Buscar

5ª peça civel seção 5

Prévia do material em texto

EXMº SENHOR JUIZ DE DIREITO DA (...) CÍVEL DA COMARCA DE BAURU/SP.
Processo nº (...)
VIAÇÃO METEORO LTDA, já qualificada nos autos da ação em epígrafe, proposta por CAIPIRA HORTALIÇAS LTDA-ME, vem respeitosamente por meio do seu procurador abaixo assinado, inconformada com a r. sentença de fls. (...), à presença de Vossa Excelência, por esta e melhor forma de direito, interpor, nos termos do Art. 1.009 do CPC.
RECURSO DE APELAÇÃO
Que o faz dentro do prazo legal, requerendo que Vossa Excelência se digne de receber o presente recurso, nos seus efeitos suspensivos, devolutivos, e, consequentemente remetido para o Tribunal de Justiça de São Paulo, para que dele conheça, dando-lhe provimento.
Junta para tanto comprovante de recolhimento de custas de preparo e as RAZÕES DE APELAÇÃO.
Nestes Termos,
Pede deferimento
Bauru, (...) de novembro de 2018.
OAB/SP Nº (...)
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COLENDA CÂMARA CÍVEL
EMÉRITOS JULGADORES
RAZÕES DA APELAÇÃO
APELANTE: VIAÇÃO METEORO LTDA
APELADO: CAIPIRA HORTALIÇAS LTDA-ME
PROCESSO Nº (...)
I-DOS FATOS 
A Apelada ajuizou AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR PERDAS E DANOS MATERIAIS, PROCEDIMENTO COMUM, em face do Apelante tendo em vista a colisão entre os veículos Ford Ranger, placa GGG 1123, de propriedade da Apelada e um ônibus, placa GPW 1336, de propriedade da Apelante, acarretando aos envolvidos grandes prejuízos.
Citada, a Apelante ofereceu Contestação com Reconvenção conforme Art.343 do CPC e Denunciou Lide a Seguradora Trafegar S.A, tendo o requerimento de denuncia deferido por meio de Agravo de Instrumento. 
Alegou ausência total de prova nos autos por parte da Apelada, fundamentado nos termos do Art.373, incisos II e II do CC.
 Suscitou que o laudo pericial fls.(...) realizado pelos peritos da polícia rodoviária federal foi inconclusivo em relação ao causador do acidente, o que é suficiente para afastar eventual responsabilidade da Apelante, tendo em vista a impossibilidade de atribuir a culpa. 
Ainda, o relatório da Seguradora Trafegar S.A indicava que como a perícia policial foi inconclusiva, não havia como afirmar o relatado na inicial do processo, indicou ainda outra versão para o acidente baseado na posição dos veículos e nos relatos dos passageiros, bem como culpa exclusiva da Apelada.
Foi realizada a audiência e produzidas pela Apelante as provas testemunhais e demais provas.
O M.M. juiz “a quo”, ao proferir a sentença, atribuiu culpa concorrente ás partes, atribuindo 60% de culpa à Apelada e 40% de culpa à Apelante. Ao distribuir a culpa concorrente, a fundamentação da decisão estava em contradição com a conclusão do julgado, 60% da culpa do acidente ocorreu por culpa da Apelada e 40% por culpa da Apelante, tal percentual deveria refletir também na parte dispositiva da sentença.
Contudo, não foi o que ocorreu, a bem de verdade, ao atribuir o percentual de culpa de cada uma das partes inverteu os percentuais no momento da condenação, incidindo na reconvenção, custas processuais e honorários advocatícios, omitiu- se ainda quanto ao julgamento da Denunciação da Lide, não enfrentando os argumentos trazidos no processo tempestivamente.
Houve também divergência entre a fundamentação e a parte dispositiva da decisão onde o juiz valorou as provas e concluiu que o acidente foi causado pela invasão do veículo da Apelada à mão direcional da Apelante o que não se harmoniza com a culpa concorrente da Apelante ora sentenciada e sim harmoniza- se com a culpa exclusiva da apelada.
Em decorrência das contradições e a omissão constantes na sentença, a Apelante interpôs Embargos de Declaração.
Os Embargos foram parcialmente atendidos. Com relação á Denunciação da Lide, considerando o provimento do Agravo de Instrumento, fez- se acrescentar o deferimento na fundamentação:
“Condeno a Denunciada a arcar, solidariamente, com o pagamento da condenação, as custas processuais e honorários advocatícios na mesma proporção a que a Denunciante foi condenada.” (fls...)
Concernente à contradição em relação à culpa no acidente, este foi indeferido sob alegação de que os Embargos não seria a ferramenta cabível para a reforma do pedido.
Por derradeiro, quanto à distribuição da condenação, o M.M juiz entendeu que a ponderação da Apelante estava correta conforme mostra trecho das fls. (...):
“De fato, na fundamentação, após sopesar as circunstâncias, entendi que a culpa pelo evento danoso objeto da presente ação deve ser em 60% para a Autora e 40% para a Ré...”
Ocorre que mesmo após a reforma pelos Embargos de Declaração, o M.M manteve a inversão de 60% para a Ré e 40% para a Autora incidindo nos valores atribuídos aos honorários e as custas processuais. Deixou também de julgar todos os pedidos trazidos nos Embargos, ou seja a impugnação do valor da causa. Já referente aos juros moratórios de 1%, ao mês, o juiz sentenciou a contar da data da citação, o que contradiz a súmula 54 do STJ que diz a contar do fato danoso.
