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Autor:Bruno do Nascimento Teixeira MED UEPA Exame físico do tórax O exame físico do tórax inclui as quatro técnicas clássicas: inspeção (estática e dinâmica), palpação, percussão e ausculta. Um lado sempre deve ser comparado com outro. Linhas e regiões torácicas A superfície do tórax é dividida por linhas em regiões. As alterações devem ser descritas com a maior precisão anatômica possível, referindo sempre à região do tórax em que são observadas. Linhas e regiões da face anterior do tórax As principais linhas verticais são a linha média ou médioesternal, que passa no meio do esterno, dividindo o tórax em hemitorax direito e hemitorax esquerdo. Linha paraesternal, que passa pela borda do esterno, de um lado e de outro. Linha hemiclavicular, que passa pelo meio da clavícula e, geralmente, passa pelo mamilo. Quanto às linhas horizontais, a primeira é traçada, a partir da terceira articulação condroesternal (3ª costela). A segunda linha é traçada, a partir da sexta articulação condroesternal e se prolonga pela lateral do tórax (6ª costela). Em relação às regiões, tem-se a região esternal corresponde à superfície do esterno, podendo ser dividida em superior e inferior pela linha da 3ª costela. (médioesternal) Cada região infraclavicular (direita e esquerda) é limitada superiormente pela clavícula, inferiormente pela 3ª costela, lateralmente pela borda anterior do músculo deltoide e medialmente pela linha paraesternal. A região mamária (direita e esquerda) é limitada superiormente pela linha da 3ª costela, inferiormente pela 6ª costela, lateralmente pela linha axilar anterior e medialmente pela linha paraesternal. A região inframamária ou hipocondríaca (esquerda e direita) é limitada superiormente pela linha da 6ª costela, inferomedialmente pelo rebordo costal e lateralmente pela linha axilar anterior. Linhas e regiões da face lateral do tórax As linhas verticais compreendem a axilar anterior, traçada para baixo, a partir da prega axilar anterior, a linha axilar posterior, traçada a partir da prega axilar posterior, e a linha axilar média, que se inicia no côncavo axilar, e situa-se entre as linhas axilares anterior e posterior. A única linha horizontal é o prolongamento da linha traçada a partir da sexta articulação condroesternal (6ªcostela), e também é utilizada para dividir a parede lateral do tórax nas regiões axilar e infra-axilar. A região axilar (direita e esquerda) é limitada pelo côncavo axilar, pela linha axilar anterior, pela linha axilar posterior e pela linha da sexta articulação condroesternal. A região infra-axilar (direita e esquerda) é limitada pela linha da sexta articulação condroesternal, pela linha axilar anterior, pela linha axilar posterior e pelo rebordo costal. Região esternal superior Região esternal inferior Linhas e regiões da face posterior do tórax Na face posterior do tórax identificam-se a linha vertebral (espondiléia), que passa sobre os processos espinhosos das vértebras torácicas, a linha paravertebral ou paraespondiléia, que passa pela borda da coluna vertebral em cada lado, a linha escapular que é traçada ao longo da borda interna da escápula e a linha ângulo-escapular que passa através do ângulo inferior da escapula na posição anatômica. Nas linhas horizontais, a primeira passa pela borda superior de escápula, e a segunda, pela borda inferior de escápula. A região supraescapular é limitada medialmente pela linha vertebral, superolateralmente pela borda superior do músculo trapézio e inferiormente pela linha escapular superior. As regiões supraespinal e infraespinal correspondem, respectivamente, à projeção da escápula superiormente e inferiormente à sua espinha. A região interescapulovertebral é limitada medialmente pela linha vertebral, superiormente pela linha escapular superior, lateralmente pela borda medial da escápula e inferiormente pela linha escapular inferior. A região 6ª costela Linha vertebral Linha da borda superior da escápula (Linha escapular superior) Linha da borda inferior da escápula (Linha escapular inferior) infraescapular