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Hidráulica Aplicada 
e Hidrologia
Unidade 1
Fundamentos da Hidráulica e Hidrologia
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria
GISELA DE SOUSA RIBEIRO COUTO
RAPHAEL VINICIUS FIALHO TOMAZ
AUTORIA
Gisela de Sousa Ribeiro Couto 
Olá. Mirian BritoSou formada em Engenharia Civil, com experiência 
técnico-profissional na área de hidráulica e hidrologia há mais de sete anos. 
Também atuei como professora nessa mesma área e em saneamento na 
Universidade Paulista (Unip) e Centro Universitário Alves Faria (UniAlfa). 
Atualmente tenho me concentrado em projetos residenciais, mas amo 
esta área hidráulica e gosto sempre de enfatizar a importância ecológica e 
nossa responsabilidade nesse aspecto. Por isso, fui convidada pela Editora 
Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito 
feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte 
comigo!
Raphael Vinicius Fialho Tomaz
Olá. Sou Mestre em Engenharia de Materiais pela Universidade 
Federal de Ouro Preto (UFOP), graduado em Engenharia Mecânica pelo 
Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste) e técnico em 
Mecânica pelo Centro de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-
MG). Por isso, fui convidado pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco 
de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta 
fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Ciclo hidrológico e descrição geral .................................................... 12
Introdução à hidrologia ............................................................................................................... 12
Ciclo hidrológico .............................................................................................................................. 13
Bacias hidrográficas ....................................................................................................................... 15
Características físicas de uma bacia hidrográfica ................................ 17
Ordem dos cursos d’água .................................................................................... 18
Sinuosidade do curso de água (Sin) ............................................................... 19
Declividade do curso d’água principal ........................................................ 20
Declividade média do relevo de uma bacia ............................................ 21
Quantificação geral das reservas hídricas em escala global ...24
Recursos hídricos no mundo ..................................................................................................24
Crise hídrica .........................................................................................................................................27
Poluição das águas ....................................................................................................................... 30
Principais processos hidrológicos ....................................................... 35
Precipitação .........................................................................................................................................35
Evaporação e evapotranspiração ........................................................................................37
Evaporação .......................................................................................................................37
Evapotranspiração ...................................................................................................... 39
Infiltração ..............................................................................................................................................42
Capacidade de infiltração e taxa de infiltração ......................................42
Velocidade de infiltração ........................................................................................43
Escoamento superficial ...........................................................................................43
Grandezas que caracterizam o escoamento superficial .................44
Elementos Gerais ........................................................................................ 47
Os usos da água ...............................................................................................................................47
Abastecimento de água .............................................................................................................47
Abastecimento industrial ....................................................................................... 48
Irrigação ............................................................................................................................. 49
Geração de energia elétrica ................................................................................ 50
Navegação fluvial ........................................................................................................ 50
Recreação .......................................................................................................................... 51
Diluição, assimilação e transporte de esgoto e resíduos 
líquidos ................................................................................................................................53
Preservação ....................................................................................................................54
Meio ambiente e os recursos hídricos ...........................................................................54
Monitoramento da qualidade da água .........................................................55
Medidas preventivas de preservação de recursos hídricos ........ 56
9
UNIDADE
01
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
10
INTRODUÇÃO
A Hidráulica Aplicada e Hidrologia são disciplinas importantes na 
engenharia. Essa primeira unidade abordará mais sobre a Hidrologia 
e suas características. A Hidrologia estuda a disposição da água no 
planeta, como ela se movimenta, sua importância em cada parte dele. 
Nesta unidade vamos fazer um estudo da hidrologia, sua quantificação 
e processos hidrológicos no ciclo hidrográfico. 
Esta unidade apresentará também um estudo aprofundado das 
águas precipitadas, como ocorre a infiltração, escoamento e evaporação. 
Falaremos ainda de como a população tem buscado soluções para o 
problema da falta de água, como a engenharia tem evoluído nessa área 
e quais problemas essas soluções podem ter trazido. 
A preocupação com a qualidade da água também será abordada, 
já que ter água disponível, porém em má qualidade, torna-se impossível 
atender as necessidades humanas. A hidrologia é requisito fundamentalpara estudos meteorológicos e hidrológicos, o que veremos mais 
adiante. Enfim, vem comigo nessa embarcação? Vamos em frente!
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
11
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 01. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Descrever o ciclo hidrológico e descrição geral, introdução à 
hidrologia.
2. Demonstrar a quantificação geral das reservas hídricas em escala 
global. 
3. Avaliar os principais processos hidrológicos, precipitação, 
infiltração, escoamento e evapotranspiração.
4. Demonstrar os elementos gerais como bacias hidrográficas e suas 
características.
Todo esse conteúdo irá te auxiliar no conhecimento referente à 
Hidráulica e Hidrologia. Vamos juntos explorar esse caminho de muito 
conhecimento que é de fundamental importância na engenharia.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
12
Ciclo hidrológico e descrição geral
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender 
mais profundamente como funciona o ciclo hidrológico e 
bacia hidrográfica, sendo estes fatores fundamentais para 
o estudo hidrológico. E então? Motivado para desenvolver 
esta competência? Então vamos lá. Avante!
Introdução à hidrologia
Hidrologia, do grego, estudo da água, é a “ciência que trata da água 
da Terra, sua ocorrência, circulação e distribuição, suas propriedades 
físicas e químicas, e suas reações com o meio ambiente, incluindo 
suas relações com a vida” (VILLELA & MATTOS, 1975, p. 1). Definição 
recomendada há muitos anos pelo conselho federal dos Estados Unidos 
e utilizada até os dias hoje. 
A Hidrologia aborda o comportamento da água e, com base em 
estudos, dados históricos e cálculos, ela também prevê o comportamento 
da água. É graças a ela que temos previsões meteorológicas e outros 
estudos hidrológicos, como o comportamento da água subterrânea, 
geleiras, escoamentos superficiais, precipitações e outros.
Segundo Dingman (2015), hidrologia é a geociência que descreve e 
prevê a ocorrência e circulação de água doce da Terra, tendo como foco 
principal três aspectos: A distribuição e movimento da substância da água 
sobre e sob as superfícies terrestres do planeta, incluindo suas trocas 
com a atmosfera, suas interações físicas e químicas com os materiais da 
Terra e os processos biológicos e atividades humanas que afetam seu 
movimento, distribuição e qualidade.
Para dar início à Hidrologia, vamos abordar primeiramente sobre o 
ciclo hidrológico, que você já deve ter visto na aula de ciências, porém, 
aqui, você verá o quão pode ser mais profundo esse estudo.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
13
Ciclo hidrológico
A água na Terra é um recurso limitado e sofre várias modificações 
em relação à superfície terrestre. Essas mudanças denominam o ciclo 
hidrológico, como pode ser visto na figura 1. 
Figura 1 - Etapas do ciclo hidrológico
Fonte: Traduzido de Dingman (2015, p. 4). 
As etapas desse ciclo são várias, vamos partir da evaporação. A 
partir do oceano, rios e lagos, as partículas que se encontram em estado 
líquido evaporam e são levadas pelos ventos, juntam-se na atmosfera 
formando as nuvens. É interessante notar que as partículas sofrem 
mudanças de estado físico e geográfico.
As nuvens formadas se condensam e, dependendo da temperatura 
e de outros fatores, sofre a precipitação em estado líquido (chuva) ou 
sólido (neve e granizo). 
Da água que é precipitada, parte infiltra sob a superfície terrestre, 
sendo o fenômeno da infiltração, parte escoa pela superfície e parte 
evapora novamente. Já a água que infiltra no solo contribui para o 
reabastecimento do lençol freático (reserva subterrânea de água doce). 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
14
Ela fornece ainda hidratação para os vegetais e esses, através de suas 
folhas, promovem a transpiração.
A transpiração vegetal engloba a passagem de água por 
todo o corpo da planta, desde sua absorção nas raízes, 
transporte através do  xilema, movimentação até as 
porções superiores da parte aérea culminando com a 
sua  evaporação  na superfície das folhas através dos 
estômatos. Calcula-se que mais de 95% da água que 
uma planta absorve do solo seja perdida através deste 
processo, que é importante para a manutenção térmica da 
planta, controle de sua turgidez e pressão osmótica além 
de permitir que a água sirva como um meio de conduzir 
nutrientes minerais para todos os tecidos que compõem o 
vegetal. (DEXTRO, 2021, p. 24)
VOCÊ SABIA?
As partículas resultantes da transpiração vegetal e 
evaporação são em tamanhas quantidades que ao serem 
arrastadas acabam formando os rios aéreos! No Brasil, a 
floresta amazônica é a maior fonte desses rios e contribui 
com a umidificação de várias regiões do país (DEXTRO, 2021).
