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Transição Epidemiológica e Demográfica no Brasil

Aula 12 (teoria e questões comentadas) sobre transição epidemiológica e demográfica: definição do conceito, processo no Brasil (substituição de doenças transmissíveis por crônico‑degenerativas), fatores como transição demográfica e nutricional, e uma questão comentada com gabarito.

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Epidemiologia, Saúde Pública e SUS 
(TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS) 
12ª AULA – TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA E DEMOGRÁFICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Natalia Pereira da Silva - 015.973.511-48
NOVO Curso Completo de Legislação Aplicada à EBSERH 
 
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Transição Epidemiológica e Demográfica 
 
 
 
 
 
 
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Gabarito: 1 - D / 2 - B / 3 - A / 4 - D / 5 - C / 6 - D / 7 - E / 8 - F, V, F 
 
 
 
 
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Transição Epidemiológica e Demográfica 
 
1. (FESF-BA/2010/AOCP) O Brasil, seguindo tendência mundial, tem passado pelos processos 
de transição demográfica, epidemiológica e nutricional desde a década de 60. Em relação às 
alterações ocorridas no perfil de morbimortalidade da população brasileira nas últimas décadas, 
analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas. 
I. As doenças cardiovasculares constituem-se em uma das principais causas de mortalidade da 
população brasileira, ficando abaixo apenas das mortes por causas externas. 
II. Com as epidemias de Dengue, gripe A e o recrudescimento da Tuberculose, as doenças 
infectocontagiosas passaram a representar uma importante causa de mortalidade, sendo inferior 
apenas às doenças cardiovasculares. 
III. As doenças do aparelho circulatório e respiratório são as principais causas de internações entre 
os idosos. 
IV. Entre as mulheres mais jovens, predominaram as internações por doenças do aparelho 
geniturinário, gravidez, parto e puerpério. 
V. As doenças infecciosas e parasitárias representavam, em 1930, a principal causa de óbitos e no 
início do ano 2000 passaram a representar apenas 5% dos óbitos. 
a) I, II, III, IV e V 
b) Apenas I e III. 
c) Apenas II e IV. 
d) Apenas III, IV e V. 
e) Apenas II e III. 
COMENTÁRIOS: 
Entende-se por TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA as mudanças ocorridas no tempo nos 
padrões de morte, morbidade e invalidez que caracterizam uma população específica e que, em 
geral, ocorrem em conjunto com outras transformações demográficas, sociais e econômicas 
(Omram, 2001; Santos-Preciado et al., 2003). 
 
 
 
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O processo de Transição Epidemiológica no Brasil engloba três mudanças básicas
1
: 
 
As transformações sociais e econômicas ocorridas no Brasil durante o século passado 
provocaram mudanças importantes no perfil de ocorrência das doenças de nossa população. 
Na primeira metade do século 20, as doenças infecciosas transmissíveis eram as mais 
frequentes causas de mortes. A partir dos anos 60, as doenças e agravos não transmissíveis 
(doenças do aparelho circulatório, neoplasias, diabetes e outras) tomaram esse papel. 
Entre os fatores que contribuíram para essa transição epidemiológica estão
2
: 
 O processo de transição demográfica, com queda nas taxas de fecundidade e 
natalidade e um progressivo aumento na proporção de idosos, favorecendo o 
aumento das doenças crônico-degenerativas (doenças cardiovasculares, câncer, 
diabetes, doenças respiratórias). 
 A transição nutricional, com diminuição expressiva da desnutrição e aumento do 
número de pessoas com excesso de peso (sobrepeso e obesidade). 
Somam-se a isso o aumento dos traumas decorrentes das causas externas (violências, 
acidentes e envenenamentos, etc.). 
 
