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Prévia do material em texto

Autor:Bruno do Nascimento Teixeira MED UEPA 
 Exame físico do tórax 
O exame físico do tórax inclui as quatro técnicas clássicas: inspeção (estática e dinâmica), 
palpação, percussão e ausculta. Um lado sempre deve ser comparado com outro. 
 
Linhas e regiões torácicas 
A superfície do tórax é dividida por linhas em regiões. As alterações devem ser descritas com a 
maior precisão anatômica possível, referindo sempre à região do tórax em que são 
observadas. 
 
 Linhas e regiões da face anterior do tórax 
As principais linhas verticais são a linha média ou médioesternal, que passa no meio do 
esterno, dividindo o tórax em hemitorax direito e hemitorax esquerdo. Linha paraesternal, que 
passa pela borda do esterno, de um lado e de outro. Linha hemiclavicular, que passa pelo meio 
da clavícula e, geralmente, passa pelo mamilo. 
 
Quanto às linhas horizontais, a primeira é traçada, a partir da terceira articulação 
condroesternal (3ª costela). A segunda linha é traçada, a partir da sexta articulação 
condroesternal e se prolonga pela lateral do tórax (6ª costela). 
 
Em relação às regiões, tem-se a região esternal corresponde à superfície do esterno, podendo 
ser dividida em superior e inferior pela linha da 3ª costela. 
(médioesternal) 
Cada região infraclavicular (direita e esquerda) é limitada superiormente pela clavícula, 
inferiormente pela 3ª costela, lateralmente pela borda anterior do músculo deltoide e 
medialmente pela linha paraesternal. 
A região mamária (direita e esquerda) é limitada superiormente pela linha da 3ª costela, 
inferiormente pela 6ª costela, lateralmente pela linha axilar anterior e medialmente pela linha 
paraesternal. 
A região inframamária ou hipocondríaca (esquerda e direita) é limitada superiormente 
pela linha da 6ª costela, inferomedialmente pelo rebordo costal e lateralmente pela 
linha axilar anterior. 
 
 Linhas e regiões da face lateral do tórax 
As linhas verticais compreendem a axilar anterior, traçada para baixo, a partir da prega axilar 
anterior, a linha axilar posterior, traçada a partir da prega axilar posterior, e a linha axilar 
média, que se inicia no côncavo axilar, e situa-se entre as linhas axilares anterior e posterior. 
 
A única linha horizontal é o prolongamento da linha traçada a partir da sexta articulação 
condroesternal (6ªcostela), e também é utilizada para dividir a parede lateral do tórax nas 
regiões axilar e infra-axilar. A região axilar (direita e esquerda) é limitada pelo côncavo axilar, 
pela linha axilar anterior, pela linha axilar posterior e pela linha da sexta articulação 
condroesternal. A região infra-axilar (direita e esquerda) é limitada pela linha da sexta 
articulação condroesternal, pela linha axilar anterior, pela linha axilar posterior e pelo rebordo 
costal. 
Região esternal superior 
Região esternal inferior 
 
 
 Linhas e regiões da face posterior do tórax 
Na face posterior do tórax identificam-se a linha vertebral (espondiléia), que passa sobre os 
processos espinhosos das vértebras torácicas, a linha paravertebral ou paraespondiléia, que 
passa pela borda da coluna vertebral em cada lado, a linha escapular que é traçada ao longo 
da borda interna da escápula e a linha ângulo-escapular que passa através do ângulo inferior 
da escapula na posição anatômica. 
 
 
Nas linhas horizontais, a primeira passa pela borda superior de escápula, e a segunda, pela 
borda inferior de escápula. 
 
