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QUESTÕES DO FILME – GETÚLIO
1 – Qual o tema do filme? O que os realizadores do filme tentaram nos contar? Eles conseguiram passar sua mensagem? Justifique sua resposta.
O tema do filme é sobre os últimos 19 dias de Getúlio Vargas como Presidente da República, isolado no Palácio do Catete enquanto é alvejado pela mídia pelo atentado contra o jornalista Carlos Lacerda que acaba na morte do Major da Aeronáutica Rubens Vaz.
Os realizadores do filme tentam recontar a história como uma versão oficial dos fatos onde há um suspense que perdura toda a trama: Quem foi o orquestrador do atentado que estava levando o governo populista de Vargas a falência? Por se tratar de um filme com espaço temporal curto fica carente de mostrar a quem assiste quais eram as características de Getúlio enquanto ditador e se houve alguma evolução em seu comportamento.
Mediante a apresentação das cenas que recontam os fatos pode-se afirmar que os idealizadores do projeto conseguiram passar a mensagem que desejavam, haja vista que o legado de Vargas permanece inabalável mesmo após as acusações, a ruína de seu governo e o consequente suicídio.
2 – Você assimilou/aprendeu alguma coisa com este filme? O que?
I – A História se repete ao longo do tempo; algumas cenas evocam os acontecimentos do governo no tempo presente, ainda que os personagens principais não tenham a mesma atitude.
II – A sede pelo poder de Getúlio culminou em sua queda, pois ao estar cercado por familiares sucumbiu sem uma estratégia de reação que não fosse um ato extremo.
III – O legado de um homem muitas vezes é construído com o seu sangue.
3 – Algum elemento do filme não foi compreendido?
Mesmo assistindo a cena mais de uma vez, não fica claro os reais motivos do atentado. Há uma impressão de superficialidade.
4 – Do que você mais gostou neste filme? Por quê?
A cena do suicídio. Após a reunião ministerial sem solução, ele se vê incomodado diversas vezes durante a noite até que percebe que será deposto. Seu gesto de tirar a própria vida soa como o cumprimento da síntese apresentada na Reunião: “Só saio da Presidência e do Palácio como um cadáver”. A cena é tão impactante que perpassa a tristeza de diversos personagens ao saber do ocorrido, incluindo Lacerda, seu principal opositor.
5 – Selecione uma sequência protagonizada por um dos personagens do filme, analise e explique qual a sua motivação dramática. O que sua motivação tem a ver com o tema do filme?
A sequência produzida pela personagem Alzira Vargas (Drica Moraes) já no final do filme é marcante não apenas pela dramaticidade que a atriz consegue passar com sua interpretação mas também com a perda não apenas do Presidente da República, mas de seu pai e amigo. Ao longo da narrativa é mostrado como eles estavam sempre juntos, com a relação de confiança estreita a ponto de Getúlio ouvir seus conselhos e sugestões.
A motivação de sua dor tem a ver com o tema do filme pela perda de um homem que, apesar das controvérsias faria falta ao cenário nacional. Enquanto Alzira perdia o seu pai, o povo perdia o “pai dos pobres”, nome pela qual Getúlio Vargas ficou conhecido por todas as conquistas que adquiriu para a nação, dentre as quais a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas, em 1943.
6 – Qual o seu personagem favorito no filme? Por quê?
Getúlio Vargas. Interpretado por Tony Ramos, mostra firmeza de caráter e senso de justiça durante todo o período; aceitando os pedidos de investigações e procurando de toda forma descobrir uma maneira de continuar na Presidência. Outro ponto que chama a atenção é a manutenção de sua honra em não fazer uso de meios escusos, como um novo golpe para se perpetuar no poder. 
7 – Qual é o personagem de que você menos gostou? Por quê?
Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do Presidente. Totalmente oposto as qualidades demonstradas por Vargas, se mostra esquivo e débil em sua defesa, contradizendo-se em mais de uma oportunidade. Seu papel no filme fica desconexo após o encarceramento.
8 – Descreva o uso da cor no filme. Ela enfatiza as emoções que os realizadores tentaram evocar? Como você usaria a cor no filme em questão?
