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UNIDADE 3
GESTÃO FINANCEIRA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• entender capital de giro;
• calcular os índices de atividade;
• elaborar o fluxo de caixa;
• calcular o fator de insolvência;
• aplicar a alavancagem financeira e operacional.
Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No final de cada um deles, você
encontrará atividades que contribuirão para a compreensão dos conteúdos
explorados.
TÓPICO 1 – CAPITAL DE GIRO
TÓPICO 2 – ÍNDICES DE ATIVIDADE
TÓPICO 3 – FLUXO DE CAIXA
TÓPICO 4 – FATOR DE INSOLVÊNCIA
TÓPICO 5 – ALAVANCAGEM FINANCEIRA E OPERACIONAL
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TÓPICO 1
CAPITAL DE GIRO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O estudo do capital de giro é fundamental para o administrador financeiro,
quando se trata de investimento de recursos e para outras áreas operacionais nas
empresas, como, por exemplo: departamento de produção, setor de compras,
vendas, explica Silva (2007).
Zdanowicz (1998) afirma que um dos requisitos principais que o analista
deve ter em mente é o equilíbrio entre os valores do capital de giro, porque existem
momentos em que a manutenção de alto volume de recursos em caixa poderá gerar
prejuízos para a empresa, caso a economia naquele momento esteja inflacionada.
Deixa claro o autor que isto não é regra definitiva, pois bem se conhecem situações
em que um bom volume de dinheiro em caixa poderá propiciar vantagens à
empresa, como a possibilidade de realizar negócios atrativos.
Silva (2007) diz ainda que, para os analistas de empresas, os conceitos
relativos à administração do capital de giro servem como facilitadores no
entendimento das estruturas básicas de análise.
Complementa Zdanowicz (1998) que o montante necessário do capital de
giro em qualquer época está vinculado ao prazo para financiar o ciclo de caixa, isto
é, o valor deve ser suficiente para gerar os recursos necessários ao pagamento das
dívidas no vencimento.
2 TERMINOLOGIA
Neste item, busca-se esclarecer as diversas expressões sobre o giro dos
negócios, que pode em determinado momento assumir um significado diferente,
conforme Silva (2007).
2.1 CAPITAL DE GIRO
Segundo Padoveze e Benedicto (2007), a expressão capital de giro vem
da visão circular do processo operacional de geração de lucros, ou seja: comprar
estoques, produzir, vender e receber, renovar estoques, produzir e vender/receber.
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
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Do ponto de vista contábil, o capital de giro é representado pelo total do
ativo circulante, também denominado capital de giro bruto.
Silva (2007) explica que a expressão capital de giro tem aparecido na
literatura de administração financeira como sinônima do ativo circulante,
compreendendo as disponibilidades, as duplicatas a receber e os estoques.
A empresa precisa manter “caixa e equivalentes” para atender às suas
transações operacionais, contra pequenos imprevistos e também para poder
negociar operações com descontos com seus fornecedores. Quanto às aplicações
financeiras de curto prazo, estas são decorrentes de sobras de recursos.
Ressalta o autor que o excessivo volume de aplicações financeiras pode
representar perda de oportunidade de investimentos lucrativos na atividade
operacional da empresa. A gestão de duplicatas a receber deve estar integrada
com as metas de negócios da organização.
O volume de estoques deve ser o mínimo, suficiente para atender aos
pedidos de clientes, uma vez que a empresa não pode perder vendas por falta de
estoque, entretanto, é recomendável a manutenção da menor quantidade possível,
pois os recursos aplicados no ativo circulante têm custo de manutenção.
Complementam Padoveze e Benedicto (2007, p. 247) que “[...] o capital de
giro constitui-se no fundamento básico da avaliação do equilíbrio financeiro de uma
empresa”. Através da análise dos seus elementos patrimoniais são identificados:
I) os prazos operacionais; II) o volume de recursos permanentes (longo prazo) que
se encontra financiando o giro; III) as necessidades de investimento operacional.
É possível observar que o comportamento do capital de giro é dinâmico e
exige modelos eficientes e rápidos de avaliação da situação financeira da empresa.
(PADOVEZE; BENEDICTO, 2007, p. 247).
Segundo o site Wikipédia:
Capital de giro é o conjunto de valores necessários para a empresa fazer
seus negócios acontecerem (girar). [...] O Capital de Giro é aquele recurso que
autofinancia a atividade principal de uma empresa, ou seja, é o capital necessário
para continuar a adquirir os bens que serão revendidos no volume que o seu
mercado consome, e continuar a obter a sua principal fonte de renda perenemente.
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Capital_de_giro>. Acesso em: 2 nov. 2010.
2.2 CAPITAL EM GIRO
A expressão capital em giro, segundo o site Wikipédia, significa os bens
efetivamente em uso para a empresa fazer seus negócios acontecerem (girar).
TÓPICO 1 | CAPITAL DE GIRO
115
2.3 CAPITAL DE GIRO PRÓPRIO
Capital de giro próprio foi conceituado por Silva (2007) como “[...] a
parcela do ativo circulante financiada com recursos próprios, isto é, o que sobra do
patrimônio líquido após o comprometimento dos recursos próprios com o ativo
permanente mais o realizável a longo prazo”.
Padoveze e Benedicto (2007) têm outra visão e explicam que, como os
estoques podem ser financiados pelos fornecedores através de duplicatas a pagar,
os impostos têm prazos a recolher, o salário dos funcionários tem prazo para
pagamento até o 5º dia útil do mês subsequente etc. Do ponto de vista financeiro,
o volume de dinheiro necessário para o giro dos negócios pode ser menor. Outros
elementos que compõem o capital de giro próprio são as disponibilidades, as
contas a receber, empréstimos de curto prazo etc. Vale lembrar que cada conta
tem características próprias e, portanto, a gestão deve ser adequada para cada
atividade.
Para calcularmos o capital de giro próprio utilizaremos a fórmula a seguir,
proposta por Silva (2007).
CGP = PL - ANC
CGP = Capital de Giro Próprio
PL= Patrimônio Líquido
ANC = Ativo Não Circulante
Exemplo:
Ativo Passivo + Patrimônio Líquido
Ativo circulante (AC)
Disponibilidades
Contas a receber de clientes
Estoques
Outros circulantes
33.900
2.600
21.800
8.400
1.100
Passivo Circulante (PC)
Fornecedores
Instituições de crédito
Salários e encargos
33.600
10.000
15.000
8.600
Ativo não circulante (ANC)
Realizável a longo prazo (RLP)
Ativo imobilizado (AI)
24.100
100
24.000
Passivo não circulante (PNC)
Exigível a longo prazo
Resultado de exerc. futuro (REF)
1.300
1.300
0
Patrimônio Líquido (PL) 23.100
Ativo Total 58.000 Passivo + PL 58.000
FONTE: Silva (2007)
QUADRO 29 – BALANÇO DA CIA. MISTERIOSA, ENCERRADO EM 31-12-XX
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
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CGP = PL - ANC
CGP = 23.100 - (24.000 + 100)
CGP = - 1.000
Como podemos observar, o capital de giro próprio é negativo (-R$ 1.000,00).
Análise:
Os recursos próprios (o patrimônio líquido) não foram suficientes para
cobrir as aplicações em ativos não circulantes. Como pode ser observado no
balanço anterior, o valor do ativo imobilizado já é maior que o patrimônio líquido.
2.4 CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO
O conceito do capital circulante líquido está baseado na diferença entre os
ativos e passivos circulantes, também conhecido por CCL, conforme Silva (2007).
É possível dizer que o capital circulante líquido pode ser oriundo de
operações realizadas pela empresa, como empréstimo tomado para pagamentoa
longo prazo, como também podemos dizer que uma venda à vista de um bem do
ativo permanente é de origem de capital circulante líquido.
Para muitos estudiosos, quanto maior for o CCL, melhor será a condição
de liquidez da empresa, entretanto, ressalta o autor, esta afirmativa dependerá
do segmento em que a empresa está inserida. Em muitos supermercados, por
exemplo, é possível encontrar o CCL negativo com boa liquidez, porque compram
a prazo, vendem à vista, e têm o prazo de pagamento das compras superior ao
prazo de rotação dos estoques.
O contrário também é verdadeiro, isto é, uma empresa pode ter o CCL
positivo e apresentar dificuldade financeira, se os prazos de realização dos ativos
circulantes não forem compatíveis, em face dos vencimentos de suas obrigações
de curto prazo.
Exemplo: analisando o balanço da Cia. Misteriosa, encerrado em 31-12-XX,
teremos:
CCL = AC - PC
CCL = 33.900 - 33.600
CCL = 300
CCL = AC - PC
TÓPICO 1 | CAPITAL DE GIRO
117
O resultado apurado (R$ 300,00) indica em quanto os ativos de curto prazo
superam os passivos de curto prazo.
Ressalta Silva (2007) que, se todos os valores realizáveis e todas as obrigações
de curto prazo tivessem o mesmo vencimento, o valor do CCL (R$ 300,00) seria
uma espécie de folga financeira. Entretanto, não podemos esquecer que as dívidas
podem vencer antes que os créditos se realizem e, neste caso, mesmo considerando
a sobra de R$ 300,00 a empresa poderá ter dificuldade financeira.
Segundo a visão de Padoveze e Benedicto (2007), quando abordam o tema
capital de giro próprio (CGP), é o mesmo que dizer CCL, pois pelo entendimento
deles é a diferença entre ativo circulante e passivo circulante.
2.5 CAPITAL DE TERCEIROS
Segundo Silva (2007, p. 294), é possível dizer que “[...] o capital de terceiros
é formado pela soma do passivo circulante com o exigível a longo prazo”.
2.6 CAPITAL PRÓPRIO
O capital próprio, segundo Reis (2009, p. 347), corresponde ao Patrimônio
Líquido. Podemos demonstrar o capital próprio através da seguinte equação:
Capital Próprio = Patrimônio Líquido
Pelo exposto, observa-se que o capital próprio indica a situação econômica
da empresa em termos absolutos. (REIS, 2009).
Helfert (2000) conceitua capital próprio como o valor registrado dos direitos
residuais de todos os acionistas conforme aparece no balanço patrimonial.
3 NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO
Segundo Olinquevitch e Santi Filho (1995, p. 26-38), a variável NLCDG
(Necessidade Líquida de Capital de Giro) constitui-se na principal determinação
da situação financeira das empresas.
O seu valor revela o nível de recursos necessários para manter o giro dos
negócios. As contas que compõem a Necessidade Líquida de Capital de Giro
expressam operações de curto prazo e de efeitos rápidos.
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
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Modificações na política de estocagem, na política de crédito e na política
de compras produzem efeitos imediatos sobre o fluxo de caixa. Neste sentido, a
NLCDG transforma-se em verdadeiro leme da situação financeira das empresas.
Para que possamos avaliar corretamente e de forma global a NLCDG,
explica o autor, é necessário fazer o seu desdobramento.
Assim o critério para a reclassificação das contas do Ativo Circulante
que compõem a variável sob a analise é a relação de tais contas com o nível de
atividades da empresa, ou seja, com o faturamento.
Então, se relacionarmos a NLCDG com as Vendas Brutas, determinaremos
um parâmetro que reflete as necessidades de capitais para o giro dos negócios e
suas dimensões em relação ao nível de atividades. Daí a definição deste parâmetro
com o Ciclo Financeiro:
NLCDG × n° de dias do período *
Vendas Brutas
* Período a que se refere o volume das Vendas Brutas; exemplo: vendas
anuais, período de 360 dias; vendas mensais, período de 30 dias etc.
Quando nos referimos ao cálculo da necessidade de capital de giro, Marion
(2010) complementa as palavras de Olinquevitch e Santi Filho (1995) e ressalta que,
para um cálculo mais adequado da NLCDG, não é suficiente comparar o Giro de
Estoque que, em outras palavras, é denominado prazo médio de renovação dos
estoques (PMRE), e o recebimento das vendas a prazo (PMRV) apenas com o prazo
de pagamento médio de pagamento das compras (PMPC). Existem contas cíclicas
como matérias-primas, salários a pagar, impostos a recolher etc., que devem ser
consideradas, pois elas sempre estão sendo alimentadas na produção e vendas dos
estoques. Exemplo:
Ativo Circulante Passivo Circulante
Quando compra matéria-prima (MP) Gera Fornecedores
Quando transforma MP em estoques Gera Salários a pagar
Quando vende a prazo os estoques Gera Impostos a recolher
FONTE: Marion (2010, p. 115)
Marion (2010) apresenta um exemplo em que as contas cíclicas no ano de
20X5 eram:
QUADRO 30 – CONTAS CÍCLICAS
TÓPICO 1 | CAPITAL DE GIRO
119
Ativo Circulante Passivo Circulante
Duplicatas a Receber 220.000 Fornecedores 220.000
Estoques 420.000 Salários a Pagar 40.000
Total 640.000 Total 260.000
FONTE: Marion (2010, p. 115)
QUADRO 31 – CONTAS CÍCLICAS
IMPORTANT
E
Neste exemplo não seriam inclusos impostos a recolher como ICMS, IPI etc.
(MARION, 2010).
Ainda conforme Marion, a Necessidade de Capital de Giro (NCG) é
calculada a partir da seguinte equação: ACC - PCC, em que ACC = ativo circulante
cíclico e PCC = passivo circulante cíclico.
Neste caso:
NCG = 640.000 - 260.000
NCG = 380.000
Importante: essa Necessidade de Capital de Giro de R$ 380.000,00
representa em montante o Ciclo Financeiro. Neste caso, o administrador financeiro
deverá providenciar de alguma forma recursos para cobrir as contas vincendas,
porque as vendas e o recebimento delas são lentos. Uma alternativa para alavancar
recursos é o desconto de duplicatas, que ajuda a fazer dinheiro, no entanto, o lucro
da empresa será afetado porque o custo do dinheiro nos descontos de duplicatas é
elevado. Portanto, operações de captação de capital de giro não são recomendáveis.
(MARION, 2010).
Aí vem a pergunta, caro/a acadêmico/a, o que fazer neste caso?
O autor explica que o recomendável seria uma administração de estoque
mais eficiente reduzindo o prazo do giro do estoque, isto é, renovando mais vezes
os estoques por causa das vendas; reduzir o prazo de recebimento das vendas,
implementando uma política de crédito mais adequada, com cobrança mais
eficiente etc.; ampliar os prazos de compra e abrir as negociações com novos
fornecedores também são atitudes importantes. Quanto aos salários a pagar,
impostos etc., é quase impossível negociar novos prazos.
Para complementar este tópico, buscou-se o entendimento de Matarazzo
(2010), que também concorda com os autores mencionados, de que a NCG é um
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
120
conceito fundamental para a análise da empresa do ponto de vista financeiro,
isto é, análise de caixa, e também de estratégias de financiamento, crescimento e
lucratividade.
Padoveze e Benedicto (2007) citaram um modelo de administração do
capital de giro, desenvolvido por Fleuriet et al. (1978), que foi denominado “análise
financeira dinâmica”, em que são separados os elementos do giro, e os classifica
em dois tipos, em relação ao seu comportamento com o ciclo operacional:
a) contas cíclicas – são as contas de natureza operacional;b) contas erráticas – as demais contas do ativo circulante.
Padoveze e Benedicto (2007) mencionam que as contas cíclicas são aquelas
que se relacionam diretamente com o ritmo operacional, refletindo, em seus
saldos, o nível de operações fins da empresa, e as exemplifica muito próximas de
Marion (2010) como: duplicatas a receber de clientes, estoques, despesas pagas
antecipadamente, no ativo, e duplicatas a pagar de fornecedores, obrigações
tributárias incidentes sobre faturamento, obrigações trabalhistas, no passivo. As
contas erráticas são aquelas cujos saldos evoluem sem qualquer relação com o ritmo
das operações, podendo ser zeradas quando a empresa estiver desempenhando
normalmente suas atividades.
Exemplo: caixa, bancos, aplicações financeiras, mútuos com controladas
e coligadas, entre outras contas correntes no ativo, e financiamentos bancários,
títulos descontados, provisões de impostos sobre o lucro, mútuos com controladas
e coligadas e outras contas a pagar, no passivo.
Considerando as naturezas diferenciadas das contas do giro, há uma
reclassificação do capital circulante: as contas cíclicas são classificadas como
giro e, consequentemente, o total dos ativos cíclicos menos o total dos passivos
cíclicos indica a NLCG – necessidade líquida de capital de giro. (PADOVEZE;
BENEDICTO, 2007).
Exemplo:
X1 X2 X3
Ativo Circulante Operacional
Clientes
Estoques
(1) SOMA
Passivo Circulante Operacional
Fornecedores
Outras Obrigações
(2) SOMA
NCG = (1) – (2)
1.045.640
751.206
1.796.846
(708.536)
(275.623)
(984.159)
812.687
1.122.512
1.039.435
2.161.947
(639.065)
(298.698)
(928.763)
1.233.184
1.529.061
1.317.514
2.846.575
(688.791)
(433.743)
(1.122.534)
1.724.041
FONTE: Matarazzo (2010, p. 283-285)
QUADRO 32 – RECLASSIFICAÇÃO DO CAPITAL CIRCULANTE
TÓPICO 1 | CAPITAL DE GIRO
121
FONTE: Matarazzo (2010, p. 283-285)
Para financiar as Necessidades de Capital de Giro, a empresa pode contar
normalmente com três tipos de financiamentos (MATARAZZO, 2010):
1 – Capital Circulante Próprio;
2 – Empréstimos e Financiamentos Bancários de Longo Prazo;
3 – Empréstimos Bancários de Curto Prazo e duplicatas descontadas.
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Este tópico contemplou o tema capital de giro que consiste num item de
fundamental importância para o administrador financeiro, quando se trata de
recursos financeiros e em outras áreas no âmbito operacional como compras,
produção, vendas etc.
Depois de esclarecido o que representa o giro dos negócios, abordou-se a
Necessidade de Capital de Giro, cuja variável determina a situação financeira das
empresas, mostrando ao gestor o nível de recursos necessários para manter o giro
dos negócios.
Finalizou-se com a reclassificação do ativo circulante e do passivo
circulante, para identificar as contas erráticas, ou seja, aquelas cujos saldos evoluem
sem qualquer relação com as operações realizadas, podendo inclusive ser zeradas
quando as atividades da empresa ocorrem normalmente; e as contas cíclicas,
aquelas que formam a base para apurar a Necessidade de Capital de Giro (NCG).
RESUMO DO TÓPICO 1
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1 O capital de giro próprio indica a parcela do Patrimônio Líquido aplicada
no:
a) ( ) Passivo Circulante.
b) ( ) Passivo Não Circulante.
c) ( ) Ativo Permanente.
d) ( ) Resultado de Exercícios Futuros.
e) ( ) Ativo Circulante.