 
A região supraescapular é limitada medialmente pela linha vertebral, superolateralmente pela 
borda superior do músculo trapézio e inferiormente pela linha escapular superior. As regiões 
supraespinal e infraespinal correspondem, respectivamente, à projeção da escápula 
superiormente e inferiormente à sua espinha. A região interescapulovertebral é limitada 
medialmente pela linha vertebral, superiormente pela linha escapular superior, lateralmente 
pela borda medial da escápula e inferiormente pela linha escapular inferior. A região 
6ª costela 
 
 
 
 
 
Linha vertebral 
Linha da borda superior da escápula (Linha escapular superior) 
Linha da borda inferior da escápula (Linha escapular inferior) 
infraescapular é limitada superiormente pela linha escapular inferior, medialmente pela linha 
vertebral, lateralmente pela linha axilar posterior e inferiormente pela borda inferior do tórax. 
 
 
 
 
 
 
Pontos de referência anatômicos 
 Ângulo de Charpy 
O ângulo de Charpy é o ângulo formado pelo rebordo costal direito, apêndice xifóide e o 
rebordo costal esquerdo. 
 
 
 Ângulo de Louis 
O ângulo de Louis localiza-se na junção do manúbrio com o corpo do esterno, identifica o 2º 
espaço intercostal e corresponde a bifurcação da traqueia e ao arco da aorta. 
 
Obs:Destacam -se dois pontos para procedimentos invasivos em relação às linhas torácicas verticais: a 
linha hemiclavicular no segundo espaço intercostal para descompressão de pneumotórax hipertensivo 
com agulha, e a linha escapular imediatamente inferior ao ângulo da escápula para toracocentese, 
pois, na posição anatômica, corresponde à sétima costela ou ao sétimo espaço intercostal. 
 
 
Face posterior: 1-Região subescapular; 2-Região 
supraespinhosa; 3-Região infraespinhosa; 4-Região 
interescapulo vertebral; 5-Região infraescapular 
 
1-Inspeção 
a. Inspeção estática 
Antes do início do exame, apresentar-se, explicar os procedimentos antes de realiza-los e 
também não se esquecer de lavar as mãos. Com o paciente em pé, despido até a cintura, de 
frente para a luz, de preferência com iluminação natural, o médico deverá observar as regiões 
do tórax, porém deve permanecer parado, enquanto o paciente é solicitado a girar 
vagarosamente, possibilitando o exame das regiões anterior, posterior e laterais do tórax. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A inspeção estática consiste na observação do tórax sem considerar os movimentos 
respiratórios, nela deve-se observar e caracterizar: 
 
 Biotipo de torax 
Deve-se caracterizar a morfologia do tórax de acordo com o biótipo em normolíneo, 
brevelíneo e longelíneo. Essa classificação é devido à abertura do ângulo de charppy. 
NORMOLÍNEO - angulação costal de aproximadamente 90º. 
LONGELÍNEO - angulação costal inferior a 90º. 
BREVELÍNEO - angulação costal superior a 90º. 
 
 
 Forma ou tipo de tórax 
-Tórax atípico:Tórax normal, não patológico. No tórax normal, no geral, o diâmetro látero-
lateral é maior que o diâmetro anteroposterior. 
 
 
 
-Tórax enfisematoso/inspiratório/tonel/ barril/globoso: Entre as patologias torácicas, o tórax 
globoso destaca-se como a mais comum. Essa anomalia, em que ocorre aumento do diâmetro 
ântero-posterior, decorre, em geral da hiperinsuflação pulmonar que acompanha algumas 
patologias por causa do aumento da resistência ao fluxo aéreo e/ou da perda da retração 
elástica pulmonar. 
 
 
-Torax chato/expiratório/paralítico/tísico: Sua característica fundamental é o reduzido 
diâmetro anteroposterior. Além do achatamento, neste tipo de tórax as escápulas sobressaem 
claramente no relevo torácico. 
 
 
-Tórax infundibiliforme/escavado/de sapateiro: Nesse tipo, há deslocamento do esterno para 
trás, de tal maneira que os arcos costais anteriores se projetam mais anteriormente do que o 
esterno. 
 