II- DAS PRELIMINARES DE APELAÇÃO
A-DO ERRO IN PROCEDENDO-AUSÊNCIA DE DECISÃO DA IMPUGNAÇÃO DO VALOR DA CAUSA
Houve sentença “citra petita” ao deixar o juiz “a quo” de julgar todos pedidos trazidos nos Embargos, conforme demonstrados nos fatos, vistas as fls. (...). Tal hipótese gera a nulidade da sentença devendo o juiz julgar nos limites do que foi pedido a fim de não violar o Princípio da Congruência, o que diversamente ocorreu no caso em tela.
Assim ocorrendo, a sentença proferida é “citra petita”, por ter deixado de analisar alguns pedidos trazidos para apreciação, conforme acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 267156/PA. Relator Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira) :
 “Segundo o sistema jurídico, nula é a sentença por julgamento ‘citra petita’ quando a questão debatida não é solucionada pelo juiz, que deixa de apreciar parte do pedido.”
Além da violação do Princípio da Congruência, está sendo violado o princípio da inafastabilidade da jurisdição contemplado no inciso XXXV do artigo 5º da Constituição brasileira, pois o Judiciário está deixando de apreciar matéria trazida para análise. A conseqüência desta violação de dispositivos legais está no fato de o juiz estar cometendo “error in procedendo” . Ocorre que o erro no procedimento gera a nulidade da decisão, ou seja, outra deverá ser praticada pelo julgador a fim de observar adequadamente a regra do processo, conforme regra preestabelecida no artigo 283, caput , do Código de Processo Civil.
Diante do exposto requer que seja alterado o valor da causa para R$ 75.000,00 (SETENTA E CINCO MIL REAIS) nos termos do Art. 1.013, § 3º, inciso III.
III-DAS RAZÕES
A r. sentença, prolatada pelo MM. Juiz Singular, não reflete a realidade dos fatos e por simples leitura, é possível concluir que não há que se dizer em culpa concorrente pelos motivos a seguir:
A-DA CULPA EXCLUSIVA DA APELADA
O M.M. juiz “a quo” sentenciou o fato como culpa concorrente nos termos do Art.945 do CC, decisão contraria as provas produzidas nos autos, tendo em vista o acidente só ter ocorrido devido o veículo da Apelada ter invadido a contramão.
Assim mostra o trecho da sentença fls. (...):
“No entanto, o depoimento da testemunha, bem como dos peritos que cobriram o evento, indicavam que o veículo da autora teria invadido a contramão direcional, vindo a colidir no veículo da ré”.
Quando um dano ocorre por culpa exclusiva da vítima, se torna causa de exclusão do próprio nexo causal, pois o agente causador do dano é um mero meio do acidente.
Portanto, quando ausente o nexo causal, não há que se falar em responsabilidade do agente consoante os ensinamentos de Cavalieri:
"Causas de exclusão do nexo causal são, pois, casos de impossibilidade superveniente do cumprimento da obrigação não imputáveis ao devedor ou agente" (CAVALIERI, Sérgio. Programa de responsabilidade civil, 2006, pág. 89).
Inversamente, a luz do Art 186 e 927 ambos do CC, quem na verdade cometeu ato ilícito e tem o dever de indenizar é a Apelada.
Continuando,o M.M juiz prolata nas fls. (...):
“Considerando essas circunstâncias, ambos os motoristas
infringiram o disposto nos artigos arts. 28, 29, inciso II e 34, do
Código Brasileiro de trânsito”.
Nobres julgadores, como pode a Apelante ter infringido os citados Artigos do CTB, se se foi a Apelada quem invadiu a contramão como mostra o trecho da sentença citado acima?
A própria inicial da Apelada relata as condições climáticas, o óleo na pista, a tentativa da mesma de conduzir o veículo até o acostamento, fatores esses que contribuíram para que a Apelada invadisse a mão contrária da pista e provocasse o acidente por não observar os Art. supracitados.
B-DA CONPENSAÇÃO DE HONORÁRIOS
Os honorários, na hipótese de sucumbência recíproca, não se compensam conforme sentenciado, por se tratar de direito autônomo do advogado nos termos do artigo 23 do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil.
E ainda a luz do § 14 do artigo 85 do Novo CPC que trouxe a seguinte inovação: 
“Os honorários constituem direito do advogado e têm natureza alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo vedada a compensação em caso de sucumbência parcial.”
IV-DOS PEDIDOS
Diante do exposto requer que :
Seja a Apelada intimada para apresentar contrarrazões nos termos do Art. 1.030 do CPC, sob pena de revelia.
Sejam acolhidas as preliminares julgando procedente o valor da causa no importe de R$ 75.000,00 (SETENTA E CINCO MIL REAIS) nos termos do Art. 1.013, § 3º, inciso III.
Sejam julgados improcedentes os pedidos iniciais.
Sejam julgados totalmente procedentes os pedidos da reconvenção. Caso não se entenda dessa forma, seja o recurso provido parcialmente, para alterar o percentual da responsabilidade pelo acidente, bem como alteração dos ônus sucumbências e despesas processuais, retirando-se a compensação de honorários.
PEDE DEFERIMENTO
BAURU, (...) DE NOVEMBRO DE 2018.
 _________________________________
OAB/SP (...)

Continue navegando