Diferenças anatômicas no Sistema Respiratório do adulto e da criança
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Diferenças anatômicas no Sistema Respiratório do adulto e da criança


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DIFERENÇAS ANATÔMICAS ENTRE O SISTEMA RESPIRATÓRIO DO ADULTO E DA CRIANÇA
Lucas dos Anjos Sena
Acadêmico de Fisioterapia | UFJF-GV
@eulucassena | eulucassena@gmail.com
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CABEÇA E VIAS AÉREAS SUPERIORES
Em adultos, a cabeça possui uma proporção aproximada de 1/12 do comprimento total do corpo, enquanto em RN e lactentes essa proporção é de 1/4.
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Figura 1. Ilustração da cabeça de um lactente, demonstrando a localização da fontanela (Bregma) e as placas ósseas do osso frontal.
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CABEÇA E VIAS AÉREAS SUPERIORES
Em crianças com tônus muscular diminuído, o peso da cabeça pode provocar hiperflexão cervical e obstruir a passagem de ar.
A posição do RN em prono para dormir pode dificultar sua respiração, considerando o peso da abóboda craniana, além da ausência do controle de cabeça nesta faixa etária.
Síndrome da Morte Súbita no Lactente (SMSL).
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CABEÇA E VIAS AÉREAS SUPERIORES
O tamanho da língua em RN é proporcionalmente maior em relação à cavidade oral do que em adultos, podendo contribuir para a obstrução das vias aéreas.
A laringe encontra-se anatomicamente mais superior no pescoço do que nos anos seguintes, a glote localiza-se entre C3 e C4 e é mais afunilada do que a de um adulto.
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CABEÇA E VIAS AÉREAS SUPERIORES
A epiglote infantil é mais longa, menos flexível e mais horizontal. Desta forma, durante a deglutição a laringe provê conexão direta com a nasofaringe, os tornando preferencialmente respiradores nasais.
Embora respirem preferencialmente pelo nariz, as narinas das crianças são pequenas e facilmente obstruídas, promovendo alta resistência ao fluxo aéreo.
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CABEÇA E VIAS AÉREAS SUPERIORES
A morfologia da epiglote no lactente também possibilita que a deglutição e a respiração aconteçam simultaneamente.
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VIAS AÉREAS DE CONDUÇÃO
As vias aéreas de condução na criança são menores e mais estreitas do que as do adulto, o que promove o aumento da resistência ao fluxo aéreo.
Uma pequena redução no calibre da via aérea da criança devido a um processo inflamatório ou edema, por exemplo, pode levar a um aumento muito grande da resistência de via aérea periférica.
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VIAS AÉREAS DE CONDUÇÃO
A árvore traqueobrônquica da criança é mais complacente quando comparada ao adulto, pelo fato dos brônquios não possuírem um suporte cartilaginoso resistente.
Tal particularidade propicia as vias aéreas do condução da criança a colapsos em situações nas quais há alto fluxo expiratório e aumento da resistência à passagem do ar.
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PAREDE TORÁCICA E MUSCULATURA
A caixa torácica em crianças, comparada à do adulto, possui formato cilíndrico, pois seu diâmetro ântero-posterior é semelhante ao látero-lateral.
A posição horizontalizada das costelas na criança provoca uma desvantagem mecânica à musculatura torácica que ainda é imatura e pouco desenvolvida (diagrafma com poucas fibras tipo I).
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Figura 2. Comparação entre a caixa torácica de um recém-nascido e de um adulto.
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PAREDE TORÁCICA E MUSCULATURA
Esta desvantagem mecânica da musculatura torácica leva a maior recrutamento e ativação da musculatura diafragmática, o que explica a respiração diafragmática em RN.
Também há uma maior complacência da caixa torácica da criança quando comparada ao adulto pela acentuda composição cartilaginosa.
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PAREDE TORÁCICA E MUSCULATURA
Isso permite tração da caixa torácica para dentro. Esta retração (ou tiragem) pode ser observada em alguns pontos específicos: 
Tiragem de fúrcula;
Tiragem infraesternal ou subdiafragmática;
Tiragem intercostal.
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Video 1. Tiragem de fúrcula.
https://youtu.be/6etjW-FUprM
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Video 2. Tiragem infraesternal ou subdiafragmática.
https://youtu.be/ri0s3KNrA0o
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Video 3. Tiragem intercostal.
https://youtu.be/zVYLMb6dzyU
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VENTILAÇÃO COLATERAL
No adulto, existem três diferentes tipos de estruturas que permitem a passagem de ar caso haja alguma obstrução em algum ponto. 
Poros de Kohn;
Canais de Lambert;
Canais de Martin.
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Figura 3. Ilustração esquemática das estruturas envolvidas na ventilação colateral.
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VENTILAÇÃO COLATERAL
Estudos constataram que a ventilação colateral só é desenvolvida ao final da infância (STOCKS, J.; HISLOP, A. A., 2001).
Os poros de Kohn surgem em algum momento entre o primeiro e o segundo ano de vida. O canais de Lambert surgem com cerca de 6 anos. Os canais de Martin não foram encontrados em pulmões humanos normais, no entanto, eles podem se desenvolver em situações patológicas.
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PREMATURIDADE
O surfactante é produzido por pneumócitos Tipo II a partir da 20ª semana gestacional.
Somente entre a 34ª à 35ª semana gestacional há quantidade de surfactante suficiente, em quantidade e qualidade, para reduzir a tensão superficial alveolar e impedir o colapso pulmonar após o nascimento.
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PREMATURIDADE
Doença da Membrana Hialina/Síndrome do Desconforto Respiratório em prematuros com idade gestacional abaixo de 34 semanas.
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Figura 4. Radiografia de tórax em RN com Doença da Membrana Hialina.
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CONCLUSÃO
RN e lactentes não são adultos em miniatura. 
Possuem características anatômicas e peculiaridades fisiológicas distintas relacionadas às demandas funcionais vinculadas ao seu desenvolvimento.
Essas características são parâmetros importantes para o estabelecimento de condutas pelos profissionais da saúde.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PRADO, C. D.; VALE, L. A. Fisioterapia Neonatal e Pediátrica. 1. ed. São Paulo: Manole, 2012.
SARMENTO, G. J. V. Fisioterapia Respiratória em Pediatria e Neonatologia. 2. ed. São Paulo: Manole, 2011.
WILKINS, R. L.; STOLLER, J. K.; KACMAREK, R. M. Egan - Fundamentos de Terapia Respiratória. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
MACHADO, M. G. R. Bases da Fisioterapia Respiratória. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
STOCKS, J.; HISLOP, A. A. Structure and function of the respiratory system: Developmental aspects and their relevance to aerosol therapy. In H.Bisgaard, C. O'Callaghan, & G. C. Smaldone (Eds.), Drug Delivery to the Lung: Clinical Aspects. (pp. 47-1,4). New York: Marcel Dekker, Inc, 2001.
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OBRIGADO!
Lucas dos Anjos Sena
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