 
-Tórax cariniforme/peito de pombo: É a deformidade que decorre do deslocamento do esterno 
para a frente. O raquitismo infantil é a principal causa desse tipo de tórax. 
 
 
 
-Tórax cifótico: É decorrente do encurvamento posterior da coluna torácica, seja por defeito 
de postura ou por lesão de vértebras torácicas, apresentando uma gibosidade (tuberculose, 
osteomielite, neoplasias ou anormalidades congênitas). 
 
 
-Torax escoliótico:O tórax torna-se assimétrico em consequênciado desvio lateral do 
segmento torácico da coluna vertebral. A causa mais comum é anomalia congênita. 
 
 
-Torax cifoescoliótico: É decorrente de anormalidade das curvaturas da coluna torácica que 
podem ser predominantemente laterais (escoliose) posteriores (cifose) ou combinadas 
(cifoescoliose). 
 
 
-Torax em sino ou piriforme: É aquele que tem sua parte inferior exageradamente alargada, 
lembrando um tronco de cone ou um sino. É encontrado nas hepatoesplenomegalias e ascites 
volumosas. 
 
 
-Torax instável: Quando várias costelas são fraturadas, observa-se movimentos paradoxais, 
assim, na inspiração a área desloca-se para dentro; na expiração, para fora. 
 
 Abaulamentos, retrações e tumorações 
Os abaulamentos e retrações podem ser encontrados em qualquer região do tórax e indicam 
alguma lesão que aumentou ou reduziu uma das estruturas da parede ou de órgãos 
intratorácicos. Exemplos como aneurisma de aorta, que causa abaulamento pulsátil na parte 
anteroposterior do tórax; derrame pleural, que gera abaulamento na base do hemitórax 
correspondente; atelectasias ou lesões fibróticas de um pulmão ou de um lobo podem causar 
retrações no hemitórax correspondente. 
 
 Pele, lesões elementares, cicatrizes, circulação venosa colateral e presença de 
atrofias musculares 
Na pele observam-se a coloração (se há cianose, palidez) e o grau de hidratação, bem como se 
há lesões elementares sólidas, correlacionando-as com as doenças pulmonares. Busca de 
cicatrizes, especialmente de toracotomia, drenagem torácica. 
O sistema muscular será examinado de maneira comparativa, a fim de que se possam 
surpreender alterações tróficas de certos grupos musculares. 
 
 Mamas, aréolas, mamilos 
As mamas devem ser comparadas quanto à simetria, ao volume, posição do mamilo e 
existência de nódulos. 
 
b. Inspeção dinâmica 
A inspeção dinâmica caracteriza-se pela avaliação do tórax quanto aos movimentos 
respiratórios, suas características e alterações. 
 
 Tipo respiratório 
Para o reconhecimento do tipo respiratório, observar a movimentação do tórax e do abdome, 
com o objetivo de reconhecer em que regiões os movimentos são mais amplos. Esta pode ser: 
-Torácico ou costal superior, quando predomina a movimentação da caixa torácica 
(geralmente em mulheres). 
-Abdominal ou diafragmático, quando há a predominância de movimento abdominal na 
respiração. 
-Costo-abdominal, quando a movimentação em mesma intensidade das partes superior 
(costal) e inferior (diafragmática) do tórax(geralmente em homens). 
A observação do tipo respiratório tem importância no diagnóstico da fadiga e da paralisia 
diafragmática. 
 
 Ritmo respiratório 
Para análise do ritmo respiratório, é necessário observar durante, no mínimo, 2 minutos a 
sequência, a forma e a amplitude dos movimentos respiratórios. No ritmo respiratório normal, 
os movimentos são regulares, e não existe pausa entre eles. Entre as anormalidades do ritmo 
respiratório, incluem-se: 
-Respiração dispneica/dispnéia:Caracteriza-se pela sucessão regular de movimentos 
respiratórios amplos. Surge na insuficiência cardíaca, enfisema pulmonar, atelectasia, 
pneumotórax, derrame pleural e anemias graves. 
 
