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1 
 
Universidade de Lisboa 
Faculdade de Medicina Veterinária 
1º semestre – Ano lectivo 2013/2014 
 
 
 
MICROBIOLOGIA I 
(Componente Teórica) 
 
 
 
 
Apontamentos das aulas teóricas – Patrícia Lopes (capítulos sobre 
generalidades e micologia actualizados por Ana Cristina Miranda). 
 
Outras fontes utilizadas: bibliografia recomendada e sebenta “Original por 
Reisinho” (capítulos sobre a História da Microbiologia, Nutrição Microbiana e 
Micologia).
 
2 
 
Apontamentos de Microbiologia I – Componente Teórica 
A. Taxonomia dos Microorganismos (Capítulo 19 do Prescott) 
 
Os microorganismos são seres ubiquitários, porque são encontrados em todo o lado. São essenciais à 
vida, úteis e prejudiciais. 
 
Como há uma grande diversidade temos que os agrupar e para isso é que existe a Taxonomia. 
 
Taxonomia – É a ciência que distribui os organismos por categorias taxonómicas ou taxa que 
traduzem o seu grau de semelhança. É uma ciência que compreende vários componentes: 
1. Classificação – define a forma de distribuição dos organismos em grupos taxonómicos (taxa; 
singular taxon), com base em semelhança mútua ou relação evolutiva. 
2. Nomenclatura – atribuição de nomes a grupos taxonómicos de acordo com regras 
estabelecidas. 
3. Identificação – determinação do grupo a que pertence um determinado organismo isolado. 
 
Sistemas de classificação: 
 
1. Classificação Natural – baseava-se apenas nas características anatómicas dos organismos e 
dividiu os organismos apenas em 2 reinos. Como as bactérias foram agrupadas nas plantas, 
foram designadas por microflora, mas este termo está errado! O termo correcto é 
microbiota! O termo microbiota normalmente designa organismos comensais. 
2. Classificação Fenética – Agrupa os organismos com base em semelhanças fenotípicas 
mútuas. As características fenotípicas testadas têm todas o mesmo peso. É necessário 
comparar um grande número de propriedades (morfológicas, bioquímicas, fisiológicas…) de 
diferentes microrganismos. 
É muito mais necessário analisar para além das características morfológicas, por exemplo 
características fisiológicas e metabólicas. A partir destas características constroem-se tabelas 
e todas as tabelas são utilizadas por uma técnica que se chama Taxonomia Numérica, em 
que existem programas de computador especializados. O programa informático vai 
estabelecer um coeficiente de semelhança, depois o computador faz uma matriz de 
semelhança e por fim faz um Dendograma (um grupo de microrganismos com um grau de 
semelhança superior a 80% pertencem à mesma espécie bacteriana). 
 
3 
 
 
(a) Matriz de similaridade (b) Clustering (c) Dendograma 
 
3. Classificação Filogenética – os biólogos começaram a agrupar os organismos com base na 
história evolutiva. A hierarquia taxonómica revela relações evolutivas ou filogenéticas. Com 
base nas relações filogenéticas, por exemplo, vemos que o Micoplasma (sem parede celular) 
está mais próximo das Gram-positivas, ao contrário do que se devia esperar. Neste tipo de 
classificação, deixamos de ter Dendogramas e passamos a ter Árvores Filogenéticas. Nas 
Árvores filogenéticas, o comprimento dos ramos traduz a distância evolutiva de dois 
organismos. As letras representam os organismos que existem actualmente. 
Tendo em conta a evolução, Haeckel, criou mais um reino e passámos a ter 3 reinos. Depois 
Whittaker dividiu os organismos em 5 reinos e estabeleceu a árvore da vida. 
 
 Classificação em 5 reinos de Whittaker: 
 
No entanto, esta classificação não é eficaz para seres microscópicos, por isso recorreu-se à 
microbiologia molecular, surgindo então a classificação genotípica, que é a actual. 
 
 
 
4 
 
4. Classificação Genotípica – a classificação genotípica procura comparar a similaridade 
genética entre organismos através de várias técnicas. As moléculas mais utilizadas são as 
moléculas de RNA ribossomal, que são designadas por cronómetros evolutivos. 
RNA ribossomal, porque: 
 São universais (estão presentes em todos os organismos vivos e com a mesma 
função); 
 Mantiveram a sua função ao longo da evolução; 
 Sequência nucleotídica contém regiões altamente conservadas em todos os tipos de 
células, mas cada um dos grupos taxonómicos tem sequências-assinatura específicas. 
 
O sistema de 5 reinos de Whittaker não é actualmente aceite pela maioria dos biólogos. As críticas 
mais apontadas são a falta de distinção entre Archaea e Bacteria, bem como o facto do reino Protista 
ter muita diversidade, de tal modo que não é útil para a Taxonomia. Finalmente, é criticado o facto 
de as fronteiras entre os reinos Protista, Plantae e Fungi estarem mal definidas. 
Carl Woese, foi o pioneiro na utilização de RNA ribossómico em estudos filogenéticos. Estabeleceu 
três domínios da vida: Bacteria, Archaea e Eukarya. 
Mais tarde, Cavalier Smith, considera a existência de 2 impérios e 8 reinos. O império Bacteria 
contém dois reinos, o reino Eubacteria e o reino Archaeobacteria. O império Eucaryota contém seis 
reinos compostos por organismos eucariotas. 
 
Porque interessa a Taxonomia? Que diversidade existe? 
Em 1987 estavam inscritas 12 espécies, enquanto em 2003 já tínhamos cerca de 40 grupos de 
espécies bacterianas. Em 2004 surgiram 204 espécies novas. 
A Taxonomia agrupa em grupos táxonómicos. Temos que saber os grupos taxonómicos das bactérias 
que estudamos! Cada nível partilha um conjunto de características. 
 
Em Taxonomia microbiana o grupo taxonómico base é a espécie. 
 
Espécie: 
 conjunto de estirpes que partilham muitas características estáveis e diferem 
significativamente de outros grupos de estirpes (é subjectivo); 
 conjunto de células bacterianas com composição G+C (genoma) idêntica, e em que a 
sequência de nucleotídos do DNA apresenta ≥ 70% de semelhança (é a definição mais 
utilizada por ser menos subjectiva). 
 
Para a designação da espécie, utiliza-se o sistema binomial de Lineu. 
 
Dentro da mesma espécie temos variedades diferentes.  Estirpes ou Variedades 
Estirpes: 
 população de organismos que se distingue de outras dentro de uma espécie; 
 descende de um único organismo ou cultura pura (isolado); 
 estirpes de uma espécie podem variar ligeiramente de várias formas: 
 Biovar – apresentam diferenças bioquímicas e fisiológicas 
 Morfovar – diferem morfologicamente 
 Serovar – diferem nas propriedades antigénicas 
5 
 
Estirpe-tipo: 
 É a primeira estirpe a ser estudada de uma espécie; 
 É geralmente a mais bem caracterizada; 
 Não é necessariamente o membro mais representativo da espécie. 
 
Classificação de Procariotas Bergey’s Manual of Systematic Bacteriology – livro que contém 
descrições de todas as espécies bacterianas identificadas (actualmente tem 5 volumes). 
 
Saber a tabela seguinte: 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
As bactérias são um conjunto extremamente diversificado procariotas que se divide em 23 filos: 
 
 
 
B. Controlo de Microrganismos através de agentes químicos e físicos 
(Capítulo 7 do Prescott) 
 
Ver este capítulo na componente prática de Microbiologia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
C. Dados Históricos da Microbiologia (Capítulo 1 do Prescott) 
DADOS HISTÓRICOS 
1.1. Impacto das grandes epidemias na história da Humanidade 
A microbiologia tem uma grande importância histórica, dado o grande impacto de surtos desta 
natureza, na história da Humanidade. 
 Queda do Império Romano 
 Período medieval  Renascença – peste dizimou 1/3 da população Europeia(25 milhões) em 
4 anos (1351). Nos 80 anos seguintes dizimou 2/3. Levando assim a uma renovação da 
população. 
 Conquista da América (Cortez,1520) – introdução involuntária de viroses (varíola, sarampo), 
às quais o hospedeiro Europeu estava habituado, mas o índio não, o que levou à morte de 
90% da população de índios em apenas 100 anos. Influenciou a conquista. 
 
1.2. Conhecimento da Origem Microbiana das Doenças 
 Lucretius (Filósofo romano, 98 a 55 a.C.) – foi o primeiro a introduzir a noção de que as 
doenças eram provocadas por “seres invisíveis”. Esta ideia não foi , porém, aceite e apenas 
vários séculos mais tarde foi recuperada. 
 Girolamo Fracastoro (Médico, 1478-1553) – sugeriu também que as doenças eram causadas 
por “seres invisíveis”. 
 
1.2.1. Observação Microscópica 
 Francesco Steluti (1625-30) utilizou um microscópio feito por Galileu. 
 Anthony Van Leeuwenhoek (1673) (costureiro Holandês) – observa microscopicamente, pela 
primeira vez, microrganismos de águas estagnadas (Protozoários e Bactérias – “animalculos”) 
utilizando microscópios rudimentares por ele construídos (50 a 300x), e que descreve 
pormenorizadamente em cartas que então apresentou à Real Sociedade Britânica. Ele 
confirma e desenvolve as descobertas de Marcello Malpighi sobre os corpúsculos de 
malpighi (1668), realiza a primeira descrição das hemácias em vários fluídos (1674), observa 
animáculos – protozoários e bactérias(1677), observa espermatozóides de várias espécies 
(1678) e apresenta evidências contra geração espontânea (1680). 
 
1.3. Teoria da Geração Espontânea 
Teoria segundo a qual os seres vivos surgem espontaneamente, a partir de matéria inerte, quando se 
reunem as condições de vida. Introduzida por Aristóteles (384-322 a.C.) e apesar de controversa só 
foi banida com o contributo de Louis Pasteur no séc.XIX. 
Vários autores apresentaram argumentos contra a geração espontânea: 
 Fransisco Redi (médico italiano,1626-97) – faz experiências em que relaciona o aparecimento 
de larvas de carne e a possibilidade das moscas aí depositarem ovos. Utiliza 
experimentalmente três frascos com carne, sendo um tapado com papel, outro com gaze e 
um terceiro destapado. 
 Lazaro Spalarzari (advogado e físico, 1729-99) – experiência dos contentores selados com 
água e sementes; estudou a influência da fervura da água no aparecimento de 
microorganismos. 
8 
 
 Louis Pasteur (1822-95) – resolve totalmente a controvérsia em 1861 com a experiência dos 
frascos em pescoço de cisne (estes frascos, dado o seu desenho especial, impedem a entrada 
de bactérias e desde que a água esteja fervida, não há crescimento bacteriano). 
 
1.2 Relação micróbio/doença 
 Galeno (médico grego, 129-199 d.C.) – um dos fundadores da medicina, importantes 
contribuições na Anatomia e Fisiologia. Defende que a “doença resulta de um desequilíbrio 
entre os quatro humores: sangue, linfa (fleuma), bílis e bílis negra (melancolia)”. Esta ideia é 
mantida até ao séc.XVIII. 
 Afostino Rossi (1773-1856) – descobre um fungo que provoca uma doença nos bichos da 
seda (1835). 
 Berkeley (1845) – determina que um fungo provoca a doença das batatas da Irlanda. 
 Pasteur – estudos de fermentação do vinho por leveduras e sua alteração por bactérias 
(1854). Determina que a pebrina (uma doença do bicho da seda) é provocada por um 
protozoário (1865). 
 Joseph Lister (cirurgião inglês, 1827-1912) – institui a desinfecção de feridas, também 
determina que se a cirurgia fosse antecedida por uma pulverização com fenol (anti-séptico 
padrão), não se formava uma cicatriz infectada (1867). 
 Robert Koch (alemão, 1843-1910) - cultivo e isolamento de microorganismos (Vibrio cholerae 
(1883), agente da cólera; Bacilus kock (1882), causador da tuberculose; Bacilus anthracis, que 
provoca o carbúnculo). É o primeiro a demonstrar, inegavelmente, a relação 
microorganismo/doença – inocula um animal são com o microorganismo isolado e provocava 
a doença. Também desenvolveu meios de cultura a partir de estratos de carne (como hoje 
em dia). Cultivo de bactérias em meio sólido, para isolá-lo e poder formar colónias. 
Os meios de cultura usados por Koch foram: 
1º - batata 
2º - extrato de carne com gelatina (mas alguns microorganismos produziam gelatinase, 
liquefazendo a gelatina) 
Assistentes: Fannie Hesse introduz o agar (alga de onde se extrai açucar que polimeriza) 
Richard Petri introduziu a placa de Petri. 
 
Koch recebeu o Prémio Nobel em 1905. 
 
Postulados de Koch (ainda são válidos para comprovar que um microorganismo causa determinada 
doença). 
1 – O microorganismo tem de estar presente em todos os casos de doença e ausente em todos os 
animais saudáveis (hoje sabe-se que um microorganismo pode ser inofensivo para um animal e 
patogénico para outro da mesma espécie). 
2 – O microorganismo suspeito tem de ser isolado e cultivado em cultura pura. 
3 – A mesma doença deve poder surgir quando um animal são é inoculado com o microorganismo 
isolado. 
4 – O mesmo microorganismo deve ser isolado de novo a partir do hospedeiro experimental. 
 
 
9 
 
 Louis Pasteur – nasceu em 1822, em Dôle (França), filho de um curtidor de peles. Cresce em 
Arbois. Estuda na École Normale em Paris, torna-se assistente de um professor, realiza 
estudos cristalográficos e descobre os isómeros orgânicos. Licencia-se em Fisico-Quimica em 
1847, tornando-se professor de liceu entre 1848-54. Professor da Universidade de Lille em 
1854. 
 
Estudos de fermentação (1857-60) – demonstração do papel das leveduras; papel nefasto 
das bactérias – técnica da Pasteurização (estabelecer um comprimisso entre a temperatura 
que permite eliminar as bactérias mas não estraga o produto alimentar, e que é de 60ºC a 
63ºC durante meia-hora). 
 
Controvérsia da geração espontânea, que vai despoletar uma disputa acesa contra os 
conceituados cientistas Felix Pouchet e Henri Bastlon. 
Em 1864 realiza uma grande experiência na Academia das Ciências e em 1865 torna-se 
director da École Normale em Paris. 
 
Resolve o problema da pebrina. 
 
1868 – sofre uma trombose que o paralisa do lado direito e da qual só recupera 
parcialmente. 
 
Teoria dos germes da doença (1869). Estuda a cólera das galinhas. 
Estudos sobre o carbúnculo. Ele pega nos trabalhos de Koch e cria a primeira vacina contra 
esta doença, atenuando o bacilo laboratorialmente. 
1881 – grande experiência de vacinação, em grande rigor científico: 
 inoculação de 25 ovelhas com o agente atenuado 
 contra-prova em público, usando 25 outras ovelhas. Após inoculação, as 
ovelhas que tinham sido vacinadas não contrairam carbúnculo. 
 
O termo “vaccuna” foi introduzido por Pasteur em homenagem a Edward Jenner (1749 – 
1823), que fez a primeira contra a varíola (uma vacina empírica, feita a partir de pústulas do 
úbere de vacas com varíola bovina), 1798. 
 
1881/3 – estuda outras doenças: cólera, septicémia, varíola e difteria. Introduz a noção de 
assépsia hospitalar e desenvolve técnicas de prevenção de doenças. 
 
1884 – em conjunto com Chamberland, desenvolve filtros de porcelana e prova, pela 
primeira vez, a existência de vírus (estes filtros retêm as bactérias, deixando passar os vírus – 
ou agentes infiltráveis). 
 
1885 – descobre a vacina anti-rábica (a raiva é provocada por um vírus e, apesar de não 
conseguir cultivá-lo, conseguia isolá-lo da saliva de cães raivosos e inoculá-lo. Atenuou-o por 
passagens sucessivas em coelhos – processo de leporização – para produzir a vacina). Salva a 
vida de Joseph Meister (menino de 9 anos mordido por um cão raivoso) que se torna seu 
assistente. Sucederam-seoutros casos de tratamento com soro anti-rábico (proveniente de 
10 
 
pessoas que sobreviveram), cujo resultado era variável de acordo com o tempo decorrido 
após a mordida. 
 
1890 – cria o Instituto Pasteur, em Paris, exclusivamente a partir de doações públicas. Nele 
estudaram personalidades como: Yersin, que isolou o agente da peste bubónica (Yersinia 
pestis) e Metchnikoff, que estudou o mecanismo da fagositose (1884). 
 
1895 – morre 
 
 Outros marcos na história da Microbiologia: 
1838– Martinus Beijerink – azotobacter 
1890 – Von Behring – anti-toxinas na difteria e do tétano 
1892 – Ivanowsky – descreve um vírus pela primeira vez 
1900 – Walter Reed – estudos sobre a febre amarela 
1902 – Landsteiner – descobre os grupos sanguíneos 
6 1903 – Wright – institui a noção de anti-corpo 
1906 – Schaudinn e Hoffman – descobrem o agente da sífilis 
1910 – Ehrlich – descobre uma terapêutica para a sífilis 
1912 – Flemming – descobre a lisozima 
1923 – Primeira edição do manual Bergey 
1928 – Criffith – primeiros estudos de genética bacteriana 
1929 – Flemming – descoberta da Penincilina 
1933 – Ruska – iventa o microscópio electrónico de transmissão, permitindo a observação de vírus 
pela primeira vez. 
1944 – Waksman – descobre a estreptomicina 
1953 – Watson & Crick – DNA 
Jenne & Burnet – selecção clonal 
1975 – Kohler & Milstein – anticorpos monoclonais 
1980 – é inventado o microscópio electrónico de varrimento 
1982 – vacina recombinante contra a hepatite B 
1983 – Gallo & Montagnier – isolam o HIV 
1990 – Terapêutica Genética 
 
Década de 90 – biologia molecular baseada em microorganismos com destaque para a bactéria 
Escherichia coli. 
 
D. Bacteriologia (Capítulo 3 do Prescott) 
 
Célula Procariota: 
 Protoplasma em vez de citoplasma 
 Nucleóide 
 Em algumas bactérias existem muitos plasmídeos 
 Ribossomas 
 
11 
 
As formas bacterianas podem assumir, predominantemente, 3 tipos de formas: 
 Cocos 
 Bacilos 
 Vibrios 
 Cocobacilos (bacilos muito pequenos que parecem cocos) 
 
Pleomórficas – não têm uma forma definida 
 
Não encontramos formas de associação nos Vibrios. 
 
Nos cocos encontramos 4 ou 5 tipos de associação: 
 Diplococos (associados 2 a 2) 
 Estreptococos (associação em cadeias) 
 Tetradas (associação de 4) 
 Sarcinas (associação de 8 células em cubo) 
 Estafilococos (associação em cacho) 
 
Os bacilos não são tão diversificados em termos de formas de associação. Temos: 
 Diplobacilos 
 Estreptobacilos 
 Cocobacilos (bacilos muito pequenos que parecem cocos) 
 Palissada (divisão lado a lado em altura) 
 
Vibrio – uma dobra sobre si mesmo. Em forma de vírgula. 
 
Para além das formas mais frequentes, as bactérias podem ter uma grande variedade de outras 
formas, tais como uma forma de espiral ou hélice: 
 Espirilos – mais do que uma ondulação. São rígidos. 
 Espiroquetas – são flexíveis 
 
Membrana Citoplasmática: 
 Fronteira mecânica da célula. 
 Barreira selectivamente permeável. 
 Transporte de nutrientes e produtos de metabolismo. 
 Síntese de lípidos e constituintes da parede celular. 
 Alberga vias metabólicas (cadeias respiratórias). 
 Detecção de estímulos ambientais (quimiotaxia). 
 As membranas dos procariotas têm mais proteína do que os eucariotas. Não têm colesterol. 
No lugar do colesterol, têm hopanóides (é o homólogo do colesterol nas células 
procariotas). 
 
Espaço Periplasmático – espaço entre a membrana plasmática e a parede celular. A substância que 
ocupa o espaço periplasmático chama-se periplasma. Os processos de síntese, hidrólise, transporte e 
outros processos metabólicos têm lugar no espaço periplasmático para poupar energia, visto que o 
espaço antecede imediatamente a membrana celular. As suas funções são: 
fácil confundir ao m.o 
 
 
 
12 
 
 Absorção e processamento de nutrientes: 
 - Enzimas hidrolíticas 
 - Proteínas de transporte 
 Contém enzimas para a síntese de peptidoglicano (componente da parede celular) e enzimas 
de destoxificação. 
 Enzimas que garantem a síntese e a manutenção da parede celular. 
 
Protoplasma – Inclui tudo o que está dentro da parede celular, incluindo membrana plasmática e a 
matriz citoplasmática, onde se encontra o núcleóide, os ribossomas, as invaginações membranares e 
os corpos de inclusão e o citoesqueleto. 
 
Citoesqueleto (sistema proteico intracelular), participa na: 
 Morfologia celular 
 Divisão 
 Polaridade 
 Nucleóide 
 Metabolismo 
 Patogenicidade 
 
Corpos de inclusão – armazenamento de compostos orgânicos, inorgânicos e energia. Redução da 
pressão osmótica (previne de alterações do meio exterior). 
São de dois tipos: 
 sem membrana 
 com membranas proteicas ou fosfolipídicas. 
Como ocupam espaço, permitem que a concentração de nutrientes seja elevada. Estratégia que as 
bactérias têm para condições adversas. 
Existem dois tipos de corpos de inclusão: 
 Orgânicos. Exemplos: Glicogénio, poli-β-hidroxibutirato (homólogo do glicogénio), 
Carboxissomas (rubisco nos corpos de inclusão – auxilia a fixação do C02), Armazenamento 
de azoto (Cyanophycin – arginina + ácido aspártico) e Vacúlos gasosos. 
 Inorgânicos. Exemplos: grânulos polifosfatados (Volutina) ou metacromáticos, grânulos de 
enxofre (presentes em bactérias quimiossintéticas – o enxofre é dador de electrões) e 
magnetossomas (orientação no campo magnético terrestre). 
Nota: a maioria das bactérias com corpos de inclusão não são patogénicas. 
 
Ribossomas (proteína + RNA) – têm menores dimensões que os ribossomas dos eucariotas. Duas 
subunidades: 30S e 50S = 70S (ribossoma procariota) e encontram-se ou na matriz ou associados a 
membrana. Existem antibióticos, por exemplo, a Citocromicina, que bloqueia no 23S RNA e impede a 
síntese proteica e a célula morre. 
 
Nucleóide – Não está delimitado por uma membrana e pode contactar com a membrana celular. As 
células podem ter: 
 Um cromossoma circular com DNA de cadeia dupla 
 Um cromossoma linear 
 Mais do que um cromossoma 
13 
 
O empacotamento do DNA é efectuado por proteínas especializadas e RNA, mas não por histonas, 
como se verifica nas células eucariotas. O DNA genómico pode ter um comprimento 230 a 700 vezes 
superior ao comprimento da célula. 
 
A associação bacteriana (Colónia Bacteriana) não é pluricelular, é uma associação apenas física. 
 
Plasmídeos: 
 Têm uma origem de replicação própria. São pequenos e constituídos por uma dupla cadeia 
de DNA. 
 Podem ser lineares ou circulares, sendo mais comuns os circulares. 
 Podem estar presentes numa ou mais cópias numa mesma célula bacteriana. 
 A sua informação genética não é necessária para o crescimento e multiplicação do 
hospedeiro, contudo pode ter genes que conferem à bactéria hospedeira uma vantagem 
selectiva. 
 Os genes plasmídicos podem conferir à bactéria hospedeira, entre outras capacidades, a 
resistência a fármacos, novas capacidades metabólicas e transformá-las em patogénicas. 
 Comportam-se como unidades genéticas acessórias, com replicação autónoma mas podem 
integrar-se no cromossoma – epissoma. Fator F (pili; conjugação); Factor R (resistência a 
antibióticos); Col (bacteriocinas); genes codificantes de enzimas de restrição/ modificação; 
Virulência e Metabólicos. 
 
Parede Celular: 
 A maioria dos procariotas possui parede celular que confere a morfologia (a forma de cocos, 
bacilos, etc.) e embora seja uma estrutura rígida, não é uma estrutura hermeticamente 
fechada. É uma unidade permeável que permite o contacto com o meio intracelular. Protecção contra compostos tóxicos (ácidos biliares, antibióticos, etc.). 
 Patogenicidade (endotoxinas das bactérias gram-negativas – LPS). 
 Permeabilidade selectiva (OM = membrana externa): 
 Porinas – permitem a passagem de moléculas pequenas como glucose e 
monossacáridos. Podem passar através destes canais moléculas com menos de 600 a 
700 dalton. 
 Proteínas de transporte – transportam moléculas de maiores dimensões, como a 
vitamina B12. 
 
14 
 
 
 
A cápsula é uma película periférica exterior à parede celular. Alguns microbiologistas chamam 
envelope celular a todas as estruturas exteriores à membrana plasmática, incluindo a parede celular 
e cápsula. 
 
Existem 3 tipos fundamentais de Parede Celular: 
 Gram-positivas 
 Gram-negativas (a parede celular das gram-negativas é mais complexa do que a das bactérias 
gram-positivas) 
 Parede Celular dos microrganismos álcool ácido resistentes (Mycobacterium) – mais 
complexa que a parede das Gram-positivas e coram como as bactérias Gram-negativas. 
 Também temos microrganismos sem parede celular  Os Micoplasmas que também são 
procariotas, mas sem parede celular. 
 
O composto que garante rigidez à parede celular é um polímero que se chama peptidoglicano, 
também designado de murano/mureína. 
 
No peptidoglinano existe os D-aminoácidos que não são degradados pelas peptidases. 
 
Um monómero de peptidoglicano é constituído, normalmente, por: 
 Açucares: N-acetilglucosamina e ácido N-acetilmurâmico 
 Ligações glicosídicas 
 Vários aminoácidos, três dos quais não são encontrados em proteínas, que são o ácido d-
glutâmico, D-alanina e ácido meso-diaminopimélico. 
 
15 
 
 
 
Parede celular das bactérias gram-positivas – as bactérias gram-positivas contém uma parede 
celular espessa composta essencialmente por peptidoglicano e ácidos teicóicos (polímero de glicerol 
ou ribitol, que pode funcionar como âncora). Os ácidos teicóicos não estão presentes nas bactérias 
gram-negativas. Nas bactérias gram-positivas o espaço periplasmático é menor do que nas bactérias 
Gram-negativas. 
 
 
Muitas bactérias gram-positivas têm muitas proteínas na sua parede celular. 
 
Parede celular das bactérias gram-negativas: 
 Camada de peptidoglicano mais fina e sem ácido teicóico. 
 Invólucro externo (ou membrana externa) rico em lipopolissacáridos (LPS) e composta 
também por lípidos e lipoproteínas. 
 As características da parede celular são: 
 As lipoproteínas de Braun são as lipoproteínas mais abundantes e ligam fortemente 
a membrana externa ao peptidoglicano. 
Normalmente nas Gram-negativas, o grupo carboxilo da 
D-alanina terminal de um peptidoglicano está ligado 
directamente ao grupo amino do ácido diaminopimélico 
de um peptidoglicano de outra cadeia paralela (i.e. 
ocorre ligação peptídica directa entre as duas cadeias), 
porém noutros casos (Gram-positivas), existe uma 
ponte de 5 glicinas (pentaglicinas). 
A maioria dos peptidoglicanos das bactérias Gram-
negativas não tem esta ponte de glicinas. 
16 
 
 Os locais de adesão são locais de contacto directo entre a membrana plasmática e a 
membrana externa, permitindo a saída e entrada de substâncias directamente 
nestes locais. 
 A membrana externa é mais permeável que a membrana plasmática devido à 
presença de porinas e proteínas transportadoras. 
 As porinas formam canais através dos quais as moléculas pequenas são capazes de 
passar. 
 
 
 
No espaço periplasmático das bactérias gram-negativas temos uma grande variedade de enzimas. A 
riqueza do perfil enzimático é superior ao das bactérias gram-positivas. 
 
Diferentes bactérias gram-negativas podem ter diferentes lipopolissacáridos (LPS). 
 
Estrutura do LPS: 
 Extremidade lipídica – lípido A (hidrofóbico). Ajuda a estabilizar a estrutura da membrana 
externa e pode ser uma endotoxina que provoca infecções. 
 Oligossacáridos – região central hidrofílica. Contribui para a carga negativa da superfície da 
célula. 
 Cadeia O específica ou antigénio O, determina características imunogénicas distintas. 
Protecção contra as defesas do hospedeiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade repetida n vezes 
17 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Qual é o mecanismo de coloração pelo Gram? 
- Temos os seguintes reagentes: 
 Dois corantes 
 Um mordente 
 Um diferenciador 
- Tecnica: 
 Fixar pelo calor 
 Corar com roxo genciana ou cristal violeta, que vai corar as estruturas periféricas das células 
(sempre roxo) 
 Aplicação de mordente (funciona como uma espécie de cola – fixar a cor) 
 Aplicar álcool – acetona (agentes de desidratação e liposolúveis. O efeito de desidratação é 
superior nas bactérias gram-positivas. Nas bactérias gram-negativas temos uma parede 
predominantemente lipídica e aí o diferenciador tem uma acção predominantemente 
liposolvente, ficando estas bactérias descoradas. Como as bactérias gram-positivas já estão 
roxas, não vão mudar de cor. No caso das bactérias gram-negativas como estão descoradas, 
ao corar com um segundo corante, ficam vermelhas como o corante). 
 Aplicar Safranina (ou Fucsina) – as bactérias gram-negativas ficam com cor rosa choque ou 
vermelha. 
- A cápsula não interfere com a coloração Gram. 
 
Mycobacteria  Arabinoglicano é semelhante ao Peptidoglicano. Corantes: Fucsina básica e Azul de 
Metileno. Coloração de Zheil-Nielssen. 
 
Para além da parede celular, podemos ter outras estruturas: 
 Cápsula – polissacarídea, mas pode conter glúcidos ou péptidos. Exterior à parede celular, 
aumenta a resistência à fagocitose e infecção por bacteriófagos, protege de condições 
ambientais desfavoráveis (desidratação), favorece a adesão a superfícies e protege do stress 
osmótico. Protege de substâncias tóxicas hidrofóbicas (detergentes). 
 Zoogleia 
 Glicocálice – constituída predominantemente por polissacáridos. Quando é muito difusa, 
passa a chamar-se Zoogleia. 
 
 
18 
 
Observação macroscópica: 
 Aspecto brilhante sugere presença de cápsula 
 Aspecto rugoso – provavelmente não tem cápsula 
 
Camada S: 
 Capa regularmente estruturada, semelhante a um mosaico. 
 Mais importante nas Archaea, mas também está presente em bactérias Gram-positivas e 
Gram-negativas. 
 Para além das funções do glicocálice, confere: 
 Rigidez à bactéria, contribuindo muito para a sua forma; 
 Protecção contra a actuação do sistema complemento e fagocitose; 
 Promove a adesão; 
 Protege contra enzimas e alterações de pH. 
 Só existe camada S se não houver glicocálice. 
 Esta camada está ligada ao peptidoglicano nas bactérias Gram-positivas e à membrana 
externa nas bactérias Gram-negativas. 
 
Biofilme: 
 Organização de células bacterianas individuais como uma unidade orgânica. 
 São uma excelente forma de as bactérias se manterem nos habitats colonizados. 
 Biofilme – acumulação celular em redor de uma matriz de exopolissacarídeos e proteínas de 
superfície (glicocálise). 
 Os biofilmes são o mais próximo de um microrganismo pluricelular que podemos encontrar 
em meio bacteriano. O biofilme tem como que uma autonomia própria diferente das 
autonomias individuais. Exemplo de Biofilme: Dente – a sua superfície é um exemplo onde 
temos o biofilme, sendo por isso importante uma boa higienização. 
 
