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Prévia do material em texto

Fundamentos 
Metodológicos 
do Ensino de 
arte e Música
A Arte e a Educação
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Profa. Ms. Solange Santos Utuari
Revisão Textual:
Profa. Esp. Vera Lídia de Sá Cicaroni 
5
• Introdução
• O ensino da Arte tem uma história
• A forma clássica de ensinar arte
Nesta unidade, estudaremos a história do ensino da Arte no Brasil e faremos alguns apontamentos históricos 
mostrando as diferentes formas de se ensinar arte. 
Fundamentaremos nosso trabalho, entre outros autores, no trabalho de pesquisa realizado pela pensadora 
Ana Mae Barbosa. Veremos como a autora percebe a história do ensino da arte no Brasil e como se posiciona 
metodologicamente sobre o ensino da arte. 
O estudo do ensino de arte na formação de pedagogos é fundamental para que mais mudanças sejam 
realizadas, a fim de oferecer, nas escolas, um ensino artístico de qualidade e coerente com o nosso tempo.
Quanto às atividades propostas na unidade, é importante que você realize todas com afinco e determinação. 
Teste seus conhecimentos respondendo às questões sugeridas, observe o que você já sabe e o que precisa ainda 
saber e amplie seus conhecimentos lendo o material complementar e os textos sugeridos no decorrer do texto.
Tenha um bom estudo e lembre-se de que, em caso de dúvidas, estaremos à sua disposição no 
ambiente virtual.
 · Seja bem-vindo(a) à unidade I: A Arte e a Educação. A ideia central 
da unidade é fazermos alguns apontamentos históricos sobre o ensino 
de Arte no Brasil e conhecermos algumas metodologias de ensino da 
Arte. Para tanto, investigaremos as ideias de Ana Mae Barbosa e Mirian 
Celeste Martins. Ainda na unidade, refletiremos sobre a importância da 
arte em nossa vida.
A Arte e a Educação
• A forma espontaneista de ensinar arte
• A Forma técnica de ensinar arte
• A forma de ensinar nos tempos da democracia
• A abordagem triangular do ensino de arte 
• Sobre as releituras
• As preocupações contemporâneas do ensino 
de arte democracia
• Situação política e conceitual do ensino de 
arte no Brasil: a formação do pedagogo que 
ensina arte. 
6
Unidade: A Arte e a Educação
Contextualização
Para o momento de contextualização sugerimos a leitura de duas entrevistas da professora e 
pesquisadora Ana Mae Barbosa, que é uma das principais referências, no Brasil, para o ensino 
da arte nas escolas.
Nas duas reportagens, Barbosa expõe sua opinião sobre a importância do ensino da arte 
nas escolas e sobre os problemas de implantar suas ideias. Nos textos, podemos perceber uma 
insatisfação com as políticas públicas para o ensino de arte e com o problema da formação de 
educadores. É importante que você fique atento às argumentações sobre dois pontos centrais 
nesta unidade: a relevância do ensino de arte na escola e a formação do professor para a 
qualidade do ensino das linguagens artísticas. 
Leia as entrevistas e boas reflexões.
 
 Explore
São os textos:
“Ensino de artes nas escolas ainda é inadequado”, por Karina Costa. 
Disponível em: https://goo.gl/wdMTTs
“Arte & educação - Entrevista com Ana Mae Barbosa”, por Carlos Gustavo Yoda e Eduardo Carvalho. 
Disponível em: https://youtu.be/PSaZT9CqqbE
 Explore
7
Olá, nesta unidade faremos uma reflexão a respeito da Arte e seu Ensino. Faremos alguns 
apontamentos históricos sobre o ensino da Arte nas escolas em relação aos métodos e formas 
de ensinar arte. Ensinar ou aprender arte é sempre uma aventura, uma busca incessante de 
poéticas e estéticas que possam exprimir pensamentos, sentimentos e visão de mundo.
Em nossa trajetória de estudos, vamos descobrir novos métodos, conceitos e propostas que 
estão revolucionando o ensino da arte nas escolas. Também vamos refletir sobre os problemas 
e equívocos na educação estética de nossas crianças e jovens.