 
-Ritmo de Cheynes-Stockes: Consiste na alternância de períodos de movimentos respiratórios 
e período de apneia, com periodicidade de 15 a 30 segundos. A amplitude dos movimentos 
respiratórios aumenta e diminui gradualmente (modelo crescente e decrescente). O ritmo de 
Cheyne-Stockes é observado na presença de insuficiência circulatória e em doenças vasculares 
cerebrais. 
 
 
-Ritmo de Kussmaul: É o ritmo em que os movimentos respiratórios são rápidos, profundos e 
regulares; ocorre na acidose metabólica. 
 
 
-Ritmo de Biot: No ritmo de Biot, os movimentos respiratórios são irregulares em frequência e 
amplitude, podendo haver períodos de apneia. Ocorre na presença de grave sofrimento 
cerebral. 
 
 
-Respiração suspirosa: Na respiração suspirosa, o paciente executa uma série de movimentos 
inspiratórios de amplitude crescente seguidos de expiração breve e rápida. Outras vezes, os 
movimentos respiratórios normais são interrompidos por "suspiros" isolados ou agrupados. 
Traduz tensão emocional e ansiedade. 
 
 
 Frequência respiratória 
Observação simples dos movimentos respiratórios e contagem do número de incursões 
respiratórias por minuto (IRPM). 
-Eupneia: respiração de ritmo, frequência e amplitude normais. Nos adultos admite-se de 12 a 
20 IRPM. 
-Taquipneia: frequência respiratória acima dos valores normais (respiração rápida e pouco 
profunda). 
-Bradipneia: frequência respiratória abaixo dos valores normais (respiração lenta). 
-Apneia: ausência de respiração 
 
 
 
 Amplitude respiratória e expansibilidade dos pulmões 
Observação dos movimentos respiratórios espontâneos. Se necessário, pede-se ampliação 
desses movimentos. Avaliar aumento ou diminuição da amplitude e observar a simetria dos 
movimentos de expansão e retração do tórax, pois assimetrias, diminuição da expansão global, 
retrações e ritmos respiratórios patológicos alteram a expansibilidade dos pulmões. 
 
 Tiragem 
Tiragem é a depressão inspiratória dos espaços intercostais e das regiões supraesternal e 
supraclaviculares que ocorre durante toda a inspiração. A tiragem indica a presença de alguma 
patologia que dificulta a expansão pulmonar. Tal fenômeno resulta do aumento da pressão 
negativa, na cavidade pleural, durante a fase inspiratória. A tiragem pode ser em um 
hemitórax, o que indica oclusão de um brônquio principal, ou por exsudato espesso, neoplasia 
ou corpo estranho; ou pode ser bilateral, que ocorre quando o obstáculo é acima da 
bifurcação traqueal como compressão traqueal por neoplasia mediastinal, ou nos 
estreitamentos generalizados dos bronquíolos como na asma brônquica. 
 
 
 Batimentos das asas do nariz 
Observar se há movimento das narinas abrindo e colabando durante esforço respiratório, 
principalmente de crianças, que sugere pneumonia grave. 
 
 
 
2. Palpação 
Além de complementar a inspeção, avaliando a mobilidade da caixa torácica, a palpação torna 
possível que lesões superficiais sejam mais bem examinadas quanto a sua forma, seu volume e 
sua consistência. A palpação é realizada com o paciente em pé. 
 
a. Temperatura e sensibilidade 
Com o dorso das mãos, verifica-se a temperatura cutânea, comparando-a com a do lado 
oposto. Uma diferença para mais pode denunciar comprometimento pleuropulmonar 
subjacente. Concomitantemente avalia-se a sensibilidade superficial e profunda, a dor 
provocada e espontânea ou qualquer outra manifestação dolorosa relatada pelo paciente 
devem ser avaliadas pela palpação. Processos inflamatórios pleuropulmonares determinam 
uma zona de maior sensibilidade na parede torácica correspondente. 
 