é limitada superiormente pela linha escapular inferior, medialmente pela linha vertebral, lateralmente pela linha axilar posterior e inferiormente pela borda inferior do tórax. Pontos de referência anatômicos Ângulo de Charpy O ângulo de Charpy é o ângulo formado pelo rebordo costal direito, apêndice xifóide e o rebordo costal esquerdo. Ângulo de Louis O ângulo de Louis localiza-se na junção do manúbrio com o corpo do esterno, identifica o 2º espaço intercostal e corresponde a bifurcação da traqueia e ao arco da aorta. Obs:Destacam -se dois pontos para procedimentos invasivos em relação às linhas torácicas verticais: a linha hemiclavicular no segundo espaço intercostal para descompressão de pneumotórax hipertensivo com agulha, e a linha escapular imediatamente inferior ao ângulo da escápula para toracocentese, pois, na posição anatômica, corresponde à sétima costela ou ao sétimo espaço intercostal. Face posterior: 1-Região subescapular; 2-Região supraespinhosa; 3-Região infraespinhosa; 4-Região interescapulo vertebral; 5-Região infraescapular 1-Inspeção a. Inspeção estática Antes do início do exame, apresentar-se, explicar os procedimentos antes de realiza-los e também não se esquecer de lavar as mãos. Com o paciente em pé, despido até a cintura, de frente para a luz, de preferência com iluminação natural, o médico deverá observar as regiões do tórax, porém deve permanecer parado, enquanto o paciente é solicitado a girar vagarosamente, possibilitando o exame das regiões anterior, posterior e laterais do tórax. A inspeção estática consiste na observação do tórax sem considerar os movimentos respiratórios, nela deve-se observar e caracterizar: Biotipo de torax Deve-se caracterizar a morfologia do tórax de acordo com o biótipo em normolíneo, brevelíneo e longelíneo. Essa classificação é devido à abertura do ângulo de charppy. NORMOLÍNEO - angulação costal de aproximadamente 90º. LONGELÍNEO - angulação costal inferior a 90º. BREVELÍNEO - angulação costal superior a 90º. Forma ou tipo de tórax -Tórax atípico:Tórax normal, não patológico. No tórax normal, no geral, o diâmetro látero- lateral é maior que o diâmetro anteroposterior. -Tórax enfisematoso/inspiratório/tonel/ barril/globoso: Entre as patologias torácicas, o tórax globoso destaca-se como a mais comum. Essa anomalia, em que ocorre aumento do diâmetro ântero-posterior, decorre, em geral da hiperinsuflação pulmonar que acompanha algumas patologias por causa do aumento da resistência ao fluxo aéreo e/ou da perda da retração elástica pulmonar. -Torax chato/expiratório/paralítico/tísico: Sua característica fundamental é o reduzido diâmetro anteroposterior. Além do achatamento, neste tipo de tórax as escápulas sobressaem claramente no relevo torácico. -Tórax infundibiliforme/escavado/de sapateiro: Nesse tipo, há deslocamento do esterno para trás, de tal maneira que os arcos costais anteriores se projetam mais anteriormente do que o esterno. -Tórax cariniforme/peito de pombo: É a deformidade que decorre do deslocamento do esterno para a frente. O raquitismo infantil é a principal causa desse tipo de tórax. -Tórax cifótico: É decorrente do encurvamento posterior da coluna torácica, seja por defeito de postura ou por lesão de vértebras torácicas, apresentando uma gibosidade (tuberculose, osteomielite, neoplasias ou anormalidades congênitas). -Torax escoliótico:O tórax torna-se assimétrico em consequênciado desvio lateral do segmento torácico da coluna vertebral. A causa mais comum é anomalia congênita. -Torax cifoescoliótico: É decorrente de anormalidade das curvaturas da coluna torácica que podem ser predominantemente laterais (escoliose) posteriores (cifose) ou combinadas (cifoescoliose). -Torax em sino ou piriforme: É aquele que tem sua parte inferior exageradamente alargada, lembrando um tronco de cone ou um sino. É encontrado nas hepatoesplenomegalias e ascites volumosas. -Torax instável: Quando várias costelas são fraturadas, observa-se movimentos paradoxais, assim, na inspiração a área desloca-se para dentro; na expiração, para fora. Abaulamentos, retrações