Fímbrias ou Pilli – são filamentos periféricos, constituídos por subunidades proteicas dispostas 
helicoidalmente. Promovem a adesão celular. São estruturas proteicas rígidas, ligadas às paredes 
celulares, constituídas por subunidades helicoidais de uma única proteína,a pilina. Para as 
visualizarmos só com recurso ao Microscópio electrónico, pois como são estruturas muito finas, são 
de difícil visualização. As Fímbrias do tipo IV estão envolvidas na “mobilidade” de algumas bactérias, 
como por exemplo na bactéria Pseudomonas aeruginosa, Neisseria gonorrhoeae e algumas E. Coli 
(“twitching motility”, “gliding”). Nem todas as bactérias possuem fímbrias. 
 
Pilli sexuais – estão no mesmo grupo das fímbrias, mas são diferentes no seguinte: permitem a 
formação de uma estrutura oca que liga as bactérias  permite a passagem do material genético, o 
que contribui para a variabilidade genética das bactérias. Enquanto que as fímbrias são estruturas 
muito finas que não estão envolvidas na reprodução. Pilli sexuais intervêm na conjugação e são 
codificados por um plasmídeo, o plasmídeo F ou de conjugação. São maiores do que as fimbrae e são 
receptores para alguns fagos. 
 
Atenção! Só os flagelos estão envolvidos na quimiotaxia! 
 
 
19 
 
Flagelos: 
 Permitem a locomoção das células; 
 Existem 4 tipos: 
 Flagelos Monotríticos – um único flagelo na célula num dos polos 
 Flagelos Lofótriticos – um tufo de flagelos num polo da célula 
 Flagelos Anfitríticos – dois flagelos, um em cada polo da célula 
 Flagelos Perítricos – flagelos em toda a superfície da bactéria 
 O flagelo roda como uma ventoinha no sentido ou contra o sentido dos ponteiros do relógio. 
É constituído por 3 partes: 
 Filamento – cilindro rígido e oco, composto por subunidades proteicas de flagelina; 
 Gancho – liga o filamento ao corpo basal; estrutura rígida e proteica. 
 Corpo basal – série de anéis que provocam o movimento flagelar. 
 Os anéis do corpo basal diferem bastante consoante a constituição da parede celular da 
bactéria, uma vez que estão associados às várias camadas da parede celular e da membrana 
citoplasmática. Assim: 
 Bactérias Gram-negativas: 
Anel M e Anel S – encaixam na membrana citoplasmática 
Anel P – localizado no Peptidoglicano 
Anel L – localizado na parte fosfolipídica (LPS) 
 Bactérias Gram-positivas – as bactérias gram-positivas dois anéis no corpo basal, um 
interno em comunicação com a membrana citoplasmática (anel M) e outro externo, 
unido provavelmente ao peptidoglicano (anel S). 
 
 
 
 
 
 
20 
 
Formação dos Flagelos – a formação do corpo basal e filamento obedece ao princípio do self 
assembly, em que não é necessário nenhuma proteína de transporte nem enzimas para a sua 
formação. A informação necessária para construir um filamento está presente na própria estrutura 
da subunidade de flagelina. 
 
São os anéis do corpo basal que permitem a movimentação dos flagelos, ao ir rodando (funcionam 
como roldanas), imprimem movimento ao gancho. O filamento é rígido. A mudança do sentido de 
rotação implica um movimento distinto. O movimento do gancho é diferente conforme o movimento 
dos anéis do corpo basal que imprimem o movimento do gancho. A este movimento dá-se o nome 
de Propulsão. 
 
Qual é a utilidade da movimentação celular? 
- As células vivem essencialmente em meios aquoso e por isso há uma inércia muito grande. Este 
sistema de movimentação é altamente eficiente. Importante: Quimiotaxia – movimento em direcção 
a um estímulo ambiental: 
 Térmico (Termotaxia) 
 Luminosidade (Fototaxia) 
 Oxigénio (Aerotaxia) 
 Pressão Osmótica 
 Gravidade 
Na ausência dum gradiente químico o movimento é completamente aleatório e é composto por 
quedas e subidas. Quando existe um gradiente químico parece que há um sentido de movimento, 
apesar de terem também quedas e subidas. Se as bactérias não forem móveis, utilizam correntes do 
meio líquido onde se encontram, para se deslocarem. 
 
Esporos bacterianos: 
 São formas de resistência. As mais frequentes a esporular são Clostridium sp, Bacillus sp e 
Sporosarcina sp. 
 Só as bactérias gram-positivas é que podem esporular. 
 Endosporos – resistência ambiental extrema (temperatura, UV, raios γ, químicos, 
dissecação). 
 São muito importantes a nível ambiental, industrial (a nível alimentar) e médico. 
 
Endosporos – do ponto de vista da localização: 
 Centrais 
- Deformantes 
- Não deformantes 
 Subterminais 
- Deformantes 
- Não deformantes 
 Terminais 
- Deformantes 
- Não deformantes 
21 
 
Para testar a esterilização do material, pode utilizar-se uma suspensão de esporos, que se colocarão 
sobre o material a autoclavar e, quando o ciclo é terminado, eles são semeados. Se houver 
germinação dos esporos, significa que o ciclo não foi bem executado e os esporos ficaram viáveis. 
Os esporos só coram a quente, com um duo de corantes (solução de 5% de safranina e solução de 5% 
de verde de malaquite) – o corante verde cora o esporo e o vermelho a célula. Em colorações gram, 
os esporos aparecem como espaços vazios dento da célula bacteriana. 
Estrutura do endósporo – 6 regiões (do lado mais externo, para o mais interno): 
 Exosporo (camada exterior, fina) 
 “Casaco do esporo” – Spore Coat (camadas proteicas sobrepostas. Responsável pela 
resistência química do esporo e contém enzimas que permitem a germinação) 
 Córtex (exclusivamente peptidoglicano) 
 Parede do esporo 
 Nucleóide 
 Ribossomas 
 
Atenção: os esporos são inactivos do ponto de vista metabólico!!! Eles conservam a energia. A sua 
principal função é conservar a informação genética dentro de uma estrutura proteica extremamente 
resistente a factores adversos. 
 
Etapas da esporulação: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esporulação – síntese: Há a formação de uma invaginação na membrana que vai aprisionar o 
nucleoide e essa membrana que encerra o nucleoide vai se tornando cada vez mais complexa. Há 
uma desidratação muito extensa que faz com que o endósporo se torne muito resistente. O material 
essencial é isolado e fica rodeado por películas proteicas muito resistentes. 
A esporulação tem 7 fases. Em stress nutricional, não há estímulo para a replicação do DNA. O 
nucleoide fragmenta-se e começa a ser encaixado numa invaginação que se começa a formar. A 
partir daí, há aprisionamento do nucleoide nessa invaginação, que se vai tornando cada vez mais 
complexa. Ao longo da formação das camadas, há desidratação progressiva do que está dentro da 
membrana e há um enriquecimento proteico gradual nas diferentes camadas. Assim, o endósporo 
torna-se muito resistente. A estrutura aprisiona o que é essencial (genoma) e elimina o que poderia 
torna-lo mais vulnerável (água) e vai-se protegendo nas sucessivas camadas proteicas. 
 
 
Stress Nutricional 
Invaginação da 
membrana 
Formação do Forespore 
Septum 
Inclusão do esporo numa 
segunda membrana 
Acumulação de Ca2+ e 
ácido dipicolínico 
Formação do spore 
coat proteico 
Maturação Esporulação 
22 
 
O processo inverso à esporulação é a germinação. A germinação tem três fases: Activação 
(despoletar da actividade metabólica), (1) Germinação (aumento da actividade metabólica marca o 
início do processo), (2) Aumento do volume, ruptura da parede do esporo (perda de resistência e 
aumento do metabolismo), (3) Outgrowth (formação e crescimento da célula vegetativa). 
 
Atenção: um esporo só dá origem a uma célula vegetativa! 
 
 
 
E. Crescimento bacteriano (Capítulo 6 do Prescott) 
 
Os factores externos têm influência sobre o crescimento bacteriano. 
As bactérias dividem-se por divisão binária, logo uma célula dá origem a duas células. O crescimento 
não produz um aumento de tamanho/volume das células, mas um sim um aumento do número de 
células (multiplicação). 
 
Crescimento – aumento do número de célulasdo microrganismo ao longo do tempo. 
 
Curva de Crescimento bacteriano – sem remoção do meio, deplecção de nutrientes + acumulação de 
catabolitos: 
 
 
Pode representar-se os microrganismos que se multiplicam por divisão binária como o logaritmo do 
número de células versus o tempo de incubação. 
 
Fases do crescimento bacteriano: 
1. Fase lag ou fase de latência – fase durante a qual o organismo se ajusta ao meio com síntese 
de novos componentes (exemplo: síntese de enzimas e produção de ATP). Está a preparar-se 
para a divisão binária, não havendo nem aumento de número, nem aumento de massa. 
2. Fase Log ou fase exponencial – nesta fase a população cresce com taxa específica de 
crescimento máxima. Ocorrem divisões a um ritmo elevadíssimo, duplicando a intervalos 
regulares (o mínimo de 6 em 6 minutos, em geral entre 20 minutos e 6 horas). O crescimento 
seria exponencial se não houvesse restrição de nutrientes. 
23 
 
3. Fase estacionária – o crescimento da população cessa devido ao esgotamento de nutrientes, 
falta de oxigénio (nos organismos aeróbios) e acumulação de metabolitos tóxicos. No 
entanto, parte das células podem permanecer viáveis durante algum tempo, entrando em 
fase estacionária em resposta ao stress nutricional a que são submetidas. Provavelmente, 
isto também acontece na natureza, uma vez que existem muitos meios ambiente com níveis 
muito baixos de nutrientes. Os procariotas desenvolveram várias estratégias de 
sobrevivência a condições nutricionais adversas. A maioria não responde com alterações 
morfológicas como a formação de endósporos, mas apenas com diminuição de tamanho, 
muitas vezes acompanhado de retraimento do protoplasma e condensação do nucleoide. As 
alterações mais importantes são a nível fisiológico e da expressão genética. Em condições 
nutricionais adversas, as bactérias, para além de outros mecanismos de resposta que têm, 
produzem frequentemente uma variedade de “starving proteins” (proteínas da fome) que 
tornam a bactéria muito mais resistente a variadíssimas situações de stress (nutricional, 
temperatura, químicos, etc.). Muitas vezes estes mecanismos de resposta são tão efectivos 
que algumas bactérias conseguem sobreviver durante anos, como é o caso da Salmonella 
typhimurium. 
4. Fase de morte celular ou fase de declínio – nesta fase há uma perda irreversível da 
capacidade de divisão celular. Há um declínio no número de células que é logarítmico, isto é, 
uma quantidade constante de células morre por hora. Geralmente, o número de células não 
atinge o zero, devido à ocorrência de adaptação, mutações e em última instância, 
esporulação. Se a curva de crescimento representasse a massa esta não desceria, porque as 
células mortas também têm massa. 
 
Matemática do crescimento bacteriano: 
 
 Tempo de geração – duplicação do nº de células duma população durante um período 
determinado de tempo (divisão binária). O número de células da população é expresso em 
2n. A temperatura de incubação é importante para o tempo de geração. 
 Quantificação do crescimento – Contagem de bactérias totais: 
 Manual – Câmara de contagem (Petroff-Hausser): utiliza uma lâmina que tem um 
quadriculado com uma área definida e depois observamos ao microscópio. 
V = 0,1 m3  1µl x 10 000 ml UFC/ml. Prepara-se a suspensão, põe-se a lamela e 
observa-se. Definimos um volume quando colocamos a lamela por cima. O quadrado 
ocupa 1mm2 e quando se põe a lamela o volume corresponde a 0,1 mm3 (104 por ml). 
Contam-se as bactérias, elevando a 4 e multiplicando pelo factor de diluição. 
 Electrónico – Contagem automática: passam por um tubo onde só cabe uma célula 
de cada vez. Cada célula é contada pela célula fotoeléctrica. 
- Coulter Counter: tem um detector electrónico e sempre que passa uma partícula 
esta é contabilizada. Esta técnica é utilizada para quantificar células somáticas no 
leite, células sanguíneas e outras células eucariotas. 
 Citometro de Fluxo: contagem também automática. Detecta diferentes padrões de 
fluorescência. 
 
 
 
24 
 
 Quantificação do crescimento por aferição da massa celular (informação de massa): 
 Turbinometria – baseia-se no facto do líquido se tornar mais turvo com o aumento 
da concentração de bactérias. A contagem é feita com o recurso a um 
espectrofotómetro. Permite a contagem de bactérias totais. 
 Quantificação do crescimento – Contagem de bactérias viáveis: 
 Diluições seriadas: consiste em diluições de base 10  Sementeira em Placa de Petri 
 Incubação  Quantificação do nº de colónias (uma colónia corresponde a uma 
bactéria).Tenho que diluir para que a contagem seja possível. Se a sementeira for 
directa, o crescimento é confluente. Esta técnica também permite controlar a 
qualidade da técnica de execução. 
 Contagem por filtração: em habitats onde eu sei que há baixa concentração 
bacteriana, por exemplo, os habitats aquáticos. Nesta técnica, as bactérias são 
retidas num filtro (i.e. concentradas num filtro), posteriormente são colacadas sobre 
uma Placa de Petri (provida de uma grelha para facilitar a contagem). Após algum 
tempo, durante o qual as bactérias retidas se multiplicam, as colónias são contadas 
após coloração. 
 Quantificação contínua no crescimento (onde estou a aferir a taxa de crescimento 
bacteriano) : 
 renovação constante do meio Chemostat. São feitas com renovação constante do 
meio (simulando ambientes como o trato gastrointestinal). A vantagem deste 
método é a manutenção das células na fase de crescimento exponencial. Permite 
determinar o ritmo de crescimento em diferentes circunstâncias (ex: excesso ou 
défice de nutrientes). Muito utilzado na produção de vacinas. É um meio com 
nutriente essencial (factor de crescimento) em concentrações limitantes. Adiciona-se 
este factor num volume conhecido até haver depleção deste e nesta altura é que se 
torna a renovar o factor. Assim, a taxa de crescimento é determinada em função da 
adição do nutriente essencial. 
 Sistema de cultura contínua Turbidostat – medição por uma célula fotoeléctrica da 
turvação do meio. 
Vantagens da quantificação contínua: 
- Manutenção das células numa fase exponencial; 
- Determinação do ritmo de crescimento em várias condições (escassez de nutriente, 
excesso de nutrientes); 
- Aplicação na Indústria Alimentar. 
 
Factores ambientais com influência no crescimento bacteriano: 
 
 Actividade da Água (aW) 
 pH 
 Temperatura 
 Concentração de O2 
 Pressão hidrostática 
 Radiações 
 
 
Em função destes factores eu classifico as bactérias. 
25 
 
Actividade da Água e Solutos: 
 capacidade de resposta a variações na concentração osmótica do meio. 
 Baixo aW = pressão osmótica elevada, elevado aW = pressão osmótica baixa 
 Mecanismos de protecção: 
 Microrganismo em meio hipotónico – redução da concentração osmótica do 
protoplasma. Estratégias de defesa: 
a. Corpos de inclusão para armazenamento de solutos 
b. Canais mecânico-sensíveis que permite a saída de solutos 
 Microrganismo em meio hipertónico – aumento da concentração osmótica do 
protoplasma. Estratégias de defesa: 
a. Síntese e inclusão de aminoácidos ou níveis elevados de potássio 
 De acordo com a sua capacidade de adaptação a diferentes osmolaridades, temos: 
 Microrganismos Osmotolerantes – suportam grandes variações de osmolaridade. 
Podem viver nos dois tipos de habitat: hipertónico ou hipotónico. É o caso dos 
Fungos e do S. aureus. 
 Microrganismos Halófitos – não têm mecanismos de protecção para viver em 
concentrações salinas baixas. Requerem concentrações salinas altas. É o caso dos 
Vibrios parahaemolyticus, V. alginolyticus, Arcobacter halophilus(obrigatório). 
Dentro dos halófitos ou halófilos ou halofílicos, temos ainda: 
- Halotolerantes (0.5M de NaCl – concentração óptima). 
- Halófilos moderados (1.5M de NaCl) 
- Halófilos extremos (4M de NaCl) 
 
 
 
Em relação ao pH… 
 
pH – é uma medida da actividade dos iões de hidrogénio de uma solução, que se define como o valor 
negativo do logaritmo da concentração de iões de hidrogénio (expressa em moles). 
 
pH = 
 
 
 
 
26 
 
Efeito das variações de pH – inibem crescimento por: 
 Destruição da membrana citoplasmática; 
 Inibição enzimática; 
 Afectando mecanismos de transporte membranares 
 
Apesar disso há bactérias que conseguem viver em pH’s muito distintos: 
 Acidófilos extremos (Fontes de água termal, suco gástrico e sumo de limão) 
 Acidófilos (vinagre, tomate e sumo de laranja. São essencialmente fungos, mas também 
algumas bactérias); pH < 5.5 
 Neutrófilos (leite, saliva, água e sangue); 5.5 < pH < 8.5 
 Alcalófilos (sabão, amónia); 8.5 < pH < 11.5 
 Alcalófilos extremos (lixívia) 
 
Num meio pequeno, como o que é representado por uma Placa de Petri, é necessário adicionar um 
tampão (fosfatos, aminoácidos, péptidos) ao meio de cultura para manter o valor de pH. Esta 
necessidade deve-se ao facto dos produtos do catabolismo bacteriano tenderem a acidificar o meio. 
Assim, na ausência dum tampão, as bactérias acabam por inibir o próprio crescimento (dando lugar a 
bactérias acidófilas, melhor adaptadas aos meios ácidos. 
O catabolismo das proteínas tende a alcalinizar o meio, mas este é menos significativo. 
 
 
 
 
27 
 
Em relação à temperatura… 
 A temperatura interfere com fenómenos enzimáticos e metabolismo celular, que dependem 
dela para o bom funcionamento. Para cada organismo é possível definir: 
 Temperaturas óptima – em que o organismo apresenta taxa de multiplicação 
máxima. 
 Temperatura máxima – acima da qual o microrganismo morre (geralmente por 
desnaturação proteica). 
 Temperatura mínima – abaixo da qual o metabolismo do microrganismo cessa. 
 A temperatura é influenciada por outros factores, tais como: aW, pH, etc. 
 Conforme a tolerância, os m.o. podem ser: 
 Estenotérmicos – toleram um espectro estreito de temperaturas, isto é, não toleram 
grandes variações térmicas (Neisseria gonorreia). 
Dentro dos Estenotérmicos temos: 
- Psicrófilos – gostam de baixas temperaturas (-10 a 20°C). Levantam problemas para 
os animais de sangue frio. 
- Mesófilos – vivem a temperaturas entre os 15-35°C (temp.óptima = ± 37°C). 
Levantam problemas para os animais de sangue quente. São quase todas as 
bactérias patogénicas. 
- Termófilos – crescem a temperaturas acima dos 35°C. Não têm grande impacto na 
nossa área de acção. 
- Hipertermófilos – crescem a uma temperatura óptima de 80-113°C. Vivem nos 
fundos oceânicos perto das regiões vulcânicas (ex.: Pyrococcus abyssi). 
 Euritérmicos – toleram grandes variações de temperaturas, ou seja, sobrevivem a 
grandes intervalos de temperaturas (Enterococcus faecalis). 
 
 
 
 
As bactérias termófilas e hipertermófilas para poderem viver em habitats com temperaturas muito 
elevadas, têm que ter sistemas enzimáticos muito bem adaptados. Isto é importante, porque são por 
28 
 
isso utilizadas as suas enzimas que não desnaturam aos 95°C, como o caso das polimerases, para 
montar o PCR. 
 
Quanto à concentração em O2: 
 Aeróbios – necessitam dum meio com mais de 20% de oxigénio para sobreviver. Têm um 
metabolismo oxidativo, mais energético (ex: Legionella, Mycobacterium) 
 Anaeróbios facultativos – não utilizam o oxigénio, mas toleram-no. Têm um metabolismo 
fermentativo (ex: leveduras, Enterobactereacceae, Enterococcus faecalis) 
 Anaeróbios estritos – não utilizam o oxigénio e não toleram a sua presença (não se 
conseguem livrar dos radicais tóxicos), têm um metabolismo fermentativo (ex: Bacteroides, 
Clostridium, fusobacterium) 
 Microaerófilos – necessitam de uma tensão de oxigénio moderada de 2-10%, não 
sobrevivendo em meios com tensão de oxigénio superior a 20% (ex: Campylobacter e 
algumas Brucella) 
 ESO – extremamente sensíveis ao oxigénio 
 
 
Oxigénio e Crescimento Bacteriano (em meio de Tioglicolato): 
 
Meio de Tioglicolato – é um meio semi-sólido. Tem percentagem de agar, partículas de carne, 
substâncias redutoras (cisteína) que baixam o potencial redoz. Se as bactérias crescerem no fundo 
são anaeróbias, se crescerem à superfície são aeróbias. 
 
Crescimento de anaeróbios estritos: 
 Jarra de anaerobiose – cilindro de plástico transparente com tampa vedante. A utilização de 
uma jarra de anaerobiose permite colocar as Placas de Petri numa atmosfera sem O2. 
Existem 3 métodos para remover o O2: 2 dependentes de reagente (um com paladium) e um 
sistema de válvulas. 
Nas jarras de anaerobiose remove-se a maior parte do oxigénio. 
29 
 
Quando é adicionada água à embalagem química contendo o reagente (bicarbonato de sódio 
e boroidreto de sódio), produz-se CO2 e H2 que se conjugam com o O2, formando vapor de 
água que se condensa nas paredes dos frascos (reacção catalisada pelo Paladium na tampa). 
Tiras com ponta azul  o azul de metileno é o indicador de anaerobiose. Se está em 
atmosfera anaeróbia fica branco. 
 Glove box – toda a atmosfera é substituída por gases sem O2, sendo por isso utilizado 
material descartável, tornando-se um método dispendioso. 
 
Toxicidade do O2 – os Anaeróbios estritos não têm enzimas protectoras da oxidação do O2 (Catalase 
e Superóxido dismutase – SOD). 
 
Quanto à pressão atmosférica: 
 Barotolerantes – sobrevivem a elevadas pressões, mas não as exigem. 
 Barofílicos – crescem melhor a elevadas pressões. Ex: Bactérias do fundo do mar (1000 a 
10000m). 
 Termobarofilos – crescem a altas temperaturas e a altas pressões. Importantes na 
reciclagem de nutrientes no fundo do mar. Essas bactérias são barófilas. 
 
Radiações: 
 A luz solar é a principal fonte de radiação no planeta Terra. Compreende a luz visível, 
radiação ultravioleta, raios infravermelhos e ondas de rádio. 
 Para a maioria dos m.o., salvo algumas excepções, a luz visível é fundamental. 
 Acção anti-microbiana da radiação: 
 Raios X e Gama – matam todos os microrganismos (o comprimento de onda curto e 
a elevada energia têm um efeito esterilizante). 
 Radiação ultravioleta – mata a maioria das bactérias, mas tem o inconveniente de 
ser muito pouco penetrante. São radiações não ionizantes. 
 Luz visível – é imprescindível para os microrganismos fotossintéticos, dispensável 
para outros microrganismos, tóxica para muitos (em geral, bactérias e fungos 
crescem muito melhor na ausência de luz). 
 
 
F. Nutrição Microbiana (Capítulo 5 do Prescott) 
 
As bactérias não ingerem alimentos, elas absorvem princípios nutritivos que são libertados por acção 
de enzimas que as bactérias sintetizam e lançam para o exterior, onde vão degradar os alimentos. Os 
nutrientes são substâncias usadas no metabolismo, biossíntese ou produção de energia, essenciais 
ao crescimento. 
A água é o solvente universal, sendo vital para a sobrevivência dos microrganismos. 
 
A composição da alimentação bacteriana inclui: 
 Macroelementos (presentes em quantidades da ordem das g/L): C, O2, H, N, S, 
 Microelementos (vestigiais; presentes em quantidades de apenas μg/L): Mn, Zn, Co, Ni, Cu 
 Catiões (existentes na ordem dos mg/L): K, Ca, Mg, Fe 
30 
 
 Requesitos Especiais de alguns microorganismos (Si – diatomáceas; Na – bactérias 
halófiticas). 
 
Deste modo, os alimentos das bactérias são constituídos, basicamente, por carbohidratos, lípidos, 
proteínase ácidos nucleicos. 
 
Os microrganismos são classificados quanto às fontes de: 
 Carbono: presente em todas as moléculas orgânicas, associadas ao O2 e ao H
+ 
 Autotróficos – usam o dióxido de carbono como fonte de carbono, com grande 
dispêndio de energia 
 Heterotróficos – usam moléculas orgânicas como fonte de Carbono (existe sempre 
um microorganismo capaz de degradar uma determinada molécula orgânica). 
 Energia: 
 Fototróficos – usam a luz como fonte de energia – fonte de fotões 
 Quimiotróficos – obtem energia pela oxidação de compostos orgânicos ou 
inorgânicos. 
 Hidrogénio e Electrões: 
 Litotróficos – “comedores de pedra”, usam moléculas inorgânicas reduzidas como 
fonte de hidrogénio e energia. 
 Organotróficos – usam moléculas orgânicas como fonte de hidrogénio e energia. 
 
Fazendo a combinação de todas as fontes, obtém-se vários tipos diferentes de nutrição nos 
microrganismos. Os 4 tipos nutritivos são: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os microrganismos podem ainda ser qualificados como: 
 Prototróficos – microrganismos com o mesmo tipo de requesitos nutritivos da sua espécie. 
NORMAL 
 Auxotróficos – microrganismos mutantes que perdem a capacidade de sintetizar 
determinado composto requerendo que este seja incorporado como suplemento no meio de 
cultura. SUPL. AUXIL 
 Mixotróficos – microrganismos com formas mistas ou intermédias e que possuem 
variabilidade adaptativa. (ex.: Rhodospirilum – é Fotoheterotrófico na presença de O2 e 
Quimioheterotrófico na ausência de O2) 
 
 
Fonte orgânica de 
carbono 
31 
 
Azoto (N): 
 É extremamente importante uma vez que dele depende a síntese de: aminoácidos, purinas, 
pirimidinas, alguns carbohidratos e lípidos. 
 As suas principais fontes são: 
 a degradação dos a.a. ou da amónia, por redução de nitratos através da glutamato 
desidrogenase. 
 fixação de N atmosférico (para a qual é necessária a nitrogenase); esta fonte é usada 
pelas cianobactérias e pelas bactérias do género Rhizobium. 
 
Fósforo (P): 
 É de grande importância dado que está presente em: ácidos nucleicos, fosfolípidos, ATP, 
proteínas (sobretudo cofactores enzimáticos). 
 A fonte deste elemento são os fosfatos inorgânicos, que são transformados através da acção 
das fosfatases. 
 
Enxofre (S): 
 É de grande importância dado que é necessário na síntese de: a.a. (cisteína, metionina), 
alguns carbohidratos e vitaminas (biotina, tiamina). 
 A fonte do enxofre são os sulfatos, reduzidos por enzimas específicas, mas em condições 
particulares o enxofre pode ser obtido a partir da cisteína. 
 
Cálcio (Ca): 
 Resistência térmica dos endósporos. 
 
Potássio (K): 
 Actividade enzimática 
 
Magnésio (Mg): 
 Estabilizador membranário. 
 
Factores de crescimento – São compostos orgânicos essenciais (que o microrganismo não consegue 
sintetizar) e que têm de ser fornecidos como suplementos. Os factores de crescimento variam com o 
microrganismo considerado, podendo ser: aminoácidos; purinas/pirimidinas; vitaminas (cofactores 
enzimáticos). 
 
Podem estabelecer-se dois tipos de relações entre microrganismos diferentes: 
 Competição por determinado nutriente. Nesta situação sobrevivem aqueles que possuírem 
um melhor equipamento enzimático, isto é, os melhores adaptados a determinado 
substrato. 
 Inter-ajuda, na qual o produto de excreção dum microrganismo é usado como nutriente para 
outro microrganismo (relação simbiótica). Essencial na produção do queijo suiço e vinagre. 
 Queijo Suiço: Streptococcus thermophilus + Lactobacillus bulgaricus – fermentam a 
lactose formando ácido láctico. 
32 
 
 Vinagre: leveduras fermentam as uvas formando o etanol, o Acetobacter e o Glucobacter 
oxidam o etanol e formam vinagre. 
 
Nota: O, C, S, P, N e H não são factores de crescimento, uma vez que são extremamente essenciais a 
todas as bactérias. Apesar do soro sanguíneo ser um factor de enriquecimento para a maioria das 
bactérias, para os Mycoplasmas é factor de crescimento, uma vez que incorpora o colesterol na sua 
membrana. 
 
Entrada de nutrientes na célula bacteriana: 
As características que condicionam a entrada de nutrientes são: 
 Permeabilidade selectiva da membrana celular (evita a entrada de substâncias tóxicas e 
promove a entrada de nutrientes, mesmo contra o gradiente de concentração). 
 Contra o gradiente de densidade 
 
Mecanismos de transporte/entrada: 
 Difusão passiva – para moléculas pequenas e apolares que estejam mais concentradas no 
exterior. A absorção diminui à medida que as concentrações dentro e fora da membrana se 
equilibram. Não permite o armazenamento de substâncias e o transporte mantém-se porque 
os nutrientes vão sendo metabolizados à medida que são absorvidos, o que mantém o 
gradiente de concentração. É usada para a água, O2, CO2 (pequenas moléculas). 
 Difusão facilitada – tem as características acima referidas para a difusão, mas diz respeito a 
moléculas de grandes dimensões transportadas através da membrana por proteínas 
transportadoras específicas designadas permeases. Quando o nutriente se liga à permease, 
esta altera a sua conformação e perde afinidade para o nutriente e liberta-o no interior da 
membrana citoplasmática. É usada para o glicerol, glucose, etc. 
 Transporte Activo – é mais comum na célula eucariota. Depende dum transportador de ATP, 
porque se processa contra um gradiente de concentração. Este tipo de transporte permite o 
armazenamento de nutrientes no interior da bactéria. As substâncias submetidas a esta 
forma de absorção podem ser absorvidas por simporte ou antiporte. 
 Simporte – Protão (Na+) + “Substância”  Ambos atravessam a membrana no 
mesmo sentido. 
 Antiporte – Protão (Na+) + Protão (K+)  Um entra e o outro sai, em sentidos 
opostos. 
ATP – Binding Cassette Transporters (ABC Trasnporters) – localizados na membrana. As gram 
negativas possuem outros sistemas de transporte localizados no invólucro externo da parede 
celular (proteínas receptoras; Ompf (outer membrane protein F)). 
 Translocação de grupo – neste processo, a substância é transportada activamente e sofre 
uma alteração química durante o processo de interiorização enquanto percorre a permease 
(é o caso da glicose, que passa a glicose-6-fosfato ou do sistema PTS (Sistema 
Fosfotransferase – alto gasto de energia) das bactérias anaeróbias. 
 Absorção de ferro – o ferro do meio é captado por moléculas sideróforas (quelantes do 
ferro: retiram o ferro às substâncias no exterior, às quais ele está intimamente ligado) que 
são excretadas pela bactéria. A molécula ligada ao ião de ferro apresenta-se a 
transportadores membranares específicos, que transportam todo o conjunto activamente 
para o interior. 
33 
 
Sideróforos: compostos com baixo peso molecular e com elevada afinidade para ião de ferro. 
Retiram o ferro ligado à proteína do hospedeiro, apresentam-no sob a forma de complexo 
sideróforo-férrico aos respectivos ligandos da membrana externa. 
 