Quando somado os efeitos de transpiração e evaporação, temos o 
que chamamos de evapotranspiração. Não somente as plantas, mas os 
animais também, em seu metabolismo, transpiram partículas de água na 
atmosfera, porém sua fonte são águas superficiais. Mais à frente veremos 
detalhadamente sobre esses fenômenos. 
A água que escoa pela superfície, ao se unir com outras, formam 
os veios d’água, rios, lagos e oceanos, dando continuidade ao ciclo 
hidrológico. Para melhor entendimento de todas as etapas do ciclo 
hidrológico foi elaborado um esquema, mostrado na figura 2.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
15
Figura 2 - Ciclo hidrológico por diagrama
Fonte: Traduzido e adaptado de Dingman (2015).
Bacias hidrográficas
O conceito de bacia hidrográfica é muito importante e muito 
utilizado na Hidrologia. A bacia hidrográfica restringe uma área para 
estudo, delimitada pela topografia, onde toda precipitação que ocorrer 
nessa área irá convergir para um único ponto. O ponto de conversão é 
chamado de exutório, na figura 3 é representado pela saída da vazão (Q), 
os limites da bacia são chamados de divisores. 
Figura 3 - Bacia hidrográfica
Fonte: Dingman (2015, p. 33).
A figura 3 mostra uma bacia hidrográfica sendo P e ET a precipitação 
e evapotranspiração total na bacia, GWin, no inglês groundwater Inflow, 
que representa a água que entra na bacia pelo lençol freático e GWout a 
que sai. O divisor une os pontos de cotas máximas na bacia, cruzando um 
fluxo d’água somente no exutório. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
16
Observe a figura 4, o divisor representa o limite da bacia, até o 
divisor a água escoa para dentro da bacia, após este, a água segue para 
a bacia vizinha. 
Figura 4 - Divisores topográficos de uma bacia hidrográfica
Fonte: USP (2021, p. 18)..
Existem na bacia três tipos de divisores, os divisores topográficos, 
geológico e freático. Segundo Hartwig (2012), o divisor geológico é 
composto pelas formações rochosas no interior do solo, que, por serem 
impermeáveis acabam afetando na divisão das águas subterrâneas. 
Já o divisor freático, é a divisão de bacias analisando as águas 
subterrâneas a cada estação. O divisor topográfico é dado a partir das 
curvas de nível, já apresentadas anteriormente. Esses divisores nem 
sempre se alinham. Observe a figura a seguir.
Figura 5 - Corte transversal de uma bacia
Fonte: Silva (2003, p. 2). 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
17
As formações rochosas interferem também na ocorrência de cursos 
d’água. Segundo Villella & Mattos (1975), existem três tipos de curso 
d’água, o perene, o intermitente e o efêmero:
 • Perenes - são aqueles que contêm água durante o ano todo, 
mesmo em tempos de estiagem. Esses cursos são abastecidos 
pelo lençol freático que nunca abaixam além do leito do rio. É o 
caso do Rio X e Y na figura 5. Como exemplos práticos, temos o Rio 
Araguaia e Rio Amazonas, maiores e mais conhecidos do Brasil.
 • Intermitentes - são aqueles que aparecem somente em tempos 
de cheia, pois nessa época o nível do lençol freático está mais 
alto e recebem também contribuição da chuva. Em épocas de 
estiagem, o níveld’água abaixa secando o curso d’água. 
 • Efêmero - são aqueles que ocorrem imediatamente após a 
precipitação, e transportam apenas águas superficiais, estando a 
água subterrânea num nível abaixo que dos cursos. 
A maioria dos rios grandes são perenes, enquanto que os efêmeros 
são geralmente pequenos. 
ACESSE:
Caso queira se aprofundar no assunto, acesse o vídeo “Rio 
voltando à vida” clicando aqui.
Características físicas de uma bacia hidrográfica
As principais características físicas da bacia, segundo Villela & 
Mattos (1975), são área de drenagem e forma da bacia. 
Área de drenagem é a área plana da bacia (projeção horizontal), 
limitada por seus divisores, já a forma da bacia interfere no tempo de 
concentração, mostrado com mais detalhe posteriormente. As bacias 
grandes, geralmente apresentam formas de pera ou leque, como 
mostrado na figura 6, mas as pequenas variam mais. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
https://www.youtube.com/watch?v=-kqs0qPRgjk
18
Figura 6 - Formatos de bacias hidrográficas
Fonte: Bargos (2019, p. 7). 
É possível relacionar essas formas com alguns índices, vamos 
abordar sobre alguns deles.
 • Coeficiente de compacidade Kc: ”é a relação entre o perímetro 
da bacia e a circunferência de um círculo de área igual da bacia” 
Villela & Mattos (1975, p. 45). 
kc = 0,28 * P/√A
Onde: 
 • P = perímetro da bacia (em km)
 • A = área (em km²).
 • Fator de Forma Kf: “é a relação entre a largura média e o 
comprimento axial da bacia”Villela & Mattos (1975). O comprimento 
da bacia (L) é obtido pelo maior curso de água da bacia, do ponto 
exutório até a cabeceira mais afastada (onde o rio tem início).
Kf = A/L2 
Ordem dos cursos d’água 
Os cursos d’água devem ser classificados para sabermos qual o 
grau de ramificação da bacia. Os rios de ordem um são aqueles iniciais, 
que não recebem contribuição de outros rios. Os de ordem dois recebem 
contribuição de rios de ordem um, os de ordem três é estabelecido a 
partir do encontro de dois cursos de ordem dois, e assim sucessivamente, 
observe a figura 7.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
19
Figura 7 - Classificação dos cursos segundo Strahler
Fonte: Villela & Mattos (1975, p. 46).
Pode ser delimitada sub-bacia a partir de um ponto definido nos 
rios da bacia como exutório. Por exemplo, se definirmos algum ponto nos 
rios de ordem três, na figura 7, teríamos duas sub-bacias de ordem três, 
dentro da bacia de ordem quatro. 
Sinuosidade do curso de água (Sin)
É a relação entre o comprimento do rio principal (L) e o comprimento 
de um talvegue Lt, mostrado na figura 8. Talvegue é a distância em linha 
reta entre o início do rio principal até o exutório, e rio principal é o de maior 
extensão na bacia. 
Sin = L/Lt 
L = Comprimento do rio principal (km)
Lt = Comprimento do talvegue (km)
A sinuosidade é um fator controlador de velocidade da bacia. 
Quanto maior a sinuosidade, menor será a velocidade de escoamento do 
rio. 
Figura 8 - Sinuosidade do curso d’água
Fonte: Hartwing (2012, p. 25) 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
20
Exemplo: A bacia hidrográfica A apresenta o comprimento do rio 
principal de 5 km, enquanto que seu talvegue mede 3 km. Enquanto que a 
bacia B apresenta um talvegue de 1 km, e o rio principal, da cabeceira até 
o exutório mede 3,8 km. Qual a sinuosidade de cada bacia? E qual delas 
apresenta a maior velocidade de escoamento? 
Resposta:
Bacia A: Sin = L/Lt = 5/3 = 1,67
Bacia B: Sin = L/Lt = 3,8/1 = 3,8
A bacia A apresentará maior velocidade de escoamento, pois 
apresentou menor sinuosidade. 
Um exemplo real de um rio sinuoso é o rio Juruá, o mais sinuoso 
afluente do rio Amazonas. E um exemplo de rio não sinuoso, é o rio 
Mississipi dos Estados Unidos. 
Declividade do curso d’água principal
De acordo com Hartwing (2012), a declividade também está 
relacionada com a velocidade de escoamento. Quanto maior a declividade 
maior será a velocidade. O método direto é o mais simples e considera 
apenas as cotas extremas do curso d’água e sua extensão. É dada por:
I = ∆H/L = (Cotamaior - Cotamenor) / Lt 
I = declividade do curso principal;
∆H = diferença de cota entre as extremidades do rio;
Lt = Extensão do talvegue.
Outro método de cálculo de declividade do curso d’água é o Método 
de Declividade Equivalente. É o mais recomendado pelos técnicos. Esse 
método “leva em consideração o tempo de percurso da água ao longo da 
extensão do perfil longitudinal, considerando que o perfil tem declividade 
constante igual à uma declividade equivalente” Palaretti (2021, p. 8).
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
21
Figura 9 - Declividade equivalente
Fonte: Adaptado de Palaretti (2021, p. 8).
Então, calcula-se a inclinação equivalente (Ieq) da seguinte forma:
Ieq = ( (ΣLt) / Σ(Li /√(Ii) )
2 e Ii = (ΔHi) / Li
Onde: 
Li = Comprimento horizontal de cada trecho i;
Ii = Inclinação de cada trecho.
ΔHi = Desnível entre as extremidades do trecho i.
Declividade média do relevo de uma bacia
A declividade do relevo também afeta na velocidade de 
escoamento, pois quanto maior for a declividade, maior será a velocidade, 
afetando também no tempo de concentração, que será menor, e maior 
será a chance de enchente. 
