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1
Literatura Brasileira
Aula 4
Profa. Me. Gisele Thiel Della Cruz
Organização da Aula
 Apresentação dos conceitos 
e das características do 
parnasianismo, simbolismo 
e pré-modernismo
 Contexto histórico
 Principais obras e autores
 Análise poesia – Bilac
 Análise fragmentos – Euclides 
da Cunha
Contextualização
Contexto Histórico Nacional
 Fim do Império e início 
da República
 Substituição da “República 
da Espada” pela “República 
do café com leite”
 Auge da economia cafeeira 
no Sudeste
 Entrada de grandes levas 
de imigrantes no país
 Esplendor da Amazônia, 
com o ciclo da borracha
2
 Surto da urbanização de São Paulo  Revolta de Canudos, na Bahia
 Cangaço, Lampião – interior do 
nordeste
 A modernização 
do Rio de janeiro
 O “Bota Abaixo” 
de Pereira Passos
 As diferenças sociais 
 A Belle Époque brasileira
 Parte da literatura do período, 
portanto, é marcada pelas 
contradições de um Brasil que 
recebeu a modernização de 
forma desigual, o que resulta em 
obras bastante distintas, mas 
que primam pela busca de tornar 
complexas tanto a questão do 
artista profissionalizado, (...)
(...) ou em vias de 
profissionalizar-se, quanto 
a de um país que se torna, 
cada vez mais, consciente 
dos contrassensos de uma 
modernização díspar
Conceitualização
3
O Parnasianismo 
(1880-1922)
 O parnasianismo surge no 
Brasil com a publicação do 
livro Sonetos e rimas (1880), 
de Luís Guimarães Jr
 Imposição contra o verbalismo 
e a sonoridade
 Inspiração antologia francesa 
Le parnasse contemporain (1866)
 Apolo e as musas do Parnaso – Anton 
Raphael Mengs
 Referência – princípios da poesia 
clássica rejeitada pelos 
românticos
 Recuperação da poesia árcade
 Princípios/características
• Arte pela arte
• Descompromisso com a 
realidade
• Objetividade
• Exatidão das palavras
• Perfeição formal
 A estética parnasiana se 
consolida quando os três 
principais poetas desse 
movimento publicam seus 
principais livros: Alberto de 
Oliveira com Meridionais (1884), 
Raimundo Correia com Versos 
e versões (1887), e Olavo Bilac 
com Poesias (1888)
4
“Vaso chinês”, de Alberto de Oliveira
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura,
Quem o sabe?… de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura;
Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa. 
(Oliveira, 1912, p. 177)
O Simbolismo (1893-1898?)
 Dificuldade de enquadrar 
o movimento
 Temporalidade –
do movimento
 Missal e Broqueis, ambos 
de 1893, de Cruz e Sousa 
 Influência de autores franceses 
que passaram a ser lidos no 
Brasil
 Flores do mal (1857) de 
Baudelaire – influência sobre 
parnasianismo e simbolismo
 As duas correntes se alimentam 
de certo espírito decadentista
 O simbolismo esbarrou na 
estética parnasiana, que já havia 
fincado pé na cultura letrada 
brasileira
Recursos Típicos 
do Simbolismo
Vozes veladas, veludosas vozes
Volúpia dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas
ALITERAÇÃO
5
“Palpitando os mastros
Ao som vermelho da canção de guerra”
“Como a doçura quente de um carinho”
“Mas uma voz de súbito gemendo
Sob o silêncio côncavo dos astros”
SINESTESIA
“Sou como um Réu de celestial Sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda”
INICIAS 
MAIÚSCULAS
“Antífona”, de Cruz e Sousa
Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
de luares, de neves, de neblinas!…
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas…
Incensos dos turíbulos das aras…
Formas do Amor, constelarmante puras,
de Virgens e de Santas vaporosas…
Brilhos errantes, mádidas frescuras (...)