A proposta é conhecer pensamentos de arte de educadores atuais sobre o percurso da história 
do ensino de arte no Brasil e como esta área de conhecimento pode ser mais bem explorada na 
escola hoje. Agora, fazemos um convite para você entrar nesta aventura.
As práticas educativas, assim como as outras áreas de conhecimento, surgem 
de mobilizações políticas, sociais, pedagógicas, filosóficas, e, no caso de arte, 
também de teorias e proposições artísticas e estéticas. Quando aprofundamos 
nossos conhecimentos sobre essas articulações, em cada momento histórico, 
certamente aprendemos a compreender melhor a questão do processo 
educacional e sua relação com a vida. (Ferraz e Fusari, 2009, p. 37). 
Ao refletirmos sobre a epígrafe, notamos que as mudanças no ensino da arte não 
aconteceram ao acaso; foram fruto da luta de educadores comprometidos com o ensino 
de arte. Entretanto essas mudanças ocorreram inseridas em contextos sociais e históricos 
determinados que influenciaram essas transformações, e, assim, percebemos que a própria 
arte também se transformou.
Introdução
Glossário
Estética: É o estudo do belo, seu conceito e suas propriedades. Estudo sobre a beleza e seus 
reflexos na criação artística.
Poética: A ciência que estuda os recursos técnicos usados na arte. A poesia de um autor, de uma 
época, de uma região. Arte da composição poética.
O ensino da Arte tem uma história
8
Unidade: A Arte e a Educação
Podemos dizer que o ensino oficial da arte no Brasil se deu com a instalação da Academia 
Imperial de Belas Artes em 1826. Essa escola valorizava a linguagem artística do desenho. O 
desenho era sempre exigido como cópia fiel do objeto desenhado e utilizava uma estética clássica 
e um ensino tradicional, através da repetição de atividades para a sua fixação e desenvolvimento 
de técnica para desenhar. Nas artes cênicas, apenas em 1908, foi fundado o Conservatório 
Dramático de Salvador, considerado a primeira escola oficial de teatro do Brasil, apesar de se 
ensinar teatro nas escolas desde o descobrimento do Brasil, tradição iniciada pelos jesuítas, que 
usavam o teatro para a catequização.
Esta concepção prioriza apenas a forma unilateral de realização e modelos a seguir, em 
que a natureza ou objetos são imitados e não percebidos em pensamento estético e pessoal. 
Na educação infantil, as propostas são direcionadas; em alguns casos, etapas são realizadas 
pelo professor.
Como aspectos positivos, a livre expressão respeitava mais a espontaneidade e o processo de 
criação das crianças, além de valorizar as ideias em educação a respeito da experiência como 
forma de aprendizado significativo e as fases do desenvolvimento infantil.
Porém, educação infantil deixava o aprendizado solto, apenas por conta de vivenciar arte sem 
muitos momentos para reflexão e apreciação de obras artísticas para construção de repertórios.
John Dewey (1859 – 1952), educador e pesquisador norte-americano, 
trouxe maior significado à experiência de aprender arte e expressar-se por 
meio dela, à educação em arte como experiência estética e de encontros 
significativos.
A forma clássica de ensinar arte
A forma espontaneista de ensinar arte
9
No início do século XX, predominavam as ideias modernistas e os estudos da Escola Nova, 
em que o foco do ensino estava centrado na livre expressão e na ideia de que todos podemos 
ser artistas. Tratava-se de ensino com base na experimentação, sem a preocupação com a 
construção do repertório cultural por meio de reflexão crítica sobre as leituras de mundo, 
produtos artísticos e processos de pesquisas em poéticas. Essa concepção pedagógica pensava 
que a criança tinha uma arte própria e o adulto não deveria interferir.
 Ao mesmo tempo em que as ideias do ensino espontâneo, o qual valorizava a sensibilização 
e a experiência artística, ganhavam força, encontrávamos também educadores que tinham uma 
visão de que a arte é algo manufaturado, artesanal, utilitário, além do pensamento; de que a 
arteestá a serviço de outras disciplinas.
