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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE FARMÁCIA
DEPARTAMENTO DO MEDICAMENTO
CARLA JESUS MARTINS
UMA ABORDAGEM TEÓRICA SOBRE A ATUAÇÃO DO FARMACÊUTICO DA FARMÁCIA HOSPITALAR NO ÂMBITO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA
 
 Salvador 2018
CARLA JESUS MARTINS
A ATUAÇÃO DO FARMACÊUTICO DA FARMÁCIA HOSPITALAR NO ÂMBITO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA
Paper a ser apresentado à Universidade Federal da Bahia como critério de avaliação para disciplina Metodologia do trabalho Científico do curso de Farmácia, sob orientação do professor MSc. Edimar Caetité Jr. 
Salvador, 2018
INTRODUÇÃO
A área de atuação do profissional farmacêutico é bastante ampla, possibilitando ao mesmo exercer suas atividades de maneira diversificada. No entanto, este trabalho, trata-se de uma abordagem teórica acerca do papel desempenhado pelo farmacêutico dentro da Farmácia de uma unidade Hospitalar e suas principais atividades. Através da revisão de literatura, tem por objetivo descrever a atuação do farmacêutico na farmácia hospitalar e sua importância. 
Tal pesquisa bibliográfica realizou-se a partir de bases de dados como: Bireme, Google Acadêmico, Scielo, Pubmed e Lilacs, no período correspondente aos meses de Abril e Maio. Resumidamente: 
A metodologia aplicada para realização deste trabalho foi feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos e páginas de websites. (FONSECA, 2002 apud GERHARDT, TOLFO, 2009, p. 37) 
No âmbito da Farmácia Hospitalar, dentre as diversas competências atribuídas ao farmacêutico, destaca-se a atividade exclusiva tendo em vista as disposições legais e a legitimidade da sua formação acadêmica. De acordo com a Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, “o processo de dispensação de medicamentos na farmácia está sob a responsabilidade do profissional farmacêutico.” (Brasil, 1973).
Embora as atividades profissionais do farmacêutico estejam bem definidas legalmente, devido à má gestão hospitalar, outros profissionais podem, em determinado momento, se submeter à situações que os expõem ao risco de penalização por parte dos seus respectivos Conselhos. Prática comum, sob a imposição dos gestores, é o desempenho de tarefas as quais não são de sua competência legal, mas sim, exclusivas do farmacêutico, a exemplo da dispensação.
Importante ressaltar que, BRASIL (2001, p. 34) define: 
Dispensação é o ato profissional farmacêutico de proporcionar um ou mais medicamentos a um paciente, geralmente como resposta a apresentação de uma receita elaborada por um profissional autorizado. Neste ato, o farmacêutico informa e orienta o paciente sobre o uso adequado do medicamento. São elementos importantes da orientação, entre outros, a ênfase no cumprimento da dosagem, a influência dos alimentos, a interação com outros medicamentos, o reconhecimento de reações adversas potenciais e as condições de conservação dos produtos. 
Percebe-se que a dispensação deve ser entendida como integrante do processo de atenção ao paciente, ou seja, como uma atividade realizada por um profissional da saúde com foco na prevenção e promoção da saúde, tendo o medicamento como instrumento de ação. 
Dessa maneira, tais ações por parte de outros profissionais geram uma série de conflitos que podem resultar em sansões tanto disciplinares como éticas e gerar a insatisfação do farmacêutico diante do fato de outro profissional se submeter a tarefas que não são de sua competência legal.
Deste modo se faz imprescindível que todas as atividades e responsabilidades no âmbito hospitalar estejam bem definidas e de acordo com o que a Legislação estabelece para cada classe profissional.
Importante ressaltar que a Lei nº 5.991/73 dá a seguinte definição para Farmácia:
estabelecimento de manipulação de fórmulas magistrais e oficinais, de comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, compreendendo o de dispensação e o de atendimento privativo de unidade hospitalar ou de qualquer outra equivalente de assistência médica (BRASIL, 1973, não paginado).
Adicionalmente, o Conselho Federal de Farmácia, através da Resolução nº 300 (1997), define que “a farmácia é uma unidade clínica de assistência técnicoadministrativa, dirigida por profissional farmacêutico, integrada funcional mente e hierarquicamente às atividades hospitalares”.
Desse modo, justifica-se a pesquisa abordando o direito e a responsabilidade do farmacêutico em assumir o controle sobre todos os aspectos relacionados ao uso medicamento. Cabe ao mesmo a responsabilidade por todo o ciclo da assistência farmacêutica desde o momento da sua aquisição, durante as etapas de planejamento, seleção, armazenamento, manipulação, bem como sua distribuição e dispensação 
O trabalho deste profissional visa garantir o uso seguro e racional dos medicamentos prescritos para o paciente, o principal objeto da atenção e das ações do farmacêutico. Tal prática fundamenta-se na relação entre profissional e paciente e visa uma provisão responsável da farmacoterapia, e obtenção dos melhores resultados para proporcionar a melhoria da qualidade de vida do paciente, levando-se em conta, a sua individualidade (Opas, 2002). 
