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MAQUIAGEM: Influência no cotidiano da mulher nos anos 60
PRISCILA CAMPOS VIANA[1: Acadêmica do curso História Licenciatura do Centro de Estudos Superiores de Caxias – Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Trabalho orientado pela professora Gabriela Melo Silva, historiadora e mestre em Políticas Públicas. ]
RESUMO: O presente artigo tem como objetivo investigar como as mulheres utilizaram a maquiagem como forma de contestação de seus direitos, na década de 60, período singular para o movimento feminista e, para as mulheres em geral, um momento de contestação de valores convencionais. Nesse período houve bastantes transformações que revolucionaram o modo de pensar e agir das pessoas que se refletiu em vários aspectos do cotidiano, entre os quais, na moda e na maquiagem feminina, mais precisamente do uso desta para marcar a insatisfação e o desejo de liberdade da mulher. A maquiagem também pode ser compreendida como um caminho para os estudos da história já que interfere na história das mulheres e no seu relacionamento em sociedade. Nesse sentido, a história cultural aparece como melhor proposta teórico metodológica. 
PALAVRAS CHAVES: Maquiagem. Mulher. Anos 60. 
INTRODUÇÃO
A nova História Cultural debruçou-se sobre temáticas e grupos sociais até então excluídos pelos historiadores, como maquiagem, moda, sexualidade, entre outros. Permitiu também a renovação das fontes, dando-nos a possibilidade de fazer uso e manipular diversas fontes para os trabalhos de produções históricas. As principais mudanças epistemológicas decorrentes da História Cultural estiveram ligadas à reorientação da postura do historiador, a partir dos conceitos de representação, imaginário, narrativa, ficção e sensibilidades. Para Sandra Jatahy Pesaventos, as representações:
São construídas sobre o mundo não só se colocam no lugar deste mundo, como fazem com que os homens percebam a realidade e pautem a sua existência. São matrizes geradoras de condutas e práticas sociais, dotadas de força integradora e coerciva, bem como explicativa do real. Indivíduos e grupos dão sentido ao mundo por meio das representações que constroem sobre a realidade (PESAVENTOS, 2005, p. 39).
A partir do conceito de Pesaventos (2005), podemos perceber que a maquiagem possui significações representativas que vão além das mudanças, cujas raízes estão no meio social, que merecem estudos e reflexões. Constitui-se, de fato, no ambiente político, econômico e cultural da época, e manifesta-se na vida das pessoas sob diversas formas, maneiras de ser e de se comportar.
É essencial que se fale como a década de 60 influenciou a vida das mulheres. Neste período vários acontecimentos modificaram os modos de pensar e agir delas que, consequentemente, influenciaram o uso da maquiagem. O estudo da mulher só começa justamente nesta década, pois, até então, as mulheres foram colocadas à margem da história e, durante algum tempo, não foram fator relevante para os escritos dos historiadores. O historiador Keith Jenkins (2001, p.26) afirma que as mulheres foram ‘escondidas da história’, ou seja, sistematicamente excluídas da maioria dos relatos.
Nas páginas que seguem faremos uma breve leitura da história da maquiagem e de como as mulheres a usaram como mecanismo de beleza, vaidade e contestação. 
MAQUIAGEM E A SUA HISTÓRIA MILENAR
A maquiagem surgiu no período paleolítico, quando o homem deixou de ser nômade e passou a fixar-se em território; como consequência, temos a formação de grupos e das primeiras hierarquias. Como mudança comportamental, surge o sedentarismo e o despertar de um dos sentimentos que move o mundo atual: a vaidade, mostrando os primeiros estágios de uma preocupação em diferenciar-se, e enfeitar-se (VITA, 2008, p. 11). Os homens passam a fazer uso de colares feitos de ossos, roupas feitas de pele de animais e alguns pintavam seus corpos.