e tumorações Os abaulamentos e retrações podem ser encontrados em qualquer região do tórax e indicam alguma lesão que aumentou ou reduziu uma das estruturas da parede ou de órgãos intratorácicos. Exemplos como aneurisma de aorta, que causa abaulamento pulsátil na parte anteroposterior do tórax; derrame pleural, que gera abaulamento na base do hemitórax correspondente; atelectasias ou lesões fibróticas de um pulmão ou de um lobo podem causar retrações no hemitórax correspondente. Pele, lesões elementares, cicatrizes, circulação venosa colateral e presença de atrofias musculares Na pele observam-se a coloração (se há cianose, palidez) e o grau de hidratação, bem como se há lesões elementares sólidas, correlacionando-as com as doenças pulmonares. Busca de cicatrizes, especialmente de toracotomia, drenagem torácica. O sistema muscular será examinado de maneira comparativa, a fim de que se possam surpreender alterações tróficas de certos grupos musculares. Mamas, aréolas, mamilos As mamas devem ser comparadas quanto à simetria, ao volume, posição do mamilo e existência de nódulos. b. Inspeção dinâmica A inspeção dinâmica caracteriza-se pela avaliação do tórax quanto aos movimentos respiratórios, suas características e alterações. Tipo respiratório Para o reconhecimento do tipo respiratório, observar a movimentação do tórax e do abdome, com o objetivo de reconhecer em que regiões os movimentos são mais amplos. Esta pode ser: -Torácico ou costal superior, quando predomina a movimentação da caixa torácica (geralmente em mulheres). -Abdominal ou diafragmático, quando há a predominância de movimento abdominal na respiração. -Costo-abdominal, quando a movimentação em mesma intensidade das partes superior (costal) e inferior (diafragmática) do tórax(geralmente em homens). A observação do tipo respiratório tem importância no diagnóstico da fadiga e da paralisia diafragmática. Ritmo respiratório Para análise do ritmo respiratório, é necessário observar durante, no mínimo, 2 minutos a sequência, a forma e a amplitude dos movimentos respiratórios. No ritmo respiratório normal, os movimentos são regulares, e não existe pausa entre eles. Entre as anormalidades do ritmo respiratório, incluem-se: -Respiração dispneica/dispnéia:Caracteriza-se pela sucessão regular de movimentos respiratórios amplos. Surge na insuficiência cardíaca, enfisema pulmonar, atelectasia, pneumotórax, derrame pleural e anemias graves. -Ritmo de Cheynes-Stockes: Consiste na alternância de períodos de movimentos respiratórios e período de apneia, com periodicidade de 15 a 30 segundos. A amplitude dos movimentos respiratórios aumenta e diminui gradualmente (modelo crescente e decrescente). O ritmo de Cheyne-Stockes é observado na presença de insuficiência circulatória e em doenças vasculares cerebrais. -Ritmo de Kussmaul: É o ritmo em que os movimentos respiratórios são rápidos, profundos e regulares; ocorre na acidose metabólica. -Ritmo de Biot: No ritmo de Biot, os movimentos respiratórios são irregulares em frequência e amplitude, podendo haver períodos de apneia. Ocorre na presença de grave sofrimento cerebral. -Respiração suspirosa: Na respiração suspirosa, o paciente executa uma série de movimentos inspiratórios de amplitude crescente seguidos de expiração breve e rápida. Outras vezes, os movimentos respiratórios normais são interrompidos por "suspiros" isolados ou agrupados. Traduz tensão emocional e ansiedade. Frequência respiratória Observação simples dos movimentos respiratórios e contagem do número de incursões respiratórias por minuto (IRPM). -Eupneia: respiração de ritmo, frequência e amplitude normais. Nos adultos admite-se de 12 a 20 IRPM. -Taquipneia: frequência respiratória acima dos valores normais (respiração rápida e pouco profunda). -Bradipneia: frequência respiratória abaixo dos valores normais (respiração lenta). -Apneia: ausência de respiração Amplitude respiratória e expansibilidade dos pulmões Observação dos movimentos respiratórios espontâneos. Se necessário, pede-se ampliação desses movimentos. Avaliar aumento ou diminuição da amplitude e