Na educação infantil, até hoje, vemos essa prática presente. Infelizmente desenhos prontos 
são oferecidos aos pequenos em datas comemorativas.
A imposição de modelos para colorir nunca trouxeram contribuições para o processo de 
apropriação do conhecimento das crianças. Ao contrário, são prejudiciais ao desenvolvimento 
gráfico, criativo e estético da criança.
O ensino técnico prevê uma educação voltada para a preparação de mão de obra barata 
para as indústrias. Portanto prevê um ensino de arte sem a preocupação com a construção 
poética do objeto ou da linguagem, apenas com procedimentos técnicos.
São os casos dos desenhos técnicos e geométricos, construção sem sentido artístico e estético, 
apenas técnico, como, por exemplo, colagens com bolinhas de crepom ou mosaicos.
Na concepção de ensino de arte nos anos 80 - que trouxeram a abertura política para que 
as concepções de educação e de ensino de arte fossem repensadas - a ideia era propor um 
currículo que interligasse o fazer artístico, a história da arte e a análise da obra de arte. Esse 
currículo estaria organizado de maneira que a criança, em suas necessidades, seus interesses e 
seu desenvolvimento, estaria sendo respeitada.
A Forma técnica de ensinar arte
A forma de ensinar nos tempos da democracia
10
Unidade: A Arte e a Educação
Na década de 1990, surgiram, no Brasil, novas propostas sobre o ensino da arte, entre elas 
a abordagem triangular do ensino da arte, proposta pela professora e pesquisadora de arte Ana 
Mae Barbosa (1942-). Sem uma ordem definida, ela indica que o aprendiz de arte deve: ler, 
fazer, e contextualizar a arte.
Ler obras de arte:
É estimular a percepção e o conhecimento a respeito da crítica e da estética. É ampliar 
repertório cultural e nutrir o olhar dos alunos sobre os aspectos que envolvem a produção de 
uma obra de arte. Isso se refere a todas as linguagens artísticas: dança, pintura, esculturas, 
teatro, música, entre outras.
Fazer arte:
É explorar a ação criadora na prática artística. É buscar momentos em que os alunos 
experimentem materialidades, processos e procedimentos no fazer artístico.
Contextualizar a arte:
É o exercício de pensar a respeito da arte. A contextualização também explora os saberes 
estéticos, históricos e culturais. Quando contextualizamos a arte, devemos fazê-lo relacionando 
arte à vida. Na educação, isso acontece quando podemos entender a arte de forma interdisciplinar.
Alguns métodos de ensino influenciaram a abordagem triangular. A preocupação em torno 
do conhecer, do apreciar e do fazer arte, conhecida, no Brasil, como proposta triangular, teve 
influências de métodos norte-americanos. Veja alguns:
 Comparativo
 Multipropósito
 DBAE ((Discipline-Based Art Education)
De forma geral, esses métodos envolvem realizar uma leitura comparada de várias obras 
de arte de diversos períodos para que o aluno perceba as diferenças e as similaridades. Há 
preocupação com a formação do pensamento crítico com processos de ler e pensar a arte, 
entre eles:
 Descrever
 Analisar
 Interpretar
 Julgar
A abordagem triangular do ensino de arte 
11
O método Multipropósito propõe momentos em que os aprendizes de arte experimentem:
 exercício de ver;
 exercício de aprendizagem da arte;
 extensões da aula;
 produzir artisticamente.
As novas concepções que surgiram a partir dos anos 1980 e 1990 do século XX propunham 
o ensino de arte como construção de conhecimento e desenvolvimento cultural. Porém essas 
propostas, devido à frágil formação dos educadores, não foram exploradas de forma adequada.
A aula de arte teve como foco apenas o conhecimento da bibliografia e contexto do artista, e 
pouco se explorou a poética do aluno ou um processo de criação autônomo.
