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DIVERSIDADE ETNICO CULTURAL VI UNICID

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entre os jovens e criaram novos 
hábitos e costumes. 
A palavra “hedonismo” é pouco conhecida e utilizada, inclusive na linguagem 
científica; porém, é a que melhor caracteriza o pensamento de parte da sociedade 
acerca do uso que fazemos da internet. Pesquisas mostram que cada vez mais 
brasileiros se conectam à rede das redes e, em grande parte do tempo, fazem-no 
em busca de diversão, o que em princípio não é um problema em si.
As redes sociais, o Youtube e diversos sites atraem principalmente jovens para a 
diversão fácil e sem compromisso. Também adultos se deparam com possibilidades antes 
inexistentes e hoje convivem com ofertas nem sempre lícitas de diversão, expondo-se 
como parte de redes de crimes que ocorrem na internet, uma nova preocupação para 
setores da sociedade, responsáveis pela manutenção da ordem pública.
Conectados em tempo integral, crianças, adolescentes e jovens vivem em seu 
mundo virtual as possibilidades de diversão que não estão disponíveis no mundo 
real das grandes cidades. 
O entretenimento oferecido pela TV e pela internet oferece perigos, mas as ruas 
das grandes metrópoles oferecem muitos mais. Entre o risco da rua e o da rede, 
esse último parece mais controlável, mesmo que pais estejam sendo processados 
por atitudes dos filhos na rede virtual.
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Manuel Castells dá ênfase ao sistema de comunicação propiciado pelas novas 
redes sociais e os usos de diferentes tipos:
Além disso, um novo sistema de comunicação que fala cada vez mais 
uma língua universal digital tanto está promovendo a integração global 
da produção e distribuição de palavras, sons e imagens de nossa cultura 
como personalizando-os ao gosto das entidades e humores dos indivíduos. 
As redes interativas de computadores estão crescendo exponencialmente, 
criando novas formas e canais de comunicação, moldando a vida e, ao 
mesmo tempo, sendo moldadas por ela (CASTELLS, 1999, p. 22). 
Também a cultura do trabalho e do estudo foi alterada pela internet: do Ensino 
Fundamental à pós-graduação, a rede oferece um mar sem fim de informações 
e análises para pesquisa, ampliando infinitamente as possibilidades, o que pode 
contribuir para o avanço e a melhoria dos processos educacionais e disseminação 
do conhecimento. 
É claro que, como em todas as áreas, há riscos; o maior até o momento, é a cul-
tura do “recorta e cola” ou “ctrl c / ctrl v”, muitas vezes identificada por docentes 
de todos os níveis. 
Como sabemos, informação não é conhecimento e, portanto, não basta 
localizar algo que tenha sido produzido e esteja disponível, apresentando como 
pesquisa própria; não é o que muitos estudantes pensam e fazem até o momento, 
transformando a facilidade de pesquisa em mero ato de copiar. 
Mas a diversão não ocorre apenas no espaço virtual da internet. A profissionaliza-
ção e expansão das indústrias culturais possibilitaram que o entretenimento se trans-
formasse em mercadoria em muitas das formas de criação cultural da humanidade. 
A oferta de bens culturais só faz aumentar e, especialmente nos grandes centros 
urbanos, pode-se passar toda a vida apenas consumindo produtos criados com o 
objetivo de divertir. 
A televisão, meio hegemônico no Brasil, desde os anos 1970, passa por um 
processo de reestruturação que tende a ampliar ainda mais as alternativas; a 
digitalização dos sinais, deve ser o mais importante elemento desse processo. 
TV e internet prometem interagir cada vez mais, potencializando a produção de 
ambos os meios e a digitalização tende a contribuir para que a convergência técni-
ca, tecnológica e de conteúdo ocorra sem grandes rupturas para os atuais “donos” 
da mídia no Brasil e no mundo.
Tal convergência ocorre também com as mídias impressas e o rádio, que migram 
parte de seus conteúdos para a internet ou criam produtos específicos para a rede, 
ampliando o potencial dessa como espaço de informação, pesquisa e entretenimento. 