2 O capital circulante líquido pode se originar de:
a) ( ) Empréstimo tomado pagável a curto prazo e venda a prazo de bem do
ativo permanente.
b) ( ) Empréstimo tomado pagável a longo prazo e venda à vista de bem do
ativo permanente.
c) ( ) Empréstimo tomado pagável a curto prazo e lucro do exercício.
d) ( ) Empréstimo de curto prazo liquidado e venda à vista de bem do ativo
permanente.
e) ( ) Empréstimo tomado pagável a curto prazo e empréstimo de curto
prazo liquidado.
3 Ao realizarmos a análise financeira de uma empresa, é possível dizer que o
capital circulante líquido é determinado pelo/a:
a) ( ) Resultado da diminuição do ativo circulante menos passivo circulante,
podendo ser positivo ou negativo.
b) ( ) Diferença entre o ativo total e o ativo não circulante.
c) ( ) Diferença entre o ativo total e o ativo circulante.
d) ( ) Diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante, mais o lucro
líquido.
e) ( ) Nenhuma das respostas anteriores.
4 As variações do capital circulante líquido são determinadas:
I- Pela aquisição de bem do ativo permanente pagável a longo prazo.
II- Pela compra de matérias-primas pagáveis a curto prazo.
III- Pela diferença dos recursos que ingressaram no capital circulante, menos
as aplicações de recursos em dividendos ou em elementos patrimoniais
que não constituem capital circulante.
IV- Pelas vendas de bens do ativo permanente recebíveis a longo prazo.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Todas as sentenças estão corretas.
b) ( ) Apenas a sentença II está correta.
AUTOATIVIDADE
124
c) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
d) ( ) Apenas a sentença III está correta.
e) ( ) Todas as sentenças estão incorretas.
5 Indique nos parênteses de cada uma das contas do balancete da Cia.
Misteriosa o número correspondente:
1 Contas cíclicas.
2 Contas erráticas.
3 Nenhuma das contas anteriores.
Contas da Cia. Misteriosa:
a) ( ) Duplicatas a receber de clientes.
b) ( ) Bancos.
c) ( ) Estoques.
d) ( ) Provisões de impostos sobre o lucro.
e) ( ) Obrigações tributárias incidentes sobre faturamento.
f) ( ) Capital social.
g) ( ) Duplicatas a pagar de fornecedores.
h) ( ) Caixa.
i) ( ) Títulos descontados.
j) ( ) Veículos.
k) ( ) Despesas pagas antecipadamente.
l) ( ) Obrigações trabalhistas.
m) ( ) Financiamentos bancários.
a) ( ) 2 - 3 - 3 - 2 - 1 - 3 - 1 - 2 - 2 - 3 - 1 - 1 - 2.
b) ( ) 1 - 2 - 1 - 3 - 2 - 2 - 1 - 2 - 3 - 1 - 1 - 2 - 2.
c) ( ) 1 - 2 - 1 - 2 - 1 - 3 - 1 - 2 - 2 - 3 - 1 - 1 - 2.
d) ( ) 3 - 1 - 1 - 2 - 1 - 3 - 1 - 2 - 2 - 3 - 1 - 1 - 2.
e) ( ) 1 - 2 - 1 - 2 - 3 - 3 - 1 - 2 - 2 - 3 - 1 - 1 - 2.
125
TÓPICO 2
ÍNDICES DE ATIVIDADE
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Índices de atividade podem ser identificados como índices que representam
a velocidade com que elementos patrimoniais de relevo se renovam durante
determinado período de tempo. Em outras palavras, dizemos que são os dias que
a empresa demora, em média, para receber suas vendas, para pagar suas compras
e para renovar o seu estoque.
Para fins de análise, quanto maior foi a velocidade de recebimento de
vendas e de renovação de estoque, MELHOR. Por outro lado, quanto maior for o
prazo para pagamento das compras, melhor.
Os índices de atividade têm por objetivo:
• conhecer o ciclo operacional da empresa;
• conhecer o período de rotação da empresa, de recebimento de vendas e de
pagamento de compras.
O prazo médio de recebimento de vendas (PMRV) com o prazo médio
de renovação de estoques (PMRE) aproxima-se bastante do ciclo operacional da
empresa, pois medimos, em média, quantos dias os estoques levam para serem
vendidos, e somamos ao prazo de recebimento das vendas.
De acordo com Zdanowicz (1998), é a análise da circulação de bens, dos
valores a receber e a pagar, tendo em vista estarem vinculados ao ciclo operacional
da empresa. O autor caracteriza estes quocientes como meios de fortalecer a análise
financeira no que diz respeito aos aspectos de liquidez e de capital de giro.
Sobre o ciclo operacional de uma empresa, ele compreende como todo o
processo de produção e vendas, considerando o seu tipo de atividade econômica
e também o seu porte.
Conforme Matarazzo(2010, p. 260), os índices de prazos médios não devem
ser analisados individualmente, mas sempre em conjunto.
126
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
2 QUOCIENTES DE ATIVIDADE
Segundo Marion (2010), neste grupo estudaremos quantos dias, em média,
a empresa demora em receber suas vendas, para pagar suas compras e para renovar
seu estoque.
Para fins de análise, quanto maior for a velocidade de recebimento de
vendas e de renovação de estoque, MELHOR. No que se refere aos pagamentos,
quanto mais lento for o pagamento das compras, desde que não seja por atrasos,
MELHOR. (MARION, 2010).
Estes quocientes estão relacionados ao ciclo operacional porque, através
deles, medimos quantos dias os estoques levam para serem vendidos, e somamos
ao prazo de recebimento das vendas. O ideal seria que a empresa atingisse uma
posição em que a soma do PMRE com PMRV fosse igual ou inferior ao PMPC, em
outras palavras, que o resultado fosse igual a UM.
PMRE + PMRV = ≤ 1
PMPC
Exemplo: uma empresa que vende e recebe a mercadoria adquirida para,
depois, liquidá-la junto a seu fornecedor, observando os seguintes resultados:
PMRE = 30 dias;
PMRV = 54 dias;
PMPC = 90 dias.
Poderíamos dizer que a empresa tem, em média, uma folga de seis dias.
Aplicada a fórmula, teremos:
PMRE + PMRV = 30 + 54 = 0,93
PMPC 90
Esta é uma posição favorável porque a empresa vende e recebe antes que
vença a fatura da compra realizada. Nem sempre obter esta situação é favorável,
no entanto a empresa sempre deve perseguir esta meta.
2.1 PMRE
Segundo Silva (2007), o prazo médio de rotação dos estoques (Inventory
Turnover) indica quantos dias, em média, os produtos permanecem armazenados
na empresa antes de ocorrer sua venda.
TÓPICO 2 | ÍNDICES DE ATIVIDADE
127
A quantidade de estoques mantida por uma empresa decorre
fundamentalmente do seu volume de vendas e também da política de estocagem
adotada. O autor continua explicando que existem duas formas principais de
interpretar os estoques: na primeira forma o montante de estoques da empresa é
visto como algo que representa certa potencialidade de se converter em dinheiro,
isto é, a imagem que as empresas tentam passar aos usuários externos quando
desejam alavancar empréstimos. Na segunda forma, o estoque é visto como
investimento (aplicação de recursos) no ativo circulante. Desta forma, é possível
afirmar que o índice de rotação dos estoques é resultante da associação de elementos
econômico-patrimoniais.
Matarazzo (2010, p. 261) afirma que o volume de investimentos em
duplicatas a receber é determinado pelo prazo médio de recebimento de vendas –
PMRV. Assim, podemos dizer que o PMRV não afeta o Fluxo de Caixa, mas apenas
o volume de investimentos.
Silva (2007) diz que quanto maior for o volume de estoques, maior é o
volume de recursos comprometido com os mesmos. Além do custo de aquisição
ou de fabricação dos estoques, existe uma série de outros gastos, dentre eles está o
custo do capital aplicado, armazenagem e seguros.
Esclarece ainda que o mundo moderno está caminhando na direção de uma
administração em que os estoques tenham giro rápido. A forma de financiamento
dos estoques, quer seja pelo prazo concedido pelo fornecedor, quer seja por
recursos próprios aplicados, ou com endividamento bancário, é item fundamental
para o profissional que realiza as análises.
Exemplo:
a) o nível elevado de estoques com financiamento através de recursos próprios
trará prejuízo aos seus proprietários;
b) a manutenção de estoques elevados à custa de empréstimos bancários, além
do custo elevado dos recursos, trará tendência a elevar o risco financeiro da
empresa.
Para calcular o prazo médio de rotação dos estoques (PMRE), aplica-se a
seguinte fórmula (SILVA, 2007, p. 278):
PMRE = ESTm x DP
CPV
ESTm = Estoque médio
CPV = Custo do Produto (ou mercadoria) Vendido
DP = Dias do Período considerado (360 dias para um ano; 30 dias por mês)
128
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Exemplo:
A Cia. Pneus Fortes apresentou os seguintes valores, nos balanços
padronizados encerrados em 20X1, 20X2 e 20X3.
ATIVO 20X1 20X2 20X3
Disponibilidades 4.846 5.380 5.495
Aplicações financeiras 174.071 48.325 14.144
Duplicatas a receber 101.846 110.241 100.407
(-) Provisão para devedores duvidosos (5.448) (6.055) (7.495)
Duplicatas a receber líquidas 96.398 104.186 92.912
Estoques 55.848 67.087 73.659
Outros valores a receber 3.313 19.260 30.100
Despesas antecipadas 1.200 1.805 3.878
Ativo circulante 335.676 246.043 220.188
Partes relacionadas 0 6.398 1.126
Outros realizáveis a longo prazo 82.303 97.424 117.919
Realizável a longo prazo 82.303 103.822 119.045
Investimento 55.396 139.231 166.151
Imobilizado 155.226 154.094 171.039
Diferido 0 4 1.296
Ativo não circulante 292.925 397.151 457.531
TOTAL DO ATIVO 628.601 643.194 677.719
PASSIVO + PL 20X1 20X2 20X3
Duplicatas descontadas 29.144 29.978 14.190
Instituições financeiras 102.003 54.934 52.783
Outros não cíclicos (*) 16.069 19.881 25.782
Fornecedores 30.776 44.292 53.199
Salários e encargos sociais 31.539 35.141 31.761
Impostos e taxas 14.161 25.933 33.078
Outros cíclicos (*)
Passivo circulante 223.692 210.159 210.793
Financiamentos e debêntures
Outros exigíveis a longo prazo 77.166 101.106 125.952
Exigível a longo prazo 77.166 101.106 125.952
Passivo não circulante 77.166 101.106 125.952
Capital social integralizado 304.620 304.620 304.620
Reservas 6.725 10.631 19.136
Lucros ou prejuízos acumulados 16.398 17.218 17.218
Patrimônio líquido 327.743 332.469 340.974
TOTAL DO PASSIVO + PL 628.601 643.734 677.719
FONTE: Silva (2007, p. 254)
QUADRO 33 – BALANÇO PATRIMONIAL PADRONIZADO – EMPRESA: CIA. PNEUS FORTES
(*) Cíclicos são os itens de natureza operacional, relacionados ao ciclo da empresa.
TÓPICO 2 | ÍNDICES DE ATIVIDADE
129
FONTE: Silva (2007, p. 254)
Demonstração do Resultado do Exercício 20X1 20X2 20X3
Receita operacional bruta 870.414 967.716 974.655
(-) Devoluções e abatimentos 0 0 0
(-) Impostos sobre vendas (221.223) (231.912) (230.567)
(=) Receita operacional líquida 649.191 735.804 744.088
(-) CPV (- depreciações) (469.960) (509.419) (489.680)
(-) Depreciações (34.620) (32.563) (30.680)
(=) Lucro bruto 144.611 193.822 223.728
(-) Despesas comerciais (58.824) (75.820) (83.880)
(-) Despesas administrativas (38.650) (46.644) (43.674)
(-) Outras despesas operacionais (1.043) (607) (1.440)
+ Receitas financeiras 28.901 9.845
(-) Despesas financeiras (2.133) (3.557)
+ Resultado de equivalência patrimonial 2.352 17.460 27.381
(=) Lucro operacional 77.347 95.923 118.558
(+/-) Resultado não operacional (962) 309 (282)
(=) Lucro líquido antes do imposto de renda 76.385 96.232 118.276
(-) Provisão IR e CS (10.450) (18.106) (16.127)
(=) Lucro Líquido 65.935 78.126 102.149
FONTE: Silva (2007, p. 255)
QUADRO 34 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO PADRONIZADA – EMPRESA: CIA. PNEUS FORTES
A partir do Quadro 33 e do Quadro 34, vamos calcular o PMRE para a Cia.
Pneus Fortes nos três exercícios 20X1, 20X2 e 20X3.
Fórmula Anos Cálculos Índices
PMRE = ESTxo + ESTx1
2 x 360
CPV
20X1 (a) 53.693 + 55.848
PMRE = 2 x 360
504.580
39 dias
20X2 55.848 + 67.087
PMRE = 2 x 360
541.982
41 dias
20X3 (b) 67.087 + 73.659
PMRE = 2 x 360
520.360
49 dias
FONTE: Silva (2007, p. 278)
QUADRO 35 – PMRE PARA A CIA. PNEUS FORTES
IMPORTANT
E
Conforme Silva (2007):
a) o estoque final em 20X0 era de $ 53.693;
b) ESTX2= estoque final no ano; ESTX3 = estoque final no ano anterior
(ESTX2 + ESTX3)/2 = estoque médio
67.087 + 73.659/2 = 70.373 estoque médio.
130
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
2.2 PMRV
O prazo médio de recebimento das vendas (Days Sales Outstanding – DSO),
de acordo com Silva (2007), indica em quantos dias, em média, a empresa recebe
suas vendas.
O volume de duplicatas a receber é decorrência de dois fatores básicos:
a) o montante de vendas a prazo;
b) prazo concedido aos clientes para pagamento.
Quando se fala em vendas, são abordados (SILVA, 2007):
• os prazos concedidos aos clientes:
• os descontos concedidos para pagamento à vista;
• os instrumentos de formalização da venda a prazo.
As vendas a prazo seguem uma política de crédito adotada pela empresa,
que deve ser adequada ao seu tipo de atividade e, por este motivo, deve estar
de acordo com seus objetivos estratégicos de negócios. Existem diferenças
fundamentais nos padrões para concessão de créditos utilizados por empresas
diferentes e que atuam em ramos de atividades diferentes.
Nas empresas com atividades semelhantes, os padrões de crédito tendem
a ser parecidos, salvo nos casos de empresas que detenham grande parcela do
mercado, tenham produtos com qualidade diferenciada, que possibilite maior
rigor nos critérios de apreciação do crédito. (SILVA, 2007).
Para calcularmos o PMRV, utiliza-se a seguinte fórmula (SILVA, 2007, p.
280):
PMRV = DRm x DP
VL + IMP
DRm = Duplicatas a Receber (média do período)
VL = Vendas Líquidas
IMP = Impostos sobre vendas
DP = Dias do Período (360 dias para um ano, 30 dias por mês)
A partir do Quadro 33 e do Quadro 34, vamos calcular o PMRV para a Cia.
Pneus Fortes nos três exercícios 20X1, 20X2 e 20X3.
TÓPICO 2 | ÍNDICES DE ATIVIDADE
131
Fórmula Anos Cálculos Índices
PMRV = DRxo + DRX1
2 x 360
VL + IMP
20X1 (a) PMRV = 102.534 + 101.846
2 x 360
870.414
42 dias
20X2 PMRV = 101.846 + 110.241
2 x 360
967.716
39 dias
20X3 (b) PMRV = 110.241 + 100.407
2 x 360
974.655
39 dias
FONTE: Silva (2007, p. 280)
QUADRO 36 – PMRV PARA A CIA. PNEUS FORTES
NOTA
Conforme Silva (2007):
a) as duplicatas a receber no final de 20X0 eram de $ 102.534;
b) DRx2 = duplicatas a receber no final do ano; DRx3 duplicatas a receber no final do ano; (DRx2
+ DRx3)/2 = média de duplicatas a receber.
PMPC = FORNm x DP
C
2.3 PMPC
O prazo médio de pagamento das compras (Days’ Purchases in Accounts
Payable) indica quantos dias, em média, a empresa demora em pagar seus
fornecedores. (SILVA, 2007, p. 280-281).
Segundo o autor, para apurar este resultado aplica-se a seguinte fórmula:
FORNm = Fornecedores (média no período)
C = Compras
DP = Dias do Período considerado (360 dias para um ano, 30 dias por mês)
Segundo Silva (2007), os valores relativos à conta de fornecedores são
extraídos das demonstrações contábeis. O saldo inicial para o primeiro período de
atividade deve ser solicitado à empresa.
O valor das compras deve ser calculado. Para realizar este cálculo, o autor
apresenta as fórmulas que devem ser aplicadas tanto para as empresas comerciais
quanto para as empresas industriais.
132
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Empresas Comerciais:
Para as empresas comerciais, o cálculo das compras é desenvolvido a partir
da fórmula de cálculo do custo da mercadoria vendida (CMV = EI + C - EF), que
segue (SILVA, 2007, p. 281):
C = CMV + EF - EI
CMV = Custo da Mercadoria Vendida
EI = Estoque Inicial
C = Compras
EF = Estoque Final
Infere-se que, nas empresas comerciais, as compras correspondem ao custo
da mercadoria vendida, mais o valor da variação dos estoques (EF - EI).
Empresas industriais:
O cálculo do volume das compras realizado nas empresas industriais é
mais complexo para o analista externo, explica Silva (2007).
A empresa industrial adquire matérias-primas, materiais secundários,
componentes e embalagens, adiciona mão de obra direta e outros custos indiretos
de fabricação, para produzir um novo produto. Observa-se que tanto o custo
de produtos vendidos (CPV) quanto os estoques das empresas industriais são
formados por diversos componentes de custos, e muitos deles não são oriundos
da conta de fornecedores, o que inviabiliza o uso da fórmula tradicional, explica
o autor.
Silva (2007) realizou um estudo e apurou o resultado da ordem de 62%
para os custos relacionados à matéria-prima, componentes, materiais secundários
e embalagens, e 38% para os itens que não se relacionam com fornecedores como,
por exemplo, depreciação, luz, água etc. O autor complementa que pode haver
outras formas de estimativa estabelecidas a partir de outras relações que o analista
julgue adequadas. Existem empresas que usam como padrão 10% do total das
vendas para estimar os itens não relacionados com a conta de fornecedores, o que
pode resultar em valores distorcidos.
Neste nosso estudo, conforme Silva (2007, p. 282-283), utilizaremos a
seguinte fórmula:
C = (CPV + EF – EI) X 0,62
TÓPICO 2 | ÍNDICES DE ATIVIDADE
133
C = Compras
CPV = Custo do Produto Vendido
EI = Estoque Inicial
EF = Estoque Final
O autor afirma que o PMPC é um índice do tipo “quanto maior, melhor”,
mantidos constantes os demais fatores, porém desde que o seu volume de
fornecedores não seja alto por atraso nos pagamentos.