As cores presentes no filme demonstram uma austeridade característica do século XX até os anos 1970. Os tons mais amenos e escuros ajudam a alimentar a atmosfera intimista e ao mesmo passo claustrofóbica construída ao longo do filme, pois boa parte do longa se passa em apenas um cenário. Pode-se dizer que a combinação do uso da cor com a fotografia foi apropriado para os fins dos realizadores. 
Por ser tratar de um thriller político que preza pela seriedade do fato histórico mudaria apenas a questão da claridade e enfoque sobre o cenário, o que proporcionaria uma visão mais clarificada dos ambientes. A cor de um modo geral, remonta bem ao período, não devendo sofrer alteração.
9 – Analise o uso da música no filme. Ela conseguiu criar um clima correto para a história? Como você usaria a música neste filme?
O uso da música é excessivo, pois por se tratar de um filme que evoca o drama em diversas cenas deveria haver mais silêncios que pudessem convidar o telespectador a reflexão do que está acontecendo. Em poucas palavras, a música se torna quase onipresente, como se fosse um personagem; isso é característico de novelas e documentários. 
Mediante na insistência da trilha sonora conclui-se a música é contrastante com o cenário intimista que se cria nas cenas em que o Presidente é apresentado em suas rotinas e relações com pessoas mais próximas.
Pelos apontamentos observados, a música deveria ser mais compassada entre os períodos do filme, devendo funcionar como prelúdio de momentos cruciais da trama. Assim, funcionaria como um convite subconsciente a atenção detida de que assiste.
10 – Todos os eventos retratados no filme são verdadeiros? Descreva as cenas que você achou especialmente bem coerentes e fiéis à realidade. Quais sequências que parecem menos realistas? Por quê
Levando em consideração que logo no início do filme já há o aviso de que o mesmo é baseado em fatos reais e que há um didatismo na maneira como a narrativa é conduzida podemos presumir que os eventos retratados no filme são realmente verdadeiros.
A sequência que mais chama a atenção quanto a coerência é a própria cena do suicídio, as cenas das reuniões ministeriais carregadas de tensão e estratagemas para reverter o quadro político, as cenas em que o jornalista Carlos Lacerda faz uso da televisão em preto e branco para atacar com voz ativa e teorias conspiratórias o Presidente da República, além das manifestações na Câmara onde há discussões acaloradas.
Seguindo essa linha e verificando a parte da História que nos é confiada como informação não se percebe nenhuma discrepância quanto a realidade dos fatos. O que parece ocorrer ao longo do filme é a suposição de diálogos mais íntimos que nem sempre estão descritos nos documentos e que quem escreve o enredo é responsável por criar para dar um encadeamento lógico a história.
11 – Qual a síntese da história contada pelo filme?
“Saio da vida para entrar na história”. A célebre frase proferida em sua carta testamento que foi meticulosamente escrita e pensada demonstra como Getúlio Vargas estava preocupado em construir um legado para as gerações futuras em seu segundo governo. Isso fica evidente principalmente quando ele se recusa a agir de um modo que não considerasse democrático, tal qual o período de 1930-1954.
O segundo aspecto é mostrar como um personagem histórico teve uma vida tão complexa no sentido existencial quanto cada um de nós. O foco em mostrar os últimos dias, as alianças e traições existentes, amizades e pessoas de confiança, angústias e medos nos apresentam algo a se refletir sobre a personagem além de uma construção fictícia.
12 – Como a montagem do filme interfere na história contada pelo filme?
O longa é fiel ao período. Desde a caracterização das personagens, os veículos, as armas e os utensílios utilizados pelos atores são coisasque eram utilizadas pelas pessoas no período. Até o local em que o ocorrido se passa é apropriado pois é um monumento histórico. Nesse aspecto o compósito de filmagem condiz com o que o imaginário vislumbra para a época retratada.
A montagem das cenas procura seguir o calendário dos fatos e as semelhança da personagem principal e coadjuvantes se evidencia nos créditos finais em que são apresentados as pessoas que viveram o acontecido.