A Farmácia Hospitalar é uma unidade clínica, administrativa e econômica, dirigida pelo farmacêutico, ligada hierarquicamente à direção do Hospital e integrada funcionalmente às demais unidades administrativas e de assistência ao paciente. Deve estar estrategicamente localizada dentro do hospital, para facilitar o recebimento de mercadorias e tornar ágil a sua distribuição. 
Basicamente, é o local onde se processam as atividades relacionadas à Assistência Farmacêutica, à produção, ao armazenamento, ao controle, à dispensação, à distribuição de medicamentos e correlatos às unidades hospitalares; bem como à orientação de pacientes internos e ambulatoriais visando sempre a eficácia da terapêutica, além da redução dos custos.
Estes serviços de controle e distribuição serão de inteira responsabilidade da Farmácia. Quanto maior a organização da Farmácia Hospitalar em administração de medicamentos haverá, proporcionalmente, uma melhor qualidade no atendimento bem como na obtenção de baixo custo para os serviços prestados aos seus clientes.
A prática farmacêutica, desenvolvida no contexto da assistência farmacêutica, engloba uma série de ações, responsabilidades, funções, habilidades e valores éticos que norteiam as ações do farmacêutico. 
A Administração é definida como o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar objetivos organizacionais. (FAYOL, 1916 apud CHIAVENATO, 2003, p.81). Estes elementos compõem o processo administrativo e independem de nível hierárquico, visto que constituem atividades administrativas essenciais.
Daí, planejar e controlar a distribuição de medicamentos dentro de um Hospital é, portanto, uma das formas de garantir o equilíbrio financeiro da Instituição Hospitalar e a atuação do farmacêutico no apropriado gerenciamento dos insumos farmacêuticos implicará em lucros para o Hospital, visto que a boa gestão minimiza perdas e desperdícios de medicamentos.
A administração das organizações a fim de alcançar eficiência e eficácia, torna-se uma das tarefas mais difíceis e complexas. Dessa maneira, faz-se necessário o bom planejamento na aquisição dos medicamentos e mateiras hospitalares, com o objetivo de manter a regularidade e funcionamento do estabelecimento, suprindo a demanda dos pacientes hospitalizados, na mesma proporção da sua utilização.
A questão referente ao gerenciamento dos medicamentos e a distribuição entre seus setores, como farmácia central, farmácia satélites, centro de tratamento intensivo e centro cirúrgico, diz muito em relação à qualidade da prestação deste serviço pela Farmácia Hospitalar.
Há, portanto,a necessidade de conhecimento técnico do que se faz para que se idealize cada tarefa a ser desenvolvida de maneira estratégica, tática e operacional e se alcance os resultados esperados. 
De acordo com Wilken et al. (1999) o sistema de distribuição de medicamentos pela farmácia, é um dos pontos mais importantes para garantir uma boa qualidade do serviço prestado pela mesma. Dependendo do método de distribuição utilizado, pode-se garantir que o paciente receba seus medicamentos dentro de critérios que possam assegurar sua eficácia, segurança e qualidade, em suma, promove-se o uso racional de medicamentos.
A promoção do uso racional de medicamentos no ambiente hospitalar proporciona diversos benefícios, como a redução de tempo de hospitalização e dos custos, de modo que ao farmacêutico compete implementar um sistema racional de distribuição a fim de se veicular processos que promovam maior segurança ao paciente, além de otimizar a terapia medicamentosa. 
A relação dos medicamentos selecionados, componente básico da Assistência Farmacêutica é considerado um processo dinâmico e contínuo, multidisciplinar e participativo e constitui ponto de partida do ciclo da assistência farmacêutica. É um processo de escolha que visa elaborar uma relação de medicamentos essenciais, considerando-se a necessidade, a eficácia, o custo-benefício e a relação risco-benefício. (MARQUES, 2012 apud ANDRADE, 2015, p.13).
A seleção varia de acordo com os aspectos relacionados à prática farmacêutica do hospital. Tal prática segue algumas etapas e critérios visando o resultado mais vantajoso para a Instituição e, principalmente, para o paciente. 
Dentre as etapas para a seleção destaca-se a escolha da Comissão de Farmácia e Terapêutica, responsável por implantar a política do uso racional de medicamentos; o levantamento do perfil farmacológico do hospital, ou seja, quais os medicamentos mais dispensados; além da analise do nível assistencial e da infraestrutura do hospital, isto é, quais são as especialidades médicas ofertadas pelo hospital. A partir desses parâmetros, são estabelecidos os critérios para a seleção.