Existem limitações das fórmulas utilizadas nos cálculos do PMPC, que
Silva (2007) apresenta da seguinte forma:
• aspectos de sazonalidades;
• épocas de encerramento das demonstrações contábeis;
• eventuais fornecedores com créditos não registrados;
• atrasos nos pagamentos aos fornecedores.
Silva (2007) destaca a seguinte nota:
Considerando que a Cia. Pneus Fortes é uma empresa industrial,
inicialmente será demonstrado o cálculo do valor das compras para os três anos,
conforme segue:
(a)
Ano
(b)
CPV
(c)
Estoque Final
(d)
Estoque Inicial
(e)
e = b +c -d
(f)
Redutor
(g)
g = e x f
compras
20X1 504.580 55.848 53.693 506.735 0,62 314.176
20X2 541.982 67.087 55.848 553.221 0,62 342.997
20X3 520.360 73.659 67.087 526.932 0,62 326.698
FONTE: Silva (2007, p. 283)
A partir dos quadros 33, 34 e 37, vamos calcular o PMRV para a Cia. Pneus
Fortes nos três exercícios 20X1, 20X2 e 20X3.
QUADRO 37 – CÁLCULO DO VALOR DAS COMPRAS
Fórmula Anos Cálculos Índices
PMPC = FORNxo + FORNx1
2 x 360
Compras
20X1 (a) PMPC = 23.722 + 30.776
2 x 360
314.176
31 dias
20X2 PMPC = 30.776 + 44.292
2 x 360
342.997
39 dias
20X3 (b) PMPC = 44.292 + 53.199
2 x 360
326.698
54 dias
FONTE: Silva (2007, p. 283)
QUADRO 38 – PMRV PARA A CIA. PNEUS FORTES
134
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Importante (SILVA, 2007):
a) FORN no final de 20X0 era de $ 23.722;
b) FORN no final de 20X0; FORN no final de 20X3; (FORNxo + FORNx1)/2 = média
de fornecedores (23.722 + 30.776)/2 = 27.249.
135
Este tópico contemplou os índices de atividade que identificamos como
índices que representam a velocidade com que elementos patrimoniais de relevo
se renovam durante determinado período de tempo. Exemplo: o PMRE indica a
renovação dos estoques por causa das vendas; o PMRV representa quantos dias,
em média, a empresa demora em receber suas vendas; e, por último, o PMPC, que
representa quantos dias em média a empresa demora em pagar seus fornecedores.
Para fins de análise, quanto maior for a velocidade de recebimento de
vendas e de renovação de estoque,MELHOR.
Estes quocientes são caracterizados como meios de fortalecer a análise
financeira no que diz respeito aos aspectos de liquidez e de capital de giro.
Os índices de atividade têm por objetivo: a) conhecer o ciclo operacional
da empresa; b) conhecer o período de rotação da empresa, de recebimento de
vendas e de pagamento de compras. Todo o processo de cálculo destes índices
foi exemplificado, de maneira a deixar claro como é feita a apuração dos dados
necessários para a realização da análise.
O prazo médio de recebimento de vendas (PMRV) com o prazo médio
de renovação de estoques (PMRE) aproxima-se bastante do ciclo operacional da
empresa, pois medimos, em média, quantos dias os estoques levam para serem
vendidos e somamos ao prazo de recebimento das vendas.
O ciclo operacional de uma empresa compreende todo o processo de
produção e vendas, considerando o seu tipo de atividade econômica e também o
seu porte.
RESUMO DO TÓPICO 2
136
AUTOATIVIDADE
1 Uma empresa com PMRE igual a 20 dias e PMRV igual a 45 dias terá um
ciclo operacional igual a:
a) ( ) 25 dias.
b) ( ) 65 dias.
c) ( ) 35 dias.
d) ( ) 15 dias.
e) ( ) Nenhuma das respostas anteriores.
FONTE: Marion (2010)
2 A Cia. Misteriosa possui ciclo operacional igual a 88 dias e o PMPC igual a
90 dias. Nesse caso:
a) ( ) O ciclo financeiro dessa empresa será de 178 dias.
b) ( ) A empresa terá que se financiar em 2 dias.
c) ( ) A Cia. tem uma folga financeira de 2 dias.
d) ( ) Impossível calcular.
e) ( ) Nenhuma das respostas anteriores.
FONTE: Marion (2010)
3 O índice de rotação de estoques é resultante da associação de elementos:
a) ( ) Econômicos.
b) ( ) Financeiros.
c) ( ) Patrimoniais.
d) ( ) Econômico-financeiros
e) ( ) Econômico-patrimoniais.
FONTE: Zdanowicz (1998)
4 O prazo médio de recebimento de vendas PMRV é dado pela fórmula:
a) ( ) Vendas ÷ Estoques.
b) ( ) Vendas ÷ 360.
c) ( ) (Duplicatas a receber média ÷ vendas brutas) x 360.
d) ( ) (Vendas ÷ duplicatas a receber) x 360.
e) ( ) Nenhuma das respostas anteriores.
5 O PMRE é dado pela fórmula:
a) ( ) CVM ÷ Estoques do período.
b) ( ) Vendas ÷ Estoques do período.
c) ( ) Estoques média ÷ receitas operacionais.
d) ( ) (Estoques média ÷ CPV) x DP.
e) ( ) Nenhuma das respostas anteriores.
137
6 O PMPC é dado pela fórmula:
a) ( ) Fornecedores média ÷ compras x DP.
b) ( ) Compras a prazo ÷ estoques.
c) ( ) Compras ÷ fornecedores.
d) ( ) Fornecedores ÷ estoques.
e) ( ) Nenhuma das respostas anteriores.
138
139
TÓPICO 3
FLUXO DE CAIXA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Fluxo de caixa, também conhecido por cash flow, é considerado por muitos
analistas um dos principais instrumentos para a realização de análise, propiciando
identificar o processo de circulação do dinheiro, através da variação de caixa e
equivalentes, segundo Silva (2007). Com a modernidade, as transações das empresas
não envolvem o caixa propriamente dito, haja vista que a maioria dos pagamentos
é feita via internet home bank, ou através de cheques, e os recebimentos podem
ocorrer via transferência eletrônica de crédito, ou então depositados diretamente
nos bancos sem que transitem pelo caixa no sentido contábil desta conta.
A expressão fluxo de caixa deve ter uma amplitude maior, envolvendo os
pagamentos e os recebimentos de modo em geral, enquanto a análise do fluxo de
caixa examina a origem e aplicação do dinheiro que transitou pela empresa.
Corroboram Assaf Neto e Silva (2007) na conceituação do fluxo de caixa
e explicam que é um instrumento que relaciona os ingressos e os desembolsos,
isto é, as saídas de recursos monetários de determinada empresa em determinado
intervalo de tempo. Afirmam que a partir da elaboração do fluxo de caixa é possível
observar eventuais excedentes ou escassez de caixa e determinar medidas a serem
tomadas para sanar os problemas.
Marion (2010), quando menciona fluxo de caixa, explica que a demonstração
do fluxo de caixa (DFC) é um dos principais relatórios contábeis utilizados para fins
gerenciais. Com o advento da Lei nº 11.638, em dezembro de 2007, a demonstração
do fluxo de caixa tornou-se obrigatória para as companhias abertas e as companhias
de grande porte, assim entendidas as grandes empresas “Ltda.” Ressalta que as
companhias fechadas com o patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a
dois milhões de reais, não serão obrigadas a elaborar e publicar a Demonstração
do Fluxo de Caixa.
Segundo Marion (2010, p. 54), a demonstração dos Fluxos de Caixa evidencia
as modificações ocorridas no saldo de disponibilidades (caixa e equivalentes de
caixa) da companhia em determinado período, por meio de fluxos de recebimentos
e pagamentos. Essa demonstração será obtida de duas formas:
a) forma direta, a partir da movimentação do caixa e equivalentes de caixa;
b) forma indireta, com base no Lucro/Prejuízo do Exercício.
140
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Marion (2010, p. 55) apresenta como as práticas internacionais classificam a
demonstração do fluxo de caixa, a qual é segregada em três tipos, e cita:
I) fluxos das atividades operacionais;
II) fluxos das atividades de financiamento; e
III) atividades de investimentos.
Ferrari (2012, p. 837) também evidencia os três fluxos na elaboração da DFC
e cita que a Deliberação da CVM nº 547/2008 determina o seguinte:
a) Os fluxos de caixa excluem movimentos entre itens que constituem caixa ou
equivalentes de caixa porque esses componentes são parte da gestão financeira
da entidade e não parte de suas atividades operacionais, de investimentos
ou de financiamentos. A gestão de caixa inclui o investimento do excesso
de caixa em equivalentes de caixa, porém ressalta que, se uma empresa, por
exemplo, aplica parte do seu dinheiro numa caderneta de poupança, isto não
é considerado entrada ou saída de fluxos de caixa.
b) Uma única transação pode incluir fluxos de caixa classificados em mais de
uma atividade. Exemplo: quando o desembolso de caixa para pagamento de
um empréstimo inclui tanto os juros como o principal, a parte dos juros pode
ser classificada como atividade operacional, mas a parte do principal deve ser
classificada como atividade de financiamento.
NOTA 1: o autor (2012) explica a diferença entre “pode ser” (pagamento
dos juros) e “deve ser” (pagamento do principal) mencionados no item “b”. O
que o autor quer dizer é: classificar o pagamento de juros como fluxo de atividade
operacional é facultativo, no entanto, a classificação do pagamento do principal
como atividade de financiamento é obrigatória.
NOTA 2: com relação aos itens componentes dos três fluxos, como, por
exemplo: juros e dividendos, tanto os pagos quanto os recebidos, sua classificação
é flexível, isto é, não há consenso sobre a exata classificação desses fluxos de
caixa nas entidades que não sejam instituições financeiras, haja vista que nestas
instituições “os juros pagos e recebidos” e os “dividendos e juros sobre capital
próprio recebidos” são sempre classificados como fluxos de caixa operacionais.
NOTA 3: a deliberação CVM nº 547/2008, por exemplo, determina as
seguintes regras para as entidades que não sejam instituições financeiras:
- os juros pagos e recebidos podem ser classificados como fluxos de caixa
operacionais, tendo em vista que entram na determinação do lucro líquido
ou prejuízo. Alternativamente os “juros pagos” podem ser classificados como
fluxos de caixa de financiamento, porque são custos de obtenção de recursos
TÓPICO 3 | FLUXO DE CAIXA
141
financeiros. Os “juros recebidos” podem ser classificados como fluxos de caixa
de investimento, porque estão relacionadosao retorno sobre investimentos;
- os juros sobre capital próprio, recebidos, podem ser classificados como fluxos
de caixa operacionais, pois entram na determinação do lucro líquido ou
prejuízo. Alternativamente, podem ser classificados como fluxos de caixa de
investimentos, pois estão relacionados ao retorno sobre investimentos;
- os juros sobre capital próprio, pagos, podem ser classificados como fluxo de
caixa de financiamento, porque são custos da obtenção de recursos financeiros.
Alternativamente, podem ser classificados como fluxos de caixa das atividades
operacionais, a fim de auxiliar os usuários a determinar a capacidade de a
entidade pagar esses juros utilizando os fluxos de caixa operacionais;
- os dividendos recebidos podem ser classificados como fluxos de caixa
operacionais, pois entram na determinação do lucro líquido ou prejuízo.
Alternativamente, podem ser classificados como fluxos de caixa de investimento,
pois estão relacionados ao retorno sobre investimentos;
- os dividendos pagos podem ser classificados como fluxo de caixa de
financiamento, pois são custos da obtenção de recursos financeiros.
Alternativamente, podem ser classificados como componentes dos fluxos de
caixa das atividades operacionais.
A regra geral ditada pela CVM, através da Deliberação nº 547/2008, para
classificação é a seguinte:
- juros recebidos ou pagos – classificados, preferencialmente, como integrantes
do Fluxo das Atividades Operacionais;
- dividendos recebidos e juros sobre capital próprio, recebidos – classificados,
preferencialmente, como integrantes do Fluxo das Atividades Operacionais;
- dividendos pagos e juros sobre capital próprio, pagos – classificados,
preferencialmente, como integrantes do Fluxo das Atividades de Financiamento.
NOTA: de acordo com o disposto na referida deliberação, se a regra geral
acima não for observada, a entidade DEVE EM NOTA EVIDENCIAR O FATO.
Marion (2010, p. 193-194), para demonstrar a relevância do tema, usa um
texto interessante que vale a pena conhecer.
142
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
AS RAZÕES DA MORTALIDADE DAS PEQUENAS EMPRESAS
Pesquisa aponta motivos que pesam no encerramento das atividades
Pesquisa realizada pelo Sebrae revelou que a mortalidade prematura de
novas empresas está fortemente ligada a fatores conjunturais, administrativos
e financeiros. A pesquisa foi realizada em meados de 1999 abrangendo 3 mil
empresas abertas nos anos de 95, 96 e 97, além de entrevistas qualitativas com 509
empresários. O objetivo maior do trabalho foi procurar o ‘porquê’ do insucesso
das pequenas organizações. Pela ordem, pesaram mais: falta de demanda e de
experiência, escassez de crédito, inadimplência de clientes, impostos e encargos.
Outra consideração interessante é que o índice de mortalidade aumenta na
mesma proporção que o empresário se ausenta do negócio. Ficou patente que a
dedicação exclusiva é fundamental para a preservação da empresa nos primeiros
anos de vida.
Sessenta por cento dos empreendedores entrevistados, que se dedicaram
à sua atividade, permaneciam com as portas abertas. Das empresas que deixaram
de existir, 43% contavam com a dedicação integral de seus dirigentes, o que
revela que a presença pode ser condição necessária, mas não suficiente para
garantir o êxito do empreendimento. Outros fatores detectados pela pesquisa
e relacionados às causas do insucesso foram: falta de experiência prévia no
ramo pretendido, falta de qualquer tipo de planejamento operacional e falta de
cuidados no estabelecimento do fluxo de caixa.
O porte do estabelecimento também exerce influência no índice de
mortalidade. Por razões aparentemente óbvias, quanto maior o empreendimento,
melhores são as chances de êxito, o que não elimina a possibilidade de sucesso de
um pequeno negócio, desde que observadas regras mínimas de administração.
Outro erro geralmente cometido pelo empreendedor novato é o de
delegar ao contador ações que seriam de sua competência. Por deficiência
gerencial ou desconhecimento do mercado, essas delegações redundam em
fracasso, mesmo porque a atividade do contador é mais de retaguarda que de
linha de frente. Pecado maior é de pretender iniciar a atividade ancorada em
capital de terceiros. Hoje em dia, a empresa deve nascer profissionalizada, o que
vale dizer que empirismo e espírito aventureiro são coisas do passado. Uma boa
dose de sorte ajuda, mas um velho ditado diz que ‘a sorte só ajuda a mente bem
preparada’.
Na totalidade dos entrevistados, ficou explícito que boa parte dos novos
empresários saiu da condição de empregado para patrão, ou seja, a ‘escola’
ficou restrita ao ambiente anterior de trabalho, o que mostra a necessidade da
ampliação de cursos voltados à formação do empreendedor; conhecidos também
como ‘empreendedorismo’. O fato, por exemplo, de uma pessoa ter trabalhado
num supermercado não lhe assegura necessariamente êxito empresarial ao abrir
uma mercearia, muito embora o conhecimento da atividade seja importante.
TÓPICO 3 | FLUXO DE CAIXA
143
Nessa hora é que pesam outras variáveis como o conhecimento do mercado
onde irá atuar, nível de renda do consumidor pretendido, fornecedores, capital,
localização etc.
O levantamento realizado pelo Sebrae mostrou também que não é
verdadeira a ideia de que 80% dos novos empreendimentos morrem no primeiro
ano de vida. O índice detectado foi de 35%.
Em síntese, o trabalho revela que, cada vez mais, o espírito empreendedor
deve estar conjugado com o conhecimento técnico, sem o que capital e trabalho
acabam naufragando no redemoinho de uma economia cada vez mais sofisticada
e implacável. (grifos realizados por MARION, 2010).
FONTE: LANA, Marcio. As razões da mortalidade das pequenas empresas. Gazeta Mercantil, São
Paulo, 18 fev. 2000.
Reis (2009, p. 158) menciona que “[...] a demonstração dos ‘fluxos de caixa’
indica a origem de todos os recursos monetários que entraram no Caixa, bem como
onde foram aplicados os recursos monetários que saíram do caixa em determinado
período”. O objetivo básico deste demonstrativo é disponibilizar informações
sobre as entradas e as saídas de numerário em determinado período.
O entendimento do autor está de acordo com Lana (apud MARION, 2010)
e explica que o demonstrativo dos fluxos de caixa propicia ao administrador
financeiro a elaboração de um planejamento mais adequado às necessidades reais
da empresa, evitando recursos monetários inativos, como também evitar que, em
determinadas circunstâncias, a empresa esteja desprovida de recursos necessários
aos seus compromissos ou às suas despesas correntes.
Assaf Neto e Silva (2007) também entendem que o fluxo de caixa não deve
ser uma preocupação exclusiva da área financeira: todos os setores da empresa
devem estar envolvidos com os resultados líquidos.
Para melhor compreensão de quem está inserido no processo e o grau
de envolvimento, os autores mencionam: (a) área de produção – ao promover
alterações nos prazos de fabricação dos produtos, esta decisão afeta o fluxo de
caixa determinando novas alterações nas necessidades de caixa; os custos de
produção também têm importante reflexo sobre o caixa; (b) decisões de compras
– devem estar ajustadas com os saldos disponíveis existentes em caixa. Em
outras palavras, os autores (2007) afirmam que deve haver preocupação com o
sincronismo entre os prazos concedidos para o pagamento das compras, com os
prazos estabelecidos para recebimento das vendas, ou seja, podemos dizer que
deve haver preocupação com o fluxo de financiamento; (c) políticas de cobranças– mais ágeis e eficientes constituem-se em importante reforço de caixa; (d) área
de vendas – simultaneamente com a meta de crescimento da atividade comercial,
deve acontecer um controle sobre os prazos concedidos e hábitos de pagamentos
144
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
dos clientes, para não pressionar negativamente o fluxo de caixa; (e) a área
financeira – deve analisar cuidadosamente o perfil de seu endividamento, para
que os desembolsos necessários ocorram concomitantemente à geração de caixa
da empresa.
2 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA
A demonstração dos fluxos de caixa, conforme mencionado no item
anterior, será obtida de duas formas:
a) forma direta, a partir da movimentação do caixa e equivalentes de caixa;
b) forma indireta, com base no Lucro/Prejuízo do Exercício.
De acordo com o NPC 20 – Pronunciamento do Instituto dos Auditores
Independentes do Brasil – IBRACON nº 20, de 30/04/1999, na preparação da
demonstração dos fluxos de caixa poderá ser utilizado o método direto ou indireto.
