Prévia do material em texto
PROCESSAMENTO DIGITAL DE SINAIS – JUNHO DE 2018
1
Abstract— The signal windowing is a simple method that can
increase the spectral characteristics of the signal samples. This text
was developed in order to analyze and present the main existing
methods of windowing. Beside these methods of windowing, it is
also discussed their applications.
Index Terms— frequency, signal, time, wave, windowing
I. INTRODUÇÃO
as aplicações práticas envolvendo a amostragem de sinal,
conseguimos obter apenas uma gravação finita do sinal o
que resulta em uma onda de forma truncada que possui
características espectrais bem diferentes do sinal inicial ou
original. Com essa descontinuidade temos uma perda de
informação do espectro original. Para melhor analise e aumento
das características espectrais de um sinal amostrado, utilizamos
a função de janela sobre o mesmo.
Ao analisar uma sequência de dados finita através de Fourier
ou outro método de análise espectral, o janelamento minimiza
as margens de transição em formas de onda truncadas,
reduzindo dessa forma a perda espectral. Existem várias razões
para a utilização do janelamento de sinais, como a definição da
duração do período de observação do sinal, a redução da perda
espectral, e a separação de um sinal de pequena amplitude de
um sinal de grande amplitude com frequências muito próximas
umas das outras. O janelamento modifica a forma do sinal no
domínio do tempo e no domínio da frequência. Existe vários
tipos de janelas para serem aplicadas e analisadas dependendo
do caso. Alguns softwares já têm elas implantadas e disponíveis
para análise como no LabVIEW e MatLAB. Cada tipo de janela
tem uma característica, portanto, devemos estudar o que melhor
se adequa ao caso em análise.
II. DOMÍNIO DO TEMPO, DOMÍNIO DA FREQUÊNCIA E FFT
A transformada de Fourier serve para entendermos os sinais
e corrigirmos erros. É uma função matemática complicada. A
função decompõe um sinal em ondas senoidais de diferentes
amplitudes e frequências. Todos os sinais são uma soma de
senoide. Podemos observar um sinal como uma tensão que
varia ao longo do tempo; na transformada de Fourier,
denominamos isso como “domínio do tempo”. O teorema de
Fourier diz que que qualquer forma de onda dentro do domínio
de tempo pode ser representada como uma soma ponderada de
ondas senoidais e cossenoidais. Usamos de exemplo a soma de
dois diferentes tipos de ondas, onde uma delas tem amplitude
Este trabalho foi orientado pelo Professor Renatto Vaz Carvalho.
um e período de um segundo, já a outra temos uma amplitude
de quatro e período de um. Na soma das duas teremos um novo
sinal com amplitude três vezes maior e mesmo período. A soma
desses sinais, irá resultar em uma onda de formato quadrado.
Com isso, todos os sinais no domínio do tempo são
representados por uma serie de senoides.
Figura 1. Ao somar dois sinais, você obtém um novo sinal.
Figura 2: A onda quadrada é uma soma de ondas senoidais.
Figura 3: A onda quadrada é uma soma de ondas senoidais.
Construindo sinais dessa forma, facilitamos a desconstrução
dos sinais em senoide, assim, facilitando a análise de diferentes
frequências presentes nos sinais digitais. Um exemplo disso são
as ondas de rádio; quando é feito a desconstrução dos sinais,
nós podemos escolher uma determinada frequência (ou estação
Janelamento
N
PROCESSAMENTO DIGITAL DE SINAIS – JUNHO DE 2018
2
ou canal de rádio). Podemos também remover alguns ruídos
indesejáveis, detectando sinais graves e agudos.
A transformada de Fourier desconstrói uma representação no
domínio do tempo de um sinal para construir uma representação
no domínio da frequência. O domínio da frequência mostra os
valores de tensão presentes em diversas frequências. É uma
maneira diferente de ver o mesmo sinal.
O digitalizador amostra uma forma de onda e a transforma
em valores discretos. Com essa transformação, não utilizaremos
a transformada de Fourier. Em vez disso, utilizaremos a
transformada discreta de Fourier (DFT), que fornece
componentes do domínio de frequência em valores discretos,
ou bins. A transformada rápida de Fourier (FFT) é uma
implementação otimizada de uma DFT que utiliza menos
computação, basicamente apenas descontruindo um sinal.
Usamos de exemplo sinais em duas frequências diferentes, o
sinal tem dois picos no domínio da frequência — um pico para
cada uma das duas frequências das senoides que compõem o
sinal original.