Meios de cultura: 
 Meios complexos (ex: peptanos, extracto de carne ou extracto de levedura) – substâncias de 
composição muito complexa e mal definida que as bactérias degradam para obter todos os 
nutrientes e das quais desconhecemos a composição. 
 Meios quimicamente definidos – substâncias em que todos os constituintes são conhecidos 
ao pormenor. Apenas são usados para investigação (ex: para determinar factores de 
crescimento para determinadas bactérias). 
 Meios líquidos – são os caldos constituídos por água e nutrientes dissolvidos, não permitem 
fazer o isolamento bacteriano. 
 Meios sólidos – são constituídospor caldos em agar. Estes meios são líquidos a 100°C, 
passando a sólidos quando a temperatura desce abaixo dos 43-45°C. Estes meios só voltam a 
liquefazer-se quando a temperatura volta a subir acima dos 100°C. 
A vantagem dos meios sólidos é o facto de permitirem o isolamento bacteriano de modo a 
formarem-se colónias separadas, uma vez que a rede formada pelo agar reduz muito a 
mobilidade das bactérias. 
 Meios diferenciais – permitem reconhecer macroscopicamente algumas bactérias pelo tipo 
de crescimento (ex.:agar-sangue para o S.pyrogenes β-hemolítico; MacConkey para a E. coli, 
que forma colónias rosa choque). De um modo geral, são meios sólidos. Permitem distinguir 
bactérias tendo em conta os diferentes aspectos culturais, tendo em conta os diferentes 
nutrientes degradados. 
 Meios selectivos – permitem fazer a selecção de uma bactéria, adicionando ao meio sólido 
factores de enriquecimento (para a bactéria desejada) e factores de inibição de outras 
bactérias. Ex.: Meio MacConkey tem bilis-verde brilhante, selectivo para coliformes (E. coli e 
associados). 
 Meios de Enriquecimento – possuem um nutriente especial para determinada bactéria (ex.: 
meio fenol). Estes meios destacam as bactérias que têm vantagem enzimática sobre as 
restantes no que diz respeito às condições fornecidas pelo meio. Os meios de 
enriquecimento distinguem-se dos selectivos porque não possuem inibidor. Ex: Meio de 
fenol  Bacterias do solo; Meio de celulose  Bactérias celulolíticas. 
 Meios para titulação microbiológica – incorporam um fármaco para avaliar, 
quantitativamente, a capacidade inibidora ou estimuladora do mesmo. Podem, por exemplo, 
ser usados antibióticos para determinar a concentração mínima inibitória (CMI), usando 
concentrações crescentes do fármaco. 
 Meios para cultura de células (eucariotas) – são usadas para cultivo de microrganismos 
intracelulares obrigatórios “in vitro” (ex: vírus – riquétsias, clamídeas). 
 
Técnicas de cultivo: 
 Clone – conjunto de organismos com origem numa só célula. 
 Colónia – é o crescimento bacteriano que conseguimos visualizar macroscopicamente, a 
partir de um número mínimo de células (pode ser clone ou não, mas é sempre formada por 
um só tipo de microrganismos. Porém, podem não ser geneticamente iguais) – cultura pura 
34 
 
 Procedimento: 
 Propagação do microrganismo a partir de uma amostra biológica 
 Isolamento de colónias em meio sólido (pode ser feito em Placas de Petri, com 
recurso a meio selectivo, ou ao choque térmico ao qual só as bactérias esporuladas 
sobrevivem) 
 Identificação 
 
Existem diferentes tipos de colónias, que se distinguem pelas suas características de forma, elevação 
e margem. As colónias são características do microrganismo, o que permite a identificação 
macroscópica dos organismos. As condições do meio de cultura também condicionam a forma da 
colónia. 
 
 
 
G. Ecologia Microbiana (Capítulo 30 do Prescott) 
 
Interações Microbianas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Relações Ecológicas 
Simbiose = vida em comum, 
que pode ser prejudicial, 
benéfica, positiva para um e 
indiferente para outro. 
 
Endosimbiose (se o 
organismo está 
interiorizado no outro) 
Ectossimbiose (ex.: 2 
bactérias que vivem no 
mesmo espaço) 
35 
 
Tipos de Simbiontes: 
 A B Exemplos 
Amensalismo + - 
Produz antibióticos 
tóxicos para o outro. 
Comensalismo + 
0 
(não ganha nem 
perde) 
Anaeróbios estritos que 
convivem com anaeróbios 
facultativos. Nesta 
situação o Anaeróbio 
estrito precisa mesmo 
que o Anaer. Facultativo 
utilize o O2 
Mutualismo + + 
Flora do rúmen 
(obrigatório para ambos 
sobreviverem) 
(Proto)cooperação + + 
Cellulomonas/Azotobacter 
(ganham ambos mas não 
é obrigatório) 
Parasitismo + - Bactérias patogénicas 
Predação 
(um m.o. alimenta-se 
do outro) 
+ - 
Protozoários que predam 
bactérias (perseguição e 
assimilação de outro) 
Competição + - 
Para 
substratos/nutrientes. 
Num meio limitado há 
bactérias que competem 
entre si 
 
A fronteira entre comensalismo e mutualismo, apesar de evidente na teoria, é ténue e algo difícil de 
estabelecer na prática. 
 Exemplos de Comensalismo: 
 Leveduras (anaer. Facultativo)  usa o O2  Clostridium (Anaer. Estrito) 
 Leveduras  produzem ETOH (álcool)  Acetobacter 
 Exemplos de Mutualismo: 
 Líquenes (Alga + fungo). A alga faz a fotossíntese e produz O2 essencial para os 
fungos que são aeróbios estritos. Para além de O2, as algas fornecem também 
nutrientes aos fungos. Os fungos dão protecção, substrato e permitem absorção de 
O2. 
 Térmitas da madeira que têm no seu intestino um flagelado intestinal que degrada a 
celulose e lenhina ingeridas pela térmita. 
 Ruminantes (ingestão de plantas + ruminação + saliva)  Pectina, Hemicelulose, 
Celulose e amido  No rúmen existem um flora ruminal abundante (1012 
microflora/ml)  Fermentação dos HC complexos pelas bactérias Da fermentação 
ocorre produção de Ác. Acético, Ác. Propiónico, Ác. Butírico (que são importantes 
fornecedores de energia para as bactérias)  Energia  Proteínas microbianas para 
as células dos ruminantes. 
36 
 
 Mamíferos  Bactérias intestinais que produzem vitaminas essenciais para os 
animais como vit. K (produzida pela E. coli) e vitaminas do complexo B. Os mamíferos 
dão nutrientes e as bactérias dão vitaminas. 
 
Placa microbiana dentária – uma associação de fungos, bacilos e cocos. 
 
Importância da microflora num organismo superior: 
 Produção de vitaminas (incapazes de ser produzidas pelos animais) e nutrientes; 
 Estimulação do sistema imunitário; 
 Resistência à colonização por bactérias patogénicas (a microflora não deixa espaço para 
fixação de bactérias patogénicas; além disso, competem com os outros microrganismos por 
nutrientes e reduzem bactérias, impedindo a colonização). 
 
Animais totalmente desprovidos de microflora designam-se animais germ free ou axénicos.O útero 
de um mamífero é um ambiente normalmente estéril, não tem microflora; assim, um animal no 
estado intra-uterino não possui microrganismos. Para produzir um animal germ free é necessário que 
nasça por cesariana, em condições de assepsia extrema, uma vez que a colonização microbiana se 
inicia ao nascimento. Tem de receber alimentos esterilizados e suplementados com todos os 
nutrientes que seriam produzidos pela microflora de um animal normal. Em condições normais, a 
colonização faz-se a partir do meio e da mãe e, um a dois dias depois do nascimento, a microflora 
atinge um estado de equilíbrio. 
 
Quando conhecemos exactamente a microflora de um animal, ele diz-se gnotobiótico. Animais 
gnotobióticos são produzidos a partir de animais germ free que são inoculados com uma estirpe pura 
de um microrganismo. São utilizados para estudar relações mutuais uma por uma (geralmente não é 
inoculada uma única estirpe, mas um conjunto delas, de modo a evitar um desequilíbrio e que o 
microrganismo se torne patogénico). 
 
Nota: um animal germ free é gnotobiótico, mas um animal gnotobiótico não é necessariamente germ 
free, uma vez que já pode ter sido inoculado com microrganismos. 
 
Animais SPF (Specific Pathogen Free) – são animais dos quais não conhecemos a microflora, mas que 
não possuem qualquer agente patogénico conhecido para a espécie a que pertence. O animal tem 
que ser mantido numa colónia de SPF ou num ambiente totalmente estéril, ou deixará de ser SPF. 
Assim, apesar de não sabermos quais os microrganismos que possuem, sabemos quais aqueles que 
não possuem, através de testesfeitos. 
 
Animais germ free, gnotobióticos e SPF são mantidos em câmaras isoladoras ou para não serem 
contaminados e/ou para que o agente em estudo seja mantido no interior. 
 
Animal convencional: Animal com o qual não temos preocupações em relação ao seu standart 
biológico. Digamos que e o animal “normal”. 
 
 
 
37 
 
Em relação aos indivíduos normais, os animais germ free têm particularidades a nível: 
 Anatómico: 
 Menor desenvolvimento linfoide (porque não houve produção de anticorpos); 
 Parede intestinal mais fina (porque não existem bactérias e é necessária uma maior 
capacidade de absorção); 
 Cecum hipertrofiado 
 Fisiológico: 
 Menor titulo de anticorpos; 
 Necessidade de uma alimentação especial; 
 Enorme susceptibilidade a todas as doenças (fora do ambiente esterilizado, morrem 
porque não têm tempo suficiente para haver uma adaptação equilibrada). 
 
Importância de conhecer a microflora normal: 
 Conhecer potenciais organismos patogénicos (notar que, no mesmo animal, um 
microrganismo pode ser comensal numa regiºao e ser patogénico noutro local) 
 Interpretação clínica de análises (saber os microrganismos esperados em condições normais) 
 Conhecer a razão de ser da colonização por agentes patogénicos e quais as consequências 
 Papel estimulador do sistema imunológico 
 
Em situações de disbiose (desequilíbrio da microflora), há o risco de uma bactéria, normalmente 
comensal, tornar-se patogénica. 
 
Existem microrganismos: na pele e mucosas; nas cavidades oral e nasal; em todo o tracto digestivo; 
no tracto genital feminino (até ao útero, exclusive), bexiga e uretra. 
 
Não existem microrganismos: em circulação; no tracto respiratório abaixo da traqueia; no músculo e 
em todos os outros órgãos (fígado, baço, etc.) 
 
Resistência à colonização – qualquer processo que interfira com a colonização da pele, tracto 
intestinal, etc., por microrganismos exógenos. 
 Factores: Antagonismo bacteriano e Exclusão competitiva 
 Associado a: 
- Produção de Bacteriocinas 
- Depleção de nutrientes essenciais 
- Competição por receptores 
- Indução e estimulação da imunidade 
 Os animais gnotobióticos são muitas vezes inoculados com uma flora resistente à 
colonização (CRF), que existe num “cocktail” de aproximadamente 15 agentes microbianos 
conhecidos, que impedem a colonização de microrganismos que não estes, através da 
competição por nutrientes e receptores, produção de bacteriocinas e indução/estimulação 
da imunidade. 
Experiência: Inocula-se um animal com bactérias e dias após, monitoriza-se a presença de 
bactérias nas fezes do animal. Nos primeiros dias aparecem algumas e depois começam a 
decrescer ao longo dos dias até deixarem de aparecer. Neste caso não houve colonização por 
presença da microflora. Noutra altura dá-se uma radiação aos ratinhos para que fiquem 
38 
 
descontaminados e isentos de microflora. A excreção dos microorganismos aumenta nas 
fezes durantes dos primeiros dias e depois atinge um platô. Isto indica que há multiplicação e 
fixação dos microorganismos ao nível do TGI. 
 
Barreira clássica SPF: 
 Esterilização dos equipamentos e materiais 
 Esterilização: comida, água, cama, etc. 
 Cuidado especial com pessoal: banho, roupa especial, luvas, máscara… 
 Pressão positiva (para não haver tendência para entrar ar) 
 
Barreira clássica reversa (biosafety): 
 Proteger homem e ambiente de potenciais contaminantes com microrganismos; 
 Esterilização do equipamento e material antes de sair; 
 Cuidado especial das pessoas: duche, roupa especial, máscara 
 Pressão negativa (de modo a entrar ar e não sair, mas especialmente a não saír) 
 Autoclavar tudo o que sai 
 Se o agente for muito perigoso  isolador 
 
Barreira clássica SPF modificada (Barreias Individualmente Ventiladas IVC): 
 Sistemas de barreira individual – individual ventilated cages (ar filtrado) 
 Câmara de fluxo laminar 
 
Crescimento microbiano em Biofilmes: 
 Biofilme – Comunidade estruturada de células (constituída por 1 ou mais espécies 
microbianas), aderentes a uma superfície inerte (abiótica) ou viva (ex. tecido vivo), 
embebidas numa matriz de polissacárido de origem microbiana. 
 Vantagens dos Biofilmes: 
 Protecção relativamente a condições agressoras (irradiação, calor, desidratação, 
desinfectantes, antibióticos, etc.) ou a fagocitose por células do sistema imunitário 
dos organismos infectados. 
 Maior disponibilidade de nutrientes 
 Estabelecimento de relações que podem ser benéficas, como por exemplo 
comunicação entre células envolvendo moléculas sensoras (ex.: “quorum-sensing”) 
ou troca de material genético (ex: plasmídeos). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
 
H. Genética Bacteriana – princípios gerais (capítulo 11, 13, 14 Prescott) 
 
 O conteúdo genético designamos por genoma celular (DNA presente numa célula). 
 O DNA tem um conjunto de genes que codificam proteínas 
 Gene – são segmentos de DNA (excepto em alguns vírus, que são constituídos por RNA) que 
codificam os produtos funcionais (as proteínas). 
 Sequência de um gene – um gene apresenta 3 regiões: região promotora (onde se encontra 
o promotor – local onde a RNA polimerase se liga para iniciar a transcrição, as zonas 
consenso reconhecidas pela polimerase – nos procariotas só existe uma RNA polimerase e 2 
zonas consenso de 6 nucleótidos cada uma), parte estrutural (zona transcrita. Encontra-se 
apenas numa das cadeias e a sua zona complementar, não codificante, denomina-se zona 
nonsense) e zona de terminação (onde termina a transcrição). 
 Sentido da informação genética: 
 
Eucariotas Procariotas 
 
 
 
 
Notas: 
 Há um controlo muito mais fino nos eucariotas. 
 mRNA monocistrónico, significa que apenas contém informação para a síntese de uma proteína. 
 mRNA policistrónico, significa que pode albergar informação para a síntese de várias proteínas. 
 
Replicação do cromossoma bacteriano: 
 Maioritariamente os cromossomas bacterianos são circulares. É identificado um ponto de 
origem e a partir daí começa a replicar-se. 
 
A replicação é bidireccional. Duas forquilhas de replicação movem-se à volta do DNA e formam estruturas intermédias 
com a forma da letra grega theta (θ). A cadeia-filha é a cadeia representada a roxo. 
Transcrição 
Processamento do 
mRNA no núcleo 
mRNA monocistrónico 
(citoplasma) 
Tradução 
Transcrição (mRNA 
policistrónico) 
Tradução 
40 
 
A cadeia codificante do RNA é 5’  3’ 
 
Sequência da produção de proteínas: 
 
 
Geração da Diversidade: 
a) Mutações 
1. Espontâneas – Erros na replicação; Lesões no DNA; Inserções por elementos de 
inserção ou transposões (frequentes na E. Coli). 
Reparação enzimática possível – actividade de proof Reading. 
2. Induzidas – por agentes mutagénicos: 
 Químicos (ácido nítrico, substâncias alquilantes, etc) 
 Análogos de bases (AZT) 
 Agentes intercalantes: induzem distorção de DNA 
 Físicos (radiações UV e X) – danificam as bases azotadas, induzindo erros de 
replicação. 
b) Transposões – genes “móveis”, “genes saltadores” (jumping genes) – são elementos móveis 
genéticos que quando estão num local induzem uma modificação e quando estão noutro 
local induzem outra. 
Como a taxa de multiplicação celular é muito mais elevada em bactérias, estas são mais fáceis de 
estudar. 
 
Mutações – Consequências: 
 Se ocorrer em genes codificantes: 
 Mutações silenciosas (devido à existência de um código genético degenerado) 
 Mutações Missense (modificação do aminoácido) 
 Mutações Nonsense (formação de codões STOP) Mutações Frameshift (mutações por deslocamento de leitura dos codões) 
 Mutações com implicação no fenótipo celular: 
 Mutações morfológicas (alteração na morfologia das colónias ou da célula) 
 Mutações letais/condicionais (algumas delas só se exprimem em certas condições 
ambientais por exemplo determinadas temperaturas). 
 Mutações bioquímicas (m.o. auxotrofos)/resistência (mutações que induzem 
resistência a antibióticos) 
 Mutações em sequências reguladoras (regulação genética:p/ex:promotor) 
Gene 
mRNA 
Proteína 
Proteína Funcional 
41 
 
 Mutações em genes de tRNA e mRNA. 
Todas as mutações com implicação no fenótipo celular acabam por ser uma 
consequência das mutações nos genes codificantes. 
 
Reparação do DNA: 
1. DNA polimerase regula erros de bases – actividade de proofreading 
2. Correcção de dímeros de timina e bases alquiladas por fotoliases (catalizam 
reacções fotoquímicas) 
3. Sistemas de reparação Mismatches (MutS, MutH, DNA polimerase) 
4. Reparação Recombinacional (Proteína RecA). Há substituição de um fragmento 
danificado a partir de uma cópia não danificada presente na célula. 
5. Resposta SOS (paragem da síntese de DNA. Intervenção da RecA). 
Como o sistema RecA é de reparação, convém que esteja ausente nos organismos 
recombinantes, para não repararem as mutações induzidas. 
 
Mutações  acontecimentos completamente aleatórios em que há mecanismos de reparação. 
 
Criação da diversidade genética: 
 Nos Eucariotas: 
O processo que cria variabilidade genética nos eucariotas é diferentes dos procariotas. Para haver 
recombinação tem que ser nas zonas de homologia. O processo mais importante de recombinação 
genética ocorre durante o ciclo sexual, mais concretamente no crossing-over durante a meiose. 
 
 Nos Procariotas: 
 Recombinação Homóloga – requer os genes de recombinação bacteriana (recA – 
enzima que se destaca e que participa também na reparação SOS do DNA, B e C) e 
homologia entre os DNAs envolvidos. 
 Recombinação “site-specific” – ao contrário da recombinação homóloga que ocorre 
em qualquer região com ampla homologia entre as sequências, a recombinação sítio-
específica ocorre entre sequências específicas do DNA, normalmente homólogas em 
apenas uma pequena parte do DNA. Esta interacção é mediada por proteínas e não 
por complementariedade de bases. Esta recombinação é não recíproca, não há troca, 
é só inclusão! 
 
 Transposição – enzimas que promovem a transposição de um gene para outro 
(transposonas). É uma recombinação não homóloga. 
 
 
 
 
 
42 
 
Elementos transponíveis: 
Elementos transponíveis – diferentes tipos de transposões: 
 Transposão 
 IS (sequências de inserção) – é o tipo mais simples de elementos transponíveis. Estes elementos 
transportam apenas os genes necessários para a movimentação do elemento e respectiva 
inserção numa nova posição. Não transportam nenhuma informação genética adicional. 
 Transposão composito – são mais complexos e maiores que as IS. Transportam também 
informação genética que permite, por exemplo, a resistência a determinados antibióticos. 
 
 
 
 
Consequências da inserção de transposões: 
a) Mutações – podem inserir-se num gene e provocar uma mutação, podem estimular a 
reorganização do DNA, provocando delecções de material genético… 
b) Activação ou supressão de genes – alguns tranposões contém codões STOP, podendo 
bloquear a transcrição ou tradução. Outros transposões contém promotores que podem 
activar genes perto do local de inserção. 
 
 
Papel dos transposões na evolução dos plasmídios bacterianos – os plasmídios podem conter vários 
sítios-alvo para transposões diferentes, por isso os transposões movem-se frequentemente entre os 
plasmídios. Como muitos transposões contêm genes resistentes a antibióticos, eles ao moverem-se 
de um plasmídio para outro, os genes resistentes são introduzidos num plasmídio-alvo, criando um 
plasmídio resistente. Muitos plasmídios de resistência são capazes de se mover de uma célula para 
outra por conjugação, espalhando, desta forma, os genes de resistência por toda a população. 
 
Plasmídios – são moléculas de DNA de dupla cadeia, que podem ser lineares ou circulares, que não 
estão integrados no cromossoma bacteriano. São autónomos, tendo o seu próprio local de origem e 
podem dividir-se com uma ordem sincronizada ou não com o cromossoma. São muito frequentes em 
procariotas, têm dimensão variável e são herdados independentemente do cromossoma bacteriano. 
43 
 
Os Plasmídios codificam genes vantajosos. Existe um enorme variedade de plasmídios, entre os 
quais, destacam-se os seguintes tipos de plasmídios: 
 Factor F/Factor de Fertilidade – desempenha um importante papel na conjugação na E. coli 
 Plasmídios R – codificam a maioria das resistências a antibióticos 
 Plasmídios metabólicos – vias de degradação da lactose, ureia, tolueno, pesticidas, etc. 
 Plasmídios (1º a ser identificado na E. Coli) – codificam bacteriocinas (proteínas bacterianas 
que destroem outras bactérias) 
 Epissomas – plasmídeos que se conseguem integrar no DNA cromossómico do hospedeiro, 
sendo este processo reversível. Podem permanecer intactos durante muito tempo se 
duplicados em cada divisão celular do hospedeiro. Muitos dos plasmídeos F são epissomas. 
 Plasmídeos de virulência – contêm genes de virulência que tornam a bactéria mais 
patogénica. Por exemplo, genes que codificam para a síntese de toxinas, sideróferos, etc. 
 
Nota: Muitos plasmídeos F são também R, uma vez que no mesmo plasmídeo pode vir codificado o 
pilli sexual e a resistência a antibióticos. 
 
Merozigotos – quando as bactérias possuem uma porção de DNA extra, que fica parcialmente 
diploide, este DNA não é destruído e pode passar, ou não, à descendência. Está integrado ao 
plasmídeo e proporciona recombinação genética. 
 
Mecanismos de transferência genética – em procariotas a transferência de genes ocorre 
principalmente por três mecanismos: 
a) Conjugação 
b) Transformação 
c) Transdução 
 
a) Conjugação – transferência de genes através do contacto directo entre células bacterianas. O 
DNA é transferido directamente de uma bactéria para a outra. Existem 3 tipos de 
conjugação: 
1. Conjugação F+ com F- 
Doadores transportando factores F (células F+) transferem o plasmídio aos receptores 
(células F-), que, como resultado, tornam-se F+. 
2. Conjugação Hfr (high frequency of recombination) para F- 
Em algumas células que transportam o factor F, o factor integra-se no seu cromossoma, 
convertendo-se a célula em célula Hfr. Quando a conjugação ocorre entre uma célula 
Hfr e uma célula F-, o cromossoma da célula Hfr replica-se e uma fita parental do 
cromossoma é transferida para a célula receptora. A replicação do cromossoma Hfr 
inicia-se no meio do factor F integrado e um pequeno fragmento do facto F conduz os 
genes cromossómicos para a célula F-. Normalmente o cromossoma rompe-se antes de 
ser transferido por completo. Uma vez dentro da célula receptora, o DNA doador pode 
recombinar-se com o DNA receptor. (O DNA que não estiver integrado será degradado). 
Deste modo, pela conjugação com uma célula Hfr, uma célula F- pode adquirir novas 
versões de genes cromossómicos (assim como na transformação). Contudo, a célula 
receptora permanece F-, pois não recebeu um factor F completo durante a conjugação. 
 
44 
 
3. Conjugação F’ 
Como o plasmídeo F é um epissoma, pode abandonar o cromossoma bacteriano no qual 
está integrado. Durante este processo, o plasmídeo F comete um erro na excisão, de 
forma a que adquire uma porção do material cromossómico e se converte em plasmídio 
F’.A célula F’ conserva todos os seus genes, embora alguns deles se encontrem no 
plasmídeo. Esta célula cruza-se apenas com um receptor F-. Novamente, se transfere o 
plasmídeo, mas habitualmente os genes bacterianos presentes no cromosssoma não são 
transferidos. Os genes adquiridos durante a excisão do plasmídeo F’ são transferidos 
com ele, não sendo necessário serem incorporados no cromossoma receptor para serem 
expressos. Deste modo, o receptor converte-se em F´. 
 
b) Transformação 
 
A transformação é a integração de um fragmento de DNA livre por uma célula microbiana no seu 
DNA. Para isso, tem que ter sistemas de transporte. 
 
Frederick Griffith (1928) realizou uma experiência que tem a ver com este mecanismo de 
transformação. Foi uma experiência fundamental para identificar o DNA como material genético e a 
transformação é o mecanismo que está na base. 
 
 
 
 
O mecanismo de transformação tem-se verificado tanto em bactérias gram-positivas como gram-
negativas. 
 
45 
 
Existem 2 tipos de transformação: 
1. Transformação com DNA livre – DNA cromossómico com DNA livre 
2. Transformação com DNA plasmídico 
 
 
 
As bactérias são agentes patogénicos directos porque conseguem atravessar as nossas barreiras de 
defesa. Uma das principais causas que está na base é o facto de se transformarem. 
 
Atenção! O mecanismo de conjugação só ocorre entre células da mesma espécie, enquanto na 
transformação não é bem assim! 
 
Os mecanismos de transporte estão relacionados directamente com os mecanismos nutricionais, 
sendo também utilizados para transporte de DNA. 
 
 
c) Transdução 
 
A transdução é a transferência genética mediada por bacteriófagos (vírus). 
 
Bacteriófagos ou simplesmente designados por fagos – são vírus que infectam bactérias, compostos 
por uma cápside proteica e um único tipo de ácido nucleico. 
 
 
Bacteriófagos: 
 Bacteriófagos Virulentos – finalizam o seu ciclo replicativo, saindo da célula por lise celular. 
 
Durante um ciclo lítico pode haver incorporação do DNA bacteriano na cabeça dos fagos, 
logo alguma porção do DNA dos fagos teve que se perder, porque não cabe tudo na cabeça 
do fago. 
 
46 
 
 Bacteriófagos temperados – após entrada na célula, o genoma fágico integra-se no 
cromossoma bacteriano – profago-, sendo replicado sempre que a célula se divide. Os 
Bacteriófagos temperados são aqueles cujo genoma não está completo e por isso não 
conseguem completar o seu ciclo lítico. 
 
Lisogenia  Bactérias lisogénicas  Depois reversão do ciclo lisogénico para ciclo lítico. 
 
 
Existem 2 tipos de transdução: 
 Transdução generalizada 
Fagos com toda a informação genética  injecção exclusivamente do DNA do fago  célula produz 
unidades proteicas das cápsides e DNA dos fagos e dá-se a lise da célula. 
Aquando do empacotamento pode acontecer que os fagos levem algum DNA cromossómico e esses 
fagos não são capazes de completar o seu ciclo lítico. Se houver integração do fago, surge um 
processo que se chama lisogenia e o fago está integrado até que surja um fago competente que se 
chama fago lítico e vai funcionar como um fago helper porque vai induzir a lise do DNA bacteriano, 
que vai ajudar o fago que está integrado a fazer a excisão. 
 
 Transdução especializada 
Aquando da mudança do ciclo lisogénico para ciclo lítico pode ocorrer o transporte de uma região 
específica do cromossoma bacteriano, na partícula fágica, devido a uma integração do fago, num 
local determinado do cromossoma bacteriano da célula hospedeira. 
Na transdução um determinado fago tem uma especificidade de espécie. 
 
47 
 
 
 
 
Aplicações: 
 Mapeamento genómico, que se baseia no mecanismo de conjugação. O tamanho da 
molécula transportada depende do tempo de contacto. 
 DNA Recombinante 
 Clonagem: 
* Plasmídeos, Cosmídeos, Bacteriófagos, Cromossomas Artificiais, Vírus… 
* Plasmídeo contém: 
 - Multiple Cloning Site 
 - Gene de selecção (lacZ gene) 
 - Origem de replicação 
 - Gene de resistência: selecção de recombinantes (ampR gene) 
 
Plasmídeos (2 tipos): 
- Alta cópia 
- Baixa cópia (taxa de replicação mais baixa) 
 
Os Plasmídeos de clonagem têm 2 características importantes: 
 Têm sempre um gene de resistência de antibióticos (para identificar as clonadas) 
 Sequência nucleotídica com local múltiplo de clonagem (Multiple Cloning Site) 
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Em laboratório, é mais fácil induzir competência nas bactérias gram-negativas do que nas bactérias 
gram-positivas. Excepção: quando os inserts são muito pequenos. 
 
Transformação: 
Cultura de células competentes. 
 
A clonagem de DNA não tem que ser necessariamente de genes. 
 
Aplicação da clonagem: 
 Clonagem de Hormonas 
 Anti-corpos monoclonais – uma população de plasmócitos que só produz uma única 
proteína. O nosso soro tem n plasmócitos que produzem diferentes anticorpos contra 
diferentes epítetos de imunoglobulinas. 
 Animais transgénicas 
 Organismos geneticamente modificados 
 
 
I. Patogenicidade dos Microrganismos (Capítulo 33.1, 33.3 e 33.4 do 
Prescott) 
 
Parasitismo e Poder Patogénico Microbiano 
 
Relação entre organismo: 
 Qualquer organismo que cause doença é um parasita que vive à custa de um hospedeiro  
dependência metabólica. 
 Nesta relação, o corpo do hospedeiro pode ser visto como um microambiente que protege e 
suporta o crescimento e multiplicação do organismo parasita; 
 Muitas bactérias comensais podem tornar-se parasitas se estiverem num local diferente do 
que costumam colonizar ou então se estiverem em grande número, isto é, se houver um 
aumento exponencial em número. Exemplo: E. Coli se for para a bexiga. 
 
Existem vários tipos de parasitismo: 
 Ectoparasita – se um organismo vive na superfície do seu hospedeiro; 
 Endoparasita – se um organismo vive no interior do seu hospedeiro. 
 
Tipos de Hospedeiros: 
 Definitivo – aquele no qual o parasita atinge a maturidade. Para a microbiologia, é aquele em 
que o parasita se multiplica nas melhores condições ecológicas. 
 Intermediário – aquele em que o parasita passa por estádios anteriores à maturidade. Este 
hospedeiro é essencial para que se complete a propagação do parasita. 
 De transferência ou vector – é facultativo: pode existir, ou não, sem que o ciclo seja afectado 
com isso. 
 Reservatório – é muito importante no que diz respeito às zoonoses; é aquele em que o 
parasita se encontra, normalmente, na natureza; é assintomático. 
49 
 
Exemplos: 
a) Leptospira 
HD: Homem 
De transfererência ou paraténico: Rato 
Reservatório: Cão 
b) Mycobacterium bovis (não são só os bovinos que têm) 
c) Brucella (tem uma série de hospedeiros reservatório) 
 
Para provocar infecção o que a bactéria precisa fazer? 
 Crescer e multiplicar no hospedeiro, que pode resultar ou não em alterações de sintomas e 
sinais clínicos; 
 Varia com a gravidade, localização e número de organismos envolvidos, podendo ou não 
causar doença. 
 
Infecção – situação em que o indivíduo cresce e se multiplica no hospedeiro. 
 
Afecção – infecção que resulta em doença. Alteração do estado hígido causado pelo parasita. 
 
Agente Patogénico – qualquer organismo que causa doença num hospedeiro saudável. 
 
Patogénio primário – é qualquer organismo que causa doença num hospedeiro saudável por 
interacção directa; 
 
Patogénio oportunista – é um organismo que é capaz de viver livremente ou como uma parte da 
microbiota normal do hospedeiro, mas que pode adoptar um papel patogénico sob certas condições, 
como quando o sistema imune está comprometido. 
 
Ásvezes um organismo infeccioso pode entrar num estado latente em que nem se multiplica, nem 
dissemina e não há sintomas de doença no hospedeiro. Esta latência pode ser Intermitente ou 
Quiescente. 
 
Latência Intermitente – Após a infecção inicial os sintomas desaparecem, o vírus permanece no 
tecido nervoso e pode ser activado ciclicamente, semanas ou meses mais tarde por factores como 
stress e luz solar. Exemplo: Salmonella e vírus do herpes. 
 
Latência Quiescente – o organismo persiste mas permanece inactivo por longos períodos de tempo, 
geralmente anos ou mesmo décadas. Exemplo: Vírus da Varicela-Zoster, causa varicela nas crianças e 
mantém-se depois da doença diminuir. No adulto, sob certas condições, o mesmo vírus pode levar a 
uma doença designada herpes-zoster. 
 