 
 
 
 
 
1
 Schramm, disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232004000400011&script=sci_arttext 
2
 Ministério da Saúde, disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=25341 
• Substituição das doenças transmissíveis por doenças não-
transmissíveis (doenças do aparelho circulatório, 
neoplasias, diabetes e outras) e causas 
externas (acidentes e violências); 
I 
• Deslocamento da carga de morbimortalidade dos grupos 
mais jovens aos grupos mais idosos; e II 
• Transformação de uma situação em que predominava a 
mortalidade para outra na qual a morbidade é dominante. III 
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Em resumo, as doenças infecciosas respondiam por cerca de 46% das mortes em capitais 
brasileiras, em 1930. A partir de então, verificou-se a redução progressiva, sendo que em 2003 
essas doenças responderam apenas por cerca de 5% (Barbosa, 2003). Por outro lado, as doenças 
cardiovasculares, que representavam apenas 12% na década de 30, são, atualmente, as 
principais causas de morte em todas as regiões brasileiras, respondendo por quase um terço 
dos óbitos. Em segundo lugar, seguem-se os cânceres e, em terceiro, as mortes ocasionadas 
por causas externas (acidentes e violência)3. 
Meus amigos, vamos aos itens errados. 
Item I. As doenças circulatórias são as principais causas de morte no Brasil
4
.
 
Em segundo 
lugar, seguem-se os cânceres. As causas externas representam a terceira causa mais frequente de 
morte
5
. 
Item II. As doenças infecciosas e parasitárias passaram a representar apenas 5% dos óbitos, a 
partir do ano 2000. 
O gabarito da questão é a letra D, pois apenas os dois primeiros itens estão errados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3
 Ministério da Saúde 
4
 Mansur et al. 
5
 Ministério da Saúde 
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2. (FESF-BA/2010/AOCP) Com relação à transição epidemiológica e demográfica no Brasil, 
analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s). 
I. No Brasil, a transição epidemiológica não tem ocorrido de acordo com o modelo experimentado 
pela maioria dos países em desenvolvimento. Velhos e novos problemas em saúde coexistem, com 
predominância das doenças crônico-degenerativas, embora as doenças transmissíveis ainda 
desempenhem um papel importante. 
II. A transição demográfica está classificada em quatro estágios. Pode-se afirmar que o Brasil se 
encontra, atualmente, no estágio III (fecundidade decrescente, mortalidade decrescente, esperança 
de vida crescente e população crescente). 
III. O processo de transição epidemiológica engloba três mudanças básicas: substituição dasdoenças transmissíveis por doenças não transmissíveis e causas externas; deslocamento da carga 
de morbimortalidade dos grupos mais idosos aos grupos mais jovens. 
IV. Entende-se por transição epidemiológica as mudanças ocorridas no tempo, nos padrões de 
morte, morbidade e invalidez que caracterizam uma população específica e que, em geral, ocorrem 
em conjunto com outras transformações demográficas, sociais e econômicas. 
a) Apenas II e V. 
b) Apenas I, II e IV. 
c) Apenas III. 
d) Apenas III e V. 
e) Apenas I e II. 
COMENTÁRIOS: 
Vejamos cada item da questão: 
Item I. Correto. No Brasil, velhos e novos problemas em saúde coexistem, com 
predominância das doenças crônico-degenerativas, embora as doenças transmissíveis ainda 
desempenhem um papel importante. Isso significa dizer que o Brasil aumentou consideravelmente 
a predominância de doenças crônico-degenerativas, mas não conseguiu superar de forma adequada 
a ocorrência das doenças transmissíveis, a exemplo da tuberculose, que ainda é um problema 
relevante. 
 
 
 
 
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Transição Epidemiológica no Brasil: 
 
Não confunda! 
Nos países desenvolvidos, a transição epidemiológica caracteriza-se 
pele predominância das doenças crônico-degenerativas e REDUÇÃO 
DRÁSTICA das doenças infecciosas e parasitárias. 
No Brasil, a transição epidemiológica caracteriza-se pele 
predominância das doenças crônico-degenerativas e MANUTENÇÃO de 
muitas doenças infecciosas e parasitárias. 
 
Item II. Correto. A transição demográfica está classificada em quatro estágios. Pode-se 
afirmar que o Brasil se encontra, atualmente, no estágio III (fecundidade decrescente, mortalidade 
decrescente, esperança de vida crescente e população crescente). 
 
 Cuidado para não confundir a transição epidemiológica com transição 
demográfica. São termos complementares e interdependentes, mas 
apresentam algumas particularidades. 
 
