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Biografia Vilanova Artigas nasceu em 23 de junho de 1915 em Curitiba (PR), filho de Alda Vilanova Artigas e Basílio Artigas, João Batista Vilanova Artigas. Inicia sua história em 1931, quando presta vestibular para a faculdade de engenharia no estado do Paraná, logo, transfere-se para a Escola Politécnica (Poli/SP) em São Paulo,para fazer engenharia e arquitetura. Após se formar em “engenheiro arquiteto”, Artigas faz estágio no escritório de Oswald Bratke. Considerado uns dos principais nomes da arquitetura paulista. Em 1973, funda a construtora Marrone & Artigas Engenheiros em sociedade com Diulio Marrone, ao mesmo tempo, participa de exposições da “Família Artística Paulistana” (FAP). Nesse período, conhece a artista plástica Virgínia e se casa. Artigas afasta-se da construtora em 1944, e decide montar um negócio próprio, ao lado do calculista Carlos Cascaldi, e funda com outros colegas a representação do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/SP), participando do primeiro Congresso Brasileiro de Arquitetura em São Paulo. Posteriormente, Artigas recebeu uma bolsa de estudos de arquitetura moderna nos EUA pela fundação John Simon Greggenheim. As bolsas são disponibilizadas para profissionais avançados em meio de carreira ,aqueles que demonstram excepcional capacidade para produtividade com a bolsa ou habilidade criativa excepcional em artes.Filia-se ao PCB (1947). Voltando ao Brasil, Vilanova, participa da criação da faculdade de Arquitetura em São Paulo (FAU/USP), onde passa a lecionar. Depois se torna representante da congregação da FAU no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA). Artigas ainda participa do Conselho de redação da revista “Fundamentos”, onde, entre outros, também se encontrava Oscar Niemeyer. Com o fim da Guerra Fria, Artigas publica na revista o artigo “Le Corbusier e o imperialismo” e logo, “Os caminhos da Arquitetura Moderna”. Devido sua viagem a URSS, Artigas é demitido da FAU/SP e continua lecionando apenas no curso de Arquitetura da Politécnica. Mas brevemente volta a dar aulas graças ao apoio dos alunos e do grêmio da FAU. Em 1956, Artigas se torna representante do IAB, fazendo parte da comissão para elaboração de reformulação do ensino de arquitetura, passa a ser presidente da comissão da Cultura do IAB em São Paulo, até ser eleito em 1961, para o conselho superior. Vilanova realiza uma sequência notável de projetos em São Paulo e ainda participa como representante do Brasil, na comissão para educação do arquiteto no congresso da União Internacional de Arquitetos em Praga. Artigas sofre as conseqüências do Golpe de 1964, que interrompeu sua carreira acadêmica por mais de uma década. É preso junto com os outros professores, e logo, se exila no Uruguai, de onde regressa, e vive clandestinamente enquanto aguarda o habeas corpus. Nesse período, também desmancha sociedade com Carlos Cascaldi. Após a inauguração da FAU-USP, Artigas é absolvido de sua cassação e foi aposentado juntamente com outros professores contra vontade. Mesmo Assim, ele participa da reunião de especialista sobre função do arquiteto organizada pela Unesco, e vira sócio da Sociedade Brasileira de Paisagismo. Também participa de congressos no exterior entre eles, no congresso recebe o prêmio Ischume em Varna, na Bulgária por sua contribuição ao ensino de arquitetura. E, em 1975, Artigas é representante da comissão de pratica profissional no congresso da União Internacional dos Arquitetos em Madri. Um ano depois, participa do 1° seminário para avaliação da metodologia de trabalho adotado para elaboração de projetos escolares. Em 1980, Artigas reassume como professor da FAU. No mesmo ano, no aniversário de 60 anos do IAB ele colabora na reunião sobre arquitetura contemporânea brasileira, abordando o tema com Oscar Niemeyer, realizando também palestras e orientando os trabalhos finais de graduação. Em 1983, a congregação de FAU não aprova sua reabilitação do cargo de professor titular, então Artigas submete-se a prestar concurso para recuperar a condição