O método direto caracteriza-se por apresentar os componentes dos fluxos
por seus valores brutos, ao menos para os itens mais significativos dos recebimentos
e dos pagamentos. Neste método, devem ser apresentados, no mínimo, os seguintes
tipos de recebimentos e pagamentos relacionados às operações: I) recebimento de
clientes; II) juros, lucros e dividendos recebidos; III) pagamentos a fornecedores e
empregados; IV) juros pagos; V) imposto de renda pago; VI) outros recebimentos
e pagamentos.
Para você entender, caro/a acadêmico/a, apresentamos um exemplo
elaborado por Marion (2010, p. 57):
TÓPICO 3 | FLUXO DE CAIXA
145
MODELO DIRETO
Saldo inicial em 31-12-X4
Entradas
Receita Operacional Recebida
Receitas Financeiras
Recebimentos de Coligadas
Vendas Investimentos
Novos Financiamentos
Aumento de capital em R$
Saídas
Compras Pagas
Despesas de Vendas Pagas
Despesas Administrativas
Despesas Financeiras
Imposto de Renda
Dividendos Pagos
730.000
10.000
10.000
10.000
50.000
40.000
(660.000)
(30.000)
(50.000)
(30.000)
(60.000)
(50.000)
40.000
850.000
(880.000)
Saldo final em 31-12-X5 10.000
FONTE: Marion (2010, p. 57)
O método indireto caracteriza-se por apresentar o fluxo de caixa líquido
oriundo da: a) movimentação líquida das contas que influenciam na determinação
dos fluxos de caixa das atividades operacionais, tais como estoques, contas a
receber e contas a pagar; b) movimentação líquida das contas que influenciam
na determinação dos fluxos de caixa das atividades de investimentos e
de financiamentos, a partir das disponibilidades geradas pelas atividades
operacionais, ajustadas pelas movimentações dos itens que não geram caixa, tais
como: depreciação, amortização, baixas de itens do ativo permanente etc.
Para maior compreensão, apresentamos mais um exemplo (MARION,
2010, p. 55):
QUADRO 39 – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA
Casa das Lingeries Ltda. – Exercício 2005
146
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
MODELO INDIRETO
a) Atividades Operacionais
Lucro líquido
(+) Despesas Econômicas (não afetam o caixa):
Depreciação
Ajuste por mudança no Capital de Giro
(aumento ou redução durante o ano)
Ativo Circulante
Duplicatas a Receber – aumento (reduz o caixa)
Estoque de Lingeries – aumento (reduz o caixa)
Passivo Circulante
Fornecedores – aumento (melhora o caixa)
Salários a Pagar – aumento (melhora o caixa)
Impostos a Recolher – redução (piora o caixa)
Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais
b) Atividades de Investimento
Não houve variação do imobilizado
Vendas de Ações Coligadas
Recebimentos de Empresas Coligadas
c) Atividades de Financiamentos
Novos Financiamentos
Aumento de Capital em Dinheiro
Dividendos
Redução de Caixa no ano
(70.000)
(30.000)
(100.000)
20.000
10.000
(54.000)
(24.000)
-
10.000
10.000
20.000
50.000
40.000
(50.000)
40.000
24.000
10.000
34.000
(124.000)
(90.000)
60.000
(30.000)
Saldo Inicial de Caixa 40.000
Saldo Final de Caixa 10.000 10.000
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA
Casa das Lingeries Ltda. – Exercício 2005
FONTE: Marion (2010, p. 57)
A conciliação do resultado com o fluxo de caixa líquido das atividades
operacionais deve ser demonstrada tanto pelo método direto como pelo método
indireto. Todos os ajustes de conciliação entre o resultado e o caixa gerado
pelas atividades operacionais devem ser claramente identificados como itens de
conciliação. (NPC 20 – Pronunciamento do Instituto dos Auditores Independentes
do Brasil – IBRACON nº 20, de 30/04/1999).
As práticas internacionais dispõem que essa demonstração seja segregada
em três tipos de fluxos de caixa: I) fluxo das atividades operacionais; II) das
atividades de financiamento; III) e das atividades de investimentos. (MARION,
2010).
Para melhor expor o tema, Marion (2010, p. 58) elaborou um modelo
internacional, destacando os fluxos das operações dos financiamentos e dos
investimentos.
QUADRO 40 – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA, MODELO INDIRETO
TÓPICO 3 | FLUXO DE CAIXA
147
QUADRO 40 – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA, MODELO INDIRETO
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA
Casa das Lingeries Ltda. – Exercício 20X5
MODELO INTERNACIONAL
a) Operações
Receita recebida
(-) Caixa despendido nas compras
(-) Despesas Operacionais Pagas
Vendas
Administrativas
Despesas Antecipadas
Caixa Gerado no Negócio
b) Outras Receitas e Despesas
(+) Receitas Financeiras Recebidas
(-) Despesas Financeiras Pagas
Caixa Líquido Após as Operações Financeiras
(-) Imposto de Renda Pago
Caixa Líquido Após o Imposto de Renda
c) Atividades de Investimento
Não houve variação do imobilizado
Vendas de Ações Coligadas
Recebimentos de Ações Coligadas
d) Atividades de Financiamentos
(+) Novos Financiamentos
(+) Aumento de Capital em Dinheiro
(-) Dividendos
Redução do Caixa no ano
730.000
(660.000)
(30.000)
(50.000)
-
10.000
(30.000)
10.000
10.000
50.000
40.000
(50.000)
70.000
(80.000)
(10.000)
(20.000)
(30.000)
(60.000)
(90.000)
20.000
40.000
(30.000)
Saldo Inicial do Caixa 40.000
Saldo Final do Caixa 10.000
FONTE: Marion (2010, p. 57)
QUADRO 41 – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA, MODELO INTERNACIONAL
Matarazzo (2010, p. 242) comenta que existe um número muito grande de
situações que caberá ao analista avaliar. A análise do fluxo de caixa pode ser feita
de muitas formas, entretanto, o autor apresenta uma sequência de ideias, assim
identificadas:
a) A geração bruta de caixa é pequena em decorrência do baixo lucro e é
insuficiente para cobrir o crescimento da NCG [necessidade de capital de
giro], apesar de esta ser pouco expressiva.
b) A geração bruta de caixa é boa, mas insuficiente para cobrir o crescimento da
NCG, em virtude da expansão da empresa.
c) A geração de caixa é elevada, mas insuficiente para cobrir o crescimento da
NCG, em virtude das alterações desfavoráveis de ciclo operacional e ciclo
financeiro.
Se a geração bruta de caixa é inferior ao crescimento da NCG, significa dizer
que a empresa não tem geração operacional de caixa e, consequentemente, não
148
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
consegue: 1) pagar as dívidas bancárias de curto prazo; 2) realizar investimentos;
3) amortizar financiamentos de longo prazo.
Complementa Matarazzo (2010) que, nessas três situações, a empresa não
tem geração operacional de caixa, porém a avaliação da gestão de caixa é diferente
em função das diferenças entre os fatores que determinaram o crescimento da
NCG.
Na introdução mencionamos os três fluxosque compõem a estrutura da
demonstração do fluxo de caixa. A partir de agora trataremos de cada um com
mais detalhe para que, você, acadêmico/a, amplie o seu conhecimento sobre o
tema.
3 FLUXO DE ATIVIDADES OPERACIONAIS - FAO
São os fluxos que normalmente se referem às atividades principais da
entidade, segundo Ferrari (2012), que exemplifica: numa empresa comercial estes
fluxos são as atividades ligadas à compra e revenda de mercadorias, incluindo os
gastos com despesas comerciais e administrativas. Sua identificação se dá pelas
entradas (recebimentos) e pelas saídas (pagamentos), da seguinte forma:
São consideradas entradas:
- os recebimentos de clientes, tanto das vendas à vista, quanto das duplicatas
referentes às vendas a prazo;
- os recebimentos de dividendos de participações no capital de outras sociedades;
- os recebimentos de juros de empréstimos concedidos;
- os recebimentos diversos, os quais, por regra geral, não podem ser classificados
juntamente com os fluxos de financiamento ou investimento, tais como os
recebimentos de aluguéis de imóveis, os recebimentos de seguradoras referentes
a sinistros em estoques, recebimentos referentes a ganhos de causa em sentenças
judiciais etc.
São consideradas saídas:
- os pagamentos a fornecedores, tanto os referentes às compras à vista, quanto os
referentes ao pagamento de duplicatas das compras a prazo;
- os pagamentos de salários a funcionários;
- os pagamentos de tributos e multas;
- o pagamento de juros de empréstimos obtidos etc.
TÓPICO 3 | FLUXO DE CAIXA
149
Em relação às normas gerais que regem o Fluxo das Atividades Operacionais,
o Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2) – Demonstração dos Fluxos de Caixa –
determina o seguinte:
O montante dos fluxos de caixa advindos das atividades operacionais é
um indicador chave da extensão pela qual as operações da entidade têm
gerado suficientes fluxos de caixa para amortizar empréstimos, manter
a capacidade operacional da entidade, pagar dividendos e juros sobre
o capital próprio e fazer novos investimentos sem recorrer a fontes
externas de financiamento.
Complementa dizendo que os fluxos de caixa advindos das atividades
operacionais são basicamente derivados das principais atividades geradoras de
receita da entidade e resultam de transações e de outros eventos que compõem a
apuração do lucro líquido ou prejuízo, exemplificando:
(I) recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela prestação de serviços;
(II) pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e serviços;
(III) recebimentos e pagamentos de caixa por seguradora de prêmios e sinistros,
anuidades e outros benefícios da apólice;
(IV) recebimentos e pagamentos de caixa de contratos mantidos para negociação
imediata ou disponíveis para venda futura, entre outros.
Transações, como a venda de bens do imobilizado, podem resultar em
ganho ou perda, que é incluída na apuração do lucro líquido ou prejuízo. Neste
caso, os fluxos de caixa relativos a tais transações são fluxos de caixa provenientes
de atividades de investimento.
Nota: os ativos imobilizados são fluxos de caixa advindos das atividades
operacionais, e os recebimentos de aluguéis e de vendas subsequentes de tais
ativos são também fluxos de caixa das atividades operacionais.
Continuando o tema sobre fluxo de caixa, neste caderno será tratado o
modelo direto e o modelo indireto.
4 FLUXO DE CAIXA OPERACIONAL
Fluxo de caixa operacional (operating cash flow) é o NOPAT mais a
depreciação, explica Silva (2007), que inicialmente esclarece: NOPAT (net operating
proft after taxes) é um conceito relativamente simples, que considera somente o lucro
líquido operacional após a dedução do imposto de renda. Ainda para efeito do
NOPAT, as despesas financeiras são consideradas como decorrentes da estrutura
de capitais não sendo tratadas como despesas operacionais.
150
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
NOPAT = EBIT x (1 – Alíquota de IR)
EBIT (Earnings Before Interest and Taxes), ou seja, Lucro Antes dos juros e
Imposto de Renda (LAIR)
Exemplo:
Demonstração de Resultado 20XX
Vendas 80.430,00
CPV (40.215,00)
Lucro Bruto 40.215,00
Despesas de salários e encargos (13.719,00)
Despesas gerais (4.875,00)
Despesa de provisão para devedores duvidosos (583,56)
Depreciações (1.693,20)
Despesas financeiras (2.295,00)
Lucro operacional 17.049,24
Provisão para IR (2.557,38)
Lucro Líquido 14.491,86
FONTE: Silva (2007)
Baseados na demonstração dos resultados acima, é possível observar que o
lucro operacional foi de R$ 17.049,24 (dezessete mil, quarenta e nove reais e vinte e
quatro centavos).
Para apurarmos o EBIT, deveremos somar o lucro antes do imposto de renda
que é de R$ 17.049,24 (dezessete mil, quarenta e nove reais e vinte e quatro centavos),
mais as despesas financeiras de R$ 2.295,00 (dois mil, duzentos e noventa e cinco
reais), que neste caso totaliza R$ 19.344,24 (dezenove mil trezentos e quarenta e
quatro reais e vinte e quatro centavos).
Calculando o NOPAT: R$ 19.344,24 x (1 - 0,15)
R$ 19.344,24 x 0,85
NOPAT: R$ 16.442,60
QUADRO 42 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DA CIA. MISTERIOSA
IMPORTANT
E
Para este exemplo considerou-se uma alíquota hipotética de 15%, apenas para fins
didáticos, explica o autor (SILVA, 2007).
TÓPICO 3 | FLUXO DE CAIXA
151
FCO = NOPAT + Depreciação
FCO = Fluxo de Caixa Operacional
Utilizando-se os dados apurados, teremos:
FCO = 16.442,60 + 1.693,20
FCO = 18.135,80
Assaf Neto e Silva (2007, p. 52), ao abordarem o tema fluxo de caixa
operacional, explicam que é também conhecido como fluxo de caixa das atividades
operacionais. Ele representa basicamente os resultados financeiros no sentido
estrito de caixa, isto é, produzidos pelos ativos identificados diretamente na
atividade da empresa. Em outras palavras, é possível dizer que é uma medida dos
recursos financeiros decorrentes das atividades estritamente operacionais cujos
valores são disponíveis em termos de caixa.
Neste sentido, apresentam a seguinte fórmula para cálculo:
FCO = Lucro operacional - IR sobre Lucro Operacional ± despesas e receitas
operacionais que não envolvem recursos
Um dos itens gerenciais mais importantes, quando se trata do fluxo de caixa
operacional, é o estabelecimento de valores máximos suportáveis pela geração
interna de caixa da empresa, de amortização de dívidas. Prosseguem explicando
que o cuidado com relação à geração operacional de caixa é indispensável ao
equilíbrio financeiro. Outras necessidades de uso do fluxo de caixa operacional
como: investimentos para expansão, reposição de ativos, pagamentos de
dividendos etc. podem ocorrer e isto altera o volume máximo de captação que
poderá ser realizado. (ASSAF NETO; SILVA, 2007, p. 54).
4.1 FLUXO DE CAIXA OPERACIONAL LÍQUIDO
Silva (2007), ao se reportar a fluxo de caixa, analisa o conceito de fluxo
de caixa operacional líquido também conhecido por net operating cash flow (OCF)
e de fluxo livre de caixa ou free cash flow, e ressalta que esses conceitos diferem
dos conceitos utilizados na demonstração do fluxo de caixa (DFC), uma vez que
consideram ocorrências que, em termos de caixa, transcendem o exercício social.
A base conceitual do fluxo de caixa é preservada, porém, para atender aos
objetivos dos conceitos apresentados, são feitos alguns ajustes.
152
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
4.2 EBITDA
Cavalcante e Associados, em seu boletim nº 226, explicam o que significa
EBITDA em inglês e em português. Em inglês quer dizer earnings before interest,
taxes, depreciation and amortization.Em português, EBITDA é o lucro antes de juros,
imposto de renda, amortização e depreciação, o que quer dizer LAJIDA, ou seja,
lucro antes dos juros, imposto de renda, depreciação e amortização.
No mesmo boletim (226), os autores conceituam EBITDA como a geração
operacional de caixa da Cia., isto é, quanto a empresa gera de recursos apenas em
sua atividade, sem levar em consideração os efeitos financeiros e de impostos. É
um importante indicador para avaliar a qualidade operacional da empresa.
LEITURA COMPLEMENTAR
EBITDA – O “CASH-FLOW” DOS PREGUIÇOSOS?
No âmbito da análise das demonstrações financeiras das empresas, uma
das variáveis que costumam ser postas em destaque pelas notícias que sintetizam
os “números” apresentados pelas empresas é o EBITDA (Earnings Before Interest,
Taxes, Depreciation and Amortization), algo que, em português, se deve designar por
Resultado Antes de Impostos, Encargos Financeiros e Amortizações.
Tratando-se de uma medida popular entre alguns (muitos?) analistas
e investidores, importa refletir um pouco sobre o que ela representa de fato, ou
como deve ser interpretada. A circunstância de uma empresa apresentar um
EBITDA mais elevado do que outra, ou mais alto do que no ano anterior, significa,
forçosamente, um melhor desempenho e, consequentemente, um bom sinal para
o mercado?
Provavelmente, não... Vejamos por quê.
Há quem encare o EBITDA como indicador da capacidade de uma empresa
gerar “dinheiro”, antes de reembolsar o capital alheio (“pagar juros”) e de pagar
impostos. Se estiver de acordo com esta definição, reflita conosco nas seguintes
deficiências do EBITDA:
• ignora os investimentos (em equipamentos, na aquisição de outras empresas
etc.) efetuados pela empresa. Estes investimentos podem corresponder a
desembolsos incomparavelmente superiores ao propalado montante do EBITDA
para um determinado ano;
• não vem em conta a capacidade de a empresa cobrar as suas dívidas (isto é,
para o seu cálculo não interessa saber se os clientes pagam à empresa – não
constituirá grande novidade dizer que “vender é fácil; já receber é mais difícil”);
TÓPICO 3 | FLUXO DE CAIXA
153
• não considera os níveis de estoques existentes na empresa (quanto mais estoques
existirem, maior o capital “empatado”, o que pode ser sintoma de dificuldades
comerciais e, mais tarde ou mais cedo, de tesouraria);
• em sentido inverso, esquece que as empresas podem gerar fundos pela simples
negociação de melhores condições de pagamento com os seus fornecedores (este
ponto é especialmente importante no caso dos “hipermercados” que, como se
sabe, tendem a receber a pronto e a pagar a prazo).
No cenário descrito, uma empresa pode apresentar um EBITDA
verdadeiramente “astronômico” e nem sequer ter dinheiro para pagar os salários
(basta que tenha vendido a clientes que não pagam ou que tenham efetuado
avultados investimentos). A tristemente célebre Worldcom é um bom exemplo
disso: um investidor que se tenha deixado “guiar” pelo EBITDA, foi enganado
pelas “manipulações contabilísticas” efetuadas; um investidor que utilizasse o
verdadeiro conceito de “free-cash-flow” (“dinheiro” gerado pela empresa) estaria a
salvo dessas habilidades.
Deixemos a exploração do “verdadeiro conceito de free-cash-flow” para
outra “conversa”. Para hoje, o que é importante reter é que na Análise Fundamental
de uma empresa não há um “indicador milagroso” fácil e rápido de calcular. Para
efetuar julgamentos corretos sobre o real desempenho de uma empresa, devem
ser utilizados vários indicadores, efetuar comparações no tempo (evolução da
empresa) e no espaço (com outras empresas) e nunca esquecer que uma empresa
vale pela sua capacidade de gerar dinheiro (e não resultados) para os acionistas.
FONTE: Adaptado de: <http://pt.portaldebolsa.com/pt/stocks/homos.asp?id=144>. Acesso em: 24
nov. 2010.
