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Súmula 542-STJ – Márcio André Lopes Cavalcante | 1 
 
Súmula 542-STJ 
Márcio André Lopes Cavalcante 
 
 
 
DIREITO PENAL 
 
LEI MARIA DA PENHA 
Súmula 542-STJ 
 
Súmula 542-STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência 
doméstica contra a mulher é pública incondicionada. 
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 26/8/2015, DJe 31/8/2015. 
 
Lesões corporais 
O crime de lesões corporais está previsto no art. 129 do Código Penal. Dentro desse artigo existem várias 
espécies de lesão corporal. Veja: 
 Caput: lesão corporal leve; 
 § 1º: lesão corporal grave; 
 § 2º: lesão corporal gravíssima; 
 § 3º: lesão corporal seguida de morte; 
 § 6º: lesão corporal culposa; 
 § 9º: lesão corporal decorrente de violência doméstica. 
 
O CP prevê, em algum dispositivo, que o crime de lesões corporais é de ação pública condicionada? 
NÃO. O CP não prevê, em nenhum lugar, que o crime de lesões corporais seja de ação pública 
condicionada. Quando a lei não afirma que determinado crime é de ação pública condicionada, a regra é 
que este delito seja de ação pública incondicionada. 
Assim, em regra, todos os crimes são de ação pública incondicionada, salvo se a lei prevê expressamente 
que ele seja de ação pública condicionada ou de ação privada. Esse comando está no art. 100, § 1º do CP: 
Art. 100. A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido. 
§ 1º A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de 
representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. 
 
Logo, se formos analisar unicamente o texto do CP, deveríamos entender que o crime de lesões corporais 
é sempre de ação pública incondicionada. Isso porque não existe nenhum dispositivo do CP que afirme o 
contrário. Por essa razão, até 1995, sempre se entendeu que todas as espécies de lesão corporal (incluindo 
a leve e a culposa) seriam crimes de ação penal pública incondicionada. 
 
Lei nº 9.099/95 veio alterar esse cenário 
Ocorre que, em 1995, foi editada a Lei dos Juizados Especiais (Lei nº 9.099/95). Essa Lei, com o objetivo de 
instituir medidas despenalizadoras, afirmou que os delitos de lesões corporais leves e de lesões corporais 
culposas deveriam ser crimes de ação penal pública condicionada. Veja a redação do art. 88 da Lei nº 9.099/95: 
Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, dependerá de representação a ação 
penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas. 
 
Assim, por exemplo, quando, em uma briga de bar, João desfere um soco em Ricardo, causando-lhe lesões 
corporais leves, este crime é de ação penal pública condicionada, ou seja, qualquer providência para 
apurar este delito e para dar início ao procedimento criminal só se inicia se o ofendido (no caso, Ricardo) 
tiver interesse e provocar os órgãos públicos (procurar a polícia ou o Ministério Público). 
 
Súmula 542-STJ – Márcio André Lopes Cavalcante | 2 
Repita-se que, se não houvesse este art. 88 da Lei n. 9.099/95, a ação penal nos crimes de lesões 
corporais leves e culposas seria pública incondicionada, considerando que o CP não exige representação 
para este crime (art. 129 c/c art. 100, § 1º do CP). 
 
As lesões corporais leves e culposas praticadas contra a mulher no âmbito de violência doméstica são de 
ação pública incondicionada ou condicionada? Em outras palavras, este art. 88 da Lei n. 9.099/95 também 
vale para as lesões corporais leves e culposas praticadas contra a mulher no âmbito de violência doméstica? 
NÃO. Qualquer lesão corporal, mesmo que leve ou culposa, praticada contra mulher no âmbito das 
relações domésticas é crime de ação penal INCONDICIONADA, ou seja, o Ministério Público pode dar início 
à ação penal sem necessidade de representação da vítima. 
O art. 88 da Lei nº 9.099/95 NÃO vale para as lesões corporais praticadas contra a mulher no âmbito de 
violência doméstica. 
 
Por quê? 
Porque a Lei nº 9.099/95 NÃO se aplica aos crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher. 
Veja o que diz o art. 41 da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006): 
Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da 
pena prevista, não se aplica a Lei 9.099, de 26 de setembro de 1995. 
 
Desse modo, a Lei nº 11.340/06 exclui de forma absoluta a aplicação da Lei nº 9.099/95 aos delitos 
praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas e familiares. 
 
Observações: 
 Se uma mulher sofrer lesões corporais no âmbito das relações domésticas, ainda que leves, e procurar 
a delegacia relatando o ocorrido, o delegado não precisa fazer com que ela assine uma representação, 
uma vez que a lei não exige representação para tais casos. Bastará que a autoridade policial colha o 
depoimento da mulher e, com base nisso, havendo elementos indiciários, instaure o inquérito policial; 
 Em caso de lesões corporais leves ou culposas que a mulher for vítima, em violência doméstica, o 
procedimento de apuração na fase pré-processual é o inquérito policial e não o termo circunstanciado. 
Isso porque não se aplica a Lei nº 9.099/95, que é onde se prevê o termo circunstanciado; 
 Se a mulher que sofreu lesões corporais leves de seu marido, arrependida e reconciliada com o 
cônjuge, procura o Delegado, o Promotor ou o Juiz dizendo que gostaria que o inquérito ou o processo 
não tivesse prosseguimento, esta manifestação não terá nenhum efeito jurídico, devendo a tramitação 
continuar normalmente; 
 Se um vizinho, por exemplo, presencia a mulher apanhando do seu marido e comunica ao delegado de 
polícia, este é obrigado a instaurar um inquérito policial para apurar o fato, ainda que contra a 
vontade da mulher. A vontade da mulher ofendida passa a ser absolutamente irrelevante para o início 
do procedimento; 
 É errado dizer que todos os crimes praticados contra a mulher, em sede de violência doméstica, serão de 
ação penal incondicionada. Continuam existindo crimes praticados contra a mulher (em violência 
doméstica) que são de ação penal condicionada, desde que a exigência de representação esteja prevista no 
Código Penal ou em outras leis, que não a Lei n. 9.099/95. Assim, por exemplo, a ameaça praticada pelo 
marido contra a mulher continua sendo de ação pública condicionada porque tal exigência consta do 
parágrafo único do art. 147 do CP. O que a Súmula nº 542-STJ afirma é que o delito de LESÃO CORPORAL 
praticado com violência doméstica contra a mulher, é sempre de ação penal incondicionada porque o art. 
88 da Lei n. 9.099/95 não pode ser aplicado aos casos da Lei Maria da Penha. 
 
Entendimento do STF 
Vale ressaltar que a Súmula nº 542-STJ reflete o entendimento do STF construído no julgamento da ADI 
4424/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/02/2012).

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