Deste modo, o resultado de uma relação parasita-hospedeiro depende de 3 factores principais: 
 Nº de organismos presentes no hospedeiro – quanto maior o nº de organismos num 
hospedeiro, maior a probabilidade de desenvolver a doença; 
 Defesas ou grau de resistência do hospedeiro – a resistência do hospedeiro pode diminuir 
tanto que a sua própria microbiota pode causar doença; 
 Virulência do organismo 
50 
 
O termo virulência refere-se ao grau ou intensidade de patogenicidade, sendo determinada por três 
características do patogénio: 
 Infectividade – capacidade do organismo estabelecer focos de infecção 
 Invasividade – capacidade do organismo penetrar tecidos adjacentes e outros 
 Patogenicidade – capacidade do organismo provocar dano ao hospedeiro. O maior aspecto 
do potencial patogénico é a Toxigenicidade. A Toxigenicidade é a capacidade do patogénio 
produzir toxinas, substâncias químicas que provocam dano no hospedeiro e produzem 
doença. 
 
Quantificação da Virulência: 
A virulência pode ser determinada experimentalmente através da determinação da Dose Letal 50 
(DL50) ou da Dose Infecciosa 50 (DI50). 
 
DL50 – nº de m.o. capazes de matar 50% de um um grupo experimental de hospedeiros num 
determinado período. 
 
DI50 – nº de m.o. capazes de infectar 50% de um um grupo experimental de hospedeiros num 
determinado período. 
 
 
 
No entanto, é preciso ter também em consideração que uma doença pode ser também o resultado 
de uma resposta imune exacerbada e não directamente do efeito de determinados compostos 
tóxicos. 
 
Métodos de quantificar ou verificar Virulência (métodos alternativos): 
 Cultura de células 
 Ovos embrionados 
 Outros organismos 
 Real-time PCR 
 
Quanto menor for o DL50 ou DI50 
mais virulento é o patogénio. 
 
Neste caso, a estirpe A é mais 
virulenta que a estirpe B. 
51 
 
Patogenia da Doença Bacteriana 
 
A patogenia diz respeito ao estudo da origem das doenças e do modo como elas evoluem. 
Quais são os passos para promover doença? 
- Os passos para uma infecção por uma bactéria patogénica incluem: 
1. Estabelecer um reservatório (atingir nº suficiente) 
2. Transportar-se e entrar no hospedeiro. 
3. Aderir, colonizar e/ou invadir o hospedeiro. 
4. Multiplicar-se (crescer) ou completar o seu ciclo de vida no hospedeiro ou em células do 
hospedeiro. 
5. Escapar aos mecanismos de defesa iniciais do hospedeiro. 
6. Possuir a capacidade de provocar doença no hospedeiro. 
7. Abandonar o hospedeiro e regressar ao reservatório ou propagar-se e entrar num novo 
hospedeiro. 
 
Dos pontos 1 a 5 temos características do grau de infectividade e invasividade e o ponto 6 
corresponde á toxigenicidade. 
Os primeiros cinco factores influenciam o grau de infectividade e invasividade e a toxigenicidade tem 
um papel importante no sexto factor. 
 
Todos os patogénicos bacterianos devem ter pelo menos um reservatório. Os reservatórios mais 
comuns para patogénicos humanos são outros humanos, animais e o ambiente e estes constituem 
parte de um ciclo infeccioso. A capacidade e provocar doença depende do poder toxígeno. 
 
Transmissibilidade: 
 Contacto Directo – envolve o contacto físico entre a fonte da doença e o hospedeiro 
susceptível. Exemplo: Aerossóis. 
 Fomites (objectos inanimados) – constitui um contacto indirecto. 
 Vectores – carraças, ácaros e pulgas são os mais comuns. 
 
Depois do patogénio ser transmitido, tem que aderir ao hospedeiro para o poder invadir e/ou 
coloniza-lo.  Factores de adesão: 
 Estruturas de aderência – Fimbrias (estruturas filamentosas que ajudam a ligar a bactéria a 
outras bactérias ou superfícies sólidas), cápsula ou glicocálice (inibe a fagocitose e ajuda na 
aderência. Quando a camada é bem organizada e não pode ser eliminada, designa-se de 
cápsula), Pili (estrutura filamentosa que liga procariotas para transferência de material 
genético), S layer (camada mais externa do invólucro celular de algumas archaebactérias e 
eubactérias que pode promover a aderência a superfícies), Slime layer (filme bacteriano que 
é menos compacto do que uma cápsula e é facilmente removido), Ácidos Teicóico e 
Lipoteicóico (componentes da membrana celular de bactérias gram-positivas). 
 Adesinas – moléculas de adesão à superfície celular. Funcionam como o modelo de chave-
fechadura. As adesinas são moléculas especializadas ou estruturadas na superfície da célula 
bacteriana que ligam locais receptores complementares na superfície da célula hospedeira. 
52 
 
As bactérias que produzem adesina têm um factor de virulência e são potencialmente patogénicas, 
porque as condições do hospedeiro podem não ser adequadas, daí ser referido que são 
potencialmente! 
 
Invasividade do Patogénio: 
A invasão pode ser por: 
 Penetração Passiva – por vezes o agente patogénico pode penetrar a superfície epitelial por 
mecanismos passivos, não relacionados com o agente patogénico por si só. Exemplos: 
Feridas, Abrasões ou quando o hospedeiro realiza fagocitose (células eucariotas). 
 Penetração Activa – os agentes patogénicos penetram activamente as membranas mucosas 
e o epitélio após a adesão à superfície epitelial e isto pode ser realizado graças à produção de 
substâncias líticas que alteram o tecido do hospedeiro: 
 Atacando a substância fundamental e membranas basais dos tegumentos e lâminas 
intestinais; 
 Degradando os complexos de hidratos de carbono-proteínas entre células ou na 
superfície das células (glicocálix); 
 Corrompendo a superfície celular. 
Exemplos: 
- a Salmonella é fagocitada. 
- a Listeria tem penetração tipo fecho de correr. 
- a Leptospira tem penetração tipo saca-rolhas. 
 
 
Nota: Exemplos mais importantes sublinhados a vermelho! 
53 
 
Colonização  significa a multiplicação num local à superfície ou no interior do hospedeiro. 
Depende de: 
 capacidade da bactéria competir com sucesso com a microbiota normal do hospedeiro para 
nutrientes essenciais; 
 ultrapassar a barreira do hospedeiro; 
 ultrapassar as defesas específicas do sistema imunitário. 
 
Barreiras Inespecíficas  ajudam a não desenvolver doença. Exemplos: lisozima, muco e cílios, pele, 
pH ácido no estômago, toxinas das bactérias intestinais e o fluxo de urina. 
 
Defesas não específicas: Febre (aumenta a temperatura e as bactérias deixam de fazer síntese 
proteica e morrem) e fagocitose. 
 
Multiplicação no Hospedeiro: 
 Septicémia: presença e multiplicação de bactérias na corrente sanguínea 
 Toxémia: presença de toxinas na corrente sanguínea. 
 Bactéremia: bactérias na corrente sanguínea. 
As bactérias só provocam doença se produzirem factores de virulência. 
 
A cápsula é um factor de virulência das bactérias. 
 
Existem dois tipos de factores de virulência: 
 Tem a ver com a sua morfologia. Ex: cápsula, fimbrias, flagelo. 
 A bactériaproduz. Ex: produz toxinas 
 
Uma bactéria comensal pode tornar-se virulenta. Por exemplo: Uma E. coli comensal pode adquirir 
plasmídeos que a tornam virulenta. 
 
Os factores de virulência são apenas expressos no hospedeiro – expressão dependente das 
condições ecológicas do hospedeiro! 
 Genes de invasão da Shigella não são expressos a 25°C, só a 37°C. 
 Invasão da Salmonella ocorre em condições de Osmolaridade elevada. 
 
Ilhotas de Patogenicidade: 
 Os genes que codificam os factores de virulência normalmente estão agrupados em Ilhotas 
de Patogenicidade. 
 Uma bactéria pode ter mais do que uma ilhota de patogenicidade. 
 TTSS – Type III Secretion System (Sistema de secreção tipo III) – conjunto de 25 genes. 
Permite que bactérias gram-negativas secretem proteínas de virulência para o interior da 
célula eucariota do hospedeiro. 
 As ilhotas de patogenicidade normalmente aumentam a virulência microbiana e não estão 
presentes em membros não patogénicos do mesmo género ou espécie. Um exemplo 
específico é encontrado em E.coli: 
 A E.coli enteropatogénica possui grandes fragmentos de DNA que contêm genes 
virulentos ausentes na E.coli. 
54 
 
 
Toxigenicidade 
 
Toxinas: 
 Exotoxinas – são produzidas pelo microrganismo e excretadas para o exterior. 
 Endotoxinas – são constituintes da bactéria. Podem ser libertadas por lise nas bactérias ou 
aquando da divisão celular. 
 
Toxina – substância, produto do metabolismo microbiano, que altera o metabolismo normal das 
células do hospedeiro, com efeitos nocivos para o hospedeiro. 
 
Diferenças entre exotoxinas e endotoxinas: 
Características das Exotoxinas e Endotoxinas 
Característica Exotoxinas Endotoxinas 
Composição 
Química 
Maioritariamente são proteínas LPS, Lípido A 
Exemplo de 
doença 
Botulismo, Difteria, Tétano 
Infecções por Gram-negativas, 
meningococcemia 
Efeito no 
hospedeiro 
Altamente variável entre diferentes 
toxinas (neurotoxina, citotoxina, 
enterotoxina) 
Similar para todas as endotoxinas 
Febre Não Sim 
Genética 
Genes extracromossomais 
(plasmídeos, profagos) 
Genes cromossomais 
Estabilidade 
Térmica 
Termosensíveis, inactivadas a 60-
80°C, inactivadas por formaldeído, 
iodina. 
Termoestáveis até aos 250°C 
Resposta 
Imunitária 
Altamente imunogénicas Fracamente imunogénicas 
Localização 
Normalmente são excretadas para 
fora das células 
Parte da membrana externa das bactérias 
Gram-negativas 
Produção 
Produzidas tanto por bactérias 
Gram-positivas como Gram-
negativas 
Só se encontram nas bactérias Gram-
negativas, libertadas durante a morte das 
bactérias e algumas durante o crescimento. 
Toxicidade Altamente tóxicas/fatais Menos potentes/choque séptico 
Produção de 
toxóide 
Toxóides (anotoxinas) não tóxicos. 
Utilizados para imunização 
(utilizados como vacinas) 
Não podem ser utilizados como Toxóides 
 
Atenção: Só as bactérias gram-negativas é que têm constituintes celulares que podem constituir 
endotoxinas! 
 
 
 
 
 
 
55 
 
Doenças causadas por bactérias produtoras de toxinas: 
 
Infecção – as bactérias entram no hospedeiro que ingere um alimento contaminado (ex: ovos com 
Salmonella); uma vez no interior do hospedeiro, segregam toxinas que vão provocar doença. 
 
Intoxicação – a doença é provocada por toxinas pré-formadas (ex: numa lata tapada, houve 
desenvolvimento de Clostridium bottulinum, bactérias estas que segregam toxinas; se o alimento for 
consumido, a doença que sobrevém é causada pelas toxinas que nela se encontram, não pelas 
bactérias em si). 
 
Exotoxinas – 4 tipos: 
1. Exotoxinas tipo I: Toxinas AB 
 Subunidade A – enzimaticamente activa 
 Subunidade B – biologicamente inactiva, não tóxica 
 As Toxinas AB são sempre proteicas e são compostas por 2 subunidades. Actuam interferindo em 
diferentes processos metabólicos. 
 A subunidade A sozinha não consegue entrar na célula. Ela precisa da subunidade B. 
 Existem 2 mecanismos de entrada: 
 Ligação da subunidade B a um receptor de membrana, levando à formação de um poro que 
permite a entrada da subunidade A (é uma entrada mecânica). 
 Noutro mecanismo a subunidade B também se liga a um receptor de membrana, que vai 
despoletar a formação de uma vesícula que entra no citoplasma. A subunidade B não é uma 
enzina, essa subunidade permite a entrada da subunidade A. (entrada mais biológica). 
2. Exotoxinas tipo II 
 Nas toxinas tipo II a acção é focada num determinado tipo de órgão, isto é, num grupo muito 
específico. 
 Actuam extra ou intracelularmente, na célula-alvo. 
 Caracterizam-se com base no local afectado: Neurotoxinas (tecido nervoso), enterotoxinas 
(intestino), citotoxinas (acção específica em determinados tecidos). 
 Enterotoxinas  Ex: Toxinas da Cólera e Toxinas termolábeis de E. coli 
 Muitas delas têm mecanismos de acção AB (as duas classificações não se contradizem); 
 Toxinas com local específico de acção extra ou intracelular 
 A Tóxina botulínica e tetânica são neurotoxinas e têm efeitos opostos. 
 A toxina botulínica vai-se ligar de forma irreversível ao receptor do músculo, deixando de haver 
contracção desse músculo. Isto leva à perda respiratória, contracção cardíaca, etc (por exemplo). 
 A toxina tetânica impede a descontracção (relaxamento do músculo) – isto leva a uma contracção 
exagerada e leva à morte do indivíduo. 
 Citotoxinas  Ex: Toxina da difteria e toxina Shiga (Shiga like toxin 1 – Shigella spp., E. coli) 
3. Exotoxinas tipo III 
 Interferem com a membrana celular da célula-alvo (são aquelas que fazem perfuração). 
 Leucocidinas, hemolisinas, fosfolipases. 
 Porções A e B não dissociáveis. 
 Modo de acção: 
a) ligação da proteína ao colesterol, insere-se na membrana e forma um canal (poro) 
 Perda citoplasmática 
56 
 
 Influxo de água 
 Ruptura da célula 
 Ex: Leucocidinas, Hemolisinas 
b) hidrólise dos fosfolípidos da membrana citoplasmática, por remoção dos grupos polares. 
 Ruptura da célula 
 Fosfolipase (toxina que é uma enzima responsável por este modo de acção) 
 Ex: Clostridium perfrigens: gangrena gasosa (toxina α) 
4. Superantigénios – Toxinas do Tipo IV 
 Promovem um desequilíbrio, porque promovem a exacerbação da resposta do sistema 
imunitário. 
 Estimulação das células T – libertação de citoquinas (muito importantes na sinalização das células 
do sistema imunitário). 
 
Endotoxinas: 
 Produzidas pelas células 
 Constituintes celulares libertados após lise bacteriana ou durante a divisão celular. 
 A maioria das bactérias Gram-negativas têm um lipopolissacárido (LPS) na membrana externa da 
sua parede celular que, em determinadas circunstâncias, é tóxico para hospedeiros específicos. 
Este LPS denomina-se endotoxina, porque está ligado à bactéria e liberta-se quando o 
microrganismo é destruído. Parte das endotoxinas também se podem libertar durante a 
multiplicação. 
 O componente tóxico do LPS é a parte lipídica que se denomina de lípido A. 
 
Características das Endotoxinas: 
 Termoestáveis 
 Tóxicas em doses elevadas (mg/Kg) 
 Pouco imunogénicas 
 Semelhantes em m.o. diferentes 
 Produz efeitos sistémicos: febre, choque, coagulação sanguínea, diarreia, inflamação, etc. 
 
Consequências da libertação de LPS  ligação do complexo LPS + LBP ao receptor CD4 ou 
receptores dos macrófagos. 
 
Efeitos da endotoxina: 
 Aumento da permeabilidade e lesões vasculares nos alvéolos pulmonares; 
 Inflamação Aguda; 
 Edema Pulmonar; 
 Diminuição das trocas gasosas ( Perfusão reduzida e lesão dos capilares hepáticos.  
Diminuição da função hepática… Choque séptico, Falência orgânica, Morte) 
 
 
 
 
 
 
57 
 
J. Cocos Gram-positivos: Staphylococos spp.; Streptococcus spp. (Livro 
Veterinary Microbiology and Microbial Disease – cap. 8 e 9) 
 
Staphylococcus spp. 
Filo: Firmicutes 
Classe: Bacilli 
Família: Stapylococcaceae 
Género: Staphilococcus 
 
 Cocos Gram-positivos; 
 Agrupados em cachos irregulares; 
 Comensais da pele e membranas mucosas; 
 M.o. patogénicos oportunistas e provocam infecções piogénicas relacionadas com produção 
de pus; 
 A maioria são anaeróbios facultativos e catalase positivos, mas há excepções (S. aureus e S. 
saccharolyticus são anaeróbios estritos e catálase negativos) 
 São imóveis, oxidase-negativos, não formadores de esporos. 
 A maioria são coagulase-positivos, excepção S.hyicus que tem coagulase variável (uns 
positivos e outros não); 
Nota: A produção de coagulase está relacionada com a patogenicidade e vemos como? Com 
a mistura num plasma de coelho. Coagulase-positivas estão geralmente relacionadas com 
doenças de maior gravidade, por isso são potencialmente mais patogénicas. Por exemplo: 
Doenças supurativas, endometrite, cistite, otite, artrite, linfadenite, infecções cutâneas 
supurativas. As coagulase-negativas até agora só foram relacionadas com Infecções cutâneas 
e mastite. 
 Distribuição mundial; 
 Comensais da pele dos animais e do homem. Também nas mucosas do trato respiratório 
anterior; 
 Podem ser adquiridos via endógena ou exógena; 
 Podem sobreviver no ambiente durante muito tempo; 
 Crescem em meios não enriquecidos; 
 Algumas estirpes apresentam uma afinidade selectiva para diferentes espécies animais. Mas 
não há barreira de espécie, ou seja, podem transitar de espécie para espécie. A espécie que 
parece ser mais espécie-específica é o S. felis (até agora apenas isolado de gatos). 
 Transferência de estirpes entre os animais e o homem de Staphilococcus aureus: em termos 
de potencial zoonótico é a MRSA (Staphilococcus aureus meticilino-resistentes). Estudos 
apontam que há transmissão dos animais para o homem. É altamente resistente a 
antibiótico. 
 
 
 
 
 
 
58 
 
Staphilococcus aureus – identificação laboratorial: 
 Morfologia das colónias: 
Colónias provenientes de cães são geralmente brancas. No Homem e bovino são geralmente 
amarelas. S. pseudintermedius e S. hyicus não são pigmentados. 
 Padrão de Hemólise – Hemolisina em agar-sangue: 
 S. aureus e S. pseudintermedius produzem dois tipos de hemolisinas: α-hemolisina e 
β-hemolisina, ou seja, S. aureus e S. pseudintermedius produzem hemólise dupla. 
 S. coagulase negativos – produzem a hemolisina mais tarde (produção mais lenta). 
 
 Testes bioquímicos: 
 Prova da catalase: catalase-positivos e catalase-negativos 
 Teste da coagulase: 
- Coagulase-positivos: Staphilococcus 
- Coagulase-negativos: Micrococcus 
(A produção de coagulase está relacionada à patogenicidade) 
 O Teste da catalase e coagulase são uma alternativa ao API 
 S. aureus é mais resistente a antibióticos que o S. pseudintermedius. No cão e no 
gato, ambos foram identificados como agentes mais frequentes de Pioderma. Foram 
isolados também a partir de infecções em humanos. 
 S.pseudintermedius são exclusivos nos animais domésticos – pequenos animais. 
 Teste de Voges-Proskaeuer – S. aureus positivo para acetoína e S. pseudintermedius 
não é positivo. 
 Purple agar – contém púrpura de bromocrasol como indicador de pH e 1% de 
maltose. É utilizado para diferenciar S. aureus do S. intermedius. S. aureus utiliza a 
maltose e a produção de ácido produz alterações no meio e as colónias passam de 
púrpura a amarelo. S. intermedius é pouco fermentador de maltose, não provocando 
alterações no meio. 
 
 E quanto aos coagulase negativos quando os identificamos? Quando estão em sítios 
onde não é suposto. São identificados em cultura pura ou isolados a partir de locais 
estéreis (articulações, líquido cerebroespinhal. Numa cultura estéril não é suposto lá 
estarem!) 
 Testes moleculares 
 
59 
 
Patogénese e Patogenicidade: 
 
 Em infecções cutâneas crónicas por Staphylococcus a lesão é granulomatosa com bolsas de 
pus ao longo do tecido. 
 Os agentes patogénicos produzem uma vasta gama de toxinas e enzimas. Os factores de 
virulência mais importantes são a Coagulase (conversão do fibrinogénio e fibrina) e 
Estafiloquinase. 
 Proteína A – a sua principal função é a invasão do sistema imunitário. É um componente da 
superfície que se liga a porção Fc da IgG e inibe a opsonização. 
 As enterotoxinas que são designadas de A a E estão envolvidas na intoxicação alimentar, no 
ciclo do vómito. 
 Piémia transmitida por carraças e epidermite exsudativa são as únicas exclusivamente 
atribuídas a Staphilococcus unicamente. 
 Outras doenças: Mastite e Pioderma. 
 S. aureus é o que provoca infecções mais severas. 
 Onfalite – inflamação do cordão umbilical 
 S. aureus anaerobius – linfadenite. É anaeróbio, logo não se faz a prova da catalase! 
 S. pseudintermedius – piodermite… 
 S. hyicus – epidermite exsudativa, mastite (rara), poliartrite. 
 
Que tipo de amostras? Amostras relacionadas com os sinais que demonstram  por isso recolha de 
leite, pus (abcessos)… 
 
Meio Baird-Parker – é selectivo para Staphilococcus, sendo utilizado em microbiologia alimentar. 
 
A avaliação da susceptibilidade a antibióticos deve preceder o tratamento (avaliar MDR). 
 
Streptococcus spp. 
 
Filo Firmicutes 
Classe Bacilli 
Ordem Bacillales 
Família Streptococcaceae 
Género Streptococcus 
 
Streptococci (inclui: Streptococcus, Enterococcus e Peptostreptococcus)≠ Streptococcus. Todos são 
cocos gram-positivos. 
 
 O género bacteriano mais importante em termos patogénico é o Streptococcus. 
 Grupo de bactérias que pode infectar muitas espécies animais, causando condições 
supurativas (mastites, metrites, poliartrite e meningite). 
 As espécies do género Streptococcus são cocos Gram-positivos e organizam-se em cadeias de 
diferentes tamanhos. O único que se organiza em forma de pêra é o Streptococcus 
pneumoniae (pneumococos). São catalase-negativos, anaeróbios facultativos e imóveis. São 
bactérias fastidiosas e requerem a adição de sangue ou soro no meio de cultura. 
60 
 
 As estirpes patogénicas apresentam cápsulas espessas e produzem colónias mucoides 
quando cultivados em agar-sangue durante 24-48h a 37°C. 
 O Streptococcus morre mais facilmente no exterior, por isso é mais provável encontrar a 
nível endógeno. São sensíveis à dessecação. 
 Os Streptococcus distribuem-se por todo o mundo; são comensais da mucosa respiratória 
anterior e da génito-urinária posterior. São menos resistentes no meio ambiente que os 
Staphylococcus. 
 Streptococcus – colónias pequenas, translúcidas e geralmente hemolíticas. 
 Devemos analiser o tipo de hemólise para nos dirigir-mos para uma das 3 espécies. 
Tipo de hemólise em agár-sangue: 
 β-hemólise é uma hemólise completa indicada por uma zona clara ao redor das 
colónias; 
 α-hemólise é uma hemólise parcial ou incompleta, indicada por uma zona 
esverdeada ou pouco clara ao redor das colónias; 
 γ-hemólise não causa alterações observáveis ao redor das colónias no agar-sangue. 
Fala-se de γ-hemólise quando a bactéria não é hemolítica. 
 Grupo de Lancefield – sistema de classificação serológica. Baseia-se nas características 
antigénicas de um polissacárido da cápsula bacteriana de composição variável, a substância 
C. 
- Teste de aglutinação em látex: se houver aglutinação, a substância C está presente. 
 
Streptococcus de maior interesse clínico: Streptococcus pyogenes – é um Estreptococo β-hemolítico dos mais importantes a nível de 
patogenicidade. 
 S. agalactiae, S.dygalactidae e S. uberis (agentes de mastites) 
 S.pneumoniae – é o Estreptococo α-hemolítico mais importante (Pneumonia por 
pneumococos) 
 S. equie, subespécie equisimillis – tem localização diferente consoante a espécie do 
hospedeiro; geralmente está envolvido em processos purulentos nas serosas e mucosas. 
Geralmente, os Estreptococos β-hemolíticos são mais patogénicos que os Estreptococos α-
hemolíticos. 
 S. suinis – o único com importância em termos zoonóticos. 
 
Os Estreptococos em termos de zoonoses não são tão importantes como os Estafilococos. 
Os seres humanos são muito mais perigosos em termos de Estreptococos que os animais para os 
humanos. 
 
Factores de virulência: 
 Exotoxinas – hemolisinas (estreptolisina O e S), DNAse, NADase, protease, estreptoquinase 
(enzima trombolítica e também promove coagulação do fibrinogénio) e hialuronidase. A 
existência de enzimas confere capacidade de penetração à bactéria; 
 Proteína M – anti-fagocítica e pode funcionar como adesina; 
 Cápsula polissacárida – factor de adesão e anti-fagocítico – estirpes sem cápsula não são 
patogénicas. 
Estes factores de virulência não têm de co-existir todos no mesmo organismo. 
61 
 
Amostras: 
 Pus ou exsudado; 
 Meio de transporte numa zaragatoa porque é muito sensível ao meio ambiental. 
 
Identificação: 
 Isolados 
 Teste de campo (CAMP test) – consiste em semear Staphylococcus aureus (bactéria β-
hemolítica) no centro de uma placa com meio de cultura e depois semear à sua volta os 
Streptococcus que queremos identificar. Neste tipo de teste só os Streptococcus do grupo B 
produzem um fenómeno de aumento da hemólise do Staphylococcus aureus. A este 
aumento da hemólise produzida pelo Staphylococcus aureus chama-se fenómeno CAMP +. 
De salientar que apenas os Streptococcus do grupo B produzem esta característica banda de 
hemólise. Este teste demora 24 horas e só nos indica se o Streptococcus é ou não do grupo 
B. 
 
K. Bactérias Gram-positivas esporuladas 
 
Género Bacillus 
Filo Firmicutes 
Classe Bacilli 
Género Bacillus 
 
 Bacilos Gram-positivos, esporulados, dispostos em cadeias; 
 Aeróbios estritos ou anaeróbios facultativos 
 A capacidade de crescer aerobiamente e de produzir catalase distingue as espécies de 
Bacillus das de clostrídeos, que também são bacilos gram-positivos formadores de 
endósporos. 
 Móveis (excepto B. anthracis e B. mycoides) 
 Catalase-positivos (excepto B. anthracis) 
 Crescem em meios não enriquecidos 
 Muitas espécies são oxidase-negativas 
 Produzem endósporos 
 Como são bactérias esporuladas há uma primeira classificação que tem a ver com os esporos: 
Gram + Gram + 
Esporos não deformantes Esporos deformantes 
Esporos ovais, centrais ou terminais 
Esporos ovais, centrais ou 
terminais 
Esporos alongados, 
terminais ou subterminais 
Céls vegetativas ≥ 
1μm largura 
Céls vegetativas ≤ 
1μm largura 
B. polymyxa 
B. macerans 
B. circulans 
B. stearothermophilus 
B. alvei 
B. laterosporus 
B. brevis 
B. sphaericus 
B. cereus 
B. anthracis 
B. megaterium 
B. mycoides 
B. thuringiensis 
B. licheniformis 
B. subtilis 
B. pumilus 
B. firmus 
B. coagulans 
 
62 
 
 Todos os Bacillus são ubiquitários, a maioria saprófitas (ar, solo, água) e sem potencial 
patogénico; 
 Muito resistentes no exterior (esporulação). Endósporos mantêm viabilidade por um período 
superior a 50 anos; 
 Esporos presentes em áreas endémicas, restritas com clima quente e solo calcário. 
 O Bacillus mais importante em Medicina Veterinária é o B. anthracis. 
 Bacillus cereus complexo, possui 3 fenótipos: 
 B. cereus (arquétipo do grupo) – intoxicações alimentares, doença; 
 B. thuringiensis – letal para insectos, utilizado para o controlo de pragas; coloniza o 
aparelho digestivo das minhocas. 
 B. anthracis – altamente patogénicos (herbívoros). 
 B. cereus (Humanos, Caprinos, Ovinos e Bovinos como hospedeiros) – associado a 
intoxicações alimentares, infecções oculares e mastites raras. 
 B. anthracis – carbúnculo hemático 
 As vias de infecção são essencialmente três: Ingestão de esporos, contaminação por feridas, 
solo de pastagem. 
 Ciclo de infecção do B. anthracis: 
Estes microrganismos não têm uma capacidade infecciosa muito grande, o problema são as 
toxinas! 
1. Esporulação no solo 
- alimentação – principalmente porque se alimentam junto ao solo 
- feridas 
2. Germinação dos esporos no organismo infectado 
- Produção de toxinas 
- Acção das toxinas  Morte 
3. Libertação de bactérias 
 Quais são os factores de virulência do B. anthracis? 
Os dois factores de virulência são codificados por plasmídeos (exotoxinas por genes 
plasmídicos pXO1 e cápsula por pXO2). 
 3 exotoxinas – São toxinas do tipo AB. As três toxinas são: antigénio protector (PA) – 
gene Pg, factor edema (EF) e factor letal (LF). Individualmente estas toxinas não são 
tóxicas, mas sim em conjunto (toxina trivalente). O antigénio protector actua como 
transportador intracelular das restantes toxinas. Actua como subunidade B de 
exotoxinas AB. 
 Cápsula com poli-D-glutamato – antigénios da cápsula (genes capA, capB e CapC). 
Confere resistência à fagocitose por macrófagos, proporcionando evasão ao SI e 
inibição da digestão proteolítica dentro das enzimas. 
 B. anthracis: 
 Edema e Necrose 
 Entrada em circulação 
 Lesão dos glóbulos brancos 
 Inibição fagocitária 
 Divisão bacteriana 
 Produção de exotocinas 
 Aumento da permeabilidade vascular 
63 
 
 Septicémia  Morte 
 
 Atenção: Diferentes espécies têm diferentes susceptibilidades ao B. Anthracis! 
Susceptibilidade: Bovino > Ovino, Caprino > Humano > Equino > Suíno > Carnívoros > Aves 
 B. anthracis – medidas de controlo: 
As medidas de controlo em regiões endémicas são diferentes das medidas de controlo nas 
regiões não endémicas… 
 Regiões endémicas – vacinação anual de bovinos, ovinos e caprinos; 
quimioprofilaxilia (penicilina) e vacina morta para humanos. 
 Regiões não endémicas – proibição de movimentação animal, uso de vestuário 
apropriado, pedilúvios com desinfectantes, fumigação com formaldeído, eliminação 
das carcaças por incineração, etc. 
 
Diagnóstico laboratorial: 
 B. cereus, B. thuringiensis, B. anthracis 
 Amostra: sangue, líquido peritoneal, baço. 
 Observação microscópica – B. anthracis: observação da cápsula directamente a partir de 
esfregaços. 
 Critérios para identificação de isolados de B. anthracis: 
 Isolamento em agar-sangue (aerobiose a 37°C) 
 Morfologia colonial 
 Aparência microscópica em esfregaços corados pela técnica de Gram (bacilos longos, 
associados em cadeias longas, gram-positivos) 
 Ausência de crescimento em Agar MacConkey 
 Características culturais e se necessário testes de patogenicidade em animais de 
laboratório 
 Identificação por testes bioquímicos: API 50CH, hemólise, gelatina, cápsula, 
mobilidade, lecitinase, susceptibilidade a fagos, susceptibilidade à penicilina. 
 