154
Este tópico contempla o fluxo de caixa, assunto relevante para o processo
de gestão. Este tema é bastante antigo, porém nunca foi tão evidenciado como
na atualidade, principalmente após o advento da Lei nº 11.638/07, que obrigou a
publicação anual pelas Cias. Abertas e Grandes Empresas, assim entendidas aquelas
com personalidade jurídica Ltda. Este demonstrativo substituiu a demonstração
das origens e aplicações de recursos (DOAR). Inicialmente, abordaram-se os
conceitos, formas, tipos, setores envolvidos, entre outros. No que diz respeito às
formas, abordou-se o seguinte: formas diretas, formas indiretas e internacional.
Apresentou-se o modelo de fluxo de caixa pela forma direta, forma indireta e
internacional (conforme MARION, 2010). O Tópico 3 contempla ainda: o fluxo
de caixa operacional; fluxo de caixa operacional líquido e EBITDA, compostos de
conceitos, fórmulas e exemplos.
RESUMO DO TÓPICO 3
155
AUTOATIVIDADE
1 O fluxo de caixa pode ser elaborado diretamente a partir da conta:
a) ( ) Empréstimos.
b) ( ) Fornecedores.
c) ( ) Patrimônio líquido.
d) ( ) Disponibilidades.
e) ( ) Capital social.
FONTE: Zdanowicz (1998)
2 Segundo Zdanowicz (1998), toda vez que o passivo circulante diminuir, por
substituição ou por pagamento, tal fato:
a) ( ) Provoca alteração no capital de giro.
b) ( ) Aumenta o capital circulante próprio da empresa.
c) ( ) Diminui o capital circulante líquido de terceiros.
d) ( ) Não provoca alteração no capital circulante líquido.
e) ( ) Reduz o capital circulante próprio da empresa.
3 O instrumento que representa o movimento de numerário diário da empresa
denomina-se:
a) ( ) Balancete de verificação.
b) ( ) Ponto de equilíbrio.
c) ( ) Grau de alavancagem.
d) ( ) Balanço matricial.
e) ( ) Fluxo de caixa.
FONTE: Zdanowicz (1998)
4 Há uma redução no capital circulante líquido quando ocorre um/a:
a) ( ) Redução do patrimônio líquido.
b) ( ) Aumento do patrimônio líquido.
c) ( ) Aumento dos resultados de exercícios futuros.
d) ( ) Aumento do passivo exigível a longo prazo.
e) ( ) Redução do ativo permanente.
FONTE: Zdanowicz (1998)
5 Zdanowicz (1998) explica que se verifica um aumento do disponível da
empresa quando ocorre um/a:
a) ( ) Aumento do ativo circulante (exceto caixa).
b) ( ) Redução do passivo circulante.
c) ( ) Aumento do ativo realizável a longo prazo.
156
d) ( ) Diminuição do passivo exigível a longo prazo.
e) ( ) Redução do ativo circulante (exceto caixa).
6 Qual é dos itens a seguir que corresponde a uma origem de recursos para a
empresa?
a) ( ) Utilização das reservas previamente aprovisionadas pela empresa.
b) ( ) Argumento do dimensionamento dos estoques.
c) ( ) Integralização de capital social, em dinheiro, pelos sócios.
d) ( ) Amortização parcial de financiamentos de longo prazo.
e) ( ) Encerramento do exercício social com prejuízo.
FONTE: Zdanowicz (1998)
157
TÓPICO 4
FATOR DE INSOLVÊNCIA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico/a, fator de insolvência não é um termo muito comum no nosso
vocabulário, até porque sempre desejamos tratar de assuntos positivos, e o fator
de insolvência pode nos levar a analisar situações desagradáveis sobre a situação
em que a empresa está inserida. No entanto, você precisa conhecer muito bem esse
processo porque o/a auxiliará no exercício de sua profissão como contador/a na
área gerencial ou até mesmo como consultor/a de empresas, analista bancário/a,
entre outras.
O objetivo maior do fator de insolvência é avaliar a saúde da empresa como
um todo, bem como conhecer o risco de falência da empresa. Com esta análise,
torna-se possível avaliar o grau de solvência de qualquer empresa, possibilitando,
com um razoável grau de segurança, detectarcom antecedência qual a situação
financeira de uma empresa.
Segundo Matarazzo (2010, p. 167), em 1968, Edwards Altman publicou o
artigo “Financial ratios, discriminant analysis and the prediction of corporate bankruptcy,
no Journal of Finance, dos Estados Unidos, inaugurando uma série incontável de
estudos sobre a capacidade preditiva dos índices de balanços em diferentes países”.
O primeiro passo a ser dado é determinar o fator de insolvência e, em
seguida, verificar se o valor obtido coloca a empresa em grau de risco ou não.
Segundo Matarazzo (2010), a insolvência de uma empresa ocorre pela
incapacidade de pagar suas obrigações, isto é, pela falta de dinheiro em caixa no
momento do vencimento de uma dívida, dada a impontualidade a curto prazo.
Ressalta o autor que toda empresa está sujeita à falta de dinheiro, dadas as
naturais incertezas e irregularidades da atividade em que atua. Essa carência de
moeda é suprida por empréstimos de emergência que a empresa pode obter com
bancos, e a curto prazo pode ser suprida pela reformulação de prazos de duplicatas
a receber e fornecedores. A falta de dinheiro a curto prazo deve-se aos seguintes
motivos: a) desempenho de vendas aquém do esperado; b) falta de controle das
despesas; c) prejuízo; d) má administração dos ativos e passivos circulantes; e)
excesso de investimento no ativo permanente.
A falta crônica de dinheiro e a perspectiva do agravamento de insuficiência
de entradas em caixa é que caracteriza a insolvência, e as soluções que restam são
a concordata ou a falência. (MATARAZZO, 2010, p. 181).
158
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Estes são avisos importantes que devem ser dados ao gestor, para que
ele não seja surpreendido com um cenário desastroso e de sua responsabilidade.
Portanto, esteja atento/a, pois este tema é de vital importância para quem deseja
atuar na área financeira.
2 ANÁLISE DISCRIMINANTE
Segundo Matarazzo (2010), a análise discriminante constitui-se numa
técnica estatística que permite indicar se uma empresa pertence à população de
solventes ou de insolventes.
O mecanismo de análise discriminante pode ser resumido da seguinte
forma: a) escolhem-se dois grupos, denominado de população, que podem ser:
empresas insolventes e empresas solventes; b) coletam-se os dados das empresas
de cada grupo, para saber se uma empresa se enquadra no grupo de solventes e
insolventes.
De forma resumida, a análise discriminante aplicada à análise de balanços,
através de indicadores financeiros, indica simultaneamente: I) que índices devem
ser utilizados; II) qual peso deve ser atribuído aos índices; III) qual a probabilidade
de acertos nas previsões de insolvência do modelo, explica o autor.
3 FÓRMULAS PARA PREVISÃO DE FALÊNCIAS
De acordo com Matarazzo (1994), estudiosos como: Kanitz, Altman,
Elizabetsky, Matias e Pereira realizaram aqui no Brasil trabalhos sobre a previsão
de falência. O autor demonstrou a fórmula que cada um utilizou e sua forma de
aplicação.
3.1 FATOR DE INSOLVÊNCIA DE KANITZ
O fator de insolvência é um indicador geral resultante da ponderação de
cinco variáveis que podem ser considerados índices parciais. Esses indicadores
determinam se a empresa irá situar-se em faixa perigosa ou não, em termos de
solvência.
Como base de julgamento do fator de insolvência, Kanitz construiu uma
escala de valores para indicação da maior ou menor possibilidade de falência ou
concordata da empresa. A escala de valores estabelecida por Kanitz (1978) é a
seguinte:
TÓPICO 4 | FATOR DE INSOLVÊNCIA
159
7 ---------------------------------------------
:::::::::::::::::::::::::::::::::::: !
:::::::::::::::::::::::::::::::::::: ! INTERVALO DE SOLVÊNCIA
:::::::::::::::::::::::::::::::::::: ! (reduzidas possibilidades de falência)
:::::::::::::::::::::::::::::::::::: !
:::::::::::::::::::::::::::::::::::: !
:::::::::::::::::::::::::::::::::::: !
:::::::::::::::::::::::::::::::::::: !
0 ----------------------------------------------------------------------------------------------------------
/ / / / / / / / / / / / / / / / / / ! PENUMBRA
/ / / / / / / / / / / / / / / / / / ! (situação indefinida)
/ / / / / / / / / / / / / / / / / / !
-3 --------------------------------------------------------------------------------------------------------
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx !
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx ! INSOLVÊNCIA
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx ! (propensão à falência)
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx !
-7 --------------------------------------------------------------------------------------------------------
O fator de insolvência é um indicador que expressa a faixa de risco em que
se encontra a empresa, podendo levá-la a uma situação de extrema dificuldade, se
não adotar medida para correção de seu desequilíbrio financeiro e ou incremento
da capacidade de geração de lucros.
As cinco variáveis do fator de insolvência de Kanitz (1978) utilizadas na
determinação do fator de insolvência com seus respectivos pesos são os seguintes:
FI: X1 + X2 + X3 – X4 – X5
FI = Fator de Insolvência = total de pontos obtidos
X1 = LUCRO LÍQUIDO/PATRIMÔNIO LÍQUIDO x 0,05
X2 = LIQUIDEZ TOTAL x 1,65
X3 = LIQUIDEZ SECA x 3,55
X4 = LIQUIDEZ CORRENTE x 1,06
X5 = EXIGÍVEL TOTAL/ PATRIMÔNIO LÍQUIDO x 0,33
Importante: segundo Kanitz, a análise do índice de solvência permite:
a) descobrir empresas em estado de pré-solvência;
b) descobrir as empresas numa escala de solvência/insolvência, a fim de selecionar
clientes prioritários;
c) determinar previsões para a conta “devedores duvidosos“ segundo a
probabilidade de insolvência de cada cliente.
160
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Importante: cuidados que devem ser tomados na aplicação do termômetro:
a) o modelo de Kanitz (1978) é destinado à indústria e comércio, portanto é um
fato que o analista deverá levar em consideração;
b) as demonstrações financeiras devem refletir a sua real situação financeira e
econômica.
IMPORTANT
E
Interpretação: este índice é do tipo QUANTO MAIOR, MELHOR.
A classificação adotada por Kanitz (1978) foi:
FI entre 0 e 7 – intervalo de solvência (reduzidas possibilidades de falência);
FI entre 0 e -3 – penumbra (situação indefinida);
FI entre -3 e -7 – insolvência (propensão à falência).
FONTE: Krauter, Sousa e Luporini (2010), Kanitz (1978)
No modelo apresentado por Kanitz, há uma região crítica, em vez de um
ponto crítico. (MATARAZZO, 1994, p. 246).
3.2 FATOR DE INSOLVÊNCIA DE ALTMAN
De acordo com Krauter, Sousa e Luporini (2010), em 1979, em parceria
com professores da Pontifícia Universidade Católica/RJ, Altman desenvolveu um
modelo de previsão de insolvência aplicável a empresas no Brasil. Nesse estudo foi
aplicada a técnica de análise discriminante e de regressão múltipla e utilizada uma
amostra contendo 58 (cinquenta e oito) empresas de porte semelhante, sendo que
35 (trinta e cinco) empresas não tinham problemas financeiros e 23 (vinte e três)
empresas apresentavam problemas financeiros.
Altman (1979) apud Krauter, Sousa e Luporini (2010) desenvolveu dois
modelos que apresentamos a seguir:
Z1 = - 1,44 + 4,03 X2 + 2,25 X3 + 0,14 X4 + 0,42 X5
Z2 = - 1,84 - 0,51 X1 + 6,32 X3 + 0,71 X4 + 0,53 X5
onde Z1 ou Z2 = total de pontos obtidos.
X1 = ATIVO CIRCULANTE – PASSIVO CIRCULANTE/ATIVO TOTAL
X2 = (RESERVAS + LUCROS ACUMULADOS)/ATIVO TOTAL
X3 = LUCROS ANTES DOS JUROS E IMPOSTOS/ATIVO TOTAL
X4 = PATRIMÔNIO LÍQUIDO/EXIGÍVEL TOTAL
TÓPICO 4 | FATOR DE INSOLVÊNCIA
161
X5 = VENDAS LÍQUIDAS/ATIVO TOTAL
Observação: nesses modelos o ponto crítico é zero.
3.3 FATOR DE INSOLVÊNCIA DE ELIZABETSKYElizabetsky (1976) apud Krauter, Sousa e Luporini (2010) desenvolveu
um modelo matemático baseado na análise discriminante, com o objetivo de
padronizar o processo de avaliação e concessão de crédito a clientes, tanto pessoas
físicas, quanto pessoas jurídicas. A amostra definida e utilizada foi de 373 (trezentas
e setenta e três) indústrias do setor de confecção, sendo 274 (duzentas e setenta
e quatro) indústrias classificadas como boas e 99 (noventa e nove) indústrias
classificadas como ruins. O critério utilizado para classificar as empresas como
ruins foi o atraso nos pagamentos. Elizabetsky escolheu empresas do mesmo
ramo de atividade em função das diferenças existentes nas empresas de ramos
diferentes, explicaram Krauter, Sousa e Luporini (2010).
O modelo desenvolvido foi:
Z = 1,93 X32 – 0,20 X33 + 1,02 X35 + 1,33 X36 – 1,12 X37
onde Z = total dos pontos obtidos.
X32 = LUCRO LÍQUIDO/VENDAS
X33 = DISPONÍVEL/ATIVO PERMANENTE
X35 = CONTAS A RECEBER/ATIVO TOTAL
X36 = ESTOQUES/ATIVO TOTAL
X37 = PASSIVO CIRCULANTE/ATIVO TOTAL
Observação: nesse modelo, o ponto crítico é 0,5.
IMPORTANT
E
Nesse modelo, o ponto crítico é 0,5.
Z inferior a 0,5 - empresa insolvente;
Z superior a 0,5 - empresa solvente.
FONTE: Krauter, Sousa e Luporini (2010), Pereira (apud SILVA, 2007)
162
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
3.4 FATOR DE INSOLVÊNCIA DE MATIAS
Segundo Krauter, Sousa e Luporini (2010), Matias (1978) desenvolveu um
modelo de análise discriminante e utilizou uma amostra composta de 100 (cem)
empresas, sendo 50 (cinquenta) classificadas como solventes e 50 (cinquenta) como
insolventes.
Matarazzo (1994) demonstra o modelo desenvolvido por Matias (1978),
conforme segue:
Z = 23,792 X1 – 8,26 X2 – 8,868 X3 – 0,764 X4 – 0,535 X5 + 9,912 X6
onde Z = total dos pontos obtidos.
X1 = PATRIMÔNIO LÍQUIDO/ATIVO TOTAL
X2 = FINANCIAMENTO E EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS/ATIVO CIRCULANTE
X3 = FORNECEDORES/ATIVO TOTAL
X4 = ATIVO CIRCULANTE/PASSIVO CIRCULANTE
X5 = LUCRO OPERACIONAL/LUCRO BRUTO
X6 = DISPONÍVEL/ATIVO TOTAL
Observação: nesse modelo, o ponto crítico é zero.
IMPORTANT
E
Segundo Krauter, Sousa e Luporini (2010), Matias (1979) classificou da seguinte
forma:
Z inferior a 0 – empresa enfrentando problemas financeiros – insolvente;
Z superior a 0 – empresa apresentando situação financeira favorável – solvente.
3.5 FATOR DE INSOLVÊNCIA DE PEREIRA
De acordo com Krauter, Sousa e Luporini (2010), Pereira (apud SILVA,
2007) criou dois modelos sendo um aplicável a empresas comerciais e o outro a
empresas industriais, classificáveis para a concessão de crédito. O autor adaptou
estes modelos para prever a situação da empresa em função do tempo.
O modelo 1 indicava a situação da empresa para o exercício seguinte ao
período utilizado na análise. E o modelo 2 indicava a situação da empresa para os
dois anos seguintes, ao período utilizado na análise.
Os modelos desenvolvidos para a indústria foram:
TÓPICO 4 | FATOR DE INSOLVÊNCIA
163
Z1 = 0,722 – 5,124E23 + 11,016L19 – 0,342L21 – 0,048L26 + 8,605R13 – 0,004R29
Z2 = 5,235 – 9,437E3 – 0,010E9 + 5,327E10 – 3,939E13 – 0,681L1 + 9,693R13
onde Z = total de pontos obtidos.
E23 = DUPLICATAS DESCONTADAS/DUPLICATAS A RECEBER
L19 = ESTOQUE FINAL/C.M.V.
L21 = FORNECEDORES/VENDAS
L26 = ESTOQUE MÉDIO/C.M.V.
R13 = LUCRO OPERACIONAL + DESPESAS FINANCEIRAS/ATIVO TOTAL
MÉDIO - INVESTIMENTO MÉDIO
R29 = EXIGÍVEL TOTAL/(LUCRO LÍQUIDO + 0,1X IMOBILIZADO MÉDIO +
SALDO DEVEDOR DA CORREÇÃO MONETÁRIA*)
Observação: nesse modelo, o ponto de separação é zero.
Para o comércio, segundo Krauter, Sousa e Luporini (2010) e Pereira (apud
SILVA, 2007), os modelos são os seguintes:
Z1 = 1,327 + 7,561E5 + 8,201E11 – 8,546L17 + 4,218R13 + 1,982R23 + 0,091R28
Z2 = 2,368 – 1,994E5 + 0,138E9 – 0,187E25 – 0,025L27 – 0,184R11 + 8,059R23
onde = E5 = (reservas + lucros acumulados)/ativo total
E9 = (variação do imobilizado)/(lucro líquido + 0,1 x imobilizado médio – saldo
da correção monetária + variação do exigível a longo prazo)
E11 = disponível/ativo total
E25 = disponível/ativo permanente
L17 = (ativo circulante – disponível – passivo circulante + financiamentos +
duplicatas descontadas)/vendas
L27 = (duplicatas a receber x 360)/vendas
R11 = (ativo total médio – salários, tributos e correções médios)/patrimônio
líquido médio
R13 = (lucro operacional + despesas financeiras)/(ativo total médio –
investimento médio)
R23 = lucro operacional/lucro bruto
R28 = (patrimônio líquido/capital de terceiros)/(margem bruta/ciclo financeiro)
IMPORTANT
E
* A correção monetária foi extinta pela Lei nº 9.249/95 e entrou em vigor em 1º
de janeiro de 1996.
164
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
IMPORTANT
E
A classificação adotada em todas as equações é:
Z inferior a 0 - empresa enfrentando problemas financeiros – insolvente;
Z superior a 0 - empresa enfrentando situação financeira favorável – solvente.
