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DISCIPLINA: Literatura Portuguesa I – Das origens ao Barroco PROF: Me. Ilmar Rodrigues Fernandes 3º Perído Letras Português Campus UNAÍ-MG ACADÊMICOS ESTELHA LAURA NORMA RAFAELA SAMANNTHA 3 INTRODUÇÃO OS Lusíadas é considerado a obra literária portuguesa de maior destaque dentro da literatura mundial. A riqueza presente nos versos traz um enredo que projeta o futuro de uma nação. A presença da mitologia é um dos destaques da estrutura do poema épico. Nesta obra Camões decidiu inventar uma fábula mitológica onde os deuses do Olimpo, com as suas caraterísticas típicas de humanos, entram em conflito por causa desta viagem de Vasco da Gama. Gera-se assim uma verdadeira intriga em que, no final, os homens tornam-se mitos. Nesta apresentação vamos falar sobre os Deuses pagãos na Mitologia e sobre a sua intervenção e função na epopeia de Camões, Os Lusíadas. MITOLOGIA Definição: é a história de personagens sobrenaturais, com uma determinada simbologia e venerados sob a forma de deuses, semideuses e heróis. A mitologia que Camões usa é a mitologia greco-romana. Camões usou mitologia na obra devido: Obedecer uma regra aos poemas épicos; Todas a epopeias a deverem utilizar; Assegura a unidade interna da ação da epopeia; Embelezar a intriga; em outra forma seria um mero relato da viagem; Serve para glorificar os povos portugueses, comparando-o aos deuses; EPISODIOS D'OS LUSÍADAS Concílio dos deuses no olimpo; Concílio dos deuses marinhos; Tempestade; Gigante Adamastor; Ilha dos Amores. DEUSES N'OS LUSÍADAS OS VÁRIOS DEUSES EM OS LUSÍADAS Júpiter: Deus do trovão;Conhecido como Zeus na mitologia grega; Rei dos deuses, deus das condições meteorológicas, casado com Juno. Baco: Deus do vinho; Conhecido como Dioniso na mitologia grega; Deus da alegria e da folia. No Concílio dos Deuses, revela-se inimigo dos Portugueses, tentando impedir que os nautas lusos cheguem à Índia, armando-lhes ciladas e causando uma terrível tempestade. Vénus: Deusa do amor; Conhecida como Afrodite na mitologia grega; Manifesta-se a favor dos Portugueses, intercedendo em sua defesa no Concílio dos Zeuses e ajudando os nautas na sua viagem à Índia. Marte: Deus da guerra; Conhecido como Ares na mitologia grega; Deus da violência e da carnificina. No Concílio dos Deuses, toma o partido dos Portugueses. OS VÁRIOS DEUSES EM OS LUSÍADAS Neptuno: Deus do mar;Conhecido como Poseídon na mitologia grega; não gosta que os homens tenham a ousadia de atravessar o seu domínio; por vezes, convoca o deus Éolo e, juntos, provocam terríveis tempestades no mar. Éolo: Deus dos ventos. Dele dependem os quatro ventos: Bóreas/Aquilão (vento norte), Euro/Vulturno (vento leste), Noto/Austro (vento sul) e Zéfiro/Favónio (vento oeste). Apolo: Deus do sol, da música, da poesia e da luz. Deuses Mensageiros: Mercúrio – Deus do comércio e Tritão – filho de Neptuno. AS MUSAS E AS NINFAS As musas são nove divindades, filhas de Zeus e de Mnemósine (Memória). Além de entoarem hinos para deleite dos deuses, presidem a todas as formas de sabedoria: dança, poesia, música, história, matemática, astronomia, tragédia e comédia. Ao longo d’Os Lusíadas, Luís de Camões pede inspiração a Calíope (musa da poesia épica). AS MUSAS E AS NINFAS As ninfas são divindades femininas que personificam o espírito da natureza. Habitam os bosques, o campo ou as águas. N’Os Lusíadas surgem, na Invocação, as Tágides (ninfas do rio Tejo) e, no episódio do Adamastor, Tétis, uma ninfa marinha. Já no episódio da Ilha dos Amores, aparecem as ninfas dos bosques e a ninfa que acompanha Vasco da Gama, Tétis. Quando os Deuses no Olimpo luminoso, Onde o governo está da humana gente, Se ajuntam em concílio glorioso Sobre as cousas futuras do Oriente. Pisando o cristalino Céu formoso, Vêm pela Via-Láctea juntamente, Convocados da parte do Tonante, Pelo neto gentil do velho Atlante. CONSÍLIO DOS DEUSES NO OLIMPO BACO Que era contra o sucesso dos portugueses MARTE Que defendia o sucesso do povo lusitano VENUS Que se encontrava a favor do sucesso dos portugueses JUPTER Que demonstrava boa vontade no sucesso lusitano CONSÍLIO DOS DEUSES MARINHOS Convocado por Neptuno, que tinha sido convencido por Baco a fazê-lo. Devido ao discurso de Baco, os deuses marinhos decidem tentar afundar a armada portuguesa antes de esta chegar ao Oriente. E vós, Deuses do mar, que não sofreis Injúria algũa em vosso reino grande, Que com castigo igual vos não vingueis De quem quer que por ele corra e ande: Que descuido foi este em que viveis? Quem pode ser que tanto vos abrande Os peitos, com razão endurecidos Contra os humanos fracos e atrevidos? Vistes que, com grandíssima ousadia, Foram já cometer o Céu supremo; Vistes aquela insana fantasia De tentarem o mar com vela e remo; Vistes, e ainda vemos cada dia, Soberbas e insolências tais, que temo Que do mar e do Céu em poucos anos Venham Deuses a ser, e nós, humanos. Vedes agora a fraca gèração Que dum vassalo meu o nome toma, Com soberbo e altivo coração, A vós e a mi e o mundo todo doma. Vedes, o vosso mar cortando vão, Mais do que fez a gente alta de Roma; Vedes, o