De acordo com Palaretti (2021), o método mais completo para 
determinar a declividade de uma bacia hidrográfica denomina-se método 
das quadrículas associadas a um vetor. Será necessário, então, traçar 
quadrículas no mapa topográfico, dependendo da escala do desenho, 
como exemplo temos quadrículas de 1 km x 1 km, 2 km x 2 km e assim 
por diante. 
Uma vez traçadas as quadrículas, é procedida uma 
amostragem estatística da declividade da área, uma vez 
que sempre que um lado da quadrícula interceptar uma 
curva de nível, é traçado perpendicularmente à esta curva, 
um vetor (segmento de reta) com comprimento equivalente 
à distância entre duas curvas de nível consecutivas. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
22
Portanto, os comprimentos desses vetores serão variáveis, 
em função da declividade do terreno. Feita a determinação 
da declividade de cada um dos vetores traçados, os dados 
são agrupados. (PALARETTI, 2021, p. 56) 
Quando os dados então são unidos, organiza-se em forma de 
tabela 1, como a seguinte: 
Tabela 1 - Dados de declividade da bacia de Ribeirão Lobo, SP, 
Mapa IBGE. Área de drenagem 177,25 km² 
Fonte: Palaretti (2021, p. 58).
E a declividade média (dm) pode ser calculada da seguinte forma: 
dm = ∑col 6 / ∑col 2 = 2,0572 / 358 = 0,00575 m/m
Ou ainda pela equação:
I = D * ∑CNi / ABH 
I = Declividade média da bacia (m/m)
D = equidistância entre as curvas de nível
ABH = área da bacia (m²)
CNi = comprimento total das curvas de nível em m
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
23
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que a Hidrologia é o estudo da água em suas modificações 
em torno do planeta, considerando todas as etapas do 
ciclo hidrológico, sabemos que ela irá passar da forma 
líquida para vapor, através da evaporação, ela retornará à 
superfície terrestre por meio da precipitação, uma parte 
irá infiltrar no solo e outra escoar superficialmente, a que 
escoa pode abastecer um rio, lago ou oceano e voltar a 
evaporar, dando continuidade ao ciclo hidrológico. Vimos 
também, que para compreender melhor a hidrologia, 
precisamos delimitar uma área de estudo chamada bacia 
hidrográfica. Essa bacia é contornada pelo divisor, e toda a 
água precipitada sobre ela, irá convergir para um mesmo 
ponto, o exutório, onde é medida a vazão de saída da bacia. 
A bacia hidrográfica pode ser classificada pelo formato, 
pela declividade e pela sinuosidade, todos esses aspectos 
interferem na velocidade de escoamento da água. Além 
disso, podemos também classificá-la de acordo com a 
ordem, sendo que, para maiores ordens significaque temos 
maior número de ramificações.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
24
Quantificação geral das reservas hídricas 
em escala global 
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender 
sobre os recursos hídricos no mundo, seus tipos, sua 
disponibilidade, sua falta e por que existem crises 
hidrológicas. Veremos sobre a distribuição da água, o 
motivo de alguns países com grande disponibilidade de 
água e outros com tanta escassez. Também veremos o 
que é o estresse hídrico. Vamos fazer um mergulho no 
conhecimento? Vamos lá!
Recursos hídricos no mundo
Hoje em dia falamos muito em recursos hídricos, de como 
precisamos economizar e as grandes secas que várias regiões do mundo 
enfrentam. Por que falta água se nosso planeta, chamado carinhosamente 
de planeta azul, possui 2/3 de sua superfície de água? Claro que o 
problema está em sua distribuição. 
Considera-se, atualmente, que a quantidade total de 
água, de 1.386 milhões de km³, tem permanecido de 
modo aproximadamente constante durante os últimos 
500 milhões de anos. Vale ressaltar, todavia, que as 
quantidades estocadas nos diferentes reservatórios 
individuais de água da Terra variaram substancialmente ao 
longo desse período. (SHIKLOMANOV, 1999 apud Setti et 
al. 2001, p. 65)
Apesar dessa gigantesca quantidade de água, 97,5% corresponde 
à água salgada, formando os mares e oceanos. Da parte doce restante, 
68,7% está armazenada em forma de geleiras, além dessas temos 
também as águas subterrâneas, em porcentagem de 30%, e os rios e 
lagos, que ficaram com aproximadamente 1,2%, sem ainda contar a água 
na atmosfera e outros possíveis locais. Veja na figura 10 a distribuição da 
água. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
25
Figura 10 - Distribuição de água no planeta e de água doce
        
Fonte: Setti et al. (2001, p. 34). 
Vemos então que mesmo que a quantidade de água seja grande, a 
que está disponível para o nosso consumo é bem pequena. 
Como vimos, o ciclo hidrológico faz com que a água se movimente 
ao redor do planeta. Nenhuma partícula fica parada, mas pode permanecer 
mais tempo em algum local do que em outro, veja a tabela 2, ela mostra 
quanto tempo cada partícula permanece em cada reservatório. 
Tabela 2: Período de Renovação de Água em diferentes Reservatórios na Terra
Fonte: Shiklomanov (1997 apud Setti et al. 2001, p. 36). 
Portanto, cada reservatório se renova sempre, podendo uns serem 
mais rápidos e outros mais lentos, depende da quantidade de água e a 
velocidade com que se movimentam. 
Para não sofrer com a falta de água, a população acaba fazendo 
estoques e retardando um pouco esse tempo de passagem. Ao instalar 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
26
uma barragem em um rio, faz uma reserva hídrica e mantém a água 
disponível por mais tempo para o consumo, pensando também nas 
estações de seca, quando os níveis da água baixam e a necessidade é 
ainda maior. Esse ato não é recente, mas tem se aprimorado bastante. 
A Barragem do João Leite, por exemplo, é uma das mais recentes 
em Goiás e foi projetada para suprir a necessidade hídrica de consumo da 
capital goiana e entornos.
ACESSE:
Caso queira se aprofundar no assunto, acesse o artigo 
“Reservatório da barragem do ribeirão João Leite em Goiás: 
análise, importância e uso” clicando aqui.
Figura 11 - Barragem
Fonte: Pixabay
Voltando para a questão da falta de água, esse problema é antigo 
e estudos vêm sendo feitos nessa área com intuito de encontrar soluções 
que amenizem a situação. Vamos falar um pouco sobre a crise hídrica 
mundial.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
http://www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2014/VIII-003.pdf
27
Crise hídrica
Segundo Setti et al. (2001), a demanda de água total no mundo 
estimada para o ano de 2000 era cerca de 10%, o que significa que o 
problema não é a disponibilidade da água, mas sim sua distribuição. 
Em regiões onde a situação de falta d’água já atinge 
índices críticos de disponibilidade, como nos países 
do Continente Africano, onde a média de consumo de 
água por pessoa é de dezenove metros cúbicos/dia, ou 
de dez a quinze litros/pessoa. Já em Nova York, há um 
consumo exagerado de água doce tratada e potável, 
onde um cidadão chega a gastar dois mil litros/dia. 
(CETESB, 2021, on-line)
E quanto seria o suficiente para atender uma pessoa por dia? A figura 
12 apresenta alguns usos domésticos da água, e como é possível evitar 
os desperdícios. De acordo com Beekman (1999 apud Setti et al., 2001), 
estresse hídrico é a quantidade mínima per capita para manter condições 
de vida adequada e condições básicas de saúde e higiene, sem muitos 
desperdícios, em regiões áridas. Nessas condições, são necessários 100 
litros de água para cada pessoa por dia, que seriam 36,5 m³/hab. por ano. 
Figura 12 - Usos da água
Fonte: Pixabay
Em países desenvolvidos, porém, a demanda aumenta muito por 
causa da agricultura, indústrias, geração de energia e outros, podendo 
chegar entre cinco a 20 vezes esse valor. A partir disso, foram estabelecidas 
às condições de estresse hídrico de acordo com o consumo per capita 
anual, veja na tabela 3.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
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Tabela 03 - Patamares específicos de estresse hídrico
Fonte: Beekman (1999 apud Setti et al., 2001, p. 20).
Você pode estar pensando que se para atender a população de 
forma adequada o consumo médio é de 365 m³/hab./ano (considerando 
10 vezes o consumo mínimo), por que a disponibilidade abaixo de 500 já 
é considerada como escassez?. 
A resposta é que nem toda a disponibilidade hídrica pode ser 
convertida diretamente em consumo para a população. Se um curso 
d’água for desviado totalmente para uma Estação de Tratamento de 
Água e enviada ao consumo populacional, o impacto que isso geraria 
seria enorme para o meio ambiente. Veja na figura 13 um esquema de 
captação, tratamento e distribuição de água. Então considera-se que o 
consumo efetivo será apenas de uma parte do disponível. 
