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PRÉ PROJETO   AUTISMO, INCLUSÃO, ATUAÇÃO DO PSI

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Esse momento é fundamental no diagnóstico de qualquer anormalidade que venha prejudicar o desenvolvimento da criança. Sobre isso, Cunhaapresenta algumas considerações:
[...] as manifestações do transtorno aparecem logo nos primeiros 3 anos de vida, originadas a partir de causas genéticas ou problemas ocorridos durante o período de desenvolvimento da criança, sendo que não há um padrão para a forma de manifestação e os sintomas variam”.(CUNHA, 2011 p. 20).
Dessa forma,devidoaos sintomas estarem presentes antes dos três anos de idade, dependendo da gravidade do comprometimento, é possível fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de idade. O diagnóstico precoce do autismo éimportante para que haja um direcionamento da criança autista ao tratamento mais adequado às suas necessidades, fazendo toda a diferença para o desenvolvimento da criança e para o tratamento.
Dependendo da gravidade do comportamento,torna-se viável arealização do diagnóstico por volta dos 18 meses após o nascimento já que os sintomas estão presentes nos primeiros anos de vida.
No âmbito da Educação especial, a Conferência sobre Necessidades Educativas Especiais foi um marco que resultou na Declaração de Salamanca em 1994, em que crianças com distúrbios globais do desenvolvimento, assim como autistas e psicóticas, foram incluídas na política da educação para todos.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que trata sobre a Educação Especial, em seu capítulo V garante o ingresso da criança autista em escola regular. Ainda segundo a Lei, a escola deve visar a efetiva integração do estudante autista à vida em sociedade.
No Brasil, aSecretaria de Educação Especial, através da Política Nacional de Educação Especial (2008), decretou a criação de classes especiais para crianças com condutas e manifestações de comportamento típicas de portadores de síndromes e quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos que produzem atrasos no desenvolvimento e prejuízos no relacionamento social, estariam aí incluídos oschamados autistas. 
Dessa forma, os autistas demandam espaços educacionais bem organizados com uma estrutura adequada às suas necessidades.
Segundo Correa (2017), a entrada de crianças autistas na escola pode gerar efeitos, inclusive terapêuticos, para crianças que apresentam limitações na constituição psíquica. A inclusão no âmbito escolar apresenta um lugar social para elas. Na escola, elas deixam o papel de crianças “doentes”, autistas, e passam a ocupar o lugar de crianças e, crianças que aprendem. A escola, pois, oferece um espaço importante para o desenvolvimento desse sujeito, já que pode auxiliar na reorganização do psiquismo, na medida em que lhe atribui um lugar social, um lugar de sujeito. 
	Souza et al (2004) reitera que o psicólogo tem papel imprescindível e precisa estar inserido no diagnóstico do autista. É importante que se faça uma análise do comportamento para distinguir se esse modo de agir é considerado norma ou necessita de uma investigação dos sintomas apresentados.
	Souza apud Windholz (1995) indica como a abordagem mais completa para o tratamento do autismo, a terapia comportamental. Embora, para conseguir a recuperação funcional desse transtorno, existem ainda diferentes formas de abordagens como, por exemplo,as intervenções baseadas na ABA (Análise Aplicada do Comportamento) que são atualmente vistas como tratamentos de primeira linha para o TEA no início da infância.
Vários relatórios vêm mostrando evidências da eficácia da abordagem da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) para crianças em idade escolar como também jovens adolescentes com TEA. Entre as eficiências foram relatadas melhoras na ansiedade, na autoajuda e nas habilidades do dia-a-dia. Essa descoberta torna a aplicação da TCC importante uma vez que foirelatada a presença de 30 a 40% das crianças com TEA apresentando altos níveis de ansiedade.
Segundo o psicanalista Luciano Elia (2012), a psicologia comportamental é uma adequação da psicologia conhecida como ciência que, desde o início, apresenta-se dividida entre a ciência natural e a ciência humana. Como método científico, ela constitui-se em uma vertente empírico-indutiva e positivista, sendo o nível menos elaborado.
 Alguns estudos comprovam que os professores não estão preparados para lidar com crianças autistas, pois apresentam uma ideia equivocada a respeito desse transtorno. Isso fica mais evidente quando se trata do processo de comunicação. Nesse caso, os professores tendem a ficar ansiosos e entram em conflito consigo mesmos por não saberem lidar com a presente situação. Com relação a essa dificuldade do professor, Goldberg (2005) diz que algum desses profissionaisadotam a estratégia de manter o aluno ocupado como uma forma de superar suas próprias dificuldades. Porém tais estratégias inibem a aparecimento dos sintomas.
 Outros estudos mostram que muitas crianças autistas que apresentam graves dificuldades de aprendizagem se encontram em estabelecimentos os quais não reconhecem as suas necessidades surgindo assim, problemas para o professor conduzir esses alunos na sala de aula. Dessa forma, é necessário que haja o encaminhamento para um atendimento especializado. Essa é a melhor solução quando não há ambiente apropriado e condições adequadas no tratamento do autista.
 A formação do Psicólogo no Brasil está voltada para uma perspectiva mais clínica e de saúde mental, porém a Psicologia oferece uma grande contribuição para os processos educacionais. Nesse sentido, o Psicólogo pode colaborar de muitas maneiras para os processos de ensino e de aprendizagem, oferecendo aportes da Psicologia (do Desenvolvimento, Aprendizagem, Ensino, Social), para os demais profissionais da educação, envolvidos em atividades educativas (professores, diretores, coordenadores, educadores).
 Na escola, o Psicólogo não deve realizar uma prática clínica, mas ele pode agir em todosos segmentos escolares fazendo diagnósticos e intervenções de forma preventivas ou corretivas, tanto em grupo quanto individualmente. Na atuação desse profissional além dos aspectos individuais dos alunos,devem ser considerados também os aspectos dos docentes, do currículo, os projetos pedagógicos da escola, a metodologia de ensino e todas as outras características da escola.
 Nesse sentido, Meira (2003) afirma que o psicólogo escolar precisa criar condições para que os professores repensem suas práticas; deve ainda auxiliá-los a compreender a importância do seu papel como agentes da história; ajudar no entendimento crítico em relação ao psiquismo, desenvolvimento humano, e de suas articulações com o aprendizado e as relações sociais.
 Sendo assim, a atuação do Psicólogo pode ir além do trabalho com crianças com dificuldades de aprendizagem buscando compreender os processos educacionais que levam a algumas crianças apresentar essas dificuldades, ele pode também auxiliar na formação continuada de professores, fornecendo informações sobre psicologia da aprendizagem e do ensino, psicologia do desenvolvimento e psicologia cognitiva, contribuindo assim, para a melhoria dos processos educativos. 
Segundo Gomes (2011), os psicólogos escolares ainda enfrentam desafios que devastam as instituições educacionais do Brasil. Há necessidade de formação política e ideológica, que dê bases para uma ação profissional crítica e construtora da realidade brasileira, ou seja, da um novo significado para a atuação do Psicólogo Escolar onde ela não deve se resumir ao aluno voltado para o problema de aprendizagem, a algum tipo de transtorno, mas para o aluno que faz parte de um contexto social. Vale ressaltar que o psicólogo deve levar em consideração a realidade do indivíduo, sendo as demandas que ele trás de fora do âmbito educacional para o contexto da escola e não focar somente nas teorias e técnicas voltadas para a patologia em si, mas voltar para todo o contexto que ele vive. 
REFERENCIAS 
ELIA, Luciano. Autismo e Segregação.

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