Logo após surgem as pinturas de guerras. Mais tarde, na Mesopotâmia, surgem produtos de maquiagem para os olhos feitos de carvão, hena e outros resíduos naturais. Porém, foi no Egito que o hábito de se maquiar todos os dias foi instituído com os faróis usando perucas e maquiagem nos olhos. Os egípcios buscavam uma estética cromática harmoniosa: (...) o pó de turquesa, as argilas vermelhas, castanhas ou violetas, puras ou misturadas com óxidos de cobre ou de ferro para obter novos matizes, eram igualmente muito apreciados (Faux 2000; 31). A rainha Cleópatra ficou conhecida por seus banhos de leite e tratamento da pele com argila. Os gregos se preocuparam com a saúde do corpo, apreciavam uma boa higiene e muito exercício físico. As mulheres pintavam os olhos de maneira bastante diferenciada do povo do Egito, esfumaçando-os e deixando-os sombreados. Em Roma, as mulheres usavam máscaras de farinha, miolo de pão e leite durante a noite para melhorar a pele, querendo deixá-la com uma textura mais alva; eles tinham acesso a vários produtos de beleza e, para as unhas, a maquiagem feita de gordura de animais e extraos naturais.
As mulheres ocidentais também compartilhavam da mesma ideia. O desejo de ter a pele alva foi inspirado da deusa Vênus. Hooper define a mulher ideal com aquela que tem "a pele fina, macia e clara como o lótus amarelo”. No Japão, as mulheres usavam um pó de arroz muito espesso sobre a pele.
Após a queda do império romano, esse tipo de maquiagem foi abolido na Idade Média. Com a ascenção da Igreja, o pensamento religioso falou mais alto que a vaidade e muitas mulheres foram chicoteadas quando pegas usando maquiagem. O que era valorizado era a mulher de pele alva que aparentasse ser delicada e frágil, com testas curvas, sombrancelhas finas e desenhadas, e rostos pequenos. Por muito tempo essa ideia permaneceu, mas com a rainha da França, Catarina de Medicis, a maquiagem voltou a ser usada após séculos. 
A rainha trouxe a vaidade de volta às mulheres e lançou novos conceitos de beleza: as “moscas” (mouche em francês), que consistia em pedaços de tecido escuro cortados em rodelas pequena se usadas como pintas nos rostos. Muitas mulheres não saíam de casa sem este acessório (LOPES, 2009, p. 23).
Durante a era vitoriana, as mulheres que se aventuravam a usar maquiagem eram classificadas pela sociedade como atrizes ou prostitutas; eram consideradas “boas moças”, as que usavam maquiagem mais clara. Somente em teatros e bordéis elas podiam usar maquiagens mais carregadas, utilizando batom, pó para o rosto, blush, delineando os olhos e as sombrancelhas e ainda sombras nos olhos.
Muito aconteceu e, com os desenvolvimentos científicos, o ato de pintar os lábios tornou-se moda no século XVII, quando as pomadas coloridas ficaram mais acessíveis e seguras.
A partir de todas essas épocas citadas acima, a utilização da maquiagem como recurso de embelezamento começou a ser difundida no mercado consumidor com características singular de cada década, sempre com o objetivo de melhorar a imagem pessoal através da moda, estilo e tendências, e preocupados com a estética e com a aparência. Segundo Mary Del Priori (2000, p. 80), numa sociedade de consumo, a estética aparece como motor do bom desenvolvimento da existência.
A década de 60 é um marco de mudanças no comportamento da sociedade. A maquiagem era essencial e feita especialmente para o público jovem. O foco estava nos olhos, sempre muito marcados com cores tonalidades fortes: rosa-choque, dourado, verde, violeta e laranja. Os batons eram clarinhos ou mesmo brancos e os produtos preferidos deviam ser práticos e fáceis de usar. As mulheres procuravam produtos como cílios postiços, batons, lápis, sombras de todas as cores, blushes, rimeis, e delineadores líquidos.
Atualmente a maquiagem tem sido muito usada de forma bem diversificada. É forte aliada feminina quando o assunto é deixá-la mais bela, disfarçar imperfeições. Como o nome já diz, maquiagem é disfarçar, camuflar, esconder, maquiar tudo aquilo que é alvo de pincéis. Suas variações vão depender de cada situação do cotidiano da hora do dia e estação do ano acompanhar sempre tendênciasmais também aos clássicos que nunca saem de moda.
