, de fato, um conceito revolucionário que, na Antiguidade, 
distinguiu os judeus de outros povos, seguidores de vários Deuses (politeístas). Desde sua 
origem, o judaísmo foi rigorosamente monoteísta, assim como o cristianismo e o islamismo, 
 
 45 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
religiões do qual derivam. Mesmo o nome de Deus em língua hebraica, Javé (“Eu sou o que 
sou”), significa o único e onipotente criador de tudo o que existe, inclusive do homem. 
 
Segundo o judaísmo, Deus escolheu o povo de Israel para se revelar aos homens, firman- 
do com ele um pacto ou aliança através do patriarca Abraão (1500 a.C.). Esse pacto – Abraão 
e seus descendentes levariam ao mundo a mensagem do Deus único – teria sido renovado por 
Moisés, a quem Deus entregou as Tábuas da Lei (Os Dez Mandamentos). O fato de se consi- 
derarem como “povo eleito” levou os judeus a identificarem a história de suas tribos com a 
história de sua religião. Assim, certos acontecimentos como o êxodo e o cativeiro da Babilônia 
pertencem tanto a uma como à outra. Tais episódios encontram-se narrados em uma série de 
livros – a Bíblia, que corresponde ao Antigo Testamento cristão – composta pela Lei de Moisés 
– a Tora ou o Pentateuco, pelos Profetas e pelos Escritos. A Tora é a lei “escrita”, suplementa- 
da pelo Talmude, conjunto de ensinamentos “orais” que servem de comentário à lei. As bases 
principais da religião judaica são: a fé num Deus único, eterno, criador do mundo, puro espíri- 
to onisciente, senhor universal e juiz que vela pelo seu povo; a fé na Lei de Moisés, que é a 
própria palavra de Deus e, por isso, não pode ser modificada ou substituída; a fé no advento 
do Messias anunciado pelos profetas que, ao contrário dos cristãos, não é reconhecido na pes- 
soa de Jesus Cristo; a fé na vida eterna e na ressurreição dos mortos. 
 
O culto é intenso e sistemático, acompanhando todos os momentos da vida individual e 
coletiva: as grandes festas encontram-se sempre ligadas a acontecimentos históricos memo- 
ráveis: A Páscoa celebra o êxodo, ou seja, a fuga dos judeus do Egito, sob a liderança de 
Moisés; O Pentecostes comemora a promulgação do decálogo no monte Sinai; a festa dos 
Tabernáculos lembra os quarenta anos de peregrinação pelo deserto; e o Dia do Perdão, o Yom 
Kippur. Há também as três orações rituais diárias, o jejum em diversas ocasiões, o descanso 
no sábado e etc. Na Antiguidade, os sacerdotes encarregavam-se dos sacrifícios e do culto, 
celebrados no templo de Jerusalém, destruído pelos romanos no ano 70 da era cristã. Hoje, os 
judeus reúnem-se em sinagogas (assembléias) para orar e ouvir a leitura e explicação da Lei. 
 
 
O Cristianismo 
 
Entre os séculos I e II destacou-se do judaísmo a religião cristã, doutrina daqueles que reco- 
nhecem Jesus Cristo como o Messias esperado (Jesus, em hebraico Messias, “o ungido do 
Salvador”). Além do Antigo Testamento (a Bíblia hebraica), os cristãos consideram sagrado o 
Novo Testamento, composto pelos quatro Evangelhos, pelos Atos dos Apóstolos, pelas Epístolas 
e pelo Apocalipse. A fé cristã diferencia-se do judaísmo em muitos aspectos, tais como: a crença 
em que Jesus a dívida do pecado original (supostamente cometido por Adão e Eva), oferecendo 
a própria vida para restituir ao homem o amor de Deus; a convicção de que Deus, único em 
natureza, subsiste em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; Que o próprio Jesus, a segunda 
pessoa da trindade, é homem e Deus ao mesmo tempo; a fé na ressurreição de Cristo. 
 
Ao proclamar o amor e a igualdade entre os homens como valores fundamentais, Cristo 
entrou em choque com a sociedade escravista e foi sacrificado. Seus ensinamentos, porém 
ultrapassaram as fronteiras da Palestina, onde viveu, estendendo-se por todo o ocidente. No 
curso de sua história, o cristianismo dividiu-se em numerosos ramos: 
 
• a Igreja Católica Romana (catolicismo), que reconhece o primado do bispo de Roma (o 
Papa) sobre os outros; 
 
• a Igreja Ortodoxa ou Igreja Oriental, separada de Roma desde 1054, em conseqüência do 
rompimento de Miguel Cerulária, que não aceitou a autoridade Papal. Esse ramo presta obe- 
diência ao Patriarca de Constantinopla;S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
• o Protestantismo, denominação genérica de diversas Igrejas Cristãs que se multiplicaram 
a partir da Reforma estabelecida por Martinho Lutero (século XVI). O mais numeroso grupo do 
Protestantismo é dos Luteranos (Igreja Evangélica Luterana), com cerca de 80 milhões de 
adeptos, sobretudo na Europa, reunidos desde 1947 na Federação Luterana Mundial. Existem 
ainda outros importantes grupos: com cerca de 50 milhões de fiéis, conhecidos como 
Presbiterianos , a Igreja Reformada, que adota o nome de Aliança Reformada Mundial desde 
1921, segue doutrina de Calvino e Zwínglio; os Batistas , assim chamados porque só batizam 
adultos, somam aproximadamente 30 milhões de seguidores, dos quais cinco milhões – norte- 
americanos em sua maioria - integram o grupo dos Congregacionalistas , saídos da Igreja 
Reformada no século XVII e reunidos, desde 1905, na Aliança Batista Mundial. Já os 
Anglicanos se recusam a ser incluídos entre os protestantes e somam cerca de 60 milhões, a 
maior parte dos quais vive na Grã-Bretanha. Seu chefe é o soberano inglês, embora, de fato, a 
autoridade máxima seja exercida pelo Arcebispo de Canterbury (Cantuária). Dos anglicanos 
derivam os Metodistas (cerca de 30 milhões), cuja igreja foi fundada por John Wesley no 
século XVIII. Em 1951, seus adeptos foram congregados no Conselho Metodista Mundial. 
 
 
O Islamismo 
 
Islã é uma palavra árabe que significa “submissão à vontade divina” e os Islamitas, também 
são chamados de Muçulmanos (os que praticam o islã). O fundador do Islamismo foi Maomé 
no século VII da era cristã (do árabe Mohammad, “o louvado”), que nasceu em Meca por volta 
de 570. Naquele tempo os árabes não tinham nem unidade política, nem uma religião comum 
às suas diversas tribos: a maioria da população era constituída de Beduínos, mercadores 
nômades que adoravam diversas divindades quase sempre personalizadas em forças da 
natureza; além disso, veneravam alguns personagens bíblicos como Abraão, Ismael (de quem 
se acreditam descendentes) e Jesus Cristo. Entre os seus ídolos estava a Pedra Negra, um 
meteorito que eles acreditavam ter sido enviado do céu pelo Arcanjo Gabriel. A Pedra Negra 
foi guardada na Caaba, edifício de forma cúbica e principal santuário de Meca. 
 
Maomé, que conhecia os princípios fundamentais do Judaísmo e do Cristianismo, experi- 
mentou, por volta de 610, uma crise religiosa no curso da qual teria recebido do Arcanjo 
Gabriel com a missão de propagar a vontade do único e verdadeiro Deus (Alá). 
 
Em sua pregação, o fundador do Islamismo não se apresentou como Salvador ou Messias, 
mas simplesmente como um homem escolhido por Deus para servir-lhe de porta-voz; era, em 
suma, um profeta, o último depois de Abraão, Moisés e Jesus. A fé que ele pregava, simples e 
linear, voltava-se para a conduta dos homens e sua sorte na vida além-túmulo. 
 
Ao contrário de tantas religiões que surgiram lenta e obscuramente, o Islamismo difundiu- 
se com a força e a rapidez de um furacão. Poucos anos após a morte de Maomé, ocorrida em 
632, já se havia espalhado em todo o Oriente Médio e, no espaço de um século, estendia-se do 
Marrocos à Indonésia. 
 
Os ensinamentos de Maomé encontram-se no Alcorão ou Corão (al-Quran), o livro sagrado 
dos muçulmanos: Alá é o único Deus, não gerado e sem qualquer semelhança com o ser 
humano (por isso não pode ser representado). É a coletânea dos versos recitados pelo profe- 
ta, graças – segundo a tradição muçulmana – a revelações feitas por Deus, por intermédio do 
Anjo Gabriel. As 114 “suratas” (capítulos) do Alcorão expõem os fundamentos do monoteís- 
mo islâmico e os princípios morais que regem a comunidade. 
 