Figura 13 - Sistema de abastecimento de água
Fonte: Dreamstime.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
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Vamos ver dois exemplos de países que se encaixam em cada caso 
de estresse hídrico. Observe a tabela 4.
Tabela 4 - Disponibilidade hídrica em alguns países do mundo
Fonte: Adaptado de Shiklomanov (1998 apud Setti et al., 2001, p. 39).
Como podemos observar, o Brasil é um país favorecido em relação 
à disponibilidade hídrica, ficando entre as maiores do mundo e, mesmo 
assim, sofre com falta de água nas regiões do sudeste e nordeste, 
retomando a questão da disposição hídrica, ou seja, sua distribuição.
Já outros países como o Marrocos, que, mesmo com um volume 
menor, apresenta maior disponibilidade per capita que outros como o 
Paquistão, por exemplo, isso por causa da sua pequena população, que é 
menor que a do Paquistão em torno de cinco vezes. 
Exemplo: O Líbano tem um volume médio anual de água de 2,8 
km³/ano, sua população média no ano 2019, segundo The World Bank 
(2021), era de aproximadamente 6,8 milhões de habitantes. Sabendo que 
sua área é de 10 * 10³ Km², pergunta-se:
a. Qual a disponibilidade hídrica per capita nesse país? E em qual 
caso de estresse hídrico ele se enquadra? 
b. Se no ano 2000 a população era de aproximadamente 3,8 milhões 
de habitantes, qual era a situação nessa época? 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
30
Resposta: 
a. Para calcular a disponibilidade hídrica per capita é só dividir o 
volume anual pela população, para passar de km³ para m³ é só 
multiplicar por 109, a área não interfere nesses cálculos, a não ser 
que se queira calcular a disponibilidade hídrica por área, mas não 
é o caso: Disp.hídrica = (2,8 * 109 m3 / ano) / (6,8 * 106 hab) = 411,76 m3 
/ (hab.ano)
Essa disponibilidade hídrica se encaixa na pior situação, a de 
escassez absoluta. 
b. Em 2000, a disponibilidade era de: Disp.hídrica = (2,8 * 109 m3 /ano) 
/ (3,8 * 106 hab) = 736,84 m3 / (hab.ano)
Nessa época o país se encaixavano regime de crônica escassez 
de água. 
Vimos por meio do exemplo que a quantidade de água no mundo 
se mantém em valores médios, o que tem aumentado foi a população a 
ser atendida, levando esse fator também a ser um problema mundial. 
Além do crescimento populacional, vem crescendo também o 
consumo da população. 
Outro fator também de suma importância é a qualidade da água, 
mesmo que haja uma grande demanda de água, se esta estiver poluída 
não servirá para o uso, ou serão necessários processos caros e demorados 
de tratamento, tornando assim importante o despejo de forma correta 
para não agredir o meio ambiente. 
Poluição das águas
A ação do homem na natureza tem modificado seu sistema natural. 
Poluição pode ser definida por “alteração nas características físicas, 
químicas ou biológicas de águas naturais decorrentes de atividades 
humanas” (TUCCI et al., 2012, p. 855). O autor destaca ainda os principais 
tipos de poluição: 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
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a. Esgoto sanitário
O esgoto sanitário é o descarte das águas utilizadas pela população 
para diversos fins. Ele contém alta taxa orgânica, que, se lançado em leitos 
naturais, além de modificar as características físicas, químicas e biológicas 
do rio, ainda consomem parte do oxigênio natural do rio podendo matar 
os peixes.
VOCÊ SABIA?
O Rio Tietê, localizado em São Paulo, possui uma carga 
poluidora tão alta que é difícil se aproximar dele pelo mau 
cheiro que exala, sem contar no quanto afeta a existência 
de animais no rio. Segundo Boehm (2020), o rio atingiu 
em 2020 uma faixa morta de 150 km, que é a faixa mais 
afetada pela poluição. Após isso ele vai se recuperando 
até que suas águas são consideradas boas para banho, 
abastecimento e outros fins. Veja a figura 14, é claro que 
se trata de uma caricatura, ninguém vai pescar no rio Tietê, 
mas representa bem o cenário atual.
Figura 14 - Representação de um rio poluído
Fonte: Dreamstime
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b. Águas residuárias industriais
As águas residuais podem ter muitos tipos de variações, pois 
dependem do tipo de indústria que serviram. Entretanto, basicamente, 
podemos dizer que são produtos de uso humano, de refrigeração ou de 
contato com a matéria-prima, para lavagem ou outro fim. Essas águas 
podem apresentar índices elevados de produtos químicos e biológicos. 
A expansão industrial introduz no meio ambiente, cada vez mais, 
pequenas concentrações de substâncias tóxicas ao ser humano. Na 
tabela 5 encontramos alguns tipos de indústrias e quais poluentes elas 
apresentam em suas águas residuárias:
Tabela 5 - Caracterização de águas residuárias de alguns ramos industriais
Fonte: Tucci et al. (2012, p. 65).
c. Resíduos sólidos
Comumente conhecido como lixo, os resíduos sólidos devem ter 
seu destino específico em aterros sanitários, porém acabam indo ou pela 
ação da chuva ou por ações humanas, ou outras, para os cursos d’água. 
São originados em usos domésticos, industriais e hospitalares.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
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A decomposição do lixo nos aterros produz o chorume, um líquido 
altamente poluído e contaminado. Se ocorrer algum tipo de vazamento 
ele pode poluir as águas subterrâneas e superficiais. O chorume contém 
elevado índice de matéria orgânica, microrganismos patogênicos e metais 
pesados. 
d. Água de drenagem urbana
A água da chuva, principalmente no início da temporada, passa 
fazendo uma lavagem no solo e acaba levando muitos resíduos para os 
mananciais, assim como óleos, graxas e diversas substancias existentes 
no solo urbano. 
e. Fontes acidentais
Qualquer acidente que contamine os cursos d’água. 
Acidentes ocorridos em depósitos de produtos perigosos, 
derramamento de óleo por vários petroleiros e explosões 
de caráter radioativo como em Chernobyl. Apresentam um 
efeito catastrófico para o ambiente, já que são lançados 
sem controle, em grande quantidade e de maneira 
concentrada. A recuperação do ambiente pode levar 
muitos anos. (TUCCI et al., 2012, p. 858)
f. Fontes atmosféricas
Devido à grande queima de combustíveis, há um acumulo na 
atmosfera de aerossóis de sulfato e nitrato. Eles voltam a atingir o solo 
através das chuvas ácidas, as quais são compostas de ácidos que 
desequilibram o sistema aquático.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
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RESUMINDO:
E então? Gostou do que falamos até aqui? Vamos fazer um 
breve resumo do que vimos. Falamos sobre a quantidade 
de água que temos em nosso planeta e que ela se mantém 
nessa quantidade há milhares de anos. A água se mantém em 
constante movimento e vai passando de um tipo de reserva a 
outro. De toda a água que temos no planeta, apenas pequena 
parte dela está disponível para uso. Além disso, temos ainda 
a má distribuição, onde há regiões que dispõem de muita 
água e outras que enfrentam a seca continuamente, então, 
nos casos em que há falta de água, as pessoas têm buscado 
soluções para sanar essa escassez fazendo reservas hídricas, 
como a implantação de barragens. Falando em falta de 
água, abordamos também sobre a crise hídrica, a demanda 
per capita e o estresse hídrico, onde percebemos que cada 
pessoa precisa de uma quantidade mínima de água para 
manter seu bem estar, e com o aumento populacional, a 
tendência é que a disponibilidade hídrica per capita tende 
a diminuir. Além desses fatores, ainda consideramos a ação 
humana que acaba poluindo essa pequena parte de água 
disponível, afetando suas características iniciais e diminuindo 
a sua qualidade.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
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Principais processos hidrológicos 
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender 
profundamente cada processo do ciclo hidrológico e 
como seu estudo está relacionado com a drenagem e 
outras aplicações à engenharia. E então? Motivado para 
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
Como vimos, temos os principais processos hidrológicos que 
completam o ciclo hidrológico, definidos por Villela & Mattos (1975), são 
eles: precipitação, evaporação e transpiração, escoamento superficial 
e infiltração. Os mais importantes para os estudos hidrológicos são 
a precipitação, evaporação e transpiração. Vamos abordar a seguir 
detalhadamente cada um deles. 
Precipitação
A precipitação, segundo Villela & Mattos (1975), é um dos principais 
fenômenos da hidrologia e varia, principalmente, de acordo com a 
temperatura, umidade e vento em cada região. Precipitação é todo tipo de 
umidade que vem da atmosfera para a superfície terrestre, podendo ser 
em forma de chuva, neve, granizo, orvalho, geada e neblina. A que mais 
interessa à hidrologia é a chuva, por ser a de maior ocorrência e a de maior 
volume em nosso país, portanto, trataremos apenas dela a partir de agora.
