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O Sistema Único de Saúde (SUS) 
 
 
O Sistema Único de Saúde (SUS) é constituído pelo conjunto das ações e 
de serviços de saúde sob gestão pública. Está organizado em redes 
regionalizadas e hierarquizadas e atua em todo o território nacional, com 
direção única em cada esfera de governo. O SUS não é, porém, uma estrutura 
que atua isolada na promoção dos direitos básicos de cidadania. Insere-se no 
contexto das políticas públicas de seguridade social, que abrangem, além da 
Saúde, a Previdência e a Assistência Social. 
 
 1. Responsabilidade das três esferas de governo 
 
A Constituição brasileira estabelece que a saúde é um dever do Estado. 
Aqui, deve-se entender Estado não apenas como o governo federal, mas como 
Poder Público, abrangendo a União, os estados, o Distrito Federal e os 
municípios. 
A Lei n. 8.080/90 (BRASIL, 1990) determina, em seu artigo 9º, que a 
direção do SUS deve ser única, de acordo com o inciso I do artigo 198 da 
Constituição Federal, sendo exercida, em cada esfera de governo, pelos 
seguintes órgãos: 
I \u2013 no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde; 
II \u2013 no âmbito dos estados e do Distrito Federal, pela respectiva Secretaria de 
Saúde ou órgão equivalente; e 
III \u2013 no âmbito dos municípios, pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão 
equivalente. 
 
2. Arcabouço legal do SUS 
 
2.1 Constituição Federal de 1988 
Em 1988, concluiu-se o processo constituinte e foi promulgada a oitava 
Constituição do Brasil. A chamada \u201cConstituição Cidadã\u201d foi um marco 
fundamental na redefinição das prioridades da política do Estado na área da 
saúde pública. 
A Constituição Federal de 1988 define o conceito de saúde, incorporando 
novas dimensões. Para se ter saúde, é preciso ter acesso a um conjunto de 
fatores, como alimentação, moradia, emprego, lazer, educação etc. 
O artigo 196 cita que \u201ca saúde é direito de todos e dever do Estado, 
garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco 
de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e 
serviços para sua promoção, proteção e recuperação\u201d. Com este artigo fica 
definida a universalidade da cobertura do Sistema Único de Saúde. 
O SUS faz parte das ações definidas na Constituição como sendo de 
\u201crelevância pública\u201d, sendo atribuído ao poder público a sua regulamentação, a 
fiscalização e o controle das ações e dos serviços de saúde. 
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Conforme a Constituição Federal de 1988, o SUS é definido pelo artigo 
198 do seguinte modo: 
As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede 
regionalizada e hierarquizada, e constituem um sistema único, 
organizado de acordo com as seguintes diretrizes: 
I. Descentralização, com direção única em cada esfera de governo; 
II. Atendimento integral, com prioridade para as atividades 
preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; 
III. Participação da comunidade. 
Parágrafo único \u2013 O Sistema Único de Saúde será financiado, com 
recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes. 
O texto constitucional demonstra claramente que a concepção do SUS 
estava baseada na formulação de um modelo de saúde voltado para as 
necessidades da população, procurando resgatar o compromisso do Estado 
para com o bem-estar social, especialmente no que refere à saúde coletiva, 
consolidando-o como um dos direitos da cidadania. 
Ao longo do ano de 1989, procederam-se negociações para a 
promulgação da lei complementar que daria bases operacionais à reforma e 
iniciaria a construção do SUS. 
 
2. 2 Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990 \u2013 orgânica da saúde 
A Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990, dispõe sobre as condições 
para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o 
funcionamento dos serviços correspondentes. Esta Lei regula em todo o 
território nacional as ações e os serviços de saúde, executados isolada ou 
conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, por pessoas naturais ou 
jurídicas de direito público ou privado (BRASIL, 1990). 
A Lei n. 8.080/90 institui o Sistema Único de Saúde, constituído pelo 
conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições 
públicas federais, estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e 
das fundações mantidas pelo Poder Público. A iniciativa privada poderá 
participar do Sistema Único de Saúde em caráter complementar. 
As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados 
ou conveniados que integram o SUS são desenvolvidos de acordo com as 
diretrizes previstas no artigo 198 da Constituição Federal de 1988, obedecendo 
ainda a princípios organizativos e doutrinários, tais como: 
\uf0d8 Universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de 
assistência; 
\uf0d8 Integralidade de assistência, com prioridade para as atividades 
preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; 
\uf0d8 Eqüidade; 
\uf0d8 Descentralização político-administrativa com direção única em cada 
esfera de governo; 
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\uf0d8 Conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e \ufffdumanos 
da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios na prestação 
de serviços de Assistência à Saúde da população; 
\uf0d8 Participação da comunidade; e 
\uf0d8 Regionalização e hierarquização. 
a) da organização, da direção e da gestão do SUS; 
b) da definição das competências e das atribuições das três esferas de governo; 
c) do funcionamento e da participação complementar dos serviços privados de 
Assistência à Saúde; 
d) da política de recursos humanos; e 
e) dos recursos financeiros, da gestão financeira, do planejamento e do 
orçamento. 
 
2. 3 LEI N. 8.142, DE 28 DE DEZEMBRO DE 1990 
 
A Lei n. 8.142, de 28 de dezembro de 1990, dispõe sobre a participação 
da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as 
transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área de saúde, 
entre outras providências. Esta instituiu as Conferências e os Conselhos de 
Saúde em cada esfera de governo (BRASIL, 1990). 
O SUS conta em cada esfera de governo com as seguintes instâncias 
colegiadas de participação da sociedade: (i) a Conferência de Saúde; e (ii) o 
Conselho de Saúde. 
Nos últimos 60 anos (1941-2003), foram realizadas 12 Conferências 
Nacionais de Saúde \u2013 CNS em contextos políticos diversos e cujas 
características em termos de composição, temário e deliberações foram muito 
diferentes entre si. 
Na Lei n. 8.142/90, ficou estabelecido que a Conferência Nacional de 
Saúde \u2013 CNS fosse realizada a cada quatro anos, \u201ccom a representação dos 
vários segmentos sociais, para avaliar a situação de saúde e propor diretrizes 
para a formulação de políticas de saúde nos níveis correspondentes, 
convocadas pelo Poder Executivo ou, extraordinariamente, por este ou pelo 
Conselho de Saúde\u201d. 
Essas Conferências se realizam em um processo ascendente, desde 
Conferências Municipais de Saúde, passando por uma Conferência Estadual de 
Saúde em cada estado e culminando em uma Conferência Nacional de Saúde. 
Os Conselhos de Saúde buscam participar da discussão das políticas de 
Saúde tendo uma atuação independente do governo, embora façam parte de 
sua estrutura, e onde se manifestam os interesses dos diferentes segmentos 
sociais, possibilitando a negociação de propostas e o direcionamento de 
recursos para diferentes prioridades. 
Em seu parágrafo 2º, a Lei n. 8.142/90 define: \u201cO Conselho de Saúde, em 
caráter permanente e deliberativo, órgão colegiado composto por 
representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e 
usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da execução da 
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política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos 
econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo