Direito Constitucional II   Aula 22   Poder Judiciário parte 1
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Direito Constitucional II Aula 22 Poder Judiciário parte 1


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Direito Constitucional II
Paulo Máximo
1
AULA 22
Unidade 4
Poder Executivo \u2013 parte 1
2
Introdução:
Alexandre de Moraes destaca que o Poder Judiciário é um dos três poderes clássicos previsto pela doutrina da separação dos poderes.
É, pois, um poder autônomo e independente, de importância crescente no Estado de Direito, visto que sua função não consiste somente em administrar a Justiça, sendo mais, pois seu mister é ser o verdadeiro guardião da Constituição, com a finalidade de preservar, basicamente, os princípios da legalidade e igualdade, sem os quais os demais tornar-se-iam vazios.
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Introdução:
A independência judicial constitui um direito fundamental dos cidadãos, inclusive o direito à tutela judicial e o direito ao processo e julgamento por um Tribunal independente e imparcial.
Alexandre de Moraes conclui que é preciso um órgão independente e imparcial para velar pela observância da Constituição e garantidor da ordem na estrutura governamental, mantendo nos seus papeis tanto o Poder Federal como as autoridades dos Estados Federados, além de consagrar a regra de que a Constituição limita os poderes dos órgãos da soberania.
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Introdução:
Clèmerson Merlin Clève destaca que talvez não exista Judiciário no mundo que, na dimensão unicamente normativa, possua grau de independência superior àquela constitucionalmente assegurada à Justiça Brasileira.
No mesmo sentido, Gilmar Ferreira Mendes explica que a Constituição confiou ao Judiciário papel então não outorgado por nenhuma outra Constituição. 
Conferindo-lhe autonomia institucional, desconhecida na história do modelo constitucional pátrio e que se revela, igualmente, singular ou digna de destaque também no plano do direito comparado. Buscou-se garantir a autonomia administrativa e financeira do Poder Judiciário. Assegurou-se a autonomia funcional dos magistrados.
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Introdução:
A ampliação dos mecanismos de proteção tem influenciado a concepção de um modelo de organização do judiciário, daí porque exigir recurso ordinário para os Tribunais Superiores, como ocorre com as decisões denegatórias de habeas corpus ou habeas data. Ou ainda, que se amplie a prestação jurisdicional tendo em vista determinados tipos de causas.
 
Para Gilmar Ferreira Mendes o modelo presente, consagra o livre acesso ao Judiciário. Os princípios da proteção judicial efetiva (art. 5º, XXXV), do juiz natural (art. 5º XXXVII e LIII) e do devido processo legal (art. 5º. LV) têm influência decisiva no processo organizatório da Justiça, especialmente no que concerne às garantias da magistratura e à estruturação independente dos órgãos.
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Introdução:
Diferentemente do Legislativo e do Executivo, que se encontram em relação de certo entrelaçamento, o Poder Judiciário, ou a Jurisdição, é que de forma mais inequívoca se singulariza com a referência aos demais Poderes. 
Não é o ato do Judiciário aplicar o Direito que o distingue, uma vez que se cuida de fazer que, de forma mais ou menos intensa, é levado a efeito pelos demais órgãos estatais, especialmente pelos da Administração. Todavia, o que caracteriza a atividade jurisdicional é a prolação de decisão autônoma, de forma autorizada e, por isso, vinculante, em casos de direitos contestados ou lesados.
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Jurisdição x legislação:
Para José Afonso da Silva não é difícil distinguir a jurisdição e a legislação. Esta edita normas de caráter geral e abstrato e a jurisdição se destina a aplicá-las na solução da lides.
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Jurisdição x Administração:
Mais difícil estremar a jurisdição da administração. Vários são os critérios para estabelecer a distinção. 