(...) E dolências de lírios e de rosas…
Indefiníveis músicas supremas,
harmonias da Cor e do Perfume…
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume… […] 
(Cruz e Sousa, 1961, p. 69)
Pré-Modernismo 
(1902-1922)
 Produção de transição e 
consolidação das conquistas 
de nosso sistema Literário
 Antecipa as mudanças 
provocadas pela Semana 
de Arte Moderna de 1922
 Euclides da Cunha, Lima Barreto 
e Monteiro Lobato – obras com 
ecos das tensões que terão 
continuidade produtiva no 
modernismo de 1922 e de 1930
6
 Ruptura com o passado
 Denúncia da realidade brasileira
 Tipos humanos marginalizados
 Ligação com fatos políticos, 
econômicos e sociais 
contemporâneos
 Monteiro Lobato – Cidades 
Mortas e Urupês
 Passagem do café pelo Vale do 
Paraíba paulista
 Linguagem próxima da coloquial
 Presença do caipira paulista 
(Jeca Tatu)
 Lima Barreto – Triste fim de 
Policarpo Quaresma
 Retrato do governo de Floriano 
Peixoto e da Revolta da Armada
 Linguagem próxima da língua 
falada da época
 Personagens marginalizados, 
ignorantes e oprimidos
Aplicação Prática
Olavo Bilac
[…] Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto relevo
Faz de uma flor.
Imito-o. E, pois, nem de Carrara
A pedra firo:
O alvo cristal, a pedra rara,
O ônix prefiro.
Por isso, corre, por servir-me, (...)
(...) Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito: (...)
7
(...) Porque o escrever – tanta perícia,
Tanta requer,
Que ofício tal… nem há notícia
De outro qualquer.
Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma! 
(Bilac, 1949, p. 5-7)
Euclides da Cunha
 Os Sertões, relato sobre 
a Guerra de Canudos
• Linguagem cientificista
• Teorias deterministas 
(o homem é fruto do meio 
em que vive)
 Obra dividida em três partes: 
• A terra
• O homem
• A luta
 Luta do homem e da cultura 
isolados do mundo moderno e 
colocados bruscamente diante 
das exigências deste, da 
violência das forças 
republicanas, supera largamente 
uma perspectiva sociológica (...)
(...) de gabinete, ou mesmo 
o puro ensaísmo, a fim de 
construir uma representação 
literariamente relevante e 
problematizar o aspecto da 
realidade a que se dirige
8
 Segundo Antonio Candido 
(2002, p. 181), “muito mais 
que sociólogo, Euclides é quase 
um iluminado. As simplificações 
que operou, na síntese das 
grandes visões de conjunto, 
permitem-lhe captar a realidade 
mais profunda do homem 
brasileiro do sertão”
 “Por isso há nele uma visão 
por assim dizer trágica dos 
movimentos sociais e da 
relação da personalidade 
com o meio – físico e social. 
Trágica, no sentido clássico, 
de visão agônica em que 
o destino humano aparece 
dirigido de cima”
A Terra
Do alto da serra de Monte Santo atentando-se para a região, 
estendida em torno num raio de quinze léguas, nota-se, como 
num mapa em relevo, a sua conformação orográfica. 
E vê-se que as cordas de serras, ao invés de se alongarem para o 
nascente, medianas aos traçados do Vaza-Barris e Itapicuru, 
formando-lhes o divortium aquarum, progridem para o norte
O Homem
O sertanejo é, antes de tudo, um forte. 
Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos 
do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance 
de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável,o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações 
atléticas.
É desgracioso, desengonçado, torto. 
Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica 
dos fracos. 
O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, 
aparenta a translação de membros desarticulados. 
Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de 
displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente.
9
A Luta
Ora, entre eles, o coronel Moreira César era figura à parte.
Surpreendiam-se igualmente ao vê-lo admiradores e adversários. 
O aspecto reduzia-lhe a fama. De figura diminuta – um tórax 
desfibrado sobre pernas arcadas em parêntesis – era 
organicamente inapto para a carreira que abraçara.
Faltava-lhe esse aprumo e competição inteiriça que no soldado 
são a base física da coragem.
Apertado na farda, que raro deixava, o dólmã feito para ombros 
de adolescente frágil agravava-lhe a postura.
Síntese
Pontos-Chave
 Contexto de mudanças 
do Brasil e influências 
na produção literária
 O culto à forma 
do parnasianismo
 A sinestesia do simbolismo
 As denúncias sociais e a 
linguagem popular – o pré-
modernismo
 Euclides da Cunha e Os sertões 
– sociologia e literatura

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