Bacillus cereus: 
 É uma bactéria patogénica. É um comensal oportunista. Gosta de esporular em grandes 
quantidades de amido, logo é fácil encontra-lo em alimentos. É frequente em alimentos 
frescos. 
 Induz duas síndromes completamente diferentes: Síndrome Diarreica e Síndrome Emética, 
por: 
 Consumo de alimentos contaminados 
 Consumo de alimentos onde já ocorreu produção de exotoxinas 
 Síndrome Emética – Intoxicação devido a toxinas produzidas nos alimentos contaminados: 
arroze massas. Toxina emética – cereulide – muito resistente ao calor. Toxina pré-formada 
pelas formas vegetativas, resistente no trato gastro-intestinal. Estimulação do nervo vago 
aferente. Sintomas: vómito. 
 Síndrome Diarreica – Produção intestinal de enterotoxinas, hemolisinas e citotoxinas. 
Sintomas: diarreia e dor abdominal. Consumo de alimentos contaminados: guisados, aves, 
peixes e produtos lácteos). 
64 
 
 
 
Género Clostridium 
 
Filo Firmicutes 
Classe Clostridia 
Género Clostridium 
 
 Comensais 
 Habituais no TGI de Ruminantes 
 Em situações de desequilíbrio pode ocorrer doença 
 Bacilos Gram-positivos, anaeróbico, formadores de esporos, catalase e oxidase-negativos 
 Móveis (excepto C. perfrigens) 
 Crescem em meios enriquecidos 
 As colónias de C. perfrigens são rodeadas por zonas de dupla hemólise 
 Amostras: 
 Colher para meio em anaerobiose (carvão vegetal) 
 Colher para seringa fechada porque se a bactéria fica em contacto com O2 morre 
(porque é anaeróbia obrigatória). 
 Diagnóstico laboratorial: 
 Propagação em agar-sangue enriquecido com vitamina K, extrato de levedura e 
hemina. 
 Incubação em Anaerobiose (Prova de ar paralelamente) 
 Observação microscópica 
 Provas Bioquímicas: capacidade proteolítica: lecitinase, lípase, gelatina, caseína,… 
 Os patogénicos podem ser agrupados de acordo com o modo e o local de acção das suas 
exotoxinas: 
1. Neurotóxicos – pouco invasivos, mas produtores de exotoxinas. Ex.: C. tetani e C. 
botulinum. 
2. Histotóxicos – invasivos, produtores de exotoxinas menos potentes 
3. Enterotoxémias – produtores de enterotoxinas, induzindo uma toxémia importante 
em ruminantes e equinos. Ex.: C. perfrigens. 
4. Doenças induzidas por antibióticos – doença entérica por desequilíbrio da 
microflora intestinal. Ex.: C.spiroforme, C. difficile. 
65 
 
1. Neurotóxicos: 
 
 C. tetani: 
 Indução de paralisia espástica. 
 Bactérias esporuladas telúricas (alta resistência ambiental das formas esporuladas) 
 Bacilos gram-positivos. Esporos terminais e deformantes (aparência de raquete de 
ténis). 
 Habitat: solo contaminado por fezes 
 Infecção: 
- Introdução de esporos em feridas profundas. 
- Germinação nos tecidos. 
- Produção local de toxinas. 
 As aves não são susceptíveis ao tétano. 
 Atenção: Não é invasivo, mas sim produz toxinas localmente! 
 Factores de virulência: 
- Tetanolisina (hemolisina), produzida localmente, facilita a multiplicação bacteriana. 
- Tetanoespasmina – neurotoxina codificada por plasmídeo. Actua nos terminais 
inibidores, bloqueando os sinais inibibores que promovem a descontracção 
muscular, provocando um estado de rigidez extrema e dolorosa. 
 
 C. botulinum 
 É muito importante na intoxicação alimentar! 
 Impede a libertação de acetilcolina, originando a paralisia flácida. 
 Toxinas: A, B, Cα, Cβ, D, E, F, G (alimentos humanos). Estas toxinas inibem a 
contracção muscular. Se há descontracção  não há respiração nem batimento 
cardíaco! 
 
 
66 
 
2. Histotóxicas – funcionam por lesão celular! Produzem uma variedade de lesões nos animais 
domésticos. 
 C. chuvoei 
 C. septicum 
 C. novyi (A-D) 
 C. sordelli 
 C. colinum 
 C. perfrigens (A) 
 
3. Enterotoxémias 
 Intoxicações fatais e agudas 
 Toxinas de maior importância: Toxina α, β, ε (epsílon), ι (iota) 
 C. perfrigens são comensais do TGI. Temos enterotoxémias se houver desequilíbrio. 
 Frequente em exploração extensiva. 
 Existem vacinas. 
 
4. Disbioses – doenças induzidas por antibióticos 
 C.spiroforme – presente habitualmente na flora intestinal. Desequilíbrio por 
terapêutica com antibiótico pode causar multiplicação excessiva  Doença. 
 C. difficile – associado a infecções nasocomiais em hospitais. Afecta coelhos, cobaias 
e humanos. Causa uma enterocelite neutropénica. 
 
 
L. Género Corynebacterium, Rhodococcus equi, Género Listeria, 
Erysipelothrix rhusiopathiae (Quinn: Cap. 10, 11, 13 e 14) 
 
Corynebacterium spp. 
Filo Actinobacteria 
Classe Actinobacteria 
Ordem Actinomycetales 
Família Corynebacteriaceae 
Género Corynebacterium 
 
 São Bacilos Gram-positivos mais pequenos, são pleomórficos (podem apresentar várias 
formas). 
 Fastidiosas, crescem em meios enriquecidos 
 Podem aparecer isolados ou em paliçada. 
 Catalase-positivos e oxidase-negativos 
 Anaeróbios facultativos, não formadores de esporos 
 Não móveis 
 São comensais das membranas mucosas, pele e TGI. 
 Formam infecções supuradas. 
 Morfologia das colónias – a espécie mais importante é o C. pseudotuberculosis (colónias 
pequenas esbranquiçadas, secas, quebradiças). 
67 
 
 Identificação Bioquímica – Teste API Coryne (+ indicado) ou BBL 
 Teste de sinergia da Hemólise – faz-se uma sementeira em cruz 
 Patogénese e Patogenicidade – maioria patogénico oportunista. As Corinebactérias, com 
excepção de C. bovis, são microrganismos piogénicos que causam uma grande variedade de 
condições supurativas em animais domésticos. C. bovis, foi encontrada no canal do teto em 
mais de 20% das vacas de leite aparentemente sadias, provoca uma resposta imunitária 
ligeira. Tem sido sugerido que essa resposta pode proteger a glândula mamária contra a 
invasão de muitos agentes patogénicos virulentos. 
 Factores de virulência: o mais importante é a Fosfolipase D que vai hidrolisar uma proteína 
presente nas membranas das células. 
 Principais afecções: 
 C. bovis – provoca mastite 
 C. Pseudotuberculosis: 
- linfadenite caseosa 
- condição crónica supurativa em ovinos e caprinos, bovinos (raro). 
- abcessos encapsulados com material caseoso no interior. 
- também já foi encontrado nos suínos. 
- Diagnóstico laboratorial: espécies animais afectadas e sinais clínicos 
- Amostras: Pus, exsudados, amostras de tecido afectado 
- Identificação laboratorial: (1) observar características morfológicas das colónias, (2) 
presença ou ausência de hemólise, (3) ausência de crescimento em agar MacConkey. 
 
Rhodococcus equi 
 
 Colónias rosa-salmão mucoides sem hemólise 
 Gram-positivas, aeróbias, cocos ou bastonetes (depende da estirpe) 
 Imóvel, catalase-positivo e oxidase-negativo 
 Saprófitas do solo 
 Crescem em meio não enriquecido 
 Comensal do trato intestinal dos animais 
 Patogénico oportunista em poldros com menos de 6 meses de idade 
 Factores de virulência: tem vários, mas os mais importantes são a cápsula de polissacáridos 
(antifagocitários – conseguem “fugir” ao fagossoma antes de este ser destruído nos 
lisossomas) e os ácidos micólicos na parede celular (retardam a fagocitose). 
 Principais afecções: Broncopneumonia supurativa em poldros (devido ao facto da imunidade 
celular ao nível dos pulmões não se encontrar completamente desenvolvida). 
 Diagnóstico laboratorial: 
 Amostras: pus, aspirado traqueal, fezes (valor de diagnóstico se > 106 UFC/g) 
 Identificação laboratorial: 
 Meios de cultura: Agar-sangue e MacConkey (para confirmar que é mesmo 
gram-positiva) 
 Critérios para identificação dos isolados: 
 Colónias não-hemolíticas no agar-sangue, cor salmão e mucoides; 
 Ausência de crescimento em agar MacConkey 
68 
 
 Teste de CAMP positivo 
 Perfil bioquímico utilizando kits comerciais (BBL) 
 
Género Listeria 
Filo Firmicutes 
Classe Bacilli 
Ordem Bacillales 
Família Listeriaceae 
Género Listeria 
 
Características gerais: 
 Cocobacilos gram-positivos, anaeróbios facultativos 
 São móveis, catalase-positivos e oxidase-negativos 
 Parasita intracelular facultativo (multiplica-se dentro das células) Género constituído por 6 espécies, das quais 3 são patogénicas. A espécie patogénica mais 
importante é a L. monocytogenes. As outras duas espécies patogénicas são a L. ivanovii e L. 
innocua. 
 A L. monocytogenes cresce numa ampla gama de temperaturas (4°C a 45°C) e pH (5,5 a 9,6) 
 
 
Habitat: amplamente distribuída no ambiente – solo, forragens, silagens (pH >5,5), fezes de animais 
saudáveis e efluentes. 
 
Identificação laboratorial: 
É muito difícil de observar. 
 Colónias pequenas, lisas e transparentes. 
 Teste de CAMP positivo com Staphilococcus aureus, mas não com Rhodococcus equi 
 Hemólise (hemólise de L. ivanoii > L. monocytogenes) 
 Kits de identificação bioquímica 
 Análise do serotipo (3 serotipos mais importantes: 1/2a, 1/2b e 4b responsáveis por 
Intoxicação alimentar por L. monocytogenes) 
 Fagotipificação 
 
69 
 
Patogénese e Patogenicidade: Intracelular, produz factor de virulência que a faz entrar dentro da 
célula, escapa ao fagossoma e forma uma cápsula de actina, movimenta-se ate à superfície da célula. 
Formam-se profusões que permitem à bactéria penetrar nas células vizinhas (desta forma acaba por 
nunca ter contacto com o sistema imunitário do organismo). 
 
 
 
Factores de virulência mais importantes na L. monocytogenes: Internalina, Listeriolisina O, “Actin 
Assembly-inducing protein”- ActA  Vão permitir que a Listeria passe de umas células para as outras 
sem passar pelo sistema imunitário. 
 
Principais afecções: Rações e alimentos contaminados  resulta em Septicémia… Tem 
sintomatologia nervosa (o animal anda em círculos, daí o nome “circling disease”. 
 
No Homem é uma zoonose e também é transmitida por alimentos contaminados (pode ser 
transmitida pelo leite e resiste ao processamento deste na produção de queijo, carnes processadas, 
carne crua). 
 
Erysipelothrix rhusiopathiae 
Filo Firmicutes 
Classe Erysipelotrichi 
Ordem Erysipelotrichales 
Família Erysipelofrichidaes 
 
Características Gerais: 
 Gram-positiva, anaeróbia facultativa, não móveis 
 Catalase-negativa, oxidase-negativa 
 Cresce numa grande amplitude de temperaturas e pH. 
 Resistente na presença de altas concentrações de sal (portanto a Salmoura não resulta) 
 Colónicas lisas (Infecção Aguda) ou irregulares (infecção crónica) 
 Meio sólido suplementado com sangue ou soro 
 
1) invasão por endocitose 
mediada por internalinas 
2) lise do fagossoma pelas 
hemolisinas (Listeriolisina O) 
produzidas pela Listeria e 
replicação no citoplasma 
3) mobilidade entre células 
mediada pela ActA, desta 
forma a Listeria passa de 
umas células para as outras 
sem passar pelo sistema 
imunitário. 
70 
 
Habitat: 
 Distribuição mundial 
 Excreção nas fezes e secreções oronasais 
 50% dos suínos têm esta bactéria nas amígdalas. Contaminação do solo e água das 
superfícies. Os peixes constituem uma forma de contaminação para o Homem. 
 
Identificação laboratorial: 
 Morfologia das colónias: colónias pontuais lisas ou rugosas 
 Produzem H2S no meio TSI (meio com 3 açúcares e ferro)  o ferro vai formar H2S 
 Serotipificação – as mais importantes são: Ia, Ib e 2 
 Hemólise incompleta em 48h 
 
Patogénese e Patogenicidade: através de ingestão de material contaminado. 
 
Factores de virulência mais importantes: Cápsula (protege da fagocitose) e Neuraminidase (enzima 
que ajuda na penetração celular). 
 
Principais afecções: 
 Infecta suínos, ovinos e perús 
 Suínos: lesões na pele perfeitamente características , disseminação hematogénica (artrite, 
endocardite, septicémia, aborto). 
 No homem: provoca celulite localizada (é uma doença ocupacional no homem, pois vai 
actuar nas pessoas que trabalham directamente com os animais infectados, sobretudo 
suínos). 
 
M. Mycobacterium (Quinn: cap. 17) 
 
 Bactérias aeróbias, não formadoras de esporos, não móveis; 
 Apesar de Gram-positivas, o conteúdo elevado de lípidos faz com que o corante não seja 
incorporado; 
 Bacilos álcool-resistentes: Coloração Ziehl-Neelsen; 
 Diagnóstico nem sempre é simples 
 Cultura leva muito tempo (até 16 semanas no caso de M.avium paratuberculosis), portanto é 
muito fastidioso; 
 Imunidade humoral muito tardia – detecção de anticorpos pouco sensível como método de 
diagnóstico até fases muito avançadas  Utiliza-se imunidade celular 
 Podem passar barreira inter-específica. 
 Resistem muito tempo no meio ambiente. 
 Doenças crónicas e progressivas. Muito raramente surgem sinais clínicos em animais antes 
dos dois anos. 
 Tratamento não é possível nos animais. 
 Vacinação não eficaz ou não autorizada (vacina de paratuberculose só nos peq. Ruminantes) 
 Impacto económico elevado (doenças muito debilitantes, problemas reprodutivos) 
 
 
71 
 
Tuberculose bovina: 
 M. bovis subsp bovis 
 Potencial zoonótico (reduzido pela pasteurização) 
 
Tuberculose: 
 Existe um plano de erradicação nacional em bovinos. 
 Javalis, veados, texugos e outra vida selvagem afectada, devido a passar a barreira inter-
espécie. 
 Diagnóstico por intradermo-tuberculinização ou γ-interferão. 
 Casos clínicos muito raros. 
 
Paratuberculose ou doença de Johne: 
 Afecta ruminantes; 
 Discute-se a possibilidade de contribuir para a doença de Crohn; 
 Espessamento da mucosa intestinal; 
 Má absorção de nutrientes; 
 Emagrecimento progressivo e diarreia em bovinos; 
 Presente numa grande proporção de explorações; 
 Aquisição de infecção tanto mais eficiente quanto mais jovem é o animal; 
 Impacto de doença subclínica maior do que de doença clínica. 
 
Outras micobactérias: 
 Infecções cutâneas por micobactérias ambientais. 
 
N. Espiroquetas (Quinn, capítulo 31) 
 
Classificação de Espiroquetas com importância em medicina veterinária: 
 
 
Espiroquetas: 
 Bactérias helicoidais, móveis, flexuosas, de comprimento variável entre 0,1 e 3,0 μm; 
 Pouco resistentes em meios secos; 
 Coram mal por corantes comuns (apesar de Gram-negativas) 
 Maior parte necessita de meios especializados 
 Alguns zoonóticos (ex: Leptospira, Borrelia…) 
 
 
72 
 
Leptospirose: 
 Afecta várias espécies (também zoonótica) 
 Presente nos túbulos renais dos mamíferos; 
 Excretada pela urina de animais afectados; 
 Portadores assintomáticos. 
 Cultivadas aerobicamente em meios líquidos a 30°C. 
 Tem nomenclatura particular: 
Nomenclatura: espécies e serovares 
 Leptospira borgpeterseni: serovar hardjo 
 Leptospira interrogens serovar hardjo 
 Diagnóstico por visualização em microscópio de fundo escuro ou por técnicas sorológicas. 
 Reacções cruzadas em termos sorológicos podem dificultar diagnóstico. 
 Possível vacinar e tratar em casos de infecção activa. 
 Mais frequentemente: 
 Animais adultos, animais mais jovens 
 Aborto ou hemoglobinúria em Bovinos 
 Insuficiência renal aguda ou hepatite em cães 
 
Serpulina hyodysenteriae: 
 Colite muco-hemorrágica que afecta suínos em crescimento; 
 Atraso no crescimento e morte ocasionalmente; 
 Infecção por via fecal-oral; 
 Necrose e erosão da mucosa do cólon; 
 Em animais gnotobióticos não produz doença; 
 Precisa de interacção com Fusobacterium necrophorum, Bacterióides vulgatus, … 
 Anaeróbio, mas tolerante ao oxigénio; 
 Fezes ou raspagens da mucosa ou cólon para cultura; 
 Diagnóstico sorológico (ELISA, por exemplo); 
 Imunoflorescência 
 
Borrelia burgdorferi: 
 Doença de Lyme (humanos, cães, cavalos, bovinos) – infecção generalizada com 
manifestações neurológicas, cardíacas e artrite; 
 A transmissão ocorre quando umcarrapato infectado (vector) se alimenta de um animal 
susceptível, mas há casos que a transmissão é rápida após a fixação do carrapato; 
 A remoção imediata dos carrapatos nos animais de companhia pode prevenir a infecção; 
 Gram-negativo que cresce em condições de microaerofilia; 
 Diagnóstico: 
 m.o. em fundo escuro (não é muito frequente) 
 sorologia 
 PCR 
 Cultura em meios específicos pouco viável 
 
 
 
73 
 
Treponema: 
 Dermatite digital, sobretudo em bovinos, principalmente leiteiros, levando a claudicações. Os 
ovinos também podem ser afectados. 
 Etiologia ainda não completamente esclarecida. 
 Diagnóstico clínico – comportamento epidémico 
 
O. Fusobacterium e Bacteroides (Quinn, capítulo 32) 
 
“Muitas bactérias gram-negativas, anaeróbias e não formadoras de esporos causam infecções 
oportunísticas, frequentemente em associação com anaeróbios facultativos. Interações sinergísticas 
entre microrganismos nessas infecções mistas são comuns. As espécies de Fusobacterium e as 
bactérias outrora referidas como espécies de Bacteroides representam mais de 50% dos 
microrganismos anaeróbios isolados a partir dessas infecções. (…) Anaeróbios Gram-negativos não 
formadores de esporos são frequentemente encontrados em membranas mucosas, particularmente 
no trato digestivo de animais e de humanos. São excretados nas fezes e podem sobreviver por curtos 
períodos no meio ambiente.” 
 
P. Actinomycetes (Quinn, capítulo 12) 
 
 Bactérias Gram-positivas de crescimento lento, muitas formando filamentos; 
 Patogénios oportunistas que produzem respostas inflamatórias diversas; 
 Géneros importantes: Actinomyces, Trueperella (antiga Arcanobacterium), Actinobaculum, 
Nocardia e Dermatophilus. 
 
Trueperella pyogenes: 
 Anteriormente Arcanobacterium pyogenes; 
 Habitante normal da orofaringe de ruminantes; 
 Coco-bacilos gram-positivos, anaeróbio facultativo; 
 β-hemólise em agar-sangue; 
 Abcessos: pneumonia, mastites, onfalites, metrites, poli-artrites. 
 
Actinomyces bovis: 
 Coloniza orofaringe de bovinos; 
 Anaeróbio ou anaeróbio facultativo; 
 “Sulphur granules” (aspecto característico); 
 Actinomicose – osteomielite mandibular; 
 Gram-positivo 
 
Nocardia: 
 Várias espécies; 
 Mastite em ruminantes; 
 Aborto em suínos e bovinos; 
 Piagranulomas cutâneos, pleurais e piotórax ( = pus no tórax) em cães. 
 
74 
 
Dermatophilus congolensis: 
 Bactéria gram-positiva, filamentosa, com zoósporos móveis em forma de cocos (aspecto 
linha de comboio); 
 Presente na pele de animais clinicamente normais, sobretudo em regiões endémicas: 
 Normalmente não invadem a pele sadia. Traumas e humidade persistente predispõem à 
invasão da pele; 
 A invasão conduz a uma resposta inflamatória aguda, resultando na formação de 
microabcessos na epiderme. 
 
Q. Enterobacteriaceae (Quinn: cap. 18, edição de 1994 e 2002) 
 
Filo Proteobacteria 
Classe γ-proteobacteria 
Família Enterobacteriaceae 
 
Características gerais: 
 Bacilos gram-negativos, anaeróbios facultativos, não formam esporos; 
 Oxidase-negativos e catalase-positivos. 
 
Habitat: 
 Ubiquitários; 
 Trato intestinal de animais e homem; 
 Solo, vegetação e água contaminados. 
 
Identificação laboratorial: 
 Se cresce em MacConkey podemos afirmar que são enterobacteriáceas; 
 Morfologia das colónias: 
 Klebsiella e Enterobacter – colónias mucoides (biofilme/cápsula)  Uma mucóide 
será mais virulenta que uma não mucóide. 
 Algumas estirpes de E. coli – colónias mucoides 
 Proteus – colónias em tapete 
 Serratia marcescens – é o único que produz colónias cor-de-rosa 
 Características culturais: 
 A maioria não é hemolítica em agar-sangue (excepção: algumas estirpes de E. coli; 
 Fermentação de lactose em Agar MacConkey: as espécies fermentadoras produzem 
colónias rosa; 
 Outros meios selectivos: 
- Agar Verde Brilhante (BGA): diferencia Salmonella de E. coli; 
- Xilose-lisina desoxicolato Agar (XLD) 
- EMB (agar de eosina-azul de metileno: quando tenho colónias verde metálico pode-
se afirmar que é E. coli. 
- Meio TSI (“Triple Sugar Iron”): a maioria das espécies de Salmonella fermenta a 
glucose e não fermenta a lactose ou sacarose – fundo amarelo (ácido). A rampa 
75 
 
permanece vermelha porque a quantidade produzida não é suficiente. Se os 3 
açúcares forem fermentados (glucose, sacarose e lactose) o meio fica amarelo. 
 
 
 Testes adicionais: 
 Produção de lisina descarboxilase – positivo para Salmonella e negativo para Proteus. 
Como a Salmonella e o Proteus têm reacções semelhantes no meio TSI, usa-se este 
teste para distinguir; 
 Produção de urease: o Proteus produz urease e o meio fica cor-de-rosa, enquanto a 
Salmonella não; 
 Teste IMVIC – utilizam-se 4 meios semeados em paralelo: Prova do Indol, Prova do 
vermelho de metilo, Prova de Voges-Proskauer e Prova da utilização do citrato. A 
E.coli é a única que produz o padrão; as outras fermentadoras de lactose não. (E.coli 
é indol-positiva, VM-positiva, VP-negativa e citrato-negativa) – a E.coli é a única que 
é assim. 
 
 
 Teste de mobilidade – usado para diferenciação de Klebsiella (não móvel) de 
Enterobacter (móvel). Ambas as espécies produzem colónias mucoides difíceis de 
distinguir. Procedimento: Tubo meio sólido com uma picada no centro do tubo e ver 
se a bactéria se move ou não para os lados. A mobilidade das bactérias é 
proporcionada pela presença de um ou mais flagelos. As bactérias imóveis não 
possuem flagelos. 
 Testes bioquímicos comerciais – API 20 E (BN, Ox-) 
76 
 
 Serotipagem de E. coli, Salmonella e Yersinia – testes de aglutinação com anti-soros 
em lâmina. Se a aglutinação é positiva, consigo utilizar os soros. 
 Testes moleculares 
 
 
Escherichia coli 
 
Características gerais: 
 Geralmente móveis (flagelos perítricos e fímbrias); 
 Reacção bioquímica característica no teste IMVIC; 
 Fermentadora de lactose – colónias cor-de-rosa em agar de MacConkey; 
 Serotipagem por avaliação dos antigénios presentes na superfície da célula. 4 tipos de 
antigénios da E. coli: 
 Somáticos – O – correspondem aos lipopolissacáridos (LPS) da parede (endotoxina 
extremamente patogénica); 
 Flagelares – H 
 Capsulares – K (polissacáridos) 
 Fímbrias – F – são as proteínas que compõem as fímbrias 
 
Habitat – a colonização do trato intestinal dá-se logo após o nascimento a partir de fontes 
ambientais. Persistem ao longo da vida. A maioria das estirpes são comensais e de baixa virulência. 
Existem algumas estirpes patogénicas, sobretudo se se verificarem factores de risco. 
 
Factores de virulência: 
 Cápsula polissacárida 
 Endotoxina LPS (lipopolissacárido), libertado após a morte das bactérias. Tem actividade 
pirogénica, lesão endotelial e coagulação intravascular. 
 Factores de colonização: 
 Fímbrias 
 Adesinas - permitem a adesão à superfície das mucosas do Intestino Delgado e do 
trato urinário posterior – facilitam colonização, diminuição dos efeitos de expulsão 
do peristaltismo e da urina. 
 K88 – adesina mais comum em suínos, receptores diminuem com a idade, 
até 3 semanas, codificadas por plasmídeos; 
77 
 
 Intimina – adesina que permite a ligação de estirpes enteropatogénicas aos 
enterócitos. 
 
 Enterotoxinas – 3 tipos: 
 Termolábil (LT): LT1 (caract. suínos), LT2 (isoladas a partir de bovinos). É por causa 
destas enterotoxinas que há desinteria; 
 Termoestável (ST) – em todas as espécies. Facilitam a entrada de água para dentro 
do intestino e dificultam a sua absorção – diarreia. 
 Verotoxinas(VT) – termolábeis e letais para as células vero. Efeito citopático na cultura de 
células vero. Provocam danos celulares. Colonizam os intestinos e podem danificar os 
enterócitos, quando atingem a corrente sanguínea. Provocam diarreia com sangue. 
 Dois tipos de factores citotóxicos necrosantes: CNF1 e CNF2; 
 α-hemolisina – não estão directamente relacionados com a virulência mas está associada a 
outros factores de virulência (expressão dos outros). CNF1 é codificado cromossomicamente. 
 Sideróforos – moléculas que se ligam ao ferro e captam ferro do meio. As bactérias sem ferro 
não se desenvolvem. 
 
Patogénese e Patogenicidade (6 patotipos, diferentes factores de virulência): 
1. EPEC (E. coli enteropatogénicas) – ligação às células do epitélio intestinal, destroem as 
microvilosidades, provocando úlceras e diarreia. 
2. VTEC ou EHEC (Verotoxinogénicas ou Enterohemorrágicas) – citotoxina codificada num fago, 
adesão (intimina) e lesão hemorrágica (pilis, biofilme). Fezes com sangue. Este patotipo é o 
que apresenta uma taxa de mortalidade maior. 
3. ETEC (enterotoxinogénica) – adesão, colonização e produção de enterotoxinas LT e/ou ST. É a 
que causa a “diarreia do viajante”. 
4. EAEC (enteroagregativa) – forma um biofilme à volta do espitélio intestinal, promove 
esfoliação dos enterócitos, destruição das microvilosidades. 
5. EIEC (enteroinvasiva) – invadem as células adjacentes devido à presença de um plasmídeo. 
Este mecanismo é igual ao da Listeria. 
6. DAEC (difusamente aderente) – produção de adesinas e toxinas. Mais prevalente em 
crianças. 
 
Principais afecções: 
 Afecta principalmente animais jovens – factores de risco: 
 Administração insuficiente de colostro; 
 Acumulação de estirpes patogénicas no ambiente (ver Box 18.1); 
 Sobrelotação e falta de higiente; 
 Alterações de ração muito bruscas 
 Receptores para as adesinas ETEC presentes na primeira semana de vida dos vitelos; 
 Nos suínos permanecem no pós-desmame; 
 Trato digestivo dos leitões preparado para ração facilmente digerível (nutrientes não 
digeridos facilitam acumulação de E. coli); 
 Factores de stress (frio, manipulação, transporte) 
 Principais afecções em animais jovens podem ser limitadas ao intestino ou podem 
manifestar-se como septicémia ou toxémia. 
78 
 
 Adultos  infecções oportunistas 
 Em suínos pós-desmame as manifestações de toxémia são a enterite e a doença dos edemas 
(acumulação de exsudados) – característica dos suínos provocada por E. coli. 
 
 
 
 
Diagnóstico laboratorial: 
 Idade, espécie animal afectada, sinais clínicos, duração da doença; 
 Amostras: fezes de animais com doença entérica; amostras de animais com septicemia, leite 
mastitico, amostras de urina, zaragatoas cervicais nos casos de suspeita de doença uterina. 
 Cultura em meio MacConkey e agar-sangue aerobicamente a 37°C durante 24 a 48 horas; 
 Critérios de identificação dos isolados: 
 Meio agar-sangue – colónias acinzentadas, redondas e brilhantes com um cheiro 
característico. Podem ser hemolíticas ou não hemolíticas; 
 Meio MacConkey – colónias cor-de-rosa brilhante; 
 Teste IMVIC pode ser utilizado para confirmação; 
 Algumas estirpes produzem colónias com brilho metálico quando crescem no meio 
agar EMB; 
 Perfil bioquímico completo pode ser necessário para identificar isolados coliformes 
de mastites e cistites; 
 Serotipagem 
 
 
 
 
 
 
79 
 
Salmonella spp. 
 
Características gerais: 
 Bactéria móvel, não fermenta lactose (cor salmão no meio MacConkey e não rosa forte); 
 Apenas 2 espécies: S. enterica e S. bongori; 
 S. enterica é mais importante em termos veterinários. Tem 6 sub-espécies, sendo a mais 
importante a sub-espécie S. enterica enterica, mais concretamente S. enterica enterica 
serotipo typhimurium, ou na linguagem corrente, S. typhimurium. 
 O género Salmonella tem mais de 2500 serótipos. Esquema de Kauffmann-White para 
identificação de antigénios somáticos (natureza polisacarídica) e flagelares (natureza 
proteica) e capsulares. 
 
Habitat – tem distribuição mundial. Infecta muitos mamíferos, aves e répteis e é excretada 
principalmente nas fezes. A principal via de infecção é através da ingestão. Os organismos podem 
estar presentes na água, solo, alimentos para animais, carne crua e vísceras e na vegetação. A 
principal fonte de contaminação ambiental são as fezes. 
 
Patogénese e Patogenicidade: 
 Invadem a mucosa intestinal. Começam por aderir à mucosa intestinal através das fímbrias. 
Promove o enrugamento das membranas. Entra dentro da célula em vesículas e desenvolve-
se dentro das vesículas. Ela resiste à digestão por fagócitos e destruição pelo sistema 
complemento! 
 Efeitos tóxicos dos radicais livres produzidos pelos fagócitos minimizados pela actividade da 
superóxido dismutase e catalase bacterianas. 
 Resistência à acção do sistema complemento através das longas cadeias de LPS, que 
impedem que o sistema complemento se ligue à bactéria. LPS responsável pelo choque 
endotóxico e desinteria. 
 A Salmonelose é frequente. 
 As consequências variam de estado de portador subclínico até septicémia aguda fatal. 
 Embora a maioria dos organismos sejam eliminados por mecanismos de defesa do 
hospedeiro, podem persistir na forma subclínica. 
 A Salmonella pode também permanecer dentro das vesículas e não se libertar – infecção 
latente. 
 A doença clínica pode desenvolver-se a partir de infecções subclínicas e latentes se os 
animais forem submetidos a stress!  mais comum em ovinos, bovinos,… 
 Alguns serotipos como Salmonella pullorum e S. gallinarum em aves de capoeira, S. 
choleraesis em suínos e S. dublin em bovinos apresentam uma especificidade de hospedeiro 
relativa. 
 S. Typhimurium tem uma gama de hospedeiros ampla. 
 Os carnívoros adultos saudáveis são naturalmente resistentes à Salmonelose. 
 A Salmonella detecta-se no matadouro e localiza-se frequentemente na mucosa do íleo, ceco 
e cólon muito hemorrágica e nódulos de linfócitos muito aumentados. 
 