observar a simetria dos movimentos de expansão e retração do tórax, pois assimetrias, diminuição da expansão global, retrações e ritmos respiratórios patológicos alteram a expansibilidade dos pulmões. Tiragem Tiragem é a depressão inspiratória dos espaços intercostais e das regiões supraesternal e supraclaviculares que ocorre durante toda a inspiração. A tiragem indica a presença de alguma patologia que dificulta a expansão pulmonar. Tal fenômeno resulta do aumento da pressão negativa, na cavidade pleural, durante a fase inspiratória. A tiragem pode ser em um hemitórax, o que indica oclusão de um brônquio principal, ou por exsudato espesso, neoplasia ou corpo estranho; ou pode ser bilateral, que ocorre quando o obstáculo é acima da bifurcação traqueal como compressão traqueal por neoplasia mediastinal, ou nos estreitamentos generalizados dos bronquíolos como na asma brônquica. Batimentos das asas do nariz Observar se há movimento das narinas abrindo e colabando durante esforço respiratório, principalmente de crianças, que sugere pneumonia grave. 2. Palpação Além de complementar a inspeção, avaliando a mobilidade da caixa torácica, a palpação torna possível que lesões superficiais sejam mais bem examinadas quanto a sua forma, seu volume e sua consistência. A palpação é realizada com o paciente em pé. a. Temperatura e sensibilidade Com o dorso das mãos, verifica-se a temperatura cutânea, comparando-a com a do lado oposto. Uma diferença para mais pode denunciar comprometimento pleuropulmonar subjacente. Concomitantemente avalia-se a sensibilidade superficial e profunda, a dor provocada e espontânea ou qualquer outra manifestação dolorosa relatada pelo paciente devem ser avaliadas pela palpação. Processos inflamatórios pleuropulmonares determinam uma zona de maior sensibilidade na parede torácica correspondente. b. Elasticidade torácica O paciente coloca-se lateralmente em frente ao examinador, que coloca uma mão na parede anterior do tórax e a outra na parede posterior do tórax, uma sobre o esterno e a outra sobre a coluna vertebral e apertam-se as mãos sobre as paredes. A diminuição da elasticidade pode ser unilateral, causada, por exemplo, por grandes derrames pleurais e as grandes condensações. A diminuição bilateral da elasticidade é causada pelo raquitismo e pelo enfisema pulmonar. c. Expansibilidade/amplitude torácica Os movimentos ventilatórios podem ser analisados por meio da inspeção, mas é na palpação que esses movimentos são mais bem avaliados. Em condições normais, a expansão torácica respiratória é igual em regiões simétricas. Pequenas variações regionais da expansibilidade podem ser detectadas pela palpação, que revela sinais precoces de anormalidades da caixa torácica, pleura ou pulmão subjacente. Avalia-se separadamente a expansibilidade dos ápices e das bases por meio demanobras semiológicas específicas e em todas elas solicitar ao paciente que inspire profundamente. Ápices (manobra de Ruault) Na manobra de Ruault o observador de pé, atrás do paciente, que se manterá de pé ou sentado, pousa as mãos sobre as regiões correspondentes aos ápices, com as extremidades dos polegares reunidos ao nível da vértebra proeminente, enquanto as extremidades dos dedos alcançarão as regiões supraclaviculares. Então se pede ao paciente que faça uma inspiração profunda. Interescápulovertebral O observador de pé, atrás do paciente, coloca as mãos verticalmente, com os polegares unidos, no espaço entre as escápulas e a coluna vertebral. Infra-escapular (bases) O observador de pé, atrás do paciente; as mãos colocadas espalmadas contornando inferiormente as escápulas (últimos arcos costais), extremidades dos polegares unidos na coluna vertebral e então o paciente deve respirar profunda e pausadamente. Parede lateral do tórax O observador de pé, atrás do paciente, que se manterá de pé ou sentado, mãos espalmadas, com os polegares anteriormente e demais dedos posteriormente. Examinar a região axilar e infra-axilar. Em ambas pedir para o paciente respirar profundamente. Intermamária/infraclaviculares Para a face anterior, o médico de