vosso reino devassando, Os vossos estatutos vão quebrando. (VI, 28, 29, 30) A TEMPESTADE Tão temerosa vinha e carregada, Que pôs nos corações um grande medo; Bramindo, o negro mar de longe brada, Como se desse em vão nalgum rochedo. "Ó Potestade (disse) sublimada: Que ameaço divino ou que segredo Este clima e este mar nos apresenta, Que mor cousa parece que tormenta?" A TEMPESTADE Começa como consequência do concílio dos deuses marinhos, causada por Eolo. É um episódio importante porque mistura o plano da viagem com o plano mitológico. Termina com Vénus ordinando as ninfas que seduzissem os ventos. A TEMPESTADE Camões terá aproveitado a sua própria experiência de viajante e naufragou para descrever de uma forma bastante realista a tempestade. Na impossibilidade de fazer o que quer que fosse Vasco da Gama pede ajuda a Deus. Vénus desce ao mar e manda as Ninfas embelezarem-se. Estas, seduzindo os ventos, conseguiram acalmar a tempestade. Quando a tempestade termina, os portugueses avistam a Índia. Vasco da Gama, de joelhos, agradece a Deus a ajuda prestada. O GIGANTE ADAMASTOR Tão grande era de membros, que bem posso Certificar-te que este era o segundo De Rodes estranhíssimo Colosso, Que um dos sete milagres foi do mundo. Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso, Que pareceu sair do mar profundo. Arrepiam-se as carnes e o cabelo, A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo! O GIGANTE ADAMASTOR Começa com o aparecimento de uma nuvem negra,e uma voz ao longe que se revela como o Adamastor. É um episódio importante pois concentram-se grandes linhas da epopeia nele. No plano histórico, simboliza a superação pelos portugueses do medo do “Mar Tenebroso”, das superstições medievais que povoavam o Atlântico e o Índico de monstros e abismos. Adamastor é uma visão, um espectro, uma alucinação que existe só nas crendices dos portugueses. É contra seus próprios medos que os navegadores triunfam. O GIGANTE ADAMASTOR No plano lírico é um dos pontos altos do poema, retomando dois temas constantes da lírica camoniana: o do amor impossível e o do amante rejeitado. Adamastor, um dos gigantes filhos da Terra, apaixonou-se pela nereida Tétis. Não correspondido, tenta tomá-la à força, provocando a cólera de Júpiter, que o transforma no Cabo das Tormentas, personificado numa figura monstruosa, lançada nos confins do Atlântico. ILHA DOS AMORES Oh, que famintos beijos na floresta, E que mimoso choro que soava! Que afagos tão suaves! Que ira honesta, Que em risinhos alegres se tornava! O que mais passam na manhã e na sesta, Que Vénus com prazeres inflamava, Milhor é exprimentá-lo que julgá-lo; Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo.ILHA DOS AMORES Vénus, deusa do Amor e da Beleza, é assim a deusa que se identifica com estes heróis e os vai salvando dos perigos, cria a "Ilha dos Amores", auxiliada por Cupido, seu filho, recompensando os portugueses pelo seu esforço, bravura, persistência e dedicação na tarefa da superação da humanidade. ILHA DOS AMORES Na ilha "fresca e bela" encontram-se ninfas à espera, tendo os marinheiros a oportunidade de se deleitar com elas que os acolhem, depois de jogos de sedução, dividem-se entre o prazer sexual e o Amor. É aliás este Amor que existe entre Vénus e os Portugueses. E, por isso, dá-se, nesta Ilha, um "casamento”, a união entre os descendentes de Luso e Vénus onde "Se prometem eterna companhia, em vida e morte, de honra e alegria.". Deste modo, Vénus reconhece os Portugueses como um povo nobre e concede-lhes como que um estatuto semidivino e eterna proteção. ILHA DOS AMORES Na Ilha dos Amores, temos a glorificação do peito ilustre lusitano , a vitória da inteligência e do génio humano e ainda a embriaguez dos vários sentidos. A Ilha é também a manifestação da Beleza de um mundo ideal, onde todos os que merecem são compensados pelo seu esforço, onde o Amor corre livre e não é alvo de censuras, um mundo onde, lado a lado, se conjuga o terreno e o divino, o carnal e o espiritual. Ela é o restabelecimento da Harmonia, de modo que a consagração e a transfiguração mítica dos heróis apontam para a recolocação do Amor como centro da Harmonia e do Mundo. . CONCLUSÃO A influência dos termos mitológicos na obra literária “Os Lusíadas”, foi extremamente importante ao corpo da epopeia que mantinha laços com o clacissismo. As ações dos deuses dentro da trama protegeu o enredo de forma a visualizar nos personagens o que mais contribuiu para a intertextualidade. Foi a magia que garantiu o tempo certo para capacitar as alegorias dentro da obra dando ênfase aos contingentes históricos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAMÕES, Luís de, 1525?-1580. Os lusíadas. Ed. Comentada. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1980. BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. 14º ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. 17º ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitologia_greco-romana http://www.historiadomundo.com.br/artigos/deuses-gregos-romanos.htm http://mitologiagrecoromanapt12.blogspot.pt/p/genealogia-dos-deuses-gregos-e-romanos.html