Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE PARANAENSE – UNIPAR Reconhecida pela portaria – MEC N.º 1580, de 09/11/93 – D.O.U. 10/11/93 Mantenedora: Associação Paranaense de Ensino e Cultura – APEC Unidade Paranavaí WESLEY DE LIMA ALEXANDRE; R.A.: 00184680 DAISY GÓIS; R.A.: 00178523 RAFAELY C. CAMARGO; R.A. 00179031 DISCRIMINAÇÃO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO SÃO PEDRO E DIMENSIONAMENTO DE RESERVATÓRIO PARA ARMAZENAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL PARA FINS NÃO POTÁVEIS PARANAVAÍ 2018 WESLEY DE LIMA ALEXANDRE; R.A.: 00184680 DAISY GÓIS; R.A.: 00178523 RAFAELY C. CAMARGO; R.A. 00179031 DISCRIMINAÇÃO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO SÃO PEDRO E DIMENSIONAMENTO DE RESERVATÓRIO PARA ARMAZENAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL PARA FINS NÃO POTÁVEIS Trabalho apresentado como requisito para a avaliação parcial do 2° bimestre da disciplina de Hidrologia, do curso de Engenharia Civil, na Universidade Paranaense – UNIPAR- Unidade de Paranavaí, Paraná. PARANAVAÍ 2018 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 6 2. OBJETIVOS ..................................................................................................................... 6 2.1. Objetivo geral .............................................................................................................. 6 2.2. Objetivos específicos ................................................................................................... 6 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................... 7 3.1. CICLO HIDROLÓGICO ............................................................................................. 7 3.1.1. EVAPORAÇÃO....................................................................................................... 7 3.1.2. PRECIPITAÇÃO ..................................................................................................... 7 3.1.3. ESCOAMENTO SUPERFICIAL ............................................................................ 8 3.1.4. EVAPOTRANSPIRAÇÃO ...................................................................................... 8 3.1.4.1. Tipos de evapotranspiração............................................................................... 9 3.1.4.2. Medição de evapotranspiração .......................................................................... 9 3.1.4.3. Métodos Empíricos para Cálculo de Evapotranspiração ................................ 12 4. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ........................................................ 15 4.1. LOCALIZAÇÃO ....................................................................................................... 15 4.2. ÁREA E PERÍMETRO DA BACIA ......................................................................... 16 5. CONTEXTO GEOLÓGICO ......................................................................................... 17 5.1. INFILTRAÇÃO DO SOLO ....................................................................................... 17 6. CONTEXTO HIDROGEOLÓGICO ........................................................................... 18 7. ASPECTOS CLIMÁTICOS .......................................................................................... 19 7.1. TEMPERATURA ...................................................................................................... 19 7.2. CLIMA ....................................................................................................................... 19 7.3. BALANÇO HÍDRICO .............................................................................................. 20 7.4. PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA ..................................................................... 20 7.5. EVAPOTRANSPIRAÇÃO ....................................................................................... 