O maior problema foi a prática das releituras como forma de fazer artístico, usadas de maneira 
indiscriminada e sem respeitar as fases do desenvolvimento artístico da criança, resultando em 
meras copias.
Precisamos nos conscientizar de que a arte é uma linguagem expressiva, portanto tem 
códigos, processos de criação, história e mostra a complexidade do pensamento humano. Os 
desenhos prontos, ainda muito usados na escola de educação infantil e nas séries iniciais do 
ensino fundamental, prejudicam o desenvolvimento criativo e psicomotor de nossas crianças.
O contato com obras artísticas é fundamental para a ampliação do repertório cultural de 
nossas crianças e jovens. Fazer arte não é copiar obras de artistas, mas, sim, pesquisar materiais 
e modos de expressar suas ideias por meio de elementos de linguagens e temas. Os professores, 
com essas práticas obsoletas, devem começar a estudar as propostas para ensino de arte que 
surgiram com força no Brasil a partir da década de 1980 do século passado e que muitos 
educadores ainda não conhecem.
Sobre as releituras
As preocupações contemporâneas do ensino de arte
12
Unidade: A Arte e a Educação
Será que estamos acertando os passos no ensino de arte? Há caminho certo?
Não sabemos! O que podemos fazer é escolher de maneira mais consciente; estudar, observar, 
refletir sobre nossas práticas e fundamentar nosso trabalho, estando sempre abertos a mudanças 
e transformações.
Mas, como podemos propor um currículo em arte em meio a tamanha diversidade cultural 
e didática?
A proposta é ter uma concepção em que a arte é vista como linguagem expressiva de um 
mundo culturalmente vivido. Seu ensino visa potencializar descobertas de poéticas pessoais e 
experiências estéticas.
Na proposta de construir um currículo em arte na educação Infantil, os caminhos escolhidos 
trilham percursos poéticos, estéticos, artísticos e educativos. A arte pode ser compreendida como 
uma forma de sentir, interpretar e apresentar percepções do mundo da cultura e cotidiano.
A experiência da arte na infância tem um caráter de encontros estéticos com o 
mundo da cultura e com o cotidiano por meio da construção de hipóteses, habilidades 
e experimentações lúdicas.
Ações didáticas podem construir projetos que exploram identidades, alfabetização em 
diferentes linguagens da arte, pensamento inventivo e leituras de mundo.
Uma resposta possível da professora e pesquisadora de arte Mirian Celeste Martins seria: 
“[...] a arte é importante na escola, principalmente porque é importante fora dela” (Martins, 
2010, p. 12).
É com essa ideia que estamos embasando nosso diálogo sobre o ensino de arte, hoje, nas 
escolas. Durante muito tempo, a arte foi colocada em segundo plano no cenário da maioria 
das escolas no Brasil. Hoje esse conceito está mudando, mas há, ainda, muitos equívocos a 
respeito da concepção de ensino de arte e sua importância na escola. Hoje encontramos muitos 
caminhos para pensar uma proposta de ensino de arte.
Quando pensamos em uma obra de arte, uma pintura, por exemplo, ou uma peça de teatro, 
uma música, podemos refletir sobre em que momento essa obra foi produzida, que assuntos 
levaram o artista a criar imagens com formas e temáticas, como articulou linhas, elementos, 
expressões, cores e outros elementos visíveis em suas obras visuais ou, ainda, perceptíveis 
na linguagem cênica e musical? Perguntamo-nos que materiais ele usou para compor sua 
pintura, cenário, figurino, qual foi o processo de criação que o levou a fazer uma imagem ou 
uma representação cênica ou uma música tão impressionante capaz de fazer com que nós, 
apreciadores, nos emocionemos diante da obra artística? São muitos os momentos, processos e 
procedimentos que fazem parte da história de uma obra de arte. Com as crianças na produção 
Por que a arte é importante na escola? 
13
da sua arte também não é diferente; quanto mais o professor explorar as potencialidades 
dos assuntos, materiais e processos de criação melhor será a experiência na construção da 
linguagemartística. Assim, é importante criar situações de aprendizagem que proponham a 
contextualização, reflexão, experimentação, pensamento imaginativo e saberes construídos.
Ao estudarmos a história do ensino da arte no Brasil, podemos perceber que, na trajetória 
histórica e política da educação, constata-se a existência de várias concepções de ensino de arte.
A concepção clássica, do início do século XIX, estava sob a influência francesa. Entendida 
como escola tradicional ou acadêmica de ensino artístico, deixou, na escola, marcas percebidas 
até os dias de hoje, como a prática do desenho de observação, que não leva em consideração 
processos de criação, exploração de materialidades e compreensão de elementos de linguagem. 
Esta concepção prioriza apenas a forma unilateral de realização e modelos a seguir, em que a 
natureza ou objetos são imitados e não percebidos em pensamento estético e pessoal.
Encontramos, ainda, neste período, a prática de professores que, não tendo aderido às ideias 
modernistas de criação artística e de ensino de arte, pautam-se em procedimentos didáticos 
mediante os quais se oferecem aos alunos desenhos prontos, geralmente relativos a datas 
comemorativas. Essa prática tem origem na formação de professores oferecida pelas escolas 
normalistas (formação para o magistério) na primeira metade do século XX e que se estendeu 
até o início da década de 1980. A prática de oferecer desenhos prontos, sem espaço para a ação 
criadora e desenvolvimento gráfico infantil, deixou uma lição muito forte na vivência de nossas 
crianças, sintetizada na frase “Eu não sei desenhar!”.
Uma luz nesse cenário foi a presença do movimento das escolinhas de arte do Brasil, que 
propunha o ensino da arte desvinculado da escola oficial. Iniciado por Noemia Varela, entre 
outros, esse movimento atuou fortemente na formação do professor de arte. Pautado em bases 
modernistas, fundamentado pelo pensamento de Elliot Eisner e Jonh Dewey, trouxe maior 
significado à experiência de aprender arte e expressar-se por meio dela e à educação em arte 
como experiência estética e de encontros significativos.
Ao mesmo tempo em que, nas escolinhas de arte, realizava-se um trabalho de sensibilização 
e valorização do ensino artístico, na escola de ensino oficial, predominava a visão de que a 
arte é algo manufaturado, artesanal, utilitário, sem preocupação com a construção poética do 
objeto ou da linguagem, e, ainda, de que o processo de construção da arte se satisfazia em 
procedimentos técnicos, sem construção poética.
Essa diversidade de concepções de ensino da arte no Brasil, de que resultaram práticas 
contraditórias entre si, agravou-se com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 
5692/71, quando se implantou a área de Educação Artística como atividade e não como 
disciplina. A área ficou solta no currículo da escola, além de ser vista como conteúdo secundário 
na formação de crianças e jovens.
Situação política e conceitual do ensino de arte no Brasil: 
a formação do pedagogo que ensina arte
14
Unidade: A Arte e a Educação
Na época, embora tenha havido ampliação do mercado de trabalho para o professor de arte, 
não havia cursos de formação de professores em arte disponíveis. Os cursos de Licenciatura em 
Educação Artística começaram a existir a partir de 1973, dois anos depois da implantação da área 
na escola. Nesse período de falta de professores especializados em arte, abriu-se precedente para 
a contratação, em caráter excepcional, de profissionais de outras áreas: publicitários, arquitetos, 
desenhistas projetistas, pedagogos e professores com formação em outras áreas. Assumir aulas 
de Educação Artística era uma forma de completar a jornada de trabalho e a renda.
Como cada professor ensina a partir do seu repertório didático e cultural, fizeram parte do 
currículo da escola, na área de arte, atividades, como: confeccionar embalagens; realizar plantas 
baixas de casas; desenhos geométricos; aulas de história da arte sem apreciação de imagens, 
apenas com textos escritos; pintar desenhos prontos; fazer decoração de festas, artesanato e 
lembrancinhas em datas comemorativas.
Outro problema diz respeito à formação polivalente, por meio de um currículo que 
pretendia preparar professores em todas as linguagens artísticas, um equívoco conceitual 
que persiste até hoje.