 
80 
 
Principais afecções: 
 Serótipo Brandenburg – associado ao aborto em bovinos. 
 S. Dublin – em vitelos são comuns afecções crónicas 
 Faixas etárias mais afectadas – jovens e idosos 
 
Identificação laboratorial: 
 História de surtos na região. 
 Faixa etária. 
 Tipo de diarreia. 
 Na necrópsia – enterocolite hemorrágica e linfonodos mesentéricos aumentados. 
 Amostras: 
 Animais vivos – fezes, sangue, conteúdo intestinal e amostras de tecidos; 
 Animais mortos – amostras de lesões e conteúdo abomasal de fetos abortados. 
 Confirmação de salmonelose septicémica: isolamento a partir do sangue ou de órgãos 
parenquimatosos; 
 Infecção activa: verifica-se um grande crescimento de salmonelas em placas inoculadas 
directamente com fezes, conteúdo intestinal ou conteúdo do abomaso ou fezes. 
 Estado de portador: recuperação de pequeno número de Salmonelas nas fezes. 
 As amostras devem ser cultivadas directamente em BGA e XLD e também em selenito F, 
Rappaport ou caldo tetrationato. Incubação em aerobiose a 37°C até 48h, as subculturas 
feitas a partir do caldo de enriquecimento são incubadas 24 a 48 horas. 
 Amostras de alimentos: pré-enriquecimento não selectivo em APT 18h a 37°C, porque é mais 
difícil isolar a Salmonela em amostras de alimento. Este pré-enriquecimento vai permitir que 
o nº de Salmonelas cresça exponencialmente, sendo mais fáceis de recolher. 
 Critérios de identificação de isolados: 
 Meio Verde brilhante – colónias vermelhas; 
 Meio XLD – colónias pretas com halo à volta; 
 Meio agar TSI – TSI com parte de baixo amarela e partedo meio vermelha; 
 API 20 E – BN, O- 
 Serotipagem – isolados do TSI; anti-soros 
 Fagotipagem – semelhante à serotipagem. Para estudos epidemiológicos. Para 
identificação de isolados com características específicas. 
 Testes serológicos – ELISA e técnicas de aglutinação. Para ver se os anticorpos estão 
activos ou não. 
 Sondas de DNA – pesquisar grande número de amostras fecais. 
 
Yersinia spp 
Características gerais: 
 Não fermentam lactose – colónias rosa claro/descoradas no meio MacConkey. 
 Móveis, com excepção de Y. pestis; 
 Crescimento fastidioso (crescem muito lentamente); 
 Coloração bipolar (coloração de esfregaços de tecidos animais por Giemsa). A bactéria nunca 
fica corada homogeneamente. 
81 
 
 Muitas espécies. Apenas 3 são patogénicas para animais e homem: Y. pestis, Y. enterocolitica 
e Y. pseudotuberculosis. 
 
Habitat: 
 Y.pseudotuberculosis e Y. enterocolitica: trato intestinal de aves, mamíferos e animais 
domésticos. 
 É muito resistente ao ambiente. 
 Y. pestis – roedores silvestres (reservatório muito importante) e transmissão por pulgas. 
 
Patogénese e Patogenicidade: 
Yersinias patogénicas são microrganismos intracelulares facultativos que possuem factores de 
virulência codificados por cromossomas e plasmídeos, muitos dos quais são requeridos à 
sobrevivência e à multiplicação em macrófagos. Y. pseudotuberculosis e Y.enterocolitica são menos 
patogénicas do que Y. pestis e raramente produzem infecção generalizada. Estes microrganismos 
entram na mucosa através das células M das placas de Peyer. A adesão e a subsequente invasão por 
meio dessas células são facilitadas por factores como proteínas invasinas e proteínas para 
adesão/invasão (adesinas) que têm afinidade para integrinas na superfície celular. Uma vez na 
mucosa, as bactérias são fagocitadas por macrófagos, dentro dos quais sobrevivem e são 
transportadas aos linfonodos mesentéricos. 
 
Factores de virulência: 
 A sobrevivência de Y. pseudotuberculosis e Y. enterocolitica é aumentada por proteínas 
antifagocitárias; 
 Y. enterocolitica possui factores de virulência adicionais: cápsula proteica antifagocitária e 
um activador do plasminogénio que promove a disseminação sistémica (enzima fibrinolítica). 
 A endotoxina (LPS) também contribui para a patogenicidade das infecções clínicas. 
 Y. pestis é a mais invasiva. 
 
Principais afecções: 
 Y. pseudotuberculosis – infecções entéricas com diarreias abundantes em várias espécies; 
infecções apresentam-se de forma subclínica. Doença septicémica – pseudotuberculose em 
roedores de laboratório e aves de aviário. Abortos esporádicos em animais de produção. 
 Y. enterocolitica - sobretudo agente patogénico do Homem; os suínos são os reservatórios 
naturais para o serotipo O3 biótipo 4. Raros casos de doença entérica provocada por stress. 
Implicada em abortos esporádicos em ovinos. 
 Y. pestis – peste bubónica em humanos (peste negra). Pode infectar cães e gatos, sendo os 
gatos os mais sensíveis. 
 
Identificação laboratorial: Linfadenopatia (Y.pestis) e depressão grave em gatos em regiões 
endémicas são sugestivas de peste felina. Aumento generalizado dos linfonodos. 
 
Amostras: 
 Detecção de anticorpos por fluorescência directa (amostras devem ser enviadas para 
laboratórios de referência); 
 Pus, sangue, aspirados de linfonodos; 
82 
 
 Esfregaços de aspirados podem revelar número elevado de bacilos com coloração bipolar; 
 Teste de hemaglutinação com a fracção antigénica de primeira: testar amostras obtidas com 
2 semanas de intervalo, um aumento substancial dos níveis de anticorpos é indicativo de 
infecção activa. 
 
Confirmação e identificação de isolados de Y. pseudotuberculoses e, ocasionalmente, Y. 
enterocolitica: 
 As amostras de tecidos podem ser semeadas directamente em agar-sangue e agar 
MacConkey e incubadas aerobicamente a 37°C durante até 72 horas. 
 Amostras de fezes podem ser semeadas directamente em meios especiais selectivos; 
 O enriquecimento a frio antes de subcultivar em meio agar MacConkey favorece o 
crescimento de Yersinia de amostras fecais, especialmente se estão presentes em número 
reduzido na amostra fecal. 
 A serotipagem pode ser necessária estabelecer se os isolados pertencem a serotipos de 
patogéneos conhecidos. 
 
Enterobacteriaceae patogénicas oportunistas 
 
 Raramente causam doença em animais domésticos. 
 Oportunistas e comensais. 
 A contaminação fecal do ambiente é responsável pela distribuição generalizada dos 
organismos e contribui para a ocorrência de infecção oportunista. Os factores 
predisponentes incluem infecções intercorrentes, tecidos enfraquecidos e vulnerabilidade 
inerente de certos órgãos. 
 
Factores de virulência: 
 Cápsula (antifagocitária); 
 Adesinas; 
 Siderófilos (bombas de captação de ferro) 
 Endotoxinas (LPS) 
 
Principais afecções: 
 Algumas espécies são agentes de mastites em bovinos leiteiros (Klebsiella pneumoniae e 
Enterobacter aerogenes); 
 Klebsiella pneumoniae provoca metrite em éguas; 
 Proteus e Klebsiella provoca infecções do trato urinário posterior em cães; 
 Proteus – otite externa em cães e gatos 
 
Identificação laboratorial: 
 Sinais clínicos inespecíficos 
 Procedimento igual ao efectuado nas aulas laboratoriais para identificação 
 
 
 
83 
 
Critérios de identificação de isolados: 
 Bacilos gram-negativos 
 Oxidase-negativos e catalase-positivos 
 Crescimento em meio MacConkey 
 
 
R. Pseudomonas, Burkholderia, Aeromona, Vibrio, Campylobacter, 
Helicobacter (Quinn – cap. 19, 20, 29 e 36) 
 
Pseudomonas e Burkholderia 
 
 As Burkholderia já foram Pseudomonas; 
 Pseudomonas e Burkholderia pertencem ao mesmo filo, mas a classes diferentes e géneros 
diferentes; 
 Bastonetes Gram-negativos, aeróbios obrigatórios; 
 Todos móveis por um ou mais flagelos polares, excepto B. mallei; 
 Todas as colónias apresentam cor salmão ou descoradas em meio MacConkey; 
 P. aeruginosa produz pigmentos (piocianina); 
 B. mallei precisa de 1% de glicerol para crescer 
 Pseudomonas: 
 P. fluorescens e P. putida infectam peixes de água doce. Distribuição mundial. 
 Burkholderia: 
 B. pseudomallei encontra-se no solo. Existe em regiões tropicais e subtropicais. 
Equídeos são animais reservatórios. São zoonóticas. Lesões crónicas supurativas nos 
pulmões (melioidose – pneumonia e sépticémia). 
 B. mallei pode sobreviver em ambiente até 6 meses. Provoca lesão característica, o 
mormo. O mormo é uma doença contagiosa de equídeos, caracterizada pela 
formação de nódulos e úlceras no trato respiratório ou na pele. Os humanos e os 
carnívoros também são susceptíveis à infecção. 
 
Pseudomonas 
 
 Comensal pele, mucosas, fezes – infecções oportunistas 
 Distribuição mundial 
 Organismos ambientais 
 Espécies particularmente susceptíveis (ex: martas – pneumonia hemorrágica e septicémia  
mortalidade 50%) 
 Mastite bovina – associadas à água e inserção de tubos 
 Infecções do velo dos ovinos – associadas a chuvas fortes ou prolongadas 
 Infecções do velo dos ovinos que acontece em regiões tropicais  descoloração da lã 
(piocianina) 
 Isolado a partir de Répteis: cavidade oral das cobras – estomatite necrótica. 
 
84 
 
Amostras: Pus, aspirados do aparelho respiratório, urina, leite mastítico e zaragatoas auriculares. 
 
Patogénese e Patogenicidade: 
Estirpes patogénicas de P. aeruginosa produzem toxinas e enzimas que promovem a invasão e danos 
nos tecidos: 
 Fímbrias: adesão às células musculares 
 Exoenzima S, biofilme e LPS – propriedadesantifagocitárias 
 Sideróforos 
 Exotoxinas (A, fosfolipases e protéases) 
 Leucocidivas – danos nas membranas dos neutrófilos 
 
Identificação laboratorial: 
 Morfologia das colónias 
 Hemólise 
 Produção de pigmentos (4 pigmentos principais) 
 Piocianina é o mais importante: observação mais fácil em meios sem corantes. É 
exclusivo da P. aeruginosa. 
 Piorubina e piomelanina 
 Odor frutado das colónias 
 Crescimento em MacConkey – colónias pálidas lactose negativas. Apesar de não serem 
enterobacteriáceas, resistem aos sais biliares. 
 Oxidase positivas 
 Não produz qualquer alteração no meio TSI 
 Perfil Bioquímico API20NE 
 
Aeromonas e Vibrio 
 
Características gerais: 
 Género Aeromonas pertence à família Aeromonadaceae. 
 Pertencem a classes diferentes, mas têm uma série de características semelhantes. 
 São todas móveis 
 Bactérias gram-negativas, anaeróbias facultativas 
 Aeromonas são bastonetes médios rectos, enquanto Vibrio são bastonetes médios curvos; 
 Temperatura óptima de crescimento inferior a 37°C. 
 
Habitat: 
 Vibrio – água salgada (Halofílicos) e salobra. Vibrio colae é o mais conhecido. 
 Aeromonas – água doce, por isso são importantes em Aquacultura. Na cavidade oral e na 
pele de peixe e répteis. 
 
Identificação laboratorial: 
 Morfologia 
 Motilidade 
 Produção de oxidase e catalase 
 Hemólise em agar-sangue 
85 
 
 Crescimento em MacConeky 
 Crescimento em Nutrient Broth com NaCl a 6% 
 Vibrios crescem 
 Aeromonas morrem 
 
Principais afecções: 
 As infecções são geralmente oportunistas. São principalmente agentes patogénicos de peixes 
e répteis. 
 A. Salmonicida – Furunculose em salmão (declaração obrigatória) 
 A. hydrophila – Aborto em bovinos, Toxinfecções alimentares em humanos, sépticémia 
hemorrágica em peixes, sépticémia em cães e colite hemorrágica em coelhos. 
 Vibrio: 
 V. parehaemolyticus – consumo de marisco crus ou mal cozidos. 
 V. cholerae – cólera em humanos 
 V. metchnikovii – doença entérica em frangos 
 V. anguillarum – agentes patogénicos em peixes 
 
Amostras – o diagnóstico definitivo requer o isolamento e identificação a partir de lesões. Resultados 
devem ser interpretados com cuidado, porque pode estar na água e não na pele do peixe. 
 
Campylobacter 
Filo proteobacteria 
Classe ε-proteobacteria 
 
 Bacilos gram-negativos espiralados 
 São microaerofílicos – crescem em meios enriquecidos em CO2 e com baixa tensão de O2 
 Oxidase positivas e catalase variáveis 
 A maioria das espécies cresce em meio agar MacConkey 
 Intestino e trato genital (comensais do trato intestinal de animais de sangue quente) 
 Infecção intestinal (diarreia), Infertilidade ou Aborto nos grandes animais 
 Distribuição mundial 
 Aves: C.jejuni e C.lari 
 Suínos – contaminação e excreção fecal 
 3 espécies com importância veterinária: 
 
86 
 
 
 
Habitat: 
 Muitos são no trato intestino nos animais de sangue quente. 
 C. jejuni e C. lari – colonizam o intestino de aves, o que pode resultar em contaminação fecal 
de cursos de água e alimentos armazenados. 
 C. fetus veneralis – parece estar principalmente adaptada à mucosa prepucial dos bovinos. 
 Suínos – excreção e contaminação fecal 
 
Identificação laboratorial: 
 Estritamente microaerofílicos, exigindo uma atmosfera de 5 a 10% de O2 e 1 a 10% de CO2 
para o seu crescimento; 
 Isolamento primário em agar Skirrow (meio selectivo enriquecido) 
 A diferenciação de isolados é baseada na morfologia das colónias, determinadas 
características culturais, bioquímicas e susceptibilidade a antibióticos; 
 C.fetus veneralis e C.fetus fetus – colónias pequenas, redondas, lisas e translúcidas; possuem 
microcápsula ou camada S (factores de virulência), que conferem resistência à fagocitose e 
acção de anticorpos, contribuindo para a permanência no trato genital. 
 C.jejuni jejuni – colónias pequenas cinzentas. Produz enterotoxinas (factor de virulência). 
 Coloração DCF (“dilute carbon fuchsin”) – cora mais intensamente do que coloração Gram. 
 C. jejuni jejuni – incubação a 42°C durante 5 dias. 
 
Principais afecções: 
Bovinos – infertilidade devido a C. fetus veneralis 
Ovinos – aborto causado por C. fetus fetus ou por C. jejuni 
 
Notas: 
 Campylobacter é o principal agente de toxinfecções alimentares; 
 Salmonella é mais fácil de isolar que Campylobacter e provoca sintomatologia mais grave. 
 Normalmente quando comemos uma comida estragada e nos sentimos mal com dores de 
barriga, não vamos ao médico e assim uma possível Salmonelose não entra na estatística. 
 Diagnóstico laboratorial – Sementeira especial em Campylobacter. 
 
 
87 
 
Helicobacter 
Classe ε-proteobacteria 
 
Características gerais: 
 Morfologia helicoidal; 
 Gram-negativas 
 Microaerofílicas, oxidase-positivas e, com excepção de H. canis, são catalase-positivas; 
 Requerem meios enriquecidos 
 Trato intestinal e cavidade oral de humanos e outros animais 
 Produz elevadas concentrações de urease. Posso semear em meio de urease. Uma reacção 
de urease forte é característica das espécies que colonizam a mucosa gástrica (urease: 
degradação da ureia em amónia e CO2 – eleva o pH do estômago, o que faz com que 
produzam virulência). 
 Factores de virulência: Flagelos, Urease (neutraliza o ácido do estômago), LPS, outras 
proteínas que contribuam para a aderência (estão numa zona com peristaltismo muito 
elevado), exotocinas (“vaccuolating toxin” – VacA), produz endotoxinas. 
 H.pylori: gastrite, duodenite, úlceras gástricas. Associado com adenocarcinoma gástrico (mas 
não em cães e gatos). A importância da Helicobacter em afecções gastrintestinais de 
carnívoros ainda não está muito clara. 
 
 
S. Actinobacillus spp., Haemophilus/Histophilus, Taylorella equigenitalis, 
Bordetella spp., Moraxella spp. (Quinn: cap. 21, 24, 25, 26 e 27) 
 
Actinobacillus spp. 
 
 Bacilos (ou coco-bacilos). Gram-negativos, não formadores de esporos, não móveis; 
 Crescimento em meios de cultura correntes; 
 Identificação através de características bioquímicas; 
 Comensais das mucosas dos hospedeiros. 
 Actinobacillus lignieresii: 
 Habitante normal de rúmen e boca dos ruminantes; 
 Penetra lesão nos tecidos moles; 
 Esporádico, mas por vezes surge em vários animais ao mesmo tempo; 
 Actinobacilose ou Wooden tongue; 
 Piogranulomas na língua dos bovinos; 
 Pode afectar outras áreas de tecidos moles, podendo ser difícil de distinguir de 
actinomicose (esta tem algumas características em comum mas localiza-se mais 
predominante na mandíbula); 
 Língua firme, nodular, salivação, por vezes há incapacidade de fechar a boca; 
 Anorexia, porque a língua é utilizada para apanhar o alimento; 
 Pode levar a granulomas noutras áreas, dependendo do ponto de penetração; 
 Biópsia e cultura da lesão; 
88 
 
 Tratamento antibiótico normalmente é bem sucedido, mas depende do local da 
lesão. Há lesões, por exemplo do rúmen, que são mais difíceis de tratar, do que uma 
lesão que aconteça na língua. 
 A. pleuropneumoniae – doença respiratória em suínos (ex: Pneumonia em suínos); 
 A. equuli – sépticémia, artrite (complicação de sépticémia), abcesso em vértebras, enterite 
em poldros, logo às 24-48h de vida; 
 A. suis – sépticémia, artrite, pneumonia em leitões. 
 
Haemophilus/Histophilus 
 
 Bacilos gram-negativos, móveis, anaeróbios facultativos, fastidiosos, necessitam factores de 
enriquecimento para crescimento em meios de cultura; 
 Comensais de membranas mucosas, sobretudo do trato respiratório; Incubação em agar-chocolate (meio mais rico que agar-sangue) em atmosfera com 10% de 
CO2, 3 – 4dias; 
 Facilmente perecíveis – condiciona envio de amostras para laboratório, o ideal é cultura 
imediata; 
 Visualização em tecidos não directamente, mas com técnicas de imunoflurescência; 
 Identificação bioquímica possível, mas difícil; 
 Sorologia tem utilidade limitada porque exposição natural é frequente (o animal contacta 
frequentemente com este agente e normalmente os animais adultos têm anticorpos); 
 Histophilus somni: 
 Pneumonia em bovinos; 
 Meningo-encefalite trombo-embólica – septicémia com enfartes no cerebelo (raro); 
 Células endotelias afectadas por agente em circulação, exposição do sub-endotélio 
desencadeia coagulação e trombose; 
 Sinais clássicos de doença respiratória ou sinais neurológicos (dependentes do local 
da lesão); 
 Outros síndromes descritos em bovinos: metrite, conjuntivite, orquite (raro); 
 Em ovinos: epididimite e orquite em carneiros e pode provocar septicémia. 
 Haemophilus parasuis: 
 Doença de Glasser em suínos (quadro de polisserosite e meningite em leitões, artrite 
e pneumonia em suínos adultos) 
 Haemoplhilus paragallinarum – doença respiratória em aves. 
 
Taylorella equigenitalis 
 
 Bacilo gram-negativo, anaeróbio facultativo, não móvel; 
 Fastidioso, cresce em agar-chocolate com factor de enriquecimento, ao longo de vários dias 
e em atmosfera com 5-10% de CO2. 
 Agente de metrite contagiosa equina; 
 Habitante do trato genital de equinos; 
 Um API não é suficiente para identificação; 
 Os animais podem ser portadores assintomáticos, pode não provocar doença; 
89 
 
 Metrite purulenta; 
 Endometrite; 
 Aborto e infertilidade temporária; 
 Sem sinais clínicos nos machos; 
 Transmissão venérea; 
 Necessário certificação de ausência; 
 Identificação por PCR a partir de zaragatoas prepuciais ou vaginais. 
 Em vários países: controlo por serviços oficiais em laboratórios certificados 
 Microscopia directa não permite diagnóstico 
 Reacção de aglutinação com anticorpo especifico 
 Sorologia – 7 a 8 semanas até haver seroconversão – não é o melhor método, sobretudo 
devido ao tempo de espera dos resultados 
 
Bordetella spp. 
 
 Bacilos ou coco-bacilos gram-negativos, aeróbios estritos, algumas espécies móveis por 
flagelos; 
 Comensais do trato respiratório superior; 
 Amostras de zaragatoas nasais, lavagens bronco-alveolares, pulmões com lesões de 
pneumonia; 
 Frequentemente associados a outras bactérias ou vírus no decorrer de processos infecciosos 
ou outros factores de risco que inibam as defesas; 
 Cultura em agar-sangue, aerobiose, 24-48 horas a 37°C; 
 Cresce em agar MacConkey; 
 Galerias de identificação bioquímica (ex: API 20 NE); 
 Meio de Smith-Baskerville também utilizado no diagnóstico - colónias azuis por alcalinização 
do meio – azul de Bromotimol. 
 Bordetella bronchiseptica: 
 Morbilidade elevada e mortalidade baixa; 
 Afecta suínos e cães; 
 Transmissão por aerossóis ou fomites; 
 Muito raramente levam a problemas respiratórios em humanos imuno-
comprometidos; 
 Vacinas disponíveis no mercado; 
 Responde a tratamentos com Antimicrobianos; 
 Rinite atrófica em suínos (quadro mais frequente); 
 Factores de virulência promovem: adesão, inibição da fagocitose, imobilidade de 
cílios respiratórios); 
 Atrofia dos turbinatos nasais, sobretudo em animais até às 3 semanas; 
 Pneumonia neonatal. 
 Nos cães: 
 Um dos agentes da tosse de canil – corresponde a Traqueo-bronquite 
infecciosa em cães. 
 Doença respiratória: coelhos, gatos, cavalos. 
90 
 
 Bordetella avium – afecta aves. 
 
Moraxella spp. 
 
 Coco-bacilos gram-negativos, aeróbios e não móveis; 
 Crescimento em agar-sangue; 
 Cresce em MacConkey dependendo da espécie; 
 Comensal das membranas mucosas de vários mamíferos; 
 Galerias de identificação – API 20 NE 
 Mais importante em termos veterinários – Moraxella bovis: 
 Um dos agentes de querato-conjuntivite infecciosa bovina, IBKC ou pink-eye. 
 Factores de virulência: hemolisina, pili para adesão e citotoxina para lesar os 
neutrófilos, LPS, colagenase (degradam o colagénio) e hialuronidase. 
 Lacrimejamento, blefarospasmo, conjuntivite, úlcera da córnea, descemetocelo; 
 Cegueira pode tornar os animais inviáveis; 
 Afecta todas as idades, mas mais frequente em animais jovens; 
 Amostras – zaragatoa com conteúdo lacrimal enviado para laboratório; 
 Mais frequente em certas épocas do ano (Verão e Outono); 
 Multifactorial; 
 Exposição a UV; 
 Presença de moscas (vectores) condicionam maior frequência nos meses de verão; 
 Transmissão por moscas e aerossóis; 
 Vacinas não comercializadas em Portugal (possibilidade de fazer auto-vacina, eficácia 
discutível); 
 Tratamento com antibiótico é eficaz; 
 Outros agentes envolvidos na lesão, pode não ser Moraxella. 
 M. bovis já isolada de cavalos com conjuntivite; 
 M. lacunata isolada de vários casos clínicos em várias espécies. Relevância desconhecida. 
 
 
T. Pasteurella spp., Francisella tularensis e Mycoplasmas (Quinn: cap. 22, 
23 e 33) 
 
Pasteurella spp. 
 
 A família Pasteurellaceae compreende 5 géneros: Actinobacillus, Haemophilus, Mannheimia, 
Pasteurella e Lonepinella. 
 Bacilos ou coco-bacilos Gram-negativos, não móveis, anaeróbios facultativos, não esporulam; 
 Comensais do trato respiratório superior ou intestino de vários hospedeiros; 
 Crescem em meios correntes (agar-sangue); 
 Brilho metálico em placa agar-sangue e cheiro agradável; 
 Amostras: Zaragatoa nasal tem valor limitado (porque são comensais do trato respiratório 
superior), lavagem brônquio-alveolar, porções de pulmão colhidas à necropsia. 
91 
 
 Identificação por galerias bioquímicas – API20NE 
 Pasteurella multocida: 
 5 serogrupos (A, B, D, E, F); 
 16 serotipos; 
 Associação de serotipos e serogrupos a determinadas patologias em certos animais; 
 Provoca pneumonia após infecção viral ou factor debilitante de defesas de vias 
respiratórias; 
 Mastite em bovinos e ovinos; 
 Pneumonia em suínos; 
 Cólera das aves; 
 Rinite em coelhos; 
 Serogrupo B – septicémia em ruminantes; 
 Serogrupo D – contribui para rinite atrófica de suínos, pneumonia em suínos; 
 Frequentemente associado a infecções após mordedura de cães e gatos. 
 Pasteurella pneumotropica – pneumonia em cães e gatos; 
 Pasteurela aerogenes – pneumonia e septicémia em suínos; 
 Pasteurella skyensis – infecção fatal em salmão do Atlântico; 
 Pasteurella trehalosi: 
 Provoca morte súbita nos ovinos; 
 Não são esporádicas. Quando acontece, acontece em vários animais; 
 Sépticémia em ovinos (procurar em vários órgãos. Fazer colheita em vários órgãos 
porque é uma Septicémia, logo existe em vários locais! Temos que ter a certeza que 
não é um simples fenómeno de migração após a morte! Tem que ser generalizado!); 
 Relacionado com quebras imunitárias nestes animais; 
 Várias idades afectadas. 
 
 
Manheimia haemolytica 
 
 Anteriormente Pasteurella haemolytica; 
 Vários serotipos: A1 e A6 mais implicados na doença respiratória bovina; 
 São comensais  necessário condições no hospedeiro para que se produza doença; 
 Vacinação possível; 
 Infecção normalmente por vírus ou características ambientais que tornam possível a 
colonização; 
 Tratamento eficaz nas fases iniciais da doença; 
 Inibição das fefesas muco-ciliares por amoníaco (costuma dizer-se que “mais vale ventilar, 
que neutralizar”. A acumulação de gases nocivos aumenta as condições para que as 
infecções respiratóriasse processem). 
 
Características coloniais de Pasteurella e Mannheimia: 
 As colónias de P. multocida são redondas, acinzentadas, brilhantes e não hemolíticas; as de 
algumas linhagens patogénicas são mucoides devido à produção de uma cápsula espessa de 
ácido hialurónico; as colónias têm discreto, porém característico, odor adocicado; 
92 
 
 As colónias de M. haemolytica, M. granulomatis e P. trehalosi são hemolíticas e inodoras; 
 As colónias de outras espécies de Pasteurella são esféricas, acizentadas e não hemolíticas, 
com excepção daquelas de P. testudinis, que são hemolíticas. 
 Em agar MacConkey, M. haemolytica e P. trehalosi crescem como colónias em forma de 
pequenos pontos vermelhos. A maioria das espécies patogénicas de Pasteurella não cresce 
em agar MacConkey. 
 
Francisella tularensis 
 
 Bacilos ou coco-bacilos gram-negativos, aeróbios estritos, não móveis; 
 São fastidiosos (levam muito tempo a crescer); 
 Agente intracelular facultativo; 
 Artrópodes e reservatórios silváticos (coelhos e lebres) importantes na sua epidemiologia; 
 Tularémia (nos Humanos) – linfonodos aumentados de volume; 
 Sobrevive no interior dos macrófagos; 
 Linfadenite, Sépticémia; 
 Transmissão por Artrópodes vectores, mas também por ingestão; 
 Cresce em agar-sangue enriquecido com cistina; 
 Diagnóstico feito por sorologia; 
 Vacinação não disponível comercialmente; 
 Tratamento antibiótico eficaz; 
 Não identificável por galerias bioquímicas em laboratórios comuns; 
 A principal dificuldade é o diagnóstico e não o tratamento. 
 
Mycoplasma spp. 
 
 
 
 
 São os menores organismos procariotas de vida livre (125 – 250 nm); 
 Sem parede celular, logo antibióticos com interferência na parede celular não resultam; 
 Não se multiplicam no meio ambiente; 
 Sobrevivem por curtos períodos de tempo no meio ambiente; 
 Susceptíveis à dessecação e desinfectantes; 
93 
 
 Plásticos e pleomórficos; 
 Com membrana citoplasmática; 
 Colónias caracterizadas em “ovo estrelado”. Colónias não são visíveis a olho nu, só com uma 
lupa! 
 
 Os micoplasmas são encontrados nas mucosas da conjuntiva, cavidade nasal, orofaringe e 
tratos genital e intestinal de animais e humanos; 
 Não se coram pelo método de Gram; 
 O meio de cultura para o desenvolvimento destes m.o tem que ter: 
 Factores de crescimento (colesterol, 20% de soro de cavalo, extrato de levedura, 
DNA, nucleótidos); 
 Inibidores (Penicilina + acetato de tálio). 
 Filtrações por filtros de 0,45 micra/diluições; 
 Com o leite não conseguimos fazer uma filtração devido à sua gordura; 
 Culturas negativas após 10 dias de incubação; 
 Atmosfera enriquecida em CO2; 
 PCR vs Cultura – cultura costuma ser mais sensível do que PCR. É das poucas situações em 
que a cultura costuma ser mais sensível; 
 Meio isotónico. 
 Mycoplasma agalactiae – agaláxia contagiosa (caprinos e ovinos); 
 Mycoplasma mycoides mycoides small colony type – pneumonia contagiosa bovina, 
erradicada em Portugal há alguns anos, através do plano de erradicação; 
 Bovinos – M. bovis, M. bovigenitalium, M. dispar, M. bovoculi, Ureaplasma; 
 Suínos – M. hyopneumoniae – pneumonia enzoótica; 
 Mycoplasma bovis: 
 Quadros clínicos mais frequentes são pneumonia em vitelos e artrites, mastites e 
otites médias em bovinos; 
 Sensibilidade a poucos antimicrobianos; 
 Sensibilidade a antimicrobianos utilizados para tratar mastite inexistente; 
 Condiciona refugo dos animais para diminuir perdas e contágio na sala de ordelha; 
 Pode provocar mastite em animais muito jovens; 
 Condiciona plano de controlo que pode passar pela pasteurização do leite dado às 
vitelas. 
 
 
94 
 
U. Rickettsiales, Chlamydia e Chlamydophila, Brucella (Quinn: cap. 28, 34 
e 35) 
 
Ordem Ricketsiales 
 
“Os microrganismos da ordem Rickettsiales formam um grupo diverso de pequenas bactérias 
pleomórficas Gram-negativas, imóveis e que se replicam somente nas células do hospedeiro. Podem 
ser cultivados em saco vitelino de ovos embrionados ou em culturas de tecidos de linhagens 
celulares selecionadas. Como se coram pouco com anilina, esses microrganismos devem ser corados 
por métodos de coloração Romanowsky, como Giemsa ou Leishman. Além da pouca afinidade por 
corantes básicos e da dependência em relação às células do hospedeiro, um requerimento por um 
vector invertebrado distingue-os de bactérias convencionais e de Chlamydiales.” 
 