20 8. DIMENSIONAMENTO DO RESERVATÓRIO PARA ARMAZENAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL ................................................................................................................... 22 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 24 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 25 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Lisímetro de drenagem. Figura 2. Lisímetro de sub-irrigação. Figura 3. Lisímetro de pesagem. Figura 4. Localização de São Pedro do Paraná no estado do Paraná. Figura 5. Delimitação da Área e Perímetro da Bacia do Rio São Pedro. Figura 6. Vista de Satélite do Rio São Pedro (Google Earth). Figura 7. Média de Temperatura anual (Fonte: climate-data.org) Figura 8. Tanque em Polietileno para armazenamento de água pluvial para fins não potáveis. LISTA DE TABELAS Tabela 1. Resumo dos Métodos Empíricos para Cálculo de Evapotranspiração. Tabela 2. Classes de Declividade (EMBRAPA, 1979) Tabela 3. Estimativa da taxa de infiltração final de Horton segundo Akan,1993 (Fonte: Akan,1993 p.34). Tabela 4. Precipitação Média Anual 200-2014 (Fonte: Sistema de Informações Hidrológicas da Agência Nacional das Águas – ANA). 6 1. INTRODUÇÃO O Brasil é um país privilegiado pois possui 14% das reservas mundiais de água-doce. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), o país possui 12 bacias hidrográficas importantes, que estão distribuídas por todo o território nacional. Fora essas existem muitas outras bacias, sub-bacias e microbacias hidrográficas que desempenham um papel fundamental na manutenção do ambiente. É impossível de se imaginar um equilíbrio ecológico sem a preservação e conservação dos recursos hídricos. Por isso a importância do trabalho de estudo e delimitação das bacias no campo da gestão dos recursos hídricos, visto que o estudo contribui para o entendimento do sistema hidrológico. 2. OBJETIVOS 2.1. Objetivo geral O trabalho tem por objetivo geral determinar a evapotranspiração total da região a partir da caracterização geomorfológica, hidrogeológica e climática da bacia hidrográfica do Rio São Pedro, e a partir das informações levantadas, fazer o dimensionamento de um reservatório de águas pluviais. 2.2. Objetivos específicos Para atingir o objetivo geral deste trabalho, os seguintes objetivos específicos foram estabelecidos: • Realizar o levantamento bibliográfico sobre evapotranspiração; • Realizar o levantamento de dados geomorfológicos, hidrogeológicos e meteorológicos da região da área de estudo. • Realizar cálculo para medição da evapotranspiração potencial do solo da bacia; • Dimensionar um reservatório para capitação de água pluvial, visando o seu reaproveitamento para fins não potáveis. 7 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3.1. CICLO HIDROLÓGICO O ciclo hidrológico de acordo com LIMA (1986) representa o movimento da água no meio físico. Dentro do ciclo hidrológico, a água pode estar no estado gasoso, líquido ou sólido, distribuindo-se tanto na subsuperfície e superfície da Terra como na atmosfera. Portanto, a água está em constante circulação, passando de um meio a outro e de um estado físico a outro, sempre mantendo o equilíbrio, sem ganhos ou perdas de massa no sistema. Os processos que permitem esta circulação da água são: evaporação, transpiração,precipitação, escoamento superficial, infiltração e escoamento subterrâneo. 3.1.1. EVAPORAÇÃO A transferência de água da superfície do Globo para a atmosfera, sob a forma de vapor, dá-se por evaporação direta, por transpiração das plantas e dos animais e por sublimação (passagem direta da água da fase sólida para a de vapor). A quantidade da água mobilizada pela sublimação no ciclo hidrológico é insignificante perante a que é envolvida. O vapor de água é transportado pela circulação atmosférica e condensa-se após percursos muito variáveis, que podem ultrapassar 1000 km. A água condensada dá lugar à formação de nevoeiros e nuvens e a precipitação a partir de ambos. 