Figura 4. O resultado da soma de duas ondas de amplitudes iguais gera dois
picos no domínio da frequência.
A amplitude do sinal original é representada na vertical.
Onde há dois sinais diferentes em diferentes amplitudes,
podemos ver que o pico mais alto corresponde à frequência do
sinal senoidal de maior tensão. Observando o sinal no domínio
do tempo, você pode ter uma boa ideia do sinal original,
sabendo em que frequências ocorrem os sinais de maior tensão.
Figura 5. O pico mais alto corresponde à frequência de maior amplitude
Observar os sinais no domínio da frequência pode ser bem
útil, usamos o exemplo de uma onda quadrada no domínio da
frequência. As ondas quadradas são criadas por meio de muitas
ondas senoidais que estão em diversas frequências, assim
teremos vários picos nesse sinal no domínio da frequência.
Conforme a figura 6, ao ver uma rampa no domínio da
frequência, você saberá que o sinal original era uma onda
quadrada.
Figura 6. O domínio da frequência de uma onda quadrada parece uma rampa.
A função da transformada de Fourier existe em vários
osciloscópios de sinais mistos, denominada de função FFT.
Conforme a figura 7, podemos observar como esses sinais são
representados na vida real, onde existe uma onda quadrada e ao
ampliar esse sinal, podemos observar os picos no domínio da
frequência.
Figura 7. A onda quadrada original e sua FFT são mostradas na imagem de
cima.
Figura 8. A imagem de acima mostra uma parte ampliada da FFT, na qual
podemos ver os picos individuais.
Os sinais no domínio da frequência ajudam na validação de
sinais para resolver alguns problemas existentes no sinal. Na
imagem abaixo temos um exemplo de uma onda senoidal
aparentemente ideal.
PROCESSAMENTO DIGITAL DE SINAIS – JUNHO DE 2018
3
Figura 9. Onda senoidal aparentemente boa, bastante similar a uma onda
senoidal perfeita.
Agora observando esse sinal no domínio da frequência,
notamos que existe um pico menor em uma frequência mais
alta. Podemos concluir que essa onda já não é mais tão ideal.
Como esse tipo de análise no domínio da frequência podemos
investigar falhas, ruídos ou interferência indesejada que um
canal de transmissão causa em outro (crosstalk)
Figura 10. Desconstruindo a onda senoidal aparentemente ideal da Figura 9,
vemos um componente de ruído.
III. JANELAMENTO
Uma FFT apesar de nos dar diversos tipos de informações
sobre um sinal, ela também possui suas limitações. Conhecendo
essas limitações podemos visualizar um sinal através do método
do janelamento.
Abaixo temos uma imagem de uma FFT de números inteiros
de períodos, isso proporciona uma FFT ideal embaixo.
Figura 11. A medição de um número inteiro de períodos (em cima) proporciona
uma FFT ideal (em baixo).
Se por exemplo, o sinal adquirido não tiver um número
inteiro de períodos, isso pode resultar em uma onda de formato
truncado, gerando diferentes características do sinal original
que era continuo no tempo, o que introduzreações abruptas no
sinal medido, chamamos essas reações abruptas de
descontinuidades. Isto é, quando um número de período não for
inteiro, haverá uma descontinuidade entre o os pontos de
ligação de uma aquisição. Nas FFT essas descontinuidades são
mostradas como alta frequência e não estão presentes no sinal
original. Frequências essas que podem ser muito mais altas que
a frequência de Nyquist, sendo visualizadas entre zero e a
metade da taxa de amostragem. O espectro obtido pela FFT, não
será correto do sinal original, uma sim uma versão distorcida do
sinal.
Essa FFT aparecerá como se a energia de uma frequência
fosse mandada para outras frequências. Esse fenômeno é
conhecido como dispersão espectral, que faz linhas espectrais
finas se espalharem em sinais mais amplos.
Figura 12. A medição de um número não inteiro de períodos (em cima) aumenta
a dispersão espectral da FFT (em baixo).
Pode-se minimizar os efeitos do uso de um número não
inteiro de ciclos em uma FFT utilizando uma técnica chamada
Janelamento, que reduz a amplitude das descontinuidades nas
bordas de cada sequência finita adquirida pelo digitalizador. O
Janelamento consiste na multiplicação do registro de tempo por
uma janela de comprimento finito que varia de maneira
uniforme e gradual até chegar a zero nas bordas. Com isso, os
pontos extremos da forma de onda se encontram e a forma de
onda será contínua, sem transições abruptas. Essa técnica
também é conhecida como aplicação de uma janela.
