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Frente B 
Módulo 03
Industrialização
Aula 1 
Dá-se o nome de industrialização ao processo histórico social por meio do qual a indústria fabril se torna o setor predominante da economia de um país. Começou na Inglaterra com a Revolução Industrial, espalhando-se depois pela Europa, Estados Unidos, Japão e mais tarde para outros países da Ásia, África e América Latina. O processo de industrialização está diretamente ligado a um intenso desenvolvimento urbano e do setor de serviços, referindo-se, particularmente, às atividades comerciais e financeiras.
 SANDRONI. Paulo. Dicionário de economia do século XXI. 
Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2005. Adaptado. 
A máquina a vapor, produzida por James Watt (1788), em exposição num museu em Londres. 
A indústria moderna nasceu nos séculos XVIII e XIX, quando surgiu a máquina a vapor. Com a invenção e a diversificação das máquinas, a produção aumentou e novos produtos foram criados. 
AS REVOLUÇÕES INDUSTRIAIS 
A partir do século XVIII, o mundo passou por profundas transformações, resultantes do processo das técnicas aplicadas à indústria. Assim, a sociedade deixou de ser predominantemente rural e artesanal para tornar-se urbana e industrial. A partir do século XIX, o fenômeno industrial deixou de ser exclusividade da Inglaterra e estabeleceu-se em outros países europeus, como Alemanha, Bélgica e França. Quase um século depois, outras áreas fora da Europa Ocidental, como Japão, Estados Unidos e Rússia, também estavam industrializadas. 
Transformações na estrutura fundiária, que promoveram intenso êxodo rural e liberaram a mão de obra para a cidade;
 Rápido crescimento da população, gerando um excesso de mão de obra disponível e barata. 
Grande acúmulo de capitais provenientes da expansão comercial e da política mercantilista. 
Os principais fatores que levaram a Revolução Industrial na Inglaterra foram: 
Inicialmente, as indústrias britânicas concentraram-se nas bacias carboníferas (Lowlands, Lancashire, Iorkshire, Cardiff) 
Primeira Revolução Industrial (1750-1870)
A Primeira Revolução Industrial marcou a supremacia da Inglaterra como potência mundial, seguida, posteriormente, por outras nações europeias. Com o desenvolvimento da máquina a vapor, ocorreu uma grande revolução nos transportes e da movimentação das máquinas. 
O carvão surgiu, então, como principal fonte energética. A indústria predominante era a têxtil, com emprego intensivo de mão de obra mal remunerada e sem qualificação. 
Extração de carvão mineral, atualmente a maior parte do processo de extração é feito por máquinas.
Segunda Revolução Industrial (1870-1970)
 
No final do século XIX, ocorreram modificações no processo industrial. Surgiram novas regiões industriais e os processos de fabricação ficaram cada vez mais complexos. Nesse período, a Inglaterra experimentou o seu declínio e nações como Alemanha e os EUA ascenderam ao papel de novas potências industriais. 
 
Verificou-se, nessa fase, o trabalho com a eletricidade e a invenção do motor a explosão, que revolucionaram o processo de produção vigente até então. As jornadas de trabalho foram reduzidas pela pressão dos sindicatos, a mão de obra teve um aumento salarial e a expansão das indústrias siderúrgicas, metalúrgicas e petroquímicas dinamizou a indústria automobilística, o que fez com que ocorresse a substituição do carvão pelo petróleo. 
Além disso, as grandes empresas multinacionais se expandiram geograficamente devido à disponibilidade de capital. 
A Terceira Revolução Industrial ocorreu a partir da década de 1970, quando as indústrias tradicionais tiveram a sua importância reduzida devido ao desenvolvimento da pesquisa científica e da tecnologia avançada. Essa inovações foram aplicadas fundamentalmente à informática, à robótica, às telecomunicações, à química fina, à biotecnologia, aos novos materiais, etc. 
 
