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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS – CCT ENGENHARIA ELÉTRICA ALAN FRIEDERICHS FILIPE OLIVEIRA MARLON SCHIER MATHEUS HIGASHI THOMÁS SILVA WILIAN FAUST TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA: PROJETO LINHA DE TRANSMISSÃO - UHE BELO MONTE Joinville, SC 2014 1 ALAN FRIEDERICHS FILIPE OLIVEIRA MARLON SCHIER MATHEUS HIGASHI THOMÁS SILVA WILIAN FAUST TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA: PROJETO LINHA DE TRANSMISSÃO - UHE BELO MONTE Trabalho confeccionado para apresentação à disciplina de Transmissão e Distribuição de Energia do curso de Engenharia Elétrica da Universidade do Estado de Santa Catarina a fim de cumprir de acordo com a ementa da disciplina o requisito parcial da média final da cadeira referida. Professor: Fabiano F. Andrade Joinville, SC 2014 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 3 2 Aspectos técnicos .................................................................................................... 4 2.1 Tipo de estrutura ................................................................................................... 4 2.2 Dados dos vãos e das estruturas .......................................................................... 4 2.3 Dados dos isoladores ............................................................................................ 5 2.4 Silhueta da estrutura ............................................................................................. 5 2.5 Feixe de subcondutores ........................................................................................ 5 3 Linha de transmissão em corrente contínua............................................................. 6 3.1 Capacidade de corrente ........................................................................................ 7 3.2 Tensão máxima operativa ..................................................................................... 7 3.3 Flecha máxima dos condutores ............................................................................. 7 3.4 Subestações .......................................................................................................... 8 CONCLUSÃO .............................................................................................................. 9 REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 9 Anexos ...................................................................................................................... 10 3 1 INTRODUÇÃO A usina hidrelétrica de Belo Monte (UHE – Belo Monte) tem por objetivo o aproveitamento hidrelétrico da Amazônia, cujo potencial representa 40% do total do país. Dentre os principais afluentes da margem direita do rio Amazonas está a sub- bacia do Rio Xingu, abrangendo uma área de 509.000 km². Estima-se que cerca de 14% do potencial inventariado do país encontrem-se nesta sub-bacia (ANEEL, 2002). Localizada no estado do Pará, a UHE Belo Monte está sendo construída no rio Xingu próximo a cidade de Altamira. O empreendimento recebe o nome de Complexo, segundo a Eletronorte – Centrais Elétricas do Norte, por ser constituído de duas casas de força: uma principal, com 11.000 MW, e outra complementar, com 233,1 MW (Eletronorte, 2002). Sua potência instalada será de 11.233,1 MW, mas, por operar com reservatório muito reduzido, deverá produzir efetivamente cerca de 4.500 MW (39,5 TWh por ano) em média ao longo do ano. Em potência instalada, a usina de Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo, atrás apenas da chinesa Três Gargantas (20.300 MW) e da brasileira e paraguaia Itaipu (14.000 MW), e será a maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira. Este projeto, interligação entre as regiões Norte/Nordeste – Sudeste/Centro Oeste (Norte-Sul), de expansão da transmissão de energia nacional torna-se pioneiro, pelo fato de corresponder ao primeiro bipólo em Corrente Contínua em Alta Tensão – CCAT – (“High Voltage Direct Current – HVDC”) em ± 800 kV, 4000 MW. Esse bipolo é parte integrante da solução indicada pela EPE para expansão da interligação Norte – Sul, que consiste de dois bipólos em ± 800 kV, 4000 MW de potência nominal cada, ambos se conectando na região norte do SIN na subestação Xingu 500 kV e no sudeste em subestações distintas: o primeiro bipólo na subestação Terminal Minas 500 kV (MG), distante cerca de 2.140 km da SE Xingu; e o segundo bipólo, na subestação Terminal Rio (RJ), distante cerca de 2.439 km da SE Xingu, como ilustrado na Figura 1. As linhas de transmissão dos dois bipólos foram concebidas com 6 sub condutores por polo, tipo CAA, com 1590 MCM, “Lapwing”. 4 Figura 1 – Bipólos em ± 800 kV CC para expansão da interligação Norte - Sul 2 ASPECTOS TÉCNICOS A potência instalada na casa de força principal do CHE Belo Monte será de 11.000 MW, distribuídos em vinte unidades geradoras tipo Francis de potência unitária de 550 MW. Já a usina complementar, que irá aproveitar a vazão residual, terá uma potência instalada de 233,1 MW e contará com 9 turbinas tipo bulbo, com potência unitária de 25,9 MW (Eletronorte, 2012). 2.1 Tipo de estrutura Com base na experiência existente no país, sobretudo com as linhas de transmissão em corrente contínua do sistema Itaipu e do projeto Madeira, foi considerada a concepção com estruturas estaiadas predominantes. 2.2 Dados dos vãos e das estruturas Adotou-se o vão médio de 450 m, o sub-vão de 75 m, e a relação entre os vãos de peso e de vento de 0,7. 5 2.3 Dados dos isoladores Adotaram-se cadeias de isoladores simples, em I, com isoladores do tipo concha e bola, com diâmetro 320 mm e passo 170 mm. 2.4 Silhueta da estrutura Figura 2 - Silhueta estilizada da estrutura estaiada adotada 2.5 Feixe de subcondutores Para a linha de transmissão em ± 800 kV Xingu – Terminal Minas uma solução composta por 6 condutores tipo CAA de 1590 MCM por pólo, “Lapwing”, dispostos geometricamente como indicado na Figura 2 e detalhado na Figura 3. Foram 6 considerados polos com feixes circulares convencionais, subespaçados de 0,60 m, distribuídos horizontalmente e cabos para-raios tipo ERA 3/8”. A estrutura predominante é tipo estaiada. Figura 3 - Disposição geométrica dos condutores e para-raios da linha de transmissão em ±800 kV 3 LINHA DE TRANSMISSÃO EM CORRENTE CONTÍNUA A linha de transmissão terá origem na Subestação Xingu, situada no Pará (próxima a Altamira) e término na Subestação Estreito, estado de Minas Gerais, quase divisa de São Paulo. Esta é a primeira linha de transmissão do Brasil em corrente contínua no nível de tensão de 800 kV. Esta elevada tensão só tem precedentes na China, onde já existem linhas da State Grid em 800 kV UAT (Ultra Alta Tensão). Existem dois principais fatores para o uso de CC: corrente contínua é mais econômica do que corrente alternada para a transmissão de grandes quantidades de energia ponto-a-ponto a grandes distâncias, sem a necessidade de subestações intermediárias, e as perdas do sistema são menores. 7 As reduções de perdas de transmissão em corrente contínua são estimadas como cerca de 3,5% por cada 1.000 quilômetros. Normalmente as perdas na linha de corrente continua, com os mesmos níveis de tensão, são 30-40% menores do que com as linhas de corrente alternada, além disso a linha de correntecontínua precisa de menos condutores do que uma linha de corrente alternada, e pode utilizar condutores mais finos. Os investimentos nas linhas de transmissão em corrente contínua são menores do que os de corrente alternada, porém os custos com as estações terminais (conversoras) são maiores já que existe a necessidade de se converter a corrente contínua em corrente alternada para a integração com o restante sistema de transmissão brasileiro. Desta forma, em longas distâncias a redução do custo da linha de transmissão compensa o aumento de custo das estações terminais conversores, tornando o investimento global no sistema de transmissão mais atrativo para o uso da CC. 3.1 Capacidade de corrente Capacidade operativa de