3.1.2. PRECIPITAÇÃO A precipitação pode ocorrer na fase líquida (chuva ou chuvisco) ou na fase sólida (neve, granizo ou saraiva). A água precipitada na fase sólida apresenta-se com estrutura cristalina no caso da neve e com estrutura granular, regular em camadas, no caso do granizo, e irregular, por vezes em agregados de nódulos, que podem atingir a dimensão de uma bola de tênis, no caso da saraiva. A precipitação inclui também a água que passa da atmosfera para o globo terrestre por condensação do vapor de água (orvalho) ou por congelação daquele vapor (geada) e por intercepção das gotas de água dos nevoeiros (nuvens que tocam no solo ou no mar). 3.1.3. ESCOAMENTO SUPERFICIAL A água que precipita nos continentes pode tomar vários destinos. Uma parte é devolvida diretamente à atmosfera por evaporação; a outra origina escoamento à superfície do terreno, escoamento superficial, que se concentra em sulcos, cuja reunião dá lugar aos cursos de água. A parte restante infiltra-se, isto é, penetra no interior do solo, subdividindo-se numa parcela que se acumula na sua parte superior e pode voltar à atmosfera por evapotranspiração e noutra que caminha em profundidade até atingir os lençóis freáticos (ou simplesmente aquíferos) e vai constituir o escoamento subterrâneo. Tanto o escoamento superficial como o escoamento subterrâneo vão alimentar os cursos de água que desaguam nos lagos e nos oceanos, ou vão alimentar diretamente estes últimos. O escoamento superficial constitui uma resposta rápida à precipitação e cessa pouco tempo depois dela. Por seu turno, o escoamento subterrâneo, em especial quando se dá através de meios porosos, ocorre com grande lentidão e continua a alimentar os cursos de água longo tempo após ter terminado a precipitação que o originou. Assim, os cursos de água alimentados por aquíferos apresentam regimes de caudal mais regulares. Os processos do ciclo hidrológico decorrem, como se descreveu, na atmosfera e no globo terrestre, pelo que se pode admitir dividido o ciclo da água em dois ramos: aéreo e terrestre. 3.1.4. EVAPOTRANSPIRAÇÃO A evaporação é um processo físico em que a água passa do estado líquido para estado gasoso por consequência da temperatura em que se apresenta. Quando esse processo ocorre na vegetação, passa a ser chamado de transpiração. A evapotranspiração é a soma da perda de água do solo e da vegetação para a atmosfera, contribuindo para o funcionamento do ciclo hidrológico. De acordo com Sentelha e Angelocci (2012, p. 3), [...] no caso de uma cultura, o balanço hídrico tem por objetivo estabelecer a variação de armazenamento e, consequentemente, a disponibilidade de água no solo. Conhecendo-se qual a umidade do solo ou quanto de água este armazena é possível se determinar se a cultura está sofrendo deficiência hídrica, a qual está intimamente ligada aos níveis de rendimento dessa lavoura. É importante ter conhecimento sobre a quantidade de água evapotranspirada para saber as características do balanço hídrico de uma determinada região, pois afeta diretamente a produtividade de bacias hidrográficas, a presença de água na atmosfera, precipitação, entre outros fatores. O conhecimento da irrigação no ambiente serve, também, para impedir o desbalanço que ocasiona um estresse hídrico resultando na infertilidade ou improdutividade das plantas. A evapotranspiração é notada com mais facilidade em ambientes com boa distribuição de solo e de vegetal. O processo de evapotranspiração é diretamente relacionado ao crescimento da planta, tipo de folha, radiação solar, temperatura, vento, umidade da atmosfera, entre outros. Contudo, os ambientes apresentarão taxas de evapotranspiração relativas aos fatores locais apresentados. 