FONTE: Krauter, Sousa e Luporini (2010), Pereira (apud SILVA, 2007)
Para ilustrar a técnica de análise discriminante, apresentamos a seguir um
quadro com tabela elaborada por estudiosos, no Brasil, cujos resultados apurados foram:
Modelo Empresas solventes classificadas
corretamente pelo modelo
Empresas insolventes classificadas
corretamente pelo modelo
KANITZ 80% 68%
ALTMAN 83% 77%
ELIZABETSKY 74% 63%
MATIAS 70% 77%
PEREIRA 90% 86%
FONTE: Matarazzo (2010, p. 168)
QUADRO 43 – PREVISÃO DE INSOLVÊNCIA, SEGUNDO ESTUDIOSOS
Como pode ser observado no quadro, os vários modelos de previsão de
insolvência apresentam índices diferentes. A análise realizada por Matarazzo
(2010) revela que todos os modelos apresentaram razoável capacidade de classificar
corretamente as empresas solventes e insolventes, dentro da amostra utilizada.
Pelo exposto é possível formar a seguinte opinião:
a) que o uso da Análise Discriminante na previsão de insolvência, através das
demonstrações financeiras, tem levado a resultados inconsistentes. Variando-se
a amostra, chega-se a parâmetros (pesos) e variáveis (índices) completamente
diferentes, o que significa dizer que os modelos ou têm vida curta ou variam
muito de acordo com a amostra.
b) não convém, portanto, usá-los.
c) os modelos apresentados anteriormente não substituem a análise através dos
índices tradicionais e, se utilizados, isso deve ser feito apenas para complementar
as conclusões destes últimos.
d) A multiplicação de parâmetros diretamente pelos índices deve ser observada
com cuidado, porque ela pode levar a resultados distorcidos, haja vista que os
índices decorrem da divisão entre dois valores absolutos e podem variar de
menos infinito a mais infinito, distorcendo o fator final. (MATARAZZO, 2010,
p. 168-169).
165
Este tópico contemplou uma abordagem específica sobre o processo e
análise da situação financeira de uma empresa, buscando conhecer se sua situação
encontra-se em dificuldade momentânea ou se está insolvente.
De acordo com Krauter, Sousa e Luporini (2010), a palavra insolvente é
confundida com dificuldade financeira. A dificuldade financeira é uma situação
onde o fluxo de caixa é insuficiente para cobrir obrigações correntes; e a insolvência
é a incapacidade de pagar as dívidas. A insolvência pode ser interpretada de
duas formas: a) de saldo; b) de fluxo. A insolvência associada a saldos ocorre
quando uma empresa possui patrimônio líquido negativo, isto é, o valor do ativo
total é menor que o valor das dívidas assim representadas pelo exigível total. A
insolvência associada a fluxo ocorre quando os recursos gerados pelas operações
são insuficientes para cobrir as obrigações correntes. Em outras palavras é aincapacidade de pagamento das dívidas, explicaram Krauter, Sousa e Luporini
(2010).
A busca por assunto específico para expor detalhadamente este tema nos
permitiu apresentar os seguintes modelos de previsão de insolvência: modelo de
Kanitz, também conhecido como termômetro de Kanitz; modelo apresentado por
Altman; fator de insolvência de Elizabetsky; modelo apresentado por Matias e o
modelo desenvolvido por Pereira.
Cada autor apresenta detalhadamente as fórmulas, que permitem realizar
cálculos e inferir sobre a situação das empresas; entretanto Matarazzo (2010)
finaliza apresentando uma tabela comparativa dos resultados dos modelos
mencionados anteriormente, oriundos de um trabalho realizado por estudiosos,
no Brasil. Estes resultados nos permitem verificar que os resultados apurados
são divergentes entre si, entretanto eles são capazes de classificar corretamente
as empresas solventes e insolventes, dentro da amostra utilizada. Afirma ainda o
autor que os modelos apresentados não substituem a análise através dos índices,
apenas servem para complementá-las.
RESUMO DO TÓPICO 4
166
AUTOATIVIDADE
1 Os vários modelos de previsão de insolvência têm apresentado:
a) ( ) Perfeita e sólida capacidade de prever falências.
b) ( ) Índices completamente incorretos, sendo necessária a utilização de
outros índices.
c) ( ) São perfeitos para determinados ramos e imperfeitos para outros.
d) ( ) Todos os modelos apresentam razoável capacidade de classificar
corretamente as empresas solventes e insolventes, muito embora os
vários modelos de previsão divirjam quanto aos índices utilizados e
incluam alguns de pouco significado.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
2 A análise discriminante, segundo Matarazzo (2010), constitui-se numa
técnica estatística que permite:
a) ( ) Indicar se uma empresa pertence à população de solventes ou de
insolventes.
b) ( ) Indicar quantas empresas entrarão em falência a curto prazo.
c) ( ) Indicar os índices que demonstram a capacidade de pagamento.
d) ( ) Indicar uma fórmula estatística que apresente as vantagens de trabalhar
com nota.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
3 Elizabetsky desenvolveu um modelo matemático baseado na análise
discriminante, com o objetivo de:
a) ( ) Padronizar o processo de falências.
b) ( ) Padronizar os índices para cada empresa de serviço.
c) ( ) Padronizar o processo de avaliação e concessão de crédito a clientes,
tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas.
d) ( ) Padronizar o total dos pontos obtidos.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
4 Krauter, Sousa e Luporini (2010) apresentaram um conceito de dificuldade
financeira que significa:
a) ( ) O prazo médio de compras é muito alto.
b) ( ) Ciclo operacional maior que 365 dias.
c) ( ) É uma situação onde o fluxo de caixa é insuficiente para cobrir obrigações
correntes.
d) ( ) Período de entressafra no processo produtivo.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
167
5 Os modelos de previsão de insolvência foram desenvolvidos por:
a) ( ) Kanitz.
b) ( ) Elizabetsky.
c) ( ) Pereira.
d) ( ) Matias.
e) ( ) Matarazzo.
6 A palavra insolvente é confundida com dificuldade financeira. Pensando
nisto, insolvência significa:
a) ( ) O excesso de comprovantes não pagos.
b) ( ) A incapacidade de gerar vendas.
c) ( ) O prazo médio de pagamento muito elevado.
d) ( ) A incapacidade de pagar as dívidas.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
7 Elizabetsky desenvolveu um modelo matemático com o objetivo de
padronizar o processo de avaliação e concessão de crédito a clientes, tanto
pessoas físicas quanto pessoas jurídicas. Nesse modelo, o ponto crítico é:
a) ( ) 0,5.
b) ( ) zero.
c) ( ) - 0,5.
d) ( ) 0,3.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
8 O fator de insolvência é um indicador geral resultante da ponderação de
cinco variáveis que podem ser consideradas índices parciais. Esses indicadores
determinam se a empresa irá se situar em faixa perigosa, ou não, em termos de
solvência. Segundo Kanitz (1978), o índice de solvência permite algumas ações,
sendo assim escreva V para as verdadeiras e F para as falsas:
a) ( ) Descobrir empresas em estado de pré-solvência.
b) ( ) Descobrir as empresas numa escala de solvência /insolvência, a fim de
selecionar clientes prioritários.
c) ( ) Descobrir as empresas deficitárias na área tributária de acordo com cada
tipo de imposto e vencimento.
d) ( ) Descobrir as empresas que operam com ciclo financeiro em descompasso
com as vendas.
e) ( ) Determinar previsões para a conta “devedores duvidosos“ segundo a
probabilidade de insolvência de cada cliente.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - F - V - V.
b) ( ) V - V - F - V - V.
c) ( ) V - F - V - V - F.
d) ( ) V - V - F - F - V.
e) ( ) V - F - F - F - V.
168
9 É correto afirmar que:
I - O objetivo maior do fator de insolvência é avaliar a saúde da empresa como
um todo, bem como conhecer o risco de falência da empresa.
II - Segundo Matarazzo (2010), a insolvência de uma empresa ocorre pela
incapacidade de pagar suas obrigações.
III - Nem toda empresa está sujeita à falta de dinheiro, dadas as naturais
incertezas e irregularidades da atividade em que a empresa atua.
IV - A carência de moeda nas empresas é suprida por financiamentos que a
empresa pode obter com bancos.
Assinale a opção CORRETA:
a) ( ) Apenas as alternativas I e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas I e II estão corretas.
c) ( ) Apenas as alternativas II e III estão corretas.
d) ( ) Apenas as alternativas III e IV estão corretas.
10 É correto afirmar que:
I - A falta esporádica de dinheiro e a perspectiva do agravamento de
insuficiência de entradas em caixa é que caracteriza a insolvência.
II - Análise discriminante constitui-se numa técnica estatística que permite
indicar se uma empresa pertence à população de solventes ou de insolventes.
III - O fator de insolvência é um indicador parcial resultante da ponderação de
cinco variáveis que podem ser considerados índices totais.
IV - Indicadores totais determinam se a empresa irá situar-se em faixa perigosa
ou não, em termos de insolvência.
Assinale a opção CORRETA:
a) ( ) Apenas as alternativas I, II e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas III e IV estão corretas.
c) ( ) Apenas a alternativa II está correta.
d) ( ) Apenas a alternativa III está correta.
11 É correto afirmar que:
I - Como base de julgamento do fator de insolvência, Kanitz construiu uma
escala de valores para indicação da menor possibilidade de falência ou
concordata da empresa.
II - A escala de valores estabelecida por Kanitz prevê: de 0 a 7 = intervalo de
solvência; de 0 a -3 = situação indefinida; de -3 a -7 = insolvência.
III - O fator de insolvência é um indicador que expressa a faixa de risco em que
se encontra a empresa.
IV - A insolvência pode levar a empresa a uma situação de extrema dificuldade,
se não adotar medida para correção de seu desequilíbrio financeiro.
Assinale a opção correta:
a) ( ) Apenas as alternativas I, III e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas III e IV estão corretas.
c) ( ) Apenas as alternativas I e II estão corretas.
d) ( ) Apenas as alternativas II, III e IV estão corretas.
169
12 Segundo Matarazzo (1994), estudiosos como Kanitz, Altmann, Elizabetsky,
Matias e outros realizaram aqui no Brasil trabalhos sobre a previsão de
falência, e demonstrou a fórmula que cada um utilizou,bem como sua
forma de aplicação. Diante do exposto é correto afirmar que:
I - As cinco variáveis do fator de insolvência de Kanitz são X1 + X2 + X3 – X4 –
X5.
II - Altman desenvolveu dois modelos de previsão de insolvência cujo ponto crítico
é zero.
III - Elizabetsky (1976) desenvolveu um modelo matemático baseado na análise
discriminante.
IV - O objetivo do modelo matemático desenvolvido por Elizabetsky (1976) é
integrar o processo de avaliação com a concessão de crédito a clientes.
Assinale a opção CORRETA:
a) ( ) Apenas as alternativas I, II e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas I e III estão corretas.
c) ( ) Apenas as alternativas II e III estão corretas.
d) ( ) Apenas as alternativas I, III e IV estão corretas.
13 É correto afirmar que:
I - Matias (1978) desenvolveu um modelo de análise matemática para
comprovar a capacidade de pagamento.
II - Pereira (apud SILVA, 2007) criou dois modelos de análise para concessão
de crédito sendo um aplicável a empresas comerciais e o outro a empresas
industriais.
III - Matarazzo (2010) revela que todos os modelos desenvolvidos para
classificar corretamente as empresas solventes e insolventes apresentaram
razoável capacidade.
IV - O uso da análise discriminante na previsão de insolvência, através das
demonstrações financeiras, tem levado a resultados consistentes.
Assinale a opção CORRETA:
a) ( ) Apenas as alternativas I, II e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas II e III estão corretas.
c) ( ) Apenas as alternativas III e IV estão corretas.
d) ( ) Apenas as alternativas I e III estão corretas.
170
171
TÓPICO 5
ALAVANCAGEM FINANCEIRA
E OPERACIONAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico/a, iniciaremos a abordagem do tema alavancagem que
contempla conceitos fundamentais relacionados à estrutura de capitais de empresas
como suporte para a compreensão da alavancagem financeira (financial leverage),
operacional e alavancagem total.
“Um dos aspectos mais importantes do processo de avaliação de uma
empresa é o estudo da alavancagem financeira e operacional”, explica Assaf Neto
(2009, p. 132). Quando da tomada de decisão financeira na empresa, a expectativa
é que ela contribua para elevar o resultado operacional e líquido.
Com a aplicação da alavancagem operacional e financeira na avaliação de
uma empresa, é possível conhecer a viabilidade econômica do negócio e conhecer
as causas que determinaram eventuais desvios nos resultados.
O autor afirma que a alavancagem financeira permite que se avalie também
como o endividamento da empresa está influindo sobre a rentabilidade dos
proprietários.
Cardoso et al. (2007, p. 133) corroboram e esclarecem que “a alavancagem
operacional corresponde à ponderação entre a variação porcentual de lucro e a
variação de volume”, isto quer dizer que a alavancagem operacional indica quantas
vezes o lucro aumenta em relação a cada variação de 1% nas vendas.
Tanto o administrador quanto o analista financeiro precisam ter claro
esses conceitos. O administrador toma decisões de investimento analisando as
expectativas de risco e de retorno inerentes ao objeto de sua apreciação.
Simultaneamente precisa tomar decisões inerentes às fontes de capitais que
utilizará para financiar os ativos, que decidirá entre o uso de capitais de terceiros
(empréstimos) e de capitais próprios, explica Silva (2010). Esclarece ainda que o
conceito de alavancagem está associado à ideia de uma alavanca que, em física,
possibilita o deslocamento de um corpo com o uso de uma força menor.
A alavancagem financeira – em administração financeira – tem recebido
interpretações diferentes, desde a simples relação entre capitais de terceiros
e capitais próprios, denominado de índice de endividamento, até mesmo em
172
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
processos mais complexos onde é comparado o custo do empréstimo com o
retorno propiciado pelos ativos da empresa, considerando o poder aquisitivo da
moeda.
A seguir abordaremos de forma mais detalhada a alavancagem financeira.
2 ALAVANCAGEM FINANCEIRA
Alavancagem financeira é a possibilidade de os acionistas da empresa
obterem maiores lucros para suas ações, utilizando em volume maior o capital de
terceiros, como, por exemplo, empréstimos. (PADOVEZE, 2007).
A alavancagem financeira fundamenta-se nos juros que são custos fixos e
que permitem a alavancagem. Como contrapartida negativa, explica o autor, existe o
risco financeiro. O fato de os juros serem um custo fixo permite duas possibilidades de
alavancagem financeira, que podem ser utilizadas conjuntamente, e as identifica: a)
a primeira é decorrente da obtenção de custos de financiamentos de fontes externas,
em percentual inferior à rentabilidade oferecida pelos ativos da empresa; b) a
segunda alavancagem decorre da natural possibilidade de as empresas aumentarem
seu nível de atividade, com vendas e lucros operacionais maiores, e alavancando
rentabilidade para os acionistas por manterem fixos os valores pagos ao capital de
terceiros.
Padoveze (2007, p. 173) ressalta que a alavancagem financeira decorrente
do aumento do volume é similar à alavancagem operacional, e pode até aceitar
taxa de juros maiores daquelas admissíveis, desde que os volumes esperados
sejam maiores. Quando uma empresa não utiliza capital de terceiros, não existe a
possibilidade de alavancagem financeira.
Iudícibus (2007, 109-110) apresenta um exemplo que compara duas empresas
distintas.
A empresa A somente se utiliza de capital próprio para financiar o seu ativo
e consegue obter um retorno de 20% sobre este ativo. O retorno sobre o patrimônio
líquido será de 20% também, pois todo o lado direito do balanço é formado pelo
patrimônio líquido, que é igual ao ativo.
A empresa B obtém o mesmo retorno de 20% sobre o ativo, mas, recorrendo
a recursos de terceiros, consegue dobrar seu investimento em ativo.
A partir do exposto, apresentam-se três situações distintas para que você
possa compreender o que vem a ser alavancagem financeira (veja os quadros a
seguir).
TÓPICO 5 | ALAVANCAGEM FINANCEIRA E OPERACIONAL
173
Empresa A Empresa B
Ativo R$ 100 R$ 200
Passivo - R$ 100
Patrimônio Líquido R$ 100 R$ 100
Lucros antes dos Juros (retorno do ativo) R$ 20 R$ 40
Despesas de Juros - R$ 20
Lucro após Juros R$ 20 R$ 20
FONTE: Iudícibus (2007, p. 109)
QUADRO 44 – CUSTO DO EMPRÉSTIMO: IGUAL À TAXA DE RETORNO SOBRE O ATIVO
IMPORTANT
E
No quadro anterior observa-se que o retorno sobre o patrimônio líquido é idêntico,
ou seja, 20%. O empréstimo não gerou benefício ou prejuízo adicional aos acionistas.
Empresa A Empresa B
Ativo (valores iniciais) R$ 100 R$ 200
Passivo - R$ 100
Patrimônio Líquido R$ 100 R$ 100
Lucro Antes dos Juros R$ 20 R$ 40
Despesa de Juros - R$ 10
Lucro Após Juros R$ 20 R$ 30
FONTE: Iudícibus (2007, p. 110)
QUADRO 45 – CUSTO DO EMPRÉSTIMO: INFERIOR À TAXA DE RETORNO SOBRE O ATIVO
(CONSIDERE O CUSTO DO EMPRÉSTIMO DE 10%)
IMPORTANT
E
A empresa A obteve retorno de 20% sobre o patrimônio líquido;
a empresa B, recorrendo ao endividamento, teve retorno de 30% (cálculo sobre o patrimônio
líquido inicial).
Neste caso, o rendimento dos acionistas aumentou de 20% para 30%, pelo uso do endividamento.
FONTE: Iudícibus (2007, p. 110)
174
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Empresa A Empresa B
Lucro Antes dos Juros R$ 20 R$ 40
Despesa de Juros - R$ 30
Lucro Após Juros R$ 20 R$ 10
FONTE: Iudícibus (2007, p. 110)
QUADRO 46 – CUSTO DO EMPRÉSTIMO: SUPERIOR À TAXA DE RETORNO SOBRE O ATIVO
(DIGAMOS 30%)
NOTA
Neste caso, a obtenção do financiamento foi desvantajosa, porque tivemosum lucro
final menor. A empresa A obteve um retorno de 20% e a empresa B obteve um retorno de apenas
10% sobre o patrimônio líquido.
O fator fundamental nos três exemplos reside na comparação entre a taxa de retorno o ativo e o
custo da dívida. (IUDÍCIBUS, 2007).
Silva (2010) também apresenta sua contribuição sobre a alavancagem
financeira e explica que consideraremos a variação percentual no lucro líquido
sobre a variação percentual no LAJIR. O grau de alavancagem financeira (GAF)
é obtido pela divisão da variação percentual do lucro líquido sobre a variação
percentual do LAJIR.