Em relação à Transição Epidemiológica, o Brasil pode ser caracterizado como um 
mosaico epidemiológico. Vejamos: 
A diversidade de doenças e problemas de saúde que compõem o atual cenário 
epidemiológico brasileiro, no extenso território do país, é complexa e envolve diversos fatores. De 
um lado, existem doenças que de longa data impingem carga significativa de incapacidades, 
hospitalizações e mortes como a esquistossomose e o tétano acidental. Além destas importantes 
Aumentou consideravelmente 
a predominância de doenças 
crônico-degenerativas 
(hipertensão, diabetes melitus 
etc.). 
Não conseguiu superar de forma 
adequada a ocorrência das doenças 
transmissíveis, a exemplo da 
tuberculose. 
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endemias, é crescente a situação das violências
6
 (causas externas), problemas que assumiram 
papel de destaque na morbimortalidade brasileira
7
. Outro grande problema são as doenças 
crônico-degenerativas, a exemplo das doenças cardiovasculares. 
Em relação às características da nossa transição epidemiológica, destaca-se a especificidade 
do processo de mudança da situação demográfica e epidemiológica da população brasileira, na 
qual não se observa uma transição "típica", mas sim uma transição "atípica". Esta é decorrente não 
só da reemergência e "permanência" de doenças infecciosas e parasitárias, como também pela 
importância crescente das chamadas causas externas, expressão da violência social em suas mais 
diversas formas. Configura-se, assim, um "mosaico epidemiológico", extremamente complexo, em 
virtude da distribuição desigual dos riscos e agravos nos diversos grupos da população, 
desigualdade que se expressa nas diferenças observadas nas taxas e coeficientes das diversas 
regiões do país, ou nas diferenças observadas entre microrregiões do mesmo estado, ou nas 
diferenças encontradas entre zonas de informação da mesma cidade, revelando, em última 
instância, as diferenças marcantes nas condições de vida e trabalho dos diversos segmentos 
populacionais no País
8
. 
Em relação à Transição Demográfica, veja os comentários abaixo. 
Para o demógrafo Warren Thompson, a transição demográfica ocorre em 4 fases: 
- Fase 1 (ou pré-moderna): ocorre oscilação rápida da população, dependendo de eventos 
naturais (secas prolongadas, doenças, etc.). Há grande população jovem. 
- Fase 2 (ou moderna): taxas de mortalidade caem rapidamente devido à maior oferta de 
alimentos e de melhores condições sanitárias. Há aumento da sobrevida e redução de certas 
doenças. Ocorre aumento da taxa de nascimento e da população. 
- Fase 3 (ou industrial): urbanização, acesso a métodos contraceptivos, melhora da renda, 
redução da agricultura de subsistência, melhora da posição feminina na sociedade e queda da taxa 
de nascimentos. Há um número inicial grande de crianças, cuja proporção cai rapidamente porque 
ocorre aumento na proporção de jovens concentrados em cidades, com o decorrente aumento da 
violência juvenil. Tendência de estabilização da população. 
 