3.1.4.1. Tipos de evapotranspiração • Evapotranspiração real (ETr): Define-se a evapotranspiração real como a quantidade de água que passou pelo processo de evaporação e transpiração com ou sem restrição hídrica, tendo valor menor ou igual que a evapotranspiração potencial. • Evapotranspiração potencial (ETp) e Evapotranspiração de referência (ETo): Neste caso, a evapotranspiração é determinada como a quantidade de água que passou pelo processo de transpiração em um determinado tempo de uma vegetação com altura de 8 a 15 cm, durante seu crescimento, sendo verde e sem restrição hídrica. Dependendo apenas de dados meteorológicos para definir o potencial da evapotranspiração local. • Evapotranspiração da cultura (ETc): A evapotranspiração da cultura depende da evapotranspiração potencial. Contudo, é definida como a quantidade de vapor de água transferida para a atmosfera em uma cultura (vegetação) com ausência de pragas e doenças. Com isso, é estimado as necessidades hídricas local. 3.1.4.2. Medição de evapotranspiração Para medição da evapotranspiração, são utilizados tanques vegetados, conhecidos como lisímetros ou evapotranspirômetros, de material impermeável contendo um volume de solo considerável e a vegetação a ser estudada. O tanque é regado periodicamente e a evapotranspiração só é observada quando ocorrer o balanço hídrico. Entre os tipos de evapotranspirômetros existentes, os mais usados são os de drenagem, sub-irrigação e de pesagem. 3.1.4.2.1. Lisímetros de drenagem Para observação de longos períodos, são utilizados os lisímetros de drenagem. Inicialmente irrigam-se as caixas até ocorrer a drenagem da água nos recipientes de coleta. Após 2 ou 3 dias da irrigação, é feito a quantificação do volume de água drenado, sendo o valor da evapotranspiração dado pela equação: 𝐄𝐓 = (𝐈 − 𝐃) 𝐀 Onde: ET - Evapotranspiração (mm/período considerado); I - Volume de água de irrigação (litros); D - Volume de água drenada após a irrigação (litros); A - Área do lisímetro (m²). Figura 1. Lisímetro de drenagem. 3.1.4.2.2. Lisímetros de sub-irrigação São tanques enterrados no solo que fornecem irrigação pela parte inferior do lisímetro. A evapotranspiração é observada pelo volume de água que entra e sai desse sistema. Figura 2. Lisímetro de sub-irrigação. 3.1.4.2.3. Lisímetros de pesagem São lisímetros que definem a evapotranspiração através da pesagem, de forma precisa, da variação do peso do solo, desprezando o peso das plantas. Podem ser construídas com balança mecânica ou hidráulica. Os valores são apresentados e registrados nos computadores em curtos intervalos de tempo. Figura 3. Lisímetro de pesagem. 3.1.4.3. Métodos Empíricos para Cálculo de Evapotranspiração A tabela abaixo apresenta um resumo dos métodos empíricos mais utilizados para o cálculo de evapotranspiração total. Método empírico Variáveis necessárias Escala temporal Limitações do método Método de Thornthwaite Tmin, Tmax M Prós: método muito utilizado para obtenção do balanço hídrico climáticomensal. Contras: apesar de utilizar apenas dados de temperatura, seu cálculo é apenas para escala temporal mensal. Método de Hargreaves Tmin, Tmax D Prós: utiliza apenas dados de temperatura e pode ser usado para obtenção diária da evapotranspiração. Contras: não é recomendado para regiões com condições climáticas úmidas. Método de Linacre Tmin, Tmax, URmin, UR max M Prós: método simplificado do Penman, utilizando menos variáveis meteorológicas. Método de Camargo Tmin, Tmax, RS D Prós: metodologia fácil e que necessita apenas de dados de temperatura. Método de Makkink Tmin, Tmax, RS D Prós: utiliza apenas dados de temperatura e radiação solar, recomendado para condições climáticas úmidas. Contras: não obtém resultados satisfatórios para condições climáticas áridas. Método empírico Variáveis necessárias Escala temporal Limitações do método Método de Priestley & Taylor Tmin, Tmax, RS D Prós: baseado no método de Penman, utilizando menos variáveis no cálculo. Contras: em climas áridos, onde a advecção de temperatura é mais elevada, tende a subestimar os valores de evapotranspiração. Método de Benavides & Lopes Tmin, Tmax, URmin, URmax D Prós: metodologia fácil. Contras: superestima os valores