pé, na frente do paciente, pedindo para o paciente colocar o rosto para o lado, as mãos são colocadas verticalmente cobrindo a região mamária de cada lado, de modo que os dois polegares juntam-se no nível da linha médioesternal (a linha que corre pelo meio do esterno), enquanto que a extremidade dos demais dedos atingem a região infraclavicular. Pedir para o paciente respirar profundamente. Axilar Infra-axilar Inframamária O observador de pé, na frente do paciente, pedindo para o paciente colocar o rosto para o lado, as mãos são colocadas espalmadas, abraçando os músculos peitorais, de modo que as extremidades dos polegares fiquem unidas no esterno. Pedir ao paciente que faça uma incursão respiratória forçada. d. Frêmito toracovocal O frêmito toracovocal são vibrações percebidas na parede anterior torácica pela mão do examinador quando o paciente emite algum som. Para avalia-la o examinador pousa a mão nas mesmas regiões da avaliação da expansibilidade torácica, só que em vez de pedir ao paciente que respire profundamente, pede-se que este diga 33. À medida que fala, o examinador percorre toda extensão da parede do tórax (face anterior, posterior e faces laterais). A pesquisa do frêmito toracovocal é realizada colocando-se somente uma das mãos, e sempre a mesma, espalmada sobre a superfície do tórax e ir comparando as regiões sobre a superfície do tórax. O objetivo é avaliar a intensidade do frêmito toracovocal, normalmente ele é mais perceptível em homens pelo timbre da voz e é mais acentuado à direita, pois nestas áreas as vibrações tem mais facilidade de chegar à superfície do tórax devido ao menor comprimento do brônquio direito. O aumento do frêmito traduz consolidação de uma área pulmonar, como na pneumonia e no infarto de pulmão. Os derrames pleurais líquidos ou gasosos, por afastarem o pulmão da parede, dificultam a transmissão das vibrações até a superfície, com redução ou mesmo abolição do frêmito. 3.Percussão A percussão torácica é o método propedêutico caracterizado pela execução de leves batidas digitodigitais sobre a superfície do tórax, a fim de avaliar o tecido pulmonar subjacente. Como resultado, são produzidos sons que tornam possível identificar o estado físico destes órgãos, bem como diagnosticar qualquer alteração na densidade destes. A percussão deve ser feita de cima para baixo, até os rebordos costais, iniciando na face anterior, passando posteriormente para a lateral e concluindo na face posterior de cada hemitórax sempre percutindo comparativa e simetricamente as várias regiões do hemitórax. Para a percussão das faces anterior e laterais, o paciente pode estar sentado ou deitado. Já a percussão da face posterior é possível apenas quando o paciente está sentado. Os pontos de referência para a realização do movimento são as três linhas principais de cada hemitórax, na face anterior a linha hemiclavicular; na face lateral a linha axilar média e na face posterior a linha escapular, mais na região interescapulovertebral (nunca percutir em cima da escápula). Na face anterior, procura-se o ângulo de Louis (referente ao 2º espaço intercostal), segue o trajeto na linha hemiclavicular e começa a percutir até o final do rebordo costal, tanto na linha hemiclavicular esquerda, quanto na direita. Em um indivíduo normal, percutindo na linha hemiclavicular direita, de cima para baixo, observa-se som claro pulmonar do 2º ao 5º espaço intercostal, som submaciço no 6º e som maciço do 7º espaço intercostal ao rebordo costal (som claro pulmonar ou sonoridade pulmonar nas áreas de projeção dos pulmões, som submaciço na região de transição do pulmão para o fígado e som maciço na região inframamária direita, referente à macicez hepática). A linha hemiclavicular do hemitórax esquerdo, fisiologicamente, apresenta som claro pulmonar do 2º ao 3º espaço intercostal, som maciço no 4º e 5º espaço intercostal e no 6º espaço intercostal ao rebordo costal e som é timpânico (som claro pulmonar ou sonoridade pulmonar nas áreas de projeção dos pulmões, som maciço na região precordial, referente ao coração e som timpânico no espaço