de contrato anterior a cassação em que o tema sorteado foi “A função social do arquiteto”. Poucos meses depois, intitulava-se: Professor Titular da FAU/USP, e logo mais, recebe o prêmio Augusto Perret ortogado aos arquitetos que desenvolvem pesquisas, de tecnologia aplicada a arquitetura. O prêmio Jean Tschumi outorgado pela UIA aos profissionais dedicados ao ensino de Arquitetura e Urbanismo, no congresso da UIA em Varna, na Bulgária por seu trabalho como professor. Artigas foi responsável por fazer várias obras educacionais, como: escolas, centro educacionais, ginásios, entre outros. Em 12 de janeiro de 1985, Vilanova Artigas falece em São Paulo. E em 2015 foi comemorado o seu centenário. OBRAS As obras de Vilanova vão de 1938 a 1978. Autor de mais de 700 projetos, dos quais cerca de 400 realizados, desenvolveu suas criações principalmente nos estados do Paraná e São Paulo. Destacam-se: Edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo; Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado, em Guarulhos; Passarelas Urbanas; Hospital São Lucas em Curitiba; Estádio de Futebol do Morumbi; clubes; sindicatos e várias casas. No início de sua carreira, Artigas é fortemente influenciado pelo arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright, por Le Corbusier, e pelo otimismo plástico, da arquitetura de Oscar Niemeyer . O arquiteto era adepto do “brutalismo”, e trilhou seu próprio caminho como criador do que hoje é identificada como “ Escola Paulista”; se tratando originalmente, da arquitetura produzida por um grupo radicado em São Paulo, que, com sua liderança, realizava uma arquitetura marcada pela ênfase na técnica construtiva: adoção do concreto armado aparente e valorização da estrutura sem uso de tintas ou revestimentos, deixando as construções com aspecto natural, tornando-as impactantes e puras, bem como o uso de rampas e grandes vãos. Cronologia das obras 1938 | casa arouche de toledo 1939| casa giulio pasquale, praça cívica (com warchavchick) 1940 | casa bertha gift steiner 1941 | casa ary fachada 1941 | casa luis aulicino 1942 | habitacional: casinha 1943 | habitacional: casa luis antônio leite ribeiro 1943 | habitacional: casa rio branco paranhos 1944 | conjunto de casas jaime e euzébio porchat 1944 | casa paroquial do jaguaré 1944 | habitacional: casa benedito levi 1944 | casa rivadávia mendonça 1945 | curitiba - pr saúde: hospital são lucas 1946 | são paulo – sp: edifício louveira 1948 | mam-sp 1948 | casa hanns victor trostli 1948 | londrina – pr: edifício da sociedade autolon e cinema ouro verde 1949 | são paulo – sp: casa czapsky (alice brill) 1949 | são paulo – SP: casa álvaro de sá 1949 | são paulo – SP: casa vilanova artigas 1950 | londrina – PR: casa da criança 1950 | são paulo – SP: casa elphy rosenthal 1950 | londrina – pr: 1951 | londrina – PR: santa casa de londrina 1952 | curitiba – PR: casa bettega 1953 | são paulo – SP: estádio do morumbi 1956 | são paulo – SP: casa olga e sebastião baeta 1958 | são paulo – SP: casa rubens de mendonça (triângulos) 1959 | são paulo – SP: sede do sindicato dos têxteis 1959 | itanhaém – SP: ginásio de itanhaém 1960 | guarulhos – SP: ginásio de guarulhos 1960 | são paulo – SP: vestiários do são paulo futebol clube 1961 | caiobá – PR: casa de praia de giocondo vilanova artigas 1961 | são paulo – SP: faculdade de arquitetura e urbanismo da usp 1961 | são paulo – sp: anhembi tênis clube 1961 | são paulo – SP: garagem de barcos do santa paula iate clube 1962 | são paulo – SP: ginásio de utinga 1962 | são paulo – sp: colégio 12 de outrubro 1962 | são paulo – SP:casa ivo viterito 1966 | são paulo – SP: casa mendes andré 1967 | são paulo – SP: casa elza berquó 1967 | guarulhos – SP: conjunto habitacional cecap guarulhos 1968 | são paulo – SP: escola industrial de vila alpina (com fábio penteado) 1969 | guarulhos – SP: sede do sindicato dos metalúrgicos de guarulhos 1970 | santo andré - sp educational: centro integrado de educação pré primária de vila alpina 1970 | praia grande – sp: colônia de férias dos têxteis 1970 | são paulo - sp housing: casa ester