 
Rickettsia e Coxiella 
 
 São dois géneros que pertencem à ordem Rickettsiales e família Rickettsiaceae. 
 Embora muito distantes filogeneticamente, possuem estratégias de replicação idênticas. Não 
têm via glicolítica, dependendo do ATP celular – parasitas energéticos; 
 Bactérias gram-negativas intracelulares obrigatórias; 
 São transmitidas por artrópodes; 
 São bacilos, cocoides ou pleomórficos; 
 Parede celular gram-negativa sem flagelos; 
 Imóveis, rodeados por glicocálice ou biofilme; 
 Genoma circular com 1100 a 1200kb; 
 Não são cultiváveis em meios inertes. Multiplicam-se por divisão binária; 
 Riquétsias têm vector artrópode (carraças), que pode infectar directamente humanos ou 
infectar animais que por sua vez infectam humanos. 
 A partir do momento que a carraça pica, são transmitidas as riquétsias que infectam as 
células endoteliais vasculares. 
 Rickettsia: 
 Estratégia de replicação: 
 Grupo tifo 
 Grupo butinoso: Infecção das células endoteliais  indução da fagocitose  
saída do fagossoma por acção da fosfolipase  saída da célula por 
gemulação ou lise celular. 
 R.prowzekii (tifo); 
 R.typhi (tifo murino) – muito importante em medicina humana; 
 R. rickettsii provoca a Rocky Mountain Spotted fever – provoca pequenas 
hemorragias focais, febre, depressão, aumento dos linfonodos, edema subcutâneo, 
dores musculares. 
 Diagnóstico: Imunofluorescência indirecta, ELISA para detecção de anticorpos; 
95 
 
 Importantes agentes infecciosos – diagnóstico mais por via serológica que 
laboratorial. 
 Coxiella: 
 Ao contrário das Rickettsias, as Coxiellas resistem mais em meio exterior; 
 Coxiella burnetti – Febre Q: 
 Bactéria gram-negativa; 
 Gostam mais de crescer em células do trato reprodutor feminino e glândulas 
mamárias de ruminantes; 
 Altamente resistentes a stress ambiental, incluindo a fagocitose; 
 Infecção de monócitos/macrófagos por fagocitose  Fagossoma  Fusão do 
fagossoma-lisossoma e multiplicação bacteriana  Lise do fagossoma-
lisossoma; lise celular 
 Replicam-se dentro do lisossoma, ao contrário da Rickettsia; 
 Febre Q – infecção nos Humanos por inalação de poeiras; 
 Em animais induz problemas reprodutores (ex: aborto); 
 Em animais – transmissão através de carraças infectadas 
 
 
Família Anaplasmataceae 
 
 Anaplasma marginale – bovinos, hemoparasita; 
 Cowdria ruminatum – ruminantes domésticos; 
 Aegyptiarella pullorum – aves; 
 Ehrlichia cannis – diagnóstico microscópico ou molecular; 
 Neorickettsia – parasita dos peixes (perigoso por causa do seu consumo). Neorickettsia 
helminthoeca – salmão, cão Golden Retriever; 
 Wolbachia – endossimbionte de Onchecerca volvulus – cegueira nos rios tropicais; 
 Bartonella henselae – cat scratch disease. 
 
 
Phylum Chlamydiae 
 
 2 géneros importantes: Chlamydia e Chlamydophila; 
 Cocobacilos imóveis; 
 Parede celular semelhante a gram-negativas: 
 Sem ácido murâmico (sem peptidoglicano); 
 Têm Major outer membrane proteins (MOMP) ricas em cisteína. 
 Parasitas intracelulares obrigatórios – não são capazes de sintetizar hidratos de carbono e 
dependentes deATP. 
 
 
 
 
96 
 
Chlamydia 
 
 Ciclo biológico em que alternam: 
 Formas infecciosas extracelulares – Corpo elementar (formas infecciosas mais inertes 
do ponto de vista metabólico. Não são gram-negativos, mas têm parede celular 
semelhante. A Penicilina pode ser eficaz); 
 Formas reprodutivas intracelulares - Corpo reticular (maior que o corpo elementar e 
como que enquistam dentro do citoplasma até terem condições) 
 Ciclo biológico: 
 corpo elementar, entrada por endocitose mediada por receptores; 
 Fase I: corpo elementar (EB)  corpo reticulado (RB) 
 Fase II: inclusão = replicação dos corpos reticulados 
 Fase III: transformação dos RB em EB 
 Lise celular e libertação dos corpos elementares para fora 
 
 
Chlamydophila spp. 
 
 Infecta aves (150 espécies), mamíferos e invertebrados. Virulência depende da estirpe, 
hospedeiro e local de infecção; 
 Localização preponderante a nível do trato intestinal, mas pode estar noutros sítios; 
 Clamydophila psittaci: 
 Aves – psitacose/ornitose: pneumonia, infecção dos sacos aéreos, pericardite, 
encefalite, conjuntivite, infecção intestinal, diarreia; 
 Zoonose: psitacose humana, aborto, conjuntivite. 
 Muito importante em aves – tráfego de aves tropicais. Essas aves são portadoras que 
infectam humanos. 
 
 
 Vírus Rickettsia Chlamydia Mycoplasma Outros 
Enzimas met. Energético + + - + + 
Replicação em ambiente inerte - - - + + 
 
 
Brucella sp. 
 
 Classe α-proteobacteria; 
 Cocobacilos gram-negativos pequenos; 
 Parasitas intracelulares obrigatórios, mas têm autonomia energética e metabólica mas 
infectam como parasitas obrigatórios; 
 Localização intracelular em células do sistema reticulo-endotelial; 
 B. abortus, B. melitensis, B. suis, B. ovis e B. canis – claramente problemáticos em medicina 
veterinária e saúde pública. Quadro de infecções do trato reprodutor, porque tendem a 
infectar células macrofágicas do trato reprodutor. 
97 
 
 Cada espécie de Brucella tende a ter um hospedeiro preferencial. 
 A transmissão pode ser directa ou por contacto com excretores. 
 Capacidade de resistência no exterior, em atmosfera húmida durante muitos meses. 
 Infecção: O contacto geralmente é através das mucosas: 
 Fagocitose (fagócitos circulantes e nas mucosas); 
 Persistência nos macrófagos; 
 Linfonodos. 
 Resistem ao ambiente do lisossoma. 
 Touros – nos órgão reprodutores. 
 B. abortus – gado: aborto, orquite. Preferencialmente bovinos; 
 B. melitensis – Febre de malta. Caprino (preferencialmente), ovinos – aborto, orquite, artrite; 
 B. suis – suínos – aborto, orquite, artrite; humanos – febre intermitente; doença sistémica, 
brucelose (diminuição da fertilidade, diminuição da produção de leite, aborto, orquite); 
 B. ovis – ovinos (epididimite – machos); equinos (aborto esporádico). 
 Diagnóstico – diagnóstico serológico. 
 
 
 
V. Micologia Veterinária 
 
Importância dos fungos: 
 agentes de: 
 micoses (externas (dermatomicoses) e internas (sistémicas – nos orgãos internos), 
como a Aspergilose, a Candidíase, etc.; normalmente o tratamento de micoses e 
difícil e algumas micoses como a Criptococose, são mesmo letais); 
 micotoxicoses (toxinas que envenenam, como a Patolina presente nas macas, que 
adquirem um sabor a bafio, originando complicações a nível das células do tubo 
contornado do rim) 
 micetoses (toxinas dos cogumelos) 
 alergias (provocam sensibilização por contacto no trato respiratório e na pele) 
 fonte alimentar – por exemplo os cogumelos (ordem dos Basidiomices) 
 aplicações tecnológicas (produção de antibióticos e de inúmeros alimentos fermentados: 
queijo, bebidas alcoólicas, pão, etc.) 
 arma biológica (ex.: contra larvas de nemátodes) 
 degradação da matéria orgânica (esta é provavelmente a função mais importante dos 
fungos; estes microrganismos são capazes de degradar toda a matéria orgânica e podem 
produzir micotoxinas). As bactérias não são capazes de degradar moléculas orgânicas simples 
(amoníaco, ácido acético, etc.), mas os fungos são. A mineralização da matéria orgânica é 
feita pelos fungos, cuja função é de completar os ciclos da matéria orgânica. 
 Valor farmacológico. 
 Tóxicos (letais e subletais – toxicologia) 
 Interesse como biocompetidores 
 Alguns são cruciais para o deselvolvimento vegetal – micorrizas. 
98 
 
Os primeiros microorganismos do reino Fungi surgiram na Terra há 650 milhões de anos, muito antes 
de qualquer planta. 
 
As micoses são muito frequentes no campo da Medicina Veterinária. Seguem-se alguns exemplos: 
 Suínos – Aspergillus fumigatus – pode ser introduzido acidentalmente, no útero da porca 
durante a inseminação artificial. Isto está associado ao aparecimento de abortos. 
 Gato – tinha – a nível da extremidade dos membros. 
 Cavalo – tinha – é uma afecção de declaração obrigatória que impede, por exemplo, a 
participação do animal em campeonatos. As consequências são piores a nível económico 
do que para a saúde do animal; 
 Cão – penfigo foliáceo por Candida – comum nas pregas do focinho dos cães braquicéfalos 
(ex: Bulldog); malacessia, na orelha. 
 Bovino – tinha – afecta mais o gado leiteiro e os animais jovens, em especial quando o 
clima é húmido. 
 Homem – várias micoses – transmitidas por contacto, por exemplo, com animais doentes; 
 Coelho – surtos – associados a grandes prejuízos económicos; 
 Peixe – especialmente no peixe de água doce; podem trazer consequências económicas 
muito importantes. 
 Abelhas – micoses nestes animais podem ser catastróficas, em especial se as colmeias 
estiverem em locais muito húmidos e ao abrigo do sol. 
 
Mecanismos fisiopatogénicos dos fungos: 
Alguns fungos desenvolveram acções patogénicas (factores determinantes de virulência): 
 - Invasão directa dos tecidos (acção irritativa física – a parede celular fúngica é a endotoxina) 
 - Adesinas (parede dos conídeos aos macrófagos) 
 - Produção de exo-enzimas (elastases, fosfatases) 
 - Factores supressores da fagocitose (local) 
 - Acção inibidora da actividade mucociliar (enzima) 
 - Excreção de toxinas citoplasmáticas (micotoxinas) 
 
Micoses: 
 Cutâneas: dermatomicoses, candidíases, Pitirosporose. 
 Subcutâneas: Esporotricose, Histoplasmose, Micetomas, Saprolegniose, SUE. 
 Sistemicas: Aspergilose, Cryptococcose, Aphamomicose, Ascofericose. 
 
Sensibilização: situações em que os animais inalam ou ingerem os esporos dos fungos e ficam com o 
sistema imunitário muito activo – Alergias. 
 
Alfa-toxinas – micotoxinas segregadas por fungos (como algumas espécies de Aspergillus), e que 
podem estar presentes em alimentos, devido a contaminação de culturas agrícolas. Pode também 
estar presente no leite, caso os alimentos ingeridos pelos animais estejam contaminados. 
Alfa-toxinaB1: substância mais cancerígena que se conhece. É transmitida através do leite. 
Ergotamina: provoca cravagem do centeio. 
99 
 
Morfologia dos fungos: 
 Eucariotas 
 Unicelulares 
 Heterotróficos, não têm clorofila, ou seja, consomem matéria orgânica 
 Núcleo com 4 a 6 cromossomas (n ou 2n) 
 Parede celular: quitina (monosanos, quitosanos), celulose (glucanos) e polímeros de 
galactose 
 Não há mobilidade (porque não existem flagelos), à excepção de fungos aquáticos, que 
possuem um zoósporo móvel. 
 Tem crescimento micelar (forma M), sendo então capazes de se alongar; 
 Podem ser multinucleados (neste caso as hifas são tubos duros com numerosos núcleos, 
tubos estes que podem atingir até 10Km; podendo ser semi-septados ou não). 
 
 Através do poro central, há passagem do citoplasmaao longo dos vários segmentos da hifa. 
Apesar de poderem atingir grandes dimensões, os fungos são considerados microrganismos, 
porque é possível dar origem a um novo indivíduo a partir de um fragmento do fungo que 
contenha um único núcleo. 
Desta forma é-lhes permitido crescer em tamanho e em número. 
Nota: o haustório encerro quando os segmentos se separam. 
 Têm organelas muito específicas (ex: ganchos à superfície, para se fixarem ao substrato); 
 Muitos são saprófitos (fazem a digestão no exterior, através da exocitose de enzimas, e 
depois absorvem os nutrientes obtidos); 
 Muitos vivem em simbiose com outros organismos; 
 Embora haja indivíduos que se multiplicam por divisão binária, a maioria possui uma forma 
de reprodução sexuada e uma assexuada (das cerca de 200 mil espécies conhecidas, apenas 
cerca de 10 mil não possui reprodução sexuada). 
 
Formas L: leveduriforme 
Formas M: forma micelial (micélios vegetativo ou reprodutivo) 
Nota: Todas as leveduras podem originar bolores, e todos os bolores já foram outrora leveduras. 
 
100 
 
Reprodução Sexuada: 
 Há indivíduos de sexos diferentes; 
 Dado que os fungos são haploides, 
as células sexuais (oogónios, as 
femininas, e anterídeos, as 
masculinas) são formados por 
diferenciação. Estas células 
permitem a troca de cromossomas 
entre os dois indivíduos. Forma-se o 
oocisto (que é diploide) que, uma 
vez que se liberta da oogónia, sofre 
meiose e dá origem a dois 
indivíduos, um de cada sexo, 
haplóides. Verifica-se que a fase 
diploides é muito fugaz e só é 
encontrada quando há reprodução 
sexuada (por outro lado, as bactérias 
também podem trocar genes, mas 
nunca passam por nenhuma fase 
diploide). 
 Numa mesma colonia fúngica 
homotálica (todas as células têm a 
mesma estrutura genética), algumas 
hifas diferenciam-se e unem-se 
entre elas e dão origem a um zigoto 
2n. Também existem fungos 
heterotálicos que têm formas 
masculinas e femininas, que 
precisam de se encontrar – micélio 
masculino e micélio vegetativo  
isto sucede mais nos fungos 
aquáticos porque o meio é mais 
propício ao encontro das colónias 
dos dois sexos. 
 
 
101 
 
Reprodução Assexuada 
 
Esporulação  formas micelares (M) 
 
Exoesporulação – a partir de um 
micélio vegetativo, cuja única função é 
a absorção de nutrientes, há migração 
de núcleos e formam-se esporos a 
partir de células especiais, os quais se 
libertam facilmente. Quando germina, 
o esporo produz uma hifa, que cresce 
para formar um micélio vegetativo. 
Estes esporos são estruturas muito 
leves e desidratadas, muito maiores 
que uma bactéria (medem 10 a 50 μm). 
Não constituem formas de resistência, 
uma vez que são extremamente termo-
sensíveis, isto é, morrem quando 
submetidos a 60ºC durante cerca de 3 
minutos). 
 
Endoesporulação - a nível do micélio, 
há células que se diferenciam e, no 
interior das quais, são produzidos 
esporos, que se designam 
clamidosporos (pienídeos, se estiverem 
agrupados). 
Estes esporos não são estruturas 
reprodutoras, são formas de resistência 
à desidratação. 
 
 
Gemulação  formas leveduriformes (L) 
Ocorre nas leveduras. O número de gémulas formadas na célula é característico da espécie. A 
gemulação começa pela formação de uma protuberância na célula (ou de várias); segue-se a mitose 
do núcleo e migração deste para a gémula, antes da separação das duas células. 
 
Bipartição (fragmentação de hifas) 
 
Cissiparidade de células somáticas 
Fungos imperfeitos: fungos dos quais ainda não se conhece a forma de reprodução sexuada, apesar 
desta se verificar. 
 
Evolução da microbiota num alimento: 
107  cheiro anormal 
108  cor e consistência anormais 
102 
 
Ecologia dos fungos: 
 Nutrientes orgânicos e inorgânicos (os fungos são capazes de viver à custa da degradação de 
moléculas muito simples, como carbonatos, fosfatos, etc.) 
 Água - os fungos são capazes de viver sobre substratos com uma actividade da água muito 
reduzida (ex: alimentos congelados), uma vez que recorrendo a β-oxidação, conseguem 
decompor os ácidos gordos, em água e CO2 conseguem obter toda a água de que 
necessitam. A β-oxidação dos lípidos provoca a formação de ácidos gordos aromaticos, que 
conferem aos alimentos um odor de ranço acetonado (característico dos fundos criofilos). 
 
 
 Temperatura - quando nos referimos a bactérias, há as termófilas, mesófilas, psicrófilas, etc.; 
o mesmo não se aplica aos fungos. Estes organismos são anfotéricos (não têm temperatura 
óptima de crescimento), salvo raras excepções, crescem à mesma velocidade a qualquer 
temperatura. Os fungos criófilos vão buscar água à β-oxidação dos lípidos, a matriz fica com 
ranço cetónico. De um modo geral, considera-se os seguintes intervalos de temperatura para 
bactérias e fungos: 
 
 
 
Byssoclamis é o único fungo termdurico, resistindo até temperaturas de 70°C. 
Nota: a maioria dos fungos patogénicos são mesófilos. 
 
 pH – os fungos são capazes de decompor quer alimentos muito ácidos (ex.: casca de laranja), 
quer alimentos muito alcalinos (ex.: queijo Roquefort), tolerando valores de pH entre 1 e 11. 
São desta forma organismos de “extremos” 
 E. coli  de 5,4 a 8,8 
 Bactérias (em média)  de 2 a 9 
 Fungos  de 1 a 11 
 
 Tensão de oxigénio - quase todos os fungos (99,99...%) são aeróbios estritos. Alguns, como 
as leveduras do pão e do vinho são microaerófilos (requerem tensões de O2 da ordem dos 10 
%). Não existem fungos anaeróbios estritos. 
 Radiações - na sua maioria, os fungos não procuram a luz, preferindo a penumbra. 
Considera-se que as radiações U.V. com comprimento de onda de 260 nm são altamente 
fungicidas (embora não destruam os esporos). Por outro lado, as características da parede 
destes microorganismos torna-os muito mais resistentes às radiações ionizantes que as 
bactérias. 
 
103 
 
Muitos fungos estabelecem relações de simbiose com: algas (formando os líquenes), lactobacilos 
(nas fermentações) e outras espécies de fungos. Outros produzem substâncias que impedem o 
crescimento bacteriano, e que são aproveitadas pelo Homem como antibióticos. 
 
3 Domínios – o reino animal tem um ancestral comum com o reino fungi. 
3 Filos principais 
 Ascomicota 
 Geomeromicota 
 Basidiomicota 
Diversas Classes 
 Zigomicetes 
 Basidiomicetes 
 Ascomicetes 
 Deuteromicetes 
 Comicetes 
 Citridomicetes 
 
Um mesmo fungo adquire uma nomenclatura diferente quando esta na fase meceliar e na fase 
de levedura. Conforme a taxonomia. 
 
1- Eumycota 
Glomeromicota 
Basidiomicota 
Ascomicota (Deuteromicetes) 
2- Mixomicota (Choromalveolata) 
Oomicetes 
Citridomicetes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
104 
 
Universidade de Lisboa 
Faculdade de Medicina Veterinária 
1º semestre – Ano lectivo 2013/2014 
 
 
 
MICROBIOLOGIA I 
(Componente Prática) 
 
 
 
 
 Apontamentos das Aulas Práticas – Patrícia Lopes 
(1º, 2º e 3º miniteste) 
 
 
 
 
 
105 
 
1º Miniteste 
A. Controlo de Microrganismos 
 
Introdução 
 
Controlo – Redução em número e/ou actividade da flora microbiana total. 
 
Razões: 
 Prevenir a transmissão da doença e infecção; 
 Prevenir a contaminação de microrganismos indesejáveis ou o seu crescimento; 
 Prevenir a deterioração de materiais por microrganismos. 
 
Os agentes utilizados para destruir ou impedir o crescimento de microrganismos designam-se por 
agentes antimicrobianos e podem ser físicosou químicos. 
 
Esterilização – completa destruição ou remoção de todas as formas de vida, quer patogénicas, quer 
não patogénicas. 
 
Desinfecção – não destrói os esporos. É para as superfícies. 
 
Sanitização – é a limpeza anterior à esterilização e desinfecção. 
 
Incineração – para eliminação de resíduos hospitalares. 
 
Antissepsia – prevenção de infecção. Aplicado a tecidos vivos. Relacionado com o paciente: 
desinfecção de tecidos vivos ou pele. Normalmente é necessário controlar os microrganismos sobre 
os tecidos vivos com agentes químicos. A antissepsia (anti = contra + sepsis = do grego putrefacção) é 
a prevenção de uma infecção ou sepsis e realiza-se com antissépticos. São agentes químicos que se 
aplicam sobre os tecidos para prevenir uma infecção, destruindo ou inibindo o crescimento de 
agentes patogénicos. Também reduzem a carga microbiana em geral. Não devem agredir o tecido do 
hospedeiro e por isso os antissépticos não são tão tóxicos como os desinfectantes. 
 
Desinfectantes  objectos inanimados 
 
Antissépticos  tecidos vivos. 
 
Significado dos sufixos: 
- cida = destruir 
- stático = detenção (atrasa o crescimento) 
 
Factores que determinam a actividade antimicrobiana: 
 Ambiente – condições físico-químicas do meio (por exemplo: presença ou ausência de 
matéria orgânica); 
106 
 
 Composição da população microbiana – a eficácia do agente antimicrobiano varia com a 
natureza dos microrganismos, porque estes diferem quanto à susceptibilidade; 
 Concentração do agente antimicrobiano – quanto mais concentrado o agente químico, mais 
rapidamente se destroem os microrganismos, mas nem sempre é assim! O etanol a 70% é 
mais eficaz do que a 95%, porque a sua actividade aumenta em presença da água; 
 Tempo de exposição – quanto mais tempo de exposição, mais microrganismos são 
destruídos. Para realizar uma esterilização deve-se realizar uma exposição suficiente para 
reduzir a probabilidade de sobrevivência a 10-6 ou menos; 
 Temperatura: Alta (podem actuar através de calor húmido ou seco) ou Baixa. 
 
Modo de acção de agentes antimicrobianos: 
 Lesão ou inibição da síntese da parede celular; 
 Alteração da permeabilidade da membrana citoplasmática; 
 Alterações do estado físico-químico de proteínas e ácidos nucleicos (mutações incompatíveis 
com a vida); 
 Inibição da actividade enzimática; 
 Inibição da síntese proteica e de ácidos nucleicos. 
Os meios de controlo vão actuar nestas acções dos agentes antimicrobianos. 
Os meios de controlo podem actuar num destes níveis ou em vários. 
 
Processos Físicos de controlo microbiano 
 
1. Temperatura 
 
1.1 Altas temperaturas 
 
1.1.1 Calor húmido 
 
A esterilização com calor húmido deve realizar-se com temperaturas superiores a 100oC para destruir 
os endósporos. 
 
Autoclavagem – é o único método 100% eficaz. Promove um aumento de temperatura através de 
um aumento de pressão (vapor húmido). Método: 121oC durante 15 minutos ou 115oC durante 20 
minutos. Utilizado para esterilização de material de vidro, meios de cultura não termossensíveis, 
material contaminado, culturas, etc. Substâncias termossensíveis não podem ser colocadas na 
autoclave! 
 
Tindalização – está em desuso. Utilizado em conservas. Semelhante à pasteurização. 
 
Ebulição – podemos utilizar exporadicamente no campo. Não é muito eficaz porque destrói apenas 
as espécies vegetativas. Não é eficaz nos esporos! 
 
Pasteurização – método de desinfecção. 63oC durante 30 minutos. 
 
 
107 
 
1.1.2 Calor seco 
 
É menos eficaz que o calor húmido. 
Estufa – método esterilizante. 180oC durante 1 hora ou 160o durante 2 horas. Aplicação em materiais 
de vidro, metal sem solda, porcelana, pós, óleos, etc. 
 
Chamejamento – Bico de Bunsen. Aplicação em instrumentos de sementeira metálicos, bocais de 
tubos, pipetas, etc. 
 
Incineração – temperaturas muito elevadas (calor seco). 
 
1.2 Baixas temperaturas 
 
Estes métodos actuam ao nível de água livre intracelular. Evitar a formação de cristais de gelo, 
porque quando descongelamos provoca o rebentamento de membrana celular  utilização de 
crioprotectores. 
 
2. Radiação 
2.1 Radiações ionizantes 
Têm alto poder de penetração e por isso só se utilizam em fábricas para não haver contaminação. 
Aplica-se para esterilização de materiais descartáveis, espessos e volumosos. 
Exemplo: Raios X, Radiações βe γ. 
2.2 Radiações não ionizantes 
Como por exemplo os raios UV. Dado que estas radiações têm muito fraco poder penetrante, apenas 
podem ser utilizadas na esterilização de superfícies para a manutenção de ambientes assépticos, 
como por exemplo em blocos operatórios e laboratórios farmacêuticos. 
 
3. Filtração 
É habitualmente utilizada na remoção de microrganismos de líquidos termossensíveis e gases 
termolábeis ou do próprio ar atmosférico. 
 
Tipos de filtros: 
 Velas Chamberlain, filtros Berkefeld (filtros de profundidade) 
 Membranas filtrantes (filtros de membrana) 
 
Filtros esterilizantes – para que a filtração seja esterilizante o diâmetro dos poros deve ser igual ou 
inferior a 0,22 μm. Acima desse valor não é esterilizante e só remove alguma matéria orgânica  
Filtros clarificantes. 
 
Pressão positiva – obriga o soluto a entrar dentro do filtro. Por exemplo: com uma seringa fazemos 
passar o ar ou a água pelo filtro. 
 
Pressão negativa – com utilização de vácuo. 
 
108 
 
Filtros HEPA (High Efficiency Particulated Air) – utilizados nas câmaras de fluxo laminar. Filtros de 
elevada eficiência para partículas existentes no ar (HEPA). São incorporados em câmaras de fluxo 
laminar ou em “salas limpas”, permitindo a retenção de 99,9% das partículas contidas no ar que o 
atravessa. 
Processos Químicos de Controlo Microbiano 
 
As superfícies sujas devem limpar-se antes de se aplicar um desinfectante ou antisséptico. 
 
Desinfectante – composto com maior poder de desinfecção é o esporicida. 
 
Selecção do agente químico – tenho que ter em consideração: 
 Natureza do material a tratar 
 Tipo de microrganismo (as formas vegetativas são muito mais sensíveis que as esporuladas); 
 Condições ambientais (num estábulo não é necessário tanto rigor como num laboratório). 
 Binómio tempo/concentração – exemplo: lixívia 5 – 10% deixar actuar 30 minutos, a eficácia 
não é maior e deixamos actuar menos tempo. 
 
1. Fenol e compostos fenólicos (C6H5OH) 
Os compostos derivados do fenol apresentam diferentes actividades antimicrobianas, podendo ser 
bacteriostáticos ou bactericidas consoante a concentração. 
Actua por lesão física das estruturas membranares; interferência na síntese proteica. 
O fenol é um excelente antisséptico para superfícies biológicas, mas é extremamente agressivo. 
 
2. Álcoois 
Não são esporicidas! Etanol a 70% - desinfectante. Mais concentrado, evapora mais depressa, por 
isso baixando a concentração é mais eficaz. 
 
3. Halogéneos 
Iodo – exemplo: tintura de iodo  bastante agressivo e provoca nódoas que não saem. Antigamente 
era muito utilizado, mas actualmente está em desuso. 
Cloro – Exemplo: Hipoclorito de sódio e de cálcio. Utilizado em piscinas, vegetais (Amokina), águas e 
afloentes. Contudo, o hipoclorito é extremamente irritante para o sistema respiratório e é agressivo. 
 
4. Metais pesados e seus compostos 
Mercúrio – o mercúrio e outros compostos orgânicos que eram muito utilizados como desinfectantes 
gerais foram substituídos por outros compostos menos tóxicos e corrosivos. Mercuriocromo é um 
produto cancerígeno e, por isso, todos os produtos com mercúrio foram retirados. 
Nitrato de prata – comercializa-sena forma de lápis e é um agente altamente cáustico. Utilizado 
para remoção de camadas mortas da Epiderme, permitindo a regeneração de feridas de 2ª intenção. 
É utilizado mais para grandes animais. 
Sulfato de Cobre – Pedilúvios em explorações de ruminantes. 
 
5. Corantes 
Trifenilmetano – verde malaquite, verde brilhante e cristal violeta. Susceptibilidade das bactérias 
gram-negativas; interferência com os processos de oxidação celular; meios de cultura selectivos. 
109 
 
Acridina – Acriflavina, Triptoflavina. Inibidores de Staphylococci e Gonococci. Aplicação terapêutica. 
 
6. Detergentes 
Formam micelas à volta da matéria orgânica, facilitando a sua remoção. 
 
7. Compostos de amónia quaternários 
Entre os detergentes catiónicos, os compostos de amónia quaternários são os mais utilizados. 
Utilizados como sanitizadores e desinfectantes. Além da sua elevada eficácia em microrganismos, os 
compostos de amónia quaternários apresentam baixa toxicidade, elevada solubilidade, estabilidade 
em meio aquoso e não são corrosivos. 
 
8. Aldeídos 
Formaldeído – o formaldeído é um gás altamente tóxico e cujos vapores são muito irritantes para as 
mucosas. É altamente letal para todos os tipos de micróbios e esporos. 
Paraformaldeído – substância sólida. 
Formalina – é uma solução de 37- 40% de formaldeído em água com 10% de metanol para inibir a 
polimerização. 
Gluteraldeído – é menos irritante que a formalina. Utilizado para esterilização de instrumentos 
médicos que não podem submeter-se ao tratamento pelo calor, como por exemplo, termómetros e 
equipamento de anestesia. 
 
9. Agentes gasosos 
Óxido de etileno – muito utilizado em hospitais, devido a elevado número de pijamas cirúrgicos, 
lençois de cama, etc. É mais eficiente e menos prejudicial em termos de danos para a roupa. Em 
autoclavagem depois a roupa sai húmida e ao secar na estufa, danifica a roupa. 
Beta-propiolactona – é tóxico e cancerígeno. Utilizado na esterilização de material termossensível. 
Alternativa é a radiação ionizante (radiação gama). 
 
B. Exame microscópico 
 
Todas as observações a nível macroscópico têm que ser confirmadas a nível microscópico. 
As suspeitas pelo exame macroscópico têm que ser confirmadas por observação microscópica directa 
das células bacterianas. 
 
Nota: Os vírus só podem ser observados por microscopia electrónica! 
 
Informação: 
 Morfologia 
 Forma de associação 
Bacilos em palissada  em vez de se associarem pela altura, associam-se pelo comprimento. 
 
 Dimensão 
 Mobilidade 
 
110 
 
Tipos de exame ao Microscópio: 
 Exame a fresco (entre lâmina e lamela): 
 observação de células vivas! 
 Procedimento: 
- Preparar uma suspensão bacteriana sobre a lâmina; 
- Cobrir com uma lamela; 
- Cercar a lamela com parafina ou com verniz; 
- Observar ao microscópio. 
 Exame após fixação e coloração: 
 Simples (1 corante, não diferencia bactérias. Ex: Método de Burri – em vez de água 
colocamos por exemplo tinta da china); 
 Diferenciais (≠ constituição das estruturas). Exemplo: Gram, Zieh-Neelsen (muito 
utilizada. Permite distinguir micobactérias). 
 Específicas 
 
Coloração simples: 
 Diferenciação de estruturas (cápsula). 
 
Coloração específica para esporos: 
 Todas as bactérias esporuladas são Gram-positivas; 
 Os esporos não coram através de coloração simples, nem por Gram (diferencial)  Método 
de Wirtz-Conklin (coloração específica para esporos). 
 
O que a coloração Gram permite ver? 
 Forma, dimensões, modo de associação; 
 O mecanismo de coloração depende da estrutura da parede celular; 
 Diferenciação por reacção à coloração: Gram-positiva/Gram-negativa 
 Culturas antigas de bactérias gram-positivas – as paredes podem já não ter uma estrutura 
íntegra  dificuldade de coloração; 
 Álcool é o passo crítico: se não colocarmos álcool suficiente as bactérias gram-negativas 
parecem gram positivas. Não colocar álcool nem a mais nem a menos! 
 Aspecto após coloração: Gram-positivas ficam roxas e gram-negativas ficam avermelhadas. 
 