de evapotranspiração observados pelo método de Penman-Monteith para regiões áridas. Método de Jensen & Hayse Tmin, Tmax, RS D Contras: desenvolvido para regiões áridas. Método de Blaney & Criddle Tmin, Tmax D, M Prós: método recomendado pela FAO quando o método de Penman-Monteith não pode ser calculado. Contras: utilizado apenas para regiões semiáridas. Método de Turc Tmin, Tmax, RS D Prós: apresenta boa estimativa para regiões costeiras e úmidas. Método de Hamon Tmin, Tmax M Prós: utiliza apenas dados de temperatura, sendo o seu cálculo muito simples. Contras: tende a superestimar os valores de evapotranspiração para regiões úmidas. Método empírico Variáveis necessárias Escala temporal Limitações do método Método de Kharrufa Tmin, Tmax D Prós: método com cálculo simples Método de Romanenko Tmin, Tmax, URmin, URmax M Prós: método de cálculo simples e que requer apenas dados de temperatura e umidade. Contras: seus valores são obtidos mensalmente. Método de Penman- Monteith Tmin, Tmax, RS, VV D Prós: método bastante utilizado, com boas estimativas de evapotranspiração quando comparado com o método padrão. Contras: mesmo problema que o método padrão, necessita de um número elevado de variáveis que nem sempre estão disponíveis. Método de Radiação Solar Tmin, Tmax, URmin, URmax, RS, VV D Prós: adaptado para condições de umidade e foi inserido um coeficiente que pode ser utilizado para outras condições climáticas. Contras: assim como o método de Penman- Monteith, requer um número maior de variáveis meteorológicas, nem sempre disponível. Método do Tanque “Classe A” URmin, URmax VV, E D Contras: método baseado na evaporação obtida pelo tanque classe “A”, dependendo do observador, pode conter erros de leitura. Método do Balanço de Energia Tmin, Tmax, URmin, URmax, RS D Prós: Basicamente é o mesmo balanço que o método de Penman-Monteith faz em sua metodologia, a diferença é que nesta metodologia não existe o termo aerodinâmico, ou seja, não são necessários dados de velocidade do vento. Abreviaturas: Tmin – Temperatura mínima, Tmax – Temperatura máxima, URmin – Umidade Relativa mínima, URmax – Umidade Relativa máxima, RS – Radiação Solar, VV – Velocidade do Vento, E – Evaporação, D – Diário, M – Mensal. Tabela 1. Resumo dos Métodos Empíricos para Cálculo de Evapotranspiração. 4. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO 4.1. LOCALIZAÇÃO O estudo foi realizado no Rio São Pedro (Figura 2), pertencente a Bacia Hidrográfica do Rio Paraná I que está localizada no noroeste do estado do Paraná, nas coordenadas 22°45'49,77" de latitude sul e 53°13'9,86" de longitude oeste, no município de São Pedro do Paraná, estado do Paraná. Figura 4. Localização de São Pedro do Paraná no estado do Paraná. 4.2. ÁREA E PERÍMETRO DA BACIA Na bacia hidrográfica do Rio São Pedro possui uma de área de 218,52 km² e perímetro de 102,5 km, o que permite classifica-la como sub-bacia, de acordo com Faustino (1996), devido a área ser maior que 100 km² e menor que 700 km². Figura 5. Delimitação da Área e Perímetro da Bacia do Rio São Pedro. Figura 6. Vista de Satélite do Rio São Pedro (Google Earth). 5. CONTEXTO GEOLÓGICO A microbacia hidrográfica do Rio São Pedro está localizada no Terceiro Planalto do Paraná, precisamente no Planalto Paranavaí, integrando a bacia hidrográfica principal Paraná I. Segundo Stevaux et al 1995, a formação geológica da região constitui-se basicamente de arenitos marrom-avermelhados e arroxeados, de granulometria média, quartzosos, secundariamente arcoseanos, exibindo notável estratificação cruzada de médio a grande porte, tangencial na base. A área de estudo também compreende a área de afloramento da Unidade Aquífera Caiuá, cujos depósitos sedimentares alcançam espessuras da ordem de 270 metros. Essas unidades sedimentares apresentam características litológicas relativamente homogêneas, sem grandes quantidades de argilas compactas (Celligoi 2000), oferecendo condições para que o Aquífero Caiuá seja um aquífero livre. 5.1. INFILTRAÇÃO DO SOLO De acordo com Tucci (1993), infiltração é a passagem de água da superfície para o interior do solo. Quando não dispomos de dados experimentais, Akan,1993 aconselha utilizar a tabela de infiltração final, a Tabela 3, que considera o tipo de solo da região. Tipo de solo ff (mm/h) Solo argiloso com areia, silte e húmus 0 a 1,27mm/h Solo arenoso argiloso 1,27mm/h a 3,81mm/h Solo siltoso com areia, silte e húmus 3,81mm/h a 7,62mm/h Solo arenoso 7,62mm/h a 11,43mm/h Tabela 3. Estimativa da taxa de infiltração final de Horton segundo Akan,1993 (Fonte: Akan,1993 p.34). Como o solo é arenoso e argiloso, definimos a infiltração entre 1,27mm/h a 3,81mm/h. 6. CONTEXTO HIDROGEOLÓGICO A área de estudo compreende litologias do Grupo Bauru (Formação Caiuá), que abrange uma área de aproximadamente 30.000 km2, representadas principalmente por arenitos arroxeados. Admite-se um potencial hidrogeológico de 4,2 L/s/ km2 para esta unidade. Os cerca de 840 poços tubulares cadastrados no Banco de Dados Hidrogeológicos da SUDERHSA apresentam profundidade média 110 metros e vazão média de 18 m3/hora. Cerca de 80 % do abastecimento público da região de abrangência do aquífero Caiuá é feito através de água subterrânea. De acordo com a distribuição iônica média, admite-se classificar as águas subterrâneas da Unidade Caiuá como sendo Bicabornatadas Cálcicas, apresentando média de 77 mg/L (ppm) de Sólidos Totais Dissolvidos. 7. ASPECTOS CLIMÁTICOS 7.1. TEMPERATURA De acordo com o Climadate Data, São Pedro do Paraná possui uma temperatura máxima média de 25.6 °C, no mês de janeiro, e temperatura mínima média de 18.6 °C, no mês de junho. Figura 7. Média de Temperatura anual (Fonte: climate-data.org) 7.2. CLIMA São Pedro do Paraná tem um clima tropical. Há muito menos pluviosidade no inverno que no verão. Possui clima tropical com estação seca de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger: Aw. 7.3. BALANÇOHÍDRICO 7.4. PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA De acordo com informações coletadas do Sistema de Informações Hidrológicas da Agência Nacional das Águas – ANA, da série histórica dos anos de 200 a 2014, São Pedro do Paraná possui uma pluviosidade média anual é de 1207,98 mm, tendo o mês de agosto como o mais seco, com precipitação média de 52,37 mm, e o mês de dezembro como o mais chuvoso, com precipitação média de 140,77 mm. Tabela 4. Precipitação Média Anual 200-2014 (Fonte: Sistema de Informações Hidrológicas da Agência Nacional das Águas – ANA). 7.5. EVAPOTRANSPIRAÇÃO Para determinação da evapotranspiração na região de São Pedro do Paraná, foi utilizado o método empírico conhecido como Método de Camargo, que consiste em fornecer a evapotranspiração em milímetros por dia utilizando como dados a temperatura média do ar (Tmed), a irradiação solar extraterreste (Qo) com valores tabelados relacionados com a latitude local, o número de dias do período em questão (NDP) e o fator de correção (K) com valores 133,71 131,11 91,47 96,57 97,33 65,52 70,77 52,37 102,55 114,33 111,49 140,77 0 20 40 60 80 100 120 140 160 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Precipitação Média Anual 2000-2014 (mm) tabelados e relacionados com a temperatura média anual. Este método pode ser utilizado para regiões com qualquer condição climática. Dada a equação: 𝐸𝑇𝑃 = 𝐾 ∗ 𝑄𝑜 ∗ 𝑇𝑚𝑒𝑑 ∗ 𝑁𝐷𝑃 Feito uma média da temperatura média anual dos últimos 15 anos, em São Pedro do Paraná, de acordo com os dados do INMET, obtivemos uma Tmed de 26ºC. O valor de Qo relacionado com a latitude de 22º49'26"S corresponde a uma média de 13,6 em um período de 12 meses. Sendo assim: 𝐸𝑇𝑃 = 0,01 ∗ 13,6 ∗ 26 ∗ 365 𝐸𝑇𝑃 = 1290,64 𝑚𝑚 𝑎𝑛𝑜⁄ 𝑜𝑢 3,53 𝑚𝑚 𝑑𝑖𝑎⁄ 8. DIMENSIONAMENTO DO RESERVATÓRIO PARA ARMAZENAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL Para dimensionar o reservatório para armazenamento de água pluvial para fins não portáveis (limpeza de calçada, lavagem de carro, irrigação