PROCESSAMENTO DIGITAL DE SINAIS – JUNHO DE 2018
4
Figura 13. O uso de uma janela minimiza o efeito da dispersão espectral.
A. Funções de Janelamento
Existe diferentes tipos de funções de Janelamento, cada uma
é utilizada dependendo do sinal. A curva real de uma janela
mostra que a característica de frequência de uma janela é um
espectro contínuo com um lóbulo principal e vários lóbulos
laterais. O lóbulo principal é centralizado na componente de
frequência do sinal no domínio do tempo, e os lóbulos laterais
estão próximos de zero. A altura dos lóbulos laterais indicam o
efeito que a função de Janelamento exerce nas frequências que
estão ao redor dos lóbulos principais. A resposta de um lóbulo
lateral de um sinal senoidal de alta intensidade pode sobrepujar
a resposta do lóbulo principal de um sinal senoidal próximo de
pouca intensidade. Tipicamente, os lóbulos laterais menores
reduzem a dispersão na FFT medida, mas aumentam a largura
de banda do lóbulo principal. A taxa de atenuação do lóbulo
lateral é a taxa assintótica do decaimento dos picos dos lóbulos
laterais. Aumentando a taxa de atenuação do lóbulo lateral,
você pode reduzir a dispersão espectral.
Para selecionar a da função da janela devemos analisar as
características do sinal, pois cada função terá sua própria
característica e adequação para diferentes aplicações. Para
escolher uma função de janela, é necessário fazer uma
estimativa da frequência que sinal o sinal apresenta.
Se o sinal contiver componentes de frequência interferentes
de alta intensidade que estejam distantes da frequência de
interesse, escolha uma janela de suavização com alta taxa de
atenuação dos lóbulos laterais.
Se o sinal contiver sinais interferentes de alta intensidade
próximos da frequência de interesse, escolha uma função de
janela cujo nível máximo de lóbulo lateral seja baixo.
Se a frequência de interesse contiver dois ou mais sinais que
estejam muito próximos um do outro, a resolução espectral será
importante. Nesse caso, é melhor escolher uma janela de
suavização com lóbulo principal bastante estreito.
Se a exatidão da amplitude de uma componente de frequência
for mais importante que a localização exata dessa componente
em um dado bin de frequência, escolha uma janela com um
lóbulo principal largo.
Se o espectro do sinal for razoavelmente plano ou se o
conteúdo de frequência for de banda larga, utilize a janela
uniforme, ou nenhuma janela.
De forma geral, a janela de Hanning (Hann) é satisfatória em
95% dos casos. Ela oferece boa resolução em frequência e
dispersão espectral reduzida. Se você não sabe a natureza do
sinal mas quer aplicar uma janela de suavização, comece com a
janela de Hann.
Mesmo se você não utilizar uma janela, o sinal será
convolucionado com uma janela de formato retangular de altura
uniforme, pelo fato de se capturar um intervalo de tempo do
sinal de entrada e trabalhar com um sinal discreto. A
convolução tem um espectro característico da função senoidal.
Por esse motivo, não utilizar uma janela é muitas vezes
denominado janela uniforme ou retangular, porque haverá na
realidade um efeito de Janelamento.
As funções de janela de Hamming e Hann têm um formato
senoidal. Essas duas janelas resultam em um pico amplo com
lóbulos laterais pequenos. Entretanto, a janela de Hann tem
valor zero nas duas extremidades, eliminando qualquer
descontinuidade. A janela de Hamming não chega a zero; dessa
forma, ainda haverá uma pequena descontinuidade no sinal.
Devido a essa diferença, a janela de Hamming é melhor ao
cancelar o lóbulo lateral mais próximo, mas não tão bom em
cancelar os outros existentes. Essas funções de janela são úteis
para medições de ruído, nas quais uma melhor resolução em
frequência que algumas das outras janelas é desejada, mas
lóbulos laterais de intensidade moderada não representam
problema.
Figura 14. As janelas de Hamming e Han resultam em um pico amplo com
lóbulos laterais pequenos.
PROCESSAMENTO DIGITAL DE SINAIS – JUNHO DE 2018
5
A janela de Blackman-Harris é similar às janelas de
Hamming e Hann. O espectro resultante tem um pico amplo,
mas boa compressão do lóbulo lateral. Há dois tipos principais
dessa janela. A janela Blackman-Harris de 4 termos é uma boa
janela de uso geral, tendo rejeição de lóbulo lateral por volta de
90 dB e um lóbulo principal moderadamente amplo. A função
da janela de Blackman-Harris de 7 termos tem uma faixa
dinâmica que você nunca irá utilizar, mas oferece um lóbulo
principal amplo.
Figura 15. A função Blackman-Harris oferece um pico amplo, mas boa
compressão do lóbulo lateral.
A janela de Kaiser-Bessel é uma solução de compromisso
satisfatória entre as diversas metas conflitantes de exatidão de
amplitude, distância do lóbulo lateral e altura do lóbulo lateral.
Essa janela pode ser comparada grosseiramente às funções da
janela de Blackman-Harris, mas para uma mesma largura de
lóbulo principal, os lóbulos laterais próximos tendem a ser mais
altos, enquanto que os outros lóbulos laterais mais distantes são
menores. A utilização dessa janela muitas vezes revela sinais
próximos ao ruído de fundo.
A janela Flat Top ("topo plano") também é senoidal, mas
cruza a linha do zero. Isso provoca um pico muito mais amplo
no domínio da frequência, o que é mais próximo da amplitude
real do sinal que as outras janelas.
Figura 16. A janela Flat Top resulta em uma informação de amplitude mais
exata.
Essas são apenas algumas das funções de janela possíveis.
Não há uma regra universal para selecionar uma função de
janela. Entretanto, a tabela 1 pode ajudá-lo em sua escolha
inicial. Sempre compare o desempenho de diferentes funções
de janela, para encontrar a melhor para a sua aplicação.
TABELA 1
TIPOS DE JANELAS E ALGUMAS APLICAÇÕES
CONTEÚDO DO SINAL Janela
Onda Senoidal ou combinação de ondas
senoidais
Hann
Onda Senoidal (a precisão da amplitude
é importante)
Sinal aleatório de banda estreita
Flat Top
Hann
Ruído BrancoOndas Senoidais estreitamente espaçadas
Sinais de Resposta
Conteúdo desconhecido
Onda Senoidal ou combinação de ondas
senoidais
Uniforme
Uniforme, Hanning
Exponencial
Hann
Hann
Sinal aleatório de banda estreita
Ruído Branco
Dois tons com frequencias proximas,
mas amplitudes muito diferentes
Dois tons com frequencias próximas e
quase iguais
Hann
Uniforme
Kaiser-Bessel
Flat-Top
PROCESSAMENTO DIGITAL DE SINAIS – JUNHO DE 2018
6
IV. CONCLUSÃO
Como apresentado nesse artigo, não podemos falar de
Janelamento de Sinais sem antes entrarmos na transformada de
Fourier. Ao lançarmos um sinal no domínio do tempo a
representação dele se dá por meio de uma serie de senoides e
por meio da transformada de Fourier passamos a representar um
sinal no domínio da frequência, como isso podemos analisar
diversos tipos de frequências presentes em um sinal. Isso
facilita a leitura e a identificação de erros e falhas de operação,
nos permite analisar o crosstalk, ruído ou jitter existentes.
Porém a transformada de Fourier tem uma certa limitação e em
alguns casos é necessário a utilização da função de
Janelamento. Ela reduz a amplitude das descontinuidades nas
bordas de cada sequência finita adquirida pelo digitalizador.
Existe diversos tipos de Janelamento, cada um com suas
características para adequação do sinal, nesse relatório demos
um enfoque maior a Janela de Hanning que é mais satisfatória
e tem uma maior aplicação, ela oferece uma boa resolução em
frequência e dispersão espectral reduzida. Mas como para cada
sinal a ser estudado é recomendado sempre comprar o
desempenho de diferentes funções de janela afim de encontrar
sua melhor.
REFERENCIAS
[1] Disponível em: National Instruments “FFTs e Janelamento
(Windowing)”, http://www.ni.com/white-paper/4844/pt/,
Acesso em: jun.,10, 2018.
[2] A.O. Andrade, A.B. Soares, “Técnicas de Janelamento de
Sinais”.
[online]. Disponível em:
http://www.aoandrade.eletrica.ufu.br/Documents/T%E9cnicas
%20de%20Janelamento%20de%20Sinais.pdf
Acesso em: jun., 10, 2018.