Por meio de um smartphone, temos várias mídias em um só objeto. 
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UNIDADE Múltiplas Identidades: A Cultura no Brasil do Século XXI
Figura 6 - Tecnologia
Fonte: iStock/Getty Images
Participando desse momento das indústrias culturais, o cinema, uma invenção 
do século XIX, adapta-se aos novos tempos e circula nas salas especializadas em 
diversas partes do mundo. 
No Brasil, a retomada da produção e da crítica, desde os anos 1990, levou à 
produção de filmes que retratam aspectos da realidade nacional. Um período muito 
presente é o da Ditadura Militar (1964-1985), que é tema de vários filmes nacionais. 
As novas tecnologias permitem filmes tecnicamente mais próximos daqueles 
produzidos nos grandes centros – leia-se Hollywood. 
Figura 7 - Fime: Cidade de Deus
Fonte: cineplayers.com
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A participação do Estado no financiamento da produção cinematográfica via 
leis de incentivo contribuiu para a expansão da oferta da produção nacional, com 
destaque para documentários que têm como tema a trajetória de personagens ou 
analisam fatos da história do país. 
Sem qualquer pretensão de criar uma lista de filmes desse gênero, indicamos 
alguns que são representativos: Edifício Master; Vlado; Notícias de uma guerra 
particular; Peões; Entreatos; O Filho do Brasil; Ônibus 174; Paulinho da Viola; 
Vinícius de Moraes; Wilson Simonal. 
Em todos eles, a realidade do Brasil, entrelaçada à vida de alguns de seus 
personagens, apresenta ao público parte da história recente do país. 
As Culturas do Brasil: Um Futuro em Aberto
Percorremos um caminho no qual procuramos descrever e avaliar as culturas 
brasileiras e suas relações com os diferentes contextos do Brasil, com ênfase no 
período republicano. Essa opção possibilitou acompanharmos as transformações 
no campo das culturas no ambiente de modernização que caracterizou o país.
 As contradições entre o tradicional e o moderno, o urbano e o rural, o nacional 
e o estrangeiro deram a tônica em diversas áreas da sociedade, e a cultura foi 
influenciada e influenciou tais processos, por vezes caracterizando-se como 
vanguarda, participando ativamente em favor da modernização social, política e 
cultural, ou se mantendo na defesa de valores tradicionais.
Esse processo não se encerrou e os diversos segmentos que compõem a socie-
dade permanecem defendendo propostas por vezes antagônicas, organizadas a 
partir de diferentes concepções de cultura e de sua relação com a realidade. 
Entre apocalípticos e integrados, todos reconhecem que a industrialização da 
informação e da cultura é uma realidade irreversível e que é preciso construir novos 
instrumentos para a análise das culturas no contexto da sociedade globalizada do 
século XXI, caracterizada pelo fim da Guerra Fria e a hegemonia do modelo de 
sociedade de consumo ocidental, capitalista e cristã.
Se a globalização possibilitou a produção e circulação das mercadorias e serviços 
em âmbito planetário, mantendo ou ampliando a exploração de trabalhadores 
de países incorporados ao sistema em condições subalternas, a mundialização, 
conceito que se refere à difusão de uma cultura produzida para ser consumida 
por cidadãos de todo o mundo, reproduz tal situação, mantendo países centrais 
como produtores de cultura e informação e países da periferia do sistema como 
consumidores de produtos padronizados estética, ética e ideologicamente de acordo 
com valores definidos por seus produtores.
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UNIDADE Múltiplas Identidades: A Cultura no Brasil do Século XXI
Figura 8 - Exploração
Fonte: iStock/Getty Images
O processo de globalização e mundialização da cultura vem promovendo 
inúmeras e rápidas transformações técnicas e que acabam mudando as maneiras 
pelas as quais são produzidas, difundidas e consumidas as formas de cultura e 
informação num mundo cada vez mais global. 
Apesar disso, nesses tempos neoliberais em que “tudo o que é sólido desmancha 
no ar”, as culturas brasileiras