e ariosto martirani 1971 | são paulo - sp housing: casa juvenal juvêncio 1972 | são paulo – SP: passarelas emurb 1973 | são paulo - sp housing: cecap jundiaí 1973 | jaú – SP: estação rodoviária de jaú 1974 | são paulo - sp housing: casa domschke 1975 | paranavái - sp educational: centro educacional de paranavái 1975 | jaú - sp culture and leisure: balneário de jaú 1975 | pedro leopoldo – MG: laboratório nacional de referência animal - lanara 1978 | curitiba - pr housing:casa edgar e márcia nieclevicz As obras selecionas foram : O MORUMBI Em 1952, quando o São Paulo iniciava o grande sonho de erguer um gigante em meio ao nada, três escritórios de arquitetura famosos apresentaram projetos para o futuro estádio: A empresa soviética Antonov & Zolnerkevic, a firma de Gilberto Junqueira Caldas e o escritório de Vilanova Artigas, Gastão Rachou Jr, José Carlos Pinto, Carlos Cascaldi e David Ottoni. O projeto russo era o mais grandioso. Complexo e futurista, com cobertura retrátil e de vidro. Entretanto a vencedora foi a concepção de Vilanova Artigas. O principal atrativo desse projeto era a capacidade de público: 120 mil pessoas, originalmente. O menor custo de manutenção do estádio, nessa concepção, também foi um fator decisivo. Em 10 de março de 1953, o São Paulo FC apresentou ao público a maquete da futura praça esportiva. O projeto original contava com estádio de futebol, ginásio poliesportivo ao estilo "Morumbizinho" com capacidade para 20 mil pessoas, praça de atletismo e parque aquático com três piscinas (uma olímpica), ambos com arquibancadas para 5 mil pessoas, além de diversas quadras poliesportivas e sede social. A maquete e conceito original de Artigas para o Morumbi / O Cruzeiro de 10 de abril de 1954 Mas em 1954, Artigas doou os direitos do projeto ao próprio clube, que realizou alterações na concepção a fim de aumentar ainda mais a capacidade do estádio (unificou dois níveis de arquibancadas). Quando inaugurado concluído, em 1970, a capacidade era para 156 mil pessoas - o maior estádio particular do mundo. As 72 famosas colunas em "y", chamadas gigantes, sustentam 700 toneladas de peso cada uma. O projeto de Vilanova Artigas deu origem a uma construção forte, robusta, de linhas arrojadas e ao mesmo tempo agressivas. Morumbi no ano de sua inauguração CASINHA São duas casas construídas no terreno de mil metros quadrado. A primeira, em 1942, cinco anos após Artigas ter se formado, chamada de Casinha. Esta casa foi projetada para um casal sem filhos e influenciada pela arquitetura organicista de Frank Lloyd Wright. Ao mesmo tempo, ele rompe com a típica casa paulistana, com essa questão de espaços delimitados, e propõe em torno de um núcleo hidráulico que era o banheiro, um espaço contínuo. Emprega propostas interessantes como a ideia da cozinha ser aberta e não um elemento fora da casa, segundo costume daquela sociedade da década de 40, vinculados a uma estrutura colonial-escravocrata. Utiliza telhado tradicional com longos beirais e janelas até o teto, dispensando vergas (reforço estrutural). A segunda em 1949, é uma residência influenciada no racionalismo de Le Corbusier. É uma construção maior e moderna para a época, com uma marca mais racional e linhas geometrizadas Se caracteriza pelo uso do concreto armado na estrutura e pela ampla presença do vidro nas vedações. São nove espaços, sendo eles a lavanderia, garagem, acesso, dormitório, cozinha, sala de estar, estúdio e a Casinha. Os cômodos privados são pequenos e sala é o espaço de maior importância, ampla e bastante simples, integrada ao jardim e ao estúdio. O espaço social é simples, separado apenas por paredes, com grandes janelas de vidros que dão vista para todo o terraço que é contínuo até o escritório, conectando os espaços e abre-se em três lados, para a maior parte do terreno, que é ocupada pelo jardim, projetado por Burle Marx. Feita de diferentes materiais, em quase toda a casa, não há reboco, com exceção do maior dormitório, que é rebocado na parte externa. As paredes são apenas tijolos maciços pintados com tons de vermelho, azul, amarelo e branco. A