 
6
 As principais causas externas que provocam morbimortalidade são as seguintes: traumatismos, queimaduras, envenenamentos 
ocasionados nas pessoas, quaisquer tipos de acidentes, homicídios e suicídios. 
7
 O mosaico epidemiológico brasileiro 
8
 Transição epidemiológica, modelo de atenção à saúde e previdência social no Brasil. 
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- Fase 4 (ou pós-industrial): taxas baixas de natalidade e mortalidade. Taxas de 
fecundidade ficam abaixo da taxa de reposição populacional. Há aumento da proporção de idosos; 
encolhimento da população e necessidade de imigrantes para trabalhar nos empregos de mais 
baixo salário. 
Enquanto o modelo original de Transição Demográfica descrito por Warren Thompson 
apresenta só quatro fases, atualmente se aceita uma quinta fase, onde a mortalidade superará a 
natalidade, devido ao alto custo de se criar filhos (principalmente em países desenvolvidos), 
famílias optam por ter um número muito reduzido (entre 1 e nenhum) de filhos para manter o 
padrão de vida. 
Esse efeito é muito temido por analistas, e já está iniciado em países como a Alemanha ou 
Itália, pois com crescimento populacional negativo, a população terá, num futuro próximo, mais 
idosos do que jovens, o que pode acarretar num rombo para a previdência dos países na quinta 
fase. 
Agora, vamos entender um pouco mais sobre a Transição Demográfica no Brasil: 
Do primeiro censo demográfico (1872) ao mais recente (2000), ocorreu alteração radical nos 
indicadores de mortalidade e natalidade no Brasil. Como ocorre nas sociedades à medida que elas 
se desenvolvem, as taxas de mortalidade começaram a cair bem antes das de natalidade, mais 
exatamente por volta de 1950, chegando ao patamar de 7 por mil habitantes (em 2000) - número 
que deverá ser mantido por causa do aumento de idosos na população. 
Por outro lado, as taxas de natalidade seguiram elevadas até a década de 1960. No decênio de 
1970 começa o descenso dos nascimentos, o que se acentua a partir de 1990. Entre 1991 e 2003, as 
taxas revelam a continuidade do declínio de nascimentos e a estabilidade da taxa de mortalidade. 
Como consequência dessas alterações, num período de 20 anos ocorreu mudança substancial 
na distribuição etária da população brasileira: se, em 1980, a maior parte da população estava na 
faixa de 0 a 4 anos de idade, a partir de 2000 ela se concentrou na faixa de 15 a 19 anos. 
Em 2000, o Brasil vivia a Fase 3 da transiçãodemográfica. 
Pode-se afirmar que o Brasil se encontra, atualmente, no estágio III (fecundidade decrescente, 
mortalidade decrescente, esperança de vida crescente e população crescente). 
 
Natalia Pereira da Silva - 015.973.511-48
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Transição Demográfica no Brasil (estágio III): 
 
 
Item III. Incorreto. Há um deslocamento da carga de morbimortalidade 
(adoecimento e mortalidade) dos grupos mais jovens aos grupos mais idosos. Isto é, 
antigamente a taxa de mortalidade na população jovem era maior que na população idosa. 
Atualmente isso mudou, devido o aumento da expectativa de vida, melhores condições de vida e 
avanço da saúde. 
Portanto, é incorreto afirmar que há deslocamento da carga de morbimortalidade dos 
grupos mais idosos aos grupos mais jovens. Na realidade, ocorre o contrário. 
Item IV. Correto. Entende-se por transição epidemiológica as mudanças ocorridas no tempo, 
nos padrões de morte, morbidade e invalidez que caracterizam uma população específica e que, 
em geral, ocorrem em conjunto com outras transformações demográficas, sociais e econômicas. 
O gabarito da questão, portanto, é a letra B. 
 
3. (SENADO/CESPE/2002) A transição epidemiológica caracteriza-se por um aumento na 
mortalidade causada por doenças neoplásicas e degenerativas crônicas com períodos de indução 
prolongados. Simultaneamente, há queda na mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias, 
agravos agudos de períodos de incubação curtos. 
COMENTÁRIOS: 
Meus amigos, a questão encontra-se em conformidade com os comentários anteriores. Por 
isso, está correta. 
 
(Ministério da Saúde/CESPE/2009) As condições de saúde de uma população são determinadas 
por fatores de diferentes naturezas, como os biológicos, ambientais e socioeconômicos. 
Considerando os fatores determinantes e condicionantes da saúde da população brasileira, julgue 
os itens seguintes. 
fecundidade 
decrescente 
mortalidade 
decrescente 
esperança de 
vida crescente 
população 
crescente 
Natalia Pereira da Silva - 015.973.511-48
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Questão 4. O processo rápido e intenso de urbanização da população brasileira, nos últimos 
quarenta anos, trouxe novos riscos ambientais à saúde, entre eles o de doenças infecciosas como a 
dengue. 
COMENTÁRIOS: 
A transição epidemiológica no Brasil é marcada também pela reintrodução de doenças 
como dengue e cólera ou o recrudescimento (agravamento, retomada) de outras como a malária, 
hanseníase e leishmanioses
9
. Logo, a questão encontra-se correta. 
 
 
 
 
============= 
Essa aula foi bem tranquila. 
Até nosso próximo encontro! 
Rômulo Passos 
 
 
9
 Schramm 
Natalia Pereira da Silva - 015.973.511-48

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