Para ocorrer a precipitação, a umidade com o calor sobe, com a 
altitude começa a resfriar e volta a se condensar, mas como são minúsculas 
as partículas e não superam a resistência do ar, continuam suspensas na 
atmosfera. Apenas quando se unem com outras e aumentam de tamanho 
e de massa é então que se precipitam.
Segundo Tucci et al. (2012), o aumento de tamanho das partículas se 
dá por vários fatores, sendo que o predominante é o choque de umas com 
as outras. Existem diferentes tipos de precipitação, são elas: precipitações 
convectivas, orográficas e ciclônicas. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
36
A precipitação convectiva, segundo Tucci et al. (2012), é aquela “chuva 
de verão”, ocorre também em regiões equatoriais, causada pelo calor que 
aquece a superfície terrestre, na qual a ocorrência de vento é baixa e 
predominantemente vertical, fazendo com que o vapor suba e condense, 
veja a figura 15. As chuvas são intensas e rápidas em pequenas regiões. 
Figura 15 - Precipitação convectiva
Fonte: Hartwing (2012, p. 30).
Já a precipitação orográfica (figura 16) ocorre pela umidade que 
vem do oceano, arrastada pelo vento, predominantemente horizontal, e 
encontra uma barreirafísica, como uma montanha. Essa barreira faz com 
que a umidade suba rapidamente e condense, gerando uma precipitação 
de pequena intensidade e de grande duração por uma pequena área. O 
vento que consegue atravessar a barreira encontra uma região seca, já 
que a umidade ficou retida antes dela. 
Figura 16 - Precipitação orográfica
Fonte: Hartwing (2012, p. 37).
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
37
Por último, a precipitação ciclônica, aquela causada pelo encontro de 
ventos quentes e frios, como pode ser observado na figura 17, fazendo com 
que o vapor quente e úmido suba e ao encontrar temperaturas mais frias, 
condensa e precipita. São chuvas de grande duração, intensidades médias 
e atingem grandes áreas. Podem vir acompanhadas de ventos fortes. 
Figura 17 - Precipitação ciclônica
Fonte: Hartwing (2012, p. 41).
Evaporação e evapotranspiração
A evaporação e evapotranspiração, como dito anteriormente, é a 
conversão da água em estado líquido para vapor e é transportada nessa 
fase. Segundo Tucci et al. (2012), para que ocorram esses fenômenos na 
natureza é preciso que haja introdução de energia no sistema. Essa energia 
vem basicamente da incidência solar e da atmosfera. Essa transferência 
de energia ocorre de forma de difusão molecular e turbulenta.
Fazer o cálculo estimado desses processos requer dados que 
nem sempre estão disponíveis, por isso, existem métodos empíricos 
para auxiliar nesse processo, já que é um dos mais importantes do ciclo 
hidrológico junto com a precipitação. 
Vamos falar, primeiramente, da evaporação.
Evaporação
Segundo Tucci et al. (2012), “além da radiação solar, as variáveis 
meteorológicas que interferem na evaporação, particularmente de 
superfícies livres de água, são a temperatura do ar, vento e pressão de 
vapor”, esse processo consome 585 cal/g na temperatura de 25 °C. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
38
A radiação solar aquece o ar acima da superfície molhada, e o ar 
aquecido tem nível de saturação maior de partículas de vapor d’água que 
em temperaturas menores, portanto, consegue “absorver” uma maior 
quantidade de partículas. A incidência solar, segundo Hartwig (2012), será 
maior dependendo da latitude da região, clima e estação do ano. 
Já o vento contribui na troca do ar acima da superfície molhada, 
permitindo a saída do ar já saturado e entrada de outro capaz de absorver 
um pouco mais de umidade, e assim segue, sem o vento, o ar sofreria a 
saturação e a evaporação cessaria. 
A saturação do solo também contribui para esse processo, pois se o 
solo possuir nível do lençol freático profundo e tiver com a umidade baixa, 
ele absorve parte da água superficial e acelera a secagem da superfície 
diminuindo o tempo para a evaporação. 
Outro fator considerado por Hartwig (2012), é a umidade do ar, pois 
se o ar for seco, tem maior capacidade de absorção de umidade adicional 
que o ar úmido. A figura 18 aborda de forma esquemática como os fatores 
climáticos e físicos afetam na evaporação.
Figura 18 - Fatores que afetam na evaporação
Evaporação
Temperatura 
do ar
Umidade 
do ar
Vento
Incidência 
solar
Saturação 
do solo
Fonte: Adaptado de Tucci (2012).
Existem alguns métodos utilizados para determinar a evaporação, 
alguns se baseiam em medir a evaporação no próprio local, em uma 
amostra para se estimar o total, outros métodos calculam com base nas 
características da região, incidência solar e outros fatores, e outro, como 
o método do balanço hídrico mostrado a seguir, se baseia no princípio de 
conservação da massa. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
39
Segundo Tucci et al. (2012), o método do balanço hídrico considera 
a equação da continuidade no lago ou reservatório, ou seja, a mesma 
vazão de entrada deve ser a de saída e pode ser escrita da seguinte forma: 
dV / dt = I - Q - E0 ∙ A + P ∙ A
Isolando então E0 para o cálculo da evaporação, tem-se: 
E0 = (I - Q) / A + P - (dV / dt) / A
Considerando as unidades usuais e que o volume e a área podem 
se relacionar por uma função do tipo V = a ∙ Ab, a equação anterior resulta 
em:
E0 = 2,592 ∙ (I - Q)/A + P - 1000 ∙ a ∙ b ∙ Ab-1 ∙ [A(t + 1)-A(t)] / ∆t
Onde: 
t = Tempo (meses)
I = Vazão total de entrada no reservatório (m³/s)
Q = Vazão de saída no reservatório (m³/s)
E0 = Evaporação (mm/mês)
P = Precipitação sobre o reservatório (mm/mês)
A = Área do reservatório no mês (km²)
Esse modelo é bem preciso teoricamente, mas na prática, encontrar 
essas variáveis com precisão pode ser desafiador, assim como dados 
precisos de precipitação e outras entradas de água no sistema. 
Evapotranspiração
Segundo Hartwig (2012), a transpiração é o resultado do processo 
fisiológico das plantas. Elas absorvem água do solo para atender suas 
necessidades vitais, retém pequena parte dela, e devolve o restante 
através da superfície das folhas sob forma de vapor d’água. 
Os fatores que afetam a transpiração são praticamente os mesmos 
que afetam a evaporação: incidência solar, umidade do ar, vento, umidade 
do solo. A luz age de forma essencial, a transpiração é praticamente nula 
sem sua presença, pois ela age na abertura dos estômatos, parte dos 
vegetais responsável pela transpiração.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
40
Em solos com cobertura vegetal é praticamente impossível 
separar o vapor d’água proveniente da evaporação do solo 
daquele originado da transpiração. Neste caso, a análise 
do aumento da umidade atmosférica é feita de forma 
conjunta, interligando os dois processos num processo 
único, denominado de evapotranspiração. (HARTWIG, 
2012, p. 45) 
Ao unirmos então os termos evaporação e transpiração em regiões 
com presença de vegetação, temos o termo evapotranspiração. Esse 
fenômeno é muito importante no ciclo hidrológico, na meteorologia, 
na hidrologia e na agricultura. Os aspectos que afetam no processo 
são aqueles relativos e evaporação e transpiração, e para estimar a 
evapotranspiração vamos abordar primeiramente dois termos importantes: 
 • Evapotranspiração potencial (ETP) – é aquela ocorrida em uma 
superfície natural considerando que esteja totalmente coberta 
com vegetação de porte baixo (em torno de 30 cm) e bem suprida 
com água (PENMAN, 1956 apud TUCCI et al., 2012).
 • Evapotranspiração Real ou Atual (ETR) – é aquela ocorrida em 
condições reais atmosféricos e umidade do solo. Apresenta 
valores iguais ou inferiores que a potencial (TUCCI et al., 2012).
As formas mais comuns de medir ou estimar a evapotranspiração 
são:
a. Medidas diretas
Através de um lisímetro mede-se a evapotranspiração de uma 
região, utilizando uma espécie de reservatório de solo, plantando uma 
cultura na superfície e fazendo o controle de umidade nesse solo. Pode-
se saturá-lo e verificar a ETP ou manter as condições naturais e verificar a 
ETR. Outra forma é verificar a umidade do solo in loco e estimar as perdas 
de água pela evapotranspiração. 
b. Método de Blaney-Criddle
Através de estudos em algumas regiões, e em diferentes 
temperaturas do ar, foi possível estabelecer equações que envolvesse 
basicamente essa varável. Não é precisa quando se muda a região de 
estudo, mas é muito utilizada por ser simplificada. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
41
ETP = (0,457T + 8,13)p
T é a temperatura média mensal do ar em °C, p é a porcentagem 
diária de horas de luz, podendo ser obtido por uma tabela específica.