 47 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
Maomé não estabeleceu um sacerdócio organizado nem instituiu sacramentos, mas pre- 
screveu certo número de deveres conhecidos como os “cinco pilares do islã”: 
 
• a profissão da fé que reza “só Alá é Deus, e Maomé é o seu profeta”; 
 
• as orações que são recitadas cinco vezes ao dia, em qualquer lugar onde estiver o crente, 
devendo este se voltar em direção a Meca; na Mesquita, a sexta-feira é o dia de repouso, 
sob a orientação do Imã (ancião); 
 
• a esmola como oferta a Deus e ato de devoção; 
 
• o jejum diário para ser observado no Ramadã, nono mês no calendário muçulmano, mês 
de peregrinação; 
 
• e a peregrinação a Meca, ao menos uma vez na vida dos fiéis em condições de cumpri-la. 
 
• O Alcorão impõe ainda obrigações morais, jurídicas e práticas como a proibição do con- 
sumo de carne de porco, animal impuro, e de vinho e a interdição de prática de usura e de 
jogos de azar. Maomé proibiu, ainda, a representação de seres vivos, em particular de 
homem, na forma de imagens esculpidas ou pintadas; por isso, entre os maometanos orto- 
doxos estão ausentes as estátuas e quadros representando o Profeta. 
 
 
O Hinduísmo 
 
Há cerca de 1500 anos a.C., portanto antes de Moisés, Buda e Maomé, os sábios indianos 
entoavam os primeiros hinos religiosos, movidos pelo que chamavam de “sopro de Deus”. 
Esses cânticos do Ri-Veda, “a suprema sabedoria”, os textos sagrados do hinduísmo e a pro- 
funda espiritualidade daqueles sábios deram origem à religião nacional da Índia, com quase 
500 milhões de adeptos naquele país, no Paquistão, Sri Lanka, Birmânia, Bali (Indonésia) e até 
em Trinidad (nas Antilhas). 
 
Dentre todas as grandes religiões do mundo, o hinduísmo é certamente a mais antiga, mas, 
no decorrer de tantos séculos de sua existência, desenvolveu ininterrupta evolução. Hoje cons- 
titui-se de uma fusão de cultos e doutrinas procedentes de inúmeras tradições na Índia. 
Representa, especialmente, a evolução do bramanismo, com o qual forma um todo insepa- 
rável, sendo, por isso, uma religião muito difícil de definir. O conceito fundamental da religião 
hindu é o monismo, ou seja, a reunião de todas as coisas numa unidade absoluta composta 
do Ser divino, o eu interior (alma) e o mundo. A religião insere-se, desse modo, no contexto 
filosófico-religioso como a mais tradicional forma de panteísmo. Para os hindus tudo, inclusive 
o homem, é brahman, o princípio e o fundamento de tudo que existe, o espírito eterno (ou seja, 
Deus): a sua personificação é o deus Brama, absoluto. Brama (criador), Vishnu (conservador) 
e Shiva (destruidor) constituem a Trimúrti (trindade) hindu. São os deuses principais, mas o 
panteão hinduísta encontra-se povoado de um grande número de outras divindades, repre- 
sentadas ora na forma humana, ora como animais, que convivem com demônios, heróis, fan- 
tasmas, bailarinas, celestiais, etc. O crente pode adorar inúmeros deuses, ao invés de uma 
única divindade: tudo, de fato – inclusive todos os deuses – se reduz ao brahman. Na verdade, 
o homem só vê o mundo como uma multiplicidade (deuses, homens, animais, coisas) e não 
como uma unidade, devido à sua ignorância. A sua salvação consistirá exatamente em dissi- 
par essa ilusão e em integrar-se no cosmos, tornando-se parte da “divina unidade”. 
 
48 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
O bramanismo introduziu na Índia o sistema de castas sociais, que, apesar de abolido ofi- 
cialmente em 1947, continua vigorando ainda hoje. Esse sistema define a existência de quatro 
grandes castas: os sacerdotes (brâmanes), os guerreiros, os comerciantes e os servos. Na vida 
material, o indivíduo não pode mudar de casta. Mas, ao morrer, sua alma pode se reencarnar 
em outra casta. Tudo depende de seu comportamento em vida; se este foi marcado por vícios 
e pecados, a alma éenviada para uma casta inferior; caso contrário, ela se reencarna num indi- 
víduo de casta superior. Assim, a desigualdade entre os homens na constitui obra do acaso 
nem capricho dos deuses, mas é o resultado das ações de cada pessoa. Esta seqüência de 
mortes e reencarnações termina quando o homem atinge a consciência de Deus e pode rein- 
tegrar-se ao brahman, despojando-se do ego e da individualidade. O objetivo derradeiro do 
hinduísta, portanto, é a união com Deus. 
 
 
O Budismo 
 
Nascido na Índia por volta de 560 a.C., Sidarta Gautama era filho de um nobre guerreiro 
hindu. Cresceu no luxo e na tranqüilidade até os 29 anos, quando então se deu conta da 
existência da velhice, do sofrimento e da morte, que o deixaram profundamente perturbado. 
Em virtude dessa experiência, empreendeu uma peregrinação pelo país como mendigo, 
refletindo sobre os males, a vida e o destino do homem; além disso falou com sábios, brâ- 
manes e iogues (praticantes da ioga), mas nenhum o satisfez. Finalmente, após mais seis anos 
de peregrinação, sentou-se sob a árvore sagrada do Bodhi (clarividência), e conseguiu chegar 
à luz que procurava. E então passou a chamar-se Buda (iluminado), dedicando o resto de seus 
dias à pregação, e organizando seus discípulos num tipo de ordem monástica. 
 
A despeito de constituir uma rebelião contra o hinduísmo tradicional, o budismo não refutou 
nenhum dos conceitos daquela religião; a idéia de que todos os seres passam por repetidos ci- 
clos de nascimento, morte e reencarnação; a doutrina do carma, a lei universal que premia a vir- 
tude e pune o crime na reencarnação futura; o conceito de que o mundo é a sede da ignorância 
e da dor, fazendo-se por isso necessário lutar para se libertar dele; e, finalmente, o conceito de 
renúncia, pelo qual o caminho da sabedoria está em saber refrear os desejos e paixões da carne. 
 
Para realizar esse objetivo, Buda propôs “as quatro nobres verdades”, a saber: a dor é uni- 
versal; a causa das dores são os desejos e as paixões; curam-se as dores eliminando-se os 
desejos; os desejos são eliminados praticando-se os “oito nobres sentimentos” (consciência 
reta, intenção reta, palavra reta, conduta reta, modo de vida reto, esforço reto, reflexão reta, 
concentração reta). O verdadeiro budista, que consegue finalmente atingir a luz, conquista o 
nirvana quando cessam todos os sentimentos e desejos e, portanto, os sofrimentos. O indiví- 
duo deixa então de estar sujeito ao ciclo das reencarnações. Buda não adorou nenhum Deus, 
nem cogitou da existência de uma divindade. Seus seguidores, porém, interpretaram de tal 
modo seus ensinamentos que o transformaram numa divindade: o Buda Amitaba. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 49 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
 
A GLOBALIZAÇÃO 
E O DESENVOLVIMENTO 
 
 
A política econômica precisa se preocupar com o bem-estar das pessoas, e vão longe aque- 
les tempos em que as políticas econômicas, em quase todos os países, cuidavam do desen- 
volvimento econômico, do pleno emprego e do bem-estar das pessoas. Hoje em dia elas têm 
de cuidar de sua credibilidade diante dos mercados financeiros, um tribunal de cujas decisões 
não cabe recurso. Em compensação, todos participam da grande aventura da globalização. O 
progresso exige certas renúncias. 
 
Ninguém duvida de que a ação econômica dos Estados Unidos vem sendo severamente 
restringida: assiste quase impotente ao desdobramento das estratégias de localização e de 
divisão interna do trabalho da grande empresa e está cada vez mais à mercê das tensões ge- 
radas nos mercados financeiros, que submetem a seus caprichos às políticas monetária, fiscal 
e cambial. Mais do que por seu caráter global, a nova finança e sua lógica tornaram-se decisi- 
vas por sua capacidade de “vetar as políticas macroeconômicas. Este poder de veto dos mer- 
cados financeiros se impõe a todas as economias, ainda que de forma diferenciada”. 
 
Os Estados Unidos, por exemplo, emissores e gestores da moeda-reserva, gozam de maior 
liberdade para executar políticas fiscais e monetárias expansionistas, desde que aceitem o 
risco permanente de ataques especulativos contra o dólar e administrem adequadamente as 
tensões que se manifestam através da elevação imediata das taxas de juros de longo prazo, 
quando o crescimento é julgado “excessivo pelos mercados”. Na outra ponta do espectro, 
países de "moeda fraca não conseguem escapar das situações de instabilidade senão atre- 
lando as respectivas moedas ao curso de uma divisa estrangeira, renunciando a qualquer pre- 
tensão de determinar o rumo das políticas fiscal e monetária”. 
 