Olhando para a história do ensino de arte, percebe-se a ressonância dos anos de assimilação 
da disciplina na escola, que levou à construção de um currículo oculto, disperso e incoerente, 
com as concepções de ensino e aprendizagem distantes da própria natureza da arte, sem a 
construção e a compreensão da linguagem artística.
As pesquisas desenvolvidas nos anos de 1980 contribuíram muito para repensar as práticas 
e conceitos a respeito do ensino de arte. Esses estudos, como já dito, resultaram em propostas 
presentes na Abordagem Triangular de Ana Mae e nos eixos de aprendizagem expressos nos 
Parâmetros Curriculares Nacionais em Arte: apreciação, produção e reflexão (Brasil, 1998). 
Porém, a frágil formação da maioria dos educadores não deu conta de compreender a 
complexidade da arte, reduzindo as propostas de construção de saberes nas linguagens artísticas 
a meras atividades executáveis em sala de aula, como o caso das releituras vazias, com ênfase 
na cópia e não na compreensão e ressignificação da obra de arte para o aluno.
Nesse sentido, as novas concepções de ensino de arte, que propunham a abordagem triangular 
(ler, fazer e contextualizar), não foram exploradas de forma adequada, pois o foco dessas práticas 
ficou preso à bibliografia, poética, forma e contexto do artista, e pouco se explorou a poética do 
aluno ou o processo de criação autônomo.
Entre os anos de 1980 e 2000, foram publicados vários livros e artigos de revistas no Brasil 
com o objetivo de fundamentar melhor a prática dos professores de arte e, consequentemente, 
dos(as) pedagogos(as) que trabalhavam com a arte nas aulas da Educação Infantil ou no 
Ensino Fundamental I. Entre esses estudos, a proposta da Professora Doutora Ana Mae Barbosa 
(1998) apresentou três eixos conceituais de aprendizagem no percurso do ensinar e aprender as 
linguagens artísticas. A formação do educador deveria abranger temas, como:
Fazer/criação/produção:
Espaços em que os estudantes de arte ou pedagogia pudessem experimentar materiais, 
elementos de linguagens artísticas e poéticas pessoais.
15
Ler/percepção/análise:
Momentos de apreciação artística em contato com obras de arte originais em museus 
e espaços culturais ou por reproduções em que os aprendizes pudessem perceber como os 
diferentes artistas em diversificadas épocas produziram suas obras e como essas obras dialogam 
com universo do apreciador.
Contextualização/reflexão/compreensão:
Oportunidades de conhecer, vivenciar e fruir obras artísticas, para que os aprendizes pudessem 
ampliar seus repertórios culturais além de nutrir sua formação estética. 
As décadas de 80 e 90 (século XX) marcaram a democratização do país e a revisão dos 
conceitos educacionais. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 trouxe 
avanços para a construção de uma concepção mais coerente do ensino de arte: arte como área 
do conhecimento. Embora a lei tenha apresentado avanços, na prática dos educadores em arte 
observa-se uma situação confusa: parte dos educadores busca conhecer as novas propostas 
metodológicas, embasamentos legais e teóricos, ampliando seus saberes e a reflexão sobre o 
ensino de arte na escola; outros continuam a reproduzir as práticas antigas sem refletir sobre o 
seu papel nesse processo de mudança conceitual do ensino de arte.
Os ecos dessa história ainda são percebidos em nossa classe profissional, quando vemos 
professores reprodutores de atividades resultantes desse currículo confuso, construído com 
base em equívocos conceituais e atropelos políticos.De outro lado, porém, há professores que 
buscam ampliar sua formação, no sonho de realizar trabalho de qualidade no ensino de arte, e 
que começam a ser identificados como professores propositores de percursos estéticos artísticos 
e pesquisadores reflexivos sobre a própria prática e sobre os conhecimentos que nutrem os 
pensamentos na educação contemporânea.