Pode ser considerado um coeficiente de cultura (Kc) para que 
os resultados sejam mais precisos. Esses coeficientes devem ser 
determinados num lisímetro, a tabela 06 traz alguns valores de algumas 
culturas. Então temos: 
ET = ETP * kc
Tabela 6: Valores do coeficiente de cultura para alguns tipos de cultura
Fonte: Hartwig (2012, p. 49). 
c. Balanço hídrico 
Podemos adaptar o método de balanço hídrico para a 
evapotranspiração, mas nem sempre é possível obter todos os dados 
necessários. Tendo geralmente valores apenas de precipitação e vazão, a 
equação 01 pode serreescrita da seguinte forma: Vt = V0 + (P - Q - ETP)∆t
Onde:
Vt e V0 são o volume total de umidade na bacia no final e início do 
intervalo de tempo 
∆t: Tempo de intervalo de análise, geralmente maior que uma 
semana 
P: Precipitação no período 
Q: Vazão no período
ETP: Evapotranspiração no período, variável a ser calculada 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
42
Infiltração 
A infiltração, como já vimos, é uma das etapas do ciclo hidrológico 
e contribui para a reposição da umidade no solo. Ela se define como a 
passagem da água, em estado líquido, da superfície para o interior do 
solo, pela gravidade. A infiltração depende de alguns fatores como:
 • Disponibilidade de água na superfície do solo.
 • Características do solo- composição, topografia, quantidade de 
água e ar. 
Segundo Tucci et al. (2012), no início da infiltração, o solo começa 
a aumentar sua umidade das camadas superiores até as mais inferiores, 
quando, porém, cessa a infiltração, a umidade se redistribui e começa a 
inverter o processo, as camadas inferiores passam a ficar mais úmidas que 
as superiores. Outro processo que contribui com isso é a evaporação nas 
camadas superiores, acelerando sua secagem. 
Após a estabilização, a tendência é que alguma parte do solo fique 
saturado, mas isso só afeta o processo de infiltração se acontecer numa 
camada de pequena profundidade. 
Capacidade de infiltração e taxa de infiltração
Capacidade de infiltração é o potencial que o solo tem de absorver 
água através de sua superfície, em termos de lâmina por tempo. Quando 
ocorre a precipitação ou outro tipo de escoamento superficial, acontece a 
infiltração, aumentando a umidade do solo, a partir da superfície, e diminui 
a capacidade de infiltração do solo. Com o tempo, a umidade no solo se 
estabiliza, parte volta para a atmosfera e a capacidade de infiltração se 
recupera tendendo a um limite superior. 
Taxa de infiltração está relacionada com a infiltração que ocorre 
quando há disponibilidade de água para penetrar no solo, afetada pela 
capacidade de infiltração.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
43
Velocidade de infiltração
É a velocidade com que a água infiltra no solo, dada por unidade de 
distância por tempo. Ou ainda, representa a vazão por área de infiltração, 
que, simplificando as unidades, temos a mesma representação.
Escoamento superficial
É a parcela de água que escoa pela superfície terrestre. Pode ter 
origem nas precipitações, na qual parte da água precipitada infiltra e parte 
escoa, como também pode ter origem no próprio afloramento de águas 
subterrâneas. 
A continuidade desses escoamentos superficiais é se infiltrar no 
solo, posteriormente, evaporar e formar rios. 
Os fatores que afetam o escoamento superficial, segundo Villela & 
Mattos (1975), são fatores climáticos, relacionados com a precipitação e 
fatores de natureza fisiográfica, relacionados às características físicas da 
bacia. 
Quanto à precipitação, quanto maior for a intensidade e duração 
da chuva, maior a possibilidade de ocorrer o escoamento, e maior a 
sua potencialidade caso ocorra. Caso ocorra uma chuva após a outra, a 
chance de ocorrer o escoamento também será maior, pois a capacidade 
de infiltração do solo foi afetada. 
Em relação aos fatores fisiográficos, temos as características da 
bacia de área, forma, permeabilidade e capacidade de infiltração e a 
topografia da bacia. 
Em relação à área, quanto maior a área da bacia, maior será a vazão 
escoada. Em relação à forma, essa está relacionada com o tempo de 
escoamento e vazão no exutório da bacia. Se ela tem um formato mais 
comprido, o tempo para a água chegar ao exutório é maior, dando maior 
chance de evaporação e infiltração e diminuindo o escoamento, se a 
bacia apresenta um formato mais arredondado, considerando a mesma 
área, o tempo será menor, aumentando assim a chance de escoamento. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
44
Em relação à permeabilidade, quanto maior a taxa de permeabilidade, 
assim como a capacidade de infiltração, menor será a de escoamento. 
Por fim, a topografia, que afeta a velocidade de escoamento. Em 
um terreno mais plano, a velocidade de escoamento será mais baixa, 
facilitando assim a infiltração no solo e diminuindo o escoamento e, de 
forma análoga, com a superfície mais inclinada, o escoamento será maior, 
sabendo ainda que pode haver formações de poços que podem reter 
grandes quantidades de água. 
Fatores externos também podem afetar o escoamento, como a 
instalação de reservatórios que diminui a velocidade de escoamento. 
Grandezas que caracterizam o escoamento 
superficial
As grandezas utilizadas no estudo do escoamento superficial são 
definidas por Villela & Mattos (1975) como:
a. Vazão (Q) - A vazão é a grandeza que mede o volume escoado 
por unidade de tempo no exutório da bacia. A unidade usual é 
geralmente em m³/s. E é comum ter valores também da vazão 
específica, que seria a vazão por unidade de área, para facilitar a 
comparação entre uma bacia e outra, essa seria em m³/s/m² ou, 
simplificando, m/s.
b. Coeficiente de Escoamento Superficial (C) - Ou Coeficiente de 
Deflúvio ou, ainda, Coeficiente de Runoff, considera a parcela 
de água escoada do total precipitado, limitando-se a um, no 
caso de toda a vazão precipitada for escoada, e variando com 
as características do solo. Superfícies impermeáveis apresentam 
coeficientes maiores que as permeáveis. Pode ser calculado da 
seguinte forma: 
C = Vescoado / Vprecipitado
Onde: Vescoado é o volume total de água escoado e Vprecipitado é o 
volume total de água precipitado. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
45
c. Tempo de concentração (tc) - Considerando uma precipitação 
que cubra toda a bacia hidrográfica, o tempo de concentração é o 
tempo que leva para que toda a bacia contribua com a vazão no 
ponto analisado.
EXPLICANDO MELHOR:
Analise a bacia hidrográfica da figura 19, quando começa 
a chover em toda a bacia, a primeira parcela de água que 
chegará ao ponto exutório é aquela que precipitou mais 
próximo do ponto A1, continua a chover e então A2 também 
passa a contribuir com a vazão no mesmo ponto, continua a 
precipitação até que toda a bacia passa a contribuir, nesse 
momento temos uma vazão máxima no ponto, e o tempo 
que levou para atingir essa vazão máxima é o tempo de 
concentração.
Figura 19 - Áreas de contribuição na bacia
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
46
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos 
resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que as 
etapas do ciclo hidrológico são precipitação, evaporação, 
transpiração, infiltração e escoamento. A precipitação é a 
água voltando da atmosfera para a superfície, esta pode 
ocorrer em várias formas, mas a principal na hidrologia 
é a chuva. Existem três tipos de chuva, a convectiva, a 
orográfica e a ciclônica. A evaporação é quando a água 
passa do estado líquido para gasoso de forma natural, já a 
transpiração é um fenômeno natural das plantas de absorver 
água do solo e transferir para a atmosfera em forma gasosa. 
O processo combinado de evaporação e transpiração se 
denomina evapotranspiração. A infiltração é quando a água 
passa da superfície para o interior do solo, podendo ficar 
retida ali ou voltar a evaporar, e o escoamento superficial 
é o excesso de água precipitada que não infiltrou no solo 
e começa a formar filetes na superfície do solo, ou ainda 
do afloramento do lençol freático, formando rios, lagos e 
mares. Vimos também sobre o coeficiente de escoamento 
superficial, que representa a relação entre o volume de 
água escoado em relação ao precipitado em uma bacia 
hidrográfica. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
47
Elementos Gerais
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender 
mais profundamente sobreos usos da água, seus 
consumos e padrões básicos para a continuação dos 
estudos hidrológicos. Vamos lá.
Até aqui já vimos sobre as bacias hidrográficas, o ciclo hidrológico 
e a quantificação geral da água no mundo. Vamos seguir falando agora 
sobre como essa água tem sido usada e quais providências têm sido 
tomada para suprir as crises hídricas. Vamos continuar.