A disciplina imposta pelos mercados financeiros, cujos movimentos de antecipação podem 
destruir a precária estabilidade, acaba inibindo toda e qualquer tentativa de executar políticas 
ativas, destinadas a promover o crescimento. Os efeitos mais importantes dessas transfor- 
mações têm sido, por toda parte, a decadência econômica de muitas regiões, o crescimento do 
desemprego estrutural, a proliferação de formas de precarização do emprego, o aumento da 
desigualdade. A essas tendências o Estado e a sociedade não podem responder com as medi- 
das compensatórias dos tenebrosos anos 50 e 60, do século XX . Na era dos mercados globa- 
lizados e livres, cresce a resistência à utilização de transferências fiscais e previdenciárias, 
aumentando, ao mesmo tempo, as restrições à capacidade impositiva e de endividamento do 
setor público. 
 
A globalização ao tornar mais livre o espaço de circulação da riqueza e da renda dos grupos 
integrados desarticulou a velha base tributária das políticas keynesianas e vem submetendo a 
gestão da dívida pública aos humores freqüentemente imprevisíveis dos mercados finan- 
ceiros. A ação do Estado, particularmente sua prerrogativa fiscal, vem sendo ademais contes- 
tada pelo intenso processo de homogeneização ideológica de celebração do individualismo 
que se opõe a qualquer interferência no processo de diferenciação da riqueza, da renda e do 
consumo efetuado através do mercado capitalista. 
 
A ética da solidariedade foi francamente derrotada pela ética da eficiência. Por isso, os pro- 
gramas de redistribuição de renda, reparação de desequilíbrios regionais e assistência a gru- 
pos marginalizados têm sofrido intensa rejeição da parte dos grupos “vitoriosos e cosmopoli- 
 
50 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
tas”. Não há dúvida de que este novo individualismo tem sua base social originária na grande 
classe média produzida pela longa prosperidade e pelos processos mais igualitários que pre- 
dominaram na era keynesiana, ou seja, no período em que as políticas econômicas se preocu- 
pavam com o bem-estar das pessoas. Hoje, o novo individualismo encontra reforço e susten- 
tação no aparecimento de milhões de empresários terceirizados e autonomizados, criaturas 
das mudanças nos métodos de trabalho e na organização da grande empresa. 
 
A ação do Estado é vista como contraproducente pelos bem-sucedidos e integrados e como 
insuficiente pelos desmobilizados e desprotegidos. Essas duas percepções convergem na 
direção da "deslegitimação do poder administrativo e da desvalorização da política”. 
Aparentemente estamos numa situação histórica em que a "Grande Transformação” ocorre no 
sentido contrário ao previsto por Karl Polanyi: a economia trata de se libertar dos grilhões da 
sociedade. Resta saber que respostas à sociedade está preparando para dar às façanhas da 
economia desentranhada e apenas limitada por suas próprias leis de movimento. 
 
 
Desemprego e Globalização 
 
O aumento da concorrência internacional gerado pela Globalização obriga as empresas a 
cortarem custos diminuindo os preços. Como ospaíses mais ricos possuem altos salários, as 
empresas procuram instalar suas fábricas em locais que possuam mão-de-obra barata. Com 
isso há uma transferência de empregos dos países mais ricos para os mais pobres. 
 
O desemprego estrutural é uma tendência em que são cortados vários postos de trabalho e 
uma das principais causas é a automação de várias rotinas de trabalho, substituindo a mão-de- 
obra do homem. As fábricas estão substituindo operários por robôs, os bancos estão substi- 
tuindo funcionários por caixas eletrônicos, os escritórios informatizados já possuem sistemas 
que executam tarefas repetitivas e demoradas, eliminando alguns funcionários. Em contra- 
partida, existe também a criação de novos pontos de trabalho, gerando novas oportunidades 
de empregos. Mas esses novos empregos exigem profissionais com boa formação e com isso 
o desemprego continua nas camadas mais baixas. Não só no ramo industrial se vê o efeito da 
globalização no desemprego. O comércio também está bastante atingido. As grandes empre- 
sas multinacionais chegam e acabam com as empresas locais. O aumento de shoppings cen- 
ters vem acabando com o comércio de rua. 
 
Por outro lado vemos a globalização funcionando no Mercosul e outros blocos econômicos. 
As empresas globais lançam produtos globais para conquistar mercados e ampliar os seus 
domínios. "A empresa diante da economia globalizada poderá ser uma dádiva ou um tremen- 
do problema”. 
 
Quais as mudanças causadas pela globalização que podem aumentar o desemprego? 
 
• mudança de sede ou de um setor de multinacionais para outro país; 
 
• mudança de ramo da empresa em busca de produtos competitivos; 
 
• aumento da competitividade e o livre mercado; 
 
• abertura de importações no país, com redução de impostos para multinacionais. 
 
 51 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
“GLOBALIZAÇÃO HUMANA” 
 
“A globalização tiranossáurica, não obstante suas contradições internas criam as 
condições infra-estruturais e materiais para as outras formas de globalização: proje- 
tou as grandes avenidas de comunicação global, construiu a rede de trocas comerci- 
ais e financeiras, incentivou o intercâmbio entre os povos, continente e nações. Sem 
essas pré-condições seria impossível sonhar com globalizações de outra ordem. 
 
Agora, estabelecida a globalização material, a globalização humana deve res- 
gatar seus ganhos num quadro maior e mais includente e buscar a hegemonia. Ela 
se processa, simultaneamente, em várias frentes, na antropológica, na política e na 
espiritual. Vejamos. 
 
Impõe-se, mais e mais na consciência coletiva, a unidade da espécie humana, sapi- 
ens e demens. Por maiores que sejam as diferenças culturais, vigora uma unidade 
genética básica, temos a mesma constituição anatômica, os mesmos mecanismos psi- 
cológicos, os mesmos impulsos espirituais, os mesmos desejos arquetípicos. Embora 
mudem os códigos de expressão, todos são portadores de cuidado, de emoção, de 
inteligência, de liberdade, de amorosidade, de expressão artística e de experiência 
espiritual. Simultaneamente se manifesta também nossa capacidade de mesquinharia, 
de exclusão do outro, de violência contra a natureza do outro, de violência contra a 
natureza e de destruição. Somos a unidade complexa desses contrários. 
 
Mais e mais se difunde a convicção de que cada pessoa é sagrada e sujeito de 
dignidade. Ela é um fim em si mesma, um projeto infinito, a face visível do mistério 
do mundo, um filho e filha de Deus. Em nome dessa dignidade se codificaram os 
direitos humanos fundamentais, pessoais, sociais e dos povos. Por fim, se elaborou 
a Dignitas Terrae, traduzida nos Direitos da Terra como superorganismo vivo, dos 
ecossistemas, dos animais e de tudo o que existe e vive. 
 
A democracia como valor universal a ser vivido em todas as instâncias humanas 
penetra lentamente nas visões políticas mundiais. Vale dizer, cada ser humano tem 
direito de participar do mundo social que ajuda a criar com sua presença e traba- 
lho. O poder deve ser controlado para não se transformar em tirânico. A violência 
não é o caminho para soluções duradouras, mas o é o diálogo, a tolerância e a 
busca permanente de convergência na diversidade. A paz é simultaneamente méto- 
do e meta, como fruto da justiça societária irrenunciável e do cuidado de todos por 
todos. As instituições devem ser minimamente justas e eqüitativas. 
 
Um consenso mínimo para uma ética global se concentra na humanitas da qual 
todos e cada um são portadores. Mais que um conceito, a humanitas é um senti- 
mento profundo de que somos, finalmente, irmãos e irmãs, viemos de uma mesma 
origem, possuímos a mesma natureza físico-química-bio-socio-cultural-espiritual e 
participamos de um mesmo destino. Devemos tratar a todos humanamente segun- 
do a lei áurea: “Não faças ao outro o que não queres que te façam a ti”. 
 
A reverência face à vida, o respeito inviolável aos inocentes, a preservação da inte- 
gridade física e psíquica das pessoas e de todo o criado, o reconhecimento do direito 
do outro de existir, constituem pilastras básicas sobre as quais se constroem a 
sociedade humana, os valores e o sentido de nossa curta passagem por este planeta. 
 
 
 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
Experiências espirituais dos povos originários e das culturas contemporâneas se 
encontram e intercambiam visões. São essas experiências espirituais que estrutu- 
ram nossa subjetividade e nos abrem para horizontes que transcendem o universo. 
Só nessa dimensão de extrapolação e de superação de toda medida, de todo 
espaço-tempo e de todo o desejo é que o ser humano se sente realmente humano. 
Essa lição já nos ensinaram os gregos. 
 