 
 
b. Elasticidade torácica 
O paciente coloca-se lateralmente em frente ao examinador, que coloca uma mão na parede 
anterior do tórax e a outra na parede posterior do tórax, uma sobre o esterno e a outra sobre 
a coluna vertebral e apertam-se as mãos sobre as paredes. A diminuição da elasticidade pode 
ser unilateral, causada, por exemplo, por grandes derrames pleurais e as grandes 
condensações. A diminuição bilateral da elasticidade é causada pelo raquitismo e pelo 
enfisema pulmonar. 
 
 
c. Expansibilidade/amplitude torácica 
Os movimentos ventilatórios podem ser analisados por meio da inspeção, mas é na palpação 
que esses movimentos são mais bem avaliados. Em condições normais, a expansão torácica 
respiratória é igual em regiões simétricas. Pequenas variações regionais da expansibilidade 
podem ser detectadas pela palpação, que revela sinais precoces de anormalidades da caixa 
torácica, pleura ou pulmão subjacente. Avalia-se separadamente a expansibilidade dos ápices 
e das bases por meio demanobras semiológicas específicas e em todas elas solicitar ao 
paciente que inspire profundamente. 
 Ápices (manobra de Ruault) 
Na manobra de Ruault o observador de pé, atrás do paciente, que se manterá de pé ou 
sentado, pousa as mãos sobre as regiões correspondentes aos ápices, com as extremidades 
dos polegares reunidos ao nível da vértebra proeminente, enquanto as extremidades dos 
dedos alcançarão as regiões supraclaviculares. Então se pede ao paciente que faça uma 
inspiração profunda. 
 
 
 
 
 
 
 Interescápulovertebral 
O observador de pé, atrás do paciente, coloca as mãos verticalmente, com os polegares 
unidos, no espaço entre as escápulas e a coluna vertebral. 
 
 
 Infra-escapular (bases) 
O observador de pé, atrás do paciente; as mãos colocadas espalmadas contornando 
inferiormente as escápulas (últimos arcos costais), extremidades dos polegares unidos na 
coluna vertebral e então o paciente deve respirar profunda e pausadamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Parede lateral do tórax 
O observador de pé, atrás do paciente, que se manterá de pé ou sentado, mãos espalmadas, 
com os polegares anteriormente e demais dedos posteriormente. Examinar a região axilar e 
infra-axilar. Em ambas pedir para o paciente respirar profundamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Intermamária/infraclaviculares 
Para a face anterior, o médico de pé, na frente do paciente, pedindo para o paciente colocar o 
rosto para o lado, as mãos são colocadas verticalmente cobrindo a região mamária de cada 
lado, de modo que os dois polegares juntam-se no nível da linha médioesternal (a linha que 
corre pelo meio do esterno), enquanto que a extremidade dos demais dedos atingem a região 
infraclavicular. Pedir para o paciente respirar profundamente. 
 
 
 