Para maior compreensão, o autor (2010) exemplifica baseado no quadro a
seguir:
QUADRO 47 – IMPACTO DECORRENTE DA VARIAÇÃO NA QUANTIDADE
Demonstração do Resultado Pessimista Mais Provável Otimista
Receita de Vendas (R) 160.000 200.000 240.000
Custo variável (VT) -64.000 -80.000 -96.000
Margem de contribuição (MC) 96.000 120.000 144.000
Custos Fixos (F) -35.500 -35.500 -35.500
LAJIR (EBIT) 60.500 84.500 108.500
Juros (J) -12.000 -12.000 -12.000
LAIR (EBT) 48.500 72.500 96.500
Imposto sobre o lucro -16.490 -24.650 -32.810
Lucro líquido 32.010 47.850 63.690
FONTE: Silva (2010)
TÓPICO 5 | ALAVANCAGEM FINANCEIRA E OPERACIONAL
175
Se analisarmos o quadro anterior, observamos três cenários. Num cenário
mais provável, onde a empresa estima um faturamento de R$ 200.000,00, o lucro
da empresa é de R$ 47.850,00. No cenário otimista a empresa espera atingir um
faturamento de R$ 240.000,00 e um lucro de R$ 63.690,00.
Neste caso é possível observar que o crescimento do lucro será de 33,1%
realizando a seguinte operação:
R$ 47.850,00 100%
R$ 63.690,00 ?
Então:
63.690,00 x 100 ÷ 47.850,00 = 133,10%.
O autor (2010) afirma que na alavancagem financeira considera-se a
variação percentual no lucro líquido sobre a variação percentual no LAJIR.
Se partirmos do princípio que as vendas crescerão 20% e atingirão o valor
de R$ 240.000,00 e o LAJIR atingir R$ 108.500,00, o crescimento será de 28,4%,
conforme demonstraremos a seguir:
R$ 84.500,00 100%
R$ 108.500,00 ?
Então:
108.500,00 x 100 ÷ 84.500,00 = 128,40%.
Considerando que o GAF é obtido pela divisão da variação percentual do
lucro líquido sobre a variação percentual do LAJIR, conforme equação:
GAF = Variação do lucro líquido ÷ variação do LAJIR, teremos o seguinte
resultado (SILVA, 2010):
GAF = 33,1% ÷ 28,40% = 1,17.
Se, por outro lado, o resultado tivesse uma redução de 20% nas vendas, o
lucro líquido cairia em 33,1%, mantendo o mesmo GAF.
O GAF pode ser obtido através da divisão do LAJIR pelo LAIR, conforme
equação (SILVA, 2010):
GAF = LAJIR ÷ LAIR
176
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Aplicando os valores, temos:
GAF = R$ 84.500,00 ÷ R$ 72.500,00 = 1,77
NOTA: este grau de alavancagem financeira igual a 1,77 está associado a
um volume de vendas de R$ 200.000,00 no período.
BALANÇOS
Em T
0
Em T
1
Ativo Circulante R$ 120 R$ 286
Passivo Circulante - R$ 20
Passivo Exigível a Longo Prazo - R$ 100
Patrimônio Líquido R$ 120 R$ 166
FONTE: Iudícibus (2007, p. 111)
QUADRO 48 – BALANÇOS
2.1 O EFEITO ALAVANCAGEM
Prosseguindo, Iudícibus (2007) complementa o tema “alavancagem
financeira” e explica que o significado é “Financial Leverage”, e está correlacionado
aos exemplos apresentados.
Quando a alavancagem ou o grau de alavancagem é maior do que 1,
o endividamento tem um efeito de alavanca sobre o lucro que é levado para o
acionista, puxando para cima a taxa de retorno dos acionistas. Exemplo:
O empréstimo foi obtido imediatamente após o balanço de T0.
O ativo, assim, ficaria igual a R$ 120,00 mais R$ 100,00, que a uma taxa de
retorno suposta de 30%, se transformou em R$ 286,00 em T1 (220 x 1,30).
O juro de R$ 20,00 está lançado na dívida de curto prazo e somente é
contabilizado em T1. O financiamento está lançado no Passivo Exigível a Longo
Prazo.
O lucro do período foi de R$ 166,00 - R$ 120,00 = R$ 46. A taxa de retorno
(sobre o patrimônio líquido inicial) é de R$ 46/R$ 120 = 38,33%.
Imaginemos que os R$ 100,00 de recursos tivessem sido supridos por
acionistas. O patrimônio líquido inicial (para efeito de análise) ficaria igual a R$
220,00 e o patrimônio líquido final seria de R$ 286,00, pois não teríamos a despesa
TÓPICO 5 | ALAVANCAGEM FINANCEIRA E OPERACIONAL
177
de juros para ser subtraída (nem o PELP – passivo exigível a longo prazo). O lucro,
portanto, seria de R$ 66,00. O retorno sobre o patrimônio líquido seria de R$ 66/R$
220 = 0,30 ou em percentual seria igual a 30% (0,30 x 100).
O grau de alavancagem (GA) é calculado dividindo-se a taxa de retorno
obtida, utilizando os empréstimos com aquela que teria sido obtida utilizando
capital.
GA = 0,3833/0,30 = 1,28. Esta é a fórmula ideal, porém, ressalta o autor, nem
sempre possível de ser utilizada na prática.
O resultado apurado (1,28) indica que os acionistas tiveram um retorno de
28% maior sobre o seu capital inicial investido, do que teriam obtido se tivessem,
eles próprios, integralizado mais R$ 100,00. Explica o autor que este resultado a
maior deve ser entendido em relação percentual a cada real investido.
3 ALAVANCAGEM OPERACIONAL
A alavancagem operacional é possível de ser realizada, pela presença de
custos e despesas fixos na estrutura de resultados de uma empresa, explica Assaf
Neto (2009). Esses custos (despesas) não sofrem variação diante de mudanças no
volume de atividade, mantendo-se constante no tempo. Exemplo: a depreciação de
uma máquina ocorre independentemente de o volume de atividade ter assumido
acréscimos ou reduções. O mesmo acontece com o valor de aluguel, salários,
despesas de juros de empréstimos e financiamento etc.
Zdanowicz (1998, p. 143) corrobora e explica que o grau de alavancagem
operacional (GAO) relaciona a possibilidade em se incrementar o nível de atividade
da empresa sem aumentar seu ativo imobilizado, apresentando estabilidade
de custos fixos. Complementa o autor que o grau de alavancagem operacional
pode ser conceituado como indicador de análise, que relaciona o crescimento
esperado dos lucros em função do acréscimo projetado nas vendas. Afirma ainda
que a alavancagem operacional é a estratégia utilizada para o aumento do lucro
operacional, antes das despesas financeiras, através do incremento do volume
produzido e vendido pela empresa no período projetado.
Para Iudícibus (2007, p. 206), o grau de alavancagem operacional pode ser
definido como sendo “a variação percentual nos lucros operacionais, relacionada
com determinada variação percentual no volume de vendas”.
Fórmula para calcular o grau de alavancagem operacional:
Q = Q(P – V) ou Q = S – VC
Q(P – V) – F S – VC – F
178
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Q = Unidades de Produto
P = Preço Médio de Venda por Unidade de Produto
V = Custo Variável por Unidade de Produto
F = Custo Fixo Total
S = Vendas em Reais
VC = Custos Totais Variáveis
GAO = Grau de Alavancagem Operacional
Exemplo:
Custos fixos = R$ 1.800,00
Preço médio unitário de venda a um volume de 300 unidades = R$ 25,00
Custo unitário variável = R$ 12,00
GAO = 300(25,00 – 12,00)
300(25,00 - 12,00) - 1.800,00
GAO = 3.900 = 1,857 ou 185,7%
2.100
Silva (2010, p. 504-505) também discorre sobre alavancagem operacional,
mas explica de forma prática, utilizando como base o disposto no Quadro 47 onde
o lucro antes dos juros e impostos (LAJIR) é de R$ 84.500,00 para um cenário mais
provável.
Se as vendas crescerem 20% e atingirem o valor de R$ 240.000,00 de receitas
de vendas,o LAJIR crescerá de R$ 84.500,00 para R$ 108.500,00, o que representa
uma variação positiva de 28,4%.
Na sequência o autor (2010) demonstra o grau de alavancagem operacional
– GAO.
GAO = Variação do LAJIR ÷ Variação das vendas
O autor afirma que, dividindo a variação do LAJIR pela variação das
vendas, obteremos um grau de alavancagem operacional de 1,42, conforme segue:
GAO = 28,4% ÷ 20,0% = 1,42
Havendo redução de 20% nas vendas, o LAJIR cairá em 28,4%, mantendo
o mesmo GAO.
Acadêmico/a, sugiro que você confira os cálculos como exercício prático.
Nota 1: partindo do nível de atividade do cenário mais provável, o GAO
pode ser obtido também pela divisão da margem de contribuição (MC) pelo lucro
antes dos juros e impostos (LAJIR), ou seja:
TÓPICO 5 | ALAVANCAGEM FINANCEIRA E OPERACIONAL
179
GAO = Margem de contribuição ÷ LAJIR
Tomando como base o Quadro 47, temos:
GAO = R$ 120.000,00 ÷ R$ 84.500,00 = 1,42.
Nota 2: o LAJIR corresponde à margem de contribuição total, menos os
custos fixos.
4 ALAVANCAGEM TOTAL
Conforme mencionado anteriormente, o Quadro 47 apresenta o impacto
decorrente da variação na quantidade, em três cenários diferentes. O primeiro
deles demonstra o resultado sob uma visão pessimista; o segundo deles demonstra
sob uma ótica mais provável de realização e o terceiro apresenta o resultado de
forma otimista.
Há um desvio de 20% dos cenários otimista e pessimista em relação ao
cenário mais provável de realização, que apresenta o faturamento estimado em R$
200.000,00, e a empresa espera ter um lucro líquido de R$ 47.850. Se porventura o
faturamento for superior em 20% e atingir o faturamento em R$ 240.000,00, o lucro
será de R$ 63.690,00.
Neste caso o crescimento do lucro será de 33,1%, ou seja, de R$ 47.850,00
para R$ 63.690,00, o que representa um resultado proporcionalmente superior ao
crescimento do faturamento.
Deste procedimento temos o grau de alavancagem total (GAT), que é
calculado de acordo com a equação (SILVA, 2010):
GAT = Variação do lucro líquido ÷ variação das vendas
O resultado desta divisão será um grau de alavancagem total que neste
caso é de 1,66, conforme é demonstrado a seguir pelo autor (2010).
GAT = 33,1% ÷ 20,0% = 1,66
180
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Se houver uma redução nas vendas da ordem de 20%, o lucro líquido
também cairá em 33,1%, mantendo o mesmo GAT.
Acadêmico/a, confira os cálculos como forma de exercitar, se julgar
necessário.
O GAT também pode ser obtido pela divisão da margem de contribuição
(MC) pelo lucro antes dos impostos (LAIR), ou seja (SILVA, 2010):
GAT = MC ÷ LAIR
Calculando-se teremos:
GAT = R$ 120.000,00 ÷ R$ 72.500,00 = 1,66
Nota: o efeito de alavancagem é obtido em decorrência das características
dos custos fixos que se mantêm constantes frente a certos níveis de variação na
produção e vendas da empresa. Desse modo, um crescimento de 1% nas vendas
da empresa provocará um crescimento de 1,66% no lucro líquido.
Acadêmico/a, como deveremos compor o grau de alavancagem total (GAT)?
Para melhor compreensão, apresentaremos a seguir a equação, segundo
Silva (2010):
GAT = GAO X GAF
O grau de alavancagem total é igual ao produto do GAO vezes GAF (SILVA,
2010).
GAT = 1,42 x 1,17 = 1,66
Acadêmico/a, agora você terá a oportunidade de analisar os detalhes do
GAT, que o autor (2010) ilustra com a apresentação do quadro a seguir, no qual
demonstra o resultado a partir da estrutura de custos e despesas considerando seus
componentes variáveis e fixos. Esta forma de cálculo é bastante utilizada e divulgada.
TÓPICO 5 | ALAVANCAGEM FINANCEIRA E OPERACIONAL
181
Sua validade está focada sobre o lucro, porém esta não considera de forma direta a
estrutura de capitais da empresa. O montante de juros é função da dívida da empresa
que decorre da estrutura de capitais e de seus níveis de atividade.
QUADRO 49 – ÁREAS DE ALAVANCAGEM DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
Alavancagem
operacional
Receita de Vendas
Alavancagem total
(GAT ÷ GAO x GAF)
(-) Custos/despesas variáveis
Margem de contribuição
(-) Custos e despesas fixas
LAJIR
Alavancagem
financeira
(-) Juros ou despesas financeiras
LAIR
(IR)
Lucro Líquido
FONTE: Silva (2010, p. 507)
Falando em estrutura de capitais, o autor (2010) apresenta duas alternativas
hipotéticas de capitais: em uma delas existe dívida de R$ 100.000,00 e patrimônio
líquido também de R$ 100.000,00, totalizando R$ 200.000,00, resultando num
endividamento de 100%. A outra alternativa não apresenta dívida e parte do
princípio de que a empresa utilizaria somente recursos próprios. O quadro a seguir
ilustra a situação.
QUADRO 50 – ESTRUTURA DE CAPITAIS E RESULTADOS
1 Estrutura Com dívida Sem dívida
Patrimônio Líquido (PL) 100.000 200.000
Dívida (D) 100.000 0
ATIVO TOTAL (AT) 200.000 200.000
2 Resultado Com dívida Sem dívida
LAJIR (EBIT) 84.500 84.500
Juros (J) -12.000 0
LAIR (EBT) 72.500 84.500
Imposto sobre o lucro (34%) -24.650 - 28.730
LUCRO LÍQUIDO (LL) 47.850 55.770
FONTE: Silva (2010, p. 507)
Nota: a parte dois do quadro anterior apresenta os dados da demonstração
do resultado a partir do LAJIR, onde as duas alternativas apresentariam valores
iguais. Esses valores estão associados ao Quadro 47, que utilizou a alternativa
182
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
com dívida como ponto de partida para o desenvolvimento dos cálculos relativos
à alavancagem a partir da estrutura de gastos.
Na alternativa “com dívida”, a empresa apresenta despesas de juros no
valor de R$ 12.000,00, que corresponde a uma taxa de 12%. Os juros aparecem após
o LAJIR. A alternativa sem dívida apresenta um lucro líquido maior, no valor de
R$ 55.700,00, enquanto que na alternativa com dívida o lucro é menor, totalizando
R$ 47.850,00.
Nota: a alíquota de imposto sobre o lucro, para fins deste exercício, é de
34%.
Pelo exposto, pergunta-se:
• É conveniente a utilização de capitais de terceiros a um custo de 12%?
O pagamento dos juros reduz o lucro da empresa, conforme demonstra o
Quadro 50.
Logo: o valor absoluto do lucro não é suficiente para responder à questão.
Portanto, o autor (2010) explica que precisamos recorrer a alguns indicadores
financeiros para avaliar os resultados relativos às duas condições. O quadro a
seguir apresenta alguns indicadores.
QUADRO 51 – ALGUNS INDICADORES
Indicadores Com dívida Sem dívida
LAJIR sobre ativo total (LAJIR ÷ AT) 42,25% 42,25%
LAIR sobre ativo total (LAIR ÷ AT) 36,25% 42,25%
Retorno sobre ativos (ROA) 27,885% 27,885%
LL sobre PL (LL ÷ PL = ROE) 47,85% 27,885%
FONTE: Silva (2010, p. 508)
Nota: os indicadores constantes no quadro anterior foram extraídos do
Quadro 50, conforme demonstra o autor (2010), a seguir:
LAJIR ÷ AT= R$ 84.500,00 ÷ R$ 200.000,00 = 42,25%
O LAIR é um totalizador que vem após os juros e, portanto, reflete o custo
da dívida, mostrando um valor diferente, em que a alternativa “sem dívida” não
deve apresentar juros.
Desta forma teremos:
TÓPICO 5 | ALAVANCAGEM FINANCEIRA E OPERACIONAL
183
LAIR com dívida ÷ AT = R$ 72.500,00 ÷ R$ 200.000,00 = 36,25%
LAIR sem dívida ÷ AT = R$ 84.500,00 ÷ R$ 200.000,00 = 42,25%
O ROA que é decorrente da capacidade dos respectivos gerarem lucro,
independente da estrutura de capitais utilizada pela empresa, é igual para as duas
alternativas apresentadas (com dívida e sem dívida).
O ROA é um indicador que deve refletir a comparação entre o lucro após a
sua tributação e o total de ativos necessários para geração desse lucro.
Considerando que a alternativa “sem dívida” não apresenta gastos com
juros, o retorno sobreo patrimônio líquido (ROE) daquela alternativa é também o
retorno sobre ativos (ROA).
Partindo desta explicação temos:
ROA = R$ 55.770,00 ÷ R$ 200.000,00 = 27,885%
O ROA pode ser calculado também a partir da alternativa “com dívida”
através da seguinte equação, conforme Silva (2010):
ROA = [LL + J (1 – T)] ÷ AT
Partindo desta equação temos:
ROA = [47.850,00 + 12.000,00 (1 – 034)] ÷ 200.000,00 = 27,885%.
Nota: o ROE é maior na alternativa com dívida. Assim, se a empresa
não utilizar recursos de terceiros, terá um lucro líquido de R$ 55.700,00 que
corresponde a 27,885% do patrimônio líquido de R$ 200.000,00. Por outro lado,
se a empresa utilizar R$ 100.000,00 de capital de terceiros, obterá um lucro
líquido de R$ 47.850,00, que corresponde a 47,85% do patrimônio líquido de R$
100.000,00.
Acadêmico/a, para a sua melhor compreensão apresentamos a seguir o
quadro que demonstra o lucro obtido de R$ 47.850,00 na alternativa com dívida.
184
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
QUADRO 52 – COMPOSIÇÃO DO RETORNO SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Composição do Retorno sobre o Patrimônio Líquido
Retorno dos ativos (ROA) vezes o PL: 0,27885 x R$ 100.000,00 R$ 27.885,00
Ganho adicional provocado pela dívida, que é a diferença entre o retorno
dos ativos (ROA) e o custo da dívida após o efeito da tributação, vezes o
valor da dívida:
[0,27885 – 0,12 x (1-0,34)] x 100.000,00
R$ 19.965,00
Lucro Líquido (LL) R$ 47.850,00
Patrimônio Líquido (PL) R$ 100.000,00
Retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) = LL/PL 47,85%
FONTE: Silva (2010, p. 509)
Silva (2010) afirma que, se utilizarmos a alternativa “com dívida” e dividirmos
o seu retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) pelo retorno sobre o ativo (ROA),
obteremos o GAF:
GAF = ROE ÷ ROA
Logo:
GAF = 47,85% ÷ 27,885 = 1,72
Nota: o uso de capitais de terceiros propiciou um ROE 72% maior,
comparativamente à alternativa de uso exclusivo de recursos próprios. Isto
decorre do fato de o custo da dívida [12% x (1 – 0,66) = 7,92%] ser inferior ao
rendimento gerado pelo ativo (27,885%). Portanto, o uso da dívida elevou o
retorno para os acionistas ou quotistas em 72%.