A era humana da globalização não ganhou ainda a hegemonia. Mas seus ingre- 
dientes são identificáveis e estão fermentando a massa da história e as consciên- 
cias. Ela vai irromper gloriosa, um dia. “Inaugurará a nova história da família 
humana que caminhou por tanto tempo em busca de suas origens comuns e de sua 
casa materna”. 
 
Leonardo Boff, Jornal do Brasil, 22/02/2002 
 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
“Internet, Globalização e Desemprego” 
 
“Não sou adepto das teorias de Karl Marx e acho que ele, apesar de todo o seu 
imenso papel histórico, foi apenas mais um dos inúmeros teorizadores que ten- 
taram prever o futuro da humanidade e falharam. Mas Marx escreveu uma coisa 
que está começando a provocar arrepios de reconhecimento nos que estão estu- 
dando a evolução das relações sócio-econômicas mundiais neste final de século, a 
chamada "globalização". 
 
Globalização tem muitos significados, mas no contexto do que queremos analisar 
significa a queda das numerosas barreiras que sempre caracterizaram, de um modo ou 
de outro, o isolamento comercial, cultural e geográfico entre as nações. Por exemplo: 
há 100 anos, as notícias vindas da Europa e dos EUA vinham de navio ou por cabo sub- 
marino (ainda em sua infância), e tudo era mais lento. O comércio mundial era muito 
restrito, assim como o desenvolvimento dos mercados mundiais. Não existiam multi- 
nacionais. As confrontações bélicas entre as grandes potências estavam no auge, a 
ponto de entrar nos horrores de duas guerras mundiais, em menos de 40 anos. 
 
A partir da invenção da TV e dos satélites de telecomunicações, a marcha de tudo 
começou a se acelerar exponencialmente. Com a informatização geral das 
sociedades civilizadas e o surgimento da Internet, umarevolução sem precedentes 
se instalou. Hoje, um adolescente do interior da Paraíba é capaz de comprar CDs de 
músicas em um "site" do norte da Califórnia, pagando um quarto do preço que 
pagaria pelo mesmo produto vendido na lojinha de sua cidade. Um investidor de 
Cingapura pode vender ações na bolsa do Chile e aplicar o dinheiro na bolsa de 
Londres, em questão de minutos. Um comerciante de Miami pode encomendar pela 
Internet um carregamento de blusas de seda da China, por um décimo do valor que 
pagaria no Brasil. Um engenheiro recém-formado na Bélgica acha um bom 
emprego em qualquer outro país europeu em questão de segundos. 
 
Nesse ambiente de competitividade exacerbada, as empresas estão lutando para 
se adaptar. Ao mesmo tempo, têm que cortar custos de produção, aumentar a qual- 
idade e investir em marketing internacional. A Internet está permitindo o surgimen- 
to de empresas globais de comércios e serviços, com infraestruturas físicas e 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
humanas mínimas. A solução, na maioria das vezes, tem passado pelo corte insen- 
sato de pessoal, gerando legiões de desempregados. E o que Marx escreveu? Ele 
disse que a contradição final do capitalismo seria atingida quando pouquíssimas 
pessoas fossem capazes de produzir todos os bens de consumo. Só que não teriam 
para quem vender, pois a massa da população já estaria desempregada, a essa 
altura. O resultado será o colapso da estrutura capitalista de produção, auto-enve- 
nenada pelo seu próprio desenvolvimento. Recentemente, um analista dessas 
tendências "previu" que as fábricas do futuro terão apenas um homem e um cachor- 
ro. O homem, com a função única de alimentar o cachorro, e este com a incum- 
bência de impedir que o homem ponha a mão nas máquinas que fazem sozinhas 
toda a produção(…) 
 
Uma séria conseqüência de todo esse estado de mudança constante é o nível 
altíssimo de estresse constatado nas pessoas que trabalham em empresas colhidas 
pelo vendaval da globalização. Recentemente participei de vários levantamentos 
feitos em empresas de alta tecnologia, passando questionários para os emprega- 
dos, com a finalidade de avaliar o nível de estresse e fiquei espantado. Uma das 
empresas, uma multinacional estabelecida há muitos anos no Brasil, tinha feito 
uma "reengenharia" (palavra que adquiriu, por causa disso, conotações sinistras) e 
demitido mais de metade do seu pessoal. Os que sobraram estavam fazendo mais 
coisas do que todos os empregados anteriores juntos, e vivendo sob o espectro da 
perda do emprego em uma nova onda de reajustes. A Informática e a Internet per- 
mitiram esse aumento de produtividade, entre outras coisas. No entanto, os EUA 
estão com o desemprego no nível mais baixo de sua história, e com a economia em 
pleno crescimento, sem inflação. Por que será?” 
 
(Renato Sabbatini, Jornal Correio Popular 
em Campinas, em 02/09/1997) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
 
 
 
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE 
 
 
 
Desde que os mais distantes antepassados do homem surgiram na Terra, há mais de um 
milhão de anos, eles vêm transformando a natureza. No início, essa transformação causava 
impacto irrelevante sobre o meio ambiente, seja pelo fato de haver um pequeno número de 
pessoas vivendo no planeta, seja pelo fato de o homem não dispor de técnicas que lhe permi- 
tissem fazer grandes transformações. Assim, durante muitos séculos, o homem foi bastante 
submisso à natureza. Enquanto ele era caçador e coletor, período que durou desde os primór- 
dios da humanidade até aproximadamente 10.000 a.C., sua ação sobre o meio ambiente 
restringia-se à interferência em algumas cadeias alimentares, ao caçar certos animais e colher 
certos vegetais para seu consumo. A utilização do fogo foi, talvez, a primeira grande descober- 
ta realizada pelo homem, permitindo que ele se aquecesse nos dias mais frios e cozinhasse 
seus alimentos. Ainda assim, o impacto ambiental era muito reduzido. 
 
Gradativamente o homem foi descobrindo meios de cultivar a terra e criar animais, e o apri- 
moramento da agricultura a criação das primeiras cidades, o ritmo do crescimento se acelerou. 
Contudo, ao longo de séculos os avanços técnicos foram muito lentos, assim como o cresci- 
mento populacional. Os impactos sobre o meio ambiente eram praticamente irrelevantes. 
 
Assim, foi com a Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX que o homem inicia o proces- 
so de transformação da natureza com impactos ambientais crescentes, provocando desequi- 
líbrio em escala global. A ação contínua do homem na degradação da natureza não permitiu, 
até os dias atuais, que a natureza tivesse tempo para regenerar-se e recuperar tais impactos. E 
assim, a própria sobrevivência humana é posta em risco, como resultado de profundos dese- 
quilíbrios pelo homem ocasionados. Dessa forma, há que ser rediscutidos o modelo de desen- 
volvimento, o padrão de consumo, a desigual distribuição de riqueza e o padrão tecnológico 
existentes no mundo contemporâneo. 
 
 
Água: Elemento Vital 
 
A água cobre três quartos da superfície total da terra, e abaixo da superfície, temos ainda 
uma grande quantidade de água. Embora exista muita água no planeta, 97,5% é salgada, 
encontrando-se nos oceanos, e somente 2,5% é doce e em sua maioria nas regiões polares. 
As plantas e os animais, incluindo o ser humano, dependem da água para sobreviver. Mais de 
dois terços de nosso corpo são constituídos de água, vem daí a necessidade de reposição 
diária da água que perdemos na transpiração e na urina. 
 
Tanto a água doce quanto a água salgada do planeta tem sido objeto de atitudes inconse- 
qüentes, sendo a poluição, o desperdício e o desmatamento as maiores contribuições para a 
escassez desse recurso natural. 
 
 
Principais Impactos Ambientais 
 
Por impacto ambiental entende-se como um desequilíbrio provocado por um choque, um 
“trauma ecológico”, resultante da ação do homem sobre o meio ambiente. Sabemos que os 
acidentes naturais também ocasionam impactos ambientais, contudo, devemos mais e mais 
 
 55 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
estar atentos aqueles causados pela ação do homem. Tais desequilíbrios foram gerados a par- 
tir do sistema produtivo criado pelo capitalismo. 
 
Os impactos ambientais podem ser diferenciados em escala local, regional e global. 
Também podem ser separados como tendo ocorrido num ecossistema natural, ecossistema 
agrícola ou em um sistema urbano. 
 
A devastação de florestas tropicais, as mais ricas em biodiversidade, é um dos principais 
impactos ambientais de um ecossistema natural. As principais causas dos desmatamentos 
são: 
 
• Extração da madeira para fins comerciais; 
• Instalação de projetos agropecuários; 
• Implantação de projetos de mineração; 
• Construção de usinas hidrelétricas; 
• Propagação do fogo resultante de incêndios. 
 
 
Como conseqüências do desmatamento podemos citar: 
 
• Destruição da biodiversidade; 
• Genocídio e etnocídio das nações indígenas; 
• Erosão e empobrecimento dos solos; 
• Enchentes e assoreamento dos rios; 
• Diminuição dos índices pluviométricos; 
• Elevação das temperaturas; 
• Desertificação; 
• Proliferação de pragas e doenças. 
 