casa não possui telhado, como era comum à muitas casas da época, incluindo a Casinha. Ao invés de telhado, há uma cobertura de laje em concreto, seguindo o estilo borboleta. A residência não tem porta de acesso direto da cozinha para o quintal, não tem fachada regular para rua, e não tem dependências para empregados. Artigas não concordava com a distinção de classes e da relação entre empregado/patrão, por isso não incluía quarto de empregados nos seus projetos. Estas obras, quebraram padrões, construíram novos conceitos e deixou a todos nós, além de uma bela obra para observação e admiração, um marco na história da cidade e de suas mudanças, tanto na arquitetura, quanto na sociedade daquele tempo. FAU Artigas era professor quando a FAU ainda funcionava na antiga Vila Penteado, um casarão em Higienópolis, e iniciou, em 1961, o projeto para o novo edifício da faculdade no campus universitário do Butantã, com a colaboração de Carlos Cascaldi. Construída em 1969, a faculdade se tornou uma das principais representantes da arquitetura modernista do país, se destacando nos usos do concreto bruto, do vidro e da simplicidade de suas linhas características do movimento, assim como a ênfase na integração dos espaços. Foi concebida de acordo com a filosofia da Bauhaus, combinando arte, técnicas industriais e atividades artesanais, proporcionando uma formação ampla para um profissional completo. Pode ser comparada externamente com um grande paralelepípedo em concreto, sustentado por pilares em forma de trapézios duplos, apoiados levemente sobre o solo. Os seis pavimentos, ligados por suaves e amplas rampas de inclinações variáveis, dão a sensação de um só plano. Na área interna do prédio encontram-se: oficinas de modelos, tipografia, laboratório fotográfico, estúdios, salas de aula, além de um auditório, biblioteca, café, secretarias, departamentos, um ateliê interdepartamental, o salão caramelo – amplo espaço de convívio social – e o museu “caracol”. A FAU foi tombada pelo CONDEPHAAT como patrimônio cultural do Estado, acabou se tornando uma das obras mais importantes da carreira de Artigas . Este, que na década seguinte, se transformou numa das figuras mais importantes da arquitetura em São Paulo. “A Fau é um espaço fluido, integrado, somático. A pessoa não sabe se está no primeiro andar, no segundo ou no terceiro.” Vilanova Artigas ESTUDO DA OBRA : CASA CZAPSKI Vilanova Artigas projetou a casa em 1949 para o médico Juljan Czapski e fotógrafa Alice Brill. A filha Silvia Czapski, conta que viveu seus primeiros 5 anos na casa. No livro “O Cavaleiro da Saúde”, biografia de seu pai Dr. Juljan Czapski, há relatos sobre sua construção e como era viver lá. “ A casa era uma jóia da arquitetura moderna, diferente de todas as outras. Para compensar o terreno inclinado, foi construída sobre pilotis. O telhado tinha formato em V dando à casa uma forma que alguns chamariamde asa de borboleta. Sua frente fora feita inteiramente com grandes placas de vidro transparente. Se a transparência tirava a privacidade da família , isso era um pequeno incomodo ao qual teriam de se acostumar. O laboratório fotográfico ficava na entrada. Para a alegria das crianças a rampa substituía a escada de acesso às demais dependências. Instalada para facilitar a circulação, a placa de linóleo no chão foi certa vez encerada: tornou-se escorregador de estimação para os mais novos, e à brincadeira. Por achar socialmente incorreto, o arquiteto não previra um quarto para empregada. Como na casa só se saia pela sala, era preciso atravessá-la com o lixo para levá-lo à rua. Mais um preço da arquitetura moderna, que colocava a beleza acima da praticidade. Mas nada disso tirava atração que a casa exercia sobre os amigos, que fizeram dela um ponto de encontro.” Trecho do Livro o Cavaleiro da Saúde pág; 115 e 116. A casa foi vendida em 1959, quando a quarta filha do casal nasceu, tornando a residência pequena para tanta gente. Atualmente a residência fica na rua André Dreyfus, 284 Vistas Fachada Vista lateral direita Vista lateral esquerda Vista da parte de trás da residência