A concepção de ensino de arte, hoje, prima pelas ideias de que a arte é conhecimento, 
uma linguagem complexa e expressiva que desenvolve percepção sensível de mundo e mentes 
criadoras. O ensino artístico tem a preocupação com a educação estética e a acessibilidade aos 
bens culturais para formar cidadãos conscientes de seus papéis culturais.
O estudo do ensino de arte na formação de pedagogos é fundamental para que mais 
mudanças sejam realizadas, a fim de oferecer, nas escolas, um ensino artístico de qualidade e 
coerente com o nosso tempo. O pedagogo, além de atuar no ensino de arte em séries iniciais, 
também pode ocupar cargos de coordenação e orientação pedagógica. Nesse sentido, conhecer 
os conceitos e novas propostas didáticas para o ensino de arte é fundamental nesse processo de 
valorização da arte na escola. 
Para ampliar seus conhecimentos sobre o ensino de arte e formação do professor, 
sugerimos o texto de Beatriz Santomauro, da Revista Nova Escola: O que ensinar 
em arte: O ensino da área se consolida nas escolas sobre o tripé apreciação, 
produção e reflexão.
O texto encontra-se no seguinte endereço eletrônico: https://goo.gl/rTTl22
16
Unidade: A Arte e a Educação
Para finalizar a unidade I, convidamos você a fazer uma reflexão. O texto apresentado nesta 
unidade cita questões sobre arte e sua importância no ensino e mostra os avanços e problemas 
ainda presentes no ensino de arte na escola. Embora, hoje, existam mais oportunidades de 
conhecer teorias e propostas metodológicas, ainda encontramos práticas antigas que tratam a 
área de arte como uma disciplina menor frente às demais do currículo. Agora pense a respeito:
Você acha mesmo que arte é importante? Por quê? 
Como você vivencia as manifestações culturais de sua localidade? 
Você teve, na sua formação no ensino fundamental e médio, boas aulas de arte? 
O que ficou de significativo nesse aprendizado?
Essas questões ajudam-nos a pensar sobre como se deu nossa educação estética e qual a 
importância da arte em nossas vidas.
Obrigado e bons estudos!
17
Material Complementar
Para complementar seus estudos e pesquisa sobre o ensino da arte sugerimos que assista ao 
filme: O sorriso de Monalisa.
O filme conta a história de Katharine Watson (Julia Roberts) que é uma recém-graduada 
professora que consegue emprego no conceituado colégio Wellesley, para lecionar aulas de 
História da Arte.
Incomodada com o conservadorismo da sociedade e do próprio colégio em que trabalha, 
Katharine decide lutar contra estas normas e acaba inspirando suas alunas a enfrentarem os 
desafios da vida.
 O filme é facilmente encontrado nas locadoras de vídeo ou mesmo baixado diretamente 
da internet. Assista ao filme e reflita sobre como ensinar arte.
Obrigado e bons estudos.
 
 Explore
Título: O sorriso de Monalisa 
Gênero: Drama 
Direção: Mike Newell 
Elenco: Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles, Maggie Gyllenhaal 
Tempo: 125 min. 
Lançamento: 2003
18
Unidade: A Arte e a Educação
Referências
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino de arte. 7ª edição São Paulo: Perspectiva. 2009. 
BRASIL MINISTERIO DA EDUCACAO E DO DESPORTO. Referencial Curricular Nacional 
Para a Educação Infantil: Conhecimento de Mundo. Brasilia: Mec/Sef, 1998.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: arte / 
Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1997.
FUSARI, Maria F. R; FERRAZ, Maria H. C. T. Metodologia do ensino da Arte. 2º ed. São Paulo: 
Cortez, 1999. (coleção Magistério. Série formação do professor).
MARTINS, M. C. PICOSQUE, G. GUERRA, M. T. Teoria e prática do ensino de arte: a língua do 
mundo. São Paulo: FTD, 2010.
19
Anotações
www.cruzeirodosulvirtual.com.br
Campus Liberdade
Rua Galvão Bueno, 868
CEP 01506-000
São Paulo SP Brasil 
Tel: (55 11) 3385-3000
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