de plantas, etc.), foi utilizado o método inglês indicado pela NBR 15.527/2007, o qual é um método empírico onde o volume de chuva é obtido pela seguinte equação: 𝑉 = 0,05 𝑥 𝑃 𝑥 𝐴 Onde: P é o valor numérico da precipitação média anual, em milímetros (mm); A é o valor numérico da área de coleta em projeção, em metros quadrados (m2); V é o valor numérico do volume de água aproveitável e o volume de água da cisterna, em litros (L). Utilizando a fórmula do método inglês, foi calculado o volume do reservatório para armazenamento de água pluvial para uma residência com cobertura para coleta de 100m2 de área e precipitação média anual de 1207,98mm, de acordo com os dados do Sistema de Informações Hidrológicas da Agência Nacional das Águas. Temos: 𝑉 = 0,05 𝑥 1207,98 𝑥 100 𝑉 = 6039,9 𝑙 O volume do reservatório de água pluvial deverá ser de 6039,9 l. Sendo assim, a partir de pesquisa comercial, foi adotado para o projeto um Tanque em Polietileno da Acqualimp com capacidade para 6000 Litros, com dimensão aproximada de 186x222. Figura 8. Tanque em Polietileno para armazenamento de água pluvial para fins não potáveis. 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho de estudo e pesquiso proporcionou um olhar mais aprofundado das dinâmicas e dos aspectos do ciclo hidrológico da região, bem como a importância do conhecimento das características hidrológicas, geológicas e climáticas de onde se pretende realizar algum projeto de qualquer natureza, visando sempre gerar o mínimo de impactos e contribuir para a manutenção do meio ambiente explorado e do equilíbrio do sistema hídrico. Destaca-se também a importância de se preocupar com a gestão dos recursos, buscando sempre alternativas que visem o consumo sustentável, como o aproveitamento da água da chuva pelo sistema de captação de água pluvial para fins não potáveis. 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 15.527/2000. Água de chuva - Aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis. CARTAS TOPOGRÁFICAS. ITCG. Disponível em: <www.itcg.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=51> Acesso em: 29/03/18 as 16:32 BORDAS, M.P.; SEMMELMANN, F.R.; Elementos de Engenharia de Sedimentos. In: TUCCI, C.M.R. Hidrologia: ciência e aplicação. Porto Alegre: ABRH, 2001. p.915 – 943. CELLIGOI, André. Hidrogeologia da formação Caiuá no estado do Paraná. São Paulo, USP, 2000. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - EMBRAPA. Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Súmula da 10. Reunião Técnica de Levantamento de Solos. Rio de Janeiro, 1979. 83p. (EMBRAPA-SNLCS. Micelânea, 1). FAUSTINO, J. Planificación y gestión de manejo de cuencas. Turrialba: CATIE, 1996. 90p. FERNANDES, Diego Simões [et al.]. Evapotranspiração: uma revisão sobre os métodos empíricos. Santo Antônio de Goiás. Embrapa Arroz e Feijão, 2010. HORTON R. E. (1945). Erosional development of streams and their drainage basins; hydrophysical approach to quantitative morphology, in Chow, Ven Te; Maidment, D. R; Mays, L. W. (1988). Applied Hydrology, McGraw-Hill, New York. Lencastre A. e Franco F. M. (2003). Lições de Hidrologia, Fundação Armando Lencastre, Lisboa. LIMA, W. P. Princípios de manejo de bacias hidrográficas. Piracicaba: ESALQ/USP. 143p. 1976. LIMA, W.P. Princípios de hidrologia florestal para o manejo de bacias hidrográficas. Piracicaba; ESALQ/USP, 1986, 242p. MAPA ÍNDICE. TOPODATA. Disponível em: <www.webmapit.com.br/inpe/topodata> Acesso em: 29/03/18 as 23:00 STEVAUX, J.C. & FERNANDEZ, O V.Q. - Avaliação preliminar do potencial mineral da região noroeste do Estado do Paraná, Boletim Paranaense de Geociências, n. 43, p. 119-133, UFPR, 1995. STRAHLER A. N. (1964). Quantitative geomorphology of drainage basins and channel networks, section 4 – II, in Chow, Ven Te; Maidment, D. R; Mays, L. W. (1988). Applied Hydrology, McGraw-Hill, New York. VILLELA, Swami Marcondes; MATTOS, Arthur. Hidrologia Aplicada. São Paulo: McGraw- Hll do Brasil, 1975.