Dentre estes, destaca-se a padronização das formas farmacêuticas levando-se em conta as vias de administração, a faixa etária, o perfil farmacocinético do medicamento, facilidade de fracionamento ou multiplicação de doses e, em especial, padronizar medicamentos de menor custo de aquisição. 
Considerando a variedade de apresentações de produtos farmacêuticos lançados constantemente no mercado e a escassez de recursos financeiros, torna-se imperativo estabelecer prioridades, selecionando-se medicamentos seguros, eficazes e que atendam as reais necessidades da população, o que resultara em benefícios terapêuticos e econômicos (BRASIL, 2002).
A Assistência Farmacêutica, atualmente, passa por um momento de evolução e vem exercendo um importante papel na reestruturação da profissão farmacêutica. O Farmacêutico clínico é um profissional versátil. Sua atuação no âmbito hospitalar é muito abrangente podendo o profissional atuar em diversas áreas como na regulamentação e no controle dos medicamentos; na formulação e no controle de qualidade dos produtos farmacêuticos; na inspeção e avaliação das instalações para fabricação de medicamentos; na garantia da qualidade dos produtos ao longo da cadeia de distribuição; nas agências de aquisição de medicamentos; e nos comitês de seleção de medicamentos. 
Vale ressaltar que as atribuições clínicas do farmacêutico visam à promoção, proteção e recuperação da saúde, além da prevenção de doenças e de outros problemas de saúde. Como gestor da Farmácia Hospitalar deve cumprir e fazer cumprir todas as regras profissionais e sanitárias em relação às atividades hospitalares: organizar, supervisionar, acompanhar e orientar todos os setores que compõem os serviços da farmácia hospitalar fazendo com que o produto ou serviço oriundo da farmácia tenha qualidade assegurada para o cuidado do paciente. 
Cabe, ao mesmo, portanto, promover uma reorganização das atividades, delegando funções e supervisionando-as. O farmacêutico precisa desenvolver suas habilidades de comunicação, favorecer uma relação de empatia e tornar todo o processo de dispensação um procedimento padrão que garanta a qualidade no atendimento ao paciente.
Da mesma maneira, o farmacêutico precisa reconhecer que é parte fundamental da estruturação da Farmácia Hospitalar. Entretanto, não deve esquecer-se que é parte integrante de uma equipe multidisciplinar e que suas competências e atribuições também têm suas limitações. 
REFERENCIAS
BEZERRA, L.B. O papel do farmacêutico no âmbito hospitalar. Recife, 2015. Disponível em: <http://ccecursos.com.br/img/resumos/o-papel-do-farmac-utico-no--mbito-hospitalar.pdf Acesso em: 09 Mai. 2018
BRASIL. Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 19 de dezembro de 1973. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5991.htm >. Acesso em: 09 mai. 2018.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Gerência Técnica de Assistência Farmacêutica. Assistência Farmacêutica: instruções técnicas para a sua organização / Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Gerência Técnica de Assistência Farmacêutica - Brasília: Ministério da Saúde, 2002.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Formulação de Políticas de Saúde. Política nacional de medicamentos2001/Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2001. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/%20publicacoes/politica_medicamentos.pdf > Acesso em: 09 Mai. 2018.
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7.ed. São Paulo: Editora Campus, 2003. 650p.
CONSELHO FEDERAL DE FARMACIA (CFF). Resolução nº 300 de 30 de janeiro de 1997. Regula menta o exercício profissional em Farmácia e unidade hospitalar, clínicas e casas de saúde de natureza pública e privada. Disponível em: < http://www.farmaceuticovirtual.com.br/html/resol300.htm.> Acesso em 08 Mai. 2018.
GERHARDTH, T. E.; SILVEIRA, D. T. (Coord). Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural da SEAD/UFRGS. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009. 120 p. Disponível em: < http://www.ufrgs.br/cursopgdr/downloadsSerie/derad005.pdf > Acesso em 30 Abri. 2018.
IVAMA, A. D. [et al.] Proposta: Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2002. pp. 16-17. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/PropostaConsensoAtenfar.pdf.> Acesso em Maio 2018.
Manual brasileiro de acreditação hospitalar. Brasília: Departamento de Avaliação de Políticas de Saúde, 1999. Disponível em: < http://www.saude.pa.gov.br/wp-ontent/ uploads/2017/08/As-Redes-de-Aten%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-Sa%C3%BAde-Eug%C3%AAnio-Vila%C3%A7a-Mendes.pdf.> Acessado em: Maio de 2018.
MENDES, E. V. As redes de atenção à saúde. / Eugênio Vilaça Mendes. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011. 549 p.: il.
WILKEN, P.R.C. et al. A farmácia no hospital: como avaliar? Brasília: Ágora da Ilha, 1999.

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