 
	
 
Terceira Revolução Industrial ou Revolução Técnico-Científica (a partir de 1970)
PROCESSOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO NO MUNDO
	
Existem três processos principais de implantação da indústria nos diversos países que se desenvolveram ao longo dos tempos: a industrialização clássica, a industrialização tardia a industrialização planificada. 
Industrialização clássica – típica dos países desenvolvidos e teve início no século XVIII e estendeu-se ao longo do século XIX;
Industrialização tardia – é a industrialização típica dos países subdesenvolvidos e ocorreu, principalmente, após a Segunda Guerra Mundial (marcada pela substituição das importações);
Industrialização planificada – surgiu nos países que adotaram no século XX, o socialismo como modelo econômico (União Soviética, Polônia, Bulgária, China, entre outros). 
CLASSIFICAÇÃO DAS INDÚSTRIAS
Vários critérios são utilizados para classificar as indústrias. Pode-se levar em consideração a evolução histórica das indústrias, a tecnologia, o grau de acabamento dos produtos, o consumo de energia, o tipo de matéria-prima e a finalidade do produto. 
QUANTO AO FATOR HISTÓRICO
 
O artesanato que é considerado como o “precursor” das atividades industriais. 
A manufatura
 
Teve grande importância do século XVI até o século XVIII, quando as primeiras máquinas surgiram e uma nova fase da industrialização se processou. A manufatura corresponde a um estagio intermediário entre o artesanato e a maquinofatura. 
A divisão das tarefas é um dos princípios das atividades manufatureiras. 
A maquinofatura que surgiu a partir da segunda metade do século XVIII, na Inglaterra, quando se iniciava uma grande transformação na produção industrial devido ao aparecimento das primeiras máquinas modernas. Nesse contexto, a energia humana foi substituída pela energia a vapor e, mais tarde, pela eletricidade. 
 Apoia-se na divisão do trabalho e na especialização do homem;
A produção passa a ocorrer em série;
A fábrica ocupa um grande espaço com um número elevado de empregados. 
 
 
 
Indústria têxtil na Inglaterra século XVIII. 
	QUANTO À QUANTIDADE DE CONSUMO DE MATÉRIA-PRIMA E DE ENERGIA
 Indústrias de base ou de bens de produção: indústrias que podem ser consideradas de base são as metalúrgicas (metais) e as petroquímicas, responsáveis pela fabricação dos derivados de petróleo, como o óleo diesel, o asfalto, fibras sintéticas, plásticos, entre outros. 
 
 Indústrias de bens intermediários:
São as que fabricam máquinas e equipamentos para serem posteriormente utilizados por outras indústrias. 
QUANTO À FINALIDADE E AO DESTINO DOS BENS PRODUZIDOS
Indústrias bens de consumo duráveis: são aquelas que fabricam produtos que não se esgotam rapidamente, como, por exemplo, automóveis, eletrodomésticos, computadores, entre outros. 
Indústria s de bens de consumo não duráveis: fabricam produtos cujo esgotamento é rápido, por exemplo, bebidas, cigarros, alimentos perecíveis, entre outros. 
FATORES DE LOCALIZAÇÃO DAS INDUSTRIAS 
 
Matérias-primas;
Fontes de energia;
Água;
Espaço;
Meios de transportes;
Mão de obra.
CONCENTRAÇÃO DA ATIVIDADE INDUSTRIAL 
 
Os distritos industriais são áreas previamente escolhidas para a instalação de indústrias. Para atraí-las as prefeituras locais oferecem, normalmente, incentivos fiscais, preços reduzidos de terrenos e infraestrutura. 
Os parques industriais, também localizados dentro dos limites municipais, reúnem um menor número de indústrias dentro de uma área. 
Os complexos industriais são compostos por uma grande variedade de indústrias independentes, ou que se complementam, localizadas em uma grande área que abrange, muitas vezes, vários municípios de uma metrópole. 
Complexo industrial do Vale do Silício, próximo a São Francisco, na Califórnia (EUA) 
CONCENTRAÇÃO FINANCEIRA 
 
