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Antônia dos Santos Ferreira mora em Lagoa da Cruz, distante duas léguas de Aracatiaçu, Sobral – Ce.Ementrevista, ela conta um pouco sobre seus brinquedos e sobre a emoção que tinha quando criança ao brincar com estes. “Eu brincava em casa, com os bonequinhos de sabugo, e me divertia bastante. Naquela época eu não tinha condições de comprar uma boneca, adorávamos as bonecas de sabugo e as de pano. Com nossos brinquedos, formávamos uma família. Tinha o pai, a mãe, os filhos. Fazíamos casas debaixo de árvores.Tinham redes, as roupas e quando as peças sujavam, nós lavávamos, botávamos para secar. Queríamos bem. Era do mesmo jeito que as crianças de hoje. Era uma brincadeira inocente. Inocência que temos quando criança. Eu e meus irmãos ficávamos muito felizes. E não era só de sabugo de milho, nem só de pano nossas bonecas. MEMÓRIAS ESCOLA ASSIS BRASIL “A memória tem como um dos atributos permitir que o processo de identidade seja realizado entre iguais. A memória, portanto, não pode ser entendida como um relicário, mas sim, como lugar do imaginário e da reconstrução da nossa condição de seres históricos. Aguçando o interesse pelo o que foi, podemos construir a memória daquilo que será” ( Donatelli, 1996) PROJETO MEMÓRIAS: Resgatando histórias, afetos e cidadania 3,538 domingo, 11 de setembro de 2011 Boneca de Milho Boneca de Milho Minha casa era grande, a comunidade era ótima. Todos eram muito gentis e educados, uns com os outros. Na verdade todos se encontravam na praça da vila que na época era o mais bonito local de encontros da comunidade. Em dias de festas eu e minhas amigas brincávamos com nossas bonecas de pano, de espigas de milho, pés de lata, pernas de pau e outras brincadeiras. Em casa brincava com minha única boneca que fiz com espiga de milho. Nas brincadeiras a imaginação corria solta. Quando que alguém iria imaginar que num milharal se acharia uma boneca de espiga. Me acostumei a fazer minhas bonecas de espiga. Depois conheci as bonecas verdadeiras, quando eu olhava elas na loja, mas não via beleza nem brilho como àquelas que havia deixado em casa. Mesmo com pernas e braços não tinham tanta graça. As minhas bonecas de milho eram mais interessantes e mais bonitas, já que era eu mesmo que fazia, sabia passo a passo, detalhe por detalhe. Hoje aquela menina ficou na lembrança , e quando vejo milhos pulando em uma panela fervente, sei que as bonecas da infância agora viraram pipocas salgadinhas numa tarde de domingo. Rurhiely Rocha