A seguinte equação possibilita o cálculo do GAF:
LL
PL
GAF= LL + J(1 – T)
AT
Aplicaremos a equação acima, para conferir o cálculo do GAF:
TÓPICO 5 | ALAVANCAGEM FINANCEIRA E OPERACIONAL
185
GAF = (47.800,00 ÷ 100.000,00) ÷ {[(47.850,00 + 12.000,00 (1 – 0,34)] ÷ 200.000,00} =
1,72.
O numerador da equação corresponde ao ROE, que é de 47,85%, enquanto
o denominador expressa o ROA, que é de 27,885%. O “T” corresponde à alíquota
de tributação sobre o lucro.
Acadêmico/a, no Quadro 50, que trata da estrutura de capitais foi abordado
o imposto sobre o lucro e utilizada uma alíquota de 34% e o grau de alavancagem
financeira de 1,72. (SILVA, 2010).
A seguir analisaremos uma situação hipotética com alíquota de imposto
sobre os lucros (T) de 20% para avaliarmos o efeito da tributação sobre o lucro
no grau de alavancagem financeira, mantendo constantes as demais condições,
conforme pode ser observado no quadro a seguir, elaborado para este fim.
QUADRO 53 – ESTRUTURA DE CAPITAIS E RESULTADO COM IR DE 20%
Patrimônio Líquido (PL) R$ 100.000,00 R$ 200.000,00
Dívida (D) R$ 100.000,00 0
ATIVO TOTAL (AT) R$ 200.000,00 R$ 200.000,00
Resultado Com dívida Sem dívida
LAJIR (EBIT) R$ 84.500,00 R$ 84.500,00
Juros (J) - R$ 12.000,00 0
LAIR (EBT) R$ 72.500,00 R$ 84.500,00
Imposto sobre lucro (20%) - R$ 14.500,00 - R$ 16.900,00
LUCRO LÍQUIDO (LL) R$ 58.000,00 R$ 67.600,00
ROE (LL÷ PL) 58,0% 33,8%
FONTE: Silva (2010, p. 510)
Nota: reduzindo a alíquota de tributação sobre o lucro, de 34% (conforme
exemplificado no Quadro 50) para 20%, o ROE se eleva para 58% com a utilização
de dívida de R$ 100.000,00. Utilizando apenas capital próprio para financiar os
ativos, o ROE também subiu para 33,8%.
A seguir apresentamos o grau de alavancagem financeira com a nova
alíquota de IR.
GAF = (58.000,00 ÷ 100.000,00) ÷ {[(58.000,00 + 12.000 (1 – 0,2)] ÷ 200.000,00} = 1,72.
Nota: independente da alíquota de tributação sobre o lucro, o resultado do
GAF foi o mesmo, ou seja, de 1,72, nas duas condições tributárias, isto é, com tributação
de 34% ou de 20%.
186
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
Considerando que a mudança da alíquota de tributação sobre os lucros no
grau de alavancagem financeira (GAF) não interferiu no resultado, este pode ser
obtido a partir da seguinte equação, conforme Silva (2010):
LAJIR + (LAJIR – TJ) x D
GAF= AT ( AT ) PL
LAJIR
AT
Acadêmico/a, para que você tenha maior compreensão sobre este tema tão
relevante na sua formação profissional, aplicaremos os valores sobre a equação
anterior, extraídos do Quadro 50:
Calculando o LAJIR ÷ AT, temos = 84.500,00 ÷ 200.000,00 = 0,4225
GAF = {0,4225 + [(0,4225 - 0,12) x (100.000 ÷ 100.000)]} ÷ 0,4225 = 1,72
Sugerimos que você reveja os cálculos realizados para fixar melhor o
assunto, que não termina aqui. Complementamos o tema abordando cenários
econômicos, grau de alavancagem e risco, sobre o que o autor (2010) ressalta o
seguinte: o uso de capitais de terceiros pode levar a duas direções principais, ou
seja, elevar ou reduzir o ROE.
Entre os fatores determinantes de seu impacto, temos: I) a comparação
entre o ROA e o custo da dívida; II) o risco financeiro que o volume de dívida pode
representar; III) o nível de atividade econômica, isto é, as variações que possam
ocorrer nas vendas.
Apresenta-se a seguir um quadro que demonstra uma situação hipotética
em que o volume de capital de terceiros represente percentuais de: 0, 10, 30, 50, 70
e 90%.
TÓPICO 5 | ALAVANCAGEM FINANCEIRA E OPERACIONAL
187
QUADRO 54 – EVOLUÇÃO DO GAF PELO CRESCIMENTO DA DÍVIDA
% de dívida 0% 10% 30% 50% 70% 90%
Patrimônio Líquido 200.000 180.000 140.000 100.000 60.000 20.000
Dívida (capital de terceiros) 0 20.000 60.000 100.000 140.000 180.000
ATIVO TOTAL 200.000 200.000 200.000 200.000 200.000 200.000
LAJIR (EBIT) 84.500 84.500 84.500 84.500 84.500 84.500
JUROS 0 -2.400 -7.200 -12.000 -16.800 -21.600
LAIR (EBT) 84.500 82.100 77.300 72.500 67.700 62.900
Imposto sobre o lucro -28.730 -27.914 -26.282 -24.650 -23.018 -21.386
LUCRO LÍQUIDO 55.770 54.186 51.018 47.850 44.682 41.514
Indicadores
ROE 27,89% 30,10% 36,44% 47,85% 74,47% 207,57%
GAF 1,08 1,31 1,72 2,67 7,44
FONTE: Silva (2010, p. 512)
O autor (2010) afirma ainda que, com 10% do ativo financiado com capital de
terceiros, a empresa apresentaria um ROE de 30,10% e seu GAF seria da ordem de
1,08. Com 90% de capitais de terceiros, sendo do PL apenas R$ 20.000,00, a empresa
obteria um lucro de R$ 41.514,00 e alcançaria um ROE de 207,57%. Nesse nível de
endividamento, o GAF seria de 7,44.
Pelo exposto pergunta-se:
Deveria a empresa utilizar a maior participação possível de capitais de
terceiros?
Resposta: NÃO.
Não deveria porque à medida que o endividamento da empresa cresce seu
risco aumenta, seu rating de crédito piora, os credores cobrarão maiores taxas de
juros e exigirão garantias nas operações. Chegará a um limite de endividamento em
que os credores não estarão dispostos a fornecer empréstimos ou financiamentos
para a empresa, mesmo que as taxas de juros possam ser muito elevadas.
Até agora Silva (2010) se manteve otimista. E se o cenário fosse desfavorável
e houvesse uma queda significativa nas vendas, da ordem de 70%, e o LAJIR fosse
reduzido a R$ 500,00? Qual seria o efeito no GAF e também no risco da empresa?
Para que haja melhor compreensão, utilizamos o quadro a seguir que
demonstra uma situação desfavorável e destaca a evolução doGAF pelo
crescimento da dívida.
188
UNIDADE 3 | GESTÃO FINANCEIRA
QUADRO 55 – EVOLUÇÃO DO GAF E O CRESCIMENTO DA DÍVIDA
% DE DÍVIDA 0% 10% 30% 50% 70% 90%
Patrimônio Líquido 200.000 180.000 140.000 100.000 60.000 20.000
Dívida 0 20.000 60.000 100.000 140.000 180.000
ATIVO TOTAL 200.000 200.000 200.000 200.000 200.000 200.000
LAJIR (EBIT) 500 500 500 500 500 500
JUROS 0 -2.400 - 7.200 - 12.000 - 16.800 - 21.600
LAIR (EBT) 500 -1.900 - 6.700 - 11.500 - 16.300 - 21.100
Imposto s/ o lucro -170 646 2.278 3.910 5.542 7.174
LUCRO LÍQUIDO 330 -1.254 - 4.422 - 7.590 - 10.758 - 1.926
INDICADORES
ROE 0,165% - 0,697% - 3,159% - 7,590% - 17,930% - 69,630%
GAF - 4,22 - 19,14 - 46,00 -108,67 - 422,00
FONTE: Silva (2010, p. 514)
O quadro mostra de forma transparente que o resultado líquido da
empresa seria positivo se ela trabalhasse exclusivamente com o capital próprio,
que é a condição em que o retorno ROE seria de 0,165%, um nível de retorno não
compensador. À medida que o índice de dívida aumenta, seu prejuízo cresce e,
portanto, seu risco e seu rating também piorarão.
Como pode ser observado no quadro anterior, o GAF passa a impactar
negativamente, evoluindo de -4,22 para uso de 10% de dívida, e chegando a -422
quando a dívida atinge 90% do ativo total.
Cabe observar: este resultado ainda “está otimista”, pois está admitindo
a possibilidade de um crédito de imposto decorrente do prejuízo. Tudo decorreu
do fato de que houve uma queda no ROA decorrente da queda das vendas da
empresa, afetando o retorno, o risco e também o GAF.
Acadêmico/a, como não tivemos a intenção de esgotar o assunto, acreditamos
ter abordado o conteúdo relevante para aplicação prática no exercício profissional.
Entretanto recomendamos que você não deixe de ampliar seu conhecimento e
experiência teórica através da prática de leitura especializada no tema como um
todo, mas, sobretudo, em estrutura de capitais. A seguir apresentamos um resumo
sobre o Tópico 5 que permitirá uma análise rápida do conteúdo apresentado.
189
Este tópico contemplou um item relevante dentro do processo de análise de
balanços. Trata-se de um tema amplo e muito importante para o gestor, todavia não
temos a pretensão de esgotá-lo. O grau de alavancagem teve origem no princípio
da alavanca da Física. Para o estudo do grau de alavancagem, é necessário ter
conhecimento prévio da estrutura de custos, os pontos de fechamento e ruptura
do mesmo. O grau de alavancagem é também conhecido pela expressão inglesa
leverage. É um indicador utilizado pelas empresas para realizar o planejamento
de lucros. Existem três tipos assim denominados: 1) alavancagem operacional;
2) alavancagem financeira; 3) alavancagem total ou combinada. Neste estudo foi
abordada a alavancagem financeira e a operacional.
O grau de alavancagem operacional relaciona a possibilidade em se
incrementar o nível de atividade da empresa sem aumentar seu ativo imobilizado,
apresentando estabilidade de custos fixos, daí a necessidade de ter conhecimento
em custos. Alavancagem financeira é a possibilidade de os acionistas da empresa
obterem maiores lucros para suas ações, utilizando em volume maior o capital
de terceiros, assim entendidos os empréstimos etc. A alavancagem financeira está
fundamentada nos juros que são custos fixos e que permitem a alavancagem. A
alavancagem não tem apenas pontos positivos. Como ponto negativo existe o
risco financeiro. As alavancagens financeira e a operacional podem ser utilizadas
conjuntamente. Observou-se através deste estudo que, quando a alavancagem
ou o grau de alavancagem é maior do que 1, o endividamento tem um efeito
de alavanca sobre o lucro que é levado para o acionista, puxando para cima a
taxa de retorno dos acionistas. Por fim queremos ressaltar a alavancagem total
ou combinada que trabalha com três cenários: um considerado o mais provável
de realização, o outro considerado pessimista e, por fim, o cenário otimista. Toda
a parte teórica abordada está acompanhada de exercício prático para que você
tenha o melhor aproveitamento possível do assunto. Não deixe de aproveitar esta
riqueza que preparamos. Bom estudo!
RESUMO DO TÓPICO 5
190
AUTOATIVIDADE
1 Se o aumento no resultado for mais do que proporcional ao realizado no
nível de atividade, isso caracteriza:
a) ( ) Análise de técnica.
b) ( ) Alavancagem operacional.
c) ( ) Alavancagem financeira.
d) ( ) Margem de contribuição.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
FONTE: Zdanowicz (1998)
2 Qual é o grau de alavancagem operacional da empresa A, ao nível de 300 u.f./
ano?
a) ( ) 0,5
b) ( ) 1,2
c) ( ) 0,8
d) ( ) 1,0
e) ( ) 3,0
FONTE: Zdanowicz (1998)
3 A finalidade da alavancagem financeira é estudar se a utilização do capital
de terceiros, a uma determinada taxa média de encargos, contribui para o
aumento ou a redução da taxa de retorno do:
a) ( ) Custo.
b) ( ) Ponto de equilíbrio.
c) ( ) Investimento.
d) ( ) Capital de terceiros.
e) ( ) Capital próprio.
FONTE: Zdanowicz (1998)
4 Se o grau de alavancagem financeira for menor que a unidade, é possível
afirmar que a taxa:
a) ( ) De juros é maior que a taxa de retorno dos capitais totais.
b) ( ) De retorno dos capitais próprios é maior que a taxa de juros.
c) ( ) Média de encargos é igual à taxa de retorno dos capitais de terceiros.
d) ( ) De retorno dos capitais próprios é maior que a taxa de retorno dos
capitais de
terceiros.
e) ( ) De juros é maior que a taxa de retorno dos capitais próprios.
FONTE: Zdanowicz (1998)
191
5 Os recursos financeiros aplicados no ativo pela empresa B foram originados
por R$ 1.800,00 de capital próprio e R$ 1.200,00 de capital de terceiros.
Informações complementares:
- Vendas totais R$ 2.500,00
- Despesas financeiras R$ 500,00
- Custos operacionais R$ 1.000,00
- Despesas operacionais R$ 600,00
OBS.: utilizar a alíquota de 30% para o cálculo da PIR.
Calcule o grau de alavancagem financeira da empresa B.
a) ( ) 1,28
b) ( ) 0,50
c) ( ) 0,21
d) ( ) 0,76
e) ( ) 0,33
6 Utiliza-se esse instrumento de avaliação para medir a eficiência com que a
empresa emprega os recursos financeiros provenientes de terceiros e dos
acionistas. A assertiva refere-se ao (à):
a) ( ) Grau de alavancagem operacional.
b) ( ) Ponto de ruptura.
c) ( ) Grau de alavancagem combinada.
d) ( ) Grau de alavancagem financeira.
e) ( ) Nenhuma das respostas anteriores.
FONTE: Zdanowicz (1998)
7 É correto afirmar que:
I - Silva (2010) ressalta que, dividindo a variação do LAJIR pela variação das
vendas, obteremos o grau de alavancagem operacional.
II - O LAJIR corresponde à margem de contribuição total, menos os custos
fixos.
III - Partindo do nível de atividade do cenário mais provável, o GAO pode ser
obtido também pela divisão da margem de contribuição (MC) pelo lucro
líquido.
IV - O GAT é calculado pela divisão da variação do lucro líquido com a variação
das vendas.
Assinale a opção CORRETA:
a) ( ) Apenas as alternativas I, II e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas I, III e IV estão corretas.
c) ( ) Apenas as alternativas II, III e IV estão corretas.
d) ( ) Todas as alternativas estão corretas.
192
8 É correto afirmar que:
I - O efeito de alavancagem é obtido em decorrência das características dos
custos fixos que se mantêm constantes frente a certos níveis de variação na
produção e vendas da empresa.
II - O grau de alavancagem total é igual ao produto do GAO vezes GAT.
III - A margem de contribuição e os custos e despesas fixas são parte da
alavancagem operacional.IV - Os juros ou despesas financeiras e IRRF são parte da alavancagem financeira.
Assinale a opção CORRETA:
a) ( ) Apenas as alternativas I, II e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas III e IV estão corretas.
c) ( ) Apenas as alternativas II, III e IV estão corretas.
d) ( ) Apenas as alternativas I e III estão corretas.
9 É correto afirmar:
I - O LAIR é um totalizador que vem após os juros e, portanto, reflete o custo
da dívida, mostrando um valor diferente, em que a alternativa “sem dívida”
não deve apresentar juros.
II - O ROA é um indicador que deve refletir a comparação entre o lucro após a
sua tributação e o total de ativos necessários para geração desse lucro.
III - O ROA, que é decorrente da capacidade de os respectivos ativos gerarem
lucro, depende da estrutura de capitais utilizada pela empresa.
IV - Fatores determinantes do impacto da alavancagem: a comparação entre o
ROI e o custo da dívida e o risco financeiro que o volume de dívida pode
representar.
Assinale a opção CORRETA:
a) ( ) Apenas as alternativas I, II e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas III e IV estão corretas.
c) ( ) Apenas as alternativas I e II estão corretas.
d) ( ) Apenas as alternativas I, II e III estão corretas.
10 É correto afirmar:
I - O grau de alavancagem operacional foi definido como a variação monetária
nos lucros operacionais, relacionada com a variação monetária no volume
de vendas.
II - A alavancagem operacional não pode ser realizada pela presença de custos
e despesas fixos na estrutura de resultados de uma empresa.
III - O grau de alavancagem operacional (GAO) relaciona a possibilidade de
se incrementar o nível de atividade da empresa sem aumentar seu ativo
imobilizado, apresentando estabilidade de custos fixos.
IV - O administrador toma decisões de investimento analisando as expectativas
de risco e de retorno inerentes ao objeto de sua apreciação.
193
Assinale a opção CORRETA:
a) ( ) Apenas as alternativas I e II estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas III e IV estão corretas.
c) ( ) Apenas as alternativas I, III e IV estão corretas.
d) ( ) Apenas as alternativas I, II e III estão corretas.
11 É correto afirmar:
I - Com a aplicação da alavancagem operacional e financeira na avaliação de
uma empresa é possível conhecer a viabilidade econômica do negócio e
conhecer as causas que determinaram eventuais desvios nos resultados.
II - A alavancagem operacional corresponde à diferença monetária entre a
variação de lucro e a variação de volume.
III - A alavancagem operacional indica quantas vezes o lucro aumenta em
relação a cada variação de 1% nas vendas.
IV - A alavancagem financeira fundamenta-se nos juros que são custos fixos e
que permitem a alavancagem.
Assinale a opção CORRETA:
a) ( ) Apenas as alternativas I e II estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas II, III e IV estão corretas.
c) ( ) Apenas as alternativas I, III e IV estão corretas.
d) ( ) Apenas as alternativas I, II e III estão corretas.
12 É correto afirmar:
I - A alavancagem financeira decorrente do aumento do volume não é similar
à alavancagem operacional, porque não aceita a taxa de juros maior daquela
admissível, desde que os volumes esperados sejam maiores.
II - A alavancagem operacional é a estratégia utilizada para o aumento do lucro
operacional, antes das despesas financeiras.
III - O grau de alavancagem (GA) é calculado, dividindo-se a taxa de retorno
dos investimentos com aquela que teria sido obtida através do ROA.
IV - Quando a alavancagem ou o grau de alavancagem é maior do que 1, o
endividamento tem um efeito de alavanca sobre o lucro que é levado para
o acionista.
Assinale a opção CORRETA:
a) ( ) Apenas as alternativas II e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as alternativas II, III e IV estão corretas.
c) ( ) Apenas as alternativas I, III e IV estão corretas.
d) ( ) Apenas as alternativas I, II e III estão corretas.
194
195
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