Os usos da água
São basicamente dois tipos de usos, os consuntivos e os não 
consuntivos. Segundo Setti et al. (2001), entre os consuntivos estão o 
abastecimento de água, o abastecimento industrial e irrigação. Entre os 
não consuntivos estão a geração de energia elétrica, a navegação fluvial 
e outros.
Abastecimento de água
Segundo Tucci et al. (2012), é o uso mais nobre da água, por ser 
utilizada em suas necessidades básicas como beber, utilizar para cozinhar, 
para higiene, combate a incêndio, entre outros. Por esses usos, ela deve 
atender a um limite mínimo de potabilidade. 
A água deve atender a valores estabelecidos pelo Ministério da 
Saúde, em relação a características físicas, químicas e biológicas. Caso 
não seja atendido esses níveis de potabilidade, a água pode ser veículo 
ou origem de doenças do tipo hídrica. 
As águas para consumo têm origem no subsolo ou na superfície. 
Quando no segundo caso, para que a água seja considerada como 
potável, ela precisa passar por um processo de tratamento e desinfecção, 
veja a figura 20 os processos básicos da desinfecção. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
48
Figura 20 - Esquema de tratamento de água
Fonte: Dreamstime
A água para abastecimento abrange o uso doméstico, comercial, 
público e alguns desperdícios. A quantidade de água necessária para 
o abastecimento pode variar de acordo com a região, clima, costumes, 
economia e outros possíveis fatores. Como visto anteriormente, o 
consumo mínimo necessário é de 100 l/hab. por dia, mas pode chegar 
até a 20 vezes esse valor. 
Para que não ocorra o uso exagerado da água devemos cada um 
fazer a sua racionalização, usar apenas o necessário, e, dessa forma 
cooperar com o meio ambiente.
ACESSE:
Caso queira se aprofundar no assunto, acesse o vídeo 
sobre uso racional da água clicando aqui.
Abastecimento industrial
O uso da água industrial pode ser para o processo de fabricação ou 
para ser incorporado ao produto. E a quantidade depende muito do tipo 
de indústria e da tecnologia adotada. Observe na tabela 7 alguns tipos de 
indústria e seu consumo médio. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
https://www.youtube.com/watch?v=JtshF-n-mis
49
Tabela 7 - Consumo de água nas indústrias
Fonte: Setti et al. (2001, p. 35).
Irrigação
É o maior consumo de água que vimos até aqui, tem o objetivo 
de auxiliar as plantas em seu crescimento, suprindo a falta de água 
das precipitações. A irrigação deve ser feita de forma controlada e com 
o mínimo de desperdícios possíveis. Deve haver atenção também em 
relação aos produtos utilizados nas plantações de forma a não contaminar 
o solo pela irrigação. Dos usos consuntivos que vimos, segundo Setti et al. 
(2001), o agrícola é o maior, em seguida temos o uso industrial e, por último, 
o uso doméstico. Veja o gráfico (figura 21), ele mostra as porcentagens de 
cada uso. 
Figura 21 - Distribuição de água de abastecimento
Fonte: Setti et al. (2001, p. 49). 
A seguir teremos os usos não consuntivos, destacando-se entre 
eles a geração de energia. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
50
Geração de energia elétrica
A geração de energia elétrica pelo aproveitamento de água é do tipo 
renovável. Em alguns países, é o tipo que menos agride o meio ambiente, 
mas precisa de alguns cuidados. Segundo Setti et al. (2001), “A construção 
de barragens de regularização causa alterações no regime dos cursos 
d’água, perdas por evaporação da água dos reservatórios, principalmente 
em regiões semiáridas, e diversas alterações no físico”. 
VOCÊ SABIA?
A usina Itaipu, uma das maiores do mundo, quando foi 
executada inundou uma grande área, inclusive as Sete 
Quedas, que eram cachoeiras naturais no Rio Paraná. É 
um exemplo de como ela passou de uso recreativo, com o 
turismo, para geração de energia. Assista ao vídeo sobre o 
fim da Usina de Sete Quedas clicando aqui.
Navegação fluvial
A navegação fluvial para objetivo comercial, segundo Setti et al. 
(2001), em leitos naturais geralmente é possível em períodos de chuva. 
Para intensificar o processo são feitas obras em canais para alargar as 
margens. Barragens também podem ser feitas, porém, pode haver 
necessidade de implantar transportadores de níveis. 
Embora sejam transportes lentos, os transportes aquáticos 
são muito utilizados para o transporte de cargas e 
pessoas, sendo que apresenta custo operacional reduzido 
em relação aos outros transportes. Uma das vantagens 
é justamente sua enorme capacidade, ou seja, pode 
transportar grandes quantidades de carga. Além disso, é 
um meio de transporte pouco poluente em relação aos 
outros (rodoviário, ferroviário, etc.), embora seja limitado, 
visto que necessita das hidrovias para a navegação. Além 
disso, geralmente são feitos transporte regional, ou seja, 
não abrange o país inteiro. Antes de ser utilizado, o rio 
passa por uma avaliação de especialistas que conferem 
se o local é apropriado para navegação (profundidade, 
relevo, largura, potencial econômico) e construção de uma 
hidrovia, segundo suas características próprias. (TODA 
MATÉRIA, 2021, on-line) 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
https://www.youtube.com/watch?v=S8Ep2SooOpw
51
Recreação
Segundo Tucci et al. (2012), o uso de recreação pode ser classificado 
como primário e secundário. O primário é aquele que a pessoa entra em 
contato direto com a água, como banho, veja a figura 22. Há um cuidado 
especial com a saúde nesse caso, pois águas contaminadas podem ser 
prejudiciais, tanto em contato com a pele, quanto se forem ingeridas. 
Figura 22 - Banho no rio
Fonte: Pixabay
A natureza é linda e podemos encontrar diversos rios que por 
terem suas águas limpas e belas paisagens naturais atraem os turistas, 
e chegam a ser bastante explorados nesse sentido, mantendo sempre a 
conservação do meio ambiente. 
Você conhece algum rio que pode ser usado para banho? E algum 
que não pode? Faça uma pesquisa rápida e descubra pelo menos cinco 
rios no Brasil e cinco no mundo para cada situação. 
Voltando para a classificação do uso para recreação, o uso 
secundário apresenta risco menor, pois a pessoa não está em contato 
direto com a água, como a pesca e navegação. Devendo ter atenção aos 
peixes consumidos, que podem estar contaminados. Para evitar essa 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
52
situação, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabeleceu 
condições mínimas dos rios para se permitir esses e outros usos.
Cada rio é classificado segundo suas características principais de 
localização, vazão, níveis de oxigênio, de matéria orgânica presente, 
se é ou não uma nascente, entre outros, e dependendo dos valores 
apresentados ele se encaixa em uma das classes do Conama, e a partir 
dessas classes sabe-se que uso a água pode ter. Veja a classificação do 
Conama para águas doces:
Art. 4° As águas doces são classificadas em: 
I - Classe especial: águas destinadas: a) ao abastecimento 
para consumo humano, com desinfecção; b) à preservação 
do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e, c) à 
preservação dos ambientes aquáticos em unidades de 
conservação de proteção integral. 
II - Classe 1: águas que podem ser destinadas: a) ao 
abastecimento para consumo humano, após tratamento 
simplificado; b) à proteção das comunidades aquáticas; c) 
à recreação de contato primário, tais como natação, esqui 
aquático e mergulho, conforme Resolução CONAMA n° 274, 
de 2000; d) à irrigação de hortaliças que são consumidas 
cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e 
que sejam ingeridas cruas sem remoção de película; e e) à 
proteçãodas comunidades aquáticas em Terras Indígenas. 
III - Classe 2: águas que podem ser destinadas: a) ao 
abastecimento para consumo humano, após tratamento 
convencional; b) à proteção das comunidades aquáticas; c) 
à recreação de contato primário, tais como natação, esqui 
aquático e mergulho, conforme Resolução CONAMA n° 
274, de 2000; d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas 
e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com 
os quais o público possa vir a ter contato direto; e e) à 
aquicultura e à atividade de pesca. 
IV - Classe 3: águas que podem ser destinadas: a) ao 
abastecimento para consumo humano, após tratamento 
convencional ou avançado; b) à irrigação de culturas 
arbóreas, cerealíferas e forrageiras; c) à pesca amadora; d) 
à recreação de contato secundário; e e) à dessedentação 
de animais. 
V - Classe 4: águas que podem ser destinadas: a) à 
navegação; e b) à harmonia paisagística. (CONAMA, 2005)
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
53
Veja o exemplo do Lago Corumbá IV, figura 23. Segundo Corumbá 
Concessões AS (2021), o lago fica localizado no município de Luziânia, 
Goiás. Seu reservatório ocupa aproximadamente 173 km² de área com uma 
com uma capacidade de 3,7 trilhões de litros d’água. Sua barragem tem 
comprimento total de 1.290 metros e altura máxima de 76 metros. A largura 
da barragem chega aos 400 metros na base e aos 10 metros no topo. 