 Axilar Infra-axilar 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Inframamária 
O observador de pé, na frente do paciente, pedindo para o paciente colocar o rosto para o 
lado, as mãos são colocadas espalmadas, abraçando os músculos peitorais, de modo que as 
extremidades dos polegares fiquem unidas no esterno. Pedir ao paciente que faça uma 
incursão respiratória forçada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
d. Frêmito toracovocal 
O frêmito toracovocal são vibrações percebidas na parede anterior torácica pela mão do 
examinador quando o paciente emite algum som. Para avalia-la o examinador pousa a mão 
nas mesmas regiões da avaliação da expansibilidade torácica, só que em vez de pedir ao 
paciente que respire profundamente, pede-se que este diga 33. À medida que fala, o 
examinador percorre toda extensão da parede do tórax (face anterior, posterior e faces 
laterais). A pesquisa do frêmito toracovocal é realizada colocando-se somente uma das mãos, 
e sempre a mesma, espalmada sobre a superfície do tórax e ir comparando as regiões sobre a 
superfície do tórax. 
O objetivo é avaliar a intensidade do frêmito toracovocal, normalmente ele é mais perceptível 
em homens pelo timbre da voz e é mais acentuado à direita, pois nestas áreas as vibrações 
tem mais facilidade de chegar à superfície do tórax devido ao menor comprimento do 
brônquio direito. O aumento do frêmito traduz consolidação de uma área pulmonar, como na 
pneumonia e no infarto de pulmão. Os derrames pleurais líquidos ou gasosos, por afastarem o 
pulmão da parede, dificultam a transmissão das vibrações até a superfície, com redução ou 
mesmo abolição do frêmito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.Percussão 
A percussão torácica é o método propedêutico caracterizado pela execução de leves batidas 
digitodigitais sobre a superfície do tórax, a fim de avaliar o tecido pulmonar subjacente. Como 
resultado, são produzidos sons que tornam possível identificar o estado físico destes órgãos, 
bem como diagnosticar qualquer alteração na densidade destes. 
A percussão deve ser feita de cima para baixo, até os rebordos costais, iniciando na face 
anterior, passando posteriormente para a lateral e concluindo na face posterior de cada 
hemitórax sempre percutindo comparativa e simetricamente as várias regiões do hemitórax. 
Para a percussão das faces anterior e laterais, o paciente pode estar sentado ou deitado. Já a 
percussão da face posterior é possível apenas quando o paciente está sentado. Os pontos de 
referência para a realização do movimento são as três linhas principais de cada hemitórax, na 
face anterior a linha hemiclavicular; na face lateral a linha axilar média e na face posterior a 
linha escapular, mais na região interescapulovertebral (nunca percutir em cima da escápula). 
Na face anterior, procura-se o ângulo de Louis (referente ao 2º espaço intercostal), segue o 
trajeto na linha hemiclavicular e começa a percutir até o final do rebordo costal, tanto na linha 
hemiclavicular esquerda, quanto na direita. 
Em um indivíduo normal, percutindo na linha hemiclavicular direita, de cima para baixo, 
observa-se som claro pulmonar do 2º ao 5º espaço intercostal, som submaciço no 6º e som 
maciço do 7º espaço intercostal ao rebordo costal (som claro pulmonar ou sonoridade 
pulmonar nas áreas de projeção dos pulmões, som submaciço na região de transição do 
pulmão para o fígado e som maciço na região inframamária direita, referente à macicez 
hepática). 
A linha hemiclavicular do hemitórax esquerdo, fisiologicamente, apresenta som claro 
pulmonar do 2º ao 3º espaço intercostal, som maciço no 4º e 5º espaço intercostal e no 6º 
espaço intercostal ao rebordo costal e som é timpânico (som claro pulmonar ou sonoridade 
pulmonar nas áreas de projeção dos pulmões, som maciço na região precordial, referente ao 
coração e som timpânico no espaço de Traube, referente à bulha gástrica). 
Tanto nas regiões da lateral do tórax (linha axilar média) e na parte posterior (linha escapular), 
normalmente encontra-se som claro pulmonar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Percussão na linha hemiclavicular esquerda 
 
 
4.Ausculta 
A ausculta do tórax é funcional por excelência uma vez que permite analisar o funcionamento 
pulmonar. Para realiza-lo o paciente deve estar preferencialmente sentado, com o tórax total 
ou parcialmente descoberto, pois nunca se deve colocar o receptor do estetoscópio sobre 
qualquer tipo de roupa. Solicitar ao paciente que respire um pouco mais profundamente com 
os lábios entreabertos. O objetivo da ausculta é ouvir os sons gerados pela respiração; 
pesquisar ruídos adventícios; pesquisar suspeita de anormalidade, portanto os sons 
pleuropulmonares podem ser classificados como: 
 
 
 
 
 
 
 
A ausculta inicia-se pelo pescoço, auscultando em um dos lados o chamado sopro glótico, 
também chamado de sopro traqueal, é um sopro audível na região de projeção da traqueia e 
origina-se na passagem do ar através da fenda glótica. Possui dois componentes, um 
inspiratório, mais curto e outro expiratório, mais forte e mais prolongado. 
 