A concentração financeira começou a se acentuar no final do século XIX, como a formação de trustes e cartéis que pretendiam monopolizar o mercado. Dessa forma, as grandes empresas se fortaleceram na disputa de cada vez maior pelo mercado consumidor. 
Os principais modelos de organizaçõesempresariais são: 
Conglomerado: consiste em empresas de um mesmo grupo econômico, atuando diferentes setores ou ramos da economia para evitar prejuízos totais em um setor. Normalmente, nenhuma delas fornece elementos à linha de produção das demais. Trata-se de uma concentração horizontal. 
Truste: é constituído de varias empresas, do mesmo setor, que se fundem formando uma dinâmica organização financeira, com a finalidade de controlar e dominar o mercado, suprimindo a livre concorrência. Essas associações são controladas por leis antitrustes em todos os países. No Brasil, tais fusões são analisadas e controladas pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). 
Holding: é uma organização estratégica entre duas empresas de um mesmo setor que criam um terceira empresa para administrativa as duas primeiras com o objetivo de atingir, com menores investimentos, um maior mercado consumidor. Um exemplo é o caso da Volkswagen e da Ford, que, na década de 1980, formaram a Altolatina para gerenciar trocas de componentes entre as fábricas. Dessa associação surgiram automóveis híbridos, com peças compartilhadas entre modelos das duas montadoras. As multinacionais agem dessa forma para controlar suas subsidiárias em diferentes países. 
Cartel: é formado por um grupo de empresas independentes de um mesmo setor de produção industrial que controla e manipula o mercado. As empresas que formam os cartéis normalmente dividem os mercados em territórios, controlam os preços de venda, possuem acordo de volume de produção e têm controle sobre as matérias-primas. 
Joint-venture: é uma união de risco entre empresas de nacionalidades ou de regiões diferentes, mas do mesmo ramo de produção, que tem como objetivo operar um mesmo mercado e dividir o lucro. É obrigatório para empresas estrangeiras que, para entrarem na China, por exemplo, devem se associar a uma empresa local. 
SISTEMAS DE PRODUÇÃO
TAYLORISMO E FORDISMO 
Taylorismo 
Nos primeiros anos do século XX, o engenheiro estadunidense Frederick Taylor criou um método organizacional de trabalho, o qual foi denominado taylorismo. Taylor estudou maneiras de aperfeiçoar o processo produtivo por meio, por exemplo, da cronometragem de cada fase do trabalho, além de eliminar movimentos longos ou inúteis. Com isso, houve redução significativa do tempo dispendido e aumento no volume produzido. 
A cronometragem estabeleceu para cada operário o tempo a ser gasto em cada execução. Cabia aos engenheiros, e não ao trabalhador, determinar o tempo. 
Fordismo 
Nos primeiros anos do século XX, o engenheiro estadunidense Henry Ford revolucionou o modo de produzir mercadorias, ao estabelecer a produção em série na fabricação de automóveis. Esse modelo de produção foi denominado fordismo. 
A grande inovação de Ford foi fixar o trabalhador na linha de produção, fazendo a tarefa designada em uma posição predeterminada diante de uma esteira rolante. Dessa maneira, havia uma simplificação muito grande de cada etapa na linha de produção: o operário realizava apenas uma determinada operação ao longo da jornada de trabalho. 
A linha de produção em série elevou acentuadamente a produtividade da Ford. Para se ter ideia, o custo de produção de um automóvel, à época, diminuiu de US$ 1.340 para US$ 200, o que permitiu a um grande número de pessoas o acesso à aquisição desse bem. 
O 15.000.000o Ford modelo T produzido. 
Com o passar do tempo, o modelo fordista de produção exauriu-se. A superprodução gerava grandes estoques, nem sempre com mercado consumidor suficiente. Além disso, possíveis defeitos só eram detectados ao fim do processo de produção, o que aumentava os custos. Com isso, o modo de produzir mercadorias foi reinventado. 
Ford T 1902, modelo ícone do sistema de produção fordista 
Toyotismo 
O modo de produção toyotista surgiu nas unidades fabris da Toyota, a partir da década de 1950. Esse modelo é considerado um exemplo de produção flexível, no qual o trabalhador é constantemente qualificado, podendo, caso necessário, atuar em diversas funções relacionadas ao processo de produção. 
No quadro a seguir, compare os modelos de organização industrial fordista e toyotista.
Outro elemento fundamental na inovação toyotista é a maneira de gerenciar a unidade produtiva, denominada just-in-time (“na hora”), em que o ritmo produtivo se adapta às demandas do mercado. Com isso, os estoques de matérias-primas são reduzidos e é menor o capital de giro estagnado na unidade produtiva, o que pode gerar ganhos à empresa, pois esse capital pode ser investido no sistema financeiro. 
Obrigado!