 
O aumento da produção de alimentos pela modernização do campo e da introdução de 
novas técnicas agrícolas, trouxe como resultadoa padronização dos cultivos, afetando o equi- 
líbrio das cadeias alimentares existentes, além da poluição com agrotóxicos, usados para 
controlar as pragas que devastam as plantações. A erosão é um tipo de impacto também cau- 
sado pela agricultura, pois a perda de milhares de toneladas de solo agricultável todos os anos 
pela erosão. 
 
Um dos grandes impactos ambientais ocasionados em sistemas urbanos é a poluição. O 
termo poluição deriva do latim poluere, que significa “sujar ”. Desde que o homem surgiu na 
face da Terra ele polui, contudo, foi a expansão da sociedade de consumo que trouxe como 
resultado o impacto negativo para o meio ambiente. 
 
A poluição atmosférica é um dos problemas mais graves das cidades e também dos que 
mais atingem os sentidos da visão e do olfato, principalmente nas grandes metrópoles. É o 
resultado do lançamento de enorme quantidade de gases e materiais particulados na atmos- 
fera, causando seu desequilíbrio. Os principais responsáveis pela poluição do ar nas cidades 
são os transportes, as instalações industriais, as centrais termelétricas, as instalações de aque- 
cimento, etc. O efeito estufa é talvez o impacto ambiental que mais assusta as pessoas. 
Fazem-se previsões catastróficas acerca do derretimento do gelo dos pólos e das montanhas 
e a conseqüente elevação do nível dos oceanos e inundação de centenas de cidades litorâneas. 
 
56 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
Talvez o que mais assuste no efeito estufa, ou melhor, nas possíveis conseqüências de uma 
gradativa elevação das médias térmicas no planeta, é a tomada de consciência, pela primeira 
vez na história, da possibilidade de destruição do próprio homem. Os impactos ambientais 
passam a atingir todos os homens, sem distinção de cunho econômico, social ou cultural: 
atingem indistintamente ricos e pobres, operários e patrões, brancos, negros e amarelos, etc. 
Todos os homens passam a ter plena consciência do óbvio: a Terra é finita e a tecnologia não 
pode resolver todos os seus problemas. 
 
Outro problema ambiental de caráter global que vem assustando as pessoas é a gradativa 
destruição da camada de ozônio existente na estratosfera. Esse gás é encontrado numa faixa 
de 10 a 70 quilômetros de altitude, mas sua maior concentração ocorre mais ou menos 25 
quilômetros. Ele tem um papel fundamental na regulação da vida na Terra, ao filtrar a maior 
parte dos perigosos raios ultravioleta emitidos pelo sol. Sabe-se que esses raios podem causar 
no homem câncer de pele, perturbações da visão, etc. Além disso, provocam a diminuição da 
velocidade da fotossíntese dos vegetais e são perigosos para os animais e para o plâncton ma- 
rinho, a medida em que interferem em seus mecanismos de reprodução. 
 
Em 1979, foi verificado pela primeira vez que a concentração de ozônio estava se tornando 
rarefeita sobre a Antártica. Descobriu-se o buraco na camada de ozônio, e os causadores da 
destruição são: 
 
• Os gases CFCs (clorofluorocarbonos), usados como fluídos de refrigeração, 
como solventes, nas embalagens de aerossóis e nas espumas plásticas; 
• Compostos bromados (extintires); 
• Tetracloreto de carbono (extintores e solventes); 
• Clorofórmio de metila (solvente). 
 
 
Em 1986 cento e vinte países assinaram o acordo de redução de uso do CFC, conhecido 
como Protocolo de Montreal, dado ao reconhecimento de sua intensa atuação, onde todos os 
artigos que têm o CFC em sua composição teriam que ter sua produção e a utilização inter- 
rompida até 1996 e substituída por outros, inofensivos ao ozônio. 
 
A poluição das águas é também uma das piores formas de poluição. O derrame de mercúrio 
nos rios, lagos e mares têm sido uma grande preocupação. Sendo um metal pesado e alta- 
mente tóxico, o mercúrio concentra-se no organismo dos animais; e como essa concentração 
vai se acumulando, o maior afetado é o homem que vai consumir um alimento com altas doses 
do metal. Esse metal causa sérios danos neurológicos, já que sua concentração no homem se 
dá no cérebro. 
 
Nos grandes centros urbanos, a questão da poluição das águas assume graves proporções 
pois a concentração populacional e industrial das cidades faz com que haja um elevado con- 
sumo de água e, como conseqüência, uma grande variedade de agentes poluidores como 
esgotos domésticos e efluentes industriais. Essa água é retirada da natureza e depois devolvi- 
da e é nesse ponto que o problema se instala. São devolvidas à natureza quantidades de água 
parcial ou totalmente poluídas, sem o devido tratamento, contendo em sua composição subs- 
tâncias químicas não-biodegradáveis ou de matérias orgânicas acima da capacidade de 
absorção dos rios, lagos e mares. A poluição orgânica desequilibra o ecossistema aquático que 
a recebe, causando a mortandade dos peixes por asfixia, enquanto a poluição tóxica mata por 
envenenamento. 
 
 57 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
E pensar que a solução é muito simples: fazer-se o tratamento das águas utilizadas. Se hou- 
ver o sistema de tratamento adequado, as cidades devolverão à natureza água limpa, tratada, 
livre de elementos nocivos. Portanto, cabe aos governos a regulamentação, implantação de 
medidas que permitam a despoluição da água consumida pela sociedade, e a todos nós 
cidadãos a fiscalização e o seu cumprimento, para preservação da nossa existência. 
 
 
A Defesa do Meio Ambiente 
 
Devemos considerar que muitos recursos naturais do planeta não são renováveis, daí 
decorre a necessidade do homem utilizá-los de forma criteriosa, pois do contrário seu esgota- 
mento será rápido e inevitável. 
 
A humanidade avançou muito em termos tecnológicos que o homem se deu conta, na sua 
vil vaidade, de que poderia dominar a natureza sem ao menos atentar para a necessidade de 
protegê-la. Somente se apercebeu desse fato quando, em 1972 dois importantes eventos 
debateram questões sobre meio ambiente: a Conferência das Nações Unidas sobre o Homem 
e o Meio Ambiente, em Estocolmo (Suécia); o Clube de Roma, importante entidade formada 
por empresários, encomendou um estudo que ficou conhecido como Desenvolvimento Zero. 
Este estudo em especial sinalizou para o agravamento das questões ambientais, propondo 
solução para evitar-se uma tragédia ecológica. 
 
A crise econômica mundial de 70 pelo choque do petróleo mostrou ao mundo que os recur- 
sos naturais são esgotáveis. Mas somente nos anos 80 o tema desenvolvimento e meio ambi- 
ente foi retomado. Em 1987 a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da 
ONU, publicou um estudo onde pela primeira vez surge a concepção de desenvolvimento sus- 
tentável. Em 1992, no Rio de janeiro, nova Conferência Mundial aprofunda as bases do desen- 
volvimento sustentável ecologicamente, com atenção para o futuro das próximas gerações. 
 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
 
PESQUISA DO IBGE REVELA QUE ESGOTO DO ESTADO É JOGADO NOS RIOS 
 
“A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, feita pelo Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE), revela que dos 211 distritos do Estado que contam 
com rede de esgoto, 158, ou seja, 75% despejam seus dejetos nos rios, sem qual- 
quer tipo de tratamento. É o que acontece, por exemplo, nos municípios de Barra 
Mansa, Barra do Piraí e Resende, que ficam às margens do Rio Paraíba do Sul, fonte 
de abastecimento para 80% da Região Metropolitana. O levantamento, realizado em 
2000 e concluído no fim do mês passado, mostra ainda que 12 dos 91 municípios do 
Estado não têm rede de esgoto. Entre eles, Parati, Cabo Frio e o sofisticado balneário 
de Búzios. Guapimirim, tratado como paraíso ecológico no enredo da escola de 
samba São Clemente, no último carnaval, aparecena pesquisa do IBGE com jeito de 
Quarta-Feira de Cinzas: o município não tem rede de esgoto ou água tratada”. 
 
”Município do Rio trata 47,6% do esgoto despejado no mar”. 
 
 
58 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
“Apenas um terço dos municípios fluminenses conta com algum tipo de trata- 
mento de esgoto. 
 