 
Ausculta continua pela parede torácica anterior, passando em seguida para as paredes laterais 
e por último a posterior. Mudando de posição apenas após ouvir nas duas fases respiratórias. 
Primeiro realiza-se em um hemitorax, depois no outro, comparativamente. Na face anterior, 
ausculta-se até 4 pontos na linha hemiclavicular e 2 pontos na linha axilar anterior,de ambos 
os hemitórax; na face lateral dois pontos, um na região axilar e outro na infra-axilar, 
alternando em cada face lateral; e, por fim, na face posterior ate 6 pontos ao longo da região 
interescápulovertebral e 2 na linha ângulo-escapular abaixo da escápula, alternando. 
 
 
 
 
 
 
 Sons normais 
 -Som traqueal/sopro glótico-fisiológico 
 -Som brônquico 
 -Murmúrio vesicular 
 -Som broncovesicular 
 Sons anormais 
 -Descontínuos: estertores finos e grossos 
 -Contínuos: roncos, sibilos e estridor 
 -Atritopleural 
Obs:Alterações na percussão do tórax incluem hipersonoridade pulmonar, que significa o som claro pulmonar mais 
claro e mais intenso, indicando aumento de ar nos alvéolos, como nas regiões ao redor de um condensação ou acima 
de um derrame pleural. Submacicez ou macicez que traduzem diminuição ou desaparecimento da sonoridade 
pulmonar e indicam redução ou inexistência do ar no interior dos alvéolos,como nas áreas de derrame pleural e 
hepatização pulmonar por pneumonia. Som timpânico indica ar aprisionado em uma grande cavidade intrapulmonar 
ou no espaço pleural, como no pneumotórax. 
 
Na ausculta dessas regiões, é encontrada a respiração brônquica, que é audível nas áreas de 
projeção dos brônquios principais, ou seja, de maior calibre, próximo ao esterno, é semelhante 
ao som traqueal, deste se diferenciando só por causa da expiração que é menos intensa. O 
murmúrio vesicular é auscultado em quase todo o tórax, e trata-se da turbulência do ar se 
chocando com as bifurcações brônquicas. A inspiração é mais intensa, duradoura, e de 
tonalidade mais alta do que a expiração, que ainda é mais fraca e curta. O murmúrio vesicular 
não é auscultado apenas as regiões esternais superiores, interescápulo-vertebral direita ao 
nível da 3ª e 4ª vertebrais dorsais, pois nessas áreas se ouve a respiração broncovesicular, cuja 
intensidade e a duração da inspiração e da expiração são iguais. 
 
 
 
 
O fluxo de ar pelo trato respiratório pode produzir, em algumas situações, sons anormais, 
também chamados ruídos ou sons adventícios. Os ruídos adventícios podem ser produzidos 
transitoriamente, o que indica normalidade, contudo, eles revelam uma anormalidade quando 
estão presentes em respirações sucessivas. Os ruídos adventícios podem ser caracterizados 
como sons contínuos e sons descontínuos. 
Os sons anormais descontínuos são representados pelos estertores, que podem ser audíveis 
na inspiração ou na expiração, superpondo-se aos sons respiratórios normais. Podem ser 
finos(crepitantes) ou grossos (bolhosos). Os sons anormais contínuos são representados pelos 
roncos, sibilos e estridor.

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