Em muitos países como Itália, Estados Unidos, entre outros, é considerado uma afronta a mulher sair de rosto limpo sem nenhum tipo de maquiagem. Sendo que no primeiro consideram estar nuas quando não estão maquiadas apostando em tons mais claros, até por conta do clima; no segundo, carregam os olhos escondendo olheiras e mostrando ser mais saudáveis. Ocorre que muitas mulheres estão insatisfeitas com seus rostos e utilizam a maquiagem pra disfarçar suas imperfeições.
Voltar os nossos olhos para a maquiagem, seus padrões e diferenças, é também observar comportamentos e evoluções do homem, da sociedade. A história da maquiagem é vasta e tão ampla que envolve temas sociais, religiosos e políticos.
ANOS 60: TRAJETÓRIA DAS MULHERES
É simplesmente impossível falar de maquiagem sem falar de mulher. Porém, para falar de mulher precisam-se de fontes, documentos, vestígios, e esse é o grande problema que durante muito tempo as mulheres ficaram às margens da história. Vários historiadores têm pensamentos diferentes para explicar esse contexto. Rachel de Shoihet diz: referencia
[...] ao predomínio de imagens que atribuíam às mulheres os papéis de vítima ou de rebelde. De acordo com Mary Nash, o debate em torno da opressão da mulher e seu papel na história teria se inaugurado na década de 1940, por iniciativa da historiadora norte-americana Mary Beard, que, na sua obra Woman as force in history, aborda a questão da marginalização da mulher nos estudos históricos. Beard atribui as escassas referências à mulher ao fato de a grande maioria dos historiadores, sendo homens, ignorarem-na sistematicamente. Esse argumento provocou uma replica do historiador J.M. Hexter, para quem a ausência das mulheres deve-se ao fato de elas não terem participado dos grandes acontecimentos políticos e sociais. Simone de Beauvoir em sua pioneira obra, O segundo sexo, assume postura similar a de Hexter, ao argumentar que a mulher, ao viver em função do outro, não tem projeto de vida própria; atuando a serviço do patriarcado, sujeitando-se ao protagonista e agente da história: o homem.
É nos anos 60 que a história das mulheres ganha impulso, após várias tentativas de vários historiadores. Porém, muitas discussões que ajudariam a influenciar esse modo de pensar já estavam sendo feitas muito antes, pois alguns historiadores já se faziam perguntas sobre o produzir histórico que deixava várias classes oprimidas às margens da história, dando valor à história política, militar, a grandes feitos e grandes heróis. Michelet foi um dos historiadores que influenciaram esse novo jeito de pensar, já que antes mesmo da Escola do Annales e História Cultural, ele já pensava em uma universalização da história influenciando no pensar sobre a história das mulheres. 
Enquanto Michelet defendia o que hoje poderíamos descrever como uma “história da perspectiva das classes subalternas”, em suas próprias palavras “a história daqueles que sofreram, trabalharam, definharam e morreram sem ter a possibilidade de descrever seus sofrimentos” Michelet, 1842, p.8. (BURK, 1992; p. 12).
Muitos historiadores atribuem a escassez das fontes sobre as mulheres ao fato de que a maioria dos historiadores serem homens e por muitos anos as mulheres ter sido vistas apenas como seres frágeis a mulher ficou sujeita ao olhar masculino. Para Beauvior (1970, p 291), uma mulher torna-se plenamente humana quando tem a oportunidade de se dedicar ao exercício de atividades públicas e quando pode ser útil a sociedade.
A história das mulheres mudou seu desenvolvimento, dando lugar à pesquisa de inúmeros temas. Partiu de uma história das mulheres na política, na educação, no trabalho e papéis desempenhados na vida privada, para chegar a uma história do corpo, da família, maternidade, gestos, sentimentos e atitudes. A mulher deixou de ser vista como vítima para chegar a ser mulher ativa.