O Rio, que trata 47,6% dos dejetos, apresenta um dos maiores percentuais do 
estado. Na outra ponta, aparecem cidades como Petrópolis, com 2%, e Volta 
Redonda, com 5%. Os dados revelam uma realidade cruel, diz o ambientalista Elmo 
Amador. É preciso observar que, dos municípios que tratam esgoto, a maioria faz 
apenas tratamento primário, que reduz de 30% a 50% da carga orgânica. Com 
tratamento secundário, que é raro, a redução pode chegar a 90%. ·No capítulo 
sobre lixo, a pesquisa do IBGE também apresenta dados surpreendentes. Em 2000, 
existiam no Estado 400 pessoas (catadores) morando em lixões. Um quarto delas 
com menos de 14 anos. São Gonçalo é o município com maior número de pessoas 
residindo nessas áreas: 300. ·Em alguns casos, os depósitos de lixo ficam perto de 
residências, como no Rio e em Duque de Caxias, ou de áreas de proteção ambien- 
tal, como em Bom Jardim e Volta Redonda. ·Apenas 14 dos 91 municípios do esta- 
do fazem coleta seletiva de lixo. Entre eles, estão Rio, Niterói, Angra dos Reis, Parati 
e Volta Redonda. 
 
As estatísticas melhoram quando o assunto é água. Somente três municípios em 
todo o Estado não tratam uma gota sequer de água: Guapimirim, Itatiaia e Trajano 
de Morais. Já São Francisco de Itabapoana trata menos de 10%. 
 
De acordo com Nely Silveira da Costa, gerente de projetos do IBGE, os dados da 
pesquisa foram reunidos por 500 entrevistadores que visitaram empresas de 
saneamento e prefeituras de 5.507 municípios brasileiros em 2000. O trabalho foi 
feito em convênio com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a Caixa Econômica 
Federal e a Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano”. 
 
Paulo Marqueiro O Globo 07/04/2002 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 59 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
 
A SOCIEDADE 
E A TRANSCEDÊNCIA 
 
 
Consideramos de fundamental importância que, para a melhor compreensão do assunto 
que abordaremos nesta unidade, o conhecimento de algumas definições, as quais abaixo 
transcrevemos: 
 
• Transcendência – que transcende muito elevado; superior; sublime; que transcende do 
sujeito para algo fora dele; que transcende os limites da experiência possível; metafísico; 
que ultrapassa nossa capacidade de conhecer. 
 
• Transcender – para além de; elevar-se acima de. 
 
• Amor – (do latim amore) sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, 
ou de alguma coisa: amor ao próximo; amor ao patrimônio artístico de sua terra; muito zelo, 
carinho. 
 
• Metafísica – depois dos tratados da Física; parte da Filosofia que apresenta as seguintes 
características: é um corpo de conhecimentos racionais em que se procura determinar as 
regras fundamentais do pensamento, e que nos dá a chave do conhecimento do real, tal 
como este verdadeiramente é; sutileza ou transcendência do discorrer. 
 
Muito tem sido descrito a propósito da existência humana, da conquista gradativa da liber- 
dade, das evoluções técnico-científicas dos novos tempos, das relações sociais no intuito de 
satisfação das necessidades inerentes aos seres humanos. A história humana tem mostrado 
estudos antropológicos na tentativa de compreender essas relações, elaborando conceitos dos 
mais variados das relações do homem consigo mesmo, com o próximo e com aquele conce- 
bido como o Criador. Sendo o amor uma necessidade humana, que associado a outras for- 
mam a base para relações sociais harmoniosas e felizes, uma constatação se faz a primeira 
vista incontestável: o homem como ser social tem características que o faz transformar-se em 
sujeito ativo ou sujeito passivo. Sujeito ativo na medida em que alça vôos dos mais elevados, 
é criativo diante dos movimentos que o tentam tirar de seu horizonte, age e reage aos proble- 
mas encarando-os como desafios a transpor, alguém com ilibada auto-estima, está em cons- 
tante renovação, com capacidade de rever objetivos alterando o curso de sua navegação, 
alguém que faz acontecer. Já o sujeito passivo contenta-se com as migalhas a ele oferecidas, 
acomoda-se inviabilizando qualquer ação empreendedora, sua baixa auto-estima o imobiliza, 
não se renova e nem encara as dificuldades como desafios. Sua imobilidade o transforma 
naquele que deixa acontecer. 
 
Considerando o propósito da vida, o homem existe para ser feliz, as atitudes por ele 
tomadas irão refletir o caminho a ser encontrado, construído. Na busca de sua própria identi- 
dade o ser humano segue enfrentando obstáculos, os quais o conduzem a uma tomada de 
decisão, refletindo sua vocação interior. Por mais bem refletida, sua decisão terá propor- 
cionalidade entre a possibilidade de sucesso e a de insucesso. Se considerarmos a realidade 
cósmica de que o universo está em expansão e evolução, uma vez inserido neste contexto, o 
ser humano será integrante do processo expandindo e evoluindo em consciência. 
 
60 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
Em sua caminhada trilha ideais de sonhos e possui espelhos para se refletir. São os mode- 
los a seguir, as figuras com as quais mantém um vínculo de identificação, e das quais retira o 
melhor na construção de sua identidade. Sidarta Gautama, Dalai Lama, Jesus Cristo, Maomé, 
Dante Alighieri, Gandhi, Che Guevara, Chico Mendes, Martin Luther King, entre outros exem- 
plos, ilustram essa necessidade humana não apenas de personalidades refletidas ou veneração 
de mitos, mas de sentir o cuidado dispensado por eles à humanidade, por meio de suas expe- 
riências, querendo, desejando e agindo na construção de uma sociedade melhor. 
 
Da formação de sua personalidade à formação espiritual tem o ser humano percorrido cami- 
nhos dos mais antagônicos que se tem conhecimento. Cada qual se servindo de valores morais 
e éticos apreendidos nas relações em família, nas associações religiosas, e reafirmados na con- 
vivência escolar. A ética essencial para convivência humana deve estar respaldada na con- 
strução e busca de caminhos que conduzam à felicidade. Dalai Lama em Uma Ética para o 
Novo Milênio menciona “.. . pelo fato de cada uma de nossas ações ter dimensão universal, um 
impacto potencial sobre a felicidade alheia, que a ética é necessária como um meio de garan- 
tir que não prejudiquemos os outros (...) a felicidade genuína consiste naquelas qualidades 
espirituais de amor e compaixão, tolerância, capacidade de perdoar, humildade, e assim por 
diante. São elas que proporcionam felicidade tanto para nós quanto para os outros”. 
 
Considerando-se que o ser humano está inserido num contexto sócio-político-econômico, 
suas ações serão diretamente proporcionais aos seus valores, expectativas e necessidades. O 
comprometimento com a realização plena do ser humano nos faz responsáveis e agentes nesta 
caminhada para construir um ambiente ético, que valorize o cidadão e o conduza a reflexão. 
 
A nossa visão de realidade social humana está ligada a uma visão de ecologia profunda, em 
que se exigirá uma mudança radical em nossa percepção do papel dos seres humanos no ecos- 
sistema planetário. O que implica numa revisão nos seus conceitos filosóficos e religiosos. 
 
Apoiada pela ciência moderna, a ecologia profunda tem suas bases na percepção da reali- 
dade que transcende aestrutura científica e atinge a consciência intuitiva da unicidade de toda 
a vida, a interdependência e seus ciclos de mudanças e manifestações. Torna-se evidente que 
a consciência ecológica dessa ligação do ser ao cosmos é espiritual. 
 
Ao longo da história humana esta estrutura filosófica e espiritual da ecologia profunda vem 
sendo demonstrada. Um exemplo é o taoísmo, que enfatiza a unicidade fundamental e a 
natureza dinâmica de todos os fenômenos naturais. Uma filosofia semelhante de fluxo e 
mudança estava sendo ensinada por Heráclito na antiga Grécia. Mais tarde São Francisco apre- 
sentou uma ética ecológica em seus pontos de vista, sendo um desafio à concepção judaico- 
cristã tradicional. Igualmente nas obras de Baruch Spinoza e Martin Heidegger destacaram-se 
a sabedoria da ecologia profunda. Em resumo, tal sabedoria apenas revive uma consciência 
que é parte de nossa herança cultural; talvez a única coisa nova nesse momento é a ampliação 
da visão num nível planetário, apoiada pela experiência dos astronautas e as mudanças de va- 
lores advindos dessa realidade planetária, global. Assim a ênfase passa a ser: ao invés de con- 
sumo material o ser volta-se para a simplicidade voluntária; do crescimento econômico e tec- 
nológico para o crescimento e desenvolvimento interiores. 
 
Essa mudança está sendo promovida pelo movimento do potencial humano, o movimento 
holístico da saúde, o movimento feminista e movimentos espirituais. Os psicólogos huma- 
nistas concentraram-se nas necessidades não-materiais de auto-realização, altruísmo e 
relações interpessoais ditadas pelo amor. 
 