de Traube, referente à bulha gástrica). Tanto nas regiões da lateral do tórax (linha axilar média) e na parte posterior (linha escapular), normalmente encontra-se som claro pulmonar. Percussão na linha hemiclavicular esquerda 4.Ausculta A ausculta do tórax é funcional por excelência uma vez que permite analisar o funcionamento pulmonar. Para realiza-lo o paciente deve estar preferencialmente sentado, com o tórax total ou parcialmente descoberto, pois nunca se deve colocar o receptor do estetoscópio sobre qualquer tipo de roupa. Solicitar ao paciente que respire um pouco mais profundamente com os lábios entreabertos. O objetivo da ausculta é ouvir os sons gerados pela respiração; pesquisar ruídos adventícios; pesquisar suspeita de anormalidade, portanto os sons pleuropulmonares podem ser classificados como: A ausculta inicia-se pelo pescoço, auscultando em um dos lados o chamado sopro glótico, também chamado de sopro traqueal, é um sopro audível na região de projeção da traqueia e origina-se na passagem do ar através da fenda glótica. Possui dois componentes, um inspiratório, mais curto e outro expiratório, mais forte e mais prolongado. Ausculta continua pela parede torácica anterior, passando em seguida para as paredes laterais e por último a posterior. Mudando de posição apenas após ouvir nas duas fases respiratórias. Primeiro realiza-se em um hemitorax, depois no outro, comparativamente. Na face anterior, ausculta-se até 4 pontos na linha hemiclavicular e 2 pontos na linha axilar anterior,de ambos os hemitórax; na face lateral dois pontos, um na região axilar e outro na infra-axilar, alternando em cada face lateral; e, por fim, na face posterior ate 6 pontos ao longo da região interescápulovertebral e 2 na linha ângulo-escapular abaixo da escápula, alternando. Sons normais -Som traqueal/sopro glótico-fisiológico -Som brônquico -Murmúrio vesicular -Som broncovesicular Sons anormais -Descontínuos: estertores finos e grossos -Contínuos: roncos, sibilos e estridor -Atritopleural Obs:Alterações na percussão do tórax incluem hipersonoridade pulmonar, que significa o som claro pulmonar mais claro e mais intenso, indicando aumento de ar nos alvéolos, como nas regiões ao redor de um condensação ou acima de um derrame pleural. Submacicez ou macicez que traduzem diminuição ou desaparecimento da sonoridade pulmonar e indicam redução ou inexistência do ar no interior dos alvéolos,como nas áreas de derrame pleural e hepatização pulmonar por pneumonia. Som timpânico indica ar aprisionado em uma grande cavidade intrapulmonar ou no espaço pleural, como no pneumotórax. Na ausculta dessas regiões, é encontrada a respiração brônquica, que é audível nas áreas de projeção dos brônquios principais, ou seja, de maior calibre, próximo ao esterno, é semelhante ao som traqueal, deste se diferenciando só por causa da expiração que é menos intensa. O murmúrio vesicular é auscultado em quase todo o tórax, e trata-se da turbulência do ar se chocando com as bifurcações brônquicas. A inspiração é mais intensa, duradoura, e de tonalidade mais alta do que a expiração, que ainda é mais fraca e curta. O murmúrio vesicular não é auscultado apenas as regiões esternais superiores, interescápulo-vertebral direita ao nível da 3ª e 4ª vertebrais dorsais, pois nessas áreas se ouve a respiração broncovesicular, cuja intensidade e a duração da inspiração e da expiração são iguais. O fluxo de ar pelo trato respiratório pode produzir, em algumas situações, sons anormais, também chamados ruídos ou sons adventícios. Os ruídos adventícios podem ser produzidos transitoriamente, o que indica normalidade, contudo, eles revelam uma anormalidade quando estão presentes em respirações sucessivas. Os ruídos adventícios podem ser caracterizados como sons contínuos e sons descontínuos. Os sons anormais descontínuos são representados pelos estertores, que podem ser audíveis na inspiração ou na expiração, superpondo-se aos sons respiratórios normais. Podem ser finos(crepitantes) ou grossos (bolhosos). Os sons anormais contínuos são representados pelos roncos, sibilos e estridor.