longa duração deve ser de pelo menos 2625 A por polo, este corresponde ao valor de corrente da linha de transmissão em condições nominais de operação e deve atender as diretrizes fixadas pela norma técnica NBR 5422 da ABNT. A capacidade operativa de curta duração dessa linha deve ser de pelo menos 3500 A por polo. 3.2 Tensão máxima operativa A tensão máxima operativa da linha de transmissão para a classe de tensão de 800kV é de 830kV. 3.3 Flecha máxima dos condutores Segundo as prescrições da norma técnica NBR 5422 da ABNT, de forma a preservar a operação a distância do condutor ao solo para uma corrente no polo de 3500 A deve ser igual ou superior a 15,8 m considerando a ocorrência simultânea das 8 condições climáticas da região como a temperatura máxima, radiação solar máxima e brisa mínima prevista para a região desde que não superior a um metro por segundo. 3.4 Subestações As duas subestações terminais serão conversoras que transformarão a corrente contínua – 800 kV – em corrente alternada – 500 kV. A linha de transmissão terá aproximadamente 2.100 km e será construída com mais ou menos 4.600 torres. 9 CONCLUSÃO A demanda de energia elétrica aumenta a passos largos no Brasil, graças ao aumento nos consumos residencial, comercial e industrial. Por isso, o Brasil precisa de uma usina como a de Belo Monte para seguir crescendo de forma sustentável, alcançar as metas de crescimento anual de 5% do PIB nos próximos 10 anos, e também atingir as metas de eliminação da pobreza e menor distribuição de renda. Como está usina se localiza na região Norte do Brasil e as maiores demandas de energia são nas regiões Sul e Sudeste, necessita-se de uma grande linha de transmissão para transportar energia para estas regiões. Conforme foi apresentado, a melhor forma de levar esta energia é através da transmissão em corrente contínua, que se mostra mais vantajosa economicamente para linhas muito longas e com menos perdas, compensando o custo de subestações conversoras para interligação no sistema nacional. A configuração do primeiro bipólo de ± 800 kV, prevista pelos estudos energéticos para início de 2017, possibilitará escoar a potência plena da usina de Belo Monte considerando capacidade nominal do bipólo (4.000 MW) e capacidade nominal das da interligação Norte/Sul, que proporcionará recebimento do Sudeste em cerca de 7.700 MW no patamar de carga pesada e 7.100 MW no patamar de carga leve. REFERÊNCIAS http://exame.abril.com.br/economia/noticias/como-sera-o-linhao-de-belo- monte-segundo-a-state-grid http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/02/08/internas_economia,49 6353/linhao-da-belo-monte-que-vai-escoar-energia-e-arrematado-mas-carga-so-vira- em-2019.shtml http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-brasil,furnas-eletronorte-e- state-grid-vencem-leilao-de-transmissao-de-belo-monte,177355,0.htm 10 Estudos para a licitação da expansão da transmissão – Detalhamento da alternativa recomendada (Expansão das Interligações Norte-Sudeste e Norte- Nordeste) – EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e MME (Ministério de Minas e Energia). ANEXOS Resistências As resistências máximas da linha, simuladas, considerando 50 ºC de temperatura e frequência de zero Hertz, foi utilizado o valor calculado via software pela EPE conforme apresentado na Tabela abaixo: Resistência da linha cc entre Xingu e Terminal Minas Descrição do circuito principal A implantação do primeiro elo de corrente contínua em ±800 kV, entre as subestações de Xingu 500 kV e Terminal Minas 500 kV, com as seguintes características nominais: 11 A Tabela acima apresenta os dados do circuito principal do bipolo de 4.000 MW no retificador (3.850MW no inversor), ± 800 kV no retificador (± 764 kV no inversor), 2,50 kA, operando com o ângulo αnom = 15 graus no retificador e com βnom = 17 graus no inversor. Foi considerado que cada polo será um conversor de 12 pulsos. 12 Localização do Terminal Xingu – Terminal Minas 13 Localização do corredor Terminal Xingu – Terminal Rio