 61 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
Todos os seres estão enraizados e suas raízes os limitam, impedem sua liberdade. E liber- 
dade é sempre libertação. Considerando-se o ser humano um projeto infinito, há que se obser- 
var que a transcendência acrescenta ao seu cotidiano os dois pólos: o crescimento e o empo- 
brecimento. Estamos em constante busca de realização de algo, e assim, nossos desejos 
atuam de forma tão contundente em nosso íntimo, que somos impelidos ao mercado con- 
sumista, o qual nos dá a ilusão da realização (denominada pseudotranscendência). 
 
Somos chamados a SER total, e devemos ter a noção do Deus que temos para o Deus que 
somos. A conseqüência de conscientizar para a transcendência é ter como projeto: 
 
• plenitude duradoura; 
• caminho espiritual mais longo; 
• sentimento de humor; 
• sentimento de que nada é definitivo; 
• sentimento de leveza, distanciamento; 
• desdramatizar nossos dramas; 
• esperança de realização; 
• direito de protestar. 
 
 
Devemos lembrar daquilo que norteia a Lei Suprema do Universo que nos diz da soli- 
dariedade cósmica, a interdependência de todos, onde um é cúmplice pela vida do outro. A 
Bioética, numa nova concepção da Biologia, nos transporta à consciência de que todos os 
seres existentes hoje no planeta, aqui estão tão somente por essa consciência da interde- 
pendência, da cooperação mútua com o fim último de manter a subsistência das espécies. 
 
O texto abaixo, escrito pelo teólogo Leonardo Boff, retrata essa necessidade de se buscar ir 
para além da nossa realidade material. 
 
"O que é o ser humano? É um ser de abertura. É um ser concreto, situado, mas 
aberto. É um nó de relações, voltado em todas as direções. É só se comunicando, rea- 
lizando essa transcendência concreta na comunicação, que ele constrói a si mesmo. 
É só saindo de si que fica em casa. É só dando de si que recebe. Ele é um ser em 
potencialidade permanente, um ser utópico. Sonha para além daquilo que é dado e 
feito. E sempre acrescenta algo ao real. Por isso, ele cria símbolos, cria projeções, cria 
sonhos. Essa capacidade é o que nós chamamos de transcendência, isto é, tran- 
scende, rompe, vai para além daquilo que é dado. Numa palavra, eu diria que o ser 
humano é um projeto infinito. Creio que a transcendência é talvez o desafio mais 
secreto e escondido do ser humano. Ele se recusa a aceitar a realidade na qual está 
mergulhado porque é mais do que ela e se sente maior do que tudo o que o cerca. 
Com seu pensamento ele habita as estrelas e rompe todos os espaços. Não há nada 
que possa enquadrar o ser humano, nem mesmo o nosso moderno sistema globa- 
lizado, dentro do pensamento único que afirma ‘não há alternativa para ele’. Essa con- 
cepção supõe um conceito pobre do ser humano, não interessado em formar um 
cidadão criativo, capaz de pensar por si. Está interessado em gerar consumidores, 
agalinhados em seus poleiros, perdidos da sua identidade de serem águias. 
 
Em nome da nossa transcendência, protestamos contra esse modo de realizar o 
processo de globalização que, em si, representa um patamar novo da história 
humana. A transcendência dá ao ser humano uma imensa liberdade. Liberdade 
pelo menos de protestar e de se insurgir. Olhem ao redor e vejam os sistemas que 
nos querem enquadrar hoje. Na educação, na família, na escola, nas religiões. Não 
nos deixemos mediocrizar, mantenhamos nossa grandeza, nossa capacidade de 
vôo, nossa capacidade de transcendência”. 
 
62 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
 
 
 
A CONSCIÊNCIA HOLÍSTICA 
 
 
 
O Cuidado Essencial 
 
Presenciamos a globalização e o reforço do isolamento humano a partir da mecanização e 
seus processos. Entretanto, uma nova ordem, um novo paradigma deve ser moldado no que 
tange às relações humanas: a crescente visão do outro como ser complementar e essencial a 
sobrevivência da espécie. E neste sentido, a necessidade de estabelecer vínculos, de imple- 
mentar cuidado para com o outro se torna essencial. 
 
A autodestruição iminente verificada pelos grandes conflitos entre os povos, o descuido 
com o equilíbrio ecológico do planeta, a destruição da biosfera, impõem urgentes e radicais 
mudanças. Há que se redefinir a missão do ser humano no universo. A conduta moral deverá 
traduzir uma reflexão espiritual acerca de sua existência. Para onde caminha e o que objetiva, 
e assim, uma revisão ampla de seu sistema de valores, ter atitudes que denotam a boa von- 
tade para o bem viver, sensibilidade, compaixão e misericórdia para com o próximo. Leonardo 
Boff descreve considerando a questão da indicação do caminho certo: 
 
“Importa buscar respostas, inspiradas em outras fontes e em outras visões de futuro para o 
planeta e para a humanidade. Estas respostas não se encontram prontas em algum recanto pri- 
vilegiado da Terra. Nem em algum livro ancestral. Nem em mestres e gurus com novas ou anti- 
gas técnicas de espiritualização. Nem em alguma profecia escondida. Nem em iniciações rituais 
e mágicas. Nem simplesmente em caminhos terapêuticos à base de produtos naturais. Devemos 
aprender de todas estas propostas, mas cavar mais fundo, ir mais longe e evitar soluções cal- 
cadas sobre uma única razão. Importa inserir outras dimensões para enriquecer nossa visão”. 
 
Uma característica do ser humano é colocar cuidado em tudo o que projeta e faz. Desta 
forma, falar de cuidado é dizer da atitude de envolvimento, de responsabilidade com o outro, 
seja ela social, pessoal, ecológica, biológica ou material. 
 
 
A Educação Holística – Individualidade, Solidariedade, Fragmentação e Totalidade. 
 
“Mais importante que saber é saber onde encontrar ”. 
Rubem Alves 
 
Aristóteles citou a dimensão política da educação, a politicidade da cidade-esta- 
do. Paulo Freire mencionou não haver educação apolítica, reafirmando que a 
influência política tem sido uma constante nos movimentos pedagógicos. A maior 
crítica de grandes pensadores e educadores têm sido o olhar desviado, ou seja, a 
educação deve ter como condição precípua o ser humano integral.O termo holístico, do grego holos, totalidade, refere-se à compreensão da reali- 
dade, em função de totalidades integradas, cujas propriedades não podem ser 
reduzidas a unidades menores. Neste sentido pode-se afirmar que ampliar a cons- 
ciência, desenvolvendo a intuição, a criatividade, a imaginação, a razão, a lógica, 
enfim, explorar o potencial humano na totalidade, é fazê-lo evoluir para a espiritu- 
alidade. Ou seja, evoluir para a dimensão cósmica. 
 
 63 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
Considerando que o maior bem humano é a felicidade, nota-se que os movi- 
mentos para o alcance dessa felicidade, no tocante à educação, estão na contra mão 
das necessidades humanas se considerarmos que os processos de ensino-apren- 
dizagem não vislumbram a totalidade do ser humano, marco da educação contem- 
porânea onde o aprender a ser, a fazer, a viver junto e a conhecer dão sua susten- 
tação com a finalidade de prepará-lo para os novos tempos. 
 
Uma profunda crise mundial vem sendo registrada, crise esta que envolve e 
afeta o ser humano na sua totalidade existencial: a saúde e o modo de vida, a qua- 
lidade do meio ambiente e das relações sociais, a economia, a tecnologia e a políti- 
ca. É uma crise de dimensões intelectuais, morais e espirituais. A ameaça premente 
de destruição do planeta e interferência na hegemonia do universo vem preocu- 
pando sobremaneira face ao acréscimo considerável de armamentos, ao incentivo 
cada vez maior ao investimento em arsenais bélicos e nucleares. Sob a desculpa de 
se construir defesas, os povos estão pondo mais e mais em risco à humanidade. O 
planeta, aliás, poderia ser destruído muitas vezes se considerarmos o poderio do 
estoque de armas existente. 
 
Enquanto isso é estarrecedor assistir a mortandade de crianças por inanição, o 
descaso com a saúde e o baixo nível de investimento no tratamento de doenças e sua 
erradicação, o aumento generalizado de toda sorte de crimes e atentado ao ser 
humano, a insegurança do cidadão, a baixa qualidade do ensino, a inflação exacerba- 
da e a queda do poder de compra do cidadão, o aumento do número de suicídios, o 
elevado índice de consumo de drogas, o desemprego, a redução dos recursos naturais 
e a degradação da natureza. Neste contexto faz-se necessária uma mudança radical na 
sociedade e suas relações, assim como na modalidade de ensino, devendo contemplar 
o desenvolvimento psíquico do indivíduo que possibilite a preparação mental para a 
lucidez, que desenvolva características mentais para que o indivíduo possa lidar com 
o enfrentamento das incertezas que surgiram nas ciências físicas, históricas, biológicas 
e sociais; os erros e acertos. A educação lidará com a preparação para a racionalidade 
e a complexidade da inter-relação intelecto-afeto. Permitir um envolvimento maior e 
mais profundo do indivíduo com o meio, com a sociedade. 
 