Essa história mudou e não cabe mais se falar em história da mulher e sim das mulheres e também do gênero. Atualmente, as diferenças entre homens e mulheres são uma área de pesquisa da categoria “gênero” que passou a ser usada a partir de 1970. Esse termo foi proposto por aqueles a história das mulheres transformaria os paradigmas da disciplina e acrescentaria novos temas.
O movimento feminista ocorrido nos anos 60 também foi de grande importância para o surgimento da história das mulheres. Os anos 60 pode-se dizer que foram uma explosão de juventude em todos os aspectos. Era a vez dos jovens que, influenciados pelas ideias de liberdade, mudavam cada dia mais seus pensamentos. Talvez o que mais tenha caracterizado esse período tenha sido o desejo da juventude de se rebelar, a busca por liberdade de expressão e liberdade sexual. Nesse sentido, para as mulheres, o surgimento da pílula anticoncepcional, no início da década, foi responsável por um comportamento sexual feminino mais liberal. Porém, elas também queriam igualdade de direitos, de salários e de decisão.
Dentre os acontecimentos propagados nesse período, o mais significativo, que obteve bastante repercussão, foi a Revolução Sexual “Das explosões silenciadas ocorridas nessa década, a mais discutível é a chamada revolução sexual...”. Esse movimento de libertação feminina corroborou para que a mulher entrasse em contato com a sua sexualidade e passasse a expressá-la de forma livre e consciente. Porém, só teve total e maior liberdade a partir da pílula que foi uma das maiores conquista sexual da mulher. Foi um golpe fatal no sistema de domínio masculino a chegada da pílula anticoncepcional como um método contraceptivo eficaz (e embasadas por todo o processo de evolução do pensamento que vinha se instaurando), a mulher passou a ter o direito de escolher quantos filhos queria ter e, principalmente, quando tê-los. Esta possibilidade de escolha fez com que mesmo mulheres que não vivenciaram diretamente a liberdade adquirida, tivessem isso como um valor.
É importante ressaltar que todas essas mudanças ocorreram no contexto da revolução sexual iniciada nos anos 60, onde nesse período a mulher passa a ter mais autonomia nas suas escolhas, influenciada pelo próprio contexto do desenvolvimento da economia, desempenhando novos papéis como, por exemplo, no mercado de trabalho.
[...] Nesse sentido, o desejo da presença cada vez maior nos espaços públicos, a programação do número de filhos, bem menor, a expansão da escolaridade e o acesso às universidades, dentre outros, têm sido fatores que influenciam incisivamente no aumento do ingresso feminino no mundo do trabalho. (Macêdo, 2003, p. 98).
Usavam a maquiagem para libertarem-se. Para contestar os seus direitos, os olhos sempre bem marcados, já que nos olhos estão a verdade de sua contestação, saíam de suas casas, iriam para as universidades, trabalhos, enfim, iriam para as ruas contestar brigar por direitos iguais. 
Faz mais um paragrafo falando da maquiagem nos anos 60 pelo menos dez linhas e um paragrafo de conclusão 
REFERÊNCIAS
DEL PRIORE, Mary. Corpo a corpo com a mulher:pequena história das transformações do corpo feminino no Brasil. São Paulo.
FAUX, Dorothy Schefer. Beleza do Seculo.
JENKINS, Keith. A História Repensada. Tradução Marcio Vilela. São Paulo: Contexto 2001.
MACÊDO, Goiacira Nascimento Segurado. A construção da relação de gênero no discurso de homens e mulheres, dentro do contexto organizacional. 2003 Dissertação - Universidade Católica de Goiás, 2003. p 161
MOLINOS, Duda. Maquiagen. São Paulo: Senac, 2001/ 2003. Em Busca da Perfeição. São Paulo Anhembi Morumbi, 2008.
SOIHET, Rachel. História das Mulheres. In. CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo. Domínios da Historia-ensaios de teoria e metodologia, Rio de Janeiro: Campus, 1997.
VITA, Ana Carlota R. História da maquiagem da Cosmética e do Penteado- em Busca da Perfeição. São Paulo, 2008.

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