Figura 23 - Lago Corumbá IV
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Esse lago foi criado com o objetivo de gerar energia elétrica, mas se 
tornou um grande atrativo para recreação também como banho, pesca, 
mergulho, passeios de jet-skis, canoagem e outros fins. O lago atrai muitos 
investidores e turistas. Ele é classificado, segundo PGIRH/DF (2012), como 
classe II. 
Diluição, assimilação e transporte de esgoto e 
resíduos líquidos
Os esgotos e resíduos líquidos são, como falado anteriormente, 
água de uso humano, que, após ter sido utilizada, precisam retornar ao 
meio ambiente. Para isso, é preciso que seja verificada as características 
dos efluentes que serão lançados e também as características dos rios que 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
54
irão receber essa carga. Como também já falado, os rios são classificados 
segundo o Conama e apenas das classes mais resistentes serão aptos a 
atender essa necessidade. 
Os rios têm uma capacidade, chamada de autodepuração, de 
restabelecer suas características iniciais mesmo após esse tipo de 
lançamento, é claro que com o tempo e ao longo do seu percurso. Como 
vimos o exemplo do Tietê, leva 150 km aproximadamente ao longo do seu 
percurso somente para sair da zona morta. Veja a figura 24 apresenta as 
quatro zonas de autodepuração. 
Figura 24 - Zonas de autodepuração
Fonte: Cecilio (2019, p.10).
Então, para não prejudicar o rio a esse ponto, o esgoto e resíduos 
líquidos devem passar por tratamentos antes de serem lançados, e 
mesmo assim pode afetar as características do rio, após esse lançamento, 
e restringir alguns usos como de recreação e de abastecimento. 
Preservação 
A preservação está relacionada com a proteção da fauna e flora, os 
cuidados com seus usos presentes e futuros. Proteger a água é proteger 
o planeta. Há uma frase de um escritor que diz assim: “A água de boa 
qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba” 
(Guimarães Rosa).
Meio ambiente e os recursos hídricos 
Vamos então falar um pouco sobre a importância de preservar os 
recursos hídricos e como tem sido feita essa preservação. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
55
Monitoramento da qualidade da água
O monitoramento da qualidade da água, segundo Tucci et al. (2012), 
tem os seguintes objetivos:
 • Avaliação da qualidade da água para determinar o seu uso. 
 • Acompanhar a evolução da qualidade da água ao longo do tempo 
devido a ações que podem ocorrer ao rio como lançamento de 
efluentes e outros casos. 
 • Avaliação do meio aquático, considerando não só a água, mas 
também sedimentos e materiais biológicos. 
Em função dos objetivos de monitoramento, são estabelecidos os 
pontos de coleta de amostra, o período e frequência e quais materiais 
serão coletados. Para verificar a qualidade da água para determinado fim 
ou se algum tipo de lançamento está afetando na sua qualidade, deve ser 
coletada uma amostra em um ponto branco, ponto estabelecido como 
referência que não sofreu interferências externas. Observe a figura 25, 
Tucci et al. (2012) mostra alguns pontos estratégicos de amostragem. 
Figura 25 - Locais de monitoramento do rio
Fonte: Tucci et al. (2012, p. 57).
Legenda: 1. Ponto Branco. 2. Captação de água para abastecimento Público. 3. Zona rural, 
nascentes. 4. Zona de recreação. 5. Ponto a jusante de lançamento industrial. 6. Captação de 
água para irrigação. 7. Foz do rio.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
56
As coletas das amostras podem ser manuais ou automáticas. A 
vantagem da coleta automática é dispensar a presença de um operador. 
Deve-se tomar todos os cuidados necessários para, quando pegar a 
amostra, ela ser representativa. 
Como leva um tempo entre a coleta e a realização da análise feita 
em laboratório, para que a água ou as substâncias coletadas não sofram 
alterações, deve-se fazer a conservação das mesmas. Segundo Tucci 
et al. (2012), há algumas formas de fazermos essas conservas. São elas: 
Controle de ph, adição química, refrigeração e congelamento. 
Medidas preventivas de preservação de recursos 
hídricos
As medidas preventivas para manter um curso d’água livre de 
poluição está concentrada basicamente em não lançar resíduos nos 
leitos. De acordo com Tucci et al. (2012), temos várias formas de prevenção 
e a primeira delas é fazer o tratamento de águas residuais antes do 
lançamento.
Outra forma, de acordo ainda com os autores, está relacionada com 
as características da geologia, topografia, drenagem natural e tipo de solo, 
a preservação consiste em reservar uma área próxima aos cursos d’água e 
manter sua vegetação. O uso do solo deveria obedecer às características 
naturais no rio. Essa é uma forma de baixo custo de preservação. 
Para o mesmo autor, a educação e acesso à informação também 
são formas preventivas se forem para incentivar o uso de técnicas 
adequadas de manejo do solo para diminuir a erosão. Além disso, pode 
também incentivar o aperfeiçoamento no uso de fertilizantes para torná-
lo mais eficiente.
O cuidado com o lixo também deve ser feito, primeiramente o reúso 
e reciclagem diminuem a produção de lixos e a exploração de recursos 
naturais. O cuidado é necessário também na disposição dos aterros para 
não contaminar os aquíferos. 
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
57
Para evitar problemas de inundações e contaminação dos rios 
por esse fim, é fazer um melhor planejamento urbano, incentivando um 
crescimento em áreas menos críticas e com pavimentos permeáveis e a 
proteção de marginais dos rios em áreas urbanas, evitando o zoneamento 
urbano próximo a essas margens. 
ACESSE:
Veja como pode ser feito o reúso da água e a sua importância 
para o nosso país clicando aqui.
Além de todos esses cuidados, podem ser feitos o reaproveitamento 
das águas, assim, diminuímos tanto o seu lançamento no esgoto, quanto 
a sua utilização. 
RESUMINDO:
E então? Gostou desse último capítulo? Após estudarmos 
sobre os principais conceitos hidrológicos foi importante 
abordarmos sobre a forma como a população tem usado 
esse recurso tão precioso. Então vamos revisar o que 
aprendemos. Falamos sobre os principais tipos de uso 
sendo eles o de abastecimento de água, aquele que 
atende as necessidades vitais da população, outro uso 
foi o abastecimento industrial, que atende as demandas 
das produções e irrigação, aquela que consiste na maior 
demanda entre essas. Outros usos são os não consuntivos, 
onde se destaca a geração de energia hidrelétrica, a 
navegação, recreação e outros. Vimos sobre a classificação 
do Conama, queé muito importante para sabermos quais 
usos podem ter os cursos d’água. Vimos também que 
devemos cuidar desse recurso hídrico, usar de forma 
racional e consciente. Além disso, foi falado também que há 
várias formas de prevenção de poluição dos cursos d’água, 
onde se consiste basicamente em manter as margens o 
mais próximo do natural possível e evitar lançamento de 
resíduos que possam modificar suas características naturais.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
http://www.conhecer.org.br/enciclop/2011b/ciencias%20ambientais/o%20reuso.pdf
58
REFERÊNCIAS
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TUCCI, C. E. et al. Hidrologia, ciência e aplicação. Porto Alegre: 
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VILLELA, S. M.; MATTOS, A. Hidrologia aplicada. São Paulo: 
McGraw-Hill do Brasil, 1975.
Hidráulica Aplicada e Hidrologia
	_Hlk76938107
	_Hlk76939123
	_Hlk76940201
	_Hlk76939934
	_Hlk76941026
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	_Hlk77333497
	_Hlk77334145
	_Hlk77334294
	Ciclo hidrológico e descrição geral
	Introdução à hidrologia
	Ciclo hidrológico
	Bacias hidrográficas
	Características físicas de uma bacia hidrográfica
	Ordem dos cursos d’água 
	Sinuosidade do curso de água (Sin)
	Declividade do curso d’água principal
	Declividade média do relevo de uma bacia
	Quantificação geral das reservas hídricas em escala global 
	Recursos hídricos no mundo
	Crise hídrica
	Poluição das águas
	Principais processos hidrológicos 
	Precipitação
	Evaporação e evapotranspiração
	Evaporação
	Evapotranspiração
	Infiltração 
	Capacidade de infiltração e taxa de infiltração
	Velocidade de infiltração
	Escoamento superficial
	Grandezas que caracterizam o escoamento superficial
	Elementos Gerais
	Os usos da água
	Abastecimento de água
	Abastecimento industrial
	Irrigação
	Geração de energia elétrica
	Navegação fluvial
	Recreação
	Diluição, assimilação e transporte de esgoto e resíduos líquidos
	Preservação 
	Meio ambiente e os recursos hídricos 
	Monitoramento da qualidade da água
	Medidas preventivas de preservação de recursos hídricos

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