Assim, modelo cartesiano que outrora serviu para auxiliar a compreensão das 
partes, neste momento deve dar lugar à promoção dos conhecimentos pertinentes, 
com uma visão de conjunto, do contexto, ao invés de disciplinas fragmentadas. Na 
era planetária tudo deve estar bem situado na questão da universalidade dos co- 
nhecimentos e ações. Igualmente relevante faz-se o ensino centrado na condição 
humana, o ser inserido no universo, parte do processo e, portanto, responsável igual- 
mente pelo mesmo. Levar o ser humano ao entendimento da questão planetária, cuja 
globalização faz todos os seres humanos partilharem de um destino comum. 
 
Outro aspecto de igual importância a ser apreciado pela educação contemporânea 
diz respeito à ética essencial ao gênero humano, o que Edgard Morin descreve com 
propriedade: “A ética não poderia ser ensinada por meio de lições de moral. Deve 
formar-se nas mentes com base na consciência de que o humano é, ao mesmo 
tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie. Carregamos em nós esta 
tripla realidade. Desse modo, todo desenvolvimento verdadeiramente humano deve 
compreender o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das partici- 
pações comunitárias e da consciência de pertencer à espécie humana”. 
 
A assunção consciente de nossas contradições e plenitude, nossa complexidade 
e a consciência individual, conduz à visão antropológica dos novos tempos, qual 
 
 
 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio Módulo III - 3º ano 
 
 
seja: alcançar a unidade planetária na diversidade, respeitar no outro a diferença e 
a identidade quanto a si mesmo, desenvolver a solidariedade e a compreensão, e 
trabalhar para a humanização da humanidade. Importa, neste sentido, no respeito à 
autonomia do educando, suas curiosidades, dúvidas, inquietudes, modo de agir e 
reagir, sua linguagem e forma de compreensão. 
 
Desta forma, a educação do ser humano considerando o paradigma da totalidade 
e a qualidade do ensino na sua preparação para existência harmônica, em equilíbrio, 
é descrito por Fritjof Capra: “A nova visão da realidade, de que vimos falando, 
baseia-se na consciência do estado de inter-relação e interdependência essencial de 
todos os fenômenos – físicos, biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Essa visão 
transcende as atuais fronteiras disciplinares e conceituais e será explorada no âmbito 
de novas instituições. Não existe, no presente momento, uma estrutura bem esta- 
belecida, conceitual ou institucional, que acomode a formulação do novo paradigma, 
mas as linhas mestras de tal estrutura já estão sendo formuladas por muitos indiví- 
duos, comunidades e organizações que estão desenvolvendo novas formas de pen- 
samentos e que se estabelecem de acordo com novos princípios”. 
 
A visão de qualidade de vida tem evoluído muito nos últimos anos, direcionando a 
atenção para o Holismo, ou seja, uma transformação cultural em que o capital, o tra- 
balho e o meio ambiente estão alinhados, tendo o ser humano como figura central. 
 
Auxiliar o ser humano para o despertar desta nova realidade implica, antes, despertar cada 
um no seu íntimo. Transformar-se para tornar o mundo melhor. Capra menciona a esse 
respeito que: “Para entender nossa multifacetada crise cultural, precisamos adotar uma pers- 
pectiva extremamente ampla e ver a nossa situação no contexto da evolução cultural humana. 
Temos que transferir nossa perspectiva do final do século XX para um período de tempo que 
abrange milhares de anos; substituir a noção de estruturas sociais estáticas por uma percepção 
de padrões dinâmicos de mudança. Vista desse ângulo, a crise apresenta-se como um aspec- 
to da transformação. Os chineses, que sempre tiveram uma visão inteiramente dinâmica do 
mundo e uma percepção aguda da história, parecem estar bem cientes dessa profunda 
conexão entre crise e mudança”. 
 
Para a educação holística se tornar uma prática real seriam necessárias significativas 
mudanças na política educacional, a iniciar-se por sua implementação no ensino fundamental, e 
conseqüente prosseguimento no ensino médio e superior. Novos cursos de capacitação para os 
educadores deveriam ser criados para torná-los grandes agentes desta mudança de paradigma. 
 
Os temas transversais inclusos nos currículos escolares denotam uma tímida tentativa de vis- 
lumbrar a integralidade do ser, porém, a não reformulação da capacitação dos educadores per- 
mite a lentidão neste processo. Considerando que a didática está pautada em fundamentos dís- 
pares da visão holística, com o aluno sendo depositório de informações, lamentavelmente 
assiste-se ao pouco envolvimento do docente neste processo. Entretanto, as mudançasurgem e 
as necessidades dos sistemas vivos no planeta estão falando mais alto, exigindo a transcendên- 
cia, a transformação dos valores para conquista da sobrevivência das espécies. Comporta uma 
profunda reflexão acerca do que representamos, como nos vemos e o que pode vir a ser modi- 
ficado em nós mesmos enquanto pessoas e educadores. Seja qual for nossa postura em sala de 
aula, influímos positiva ou negativamente independente da intenção, e transmitimos muito mais 
do que ensinamos formalmente. Na medida em que estamos atentos a estes movimentos temos 
condições de rever condutas e nos tornarmos melhores como pessoas. 
 
Perceber o educando como ser integral, que age e reage a ações e estímulos, sejam eles 
positivos ou negativos, é integrá-lo ao planeta, é permitir que amplie a consciência acerca das 
 
 65 
S
O
C
IO
LO
G
IA
 
Módulo III - 3º ano MÓDULO SOCIOLOGIA - Ensino Médio 
 
 
razões pelas quais existimos, de onde viemos e para onde vamos. Aristóteles em Ética a 
Nicômaco menciona a relação entre razão e emoção. Em verdade o ser humano é razão e sen- 
sibilidade/emoção, e isso gera um constante conflito quanto à sua adequação para o alcance 
do ponto de equilíbrio. E neste equilíbrio estariam refletidas as atitudes enquanto ser social, a 
busca deste equilíbrio tem que ser o objetivo de cada um. 
 
A educação do futuro, em sua essência, deve contemplar saberes para a formação integral e 
de qualidade considerando o ser humano como principal objetivo. Ter a visão de que homens 
não são máquinas nem partes, sua formação envolve razão e sensibilidade, seu conjunto forma 
o que de mais precioso existe que é o ser dotado de inteligência, cultura, que se expressa e 
interage com os demais sistemas vivos. Mas que ainda necessita desenvolver-se e compreen- 
der a importância da preservação da vida planetária. Dalai Lama nos reporta a responsabilidade 
civil de cada ser humano na medida em que relata: “Quando negligenciamos o bem-estar dos 
outros e ignoramos a dimensão universal de nossos atos, fazemos uma distinção entre nossos 
interesses e os interesses dos outros. Não nos damos conta da uniformidade da família 
humana. Sem dúvida, é fácil apontar numerosos fatores que se opõem a essa noção de 
unidade: diferenças de crença religiosa, de língua, de costumes, de culturas, etc. Se, porém, 
damos demasiada ênfase a diferenças superficiais e por causa delas fazemos rígidas discrimi- 
nações, não há como evitar um acréscimo de sofrimento e desgaste para nós e para os outros”. 
 
 
 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
BELLUZZO , Luiz Gonzaga de Mello. A Política da Globalização: os efeitos têm sido a 
decadência de regiões, mais desemprego e o aumento da desigualdade. 
Folha de São Paulo, 10/09/1995. 
BOFF , Leonardo. Saber Cuidar. Ética do humano – compaixão pela terra. 7ª ed. 
Petrópolis, RJ, Vozes. 2001. 
CAPRA , Fritjof. O Ponto de Mutação. 22ª ed. São Paulo, Cultrix. 2001. 
COTRIM , Gilberto. História do Brasil. 1ª ed. São Paulo, Saraiva. 1999. 
________ História e Consciência do Mundo.6ª ed. São Paulo, Saraiva, 1999. 
COSTA , Cristina. Sociologia – Introdução à ciência da sociedade. 2ª ed. São Paulo, 
Moderna. 2001. 
HOLLANDA , Aurélio Buarque de. Novo Dicionário Aurélio. 2ª ed. Rio de Janeiro, Nova 
Fronteira. 1986. 
LAMA , Dalai. Uma Ética para o novo Milênio. 6ª ed. Rio de Janeiro, Sextante. 2000. 
OLIVA , Jaime. Giansanti, Roberto. Espaço e Modernidade: Temas da Geografia 
Mundial. São Paulo, Atual. 1995. 
OLIVEIRA , Pérsio Santos de. Introdução à Sociologia. São Paulo, Ática. 2000. 
PEGORATO , Olinto A. Ética é Justiça. 5ª ed. Rio de Janeiro, Vozes. 2000. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66

Mais conteúdos dessa disciplina