C. Meios de cultura 
 
Em relação ao estado físico (tem a ver com a adição de agar): 
 Meios sólidos (concentração de agar aproximadamente de 2%) – Utilizar para avaliar o tipo 
de culturas; 
 Meios semissólidos 
 Meios semilíquidos 
 Meios líquidos 
O Agar só se dissolve a 100oC e só solidifica a 40oC. Normalmente são esterilizados em 
autoclave  Hidratos de Carbono – ciclo a 115oC durante 20 minutos, porque a 125oC os 
Hidratos de Carbono caramelizam. 
 
111 
 
 
 
Factores que condicionam o desenvolvimento laboratorial dos microrganismos: 
 Composição do meio de cultura 
 pH do meio 
 Temperatura 
 Atmosfera 
 Osmolaridade (concentração salina) 
 
Constituição geral de um meio de cultura – independentemente dos microrganismos em causa, 
todos os meios de cultura têm que ter: 
 Dadores de electrões 
 Receptores de electrões 
 Fonte de Carbono 
 Fonte de Azoto 
 Minerais: S, P, Mg, Fe, Ca, etc. 
 Oligoelementos, vitaminas 
 
Disponibilidade dos diferentes elementos: 
 Meios naturais 
 Meios sintéticos quimicamente definidos 
Os microrganismos precisam de absorver os nutrientes de forma directa, isto é, o mais 
simples possível, porque não têm capacidade enzimática grande para assimilar os nutrientes. 
 
Em laboratórios utilizamos normalmente as bactérias heterotróficas. 
 
Constituição específica de um meio de cultura, consoante as necessidades nutricionais das diversas 
estirpes bacterianas. São definidos dois itens: 
 Factores de crescimento, sem os quais as bactérias não crescem e os quais não conseguem 
produzir. 
 Factores de enriquecimento – aporte extra. São utilizados em duas situações: bactérias 
muito exigentes a nível nutricional ou em culturas mistas para garantir que satisfaço as 
necessidades de todas as populações bacterianas. Caso contrário, as menos exigentes 
esgotam o aporte nutricional e as outras bactérias mais exigentes vão ter dificuldade em 
crescer. Em microbiologia é muito difícil termos amostras puras. 
 
 
112 
 
Tipos de meios de cultura: 
 Meios gerais, inespecíficos – para bactérias sem grandes exigências e especificidades; 
 Meios diferenciais – permitem a distinção entre diferentes grupos de microrganismos com 
base na capacidade de metabolizar componentes específicos presentes no meio de cultura 
e/ou na morfologia (aparência) das colónias. Permitem, por vezes, a identificação de 
microrganismos segundo as suas características biológicas. 
 Meios de enriquecimento – estimulam o crescimento de bactérias mais sensíveis. 
 Meios selectivos – suprimem o crescimento de determinados microrganismos em benefício 
de outros. Nestes meios há componentes como sais biliares e cristal violeta, substratos 
degradados apenas por alguns tipos de microrganismos ou antibióticos (adiciono um 
antibiótico ao qual um organismo é sensível e outro não é). 
 
 
 
Constituição de um meio geral inespecífico – caldo simples com glucose, peptona, extrato de carne 
(produzido a partir de músculo submetido a tratamento térmico e enzimático com mistura 
proteolítica), NaCl, Glucose (fonte de hidratos de carbono), água destilada. 
 
Meio MacConkey – Meio selectivo e diferencial: 
 Constituição: peptona, lactose (elemento chave da diferenciação), NaCl (isotonicidade, iões), 
Sais Biliares e Cristal Violeta (vão ter uma acção selectiva. Vão ter uma acção inibidora sobre 
as gram-positivas e as gram-negativas não enterobacteriáceas), vermelho neutro, agar e 
água destilada. 
 As enterobacteriáceas são as bactérias que crescem neste meio.O habitat normal das 
enterobacteriáceas é o intestino, logo toleram sais biliares que as outras bactérias não 
toleram. As bactérias fermentadoras de lactose digerem a lactose e vão tornar o meio mais 
ácido. 
 Com as enterobacteriáceas que não fermentam a lactose o meio varia sempre mais para o 
amarelo. 
 Colónias rosa choque – aspecto cultural de colónias lactose positivas, como por exemplo a E. 
Coli. 
113 
 
Meio Agar Sangue – Meio de enriquecimento e diferencial: se as bactérias tiverem hemolisinas, vão 
lisar os glóbulos vermelhos (hemólise α, β e γ). 
 
 
D. Técnicas de propagação 
 
Meio sólido: 
 Á superfície: 
 Inundação 
 Em toalha com semeador 
 Por estria 
 Em profundidade: 
 Por incorporação 
 Por picada 
 
Meio líquido: por incorporação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
114 
 
2º Miniteste 
 
Observação macro e microscópia de colónias 
- Gram 
- Fresco (para ver se são bactérias móveis ou não) 
Observação microscópica: morfologia, dimensão, forma de associação, reacção gram 
 
Propagação de Bactérias Aeróbias 
Meios de cultura: 
Bactérias móveis. Exemplo: Proteus – meio com maior concentração de Agar vai tornar o meio mais 
firme e menos rugoso e assim o Proteus não se desenvolve tanto. 
- MacConkey – propagação nestes meios 
- Tubo de meio líquido – podemos observar forma de associação e se são aeróbios ou anaeróbios. 
 
Isolamento de Bactérias Aeróbias 
Após propagação  Isolamento 
Objectivo do Isolamento: Individualizar os vários microorganismos presentes e obtenção de uma 
colónia pura, porque se for mista, os outros microorganismos (m.o.) vão interferir no resultado. 
Aplicação: Diagnóstico Bacteriológico, Preparação de Antigénios, Produção de culturas puras 
(vacinas, autovacinas…) 
Queremos que o principal suspeito se multiplique e o crescimento dos outros m.o. se iniba. 
Técnica utilizada: esgotamento por estria em meio sólido 
Estratégias de isolamento: 
- Sementeira em Anaerobiose (bactérias anaeróbias facultativas: Streptococci) 
- Inactivação em banho-maria (80ºC/10 m – sobrevivem apenas as esporuladas. Ex: Bacilli) 
- Temperaturas de incubação (a maioria das bactérias patogénicasdesenvolve-se a 37ºC, a Salmonella 
é uma excepção e desenvolve-se a 42ºC) 
- Congelação ou refrigeração do material suspeito (para bactérias resistentes à congelação e 
refrigeração) 
- Alteração do pH do meio (para promover o crescimento das bactérias acidófilas, por exemplo) 
115 
 
- Alteração da composição do meio: 
Exemplo: Meio selectivo e diferencial, como o meio de MacConkey. A identificação não pode ser 
directa nesse meio porque têm algumas substâncias que inibem o seu desenvolvimento completo 
(ex.: Sais Biliares)  colocar em Agar sangue para identificar depois bioquimicamente. 
Maior concentração de NaCl – os estafilococos são halotolerantes 
- Incorporação de antibióticos, sulfamidas ou corantes no meio: diferentes bactérias têm diferentes 
perfis de sensibilidade. 
- filtração com poros de 0,45µm: bactérias com paredes celulares rígidas ficam retidas no filtro, 
enquanto microplasmas são pleomórficos, isto é, têm capacidade de se deformar e passar no filtro. 
 
Identificação de Bactérias: 
 
Importância da análise Microbiológica: 
 Lesão/Doença com suspeita bacteriana: 
Zaragatoas orais, cutâneas---órgão, biópsia 
A amostra deve ser colhida em meio asséptico porque queremos apenas recolher a bactéria. 
 Colheita Asséptica do material (meios de conservação): 
- refrigeradas a 4ºC 
- evitar contaminação ambiental 
 Chegada ao laboratório 
 
Análise Microbiológica – Vamos ler o perfil de degradação de substratos: 
 Reacções de leitura directa, contêm: indicadores de pH, mudança de cor do meio, 
metabolismo glicídico (a sua utilização implica acidificação) e metabolismo proteico (a sua 
utilização implica alcalinização). 
 Reacções de leitura indirecta: Folhas de leitura de galerias. Pontuação diferente (1,2,4) que 
se repete a cada 3 testes. Tomar nota dos resultados das reacções (+ vs -). Somar apenas a 
pontuação correspondente a resultados positivos. Em função da leitura temos um perfil 
numérico  código de identificação (base de dados Apiweb). Todos os API’s são lidos da 
mesma maneira, independentemente dos reagentes. 
 Atenção: as galerias de identificação foram feitas para isolados humanos e se o resultado não 
for o esperado, ter em atenção ao grau de morfologia e associação. 
 API’s – tem reacções de leitura directa e indirecta. 
 BBL – todos de leitura directa. Precisa de um trasluminador para ver a fluorescência. 
 
Escala de McFarland: 0,5 de turvação  108 bactérias/CFU 
 
 
 
 
 
 
116 
 
Bacilos Gram negativos e oxidase negativos  Galeria API 20 E 
Bacilos Gram positivos  BBL GP 
Bacilos gram negativos e oxidase positivos  API 20 NE 
Cocos Gram positivos e catálase positivos  ApI Staph 
Cocos gram positivos e catálase negativos  API Strep 
 
A identificação de bactérias pode ser feita com recurso às chaves dicotómicas. 
 
 Morfologia  Gram  Ientificação do género  Chaves dicotómicas 
 
A informação sobre a morfologia é mais importante que o tipo de associação, porque com o 
manuseamento a ligação pode-se quebrar. 
Tipificação por bacteriófagos  se infectar eu sei que é uma Salmonella 
 
As bactérias Aeróbias têm oxidase e catalalase positivas. 
 
Oxigenase – 1 gota de água oxigenada 
 
Testes Bioquímicos – testes rápidos – detecção de enzimas que participam na respiração bacteriana. 
 
Testes de Sensibilidade aos agentes quimioterápicos 
 
TSA – permitem determinar o perfil de sensibilidade/resistência de uma cultura bacteriana. 
 
TSA: 
 Apenas realizados em culturas puras! Garantir isto! 
 Controlar o grau de turvação da suspensão a inocular (bactérias a mais promove um 
crescimento bacteriano elevado. O grau de turvação influencia os resultados). 
 Ter em atenção a composição do meio (o que vamos utilizar é o MH Agar) 
 
Como se mede CMI? 
- Conjunto de tubos de meio MH líquido com diferentes concentrações de Antibiótico (diluição de 
base 10). 
- Se ocorrer crescimento  CMI < CML (bacterioestático – é necessário elevar a concentração do 
fármaco a doses mais tóxicas para induzir a morte das células bacterianas) 
- Se não ocorrer crescimento  CMI = CML (bactericida) 
 
Escolha dos Antibióticos (AB) a utilizar? 
- Tenho que ter em atenção o modo de actuação dos mesmos (uns interferem com a parede celular, 
outros nos ácidos nucleicos. Exemplo: se estamos a testar Gram negativo não faz sentido um AB que 
interfere com a síntese da parede celular por causa da camada de peptidoglicano e, por isso, não vai 
funcionar.) 
- Diferentes acessibilidades 
- Condições de incubação também são importantes (incubação apenas de 24h, mas para contornar 
posso enriquecer o meio realizando TSA em meio MH Agar Sangue) 
117 
 
- Atmosfera também é difícil…TSA em anaeróbios estritos  inviável Estreptomicina… 
 
CMI mais baixos em meio líquido: disponibilidade de AB maior em meio líquido que em meio sólido. 
 
Definição de 3 zonas de inibição: 
 Sensibilidade 
 Intermédia 
 Resistente 
Limites de sensibilidade definidos pelo LLSI. 
 
Estirpe Intermédia – as populações bacterianas não são homogéneas e um resultado intermédio 
significa que a concentração não é suficiente para inibir toda a população. 
 
A Europa tem um organismo equivalente, o EUCAST, mas que ainda não tem limites definidos para 
isolados de origem veterinária. 
 
TSA mais utilizado  Método de Kirby e Bauer.:Sementeira por inundação ou Toalha. 
Em vez de se utilizar uma tira, usa-se um disco. Colocar um disco com uma concentração conhecida 
de AB na superfície do Agar, semeado por toalha ou inundação. Meço os halos de inibição em mm 
pelo diâmetro. 
Problemas de leitura: 
- Crescimento confluente: halo de inibição = 0 
- halo de inibição com bactéria a crescer por dentro (colónias de uma cultura têm resistência 
diferente) 
- halo duplo (consideramos o menor halo) 
- halos sobrepostos (medir o raio e multiplicar por 2) 
A interpretação dos resultados dos halos é realizada com base em tabelas de leitura que relacionam 
o diâmetro do halo de inibição de crescimento com a resistência bacteriana ao AB testado. 
As tabelas de leitura têm que ser utilizadas de forma crítica  quando a espécie bacteriana ou 
animal não se encontram referenciados utilizam-se os valores mais próximos. Se não há para 
medicina veterinária usam-se os dos humanos. 
 
Procedimento: 
1º Suspesão 0,5 da escala de MacFarland 
2º Semear de forma a garantir que a placa fique com uma película uniforme. Fazer a sementeira 3 
vezes cada uma totalmente numa direcção e viramos 90ºC, de modo a obter uma película uniforme. 
3º Tirar à chama um disco com uma pinça pela margem direita 
4º colocar o disco de forma equidistante (entre eles e do bordo da placa). Se cair noutro local, não 
mexer! 
5º Incubar 24h a 37ºC 
6º Medir os diâmetros das zonas de inibição do crescimento bacteriano e comparar com tabela de 
halos de discos antimicrobianos. 
 
118 
 
Gram positivas: Pencilina G (P), Ampicilina (AMP), Neomicina (N), Amoxicilina (AMC), 
Sulfametoxazole + Trimetoprim (SXT), Kanamicina (K). 
 
Gram negativas: Gentomicina (CN), Estreptomicina (S), Tetraciclina (TE), Ác. Nalidíxico (NA), 
sufametoxazole + Trimetoprim (STX), Sulfato de Colistina (CT). 
 
Antibiótico a recomendar? 
 Mais económico 
 Via de administração (endovenosa é mais fácil) 
 Efeitos secundários 
 Garantir que faz a terapêutica mais acertada (informar o dono que tem que dar e X em X 
horas). 
 
Nota: Se bactéria for resistente a todos os AB testados, fazer outros testes com outros AB ou com a 
geração seguinte. 
 
Casos clínicos: 
 Sansa – otite: suspeita é Pseudomonas aeruginosa. API 20 NE 
 Angie – dermatite purulenta: suspeita é Staphilococcus aureus. API Staph 
 Vaca – mastite: suspeita é E. Coli. API 20 E 
 Ovelha – morte súbita: suspeita é Bacillus anthracis. BBL GP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
119 
 
3º Miniteste 
 
 Bactérias Anaeróbias 
 
Bactérias: 
 Anaeróbias facultativas (são bactérias que têm a capacidade de crescer tanto em condições 
de aerobiose como anaerobiose); 
 Anaeróbias estritas ou obrigatórias (não podem crescer na presença de oxigénio pela falta 
das enzimas superóxido dismutase e catalase. Utilizam vias fermentativas nas quais os 
compostos orgânicos servem como receptor final de electrões); 
 Microaerófilas (requerem concentrações de oxigénio reduzidas para crescer). 
 
O cultivo de bactérias anaeróbias requer técnicas laboratoriais especiais. 
 
Propagação, isolamento e identificação de bactérias anaeróbias estritas 
 
1. Condições de desenvolvimento 
O procedimento é semelhante ao utilizado para as bactérias aeróbias, mas como não toleram o O2 
temos que garantir as condições necessárias para o seu desenvolvimento. 
Como estas bactérias não têm o pool enzimático (catalase e superóxido dismutase) que permita 
anular o efeito negativo dos produtos tóxicos derivados de O2, temos que ser mais rápidos no 
procedimento, é a única diferença! 
Que posso fazer? 
1.1 Remover O2 do meio ambiente 
Existem 3 métodos diferentes: 
- Após regeneração do meio de cultura, impedir o acesso do oxigénio atmosférico, usando 
substâncias isolantes ou geles; 
- Retirar o ar do recipiente vedado que contém o meio de cultura (Jarra, estufa de anaerobiose ou 
Glove box) e substituir a atmosfera primitiva por um gás inerte (CO2, H2, N2, etc.); 
- Combinação do oxigénio atmosférico com H2, na presença de um agente catalítico (Paladium), nas 
jarras de anaerobiose. 
 
 
Fig.1 – Jarra de anaerobiose 
A utilização de uma jarra de anaerobiose permite colocar as 
Placas de Petri numa atmosfera sem O2. Existem 3 métodos 
para remover o O2: 2 dependentes de reagente (um com 
paladium) e um sistema de válvulas. 
Nas jarras de anaerobiose remove-se a maior parte do 
oxigénio. 
Quando é adicionada água à embalagem química contendo 
o reagente (bicarbonato de sódio e boroidreto de sódio), 
produz-se CO2 e H2 que se conjugam com o O2, formando 
vapor de água que se condensa nas paredes dos frascos 
(reacção catalisada pelo Paladium na tampa). 
 
Tiras com ponta azul  o azul de metileno é o indicador de 
anaerobiose. Se está em atmosfera anaeróbia fica branco. 
120 
 
 
Fig. 2 – Glove box ou Estufas de Anaerobiose 
 
Na aula utilizámos sacos de anaerobiose. 
 
1.2 Reduzir o potencial REDOX do meio (meio de cultura com baixo potencial REDOX) 
Tenho que ter em conta: 
 Regeneração do meio (10min/100oC, seguido de arrefecimento rápido). A ebulição durante 
10 min serve para completa libertação de O2 do meio, seguida de arrefecimento rápido para 
evitar a reentrada de O2. Não preparar com muita antecedência! 
 Adição de substâncias redutoras: Tioglicolato de sódio, L-cistina, cisteína, fragmentos de 
órgãos (fígado, cérebro, carne triturada, etc.). Promovem reacções de oxidação-redução. O 
Tioglicolato de sódio tém resazurina. A resazurina é um indicador de oxigenação (fica 
transparente na ausência de O2 e avermelhado na presença de O2). 
 Gelose com maior percentagem de agar. Permite aumentar a viscosidade do meio e 
consequentemente garantir a anaerobiose (dificulta as trocas). 
 
2. Necessidades Nutricionais 
As necessidades nutricionais são semelhantes às dos aeróbios, mas mais exigentes, sendo necessário 
utilizar meios com factores de enriquecimento e crescimento. 
A composição do meio de cultura é muito variável consoante a espécie. Geralmente: 
 Peptona 
 Carbohidratos: glucose, lactose, amido, etc. 
 Sais: NaCl, K2PO4, KH4PO4, etc. 
 Factores de enriquecimento e/ou de crescimento: extracto de carne, extracto de levedura, 
hemina, menadiona, etc. 
 Agentes redutores: Cloridrato de cisteína (meio de tioglicolato e outros), tioglicolato de sódio 
(meio de tioglicolato), fragmentos de orgãos (caldo de figado, CMM, etc.). 
 Para impedir as trocas gasosas: 
 Anel de parafina - caldo de figado. 
 0,1% de agar no meio semi-líquido: meio de tioglicolato. 
 Maior percentagem de agar nos meios sólidos. 
 
Nota: A Parafina é uma substância viscosa que só se adiciona ao caldo de carne e vai impedir a entrada de O2. 
 
Na Glove box existe ausência total 
de O2, mas é um método muito 
dispendioso. O material utilizado lá 
dentro tem que ser todo 
descartável! 
121 
 
3. Isolamento 
Semelhante ao realizado para bactérias aeróbias, mas tem que ser um procedimento rápido. 
 Em placa por estria por esgotamento 
 Inactivação 15min/100oC: Bacilos Gram-positivos esporulados (Clostridium – no caso de se 
suspeitar do género Clostridium deve realizar-se um choque térmico, para promover o 
crescimento exclusivo destas bactérias) 
 Inoculação em animais de laboratório (pouco usado) 
 Meios selectivos, de enriquecimento e/ou diferenciais 
 
Método para confirmar se se trata de uma bactéria anaeróbia estrita: 
 Prova de ar: consiste em semear o mesmo inóculo a isolar numa placa em atmosfera normal 
e numa placa em atmosfera em anaerobiose.Se as bactérias crescerem nos dois meios, sei 
que são anaeróbios facultativos. 
 
4. Identificação da bactéria 
 
 Provas Bioquímicas: API (API 20 A), galerias tradicionais e incubação em anaerobiose. 
 Provas enzimáticas 
 Sensibilidade a antibióticos (discos com antibióticos incorporados) 
 Cromatografia de fase gasosa 
 
Na aula… 
1ª aula: 
- Observação microscópia 
- Regenerar os meios CMM (líquido) e Tioglicolato (semi-sólido) a 100oC/10min e arrefecer 
rapidamente 
- Semear líquido/líquido (Pipeta de Pasteur) 
- Adicionar Parafina líquida ao meio CMM, após sementeira 
- Sementeira por estria com esgotamento em meio Schaller 
- Sementeira por estria com esgotamento em Agar-sangue (Prova de ar) 
 
O tempo de incubação é de 48 horas e os resultados da análise são obtidos ao fim de 6 dias (1 
semana). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
122 
 
 Microbiologia alimentar 
 
Microbiologia dos alimentos: 
 Microorganismos benéficos envolvidos na produção de alimentos sem os quais não existiam; 
 Microorganismos prejudiciais: 
 Patogénicos, que provocam toxinfecções 
 De degradação (diminuem o tempo de vida de prateleira) 
 
Controle da carga microbiana, duas abordagens fundamentais: 
1 – Quantitativa: 
Principais técnicas: 
 Contagem do nº de bactérias totais (viáveis e não viáveis) 
 Contagem das bactérias viáveis 
 
Se o alimento está no estado sólido, tenho que homogeneizar o alimento  utilizo o Stomacher e 
faz-se uma suspensão de homogeneizado. 
 
Quantificação de bactérias totais em câmaras de contagem manual (Petroff-Hausser ou Neubauer): 
São câmaras de vidro com quadriculado a laser. Preenche-se a câmara com homogeneizado do 
alimento por capilaridade. 
O quadrado tem 1mm2 x 0,1 mm de altura = 0,1 mm3 = 0,1 μl (inóculo)  nº de bactérias x 10000 
(factor de correcção tendo em conta o volume do inoculado, isto é, 0,1μl) = nº de bactérias/ml 
Em microbiologia alimentar, este método não é muito utilizado porque já são muito turvos. Existe 
outra técnica, a quantificação de bactérias totais (massa) por Turbinometria, que também não é 
muito utilizada em microbiologia alimentar. 
 
Na aula realizámos a quantificação de bactérias viáveis por sementeira em diluições seriadas: 
Diluições de base 10  Sementeira em Placa de Petri  Incubação  Quantificação do nº de 
colónias (uma colónia corresponde a uma bactéria). 
Tenho que diluir para que a contagem seja possível. Se a sementeira for directa, o crescimento é 
confluente. Esta técnica também permite controlar a qualidade da técnica de execução. 
Alguns alimentos, por exemplo, necessitam de diluições 102 e outros 108. As diçuições dependem do 
tipo de alimento. Temos que garantir que o nº de microorganismos presentes não ultrapasse os 
limites (critérios de segurança alimentar definidos pela união europeia).A contagem de 
microorganismos todal é independentes das espécies, porque é a contagem total! 
Esta técnica tem aplicação noutras áreas: 
 Microbiologia Médica: Infecção no trato urinário (Enterotoxémias) 
 Microbiologia Aplicada 
 Microbiologia fundamental 
 
 
 
 
 
 
123 
 
Quantificação de m.o. totais viáveis – descrição do procedimento efectuado na aula: 
 
Amostras: 
- Legumes crus (pepinos) 
- Enlatado de sardinha 
- Água da Cruz Quebrada 
- Pastel de Nata 
É fornecido um homogeneizado dos alimentos a 10% (diluição 10-1 UFC/g, isto é, 10g em 90 ml de 
APT ou 25g em 225 ml). 
 
a) Diluições seriadas de base 10 em 6 tubos num volume de 5ml: 
- Colocar 4,5 de soro fisiológico (pipetar com pipetas de vidro na horizontal e tocar só numa 
pipeta – assepsia!!!) 
- Adicional 1/10 volume total de suspensão bacteriana nº 1º tubo (0,5ml) 
- Homogeneizar (vortéx) e repetir o processo do 1º ao último tubo 
(Usámos a mesma pipeta, o que não é o ideal) 
b) Sementeira: por incorporação (meio utilizado é o PSA) ou à superfície. Na aula efectuámos 
sementeira por incorporação (semeámos 1ml por diluição das 2 últimas diluições em 
duplicado, que é mais fiável do ponto de vista estatístico, pois faz-se uma média. Espalhámos 
o inóculo. Meio a 50oC) 
c) Incubação 24h a 48h/37oC 
d) Leitura e Interpretação – escolher placa que tenha entre 15 – 150 colónias. Contar as 
colónias das duas placas da diluição escolhida e depois multiplicar pelo inverso do factor de 
diluição = UFC/ml. 
Exemplo: 
 Sementeira por incorporação (1 ml) 
Diluição = 10-8 
Placa A: 78 colónias 
Placa B: 82 colónias 
 
Cálculos: 
Média de A e B = 80 
80 x 108 = 8,0 x 109 UFC/ml 
 
 Sementeira à superfície (0,1 ml) – os cálculos são iguais, mas depois temos que 
multiplicar por 10, porque a sementeira à superfície é 0,1 ml. 
 
Na aula da semana seguinte, para além de fazermos esta contagem, semeámos em meios diferenciais 
e selectivos para identificação presuntiva de bactérias prejudiciais. 
 
 
 
 
 
 
124 
 
2 – Qualitativa: identificação presuntiva de m.o. prejudiciais 
 
 
Meios selectivos e diferenciais (em função da sua composição, induzem o crescimento de umas 
bactérias e inibem o crescimento de outras): 
 
a) Meio de Bilis verde brilhante 
b) Meio TBX 
c) Meio SPS 
d) Meio Baird-Parker 
Nota: existem mais meios para além destes! 
 
a) Meio de Bilis Verde Brilhante: 
É um meio líquido que permite a detecção de bactérias coliformes. Utilizado em análise de amostras 
sujeitas a contaminação fecal. 
Composição do meio: 
 Peptona – componente que fornece os nutrientes (hidrolisado de proteína) 
 Bílis de boi – inibição das Gram-negativas não coliformes 
 Lactose – é fermentada pelas bactérias coliformes, produzindo-se gás que é colectado no 
tubo de Durham. Se não houvesse esse tubo, o gás era libertado. 
 Verde brilhante – inibição das bactérias Gram-positivas 
 Água 
 
Se o meio ficar turvo  existem bactérias coliformes, que podem ser o não ser produtoras de gases. 
(observar na aula seguinte se há produção de gás). 
 
Procedimento: 
- Diluições seriadas de base 10 em tubos de soro fisiológico. Transferir 1ml de cada diluição para os 
respectivos tubos com 9ml de meio de Bilis Verde Brilhante. 
 
 
10-1 (no caso dos pepinos a amostra já estava a 10-1) 
 
- Semear 
- Incubar 24h/37oC 
- Observar a ocorrência de turvação e se há produção de gás (grupo responsável pela fermentação da 
lactose) 
- Quantificar: Tubos com turvação – quantificação aproximada (a concentração inicial corresponde ao 
inverso da diluição onde ocorreu o crescimento). 
 
 
 
 
 
 
 1/100 1/1000 1/10000 
Água 
Pepino 
10-2 
10-3 
10-3 
10-4 
10-4 
10-5 
125 
 
b) Meio TBX 
É um meio utilizado para detecção e quantificação de E. Coli D-β-glucoronidase positiva. 
Composição: 
 Triptona – fornece os nutrientes 
 Sais Biliares – inibição das bactérias Gram-positivas e enriquecimento para E.coli 
 Composto cromogéneo – vai dar um composto colorido (neste caso azul) 
 
Algumas estirpes de E. Coli são glucoronidases negativas, logo o meio falha na sua detecção  
Incubar a temperarura de 44oC durante 24 horas para inibir o crescimento de bactérias 
contaminantes, isto é, glucoronidases positivas que não seja E. Coli. 
 
Procedimento: 
- Sementeira de um volume conhecido do inóculo sem diluição prévia (depende da norma); 
- Sementeira por incorporação ou à superfície (0,1 ml. Foi a técnica utilizada na aula); 
- Incubar a 24h/44oC (corresponde também a uma técnica de isolamento) 
- Contar colónias azuis 
- Fazer correcção de volume, dividindo por 10 porque semeámos 0,1 ml. 
 
c) Meio SPS (S – Sulfito,P- Polimixina, S – Sulfadiazina) 
É um meio para detecção e enumeração de clostrídios sulfito-redutores. Destes, o mais relevante em 
microbiologia alimentar é o Clostridium perfringens, responsável por intoxicações alimentares graves. 
 
Composição: 
 Triptona e extrato de levedura – suporte nutricional 
 Tioglicolato de sódio – agente redutor (para impedir crescimento de bactérias aeróbias) 
 Sulfadiazina e Sulfato de polimixina – Inibem outros sulfito-redutores que não o Clostridium. 
Para além destes componentes é um meio selectivo e diferencial… 
 Sulfito de Sódio e Citrato de Ferro – são agentes diferenciadores. O sulfito é reduzido a 
sulfeto pelas bactérias Clostridium perfringens, que reage com o citrato de ferro e faz com 
que as colónias adquiram uma coloração negra. 
 
Clostridium perfringens são bactérias esporuladas  não se vai fazer choque térmico porque o meio 
está a uma temperatura elevada. 
 
Não se fazem diluições seriadas porque basta uma bactéria estar presente para rejeitar o alimento. 
 
Procedimento: 
- Inocular 1 ml de amostra por incorporação no tubo SPS que contém 9ml do meio. Homogeneizar no 
vórtex, arrefecer rapidamente e deixar solidificar no meio; 
- Incubar 24h/48h a 37oC; 
- Se houver Clostridium Sulfitos Redutores na amostra, podem obter-se 2 tipos de resultados: 
 Todo o meio de cultura está negro 
 As colónias são representadas por manchas negras 
 
 
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d) Meio Baird-Parker 
Meio para isolamento, detecção e enumeração de Staphylococcus coagulase positivos 
 
Amostras testadas: Sardinhas e Pastel de Nata 
 
Composição: 
 Triptona + extrato de carne + extrato de levedura – fornecem nutrientes 
 Glicina e Piruvato de Sódio – favorecem crescimento de Staphylococcus 
 Agar 
 Água 
 Cloreto de lítio – inibe os m.o. que não Staphylococcus, no entanto esta inibição não é 
absoluta, por isso temos que adicionar um suplemento ao meio. Esses suplementos são: 
gema de ovo (diferenciação de Staphylococcus coagulase +/-) e Telurite de potássio (agente 
inibidor de outros m.o.). Não convém adicionar os suplementos antes da autoclavagem!!! 
Adicionar ao meio depois de a temperatura ter baixado, porque os componentes 
degradadam-se com a autoclavagem. 
 
Procedimento: 
- Sementeira de um volume directamente (basta haver um m.o. para ser rejeitado); 
- Semear 0,1 ml da amostra à superfície da placa com meio Baird-Parker com um semeador; 
- Incubar 24h/37oC 
- Detecção de colónias 
 
Resultados: 
Coagulase é o que faz o halo transparente por lipólise dos lípidos e proteólise das proteínas. 
 
Staphylococcus coagulase positivos – colónias negras brilhantes com halo transparente, não é 
opaco!!! 
Staphylococcus coagulase negativos – colónias brancas com halo opaco. 
 
Colónias castanhas – Proteus e Bacillus, que por vezes resistem ao cloreto de potássio e lítio. 
 
Na aula… 
1- Quantificação das sementeiras da aula passada (CFU/ml ou CFU/g) 
2- Pepinos e Agua – meios Verde Bílis e TBX. Nos pepinos fazer diluição para VB e TBX sementeira 
directa. 
3- Sardinha e Pastel de Nata – meios Baird-Parker e SPS

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