Chiovenda, concebe a jurisdição como uma atividade secundária, ou coordenada, no sentido de que ela substitui a vontade ou a inteligência de alguém, cuja atividade seria primária, enquanto o administrador exerce atividade primária, ou originária, no sentido de que a desenvolve no seu próprio interesse. 
José Afonso da Silva adota um critério orgânico. O ato jurisdicional é o que emana dos órgãos jurisdicionais no exercício de sua competência constitucional respeitante à solução de conflitos de interesses.
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Funções do Poder Judiciário:
Para Alexandre de Moraes a função jurisdicional, consistente na imposição da validade do ordenamento jurídico, de forma coativa, toda vez que houver necessidade.
José Afonso da Silva destaca que os órgãos do Poder Judiciário tem por função compor conflitos de interesses em cada caso concreto. Isso é o que seja de função jurisdicional ou simplesmente jurisdição que se realiza por meio de um processo judicial, dito, por isso, sistema de composição de conflitos de interesses ou sistema de composição de lides.
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Funções do Poder Judiciário:
Os conflitos de interesses são compostos, solucionados, pelos órgãos do Poder Judiciário com fundamento em ordens gerais e abstratas que são as ordens legais, constantes ora de corpos escritos que são as leis, ora de costumes, ou de simples normas gerais, que devem ser aplicadas por eles.
O Judiciário, como os demais poderes do Estado, possui outras funções, denominadas atípicas, de natureza administrativa e legislativa.
São de natureza administrativa a organização de suas secretarias; a concessão de férias; provimento dos cargos de juiz de carreira na respectiva jurisdição.
São de natureza legislativa a edição de normas regimentais, pois compete ao Poder Judiciário elaborar seus regimentos internos, com observância das normas de processo e das garantias processuais das partes, dispondo sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos.
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Principais características da jurisdição:
Pedro Lenza sintetiza as características básicas da jurisdição em: lide, inércia e definitividade.
Lide: na jurisdição contenciosa, por regra, existirá uma pretensão resistida, insatisfeita. A partir do momento que essa pretensão não é pacificamente resolvida pelo suposto causador da insatisfação, quem entender-se lesado poderá ir ao Judiciário que, substituindo a vontade das partes dirimirá o conflito, afastando a resistência e pacificando com justiça. No tocante à jurisdição voluntária a doutrina costuma observar que o Estado realiza a administração pública de interesses privados.
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Principais características da jurisdição:
Inércia: transparece na máxima nem judex sine actore; ne procedat judex ex officio, isto é, o Judiciário só se manifesta mediante provocação.
Definitividade: na medida em que as decisões jurisdicionais transitam em julgado e, acobertadas pela coisa julgada formal e material, após o prazo para a interposição da ação rescisória, não poderão ser mais alteradas. Ao contrário de alguns países da Europa, no Brasil toda decisão administrativa poderá ser reapreciada pelo Judiciário, não tendo sido conferido ao contencioso administrativo o poder de proferir decisões com força de coisa julgada definitiva.
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Jurisdição x competência:
A jurisdição no Brasil é una (ou seja, a definitividade só é dada pelo Judiciário) e indivisível, exercida pelo Judiciário nacionalmente (um só poder, materializado por diversos órgãos, federais e estaduais).
A manifestação da jurisdição se dá por diversos órgãos (integrantes do Poder Judiciário).
A forma de saber qual órgão decidirá a lide se dá por meio das normas de competência.
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Órgãos de organização estrutural:
O art. 92 da Constituição dispõe:
Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:
I - o Supremo Tribunal Federal;
I-A o Conselho Nacional de Justiça; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
II - o Superior Tribunal de Justiça;
III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; 
IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho; 
V - os Tribunais e Juízes Eleitorais; 
VI - os Tribunais e Juízes Militares;
VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.
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Órgãos de organização estrutural:
Alexandre de Moraes, Pedro Lenza e José Afonso da Silva posicionam-se no sentido de que o Conselho Nacional de Justiça, muito embora esteja entre